BG:
CHOQUE E PAVOR
Lembrei dessa agora: no meio da quebradeira do show da Viana Moog, após alguns lmls distribuídos por Cidade e cia., resolvi fazer uma brincadeira e berrar "LIBERTA, DJ"!
Só faltou a guria que tava na minha frente me encher de porrada. Ouvi um "ÃHN?" que pareceu-me a maior expressão de sentimento de repulsa que eu já presenciei.
Trimmmmassa.
Pela descrição, a expressão foi idêntica à que eu recebi:
- Toca um The Cure!
- Não tenho.
- Não tem???
- Não curto.
- [MAIOR EXPRESSÃO DE SENTIMENTO DE REPULSA QUE EU JÁ PRESENCIEI]
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
segunda-feira, 31 de março de 2003
Desde o último show da Acretinice Me Atray no Garagem Hermética antigo, em 1999, que eu não via mais o Egisto. Um dia eu vi o Leo Felipe e achei que ele era o Egisto. Passei um tempo achando que o Leo era o Egisto. Ou que os dois eram a mesma pessoa. Já faz algum tempo que eu conheço o Leo, e sei que ele não é o Egisto, mas continuei não vendo o Egisto. Finalmente sábado, depois de quatro anos, eu vi o Egisto! Ele tem uma tatuagem na orelha e olhos meio fechados.
domingo, 30 de março de 2003
A segunda noite do mini-festival foi o evento mais divertido e catártico que o Apanhador já promoveu. A discotecagem foi até as 5h30, lembrando a festa com Poliéster/Laranja Freak, cuja dança pós-shows também foi extensa e memorável. Menção honrosa ao Tisco (Viana Moog) e ao Daniel (Freak Funk), que se emocionaram com a minha seleção musical; e ao cara que simpaticamente me pediu para rodar um Sugarcubes, cujo CD era de propriedade da Gisele, uma menina que disse que ter conhecido o Apanhador recentemente foi um marco para ela, mas não deu detalhes. Muitos amigos estavam presentes (incluindo o Felipe Dreher, que me pediu para segurar um mosh seu), o que garantiu a minha diversão pessoal non-stop. Eu, o Mauricio, o Arlen, o Vignoli e o Marcos celebramos juntos. Celebrado, eu percebi o quanto duas figuras são umas figuras: o Bruno Galera, que se mexe e fala numa velocidade sobrenatural; e o Vignoli, que eu não conhecia ainda pessoalmente, mas que é bastante simpático e agradável aparecendo e se mexendo (além de bem parecido com o Tiago Ianuck/John Voyers), sendo um desperdício ele só escrever ou falar na rádio. O baixista da Sensifer, Renan, é um dos melhores que eu já vi tocando (além de achá-lo algo parecido com o Spud): ele consegue tocar uma nota só, numa música, algo impossível para os baixistas ordinários. O baterista da Viana Moog, Mack, usou o prato de condução de uma forma em que os bateristas ordinários nem pensam: marcando o tempo com ele, mas batendo de modo que ele fique soando sem parar como um grande chiado bonito intermitente. Não bastasse isso, a Sensifer (destaque para Gavilã e Jacó) encerrou com Shadowplay do Joy Division e um ritual selvagem. Bruno Galera, um dos guitarristas, escreveu no blog dele:
OBRIGADO, NOVO HAMBURGO
Sim, obrigado. Obrigado por proporcionar o melhor show da história da Sensifer. Obrigado por proporcionar uma grande noite de rock para o estado. E obrigado por proporcionar uma guitarrada no meio das minhas fuças, que rendeu o primeiro par de pontos que meu corpo já recebeu.
OBRIGADO, NOVO HAMBURGO
Sim, obrigado. Obrigado por proporcionar o melhor show da história da Sensifer. Obrigado por proporcionar uma grande noite de rock para o estado. E obrigado por proporcionar uma guitarrada no meio das minhas fuças, que rendeu o primeiro par de pontos que meu corpo já recebeu.
Segunda noite do festival do Apanhador
DISCOTECAGEM minha
1. Queens Of The Stone Age - You think I ain´t worth a dollar, but I feel like a millionaire
2. Sonic Youth - In the kingdom #19
3. Broken Social Scene - Almost crimes (radio kills remix)
4. Nine Inch Nails - Wish
5. Placebo - Bulletproof cupid
6. Explosions In The Sky - Have you passed through this night? [não saiu som...]
7. John Frusciante - Going inside
8. Frank Poole - Canção sobre Cecília
[show da Girlish e discotecagem do Charles]
10. Deus E O Diabo - Cocaína (R$ 10,00)
11. Mogwai - [eu queria tocar Ithica, mas não sei qual saiu...]
12. Blonde Redhead - Astroboy
13. Built To Spill - You are [era para ser The plan...]
14. Explosions In The Sky - Have you passed through this night?
15. The Flaming Lips - Turn it on
16. Primal Scream - Shoot speed/kill light
17. The Velvet Underground - White light/white heat
18. Tom Bloch - Nessa casa
19. Super Furry Animals - God! show me magic
20. Pixies - Manta ray
21. Underworld - Born slippy
22. Grandaddy - The crystal lake
23. Sugarcubes - [faixa 5 do CD da Gisele]
24. Squarepusher - Goodnight Jade [por engano...]
25. Frank Poole - Fokker 100
26. Teenage Fanclub - About you
27. Nine Inch Nails - Starfuckers inc.
28. Squarepusher - North circular
29. Radiohead - Packt like sardines in a crushd tin box
30. Yo La Tengo - Sugarcube
31. Air - Sexy boy
32. Marylin Manson - Beautiful people
33. Morphine - Super sex
34. Placebo - English summer rain
35. Placebo - Slackerbitch
36. Joy Division - Shadowplay
37. Frank Poole - Galla
38. Nick Cave & The Bad Seeds - The mercy seat
39. Porsche - Palavras santas
40. Sheik Tosado - Hardcore brasileiro
41. Cul De Sac - ...His teeth got lost in the matress...
42. Porsche - Acabou a guerra
DISCOTECAGEM minha
1. Queens Of The Stone Age - You think I ain´t worth a dollar, but I feel like a millionaire
2. Sonic Youth - In the kingdom #19
3. Broken Social Scene - Almost crimes (radio kills remix)
4. Nine Inch Nails - Wish
5. Placebo - Bulletproof cupid
6. Explosions In The Sky - Have you passed through this night? [não saiu som...]
7. John Frusciante - Going inside
8. Frank Poole - Canção sobre Cecília
[show da Girlish e discotecagem do Charles]
10. Deus E O Diabo - Cocaína (R$ 10,00)
11. Mogwai - [eu queria tocar Ithica, mas não sei qual saiu...]
12. Blonde Redhead - Astroboy
13. Built To Spill - You are [era para ser The plan...]
14. Explosions In The Sky - Have you passed through this night?
15. The Flaming Lips - Turn it on
16. Primal Scream - Shoot speed/kill light
17. The Velvet Underground - White light/white heat
18. Tom Bloch - Nessa casa
19. Super Furry Animals - God! show me magic
20. Pixies - Manta ray
21. Underworld - Born slippy
22. Grandaddy - The crystal lake
23. Sugarcubes - [faixa 5 do CD da Gisele]
24. Squarepusher - Goodnight Jade [por engano...]
25. Frank Poole - Fokker 100
26. Teenage Fanclub - About you
27. Nine Inch Nails - Starfuckers inc.
28. Squarepusher - North circular
29. Radiohead - Packt like sardines in a crushd tin box
30. Yo La Tengo - Sugarcube
31. Air - Sexy boy
32. Marylin Manson - Beautiful people
33. Morphine - Super sex
34. Placebo - English summer rain
35. Placebo - Slackerbitch
36. Joy Division - Shadowplay
37. Frank Poole - Galla
38. Nick Cave & The Bad Seeds - The mercy seat
39. Porsche - Palavras santas
40. Sheik Tosado - Hardcore brasileiro
41. Cul De Sac - ...His teeth got lost in the matress...
42. Porsche - Acabou a guerra
"Não há dúvidas de que Dave precisa de um veículo para trazer para fora o melhor da sua guitarra. E ele é um grande guitarrista. Mas a idéia, que ele tentou propagar ao longo dos anos, de que ele é mais musical do que eu, é fucking nonsense absoluto. É uma noção absurda, mas as pessoas parecem completamente felizes por acreditarem nisso." (Roger Waters)
"Roger tinha um empenho fantástico e um bom cérebro para letras. Ele era uma força muito empenhada e critativa. E eu suponho que eu poderia dizer que eu tinha muito mais senso de musicalidade do que ele tinha. Eu podia certamente cantar no tom muito melhor." (David Gilmour)
A Rolling Stone fez uma reportagem comemorativa: 30 Years of Dark Side Of The Moon. (Obs.: Ambas as respostas são atuais e para perguntas diferentes, em entrevistas diferentes.)
"Roger tinha um empenho fantástico e um bom cérebro para letras. Ele era uma força muito empenhada e critativa. E eu suponho que eu poderia dizer que eu tinha muito mais senso de musicalidade do que ele tinha. Eu podia certamente cantar no tom muito melhor." (David Gilmour)
A Rolling Stone fez uma reportagem comemorativa: 30 Years of Dark Side Of The Moon. (Obs.: Ambas as respostas são atuais e para perguntas diferentes, em entrevistas diferentes.)
CARTA GENTIL 35 (Palavras Gentis do Beto Só, aquele que tem os Solitários Incríveis e que canta Isadora)
Em tempos de guerra – estúpida guerra – começo a ter medo de ser um artista ultrapassado. Minhas letras não cantam mensagens de paz ou de repúdio à arrogância americana que atinge em cheio minha sensação de ser dono do meu próprio destino. Arrogância que faz com que eu me sinta mais um inseto que pode a qualquer momento ser esmagado na sola do sapato de um gigante burro, bélico, cego e injusto. Minhas letras não propõem boicote aos produtos americanos, única ação nossa que parece ser possível, já que eles cagam nos Direitos Humanos e nos transformaram em simples consumidores. Meus refrões não berram contra a América nem procuram conscientizar a juventude sobre a tirania do imperialismo do norte. De repente, tudo que parecia antigo pra mim volta a fazer sentido. As “ingênuas” letras contra o “sistema” voltam a soar as mais adequadas, sinceras e atuais. O que só pode significar uma coisa: os Estados Unidos estão fazendo o mundo retroceder. Eles acusam seus inimigos de medievais, mas são eles que acionam a máquina do tempo e nos fazem voltar décadas – com o ônus de chegarmos ao passado envelhecidos e cansados, obrigados a percorrer de novo todo o caminho vencido.
(...) Frente ao horror da guerra, minhas letras pessoais, sobre meus amores, minha solidão e meus medos, começam a me incomodar porque soam covardes. Como se me recolhesse ao meu mundo pra não precisar pensar no Mundo. É com esse incômodo que viajo pra São Paulo, a trabalho, e me dirijo à USP para uma reunião com intelectuais da comunicação. (...)
Em tempos de guerra – estúpida guerra – começo a ter medo de ser um artista ultrapassado. Minhas letras não cantam mensagens de paz ou de repúdio à arrogância americana que atinge em cheio minha sensação de ser dono do meu próprio destino. Arrogância que faz com que eu me sinta mais um inseto que pode a qualquer momento ser esmagado na sola do sapato de um gigante burro, bélico, cego e injusto. Minhas letras não propõem boicote aos produtos americanos, única ação nossa que parece ser possível, já que eles cagam nos Direitos Humanos e nos transformaram em simples consumidores. Meus refrões não berram contra a América nem procuram conscientizar a juventude sobre a tirania do imperialismo do norte. De repente, tudo que parecia antigo pra mim volta a fazer sentido. As “ingênuas” letras contra o “sistema” voltam a soar as mais adequadas, sinceras e atuais. O que só pode significar uma coisa: os Estados Unidos estão fazendo o mundo retroceder. Eles acusam seus inimigos de medievais, mas são eles que acionam a máquina do tempo e nos fazem voltar décadas – com o ônus de chegarmos ao passado envelhecidos e cansados, obrigados a percorrer de novo todo o caminho vencido.
(...) Frente ao horror da guerra, minhas letras pessoais, sobre meus amores, minha solidão e meus medos, começam a me incomodar porque soam covardes. Como se me recolhesse ao meu mundo pra não precisar pensar no Mundo. É com esse incômodo que viajo pra São Paulo, a trabalho, e me dirijo à USP para uma reunião com intelectuais da comunicação. (...)
"As formas e seus preços médios de se aliviar a dor:
Psicólogo...................R$ 150,00 a sessão
Maconha....................R$ 3,00 o baseado
Cocaína......................R$ 20,00 a carreira
Doril...........................R$ 0,50 envelope com 4
Prostituta low level......R$ 80,00 a noite
Prostituta high level.....R$ 500,00 a noite
Cafuné de mão amiga..R$ 4,00 p/ chegar até a casa dela
Prozac.......................R$ sei lá
Cinema Hollywood.......R$ 6,00 o ingresso
Cigarro.......................R$ 2,00 a carteira
ICQ, IRC e internet......R$ 100,00 por mês (tel. + provedor)
Jogar bola..................R$ 50,00 a bola
Heroína......................R$ sei lá
Tomar cerveja.............R$ 20,00 (c/ combustível até o bar)
Raves Exxxperience...R$ 75,00 (com extase no pacote)
Correr até cansar........R$ sem valor
Ir a igreja católica........R$ 3 a 10,00 (contribuição decente)
Ir a igreja evangélica...R$ sei lá (mas deve ser mais que 10)
Ajudar os pobres........R$ 3,00 (o quilo do arroz)
Tomar LSD.................R$ sei lá
Ver filme em casa.......R$ 10,00 (locação + pipoca)"
(john voyers & tiago)
Psicólogo...................R$ 150,00 a sessão
Maconha....................R$ 3,00 o baseado
Cocaína......................R$ 20,00 a carreira
Doril...........................R$ 0,50 envelope com 4
Prostituta low level......R$ 80,00 a noite
Prostituta high level.....R$ 500,00 a noite
Cafuné de mão amiga..R$ 4,00 p/ chegar até a casa dela
Prozac.......................R$ sei lá
Cinema Hollywood.......R$ 6,00 o ingresso
Cigarro.......................R$ 2,00 a carteira
ICQ, IRC e internet......R$ 100,00 por mês (tel. + provedor)
Jogar bola..................R$ 50,00 a bola
Heroína......................R$ sei lá
Tomar cerveja.............R$ 20,00 (c/ combustível até o bar)
Raves Exxxperience...R$ 75,00 (com extase no pacote)
Correr até cansar........R$ sem valor
Ir a igreja católica........R$ 3 a 10,00 (contribuição decente)
Ir a igreja evangélica...R$ sei lá (mas deve ser mais que 10)
Ajudar os pobres........R$ 3,00 (o quilo do arroz)
Tomar LSD.................R$ sei lá
Ver filme em casa.......R$ 10,00 (locação + pipoca)"
(john voyers & tiago)
sexta-feira, 28 de março de 2003
"(...) Rock. Pilger, profeta, me apresentou Blanched. E até hoje eu mal sei falar sobre o porquê d'eu gostar dessa banda. Sensacional? Horrível? Lembrem-se: a paixão que nos une é a mesma. Uma das minhas bandas nacionais prediletas, é essa a verdade. O por quê importa? Se importa, prometo que o dia em que descobrir digo para vocês, camaradas gaúchos. Nunca estive no Rio Grande do Sul, eu sei. Não sei, claro, pois já estive aos doze anos em Novo Hamburgo, onde passei dois dias e nunca mais desci. Uma pena. Mas estou com viagem marcada para aí, para a terra de vocês, em junho. (...)" (Rafael Spoladore)
Quem faz a arte evoluir são os destaques, aqueles que provocam saltos (evolução). E estes, para provocar tais saltos, antes fruem os saltantes anteriores. (...) Ninguém decide o que é arte. Ou melhor: cada um decide, para si. (...) Uma cena musical movimentada só que com pouca criatividade tem como única função movimentar a economia.
Não poderia deixar de registrar aqui o elogio do cara da Frank Poole, melhor banda brasileira, uma das únicas do país que tem a sonoridade de que eu mais gosto, junto com a Blanched.
Olá Blanched!
Ouvi agora o disco de vcs, com 3 músicas, gostei bastante! O som é muito bom e as letras ficaram bem legais, gostei mesmo! Os shows devem ser bons também, pelo que percebi dos contrastes e barulhos!
Parabéns!
Têm material novo em vista?
Falou!
Yury
Olá Blanched!
Ouvi agora o disco de vcs, com 3 músicas, gostei bastante! O som é muito bom e as letras ficaram bem legais, gostei mesmo! Os shows devem ser bons também, pelo que percebi dos contrastes e barulhos!
Parabéns!
Têm material novo em vista?
Falou!
Yury
quinta-feira, 27 de março de 2003
Durante a minha adolescência, eu senti uma necessidade impotente de manifestar às meninas que eu achava bonitas o quanto eu as achava bonitas. (Desde sempre a beleza me afeta profundamente, me maravilha.) Eu decidia que, na próxima vez, eu dirigiria umas palavras à menina que passasse por mim na rua e que me despertasse tal vontade. Mas havia a impotência, porque instrumentos eu não tinha; pelo contrário, somente a timidez a insegurança. Hoje, bem ou mal, eu tenho o texto - e a coragem.
Quem me conheceu antes da Madi sabe o quanto a Madi foi importante para a minha pessoa. O casamento entre mim e ela provocou um crescimento mútuo, de modo que ambos ficamos mais potenciais. Me dei conta disso e me emocionei com isso no show do Jupiter no Manara. (O assunto surgiu ontem, diante da mesma idéia tida pelo Charles. Ele disse que a minha vantagem é que eu não retrocedi. Sinto que foi uma coisa que eu aprendi, incorporei.) Eu só ainda não o havia manifestado, pelos ecos de decepção que eram emitidos pelos fatos que me entristeceram. Mas a melhor vida é destacar as coisas boas e seguir adiante, sempre adiante.
Quem me conheceu antes da Madi sabe o quanto a Madi foi importante para a minha pessoa. O casamento entre mim e ela provocou um crescimento mútuo, de modo que ambos ficamos mais potenciais. Me dei conta disso e me emocionei com isso no show do Jupiter no Manara. (O assunto surgiu ontem, diante da mesma idéia tida pelo Charles. Ele disse que a minha vantagem é que eu não retrocedi. Sinto que foi uma coisa que eu aprendi, incorporei.) Eu só ainda não o havia manifestado, pelos ecos de decepção que eram emitidos pelos fatos que me entristeceram. Mas a melhor vida é destacar as coisas boas e seguir adiante, sempre adiante.
Eis a visão do mundo sem o filtro grosso da cultura. Uma visão um pouco rara, cuja ocorrência pode ser facilitada pelo uso de drogas, inclusive. Nota-se o niilismo na consciência da lógica da natureza e do papel insignificante e único de cada indivíduo, deixando de lado os adornos da vida e o conseqüente desperdício de energia. O tom religioso, advindo da educação familiar do personagem-autor, é apenas uma roupa estranha para um corpo bonito. Roupa esta que ele atira longe quando avista aquela menina na beira do mar que o desperta para o coração selvagem da vida. "A vida tornava-se um dom divino, e da qual cada momento e cada sensação, mesmo à vista duma simples folha desabrochando num broto de árvore, a sua alma se agradaria, agradecendo ao Doador. O mundo, com toda a sua sólida substância e complexidade, não existia para a sua alma mais do que como um teorema de universalidade, do poder e do amor divino. Tão inteiriço e inquestionável era esse senso do desígnio divino em toda a natureza aderido à sua alma, que mal podia compreender por que, afinal de contas, seria necessário que ele devesse continuar a viver." (JOYCE)
quarta-feira, 26 de março de 2003
Carisma: mais uma palavra incorporada ao meu vocabulário de requisitos para as pessoas e de conseqüentes elogios. Até hoje, chamei o carisma de beleza (da alma). Note que as classificações são o de menos, em tudo. "O carisma em alto grau é magnético, hipnótico. Em grau menos elevado, faz de seu portador uma pessoa com quem nos sentimos bem, relaxados, mais alegres, com vontade de conversar. A mensagem silenciosa: é a primeira impressão que as pessoas causam aos estranhos antes de abrir a boca. Pode ser chamada de 'presença', 'aura', 'energia' ou 'linguagem corporal'. A mensagem silenciosa é emitida pela roupa, pelas expressões faciais e pelos gestos. Seu poder: os ditados segundo 'a imagem é quase tudo' e 'não se tem uma segunda chance de causar a primeira impressão' refletem a realidade." (Roseli Loturco, Veja de 14 de agosto de 2002)
RADIOHEAD
Hail to the thief
10 de junho
1. 2 + 2 = 5
2. Sit down. Stand up.
3. Sail to the moon
4. Backdrifts
5. Go to sleep
6. Where I end and you begin
7. We suck young blood
8. The gloaming
9. There there
10. I will
11. A punch-up at a wedding
12. Myxamatosis
13. Scatterbrain
14. A wolf at the door
Hail to the thief
10 de junho
1. 2 + 2 = 5
2. Sit down. Stand up.
3. Sail to the moon
4. Backdrifts
5. Go to sleep
6. Where I end and you begin
7. We suck young blood
8. The gloaming
9. There there
10. I will
11. A punch-up at a wedding
12. Myxamatosis
13. Scatterbrain
14. A wolf at the door
terça-feira, 25 de março de 2003
Vim escutando na BR-116 a fita do show da Poliéster no BR-3 (com os gritos - empolgados e empolgantes - reconhecíveis do Rodrigo "Baixista"). A banda era muito boa!, mas com um problema-detalhe musical insolúvel: a guitarra do Porsche, que praticamente só faz bases violonescas, quase sessentistas - ele não sabe fazer riffs e powerchords, o que atrapalha a criação de arranjos e a densidade nos momentos distorcidos. Insolúvel porque ele não consegue cantar sem tocar. Extramusicalmente há um outro problema: a vontade muito grande que ele tem há anos de fazer sucesso e de viver da música, o que acaba atropelando a tranqüilidade necessária à evolução de uma banda, que não tem como não ser gradual, conquistada no decorrer de ensaios e de shows. O repertório era este:
* "Introdução"
* Estou tão feliz
* "Peixinho dourado no aquário"
* Épico de sangue
* Beijos psicodélicos
* Ingrid Bergman e as meninas superpoderosas
* Supermercado
* Louco poço da paz (letra: Nenung)
* HQ
* "Pós-rock"
* O novo
* Celebração (Vamos dançar)
* "Introdução"
* Estou tão feliz
* "Peixinho dourado no aquário"
* Épico de sangue
* Beijos psicodélicos
* Ingrid Bergman e as meninas superpoderosas
* Supermercado
* Louco poço da paz (letra: Nenung)
* HQ
* "Pós-rock"
* O novo
* Celebração (Vamos dançar)
DEBATE: Por que, dentre os que gostam de manifestações artísticas como pós-rock, David Lynch e Monty Python, que já são poucos, as mulheres tendem a representar uma porcentagem, digamos, menor do que uns 20%? Por que mulheres são minoria em bandas de rock? Por que mulheres são minoria em destaques da arte? Por que atrizes nunca vão chegar aos pés dos melhores atores? Por que não existem mulheres humoristas? Por que não existem diretoras de cinema? Por que não existem mulheres (boas) guitarristas? Por quê?
"Eu acho tão bonito o jeito com que vocês nos tratam aqui, mais humilde." (Ema, faxineira, referindo-se ao setor da PGE onde eu trabalho: PPA) Quantos indivíduos que formaram-se numa área HUMANA, fazem questão de serem chamados de DOUTORES, mas não aprenderam NADA ainda - e provavelmente não vão aprender NUNCA?
segunda-feira, 24 de março de 2003
Às vezes, a necessidade da realidade acaba por manchar histórias bonitas. "A primeira vantagem é que quando a história acaba, ela não termina. Cai dentro de um buraco. Então, a história reaparece na metade... Esta é a segunda vantagem, e a maior... pois é possível mudar a história. Se você me permitir. Se me der tempo."
" . . . a Blanched é uma das poucas bandas na atualidade que consegue transmutar suas influências em algo novo, sem soar repetitivo ou parecer uma cópia . . . a Blanched é uma das melhores bandas que o Sul possui atualmente e que só se pode tentar entender escutando com atenção cada uma de suas faixas. Tá esperando o quê?" (Daniel Spot, Cheirando Cola)
"(...) Larguei o carro ali no meio e fomos pra fila, onde já encontrei o catedrático Douglas Dickel dando uns coordenóis intelectuais por ali. (...)" (GALERA, Bruno. Translado para a lucidez.)
ca.te.drá.ti.co adj. 1. Diz-se do lente efetivo de escola superior. 2. Relativo à cátedra. 3. Grave, doutoral: Maneiras catedráticas. S. m. Professor titular de curso superior. (Michaelis)
catedrático s.m. 1. Detentor de cátedra em estabelecimento de ensino; lente. 2. Conhecedor profundo; especialista em determinado assunto. Adj. 3. Relativo a cátedra. 4. De catedrático. (Luft)
ca.te.drá.ti.co adj. 1. Diz-se do lente efetivo de escola superior. 2. Relativo à cátedra. 3. Grave, doutoral: Maneiras catedráticas. S. m. Professor titular de curso superior. (Michaelis)
catedrático s.m. 1. Detentor de cátedra em estabelecimento de ensino; lente. 2. Conhecedor profundo; especialista em determinado assunto. Adj. 3. Relativo a cátedra. 4. De catedrático. (Luft)
domingo, 23 de março de 2003
Olha só os argumentos que o Fabricio, baterista e compositor da banda grunge Pulse, tem para justificar por que adota letras em inglês:
"(...) Se o público prefere cantar músicas em português, então por que sempre reclama que as bandas estrangeiras quase não vêm ao Brasil? E, quando elas vêm, por que o público lota os shows e canta junto as letras (e, quando não cantam, praticam o embromation)? (...) Ou simplesmente por se darem conta que é muito mais fácil compor em inglês, principalmente para quem não tem a veia poética de compor em português (onde me incluo). Esta língua pátria e mátria que eu muito aprecio, mas que, vamos concordar, é um horror de tão difícil. São poucas as pessoas que falam o português correto. 'Tá, mas e o sotaque, como é que fica?', falou outra figura. Bom, o sotaque vai permanecer, de uma forma mais acentuada ou não. (...) Ah, e ainda, alguém já prestou mesmo atenção no sotaque das bandas inglesas cantando? É bonito? Cara, nós engolimos cada coisa e não nos damos conta. (...) Falem bem, falem mal, mas falem sobre o assunto. E só mais uma coisinha: se tudo, mas tudo mesmo que eu disse for errado, que bandas de países que não falam inglês não deveriam cantar em inglês, então não venham mais afimrmar que a música é uma linguagem universal." (GOMEZ, Fabricio. Banda para inglês ver (?).)
Na arte, sempre há saídas artísticas para deficiências artísticas.
"(...) Se o público prefere cantar músicas em português, então por que sempre reclama que as bandas estrangeiras quase não vêm ao Brasil? E, quando elas vêm, por que o público lota os shows e canta junto as letras (e, quando não cantam, praticam o embromation)? (...) Ou simplesmente por se darem conta que é muito mais fácil compor em inglês, principalmente para quem não tem a veia poética de compor em português (onde me incluo). Esta língua pátria e mátria que eu muito aprecio, mas que, vamos concordar, é um horror de tão difícil. São poucas as pessoas que falam o português correto. 'Tá, mas e o sotaque, como é que fica?', falou outra figura. Bom, o sotaque vai permanecer, de uma forma mais acentuada ou não. (...) Ah, e ainda, alguém já prestou mesmo atenção no sotaque das bandas inglesas cantando? É bonito? Cara, nós engolimos cada coisa e não nos damos conta. (...) Falem bem, falem mal, mas falem sobre o assunto. E só mais uma coisinha: se tudo, mas tudo mesmo que eu disse for errado, que bandas de países que não falam inglês não deveriam cantar em inglês, então não venham mais afimrmar que a música é uma linguagem universal." (GOMEZ, Fabricio. Banda para inglês ver (?).)
Na arte, sempre há saídas artísticas para deficiências artísticas.
- Posso falar com você?
- Agora?
- Daqui a pouco.
- Estou com um amigo. O que quer falar?
- Bem...
- Aconteceu algo?
- Sim.
- Fale-me.
- Agora?
- Sim. Como se chama?
- Lucía.
- Eu sou Lorenzo.
- Eu sei. Eu te conheço. Li seu livro. Várias vezes. Agora não consigo ler mais nada. Entrou dentro de mim e não quer mais sair. Mas também te conheço porque sempre te sigo na rua. Gosto de andar atrás de você e sabe aonde vai, sem que me veja.
(...)
- Eu decidi...
- O quê?
- Você é a pessoa com quem quero viver. Não por achá-lo muito solitário, mas porque estou apaixonada por você. Loucamente, como vê.
- Que corajosa!
- Sim.
- É só isso. Eu tentei. Gostou?
- ...
- Pode ir se quiser.
Ele abre o maço de cigarros, dá um para ela, pega um para si, e ela acende o seu.
- Quer me dizer algo mais?
- Sim. Com o tempo e a convivência tenho certeza de que acabará se apaixonando por mim.
Nervosos. De pé, ele se curva em direção a ela e diz:
- Acho que já me apaixonei. Vamos sair e beber. Há muito que se comemorar!
(...)
Saíram e beberam. Foram para a casa dele. Ela, bêbada, pediu para ele tirar a roupa dela. Ele o fez. "Faça o que quiser comigo." Então ele tirou a própria roupa. "Você começa, certo?" Ele tapou-a, tapou-se e ficou olhando para ela. Dormiram. De manhã ela deu uma geral pela casa, tomou banho. Acordou ele encostando o mamilo dela ainda não excitado na boca dele!
- Agora?
- Daqui a pouco.
- Estou com um amigo. O que quer falar?
- Bem...
- Aconteceu algo?
- Sim.
- Fale-me.
- Agora?
- Sim. Como se chama?
- Lucía.
- Eu sou Lorenzo.
- Eu sei. Eu te conheço. Li seu livro. Várias vezes. Agora não consigo ler mais nada. Entrou dentro de mim e não quer mais sair. Mas também te conheço porque sempre te sigo na rua. Gosto de andar atrás de você e sabe aonde vai, sem que me veja.
(...)
- Eu decidi...
- O quê?
- Você é a pessoa com quem quero viver. Não por achá-lo muito solitário, mas porque estou apaixonada por você. Loucamente, como vê.
- Que corajosa!
- Sim.
- É só isso. Eu tentei. Gostou?
- ...
- Pode ir se quiser.
Ele abre o maço de cigarros, dá um para ela, pega um para si, e ela acende o seu.
- Quer me dizer algo mais?
- Sim. Com o tempo e a convivência tenho certeza de que acabará se apaixonando por mim.
Nervosos. De pé, ele se curva em direção a ela e diz:
- Acho que já me apaixonei. Vamos sair e beber. Há muito que se comemorar!
(...)
Saíram e beberam. Foram para a casa dele. Ela, bêbada, pediu para ele tirar a roupa dela. Ele o fez. "Faça o que quiser comigo." Então ele tirou a própria roupa. "Você começa, certo?" Ele tapou-a, tapou-se e ficou olhando para ela. Dormiram. De manhã ela deu uma geral pela casa, tomou banho. Acordou ele encostando o mamilo dela ainda não excitado na boca dele!
Lesley> E tu, o que tu quer de mim além de ter essas conversas legais por telefone?
Douglas> Não sei.
Lesley> Boa resposta.
Assim é bom. Nenhum objetivo. Nada de expectativas. Nada de ansiedade. Vivendo. Let it be. Mas é algo não-fácil de fazer e de acontecer. Requer uma sintonia - diferente, ainda por cima. Honestidade. Ela me disse que só é honesto (só fala tudo e a verdade sempre) quem tem um caráter que lhe permite tal atitude. E é por isso que honestidade é raridade, no mundo.
Atualização! "Muitas vezes encontramos uma pessoa que diz, 'Oh, você parece maravilhoso. Oh, você é tão isto, você é tão aquilo!' Isto pode nos dar um pouquinho de felicidade por meio segundo mas, então, vamos querer essa confirmação de novo e de novo. Então sentimos alívio quando alguém fala conosco honestamente. Mas é difícil encontrá-las. Há apenas algumas pessoas assim." [--Dzongsar Khyentse, "No Caminho do Vajrayana"] (BG)
Douglas> Não sei.
Lesley> Boa resposta.
Assim é bom. Nenhum objetivo. Nada de expectativas. Nada de ansiedade. Vivendo. Let it be. Mas é algo não-fácil de fazer e de acontecer. Requer uma sintonia - diferente, ainda por cima. Honestidade. Ela me disse que só é honesto (só fala tudo e a verdade sempre) quem tem um caráter que lhe permite tal atitude. E é por isso que honestidade é raridade, no mundo.
Atualização! "Muitas vezes encontramos uma pessoa que diz, 'Oh, você parece maravilhoso. Oh, você é tão isto, você é tão aquilo!' Isto pode nos dar um pouquinho de felicidade por meio segundo mas, então, vamos querer essa confirmação de novo e de novo. Então sentimos alívio quando alguém fala conosco honestamente. Mas é difícil encontrá-las. Há apenas algumas pessoas assim." [--Dzongsar Khyentse, "No Caminho do Vajrayana"] (BG)
Extra, extra! Paulo Torino e Flávio Bernardi foram demitidos da Rádio Unisinos. O Porsche está apresentando o MP103.3 (Stephen Malkmus) e o José Fernando, o Matador (Joy Division, New Order, Mônaco). "A Rádio Unisinos FM 103.3 muda a cara e a programação. Grandes nomes da comunicação gaúcha são contratados para imprimir uma feição jovem ao veículo, como Kátia Suman, Flávia Murr, Paulo Moreira (Coordenador de programação musical) e Isaías Porto (Gerente de conteúdo e programação). A apresentadora Suman comandará dois programas e contribuirá na concepção do novo perfil e a produtora Murr promoverá todas as ações externas da rádio. Primeira emissora a utilizar a tecnologia digital na América Latina, passa a investir pesado no rock. “Não somente como gênero, mas como movimento, expressão contemporânea e inquietação da juventude, valorizando a produção regional que já traz as bandas de garagem em sua história”, afirma Alexandre Kieling, responsável pela reconfiguração, diretor do Complexo de Teledifusão e Tecnologia Educacional da universidade." (J.U.)
(...)
tenho medo de me tornar amargo
e perder toda essa vontade
a cada vez que me embriago em um mini-amor.
no fim das contas,
o que bate é a saudade...
não daquela garota,
mas sim do sentimento constante,
do lado iluminado do amor.
. . .
"tenha cuidado comigo
pois sou sensível
e gostaria de continuar assim"
(John Voyers & Tiago)
tenho medo de me tornar amargo
e perder toda essa vontade
a cada vez que me embriago em um mini-amor.
no fim das contas,
o que bate é a saudade...
não daquela garota,
mas sim do sentimento constante,
do lado iluminado do amor.
. . .
"tenha cuidado comigo
pois sou sensível
e gostaria de continuar assim"
(John Voyers & Tiago)
sábado, 22 de março de 2003
"Cheguei à noite no meu apartamento, louca pra descansar, e a sala estava toda entulhada com coisas estranhas. Uma tia chata tinha ido morar lá, ocupou toda a minha casa com caixas e disse que tinha autorização pra isso. Deu raiva. Fui embora e fiquei andando na rua, olhando os prédios e as janelas acesas. Quando passei em frente a um prédio que me fez chorar, pensei que não queria mais voltar pra casa, nem ir pra nenhum lugar. Na caminhada encontrei a minha prima Luísa, da outra família. Me disse que havia me recrutado pra ser ajudante dela. Perguntei em que eu ajudaria. Ela era astronauta e disse que nós duas partiríamos numa missão, daqui a duas horas. E que demorariam alguns anos pra voltar.
- Pra onde vamos?
- Júpiter.
Sorri.
- É o meu planeta.
- ?
- Júpiter é o planeta do meu signo.
- É mesmo! Agora precisamos ir, estão nos esperando.
- Por que eu tenho que ir com você?
- Porque você é a única da família que sabe desenhar. E vamos precisar de alguém pra documentar a viagem.
- Posso levar alguém comigo?
- Depende, você pode buscar a pessoa em 1 hora?
- Não...
Me senti perdida e livre. Feliz, porque ia desenhar o espaço. Triste, porque não daria tempo de me despedir das pessoas que eu amo."
(Gabi, no Explorers)
- Pra onde vamos?
- Júpiter.
Sorri.
- É o meu planeta.
- ?
- Júpiter é o planeta do meu signo.
- É mesmo! Agora precisamos ir, estão nos esperando.
- Por que eu tenho que ir com você?
- Porque você é a única da família que sabe desenhar. E vamos precisar de alguém pra documentar a viagem.
- Posso levar alguém comigo?
- Depende, você pode buscar a pessoa em 1 hora?
- Não...
Me senti perdida e livre. Feliz, porque ia desenhar o espaço. Triste, porque não daria tempo de me despedir das pessoas que eu amo."
(Gabi, no Explorers)
sexta-feira, 21 de março de 2003
musa s.f. 1. Cada uma das nove deusas que presidiam às artes e ciências. 2. (Mit.) Deusa que inspirava os poetas. 3. (p. ext.) Inspiração poética; estro. 4. A poesia.
"A gente tem que escolher entre fazer arte e ser feliz", me escreveu o Tiago Ribeiro. Concordei, lembrando que quando eu estava bem triste, no recém-pós-separação, eu parecia cantar melhor e me parecia que a inspiração estava toda ali, transbordando. Talvez a tristeza funcione como motivação e traga uma fragilidade da casca autodefensora que nos deixa mais duros. Andei pensando bastante sobre o assunto. Lembrei-me também do filme Shakespeare In Love, que revela que o mais famoso artista de literatura do mundo precisava de uma musa para escrever. Então, não precisaria estar ele feliz para escrever inspiradamente? Ou o fato de ter uma musa não significava felicidade, enquanto que esta musa não estivesse ao alcance dele? Somente a uma conclusão eu cheguei: EU preciso de uma musa para estar feliz - ou com mais cessações momentâneas da dor.
"A gente tem que escolher entre fazer arte e ser feliz", me escreveu o Tiago Ribeiro. Concordei, lembrando que quando eu estava bem triste, no recém-pós-separação, eu parecia cantar melhor e me parecia que a inspiração estava toda ali, transbordando. Talvez a tristeza funcione como motivação e traga uma fragilidade da casca autodefensora que nos deixa mais duros. Andei pensando bastante sobre o assunto. Lembrei-me também do filme Shakespeare In Love, que revela que o mais famoso artista de literatura do mundo precisava de uma musa para escrever. Então, não precisaria estar ele feliz para escrever inspiradamente? Ou o fato de ter uma musa não significava felicidade, enquanto que esta musa não estivesse ao alcance dele? Somente a uma conclusão eu cheguei: EU preciso de uma musa para estar feliz - ou com mais cessações momentâneas da dor.
quinta-feira, 20 de março de 2003
Um motoboy me ultrapassou pela esquerda, na avenida Ipiranga, para entrar à direita. Buzinei e ele imediatamente me levantou o braço e o dedo médio. Praticamente todos os IDIOTAS do trânsito, quando fazem suas idiotices e recebem manifestações pacíficas de indignação, respondem com MUITA RAIVA. Esses dias percebi porque o trânsito é tão merda. Porque a maioria da população é burra e mau caráter ao mesmo tempo. A minoria decente dentro de carros é proporcional à minoria decente que pisa no solo terrestre.
Eu estava contando a história do cara que chegou em mim no Fim De Século, e falei "negro alto". No mesmo momento, na outra sala, chegou um negro alto. Alguém na minha sala percebeu e comunicou a todos, que ficaram apavorados e com muita vergonha por causa de mim, porque o negro alto poderia ter ouvido eu falar "negro".
(...)"Essa é uma experiência [a meditação] muito rara e dentro de nossa cultura não tem paralelo porque, na verdade, nós sempre somos convidados a trocar de um tipo de excitação para outro até o ponto em que estamos exaustos. Estamos fazendo uma coisa e começamos a fazer outra e assim nunca se tem o cultivo do estado que é a serenidade lúcida, clara. Esta prática é absolutamente necessária. Na nossa cultura quando interrompemos a excitação, sobrevêm a depressão e o torpor, é como se desconhecêssemos a serenidade com lucidez". [-- Lama Padma Samten. "Meditação: Superação de Obstáculos"].
Obrigado pela resposta pronta para a indagação "porque tu tá com essa cara triste"? (BG)
Obrigado pela resposta pronta para a indagação "porque tu tá com essa cara triste"? (BG)
Consegui CHORAR agora há pouco, muito, depois de várias tentativas (desde o show da Deus E O Diabo no Zelig) e nenhum sucesso. Aproveitei o sonho com a Mariana, minha (ex?) sobrinha, e a saudade que já sinto de toda a numerosa e divertida família da Madi, porque dificilmente eu vou vê-los de novo. É triste. Chorei também todos os choros anteriores, que não saíram. Me sinto melhor.
A história do poema da menina do metrô vazou amplamente no meu trabalho. (A Márcia descobriu que o número de fax é do DAER, prédio vizinho ao Centro Administrativo, e acabou descobrindo também qual o andar e qual o setor onde a Cristina trabalha, além do telefone.) "Isso é que é firmeza, determinação!", elogiou a Roséle. "Estou gostando desse cara", disse o Eugênio. "Ela vale a pena?", perguntou o Castiglio. "Claro, né, se ele fez tudo isso", respondeu alguém. "Nunca alguém tinha me provocado essas (re)ações", eu deixei claro. "Ele só vai saber se vale mesmo a pena depois, se ele conhecer ela", completou a Roséle. "Isso é história de amor de filme!!", disse a dra. Graça, empolgada. Eu disse para ela ver Lucía E O Sexo, mas ela não me ouviu. Mandei o fax para a Cristina ontem de manhã. Depois do meio-dia, ela ligou para o meu celular: "Tu queria saber a minha reação: fiquei paralisada". Trocamos e-mails. A seguir, cenas do próximo capítulo.
quarta-feira, 19 de março de 2003
John Lennon gostava de olhar televisão enquanto ficava tentando ter alguma idéia no piano, em 1966. Num momento em que estava sem idéias, viu um comercial da Kellogg´s e surgiu uma música: Good Morning, Good Morning. (Isso está entre os pedaços que eu li do livro Sargent Pepper, do George Martin, em esperas antes das aulas de guitarra com o Carlo, na Beethoven. Logo mais vem mais.)
Digitei o ponto final do meu post quando o pc desligou e ligou, sozinho. Do além. Eu não acredito em gnomo nem em et ou saci pererê, mas confesso tenho um medinho da loira do banheiro, a que persegue e reprime garotas más.
Meu texto era pessoal e minucioso. Um post de pernas abertas. Descrevia o banho de minutos passados, banho demorado, na antiga banheira branca, com óleos de laranja e jasmim. E auto massagem com ducha, bucha e polegar.
Aquela melodia recorrente que canto bem baixinho cortada pelos sons da água movendo e pingando. Todas as vozes mudas e o tempo parado. Delícia.
De novo a censura, aquela putinha safada, foi para a casa do caralho fazer uma cocota e me deixou na mão. E escrevi aquele post molhado. Dois orgasmos.
Mas o pc desligou e ligou, sozinho. Ou talvez a loira do banheiro, espantando a concorrência pelos sanitários femininos, restartou com um sopro frio a máquina, já que da censura, perva mal dissimulada, nem um telefonema eu recebi... (Paula)
Meu texto era pessoal e minucioso. Um post de pernas abertas. Descrevia o banho de minutos passados, banho demorado, na antiga banheira branca, com óleos de laranja e jasmim. E auto massagem com ducha, bucha e polegar.
Aquela melodia recorrente que canto bem baixinho cortada pelos sons da água movendo e pingando. Todas as vozes mudas e o tempo parado. Delícia.
De novo a censura, aquela putinha safada, foi para a casa do caralho fazer uma cocota e me deixou na mão. E escrevi aquele post molhado. Dois orgasmos.
Mas o pc desligou e ligou, sozinho. Ou talvez a loira do banheiro, espantando a concorrência pelos sanitários femininos, restartou com um sopro frio a máquina, já que da censura, perva mal dissimulada, nem um telefonema eu recebi... (Paula)
Ontem eu ganhei (de uma das pessoas mais legais do mundo!) coisas de que há muito tempo eu estava precisando: colo e carinho. Conheci o cafuné redondinho - eu que conhecia apenas o quadradinho. Foram-me apresentadas algumas músicas de algumas bandas, fumamos, vimos fotos, conversamos um monte, escrevi meu nome perto do coração na janela e ainda por cima eu saqueei o apartamento dela: 6 CDs (2 Beck, Cibo Matto, Pavement, Suzanne Vega e Teenage Fanclub) para gravar, 2 livros (A Divina Comédia Dos Mutantes e 1 Kurt Vonnegut) para ler, 1 saco de biscoitos de milho para comer e 1 camiseta do Michelangelo para usar. O 1 isqueiro azul para tocar fogo eu esqueci. Que nem diz o Charles: "Como não amá-la?"
terça-feira, 18 de março de 2003
Como valorizador da beleza da arte e das almas bonitas, observar é um dos seus maiores poderes. E foi assim que não sei quando ele observou pela primeira vez o sorriso da menina das tatuagens de estrelinhas. Talvez passando pelo corredor e dando aquele oi de quem nunca se conheceu mas que parece que sim. Um sorriso daqueles é como um buraco negro para alguém como ele: não tem como não ser sugado para dentro; não tem como não ser um convite para a sua intromissão. Um sorriso que manifesta a alma na sua forma mais intensa, positivamente.
Mas quando a imagem dela fixou de vez em seus olhos foi na hemeroteca da universidade, quando os dois pesquisavam algo em mesas vizinhas, e ele então não pôde deixar de perceber os contornos do desenho dela e os movimentos que esses contornos faziam. (Uma beleza radioativa, assim, que é a única forma de beleza que ele enxerga, que é a própria noção de beleza dele, é mesmo rara.) Percebeu também que fica meio desajeitado perante ela, coisa que acontece quando ele gosta bastante de uma pessoa; vem da ansiedade do presente e da insegurança do passado.
O rapaz então perguntava para as pessoas quem era a menina das tatuagens de estrelinhas, mas ninguém sabia. Sua intromissão estava impedida pela sua timidez relativa e pelo desconhecimento do nome da menina. Mas uns quatro semestres depois, ou cinco, descobriu que um amigo seu a conhecia, e então ele a conheceu. Não, ele não passou a achá-la menos bonita ou menos simpática; não. Agora eles se falam, e agora ele está escrevendo algo para ela. Só para início de conversa.
Mas quando a imagem dela fixou de vez em seus olhos foi na hemeroteca da universidade, quando os dois pesquisavam algo em mesas vizinhas, e ele então não pôde deixar de perceber os contornos do desenho dela e os movimentos que esses contornos faziam. (Uma beleza radioativa, assim, que é a única forma de beleza que ele enxerga, que é a própria noção de beleza dele, é mesmo rara.) Percebeu também que fica meio desajeitado perante ela, coisa que acontece quando ele gosta bastante de uma pessoa; vem da ansiedade do presente e da insegurança do passado.
O rapaz então perguntava para as pessoas quem era a menina das tatuagens de estrelinhas, mas ninguém sabia. Sua intromissão estava impedida pela sua timidez relativa e pelo desconhecimento do nome da menina. Mas uns quatro semestres depois, ou cinco, descobriu que um amigo seu a conhecia, e então ele a conheceu. Não, ele não passou a achá-la menos bonita ou menos simpática; não. Agora eles se falam, e agora ele está escrevendo algo para ela. Só para início de conversa.
segunda-feira, 17 de março de 2003
Como devem ter percebido, estive desanimado nos últimos dias. Hoje tentei marcar com a Manuela de encontrá-la na Unisinos, porque ela havia dito que iria lá encontrar uns amigos. Mas não consegui. Peguei o carro e fui em direção de casa. No meio do caminho, decidi entrar na Unisinos mesmo assim. Eu poderia comer no RU e encontrar uns amigos, também. Encontrar pessoas. O primeiro foi o Mauricio "Benfeitor", seguido do Alemão, baixista da Blanched. Prossegui e o Vicente estava comendo algo sentado no cordão em entre o DCE e Centro 3. Mais adiante, Madi e Vinícius sentados na escada habitual. Fui até a sala da Samantha, e mais uma vez não consegui encontrá-la. Então me plantei na saída do saguão do Centro 3, um local onde poderiam estar a Manuela e o Gordinez e por onde poderiam passar a Sandra e a Samantha. Só vi a Carmela; pensei em falar com ela, mas as conjunções não ajudaram. Começou a aula e eu comecei a descer rumo ao RU, desanimado por não ter encontrado a Manuela, nem a Sandra, nem a Samantha. Passando pelo corredor a céu aberto entre o DCE e o Centro 3, eu a vi. Ela. Aquela, lembram? Mais linda que a poesia, mais poesia que Fernando Pessoa. Alguns de vocês que me visitam aqui torciam por isso (24/01/2003). Alguns me disseram que eu devia ter entregue o poema. Alguns me disseram que eu ainda devia entregar. Mas eu nunca mais veria aquela menina, provavelmente. Ela desceu na Estação Sapucaia, e era tudo o que eu sabia sobre ela, fora a beleza que me tocou. Mas, sim, ela estava ali, na Unisinos, e eu não deixaria escapar essa chance de fazer justiça e fazer o poema chegar até ela. Mas ela estava conversando com um cara, poderia ser uma dança de acasalamento e eu não ia me intrometer pedindo o e-mail dela. Começaram a andar e eu fui atrás. Passaram o Centro 3. No corredor entre o 3 e o 6, pegaram a direita e começaram a subir. Fui atrás. Me senti o próprio panaca com PERSEGUIDOR escrito na testa. Peguei o celular para disfarçar. Eu não tinha más intenções, pelo contrário, mas poderiam achar que eu tinha más intenções; injustiças são inço. Pararam na beirada do último corredor do Centro 6. Percebi que iriam se despedir. Despediram-se e eu acelerei atrás dela. Ela estava de verde escuro.
- Oi. Desculpa a perseguição, mas tu tem e-mail?
- Por? - com aquele sorriso de outro planeta.
- É que eu escrevi umas coisas inspiradas em ti no metrô, acabei não te entregando e achei injusto que tu não lesse.
- Os meus e-mails não estão funcionando direito, mas eu posso te dar o meu número de fax.
- Diz.
- _________. Me dá o teu telefone. Se tu não mandar, eu te ligo.
- _________.
- Qual é o teu nome?
- Douglas. E o teu?
- Cris. Pode me chamar de Cris, mas é Cristina.
- Então tá. Valeu.
- Tchau.
O choro me veio com a pressão de uma mangueira de incêndio, mas não conseguiu se libertar e invadir o mundo externo. Fiquei em êxtase. Segui até o RU. Entrei, paguei, me servi e escolhi uma mesa. Antes de sentar, avistei a Júlia Capovilla numa outra mesa e me fui até lá sentar com ela. Outra que quem me visita aqui faz tempo sabe que foi uma aventura e tanto chegar até ela (22/04/2002). Outra que merecia poemas por sua beleza (darei o meu conceito de beleza em breve; stay tuned). Conversamos, nos despedimos e fui até a Sala Pública de Informática. Lá, encontrei a Sandra... Posso dizer que passei a noite a bordo da Golden Heart: o nível de improbabilidade infinita estava alto. Foi tranqüilizante encontrá-la, com seu sorriso que brilha. Depois dali nos separamos e eu fui perambular pelo Centro 3. Caminhei para lá e para cá, sem parar, mas não encontrei mais ninguém. A não ser um pouco antes de vir escrever isto, parei onde estava a Madi para avisá-la que eu encontrei a menina do poema do metrô. Ela saiu porque o namorado dela estava passando mal e eu fiquei conversando com o Marcelo, outra figura brilhante. Foi legal. Bom, essa é a história crua. Espero reescrevê-la de forma mais poética depois. Até.
- Oi. Desculpa a perseguição, mas tu tem e-mail?
- Por? - com aquele sorriso de outro planeta.
- É que eu escrevi umas coisas inspiradas em ti no metrô, acabei não te entregando e achei injusto que tu não lesse.
- Os meus e-mails não estão funcionando direito, mas eu posso te dar o meu número de fax.
- Diz.
- _________. Me dá o teu telefone. Se tu não mandar, eu te ligo.
- _________.
- Qual é o teu nome?
- Douglas. E o teu?
- Cris. Pode me chamar de Cris, mas é Cristina.
- Então tá. Valeu.
- Tchau.
O choro me veio com a pressão de uma mangueira de incêndio, mas não conseguiu se libertar e invadir o mundo externo. Fiquei em êxtase. Segui até o RU. Entrei, paguei, me servi e escolhi uma mesa. Antes de sentar, avistei a Júlia Capovilla numa outra mesa e me fui até lá sentar com ela. Outra que quem me visita aqui faz tempo sabe que foi uma aventura e tanto chegar até ela (22/04/2002). Outra que merecia poemas por sua beleza (darei o meu conceito de beleza em breve; stay tuned). Conversamos, nos despedimos e fui até a Sala Pública de Informática. Lá, encontrei a Sandra... Posso dizer que passei a noite a bordo da Golden Heart: o nível de improbabilidade infinita estava alto. Foi tranqüilizante encontrá-la, com seu sorriso que brilha. Depois dali nos separamos e eu fui perambular pelo Centro 3. Caminhei para lá e para cá, sem parar, mas não encontrei mais ninguém. A não ser um pouco antes de vir escrever isto, parei onde estava a Madi para avisá-la que eu encontrei a menina do poema do metrô. Ela saiu porque o namorado dela estava passando mal e eu fiquei conversando com o Marcelo, outra figura brilhante. Foi legal. Bom, essa é a história crua. Espero reescrevê-la de forma mais poética depois. Até.
BUILT TO SPILL
Ultimate Alternative Wavers
1993 C/Z Records
1. The First Song
2. Three Years Ago Today
3. Revolution
4. Shameful Dread
5. Nowhere Nothin' Fuckup
6. Get A Life
7. Built To Spill
8. Lie For A Lie
9. Hazy
10. Built Too Long parts 1, 2 & 3
There's Nothing Wrong With Love
1994 Up Records
1. In The Morning
2. Reasons
3. Big Dipper
4. Car
5. Fling
6. Cleo
7. The Source
8. Twin Falls
9. Some
10. Distopian Dream Girl
11. Israel's Song
12. Stab
Built To Spill Caustic Resin
1995 Up Records
1. When Not Being Stupid Is Not Enough
2. One Thing
3. Shit Brown Eyes
4. She's Real
The Normal Years
1996 K Records
1. So & So So & So From Wherever Wherever
2. Shortcut
3. Car
4. Some Things Last A Long Time
5. Girl
6. Joyride
7. Some
8. Sick & Wrong
9. Still Flat
10. Terrible/Perfect
Perfect From Now On
1997 Warner Bros.
1. Randy Described Eternity
2. I Would Hurt A Fly
3. Stop The Show
4. Made-Up Dreams
5. Velvet Waltz
6. Out Of Site
7. Kicked It In The Sun
8. Untrustable / Part 2 (About Someone Else)
Keep It Like A Secret
1999 Warner Bros.
1. The Plan
2. Center Of The Universe
3. Carry The Zero
4. Sidewalk
5. Bad Light
6. Time Trap
7. Else
8. You Were Right
9. Temporarily Blind
10. Broken Chairs
Live
2000 Warner Bros.
1. The Plan
2. Randy Described Eternity
3. Stop The Show
4. Virginia Reel Around The Fountain
5. Cortez The Killer
6. Car
7. Singing Sores Make Perfect Swords
8. I Would Hurt A Fly
9. Broken Chairs
Ancient Melodies Of The Future
2001 Warner Bros.
1. Strange
2. The Host
3. In Your Mind
4. Alarmed
5. Trimmed and Burning
6. Happiness
7. Don't Try
8. You Are
9. Fly Around My Pretty Little Miss
10. The Weather
Now You Know (Doug Martsch solo)
2002 Warner Bros.
1. Offer
2. Dream
3. Gone
4. Window
5. Heart (Things Never Shared)
6. Lift
7. Woke Up This Morning With My Mind On Jesus
8. Instrumental
9. Sleeve
10. Impossible
11. Stay
Ultimate Alternative Wavers
1993 C/Z Records
1. The First Song
2. Three Years Ago Today
3. Revolution
4. Shameful Dread
5. Nowhere Nothin' Fuckup
6. Get A Life
7. Built To Spill
8. Lie For A Lie
9. Hazy
10. Built Too Long parts 1, 2 & 3
There's Nothing Wrong With Love
1994 Up Records
1. In The Morning
2. Reasons
3. Big Dipper
4. Car
5. Fling
6. Cleo
7. The Source
8. Twin Falls
9. Some
10. Distopian Dream Girl
11. Israel's Song
12. Stab
Built To Spill Caustic Resin
1995 Up Records
1. When Not Being Stupid Is Not Enough
2. One Thing
3. Shit Brown Eyes
4. She's Real
The Normal Years
1996 K Records
1. So & So So & So From Wherever Wherever
2. Shortcut
3. Car
4. Some Things Last A Long Time
5. Girl
6. Joyride
7. Some
8. Sick & Wrong
9. Still Flat
10. Terrible/Perfect
Perfect From Now On
1997 Warner Bros.
1. Randy Described Eternity
2. I Would Hurt A Fly
3. Stop The Show
4. Made-Up Dreams
5. Velvet Waltz
6. Out Of Site
7. Kicked It In The Sun
8. Untrustable / Part 2 (About Someone Else)
Keep It Like A Secret
1999 Warner Bros.
1. The Plan
2. Center Of The Universe
3. Carry The Zero
4. Sidewalk
5. Bad Light
6. Time Trap
7. Else
8. You Were Right
9. Temporarily Blind
10. Broken Chairs
Live
2000 Warner Bros.
1. The Plan
2. Randy Described Eternity
3. Stop The Show
4. Virginia Reel Around The Fountain
5. Cortez The Killer
6. Car
7. Singing Sores Make Perfect Swords
8. I Would Hurt A Fly
9. Broken Chairs
Ancient Melodies Of The Future
2001 Warner Bros.
1. Strange
2. The Host
3. In Your Mind
4. Alarmed
5. Trimmed and Burning
6. Happiness
7. Don't Try
8. You Are
9. Fly Around My Pretty Little Miss
10. The Weather
Now You Know (Doug Martsch solo)
2002 Warner Bros.
1. Offer
2. Dream
3. Gone
4. Window
5. Heart (Things Never Shared)
6. Lift
7. Woke Up This Morning With My Mind On Jesus
8. Instrumental
9. Sleeve
10. Impossible
11. Stay
Na véspera do aniversário de seis meses do meu computador, trouxe ele junto para a capital para uma visita à sua maternidade. Que fofinho. Ou seja, aproveito o último dia da garantia para os técnicos da Compujobus ver por que ele não está ligando: quando eu aperto o power, o HD dá quatro bipes (em vez de um, que é o saudável) e se recusa a continuar ligando; se auto-desliga imediatamente. O único jeito de burlar é dando reset em cima do segundo bipe até que dê um bipe só e ele resolva entrar. Mas isso não é vida.
domingo, 16 de março de 2003
sexta-feira, 14 de março de 2003
"Uma rapariga apareceu diante dele no meio da correnteza; sozinha e quieta, contemplando o mar. Era como se magicamente tivesse sido transformada na semelhança mesma duma estranha e linda ave marinha. Suas longas pernas, esguias e nuas, eram delicadas como um grou, e eram claras até onde a esmeralda da água do mar as rodeava, marcando a sua carne. (...) O peito era o de um pássaro, macio e leve . . .
Ela estava sozinha, contemplando o mar; e quando lhe sentiu a presença e o olhar maravilhado, volveu até ele os olhos numa calma aceitação do seu deslumbramento, sem pejo nem luxúria. Muito, muito tempo agüentou ela aquela contemplação; e depois, calmamente, afastou os olhos dele e os abaixou para a correnteza, graciosamente enrugando a água com o pé, para lá e para cá.
(...) A imagem dela entrara na sua alma para sempre . . . Os olhos dela o tinham chamado: e sua alma saltara a tal apelo. Viver, errar, cair, triunfar, recriar a vida para além da vida! Um anjo selvagem lhe tinha aparecido, o anjo da mocidade e da beleza mortal . . . Seguir, seguir, sempre para diante, para diante!" (JOYCE)
Ela estava sozinha, contemplando o mar; e quando lhe sentiu a presença e o olhar maravilhado, volveu até ele os olhos numa calma aceitação do seu deslumbramento, sem pejo nem luxúria. Muito, muito tempo agüentou ela aquela contemplação; e depois, calmamente, afastou os olhos dele e os abaixou para a correnteza, graciosamente enrugando a água com o pé, para lá e para cá.
(...) A imagem dela entrara na sua alma para sempre . . . Os olhos dela o tinham chamado: e sua alma saltara a tal apelo. Viver, errar, cair, triunfar, recriar a vida para além da vida! Um anjo selvagem lhe tinha aparecido, o anjo da mocidade e da beleza mortal . . . Seguir, seguir, sempre para diante, para diante!" (JOYCE)
Eis uma observação bem aguçada acerca da minha pessoa. Perfeita, eu diria. "Às vezes penso que tu pensas tanto e em tanta coisa, que tua cabeça deve estar bem grande. Todas as palavras te rendem mais pensamentos, e conseqüentemente mais palavras. E assim sucessivamente. Isso é legal, todas as coisas passam a ser maiores e não são banalizadas." (Thiane) E a Thiane, o que é mais surpreendente, pouco conviveu comigo senão neste meio virtual. (...) A "cabeça grande", como tudo na vida, tem prós e contras.
quinta-feira, 13 de março de 2003
"E muitos de nós entramos numa espécie de estado de sonho. Aquilo tudo que ocorreu no 11 de setembro foi muito forte para várias pessoas e agora elas estão fingindo que dormem. O problema com pessoas que fingem dormir, diz um velho ditado Navajo, é que não se pode acordar quem finge dormir. Não há como conseguir a atenção deles. (...) A mídia de massa está simplesmente transformando em coletivo o sonho de quem finge dormir. Estão só transmitindo aquilo que já se transformou numa crença. E reforçando as idéias. Estão fazendo o que sempre fizeram que é colher a atenção humana e eles estão fazendo tudo o que podem para criar esta atenção (...)" (John Perry Barlow, letrista do Greatful Dead e criador da Wired Magazine, em entrevista a Pedro Dória)
O beijo: "Fechou os olhos, apertando-se bem de encontro a ela, corpo e espírito, sem consciência de mais nada no mundo senão da sombria pressão dos lábios dela suavemente se entreabrindo. Eles lhe comprimiam o cérebro como lhe comprimiam os lábios, tal como se fosse o veículo duma vaga linguagem. E entre os seus lábios e os dela sentiu uma desconhecida e tímida pressão, mais sombria que o desmaio do pecado e mais suave do que som ou odor." Stephen Dedalus e uma prostituta.
Eu li isto ontem no metrô (com aquela titica na cabeça): "O terror do sono excitava o seu espírito à medida que observava a região silenciosa ou ouvia, de quando em quando, a respiração profunda ou algum súbito movimento do pai durante o sono. A vizinhança de pessoas invisíveis adormecidas enchia-o de estranho pavor, e rogava que o dia chegasse logo. Tais rogos, dirigidos não a Deus nem a nenhum santo, começaram com sobressaltos de arrepio, visto a gelada brisa matinal entrar pelas frestas da porta do vagão para os seus pés, e acabaram numa enfiada de palavras sem nexo, que proferia ajustando-as ao ritmo insistente do trem. Silenciosamente, com intervalos de quatro segundos, os postes telegráficos riscavam o galope das notas de música, intercalando-se nos compassos pontuais. Essa música furiosa acalmou o seu temor e, apoiando-se contra a borda da janela, deixou que os seus olhos se fechassem outra vez." (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.) Ler Joyce com titica na cabeça é muito bom. As imagens agridem a imaginação intensificada. Eu reli algumas vezes esse trecho com um sentimento de perplexidade acerca do que ele estava dizendo. Percebi a fissura no texto: o enlouquecimento do personagem (e do) narrador. Depois, eu ri sozinho, satisfeito.
Esta passagem provocou-me várias imagens: "Agora, porém, não se admirava de coisa alguma. Via as terras ensombradas fugirem à sua volta; os mudos postes telegráficos passando pela sua janela num relance, a cada quatro segundos; as pequeninas estações bruxuleantes guarnecidas por silenciosos guardas voarem para trás, pelos flancos do trem, e cintilarem momentaneamente na escuridão, como vivazes grãos atirados para trás num corredor." (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.)
quarta-feira, 12 de março de 2003
O homem é o único ser que tem a consciência da sua individualidade. Ao se dar conta de que é um indivíduo, justamente por isso não consegue considerar satisfatória a sua ligação com o outro indivíduo. Então por isso as drogas como o ácido dão-lhe a impressão de que está fundindo corpo no corpo e alma na alma na hora do sexo. Sente-se que uma união é possível. Coisa impossível de se pensar com a doença da razão.
Na ida e volta de Porto Alegre ontem, fui ouvindo a fita com uma música e meia do novo álbum do Godspeed You Black Emperor!, gravada do Freak Show. É impressionante como a guitarra da primeira música é parecida com a guitarra de Liga Pra Mãe, do novo álbum da Deus E O Diabo. O jeito de tocar as cordas: puxando duas, como a 5ª e a 3ª, ao mesmo tempo, fazendo o padrão de oitavas. Sonhei esta noite que contei isso para eles.
"[Dedalus] Viu os olhos dela, em atitude séria, observarem-no lá do meio da assistência e a sua imagem imediatamente desfez os seus escrúpulos, deixando-lhe uma vontade compacta. Era como se uma outra natureza lhe tivesse sido emprestada; o contágio da excitação e da mocidade à sua volta penetrou-o e transformou o seu feitio desconfiado. Por um momento raro sentiu-se como que revestido pelo traje real da infância; (...)" (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.)
Seria o amor uma tentativa de voltar ao amor incondicional da família na infância, à felicidade ingênua de menino? Eu gostaria de estudar mais a relação daquele período com a formação da personalidade. Talvez tenha que ler Freud. Eu queria saber quantas das travas que eu tenho hoje vieram de lá. Pior é que eu não me lembro direito de como era. Lembro que eu sofria, mas não como e nem quando. Criança não tem consciência disso, não reflete sobre isso. Mas sempre parece-me que um dia eu tinha certas potências que eu pareço não ter hoje.
Seria o amor uma tentativa de voltar ao amor incondicional da família na infância, à felicidade ingênua de menino? Eu gostaria de estudar mais a relação daquele período com a formação da personalidade. Talvez tenha que ler Freud. Eu queria saber quantas das travas que eu tenho hoje vieram de lá. Pior é que eu não me lembro direito de como era. Lembro que eu sofria, mas não como e nem quando. Criança não tem consciência disso, não reflete sobre isso. Mas sempre parece-me que um dia eu tinha certas potências que eu pareço não ter hoje.
"Dizem que existe em todas as pessoas um prazer em serem observadas nos atos da vida. Milan Kundera as divide em quatro categorias:
1. aquelas que gostam de um publico anônimo: artistas em geral;
2. aquelas que não vivem sem o olhar da pessoa amada: esposas, amantes;
3. aquelas que vivem sob o olhar das famílias: socialites, pessoas da comunidade;
4. e, por fim, aquelas que vivem sob o olhar dos ausentes.
Esta última é a mais rara. São aquelas pessoas que vivem sonhando, como se o espírito de um ideal os observasse. Como se existisse um culto secreto, do qual ele é único integrante (...)" (Felipe Suzin)
1. aquelas que gostam de um publico anônimo: artistas em geral;
2. aquelas que não vivem sem o olhar da pessoa amada: esposas, amantes;
3. aquelas que vivem sob o olhar das famílias: socialites, pessoas da comunidade;
4. e, por fim, aquelas que vivem sob o olhar dos ausentes.
Esta última é a mais rara. São aquelas pessoas que vivem sonhando, como se o espírito de um ideal os observasse. Como se existisse um culto secreto, do qual ele é único integrante (...)" (Felipe Suzin)
Mais um pedaço da memória onisciente (controlada pela válvula redutora) vindo à tona: lembrei-me da sensação que tive na primeira vez em que vi as letras times new roman saindo na tela branca do write (pré-word): era algo estranho para quem só conhecia o DOS, com suas letrinhas verdes ou beges em fundo preto.
terça-feira, 11 de março de 2003
"Dando uma força à campanha Coma seu amigo, ele não tem contra-indicação, o Rafa pelo ICQ me lembrou que no Japão existe o sekusutomo, que traduzido literalmente quer dizer "amigos de sexo". A coisa consiste basicamente no seguinte: você tem amigos, e transa com esses amigos. Nada semelhante a um namoro, mas sim a ficar. Só que o ficar se resume a beijos e pegações que duram uma noite, enquanto o sekusutomo é bastante semelhante a uma amizade colorida, com parceiros fixos, só que em vez de se encontrarem para falar de música e cinema eles na verdade vão transar. É um hábito que se constatou que está se difundindo bastante entre os jovens japoneses, que costumam tem uma média de 5 amigos desses, e que fazem sexo sem culpas e traumas, o que é plenamente coerente com a cultura japonesa, onde o moralismo cristão (que faz do sexo a pior coisa do mundo) não se instalou com tudo. (...)" (Charles Pilger)
segunda-feira, 10 de março de 2003
"Paraísos são perigosos. Deles sempre acabam nos expulsando. Mas o mais impiedoso seqüestro foi o que me levou para a vida adulta e nunca mais me libertou. Gostaria de estar no banco de trás do carro do meu pai lendo gibis e olhando as árvores passando lá em cima. A infância é a única idade que somos levados aos lugares mais desconhecidos e isso não nos parece aterrorizante. Muito pelo contrário, nos fascina. Paraísos são perigosos." (Thiago Borges)
Saudade 4: da universidade. De ver amigos todos os dias, quase que invariavelmente. De matar aula e ficar a noite conversando no corredor sobre algo mais importante. Não de ser obrigado a estudar o que professor quer, mas de estar fazendo coisas, ocupando o tempo, tendo uma desculpa. De conversar com professores que são mais compatíveis do que a maioria dos colegas. De sentir o espírito da coletividade e de uma sede dessa coletividade. De ser reconhecido por uma coletividade e de reconhecer outros indivíduos dentro dela. De comer barato no R.U. e de usar internet na velocidade da luz. De ter uma biblioteca à disposição. Um texto que eu escrevi logo após a entrega do meu trabalho de conclusão ainda não perdeu a validade. Trechos:
"Fim da universidade. Fim de um período de 17 anos de aulas e de salas de aulas. Fim de uma muleta que nunca me foi apresentada como muleta. Nunca me disseram que depois da formatura tudo ficava estranho, como se fosse um eterno pós-maconha. Nem colegas, nem professores, nem amigos, nem amigas, nem pais, nem mesmo eu me disse isso a partir de uma dedução simples. (...) Eu sempre tive uma série. Em que série tu tá? Tô na oitava. Em que série tu tá? Segundo ano do segundo grau. Em que série tu tá? Tô na faculdade. Que curso tu faz? Jornalismo. Em que semestre tu tá? Quarto. Quando tu se forma? Em 2001/1. Inverno de 2001. E agora? Em que série eu estou? (...) Fim da universidade. Está na hora de viver o meu tempo, a minha geração. Sem heroísmos e sem depressões. Apenas uma vida divertida movida pelo prazer de ter amigos e de reuni-los numa festinha especial; na minha casa é uma honra, mas pode ser nas outras. O prazer de criar músicas, fazer jams, ter idéias de textos, projetos. Pensar nas coisas perfeitas, aquelas que provocam AQUELA sensação, sabe?"
A liberdade é mais difícil.
"Fim da universidade. Fim de um período de 17 anos de aulas e de salas de aulas. Fim de uma muleta que nunca me foi apresentada como muleta. Nunca me disseram que depois da formatura tudo ficava estranho, como se fosse um eterno pós-maconha. Nem colegas, nem professores, nem amigos, nem amigas, nem pais, nem mesmo eu me disse isso a partir de uma dedução simples. (...) Eu sempre tive uma série. Em que série tu tá? Tô na oitava. Em que série tu tá? Segundo ano do segundo grau. Em que série tu tá? Tô na faculdade. Que curso tu faz? Jornalismo. Em que semestre tu tá? Quarto. Quando tu se forma? Em 2001/1. Inverno de 2001. E agora? Em que série eu estou? (...) Fim da universidade. Está na hora de viver o meu tempo, a minha geração. Sem heroísmos e sem depressões. Apenas uma vida divertida movida pelo prazer de ter amigos e de reuni-los numa festinha especial; na minha casa é uma honra, mas pode ser nas outras. O prazer de criar músicas, fazer jams, ter idéias de textos, projetos. Pensar nas coisas perfeitas, aquelas que provocam AQUELA sensação, sabe?"
A liberdade é mais difícil.
"Nada me impedia de simplesmente renovar a experiência de aspirar uma saliva cujo gosto é completamente diferente, de apertar em minhas mãos, sem ver, um objeto sempre inesperado." (MILLET, Catherine. A vida sexual de Catherine M.) Ela é uma crítica de arte francesa que resolveu contar num livro suas experiências, que começaram com uma suruba a cinco, alguns dias depois da primeira trepada.
Dentre todas as armadilhas da memória, a maior, para mim, é a seguinte: quando estou sozinho não consigo me imaginar como antes de estar sozinho; e quando não estou sozinho não consigo me imaginar como antes de não estar sozinho. Parece que sempre estive no mesmo estado civil que AGORA. (Contigo também é assim?)
" . . . quanto era diferente dos outros. Não queria brincar. O que queria era encontrar no mundo real a imagem sem substância que a sua alma tão constantemente baralhava. Não sabia onde a descobriria, nem como; mas um pressentimento o advertia sempre de que essa imagem, sem nenhum ato aparente seu, lhe viria ao encontro. Haviam de se encontrar sem alvoroço, como se já se conhecessem um ao outro e tivessem marcado uma entrevista talvez num daqueles portões ou noutro lugar mais secreto. Estariam só, cercados pela treva e pelo silêncio; e nesse momento de suprema ternura ele seria transfigurado. Dissolver-se-ia dentro de qualquer coisa impalpável, sob os olhos dela. E depois, então, num momento, se transfiguraria. Prostação, timidez e inexperiência abandoná-lo-iam nesse mágico momento." (JOYCE, James. Retrato do artista quando jovem.)
domingo, 9 de março de 2003
sexta-feira, 7 de março de 2003
O Muriel me emprestou Retrato Do Artista Quando Jovem, do James Joyce, escritor preferido dele, para me iniciar. Comecei a ler nesta manhã de sono e cansaço de ontem, pela caminhada até o apartamento do Pingarilho, onde tratamos sobre as ilustrações do Ambivalência e vimos (a Gabriela também) os vídeos dele, incluindo o (já elogiado por mim) Cantsin Kitten e um curto Joicedrops (da mulher dele) sobre o amor de um menino olhudo e um cachorrinho, com uma referência ao cão das lágrimas do Ensaio Sobre A Cegueira, do José Saramago: perfeito.
O sono desta manhã atrapalhou o começo da leitura. Porque o texto do Joyce remete a imagens e a uma representação escrita do texto que corre no pensamento. Mas agora (12:15) parece que fui fisgado. Minha primeira percepção foi a comparação com o estilo do Nick Hornby. Um Grande Garoto certamente foi influenciado por James Joyce. Olha só algumas passagens do Retrato Do Artista Quando Jovem:
Sua mãe dissera-lhe para não falar com os meninos grosseiros do colégio. Aquilo é que era mãe!
(...)
Havia dois registros que a gente virava e a água saía logo: quente e fria. Experimentara a fria e depois, um pouquinho, a quente; e vira as palavras impressas nas torneiras. Que coisa mais esquisita.
Em ambos os livros os autores falam do personagem principal, que é um garoto, citam suas falas com travessões, mas, ao mesmo tempo, usam a linguagem dele, a linguagem de garoto, o modo de pensar dele, do garoto, na hora de eles, o autores, serem apenas os narradores (ou de PARECEREM ser apenas os narradores). Mais um parágrafo (talvez o melhor dos que eu já li até agora):
Não, não era a cara de Wells; era a do prefeito. Ele não estava fingindo. Não, não: ele estava doente deveras. Não era fingimento não. Sentiu a mão do prefeito na sua testa; e sentiu a testa quente e úmida de encontro à mão fria e úmida do prefeito. Era a mesma sensação que um rato produzia: visguenta, úmida e fria. Todos os ratos tinham dois olhinhos para espiar por eles. Uma pele lustrosa e mole, umas patinhas muito pequeninas dobradas para dar um salto, uns olhinhos negros gelatinosos para espiar por eles. Eles sabiam de que jeito deviam pular. Mas o espírito dos ratos era incapaz de compreender trigonometria. Quando estavam mortos ficavam tombados de lado. Seus corpos secavam logo. Ficavam sendo apenas coisas mortas.
Isso de trazer de novo um pedaço de frase usado antes é algo que eu faço às vezes, como no poema Está Saindo Um Troço Estranho (Ambivalência: coming soon/stay tuned). Muitas vezes um autor nos fisga quando tem estilo ou conteúdo com o qual nos identificamos. Quando me apaixonei por Nietzsche e Schopenhauer era porque eu li que eles haviam escrito sobre as mesmas coisas que eu andava pensando.
O sono desta manhã atrapalhou o começo da leitura. Porque o texto do Joyce remete a imagens e a uma representação escrita do texto que corre no pensamento. Mas agora (12:15) parece que fui fisgado. Minha primeira percepção foi a comparação com o estilo do Nick Hornby. Um Grande Garoto certamente foi influenciado por James Joyce. Olha só algumas passagens do Retrato Do Artista Quando Jovem:
Sua mãe dissera-lhe para não falar com os meninos grosseiros do colégio. Aquilo é que era mãe!
(...)
Havia dois registros que a gente virava e a água saía logo: quente e fria. Experimentara a fria e depois, um pouquinho, a quente; e vira as palavras impressas nas torneiras. Que coisa mais esquisita.
Em ambos os livros os autores falam do personagem principal, que é um garoto, citam suas falas com travessões, mas, ao mesmo tempo, usam a linguagem dele, a linguagem de garoto, o modo de pensar dele, do garoto, na hora de eles, o autores, serem apenas os narradores (ou de PARECEREM ser apenas os narradores). Mais um parágrafo (talvez o melhor dos que eu já li até agora):
Não, não era a cara de Wells; era a do prefeito. Ele não estava fingindo. Não, não: ele estava doente deveras. Não era fingimento não. Sentiu a mão do prefeito na sua testa; e sentiu a testa quente e úmida de encontro à mão fria e úmida do prefeito. Era a mesma sensação que um rato produzia: visguenta, úmida e fria. Todos os ratos tinham dois olhinhos para espiar por eles. Uma pele lustrosa e mole, umas patinhas muito pequeninas dobradas para dar um salto, uns olhinhos negros gelatinosos para espiar por eles. Eles sabiam de que jeito deviam pular. Mas o espírito dos ratos era incapaz de compreender trigonometria. Quando estavam mortos ficavam tombados de lado. Seus corpos secavam logo. Ficavam sendo apenas coisas mortas.
Isso de trazer de novo um pedaço de frase usado antes é algo que eu faço às vezes, como no poema Está Saindo Um Troço Estranho (Ambivalência: coming soon/stay tuned). Muitas vezes um autor nos fisga quando tem estilo ou conteúdo com o qual nos identificamos. Quando me apaixonei por Nietzsche e Schopenhauer era porque eu li que eles haviam escrito sobre as mesmas coisas que eu andava pensando.
quinta-feira, 6 de março de 2003
quarta-feira, 5 de março de 2003
Ao contrário do que se pensa, as maiores dores humanas são racionais: " . . . as nossas maiores dores não se encontram no presente sob forma de representações intuitivas e de sensações imediatas, mas sim na razão sob forma de noções abstratas, de pensamentos que nos torturam, o que não possui o animal que vive somente no presente e, por conseguinte, num estado de descuidada quietação que devemos invejar-lhe." (Schopenhauer)
Encerrando um assunto.
1. Schopenhauer embasando minha idéia sobre o caráter: "Por exemplo, posso ter agido com mais egoísmo do que o comum ao meu caráter, em virtude de ter sido induzido em erro por uma idéia exagerada sobre a necessidade em que eu mesmo me achava . . . ou ainda por ter procedido com muita precipitação, ou seja, sem reflexão, deixando-me determinar não pelos motivos nitidamente reconhecidos in-abstracto, mas por motivos de simples intuição, por impressão de momento, pela emoção que se lhe derivou e cuja força foi tal, que me tolheu de certa guisa o uso da razão; mas, ainda neste caso, o retorno à reflexão não é mais que um conhecimento, que se anunciará sempre por meio de esforços tendentes a reparar o passado do melhor modo possível. (Observamos, todavia, que, com o fim de nos enganar a nós mesmos, preparamos às vezes precipitações aparentes, que são, no fundo, atos secretamente premeditados. Porque não há pessoa que melhor enganemos e adulemos com artifícios sutis, do que a nós mesmos.)
(...) Esta influência que o conhecimento, na sua qualidade de agente intermediário dos motivos, exerce não sobre a vontade, mas sobre a manifestação desta por meio de atos, estabelece também a diferença principal entre a conduta do homem e a conduta do animal, e esta é a razão por que seus modos de conhecimento diferem consideravelmente, dum para outro. O animal, com efeito, não tem mais que representações intuitivas; o homem, em virtude da razão, possui, para além, representações abstratas, noções. Se bem que os motivos ajam com a mesma necessidade sobre o animal e sobre o homem, é este último somente que tem o privilégio duma perfeita determinação eletiva, que freqüentemente foi considerada como constituinte da liberdade da vontade nas ações, ainda que outra coisa não seja senão a possibilidade dum conflito que deve seguir até um resultado definitivo entre muitos motivos, dos quais o mais forte determina então necessariamente a volição [vontade].
. . . a sua consciência [do caráter mau], submetida ao princípio de razão e embebida do princípio de individuação, se atém obstinadamente apegada à distinção que este último estabelece entre a sua pessoa e todas as outras; por conseqüência, esse alguém não procurará senão o próprio bem e permanecerá completamente indiferente ao dos outros."
2. Schopenhauer embasando minha idéia sobre a mentira: "A mentira mais perfeita é a violação dum acordo assumido, porque neste caso todas as condições que havemos enunciado se encontram reunidas de modo evidente e completo. As promessas recíprocas são prudentemente discutidas, antes de serem recambiadas em termos formais. Estendeu o domínio da sua vontade até sobre minha pessoa. Deste modo cometeu completa injustiça. (...) A má fé e a traição abrem desmedido campo às conseqüências do egoísmo."
1. Schopenhauer embasando minha idéia sobre o caráter: "Por exemplo, posso ter agido com mais egoísmo do que o comum ao meu caráter, em virtude de ter sido induzido em erro por uma idéia exagerada sobre a necessidade em que eu mesmo me achava . . . ou ainda por ter procedido com muita precipitação, ou seja, sem reflexão, deixando-me determinar não pelos motivos nitidamente reconhecidos in-abstracto, mas por motivos de simples intuição, por impressão de momento, pela emoção que se lhe derivou e cuja força foi tal, que me tolheu de certa guisa o uso da razão; mas, ainda neste caso, o retorno à reflexão não é mais que um conhecimento, que se anunciará sempre por meio de esforços tendentes a reparar o passado do melhor modo possível. (Observamos, todavia, que, com o fim de nos enganar a nós mesmos, preparamos às vezes precipitações aparentes, que são, no fundo, atos secretamente premeditados. Porque não há pessoa que melhor enganemos e adulemos com artifícios sutis, do que a nós mesmos.)
(...) Esta influência que o conhecimento, na sua qualidade de agente intermediário dos motivos, exerce não sobre a vontade, mas sobre a manifestação desta por meio de atos, estabelece também a diferença principal entre a conduta do homem e a conduta do animal, e esta é a razão por que seus modos de conhecimento diferem consideravelmente, dum para outro. O animal, com efeito, não tem mais que representações intuitivas; o homem, em virtude da razão, possui, para além, representações abstratas, noções. Se bem que os motivos ajam com a mesma necessidade sobre o animal e sobre o homem, é este último somente que tem o privilégio duma perfeita determinação eletiva, que freqüentemente foi considerada como constituinte da liberdade da vontade nas ações, ainda que outra coisa não seja senão a possibilidade dum conflito que deve seguir até um resultado definitivo entre muitos motivos, dos quais o mais forte determina então necessariamente a volição [vontade].
. . . a sua consciência [do caráter mau], submetida ao princípio de razão e embebida do princípio de individuação, se atém obstinadamente apegada à distinção que este último estabelece entre a sua pessoa e todas as outras; por conseqüência, esse alguém não procurará senão o próprio bem e permanecerá completamente indiferente ao dos outros."
2. Schopenhauer embasando minha idéia sobre a mentira: "A mentira mais perfeita é a violação dum acordo assumido, porque neste caso todas as condições que havemos enunciado se encontram reunidas de modo evidente e completo. As promessas recíprocas são prudentemente discutidas, antes de serem recambiadas em termos formais. Estendeu o domínio da sua vontade até sobre minha pessoa. Deste modo cometeu completa injustiça. (...) A má fé e a traição abrem desmedido campo às conseqüências do egoísmo."
The lost art of spending time. Acordei às 2h30 desconfortável e custei para dormir de novo. Pensei na Madi. Em ligar para ela. Pensei no que andei pensando sobre a Madi. Desisti de ligar. Tenho que aprender a ser autosuficiente. Que sensação estranha eu estava tendo, nunca havia sentido-a antes. Um medo de ficar acordado e de voltar a dormir. Mas dormi e acordei às 6h15, alvorada dos dias de trabalho. Tomei banho, café e conectei para postar o comentário sobre a semelhança entre a Nastassja Kinski e a Patricia Arquette. No BOL, havia dois e-mails da Madi. O primeiro, dizendo que estava de volta de Salvador/Recife. Li e deletei. O segundo, braba por questões que não vêm ao caso. Desconectei e peguei o metrô para Porto Alegre. Andando pela Borges, quase no trabalho, minhas pernas ficaram moles porque me dei conta de algo: o expediente hoje é somente à tarde. Dei a volta na Praça dos Açores para pensar e, não havendo nenhuma idéia sobre como matar o tempo naquela cidade, rumei ao metrô. No meio do caminho pensei que podia haver cinema matinal. Na placa: Vitória, salas 1 e 2, sessões a partir das 10h. Oba! Olhei os cartazes e a sessão mais próxima era às 13h30. Uma placa mais ao fundo: carnaval: terça e quarta, sessões a partir das 13h30. Metrô, mesmo. Segui lendo o livro Melhores Contos da Clarice Lispector que comecei na ida. Não gostei do estilo, me senti enjoado como se tivesse comido açúcar puro. Talvez mude de idéia. Mas vi idéias muito boas dela no meio da coisa toda:
. . . sentimentos são água de um instante. Em breve - como a mesma água já é outra quando o sol a deixa muito leve, e já outra quando se enerva tentando morder uma pedra, e outra ainda no pé que mergulha . . .
(...) Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu. (...)
Percebi, num desses caminhos da manhã, que o e-mail da Madi só poderia ter chegado entre 23h e 6h15, porque eu havia conectado também antes de dormir. Cheguei em casa e verifiquei o horário do e-mail. Três e pouco. Talvez eu tenha acordado com a chegada da Madi, ou quando ela ficou braba comigo (atualização: ou quando ela manifestou no blog dela detalhes que me deixam cada vez mais decepcionado, e o gesto foi tão forte que eu o senti na alma em repouso). Agora escrevo neste meu programa preferido, com esta fonte preferida, que vai se transformar em tahoma quando eu postar. Ou seja, já está tahoma, para você, agora. Depois de escrever eu ainda tirei a guitarra do Lee Ranaldo 100% e Kool Thing, com a afinação F# F# F# F# E B. Fui almoçar e peguei o metrô. Pela terceira de quatro vezes no dia.
. . . sentimentos são água de um instante. Em breve - como a mesma água já é outra quando o sol a deixa muito leve, e já outra quando se enerva tentando morder uma pedra, e outra ainda no pé que mergulha . . .
(...) Então escrever é o modo de quem tem a palavra como isca: a palavra pescando o que não é palavra. Quando essa não-palavra morde a isca, alguma coisa se escreveu. (...)
Percebi, num desses caminhos da manhã, que o e-mail da Madi só poderia ter chegado entre 23h e 6h15, porque eu havia conectado também antes de dormir. Cheguei em casa e verifiquei o horário do e-mail. Três e pouco. Talvez eu tenha acordado com a chegada da Madi, ou quando ela ficou braba comigo (atualização: ou quando ela manifestou no blog dela detalhes que me deixam cada vez mais decepcionado, e o gesto foi tão forte que eu o senti na alma em repouso). Agora escrevo neste meu programa preferido, com esta fonte preferida, que vai se transformar em tahoma quando eu postar. Ou seja, já está tahoma, para você, agora. Depois de escrever eu ainda tirei a guitarra do Lee Ranaldo 100% e Kool Thing, com a afinação F# F# F# F# E B. Fui almoçar e peguei o metrô. Pela terceira de quatro vezes no dia.
Voltando à questão das individualidades que nunca vão ser partilhadas de fato e da conseqüente fragilidade das ligações: talvez por isso que um filho seja um marco tão grande na vida de um homem e, principalmente, de uma mulher. Porque nasce uma ligação inequívoca, sem necessidade de explicação (por fazer parte do ciclo da natureza) e que é realmente eterna.
A Patricia Arquette parece bastante (é tão bonita quanto) a Nastassja Kinski loira em Paris, Texas. (Fico devendo uma foto mais de perto para revelar melhor a semelhança.)
terça-feira, 4 de março de 2003
Provocações.
1) Por que pessoas fazem blogs secretos se internet é um meio de publicação? (Seria pelo risco perigoso de poderem ser descobertas? Então os outros poderiam divulgar aqueles blogs secretos que eles descobrissem, e então essa função estaria realizada. Ou seria pelo prazer de estarem secretas no lugar mais público possível?)
2) Por que pessoas deixam comentários anônimos nos blogs? (Seriam pessoas conhecidas? Seriam pessoas que não querem ser conhecidas? Seriam pessoas injustas, que têm como encontrar os outros mas que não querem que os outros as encontrem; que querem agir apenas quando é conveniente para si, podendo fugir ou sumir quando a conveniência for outra?)
3) Em suma, por que o medo de assumir, de assinar, de SER o que é? (E a questão bloguística pode ser estendida para todas as questões do mundo.)
1) Por que pessoas fazem blogs secretos se internet é um meio de publicação? (Seria pelo risco perigoso de poderem ser descobertas? Então os outros poderiam divulgar aqueles blogs secretos que eles descobrissem, e então essa função estaria realizada. Ou seria pelo prazer de estarem secretas no lugar mais público possível?)
2) Por que pessoas deixam comentários anônimos nos blogs? (Seriam pessoas conhecidas? Seriam pessoas que não querem ser conhecidas? Seriam pessoas injustas, que têm como encontrar os outros mas que não querem que os outros as encontrem; que querem agir apenas quando é conveniente para si, podendo fugir ou sumir quando a conveniência for outra?)
3) Em suma, por que o medo de assumir, de assinar, de SER o que é? (E a questão bloguística pode ser estendida para todas as questões do mundo.)
E uma foto minha na discotecagem pós-show da DEOD no Zelig. No primeiro plano: Leonardo Fleck.
Aquele dia toquei:
Into my arms / Nick Cave
Lucky / Radiohead
All mine / Portishead
You still believe me / Beach Boys
Little trouble girl / Sonic Youth
Ter estado aqui / Blanched
Punk rock / Mogwai
Only shallow / My Bloody Valentine
E, se não me engano:
A vida é doce / Lobão
Perfect day / Lou Reed
Suzanne / Leonard Cohen
Aquele dia toquei:
Into my arms / Nick Cave
Lucky / Radiohead
All mine / Portishead
You still believe me / Beach Boys
Little trouble girl / Sonic Youth
Ter estado aqui / Blanched
Punk rock / Mogwai
Only shallow / My Bloody Valentine
E, se não me engano:
A vida é doce / Lobão
Perfect day / Lou Reed
Suzanne / Leonard Cohen
A especialidade não existe sem um ponto de referência. Esse meu pensamento explica por que às vezes eu me sinto totalmente inseguro diante de pessoas que não percebem a minha especialidade, tão inseguro que posso tremer ou gaguejar. Mas, quando estou diante de pessoas que percebem minha especialidade, sou tão seguro que não temo tomar qualquer atitude ou falar qualquer coisa que eu queira e tenho orgulho de mim mesmo, porque houve uma época em que eu fui 100% inseguro.
domingo, 2 de março de 2003
O mundo como vontade e representação. Eu li o livro, mas não entendi a parte da representação. Começo a pensar sobre o assunto. Talvez exista, para cada indivíduo, apenas dois mundos: o da vontade, que não precisa ser explicado, eu acho, e o da representação, originado da razão, que vê funcionalidade nas coisas externas à vontade, e cada coisa externa dessas representa algo para a nossa vontade, por meio da razão. As outras pessoas não fazem parte de mim e nunca vão partilhar sua individualidade comigo, e vice-versa, senão por meios simbólicos (agora estamos usando a linguagem, por exemplo). Mas várias delas representam algo para mim. Bom, pode ser que não tenha nada a ver com isso, mas não deixa de ser lógico. Vamos ver, um dia.
Coletânea que eu fiz para a Samantha.
1. Have you passed through this night? / Explosions In The Sky
2. To guard and to guide you / Lift To Experience
3. Randy described eternity / Built To Spill
4. Ithica 27 Ø 9 / Mogwai
5. The seasons reverse / Gastr Del Sol
6. Kicking horse on brokenhill / Godspeed You Black Emperor!
7. The crystal lake / Grandaddy
8. Untitled / Interpol
9. Galla / Frank Poole
10. Hjartad hamast / Sigur Rós
11. George lassoes the moon / Elbow
12. Nude as the news / Cat Power
13. Heavy vegetable / Slint
14. Bend to squares / Death Cab For Cutie
15. They´re winning / The Walkmen
16. Sol escarrado de cinza (tema do Miopia) / Por Quê?
17. Pós-rock / Poliéster
1. Have you passed through this night? / Explosions In The Sky
2. To guard and to guide you / Lift To Experience
3. Randy described eternity / Built To Spill
4. Ithica 27 Ø 9 / Mogwai
5. The seasons reverse / Gastr Del Sol
6. Kicking horse on brokenhill / Godspeed You Black Emperor!
7. The crystal lake / Grandaddy
8. Untitled / Interpol
9. Galla / Frank Poole
10. Hjartad hamast / Sigur Rós
11. George lassoes the moon / Elbow
12. Nude as the news / Cat Power
13. Heavy vegetable / Slint
14. Bend to squares / Death Cab For Cutie
15. They´re winning / The Walkmen
16. Sol escarrado de cinza (tema do Miopia) / Por Quê?
17. Pós-rock / Poliéster
Assinar:
Postagens (Atom)
