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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Com quem já me acharam parecido.
(Atualização de número treze.)



01. Claudio Dickel
02. Cláudio Heinrich
03. Carlos Alberto Ricceli
04. Brad Pitt
05. Beavis
06. Daniel Feix
07. Liam Gallagher
08. Mateus Nachtergaele
09. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires
16. Pedro Verissimo
17. Daniel Dantas
18. Vincent Gallo
19. Willem Dafoe
20. David Carradine
21. Kurt Cobain
22. Billy Zane
23. Michael Stipe
24. Carlo Pianta
25. André Agassi
26. Justin Timberlake
27. Devendra Banhart
28. Joaquin Phoenix
29. Roger Galera Flores
30. Charles Baudelaire
31. Mister Maker
32. Pablo Horacio Guiñazu
33. Rodrigo Hilbert *NEW*
34. Paulinho Serra *NEW* (foto)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

"O artista pesquisa e mostra resultados concretos, sons dignos de David Lynch criados por Douglas Dickel ao vivo e a câmera de Pedro Karam não perde só uma expressão do ator." (Luiz Gonzaga Lopes)
Poema sem nome e em duas vozes.
a brisa sopra folhas em meus ouvidos
algumas são verdes, algumas são secas
tocam suavemente a cartilagem imovel
da minha orelha ainda quente
e ansiosa
e saborosa
as folhas deslizam sobre a roupa amarrotada que encobre o meu corpo
correm alegres por cada morrinho que faz a malha felpuda e doce
aos poucos meus pés se deslocam do chão
minha cabeça pende pra trás e pairo em forma de lua
lua reluzente na noite sombria, clarividente em pleno dia
a música fraca dos lobos uivantes, as pintas bonitas que tenho na fronte
uma floresta que brota de folhas que caem
uma floresta que cai nas folhas em branco
e preenche o vazio de linhas não escritas
em cores e imagens bonitas
em dores suaves inéditas
e movimentos delicados e inebriantes
e tudo que se pode fazer num sábado ensolarado
é se deixar levar pela brisa e pelas folhas que caem

(-escrito por Angela Francisca e Douglas Dickel via Facebook-)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

"Esteja alerta para a regra dos três. O que você dá, retornará para você. Essa lição você tem que aprender. Você só ganha o que você merece."

Se você já escutou o novo CD do Portishead, Third, deve ter se surpreendido com a voz que abre o disco recitando uma frase em português. Ainda mais depois de dez anos a espera desse trabalho. Não aguentei a curiosidade e achei o sujeito em Bristol, na Inglaterra. Claudio Campos, 34, é um brasiliense, professor de capoeira que mora na cidade desde janeiro de 2003. Dava aula de educação física em um centro que unia gastronomia e esporte, mas quando o governo desativou o local e ele se viu desempregado e com uma proposta de trabalho fora do país, não hesitou em vender o Corsa e se mandar. Confira o papo que eu bati com ele:

Como surgiu o convite para participar da gravação?
Eu dou aula de capoeira pra bastante gente aqui em Bristol e promovo uma festa brasileira. Durante uma noite dessas uma amiga disse que uma banda precisava de alguém para gravar um material em português do Brasil e, como eu já tive banda de reggae e de samba e gosto de música, topei.

Você não sabia qual era a banda?
Nunca havia escutado nem uma única música.

Você não conhecia o Portishead?
[Risos] Não, mas parece que eu tô ficando famoso no mundo todo, hein! Se eu soubesse, tinha cobrado mais.

Quanto você recebeu pela participação?
300 libras. E a gravação durou só 20 minutos.

Como foi no estúdio?
Quando cheguei, eles já estavam por lá. A banda toda menos a vocalista. Foram muito simpáticos, perguntaram de que parte do Brasil eu era e o que eu fazia em Bristol. Estavam felizes e bem animados com o novo trabalho. Me disseram que pensavam em usar o espanhol, mas que o Brasil estava na moda e que eles queriam algo parecido com uma gravação em português que eles tinham no estúdio. Era um homem fazendo propaganda de uma companhia de shows chamada Viva Bahia. Eles pediram para que eu falasse no mesmo ritmo. Então recebi três opções de texto, todos sobre karma e o número três. Falavam que tudo o que a pessoa dá para o mundo ela recebe de volta três vezes. Traduzi os textos, li e eles escolheram esse que saiu no disco. Gravei cinco vezes e fui para casa. Eles agradeceram e disseram que iam trabalhar em cima do material. Mais tarde ainda tirei uma onda com os amigos: ganhei 300 libras facinho!

Quando você ouviu “Silence”, a faixa que abre o CD, pela primeira vez?
Estava dando aula de capoeira e um aluno me ligou. Havia reconhecido a minha voz. Depois as ligações não pararam. Muitos amigos daqui notaram. Me disseram até que é a minha fala que abre o show. Outro aluno foi ao festival em que eles tocaram e achou que eu estava no palco falando no microfone! Está sendo divertido. Até já comprei o CD para guardar de recordação.

domingo, 25 de abril de 2010

terça-feira, 20 de abril de 2010

Tratamento de choque estético
Renato Mendonça


A saúde estética de uma cidade é diretamente proporcional à sua capacidade de se surpreender. O espetáculo Homem que Não Vive da Glória do Passado, em cartaz no próximo domingo, com entrada franca, no Teatro de Câmara Túlio Piva, é o remédio que a Cia Espaço em BRANCO nos receita. Há quem diga que é uma overdose para o paciente, acostumado com um tratamento à base de placebos como comédias ligeiras e clássicos revisitados. Há quem critique que a Glória do Passado se projeta demais no Futuro, que a montagem dirigida por Bruno Gularte Barreto e João de Ricardo sequer teatro é. Talvez todas essas afirmações até procedam, mas não são antes um elogio que uma ofensa.

Melhor começar falando das glórias do passado da Espaço em BRANCO. O grupo ganhou visibilidade em 2005, com a montagem Extinção, que desde já apresentava suas armas: atuações naturalistas revezando-se com movimentos estilizados, uso massivo de multimídia, busca de dramaturgia contemporânea. No ano seguinte, Andy/Edie trouxe a dramaturgia de Diones Camargo, dissecando a vida de Andy Warhol e da socialite Edie Sedgwick, signos pop em cena e filmagens à vista do público. E trouxe ainda, importante, um público novo para o teatro: gente que não vive da glória do passado do teatro, que enquadra o drama como algo que não dá conta dos problemas e da desfragmentação do nosso presente que tem velocidade de futuro.

Teresa e o Aquário, no ano passado, foi a consolidação das ideias da Cia: a intervenção multimídia radicalizou-se ainda mais, o diretor João de Ricardo subiu ao palco e virou mais um personagem, a iluminação foi para as mãos dos atores, a música era criada ao vivo interagindo com as atuações. A Cia Espaço em BRANCO tem ainda no repertório Alice e Em Trânsito, mas não as assisti ainda (estarão em cartaz também esta semana, com entrada franca – confira no link).

Homem que Não Vive da Glória do Passado, eu assisti. Ou melhor, presenciei, porque é impossível o espectador ficar distante do que é encenado, seja para bem, ou para mal. O espetáculo, baseado em um conto de Bruno Gularte Barreto (diretor ao lado de João de Ricardo), parece um ajuste de contas entre um artista e seu talento. Não é simplesmente a crônica de um crise criativa – é a dissecação inclemente de um criador (ou de um grupo criador) às vistas (e ao tato, e ao olfato, e aos ouvidos) do público.

O início de Homem… é revelador: João de Ricardo, que interpreta (ou melhor seria dizer vive?) o protagonista, leva parte do público para as coxias do teatro, discutindo seu processo de criação, desmistificando o palco, humanizando o criador e deixando claras as hesitações e encruzilhadas estéticas que marcam o espetáculo. O resto do público ocupa as poltronas da sala, e assiste ao que acontece nos bastidores por meio de uma projeção. Ao cabo de uns 30 minutos, termina o que se chamou de prólogo – e tem início um ritual que define trabalho, momento, proposta e ideal da Cia Espaço em BRANCO. A iluminadora e atriz Carina Sehn começa a chamar nominalmente quem está no palco para sentar nas poltronas. Mas o faz dizendo nome, data de nascimento, e definindo a data da morte de cada um como a do dia do espetáculo. No meu caso, nasci em 3 de julho de 1958 e morri em 19 de março de 2010.

É preto no BRANCO: a Cia defende que o teatro do passado está morto, mas não só em termos de formas dramatúrgicas e de encenação tradicionais e consagradas. A leitura é mais cruel e drástica: o teatro da Cia Espaço em BRANCO morreu, o teatro que cada espectador conhece morreu. Cada noite de apresentação é um ciclo completo de vida, que termina com a morte da forma que esteve em cena. Isso parece claro durante a parte mais “tradicional” de Homem que Não Vive da Glória do Passado, que mostra as angústias de um personagem que está trancado em um apartamento e descobre que todas as mulheres do undo morreram;. Não lhe resta muito mais o que fazer senão discutir quais seriam as razões de seu “sucesso”, usando a ironia como ferramenta maior. Aqui e ali, aparecem imagens e até trechos de cenas de algumas montagens anteriores da em BRANCO, e tudo soa como um inventário do que foi feito e desfeito até agora.

O grau de dispersão, estranhamento e surpresa do que está em cena é tal que é difícil realmente enquadrar a montagem como um espetáculo tradicional. Apesar de reforçar elementos já característicos do grupo, como o uso inventivo de música e projeções sendo criadas em tempo real, de por vezes assomar um humor irreverente, o que parece estar em cena é antes o processo de criação da companhia do que mesmo o resultado desse processo.

Como que propondo o fim da ritualidade que define o que está no palco como a culminância e o resultado final de um processo criativo, João, Bruno e Sissi Venturin parecem defender que o palco é uma instância a mais. Humildes, revelam ao público suas vacilações. Arrogantes, impõem um espetáculo que se ergue sobre o não-espetáculo.

Ao abrir mão de ferramentas dramáticas que poderiam garantir catarse ou mera satisfação estética na plateia, Homem que Não Vive das Glórias do Passado termina deixando no espectador muito mais uma inquietação intelectual que emocional. Seria esta a forma mais eficiente de balançar as crenças do públicos? A Cia Espaço em BRANCO subverte a posição passiva do artista, a quem caberia por obrigação garantir satisfação a seu público. Em Homem..., o público sai incorporando as dúvidas dos artistas. Quem está preparado para isso? Por outro lado, o que não mata, engorda. E nada como uma boa terapia de choque estético.

Pergunto se Homem que Nâo Vive da Glória do Passado é um instantâneo, fotografia mais em preto que em branco do estágio atual do grupo, ou se é um rumo que o coletivo deseja assumir, contestando a própria significação do que seja espetáculo, ao menos em sua visão mais tradicional. Prefiro acreditar, e até torcer, para que a primeira alternativa seja a escolha correta, especialmente se tiver uma (ou duas, ou às vezes derramar o saleiro mesmo) pitadinha da segunda. Como já dizia Peter Brook, elogiando desde o teatro de variedades até as montagens estilo cabeçolândia, de que vale ser o tempo todo profundo, ou o tempo todo raso? E nem vale ficar a um tipo só de teatro – que mesmo o que é por nós criado pode nos aprisionar.

Brook também afirma que o teatro está morto, no sentido de que cada encenação está sujeita a seu tempo, seus artífices, suas intenções, seu ambiente. Nesse ponto, a Cia Espaço em BRANCO exibe sua maior qualidade: paralelamente ao esforço de construir uma linguagem e um estilo pessoais, mantém acesa a chama do autoquestionamento, sem medo de incorporar os elementos tempo e morte a seu trabalho. Não se cresce sem crises, e é uma dessas que o grupo está compartilhando – em cena – com o público.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para a minha...

linda
Adjetivo.
1.Agradável à vista ou ao espírito; bela, bonita, formosa.
2.Graciosa, delicada; mimosa [delicada, sensível; terna, afável; meiga, carinhosa, afetiva; graciosa, encantadora].
3.Bem aprestada; elegante, airosa [graciosa de movimentos].
4.Delicada, sensível; distinta; sutil.
5.Apurada, perfeita, primorosa; pura.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

George Clooney foi brilhante em se inspirar no John Cleese (Monty Python) para fazer o papel de Lyn Cassady, o jedi mais poderoso de 'Homens que encaravam cabras'. Jeff Bridges não está bem, o personagem do Ewan McGregor é ridículo (aliás, além de Mark Renton só tem o filme do Woody Allen e o que mais? Obi Wan?) e Kevin Spacey está competente.

O Edward Norton é mais bonito do que o Ewan McGregor. E melhor, também.

George Clooney está melhor em 'Cabras' e 'E aí, meu irmão, cadê você?' do que Brad Pitt em 'Bastardos inglórios' e 'Queime depois de ler'.

encontro
[Dev. de encontrar.]
Substantivo masculino.
(...)
10.Bras. Confluência de rios.
"Três leis básicas universais, três cores fundamentais, quatro sabores básicos, quatro forças básicas da natureza, quatro aminoácidos para a formação do DNA, etc. A natureza faz combinações de 3 ou 4 coisas, para obter uma infinidade de efeitos diferentes. Assim ela usa dois quarks up e um quark down para obter um próton e um quark up e dois downs para obter um nêutron e a união dos dois originam o núcleo de um átomo e os átomos, compõem toda a matéria do nosso Universo.

"Como surgiu toda essa matéria se no início não existia nada? De acordo com a teoria do Big Bang, o átomo primordial sempre existiu e este pequenino átomo gerou toda a matéria ao ponto de encher todo o Universo e tendo que se levar em conta, a matéria e a antimatéria que se aniquilaram por ocasião do Big Bang e uma quantidade extra de matéria que sobrou desta explosão e que encheu o universo. Ainda temos a matéria escura que esta teoria quer também acrescentar neste evento.

"Recentemente a NASA detectou um forte som no espaço profundo, que desafia crenças ou qualquer explicação, segundo Alan Kogut, do Centro Espacial Goddard, nos EUA. Eles não sabem a origem deste estrondo. Segundo explicações, eles esperavam ouvir um fraco som da radiação de fundo e ouviram um estrondo seis vezes maior que o esperado. Isto, em minha opinião, é o ruído de uma descarga eletromagnética (raios gama) do espaço extra universo, só detectado agora, pela primeira vez." (Alberto Carvalhal Campos)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

(1 Googolplex = 10googol = 10^{(10^{100})} = 1010.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000), ou seja, 1 seguido de googol zeros.

Escrever um googolplex é impossível. Mesmo que se transformasse toda a matéria existente no Universo em tinta e papel não teríamos ainda material suficiente para escrever todos os zeros que o compõem. Mesmo se começássemos a escrever desde o Big Bang até hoje, não teria havido tempo suficiente para escrever um googoplex.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Para Angela Francisca.


[café da tarde]

teu todo,
em ti,
indissolúvel
é minha parte,
de mim,
indissolúvel
- Estou dentro de ti. Não consigo me mexer sozinho.
- Nem eu consigo aqui.
OOOOOOOO su giro su giro OOOOOOOOO
OOOOOO su giro su giro su giro OOOOOO
su giro su giro OOOOOOOO su giro su giro
su giro su giro OOOOOOOO su giro su giro
su giro su giro OOOOOOOO su giro su giro
su giro su giro OOOOOOOO su giro su giro
OOOOOO su giro su giro su giro OOOOOO
OOOOOOOO su giro su giro OOOOOOOOO
CURTA-METRAGEM DIRIGIDO POR EDUARDO ASSUMPÇÃO E COM MICHEL CAPELETTI E JOÃO DE RICARDO NO ELENCO.

"O corpo como significante flutuante pode significar muitas coisas (...) a zona onde se gera o sentido convoca um domínio que ultrapassa o campo semântico: é o corpo, enquanto infralíngua, que o fornecerá. Para reduzir a polissemia dos gestos (… é necessária) a ação de um fator que intervém fora de qualquer estrutura: o afeto. A 'infra-estrutura' que a afetividade forma não será nunca sistemática, nem nunca se constituirá de linguagem; pelo contrário, sempre pronta a ultrapassar os signos, deslizando sempre para as fronteiras entre os códigos, esta matéria afetiva, estreitamente ligada ao gesto, faz por vezes o que muito bem entende, ora fundindo-se no Mesmo ora dispersando-se em mil sensações diversas; no entanto, sem as suas intensidades, sem a variabilidade e a singularidade dos seus elementos, os signos nunca carregariam sentido. O essencial do significante flutuante é manifestar a vida no que ela tem de imprevisível, de variado e de espontâneo. Deste modo, toda a cultura impõe espaços implícitos onde se desenvolvem a criatividade e a expressão individuais. Estas zonas ficam sujeitas ao significante flutuante: não é ele o testemunho de toda a arte, toda a poesia, toda a invenção mítica e estética? Assim, nas sociedades primitivas, as energias circulam e estão presentes em todo o lado. É surpreendente como um autor como Lévi-Strauss tenha quase totalmente abolido da sua obra esse aspecto do pensamento Hoje, no limiar de uma nova perspectiva em que de novo se centrou a atenção sobre os problemas do corpo – a etnologia estruturalista parece ter atingido um tal ponto de abstração que só contam as relações, as complementaridade, as redes de significantes, a lógicas dos códigos." (GIL, José. Metamorfoses do Corpo)
Envelhecer
(Arnaldo Antunes)

a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer
(...)

não quero morrer pois quero ver como será que deve ser envelhecer
eu quero é viver pra ver qual é e dizer venha pra o que vai acontecer

eu quero que o tapete voe
no meio da sala de estar
eu quero que a panela de pressão pressione
e que a pia comece a pingar

eu quero que a sirene soe
e me faça levantar do sofá
eu quero por Rita Pavone
no ringtone do meu celular

eu quero estar no meio do ciclone
pra poder aproveitar
e quando eu esquecer meu próprio nome
que me chamem de velho gagá

sábado, 10 de abril de 2010

Conjugando o Presente
Postado por Hermes


Há um limite muito tênue entre o novo e o antigo: o receio. Em pleno século XXI muitos estudiosos da Infância asseguram que o medo que o adulto tem frente ao computador trata-se do medo que tem de não dominar a ferramenta com a mesma facilidade com a qual as crianças o fazem. Trata-se de um terreno desconhecido para adultos mofados, medrosos, inseguros. Nesta situação, o melhor é proibir o uso em vez de aprender com o novo, com a criança que se aventura no mar das possibilidades.


Às vesperas de completar 45 anos tenho me posicionado com certo deleite em descobrir, ângulo de visão que reaprendo com as crianças, e o qual me reposiciona diariamente .


Mas não é sobre isto que quero discorrer aqui. Ou é? Bem, na dúvida prefiro maquiar minha escrita e assumir que não, não quero falar de velhos ou novos, valores incrustados e valores descolados. Façamos de conta que vou apenas discorrer sobre uma peça, que anda incomodando, ou seria "desacomodando" alguns pensamentos enrijecidos? Bem, eu não tenho a resposta. Se você a tiver, peço-lhe que compartilhe comigo. O que eu tenho, e que faço bom uso, é de um desejo permanente de renovação de olhar, pensar, agir, respirar. Pensemos juntos, então, de que forma podemos fazê-lo num mundo cheio de fórmulas, gavetas e rótulos. Creio, e dedico-me intensamente a proliferar esse tipo de pensamento à Infância que, o que nos move nesse concreto todo é a Arte em todos os seus desdobramentos. Diferente da Sociedade... - eu tenho certo pavor de fazer citações, pois sempre penso que estou querendo bancar o intelectual que não sou e não desejo ser -, mas eu ia dizer Sociedade Líquida, Homem Líquido, e outros comportamentos líquidos que escorregam por entre os nossos dedos todos os dias, em oposição à Sociedade do espetáculo, que roubou egoísta e egoicamente do palco o espaço da encenação, é compromisso da Arte, e de quem se sente inflamado por ela, sacudir as velhas estruturas a fim de provocar, que seja, repúdio. Costumamos ir ao teatro, ir ao show, abrir um livro sempre esperando aquele mesmo sentimento confortável do que se supõe alívio, exacerbação, catarse, sem percebermos, por vezes, que tudo isso pode residir exatamente no desconforto que o livro, o show, ou a peça teatral nos proporciona. Falta-nos como artistas, creio, um pouco de abertura a fim de nos percebermos, nos reconhecermos ou desconhecermos na expressão artística do outro, com a humildade de nos compreendermos ignorantes, de nos compreendermos desconhecedores de tudo o quanto há para se conhecer ou saber.


Eu costumo dizer para as crianças com quem falo há treze anos de estrada, ar, jegue, carroça em minhas inúmeras visitas à escolas e feiras de livros do Brasil, que morrerei ignorante. Morrerei, sim. E tenho imenso prazer em reconhecer isso. Assumo, como simples humano que sou, minha incapacidade de absorver tanto conhecimento que o mundo dispõe. E, crer nessa ignorância pode nos impelir no movimento ao novo, ao diferente, suponho apenas.


Estou aqui discorrendo sobre o novo. E sobre o antigo, claro. Mas desviei do foco. Declarei que não o faria. Essa prolixa introdução apenas se presta como caliça para falar de um espetáculo que me perturbou significativamente. E o nome não poderia ser mais apropriado: Homem que não vive da glória do passado. Trata-se de um dos mais recentes trabalhos da Cia Espaço em Branco - logo em seguida estrearam Alice, ao qual ainda não tive a oportunidade de assistir. Não escrevo aqui com o intuito de dizer que o espetáculo esteja em sua forma mais perfeita. Mas de onde saiu a ideia de perfeição? Da educação judaico-cristã? Ora, a perfeição pode residir naquilo que nos corrói, nos devora, nos desajeita em cima daquele velho caminhão cheio de melancias, lembram?


O que posto aqui é apenas uma impressão de uma pessoa na condição de plateia comum, pois esse exercício de humildade tem sido a tônica do meu comportamento. Reflexo dos 45 anos que se aproximam? Não creio. Suponho ser um jeito mais generoso de querer me comportar ao ver os esforços de um, dois ou mais artistas na busca de algo que surpreenda, que nos tire desse marasmo e desse lirismo puído, dessa hipocrisia de lamber sapatos usados que nunca nos levam a outro caminhar e se julgam intocáveis em seus postos de poder de onde dizem e, supostamente, tem a intenção de formar opiniões usando sempre a mesma lente, do monóculo eu diria.


O espetáculo Homem que não vive da glória do passado é anárquico, por isso estimulante; é fragmentado, por isso irrequieto; é frágil à unidade, por isso curioso, mas ponho-me longe de acreditar que não estejamos diante de um experimento - e para isso devem servir os financiamentos, patrocínios e fomentos, caso contrário teremos uma Arte regulada, fiscalizada e engavetada - que tem em seu propósito genuíno uma divertida sacudida na cena teatral produzida em Porto Alegre. Isso era de se profetizar desde Andy e Eddie, outro instigante espetáculo da mesma Cia.


Como veem ultimamente estou rejeitando pensamentos paralelos. Ando experimentando o oblíquo. Digamos que falar de si mesmo, hoje, num mundo que se revestiu de uma coletividade sufocante em nome dos números eleitoreiros, faz com que Homem que não vive da glória do passado seja um suspiro dos artistas autorais e que não se rendem a esse maquiavelismo da atual sociedade que nos quer engavetados numa coisa só, massa de manobra frente aos financiamentos distribuídos à coletividade permanente. Mesma coisa, dizia minha avó, é um monte de japonês pelado em cima de um caminhão. Vovó não tinha razão, mas vovó já não vive mais neste mundo. E eu não vivo a buscar a glória do passado. Nem a dela e muito menos a minha, por isso aplaudo João de Ricardo, Bruno Gularte Barreto, Carina Sehn, Sissi Venturin e toda a equipe do espetáculo, por me sacudirem, desacomodarem, me fazerem rir, pensar, suspirar e constatar que a vida não é, de fato, perfeita. E que muitos de nós, em silêncio, sofremos das mesmas dores impostas por este mundo em que, por vezes, sequer o palco permite ou reconhece o nosso grito.


Comecei falando dos limites, da linha tênue. Do receio. Meu único receio é que as Bárbaras Heliodoras da vida se multipliquem. Que elas nasçam, sim, muitas, mas que sejam mais compreensivas com a possibilidade de experimentar, afinal, para isso fazemos Arte, para isto servem os patrocínios e os financiamentos, diferente daquilo que aporta em fórmulas seguras e repetidas. E tem uma velha citação do Nietzsche - impossível não citá-lo na minha pretensa pseudo-intelectualidade a que rechaço - e que ora recordo: "Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar."


Sabe, ainda estou a pensar que o Nietzsche, lá no passado, estava certo, viu. Mas também não quero acreditar que essa seja uma verdade absoluta.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Hotel - Segundo Andar: é assim: os vizinhos estão dando uma festa no 209 e não me chamaram: filhos da puta, aposto que tem muita mulher e droga e uísque: não se pode confiar em vizinho nenhum: bato na porta do quarto 207 para acordar o mano mas o fila da não abre a merda aí tenho que arrombar mas ele não está: bato no 205 e o mano tá deitado chapado vendo um filme junto com o cerola: me mando para o 201 pra chamar a gata, toda gostosinha/cheirosinha/gamadinha falo com ela que tá rolando uma festa do lado do meu quarto e ela topa mergulhar: passamos lá no meu 210 pra fumar um, e a gata cola no meu pescoço, começamos a rodar, deslizar pelo quarto, se arrastando pelo chão até chegar sem fôlego no corredor: preciso primeiro levantar, segundo andar." (Gabriel Pardal)
Últimas três apresentações.

terça-feira, 6 de abril de 2010



William Basinski Vivian & Ondine

Um só loop. Um só amor. O mais extremo William Basinski é também o mais capaz de reproduzir em disco outra perspectiva sobre a vida enquanto ciclo.


Inevitavelmente, o enquadramento das peças de William Basinski exige muito mais palavras do que a sua descrição em termos práticos. A confirmação surge em "Vivian & Ondine", uma composição que, durante cerca de quarenta e cinco minutos, repete o mesmo loop de três acordes sem impedir a entrada e a saída de outros elementos, que transitam sem incomodar o soberano. Assim, o Loop, inspiradamente elaborado a partir de fita (hábito “basinskiano”), predomina sobre um cardume de loops de constituição mais incógnita e quase impalpável. Tudo isto num equilibradíssimo sistema de correntes cuja tradução em palavras não se deve ficar pelo drone.

Desta vez, um loop tão delicado, como aquele que domina "Vivian & Ondine", concorda com o pretexto igualmente delicado que dá nome ao disco: William Basinski tocou uma versão da peça junto da cunhada dias antes da sua sobrinha Vivian nascer e algumas horas depois foi surpreendido com a boa nova de outra prima (Ondine) na família. Lido desta maneira, Vivian pode até ser o Loop ponderado e residente (a metade de 90 dias de gestação é, de facto, 45), enquanto Ondine corresponderá ao nome lógico para a mais imprevisível ondulação numa peça gravada num só take.

Como um feto, e igualmente necessitado de uma vigilância atenta, “Vivian & Ondine” ganha membros e diferentes contornos à medida que avança. Quando o típico efeito letárgico do Loop Basinski faz crer que a audição decorrerá como um namoro perfeitamente monogâmico, eis que surgem os sons distantes, as ressonâncias ou, mais perto do final, o piano. E é assim que o compositor texano descreve o processo intra-uterino e é assim que o deixa preparado para um encaixe natural numa obra que tantas vezes já considerou as diversas etapas da vida como pano de fundo – fosse a morte representada na queda das torres (nos incontornáveis Desintegration Loops), a imparável vitalidade da auto-descoberta (The River) ou a ressurreição de um estado de espírito nova-iorquino de 1982 num documento apenas lançado em 2009 (92982).

Depois de tudo isto, é impressionante reparar como o desgaste passa ao lado de William Basinski (embora seja um instrumento da sua própria ciência). A sensação de infinito facilitada por Vivian & Ondine parece, aliás, destinada a atrair uma quantidade proporcional de termos de comparação, quer no cinema ou na literatura, quer nas experiências de vida (os mergulhos) ou até mesmo no universo das terapias (por mais new age que isso pareça). Se quisermos, “Vivian & Ondine” funciona como o inverso daquela nauseante sirene, que normalmente serve para a polícia dispersar as multidões, mas que, no filme-choque Irreversível, anuncia desde cedo – e no centro de uma espiral violentíssima – a morte a que o seu mais frágil protagonista estava destinado. William Basinski consegue precisamente o contrário ao descobrir vida na repetição. Uma vez mais e para bem de todos nós.

Miguel Arsénio
migarsenio@yahoo.com
Dum Dum Girls

segunda-feira, 5 de abril de 2010

"'Segundo andar' [do Hotel] é claramente influenciado por muitas bandas de pós-rock dos 90 e dos 00, como GYBE! e outras menos famosas, mas alguém pode detectar também traços das melhores melodias de guitarra do Sonic Youth dos anos 80 e dos melhores anos em que editaram pela gravadora Geffen; assim como os instrumentais digressivos do Yo La Tengo e até composições e improvisos intempestivos de Glenn Branca [professor de Thurston e Ranaldo e líder do movimento no-wave]. Tudo empacotado em uma boa vibração jazzística.
(...) Se você tem um verdadeiro coração indie, é o que há." (Pedro Leitão)
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"Nosso trabalho pode ser o de abrir um espaço de tempo utópico/distópico, uma zona desmilitarizada (...). Nessa zona imaginária, artista e público tem permissão para assumir múltiplas e mutantes posições e identidades. Nessa zona de fronteira, a distância entre 'nós' e 'eles', eu e o outro, arte e vida, torna-se borrada e não-específica. Nós não procuramos respostas; apenas levantamos questões impertinentes. (...) Outros que são mais bem treinados - os ativistas e os acadêmicos - vão ter que lidar com elas, lutar com elas, domesticá-las ou tentar explicá-las. Uma vez que a performance termina e as pessoas saem andando, nossa esperança é que um processo de reflexão seja engatilhado em suas perplexas psiquês. Se a performance é eficaz (eu não disse 'boa', mas EFICAZ), esse processo pode durar por semanas, ou quem sabe meses, e as questões e os dilemas incorporados nas imagens e nos rituais que nós apresentamos podem continuar a assombrar os sonhos do espectador, suas memórias e suas conversas. O objetivo não é 'gostar' ou mesmo 'entender' a performance art; mas criar um sedimento na psiquê do público." (Guillermo Gómez-Peña)


Guillermo Gómez-Peña nasceu na Cidade do México e mudou-se para os Estados Unidos em 1978, onde ele se estabeleceu como artista de performance, escritor, ativista e educador. Foi pioneiro da multimídia, reunindo performance art, rádio experimental, vídeo, fotografia e instalação. Escreveu oito livros que incluem ensaios, poesia experimental e crônicas em inglês, espanhol e espanglês.
Cês sabiam que quando a gente cria um endereço de gmail composto exatamente pelo nome e o sobrenome preenchidos no profile, tipo eu que criei douglasdickel mas funciona também o douglas.dickel? Com ponto ou sem ponto no meio. Pois é, isso acontece.
per.fei.to

Adjetivo.
1.Que reúne todas as qualidades positivas concebíveis, ou atingiu o mais alto grau numa escala de valores.
2.Ótimo, excelente.
3.Executado ou fabricado com perfeição.
4.Completo, total; rematado, acabado.
Novo filme do Spike Jonze: 'I'm here', uma história de amor entre robôs.

sábado, 3 de abril de 2010

Recebi uma mensagem da Angela Francisca no meu celular "Passa aqui?", que eu interpretei como "Passa aqui (agora)?". Mas não era. Era "Passa aqui (mais tarde)?". Angela, o nome, significa "anunciadora". Se ela não houvesse me chamado, sem querer, eu não teria ido até o elevador do prédio do Bruno e ninguém saberia que o Pedro e Sissi estavam presos no elevador. Mesmo assim, fui até a Angela, fizemos os ajustes de comunicação, e me pus a voltar. No caminho, encontrei uma amiga que nunca mais havia visto, a Juliana. Disse que vai ver a peça amanhã. Enquanto falava com ela e o amigo suíço dela, passou uma outra amiga que nunca mais havia visto, a Luana. Chamei o nome dela e ela disse, surpresa, que tinha acabado de pensar em mim, pensando em "guitarristas de Porto Alegre", ao sair do filme sobre guitarristas no Guion. Disse que vai ver a peça amanhã.
Ah se eu te pudesse fazer entender...

mas entender não existe.

Ah se eu te pudesse fazer...

mas ja és feito. Bem feito pra mim.
De tanto amor.
Eu olhei nos olhos dele.
Senti o cheiro do homem que grudava na minha pele.
Deixei me molhar em suor, em gotas que repousaram na minha alma.
Desejei a eternidade em nosso caminho juntos.
Quis ter um filho.
Quis chorar.
Quis ser dele e nada mais.