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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
"E pra 2014 eu espero menos carro, muito menos carro (no singular). (...) O que eu acho é que a maioria das pessoas usam carro somente por comodidade. Até entendo um cara que usa por status, tem sentido. Mas e o resto? Quem sabe em 2014 vamos caminhar mais pela cidade, andar de bike, de bus, e de vez em quando aquele tx ou lotação. E deixar o carro para aquela viagem de fim de semana. Não há sentido nem explicação na maioria das 'bandas' de carro que alguém dá no dia. Quase todas poderiam ser feitas de outra forma. Nunca tive carro. Ando de bike (a pé, bus...) há mais de 12 anos (não pertenço a nenhum movimento), busco e levo minha filha na escola assim, para o espanto de muitas crianças. E as pessoas reclamam de engarrafamento, da falta de lugar para estacionar na rua, do motoqueiro, do azulzinho... (...) Quem tá dentro de um carro, está fora da cidade, fora do mundo. Tá na hora de parar de olhar só para a frente, como um cavalo de cancha reta. Há muito coisa para ser vivida fora das quatro portas. Que em 2014 as pessoas se encontrem nas calçadas, nas ciclovias, no banco do bus para puxar uma conversa ou simplesmente olhar pela janela." (Gustavo Spolidoro)
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domingo, 29 de dezembro de 2013
Post Tenebras Lux
"Trato apenas de compartilhar o que vivo, sinto e imagino. Me sinto livre em todos os sentidos. Às vezes até tento fazer um filme mais fácil, mas não consigo. Não me importa o que a imprensa pensa de mim. Se não gostarem dos meus filmes, isso pode até ser positivo. Meu objetivo não é agradar o máximo de gente possível. Me interessa que algumas pessoas possam ser tocadas pelo filme." (Carlos Reygadas)
"Exercício de futilidade, pretensioso, entediante, vazio e, finalmente, a minha preferida: um filme onde o factor WTF (what the fuck) é estratosférico. Estas são algumas das belas expressões com que a quarta longa-metragem do mexicano Carlos Reygadas tem sido 'acarinhada' após ter vencido o prémio de melhor realizador em Cannes no ano passado. Se estas palavras não bastassem, só por si, para sair a correr porta fora para ir ao cinema, eis mais algumas razões. (...) Esta criação de uma nova intimidade no desconhecido, que pressupõe ver as coisas pela primeira e nomeá-las (como Rut faz na extraordinária sequência inicial em que o filme abre para a treva, para a tempestade, mas também como próprio modus operandi de Reygadas) dá esse salto que a todos convoca. E em primeiro lugar ao espectador, a quem é dado o 'poder' de ser um 'boi a olhar para um palácio' e nessa exacta medida, perscrutar na 'intimidade fútil e escusada' de um homem-autor e nela divisar o impulso telúrico, de contacto violento com a natureza, de renomeação do próprio fenómeno da intimidade. Do home movie ao universal, do impenetrável ao chocante, do poético ao intelectual eis o 'salto de tigre' de Reygadas.
É por tudo isto, por todos estes ínvios caminhos, por este 'vai e dá-lhes trabalho', que o 'pior filme do ano' é afinal, e até à data, o melhor e mais provocador filme do ano." (Carlos Natálio)
"Post Tenebras Lux opens with two of the most astonishing sequences in recent memory. In the first, a little girl of about 2 or 3 wanders gleefully across a muddy landscape filled with cows and large dogs, taking evident pleasure simply in being alive. As she does so, darkness gradually falls and a thunderstorm moves in; there's no overt threat of danger, but the juxtaposition of child and nature has an elemental power that's truly breathtaking. This slight sense of the uncanny gets multiplied a thousandfold in the following scene, which sees an animated demon composed entirely of bright red light moving silently through a dark house in the middle of the night, carrying a (non-animated) toolbox for reasons unknown. At this point, about 12 minutes in, Post Tenebras Lux (the title is a Latin phrase meaning 'after darkness, light') looks like a contender for the greatest movie ever made—especially since director Carlos Reygadas' previous feature, 2007’s Silent Light, ranks among the best films of our young century to date." (Mike D'Angelo/A.V. Club)
"Trato apenas de compartilhar o que vivo, sinto e imagino. Me sinto livre em todos os sentidos. Às vezes até tento fazer um filme mais fácil, mas não consigo. Não me importa o que a imprensa pensa de mim. Se não gostarem dos meus filmes, isso pode até ser positivo. Meu objetivo não é agradar o máximo de gente possível. Me interessa que algumas pessoas possam ser tocadas pelo filme." (Carlos Reygadas)
"Exercício de futilidade, pretensioso, entediante, vazio e, finalmente, a minha preferida: um filme onde o factor WTF (what the fuck) é estratosférico. Estas são algumas das belas expressões com que a quarta longa-metragem do mexicano Carlos Reygadas tem sido 'acarinhada' após ter vencido o prémio de melhor realizador em Cannes no ano passado. Se estas palavras não bastassem, só por si, para sair a correr porta fora para ir ao cinema, eis mais algumas razões. (...) Esta criação de uma nova intimidade no desconhecido, que pressupõe ver as coisas pela primeira e nomeá-las (como Rut faz na extraordinária sequência inicial em que o filme abre para a treva, para a tempestade, mas também como próprio modus operandi de Reygadas) dá esse salto que a todos convoca. E em primeiro lugar ao espectador, a quem é dado o 'poder' de ser um 'boi a olhar para um palácio' e nessa exacta medida, perscrutar na 'intimidade fútil e escusada' de um homem-autor e nela divisar o impulso telúrico, de contacto violento com a natureza, de renomeação do próprio fenómeno da intimidade. Do home movie ao universal, do impenetrável ao chocante, do poético ao intelectual eis o 'salto de tigre' de Reygadas.
É por tudo isto, por todos estes ínvios caminhos, por este 'vai e dá-lhes trabalho', que o 'pior filme do ano' é afinal, e até à data, o melhor e mais provocador filme do ano." (Carlos Natálio)"Post Tenebras Lux opens with two of the most astonishing sequences in recent memory. In the first, a little girl of about 2 or 3 wanders gleefully across a muddy landscape filled with cows and large dogs, taking evident pleasure simply in being alive. As she does so, darkness gradually falls and a thunderstorm moves in; there's no overt threat of danger, but the juxtaposition of child and nature has an elemental power that's truly breathtaking. This slight sense of the uncanny gets multiplied a thousandfold in the following scene, which sees an animated demon composed entirely of bright red light moving silently through a dark house in the middle of the night, carrying a (non-animated) toolbox for reasons unknown. At this point, about 12 minutes in, Post Tenebras Lux (the title is a Latin phrase meaning 'after darkness, light') looks like a contender for the greatest movie ever made—especially since director Carlos Reygadas' previous feature, 2007’s Silent Light, ranks among the best films of our young century to date." (Mike D'Angelo/A.V. Club)
Resolvi fazer este texto, relatando os diversos aprendizados que tive, ao longo desses quase 10 anos (minha filha faz 10 em julho). Aprendizados que tive trocando experiências com outras mães em redes sociais (como na comunidade Pediatria Radical), que li em livros, em blogs, filmes, conversas com amigos e, principalmente, LEMBRANDO DE MINHA PRÓPRIA INFÂNCIA E OBSERVANDO MINHA FILHA, e até mesmo pelos exemplos negativos que tive de como NÃO educar uma criança.
Para mim, aprender a educar SEM PALMADAS foi/é tão gratificante, que eu me sinto na obrigação de compartilhar o que aprendi.
Aprendizado 1: ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.
Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador.
Não importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito, ... você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o controle. A responsabilidade é sua.
Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.
Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:
Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.
Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.
Aprendizado 2: CONHEÇA UM POUCO SOBRE DESENVOLVIMENTO INFANTIL.
Você não precisa ser expert em psicologia ou entender as teorias de Freud (que, aliás, são controversas). Mas procure ter conhecimentos básicos sobre o desenvolvimento infantil, como os saltos de desenvolvimento, crise dos 8 meses (angústia da separação), terrible two, a angústia causada pela noção da morte (por volta dos 6 anos), etc.
Ter conhecimento sobre a fase que seu pimpolho está passando ajuda enormemente a entender muitas de suas atitudes. E assim, entendendo as atitudes dos nossos pequenos, fica muito mais fácil lidar com elas. Além de evitar que tenhamos interpretações completamente errôneas como “esse bebê só quer colo porque está mimado”, ou “essa criança fica me testando o tempo todo”, etc.
Aprendizado 3: CRIANÇA É CRIANÇA
Esse aprendizado está muito interligado ao aprendizado anterior (“Conheça um pouco sobre o desenvolvimento infantil”).
Criança vê o mundo de forma diferente dos adultos.
Portanto, não interprete as atitudes dos pequenos como você interpretaria as mesmas atitudes praticadas por um adulto.
Por exemplo, se um adulto diz, de forma proposital, algo que não condiz com a realidade: isso se chama mentira. Já, quando uma criança pequena diz algo que não condiz com a realidade: isso não é uma mentira (pode ser uma confusão que ela faz entre o pensamento e a realidade, ou pode ser a resposta que ela pensa ser a “resposta certa” que os pais estão esperando ao ser questionada sobre algo).
Assim, um adulto falar algo que não condiz com a realidade é MUITO DIFERENTE de uma criança falar algo que não condiz com a realidade.
Além disso, como já foi dito anteriormente, crianças tem suas fases. Eu sei, é chato quando ouvimos “isso é fase, vai passar”. Mas é a mais pura verdade e devemos também levar em consideração a fase que a criança está passando para interpretar suas atitudes.
Outro exemplo de atitude equivocadamente interpretada por muitos adultos, eu falarei nos aprendizados a seguir:
Aprendizado 4: CRIANÇA PEQUENA NÃO TEM CAPACIDADE PARA OBEDECER – AS ATITUDES DEVEM VIR DOS ADULTOS.
É isso aí gente: criança pequena NÃO OBEDECE. Ponto.
Ter consciência de que criança pequena não tem capacidade para obedecer foi um dos melhores aprendizados que eu já tive e que mais me ajudou, além de evitar uns 50% de estresse do dia-dia.
Esperar que uma criança de 3 anos obedeça é tão inútil quanto pedir para um bebê de 7 meses trocar a fralda sozinho.
E por que a criança não obedece? Simplesmente porque ela ainda não tem essa capacidade. O cérebro dela sequer está completamente formado para que ela seja capaz de conter seus impulsos. Muito pelo contrário, nas crianças pequenas, são seus impulsos, suas vontades, seus desejos, que a controlam.
Além disso, a criança mantem uma relação muito forte com o objeto de desejo, com o que quer fazer.
Quando uma criança quer algo, sai de baixo! Ela QUER com todas as suas forças. E fica obcecada pelo objeto de desejo. Grita, esperneia, chora e berra. Assim, se ela QUER muito fazer algo e você disser pra ela não fazer tal coisa, ela não vai te obedecer.
Portanto, esqueça a obediência. Criança NÃO tem que ser OBEDIENTE. Criança precisa ser EDUCADA.
E como se educa a criança a ter controle sobre si própria? Da mesma forma que a gente deve educá-la a trocar de roupa sozinha. Ou seja: primeiro nós fazemos por ela (o adulto é que troca a criança), depois passamos a ajudá-la a fazer (a gente ajuda a criança a se trocar) e, então, ela passará a fazer sozinha (a criança troca-se sozinha).
É basicamente a mesma coisa.
Portanto, para ensinar a criança a conseguir ter autocontrole, inicialmente, são os pais que devem fazer isso por ela.
Cabe ao adulto, através de atitudes, IMPEDIR COM QUE A CRIANÇA FAÇA O QUE NÃO PODE. Da mesma forma, cabe aos adultos, através de atitudes, LEVAR CRIANÇA A FAZER O QUE DEVE SER FEITO.
Deste modo, se a criança quer brincar com uma faca: a responsabilidade é sua (adulto) de retirar a faca da criança. Se a criança quer permanecer em algum local perigoso, a responsabilidade é sua (adulto) de retirá-la do local. Se a criança não quer escovar os dentes, a responsabilidade é sua (adulto) de levá-la a escovar os dentes. Se a criança está subindo em cima de um sofá na casa de uma visita, a responsabilidade é sua (adulto) de impedir tal fato. A responsabilidade é sempre sua. É você, adulto, que vai controlá-la.
Com o passar do tempo, a criança vai criando autocontrole, e aí você vai passar a ajudá-la neste autocontrole. Até que, então, a criança conseguirá se controlar sozinha.
Aqui, podemos retomar os aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe; Conheça um pouco sobre desenvolvimento infantil e Criança é criança.
Aprendizado 5:NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO
Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:
Levando-se em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.
Vamos imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação, grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e, olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.
Ora, se você disser pra um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por uma criança.
A criança te “desobedece” pelo simples fato de que ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que se trata.
Interpretar a atitude de desobediência como desafio por parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na frente.
Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.
Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.
Portanto, se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como uma atitude desafiadora.
Agora pense na insegurança que isso poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança, fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá ser cuidada).
E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.
Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.
Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.
Se você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a se autocontrolar.
E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos.
Lembre-se dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole.
Aprendizado 6: APRENDA A DIALOGAR, CONSTANTEMENTE.
É muito comum ouvirmos falar “Conversa não adianta” Ou: “Já tentei de tudo, mas ele não me ouve.”
Isso não é verdade!
O que existe é que você, pai/mãe, não aprendeu a dialogar.
Está aí um dos grandes motivos pelos quais sou contra palmadas: palmadas impedem com que os pais e filhos APRENDAM a dialogar. Dialogar é um aprendizado, que deve ser revisto constantemente, pois a forma de dialogar vai mudando conforme o desenvolvimento da criança. Dialogar com um bebê de 1 ano, é diferente de dialogar com um de 3 anos, que é diferente de dialogar com uma criança de 5 anos, de 7 anos, com um pré-adolescente de 10 anos e por aí vai...
Além disso, para aprender a dialogar, são necessárias várias outras atitudes dos pais, sendo que todas elas ajudam a criar um maravilhoso vínculo entre pais e filhos e ajudam no bom desenvolvimento da criança.
Portanto, a palmada, além de impedir esse aprendizado – de diálogo entre pais e filhos – ela impede também com que ocorra tudo que está por trás desse aprendizado do diálogo. Não sei se estou conseguindo explicar o que eu quero dizer, mas é basicamente isso: a palmada evita o processo de aprendizado do diálogo. Mas não é só o diálogo que fica prejudicado, mas tudo que está por trás para alcançar este diálogo com a criança.
E, pra aprender a dialogar é necessário, antes de tudo, aprender a OUVIR. É necessário ter EMPATIA, se colocando no lugar da criança, observando a fase em que ela está, sua imaturidade, as mudanças que ela pode estar passando na sua vidinha. É necessário dar atenção ao filho. É necessário observar a criança. É necessário ter tempo com a criança. É necessário aprender como você consegue ser ouvido pela criança. E, também, é necessário criar uma relação muito forte com a criança, uma relação de afeto, de carinho, de respeito, de confiança.
E a forma de dialogar com a criança vai depender de cada família, de cada criança, e da idade dela (da fase que ela está passando).
Por exemplo, eu acredito que a melhor forma de falar aos bebês o que pode e o que não pode é através de atitudes dos pais (como descrito no aprendizado 4). Ou seja, a forma como você demonstra à criança pequenininha o que é certo e errado é através de atitudes. O diálogo se dá através de atitudes dos pais, principalmente.
Depois, quando minha filha era pequena (até os 3/4 anos), conversávamos através de historinhas. Eu ia contando uma historinha, utilizando como enredo situações que ela tinha passado, mas com personagens fictícios, e ela ia completando a historinha junto comigo, ou seja, se manifestando.
Outra coisa importante, é demonstrar os valores, sempre que possível. Por exemplo, você está assistindo um filme ou novela, a criança passa na sala bem num momento em que um personagem dá um tapa em outro. Se manifeste! Demonstre o quanto aquela atitude é errada. Diga coisas como “Nossa! Que horror!” ou “Que coisa horrível isso de alguém dar um tapa em outra pessoa!” Isso vale também para situações que você vê na rua, como, por exemplo, quando vê alguém jogando lixo no chão.
Crianças são ligadíssimas ao que acontece ao redor. Portanto, não deixe passar batido.
Outra coisa bacana é dar exemplos de quando você era criança, pois elas prestam a maior atenção pra saber de como nós, pais, éramos quando criança.
Também aprendi a não ter grandes conversas nas horas das birras e estresse. A criança vai ficar na defensiva e não vai adiantar. Na hora da birra ou da “discussão” seja objetivo, sem muito blábláblá. Depois, numa hora calma, num momento de tranquilidade, em que ambos estejam de bom humor, relembre o ocorrido, de forma tranquila e na boa, e reforce a mensagem que você quer passar. Escute o que a criança tenha a dizer e exponha sua opinião. Você vai se surpreender em como, nessas horas, a criança realmente te escuta e até pede desculpas.
Costumamos ter conversas com minha filha à noite. Perguntamos se ela quer falar alguma coisa, se algo a está incomodando. Ela também nos pergunta se queremos falar alguma coisa sobre nosso dia, etc.
Tenho um casal de amigos com dois filhos que fazem “reuniões” semanais. Mas é possível solicitar uma “reunião” quando sentir necessidade. Cada um expõe o que quiser e sempre que um membro fala, os outros devem prestar atenção. Achei a ideia interessante.
Outras famílias conversam sobre o dia durante o jantar.
Sabe, eu me pergunto se todas famílias praticam isso: tirar um tempo do dia para sentar e conversar.
Devo ressaltar também que, nesta questão do diálogo, não há regras gerais e imutáveis, sendo que a melhor forma de EU dialogar com MINHA filha, talvez não seja a melhor forma de diálogo entre VOCÊ e SEU filho. Isso vai depender de cada família, de cada criança. Por isso, é necessário cada pai/mãe observar seu filho e aprender a dialogar entre si.
Sim, dialogar funciona!
Aprendizado 7: RECONHEÇA E LEGITIME O SENTIMENTO, CRITIQUE A ATITUDE NEGATIVA
Este é um aprendizado que devemos ter não só com as crianças, mas também com os adultos e também com nós mesmos.
Negar os sentimentos “ruins” é prejudicial, além de ser totalmente inútil.
Somos seres humanos, e, como tal, temos todos os tipos de sentimentos, inclusive sentimentos não muito nobres, como tristeza, raiva, ciúmes, inveja, dentre outros.
Como escreveu Clarice Lispector: “Pensar é um ato, sentir é um fato”.
E é isso que ocorre conosco: temos sentimentos ruins e não temos controle sobre eles.
Imagine você falando para uma criança: “Não precisa ter medo de trovão.”
Ok, precisar não precisa, mas como faz pra não ter medo?
“Não fique triste”, “É feio ter inveja”, etc.
Adianta falar esse tipo de coisa?
A criança apenas vai se sentir mal por sentir o que não é pra sentir, além dela não receber qualquer orientação em como proceder diante daquele sentimento ruim.
Portanto, ajude a criança a reconhecer e a manifestar verbalmente o sentimento e a oriente.
Por exemplo: “Tudo bem você ficar com raiva porque eu não fiz tal coisa, mas não grite e não bata a porta. Eu não admito que você grite comigo. Se acalme. Quer um copo d´água pra se acalmar? Quer ficar um pouco no seu quarto?”
Ou: “Eu entendo que você fica chateado quando está perdendo um jogo. É normal. Ninguém gosta de perder. Mas você não pode parar de jogar só porque está perdendo. Vai jogar até o fim e continuar tentando vencer.”
Demonstre pra criança que tudo bem sentir assim ou assado, mas o que importa são as atitudes. Assim, você a ajudará a aprender a reconhecer os seus sentimentos e a lidar com eles, de um modo construtivo.
Por exemplo, sabemos que crianças podem agir de forma agressiva, ou com manhas e birras, ou até mesmo fazendo xixi na cama quando algo as incomoda (muitas vezes nem mesmo elas sabem o que está incomodando).
Assim, se você ajudá-la a reconhecer os sentimentos, a verbalizá-los e a lidar com eles de forma positiva, com o tempo, a criança conseguirá reconhecer tais sentimentos e a compreendê-los. E, mais ainda, ela conseguirá manifestar estes sentimentos de forma construtiva e civilizada, sem precisar fazer manha, birras ou serem agressivas, apenas expondo verbalmente.
É muito melhor e muito mais fácil lidar com uma criança que chega e diz “Hoje eu estou um pouco nervosa por causa de tal coisa”, do que com uma criança que sequer consegue entender o que a está incomodando, passando a tomar atitudes agressivas, fazer birra, etc.
A criança precisa se sentir segura para expor o que sente. E precisa ser acolhida, sempre. Não julgue e não menospreze o sentimento dela. E a oriente com relação às atitudes.
Aprendizado 8: SEJA SINCERO
Não tenho muito o que falar sobre este aprendizado, pois ele é muito simples. É apenas isso: Seja sincero.
Para crianças terem confiança nos pais é preciso que estes sejam sinceros.
Tenho pavor de promessas que os pais sabem que não irão cumprir, de enganar a criança, essas coisas.
Esse tipo de “enganação” faz com que suas palavras percam o valor. Aí, todo aquele processo de aprender a dialogar com a criança vai por água abaixo.
Portanto, seja sincero.
Além disso, quando você for explicar ou justificar algo para a criança, pense sempre a real necessidade daquilo.
Por exemplo, quando você precisar convencer a criança a tomar banho, pense e diga sobre a real necessidade de se tomar banho. As pessoas não tomam banho para ganhar sobremesa, ou para poderem jogar vídeo-game. As pessoas tomam banho para não ficarem fedidas (vivemos em sociedade) e para terem higiene, evitando doenças.
Quando a criança pergunta coisas que você não sabe, não tenha medo em dizer que não sabe.
Para finalizar, gostaria de citar dois artigos científicos que respaldam a não-necessidade e potenciais malefícios da utilização de palmadas na educação infantil.
Primeiramente, este artigo sobre a ineficiência/perigo das palmadas, em português: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n2/a04v9n2.pdf
E finalmente, uma metanálise sobre castigos corporais, no link: http://www.endcorporalpunishment.org/pages/pdfs/Gershoff-2002.pdf
Nesta metanálise a autora apresenta resultados da associação entre castigo corporal e 11 comportamentos infantis, e os resultados são claros: castigos corporais (palmadas) foram associado com níveis mais altos de conformidade imediata (ou seja, a criança aprende a se submeter ao castigo e se conforma ao invés de questionar e tentar entender a origem do castigo e não vai atrás de um aprendizado) e agressão e baixos níveis de internalização moral e saúde mental a longo prazo.
Lembrando que metanálises são ferramentas poderosas na ciência, pois avaliam os resultados de vários estudos independentes voltados a uma única questão, no caso, o castigo corporal.
Bom, por enquanto é isso. Espero que ajude alguém.
Bjs a todos!
Tatyana Marion Klein (36 anos), advogada em Curitiba, mãe da Luíza (9 anos).
Para mim, aprender a educar SEM PALMADAS foi/é tão gratificante, que eu me sinto na obrigação de compartilhar o que aprendi.
Aprendizado 1: ASSUMA O PAPEL DE PAI/MÃE.
Essa é, sem dúvida, a primeira coisa que se deve fazer quando se pretende educar um filho: assumir o papel de educador.
Não importa se o dia foi estressante, se você está de TPM, se a criança está birrenta, se você não sabe o que fazer pra contornar um conflito, ... você (pai/mãe) é quem deve ter maturidade, você (pai/mãe) é quem tem o controle da situação, você (pai/mãe) é que se permite perder o controle. A responsabilidade é sua.
Assumir o papel de pai/mãe é também colocar a criança no seu papel, qual seja: de CRIANÇA.
Portanto, por mais óbvio que isto seja, algumas pessoas não se atentam pra essa obviedade:
Pai/Mãe é Pai/Mãe = adultos, que devem agir com maturidade e que tem o direito/obrigação de cuidar e educar os filhos.
Filho é Filho = Criança, imatura, em processo de desenvolvimento, que tem o direito de ser cuidada e educada pelos pais.
Aprendizado 2: CONHEÇA UM POUCO SOBRE DESENVOLVIMENTO INFANTIL.
Você não precisa ser expert em psicologia ou entender as teorias de Freud (que, aliás, são controversas). Mas procure ter conhecimentos básicos sobre o desenvolvimento infantil, como os saltos de desenvolvimento, crise dos 8 meses (angústia da separação), terrible two, a angústia causada pela noção da morte (por volta dos 6 anos), etc.
Ter conhecimento sobre a fase que seu pimpolho está passando ajuda enormemente a entender muitas de suas atitudes. E assim, entendendo as atitudes dos nossos pequenos, fica muito mais fácil lidar com elas. Além de evitar que tenhamos interpretações completamente errôneas como “esse bebê só quer colo porque está mimado”, ou “essa criança fica me testando o tempo todo”, etc.
Aprendizado 3: CRIANÇA É CRIANÇA
Esse aprendizado está muito interligado ao aprendizado anterior (“Conheça um pouco sobre o desenvolvimento infantil”).
Criança vê o mundo de forma diferente dos adultos.
Portanto, não interprete as atitudes dos pequenos como você interpretaria as mesmas atitudes praticadas por um adulto.
Por exemplo, se um adulto diz, de forma proposital, algo que não condiz com a realidade: isso se chama mentira. Já, quando uma criança pequena diz algo que não condiz com a realidade: isso não é uma mentira (pode ser uma confusão que ela faz entre o pensamento e a realidade, ou pode ser a resposta que ela pensa ser a “resposta certa” que os pais estão esperando ao ser questionada sobre algo).
Assim, um adulto falar algo que não condiz com a realidade é MUITO DIFERENTE de uma criança falar algo que não condiz com a realidade.
Além disso, como já foi dito anteriormente, crianças tem suas fases. Eu sei, é chato quando ouvimos “isso é fase, vai passar”. Mas é a mais pura verdade e devemos também levar em consideração a fase que a criança está passando para interpretar suas atitudes.
Outro exemplo de atitude equivocadamente interpretada por muitos adultos, eu falarei nos aprendizados a seguir:
Aprendizado 4: CRIANÇA PEQUENA NÃO TEM CAPACIDADE PARA OBEDECER – AS ATITUDES DEVEM VIR DOS ADULTOS.
É isso aí gente: criança pequena NÃO OBEDECE. Ponto.
Ter consciência de que criança pequena não tem capacidade para obedecer foi um dos melhores aprendizados que eu já tive e que mais me ajudou, além de evitar uns 50% de estresse do dia-dia.
Esperar que uma criança de 3 anos obedeça é tão inútil quanto pedir para um bebê de 7 meses trocar a fralda sozinho.
E por que a criança não obedece? Simplesmente porque ela ainda não tem essa capacidade. O cérebro dela sequer está completamente formado para que ela seja capaz de conter seus impulsos. Muito pelo contrário, nas crianças pequenas, são seus impulsos, suas vontades, seus desejos, que a controlam.
Além disso, a criança mantem uma relação muito forte com o objeto de desejo, com o que quer fazer.
Quando uma criança quer algo, sai de baixo! Ela QUER com todas as suas forças. E fica obcecada pelo objeto de desejo. Grita, esperneia, chora e berra. Assim, se ela QUER muito fazer algo e você disser pra ela não fazer tal coisa, ela não vai te obedecer.
Portanto, esqueça a obediência. Criança NÃO tem que ser OBEDIENTE. Criança precisa ser EDUCADA.
E como se educa a criança a ter controle sobre si própria? Da mesma forma que a gente deve educá-la a trocar de roupa sozinha. Ou seja: primeiro nós fazemos por ela (o adulto é que troca a criança), depois passamos a ajudá-la a fazer (a gente ajuda a criança a se trocar) e, então, ela passará a fazer sozinha (a criança troca-se sozinha).
É basicamente a mesma coisa.
Portanto, para ensinar a criança a conseguir ter autocontrole, inicialmente, são os pais que devem fazer isso por ela.
Cabe ao adulto, através de atitudes, IMPEDIR COM QUE A CRIANÇA FAÇA O QUE NÃO PODE. Da mesma forma, cabe aos adultos, através de atitudes, LEVAR CRIANÇA A FAZER O QUE DEVE SER FEITO.
Deste modo, se a criança quer brincar com uma faca: a responsabilidade é sua (adulto) de retirar a faca da criança. Se a criança quer permanecer em algum local perigoso, a responsabilidade é sua (adulto) de retirá-la do local. Se a criança não quer escovar os dentes, a responsabilidade é sua (adulto) de levá-la a escovar os dentes. Se a criança está subindo em cima de um sofá na casa de uma visita, a responsabilidade é sua (adulto) de impedir tal fato. A responsabilidade é sempre sua. É você, adulto, que vai controlá-la.
Com o passar do tempo, a criança vai criando autocontrole, e aí você vai passar a ajudá-la neste autocontrole. Até que, então, a criança conseguirá se controlar sozinha.
Aqui, podemos retomar os aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe; Conheça um pouco sobre desenvolvimento infantil e Criança é criança.
Aprendizado 5:NÃO SE COLOQUE NA POSIÇÃO DE DESAFIADO
Esse aprendizado é uma consequência dos aprendizados anteriores, como veremos:
Levando-se em conta que os pais é que estão sempre no controle da situação, que não devemos interpretar as atitudes de uma criança da mesma maneira que interpretamos a mesma atitude em um adulto, que a criança é um ser em desenvolvimento e que tem direito de receber cuidados e educação dos pais, e ainda, considerando que a criança não tem capacidade para obedecer, chegamos à conclusão que CRIANÇA NÃO TESTA OS PAIS, SENDO OS PAIS QUE SE COLOCAM ERRONEAMENTE NO LUGAR DE TESTADOS.
Vamos imaginar a cena: Você está na casa de uma visita e seu filho de dois anos vai em direção a um lindo enfeite de cristal. Talvez o objeto tenha chamado a atenção do pequerrucho pela forma, ou pelos feixes de luz que reflete, ou sabe-se lá porque. Fato é que a criança vai ao encontro daquele valioso e delicado artefato. A mãe, vendo o perigo da situação, grita: “Filho, não mexa aí!”. A criança obedece? Se a criança quiser muito tocar naquele objeto, provavelmente ela irá se virar para a mãe e, olhando nos olhos da mãe, pega o objeto.
Ora, se você disser pra um adulto não pegar tal coisa e, ainda assim, ele pegar. E pegar o objeto olhando pra você, certamente isso é um desafio. No entanto, não é dessa forma que deve ser interpretada a mesma atitude, se praticada por uma criança.
A criança te “desobedece” pelo simples fato de que ela não é capaz de obedecer (lembra?) Ela não é capaz de fazer aquilo que ela está com vontade (São as vontades, os impulsos e os desejos que a controla. Lembra disso também?) Ela sabe que aquilo é errado e que aquilo vai gerar uma atitude negativa nos pais (talvez é por isso que a criança já faz a coisa errada olhando para os pais. Às vezes até com uma cara feia, esperando e se preparando para a bronca). No entanto, por mais que ela saiba que aquilo que ela está fazendo é errado, ela não tem condições de não fazê-lo. Portanto, não interprete essa atitude como desafio. Interprete essa atitude como IMATURIDADE. Afinal, é disso que se trata.
Interpretar a atitude de desobediência como desafio por parte da criança é bem perigoso e poderá causar dificuldades lá na frente.
Explico porque: Crianças veem as coisas de acordo com o olhar dos pais.
Por exemplo: se os pais veem uma atitude agressiva normal, a criança passará a achar esta atitude agressiva normal também.
Portanto, se os pais veem a atitude da criança em desobedecer numa atitude desafiadora, a criança também passará a ver a desobediência dela como uma atitude desafiadora.
Agora pense na insegurança que isso poderá gerar numa criança?! Justamente os pais, muito maiores e mais velhos que ela, que deveriam ser mais maduros e mais inteligentes, que deveriam cuidar, mostrar o certo e o errado, e que deveriam estar no comando, passam a se sentir “ameaçados”, desafiados, por ela, um serzinho muito menor. Isso gera uma insegurança tremenda na criança, fazendo com que ela sinta necessidade (aí sim) de desafiá-los, pra verificar se eles realmente estão no comando (se ela realmente poderá ser cuidada).
E antes, o que apenas era imaturidade, passa a ser, de fato, desafio.
Deste modo, não é a criança que te desafia, são os pais que se colocam na posição de testados.
Ora, não seja um(a) pai/mãe banana, se colocando na posição de testado por uma criança de 2,3 anos de idade.
Se você olhar a situação de desobediência tal como ela é (falta de maturidade, falta de autocontrole), tais atitudes da criança serão vista por ela mesma dessa forma. E então, além dela não ter necessidade alguma de passar a testar os pais (ela está segura e sabe que os pais tem condições de cuidá-la, pois não se sentem ameaçados e se posicionam como educadores, no comando da situação) fica mais fácil ela aprender a se autocontrolar.
E, logo, logo, ela passará a “obedecer”. Ou melhor, ela conseguirá, sozinha, controlar seus impulsos.
Lembre-se dos aprendizados anteriores: Assuma o papel de pai/mãe. Tenha plena consciência de que você é que está no comando. Interprete as atitudes de criança como atitudes de criança. Se colocando dessa forma, a criança se sente segura, não precisará testar nada e vai aprender o que interessa: ter autocontrole.
Aprendizado 6: APRENDA A DIALOGAR, CONSTANTEMENTE.
É muito comum ouvirmos falar “Conversa não adianta” Ou: “Já tentei de tudo, mas ele não me ouve.”
Isso não é verdade!
O que existe é que você, pai/mãe, não aprendeu a dialogar.
Está aí um dos grandes motivos pelos quais sou contra palmadas: palmadas impedem com que os pais e filhos APRENDAM a dialogar. Dialogar é um aprendizado, que deve ser revisto constantemente, pois a forma de dialogar vai mudando conforme o desenvolvimento da criança. Dialogar com um bebê de 1 ano, é diferente de dialogar com um de 3 anos, que é diferente de dialogar com uma criança de 5 anos, de 7 anos, com um pré-adolescente de 10 anos e por aí vai...
Além disso, para aprender a dialogar, são necessárias várias outras atitudes dos pais, sendo que todas elas ajudam a criar um maravilhoso vínculo entre pais e filhos e ajudam no bom desenvolvimento da criança.
Portanto, a palmada, além de impedir esse aprendizado – de diálogo entre pais e filhos – ela impede também com que ocorra tudo que está por trás desse aprendizado do diálogo. Não sei se estou conseguindo explicar o que eu quero dizer, mas é basicamente isso: a palmada evita o processo de aprendizado do diálogo. Mas não é só o diálogo que fica prejudicado, mas tudo que está por trás para alcançar este diálogo com a criança.
E, pra aprender a dialogar é necessário, antes de tudo, aprender a OUVIR. É necessário ter EMPATIA, se colocando no lugar da criança, observando a fase em que ela está, sua imaturidade, as mudanças que ela pode estar passando na sua vidinha. É necessário dar atenção ao filho. É necessário observar a criança. É necessário ter tempo com a criança. É necessário aprender como você consegue ser ouvido pela criança. E, também, é necessário criar uma relação muito forte com a criança, uma relação de afeto, de carinho, de respeito, de confiança.
E a forma de dialogar com a criança vai depender de cada família, de cada criança, e da idade dela (da fase que ela está passando).
Por exemplo, eu acredito que a melhor forma de falar aos bebês o que pode e o que não pode é através de atitudes dos pais (como descrito no aprendizado 4). Ou seja, a forma como você demonstra à criança pequenininha o que é certo e errado é através de atitudes. O diálogo se dá através de atitudes dos pais, principalmente.
Depois, quando minha filha era pequena (até os 3/4 anos), conversávamos através de historinhas. Eu ia contando uma historinha, utilizando como enredo situações que ela tinha passado, mas com personagens fictícios, e ela ia completando a historinha junto comigo, ou seja, se manifestando.
Outra coisa importante, é demonstrar os valores, sempre que possível. Por exemplo, você está assistindo um filme ou novela, a criança passa na sala bem num momento em que um personagem dá um tapa em outro. Se manifeste! Demonstre o quanto aquela atitude é errada. Diga coisas como “Nossa! Que horror!” ou “Que coisa horrível isso de alguém dar um tapa em outra pessoa!” Isso vale também para situações que você vê na rua, como, por exemplo, quando vê alguém jogando lixo no chão.
Crianças são ligadíssimas ao que acontece ao redor. Portanto, não deixe passar batido.
Outra coisa bacana é dar exemplos de quando você era criança, pois elas prestam a maior atenção pra saber de como nós, pais, éramos quando criança.
Também aprendi a não ter grandes conversas nas horas das birras e estresse. A criança vai ficar na defensiva e não vai adiantar. Na hora da birra ou da “discussão” seja objetivo, sem muito blábláblá. Depois, numa hora calma, num momento de tranquilidade, em que ambos estejam de bom humor, relembre o ocorrido, de forma tranquila e na boa, e reforce a mensagem que você quer passar. Escute o que a criança tenha a dizer e exponha sua opinião. Você vai se surpreender em como, nessas horas, a criança realmente te escuta e até pede desculpas.
Costumamos ter conversas com minha filha à noite. Perguntamos se ela quer falar alguma coisa, se algo a está incomodando. Ela também nos pergunta se queremos falar alguma coisa sobre nosso dia, etc.
Tenho um casal de amigos com dois filhos que fazem “reuniões” semanais. Mas é possível solicitar uma “reunião” quando sentir necessidade. Cada um expõe o que quiser e sempre que um membro fala, os outros devem prestar atenção. Achei a ideia interessante.
Outras famílias conversam sobre o dia durante o jantar.
Sabe, eu me pergunto se todas famílias praticam isso: tirar um tempo do dia para sentar e conversar.
Devo ressaltar também que, nesta questão do diálogo, não há regras gerais e imutáveis, sendo que a melhor forma de EU dialogar com MINHA filha, talvez não seja a melhor forma de diálogo entre VOCÊ e SEU filho. Isso vai depender de cada família, de cada criança. Por isso, é necessário cada pai/mãe observar seu filho e aprender a dialogar entre si.
Sim, dialogar funciona!
Aprendizado 7: RECONHEÇA E LEGITIME O SENTIMENTO, CRITIQUE A ATITUDE NEGATIVA
Este é um aprendizado que devemos ter não só com as crianças, mas também com os adultos e também com nós mesmos.
Negar os sentimentos “ruins” é prejudicial, além de ser totalmente inútil.
Somos seres humanos, e, como tal, temos todos os tipos de sentimentos, inclusive sentimentos não muito nobres, como tristeza, raiva, ciúmes, inveja, dentre outros.
Como escreveu Clarice Lispector: “Pensar é um ato, sentir é um fato”.
E é isso que ocorre conosco: temos sentimentos ruins e não temos controle sobre eles.
Imagine você falando para uma criança: “Não precisa ter medo de trovão.”
Ok, precisar não precisa, mas como faz pra não ter medo?
“Não fique triste”, “É feio ter inveja”, etc.
Adianta falar esse tipo de coisa?
A criança apenas vai se sentir mal por sentir o que não é pra sentir, além dela não receber qualquer orientação em como proceder diante daquele sentimento ruim.
Portanto, ajude a criança a reconhecer e a manifestar verbalmente o sentimento e a oriente.
Por exemplo: “Tudo bem você ficar com raiva porque eu não fiz tal coisa, mas não grite e não bata a porta. Eu não admito que você grite comigo. Se acalme. Quer um copo d´água pra se acalmar? Quer ficar um pouco no seu quarto?”
Ou: “Eu entendo que você fica chateado quando está perdendo um jogo. É normal. Ninguém gosta de perder. Mas você não pode parar de jogar só porque está perdendo. Vai jogar até o fim e continuar tentando vencer.”
Demonstre pra criança que tudo bem sentir assim ou assado, mas o que importa são as atitudes. Assim, você a ajudará a aprender a reconhecer os seus sentimentos e a lidar com eles, de um modo construtivo.
Por exemplo, sabemos que crianças podem agir de forma agressiva, ou com manhas e birras, ou até mesmo fazendo xixi na cama quando algo as incomoda (muitas vezes nem mesmo elas sabem o que está incomodando).
Assim, se você ajudá-la a reconhecer os sentimentos, a verbalizá-los e a lidar com eles de forma positiva, com o tempo, a criança conseguirá reconhecer tais sentimentos e a compreendê-los. E, mais ainda, ela conseguirá manifestar estes sentimentos de forma construtiva e civilizada, sem precisar fazer manha, birras ou serem agressivas, apenas expondo verbalmente.
É muito melhor e muito mais fácil lidar com uma criança que chega e diz “Hoje eu estou um pouco nervosa por causa de tal coisa”, do que com uma criança que sequer consegue entender o que a está incomodando, passando a tomar atitudes agressivas, fazer birra, etc.
A criança precisa se sentir segura para expor o que sente. E precisa ser acolhida, sempre. Não julgue e não menospreze o sentimento dela. E a oriente com relação às atitudes.
Aprendizado 8: SEJA SINCERO
Não tenho muito o que falar sobre este aprendizado, pois ele é muito simples. É apenas isso: Seja sincero.
Para crianças terem confiança nos pais é preciso que estes sejam sinceros.
Tenho pavor de promessas que os pais sabem que não irão cumprir, de enganar a criança, essas coisas.
Esse tipo de “enganação” faz com que suas palavras percam o valor. Aí, todo aquele processo de aprender a dialogar com a criança vai por água abaixo.
Portanto, seja sincero.
Além disso, quando você for explicar ou justificar algo para a criança, pense sempre a real necessidade daquilo.
Por exemplo, quando você precisar convencer a criança a tomar banho, pense e diga sobre a real necessidade de se tomar banho. As pessoas não tomam banho para ganhar sobremesa, ou para poderem jogar vídeo-game. As pessoas tomam banho para não ficarem fedidas (vivemos em sociedade) e para terem higiene, evitando doenças.
Quando a criança pergunta coisas que você não sabe, não tenha medo em dizer que não sabe.
Para finalizar, gostaria de citar dois artigos científicos que respaldam a não-necessidade e potenciais malefícios da utilização de palmadas na educação infantil.
Primeiramente, este artigo sobre a ineficiência/perigo das palmadas, em português: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v9n2/a04v9n2.pdf
E finalmente, uma metanálise sobre castigos corporais, no link: http://www.endcorporalpunishment.org/pages/pdfs/Gershoff-2002.pdf
Nesta metanálise a autora apresenta resultados da associação entre castigo corporal e 11 comportamentos infantis, e os resultados são claros: castigos corporais (palmadas) foram associado com níveis mais altos de conformidade imediata (ou seja, a criança aprende a se submeter ao castigo e se conforma ao invés de questionar e tentar entender a origem do castigo e não vai atrás de um aprendizado) e agressão e baixos níveis de internalização moral e saúde mental a longo prazo.
Lembrando que metanálises são ferramentas poderosas na ciência, pois avaliam os resultados de vários estudos independentes voltados a uma única questão, no caso, o castigo corporal.
Bom, por enquanto é isso. Espero que ajude alguém.
Bjs a todos!
Tatyana Marion Klein (36 anos), advogada em Curitiba, mãe da Luíza (9 anos).
sábado, 28 de dezembro de 2013
Coincidências curiosas: vi dois filmes, cada um com uma Lisbeth Salander - Noomi Rapace, que interpretou a personagem no original sueco, e Rooney Mara, que fez o papel no filme norte-americano. Os filmes são "Passion" e "Side effects" respectivamente. Nos dois, a atriz protagonista finge que toma remédios pra justificar uma situação armada, e tanto Noomi como Rooney (as duas tem "oo"...) batem o carro ridiculamente na garagem. Se for intencional das atrizes ou dos diretores, é muito interessante. Se for puro acaso (não existe acaso), é tão interessante quanto.
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| "Passion" |
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| "Side effects" |
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
(Não-)Perdoar: "Não é natural que devamos nos sentir 'imperdoantes' por causa de uma pessoa ou um acontecimento que nos feriu - de maneira talvez grave e irreparável? Do ponto de vista comum, a resposta é sim. Do ponto de vista da prática zen, a resposta é não. O não-perdão está alicerçado em nossos pensamentos habitualmente centrados em nossa própria pessoa. Quando acreditamos neles, são como uma gota de veneno em nosso copo de água. A primeira e monumental tarefa consiste em rotular e observar esses pensamentos até que o veneno possa evaporar. Então o trabalho maior pode ser efetuado: o vivenciar ativo, como sensação física corporal, do resíduo da raiva no corpo, sem nenhum apego aos pensamentos autocentrados. A transformação em perdão, que está intimamente relacionada com a compaixão, pode ocorrer porque o mundo dualista da pequena mente e seus pensamentos foram abandonados pelo vivenciar não-dual, não-pessoal, que é a única maneira de sairmos de nosso buraco infernal do não-perdão." (Charlotte Joko Beck)
"Perdoar a quem nos magoou é difícil: exige vontade, força e tempo. Há ainda uma outra dificuldade associada ao perdão: perdoar implica renúncia à nossa imagem de maltratados, de destroçados, de vítimas. Quando não conseguimos perdoar, ficamos dominados pelos seguintes sentimentos: a) perpetuar em nós e nos outros o mal que nos fizeram - é o mecanismo defensivo da 'imitação do agressor', como que por instinto de sobrevivência a vítima procura identificar-se com seu agressor; b) viver com um ressentimento permanente - prejudicando o sistema imunológico; c) permanecer preso ao passado; d) vontade de vingança." (Emma Martínez Ocaña)
"Perdoar a quem nos magoou é difícil: exige vontade, força e tempo. Há ainda uma outra dificuldade associada ao perdão: perdoar implica renúncia à nossa imagem de maltratados, de destroçados, de vítimas. Quando não conseguimos perdoar, ficamos dominados pelos seguintes sentimentos: a) perpetuar em nós e nos outros o mal que nos fizeram - é o mecanismo defensivo da 'imitação do agressor', como que por instinto de sobrevivência a vítima procura identificar-se com seu agressor; b) viver com um ressentimento permanente - prejudicando o sistema imunológico; c) permanecer preso ao passado; d) vontade de vingança." (Emma Martínez Ocaña)
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
[50 MELHORES DISCOS de 2013]
01. Dustin Wong - Mediation of ecstatic energy
02. Body/Head - Coming apart
03. Haim - Days are gone
04. Dresses - Sun shy
05. Nine Inch Nails - Hesitation marks
06. Shigeto - No better time than now
07. Last Days - Satellite
08. Darkside - Psychic
09. Torres - Torres
10. Oh Land - Wish bone
11. Black Sabbath - 13
12. Laura Marling - Once I was an eagle
13. Siléste - Siléste
14. Low - The invisible way
15. Eels - Wonderful, glorious
16. Laura Veirs - Warp and weft
17. Volcano Choir - Repave
18. Agnes Obel - Aventine
19. Sleigh Bells - Bitter rivals
20. Sigur Rós - Kveikur
21. Actress - Silver cloud
22. Jenny Hval - Innocence is kinky
23. Chvrches - The bones of what you believe
24. Salem - G O O D B Y E
25. Waxahatchee - Cerulean salt
26. Lorde - Pure heroin
27. The Ocean - Pelagial
28. Eleanor Friedberger - Personal record
29. Lotte Kestner - The bluebird of happiness
30. Tindersticks - Across six leap years
31. Typhoon - White lighter
32. M.I.A. - Matangi
33. Äänipää (Mika Vainio & Stephen O’Malley) - Through a pre-memory
34. Camera Obscura - Desire lines
35. David Lynch - The big dream
36. oOoOO - Without your love
37. Pinkunoizu - The drop
38. The Haxan Cloak - Excavation
39. Aye Nako - Unleash yourself
40. Julia Holter - Loud city song
41. Orchestra Of Spheres - Vibration animal sex brain music
42. Janelle Monáe - Electric lady
43. Crystal Antlers - Nothing is real
44. Melt-Banana - Fetch
45. Emilíana Torrini - Tookah
46. The Julie Ruin - Run fast
47. Ryuichi Sakamoto and Taylor Deupree - Disappearance
48. The Kissaway Trail - Breach
49. Speedy Ortiz - Major Arcana
50. Ulcerate - Vermis
01. Dustin Wong - Mediation of ecstatic energy
02. Body/Head - Coming apart
03. Haim - Days are gone
04. Dresses - Sun shy
05. Nine Inch Nails - Hesitation marks
06. Shigeto - No better time than now
07. Last Days - Satellite
08. Darkside - Psychic
09. Torres - Torres
10. Oh Land - Wish bone
11. Black Sabbath - 13
12. Laura Marling - Once I was an eagle
13. Siléste - Siléste
14. Low - The invisible way
15. Eels - Wonderful, glorious
16. Laura Veirs - Warp and weft
17. Volcano Choir - Repave
18. Agnes Obel - Aventine
19. Sleigh Bells - Bitter rivals
20. Sigur Rós - Kveikur
21. Actress - Silver cloud
22. Jenny Hval - Innocence is kinky
23. Chvrches - The bones of what you believe
24. Salem - G O O D B Y E
25. Waxahatchee - Cerulean salt
26. Lorde - Pure heroin
27. The Ocean - Pelagial
28. Eleanor Friedberger - Personal record
29. Lotte Kestner - The bluebird of happiness
30. Tindersticks - Across six leap years
31. Typhoon - White lighter
32. M.I.A. - Matangi
33. Äänipää (Mika Vainio & Stephen O’Malley) - Through a pre-memory
34. Camera Obscura - Desire lines
35. David Lynch - The big dream
36. oOoOO - Without your love
37. Pinkunoizu - The drop
38. The Haxan Cloak - Excavation
39. Aye Nako - Unleash yourself
40. Julia Holter - Loud city song
41. Orchestra Of Spheres - Vibration animal sex brain music
42. Janelle Monáe - Electric lady
43. Crystal Antlers - Nothing is real
44. Melt-Banana - Fetch
45. Emilíana Torrini - Tookah
46. The Julie Ruin - Run fast
47. Ryuichi Sakamoto and Taylor Deupree - Disappearance
48. The Kissaway Trail - Breach
49. Speedy Ortiz - Major Arcana
50. Ulcerate - Vermis
"Você não está NO Universo, você É o Universo, uma parte intrínseca dele. Em última instância você não é uma pessoa, mas um ponto focal onde o Universo torna-se consciente de si mesmo. Que milagre impressionante." (Eckhart Tolle)
"Quase ninguém ouve o seu verdadeiro eu. Mas quando não somos nós mesmos, qualquer liberdade que pensamos que temos é ilusória. Às vezes, nós rejeitamos a liberdade porque temos medo dela. Nossos verdadeiros eus estão enterrados sob camadas de musgo e de tijolos. Temos de romper essas camadas e sermos liberados, mas estamos com medo de que possamos quebrar também. Temos que nos lembrar repetidamente que as camadas de musgo e de tijolos não são nosso verdadeiro eu. Quando você percebe isto, verá cada fenômeno, cada dharma, com novos olhos." (Thich Nhât Hanh)
"É uma das mais belas histórias de amor que eu já vi.” (Steven Spielberg, presidente do júri de Cannes 2013, sobre o filme ao qual ele deu o prêmio máximo do festival, La Vie d'Adèle)
"Eu não conheci Léa Seydoux até que ela chegou no set para a cena do sonho de sexo, então quando você conhece uma pessoa pelada é completamente diferente. Dissemos 'oi' e e dois minutos depois estávamos nuas dizendo ‘OK, vamos fazer’. Não tem hipocrisia, e ela não ficou forçando coisas ou tentando ser amiga por causa da filmagem. Tudo correu naturalmente. Realmente ajuda fazer uma apresentação a alguém sem roupas, porque você fica vulnerável, você é apenas você mesma." (Adèle Exarchopoulos)
"Eu não conheci Léa Seydoux até que ela chegou no set para a cena do sonho de sexo, então quando você conhece uma pessoa pelada é completamente diferente. Dissemos 'oi' e e dois minutos depois estávamos nuas dizendo ‘OK, vamos fazer’. Não tem hipocrisia, e ela não ficou forçando coisas ou tentando ser amiga por causa da filmagem. Tudo correu naturalmente. Realmente ajuda fazer uma apresentação a alguém sem roupas, porque você fica vulnerável, você é apenas você mesma." (Adèle Exarchopoulos)
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Adam Horovitz e Kathleen Hanna: que casal!
(Eu acho que não sabia. E ela tem a doença de Lyme e ele cuida dela.)
(Eu acho que não sabia. E ela tem a doença de Lyme e ele cuida dela.)
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| Kathleen Hanna, na época do Bikini Kill. |
Só que a Justiça russa não é justa.
Ana Paula Maciel bióloga ativista gaúcha Greenpeace Antártida
Ana Paula Maciel bióloga ativista gaúcha Greenpeace Antártida
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
domingo, 15 de dezembro de 2013
Julgamento da banda Pussy Riot revela proximidade perturbadora entre Igreja e Estado na Rússia
(Benjamin Bidder/Der Spiegel, 09/08/2012)
Yekaterina Samutsevich, 29 anos, é artista formada pela Rodchenko Moscow School. Maria Alyokhina, 24, é poeta, mãe e estudante de jornalismo na capital russa. A bela Nadezhda Tolokonnikova, 23, é artista, estudante de filosofia e mãe também.
Houve alegações na sala do tribunal de que as rés estavam vestindo roupas “obviamente contrárias às regras gerais da Igreja”. Foi até mesmo sugerido que as mulheres estavam possuídas pelo diabo, tendo “se contorcido e pulado satanicamente, erguido suas pernas, rodando suas cabeças e proferido palavras insultantes e blasfemas”.
Mas lentamente, tanto a comunidade ortodoxa russa quanto o Kremlin começaram a perceber que podem ter prestado um desserviço a eles mesmos com este processo impiedoso e bizarro contra as integrantes da banda anti-Putin. Um veredicto duro não servirá como dissuasor, alerta o clérigo e intelectual ortodoxo Andrei Kurayev. Pelo contrário, a Igreja está provocando crimes de imitadores e encorajando uma radicalização da oposição, ele diz. “Nunca houve escassez de jovens extremistas” na Rússia, acrescenta Kurayev.
Konstantin Sonin, um colunista do jornal de negócios “Vedomosti”, até mesmo falou em “o pior erro da Igreja desde 1901”. Naquele ano a Igreja Ortodoxa Russa excomungou o escritor idoso Leon Tolstói.

Após o protesto na catedral, as cúpulas douradas do templo ortodoxo estremeceram. "É uma blasfêmia. O diabo está rindo de nós", declarou o patriarca Kirill. Putin também deve ter ficado putin, pois mandou um batalhão atrás das moças. Foi feito um relatório de 2.800 páginas. Putin promulgou uma lei que pune manifestações não autorizadas com multas estratosféricas. "O totalitarismo russo lembra a Inquisição medieval. A internet é a última zona livre para nós", diz o filósofo Alex Plutser-Sarno, ideólogo do Voina ainda em liberdade. (Juliana Sayuri/Estadão)

André Forastieri:
O problema é que a maioria dos russos, e dos seres humanos em geral, aplaude a democracia só quando todo mundo se comporta conforme padrões supostamente aceitáveis de comportamento. Esse é justamente o ponto do protesto do Pussy Riot: deixar claro que inaceitável é justamente respeitar um presidente, quando ele se arvora em ditador.
Ou uma igreja, quando ela apoia um regime autoritário. Mais que isso, dizem as punks: a única coisa certa a fazer é desrespeitar Putin e a Igreja Ortodoxa. Respeito se conquista, não se impõe.
A prisão das meninas é previsível, e serve para explicitar os limites bem claros do regime russo. A Rússia escorregou dos czares aos bolcheviques a essa pseudodemocracia imperial-mafiosa. Tem uma história emocionante, de grandes momentos de libertação. Nunca foi uma democracia liberal, modelito ocidental. Nem a maioria dos países. Nem o Brasil.
Dilma não é Putin e brasileiro não é russo. Dilma manda menos. Nós somos bem menos educados e liberais que os russos. Com toda a famosa malemolência brasileira, sabemos ser bem intolerantes. Desconfio que no Brasil a cana para o Ataque da Buceta seria pior do que para o Pussy Riot na Rússia. Isso se as meninas escapassem de um linchamento ali no ato mesmo, ou de serem torturadas pela polícia, ou estupradas na cadeia.
Liberdade religiosa só é possível quando é possível liberdade da religião. Portanto, em uma sociedade laica. Liberdade de expressão é a liberdade de quem discorda da gente. É premissa da vida inteligente, e pedra angular da nova civilização que precisamos construir.
Voltaire resumiu bonito, há séculos: "discordo de tudo que dizes, mas defenderei até a morte a liberdade de dizeres". Salman Rushdie, que foi perseguido por fundamentalistas, elaborou: "sem a liberdade de ofender, não há liberdade de expressão". Minha própria versão é menos elegante e mais na sua fuça: liberdade de expressão é sempre a liberdade de alguém que você odeia defender algo que você despreza.
(Benjamin Bidder/Der Spiegel, 09/08/2012)
Yekaterina Samutsevich, 29 anos, é artista formada pela Rodchenko Moscow School. Maria Alyokhina, 24, é poeta, mãe e estudante de jornalismo na capital russa. A bela Nadezhda Tolokonnikova, 23, é artista, estudante de filosofia e mãe também.
Houve alegações na sala do tribunal de que as rés estavam vestindo roupas “obviamente contrárias às regras gerais da Igreja”. Foi até mesmo sugerido que as mulheres estavam possuídas pelo diabo, tendo “se contorcido e pulado satanicamente, erguido suas pernas, rodando suas cabeças e proferido palavras insultantes e blasfemas”.
Mas lentamente, tanto a comunidade ortodoxa russa quanto o Kremlin começaram a perceber que podem ter prestado um desserviço a eles mesmos com este processo impiedoso e bizarro contra as integrantes da banda anti-Putin. Um veredicto duro não servirá como dissuasor, alerta o clérigo e intelectual ortodoxo Andrei Kurayev. Pelo contrário, a Igreja está provocando crimes de imitadores e encorajando uma radicalização da oposição, ele diz. “Nunca houve escassez de jovens extremistas” na Rússia, acrescenta Kurayev.
Konstantin Sonin, um colunista do jornal de negócios “Vedomosti”, até mesmo falou em “o pior erro da Igreja desde 1901”. Naquele ano a Igreja Ortodoxa Russa excomungou o escritor idoso Leon Tolstói.

Após o protesto na catedral, as cúpulas douradas do templo ortodoxo estremeceram. "É uma blasfêmia. O diabo está rindo de nós", declarou o patriarca Kirill. Putin também deve ter ficado putin, pois mandou um batalhão atrás das moças. Foi feito um relatório de 2.800 páginas. Putin promulgou uma lei que pune manifestações não autorizadas com multas estratosféricas. "O totalitarismo russo lembra a Inquisição medieval. A internet é a última zona livre para nós", diz o filósofo Alex Plutser-Sarno, ideólogo do Voina ainda em liberdade. (Juliana Sayuri/Estadão)

André Forastieri:
O problema é que a maioria dos russos, e dos seres humanos em geral, aplaude a democracia só quando todo mundo se comporta conforme padrões supostamente aceitáveis de comportamento. Esse é justamente o ponto do protesto do Pussy Riot: deixar claro que inaceitável é justamente respeitar um presidente, quando ele se arvora em ditador.
Ou uma igreja, quando ela apoia um regime autoritário. Mais que isso, dizem as punks: a única coisa certa a fazer é desrespeitar Putin e a Igreja Ortodoxa. Respeito se conquista, não se impõe.
A prisão das meninas é previsível, e serve para explicitar os limites bem claros do regime russo. A Rússia escorregou dos czares aos bolcheviques a essa pseudodemocracia imperial-mafiosa. Tem uma história emocionante, de grandes momentos de libertação. Nunca foi uma democracia liberal, modelito ocidental. Nem a maioria dos países. Nem o Brasil.
Dilma não é Putin e brasileiro não é russo. Dilma manda menos. Nós somos bem menos educados e liberais que os russos. Com toda a famosa malemolência brasileira, sabemos ser bem intolerantes. Desconfio que no Brasil a cana para o Ataque da Buceta seria pior do que para o Pussy Riot na Rússia. Isso se as meninas escapassem de um linchamento ali no ato mesmo, ou de serem torturadas pela polícia, ou estupradas na cadeia.
Liberdade religiosa só é possível quando é possível liberdade da religião. Portanto, em uma sociedade laica. Liberdade de expressão é a liberdade de quem discorda da gente. É premissa da vida inteligente, e pedra angular da nova civilização que precisamos construir.
Voltaire resumiu bonito, há séculos: "discordo de tudo que dizes, mas defenderei até a morte a liberdade de dizeres". Salman Rushdie, que foi perseguido por fundamentalistas, elaborou: "sem a liberdade de ofender, não há liberdade de expressão". Minha própria versão é menos elegante e mais na sua fuça: liberdade de expressão é sempre a liberdade de alguém que você odeia defender algo que você despreza.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Jason Lytle Grandaddy NPR Jed the humanoid Sophtware slump
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
A Green Field Recordings é uma netlabel portuguesa vocacionada para a edição de gravações sonoras de campo. Todos os artistas sonoros que utilizem gravações sonoras de campo como base composicional das suas obras, independentemente do seu estilo e estética musicais, são bem vindos. No entanto, daremos prioridade a trabalhos sonoros realizados com gravações sonoras de campo inalteradas.
O Zen é tedioso
(Brad Warner/trad. LEONARDO OTA)
Vamos admitir. O Zen é um tédio. Você não encontrará uma prática mais maçante e tediosa que o Zazen. A filosofia é árida e nada empolgante. Para mim é incrível que alguém ainda leia esta página. Você não percebe que poderiam estar jogando Tetris, bem agora? Que existem milhões de sites pornôs por aí? Por que você não arranja outra coisa para fazer?
Joshu Sasaki, um professor Zen da escola Rinzai, uma vez disse que os professores budistas sempre tentam conduzir seus estudantes ao Mundo de Buda, mas, se os estudantes soubessem o quanto seco e sem gosto o Mundo de Buda realmente é, eles nunca desejariam visitar tal lugar. Joshu está certo. Olhe para os professores Zen. Nenhum deles tem a menor noção de tendências, de moda. Eles sentam por aí olhando para paredes vazias. Pergunte a eles sobre levitação, eles não lhe dirão nada. Indague-os sobre a vida após a morte, eles mudam de assunto. Tente tratar de milagres e eles começam a jorrar coisas sem noção como carregar baldes d’água e cortar lenha para fogueiras. Eles vão para cama cedo e acordam cedo. Zen é filosofia para nerds.
O tédio é importante. A maior parte de nossa vida é enfadonha, sem gosto e entediante. Se você praticar Zazen, você vai aprender muito sobre tédio. Me lembro da primeira vez que fiz Zazen. Estava muito empolgado. Imaginava que teria visões de Krishnas com muitos braços descendo dos Céus ou que eu desvaneceria no Vácuo exatamente como a música dos Beatles ou alcançaria o Nirvana (seja lá o que isso fosse) ou alguma outra coisa maravilhosa. Mas o relógio apenas continuava a ticar, minhas pernas começavam a doer e pensamentos tolos continuavam a me tirar do eixo. Talvez eu não esteja fazendo as coisas do jeito correto, pensava. Mas não, anos após ano a mesma coisa. Tédio, tédio, tédio. Passados 20 anos, continua entendiante como o Diabo.
As pessoas odeiam suas vidas cotidianas. Querem algo maior. Pensamos: “Esta nossa vida de labuta é entediante, aborrecedora e ordinária. Mas um dia, um dia…” Tem um episódio do The Monkees onde o Mike Nesmith diz que, quando ele estava no colégio, costumava caminhar para fora dos palcos da escola com a guitarra em mãos pensando “um dia, um dia”. Num momento futuro, ele diz que agora (sendo agora 1967, no auge da fama dos Monkees) ele sai do palco na frente de milhares de fans pensando “Um dia, um dia”. A vida é assim. Nunca será perfeita. Qualquer “dia” que você imagine, nunca chegará. Nunca. Não importa o que seja. Não importa o quão bem você construa sua fantasia ou o cuidado com que siga cada passo necessário para alcançá-la. Mesmo que termine exatamente como você planejava, você acabará como Mike Nesmith. “Um dia, uma dia…” Lhe garanto.
Sua vida irá mudar. Com certeza. Mas também não ficará nem melhor nem pior. Como podemos comparar o presente com o passado? O que você sabe sobre o passado? Você não tem a mínima noção! Você mal consegue se lembrar precisamente sobre o dia de ontem, que dirá da semana passada ou de 10 anos atrás. O futuro? Esqueça…
Pessoas anseiam por fortes emoções. Experiências extremas. Algumas pessoas vem ao Zen esperando que a Iluminação seja a Experiência Máxima. A Mãe de Todas as Experiências Máximas. Mas a iluminação real é o mais ordinário do ordinário. Certa vez eu tive uma visão maravilhosa. Vi-me transportado através do tempo e do espaço. Milhões, não. Trilhões de zigalhões de anos se passaram. Não figurativamente, mas literalmente. Passaram zunindo. Vi-me exatamente na borda do tempo e do espaço, um gigante vasto composto de mentes e corpos de todas as coisas vivas que já existiram. Foi uma incrível experiência cinética. Emocionante. Fiquei semanas extasiado. Finalmente contei ao Sensei Nishijima sobre o ocorrido. Ele disse que era devaneio. Somente minha imaginação. Não posso lhes descrever como isto me fez sentir. Imaginação?! Foi uma experiência uma experiência tão real quanto eu jamais tive. Eu estava a ponto de chorar. Depois, ainda no mesmo dia, eu estava comendo uma mexerica. Percebi o quão incrível ela era. Tão delicada. Tão maravilhosamente laranja. Tão saborosa. Então contei a Nishijima sobre o ocorrido. Esta experiência, disse ele, era iluminação.
Você precisa de um professor como este. O mundo de precisa de um monte de professores como este. Incontáveis professores teriam interpretado minha experiência como a fusão entre minha alma e Deus, como um possuidor de coisas grandes e maravilhosas, teriam se comprazido com meu crescimento espiritual e me dado orientações sobre como ainda além. E eu estaria ainda mais instigado, admito! Teria sido fisgado. Se um professor não despedaçar suas ilusões, ele não estará lhe fazendo nenhum favor.
Tédio é o que você precisa. Fundir-se com a Mente de Deus na Borda do Universo, isto é excitação. É por isso que estamos nessa coisa de Zen, certo? Comer mexericas? Fala sério, cara! O que poderia ser mais entediante que comer mexericas?
Há alguns anos atrás, alguns psicologistas fizeram um estudo no qual colocaram alguns monges budistas e algumas pessoas comuns numa sala e ligaram eles a máquinas EEG (eletroencefalograma) para gravar suas atividades mentais. Pediram para todos que relaxassem e então entroduziram um estímulo repetitivo, um relógio funcionando alto, dentro da sala. O EEG demonstrou que os cérebros das pessoas comuns paravam de reagir ao estímulo depois de alguns segundos. Mas os dos budistas continuaram a registrar cada tique-taque que ocorria. Psicologistas e jornalistas nunca souberam interpretar exatamente o que aquela descoberta significava, embora seja frequentemente citada. É uma questão simples. Budistas prestam atenção a suas vidas. Pessoas comuns imaginam que tem coisas melhor sobre o que pensar.
Tendo compreendido isto, olhe para sua vida ordinária e você encontrará coisas realmente maravilhosas. Nossa velha, banal e sem objetivo vida pode ser incrivelmente alegre – surpreendentemente, espantasamente, incansavelmente, impiedosamente alegre. Inclusive, você não precisa fazer coisa alguma para experimentar tal alegria. As pessoas acreditam que precisam de grandes e interessantes experiências. E é verdade que experiências gigantescas, traumáticas, algumas vezes trazem as pessoas, durante um piscar de olhos, para um tipo de estado de iluminação. É por isso que esses tipos de experiências são tão desejados. Mas elas se desgastam rapidamente e você logo está de volta à procura da próxima excitação. Você não precisa usar drogas, explodir coisas, ganhar a Fórmula 1 ou caminhar na lua. Não precisa escalar com suas mãos nuas o Himalaia, nem se atracar com sua apetecível secretária ou ficar na balada a noite inteira com pessoas lindas. Não precisa ter visões sobre a união com a totalidade do Universo. Simplesmente seja o que você é, onde você está. Limpe o banheiro. Leve o cachorro para passear. Faça seu trabalho. Esta é a coisa mais mágica que existe. Se você realmente pretende se unir com Deus, este é o modo de fazê-lo. Neste momento. Você sentado aí, com a mão por debaixo da calça, mascando batata chips, rolando a tela do computador e pensando “Esse cara está louco”. O agora é Iluminação. Este momento nunca aconteceu antes e, uma vez que tenha acabado, nunca mais voltará. Você é este momento. Este momento é você. Este mesmíssimo instante é sua fusão com o Universo inteiro, com Deus ele mesmo.
A vida que você vive agora possui alegrias que nem Deus nunca saberá.
(Brad Warner/trad. LEONARDO OTA)
Vamos admitir. O Zen é um tédio. Você não encontrará uma prática mais maçante e tediosa que o Zazen. A filosofia é árida e nada empolgante. Para mim é incrível que alguém ainda leia esta página. Você não percebe que poderiam estar jogando Tetris, bem agora? Que existem milhões de sites pornôs por aí? Por que você não arranja outra coisa para fazer?
Joshu Sasaki, um professor Zen da escola Rinzai, uma vez disse que os professores budistas sempre tentam conduzir seus estudantes ao Mundo de Buda, mas, se os estudantes soubessem o quanto seco e sem gosto o Mundo de Buda realmente é, eles nunca desejariam visitar tal lugar. Joshu está certo. Olhe para os professores Zen. Nenhum deles tem a menor noção de tendências, de moda. Eles sentam por aí olhando para paredes vazias. Pergunte a eles sobre levitação, eles não lhe dirão nada. Indague-os sobre a vida após a morte, eles mudam de assunto. Tente tratar de milagres e eles começam a jorrar coisas sem noção como carregar baldes d’água e cortar lenha para fogueiras. Eles vão para cama cedo e acordam cedo. Zen é filosofia para nerds.
O tédio é importante. A maior parte de nossa vida é enfadonha, sem gosto e entediante. Se você praticar Zazen, você vai aprender muito sobre tédio. Me lembro da primeira vez que fiz Zazen. Estava muito empolgado. Imaginava que teria visões de Krishnas com muitos braços descendo dos Céus ou que eu desvaneceria no Vácuo exatamente como a música dos Beatles ou alcançaria o Nirvana (seja lá o que isso fosse) ou alguma outra coisa maravilhosa. Mas o relógio apenas continuava a ticar, minhas pernas começavam a doer e pensamentos tolos continuavam a me tirar do eixo. Talvez eu não esteja fazendo as coisas do jeito correto, pensava. Mas não, anos após ano a mesma coisa. Tédio, tédio, tédio. Passados 20 anos, continua entendiante como o Diabo.
As pessoas odeiam suas vidas cotidianas. Querem algo maior. Pensamos: “Esta nossa vida de labuta é entediante, aborrecedora e ordinária. Mas um dia, um dia…” Tem um episódio do The Monkees onde o Mike Nesmith diz que, quando ele estava no colégio, costumava caminhar para fora dos palcos da escola com a guitarra em mãos pensando “um dia, um dia”. Num momento futuro, ele diz que agora (sendo agora 1967, no auge da fama dos Monkees) ele sai do palco na frente de milhares de fans pensando “Um dia, um dia”. A vida é assim. Nunca será perfeita. Qualquer “dia” que você imagine, nunca chegará. Nunca. Não importa o que seja. Não importa o quão bem você construa sua fantasia ou o cuidado com que siga cada passo necessário para alcançá-la. Mesmo que termine exatamente como você planejava, você acabará como Mike Nesmith. “Um dia, uma dia…” Lhe garanto.
Sua vida irá mudar. Com certeza. Mas também não ficará nem melhor nem pior. Como podemos comparar o presente com o passado? O que você sabe sobre o passado? Você não tem a mínima noção! Você mal consegue se lembrar precisamente sobre o dia de ontem, que dirá da semana passada ou de 10 anos atrás. O futuro? Esqueça…
Pessoas anseiam por fortes emoções. Experiências extremas. Algumas pessoas vem ao Zen esperando que a Iluminação seja a Experiência Máxima. A Mãe de Todas as Experiências Máximas. Mas a iluminação real é o mais ordinário do ordinário. Certa vez eu tive uma visão maravilhosa. Vi-me transportado através do tempo e do espaço. Milhões, não. Trilhões de zigalhões de anos se passaram. Não figurativamente, mas literalmente. Passaram zunindo. Vi-me exatamente na borda do tempo e do espaço, um gigante vasto composto de mentes e corpos de todas as coisas vivas que já existiram. Foi uma incrível experiência cinética. Emocionante. Fiquei semanas extasiado. Finalmente contei ao Sensei Nishijima sobre o ocorrido. Ele disse que era devaneio. Somente minha imaginação. Não posso lhes descrever como isto me fez sentir. Imaginação?! Foi uma experiência uma experiência tão real quanto eu jamais tive. Eu estava a ponto de chorar. Depois, ainda no mesmo dia, eu estava comendo uma mexerica. Percebi o quão incrível ela era. Tão delicada. Tão maravilhosamente laranja. Tão saborosa. Então contei a Nishijima sobre o ocorrido. Esta experiência, disse ele, era iluminação.
Você precisa de um professor como este. O mundo de precisa de um monte de professores como este. Incontáveis professores teriam interpretado minha experiência como a fusão entre minha alma e Deus, como um possuidor de coisas grandes e maravilhosas, teriam se comprazido com meu crescimento espiritual e me dado orientações sobre como ainda além. E eu estaria ainda mais instigado, admito! Teria sido fisgado. Se um professor não despedaçar suas ilusões, ele não estará lhe fazendo nenhum favor.
Tédio é o que você precisa. Fundir-se com a Mente de Deus na Borda do Universo, isto é excitação. É por isso que estamos nessa coisa de Zen, certo? Comer mexericas? Fala sério, cara! O que poderia ser mais entediante que comer mexericas?
Há alguns anos atrás, alguns psicologistas fizeram um estudo no qual colocaram alguns monges budistas e algumas pessoas comuns numa sala e ligaram eles a máquinas EEG (eletroencefalograma) para gravar suas atividades mentais. Pediram para todos que relaxassem e então entroduziram um estímulo repetitivo, um relógio funcionando alto, dentro da sala. O EEG demonstrou que os cérebros das pessoas comuns paravam de reagir ao estímulo depois de alguns segundos. Mas os dos budistas continuaram a registrar cada tique-taque que ocorria. Psicologistas e jornalistas nunca souberam interpretar exatamente o que aquela descoberta significava, embora seja frequentemente citada. É uma questão simples. Budistas prestam atenção a suas vidas. Pessoas comuns imaginam que tem coisas melhor sobre o que pensar.
Tendo compreendido isto, olhe para sua vida ordinária e você encontrará coisas realmente maravilhosas. Nossa velha, banal e sem objetivo vida pode ser incrivelmente alegre – surpreendentemente, espantasamente, incansavelmente, impiedosamente alegre. Inclusive, você não precisa fazer coisa alguma para experimentar tal alegria. As pessoas acreditam que precisam de grandes e interessantes experiências. E é verdade que experiências gigantescas, traumáticas, algumas vezes trazem as pessoas, durante um piscar de olhos, para um tipo de estado de iluminação. É por isso que esses tipos de experiências são tão desejados. Mas elas se desgastam rapidamente e você logo está de volta à procura da próxima excitação. Você não precisa usar drogas, explodir coisas, ganhar a Fórmula 1 ou caminhar na lua. Não precisa escalar com suas mãos nuas o Himalaia, nem se atracar com sua apetecível secretária ou ficar na balada a noite inteira com pessoas lindas. Não precisa ter visões sobre a união com a totalidade do Universo. Simplesmente seja o que você é, onde você está. Limpe o banheiro. Leve o cachorro para passear. Faça seu trabalho. Esta é a coisa mais mágica que existe. Se você realmente pretende se unir com Deus, este é o modo de fazê-lo. Neste momento. Você sentado aí, com a mão por debaixo da calça, mascando batata chips, rolando a tela do computador e pensando “Esse cara está louco”. O agora é Iluminação. Este momento nunca aconteceu antes e, uma vez que tenha acabado, nunca mais voltará. Você é este momento. Este momento é você. Este mesmíssimo instante é sua fusão com o Universo inteiro, com Deus ele mesmo.
A vida que você vive agora possui alegrias que nem Deus nunca saberá.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Orxan Mirzeyev tocando Super Mario...
domingo, 8 de dezembro de 2013
"Há uma ação para fazer o bebê caminhar mais cedo. Misteriosamente, depois que ele caminha, os pais querem que ele fique sentado, parado, em um cadeirão. O mesmo acontece com falar. Já vi professoras passando batom vermelho na boca e falando, com a boca bem aberta, de forma exagerada, na frente do bebê, com a intenção de estimular a fala. Mas, quando ele começa a falar demais, os adultos pedem para ficar quieto. Há uma esquizofrenia em casa e na escola. Dão carrinhos, coisa com som, que fala, que pisca, para que, dois ou três anos depois, seja necessário procurar um médico para perguntar: como posso acalmar meu filho? E aí o médico receita medicamentos. (...) Não precisa estimular, basta garantir formas de ele fazer isso, proporcionar o que se chama de entorno positivo. O espaço que ele fica, em sala, ou em casa, não deve ser grande, nem pequeno demais, mas suficiente para circular. Tem que ser seguro, sem a necessidade de um adulto em volta, falando: ‘não faz isso’, ‘não faz aquilo’. O adulto deve se manter no campo visual e auditivo da criança, sustentando-a emocionalmente com sua presença, mas sem interromper ou intervir nas experiências dela. É preciso ter desafios para a criança, aos quais ela se dedicará quando aquilo se configurar como um desafio." (Paulo Fochi)
sábado, 7 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
"Não penso num conceito fechado de meditação. Na verdade existem várias técnicas, mas são apenas nomes. O importante é escolher uma delas e praticar. Qual é a melhor? Tanto faz. Acredito que todas funcionam. Você pode usar a técnica que envolve a concentração em um objeto, por exemplo. Ou simplesmente imaginar, visualizar e afirmar algo para si. (...) A diferença é que a técnica da concentração te ajuda a entrar num estado de consciência alterado. Por isso muitos instrutores recomendam essa técnica, ela leva ao estado meditativo. É como se você atingisse um ponto: fica cada vez mais concentrado, até sentir que não está mais em si. É um estado agradável, você se sente bem, não dá mais vontade de voltar. Sei porque já vivenciei esse estado. Parece que todos os problemas desapareceram, tudo está maravilhoso. Mas o que você faz com isso? Pessoalmente, não acho que tenha tanta utilidade. Ela é interessante, para alguma coisa me serviu. Nos primeiros meses de prática tive um insight. Aquilo me serviu para mostrar que tinha coisas grandes por trás da meditação. Atingir o estado de consciência alterada me incentivou, foi um reforço positivo. Agora, na minha opinião, o que precisamos para viver bem não é ficar saindo daqui para outros níveis de consciência. Eu prefiro outro tipo de trabalho: o de dizer para si o que deve ser feito, o de visualizar o que você quer que aconteça. É importante se esforçar para ficar focado sempre nisso e desfocado dos problemas. Não devemos ficar ruminando problemas, esse é o ponto." (Fernando Meirelles de Meirelles, médico, falando aos servidores do TRT4)
Além de ter entrado em contradição (todas funcionam X uma é inútil e aliena e só tem mais uma outra), o médico absolutamente não entendeu o método que ele chama de concentração. Tudo o que não deve acontecer é a pessoa "entrar em estado alterado e não querer mais sair de lá". Essa foi uma experiência dele e não é isso que se busca nas meditações. De fato, o que se busca é: aceitar a realidade tal como é, sem julgamentos; não deixar os pensamentos controlarem a mente, deixando-os se dissolverem; perceber a unidade, a interconexão de todos os seres, e, portanto, desenvolver a compaixão, a escuta; estabilizar e harmonizar o organismo/corpo/mente. O médico está induzindo os servidores que se interessam por meditação a acreditarem que a prática se resume a esse método neurolinguístico. Além das meditações de concentração, usando um objeto, existe também a forma de observar a respiração (é o método que eu adotei na prática de budismo zen com a Monja Isshin) e a forma de recitar - ou cantar, no caso do hinduísmo - mantras. Não se pode falar assim, inconsequentemente, sobre meditação, uma vez que a condição de médico, simplesmente, não credencia alguém para tal.
Além de ter entrado em contradição (todas funcionam X uma é inútil e aliena e só tem mais uma outra), o médico absolutamente não entendeu o método que ele chama de concentração. Tudo o que não deve acontecer é a pessoa "entrar em estado alterado e não querer mais sair de lá". Essa foi uma experiência dele e não é isso que se busca nas meditações. De fato, o que se busca é: aceitar a realidade tal como é, sem julgamentos; não deixar os pensamentos controlarem a mente, deixando-os se dissolverem; perceber a unidade, a interconexão de todos os seres, e, portanto, desenvolver a compaixão, a escuta; estabilizar e harmonizar o organismo/corpo/mente. O médico está induzindo os servidores que se interessam por meditação a acreditarem que a prática se resume a esse método neurolinguístico. Além das meditações de concentração, usando um objeto, existe também a forma de observar a respiração (é o método que eu adotei na prática de budismo zen com a Monja Isshin) e a forma de recitar - ou cantar, no caso do hinduísmo - mantras. Não se pode falar assim, inconsequentemente, sobre meditação, uma vez que a condição de médico, simplesmente, não credencia alguém para tal.
domingo, 1 de dezembro de 2013
"Quando causamos danos ao meio ambiente, fazemos mal a nós mesmos, quando fazemos mal a outra pessoa, fazemos mal a nós mesmos. Se virmos o mundo à luz do interser e visão correta, perceberemos isso rapidamente. O ecossistema e nós, humanos, não somos duas coisas diferentes. Quando matamos o ecossistema, estamos nos matando. Nós somos o ecossistema. O ecossistema somos nós. Nós somos o planeta. O planeta somos nós. Algo nocivo que fazemos ao meio ambiente, o fazemos para nós mesmos. Se os minerais, plantas e animais já não existirem mais, os seres humanos não existirão. Só poderemos estar aqui, se eles estiverem aqui. Sabemos muito bem que temos antepassados. Mas os nossos antepassados não são apenas humanos. Temos ancestrais animais, temos ancestrais plantas e temos ancestrais minerais. Nossos ancestrais humanos ainda são muito jovens. Os seres humanos apareceram muito tarde na história da vida na Terra. Nossos ancestrais animais ainda estão lá dentro de nós. O réptil, o peixe e o macaco ainda estão no nosso sangue. Eles não eram só parte de nós no passado, mas continuam a existir dentro de nós. Basta olhar profundamente em nossas células. Vemos que somos toda a história da vida." (Thich Nhât Hanh)
sábado, 30 de novembro de 2013
Eu maior.
"Fazer falta não significa ser famoso. Significa ser importante. Há uma diferença entre ser famoso e importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante. Importar: quando alguém me leva pra dentro. Importa. Ele me porta para dentro. Ele me carrega. Eu quero ser importante." (Mario Sergio Cortella)
"Dois monges atravessando o rio, um deles ajuda uma jovem a atravessar. E os monges faziam votos de não tocar em mulheres. O outro monge, uma hora depois, ainda bravo: 'Você carregou aquela moça!' 'É, mas eu a deixei lá. E você a continua carregando.' Às vezes nós temos problemas, dificuldades. Abra mão! É difícil esse abrir-mão. Mas é um dos ensinamentos principais. Quando a gente abre as mãos, nela cabe todo o universo. Quando nós seguramos alguma coisa, nós nos limitamos. E às vezes nós seguramos a dor, o sofrimento. 'Eu sofro. Eu sofro mais do que você. Você não entende a minha dor.' Como não?" (Monja Coen)
"Para mim, o grande catalisador não é a dor. É a crise. Porque a crise acrisola, a crise purifica. A crise desfaz todas as gangas. Tudo aquilo que não é substancial cai e fica só a substância. E nisso, vai junto dor, vai junto decepção. Então, a dor ela está a serviço ou ela está dentro de um complexo muito mais vasto." (Leonardo Boff)
"Eu acho que a beleza da condição humana é essa possibilidade de você ser completamente original e completamente igual. É um paradoxo." (Marina Silva)
"Você descobre a qualidade de uma pessoa não é quando ela fala de si. É quando ela fala dos outros." (Marina Silva)
"Como dizem os bons navegantes: nenhum vento é favorável para aquele que não sabe onde quer chegar. E a liberdade é precisamente a pessoa tomar consciência e ser capaz de ser o autor da sua própria existência. Assumir a autoria da própria existência. Não é uma tarefa fácil... mas creio que é a nossa tarefa. E é isso que vai nos trazer a felicidade." (Roberto Crema, psicólogo)
É preciso morrer para nascer de novo; todo mundo quer renascer, mas ninguém quer morrer.
"Nós não nascemos prontos e vamos nos gastando; nós nascemos não-prontos e vamos nos fazendo. Quem nasce pronto é fogão, sapato, geladeira." (Mario Sergio Cortella)
"Fazer falta não significa ser famoso. Significa ser importante. Há uma diferença entre ser famoso e importante. Muita gente não é famosa e é absolutamente importante. Importar: quando alguém me leva pra dentro. Importa. Ele me porta para dentro. Ele me carrega. Eu quero ser importante." (Mario Sergio Cortella)
"Dois monges atravessando o rio, um deles ajuda uma jovem a atravessar. E os monges faziam votos de não tocar em mulheres. O outro monge, uma hora depois, ainda bravo: 'Você carregou aquela moça!' 'É, mas eu a deixei lá. E você a continua carregando.' Às vezes nós temos problemas, dificuldades. Abra mão! É difícil esse abrir-mão. Mas é um dos ensinamentos principais. Quando a gente abre as mãos, nela cabe todo o universo. Quando nós seguramos alguma coisa, nós nos limitamos. E às vezes nós seguramos a dor, o sofrimento. 'Eu sofro. Eu sofro mais do que você. Você não entende a minha dor.' Como não?" (Monja Coen)
"Para mim, o grande catalisador não é a dor. É a crise. Porque a crise acrisola, a crise purifica. A crise desfaz todas as gangas. Tudo aquilo que não é substancial cai e fica só a substância. E nisso, vai junto dor, vai junto decepção. Então, a dor ela está a serviço ou ela está dentro de um complexo muito mais vasto." (Leonardo Boff)
"Eu acho que a beleza da condição humana é essa possibilidade de você ser completamente original e completamente igual. É um paradoxo." (Marina Silva)
"Você descobre a qualidade de uma pessoa não é quando ela fala de si. É quando ela fala dos outros." (Marina Silva)
"Como dizem os bons navegantes: nenhum vento é favorável para aquele que não sabe onde quer chegar. E a liberdade é precisamente a pessoa tomar consciência e ser capaz de ser o autor da sua própria existência. Assumir a autoria da própria existência. Não é uma tarefa fácil... mas creio que é a nossa tarefa. E é isso que vai nos trazer a felicidade." (Roberto Crema, psicólogo)
É preciso morrer para nascer de novo; todo mundo quer renascer, mas ninguém quer morrer.
"Nós não nascemos prontos e vamos nos gastando; nós nascemos não-prontos e vamos nos fazendo. Quem nasce pronto é fogão, sapato, geladeira." (Mario Sergio Cortella)
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
A ciência mostra que a GRATIDÃO causa:
- Mais energia;
- Aumento da inteligência emocional;
- Mais atitudes de perdão;
- Menos depressão;
- Menos ansiedade;
- Maior sensação de estar socialmente conectado;
- Sono de mais qualidade;
- Pouca dor de cabeça.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
"A cada careta que você fazia em frente ao espelho, a cada nova dieta do momento que iria mudar sua vida, a cada colherada culpada de 'ai, eu não devia', eu aprendia que mulheres deveriam ser magras para serem dignas e socialmente aceitas. Que meninas deveriam passar por privações porque a maior contribuição delas para o mundo era a aparência física.
Exatamente como você, eu passei a minha vida inteira me sentindo gorda – (nem sei quando foi que 'gorda' se tornou um sentimento). E porque eu acreditava que era gorda, também me achava imprestável.
Mas os anos se passaram. Sou mãe. E sei que te culpar por minha péssima relação com meu corpo é inútil e injusto. Hoje entendo que você também é um produto de uma longa linhagem de mulheres que foram ensinadas a se odiar." (Kasey Edwards)
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Defesa pessoal - autodefesa - Foucault para encapuzadxs.
domingo, 24 de novembro de 2013
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Lars Von Trier
sábado, 23 de novembro de 2013
Sonhei, no dia 1 de novembro, que eu tinha que ir a este endereço (no sonho era Rua Claras Águas, 51), em São Paulo. A motorista do táxi-lotação disse que chegaríamos rapidinho, em umas duas horas. No sonho eu imaginava um casarão, não exatamente esse cenário real do google street view (da Rua Águas Claras, 51).
Recentemente, no dia 20, descobri, vendo o documentário sobre o rapper Sabotage, que esse bairro Pirituba, na Zona Sul de São Paulo, foi o núcleo do hip hop brasileiro no final dos anos 90 e início dos anos 00. Moravam lá com certeza os integrantes do RZO (Helião, Sandrão, Negra Li...), que tinham uma topic que eles recheavam de gente pra cantar em algum palco.
Mais uma coincidência: nesse mesmo documentário, foram entrevistar a Tamires, filha do falecido Sabotage, na casa dela, e atrás do sofá, na parede, em cima, tem dois quadros: um do próprio pai e um de um LINCE, animal amplamente ligado à minha genealogia simbólica.
Recentemente, no dia 20, descobri, vendo o documentário sobre o rapper Sabotage, que esse bairro Pirituba, na Zona Sul de São Paulo, foi o núcleo do hip hop brasileiro no final dos anos 90 e início dos anos 00. Moravam lá com certeza os integrantes do RZO (Helião, Sandrão, Negra Li...), que tinham uma topic que eles recheavam de gente pra cantar em algum palco.Mais uma coincidência: nesse mesmo documentário, foram entrevistar a Tamires, filha do falecido Sabotage, na casa dela, e atrás do sofá, na parede, em cima, tem dois quadros: um do próprio pai e um de um LINCE, animal amplamente ligado à minha genealogia simbólica.
sexta-feira, 22 de novembro de 2013
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
O gran-finale da Simona Talma no The Voice Brasil 2013. Ainda bem que a Maria Gadu, o Daniel e o Carlinhos Brown exaltaram suas qualidades antes de ela ir embora do programa.
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Do curso EAD/UNISC/TRT de Administração do Tempo:
- Desculpas para não planejar:
* Desiludidos: "Não sei..."
* Bombeiros: "Não adianta..."
* Ansiosos (doentes do tempo): "Não dá tempo..."
- Desculpas para não planejar:
* Desiludidos: "Não sei..."
* Bombeiros: "Não adianta..."
* Ansiosos (doentes do tempo): "Não dá tempo..."
- Use 1% do seu tempo para ganhar controle sobre os 99% restantes.
- Um sistema de planejamento ideal preconiza três hábitos fundamentais: REFLEXÃO, PLANEJAMENTO e ATENÇÃO AO PRESENTE. São formas de olharmos para dentro de nós mesmos.
- Cuide para não ser absorvido pela MEMÓRIA e/ou pela IMAGINAÇÃO.
- Urgência se refere ao prazo e importância se refere ao valor. Importante é o que tem valor e o maior valor deveria ser a maior prioridade. Mas importância e urgência se confundem. Ao invés de AGIR sobre a importância, REAGE-SE à urgência.
- Poucas são as pessoas que tomam uma decisão de imediato, assim que confrontadas com uma tarefa ou problema. A incapacidade de tomar uma decisão leva muitas pessoas a protelar, na esperança de que o problema se resolva por si só e a decisão se torne desnecessária.
- Insista até encontrar a solução para cada problema sem adiá-lo. E aí que você deve concentrar o poder de sua mente, não em desculpas inteligentes.
- O grande dano do adiamento é o cansaço mental e psíquico que isso causa.
- A conclusão de tarefas evita o estresse e a ansiedade e traz mais confiança e autorrespeito.
- Existe diferença entre buscar qualidade e querer perfeição. A primeira é atingível, gratificante e saudável. A segunda é inatingível, frustrante e neurótica. Pode ser também uma terrível falta de tempo.
- Definindo a sua missão: O QUE DÁ SENTIDO À SUA VIDA? COMO VOCÊ SE VÊ REALIZANDO E VIVENDO ESSE SENTIDO?"
O empregador (que pode ser um pequeno empregador), que é réu de um processo trabalhista ajuizado a partir de 23/09/2013 (data de implantação do Processo Eletrônico), recebe uma notificação dizendo que, para acessar os detalhes da petição inicial, precisa digitar chaves de 29 algarismos (como 13111915242986300000001055131) no endereço http://pje.trt4.jus.br/primeirograu/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam, utilizando necessariamente o navegador mozilla firefox. Imagina...
-DouglasBot:
- Por falar mal de machista, racista, sexista, católico e evangélico é coisa de lixo seco.
- Não necessariamente editar, mas tem um plenum oposto a um modismo, para estarem juntos, ao PRESENTE.
- Você é só uma cultura quase unânime.
- Vou fazer quando a irmã morreu.
- Nossa sociedade não está lá, vigorosa, fresca de alce frita em duas bandas.
- Descobri hoje, agora, onde se vive uma epidemia de sofrimento, não é nacional.
- Especialista em detecção de mentiras – mas nenhum é ele.
- Um chaveirinho em barra vicia.
- Estamos aqui na Terra.
- Eu sou uma berruga na tua postagem.
domingo, 17 de novembro de 2013
"Há momentos em que você acha que está em silêncio e tudo está em silêncio, mas a fala está acontecendo o tempo todo dentro de sua cabeça. Isso não é silêncio. O silêncio é algo que vem de seu coração, não de fora. O silêncio não significa deixar de falar e não fazer as coisas, significa que você não está perturbado por dentro, não existe fala dentro de você. Se você é realmente silencioso, então não importa em que situação se encontre, poderá desfrutar do silêncio. A prática é encontrar o silêncio em todas as suas atividades." (Thich Nhât Hanh)
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Virtudes possíveis: SIMPLICIDADE.
Pois o simples não é o oposto do complexo: é o oposto do falso. Ser simples de verdade é levar em conta a natureza complexa das coisas — mas sem multiplicar complicações desnecessárias. (Vida Simples)
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Fantino, Alejandro: ¿Es cierto que vos rechazaste una oferta para filmar en Hollywood con Tony Scott?
Darín, Ricardo: Sí, claro.
F: Y ¿Por qué?.
D: Porque me ofrecieron el papel principal pero tenía que hacer de narco mexicano, y yo le pregunté a su productor por qué los mexicanos tienen que seguir haciendo de narcos si los que más consumen merca a nivel planetario son los Yankees.
F: ¿Y qué te contestó?.
D: Bueno…a ver…la respuesta que me dio me molestó tanto que afirmó que estaba en lo correcto no filmar con Tony Scott. Me dijo: “Entonces es una cuestión de plata, diga cuánto más quiere que se la pagamos, usted ponga la cifra”. Es decir, no pueden llegar a ver ni comprender que hay códigos por fuera del dinero que algunos todavía portamos, ¿me explico?.
F: Mmm...no…la verdad que no.
D: ¿Cómo que no?, Ale, vos sos un tipo piola, tenés que comprender de qué te hablo.
F: Pero podrías haber tenido más plata.
D: ¿Más plata? ¿ser millonario?...y…¿Para qué?.
F: ¿Cómo para qué?...para ser feliz!.
D: ¿Feliz con más plata?, ¿De qué me hablás?.
F: Bueno…todos quisiéramos tener más plata y ser felices.
D: Ale, yo tengo plata, tengo un auto importado de alta gama. Desayuno, ceno y almuerzo lo que quiero y puedo darme dos duchas calientes al día ¿vos tenés idea de cuánta gente del mundo puede darse dos baños calientes al día?, muy poca gente puede darse ese gusto. Y como no me considero un excelente actor, siempre digo que lo mío fue pura suerte ¿me entendés? En este mundo capitalista salvaje yo soy un tipo de muchísima suerte. Yo soy un privilegiado entre millones de personas, y además tengo la suerte de poder ver eso en mí, que me permite tener una buena cuenta bancaria y no creérmela. Yo me puedo ver desde afuera y me digo “Puta, loco, qué suerte que tuviste”.
F: Pero hubieras filmado en Hollywood…y no podés negarme que de Tony Scott al Oscar hay un paso.
D: Creo no me sé explicar bien…yo ya estuve en la ceremonia de los Oscar y no me gustó, todo es de plástico dorado, hasta las relaciones entre las personas. Fui, la pasé lindo, lo disfruté…pero ese mundo no es lo mío, no es lo que yo elegí en esta vida.
***
A seguir, o vídeo da entrevista na íntegra (mais de uma hora). Para ir direto ao ponto, clique no link do topo desta postagem.
Darín, Ricardo: Sí, claro.
F: Y ¿Por qué?.
D: Porque me ofrecieron el papel principal pero tenía que hacer de narco mexicano, y yo le pregunté a su productor por qué los mexicanos tienen que seguir haciendo de narcos si los que más consumen merca a nivel planetario son los Yankees.
F: ¿Y qué te contestó?.
D: Bueno…a ver…la respuesta que me dio me molestó tanto que afirmó que estaba en lo correcto no filmar con Tony Scott. Me dijo: “Entonces es una cuestión de plata, diga cuánto más quiere que se la pagamos, usted ponga la cifra”. Es decir, no pueden llegar a ver ni comprender que hay códigos por fuera del dinero que algunos todavía portamos, ¿me explico?.
F: Mmm...no…la verdad que no.
D: ¿Cómo que no?, Ale, vos sos un tipo piola, tenés que comprender de qué te hablo.
F: Pero podrías haber tenido más plata.
D: ¿Más plata? ¿ser millonario?...y…¿Para qué?.
F: ¿Cómo para qué?...para ser feliz!.
D: ¿Feliz con más plata?, ¿De qué me hablás?.
F: Bueno…todos quisiéramos tener más plata y ser felices.
D: Ale, yo tengo plata, tengo un auto importado de alta gama. Desayuno, ceno y almuerzo lo que quiero y puedo darme dos duchas calientes al día ¿vos tenés idea de cuánta gente del mundo puede darse dos baños calientes al día?, muy poca gente puede darse ese gusto. Y como no me considero un excelente actor, siempre digo que lo mío fue pura suerte ¿me entendés? En este mundo capitalista salvaje yo soy un tipo de muchísima suerte. Yo soy un privilegiado entre millones de personas, y además tengo la suerte de poder ver eso en mí, que me permite tener una buena cuenta bancaria y no creérmela. Yo me puedo ver desde afuera y me digo “Puta, loco, qué suerte que tuviste”.
F: Pero hubieras filmado en Hollywood…y no podés negarme que de Tony Scott al Oscar hay un paso.
D: Creo no me sé explicar bien…yo ya estuve en la ceremonia de los Oscar y no me gustó, todo es de plástico dorado, hasta las relaciones entre las personas. Fui, la pasé lindo, lo disfruté…pero ese mundo no es lo mío, no es lo que yo elegí en esta vida.
***
A seguir, o vídeo da entrevista na íntegra (mais de uma hora). Para ir direto ao ponto, clique no link do topo desta postagem.
"Quem não cultiva o hábito de servir não o faz por um entre três motivos: desatenção, desinteresse ou prepotência." (Eugenio Mussak)
"É muito fácil acusar 'o sistema' e atribuir a ele a responsabilidade e a culpa por nossos problemas. Isso torna a vida muito mais confortável, imaginar que o problema está todo fora, em um sistema, e não está dentro de cada um de nós." (Eduardo Gianetti)
"A alternância entre melodias delicadas e turbinas de distorção, entre arejamento e saturação; as mudanças abruptas de volume e andamento; o uso farto de samples de voz e ruídos ambientais; a estrutura livre ou mesmo inexistente; as massas sonoras que evocavam avalanches, ventanias — era isso que me afetava. Eu estava me lixando para o rock. O que eu queria do rock eram as eventuais manifestações desse tipo de timbre e textura, nada mais. (...) É tentador ir além e dizer que se trata de post-rock para tempos pós-humanos, mas a música que oferecem é cheia de emoção e páthos. O que eles indicam é outra coisa: não tem essa de pós-humano. No fim da rota de fuga do artificial, a Humanidade topa de novo consigo mesma." (Daniel Galera)
sábado, 9 de novembro de 2013
Veja o potencial estressante de algumas situações, sendo 100 o maior possível*.
1) morte do cônjuge - 100
2) divórcio - 73
3) prisão - 63
4) morte de um parente querido - 63
5) casamento - 50
6) demissão do trabalho - 47
7) aposentadoria - 45
8) reconciliação conjugal - 45
9) gravidez - 40
10) grandes conquistas pessoais - 28
11) problemas com o chefe - 23
12) férias - 13
*Fonte: The Social Readjustment Rating Scale, dos psiquiatras Thomas H. Holmes e Richard H. Rahe, ambos da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
1) morte do cônjuge - 100
2) divórcio - 73
3) prisão - 63
4) morte de um parente querido - 63
5) casamento - 50
6) demissão do trabalho - 47
7) aposentadoria - 45
8) reconciliação conjugal - 45
9) gravidez - 40
10) grandes conquistas pessoais - 28
11) problemas com o chefe - 23
12) férias - 13
*Fonte: The Social Readjustment Rating Scale, dos psiquiatras Thomas H. Holmes e Richard H. Rahe, ambos da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Capa do disco Casually dressed and deep in conversation, da banda Funeral For a Friend.

René Magritte The lovers

Carrie Schneider The kiss
Para ver até que ponto chegou a chamada indústria das reclamatórias trabalhistas. Devido ao tamanho crescente da tal fábrica, agora existe uma frota de caminhões que circulam pelas rodovias do país e estão lotados de RTE (reclamantes) que vão a escritórios contratar advogados para ajuizar ações, principalmente de danos morais, ou que estão se deslocando até as audiências trabalhistas em alguma vara de algum TRT. Na foto ao lado, podemos ver um RTE orgulhoso da empresa cujos serviços ele utiliza.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
___________________
Relaxar é entregar-se à \ gravidade.
Relaxar é entregar-se à \ gravidade.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
O comportamento passivo-agressivo pode surgir como defesa por parte da criança em ambientes familiares nos quais não é muito seguro expressar frustração ou raiva. Quando se proíbe a expressão honesta dos sentimentos, a psique em formação da criança engendra formas de reprimir e canalizar a agressão valendo-se de formas indiretas. Crianças que reprimem profundamente sua agressividade podem nunca superar tal comportamento. Incapazes de desenvolver estratégias para se expressar, elas se tornam adultos que, debaixo de um verniz de doçura, ruminam intenções vingativas. Martin Kantor sugere três tipos de problemas que contribuem para constituição de estratégias passivo-agressivas nos indivíduos: conflitos sobre dependência, controle e competição.
Transtorno da Personalidade Passivo-Agressiva
ou Transtorno da Personalidade Negativista
(DSM IV/PsicNet)
A característica essencial é um padrão invasivo de atitudes negativistas e resistência passiva a exigências de desempenho adequado em situações sociais e ocupacionais, que começa no início da idade adulta e ocorre em uma variedade de contextos. (...) Esses indivíduos habitualmente ressentem, opõem-se e resistem a exigências de que funcionem em um nível esperado pelos outros. Esta oposição ocorre mais frequentemente em situações ocupacionais, mas também pode se manifestar no funcionamento social. A resistência é expressada por procrastinação, esquecimento, teimosia e ineficiência intencional, especialmente em resposta a tarefas designadas por figuras de autoridade. Esses indivíduos podem obstruir os esforços alheios por deixarem de cumprir sua parte nas tarefas. Por exemplo, quando um executivo dá a algum subordinado algum material a ser estudado para uma reunião na manhã seguinte, este pode extraviar o material ou arquivá-lo em local incorreto, ao invés de apontar a insuficiência de tempo para fazer o trabalho. Esses indivíduos sentem-se trapaceados, desconsiderados e incompreendidos e são cronicamente queixosos. Eles podem ser mal-humorados, irritáveis, impacientes, propensos a discussões, cínicos, céticos e "do contra". As figuras que representam autoridade (por ex., um superior no emprego, um professor na escola, um dos pais ou um cônjuge que representa o papel de pai/mãe) frequentemente se tornam o foco da insatisfação. Em vista de seu negativismo e tendência a externalizarem a culpa, esses indivíduos frequentemente criticam e verbalizam hostilidade para com figuras de autoridade, à menor provocação. Eles também sentem inveja e demonstram ressentimento com colegas que tiveram sucesso ou que são vistos de maneira positiva por figuras de autoridade. Esses indivíduos frequentemente se queixam acerca de seus infortúnios pessoais. Eles têm uma visão negativa do futuro e podem fazer comentários do tipo: "Fazer o bem não compensa" e "O que é bom dura pouco". Esses indivíduos podem oscilar entre a expressão de um desafio hostil a quem vêem como causadores de seus problemas e uma tentativa de apaziguar estas pessoas, pedindo perdão ou prometendo sair-se melhor no futuro.
Transtorno da Personalidade Passivo-Agressiva
ou Transtorno da Personalidade Negativista
(DSM IV/PsicNet)
A característica essencial é um padrão invasivo de atitudes negativistas e resistência passiva a exigências de desempenho adequado em situações sociais e ocupacionais, que começa no início da idade adulta e ocorre em uma variedade de contextos. (...) Esses indivíduos habitualmente ressentem, opõem-se e resistem a exigências de que funcionem em um nível esperado pelos outros. Esta oposição ocorre mais frequentemente em situações ocupacionais, mas também pode se manifestar no funcionamento social. A resistência é expressada por procrastinação, esquecimento, teimosia e ineficiência intencional, especialmente em resposta a tarefas designadas por figuras de autoridade. Esses indivíduos podem obstruir os esforços alheios por deixarem de cumprir sua parte nas tarefas. Por exemplo, quando um executivo dá a algum subordinado algum material a ser estudado para uma reunião na manhã seguinte, este pode extraviar o material ou arquivá-lo em local incorreto, ao invés de apontar a insuficiência de tempo para fazer o trabalho. Esses indivíduos sentem-se trapaceados, desconsiderados e incompreendidos e são cronicamente queixosos. Eles podem ser mal-humorados, irritáveis, impacientes, propensos a discussões, cínicos, céticos e "do contra". As figuras que representam autoridade (por ex., um superior no emprego, um professor na escola, um dos pais ou um cônjuge que representa o papel de pai/mãe) frequentemente se tornam o foco da insatisfação. Em vista de seu negativismo e tendência a externalizarem a culpa, esses indivíduos frequentemente criticam e verbalizam hostilidade para com figuras de autoridade, à menor provocação. Eles também sentem inveja e demonstram ressentimento com colegas que tiveram sucesso ou que são vistos de maneira positiva por figuras de autoridade. Esses indivíduos frequentemente se queixam acerca de seus infortúnios pessoais. Eles têm uma visão negativa do futuro e podem fazer comentários do tipo: "Fazer o bem não compensa" e "O que é bom dura pouco". Esses indivíduos podem oscilar entre a expressão de um desafio hostil a quem vêem como causadores de seus problemas e uma tentativa de apaziguar estas pessoas, pedindo perdão ou prometendo sair-se melhor no futuro.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Da esposa do Lou Reed:
To our neighbors:
What a beautiful fall! Everything shimmering and golden and all that incredible soft light. Water surrounding us. Lou and I have spent a lot of time here in the past few years, and even though we’re city people this is our spiritual home.
Last week I promised Lou to get him out of the hospital and come home to Springs. And we made it!
Lou was a tai chi master and spent his last days here being happy and dazzled by the beauty and power and softness of nature. He died on Sunday morning looking at the trees and doing the famous 21 form of tai chi with just his musician hands moving through the air.
Lou was a prince and a fighter and I know his songs of the pain and beauty in the world will fill many people with the incredible joy he felt for life. Long live the beauty that comes down and through and onto all of us.
— Laurie Anderson
his loving wife and eternal friend
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Tom Bloch (2003), o disco que tive a sorte de ver de perto ser concebido.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Fora o sentido de "curado", todos os outros significados da palavra "sarado" são de gíria. Brasileira. E (bem) bagaceira.
[Part. de sarar.]
Adjetivo.
1.Que sarou.
2.Bras. Gír. V. valentão (1).
3.Bras. Gír. Forte, rijo, resistente:
“Seu Maneco, cabra sarado, duro que nem aroeira, curtia uma vontade doida de saborear uma fumacinha de fumo de rolo.” (Nélson de Faria, Tiziu e Outras Estórias, p. 13.)
4.Bras. Gír. Guloso, comilão, glutão.
5.Bras. Gír. Esperto, sabido, velhaco, finório.
6.Bras. Gír. Malhado1 (3).
[Part. de sarar.]
Adjetivo.
1.Que sarou.
2.Bras. Gír. V. valentão (1).
3.Bras. Gír. Forte, rijo, resistente:
“Seu Maneco, cabra sarado, duro que nem aroeira, curtia uma vontade doida de saborear uma fumacinha de fumo de rolo.” (Nélson de Faria, Tiziu e Outras Estórias, p. 13.)
4.Bras. Gír. Guloso, comilão, glutão.
5.Bras. Gír. Esperto, sabido, velhaco, finório.
6.Bras. Gír. Malhado1 (3).
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