Como caminhar de verdade.
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Guerra da Água é silenciosa, mas já está em curso
(Eduardo Febbro/Carta Maior)
O mercado que enxergam diante de si é colossal: um bilhão de seres humanos não tem acesso à água potável e cerca de três bilhões de seres humanos carecem de banheiro. O tema da água é estratégico e tem repercussões humanas muito profundas. Os especialistas calculam que, entre 1950 e 2025 ocorrerá uma diminuição de 71% nas reservas mundiais de água por habitante: 18 mil metros cúbicos em 1950 e 4.800 metros cúbicos em 2025. Cerca de 2.500 pessoas morrem por dia por não dispor de um acesso adequado à água potável. A metade delas é de crianças. Comparativamente, 100% da população de Nova York recebe água potável em suas casas. A porcentagem cai para 44% nos países em via de desenvolvimento e despenca para 16% na África Subsaariana.
As águas turvas dos negócios e as reivindicações límpidas da sociedade civil, que defende o princípio segundo qual a água é um assunto público e não privado e uma gestão racional dos recursos, chocam-se entre si sem conciliação possível. Um exemplo dos estragos causados pela privatização desse recurso natural é o das represas Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, a oeste do Amazonas, no Brasil. As duas represas têm um custo de 20 bilhões de dólares e, na sua construção, estão envolvidas a multinacional GDF-Suez e o banco espanhol Santander. A construção dessas imensas represas provocou o que Ronack Monabay, da ONG Amigos da Terra, chama de “um desarranjo global”. As obras desencadearam um êxodo interior dos índios que viviam na região. Eles foram se refugiar em outra área ocupada por garimpeiros em busca de ouro e terminaram enfrentando-se com eles.
O exemplo do Brasil é extensivo a outros projetos similares em Uganda ou Laos, onde as multinacionais da água semeiam a destruição. O direito à água para todos foi reconhecido pelas Nações Unidas em 2010. No entanto, esse reconhecimento está longe de ter se materializado em fatos. Emmanuel Poilane, diretor da Fundação France Libertés, criada por Danielle Miterrand, falecida esposa do também falecido presidente socialista François Miterrand, lembra de um dado revelador: “dos 193 países que integram a ONU, só 30 deles inscreveram esse direito na Constituição. Mas esses 30 países são todos do Sul”. O Norte quer água privada para encher os caixas de seus bancos e pouco importa o custo humano que a escassez de água pode causar às populações destes países.
(Eduardo Febbro/Carta Maior)
O mercado que enxergam diante de si é colossal: um bilhão de seres humanos não tem acesso à água potável e cerca de três bilhões de seres humanos carecem de banheiro. O tema da água é estratégico e tem repercussões humanas muito profundas. Os especialistas calculam que, entre 1950 e 2025 ocorrerá uma diminuição de 71% nas reservas mundiais de água por habitante: 18 mil metros cúbicos em 1950 e 4.800 metros cúbicos em 2025. Cerca de 2.500 pessoas morrem por dia por não dispor de um acesso adequado à água potável. A metade delas é de crianças. Comparativamente, 100% da população de Nova York recebe água potável em suas casas. A porcentagem cai para 44% nos países em via de desenvolvimento e despenca para 16% na África Subsaariana.
As águas turvas dos negócios e as reivindicações límpidas da sociedade civil, que defende o princípio segundo qual a água é um assunto público e não privado e uma gestão racional dos recursos, chocam-se entre si sem conciliação possível. Um exemplo dos estragos causados pela privatização desse recurso natural é o das represas Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, a oeste do Amazonas, no Brasil. As duas represas têm um custo de 20 bilhões de dólares e, na sua construção, estão envolvidas a multinacional GDF-Suez e o banco espanhol Santander. A construção dessas imensas represas provocou o que Ronack Monabay, da ONG Amigos da Terra, chama de “um desarranjo global”. As obras desencadearam um êxodo interior dos índios que viviam na região. Eles foram se refugiar em outra área ocupada por garimpeiros em busca de ouro e terminaram enfrentando-se com eles.
O exemplo do Brasil é extensivo a outros projetos similares em Uganda ou Laos, onde as multinacionais da água semeiam a destruição. O direito à água para todos foi reconhecido pelas Nações Unidas em 2010. No entanto, esse reconhecimento está longe de ter se materializado em fatos. Emmanuel Poilane, diretor da Fundação France Libertés, criada por Danielle Miterrand, falecida esposa do também falecido presidente socialista François Miterrand, lembra de um dado revelador: “dos 193 países que integram a ONU, só 30 deles inscreveram esse direito na Constituição. Mas esses 30 países são todos do Sul”. O Norte quer água privada para encher os caixas de seus bancos e pouco importa o custo humano que a escassez de água pode causar às populações destes países.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
sábado, 13 de dezembro de 2014
pinoy music indie rock música das filipinas philippines
pinoy music indie rock música das filipinas philippines
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Verdadeiro poder. "Muitos países querem fazer progresso econômico e material. Minha definição de progresso é estar contente, estar realmente contente. De que serve ter mais dinheiro se você sofrer mais? Você se torna uma vítima de seu próprio sucesso. Nós temos que medir o progresso em termos de verdadeira felicidade. Uma nação pode ficar muito rica, muito desenvolvida, e ser chamada uma superpotência, mas as pessoas naquele país ainda sofrerem profundamente. O desejo de riqueza material se torna mais importante que a saúde e felicidade das pessoas. Eles não têm tempo para tomar conta deles mesmos e dos seus familiares, e isso é lamentável. Para mim uma sociedade civilizada é uma onde as pessoas têm o tempo para viver suas vidas diárias profundamente, amar e cuidar da sua família e comunidade." (Thich Nhât Hanh)
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Com quem já me acharam parecido.
(Atualização de número vinte.)
01. Claudio Dickel
02. Cláudio Heinrich
03. Carlos Alberto Ricceli
04. Brad Pitt
05. Beavis
06. Daniel Feix
07. Liam Gallagher
08. Mateus Nachtergaele
09. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires
16. Pedro Verissimo
17. Daniel Dantas
18. Vincent Gallo
19. Willem Dafoe
20. David Carradine
21. Kurt Cobain
22. Billy Zane
23. Michael Stipe
24. Carlo Pianta
25. André Agassi
26. Justin Timberlake
27. Devendra Banhart
28. Joaquin Phoenix
29. Roger Galera Flores
30. Charles Baudelaire
31. Mister Maker
32. Pablo Horatio Guiñazu
33. Rodrigo Hilbert
34. Paulinho Serra
35. Rafinha Bastos
36. Dexter/Michael C. Hall
37. Angela Francisca
38. Giampaolo Pazzini
39. Ney Matogrosso
40. Malvino Salvador
41. Tiago Leifert
42. Ben Foster
43. Rafael Cardoso * NEW *
(Atualização de número vinte.)
01. Claudio Dickel
02. Cláudio Heinrich
03. Carlos Alberto Ricceli
04. Brad Pitt
05. Beavis
06. Daniel Feix
07. Liam Gallagher
08. Mateus Nachtergaele
09. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires
16. Pedro Verissimo
17. Daniel Dantas
18. Vincent Gallo
19. Willem Dafoe
20. David Carradine
21. Kurt Cobain
22. Billy Zane
23. Michael Stipe
24. Carlo Pianta
25. André Agassi
26. Justin Timberlake
27. Devendra Banhart
28. Joaquin Phoenix
29. Roger Galera Flores
30. Charles Baudelaire
31. Mister Maker
32. Pablo Horatio Guiñazu
33. Rodrigo Hilbert
34. Paulinho Serra
35. Rafinha Bastos
36. Dexter/Michael C. Hall
37. Angela Francisca
38. Giampaolo Pazzini
39. Ney Matogrosso
40. Malvino Salvador
41. Tiago Leifert
42. Ben Foster
43. Rafael Cardoso * NEW *
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
"Como temos o hábito de fazer as coisas sem eficiência, tendemos a negligenciar, menosprezar o valor dos meios. Limpar as folhas não significa apenas ter um caminho limpo para correr ou caminhar, mas também significa simplesmente gostar de limpar as folhas. O ato de limpar é tão maravilhoso quanto ter um caminho limpo. Devo ser completamente eu mesmo durante o ato de limpar as folhas. Você é capaz de dar um passo com soberania, estando completamente no controle si mesmo. Você pode estar completamente presente no aqui e agora, e desfrutar daquele passo. Mas há uma energia de hábito que lhe impede de fazer assim. Você está acostumado a correr, por acreditar que a felicidade não é possível aqui e agora, a felicidade só é possível no futuro. Este tipo de convicção, este tipo de energia de hábito tem estado presente por muito tempo, transmitido por muitas gerações de antepassados. Nós temos muitas chances para praticar. Sabemos que lavamos roupas, lavamos pratos, varremos o solo, cuidamos do jardim, há muitas coisas que vocês podem fazer, mas não façam isto do modo como fazem isto no mundo. Façam como uma prática, uma boa prática, e vocês serão recompensados imediatamente, saberão que estão lidando com sua energia de hábito. A energia de hábito que você quer cultivar é a capacidade de estar no aqui e agora, e viver todos os momentos de sua vida diária profundamente." (Thich Nhât Hanh)
terça-feira, 25 de novembro de 2014
"Duka pode ser explicado de forma simples a partir do fato de que, quando temos alegrias, elas são sempre, simultaneamente, sementes de sofrimento. Dizemos que esta é uma experiência cíclica — é como uma roda girando entre as polaridades de estar bem e estar mal. Gostaríamos de encontrar o freio quando estamos na região de felicidade, e gostaríamos de acelerar quando estamos tristes. Às vezes achamos que encontramos um controle de velocidade desse tipo, mas logo surgem problemas nessa tentativa de controle. (...) Ou seja, quanto maior a beleza, maior a vigilância, o sofrimento e a insegurança. Chamamos isto de duka. Não há como evitar este tipo de inquietação. Para todas as características favoráveis que percebemos no mundo, existem problemas correspondentes, exatamente no mesmo grau. (...) Cada pequeno objeto, cada pequena pedrinha na paisagem tem uma correspondência interna em nós na forma de energias que percorrem nosso corpo e nervos. A isto chamamos ventos internos. Nosso apego não é às coisas, mas aos ventos internos que elas provocam. Os ventos internos são a experiência íntima dos objetos e também dos seres. Esta dependência e apego são a base de duka. Todos os aspectos do budismo são propostos como remédios para esta doença. É por causa desta doença que surge o budismo. Observando de forma ampla o sentido de duka, percebemos que Buda a estudou detalhadamente e descobriu uma natureza que está além de toda esta complicação." (Lama Padma Samten)
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domingo, 23 de novembro de 2014
"Penso que a maioria de nós fica consciente, algumas vezes, que a mente está vazia. E, estando conscientes, temos medo desse vazio. Nós nunca investigamos nesse estado de vazio, nunca entramos nele profundamente; temos medo e, então, nos desviamos dele. Nós lhe damos um nome, dizemos que é 'vazio', é 'terrível', é 'doloroso'; e esse próprio nomear já criou uma reação na mente, um medo, um escape, uma fuga. Ora, pode a mente parar de fugir, e não dar nome, não dar a isto a significação de uma palavra como vazio a respeito da qual temos memórias de prazer e dor? Podemos olhar para isto, pode a mente estar consciente desse vazio sem nomeá-lo, sem fugir dele, sem julgá-lo, mas simplesmente ficar com ele? Porque, então, isso é a mente. Então, existe apenas aquele estado de vazio com o qual todos nós estamos bem familiarizados mas que todos nós evitamos, tentando preenchê-lo com atividades, com adoração, preces, conhecimento, com toda forma de ilusão e excitação." (Krishnamurti)
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
"A conclusão poderia ser uma leitura fatalística de parte do título do filme. 'O fim da história' poderia significar o eclipse permanente de qualquer noção de progresso. Mas, embora o filme conte uma história dura com efeitos por vezes devastadores, 'Norte' está longe de ser um documento de desespero. Isso acontece muito porque, como em qualquer verdadeiro trabalho de arte, sua existência é um emocionante triunfo sobre a complacência, e também porque as imagens do diretor filipino Lav Diaz são ricas e encantadoras demais para criar uma sensação duradoura de pessimismo. Mas também há, além de tudo, um humanismo quase inesgotável nesse extraordinário filme. É o trabalho de um cineasta que é fascinado tanto pela decência quanto pela feiúra, e hábil para apresentar o caos da vida em uma série de imagens que são ao mesmo tempo luminosamente claras e infinitamente misteriosas." (A. O. Scott/The New York Times)
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
"Eu sempre imponho em meu método uma única tomada porque meu princípio em cinema é ser muito honesto, ser verdadeiro. Também valorizo a fisicalidade do espaço como um importante elemento no cinema, na vida. A natureza é um grande ator em meu cinema. Eu quero mostrar a vida no cinema, você tem de ser capaz de ver a tela toda e também você tem que pensar que além da tela existe a vida. É um grande universo, não é apenas a tela ali. Quero que meu cinema seja a tela viva. Luto para apresentar meu cinema como parte da vida. Não é só essa coisa retangular que você vê, nas salas de cinema com refrigerante e pipoca nas mãos. Acredito que meu cinema é parte do ciclo da vida. Estamos falando da beleza e do significado da vida, estamos tentando entender a vida, estou tentando espelhar a vida em meu trabalho." (Lav Diaz, cineasta filipino)
Ranking dos países com maior número de emigrantes, de pessoas que decidiram sair de seus países e morar em outro. As Filipinas estão em 8º lugar. Mais tarde eu explico mais sobre por que destaquei esse arquipélago do sudeste asiático.
domingo, 16 de novembro de 2014
"Minha imagem observa sua imagem, se for possível observá-la, e isto é chamado relação, mas é entre duas imagens, uma relação que não existe porque ambas são imagens. Estar em relação significa estar em contato. O contato deve ser uma coisa direta, não entre duas imagens. Isto requer muita atenção, uma conscientização, olhar o outro sem a imagem que tenho sobre a pessoa, a imagem sendo minhas memórias daquela pessoa, como ela me insultou, como me agradou, me deu prazer, isto ou aquilo. Só quando não existem imagens entre os dois, existe relação." (Krishnamurti)
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
"A pessoa tem uma ideia de si mesma, uma imagem de si mesma: o que se deveria ser, o que se é, ou o que não deveria ser. Por que a pessoa cria uma imagem de si mesma? Porque a pessoa nunca estudou o que ela é de fato. Nós pensamos que devemos ser isto ou aquilo: o ideal, o herói, o exemplo. O que desperta raiva é que nosso ideal, a ideia que temos de nós mesmos é atacada. E nossa ideia sobre nós é nossa fuga do fato do que somos. Mas quando você observa o fato real do que você é, ninguém pode feri-lo: é um fato.E você não ter imagem de você mesmo demanda atenção, tremenda seriedade. Só o atento, o sério, vive; as pessoas que têm imagens delas mesmas, não." (Krishnamurti)
"Como bem salienta Jeremy Waldron: 'é possível que diferentes juízes alcancem diferentes resultados, mesmo quando eles acreditam estarem diante da resposta correta, e nada sobre a ontologia de respostas corretas dá a nenhum deles razão para pensar que sua visão pessoal é mais correta do que qualquer outra visão'. Levando em consideração que as pessoas, mesmo quando acreditam na existência de uma resposta correta sobre direitos fundamentais, podem discordar moralmente umas das outras - e elas normalmente discordam - então a objetividade moral passa a ser irrelevante neste tópico. E esse é o principal ponto: os juízes discordam sobre interpretação judicial na mesma proporção em que as pessoas comuns discordam sobre a moralidade coletiva. A única certeza é que a população vai ser diretamente afetada por alguma concepção particular de direitos acolhida pela maioria dos membros das Cortes Constitucionais. Não há nenhuma garantia que o ponto de vista adotado pelos juízes seja superior ao dos outros membros da sociedade. Por fim, a última crítica refere-se à inadequação da via judicial para a solução dos conflitos constitucionais que envolvem desacordos razoáveis. De acordo com estudos realizados por Lon Fuller, o método jurídico utiliza-se necessariamente da dicotomia entre o certo e o errado, o verdadeiro e o falso, o culpado e o inocente, o que significa dizer que as Cortes estão aptas a tratar de casos que possam ser respondidos por meio de um código binário." (Jorge Octávio Lavocat Galvão)
"Um dado curioso: embora as piadas normalmente envolvam homem e sogra, a verdadeira tensão ocorre com mais frequência entre esposa e sogra (mãe do marido). São duas mulheres batalhando o amor do marido. A solução? É o marido ficar do lado da mulher e contra a mãe. A mãe pode ficar magoada. Mas provavelmente vai acabar adaptando-se à realidade de que a unidade familiar do filho, onde ele tem o papel de marido, é mais importante para ele. É absolutamente crucial para o casamento que o marido seja firme nessa questão, mesmo que ele se sinta injustamente envolvido e que sua mãe não consiga aceitar a nova realidade." (John Gottman e Nan Silver)
"Resolver os problemas que têm solução envolve cinco passos, na seguinte ordem: abordar o problema moderadamente; tentar corrigir os próprios erros e aceitar iguais tentativas do outro; acalmar-se e acalmar o parceiro; fazer concessões mútuas e tolerar as falhas um do outro. A abordagem inicial deve ser feita de modo moderado, desacompanhada de qualquer crítica ou desrespeito, a fim de que as discussões terminem também num tom moderado. É crucial evitar uma abordagem ríspida, pois isso intensifica a negatividade, e contribui para que o conflito não seja solucionado. É de suma importância que o foco da situação seja a solução do problema, e não a tentativa de modificar o cônjuge." (John Gottman e Nan Silver)
"São seis os sinais que evidenciam um divórcio à vista. O primeiro sinal é a abordagem ríspida, que é o pior modo de iniciar uma discussão. O segundo sinal é representado pelos 'quatro cavaleiros do Apocalipse': crítica, desprezo, defensividade e incomunicabilidade. O terceiro sinal é a saturação, ou seja, um cônjuge saturado foi atingido pela negatividade de outro de forma tão opressiva que o deixou traumatizado. O quarto sinal é a linguagem corporal, e o quinto, as tentativas de reparação sem sucesso. O sexto sinal são as recordações desagradáveis sobre aspectos do passado." (John Gottman e Nan Silver)
<< A pesquisadora Julie Gottman detectou um ciclo de ações e reações que mais comumente levam casais a sucumbir à infidelidade [que, segundo ela, pode ser de 10 tipos, inclusive a física]. Chama o primeiro estágio de “estado de negatividade”. Tem início quando um dos dois deixa de dar atenção ou apoio ao outro. As situações podem ser as mais variadas – de faltas sérias, como não estar presente na morte de um parente do outro, a descuidados banais, como se esquecer de cumprir uma tarefa doméstica. Quando o sentimento de mágoa por essa falta não é expressado, ele também não é esquecido. O lado magoado passa a provocar o outro. Isso torna os atritos mais frequentes e leva ambos a assumir uma atitude defensiva. A comunicação fica mais difícil e está instalado o estado de negatividade. >>
"São seis os sinais que evidenciam um divórcio à vista. O primeiro sinal é a abordagem ríspida, que é o pior modo de iniciar uma discussão. O segundo sinal é representado pelos 'quatro cavaleiros do Apocalipse': crítica, desprezo, defensividade e incomunicabilidade. O terceiro sinal é a saturação, ou seja, um cônjuge saturado foi atingido pela negatividade de outro de forma tão opressiva que o deixou traumatizado. O quarto sinal é a linguagem corporal, e o quinto, as tentativas de reparação sem sucesso. O sexto sinal são as recordações desagradáveis sobre aspectos do passado." (John Gottman e Nan Silver)
<< A pesquisadora Julie Gottman detectou um ciclo de ações e reações que mais comumente levam casais a sucumbir à infidelidade [que, segundo ela, pode ser de 10 tipos, inclusive a física]. Chama o primeiro estágio de “estado de negatividade”. Tem início quando um dos dois deixa de dar atenção ou apoio ao outro. As situações podem ser as mais variadas – de faltas sérias, como não estar presente na morte de um parente do outro, a descuidados banais, como se esquecer de cumprir uma tarefa doméstica. Quando o sentimento de mágoa por essa falta não é expressado, ele também não é esquecido. O lado magoado passa a provocar o outro. Isso torna os atritos mais frequentes e leva ambos a assumir uma atitude defensiva. A comunicação fica mais difícil e está instalado o estado de negatividade. >>
sábado, 8 de novembro de 2014
Pervert's guide to ideology
(Slavoj Žižek)
"Eles Vivem" de 1988 é sem sombra de dúvidas uma das obras primas esquecidas da esquerda de Hollywood. O filme conta a estória de John Nada. "Nada", óbvio, em espanhol quer dizer "nada" ["nothing"]. Um cara simples, desprovido de bens materiais. Um trabalhador sem-teto em Los Angeles, que andando por aí certa vez entra numa igreja abandonada e encontra lá uma caixa estranha cheia de óculos escuros. E quando ele coloca um dos óculos, caminhando pelas ruas da cidade, ele se dá conta de algo esquisito: esses óculos funcionam como óculos de crítica à ideologia. Eles permitem que você veja a real mensagem por trás de toda propaganda, publicidade reluzente, pôsteres etc. Você vê um grande outdoor te dizendo "tenha as férias da sua vida" e, quando você coloca os óculos, tudo o que você vê é um quadro com fundo branco e letras cinza: CASE E REPRODUZA.
Vivemos, é o que nos dizem, em uma sociedade pós-ideológica. Somos interpelados, ou seja, uma autoridade social se dirige a nós não como sujeitos que deveriam cumprir suas tarefas, se sacrificar, mas como sujeitos de prazeres: "Descubra seu verdadeiro potencial." "Seja você mesmo." "Viva uma vida prazerosa." Quando você põe os óculos você vê a ditadura embutida na democracia, a ordem invisível que sustenta sua aparente liberdade. A explicação para a existência dos estranhos óculos da ideologia é a história padrão dos "Alienígenas Invasores de Corpos". A humanidade já está sob o controle dos extraterrestres. De acordo com nosso senso comum, imaginamos a ideologia como algo turvando, confundindo nossa visão direta. A ideologia bem poderia ser óculos que distorcem nossa visão e a crítica da ideologia deveria ser o contrário. Tipo, você retira os óculos de modo a poder finalmente enxergar as coisas do jeito que realmente são.
Esta é precisamente a suprema ilusão: a ideologia não nos é simplesmente imposta; ideologia é nossa relação espontânea com o mundo social, é como percebemos seu significado. Nós, de certa forma, gostamos da nossa ideologia. Sair da ideologia machuca. É uma experiência dolorosa. Você tem que se esforçar para conseguir. Isto é apresentado de um modo maravilhoso numa cena posterior do filme, quando John Nada tenta obrigar seu melhor amigo, John Armitage a também usar os óculos. E esta é a cena mais estranha no filme. A luta leva oito, nove minutos. Isso pode parecer irracional, por que este cara rejeita tão violentamente colocar os óculos? É como se ele estivesse bem consciente que, espontaneamente, ele vive em uma mentira. Que os óculos o farão perceber a verdade, mas que essa verdade pode ser dolorosa, pode despedaçar muitas de suas ilusões. Este é um paradoxo que temos que aceitar. A violência extrema da libertação. Você deve ser forçado a ser livre. Se você só confia no seu senso espontâneo de bem-estar, você nunca vai ser livre. A liberdade dói.
***
E se você lesse os propagandistas católicos inteligentes, e se você tentasse realmente decifrar qual proposta eles te oferecem? Não é proibir (neste caso, os prazeres sexuais). Este é um contrato bem mais cínico, por assim dizer, entre a igreja, como instituição, e o crente perturbado, neste caso, pelos desejos sexuais. É essa obscena permissão oculta que você recebe: você está protegido pelo divino Grande Outro, você pode fazer o que você quiser fazer. Goze! Este contrato obsceno não pertence ao cristianismo em si; ele pertence à Igreja Católica como instituição. É a lógica da instituição em seu mais puro estado. Mais uma vez, esta é a chave para o funcionamento da ideologia. Não somente a mensagem explícita: renuncie, sofra etc., mas a verdadeira mensagem oculta: FINJA renunciar, e poderá ter tudo.
***
Meus amigos psicanalistas estão me dizendo que, tipicamente, hoje os paciente que vão ao analista resolver seus problemas sentem-se culpados, não pelos prazeres excessivos, não porque cedem a prazeres que vão contra ao seus sensos de dever ou moralidade, ou seja lá o que for. Pelo contrário, sentem-se culpados por não desfrutarem o suficiente. Por não conseguirem gozar. Um desejo não é nunca simplesmente o desejo por uma certa coisa. É também o desejo pelo próprio desejo. Um desejo de continuar desejando. Talvez o pior horror para um desejo seja a sua completa realização, de modo que eu não mais deseje. A experiência mais melancólica é a experiência da perda do desejo em si.
***
As fantasias não são só uma questão privada dos indivíduos. Fantasias são a matéria central de que são feitas as nossas ideologias. A fantasia é, numa perspectiva psicanalítica, fundamentalmente uma mentira. Não uma mentira no sentido de que é só uma fantasia, não uma realidade, mas uma mentira no sentido de que a fantasia encobre uma certa falha na consistência. Quando as coisas estão turvas, quando não podemos ver bem, a fantasia nos dá uma resposta fácil. A forma mais comum da fantasia é construir uma cena não uma cena em que eu consigo o que eu desejo, mas uma cena na qual eu possa me imaginar desejado pelos outros.
***
Violência nunca é só violência abstrata. É um tipo de intervenção brutal no real para encobrir uma certa impotência no que tange ao que podemos chamar de mapeamento cognitivo. Você carece de uma clara compreensão do que está havendo, de onde estamos.
***
Estamos conscientes de que quando compramos um capuccino da Starbucks, também estamos comprando um montão de ideologia. Qual ideologia? Sabe, quando você entra numa loja da Starbucks há alguns pôsteres cuja mensagem é: Sim, nosso cappuccino é mais caro que os outros, mas (e aí vem a historinha) sempre damos um por cento de todo o nosso faturamento para crianças da Guatemala, para mantê-las saudáveis, para fornecer água a alguns agricultores do Saara, ou pra salvar as florestas, ou pro cultivo de café orgânico. O que a Starbucks te proporciona é ser um consumista, ser um consumidor sem nenhum peso na consciência, porque o preço de tomar uma atitude, na luta contra o consumismo já está incluído no preço da mercadoria. Tipo, você paga um pouco a mais e você não é mais só um consumista mas também faz a sua parte com relação ao meio-ambiente as crianças pobres famintas da África etc.
***
O filosofo alemão Walter Benjamin disse uma coisa muito profunda. Ele diz que nós vivemos a história, o que significa que somos seres da história, não quando estamos engajados em algo, quando as coisas acontecem, só quando nós vemos esses restos, esses dejetos da cultura sendo reapropriados pela natureza, é nesse ponto que temos uma intuição do que é a história.
***
A coisa realmente perturbadora em "Batman: O Cavaleiro das Trevas" é que ele eleva a mentira à posição de um princípio social geral, um princípio da organização da nossa vida politica e social. Como se para nossa sociedade poder permanecer estável, poder funcionar, só conseguiria estando baseada na mentira. É como se contar a verdade, e este contar a verdade personificado no Coringa, significasse desvirtuamento, desintegração da ordem social. É a velha sabedoria conservadora posta muito tempo atrás por filósofos desde Platão, principalmente e então, Immanuel Kant, Edmond Burke etc. Esta ideia de que a verdade é forte demais. Que um político deveria ser um cínico que, apesar de saber a verdade, conta às pessoas comuns o que Platão chamou de "uma nobre fábula", uma mentira.
***
Esta é a tragédia da nossa condição: para podermos existir completamente como indivíduos, precisamos da ficção de um Grande Outro. Deve haver uma instância que registra nossas questões. Uma instância onde as verdades sobre nós mesmos será inscrita, aceita. Uma instância a quem podemos confessar. Mas, e se não existisse uma tal instância? Este é o maior desespero de muitas mulheres estupradas na guerra pós Iugoslávia na Bósnia no começo dos anos noventa. Elas sobreviveram às suas terríveis experiências e o que as manteve vivas foi a ideia de que elas deviam sobreviver pra contar a verdade. Quando elas sobreviveram, descobriram algo terrível: não havia ninguém para realmente ouvi-las. Ou algum parente fazia insinuações obscenas do tipo "tem certeza de que você não gostou nem um pouquinho do estupro?" etc.
***
Eu acho que Kafka estava certo quando ele disse que, para um homem moderno secular não-religioso, a burocracia estatal é o único contato que resta com a dimensão divina. Nesta cena de "Brasil - o Filme", o que vemos é a ligação íntima entre burocracia e gozo. O que a impenetrável onipotência da burocracia abriga é o gozo divino. A intensa pressa do trabalho burocrático não serve pra nada. É a encenação de sua própria falta de sentido. que gera um gozo intenso, pronto a se reproduzir eternamente. O reverso disso está nessa cena maravilhosa lá do começo do filme. O herói que tem um problema no seu apartamento com o encanamento tenta contatar a Agência do Estado para consertar. É claro, aparecem dois caras, eles só querem formulários para preencher, eles não fazem nada. E então uma figura subversiva aparece: um tipo de encanador clandestino, interpretado por Robert De Niro, que diz a ele "Só precisa me dizer qual o problema", e garante resolvê-lo rapidinho. Esta é a maior ofensa à burocracia.
(Slavoj Žižek)
"Eles Vivem" de 1988 é sem sombra de dúvidas uma das obras primas esquecidas da esquerda de Hollywood. O filme conta a estória de John Nada. "Nada", óbvio, em espanhol quer dizer "nada" ["nothing"]. Um cara simples, desprovido de bens materiais. Um trabalhador sem-teto em Los Angeles, que andando por aí certa vez entra numa igreja abandonada e encontra lá uma caixa estranha cheia de óculos escuros. E quando ele coloca um dos óculos, caminhando pelas ruas da cidade, ele se dá conta de algo esquisito: esses óculos funcionam como óculos de crítica à ideologia. Eles permitem que você veja a real mensagem por trás de toda propaganda, publicidade reluzente, pôsteres etc. Você vê um grande outdoor te dizendo "tenha as férias da sua vida" e, quando você coloca os óculos, tudo o que você vê é um quadro com fundo branco e letras cinza: CASE E REPRODUZA.
Vivemos, é o que nos dizem, em uma sociedade pós-ideológica. Somos interpelados, ou seja, uma autoridade social se dirige a nós não como sujeitos que deveriam cumprir suas tarefas, se sacrificar, mas como sujeitos de prazeres: "Descubra seu verdadeiro potencial." "Seja você mesmo." "Viva uma vida prazerosa." Quando você põe os óculos você vê a ditadura embutida na democracia, a ordem invisível que sustenta sua aparente liberdade. A explicação para a existência dos estranhos óculos da ideologia é a história padrão dos "Alienígenas Invasores de Corpos". A humanidade já está sob o controle dos extraterrestres. De acordo com nosso senso comum, imaginamos a ideologia como algo turvando, confundindo nossa visão direta. A ideologia bem poderia ser óculos que distorcem nossa visão e a crítica da ideologia deveria ser o contrário. Tipo, você retira os óculos de modo a poder finalmente enxergar as coisas do jeito que realmente são.
Esta é precisamente a suprema ilusão: a ideologia não nos é simplesmente imposta; ideologia é nossa relação espontânea com o mundo social, é como percebemos seu significado. Nós, de certa forma, gostamos da nossa ideologia. Sair da ideologia machuca. É uma experiência dolorosa. Você tem que se esforçar para conseguir. Isto é apresentado de um modo maravilhoso numa cena posterior do filme, quando John Nada tenta obrigar seu melhor amigo, John Armitage a também usar os óculos. E esta é a cena mais estranha no filme. A luta leva oito, nove minutos. Isso pode parecer irracional, por que este cara rejeita tão violentamente colocar os óculos? É como se ele estivesse bem consciente que, espontaneamente, ele vive em uma mentira. Que os óculos o farão perceber a verdade, mas que essa verdade pode ser dolorosa, pode despedaçar muitas de suas ilusões. Este é um paradoxo que temos que aceitar. A violência extrema da libertação. Você deve ser forçado a ser livre. Se você só confia no seu senso espontâneo de bem-estar, você nunca vai ser livre. A liberdade dói.
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E se você lesse os propagandistas católicos inteligentes, e se você tentasse realmente decifrar qual proposta eles te oferecem? Não é proibir (neste caso, os prazeres sexuais). Este é um contrato bem mais cínico, por assim dizer, entre a igreja, como instituição, e o crente perturbado, neste caso, pelos desejos sexuais. É essa obscena permissão oculta que você recebe: você está protegido pelo divino Grande Outro, você pode fazer o que você quiser fazer. Goze! Este contrato obsceno não pertence ao cristianismo em si; ele pertence à Igreja Católica como instituição. É a lógica da instituição em seu mais puro estado. Mais uma vez, esta é a chave para o funcionamento da ideologia. Não somente a mensagem explícita: renuncie, sofra etc., mas a verdadeira mensagem oculta: FINJA renunciar, e poderá ter tudo.
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Meus amigos psicanalistas estão me dizendo que, tipicamente, hoje os paciente que vão ao analista resolver seus problemas sentem-se culpados, não pelos prazeres excessivos, não porque cedem a prazeres que vão contra ao seus sensos de dever ou moralidade, ou seja lá o que for. Pelo contrário, sentem-se culpados por não desfrutarem o suficiente. Por não conseguirem gozar. Um desejo não é nunca simplesmente o desejo por uma certa coisa. É também o desejo pelo próprio desejo. Um desejo de continuar desejando. Talvez o pior horror para um desejo seja a sua completa realização, de modo que eu não mais deseje. A experiência mais melancólica é a experiência da perda do desejo em si.
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As fantasias não são só uma questão privada dos indivíduos. Fantasias são a matéria central de que são feitas as nossas ideologias. A fantasia é, numa perspectiva psicanalítica, fundamentalmente uma mentira. Não uma mentira no sentido de que é só uma fantasia, não uma realidade, mas uma mentira no sentido de que a fantasia encobre uma certa falha na consistência. Quando as coisas estão turvas, quando não podemos ver bem, a fantasia nos dá uma resposta fácil. A forma mais comum da fantasia é construir uma cena não uma cena em que eu consigo o que eu desejo, mas uma cena na qual eu possa me imaginar desejado pelos outros.
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Violência nunca é só violência abstrata. É um tipo de intervenção brutal no real para encobrir uma certa impotência no que tange ao que podemos chamar de mapeamento cognitivo. Você carece de uma clara compreensão do que está havendo, de onde estamos.
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Estamos conscientes de que quando compramos um capuccino da Starbucks, também estamos comprando um montão de ideologia. Qual ideologia? Sabe, quando você entra numa loja da Starbucks há alguns pôsteres cuja mensagem é: Sim, nosso cappuccino é mais caro que os outros, mas (e aí vem a historinha) sempre damos um por cento de todo o nosso faturamento para crianças da Guatemala, para mantê-las saudáveis, para fornecer água a alguns agricultores do Saara, ou pra salvar as florestas, ou pro cultivo de café orgânico. O que a Starbucks te proporciona é ser um consumista, ser um consumidor sem nenhum peso na consciência, porque o preço de tomar uma atitude, na luta contra o consumismo já está incluído no preço da mercadoria. Tipo, você paga um pouco a mais e você não é mais só um consumista mas também faz a sua parte com relação ao meio-ambiente as crianças pobres famintas da África etc.
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O filosofo alemão Walter Benjamin disse uma coisa muito profunda. Ele diz que nós vivemos a história, o que significa que somos seres da história, não quando estamos engajados em algo, quando as coisas acontecem, só quando nós vemos esses restos, esses dejetos da cultura sendo reapropriados pela natureza, é nesse ponto que temos uma intuição do que é a história.
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A coisa realmente perturbadora em "Batman: O Cavaleiro das Trevas" é que ele eleva a mentira à posição de um princípio social geral, um princípio da organização da nossa vida politica e social. Como se para nossa sociedade poder permanecer estável, poder funcionar, só conseguiria estando baseada na mentira. É como se contar a verdade, e este contar a verdade personificado no Coringa, significasse desvirtuamento, desintegração da ordem social. É a velha sabedoria conservadora posta muito tempo atrás por filósofos desde Platão, principalmente e então, Immanuel Kant, Edmond Burke etc. Esta ideia de que a verdade é forte demais. Que um político deveria ser um cínico que, apesar de saber a verdade, conta às pessoas comuns o que Platão chamou de "uma nobre fábula", uma mentira.
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Esta é a tragédia da nossa condição: para podermos existir completamente como indivíduos, precisamos da ficção de um Grande Outro. Deve haver uma instância que registra nossas questões. Uma instância onde as verdades sobre nós mesmos será inscrita, aceita. Uma instância a quem podemos confessar. Mas, e se não existisse uma tal instância? Este é o maior desespero de muitas mulheres estupradas na guerra pós Iugoslávia na Bósnia no começo dos anos noventa. Elas sobreviveram às suas terríveis experiências e o que as manteve vivas foi a ideia de que elas deviam sobreviver pra contar a verdade. Quando elas sobreviveram, descobriram algo terrível: não havia ninguém para realmente ouvi-las. Ou algum parente fazia insinuações obscenas do tipo "tem certeza de que você não gostou nem um pouquinho do estupro?" etc.
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Eu acho que Kafka estava certo quando ele disse que, para um homem moderno secular não-religioso, a burocracia estatal é o único contato que resta com a dimensão divina. Nesta cena de "Brasil - o Filme", o que vemos é a ligação íntima entre burocracia e gozo. O que a impenetrável onipotência da burocracia abriga é o gozo divino. A intensa pressa do trabalho burocrático não serve pra nada. É a encenação de sua própria falta de sentido. que gera um gozo intenso, pronto a se reproduzir eternamente. O reverso disso está nessa cena maravilhosa lá do começo do filme. O herói que tem um problema no seu apartamento com o encanamento tenta contatar a Agência do Estado para consertar. É claro, aparecem dois caras, eles só querem formulários para preencher, eles não fazem nada. E então uma figura subversiva aparece: um tipo de encanador clandestino, interpretado por Robert De Niro, que diz a ele "Só precisa me dizer qual o problema", e garante resolvê-lo rapidinho. Esta é a maior ofensa à burocracia.
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"No filme Tubarão, do Steven Spielberg, um tubarão começa a atacar as pessoas na praia. O que esse tubarão significa? Pessoas comuns em todos os países têm uma multiplicidade de medos. Nós temos medos de todos os tipos. Temos medo dos imigrantes, ou que as pessoas que consideramos inferiores nos ataquem, nos roubem, que pessoas violentem nossas crianças, temos medo de desastres naturais, tornados, terremotos, maremotos, temos medo de políticos corruptos, temos medo de grandes companhias, que podem fazer basicamente o que quiserem com a gente. A função do tubarão é unificar todos esses medos, de modo que possamos trocar todos esses medos por apenas um. Assim, nossa relação com a realidade fica mais simples. É o mesmo mecanismo do tubarão do filme. Você tem uma quantidade imensa de medos, e essas multiplicidade de medos confunde você, como se você simplesmente não soubesse o que quer dizer dessa confusão toda. Então você substitui essa enorme bagunça por uma figura clara." (Slavoj Žižek)
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Brian Green Além do Cosmos
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
"Precisamos de muita energia para provocar uma mudança em nós mesmos e, assim, mudar a sociedade; mas gastamos nossa energia pelo conflito, pela resistência, pelo conformismo, aceitação e obediência. É um desperdício de energia quando tentamos nos adaptar a um padrão. Para conservar energia devemos estar cônscios de nós mesmos, como dissipamos energia. Este é um problema antigo, pois a maior parte dos seres humanos é indolente; eles preferem aceitar, obedecer e seguir." (Krishnamurti)
"Não sei se vocês perceberam que ao encarar um fato há uma liberação de energia, psicologicamente. A maior parte de nossas vidas é gasta no conflito. Nós não encaramos os fatos, mas corremos deles, em busca de várias formas de fuga. Isto é energia dissipada, e o resultado dessa dissipação é confusão. Se a pessoa não foge, se não traduz o fato em termos de seu próprio prazer e dor, mas meramente observa, então esse ato de puro olhar em que não há resistência é a liberação de energia." (Krishnamurti)
"O passado não é apenas os muitos ontens, mas também, cada minuto que vai sendo acumulado, a memória da coisa que acabou um segundo atrás. Este acúmulo na mente é, também, destrutivo da energia. Então, para despertar esta energia, a mente não deve ter resistência, nem motivo, nem objetivo em vista, e ela não deve estar presa no tempo como ontem, hoje e amanhã. Aí a energia está se renovando constantemente e, por isso, não se degenerando. Tal mente não está comprometida, ela é completamente livre, e só tal mente pode encontrar o inominável, essa coisa extraordinária que está além das palavras. A mente deve se libertar do conhecido para entrar no desconhecido." (Krishnamurti)
"Não sei se vocês perceberam que ao encarar um fato há uma liberação de energia, psicologicamente. A maior parte de nossas vidas é gasta no conflito. Nós não encaramos os fatos, mas corremos deles, em busca de várias formas de fuga. Isto é energia dissipada, e o resultado dessa dissipação é confusão. Se a pessoa não foge, se não traduz o fato em termos de seu próprio prazer e dor, mas meramente observa, então esse ato de puro olhar em que não há resistência é a liberação de energia." (Krishnamurti)
"O passado não é apenas os muitos ontens, mas também, cada minuto que vai sendo acumulado, a memória da coisa que acabou um segundo atrás. Este acúmulo na mente é, também, destrutivo da energia. Então, para despertar esta energia, a mente não deve ter resistência, nem motivo, nem objetivo em vista, e ela não deve estar presa no tempo como ontem, hoje e amanhã. Aí a energia está se renovando constantemente e, por isso, não se degenerando. Tal mente não está comprometida, ela é completamente livre, e só tal mente pode encontrar o inominável, essa coisa extraordinária que está além das palavras. A mente deve se libertar do conhecido para entrar no desconhecido." (Krishnamurti)
terça-feira, 4 de novembro de 2014
"Diante de um mundo que é ininteligível e problemático, nossa tarefa é clara: precisamos tornar este mundo ainda mais ininteligível, ainda mais enigmático." (Heidegger)
O Arnaldo Jabor plagiou a si mesmo. Copiou parágrafos inteiros e frases inteiras de um texto seu de 24/11/1998 (Onde estão os hippies agora que precisamos deles?) – que eu conheço bem porque tenho guardado o recorte do jornal dentro do meu livro Obras Incompletas, do Nietzsche – para um texto seu de hoje, 04/11/2014 (Fim de jogo), 16 anos depois. Sem dar refrência, sem mencionar a origem.
sábado, 1 de novembro de 2014
"Vou dar um exemplo. Se você digitar Bolsa Família no Google Imagens, a foto mais comum que vai aparecer é de uma pessoa sorrindo e segurando o cartão do programa. Para muitas dessas pessoas esse cartão mostra que estão vinculadas ao Estado pela primeira vez. Pessoas pobres muitas vezes não se sentem parte de um país. São subjugadas, tratadas como se fossem de fora. O cartão estabelece uma relação legal e formal com o Estado. Equivale a dizer: ‘O País valoriza você e sua família e por isso estamos repassando esses recursos.’ A pessoa passa a ser cidadã de um país e, consequentemente, começa a valorizar a educação dos filhos, a criá-los bem nutridos, e os filhos, por outro lado, passam a cuidar mais de suas mães. Cria-se, assim, uma relação de mútua responsabilidade. Esse é um dos aspectos centrais do Bolsa Família. " (Arup Banerji, 51 anos, economista indiano que é diretor do Banco Mundial)
"Portland tomou algumas decisões, nos anos 70, que começaram a distingui-la de quase todas as outras cidades americanas. Enquanto a maioria das outras cidades estava incentivando uma expansão de pneus sobressalentes sem planejamento, Portland instituiu um limite de crescimento urbano. Enquanto a maioria das cidades estava ampliando suas estradas, removendo árvores e estacionamentos paralelos às calçadas, para que o o tráfego de carros aumentasse, Portland instituiu um programa de ruas estreitas. E, enquanto a maioria das cidades estava investindo em mais estradas e em mais rodovias, eles, na verdade, investiam em bicicletas e caminhadas. E gastaram 60 milhões de dólares em bicicletários, o que parece muito dinheiro, mas foram gastos ao longo de 30 anos, então, 2 milhões de dólares por ano -- não é muito -- e a metade do preço de um único trevo rodoviário que eles decidiram reformar na cidade." (Jeff Speck)
"As cidades são prejudiciais à saúde, às liberdades, e aos princípios morais do homem. Se continuarmos nos empilhar uns nos outros nas cidades, como fazem na Europa, nós nos tornaremos tão corruptos como eles são na Europa e passaremos a comer uns os outros como eles fazem lá." (Thomas Jefferson)
"A direita brasileira vai na direção da direita norte-americana, que não está mais interessada em constituir maiorias de governo; está interessada em impedir que aconteçam governos. Não quer constituir políticas no Legislativo e ignora o voto do eleitor médio. Ela não precisa de voto porque está sendo financiada diretamente pelas grandes corporações. Por isso, seus integrantes podem se dar ao luxo de ter posições nítidas e inegociáveis. E partem para cima, tornando impossível qualquer mudança de status quo. Há uma direita no Brasil que está indo nessa direção. A esquerda não pode fazer isso porque tem que governar, constituir maiorias, transigir, negociar, transformar tudo em um mingau. Nesse confronto, surge o que sociólogos nos EUA classificam como uma 'polarização assimétrica', com um lado sem freios e outro tentando contemporizar. A lenga-lenga do Brasil polarizado é apenas uma lenga-lenga, um teatro. Nos Estados Unidos, democratas e liberais se caracterizam pela moderação – como a esquerda oficial no Brasil, que é moderada. O outro lado não é moderado. Por isso a polarização é assimétrica." (Paulo Eduardo Arantes, filósofo e professor aposentado da USP)
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Edgar Morin:
A ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático compreende por que o fanático quer matá-lo, sabendo que este jamais o compreenderá. Compreender o fanático que é incapaz de nos compreender é compreender as raízes, as formas e as manifestações do fanatismo humano. É compreender porque e como se odeia ou se despreza. A ética da compreensão pede que se compreenda a incompreensão.
A ética da compreensão pede que se argumente, que se refute em vez de excomungar e anatematizar. Encerrar na noção de traidor o que decorre da inteligibilidade mais ampla impede que se reconheça o erro, os desvios, as ideologias, as derivas.
A compreensão não desculpa nem acusa: pede que se evite a condenação peremptória, irremediável, como se nós mesmos nunca tivéssemos conhecido a fraqueza nem cometido erros. Se soubermos compreender antes de condenar, estaremos no caminho da humanização das relações humanas.
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
"Todos os países desenvolvidos sabem o perfil da sua população; aqui só nos assustamos porque nossas fantasias caíram por terra. Eu sempre suspeitei da existência dessa grande massa de egoístas conservadores escravagistas, histéricos por manter seus privilégios, golpistas secundados por apoiadores cheios de ideias de subserviência e conformismo. Não me foi surpresa, portanto, que explodissem em ódio, preconceitos e violência." (Alvaro Oxley Rocha)
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
"É a mente, é o pensamento, que cria tempo. Pensamento é tempo, e o que quer que o pensamento projete deve estar no tempo; portanto, o pensamento não pode ir além dele mesmo. O pensamento só acaba quando compreendemos todo o processo do pensar e, para compreender o pensar, deve haver autoconhecimento. Para descobrir o que está além do tempo, o pensamento deve 'chegar ao fim' – e essa é a coisa mais difícil, pois o 'fim' do pensamento não chega pela disciplina, pelo controle, pela negação ou supressão." (Krishnamurti)
"O QUE ME ASSUSTA é o número imenso de eleitores(as) dispostos a votar no antipetismo, ou seja, em nada. Reitero que não sou de nenhum partido. Mas destaco que o discurso em torno dos demais candidatos no primeiro turno era desencontrado e sem fundamento. No segundo turno, piorou. Ódio puro, irracionalidade, corporativismo, estupidez pura e simples, e berreiro por uma "mudança" para uma não-proposta, ou para um candidato de fachada, sem preocupações sociais ou com a manutenção da estabilidade econômica. Espero que isso não aumente nos próximos quatro anos, porque do contrário, já temos data e hora para cair no abismo. Juro que torço para estar errado..." (Alvaro Oxley Rocha)
domingo, 26 de outubro de 2014
"O que é, é o que você é, não o que você gostaria de ser; não é o ideal, pois o ideal é fictício, mas é o que você realmente está fazendo, pensando e sentindo de momento a momento. O que é, é o real, e compreender o real requer conscientização, uma mente muito alerta, viva. Mas se nós começamos condenando o que é, se começamos a culpá-lo ou resistir a ele, então não vamos compreender seu movimento. Se eu quiser compreender alguém, não posso condená-lo – devo observá-lo, estudá-lo. Devo amar a própria coisa que estou estudando. Se você quiser compreender uma criança, deve amá-la e não condená-la. Você deve brincar com ela, ver seus movimentos, suas idiossincrasias, seus modos de comportamento; mas se você meramente condena, resiste ou a culpa, não haverá compreensão da criança. Do mesmo modo, para compreender o que é, a pessoa deve observar o que pensa, sente e faz de momento a momento. Isso é o real. Qualquer outra ação, qualquer ideal ou ação ideológica, não é o real – é, meramente, um anseio, um desejo fictício de ser alguma coisa que não existe. Assim, compreender o que é requer um estado de mente em que não há identificação ou condenação, o que significa uma mente que está alerta e, contudo, passiva." (Krishnamurti)
sábado, 25 de outubro de 2014
"O dualismo é a visão de que o bem e o mal, o sagrado e o profano, a felicidade e o sofrimento se opõem uns aos outros. De acordo com a visão da interexistência, o bem e o mal intersão. Bem é uma maneira hábil de lidar com o mal e que leva à sua transformação. Não lutamos contra. O bem e o mal são orgânicos e estão presentes juntos. Essa percepção é a única maneira de podermos remover todas as discriminações e medo. É o fundamento da prática dos treinamentos. Em seguida, os treinamentos, muito naturalmente, tornam-se a forma como vivemos e a fonte de nossa felicidade." (Thich Nhât Hanh)
"O ideal não é real, não é factual; ele é o que deveria ser, é uma coisa no futuro. Ora, o que eu digo é isto: esqueça o ideal e esteja consciente do que você é. Não vá atrás do que deveria ser, mas compreenda o que é. A compreensão daquilo que você de fato é, é muito mais importante do que ir atrás do que deveria ser. Por quê? Porque, compreendendo o que você é, inicia-se um processo espontâneo de transformação; ao passo que se tornando o que você deveria ser, não haverá mudança de fato, mas apenas a continuação da mesma coisa antiga sob uma forma diferente. Se a mente, vendo que é estúpida, tenta mudar sua estupidez para inteligência, que é o que deveria ser, é tolice, não tem significado nem realidade; é apenas a busca de uma autoprojeção, um adiamento da compreensão daquilo que é. Enquanto a mente tenta mudar sua estupidez em outra coisa, ela permanece estúpida. Mas se a mente diz: 'Eu percebo que sou estúpida e quero compreender o que é a estupidez, então vou investigá-la, observar como ela surge', e esse próprio processo de investigação gera uma transformação fundamental." (Krishnamurti)
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
"Em época de eleições, talvez eu devesse me dedicar à literatura e ao cinema. Mas não tem jeito: as eleições são um tema fascinante. Nesta eleição, contrariamente ao que todos parecem gritar, não se enfrentam visões realmente antagonistas. Paradoxalmente, o fato de que os candidatos têm visões de futuro compatíveis produz e explica o caráter raivoso da campanha. Sabemos (desde Freud) que as pequenas diferenças são as que inspiram as reações mais violentas. É o próximo mais parecido conosco que odiamos com facilidade: ninguém quer exterminar as girafas, mas podemos querer exterminar o vizinho um pouco mais escuro ou mais claro que a gente. Ou seja, os concorrentes seriam menos adversos se não compartilhassem uma mesma visão de futuro. A existência (suposta) de campos 'opostos' permite 'aderir' plenamente a um deles, e aderir – ser e sentir-se parte integrante de um grupo – é uma paixão humana quase universal, embora um tanto sinistra. A vontade de aderir a qualquer partido, igreja, torcida ou tribo é quase uma falha moral, que corresponde ao anseio de se perder numa coletividade para poder descansar da tarefa (mais árdua) de inventar pensamentos e critérios próprios. Resumindo: o próprio fato de que os dois blocos políticos não tenham alvos radicalmente diferentes alimenta uma oposição surda aos argumentos do outro, na qual a adesão encoraja cada um a renunciar à sua capacidade de pensar por conta própria." (Contardo Calligaris)
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Apenas sentar
(Lama Padma Samten/Vida Simples)
É uma prática muito simples, basta sentar em silêncio e se posicionar como quiser. É comum que o corpo, ao ficar parado, sinta-se desconfortável e tenha que trocar de posição.
A mente acorda quando sentamos com a coluna bem ereta. Ainda assim, é provável que haja letargia e desinteresse alternado por energia e pensamentos intensos. A própria motivação da prática pode alternar entre interesse e desconexão.
Fundador do zen, Eihei Dogen, mestre budista japonês do século 13, é quem deu essa instrução de meditação de simplicidade extrema: "apenas sentar". O corpo flutua, a mente flutua, a energia flutua, a motivação também flutua. Haverá algum momento em que, ao persistir no treinamento, surgirá a estabilidade?
"Apenas sentar, essa é a prática fácil de um Buda, pratique o pensar além de pensar e não pensar" - segue a instrução do mestre Dogen reunida no texto sagrado Fukanzazengi, o guia de meditação dos Budas. Não parece fácil. Então qual é, afinal, o verdadeiro segredo dessas palavras?
Corpo ereto, sereno. Atenção na respiração. O ar entra, o ar sai... A consciência focada nesse movimento infindável e monótono. O ar que entra e sai é o movimento incessante do Universo, sem origem e sem fim. O ponto central da prática é que há algo estável, imóvel, vivo, mesmo dentro desse movimento infindável do mundo. Veja! Sentados, exercitamos a familiaridade com a estabilidade que não se perturba com o que flui dentro ou fora. Não é preciso parar o movimento, a natural presença serena não é perturbada. É uma presença translúcida, não perturbável.
"Minha mente e energia flutuam constantemente durante a prática, o que fazer?", perguntou ao mestre o aluno experiente. "Não se preocupe, é assim comigo também", respondeu seu mestre Tokuda San. A estabilidade não é afetada pela flutuação. Os mestres não enrijecem ou se afastam, mas flutuam em uma dança lúcida e serena em meio ao mundo.
Apenas sentar, ereto. Veja: o mundo flutua, você está sereno. Assim é a prática. Agora abra os olhos e caminhe suavemente dentro de um shopping, lúcido, com um leve sorriso. Em casa, lave a louça da pia, ponha tudo em ordem, com um sorriso. Com a mente focada, estude o que precisa estudar, com um sorriso.
Os seres ao redor iluminarão seu rosto e sua vida com compaixão e amor pelo que de profundo você encontrar neles. Tudo começa com uma prática muito simples: basta sentar ereto em silêncio. Pronto.
(Lama Padma Samten/Vida Simples)
É uma prática muito simples, basta sentar em silêncio e se posicionar como quiser. É comum que o corpo, ao ficar parado, sinta-se desconfortável e tenha que trocar de posição.
A mente acorda quando sentamos com a coluna bem ereta. Ainda assim, é provável que haja letargia e desinteresse alternado por energia e pensamentos intensos. A própria motivação da prática pode alternar entre interesse e desconexão.
Fundador do zen, Eihei Dogen, mestre budista japonês do século 13, é quem deu essa instrução de meditação de simplicidade extrema: "apenas sentar". O corpo flutua, a mente flutua, a energia flutua, a motivação também flutua. Haverá algum momento em que, ao persistir no treinamento, surgirá a estabilidade?
"Apenas sentar, essa é a prática fácil de um Buda, pratique o pensar além de pensar e não pensar" - segue a instrução do mestre Dogen reunida no texto sagrado Fukanzazengi, o guia de meditação dos Budas. Não parece fácil. Então qual é, afinal, o verdadeiro segredo dessas palavras?
Corpo ereto, sereno. Atenção na respiração. O ar entra, o ar sai... A consciência focada nesse movimento infindável e monótono. O ar que entra e sai é o movimento incessante do Universo, sem origem e sem fim. O ponto central da prática é que há algo estável, imóvel, vivo, mesmo dentro desse movimento infindável do mundo. Veja! Sentados, exercitamos a familiaridade com a estabilidade que não se perturba com o que flui dentro ou fora. Não é preciso parar o movimento, a natural presença serena não é perturbada. É uma presença translúcida, não perturbável.
"Minha mente e energia flutuam constantemente durante a prática, o que fazer?", perguntou ao mestre o aluno experiente. "Não se preocupe, é assim comigo também", respondeu seu mestre Tokuda San. A estabilidade não é afetada pela flutuação. Os mestres não enrijecem ou se afastam, mas flutuam em uma dança lúcida e serena em meio ao mundo.
Apenas sentar, ereto. Veja: o mundo flutua, você está sereno. Assim é a prática. Agora abra os olhos e caminhe suavemente dentro de um shopping, lúcido, com um leve sorriso. Em casa, lave a louça da pia, ponha tudo em ordem, com um sorriso. Com a mente focada, estude o que precisa estudar, com um sorriso.
Os seres ao redor iluminarão seu rosto e sua vida com compaixão e amor pelo que de profundo você encontrar neles. Tudo começa com uma prática muito simples: basta sentar ereto em silêncio. Pronto.
"Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita. Minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita. No Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita." (Ariano Suassuna)
Fonoaudióloga analisa Aécio Neves nos debates.
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terça-feira, 21 de outubro de 2014
<< "Escutar, ou seja, ouvir com atenção, é uma atividade que muita gente entende errado. É comum pensar que basta focar em algum som e ignorar os demais. Para mim, isso não é escuta, mas deficiência controlada", explica o norteamericano Gordon Hempton, que tem 30 anos de carreira como caçador de sons e 7 mil gravações de "músicas" da natureza, cada uma com duas horas de duração. Hempton, tal como Frisch e Wrightson, é um ecologista acústico, um ambientalista preocupado em preservar a natureza física dos ambientes e a paisagem sonora composta por todos os sons que permeiam o espaço, emitidos por todos os seres. "Para mim, um ecologista acústico é, acima de tudo, uma pessoa que sabe escutar. O que fazemos é tratar todos os sons com igual importância para saber interpretá-los", afirma. (...) Hempton destaca a "ausência de pálpebras para ouvidos" nos animais. Até hoje, não se tem notícia de uma espécie que possa interromper a audição. "Se você fechar os olhos, para de ver. Mas note que não temos pálpebras nas orelhas. Nenhum animal tem. E por uma boa razão: no ambiente selvagem, é muito perigoso parar de escutar. É um processo essencial para a sobrevivência. Nascemos para escutar", explica. (...) Tente fazer uma lista de cinco sons ambientais - não músicas - escutadas hoje. Depois, escreva mais cinco sons naturais que você aprecia e cinco que não gosta. Poucos podem realizar essa tarefa. >> (Maíra Lie Chao/Revista Planeta)
<< Para o ornitólogo brasileiro Johan Dalgas Frisch, a Amazônia deveria ser mais apreciada. "O planeta Terra é uma jukebox movida a energia solar", diz. "Quanto mais luz incide sobre a superfície, mais alta é a música tocada pela natureza, por conta da captação de energia pelos painéis solares - ou seja, as folhas. Na região equatorial existe a maior incidência de raios solares, portanto a Amazônia oferece a música mais alta e mais diversa do mundo! É preciso escutá-la para acreditar", admira-se. >> (Maíra Lie Chao/Revista Planeta)
"O pensamento não pode ver a inteireza, a totalidade do problema; ele só pode ver parcialmente, e uma resposta parcial não é uma resposta completa e, portanto, não é uma solução. Quanto mais pensamos sobre um problema, quanto mais investigamos, analisamos e o discutimos mais complexo ele se torna. Então, é possível olhar um problema compreensivamente, integralmente? Como isto é possível? Porque essa, me parece, é nossa maior dificuldade. Nossos problemas estão sendo multiplicados, existe um iminente perigo de guerra, existem todos os tipos de perturbação em nossas relações, e como podemos entender isso compreensivamente, como um todo? Obviamente, isto só pode ser resolvido quando pudermos olhar como um todo – não em compartimentos, não dividido. Quando isto é possível? Certamente, só é possível quando o processo de pensar, que tem sua origem no 'eu', no ego, no resquício da tradição, do condicionamento, do preconceito, da esperança, do desespero, chegar ao fim." (Krishnamurti)
sábado, 18 de outubro de 2014
Diálogos sobre o fim do mundo
(Eliane Brum)
Antropoceno – o momento em que o homem deixa de ser agente biológico para se tornar uma força geológica, capaz de alterar a paisagem do planeta e comprometer sua própria sobrevivência como espécie e a dos outros seres vivos. Ou, dito de outro modo, o ponto de virada em que os humanos deixam de apenas temer a catástrofe para se tornar a catástrofe.
Déborah Danowski é filósofa, professora da pós-graduação da PUC do Rio de Janeiro. Pesquisa a metafísica moderna e, ultimamente, o pensamento ecológico. Eduardo Viveiros de Castro é etnólogo, professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor do “perspectivismo ameríndio”, contribuição que impactou a antropologia e o colocou entre os maiores antropólogos do mundo. Como disse Latour, Déborah é uma “filósofa meio ecologista”, Eduardo um “antropólogo meio filósofo”. Eduardo e Déborah são marido e mulher e pais de Irene.
Eduardo Viveiros de Castro – Até certo ponto é muito mais fácil você dar um carro para o pobre do que tirar o carro do rico. E talvez fosse muito mais fácil para o pobre aceitar que ele não pode ter um carro se o rico parasse de ter carro também. Dizendo, de fato: “Olha, lamento, você não pode mais usar, mas eu também não”. É claro que enquanto você ficar dizendo para o pobre – “Você não pode ter e eu tenho” – não dá. Ele vai dizer: “Por que vocês podem continuar a consumir seis planetas Terra e eu não posso comprar o meu carrinho?”. É preciso dissociar crescimento de igualdade, como afirma o Rodrigo Nunes (professor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio). E sobretudo você tem que parar de superdesenvolver os países superdesenvolvidos. E a palavra tem que ser "superdesenvolvido". Porque a gente fala muito em sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas, como antigamente – países subdesenvolvidos, países em vias de desenvolvimento, países desenvolvidos. Nunca ninguém falou que existem países superdesenvolvidos, isto é, excessivamente desenvolvidos. É o caso dos Estados Unidos, onde um cidadão americano médio gasta o equivalente a 32 cidadãos do Quênia ou da Etiópia. A relação que sempre se faz é que, para tirar as populações da pobreza, é preciso crescer economicamente. E aí você tem um dilema: se você cresce economicamente, com uso crescente de energia fortemente poluente, como petróleo e carvão, nós vamos destruir o planeta. Assim, a luta pela igualdade não pode depender do nosso modelo de crescimento econômico mundial, do qual o Brasil, Índia e China são só as pontas mais histéricas, porque querem crescer muito rápido. O jeito como o mundo está andando não pode continuar porque se baseia numa ideia de que o crescimento pode ser infinito, quando a gente sabe que mora num mundo finito, com recursos finitos. Entretanto, eu nunca vi ninguém falar: “O crescimento vai ter que parar aqui”. Você vai ser preso se você disser isso em qualquer lugar do mundo. Eu não acho que o Brasil tenha que parar de crescer, no sentido de crescimento zero. O que o Brasil precisa, como o mundo precisa, é de uma redistribuição radical da riqueza. Quanto mais você redistribui, menos precisa crescer, no sentido de aumentar a produção. A economia capitalista está fundada no princípio de que viver economicamente é produzir riqueza, quando a questão realmente crítica é redistribuir a riqueza existente.
Eduardo – São Paulo cimentou todo o seu território, se transformou num captor térmico gigantesco, só com cimento, asfalto e carro jogando gás carbônico. Desapareceu a garoa, não existe mais a garoa em São Paulo. A Amazônia foi e está sendo desmatada por empresários paulistas. São Paulo é uma metáfora, mas não é só uma metáfora. São Paulo está destruindo a Amazônia e está sofrendo as consequências disso. Acho que São Paulo é um laboratório espetacular, no sentido não positivo da palavra. É como se estivesse passando em fast forward, acelerado, tudo o que está acontecendo no mundo. Explodiu a quantidade de carros, explodiu a poluição, explodiu a falta de água, explodiu a violência, explodiu a desigualdade. Em suma, São Paulo é uma espécie de laboratório do mundo, neste sentido. Não só São Paulo, há outras cidades iguais, mas São Paulo é a mais próxima de nós, e estamos vendo o que está acontecendo.
Eduardo – Há um pensador alemão, o Günther Anders, que foi o primeiro marido da Hannah Arendt. Ele fugiu do nazismo e virou um militante antinuclear, especialmente entre o fim da década de 40 e os anos 70. Ele diz que a arma nuclear é uma prova de que aconteceu alguma coisa com a humanidade, na medida em que ela se tornou incapaz de imaginar o que é capaz de fazer. É uma situação antiutópica. O que é um utopista? Um utopista é uma pessoa que consegue imaginar um mundo melhor, mas não consegue fazer, não conhece os meios nem sabe como. E nós estamos virando o contrário. Nós somos capazes tecnicamente de fazer coisas que não somos nem capazes de imaginar. A gente sabe fazer a bomba atômica, mas não sabe pensar a bomba atômica. O Günther Anders usa uma imagem interessante, a de que existe essa ideia em biologia da percepção de fenômenos subliminares, abaixo da linha de percepção. Tem aquela coisa que é tão baixinha, que você ouve mas não sabe que ouviu; você vê, mas não sabe que viu; como pequenas distinções de cores. São fenômenos literalmente subliminares, abaixo do limite da sua percepção. Nós, segundo ele, estamos criando uma outra coisa agora que não existia, o supraliminar. Ou seja, é tão grande, que você não consegue ver nem imaginar. A crise climática é uma dessas coisas. Como é que você vai imaginar um troço que depende de milhares de parâmetros, que é um transatlântico que está andando e tem uma massa inercial gigantesca? As pessoas ficam paralisadas. Dá uma espécie de paralisia cognitiva.
Eduardo – No calendário agrícola de uma tribo indígena você sabe que está na hora de plantar porque há vários sinais da natureza. Por exemplo, o rio chegou até tal nível, o passarinho tal começou a cantar, a árvore tal começou a dar flor. E a formiga tal começou a fazer não-sei-o-quê. O que eles estão dizendo agora é que esses sinais dessincronizaram. O rio está chegando a um nível antes de o passarinho começar a cantar. E o passarinho está cantando muito antes de aquela árvore dar flor. É como se a natureza tivesse saído de eixo. E isso todos eles estão dizendo. As espécies estão se extinguindo, e a humanidade parece que continua andando para um abismo. O mundo vai, de fato, piorar para muita gente, para todo mundo. Só o que vai melhorar é a taxa de lucro de algumas empresas, e mesmo os acionistas delas vão ter que talvez tirar a casa de luxo que eles têm na Califórnia e jogar para outro lugar, porque ali vai ter pegado fogo. Se houver uma epidemia, um vírus, uma pandemia letal, violenta, tipo ebola, pode pegar todo mundo. Enquanto os sujeitos têm corpo de carne e osso, ninguém está realmente livre, por mais rico que seja, do que vai acontecer. Mas é evidente que quem vai primeiro soçobrar serão os pobres, os danados da Terra, os condenados da Terra. Algumas pessoas estão começando a se preocupar, mas não conseguem fazer parar, porque todas as outras estão empurrando. E você diz: "para, para, para!". E você não consegue. Mas há muitas iniciativas pelo mundo de gente que percebeu que os estados nacionais, ou que as grandes tecnologias gigantescas, heroicas e épicas, não vão nos salvar. E que está nas nossas mãos nos salvarmos. Não está nas mãos dos nossos responsáveis. Não temos responsáveis. A ideia de que o governo é responsável por nós, a gente já viu que não é. Ele é irresponsável. Ele toma decisões irresponsáveis, destrói riquezas que ele não pode substituir, e, portanto, há um descrédito fortíssimo nas formas de representação.
Eduardo – As pessoas acham que o crescimento diminui a pobreza. O crescimento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. O capitalismo conseguiu melhorar a condição de vida do operariado europeu porque jogou para o Terceiro Mundo as condições miseráveis. Então, era o operário daqui sendo explorado para que os pobres operários de lá fossem menos explorados.
Eduardo – O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de transformação de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mestiçagem brasileira? Tiravam tudo, convertiam e diziam: agora, se vocês se comportarem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. Eles deixam de ser índios, mas não conseguem chegar a ser brancos. Pessoal, vocês precisam misturar para virar branco. Se vocês se esforçarem, melhorarem a raça, melhorarem o sangue, vai virar branco. O que chamam de mestiçagem é uma fraude. O nome é branqueamento. E é o que estão fazendo na Amazônia. É re-colonização. O Brasil está sendo recolonizado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. (...) Então, em vez de fazer o pobre ficar mais parecido com você, você tem que ajudar o pobre a ficar mais parecido com ele mesmo. O que é o pobre positivado? Não mais transformado em algo parecido comigo, mas transformado em algo que ele sempre foi, mas que impedem ele de ser ao torná-lo pobre. O quê? Índio. Temos de ajudá-los a lutar para que eles mesmos definam seu próprio rumo, em vez de nos colocarmos na posição governamental de: “Olha, eu vou tirar vocês da pobreza”. E fazendo o quê? Dando para eles consumo, consumo, consumo. Endividando, no cartão de crédito. Qual foi a grande carta de alforria que o governo Dilma deu ao pobre? O cartão de crédito. Hoje pobre tem cartão de crédito. Legal? Muito legal, sobretudo para as firmas que vendem as mercadorias que os pobres compram no cartão de crédito. Porque a Brastemp está adorando o cartão de crédito para pobre. As Casas Bahia estão nas nuvens. Porque o pobre agora pode se endividar. Eu provocava a esquerda, dizendo: “O que vocês não estão entendendo é o seguinte. Enquanto vocês tratarem o Outro como pobre, e portanto como alguém que tem que ser melhorado, educado, civilizado – porque no fundo é isso, civilizar o pobre! –, vocês vão estar sendo cúmplices de todo esse sistema de destruição do planeta que permitiu aos ricos serem ricos”.
Eliane – Vocês afirmam que os índios são especialistas em fim do mundo. E que vamos precisar aprender com eles. No livro, há até uma analogia com o filme de Lars Von Trier, no qual um planeta chamado Melancolia atinge a Terra. Vocês dizem que, em 1492, o Velho Mundo atingiu o Novo Mundo, como um planeta que vocês chamam ironicamente de Mercadoria. O que os índios podem nos ensinar sobre sobreviver ao fim do mundo?
Eduardo – Acho que os índios podem nos ensinar a repensar a relação com o mundo material, uma relação que seja menos fortemente mediada por um sistema econômico baseado na obsolescência planejada e, portanto, na acumulação de lixo como principal produto. Eles podem nos ensinar a voltar à Terra como lugar do qual depende toda a autonomia política, econômica e existencial. Em outras palavras: os índios podem nos ensinar a viver melhor em um mundo pior. Porque o mundo vai piorar. E os índios podem nos ensinar a viver com pouco, a viver portátil, e a ser tecnologicamente polivalente e flexível, em vez de depender de megamáquinas de produção de energia e de consumo de energia como nós. Quando eu falo índio é índio aqui, na Austrália, o pessoal da Nova Guiné, esquimó... Para mim, índio são todas as grandes minorias que estão fora, de alguma maneira, dessa megamáquina do capitalismo, do consumo, da produção, do trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu acho que os índios podem também nos ensinar a aceitar os imponderáveis, os imprevistos e os desastres da vida com o “pessimismo alegre” (expressão usada originalmente pelo filósofo francês François Zourabichvili, com relação a Deleuze, mas que aqui ganha outros sentidos). O pessimismo alegre caracteriza a atitude vital dos índios e demais povos que vivem à margem da civilização bipolar que é a nossa, que está sempre oscilando entre um otimismo maníaco e um desespero melancólico. Os índios podem nos ensinar a viver melhor num mundo pior. Viver é uma coisa que você tem que fazer de minuto a minuto, tem que viver o presente. E nós temos um problema, que é a dificuldade imensa em viver o presente. Os índios são pessoas que de fato vivem no presente no melhor sentido possível. Vamos tratar de viver o presente tal como ele é, enfrentando as dificuldades que ele apresenta, mas sem imaginar que a gente tem poderes messiânicos, demiúrgicos de salvar o planeta.
Eduardo – Para essa esquerda, ar, água, planta, bicho não faz parte do mundo. São pessoas completamente antropocêntricas, que veem o mundo à disposição dos homens, para ser dominado, controlado e escravizado. Então essa esquerda é uma esquerda sócia do capitalismo. Acha que é preciso levar o capitalismo até o fim, para que ele se complete, para que a industrialização se complete, para que a transformação de todos os índios do mundo em pobres se complete. Para que você então transforme o pobre em proletário, o proletário em classe revolucionária, ou seja, é uma historinha de fadas. Como se pudesse separar a parte boa da parte ruim do capitalismo. Como se fosse possível: isso aqui eu quero, isso aqui eu não quero. Outra coisa, essa esquerda fez um pacto satânico com a direita, que é o seguinte: a gente gosta dos pobres, quer melhorar a vida deles, quer melhorar o nível de renda deles, mas não vai tocar no bolso de vocês, fiquem tranquilos. É o que está dito na Carta ao Povo Brasileiro (documento escrito por Lula na campanha eleitoral de 2002). E foi exatamente isso o que aconteceu. Ou seja, os bancos nunca lucraram tanto. Veja o tamanho das algemas que a esquerda se pôs. De onde é que vai vir, então, a grana para melhorar a vida dos pobres? Só tem um lugar. Da natureza. Então você superexplora, você queima os móveis da casa. Aumentou o dinheiro disponível para dar umas migalhas para os pobres, o bolo cresceu. Não é por acaso que o Delfim Netto (ministro da Fazenda no período do chamado “Milagre Econômico Brasileiro”, na ditadura civil-militar) é um grande conselheiro do Lula. Primeiro é preciso crescer para depois distribuir. Está crescendo, está dando renda para os pobres, mas esse dinheiro não está saindo do bolso dos ricos. Está saindo da natureza, da floresta destruída. É da água que a gente está exportando para a China sob a forma de boi, de carne e de soja. O dinheiro tem que sair de algum lugar. Não está saindo de empréstimo internacional, mas está saindo de empréstimo natural. Esse empréstimo não dá para pagar. Quando a natureza vier cobrar, estaremos fritos. E a natureza está cobrando de que forma? Seca, tufão, furacão, enchente... E no Brasil ainda não chegou a barra pesada.
Eduardo – Como diz o (antropólogo) Beto Ricardo (um dos fundadores do Instituto Socioambiental), o Brasil é como se fosse dividido entre uma grande São Bernardo e uma grande Barretos. Quer dizer, a zona rural vai ser como Barretos (cidade do interior paulista onde se faz a maior festa country do país): gado, rodeio, bota, chapéu e 4X4. E a parte urbana vai ser uma grande São Bernardo (cidade do chamado ABC Paulista, onde Lula se tornou líder sindical metalúrgico nas grandes greves da virada dos anos 70 para os 80): fábricas, metalurgia, motores, carros.
Eliane – Acho que foi a Isabelle Stengers (filósofa belga) que disse que “o capitalismo pode não se preocupar com a atmosfera, mas é muito mais grave que a atmosfera não se preocupe com o capitalismo”. Você, Eduardo, afirma que é mais fácil imaginar o fim do capitalismo do que o fim do mundo, mas que teremos de imaginar os dois. Mas quem fala no fim do capitalismo é visto como alguém que está viajando, que está fora da realidade. Se essa é também uma crise de imaginação, como fazer isso, na medida em que seria imaginação contra poder?
Eduardo – Para imaginar o não fim do mundo, nós temos que imaginar o fim do capitalismo. E isso é extremamente difícil. Porque a questão do capitalismo nunca foi substituir, mas somar, sobrepor. Essa coisa de que o petróleo iria substituir o carvão, porque o petróleo é menos poluente do que o carvão, não é verdade. Está se consumindo mais carvão do que petróleo. Agora está se usando energia nuclear, energia eólica, energia solar. Isso não baixou o consumo de petróleo. O que está acontecendo é que nós estamos acrescentando fontes de energia, ou seja, não para nunca. Quanto mais melhor.
Eduardo – Reconhecer direitos aos demais viventes não é reconhecer direitos humanos aos demais viventes. É reconhecer direitos característicos e próprios daquelas diferentes formas de vida. Os direitos de uma árvore não são os mesmos direitos de um cidadão brasileiro da espécie homo sapiens. O que não quer dizer, entretanto, que ela não tenha direitos. Por exemplo, o direito à existência, que só pode ser negado sob condições que exigem reflexão. Os índios não acham que as árvores são iguais a eles. O que eles acham simplesmente é que você não faz nada impunemente. Todo ser vivo, com exceção dos vegetais, tem que tirar a vida de um outro ser vivo para sobreviver. A diferença está no fato de que os índios sabem disso. E sabem que isso é algo sério. Nós estamos acostumados a fazer a nossa caça nos supermercados, não somos mais capazes de olhar de frente uma galinha antes de matá-la para comer. Assim, perdemos a consciência de que nós vivemos num mundo em que viver é perigoso e traz consequências. E que comer tem consequências. Os animais seriam pessoas no sentido de que eles possuem valor intrínseco, eles têm direito à vida, e só podemos tirar a vida deles quando a nossa vida depende disso. Isso é uma coisa que, para os índios, é absolutamente claro. Se você matar à toa, você vai ter problemas. Eles não estão dizendo que é tudo igual. Eles estão dizendo que tudo possui um valor intrínseco e que mexer com isso envolve você mesmo. Acho que o símbolo da nossa relação com o mundo, hoje, é o tipo de guerra que os Estados Unidos fazem com os drones, aqueles aviões não tripulados, ou apertando um botão. Ou seja, você nem vê a desgraça que você está produzindo. Nós todos, hoje, estamos numa relação com o mundo cujo símbolo seria o drone. A pessoa está lá nos Estados Unidos apertando um botão num computador, aquilo vai lá para o Paquistão, joga uma bomba em cima de uma escola, e a pessoa que apertou o botão não está nem sabendo o que está acontecendo. Ou seja, nós estamos distantes. As consequências de nossas ações estão cada vez mais separadas das nossas ações. O índio que vai para o mato e tem que flechar o inimigo, ele tem que arcar com as consequências psicológicas, morais, simbólicas disso. Aquele soldadinho americano que está num quartel nos Estados Unidos, apertando um botão, ele nem sabe o que está fazendo. Porque ele está longe. Você cada vez mais distancia os efeitos das suas ações de você mesmo. Então nós somos todos drones nesse sentido. A gente compra carne no supermercado quadradinha, bem embaladinha, refrigeradinha, sem cara de bicho. E você está o mais longe possível daquela coisa horrorosa que é o matadouro. Daquela coisa horrorosa que são as fazendas em que as galinhas estão enfiadas em gaiolas apertadas. Se o pessoal lembrar que 50% das galinhas que nascem são galos e que esses 50% que nascem são triturados ao nascer para virar ração animal porque não colocam ovos, talvez não conseguissem comer galinhas. Se você mostrasse que metade dos pintinhos vão todos vivos para uma máquina que tritura, talvez melhorasse um pouco. Mas as pessoas não querem saber disso. Nisso, nós somos iguaizinhos ao soldado americano que aperta o botão para matar inocentes no Paquistão. Nós fazemos a mesma coisa com as galinhas. Nós somos todos drones. Temos uma relação com o mundo igual à que os Estados Unidos tem com suas máquinas de guerra. Somos como os pilotos da bomba atômica que não sabiam bem o que estavam fazendo quando soltaram a bomba atômica em cima de Hiroshima. Dissociação mental. Essa coisa de não se dar conta do que a gente está fazendo, por um lado está aumentando. Mas, por outro lado, com a mudança climática, as pessoas estão começado a perceber que o que elas estão fazendo está influenciando o mundo. Estamos num momento crucial: por um lado o aumento brutal do modelo drone, com tudo cada vez mais distante, e, por outro, as catástrofes batendo na sua porta. O mar está subindo, o furacão está chegando, a seca está vindo.
(Eliane Brum)
Antropoceno – o momento em que o homem deixa de ser agente biológico para se tornar uma força geológica, capaz de alterar a paisagem do planeta e comprometer sua própria sobrevivência como espécie e a dos outros seres vivos. Ou, dito de outro modo, o ponto de virada em que os humanos deixam de apenas temer a catástrofe para se tornar a catástrofe.
Déborah Danowski é filósofa, professora da pós-graduação da PUC do Rio de Janeiro. Pesquisa a metafísica moderna e, ultimamente, o pensamento ecológico. Eduardo Viveiros de Castro é etnólogo, professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor do “perspectivismo ameríndio”, contribuição que impactou a antropologia e o colocou entre os maiores antropólogos do mundo. Como disse Latour, Déborah é uma “filósofa meio ecologista”, Eduardo um “antropólogo meio filósofo”. Eduardo e Déborah são marido e mulher e pais de Irene.
Eduardo Viveiros de Castro – Até certo ponto é muito mais fácil você dar um carro para o pobre do que tirar o carro do rico. E talvez fosse muito mais fácil para o pobre aceitar que ele não pode ter um carro se o rico parasse de ter carro também. Dizendo, de fato: “Olha, lamento, você não pode mais usar, mas eu também não”. É claro que enquanto você ficar dizendo para o pobre – “Você não pode ter e eu tenho” – não dá. Ele vai dizer: “Por que vocês podem continuar a consumir seis planetas Terra e eu não posso comprar o meu carrinho?”. É preciso dissociar crescimento de igualdade, como afirma o Rodrigo Nunes (professor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio). E sobretudo você tem que parar de superdesenvolver os países superdesenvolvidos. E a palavra tem que ser "superdesenvolvido". Porque a gente fala muito em sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas, como antigamente – países subdesenvolvidos, países em vias de desenvolvimento, países desenvolvidos. Nunca ninguém falou que existem países superdesenvolvidos, isto é, excessivamente desenvolvidos. É o caso dos Estados Unidos, onde um cidadão americano médio gasta o equivalente a 32 cidadãos do Quênia ou da Etiópia. A relação que sempre se faz é que, para tirar as populações da pobreza, é preciso crescer economicamente. E aí você tem um dilema: se você cresce economicamente, com uso crescente de energia fortemente poluente, como petróleo e carvão, nós vamos destruir o planeta. Assim, a luta pela igualdade não pode depender do nosso modelo de crescimento econômico mundial, do qual o Brasil, Índia e China são só as pontas mais histéricas, porque querem crescer muito rápido. O jeito como o mundo está andando não pode continuar porque se baseia numa ideia de que o crescimento pode ser infinito, quando a gente sabe que mora num mundo finito, com recursos finitos. Entretanto, eu nunca vi ninguém falar: “O crescimento vai ter que parar aqui”. Você vai ser preso se você disser isso em qualquer lugar do mundo. Eu não acho que o Brasil tenha que parar de crescer, no sentido de crescimento zero. O que o Brasil precisa, como o mundo precisa, é de uma redistribuição radical da riqueza. Quanto mais você redistribui, menos precisa crescer, no sentido de aumentar a produção. A economia capitalista está fundada no princípio de que viver economicamente é produzir riqueza, quando a questão realmente crítica é redistribuir a riqueza existente.
Eduardo – São Paulo cimentou todo o seu território, se transformou num captor térmico gigantesco, só com cimento, asfalto e carro jogando gás carbônico. Desapareceu a garoa, não existe mais a garoa em São Paulo. A Amazônia foi e está sendo desmatada por empresários paulistas. São Paulo é uma metáfora, mas não é só uma metáfora. São Paulo está destruindo a Amazônia e está sofrendo as consequências disso. Acho que São Paulo é um laboratório espetacular, no sentido não positivo da palavra. É como se estivesse passando em fast forward, acelerado, tudo o que está acontecendo no mundo. Explodiu a quantidade de carros, explodiu a poluição, explodiu a falta de água, explodiu a violência, explodiu a desigualdade. Em suma, São Paulo é uma espécie de laboratório do mundo, neste sentido. Não só São Paulo, há outras cidades iguais, mas São Paulo é a mais próxima de nós, e estamos vendo o que está acontecendo.
Eduardo – Há um pensador alemão, o Günther Anders, que foi o primeiro marido da Hannah Arendt. Ele fugiu do nazismo e virou um militante antinuclear, especialmente entre o fim da década de 40 e os anos 70. Ele diz que a arma nuclear é uma prova de que aconteceu alguma coisa com a humanidade, na medida em que ela se tornou incapaz de imaginar o que é capaz de fazer. É uma situação antiutópica. O que é um utopista? Um utopista é uma pessoa que consegue imaginar um mundo melhor, mas não consegue fazer, não conhece os meios nem sabe como. E nós estamos virando o contrário. Nós somos capazes tecnicamente de fazer coisas que não somos nem capazes de imaginar. A gente sabe fazer a bomba atômica, mas não sabe pensar a bomba atômica. O Günther Anders usa uma imagem interessante, a de que existe essa ideia em biologia da percepção de fenômenos subliminares, abaixo da linha de percepção. Tem aquela coisa que é tão baixinha, que você ouve mas não sabe que ouviu; você vê, mas não sabe que viu; como pequenas distinções de cores. São fenômenos literalmente subliminares, abaixo do limite da sua percepção. Nós, segundo ele, estamos criando uma outra coisa agora que não existia, o supraliminar. Ou seja, é tão grande, que você não consegue ver nem imaginar. A crise climática é uma dessas coisas. Como é que você vai imaginar um troço que depende de milhares de parâmetros, que é um transatlântico que está andando e tem uma massa inercial gigantesca? As pessoas ficam paralisadas. Dá uma espécie de paralisia cognitiva.
Eduardo – No calendário agrícola de uma tribo indígena você sabe que está na hora de plantar porque há vários sinais da natureza. Por exemplo, o rio chegou até tal nível, o passarinho tal começou a cantar, a árvore tal começou a dar flor. E a formiga tal começou a fazer não-sei-o-quê. O que eles estão dizendo agora é que esses sinais dessincronizaram. O rio está chegando a um nível antes de o passarinho começar a cantar. E o passarinho está cantando muito antes de aquela árvore dar flor. É como se a natureza tivesse saído de eixo. E isso todos eles estão dizendo. As espécies estão se extinguindo, e a humanidade parece que continua andando para um abismo. O mundo vai, de fato, piorar para muita gente, para todo mundo. Só o que vai melhorar é a taxa de lucro de algumas empresas, e mesmo os acionistas delas vão ter que talvez tirar a casa de luxo que eles têm na Califórnia e jogar para outro lugar, porque ali vai ter pegado fogo. Se houver uma epidemia, um vírus, uma pandemia letal, violenta, tipo ebola, pode pegar todo mundo. Enquanto os sujeitos têm corpo de carne e osso, ninguém está realmente livre, por mais rico que seja, do que vai acontecer. Mas é evidente que quem vai primeiro soçobrar serão os pobres, os danados da Terra, os condenados da Terra. Algumas pessoas estão começando a se preocupar, mas não conseguem fazer parar, porque todas as outras estão empurrando. E você diz: "para, para, para!". E você não consegue. Mas há muitas iniciativas pelo mundo de gente que percebeu que os estados nacionais, ou que as grandes tecnologias gigantescas, heroicas e épicas, não vão nos salvar. E que está nas nossas mãos nos salvarmos. Não está nas mãos dos nossos responsáveis. Não temos responsáveis. A ideia de que o governo é responsável por nós, a gente já viu que não é. Ele é irresponsável. Ele toma decisões irresponsáveis, destrói riquezas que ele não pode substituir, e, portanto, há um descrédito fortíssimo nas formas de representação.
Eduardo – As pessoas acham que o crescimento diminui a pobreza. O crescimento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. O capitalismo conseguiu melhorar a condição de vida do operariado europeu porque jogou para o Terceiro Mundo as condições miseráveis. Então, era o operário daqui sendo explorado para que os pobres operários de lá fossem menos explorados.
Eduardo – O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de transformação de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mestiçagem brasileira? Tiravam tudo, convertiam e diziam: agora, se vocês se comportarem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. Eles deixam de ser índios, mas não conseguem chegar a ser brancos. Pessoal, vocês precisam misturar para virar branco. Se vocês se esforçarem, melhorarem a raça, melhorarem o sangue, vai virar branco. O que chamam de mestiçagem é uma fraude. O nome é branqueamento. E é o que estão fazendo na Amazônia. É re-colonização. O Brasil está sendo recolonizado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. (...) Então, em vez de fazer o pobre ficar mais parecido com você, você tem que ajudar o pobre a ficar mais parecido com ele mesmo. O que é o pobre positivado? Não mais transformado em algo parecido comigo, mas transformado em algo que ele sempre foi, mas que impedem ele de ser ao torná-lo pobre. O quê? Índio. Temos de ajudá-los a lutar para que eles mesmos definam seu próprio rumo, em vez de nos colocarmos na posição governamental de: “Olha, eu vou tirar vocês da pobreza”. E fazendo o quê? Dando para eles consumo, consumo, consumo. Endividando, no cartão de crédito. Qual foi a grande carta de alforria que o governo Dilma deu ao pobre? O cartão de crédito. Hoje pobre tem cartão de crédito. Legal? Muito legal, sobretudo para as firmas que vendem as mercadorias que os pobres compram no cartão de crédito. Porque a Brastemp está adorando o cartão de crédito para pobre. As Casas Bahia estão nas nuvens. Porque o pobre agora pode se endividar. Eu provocava a esquerda, dizendo: “O que vocês não estão entendendo é o seguinte. Enquanto vocês tratarem o Outro como pobre, e portanto como alguém que tem que ser melhorado, educado, civilizado – porque no fundo é isso, civilizar o pobre! –, vocês vão estar sendo cúmplices de todo esse sistema de destruição do planeta que permitiu aos ricos serem ricos”.
Eliane – Vocês afirmam que os índios são especialistas em fim do mundo. E que vamos precisar aprender com eles. No livro, há até uma analogia com o filme de Lars Von Trier, no qual um planeta chamado Melancolia atinge a Terra. Vocês dizem que, em 1492, o Velho Mundo atingiu o Novo Mundo, como um planeta que vocês chamam ironicamente de Mercadoria. O que os índios podem nos ensinar sobre sobreviver ao fim do mundo?
Eduardo – Acho que os índios podem nos ensinar a repensar a relação com o mundo material, uma relação que seja menos fortemente mediada por um sistema econômico baseado na obsolescência planejada e, portanto, na acumulação de lixo como principal produto. Eles podem nos ensinar a voltar à Terra como lugar do qual depende toda a autonomia política, econômica e existencial. Em outras palavras: os índios podem nos ensinar a viver melhor em um mundo pior. Porque o mundo vai piorar. E os índios podem nos ensinar a viver com pouco, a viver portátil, e a ser tecnologicamente polivalente e flexível, em vez de depender de megamáquinas de produção de energia e de consumo de energia como nós. Quando eu falo índio é índio aqui, na Austrália, o pessoal da Nova Guiné, esquimó... Para mim, índio são todas as grandes minorias que estão fora, de alguma maneira, dessa megamáquina do capitalismo, do consumo, da produção, do trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu acho que os índios podem também nos ensinar a aceitar os imponderáveis, os imprevistos e os desastres da vida com o “pessimismo alegre” (expressão usada originalmente pelo filósofo francês François Zourabichvili, com relação a Deleuze, mas que aqui ganha outros sentidos). O pessimismo alegre caracteriza a atitude vital dos índios e demais povos que vivem à margem da civilização bipolar que é a nossa, que está sempre oscilando entre um otimismo maníaco e um desespero melancólico. Os índios podem nos ensinar a viver melhor num mundo pior. Viver é uma coisa que você tem que fazer de minuto a minuto, tem que viver o presente. E nós temos um problema, que é a dificuldade imensa em viver o presente. Os índios são pessoas que de fato vivem no presente no melhor sentido possível. Vamos tratar de viver o presente tal como ele é, enfrentando as dificuldades que ele apresenta, mas sem imaginar que a gente tem poderes messiânicos, demiúrgicos de salvar o planeta.
Eduardo – Para essa esquerda, ar, água, planta, bicho não faz parte do mundo. São pessoas completamente antropocêntricas, que veem o mundo à disposição dos homens, para ser dominado, controlado e escravizado. Então essa esquerda é uma esquerda sócia do capitalismo. Acha que é preciso levar o capitalismo até o fim, para que ele se complete, para que a industrialização se complete, para que a transformação de todos os índios do mundo em pobres se complete. Para que você então transforme o pobre em proletário, o proletário em classe revolucionária, ou seja, é uma historinha de fadas. Como se pudesse separar a parte boa da parte ruim do capitalismo. Como se fosse possível: isso aqui eu quero, isso aqui eu não quero. Outra coisa, essa esquerda fez um pacto satânico com a direita, que é o seguinte: a gente gosta dos pobres, quer melhorar a vida deles, quer melhorar o nível de renda deles, mas não vai tocar no bolso de vocês, fiquem tranquilos. É o que está dito na Carta ao Povo Brasileiro (documento escrito por Lula na campanha eleitoral de 2002). E foi exatamente isso o que aconteceu. Ou seja, os bancos nunca lucraram tanto. Veja o tamanho das algemas que a esquerda se pôs. De onde é que vai vir, então, a grana para melhorar a vida dos pobres? Só tem um lugar. Da natureza. Então você superexplora, você queima os móveis da casa. Aumentou o dinheiro disponível para dar umas migalhas para os pobres, o bolo cresceu. Não é por acaso que o Delfim Netto (ministro da Fazenda no período do chamado “Milagre Econômico Brasileiro”, na ditadura civil-militar) é um grande conselheiro do Lula. Primeiro é preciso crescer para depois distribuir. Está crescendo, está dando renda para os pobres, mas esse dinheiro não está saindo do bolso dos ricos. Está saindo da natureza, da floresta destruída. É da água que a gente está exportando para a China sob a forma de boi, de carne e de soja. O dinheiro tem que sair de algum lugar. Não está saindo de empréstimo internacional, mas está saindo de empréstimo natural. Esse empréstimo não dá para pagar. Quando a natureza vier cobrar, estaremos fritos. E a natureza está cobrando de que forma? Seca, tufão, furacão, enchente... E no Brasil ainda não chegou a barra pesada.
Eduardo – Como diz o (antropólogo) Beto Ricardo (um dos fundadores do Instituto Socioambiental), o Brasil é como se fosse dividido entre uma grande São Bernardo e uma grande Barretos. Quer dizer, a zona rural vai ser como Barretos (cidade do interior paulista onde se faz a maior festa country do país): gado, rodeio, bota, chapéu e 4X4. E a parte urbana vai ser uma grande São Bernardo (cidade do chamado ABC Paulista, onde Lula se tornou líder sindical metalúrgico nas grandes greves da virada dos anos 70 para os 80): fábricas, metalurgia, motores, carros.
Eliane – Acho que foi a Isabelle Stengers (filósofa belga) que disse que “o capitalismo pode não se preocupar com a atmosfera, mas é muito mais grave que a atmosfera não se preocupe com o capitalismo”. Você, Eduardo, afirma que é mais fácil imaginar o fim do capitalismo do que o fim do mundo, mas que teremos de imaginar os dois. Mas quem fala no fim do capitalismo é visto como alguém que está viajando, que está fora da realidade. Se essa é também uma crise de imaginação, como fazer isso, na medida em que seria imaginação contra poder?
Eduardo – Para imaginar o não fim do mundo, nós temos que imaginar o fim do capitalismo. E isso é extremamente difícil. Porque a questão do capitalismo nunca foi substituir, mas somar, sobrepor. Essa coisa de que o petróleo iria substituir o carvão, porque o petróleo é menos poluente do que o carvão, não é verdade. Está se consumindo mais carvão do que petróleo. Agora está se usando energia nuclear, energia eólica, energia solar. Isso não baixou o consumo de petróleo. O que está acontecendo é que nós estamos acrescentando fontes de energia, ou seja, não para nunca. Quanto mais melhor.
Eduardo – Reconhecer direitos aos demais viventes não é reconhecer direitos humanos aos demais viventes. É reconhecer direitos característicos e próprios daquelas diferentes formas de vida. Os direitos de uma árvore não são os mesmos direitos de um cidadão brasileiro da espécie homo sapiens. O que não quer dizer, entretanto, que ela não tenha direitos. Por exemplo, o direito à existência, que só pode ser negado sob condições que exigem reflexão. Os índios não acham que as árvores são iguais a eles. O que eles acham simplesmente é que você não faz nada impunemente. Todo ser vivo, com exceção dos vegetais, tem que tirar a vida de um outro ser vivo para sobreviver. A diferença está no fato de que os índios sabem disso. E sabem que isso é algo sério. Nós estamos acostumados a fazer a nossa caça nos supermercados, não somos mais capazes de olhar de frente uma galinha antes de matá-la para comer. Assim, perdemos a consciência de que nós vivemos num mundo em que viver é perigoso e traz consequências. E que comer tem consequências. Os animais seriam pessoas no sentido de que eles possuem valor intrínseco, eles têm direito à vida, e só podemos tirar a vida deles quando a nossa vida depende disso. Isso é uma coisa que, para os índios, é absolutamente claro. Se você matar à toa, você vai ter problemas. Eles não estão dizendo que é tudo igual. Eles estão dizendo que tudo possui um valor intrínseco e que mexer com isso envolve você mesmo. Acho que o símbolo da nossa relação com o mundo, hoje, é o tipo de guerra que os Estados Unidos fazem com os drones, aqueles aviões não tripulados, ou apertando um botão. Ou seja, você nem vê a desgraça que você está produzindo. Nós todos, hoje, estamos numa relação com o mundo cujo símbolo seria o drone. A pessoa está lá nos Estados Unidos apertando um botão num computador, aquilo vai lá para o Paquistão, joga uma bomba em cima de uma escola, e a pessoa que apertou o botão não está nem sabendo o que está acontecendo. Ou seja, nós estamos distantes. As consequências de nossas ações estão cada vez mais separadas das nossas ações. O índio que vai para o mato e tem que flechar o inimigo, ele tem que arcar com as consequências psicológicas, morais, simbólicas disso. Aquele soldadinho americano que está num quartel nos Estados Unidos, apertando um botão, ele nem sabe o que está fazendo. Porque ele está longe. Você cada vez mais distancia os efeitos das suas ações de você mesmo. Então nós somos todos drones nesse sentido. A gente compra carne no supermercado quadradinha, bem embaladinha, refrigeradinha, sem cara de bicho. E você está o mais longe possível daquela coisa horrorosa que é o matadouro. Daquela coisa horrorosa que são as fazendas em que as galinhas estão enfiadas em gaiolas apertadas. Se o pessoal lembrar que 50% das galinhas que nascem são galos e que esses 50% que nascem são triturados ao nascer para virar ração animal porque não colocam ovos, talvez não conseguissem comer galinhas. Se você mostrasse que metade dos pintinhos vão todos vivos para uma máquina que tritura, talvez melhorasse um pouco. Mas as pessoas não querem saber disso. Nisso, nós somos iguaizinhos ao soldado americano que aperta o botão para matar inocentes no Paquistão. Nós fazemos a mesma coisa com as galinhas. Nós somos todos drones. Temos uma relação com o mundo igual à que os Estados Unidos tem com suas máquinas de guerra. Somos como os pilotos da bomba atômica que não sabiam bem o que estavam fazendo quando soltaram a bomba atômica em cima de Hiroshima. Dissociação mental. Essa coisa de não se dar conta do que a gente está fazendo, por um lado está aumentando. Mas, por outro lado, com a mudança climática, as pessoas estão começado a perceber que o que elas estão fazendo está influenciando o mundo. Estamos num momento crucial: por um lado o aumento brutal do modelo drone, com tudo cada vez mais distante, e, por outro, as catástrofes batendo na sua porta. O mar está subindo, o furacão está chegando, a seca está vindo.
"Isto que Marina Silva agora faz é velha politicagem, jamais nova política. (...) Se a intenção de parte do eleitorado era destronar o PT e Dilma a qualquer custo, então que votasse num partido mais à esquerda (sim, eles existem) e não num partido que reza na cartilha do datado neoliberalismo que levou à convulsão social e ao desemprego massivo países europeus sólidos como França e Espanha, e que quase levou o Brasil à bancarrota, na era FHC. Este, por sua vez, sociólogo pós-graduado na Universidade de Paris, tem como hobby disparar frases infelizes, como a recente declaração preconceituosa e separatista sobre os nordestinos e seu voto, segundo ele, catequizado. Com todo o respeito que possa merecer, o ex-presidente está na Idade Média da Sociologia. Avançamos muito nos últimos anos em termos de 'pensamento social'. Não há porque retroceder." (Zeca Baleiro)
Meritocracia, trapaça e depressão
(George Monbiot)
O fundamentalismo de mercado, amplamente conhecido por neoliberalismo, gira em torno da noção de mérito. A competição irrestrita recompensaria as pessoas talentosas, que trabalham duro e inovam. Ela romperia com as hierarquias e criaria um mundo de oportunidades e mobilidade. Mas a realidade é bem diferente.
Mesmo no início do processo, quando os mercados foram desregulamentados pela primeira vez, não começamos com oportunidades iguais. Algumas pessoas já estavam bem à frente antes de ser dada a largada. Foi assim que as oligarquias russas conseguiram acumular tanta riqueza quando a União Soviética chegou ao fim. Eles não eram, em sua maioria, os mais talentosos, trabalhadores ou inovadores, mas sim os menos escrupulosos, os mais grosseiros e com os melhores contatos, frequentemente na polícia secreta — a KGB.
O neoliberalismo acaba sendo uma trapaça egoísta, e seus gurus e thinktanks financiados desde o início por algumas das pessoas mais ricas do mundo. O mercado deveria nos libertar, oferecendo autonomia e liberdade. Em vez disso, entregou atomização e solidão.
O local de trabalho foi envolvido por uma estrutura louca, kafkiana, de monitoramento, medição, vigilância e auditorias, orientada centralmente, planejada de forma rígida e cujo objetivo é recompensar os vencedores e punir os perdedores. Ela destrói a autonomia, o empreendimento, a inovação e a lealdade e gera frustração, inveja e medo. Em nome da autonomia e da liberdade, acabamos controlados por uma burocracia esmagadora e anônima.
Paul Verhaeghe, um professor belga de psicanálise, escreve em seu livro 'What About Me?' que essas mudanças vieram acompanhadas de um aumento espetacular em certas condições psiquiátricas: automutilação, distúrbios de alimentação, depressão e distúrbios de personalidade. Dentre os distúrbios de personalidade, os mais comuns são ansiedade por desempenho e fobia social: ambos refletem um medo da outra pessoa, que é percebida tanto como avaliadora quanto como competidora, as únicas funções que o fundamentalismo de mercado admite para a sociedade. Somos atormentados pela depressão e pela solidão.
(George Monbiot)
O fundamentalismo de mercado, amplamente conhecido por neoliberalismo, gira em torno da noção de mérito. A competição irrestrita recompensaria as pessoas talentosas, que trabalham duro e inovam. Ela romperia com as hierarquias e criaria um mundo de oportunidades e mobilidade. Mas a realidade é bem diferente.
Mesmo no início do processo, quando os mercados foram desregulamentados pela primeira vez, não começamos com oportunidades iguais. Algumas pessoas já estavam bem à frente antes de ser dada a largada. Foi assim que as oligarquias russas conseguiram acumular tanta riqueza quando a União Soviética chegou ao fim. Eles não eram, em sua maioria, os mais talentosos, trabalhadores ou inovadores, mas sim os menos escrupulosos, os mais grosseiros e com os melhores contatos, frequentemente na polícia secreta — a KGB.
O neoliberalismo acaba sendo uma trapaça egoísta, e seus gurus e thinktanks financiados desde o início por algumas das pessoas mais ricas do mundo. O mercado deveria nos libertar, oferecendo autonomia e liberdade. Em vez disso, entregou atomização e solidão.
O local de trabalho foi envolvido por uma estrutura louca, kafkiana, de monitoramento, medição, vigilância e auditorias, orientada centralmente, planejada de forma rígida e cujo objetivo é recompensar os vencedores e punir os perdedores. Ela destrói a autonomia, o empreendimento, a inovação e a lealdade e gera frustração, inveja e medo. Em nome da autonomia e da liberdade, acabamos controlados por uma burocracia esmagadora e anônima.
Paul Verhaeghe, um professor belga de psicanálise, escreve em seu livro 'What About Me?' que essas mudanças vieram acompanhadas de um aumento espetacular em certas condições psiquiátricas: automutilação, distúrbios de alimentação, depressão e distúrbios de personalidade. Dentre os distúrbios de personalidade, os mais comuns são ansiedade por desempenho e fobia social: ambos refletem um medo da outra pessoa, que é percebida tanto como avaliadora quanto como competidora, as únicas funções que o fundamentalismo de mercado admite para a sociedade. Somos atormentados pela depressão e pela solidão.
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sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Quem não vai votar em Tarso Genro (PT) para governador do Rio Grande do Sul PRECISA ver e ouvir esta entrevista com o candidato José Ivo Sartori (PMDB).
A fala de ninguém: sobre a retórica de Aécio
(Saulo Dourado)
(...)
A razão defendida promove sim a análise mais fina da realidade, mas se utilizada a favor da realidade: ela também pode ser um modo de se estar fora, acima dela, e não tocá-la apesar de fingir com eficiência que sim. Quem confia tanto no poder do discurso, o que não vale apenas para os candidatos, talvez já tenha descolado as palavras das coisas e sabe que pode manusear as coisas por uma via de interesse, se as palavras apontarem para outra. Ou ter a justificativa pronta antes de qualquer acontecimento, a ponto de enquadrá-lo previamente no que se deseja. Pelo olhar triunfante, o meio sorriso, a ironia programada, que se repetem entre perguntas e respostas, tenho em Aécio a sensação de que as coisas mesmas não importam, só os fins. Até quando relatou uma história de sua avó, no debate da Globo, se comunicava como quem ensaia e sabe dos efeitos que vai causar, sem ter sequer a imagem do conteúdo entre os seus olhos.
A retórica é uma técnica antiga, dos gregos ainda, apropriada aos debates na ágora. Desde lá, sabe-se que o manuseio habilidoso pode convencer multidões em causa própria e que alguns homens, ditos os sofistas, eram capazes de defender tão bem quanto atacar um mesmo conteúdo. Votações inteiras, que diziam de assuntos reais, como guerras e condenações, poderiam ser decididas por jogos de palavras, onde nem as guerras nem as condenações entravam de fato, e sim as tendências e os interesses periféricos. Quem os denunciou foi Sócrates, com o ardil de desenvolver o seu próprio método, que conseguia colocar as palavras do oponente contra ele mesmo e provar o vazio do conteúdo. Dilma não é nenhum Sócrates: não sabe retirar o feitiço do oponente, evidenciar o jogo. Ela responde a Aécio como se ele de fato lhe estivesse falando, como se ele estivesse interessado nos temas e não nos impactos. Os recursos de Aécio ficam ainda mais em evidência neste vai-e-vem, e ele parece ainda mais habilidoso em dispor de qualquer ideia ante qualquer outra. Dilma assim ora acerta ora erra. No entanto, este “descuido”, que a faz parecer acreditar que o outro está presente, é o que a torna presente. A variação e a preocupação em conseguir alguma realidade ao expressar-se, ainda que equivocada, mostra o mínimo de contato, e é o contato que eu ao menos espero da política.
(Saulo Dourado)
(...)
A razão defendida promove sim a análise mais fina da realidade, mas se utilizada a favor da realidade: ela também pode ser um modo de se estar fora, acima dela, e não tocá-la apesar de fingir com eficiência que sim. Quem confia tanto no poder do discurso, o que não vale apenas para os candidatos, talvez já tenha descolado as palavras das coisas e sabe que pode manusear as coisas por uma via de interesse, se as palavras apontarem para outra. Ou ter a justificativa pronta antes de qualquer acontecimento, a ponto de enquadrá-lo previamente no que se deseja. Pelo olhar triunfante, o meio sorriso, a ironia programada, que se repetem entre perguntas e respostas, tenho em Aécio a sensação de que as coisas mesmas não importam, só os fins. Até quando relatou uma história de sua avó, no debate da Globo, se comunicava como quem ensaia e sabe dos efeitos que vai causar, sem ter sequer a imagem do conteúdo entre os seus olhos.
A retórica é uma técnica antiga, dos gregos ainda, apropriada aos debates na ágora. Desde lá, sabe-se que o manuseio habilidoso pode convencer multidões em causa própria e que alguns homens, ditos os sofistas, eram capazes de defender tão bem quanto atacar um mesmo conteúdo. Votações inteiras, que diziam de assuntos reais, como guerras e condenações, poderiam ser decididas por jogos de palavras, onde nem as guerras nem as condenações entravam de fato, e sim as tendências e os interesses periféricos. Quem os denunciou foi Sócrates, com o ardil de desenvolver o seu próprio método, que conseguia colocar as palavras do oponente contra ele mesmo e provar o vazio do conteúdo. Dilma não é nenhum Sócrates: não sabe retirar o feitiço do oponente, evidenciar o jogo. Ela responde a Aécio como se ele de fato lhe estivesse falando, como se ele estivesse interessado nos temas e não nos impactos. Os recursos de Aécio ficam ainda mais em evidência neste vai-e-vem, e ele parece ainda mais habilidoso em dispor de qualquer ideia ante qualquer outra. Dilma assim ora acerta ora erra. No entanto, este “descuido”, que a faz parecer acreditar que o outro está presente, é o que a torna presente. A variação e a preocupação em conseguir alguma realidade ao expressar-se, ainda que equivocada, mostra o mínimo de contato, e é o contato que eu ao menos espero da política.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
5 coisas que só criança faz
"Em 2011, a psicóloga Gabriele Oettingen, da New York University, publicou os resultados de um estudo elegante, conduzido com sua colega Heather Kappes, no qual os participantes foram privados de água. Alguns desses voluntários foram guiados a um exercício de visualização, no qual se pedia para eles imaginarem um copo de água gelada. Depois, medindo a pressão de todo mundo, Oettingen descobriu que o exercício baixou o nível de energia das pessoas e as relaxou. Pensar num copo imaginário de água gelada deixa as pessoas MENOS motivadas para levantar e ir até a geladeira, onde poderia pegar a coisa real. A conclusão é o contrário do senso comum. Oettingen mostrou que sonhar com o que você quer dificulta consegui-lo na realidade. Gurus motivacionais há tempo defendem que o cérebro 'não consegue distinguir realidade e imaginação'. Ironicamente, os experimentos de Oettingen provam que eles estavam certos – mas também que a conclusão que eles desenhavam está espetacularmente errada. Experienciar um sucesso como se ele já tivesse se materializado é um atalho rápido para o desapontamento." (Oliver Burkerman/The Guardian)
Deep Web e suas CAMADAS!
(facebook.com/br.DeepWeb)
- Level 0 Web (primeira camada) – Common Web:
É a ponta do iceberg, é basicamente tudo que você conhece e acha que é o limite, que até a sua avó acessa, é a parte onde aparece no Google e todo mundo acessa normalmente e sem medo (teoricamente).
- Level 1 Web (segunda camada) – Surface Web:
Ainda não estando muito fundo, é a parte mais “escura” da internet normal que você usa, é o lugar aonde sites como Reddit, Newgrounds, sites eróticos e Bancos de Dados de sites comuns ficam, mas ainda são fáceis de ser acessados por qualquer um.
- Level 2 Web (terceira camada) – Bergie Web:
Esse é o mais fundo que qualquer usuário consegue chegar sem nenhum conhecimento de programação, esse é o limite que o “Google” consegue indexar no seu buscador, nessa camada ficam hospedagens de sites, hackers conhecidos, 4chan entre outros sites que são conhecidos por todos – ou não.
- Level 3 Web (quarta camada) – Deep Web:
E chegamos no meio do nosso iceberg, aqui é a Deep Web, onde só acessado com Proxy, aqui aonde fica escondido o que você pensava que não existia na internet, você pode encontrar arquivos, artigos sobre vírus, conteúdo adulto pesado/ilegal, manuais de suicídio, entre outras coisas além do nosso conhecimento.
- Level 4 Web (quinta camada) – Charter Web:
Aqui é a verdadeira Deep Web, onde você precisa ter um pouco de atenção se você chegou até aqui provavelmente tenha conhecimento sobre Proxy e os navegadores próprios para o uso da camada (TOR), é o máximo que muita gente conseguiu chegar, aqui você encontra literalmente de tudo que eu havia citado, tudo que você precisa você encontrará aqui, livros, artigos, arquivos, downloads de música e de filmes, e para o povo mais “hardcore“, encontraria os conteúdos pesados como pornografia pesada(leia-se: estranha), arquivos militares, contratação de hackers e crackers, fóruns da Anonymous, pedofilia, necrofilia, exemplos de suicídio, assassinos e exemplo de assassinatos, entre outras coisas realmente “cabulosas” ou até mesmo ilegais, mas calma pequeno padawan não precisa ter medo, porque você só encontraria se quisesse e procurasse, como você viu anteriormente, nada na Deep Web é jogado na sua cara, se chegou até aqui foi através de pesquisa ou curiosidade. Lembre-se do ditado sobre curiosidade e como o gato se deu mal com isso.
- Level 5 Web (sexta camada) – Mariana’s Web:
A partir desta camada, é aonde a “mitologia virtual” começa (não há como confirmar a veracidade dessas camadas), são apenas lendas virtuais que são interessantes de estudar. Aqui que toda a parte da Internet se encontra mas é quase impossível de ser acessada, a famosa Mariana’s Web está fora do alcance de muitos e mesmo consigam acessar até a Charter Web teriam dificuldades extremas para chegar até aqui, segundo informações retiradas de vários sites, você necessita resolver o “Polymeric Falcighol Derivation“, que são mecânicas quânticas necessárias para conseguir acessar essa parte da DW, aqui é aonde a verdadeira parte perigosa está, aonde poucos tem a habilidade de conseguir acessar e os que estão aqui provavelmente não estão querendo boa coisa. Aqui você pode encontrar teorias da conspiração (diferentes e mais relevantes que você está costumado a ouvir sobre, algumas até realmente chocantes), experimentos físicos e termo-nucleares, Inteligência Artificial, experimentos de clonagens, algorítimos geométricos, redes de assassinos, construção de supercomputadores, bases de dados militares e governamentais, e até a verdadeira localização da perdida “Atlantis”. Aqui é aonde você deve ter cuidado onde você entrará, porque aqui você estará entrando em um risco muito grande. Muitos dizem que já entraram na Mariana’s Web, mas poucos conseguem dizer o que há realmente lá dentro, mas é algo bem maior do que você consegue imaginar, vai além da sua imaginação, muito do que pode ser encontrado nessa camada, você acharia que era um filme fictício.
- Level 6 Web (sétima camada) – ?
Aqui é a linha entre a sexta camada, e a oitava camada, não muda muita coisa.
- Level 7 Web (oitava camada) – The Fog/Virus Soup
Não há melhor forma de explicar o Sétimo Nível como um “campo de batalha”, aqui é aonde verdadeiros hackers que tem conhecimentos físicos, quânticos, entre outros elementos da física estão, aqui é aonde todos tentam entrar na última camada, que seria o Level 8, enquanto tentam entrar, eles tentam impedir os outros de chegar, é basicamente a verdadeira guerra da Internet aonde ninguém está vendo, e é o ultimo lugar no universo que você gostaria de estar.
- Level 8 Web (última camada) – The Primarch System
Este nível é praticamente impossível de ser acessada diretamente. O “Sistema Primarca” é que controla a internet e tudo que vemos e ouvimos, não há governos ou organizações que conseguem ter o controle dessa camada, ninguém sabe o que tem nessa camada, ela foi anonimamente descoberta no começo dos anos 2000, esse sistema envia informações inalteráveis e invisíveis para toda a internet (sim, literalmente 100% de tudo que você conhece e não conhece), de forma aleatória, há muitas teorias da conspiração do que pode ter nessa internet, como teorias de seres de outro mundo, outras dimensões que controlam o nosso mundo, aqui é o verdadeiro desconhecido.
(facebook.com/br.DeepWeb)
- Level 0 Web (primeira camada) – Common Web:
É a ponta do iceberg, é basicamente tudo que você conhece e acha que é o limite, que até a sua avó acessa, é a parte onde aparece no Google e todo mundo acessa normalmente e sem medo (teoricamente).
- Level 1 Web (segunda camada) – Surface Web:
Ainda não estando muito fundo, é a parte mais “escura” da internet normal que você usa, é o lugar aonde sites como Reddit, Newgrounds, sites eróticos e Bancos de Dados de sites comuns ficam, mas ainda são fáceis de ser acessados por qualquer um.
- Level 2 Web (terceira camada) – Bergie Web:
Esse é o mais fundo que qualquer usuário consegue chegar sem nenhum conhecimento de programação, esse é o limite que o “Google” consegue indexar no seu buscador, nessa camada ficam hospedagens de sites, hackers conhecidos, 4chan entre outros sites que são conhecidos por todos – ou não.
- Level 3 Web (quarta camada) – Deep Web:
E chegamos no meio do nosso iceberg, aqui é a Deep Web, onde só acessado com Proxy, aqui aonde fica escondido o que você pensava que não existia na internet, você pode encontrar arquivos, artigos sobre vírus, conteúdo adulto pesado/ilegal, manuais de suicídio, entre outras coisas além do nosso conhecimento.
- Level 4 Web (quinta camada) – Charter Web:
Aqui é a verdadeira Deep Web, onde você precisa ter um pouco de atenção se você chegou até aqui provavelmente tenha conhecimento sobre Proxy e os navegadores próprios para o uso da camada (TOR), é o máximo que muita gente conseguiu chegar, aqui você encontra literalmente de tudo que eu havia citado, tudo que você precisa você encontrará aqui, livros, artigos, arquivos, downloads de música e de filmes, e para o povo mais “hardcore“, encontraria os conteúdos pesados como pornografia pesada(leia-se: estranha), arquivos militares, contratação de hackers e crackers, fóruns da Anonymous, pedofilia, necrofilia, exemplos de suicídio, assassinos e exemplo de assassinatos, entre outras coisas realmente “cabulosas” ou até mesmo ilegais, mas calma pequeno padawan não precisa ter medo, porque você só encontraria se quisesse e procurasse, como você viu anteriormente, nada na Deep Web é jogado na sua cara, se chegou até aqui foi através de pesquisa ou curiosidade. Lembre-se do ditado sobre curiosidade e como o gato se deu mal com isso.
- Level 5 Web (sexta camada) – Mariana’s Web:
A partir desta camada, é aonde a “mitologia virtual” começa (não há como confirmar a veracidade dessas camadas), são apenas lendas virtuais que são interessantes de estudar. Aqui que toda a parte da Internet se encontra mas é quase impossível de ser acessada, a famosa Mariana’s Web está fora do alcance de muitos e mesmo consigam acessar até a Charter Web teriam dificuldades extremas para chegar até aqui, segundo informações retiradas de vários sites, você necessita resolver o “Polymeric Falcighol Derivation“, que são mecânicas quânticas necessárias para conseguir acessar essa parte da DW, aqui é aonde a verdadeira parte perigosa está, aonde poucos tem a habilidade de conseguir acessar e os que estão aqui provavelmente não estão querendo boa coisa. Aqui você pode encontrar teorias da conspiração (diferentes e mais relevantes que você está costumado a ouvir sobre, algumas até realmente chocantes), experimentos físicos e termo-nucleares, Inteligência Artificial, experimentos de clonagens, algorítimos geométricos, redes de assassinos, construção de supercomputadores, bases de dados militares e governamentais, e até a verdadeira localização da perdida “Atlantis”. Aqui é aonde você deve ter cuidado onde você entrará, porque aqui você estará entrando em um risco muito grande. Muitos dizem que já entraram na Mariana’s Web, mas poucos conseguem dizer o que há realmente lá dentro, mas é algo bem maior do que você consegue imaginar, vai além da sua imaginação, muito do que pode ser encontrado nessa camada, você acharia que era um filme fictício.
- Level 6 Web (sétima camada) – ?
Aqui é a linha entre a sexta camada, e a oitava camada, não muda muita coisa.
- Level 7 Web (oitava camada) – The Fog/Virus Soup
Não há melhor forma de explicar o Sétimo Nível como um “campo de batalha”, aqui é aonde verdadeiros hackers que tem conhecimentos físicos, quânticos, entre outros elementos da física estão, aqui é aonde todos tentam entrar na última camada, que seria o Level 8, enquanto tentam entrar, eles tentam impedir os outros de chegar, é basicamente a verdadeira guerra da Internet aonde ninguém está vendo, e é o ultimo lugar no universo que você gostaria de estar.
- Level 8 Web (última camada) – The Primarch System
Este nível é praticamente impossível de ser acessada diretamente. O “Sistema Primarca” é que controla a internet e tudo que vemos e ouvimos, não há governos ou organizações que conseguem ter o controle dessa camada, ninguém sabe o que tem nessa camada, ela foi anonimamente descoberta no começo dos anos 2000, esse sistema envia informações inalteráveis e invisíveis para toda a internet (sim, literalmente 100% de tudo que você conhece e não conhece), de forma aleatória, há muitas teorias da conspiração do que pode ter nessa internet, como teorias de seres de outro mundo, outras dimensões que controlam o nosso mundo, aqui é o verdadeiro desconhecido.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Anatomia de um debate
(Pablo Villaça)
Assim que o debate entre Dilma e Aécio chegou ao fim, li algumas pessoas criticando a dicção da presidente. Mesmo, amigos? Chegamos a isso? Não sabia que Dilma estava concorrendo ao posto de Mestre Intergaláctica de Oratória. Achei, sinceramente, que o mais importante fosse o CONTEÚDO do que estava sendo dito, não a forma - e, neste aspecto, Dilma moeu Aécio Neves.
Não que isto seja difícil: depois de uma carreira inteira em uma Minas Gerais com uma imprensa amordaçada, Aécio perdeu a capacidade de lidar com o contraditório - e, talvez por isso, em vários momentos ergueu a voz e o dedo para a presidente (assim como havia feito com Luciana Genro) e se mostrou descontrolado. Para debater, é preciso conteúdo e honestidade. E ajuda, também, se o candidato tiver ideias para apresentar e, principalmente, se puder falar com orgulho do que já fez. E Aécio não tem e não pode, como ficou muito claro neste confronto.
Não é à toa que, ao final do debate, Dilma sugeriu que os telespectadores fossem ao Google pesquisar e confirmar as informações que ofereceu, enquanto Aécio sugeriu que as pessoas fossem consultar... o site do PSDB.
Aliás, devo citar aqui o bom apontamentodo cineasta Kléber Mendonça Filho (do magistral O Som ao Redor): "Nunca vi isso nos 20 anos que acompanho a política no Brasil. Um candidato de oposição que não quer propor mudança no sistema, mas dar seguimento a projetos revolucionários que o governo que ele quer desbancar conseguiu implantar."
Esta foi a dinâmica de Aécio: depois de criticar por anos, ao lado do PSDB, o Bolsa-Família, chamando-a de Bolsa-Esmola, ele subitamente se mostrou determinado a dizer que esta foi invenção de seu partido. Agora imaginem: seus eleitores insistem em gritar contra o programa, seu partido o atacou por anos (até mesmo em editorial no site tucano)(1) e, subitamente, Aécio quer assumir sua paternidade. Anos e anos e anos com o PT explicando que a Bolsa Família era um grande avanço, os caras dizendo que era "esmola", que era "assistencialismo barato", e agora tentam se apropriar da autoria da ideia.
Mas me adianto.
O que vimos neste debate foi um espetáculo mentiras por parte de Aécio. E como na Internet mentira tem perna curta, creio ser fundamental, para os eleitores indecisos, constatarem como o presidenciável não se intimida em faltar com a verdade de maneira incrivelmente cínica. Analisemos sua participação no debate em ordem cronológica:
1) Já de início, antes mesmo de o debate começar, Aécio disse na porta da Band que fazia "uma campanha só de verdades". Curioso, porque uma das coisas que vem dizendo é que vai transformar o Bolsa-Família em lei. Ora, ele não sabe que ela já é lei desde 2004, quando a Medida Provisória 132/2003 se transformou, em janeiro de 2004, na Lei 10836/04? (2)
2) Em seguida, Aécio afirmou que o Brasil "perdeu credibilidade no exterior". Provavelmente não leu, entre outras coisas, a análise que a FORBES fez sobre Dilma e o país há poucos meses.(3)
3) Logo depois, o presidenciável afirmou, sem hesitar, que as contas da Saúde de seu governo foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Não. (4) Para piorar, quando Dilma afirmou que o parecer do TCE poderia ser verificado online, o site, que fica sob os cuidados do atual governo tucano de MG (que, felizmente, será substituído em janeiro), simplesmente SAIU DO AR E NÃO RETORNOU ATÉ O MOMENTO EM QUE PUBLICO ESTE POST, 8 horas depois. Mas há outras fontes.(5)(6)
4) Aécio diz que MG foi o Estado que mais investiu em Saúde durante seu governo. Opa: dos 26 estados (mais o DF) da União, MG ficou em 24o. lugar. Sim, 24o entre 27.(7)
5) Dilma apontou que Aécio ameaçava acabar com os bancos públicos e este negou veementemente. Ora, deveria ter consultado Armínio Fraga, que ele já anunciou que será seu Ministro da Fazenda e que declarou, quanto ao BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil, que, se assumirem, "nem sabe o que vai sobrar deles".(8) Aliás, há ÁUDIO de Fraga dizendo isso.(9)
6) Aliás, quando Dilma fez questionamentos sobre Armínio Fraga, Aécio disse que ela estava "preocupada" demais com este. Ora, e deveria mesmo estar - não só como ela, mas também o eleitor. Quando Fraga assumiu a presidência do BC, em 1999, elevou a taxa de juros a 45% ao ano. Nos três anos seguintes, sabem o que aconteceu com a inflação que os tucanos insistem em dizer que controlaram? Ela DOBROU de tamanho, indo de 6,5%, em 2000, para 12,5% em 2002.(10) Aécio, vale apontar, é bem corajoso ao tentar falar de inflação com Dilma, já que, ao contrário do que ele tenta fazer parecer, a média anual da inflação nos anos Dilma é a segunda MENOR em CINCO MANDATOS PRESIDENCIAIS, sendo bem próxima à de Lula e muito inferior à de FHC.(11)
7) Confrontado com relação ao "choque de gestão" em MG, Aécio afirmou que as finanças do estado estão saudáveis. Outra mentira: Minas está quebrada.(12) O mais incrível: ao voltar a falar sobre o Bolsa Família, Aécio disse que o Plano Real foi um programa de "redistribuição de renda" muito mais eficiente. De onde tirou isso, não sei, mas - claro - não é verdade.(13)
8) Quando o assunto mudou para Educação, Aécio deu outro show de desinformação. Em primeiro lugar, cobrou de Dilma resultados das escolas públicas MUNICIPAIS e ESTADUAIS, que, como já fica claro pelo... ora... pelo "municipais e estaduais", são responsabilidade do município e dos estados - COMO DETERMINA A CONSTITUIÇÃO. O pior: Aécio afirmou que MG tem a "melhor educação do país" - mas como isto pode ser possível se, de novo, entre 26 estados (mais o DF), Minas ficou em 24o. em termos de investimento na Educação?(14) Além disso, os professores mineiros ABOMINAM Aécio Neves (15)(16)
9) A seguir, Dilma trouxe à baila a questão da corrupção. E apontou como, ao contrário do que houve nos anos FHC, a era Lula-Dilma criou mecanismos de investigação e condições para que a PF agisse de forma eficaz. Basta dizer que nos OITO anos de FHC, apenas 48 operação da PF foram feitas, enquanto nos doze anos de Lula e Dilma, foram realizadas MAIS DE DUAS MIL OPERAÇÕES. Isto para não mencionar o fato de que o procurador-geral da época engavetava todas as denúncias.(17) Dilma apontou também que nenhum tucano jamais foi investigado por todos os desmandos do mensalão tucano mineiro, do cartel do metrô, da privataria, do banco Marka, da SUDAM, etc, etc, etc.
10) Aécio insistiu em dizer que Dilma se mostrava obstinada em olhar pra trás, enquanto ele queria olhar pra frente. Dá pra entender por que ele prefere olhar para um futuro hipotético do que para o passado, com todos os seus dados e fatos registrados.(18)
11) Em seguida, Aecio disse que foi "inocentado" com relação ao aecioporto. Mentira. A procuradoria-geral disse que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o MPE para investigação de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA do governo tucano.(19)
12) Veio, então, a parte mais inacreditável do debate. Dilma questionou os vários parentes que Aécio mantém empregados em seu governo. Ele negou que isto fosse verdade e disse, por exemplo, que sua irmã não trabalha com ele. Esta fez MG rir em conjunto, já que Andrea Neves foi uma das figuras mais poderosas do governo Aécio. Tanto que entrou numa lista das 60 pessoas MAIS PODEROSAS DO PAÍS (na 42a. posição)(20)(21) Isto para não mencionar que, sim, ele empregou outros parentes.(22)(23)
13) A seguir, Dilma perguntou a Aécio sobre "violência contra a mulher". Do ponto de vista de estratégia de debate, era óbvio que ela fazia referência a algo específico para desconcertar o oponente.(24) Conseguiu.(A propósito: Aécio ameaçou, mas curiosamente não processou Kfouri pelo que este publicou em seu blog.)
14) Aécio criticou empréstimo do BNDES a Cuba. Ué, e o feito por FHC, podia?(25)
15) Aécio tenta criticar os investimentos de Dilma na área das escolas técnicas. O governo do PT criou 214. O de FHC? ZERO. Aécio nem deveria ter tocado neste assunto.(26) Como se não bastasse, Aécio disse que Dilma não cumpriu promessa de construir seis mil creches. Outra mentira.(27)
16) Logo a seguir, outro momento em que Aecio se perdeu totalmente. Dilma questionou - e atenção para isso - o investimento que o GOVERNO DE MG fez em anúncios nas rádios PERTENCENTES À FAMÍLIA DE AECIO. Ele negou que isto tenha acontecido. Ops.(28)(29)(30)(31)(32)
17) Dilma levantou, então, a questão dos quase CEM MIL servidores públicos contratados IRREGULARMENTE por Aécio no governo de MG. Ele mais uma vez negou qualquer irregularidade. Mentira. Uma mentira, aliás, que foi custar os empregos destas quase cem mil pessoas numa lei que Aécio tentou passar pra corrigir o problema, mas que era INCONSTITUCIONAL.(33)(34)
18) Neste ponto do debate, Aécio começou a falar repetidas vezes de "meritocracia". Ele não é a melhor pessoa pra falar do assunto, já que, aos 17 ANOS, foi indicado por seu pai para um cargo de confiança em Brasília quando este era deputado do Arena, partido que apoiava o regime militar. Não só Aécio tinha 17 anos como aparentemente também desempenhou este cargo (em Brasília) do RIO DE JANEIRO, onde morava.(35) Poucos anos depois, Aécio foi nomeado para o cobiçado cargo de diretor de Loterias da Caixa quando seu primo, Francisco Dornelles, era Ministro da Fazenda.(36) Meritocracia. Sei.
19) Outras mentiras pontuais: Aécio disse que não foi contra o Mais Médicos (que ele agora afirma que vai melhorar). Opa, foi, sim.(37)
20) Aécio acusou Dilma de não cuidar da segurança pública nos estados. Desconhece que, SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO, esta é de competência dos governos estaduais - ou seja: dele. Então, Dilma apontou que a violência em MG subiu 52% durante governo de Aécio. Ele negou veementemente. Estava mentindo.(38)
21) Aécio disse, em certo momento, que "todas as eleições que disputei em MG, venci". Opa. Em 1992, concorreu à prefeitura de BH. Perdeu para Patrus Ananias, do PT.
22) Aécio afirmou que o Brasil teve queda "em todos os indicadores sociais". Deveria ter lido o relatório do IBGE, que mostrou melhora na renda, no acesso ao ensino fundamental, queda na mortalidade infantil, entre outros.(39)
Pra finalizar, Dilma mencionou brevemente Montezuma, mas acabou se concentrando no aeroporto de Cláudio. Pena. Há muito que falar sobre Montezuma.(40)
Talvez no próximo debate, embora, se julgarmos pelo que ocorreu nesse, Aécio provavelmente não hesite em negar a existência de qualquer problema.
(P.S: vi gente compartilhando foto de Dilma cercada de assessores, no intervalo do debate, e Aécio sozinho. A sugestão é a de que ele não precisa de assessores. Ops: https://twitter.com/pablovillaca/status/522321107438014464)
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FONTES:
(Pablo Villaça)
Assim que o debate entre Dilma e Aécio chegou ao fim, li algumas pessoas criticando a dicção da presidente. Mesmo, amigos? Chegamos a isso? Não sabia que Dilma estava concorrendo ao posto de Mestre Intergaláctica de Oratória. Achei, sinceramente, que o mais importante fosse o CONTEÚDO do que estava sendo dito, não a forma - e, neste aspecto, Dilma moeu Aécio Neves.
Não que isto seja difícil: depois de uma carreira inteira em uma Minas Gerais com uma imprensa amordaçada, Aécio perdeu a capacidade de lidar com o contraditório - e, talvez por isso, em vários momentos ergueu a voz e o dedo para a presidente (assim como havia feito com Luciana Genro) e se mostrou descontrolado. Para debater, é preciso conteúdo e honestidade. E ajuda, também, se o candidato tiver ideias para apresentar e, principalmente, se puder falar com orgulho do que já fez. E Aécio não tem e não pode, como ficou muito claro neste confronto.
Não é à toa que, ao final do debate, Dilma sugeriu que os telespectadores fossem ao Google pesquisar e confirmar as informações que ofereceu, enquanto Aécio sugeriu que as pessoas fossem consultar... o site do PSDB.
Aliás, devo citar aqui o bom apontamentodo cineasta Kléber Mendonça Filho (do magistral O Som ao Redor): "Nunca vi isso nos 20 anos que acompanho a política no Brasil. Um candidato de oposição que não quer propor mudança no sistema, mas dar seguimento a projetos revolucionários que o governo que ele quer desbancar conseguiu implantar."
Esta foi a dinâmica de Aécio: depois de criticar por anos, ao lado do PSDB, o Bolsa-Família, chamando-a de Bolsa-Esmola, ele subitamente se mostrou determinado a dizer que esta foi invenção de seu partido. Agora imaginem: seus eleitores insistem em gritar contra o programa, seu partido o atacou por anos (até mesmo em editorial no site tucano)(1) e, subitamente, Aécio quer assumir sua paternidade. Anos e anos e anos com o PT explicando que a Bolsa Família era um grande avanço, os caras dizendo que era "esmola", que era "assistencialismo barato", e agora tentam se apropriar da autoria da ideia.
Mas me adianto.
O que vimos neste debate foi um espetáculo mentiras por parte de Aécio. E como na Internet mentira tem perna curta, creio ser fundamental, para os eleitores indecisos, constatarem como o presidenciável não se intimida em faltar com a verdade de maneira incrivelmente cínica. Analisemos sua participação no debate em ordem cronológica:
1) Já de início, antes mesmo de o debate começar, Aécio disse na porta da Band que fazia "uma campanha só de verdades". Curioso, porque uma das coisas que vem dizendo é que vai transformar o Bolsa-Família em lei. Ora, ele não sabe que ela já é lei desde 2004, quando a Medida Provisória 132/2003 se transformou, em janeiro de 2004, na Lei 10836/04? (2)
2) Em seguida, Aécio afirmou que o Brasil "perdeu credibilidade no exterior". Provavelmente não leu, entre outras coisas, a análise que a FORBES fez sobre Dilma e o país há poucos meses.(3)
3) Logo depois, o presidenciável afirmou, sem hesitar, que as contas da Saúde de seu governo foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Não. (4) Para piorar, quando Dilma afirmou que o parecer do TCE poderia ser verificado online, o site, que fica sob os cuidados do atual governo tucano de MG (que, felizmente, será substituído em janeiro), simplesmente SAIU DO AR E NÃO RETORNOU ATÉ O MOMENTO EM QUE PUBLICO ESTE POST, 8 horas depois. Mas há outras fontes.(5)(6)
4) Aécio diz que MG foi o Estado que mais investiu em Saúde durante seu governo. Opa: dos 26 estados (mais o DF) da União, MG ficou em 24o. lugar. Sim, 24o entre 27.(7)
5) Dilma apontou que Aécio ameaçava acabar com os bancos públicos e este negou veementemente. Ora, deveria ter consultado Armínio Fraga, que ele já anunciou que será seu Ministro da Fazenda e que declarou, quanto ao BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil, que, se assumirem, "nem sabe o que vai sobrar deles".(8) Aliás, há ÁUDIO de Fraga dizendo isso.(9)
6) Aliás, quando Dilma fez questionamentos sobre Armínio Fraga, Aécio disse que ela estava "preocupada" demais com este. Ora, e deveria mesmo estar - não só como ela, mas também o eleitor. Quando Fraga assumiu a presidência do BC, em 1999, elevou a taxa de juros a 45% ao ano. Nos três anos seguintes, sabem o que aconteceu com a inflação que os tucanos insistem em dizer que controlaram? Ela DOBROU de tamanho, indo de 6,5%, em 2000, para 12,5% em 2002.(10) Aécio, vale apontar, é bem corajoso ao tentar falar de inflação com Dilma, já que, ao contrário do que ele tenta fazer parecer, a média anual da inflação nos anos Dilma é a segunda MENOR em CINCO MANDATOS PRESIDENCIAIS, sendo bem próxima à de Lula e muito inferior à de FHC.(11)
7) Confrontado com relação ao "choque de gestão" em MG, Aécio afirmou que as finanças do estado estão saudáveis. Outra mentira: Minas está quebrada.(12) O mais incrível: ao voltar a falar sobre o Bolsa Família, Aécio disse que o Plano Real foi um programa de "redistribuição de renda" muito mais eficiente. De onde tirou isso, não sei, mas - claro - não é verdade.(13)
8) Quando o assunto mudou para Educação, Aécio deu outro show de desinformação. Em primeiro lugar, cobrou de Dilma resultados das escolas públicas MUNICIPAIS e ESTADUAIS, que, como já fica claro pelo... ora... pelo "municipais e estaduais", são responsabilidade do município e dos estados - COMO DETERMINA A CONSTITUIÇÃO. O pior: Aécio afirmou que MG tem a "melhor educação do país" - mas como isto pode ser possível se, de novo, entre 26 estados (mais o DF), Minas ficou em 24o. em termos de investimento na Educação?(14) Além disso, os professores mineiros ABOMINAM Aécio Neves (15)(16)
9) A seguir, Dilma trouxe à baila a questão da corrupção. E apontou como, ao contrário do que houve nos anos FHC, a era Lula-Dilma criou mecanismos de investigação e condições para que a PF agisse de forma eficaz. Basta dizer que nos OITO anos de FHC, apenas 48 operação da PF foram feitas, enquanto nos doze anos de Lula e Dilma, foram realizadas MAIS DE DUAS MIL OPERAÇÕES. Isto para não mencionar o fato de que o procurador-geral da época engavetava todas as denúncias.(17) Dilma apontou também que nenhum tucano jamais foi investigado por todos os desmandos do mensalão tucano mineiro, do cartel do metrô, da privataria, do banco Marka, da SUDAM, etc, etc, etc.
10) Aécio insistiu em dizer que Dilma se mostrava obstinada em olhar pra trás, enquanto ele queria olhar pra frente. Dá pra entender por que ele prefere olhar para um futuro hipotético do que para o passado, com todos os seus dados e fatos registrados.(18)
11) Em seguida, Aecio disse que foi "inocentado" com relação ao aecioporto. Mentira. A procuradoria-geral disse que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o MPE para investigação de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA do governo tucano.(19)
12) Veio, então, a parte mais inacreditável do debate. Dilma questionou os vários parentes que Aécio mantém empregados em seu governo. Ele negou que isto fosse verdade e disse, por exemplo, que sua irmã não trabalha com ele. Esta fez MG rir em conjunto, já que Andrea Neves foi uma das figuras mais poderosas do governo Aécio. Tanto que entrou numa lista das 60 pessoas MAIS PODEROSAS DO PAÍS (na 42a. posição)(20)(21) Isto para não mencionar que, sim, ele empregou outros parentes.(22)(23)
13) A seguir, Dilma perguntou a Aécio sobre "violência contra a mulher". Do ponto de vista de estratégia de debate, era óbvio que ela fazia referência a algo específico para desconcertar o oponente.(24) Conseguiu.(A propósito: Aécio ameaçou, mas curiosamente não processou Kfouri pelo que este publicou em seu blog.)
14) Aécio criticou empréstimo do BNDES a Cuba. Ué, e o feito por FHC, podia?(25)
15) Aécio tenta criticar os investimentos de Dilma na área das escolas técnicas. O governo do PT criou 214. O de FHC? ZERO. Aécio nem deveria ter tocado neste assunto.(26) Como se não bastasse, Aécio disse que Dilma não cumpriu promessa de construir seis mil creches. Outra mentira.(27)
16) Logo a seguir, outro momento em que Aecio se perdeu totalmente. Dilma questionou - e atenção para isso - o investimento que o GOVERNO DE MG fez em anúncios nas rádios PERTENCENTES À FAMÍLIA DE AECIO. Ele negou que isto tenha acontecido. Ops.(28)(29)(30)(31)(32)
17) Dilma levantou, então, a questão dos quase CEM MIL servidores públicos contratados IRREGULARMENTE por Aécio no governo de MG. Ele mais uma vez negou qualquer irregularidade. Mentira. Uma mentira, aliás, que foi custar os empregos destas quase cem mil pessoas numa lei que Aécio tentou passar pra corrigir o problema, mas que era INCONSTITUCIONAL.(33)(34)
18) Neste ponto do debate, Aécio começou a falar repetidas vezes de "meritocracia". Ele não é a melhor pessoa pra falar do assunto, já que, aos 17 ANOS, foi indicado por seu pai para um cargo de confiança em Brasília quando este era deputado do Arena, partido que apoiava o regime militar. Não só Aécio tinha 17 anos como aparentemente também desempenhou este cargo (em Brasília) do RIO DE JANEIRO, onde morava.(35) Poucos anos depois, Aécio foi nomeado para o cobiçado cargo de diretor de Loterias da Caixa quando seu primo, Francisco Dornelles, era Ministro da Fazenda.(36) Meritocracia. Sei.
19) Outras mentiras pontuais: Aécio disse que não foi contra o Mais Médicos (que ele agora afirma que vai melhorar). Opa, foi, sim.(37)
20) Aécio acusou Dilma de não cuidar da segurança pública nos estados. Desconhece que, SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO, esta é de competência dos governos estaduais - ou seja: dele. Então, Dilma apontou que a violência em MG subiu 52% durante governo de Aécio. Ele negou veementemente. Estava mentindo.(38)
21) Aécio disse, em certo momento, que "todas as eleições que disputei em MG, venci". Opa. Em 1992, concorreu à prefeitura de BH. Perdeu para Patrus Ananias, do PT.
22) Aécio afirmou que o Brasil teve queda "em todos os indicadores sociais". Deveria ter lido o relatório do IBGE, que mostrou melhora na renda, no acesso ao ensino fundamental, queda na mortalidade infantil, entre outros.(39)
Pra finalizar, Dilma mencionou brevemente Montezuma, mas acabou se concentrando no aeroporto de Cláudio. Pena. Há muito que falar sobre Montezuma.(40)
Talvez no próximo debate, embora, se julgarmos pelo que ocorreu nesse, Aécio provavelmente não hesite em negar a existência de qualquer problema.
(P.S: vi gente compartilhando foto de Dilma cercada de assessores, no intervalo do debate, e Aécio sozinho. A sugestão é a de que ele não precisa de assessores. Ops: https://twitter.com/pablovillaca/status/522321107438014464)
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FONTES:
1.http://www.cartacapital.com.br/…/por-que-o-psdb-agora-e-a-f…
2.http://www.m.vermelho.org.br/noticia/251305-1…
3.http://www.forbes.com/…/in-brazil-elections-president-dilm…/
4.http://t.co/k4FdNNx9Ba
5.http://amp-mg.jusbrasil.com.br/…/minas-investe-menos-do-que…
6.https://twitter.com/fernandocabral/status/522221808867872768
7.http://t.co/rq0bpEM66X
8.http://t.co/VF1krtF32O
9.http://t.co/VF1krtF32O
10.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm
11.http://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/…/inflacao-…/
12.http://t.co/gl7X2CdsyS
13.http://goo.gl/FwFxJQ
14.http://t.co/Fi6xi9imFO
15.http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/professores-de-mina…
16.http://www.sindutemg.org.br/…/11-09-BoletimEspecial-Geral.p…
17.https://t.co/yKJurCmrAS
18.http://goo.gl/yLuARu
19.http://g1.globo.com/…/pgr-arquiva-representacao-contra-aeci…
20.http://t.co/zdbVLJ971t
21.http://t.co/zNnl4pfaOG
22.http://t.co/TIciOuWa1M
23.http://www.redebrasilatual.com.br/…/aecio-usa-lei-para-cont…
24.http://t.co/rB3mgwiC7G
25.http://t.co/Kuooc4vuLL
26.http://t.co/9fomImiyYa
27.http://t.co/P8LPR0OUL6
28.http://www.valor.com.br/…/aecio-desconversa-sobre-gastos-pu…
29.http://www1.folha.uol.com.br/…/190765-aecio-diz-que-nao-sab…
30.http://www.blogdacidadania.com.br/…/escandalo-das-radios-d…/
31.http://politica.estadao.com.br/…/eleicoes,aecio-diz-desconh…
32.http://www.diariodocentrodomundo.com.br/e-decente-um-gover…/
33.http://t.co/gwJ7iOVI93
34.http://t.co/l71W6ByB1L
35.http://t.co/hHNPJMQbve
36.http://www.redebrasilatual.com.br/…/aecio-critica-mas-ja-fo…
37.https://www.youtube.com/watch?v=8pKZAnji68k
38.http://www.pautandominas.com.br/…/Em-dez-anos-n%C3%BAmero-d…
39.http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza…/livros/liv66777.pdf
40.http://www.redebrasilatual.com.br/…/como-aecio-ficou-dono-d…
2.http://www.m.vermelho.org.br/noticia/251305-1…
3.http://www.forbes.com/…/in-brazil-elections-president-dilm…/
4.http://t.co/k4FdNNx9Ba
5.http://amp-mg.jusbrasil.com.br/…/minas-investe-menos-do-que…
6.https://twitter.com/fernandocabral/status/522221808867872768
7.http://t.co/rq0bpEM66X
8.http://t.co/VF1krtF32O
9.http://t.co/VF1krtF32O
10.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm
11.http://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/…/inflacao-…/
12.http://t.co/gl7X2CdsyS
13.http://goo.gl/FwFxJQ
14.http://t.co/Fi6xi9imFO
15.http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/professores-de-mina…
16.http://www.sindutemg.org.br/…/11-09-BoletimEspecial-Geral.p…
17.https://t.co/yKJurCmrAS
18.http://goo.gl/yLuARu
19.http://g1.globo.com/…/pgr-arquiva-representacao-contra-aeci…
20.http://t.co/zdbVLJ971t
21.http://t.co/zNnl4pfaOG
22.http://t.co/TIciOuWa1M
23.http://www.redebrasilatual.com.br/…/aecio-usa-lei-para-cont…
24.http://t.co/rB3mgwiC7G
25.http://t.co/Kuooc4vuLL
26.http://t.co/9fomImiyYa
27.http://t.co/P8LPR0OUL6
28.http://www.valor.com.br/…/aecio-desconversa-sobre-gastos-pu…
29.http://www1.folha.uol.com.br/…/190765-aecio-diz-que-nao-sab…
30.http://www.blogdacidadania.com.br/…/escandalo-das-radios-d…/
31.http://politica.estadao.com.br/…/eleicoes,aecio-diz-desconh…
32.http://www.diariodocentrodomundo.com.br/e-decente-um-gover…/
33.http://t.co/gwJ7iOVI93
34.http://t.co/l71W6ByB1L
35.http://t.co/hHNPJMQbve
36.http://www.redebrasilatual.com.br/…/aecio-critica-mas-ja-fo…
37.https://www.youtube.com/watch?v=8pKZAnji68k
38.http://www.pautandominas.com.br/…/Em-dez-anos-n%C3%BAmero-d…
39.http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza…/livros/liv66777.pdf
40.http://www.redebrasilatual.com.br/…/como-aecio-ficou-dono-d…
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