Hoje, na oficina de improvisação teatral, eu redescobri o Paulo Leminski. Eis três poemas geniais (e mais alguns acrescentados em 02/06/2008 às 00:02).
*
quem nunca viu que a flor, a faca e a fera
tanto fez como tanto faz,
e a forte flor que a faca faz
na fraca carne,
um pouco menos, um pouco mais,
quem nunca viu
a ternura que vai
no fio da lâmina samurai,
esse, nunca vai ser capaz.
*
eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura
um olhar que demora
de dentro de meu centro
este poema me olha
*
um bom poema leva anos
cinco jogando bola
mais cinco estudando sânscrito
seis carregando pedra
nove namorando a vizinha
sete levando porrada
quatro andando sozinho
três mudando de cidade
dez trocando de assunto
uma eternidade
eu e você caminhando juntos
*
um homem com uma dor
é muito mais elegante
caminha assim de lado
como se chegasse atrasado
andasse mais adiante
carrega o peso da dor
como se portasse medalhas
uma coroa um milhão de dólares
ou coisa que os valha
ópios édens analgésicos
não me toquem nessa dor
ela é tudo que me sobra
sofrer, vai ser minha última obra
*
amor, então,
também acaba?
não, que eu saiba.
o que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
ou em rima.
*
merda é veneno.
no entanto, não há nada
que seja mais bonito
que uma bela cagada.
cagam ricos, cagam pobres,
cagam reis e cagam fadas.
não há merda que se compare
à bosta da pessoa amada.
*
quatro dias sem te ver
e não mudaste nada
falta açúcar na limonada
me perdi da minha namorada
nadei nadei e não dei em nada
sempre o mesmo poeta de bosta
perdendo tempo com a humanidade
*
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhodaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
*
escrevo. e pronto.
escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
ninguém tem nada com isso.
escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram linhas no papel,
quando o poema me anoitece.
a aranha tece teias.
o peixe beija e morde o que vê.
eu escrevo apenas.
tem que ter por quê?
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sexta-feira, 30 de maio de 2008
"Somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. Iguais porque na essência reconhecemos a importância dos mesmos valores inerentes ao ser humano, como, por exemplo, amor, respeito, cooperação, liberdade, confiança, honestidade, verdade. Encontramos, nesse nível, os pontos de semelhança e convergência. Diferentes, porque cada ser humano tem a própria maneira de ver o mundo, seus limites e qualidades, seus talentos e seus medos, suas crenças, sua religião, sua cultura, enfim, sua própria, única e especial história. Que maravilha isso! De um lado a diversidade, que é liberdade e beleza e está diretamente ligada ao ato criativo, a idéias e pensamentos diferentes que permitem o acender da centelha da inspiração, da inovação, da evolução e da descoberta. E, do outro, os valores humanos, como núcleo comum nos indivíduos, que são cimento que une as diferenças, são a direção que guia as ações, permitindo que possamos nos espelhar no outro, aprender, crescer, nos fortalecer, nos unirmos. O olhar diferente sobre o mundo alimenta a arte, a literatura, a música, a poesia, a ciência. A diversidade é generosidade, riqueza, possibilidades, soluções; ela nos permite não cair em uma uniformidade vaga, reduzida, simplista e unilateral. A diversidade é complementar, não-excludente, e não nos deixa ficar prisioneiros em armadilhas mentais das quais não podemos nos libertar se utilizarmos os mesmo tipo de pensamento que as originou. (...) A velocidade da evolução, das transformações e mudanças na ciência, na tecnologia e na economia destes últimos cinqüenta anos não foi a mesma do comportamento, do pensamento, da atitude do ser humano, que é mais lenta, complexa e diferenciada para cada pessoa. Isso levou a um desequilíbrio, a atenção era concentrada e direcionada aos avanços tecnológicos e mercadológicos e não ao processo de adaptação do ser humano a isso, que foi desvalorizado e negligenciado." (Eduardo Shinyashiki)
quinta-feira, 29 de maio de 2008
"Peter Brötzmann, uma das maiores lendas do free jazz mundial, toca pela primeira vez no Brasil. Volátil, cerebral e intenso, o alemão vem mostrar porque é um dos nomes mais importantes para a história da música de improvisação. Com desempenho intrigante no saxofone e no clarinete, é capaz de fazer o instrumento soar quase como a voz. Dedicado ao free jazz desde os anos 1960, Brötzmann produziu uma série de gravações tempestuosas, com improvisação caracterizada por agitados e hiperativos solos."
05 de Junho
Auditório do Instituto Goethe
Porto Alegre/RS
Horário: 20h
R$: Entrada franca
06 de Junho
Studio Clio
Porto Alegre/RS
Horário: 19h30
R$ 40 (público em geral), R$ 35 (professores e estudantes)
Abertura: Sexteto Blazz
05 de Junho
Auditório do Instituto Goethe
Porto Alegre/RS
Horário: 20h
R$: Entrada franca
06 de Junho
Studio Clio
Porto Alegre/RS
Horário: 19h30
R$ 40 (público em geral), R$ 35 (professores e estudantes)
Abertura: Sexteto Blazz
terça-feira, 27 de maio de 2008
Com quem já me acharam parecido.
(Atualização de número nove.)
01. Claudio Dickel
02. Cláudio Heinrich
03. Carlos Alberto Ricceli
04. Brad Pitt
05. Beavis
06. Daniel Feix
07. Liam Gallagher
08. Mateus Nachtergaele
09. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires
16. Pedro Verissimo
17. Daniel Dantas
18. Vincent Gallo
19. Willem Dafoe
20. David Carradine
21. Kurt Cobain
22. Billy Zane
23. Michael Stipe
24. Carlo Pianta
25. André Agassi
26. Justin Timberlake
27. Devendra Banhart
28. Joaquin Phoenix
29. Roger Galera Flores *NEW*
30. Charles Baudelaire *NEW*
(Atualização de número nove.)
01. Claudio Dickel
02. Cláudio Heinrich
03. Carlos Alberto Ricceli
04. Brad Pitt
05. Beavis
06. Daniel Feix
07. Liam Gallagher
08. Mateus Nachtergaele
09. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires
16. Pedro Verissimo
17. Daniel Dantas
18. Vincent Gallo
19. Willem Dafoe
20. David Carradine
21. Kurt Cobain
22. Billy Zane
23. Michael Stipe
24. Carlo Pianta
25. André Agassi
26. Justin Timberlake
27. Devendra Banhart
28. Joaquin Phoenix
29. Roger Galera Flores *NEW*
30. Charles Baudelaire *NEW*
O Muriel e o Caco ficaram impressionados com a introdução em português da primeira música do terceiro disco do Portishead. O Caco, sobretudo, ficou curioso para saber por que aquilo ali está ali. Pois hoje eu recebi uma dica da MTV e cheguei a este e a este link.
No último Rock In Rio do Rio de Janeiro, eu e mais um montão de gente ficamos chocados com o contraste entre os shows do R.E.M. e do Neil Young. R.E.M. era um desbunde, um megashow para festival, um frontman showman, um palco todo cheio de múltiplos neons coloridos que iam compondo diferentes desenhos ao fundo, tudo era colorido. Neil Young & cavalo louco fazia de conta de que estavam em um bar de beira de estrada, todos amontoados no meio do palco gigante de festival, sem luzes e sem cores, músicos com aparência de mecânico corcoveando "deselegantemente". Na época, eu me decepcionei com o old man. Não que eu esperasse outra coisa do show, mas eu o achei feio. Estava claro que o Neil Young não era para tocar em festivais como o Rock In Rio. Mas, pensando bem, como os brasileiros poderiam vê-lo senão assim? Nunca veremos um grande artista internacional num lugar pequeno, a não ser em insanas exceções, tipo o show da Cat Power no Garagem Hermética, que eu perdi. Anteontem eu me lembrei de como eu acho o Marco Túlio Lara, guitarrista do Jota Quest, ridículo e de como eu acho ridículo o guitarrista que fica trocando de guitarra só para mostrar quantas guitarras fenomenais ele tem - e o MTL faz isso, para completar. A única banda que realmente precisa trocar tanto de guitarra é o Sonic Youth, porque utiliza uma afinação diferente para cada música. Diante de tudo isso, eu pensei na frase "o sucesso corrompe". Mesmo o Jota Quest era uma banda decente na época em que era J. Quest, banda cult até, e inclusive eu fui a um show deles em Gravataí, quando eles usavam aqueles perucões ainda. Mas o sucesso vem e, principalmente no Brasil, as bandas começam a compor muitas baladas românticas. Até o Nando Reis é corrompido e escreve a genial frase "o amor é um calor que aquece a alma". Então eu voltei a pensar no Neil Young, que ele é um dos únicos que nunca vai se corromper. Talvez com um pouco de exagero. Não considero que o R.E.M. tenha se corrompido, pelo contrário, é, junto com o Sonic Youth, uma das bandas de carreira mais longa & respeitada/ável. Pô, imagina aquele filho da puta do Michael Stipe cantando de terno e se chacoalhando como na foto aqui em cima!
Capa do novo disco do Sigur Rós, a ser lançado em 23 de julho, com o título 'Með suð í eyrum við spilum' e cantado em islandês.
sábado, 24 de maio de 2008
A atriz Jena Malone ('Donnie Darko', 'Into the wild') também canta e toca e construiu ("Meu nome é Tony, e eu construí um instrumen-to") esse instrumento aqui em cima, chamado The Shoe. Pode-se ouvi-lo em ação no MySpace.
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Viva! Blog novo. Visual levemente modificado para mudar de roupa um pouco e para permitir a inclusão do sistema de comentários do próprio Blogger - não tive outra opção, pois estão fodidos o Falou & Disse e o Enetation. Este meu blog, existente desde 2001, havia mudado de cara apenas duas vezes: comecei com um modelo pronto (com fundo preto) e, depois de algum tempo, inverti as cores (tornando o fundo branco). Agora estou testando este fundo cinza. Saiu a coluna esquerda, com dezenas de links, os quais foram resumidos no topo da página, logo abaixo dos quadros do Last.fm e do Flickr. O arquivo de postagens foi para o pé da página, agora com o número de posts por mês e a primeira frase de cada um servindo de link para eles. É isso aí, sétimo ano, e não há previsões para morte deste blog e futuro nascimento de outro. Só terei este, um só, até o fim. Íri!
quarta-feira, 21 de maio de 2008
"Alguém pode cobrar: 'Aquela vez, naquele lugar, você me disse isso, e até hoje me dói'. A gente pensa, repensa, mas não se lembra: 'O que foi, quando foi? Eu jamais teria dito isso, sobretudo se ia te ferir'. Mas o outro insiste na sua dor. A incomunicabilidade é quase um estado habitual de muitas pessoas: como nascer com algum defeito físico do qual não se tem culpa, mas que chateia ou atormenta. Saber se comunicar, no trabalho, no cotidiano e na vida pessoal, é uma dádiva. Abre portas e janelas, promove generosidade e acolhimento. Mas é raro. Em geral somos enrolados, somos tímidos, guardamos velhas mágoas ou somos arrogantes, outra face da insegurança e do medo." (Lya Luft)
Hoje saí com a camiseta dos NIN. E eis que, quando chego no trabalho, o meu colega Roberto me fala que há negociações com os Nine Inch Nails para tocarem em Porto Alegre no dia 9 de outubro (aniversário de 68 anos do John Lennon). Segundo o Google, as negociações envolvem Opinião Produtora e Pepsi On Stage.
"Se existe algum grande mérito em 'A Via Láctea', é a vontade de experimentar de Lina Chamie. Para contar uma história que – descobrimos durante o filme – se passa na mente do protagonista no momento de sua morte, a diretora utiliza todos os recursos de linguagem que consegue imaginar: voz em off, alternância de ponto-de-vista, repetição da mesma cena com pequenas diferenças, deslocamento temporal e espacial, jump-cuts, descrição de personagens e locais à la Ilha das Flores, meta-linguagem, mudanças de registro (poético, literário, teatral, naturalista) ou de suporte (é captado em DV, Super-16 e 35mm), sujeira, granulação, e esta lista pode continuar quase infinitamente. Na construção sonora, mistura trilha sonora de desenhos animados, os barulhos da cidade de São Paulo, diversas vozes sobrepostas, notícias de rádio e televisão, música original e um tanto de outras idéias (tantas que impossíveis de identificar em uma primeira visão). Essa profusão de elementos procura construir, através de uma complexa estrutura, o resgate do amor entre duas pessoas após uma grande briga, na metrópole de São Paulo. E, infelizmente, o filme peca por, no meio de tantas idéias, não alcançar nunca o sentimento desejado." (Leonardo Levis/Contracampo)
O crítico Leonardo recheia sua análise de merecido apontamento das enormes falhas desse filme brasileiro. No entanto, ele consegue escrever uma primeira e uma última frase que escorregam no sabonete, tentando aliviar o que não precisa ser aliviado, colocando no bloco de texto extremidades que nada tem a ver com todo o recheio. Ademais, não faz sentido justificar um mau filme pela tentativa da diretora, pois senão isso poderia ser feito com qualquer filme ruim. Como se vê, eu gosto de criticar críticas. A minha tese de mestrado será assim, se um dia ela existir. A propósito, eis o último parágrafo da resenha do Leonardo, para ler a referida última frase.
"Assim, ficamos com uma obra cuja força parece sempre disposta a surgir, mas que permanece inacessível para o espectador, presa no escombro das mil possibilidades. Afinal, ao escolher tudo, e sempre, a diretora faz perder o valor de suas escolhas, ou mesmo o de seus significados. Assim, atropela a duração, o ritmo e, finalmente, o sentimento que só pode surgir de tudo isso. Ao espectador, cabe talvez admirar ao longe a vontade e o risco, ainda que o produto final esteja um tanto aquém deste impulso inicial." (Leonardo Levis/Contracampo)
"Em se tratando de David Lynch temos a clara certeza de que aquelas imagens que . . . tão erraticamente exibe são a fina flor da produção de seu autor, a utopia de seu cinema: nexo emocional e não lógico, mistério abominável contra a doçura harmoniosa do amor (Marilyn Manson contra Julee Cruise), força evocativa da imagem, sugestão mais importante que a resolução." (Ruy Gardnier/Contracampo)
domingo, 18 de maio de 2008
Maio
01. Constantina "Jaburu" (Open Field / Peligro)
02. Battles "Mirrored" (Warp)
03. Constantina "Constantina" (Le Petit Chambre)
04. Stephen Malkmus "Face the Truth" (Ultrapop)
05. Blanched "Avalanched" (Open Field / Peligro)
06. Calexico "Garden Ruin" (Quarterstick)
07. Colorir "A Clínica do Olho" (Open Field / Peligro)
08. V/A "Acquired Taste" (Sub Pop)
09. Pan&Tone "Estéreo Tipo ou Panorâmico Tonal" (Open Field / Peligro)
10. V/A "Não Wave" (Man)
Se continuar desse jeito e a Vida Simples ver isso, quando o Muriel voltar, ele tem emprego numa grande revista. Encontrar o graal é pouco. Isso quer dizer que, independentemente de qualquer coisa, um conhecimento desses assim conquistado acaba confluindo para encharcar positivamente toda a vida daqui para diante.
"Viver é uma coisa óbvia. Mas então por quê nos custa tanto aprender? Tem uma teorizinha que ensaiei dois minutos atrás: toda coisa quando vista diretamente surge como óbvia. O óbvio é a sensação que vem na experiência direta das coisas. A vida portanto só pode ser vivida em sua obviedade, na sua experiência direta, que é o que torna ela óbvia. O que dificulta tudo é que nós nos encarregamos de esconder a sua obviedade, de pensá-la, idealizá-la. Então passamos uma boa parte das nossas vidas cavocando cavocando cavocando em nossos pensamentos e ideais em busca da experiência direta, sem intermediários imagéticos, o fluxo mesmo das coisas, que quanto aparece se mostra tão óbvio que a gente tem de imediato a reação de voltar atrás, refluindo em pensamentos contrários, como que num arrependimento expresso por não termos visto antes tão antes o que é óbvio tão óbvio, tal é a ambigüidade da sensação da obviedade. Viver, concluo, é tão óbvio que para um cidadão mais ou menos instruído é natural duvidar. Mas como assim? Não pode ser tão óbvio assim. Vou pensar numa forma mais complexa ou mais profunda. Nada, é óbvio sim, é simples assim, sem segredos. Sejamos óbvios, sejamos felizes!" ('Amar a solidão do outro')
"Tenho observado em mim e nos meus amigos daqui as mais diferentes formas de lidar com a difícil balança da necessidade de segurança e da instabilidade de todas as coisas. Há sem dúvida soluções admiráveis e simples, as quais eu mesmo não entendo e até invejo, assim como já vi gente patinando nos seus medos sem a menor noção de que podiam dispôr de formas mais sofisticadas pra lidar com isso. Eu acho que me situo num padrão meio médio, meia boca, longe de ser dos mais eficazes pelo menos é saudável e realista. Abaixo de mim estão aqueles que não conseguem ficar sozinhos nem por dois segundos, os que bebem ou fumam regularmente, os que estão sempre em atividade, os que trabalham demais, os que sonham demais. Peraí, nessa última categoria eu também me situo. É uma questão complexa, eu sei. Necessidade de segurança é coisa legítima e justa, tomos precisamos e merecemos ter alguma, a vida é inviável sem algum tipo de segurança, mesmo que possamos dizer que não existem seguranças e garantias ou, como os budistas, que tudo é ilusão. Que seja, sem ilusões é impossível sobreviver, falo por experiência própria. Da mesma forma que com ilusões demais ou dando solidez demais às ilusões, o buraco é o mesmo. Assim, ao que parece, a melhor posição pra balança é a do meio, viver a ilusão mas saber ver através dela, buscar sim a segurança mas entrever a sua inconsistência, seja ela a mulher amada, o carro do ano, o trabalho bem realizado. No fundo, sabemos, não é preciso fazer nada, a gente realmente não precisaria de nada pra seguir vivendo. (...) Mas o que eu quero dizer é no fundo óbvio, como tudo o que é difícil de enxergar: a obtenção da segurança passa pelo saber lidar com a instabilidade, que é da onde surge a flexibilidade. Flexibilidade pra lidar com os sonhos, com os desejos, com a realidade, com o passado, flexibilidade pra suportar a segurança e a insegurança, flexibilidade pra suportar ser e não ser várias vezes ao dia, flexibilidade pra ser feliz e infeliz a cada vez. (...)" ('A necessidade de estar seguro')
"Um sofisma: nós podemos ser o que nós quisermos. Em certo sentido sim, podemos. O que os sofistas dessa escola não dizem é que, se você é o que você quer, sem respeitar o que você é em sua natureza, você é uma mentira pra si mesmo, você vive uma vida fora de esquadro, doente. Verdades relativas e verdades absolutas. A relativa é que sim, podemos ser o que quisermos, o menu de formas humanas e de estilos de vida é vasto e podemos viver a experiência que nos der na telha. No entanto, a verdade absoluta diz que só existe uma vida autêntica e que ela reside em nossa própria natureza. Portanto, há uma escolha aí. Ou você opta por ter uma vida de experiências ou você opta pela sua natureza. Se você quer se sentir confortável dentro de si mesmo, opte pela segunda via, sem dúvida. De outro modo, será difícil parar de saltar de galho em galho. (...)" ('Marcando a posição')
"Viver é uma coisa óbvia. Mas então por quê nos custa tanto aprender? Tem uma teorizinha que ensaiei dois minutos atrás: toda coisa quando vista diretamente surge como óbvia. O óbvio é a sensação que vem na experiência direta das coisas. A vida portanto só pode ser vivida em sua obviedade, na sua experiência direta, que é o que torna ela óbvia. O que dificulta tudo é que nós nos encarregamos de esconder a sua obviedade, de pensá-la, idealizá-la. Então passamos uma boa parte das nossas vidas cavocando cavocando cavocando em nossos pensamentos e ideais em busca da experiência direta, sem intermediários imagéticos, o fluxo mesmo das coisas, que quanto aparece se mostra tão óbvio que a gente tem de imediato a reação de voltar atrás, refluindo em pensamentos contrários, como que num arrependimento expresso por não termos visto antes tão antes o que é óbvio tão óbvio, tal é a ambigüidade da sensação da obviedade. Viver, concluo, é tão óbvio que para um cidadão mais ou menos instruído é natural duvidar. Mas como assim? Não pode ser tão óbvio assim. Vou pensar numa forma mais complexa ou mais profunda. Nada, é óbvio sim, é simples assim, sem segredos. Sejamos óbvios, sejamos felizes!" ('Amar a solidão do outro')
"Tenho observado em mim e nos meus amigos daqui as mais diferentes formas de lidar com a difícil balança da necessidade de segurança e da instabilidade de todas as coisas. Há sem dúvida soluções admiráveis e simples, as quais eu mesmo não entendo e até invejo, assim como já vi gente patinando nos seus medos sem a menor noção de que podiam dispôr de formas mais sofisticadas pra lidar com isso. Eu acho que me situo num padrão meio médio, meia boca, longe de ser dos mais eficazes pelo menos é saudável e realista. Abaixo de mim estão aqueles que não conseguem ficar sozinhos nem por dois segundos, os que bebem ou fumam regularmente, os que estão sempre em atividade, os que trabalham demais, os que sonham demais. Peraí, nessa última categoria eu também me situo. É uma questão complexa, eu sei. Necessidade de segurança é coisa legítima e justa, tomos precisamos e merecemos ter alguma, a vida é inviável sem algum tipo de segurança, mesmo que possamos dizer que não existem seguranças e garantias ou, como os budistas, que tudo é ilusão. Que seja, sem ilusões é impossível sobreviver, falo por experiência própria. Da mesma forma que com ilusões demais ou dando solidez demais às ilusões, o buraco é o mesmo. Assim, ao que parece, a melhor posição pra balança é a do meio, viver a ilusão mas saber ver através dela, buscar sim a segurança mas entrever a sua inconsistência, seja ela a mulher amada, o carro do ano, o trabalho bem realizado. No fundo, sabemos, não é preciso fazer nada, a gente realmente não precisaria de nada pra seguir vivendo. (...) Mas o que eu quero dizer é no fundo óbvio, como tudo o que é difícil de enxergar: a obtenção da segurança passa pelo saber lidar com a instabilidade, que é da onde surge a flexibilidade. Flexibilidade pra lidar com os sonhos, com os desejos, com a realidade, com o passado, flexibilidade pra suportar a segurança e a insegurança, flexibilidade pra suportar ser e não ser várias vezes ao dia, flexibilidade pra ser feliz e infeliz a cada vez. (...)" ('A necessidade de estar seguro')
"Um sofisma: nós podemos ser o que nós quisermos. Em certo sentido sim, podemos. O que os sofistas dessa escola não dizem é que, se você é o que você quer, sem respeitar o que você é em sua natureza, você é uma mentira pra si mesmo, você vive uma vida fora de esquadro, doente. Verdades relativas e verdades absolutas. A relativa é que sim, podemos ser o que quisermos, o menu de formas humanas e de estilos de vida é vasto e podemos viver a experiência que nos der na telha. No entanto, a verdade absoluta diz que só existe uma vida autêntica e que ela reside em nossa própria natureza. Portanto, há uma escolha aí. Ou você opta por ter uma vida de experiências ou você opta pela sua natureza. Se você quer se sentir confortável dentro de si mesmo, opte pela segunda via, sem dúvida. De outro modo, será difícil parar de saltar de galho em galho. (...)" ('Marcando a posição')
Consideração inédita. Milagre.
"Ae, foi mal demorar tanto pra responder. Curti o Blanched e o Hotel, mas, porra, Pelicano é muito foda!" (Lucas de Almeida, Inverness)
"Ae, foi mal demorar tanto pra responder. Curti o Blanched e o Hotel, mas, porra, Pelicano é muito foda!" (Lucas de Almeida, Inverness)
sábado, 17 de maio de 2008
O filme curitibano 'Estômago' é um dos melhores de todos os tempos do Brasil, excluindo-se os minutos finais, que estragam um pouco. Ele é conduzido com maestria pelo diretor Marcos Jorge e pela trilha sonora do italiano Giovanni Venosta (a música é 50% da fluidez do filme). E o protagonista é o sensacional João Miguel, o Ranulpho de 'Cinemas, aspirinas e urubus'. O filme e o ator venceram o Festival de Punta Del Este.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
O chargista Sinovaldo foi um herói da minha infância, quando eu recortava o trabalho dele no Jornal NH (principalmente os do personagem Vavau, um cão vira-lata) e quando eu lia e relia um livrinho que eu tinha - e que está "vivo" na casa do meu pai, conforme eu vi esses dias.
terça-feira, 13 de maio de 2008
[100 MELHORES DISCOS DOS ANOS 80 SEGUNDO PITCHFORK]
001: Sonic Youth - Daydream Nation [Blast First/Enigma; 1987]
002: Talking Heads - Remain in Light [Sire; 1980]
003: Beastie Boys - Paul's Boutique [Capitol; 1989]
004: Pixies - Doolittle [4AD; 1989]
005: R.E.M. - Murmur [IRS; 1983]
006: The Smiths - The Queen Is Dead [Sire; 1986]
007: Pixies - Surfer Rosa [4AD; 1988]
008: Tom Waits - Rain Dogs [Island; 1985]
009: Public Enemy - It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back [Def Jam; 1988]
010: Joy Division - Closer [Factory; 1980]
011: Tom Waits - Swordfishtrombones [Island; 1983]
012: Prince & The Revolution - Purple Rain [Warner Bros; 1984]
013: The Fall - This Nation's Saving Grace [Beggars Banquet; 1985]
014: Sonic Youth - Sister [SST; 1987]
015: XTC - Skylarking [Virgin; 1986]
016: Galaxie 500 - On Fire [Rough Trade; 1989]
017: Minutemen - Double Nickels on the Dime [SST; 1984]
018: De La Soul - 3 Feet High and Rising [Tommy Boy; 1989]
019: Public Image, Ltd. - Second Edition [Virgin; 1980]
020: This Heat - Deceit [Rough Trade; 1981]
021: Brian Eno & David Byrne - My Life in the Bush of Ghosts [Sire; 1981]
022: My Bloody Valentine - Isn't Anything [Creation/Sire; 1988]
023: The Jesus & Mary Chain - Psychocandy [Blanco y Negro/Warner Bros; 1985]
024: Gang of Four - Solid Gold [Warner Bros; 1981]
025: Black Flag - Damaged [SST; 1981]
026: Elvis Costello & The Attractions - Get Happy [Columbia; 1980]
027: Michael Jackson - Thriller [Epic; 1982]
028: New Order - Power, Corruption & Lies [Factory; 1983]
029: The Replacements - Let It Be [Twin/Tone; 1984]
030: U2 - The Joshua Tree [Island; 1987]
031: Sonic Youth - EVOL [SST; 1986]
032: Hüsker Dü - Zen Arcade [SST; 1984]
033: The Fall - Hex Enduction Hour [Kamera; 1982]
034: Talk Talk - Spirit of Eden [EMI; 1988]
035: N.W.A. - Straight Outta Compton [Ruthless/Priority; 1988]
036: Violent Femmes - Violent Femmes [Rough Trade; 1983]
037: The Replacements - Tim [Sire; 1985]
038: The Cure - Disintegration [Fiction/Elektra; 1989]
039: The Stone Roses - The Stone Roses [Silvertone; 1989]
040: Dinosaur Jr. - You're Living All Over Me [SST; 1987]
041: Beastie Boys - Licensed to Ill [Def Jam; 1986]
042: Cowboy Junkies - The Trinity Session [RCA; 1988]
043: Run-DMC - Raising Hell [Profile; 1986]
044: Kraftwerk - Computer World [Warner Bros; 1981]
045: Prince - Sign 'O' The Times [Paisley Park/Warner Bros; 1987]
046: XTC - English Settlement [Virgin; 1982]
047: John Zorn - Naked City [Tzadik; 1989]
048: R.E.M. - Document [IRS; 1987]
049: Mission of Burma - Vs. [Ace of Hearts; 1982]
050: Spacemen 3 - The Perfect Prescription [Fire; 1987]
051: Leonard Cohen - I'm Your Man [Columbia; 1988]
052: Eric B. & Rakim - Paid in Full [4th & Broadway; 1987]
053: Mission of Burma - Signals, Calls & Marches [Ace of Hearts; 1981]
054: Big Black - Songs about Fucking [Touch & Go; 1987]
055: The Police - Synchronicity [A&M; 1983]
056: King Crimson - Discipline [Warner Bros; 1981]
057: Pixies - Come On Pilgrim [4AD; 1987]
058: Elvis Costello - Imperial Bedroom [Columbia; 1982]
059: Guns N' Roses - Appetite for Destruction [Geffen; 1987]
060: Bruce Springsteen - Nebraska [Columbia; 1982]
061: Nurse with Wound - Homotopy to Marie [United Dairies; 1982]
062: R.E.M. - Reckoning [IRS; 1984]
063: Young Marble Giants - Colossal Youth [Rough Trade; 1980]
064: Television Personalities - ...And Don't the Kids Just Love It [Rough Trade; 1981]
065: The Soft Boys - Underwater Moonlight [Armageddon; 1980]
066: The Dukes of Stratosphear - Psonic Psunspot [Virgin; 1987]
067: The Pogues - Rum, Sodomy & The Lash [MCA; 1985]
068: Talking Heads - Stop Making Sense [Sire; 1984]
069: The Feelies - Crazy Rhythms [A&M; 1980]
070: Elvis Costello - Trust [Columbia; 1981]
071: Replacements - Pleased to Meet Me [Sire; 1987]
072: Meat Puppets - Up on the Sun [SST; 1985]
073: Coil - Horse Rotorvator [Relativity; 1987]
074: Mekons - Fear & Whiskey [Sin; 1985]
075: Boogie Down Productions - Criminal Minded [Sugar Hill; 1987]
076: The dB's - Stands for Decibels [IRS; 1981]
077: The Smiths - Strangeways, Here We Come [Sire; 1987]
078: They Might Be Giants - Lincoln [Fire; 1989]
079: Manuel Gttsching - E2-E4 [Spalax; 1981]
080: Hüsker Dü - New Day Rising [SST; 1985]
081: Cocteau Twins - Blue Bell Knoll [4AD; 1988]
082: The Fall - Perverted by Language [Rough Trade; 1983]
083: Talk Talk - The Colour of Spring [EMI; 1986]
084: ESG - Come Away with ESG [99; 1983]
085: Paul Simon - Graceland [Warner Bros; 1986]
086: The Police - Ghost in the Machine [A&M; 1981]
087: Prince - Dirty Mind [Warner Bros; 1980]
088: Spacemen 3 - Playing with Fire [Fire; 1989]
089: Boredoms - Soul Discharge [Shimmy-Disc; 1989]
090: Jane's Addiction - Nothing's Shocking [Warner Bros; 1988]
091: X - Los Angeles [Slash; 1980]
092: Kate Bush - Hounds of Love [EMI; 1985]
093: David Bowie - Scary Monsters (And Super Creeps) [RCA; 1980]
094: Meat Puppets - II [SST; 1983]
095: Duran Duran - Rio [Capitol; 1982]
096: Rites of Spring - Rites of Spring [Dischord; 1985]
097: Mekons - The Mekons Rock 'N' Roll [A&M; 1989]
098: Cocteau Twins - Treasure [4AD; 1984]
099: Gang of Four - Songs of the Free [Warner Bros; 1982]
100: Minor Threat - Out of Step [Dischord; 1984]
[100 MELHORES DISCOS DOS ANOS 90 SEGUNDO PITCHFORK]
001: Radiohead - OK Computer [Capitol; 1997]
002: My Bloody Valentine - Loveless [Creation; 1991]
003: The Flaming Lips - The Soft Bulletin [Warner Bros; 1999]
004: Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane Over the Sea [Merge; 1998]
005: Pavement - Slanted & Enchanted [Matador; 1992]
006: Nirvana - Nevermind [DGC; 1991]
007: DJ Shadow - ... Endtroducing [Mo'Wax; 1996]
008: Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain [Matador; 1994]
009: Bonnie "Prince" Billy - I See a Darkness [Palace; 1999]
010: Guided by Voices - Bee Thousand [Scat; 1994]
011: Talk Talk - Laughing Stock [Polydor; 1991]
012: Slint - Spiderland [Touch & Go; 1991]
013: Nirvana - In Utero [DGC; 1993]
014: Belle & Sebastian - If You're Feeling Sinister [The Enclave; 1996]
015: Radiohead - The Bends [Capitol; 1995]
016: The Dismemberment Plan - Emergency & I [DeSoto; 1999]
017: Public Enemy - Fear of a Black Planet [Def Jam; 1990]
018: Smashing Pumpkins - Siamese Dream [Virgin; 1993]
019: Beck - Odelay [DGC; 1996]
020: Björk - Post [Elektra; 1995]
021: Björk - Homogenic [Elektra; 1997]
022: Built to Spill - Perfect from Now On [Warner Bros; 1997]
023: The Beta Band - The Three EPs [Astralwerks; 1999]
024: Built to Spill - There's Nothing Wrong with Love [Up; 1994]
025: Yo La Tengo - I Can Hear the Heart Beating as One [Matador; 1997]
026: Weezer - Weezer [DGC; 1994]
027: Guided by Voices - Alien Lanes [Matador; 1995]
028: Pixies - Bossanova [4AD; 1990]
029: Modest Mouse - The Lonesome Crowded West [Up; 1997]
030: Liz Phair - Exile in Guyville [Matador; 1993]
031: Wilco - Summerteeth [Reprise; 1999]
032: The Notorious B.I.G. - Ready to Die [Bad Boy; 1994]
033: Nas - Illmatic [Columbia; 1994]
034: Beastie Boys - Check Your Head [Grand Royal; 1992]
035: Boards of Canada - Music Has the Right to Children [Warp; 1998]
036: Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) [Loud; 1993]
037: Magnetic Fields - 69 Love Songs [Merge; 1999]
038: The Jesus Lizard - Goat [Touch & Go; 1991]
039: Olivia Tremor Control - Dusk at Cubist Castle [Flydaddy; 1996]
040: Aphex Twin - The Richard D. James Album [Warp; 1996]
041: Yo La Tengo - Painful [Matador; 1993]
042: Fugazi - Red Medicine [Dischord; 1995]
043: R.E.M. - Automatic for the People [Warner Bros; 1992]
044: Boredoms - Super Ae [Birdman; 1998]
045: Godspeed You Black Emperor! - F# A# Infinity [Kranky; 1998]
046: Air - Moon Safari [Astralwerks; 1998]
047: Oval - 94diskont [Thrill Jockey; 1995]
048: Portishead - Dummy [Go! Discs; 1994]
049: Tom Waits - Bone Machine [Island; 1992]
050: Outkast - Aquemini [LaFace; 1998]
051: Stereolab - Emperor Tomato Ketchup [Elektra; 1996]
052: PJ Harvey - Rid of Me [Island; 1993]
053: Weezer - Pinkerton [DGC; 1991]
054: Blur - Parklife [SBK; 1994]
055: Spiritualized - Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space [Dedicated; 1997]
056: A Tribe Called Quest - The Low-End Theory [Jive; 1991]
057: Brainiac - Bonsai Superstar [Grass; 1994]
058: Jesus Lizard - Liar [Touch & Go; 1992]
059: Elliott Smith - Either/Or [Kill Rock Stars; 1997]
060: Palace Music - Viva Last Blues [Drag City; 1995]
061: Pulp - Different Class [Island; 1995]
062: Aphex Twin - Selected Ambient Works, Vol. II [Warp; 1994]
063: De La Soul - De La Soul Is Dead [Tommy Boy; 1991]
064: The Breeders - Last Splash [4AD; 1993]
065: Daft Punk - Homework [Virgin; 1997]
066: Tricky - Maxinquaye [Island; 1995]
067: Mouse on Mars - Iaora Tahiti [Too Pure; 1995]
068: Elliott Smith - XO [Dreamworks; 1998]
069: Jeff Buckley - Grace [Columbia; 1994]
070: Jawbox - For Your Own Special Sweetheart [Atlantic; 1994]
071: Dr. Octagon - Octagonecologyst [Dreamworks; 1996]
072: Silver Jews - American Water [Drag City; 1998]
073: Brainiac - Hissing Prigs in Static Couture [Touch & Go; 1996]
074: Ride - Nowhere [Sire; 1990]
075: A Tribe Called Quest - Midnight Marauders [Jive; 1993]
076: Mercury Rev - Deserter's Songs [V2; 1998]
077: Primal Scream - Screamadelica [Sire; 1991]
078: Stereolab - Mars Audiac Quintet [Elektra; 1994]
079: Dr. Dre - The Chronic [Death Row; 1992]
080: The Pharcyde - Bizarre Ride II The Pharcyde [Delicious Vinyl; 1992]
081: The Breeders - Pod [4AD; 1990]
082: Sonic Youth - Goo [DGC; 1990]
083: Pixies - Trompe le Monde [4AD; 1991]
084: Company Flow - Funcrusher Plus [Rawkus; 1997]
085: Massive Attack - Blue Lines [Virgin; 1991]
086: Destroyer - City of Daughters [Triple Crown; 1998]
087: GZA/Genius - Liquid Swords [Geffen; 1995]
088: Wilco - Being There [Reprise; 1996]
089: Squarepusher - Music Is Rotted One Note [Warp; 1999]
090: Cocteau Twins - Heaven or Las Vegas [4AD; 1990]
091: Tortoise - TNT [Thrill Jockey; 1998]
092: Scott Walker - Tilt [Drag City; 1995]
093: Bob Dylan - Time Out of Mind [Columbia; 1997]
094: Frank Black - Teenager of the Year [4AD; 1994]
095: Massive Attack - Mezzanine [Virgin; 1998]
096: Herbert - Around the House [!K7; 1998]
097: Mogwai - Young Team [Jetset; 1997]
098: KMD - Mr. Hood [Asylum; 1991]
099: Raekwon - Only Built 4 Cuban Linx [Loud; 1995]
100: The Orb - The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld [Big Life; 1991]
001: Sonic Youth - Daydream Nation [Blast First/Enigma; 1987]
002: Talking Heads - Remain in Light [Sire; 1980]
003: Beastie Boys - Paul's Boutique [Capitol; 1989]
004: Pixies - Doolittle [4AD; 1989]
005: R.E.M. - Murmur [IRS; 1983]
006: The Smiths - The Queen Is Dead [Sire; 1986]
007: Pixies - Surfer Rosa [4AD; 1988]
008: Tom Waits - Rain Dogs [Island; 1985]
009: Public Enemy - It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back [Def Jam; 1988]
010: Joy Division - Closer [Factory; 1980]
011: Tom Waits - Swordfishtrombones [Island; 1983]
012: Prince & The Revolution - Purple Rain [Warner Bros; 1984]
013: The Fall - This Nation's Saving Grace [Beggars Banquet; 1985]
014: Sonic Youth - Sister [SST; 1987]
015: XTC - Skylarking [Virgin; 1986]
016: Galaxie 500 - On Fire [Rough Trade; 1989]
017: Minutemen - Double Nickels on the Dime [SST; 1984]
018: De La Soul - 3 Feet High and Rising [Tommy Boy; 1989]
019: Public Image, Ltd. - Second Edition [Virgin; 1980]
020: This Heat - Deceit [Rough Trade; 1981]
021: Brian Eno & David Byrne - My Life in the Bush of Ghosts [Sire; 1981]
022: My Bloody Valentine - Isn't Anything [Creation/Sire; 1988]
023: The Jesus & Mary Chain - Psychocandy [Blanco y Negro/Warner Bros; 1985]
024: Gang of Four - Solid Gold [Warner Bros; 1981]
025: Black Flag - Damaged [SST; 1981]
026: Elvis Costello & The Attractions - Get Happy [Columbia; 1980]
027: Michael Jackson - Thriller [Epic; 1982]
028: New Order - Power, Corruption & Lies [Factory; 1983]
029: The Replacements - Let It Be [Twin/Tone; 1984]
030: U2 - The Joshua Tree [Island; 1987]
031: Sonic Youth - EVOL [SST; 1986]
032: Hüsker Dü - Zen Arcade [SST; 1984]
033: The Fall - Hex Enduction Hour [Kamera; 1982]
034: Talk Talk - Spirit of Eden [EMI; 1988]
035: N.W.A. - Straight Outta Compton [Ruthless/Priority; 1988]
036: Violent Femmes - Violent Femmes [Rough Trade; 1983]
037: The Replacements - Tim [Sire; 1985]
038: The Cure - Disintegration [Fiction/Elektra; 1989]
039: The Stone Roses - The Stone Roses [Silvertone; 1989]
040: Dinosaur Jr. - You're Living All Over Me [SST; 1987]
041: Beastie Boys - Licensed to Ill [Def Jam; 1986]
042: Cowboy Junkies - The Trinity Session [RCA; 1988]
043: Run-DMC - Raising Hell [Profile; 1986]
044: Kraftwerk - Computer World [Warner Bros; 1981]
045: Prince - Sign 'O' The Times [Paisley Park/Warner Bros; 1987]
046: XTC - English Settlement [Virgin; 1982]
047: John Zorn - Naked City [Tzadik; 1989]
048: R.E.M. - Document [IRS; 1987]
049: Mission of Burma - Vs. [Ace of Hearts; 1982]
050: Spacemen 3 - The Perfect Prescription [Fire; 1987]
051: Leonard Cohen - I'm Your Man [Columbia; 1988]
052: Eric B. & Rakim - Paid in Full [4th & Broadway; 1987]
053: Mission of Burma - Signals, Calls & Marches [Ace of Hearts; 1981]
054: Big Black - Songs about Fucking [Touch & Go; 1987]
055: The Police - Synchronicity [A&M; 1983]
056: King Crimson - Discipline [Warner Bros; 1981]
057: Pixies - Come On Pilgrim [4AD; 1987]
058: Elvis Costello - Imperial Bedroom [Columbia; 1982]
059: Guns N' Roses - Appetite for Destruction [Geffen; 1987]
060: Bruce Springsteen - Nebraska [Columbia; 1982]
061: Nurse with Wound - Homotopy to Marie [United Dairies; 1982]
062: R.E.M. - Reckoning [IRS; 1984]
063: Young Marble Giants - Colossal Youth [Rough Trade; 1980]
064: Television Personalities - ...And Don't the Kids Just Love It [Rough Trade; 1981]
065: The Soft Boys - Underwater Moonlight [Armageddon; 1980]
066: The Dukes of Stratosphear - Psonic Psunspot [Virgin; 1987]
067: The Pogues - Rum, Sodomy & The Lash [MCA; 1985]
068: Talking Heads - Stop Making Sense [Sire; 1984]
069: The Feelies - Crazy Rhythms [A&M; 1980]
070: Elvis Costello - Trust [Columbia; 1981]
071: Replacements - Pleased to Meet Me [Sire; 1987]
072: Meat Puppets - Up on the Sun [SST; 1985]
073: Coil - Horse Rotorvator [Relativity; 1987]
074: Mekons - Fear & Whiskey [Sin; 1985]
075: Boogie Down Productions - Criminal Minded [Sugar Hill; 1987]
076: The dB's - Stands for Decibels [IRS; 1981]
077: The Smiths - Strangeways, Here We Come [Sire; 1987]
078: They Might Be Giants - Lincoln [Fire; 1989]
079: Manuel Gttsching - E2-E4 [Spalax; 1981]
080: Hüsker Dü - New Day Rising [SST; 1985]
081: Cocteau Twins - Blue Bell Knoll [4AD; 1988]
082: The Fall - Perverted by Language [Rough Trade; 1983]
083: Talk Talk - The Colour of Spring [EMI; 1986]
084: ESG - Come Away with ESG [99; 1983]
085: Paul Simon - Graceland [Warner Bros; 1986]
086: The Police - Ghost in the Machine [A&M; 1981]
087: Prince - Dirty Mind [Warner Bros; 1980]
088: Spacemen 3 - Playing with Fire [Fire; 1989]
089: Boredoms - Soul Discharge [Shimmy-Disc; 1989]
090: Jane's Addiction - Nothing's Shocking [Warner Bros; 1988]
091: X - Los Angeles [Slash; 1980]
092: Kate Bush - Hounds of Love [EMI; 1985]
093: David Bowie - Scary Monsters (And Super Creeps) [RCA; 1980]
094: Meat Puppets - II [SST; 1983]
095: Duran Duran - Rio [Capitol; 1982]
096: Rites of Spring - Rites of Spring [Dischord; 1985]
097: Mekons - The Mekons Rock 'N' Roll [A&M; 1989]
098: Cocteau Twins - Treasure [4AD; 1984]
099: Gang of Four - Songs of the Free [Warner Bros; 1982]
100: Minor Threat - Out of Step [Dischord; 1984]
[100 MELHORES DISCOS DOS ANOS 90 SEGUNDO PITCHFORK]
001: Radiohead - OK Computer [Capitol; 1997]
002: My Bloody Valentine - Loveless [Creation; 1991]
003: The Flaming Lips - The Soft Bulletin [Warner Bros; 1999]
004: Neutral Milk Hotel - In the Aeroplane Over the Sea [Merge; 1998]
005: Pavement - Slanted & Enchanted [Matador; 1992]
006: Nirvana - Nevermind [DGC; 1991]
007: DJ Shadow - ... Endtroducing [Mo'Wax; 1996]
008: Pavement - Crooked Rain, Crooked Rain [Matador; 1994]
009: Bonnie "Prince" Billy - I See a Darkness [Palace; 1999]
010: Guided by Voices - Bee Thousand [Scat; 1994]
011: Talk Talk - Laughing Stock [Polydor; 1991]
012: Slint - Spiderland [Touch & Go; 1991]
013: Nirvana - In Utero [DGC; 1993]
014: Belle & Sebastian - If You're Feeling Sinister [The Enclave; 1996]
015: Radiohead - The Bends [Capitol; 1995]
016: The Dismemberment Plan - Emergency & I [DeSoto; 1999]
017: Public Enemy - Fear of a Black Planet [Def Jam; 1990]
018: Smashing Pumpkins - Siamese Dream [Virgin; 1993]
019: Beck - Odelay [DGC; 1996]
020: Björk - Post [Elektra; 1995]
021: Björk - Homogenic [Elektra; 1997]
022: Built to Spill - Perfect from Now On [Warner Bros; 1997]
023: The Beta Band - The Three EPs [Astralwerks; 1999]
024: Built to Spill - There's Nothing Wrong with Love [Up; 1994]
025: Yo La Tengo - I Can Hear the Heart Beating as One [Matador; 1997]
026: Weezer - Weezer [DGC; 1994]
027: Guided by Voices - Alien Lanes [Matador; 1995]
028: Pixies - Bossanova [4AD; 1990]
029: Modest Mouse - The Lonesome Crowded West [Up; 1997]
030: Liz Phair - Exile in Guyville [Matador; 1993]
031: Wilco - Summerteeth [Reprise; 1999]
032: The Notorious B.I.G. - Ready to Die [Bad Boy; 1994]
033: Nas - Illmatic [Columbia; 1994]
034: Beastie Boys - Check Your Head [Grand Royal; 1992]
035: Boards of Canada - Music Has the Right to Children [Warp; 1998]
036: Wu-Tang Clan - Enter the Wu-Tang (36 Chambers) [Loud; 1993]
037: Magnetic Fields - 69 Love Songs [Merge; 1999]
038: The Jesus Lizard - Goat [Touch & Go; 1991]
039: Olivia Tremor Control - Dusk at Cubist Castle [Flydaddy; 1996]
040: Aphex Twin - The Richard D. James Album [Warp; 1996]
041: Yo La Tengo - Painful [Matador; 1993]
042: Fugazi - Red Medicine [Dischord; 1995]
043: R.E.M. - Automatic for the People [Warner Bros; 1992]
044: Boredoms - Super Ae [Birdman; 1998]
045: Godspeed You Black Emperor! - F# A# Infinity [Kranky; 1998]
046: Air - Moon Safari [Astralwerks; 1998]
047: Oval - 94diskont [Thrill Jockey; 1995]
048: Portishead - Dummy [Go! Discs; 1994]
049: Tom Waits - Bone Machine [Island; 1992]
050: Outkast - Aquemini [LaFace; 1998]
051: Stereolab - Emperor Tomato Ketchup [Elektra; 1996]
052: PJ Harvey - Rid of Me [Island; 1993]
053: Weezer - Pinkerton [DGC; 1991]
054: Blur - Parklife [SBK; 1994]
055: Spiritualized - Ladies and Gentlemen, We Are Floating in Space [Dedicated; 1997]
056: A Tribe Called Quest - The Low-End Theory [Jive; 1991]
057: Brainiac - Bonsai Superstar [Grass; 1994]
058: Jesus Lizard - Liar [Touch & Go; 1992]
059: Elliott Smith - Either/Or [Kill Rock Stars; 1997]
060: Palace Music - Viva Last Blues [Drag City; 1995]
061: Pulp - Different Class [Island; 1995]
062: Aphex Twin - Selected Ambient Works, Vol. II [Warp; 1994]
063: De La Soul - De La Soul Is Dead [Tommy Boy; 1991]
064: The Breeders - Last Splash [4AD; 1993]
065: Daft Punk - Homework [Virgin; 1997]
066: Tricky - Maxinquaye [Island; 1995]
067: Mouse on Mars - Iaora Tahiti [Too Pure; 1995]
068: Elliott Smith - XO [Dreamworks; 1998]
069: Jeff Buckley - Grace [Columbia; 1994]
070: Jawbox - For Your Own Special Sweetheart [Atlantic; 1994]
071: Dr. Octagon - Octagonecologyst [Dreamworks; 1996]
072: Silver Jews - American Water [Drag City; 1998]
073: Brainiac - Hissing Prigs in Static Couture [Touch & Go; 1996]
074: Ride - Nowhere [Sire; 1990]
075: A Tribe Called Quest - Midnight Marauders [Jive; 1993]
076: Mercury Rev - Deserter's Songs [V2; 1998]
077: Primal Scream - Screamadelica [Sire; 1991]
078: Stereolab - Mars Audiac Quintet [Elektra; 1994]
079: Dr. Dre - The Chronic [Death Row; 1992]
080: The Pharcyde - Bizarre Ride II The Pharcyde [Delicious Vinyl; 1992]
081: The Breeders - Pod [4AD; 1990]
082: Sonic Youth - Goo [DGC; 1990]
083: Pixies - Trompe le Monde [4AD; 1991]
084: Company Flow - Funcrusher Plus [Rawkus; 1997]
085: Massive Attack - Blue Lines [Virgin; 1991]
086: Destroyer - City of Daughters [Triple Crown; 1998]
087: GZA/Genius - Liquid Swords [Geffen; 1995]
088: Wilco - Being There [Reprise; 1996]
089: Squarepusher - Music Is Rotted One Note [Warp; 1999]
090: Cocteau Twins - Heaven or Las Vegas [4AD; 1990]
091: Tortoise - TNT [Thrill Jockey; 1998]
092: Scott Walker - Tilt [Drag City; 1995]
093: Bob Dylan - Time Out of Mind [Columbia; 1997]
094: Frank Black - Teenager of the Year [4AD; 1994]
095: Massive Attack - Mezzanine [Virgin; 1998]
096: Herbert - Around the House [!K7; 1998]
097: Mogwai - Young Team [Jetset; 1997]
098: KMD - Mr. Hood [Asylum; 1991]
099: Raekwon - Only Built 4 Cuban Linx [Loud; 1995]
100: The Orb - The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld [Big Life; 1991]
marcadores:
Bob Dylan,
listas,
música,
Radiohead,
Sonic Youth
Na minha terceira ida a estádio desde a adultez, pude perceber o seguinte. Quarenta mil torcedores de um mesmo time poderia parecer uma irmandade incondicional, devido ao avassalador número de "iguais" e a uma esmagadora maioria. Mas não é. Muitos colorados ficam o tempo todo com a esperança de encontrar um gremista disfarçado de colorado. A coloradez fica sendo colocada em dúvida o tempo todo, nas arquibancadas. (Inclusive jogadores são acusados.) No banheiro, por exemplo, quem demora para mijar "só pode ser da Azenha". O jogo era Inter x Sport, e, para os torcedores do Inter, o inimigo não era o pernambucano rubro-negro, mas o time que nem estava ali, o torcedor que passa longe do Beira-Rio quando não é Gre-Nal. Isso reforça a tese de que a rivalidade entre clubes de futebol está no lugar da rivalidade de povos guerreiros na Idade Média. Quem não está na guerra do tráfico, está na guerra do futebol. (E tem gente que deve estar nas duas.) Para o homo sapiens animalesco, é preciso estar em combate com algum grupo inimigo para sentir-se vivo, se não ele não sabe para onde canalizar a energia. Rivalidade binômica à parte, o incondicional aparece mesmo é do nada, como na pancadaria que aconteceu bem do meu lado, naquele jogo de quarta passada. Cerca de dez pessoas estavam envolvidas em se defender e atacar dois (outros) caras bêbados - inclusive um adolescente, com pedalaço. E aqui entra uma outra questão, muito enfocada com a nova lei do Campeonato Brasileiro, de que é proibida a venda de bebida alcoólica nos estádios. Dizem que não adianta, porque vendem cerveja ali fora do estádio e, mesmo se não vendessem, talvez fosse pior porque as pessoas já viriam bêbadas de casa, e de vinho ou cachaça. Mas o que é isso? Essas pessoas são realmente torcedoras? Elas vão ao estádio para ver o time, para ver um jogo de futebol, para cantar e torcer, ou para ficar bêbadas? Se o Inter estivesse mal, mas o Inter está bem, então para que fugir da consciência? Para que não ver a vitória com os olhos completamente não-turvos? Ficar bêbadas para quê? Para brigar? Ou somente com álcool é possível cantar? Ou somente com álcool é possível divertir-se? No dia em que o Inter fez 8x1 no Juventude, passamos, eu e a Juliana, de carro na frente do Beira-Rio para buzinar e participar de alguma forma daquela festa, já que não havíamos ido ao jogo. Vimos uma faixa grande, meio faixa meio bandeira, com três palavras, verbos na primeira pessoa do presente do indicativo: BEBO, CANTO, BRIGO.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Post MUITO multipost.
***
Suruba incestuosa de troca-troca em 15 atos.
Dionisio (1998): Douglas, Daniel, Rodrigo
Thös-Grol (2001): Rodrigo, Daniel, Túlio, Rodrigo Andrade
Poliéster (2002): Douglas, Rodrigo, Porsche, Madi
Blanched (2003): Douglas, Koch, Leonardo, Galera, Priscila, Muriel
Farveste (2004): Renan, Mateus, Túlio, Nêgo
Pelicano (2005): Douglas, Renan, Bruno, Rodrigo
Andina (2005): Renan, Rodrigo, Mateus, Túlio, Daniel
input_output (2006): Douglas, Renan, Mateus, Mac
Pelicano (2006): Douglas, Renan, Bruno, Mac
Farveste (2006): Renan, Mateus, Túlio, Rodrigo
Hotel (2006): Douglas, Renan, Koch, Yury
Hotel (2007): Douglas, Mateus, Rodrigo, Brawl
Congonhas (2007): Douglas, Renan, Mateus, Koch
Congonhas (2008a): Douglas, Renan, Mateus, Mac
Congonhas (2008b): Douglas, Renan, Mac, Mariana, Daniel
***

A última Banana Records fechou e estava vendendo tudo com 70% de desconto. Fui lá e comprei cinco itens:
Tricky - Angel with dirty faces
Hilton Raw - A arte da infelicidade (uma aposta no escuro pela excelência do material gráfico)
David Bowie - hours... (para a minha namorada)
Radiohead - I might be wrong (com capinha luxuosa!)
Nirvana - Tonight! Live! Sold out! (o DVD esgotado ou caríssimo finalmente em minha estante)
***
Escutando o 'I might be wrong' no trabalho, repensei como iria ser mágico ver o Radiohead ao vivo, desde que não fosse no meio de uma platéia tosca de festival de rock. Relembrei o quanto compararam e pode ser comparado o combo ao vivo do input_output ao Radiohead, no sentido da mistura de rock com eletrônica e no sentido de reproduzir ao vivo os sons eletrônicos muitas vezes por meio de instrumentos de rock ou, no caso do input_output, de eletrodomésticos ou outros badulaques. Hoje a música boa de Porto Alegre teve um desfalque anunciado: Mateus, guitarrista de Andina e Farveste e "synthista" de input_output e da vindoura Congonhas (na qual vinha sendo também guitarrista) está indo morar na capital do mundo, onde talvez verá o Thurston Moore ao seu lado em algum show. Muitas bandas estão queimando neurônios para pensar em o que fazer diante dessa notícia. Os Congonhas já têm uma boa idéia, que é quase certo que se concretizará. Em breve (espero que dessa vez seja em breve mesmo), mais notícias sobre a formação desse novo projeto e dos primeiros resultados dos trabalhos iniciais.
***
Os melhores discos de 2008 até agora na minha opinião, resultante de trabalhos ainda não muito avançados da audição das opções da cédula, são:
Evangelicals - The evening descends
Wye Oak - If children
Karl Blau - AM
Yellow Swans - At all ends
Frightened Rabbit - Midnight organ fight
Cavalera Conspiracy - Inflikted
Neon Neon - Stainless style
***

O figo é a primeira planta descrita na Bíblia, quando Adão se veste com suas folhas, ao notar que está nu. O figo é a minha Revelação do Ano, marcando o início da nova vida. Figo é roxo & verde.
***
Eu e a Juliana associamo-nos, ontem/hoje, ao Inter. O Colorado já é o provavelmente o nono clube do mundo com mais associados. Depois dos 5x1 contra o Paraná e dos 8x1 contra o Juventude, o número de associados já está chegando aos 75.000 (informação que eu ouvi "de boca" hoje de manhã no estádio Beira-Rio), sendo que o o Schalke 04, da Alemanha, tinha 72.465 associados em fevereiro, quando o jornal francês L'Equipe publicou um ranking (veja abaixo). Nas Américas, o Inter fica atrás apenas do River Plate, estando na frente até do Boca Juniors. Hoje, o Inter já lucra mensalmente entre R$ 2.000.000 e R$ 3.000.000. Se chegar a 100 mil sócios, meta para o ano que vem, o do centenário do Inter, ele será o sexto clube com mais associados no planeta.
1) Benfica (POR): 170.645 sócios
2) Barcelona (ESP): 157.122
3) Manchester United (ING): 151.079
4) Bayern, de Munique (ALE): 146.592
5) Porto (POR): 115.411
6) Sporting (POR): 93.702
7) Real Madrid (ESP): 92.793
8) River Plate (ARG): 82.155
***
Passar na frente do Salão de Atos da UFRGS às 19h30 nestes dias (porque o passaporte para o glorioso multi-evento Fronteiras do Pensamento está esgotado faz tempo):
18/8 - Wim Wenders
01/9 - Philip Glass
15/9 - David Byrne
***

***
No dia 3 de junho, uma terça-feira, às 19h, será lançada a coletânea de poesias daquele concurso em que a minha 'Olho mágico' recebeu menção honrosa. O local é a Sala Luis Cosme, 4º andar da Casa de Cultura Mário Quintana.
***
Agora, abaixo, uma série de colagens de posts do blog do Mateus, em sua homenagem prétuma. Considerem-se todas as palavras até o final do post entre aspas.
***
(...) e acabei de ter outra idéia staggering ground shaking superb:
TRÊS TABULEIROS DE WAR COLADOS JUNTOS.
ganha quem conquistar os três mundos paralelos. vladivostok já não liga mais com o alaska da esquerda, mas com o alaska DO OUTRO TABULEIRO, o BIZARRO ALASKA. Austrália pode conectar-se com chile.
e pode usar bomba atômica, simbolizada por um chiclé mascado, que é grudado no país alvo, inutilizando-o por um bom tempo. ninguém ocupa aquele país, daí. e a gente pode fazer um mercado de trocas no qual as cartas são trocadas por recursos, não por mais exercitos (bom meio de implementar a bomba atômica e os terroristas suicidas). além disso, pode se fazer uma regra alternativa à disputa com dados. se ambas as potências concordarem, gritando "licença pra disputa física", a batalha é resolvida não nos dados, mas numa luta de submissão na qual perde o primeiro que encostar os joelhos no chão, perdendo assim TODOS os exercitos do território alvo.
além disso, podemos fazer um mercado negro de armas, no qual um participante pode vender suas bombas atomicas e terroristas suicidas para potencias menos desenvolvidas.
e podemos criar um ferrolho secreto, no qual o jogador que estiver encostado não pode ser atacado. mas o ferrolho secreto muda a cada rodada, então ninguém nunca sabe qual o ferrolho secreto, dando mais dinamica pro jogo. o ferrolho secreto terá um guardião, que, caso alguém ataque o sujeito que estiver, sem saber, encostado nele, anuncia com o grito FERROLHO SECRETO que naquela rodada o jogador ferrolhado não pode ser atacado. sim, a efetividade do ferrolho só é anunciada em caso de ataque ao jogador por ele protegido.
daí na próxima rodada o ferrolho muda de objeto, dando muito mais dinamica pro jogo. ah, o guardião do ferrolho secreto pode ser subornado, e também controla os PIRATAS, um bando de exércitos sem pátria nem objetivo que fica navegando à deriva, atacando, rodada sim, rodada não, alvos fáceis (porque toda guerra tem influências externas.)
que tal? war com 3 tabuleiros, piratas, bombas atomicas, ferrolho secreto, disputa física, mercado negro e placas tectonicas? (...) ROUBA ESSA, GROW.
***

o motorista acidentado sobreviveu. isso aconteceu a 20 metros de mim, que era a distância entre meu frágil corsa e o caminhão à minha frente, que recebeu o impacto daquele troço vermelho todocagado. ainda to absorvendo isso - o barulho do metal contra metal, a nuvem de detritos, a certeza de que o sapiranguense tinha morrido, o alívio ao ver ele sair caminhando do carro c´os beiço sangrando, e MEU DEUS ESTA VIVO, e chega.
***
uh. e com muita honra e orgulho, constato que o mangol que decidiu ser uma boa idéia viajar 100 quilometros em um monte de BALÕES DE FESTA, ao sabor dos ventos, tentando chegar no interior do paraná (sério, quais são as chances? tipo, "eu vou subir num monte de balão com um celular descarregado e um gps, que eu não sei usar - mas qualquer coisa, ligo pros mano bombeiro e eles me passam umas dicas - e tentar chegar num ponto específico no interior do paraná, a mais de 100 quilometros de onde estou, levado pelo vento de deus. maluco, vai ser afusel") caiu no mar e morreu*, conseguindo assim colocar o brasil na disputa pelo darwin awards desse ano. Claro, que tem o clássico caso do larápio que roubava jet fuel de um aeroclube e, certa feita, foi verificar se um tanque estava vazio acendendo um fósforo no seu interior, mas nãodánada e VAI BRASIL!!!
e os balões nem tinham nenhum desenho. se um sujeito temente a deus me faz uma mangolice dessas, que ao menos seja com balões com a cara do bozo, neles. seria classudo, no mínimo. um monte de palhaços sorridentes na zero hora de hoje (opa. ontem). (...)
***
Relembrando: acima, uma série de colagens de posts do blog do Mateus, em sua homenagem prétuma.
***
Suruba incestuosa de troca-troca em 15 atos.
Dionisio (1998): Douglas, Daniel, Rodrigo
Thös-Grol (2001): Rodrigo, Daniel, Túlio, Rodrigo Andrade
Poliéster (2002): Douglas, Rodrigo, Porsche, Madi
Blanched (2003): Douglas, Koch, Leonardo, Galera, Priscila, Muriel
Farveste (2004): Renan, Mateus, Túlio, Nêgo
Pelicano (2005): Douglas, Renan, Bruno, Rodrigo
Andina (2005): Renan, Rodrigo, Mateus, Túlio, Daniel
input_output (2006): Douglas, Renan, Mateus, Mac
Pelicano (2006): Douglas, Renan, Bruno, Mac
Farveste (2006): Renan, Mateus, Túlio, Rodrigo
Hotel (2006): Douglas, Renan, Koch, Yury
Hotel (2007): Douglas, Mateus, Rodrigo, Brawl
Congonhas (2007): Douglas, Renan, Mateus, Koch
Congonhas (2008a): Douglas, Renan, Mateus, Mac
Congonhas (2008b): Douglas, Renan, Mac, Mariana, Daniel
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A última Banana Records fechou e estava vendendo tudo com 70% de desconto. Fui lá e comprei cinco itens:
Tricky - Angel with dirty faces
Hilton Raw - A arte da infelicidade (uma aposta no escuro pela excelência do material gráfico)
David Bowie - hours... (para a minha namorada)
Radiohead - I might be wrong (com capinha luxuosa!)
Nirvana - Tonight! Live! Sold out! (o DVD esgotado ou caríssimo finalmente em minha estante)
***
Escutando o 'I might be wrong' no trabalho, repensei como iria ser mágico ver o Radiohead ao vivo, desde que não fosse no meio de uma platéia tosca de festival de rock. Relembrei o quanto compararam e pode ser comparado o combo ao vivo do input_output ao Radiohead, no sentido da mistura de rock com eletrônica e no sentido de reproduzir ao vivo os sons eletrônicos muitas vezes por meio de instrumentos de rock ou, no caso do input_output, de eletrodomésticos ou outros badulaques. Hoje a música boa de Porto Alegre teve um desfalque anunciado: Mateus, guitarrista de Andina e Farveste e "synthista" de input_output e da vindoura Congonhas (na qual vinha sendo também guitarrista) está indo morar na capital do mundo, onde talvez verá o Thurston Moore ao seu lado em algum show. Muitas bandas estão queimando neurônios para pensar em o que fazer diante dessa notícia. Os Congonhas já têm uma boa idéia, que é quase certo que se concretizará. Em breve (espero que dessa vez seja em breve mesmo), mais notícias sobre a formação desse novo projeto e dos primeiros resultados dos trabalhos iniciais.
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Os melhores discos de 2008 até agora na minha opinião, resultante de trabalhos ainda não muito avançados da audição das opções da cédula, são:
Evangelicals - The evening descends
Wye Oak - If children
Karl Blau - AM
Yellow Swans - At all ends
Frightened Rabbit - Midnight organ fight
Cavalera Conspiracy - Inflikted
Neon Neon - Stainless style
***
O figo é a primeira planta descrita na Bíblia, quando Adão se veste com suas folhas, ao notar que está nu. O figo é a minha Revelação do Ano, marcando o início da nova vida. Figo é roxo & verde.
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Eu e a Juliana associamo-nos, ontem/hoje, ao Inter. O Colorado já é o provavelmente o nono clube do mundo com mais associados. Depois dos 5x1 contra o Paraná e dos 8x1 contra o Juventude, o número de associados já está chegando aos 75.000 (informação que eu ouvi "de boca" hoje de manhã no estádio Beira-Rio), sendo que o o Schalke 04, da Alemanha, tinha 72.465 associados em fevereiro, quando o jornal francês L'Equipe publicou um ranking (veja abaixo). Nas Américas, o Inter fica atrás apenas do River Plate, estando na frente até do Boca Juniors. Hoje, o Inter já lucra mensalmente entre R$ 2.000.000 e R$ 3.000.000. Se chegar a 100 mil sócios, meta para o ano que vem, o do centenário do Inter, ele será o sexto clube com mais associados no planeta.
1) Benfica (POR): 170.645 sócios
2) Barcelona (ESP): 157.122
3) Manchester United (ING): 151.079
4) Bayern, de Munique (ALE): 146.592
5) Porto (POR): 115.411
6) Sporting (POR): 93.702
7) Real Madrid (ESP): 92.793
8) River Plate (ARG): 82.155
***
Passar na frente do Salão de Atos da UFRGS às 19h30 nestes dias (porque o passaporte para o glorioso multi-evento Fronteiras do Pensamento está esgotado faz tempo):
18/8 - Wim Wenders
01/9 - Philip Glass
15/9 - David Byrne
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No dia 3 de junho, uma terça-feira, às 19h, será lançada a coletânea de poesias daquele concurso em que a minha 'Olho mágico' recebeu menção honrosa. O local é a Sala Luis Cosme, 4º andar da Casa de Cultura Mário Quintana.
***
Agora, abaixo, uma série de colagens de posts do blog do Mateus, em sua homenagem prétuma. Considerem-se todas as palavras até o final do post entre aspas.
***
(...) e acabei de ter outra idéia staggering ground shaking superb:
TRÊS TABULEIROS DE WAR COLADOS JUNTOS.
ganha quem conquistar os três mundos paralelos. vladivostok já não liga mais com o alaska da esquerda, mas com o alaska DO OUTRO TABULEIRO, o BIZARRO ALASKA. Austrália pode conectar-se com chile.
e pode usar bomba atômica, simbolizada por um chiclé mascado, que é grudado no país alvo, inutilizando-o por um bom tempo. ninguém ocupa aquele país, daí. e a gente pode fazer um mercado de trocas no qual as cartas são trocadas por recursos, não por mais exercitos (bom meio de implementar a bomba atômica e os terroristas suicidas). além disso, pode se fazer uma regra alternativa à disputa com dados. se ambas as potências concordarem, gritando "licença pra disputa física", a batalha é resolvida não nos dados, mas numa luta de submissão na qual perde o primeiro que encostar os joelhos no chão, perdendo assim TODOS os exercitos do território alvo.
além disso, podemos fazer um mercado negro de armas, no qual um participante pode vender suas bombas atomicas e terroristas suicidas para potencias menos desenvolvidas.
e podemos criar um ferrolho secreto, no qual o jogador que estiver encostado não pode ser atacado. mas o ferrolho secreto muda a cada rodada, então ninguém nunca sabe qual o ferrolho secreto, dando mais dinamica pro jogo. o ferrolho secreto terá um guardião, que, caso alguém ataque o sujeito que estiver, sem saber, encostado nele, anuncia com o grito FERROLHO SECRETO que naquela rodada o jogador ferrolhado não pode ser atacado. sim, a efetividade do ferrolho só é anunciada em caso de ataque ao jogador por ele protegido.
daí na próxima rodada o ferrolho muda de objeto, dando muito mais dinamica pro jogo. ah, o guardião do ferrolho secreto pode ser subornado, e também controla os PIRATAS, um bando de exércitos sem pátria nem objetivo que fica navegando à deriva, atacando, rodada sim, rodada não, alvos fáceis (porque toda guerra tem influências externas.)
que tal? war com 3 tabuleiros, piratas, bombas atomicas, ferrolho secreto, disputa física, mercado negro e placas tectonicas? (...) ROUBA ESSA, GROW.
***
o motorista acidentado sobreviveu. isso aconteceu a 20 metros de mim, que era a distância entre meu frágil corsa e o caminhão à minha frente, que recebeu o impacto daquele troço vermelho todocagado. ainda to absorvendo isso - o barulho do metal contra metal, a nuvem de detritos, a certeza de que o sapiranguense tinha morrido, o alívio ao ver ele sair caminhando do carro c´os beiço sangrando, e MEU DEUS ESTA VIVO, e chega.
***
uh. e com muita honra e orgulho, constato que o mangol que decidiu ser uma boa idéia viajar 100 quilometros em um monte de BALÕES DE FESTA, ao sabor dos ventos, tentando chegar no interior do paraná (sério, quais são as chances? tipo, "eu vou subir num monte de balão com um celular descarregado e um gps, que eu não sei usar - mas qualquer coisa, ligo pros mano bombeiro e eles me passam umas dicas - e tentar chegar num ponto específico no interior do paraná, a mais de 100 quilometros de onde estou, levado pelo vento de deus. maluco, vai ser afusel") caiu no mar e morreu*, conseguindo assim colocar o brasil na disputa pelo darwin awards desse ano. Claro, que tem o clássico caso do larápio que roubava jet fuel de um aeroclube e, certa feita, foi verificar se um tanque estava vazio acendendo um fósforo no seu interior, mas nãodánada e VAI BRASIL!!!
e os balões nem tinham nenhum desenho. se um sujeito temente a deus me faz uma mangolice dessas, que ao menos seja com balões com a cara do bozo, neles. seria classudo, no mínimo. um monte de palhaços sorridentes na zero hora de hoje (opa. ontem). (...)
***
Relembrando: acima, uma série de colagens de posts do blog do Mateus, em sua homenagem prétuma.
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literatura,
música,
Radiohead,
retrospectivas
terça-feira, 6 de maio de 2008
Novo disco surpresa e grátis para baixar dos Nine Inch Nails: 'The slip'. Adeus gravadoras?
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"(...) Morrendo de fome catei um restaurante obviamente indiano pra comer. Nota: aqui comida barata e palatável só a indiana. Se não o que resta é lanche, sanduíche e fast food. E bom, foi a minha primeira experiência com comida indiana verdadeira, feita por indianos e nos moldes da Índia. Tinha um buffet no qual tu te servia com uma bandeja redonda cheia de compartimentos, tipo aqueles bandejões das fábricas. Aí tu vai abrindo um monte de tubos onde estão litros e litros de melecas irreconhecíveis, ou seja, só botando na bandeja e provando pra saber qual é. O garçom indiano, muito simpático e com um inglês anos luz mais podre que o meu, viu que eu não conhecia bem a parada e veio me ajudar, ou melhor, incentivar. Pegava a concha da minha mão e ia metendo aqueles troços na minha bandeja dizendo que era tudo muito bom. Fui pra mesa e encarei. Na minha frente o garçom tinha deixado uma jarra com um monte de copos de metal. Não dei bola num primeiro momento, pois tinha pedido um lassi, um suco de frutas e iogurte típico dos hindus. Comecei a comer e putzzzz! Quem disse que a comida bahiana é muito apimentada não sabe o que é a comida indiana. Até o arroz ardia na boca! Meio desesperado, vi um cartaz na parede oposta, onde dizia que a comida indiana está inserida na filosofia indiana, que manda comer devagar, com as mãos, que é pra sentir bem os sabores da comida. Mentalizei, larguei a frescura de lado e comecei a comer com as mãos, afinal as famílias de indianos que lotavam o restaurante estavam se deliciando com as mãos. Comi um arroz misturado com legumes, um frango tandoori, uns pedaços de frango em molhos absurdamente picantes, pastas de legumes e uma pasta de feijão que, caralho, foi a gota d'água! Sem saber como suportar tanta pimenta eu atinei de olhar o que tinha dentro da jarra prateada e, óbvio, era água! Afinal, nem os indianos são de ferro! Digamos que não saí propriamente satisfeito, mas não deixou de ser uma experiência exótica. (...)"
Essas e outras notícias no jornal internacional: Muriel Paraboni conta-nos com seu belo texto sua experiência em Londres (no mundo).
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"(...) Morrendo de fome catei um restaurante obviamente indiano pra comer. Nota: aqui comida barata e palatável só a indiana. Se não o que resta é lanche, sanduíche e fast food. E bom, foi a minha primeira experiência com comida indiana verdadeira, feita por indianos e nos moldes da Índia. Tinha um buffet no qual tu te servia com uma bandeja redonda cheia de compartimentos, tipo aqueles bandejões das fábricas. Aí tu vai abrindo um monte de tubos onde estão litros e litros de melecas irreconhecíveis, ou seja, só botando na bandeja e provando pra saber qual é. O garçom indiano, muito simpático e com um inglês anos luz mais podre que o meu, viu que eu não conhecia bem a parada e veio me ajudar, ou melhor, incentivar. Pegava a concha da minha mão e ia metendo aqueles troços na minha bandeja dizendo que era tudo muito bom. Fui pra mesa e encarei. Na minha frente o garçom tinha deixado uma jarra com um monte de copos de metal. Não dei bola num primeiro momento, pois tinha pedido um lassi, um suco de frutas e iogurte típico dos hindus. Comecei a comer e putzzzz! Quem disse que a comida bahiana é muito apimentada não sabe o que é a comida indiana. Até o arroz ardia na boca! Meio desesperado, vi um cartaz na parede oposta, onde dizia que a comida indiana está inserida na filosofia indiana, que manda comer devagar, com as mãos, que é pra sentir bem os sabores da comida. Mentalizei, larguei a frescura de lado e comecei a comer com as mãos, afinal as famílias de indianos que lotavam o restaurante estavam se deliciando com as mãos. Comi um arroz misturado com legumes, um frango tandoori, uns pedaços de frango em molhos absurdamente picantes, pastas de legumes e uma pasta de feijão que, caralho, foi a gota d'água! Sem saber como suportar tanta pimenta eu atinei de olhar o que tinha dentro da jarra prateada e, óbvio, era água! Afinal, nem os indianos são de ferro! Digamos que não saí propriamente satisfeito, mas não deixou de ser uma experiência exótica. (...)"
Essas e outras notícias no jornal internacional: Muriel Paraboni conta-nos com seu belo texto sua experiência em Londres (no mundo).
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Apesar de cantarem em inglês, os paulistanos do Inverness (na foto acima, o líder Lucas de Almeida) são a maior surpresa para mim nos últimos anos em termos de banda brasileira. Influências manifestas: Starflyer 59, Lovesliescrushing, My Bloody Valentine, Radiohead, Animal Collective, Black Dice, Boards Of Canada, Clinic.
***
Contardo Calligaris.
Sobre o amor.
"(...) Pois bem, Alice, com quem [o escritor Calvin] Trillin se casou em 1965, morreu em 2001. Trillin escreveu 'Sobre Alice', que acaba de ser publicado pela Globo. Esse pequeno e tocante texto de despedida desvenda o segredo de um amor e de uma convivência felizes, que duraram 35 anos. O segredo é o seguinte: Calvin e Alice, as personagens das crônicas, não eram artifícios literários, eram os próprios. A oposição entre os dois foi, efetivamente, o jeito especial que eles inventaram para conviver e prolongar o amor na convivência. Considere esta citação de um texto anterior, que aparece no começo de 'Sobre Alice': 'Minha mulher, Alice, tem a estranha propensão de limitar nossa família a três refeições por dia'. A graça está no fato de que a 'propensão' de Alice não é extravagante, mas é contemplada por Calvin como se fosse um hábito exótico. Alice é situada e mantida numa alteridade rigorosa, em que é impossível distinguir qualidades e defeitos: Calvin a ama e admira como a gente contempla, fascinado, uma espécie desconhecida num documentário do Discovery Channel. Se amo e admiro o outro por ele ser diferente de mim (e não apesar de ele ser diferente de mim), não posso considerar que minha maneira de ser seja a única certa. Se Calvin acha extraordinário que Alice acredite na virtude de três refeições diárias, ele pode continuar petiscando o dia todo, mas seu hábito lhe parecerá, no fundo, tão estranho quanto o de Alice. Com isso, Calvin e Alice transformaram sua vida de casal numa aventura fascinante: a aventura de sempre descobrir o outro, cuja diferença inesperada nos dá, de brinde, a certeza de que nossa obstinada maneira de ser, nossos jeitos e nossa neurose não precisam ser uma norma universal, nem mesmo a norma do casal. Há quem diga que o parceiro ideal é aquele que nos faz rir. Trillin completou a fórmula: Alice era quem conseguia fazê-lo rir dele mesmo. Com isso, ele descobriu a receita do amor que dura." (Contardo Calligaris)
"Ora, para mim, os verdadeiros filmes de amor são esses, (...) os filmes "de aventura", [em que os amantes] . . . procuram juntos desvendar um crime, assaltar um banco, roubar um quadro, ganhar uma guerra ou encontrar o Santo Graal. (...) Por quê? A maioria desses filmes parece afastada de nossa experiência cotidiana. Com ou sem minha companheira, é raro que eu assalte bancos, roube quadros ou solva enigmas policiais. Mas essas proezas valem como exemplos de um 'fazer juntos', que, na prática do amor, é um ideal mais útil do que os meandros dos primeiros encontros, propostos pelos 'filmes de amor'. Ou seja, os filmes de amor me dizem que, do amor, vale a pena ser narrado apenas o momento do apaixonamento (supõe-se, imagino, que, depois disso, aos poucos, a coisa vire uma lástima). Os filmes de aventura me dizem que existe a possibilidade de uma experiência comum, de uma aventura dos dois (que, claro, não precisa ser tão mirabolante quanto o que acontece na tela). Em suma, concordo com a citação proverbial de Antoine de Saint-Exupéry (o autor de 'O Pequeno Príncipe'): 'Amar não significa se olhar um ao outro, mas olhar juntos na mesma direção' (...). Alguns praticam o amor lendo poesia em voz alta, outros estudam juntos, outros exercem a mesma profissão ou adotam ambos uma nova religião, outros ainda se dedicam a práticas sexuais "diferentes". Tanto faz. O que importa é que, para existir, um casal precisa inventar e compartilhar uma (longa) aventura." (Contardo Calligaris)
Sobre a felicidade.
"Pois bem, no campo dos 'estudos da felicidade', acabam de sair dois livros notáveis. O primeiro, ainda não traduzido para o português, é Happiness: A History, de Darrin McMahon (Atlantic Monthly). (...) Na modernidade, a definição do que nos faz felizes fica bastante incerta, mas, paradoxalmente, a exigência de sermos felizes (sem saber direito o que isso significa) torna-se irrenunciável. Esse imperativo enigmático é uma peça essencial de nossa organização social. Explico. A felicidade é, hoje, uma aspiração brigatória que, por sua indefinição, não pode ser satisfeita. Portanto, ela alimenta uma sede insaciável de objetos e prazeres. Essa sede sustenta nosso modo de produzir e consumir e nos leva a organizar nossas diferenças sociais segundo os 'sonhos' que cada um conseguiu realizar (ou seja, pela inveja). O outro livro é Stumbling on Happiness (tropeçando na felicidade), de Daniel Gilbert. (...) Gilbert, evocando brilhantemente uma quantidade de pesquisas, mostra o seguinte: uma propriedade de nossa espécie é a capacidade de imaginar o futuro, mas, nessa tarefa, somos péssimos. Por isso, a felicidade desejada e alcançada nunca é bem o que a gente queria. Para Gilbert, o problema é cognitivo: o futuro com o qual sonhamos não nos outorga a felicidade esperada porque não sabemos prevê-lo corretamente. Aparte: de fato, há outras razões para que o futuro nunca chegue ou, ao chegar, seja decepcionante. Por exemplo, como lembra o título de um livro de Jorge Forbes (Você Quer o que Deseja?), nem sempre queremos efetivamente o que desejamos e planejamos. Num capítulo de seu livro, Gilbert recorre a uma metáfora genética. Um 'super-replicador' é um gene que se replica com sucesso porque ele leva seu portador a transmitir ativamente seus genes. Exemplo: imaginemos que exista um gene do prazer no orgasmo. Mesmo que esse gene não seja necessário para a reprodução (que pode acontecer sem prazer) e mesmo que ele seja associado com uma série de traços ruins (doenças ameaçadoras), ele se replicará porque leva seus portadores a praticar mais sexo do que os outros (aumentando as chances de transmissão). Gilbert aplica esse princípio às crenças: há crenças falsas que se propagam e se transmitem porque sustentam sociedades estáveis, e uma sociedade estável é o ambiente ideal para a propagação de crenças (falsas ou verdadeiras). No caso, nossa concepção da felicidade se parece muito com uma crença falsa super-replicada, ou seja, uma crença que se propaga porque, apesar de ser falsa, ela é uma condição de nossa coesão social (e a coesão social facilita a propagação das crenças). Em suma, o imperativo de felicidade é enganoso, mas rege nossa sociedade; portanto, ele só pode se reproduzir. Uma nota. Gilbert parte do pressuposto que faz funcionar nossa sociedade: a felicidade depende da realização de um futuro que desejamos e imaginamos. Uma outra concepção da felicidade (a minha preferida) diz que ela depende da qualidade da experiência presente, e não da realização de nossos projetos. Talvez essa seja uma concepção nostálgica de um momento qualquer na história reconstruída por McMahon. Ou talvez seja uma concepção nova, que vem se afirmando devagar, de Nietzsche até a contracultura dos anos 60 e 70 (o próprio Gilbert se lembra do livro, meio delirante, de [Baba] Ram Dass [a.k.a. Albert, melhor amigo do Timothy Leary], que se intitulava Be Here Now - esteja aqui agora). Seja como for, neste começo de 2007, fico com aquele ditado chinês: que todos possamos viver um ano não 'feliz', mas interessante." (Contardo Calligaris)
Sobre o narcisismo determinando a criminalidade.
"Na conversa leiga, 'Fulano é narcisista' significa que ele adora se ver no espelho e nunca pensa nos outros. Na clínica, o sentido da expressão é diferente: o traço dominante da 'personalidade narcisista' é a insegurança. Narcisista é quem está sempre se questionando: 'O que os outros enxergam em mim? Será que gostam do que vêem?.' Em ambos os casos, o narcisista se preocupa com sua imagem. Mas, na conversa leiga, ele seria apaixonado por ela (como o Narciso do mito), enquanto, segundo a clínica, ele seria dramaticamente atormentado pelo sentimento de que sua imagem depende do olhar dos outros. (...) As estatísticas dizem que há mais jovens que adultos delinqüentes. Justificação tradicional (além da 'testosterona' da adolescência): os jovens andam em grupo. Portanto, é freqüente, no caso deles, que haja mais de um réu por crime. Certo. Mas também tudo indica que os jovens delinqüentes são presos mais facilmente que os adultos. Não é imperícia: parece que, de uma certa forma, eles se deixam prender, como se seu gesto transgressor tivesse como finalidade última o encontro com a polícia e o juiz. Por quê? Para a dramática insegurança do narcisismo (aqui no sentido clínico), uma condenação ou um fracasso humilhante apresentam uma vantagem parecida: ambos são preferíveis ao silêncio do outro." (Contardo Calligaris)
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