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domingo, 31 de maio de 2009

Só por ter colocado a Emily Watson (na mesa) como uma segunda Samantha Morton (de pé) ele (Charlie) já teria feito um filme genial.



"Refém do próprio jogo . . . o que se dá é exatamente o contrário: na medida em que cresce feito um bolo hiperfermentado, Synecdoche vai perdendo aquele charme e contato real que tem no seu começo. E o disforme monstro que é o seu filme termina por engolir de vez esta estréia de Kaufman." (Eduardo Valente/Revista Cinética)

"Roteirista tenta a sorte como diretor e fracassa em obra desigual e indigesta . . . o resultado é confuso e indigesto, um misto de humor negro com matizes desbotadas e drama existencialista que joga fora o talento de ótimos atores encarnando personagens antipáticos e pelos quais ninguém vai se interessar. Tente outra vez, Charlie. Ou não." (Paulo Cavalcanti/Rolling Stone)

"O público é extremamente conservador." (Charles Watson)


Jesus, esse filme de estreia do Charlie Kaufman dirigindo o próprio roteiro é nota 10. Espantoso. Genial, como não poderia deixar de ser. Eduardo e Paulo ainda hão de se arrepender das críticas (preguiçosas, apressadas, ingênuas, talvez covardes) que escreveram. Ou não.
O sol, os pássaros e a aranha

"Ontem por volta das 7 da manhã, percebi que tinha sido picado por uma aranha. É incrível como o local da picada estava inchado e o contorno das duas pequeninas presas bem definido, destruindo a minha hipótese de ter sido um mosquito. Os pássaros cantavam felizes, ignorando meu martírio. Achei que fosse morrer e cismei que a minha perna toda estava dormente por causa da picada. Experimentei até uma certa nostalgia breve por tudo aquilo que não fiz, mas estava com tanto sono que dormi. Sobrevivi."

Postado por Matheus Pinheiro às 12:43
Foi publicado o conto meu 'Do que ela é capaz', que é um desenvolvimento do Paradoxo de Tchekov, na seção Flash Fiction da versão brasileira da 3AM Magazine.


Metáforas ígneas e metáforas aquáticas. Juntas.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Charles Watson é um Joseph Campbell vivo. No Brasil. Dando workshop em Porto Alegre esta semana.

Avassalador.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Joseph Campbell conta:

É sobre um evento ocorrido em 1958, quando eu estava no Japão para o IX Congresso Internacional da História das Religiões. Um de nossos principais filósofos sociais de Nova York, que era um notável representante daquela reunião extraordinariamente pitoresca - um cavalheiro instruído, genial e encantador, que, no entanto, tivera pouca ou nenhuma experiência anterior tanto sobre o Oriente como sobre religião (na verdade, eu me perguntava por qual milagre ele estaria ali) - tendo nos acompanhado em nossas visitas a vários santuários xintoístas e belos templos budistas, estava finalmente pronto para fazer algumas perguntas significativas. Havia muitos membros japoneses no congresso, vários deles sacerdotes xintoístas, e por ocasião de uma grande festa ao ar livre no recinto de um fabuloso jardim japonês, nosso amigo se aproximou de um deles. "Sabe", disse ele, "estive presente em muitas cerimônias e conheci vários santuários, porém não consigo perceber a ideologia; não consigo perceber sua teologia." Os japoneses (vocês devem saber) não gostam de desapontar visitantes, e esse cavalheiro, educado, aparentemente respeitando a profunda questão do estudioso estrangeiro, fez uma pausa, como se estivesse em profundos pensamentos, e em seguida, mordendo os lábios, meneou a cabeça lentamente. "Penso que não temos ideologia", disse. "Não temos teologia. Nós dançamos."

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Em dezembro de 2007 eu escrevi: "Meu feijãozinho. Vou ter saudade de carregar vocês assim, como se fossem uma berinjela." Foi o que eu acabei de falar para os dois gatinhos aqui do lado. De fato, agora os dois feijões estufaram no cozimento da vida.
A arte serve, sim, para representar e comunicar o (verbalmente) irrepresentável e o (verbalmente) incomunicável, mas não serve para dar sentido, acepção, significação, porque essas coisas passam pela verbalização, pela racionalidade, pela linearidade. No momento em que é possível traduzir a obra em linearidade, e essa tradução confere com uma intenção original igualmente racional do artista, tal obra já não está mais tendo o objetivo de comunicar o incomunicável. A confusão faz parte do pacote máximo de sensações que a obra pode produzir. É lindo não entender, não poder/precisar montar o quebra-cabeça, até porque não é um quebra-cabeça. Se há intenção em algum momento, ela é inconsciente, resultado de uma catarse, de uma espécie de meditação, e a sua fruição, da mesma forma, é catarse e meditação, é deixar fluir aqueles sentimentos dentro de nós.

sábado, 23 de maio de 2009

'Budapeste', o filme, tem faíscas de poesia em meio a poças de clichês. A cena em que Kriska (a húngara Gabriella Hamóri) acaricia o peito do Leonardo Medeiros ('Lavoura arcaica', 'Memorial de Maria Moura') com os seios é de entrar para a história do cinema - na minha opinião. Será que foi idéia da Gabriella, do Chico Buarque ou do Walter Carvalho? Alguém leu o livro?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

MÚSICOS + ATRIZES

Ben Gibbard + Zooey Deschanel
Chris Martin + Gwyneth Paltrow
Roysdon Langdon (Spacehog) + Liv Tyler
Tommy Lee + Pamela Anderson
Chris Robinson + Kate Hudson
Otto + Alessandra Negrini
Falcão + Deborah Secco [não estão mais juntos]
Tony Bellotto + Malu Mader
Nico Nicolaievsky + Márcia Do Canto
Eduardo "Chuck" Hypolitho + Débora Falabella
"(...) O médico francês Jacques Lacan, que passou da neurologia para a psiquiatria e desta para a psicanálise, disse coisas que podem nos ajudar a entender um pouco o mistério dos estereótipos. Por exemplo: 'Eu sou o que vejo refletido sobre mim nos olhos dos outros'. Ou ainda: 'Com freqüência, os símbolos são mais reais do que aquilo que simbolizam'. Pois é, parece que nós, humanos, fazemos a representação da realidade através da identidade com o grupo a que pertencemos. Realmente, não há como negar que o ser humano é um animal gregário, que depende do grupo para sobreviver física e emocionalmente. Quanto a isso, não resta dúvida. Como também não se pode discutir que os traços culturais servem para criar elementos de distinção grupal e que eles conferem uma sensação de conforto e segurança. (...) Então está explicado por que criamos grupos e classificamos as pessoas, mas – e sempre tem um mas – daí a aceitar que as pessoas sejam carimbadas e recebam atributos artificiais, e se conformem com a situação, há uma imensa distância." (Eugenio Mussak/Vida Simples)

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Charles Watson estará de volta a Porto Alegre nos próximos dias 28, 29 (à noite), 30 e 31 (à tarde). O Workshop de Processo Criativo, módulo I, será na Sala Multiuso do Santander Cultural. O custo é de R$ 300. Eu sempre queria fazer o curso, mas os horários eram incompatíveis. Dessa vez eu posso. Estou inscrito já. Inscrições na Palavraria.


CONSIDERACÕES GERAIS

Definições da criatividade na história
Relação de criatividade com limites


Processos Perceptuais

• Modelo do Universo / Fisiologia da percepção (Gregory / Dawkins)
• Classificação & Estereotipagem: (Vendo o que espera ver ou 'Quando só lhe resta um martelo, tudo parece com prego'.)
• Dificuldade em isolamento do problema
• Limitando a área do problema
• Olhar do outro / o passo para trás / o segundo olhar
• Saturação: 1 & 2
• Saturação 1 (como problema)
• Saturação 2 (como solução) (Tehching Hsieh, Jan Fabre, Opalka, Long, sisyphus o herói existencial)
• Estímulos sensoriais alternativos
• Einstein e imagens musculares e visuais
• Nicolas Tesla & visualização


Processos Emocionais

• Gene inútil (a analogia evolutiva) (Csikszentmihaly / Dawkins) / Sistemas não lineares (Luiz Alberto Oliveira)
• Motivação (Intrínseca / extrínseca, a cenoura ou o chicote)
• Flow (Fluxo) / Autotelismo (Csikszentmihaly)
• A engenharia do erro
• Julgamento / Avaliação prévia
• A importância de não ter nada a perder
• Ansiedade (dificuldade em gestação)
• Convicção vs. compulsão
• Persistência
• A habilidade em mudar de objetivo


CULTURAIS / AMBIENTAIS

• Inteligência
• Tabu
• Humor / o encontro de duas matrizes mutuamente exclusivas (Arthur Koestler)
• Múltiplas inteligências (Howard Gardner)
• inteligência linguística
• inteligência musical
• inteligência lógico-matemática
• inteligência espacial
• inteligência corporal / cinestética
• inteligências pessoais (inteligência intrapessoal / inteligência interpessoal)
• Meio propício
• Fantasia vs. realidade
• Razão vs. intuição / polo subjetivo, polo objetivo
• Tradição vs. mudança


Transfiguração do Lugar Comum

• Michel Groissman
• Lia Rodrigues
• Oldenburg
• Man Ray
• Arthur Danto
• Castañeda
Duas paráfrases de Charles Kiefer:
"A arte rococó é rasinha, porque ela se contenta com os enfeites."
"Tem gente que bloqueia 2, 3 anos, mas quando volta... parece outra pessoa."

Eu voltei. Depois de 4 anos bloqueado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Quero fazer algo que é uma caixa de fósforo sem deixar de ser um morcego." (Pablo Picasso)
Vem aí o segundo disco de uma das melhores bandas que eu conheci fazendo listas nos últimos quatro anos. Para quem gosta de algo entre o rock e post-rock, até porque tem vocal - com sotaque escocês.



The Twilight Sad - Forget the Night Ahead (2009)

***

Os Radiohead escursionaram com os Kraftwerk, o que [os ingleses] consideraram uma "experiência brilhante". Eles [os Radiohead] estão trabalhando num novo disco, "espalhando peças de lego no chão e tentando adivinhar qual será a próxima a encaixar". O produtor? Adivinha. Sim, ele, o de sempre. Nigel. Que não é o Mansell. O baixista Colin Greenwood disse: "Eu gosto obviamente das batidas deles [dos Kraftwerk], mas gosto também das melodias. Elas entram no cérebro e não saem mais." Vem coisa bonita por aí.
Sparklehorse & Danger Mouse - Dark night of the soul (2009), o disco.

01 Revenge (feat. Wayne Coyne)
02 Just War (feat. Gruff Rhys)
03 Jaykub (feat. Jason Lytle)
04 Little Girl (feat. Julian Casablancas)
05 Angel's Harp (feat. Black Francis)
06 Pain (feat. Iggy Pop)
07 Star Eyes (I Can Catch It) (feat. James Mercer)*
08 Everytime I'm With You (feat. Jason Lytle)
09 Insane Lullaby (feat. James Mercer)*
10 Daddy's Gone (feat. Nina Persson)
11 The Man Who Played God (feat. Nina Persson)
12 Grain Augury (feat. Vic Chesnutt)
13 Dark Night Of The Soul (feat. Vic Chesnutt)

Assine o informativo e receba notícias desse projeto muito bem assinado.
* James Mecer é o vocalista dos Shins

domingo, 17 de maio de 2009

Estreia do show solo do meu projeto solo. Em breve no Goethe.
Hoje à tarde, no Santander Cultural: High Places. Este



é o brinquedo que mais me interessou da parafernália que os dois usam para fazer um som bastante preenchido. O casal é tímido e muito simpático. Algumas pessoas subiram no palco no fim para ver o equipamento, que não podia ser visto de baixo para cima. Então eu pedi autógrafo na foto em que a Cvalda - eles têm gatos vaquinhas - está num high place.

Sílvio Benfica (de vermelho) e Antônio Carlos Macedo. As duas pessoas mais negativas do rádio rio-grandense. São o exemplo máximo do que eu não gostaria de ser, se tivesse seguido na profissão em que me formei - jornalista. Gêmeos de voz e de astral, pelo menos nas ondas sonoras, eles fazem de tudo para ver o circo pegando fogo, provocam, ironizam, jogam uns contra os outros. Estão onde estão - Rádio Gaúcha - porque preenchem com maestria um dos requisitos para ser jornalista: a chatice, a vontade de incomodar. O contrário de uma leveza, de uma alegria de viver, da compaixão, da humanidade, da construção, da visão da unidade do ser. Será que algum dia o paradigma do "bom" jornalista irá cair? Talvez imerso nesse paradigma todo da sociedade humana não, não vai mudar nunca.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Teresa ainda olhava para o aquário * conto que originou a peça teatral Teresa e o aquário
(Luciano Mattuella)


Ao chegar em casa

, percebi que Teresa ainda olhava para o aquário.

Pediu-me, de presente de aniversário, um aquário de peixes coloridos. Logo fixou seu olhar num peixe pequeno, talvez o menor, vermelho com algumas pintas em preto. Como que tingido. Desde então não havia modo de tirar Teresa da frente daquele aquário, seu presente.

Ela ainda vestia o pijama azulado – puído nas pontas de tanto me desamar à noite -, os cabelos soltos sobre os ombros entristecidos. Os cabelos também de pontas puídas de tanto peixe a se fazer olhado. Sentei ao seu lado carregado por uma espessa camada de dia-a-dia colhida lá fora, na rua de um trabalho que me amedrontava. Dinheiro para Teresa, para dar presente à Teresa.

A gravata me apertava a palavra que insistia em desistir na minha garganta. Desfiz o nó, o aperto restou, como uma cólera que não tem vez de sair. Beijei a testa de Teresa, meus lábios imundos de poluição e cansaço deitando no aroma de sabonete de minha esposa. Olhei para nada encontrar no aquário, apenas peixes. E o vermelho era o mais sem graça.

Chamei Teresa pelo nome três vezes. A quarta tentativa perdeu-se numa mistura de tristeza e fim de dia. Fui para o banho fazer-me água para que Teresa me olhasse.

Dormi sozinho.

No dia seguinte

, trouxe flores para Teresa. Três rosas vermelhas: tive o cuidado de tirar os espinhos. As pétalas amarronadas nas pontas delatavam uma tentativa de suicídio. Nem eu sabia como o olhar de Teresa ainda não tinha se afogado naquele aquário. Coloquei as rosas sobre as pernas daquela estátua de silêncio e silêncio. Esperei.

Nem olhar, menos palavra. Desfiz-me num pranto leve e amortecido pela fumaça de um cigarro que eu tinha fumado ali fora. Que Teresa me odiava fumante, me odiava amante. Coisa a fazer não me passava pela cabeça, pedi que a empregada dissesse algo:

“[ pela manhã vassoura pela casa, pela tarde tirar o pó dos móveis e à tardinha ver um pouquinho de novela que também não se é de ferro nem menos de aço, não é, doutor? ]”

Deixei a empregada falando sozinha, fingi que a escutava. Fingi. Fingi que minha esposa olhava para mim e perguntava se eu queria suco ou leite. Fingi que tinha derramado um pouco de suco no chão, esperando que ela risse do meu modo desajeitado. Tirar o pó. De onde mesmo? Tirar o pó dos móveis. E minha esposa, imóvel?

Jantei sozinho, olhando o jornal de três dias que ainda insistia sobre a mesa. Pensei chamar a empregada, desisti: a voz eletrônica da televisão desfez tudo o que ainda me era humano. Senti o perfume de Teresa, mas era só lembrança: meu corpo sentia saudades do dela.

No terceiro dia,

Teresa estava ainda mais quieta. Seu peito respirava – que não era mais ela, mas o peito dela – na lentidão cadenciada pelo mundo à sua volta. Os peixes, agora pareciam tantos, como se fossem multiplicando dentro do aquário. Eram muitos, demais, pequenos corpos se esfregando e se debatendo uns contra os outros em busca de. Em busca de quê? Do olhar de medusa de minha esposa? Ou os peixes que petrificavam Teresa?

Passei a mão pelos seus cabelos de pedra. Em sua face, uma única lágrima dura e gelada tinha escorrido até quase chegar ao lábio. Quis beijá-la, a palavra aprisionada na minha garganta não permitiu. Eu era o escravo débil e estúpido de uma mulher de pedra.

A empregada, com o espanador, limpou os vasos sobre a mesa, as cadeiras de madeira, a mesinha do aquário. Estava a meio movimento na direção de Teresa quando encontrou o meu olhar reprovador. Pedi que se retirasse de minha casa e nunca, nunca mais voltasse.

“[ mas doutor, a senhora não volta mais pra essa vida, não. ]”

Fiz um sorriso estilhaçado em meus lábios.

No quarto dia

, cheguei em casa acompanhado de Paula, uma antiga amiga. Paula não gostou do aquário,

[ lembra coisas da minha mãe ],

e quase não deu por conta que Teresa se fazia pedra ali, no meio da sala.

Perguntei se ela queria tomar algo, pediu-me um copo de suco de laranja. Com muito gelo. Por minha vez, tomei um copo de uísque. Fiz-me amargo e silencioso, caí no sofá e adormeci o sono dos ingratos.

Acordei com Paula a me beijar o pescoço e me dizer coisas de mulher vivida no ouvido.

Fiz de Paula uma Teresa e, por aquela noite ao menos, fui feliz como há algum tempo não era. Os peixes seguiam aumentando de número, mais um pouco transbordariam pela borda do aquário. Teresa adquiria já uma cor azulada fingida de cinza, a cor de um barco cujos marinheiros já tenham se calado.

Solitário, eu e Paula, adormeci o resto de noite e preparei-me para ser um resto de homem no dia inteiro que tinha pela frente. Na manhã seguinte, deixei Paula dormindo e fui trabalhar.

Na volta para casa

, Paula me disse já ter arrumado um pouco as coisas, tudo parecia limpo e a louça estava lavada. Vi ao redor do aquário um punhado de peixes mortos, Paula não teve coragem de tirá-los dali. Fui tomar banho com o sabonete que Paula tinha comprado.

Ao passar pela cozinha, vi que ela estava cozinhando algo, batia com força em dois pedaços grandes de bife. Assisti ao programa de esportes tomando mais um copo de uísque, meu terceiro no dia. Jantei solitário, novamente eu e Paula.

Cuidei se as portas estavam fechadas, tranquei as janelas, transei com Paula na mesa da cozinha, dei comida para o cachorro na rua e fechei a torneira do banheiro que insistia em pingar. Sonhei com peixes e com um mar bravo, sonhei com a palavra que se desfazia em meu de dentro. Quando acordei no dia seguinte, não lembrava nem da palavra nem do mar, mas tinha um cheiro de maresia nas palmas das mãos.

Paula continuava dormindo. Ao passar pela cozinha, percebi que ela tinha esquecido o martelo de bife em cima da mesa. Não me dei ao trabalho de guardar.

Voltei do trabalho cansado

, era sexta-feira e eu queria aproveitar a noite. Paula me esperava com duas velas acesas sobre a mesa da cozinha, dois filés ao molho madeira e uma garrafa de vinho tinto aberta. Beijei-a como nunca havia feito de ninguém tão mulher, cheirei seu cabelo de menina crescida e mordi de leve o seu lábio inferior.

Ela serviu-me de vinho. Comi com a tranqüilidade da resignação, os braços frouxos de tanto esquecer. Paula contou-me do seu dia de mulher de casa, de assistir televisão, de ler um romance barato, de conversar com os vizinhos, de pensar em ter filhos. Paula tinha arrumado algumas coisas.

A nova empregada varreu para fora de casa os estilhaços de Teresa...
SONHO MAU
(Gonçalo M. Tavares)

No meio de um atalho da floresta, o senhor Cortázar encontrou, estranha e absurdamente, no centro de uma clareira, um sofá. Olhou em redor, afastou os pequenos arbustos que o rodeavam, e nada: nenhum outro vestígio humano a não ser aquele: um sofá. Tratava-se de um pormenor, de uma pequena dádiva para quem há horas perdera o trilho principal, mas sim era o momento de aproveitar. Estava exausto, sentou-se. O sofá não era mau. A cor, num outro contexto, poderia contestar-se, mas caramba, o senhor Cortázar não poderia ser exigente. A cor era de evidente mau gosto, mas as molas trabalhavam na perfeição, permitindo o descanso; em poucos minutos o senhor Cortázar ficou sonolento e adormeceu. Esqueceu então que estava perdido num atalho da floresta, com medo de ser atacado por uma fera e com medo de não mais reencontrar o caminho de volta. Sonhou, pelo contrário, que estava ainda na confortável casa de onde saíra de manhã em direcção à floresta para um pequeno passeio. Acordou, uma hora mais tarde, olhou em volta e percebeu, felizmente, que não estava em casa, que não estava no seu lar, quentinho e rodeado de pessoas que o amavam. Não, o senhor Cortázar estava perdido, completamente perdido no meio da floresta e, à sua frente, para a situação ser ainda mais perigosa, estava agora um tigre prestes a atacá-lo. O senhor Cortázar sentiu-se aliviado. Encontrara o que procurava. Estava pronto para lutar pela sua vida até ao último esforço. O tigre, pois, que avançasse.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Nem a pergunta quando parares de rir
(Juarez Guedes Cruz)

Considerando que o meu computador (e o de todo mundo) tem uma memória quase absoluta, eu o chamo de Funes. Pois bem, eu anoto no Funes algumas coisas que penso sobre o que me acontece durante o dia e, numa certa hora, eu escrevo um conto como esse que vocês vão ler e que, aviso para os desmemoriados, começa com a frase Considerando que o meu computador (e o de todo mundo) tem uma memória quase absoluta, eu o chamo de Funes, e termina (já vou avisando para os mais apressados, que vão direto para a última linha) com a frase Deixando em quem escreve a sensação muito dolorosa de que não precisava ter lembrado nada disso.

E o anotado ontem, já na madrugada, foi que o correto, em bom português, seria perguntar quando parares de rir queres dançar comigo? Porém o que ele, tímido e gaguejando, perguntou foi quando tu parar de rir vamos dançar? Mas o melhor foi a resposta dela — mulher tão linda, que ele, quando falou com ela, já achava que não a merecia e que ela iria virar a cara — o que ela disse (tão linda que era) foi então vamos dançar agora, porque eu não vou parar de rir tão cedo. E, desse momento até o cartório, à igreja, o nascimento dos filhos, são coisas de anos, mas o que interessa é esse instante, esse primeiro minuto em que ele perguntou desajeitado se ela queria dançar com ele depois que parasse de rir e ela respondeu que deveriam começar a dançar logo porque ela não pararia de rir tão cedo. O que interessa é esse primeiro minuto, esse primeiro dia e, até, as horas que antecederam essa pouco gramatical pergunta e tal encantadora e já citada resposta, então vamos dançar agora. Interessam as horas que antecederam esse encontro que, eles não sabiam, seria um encontro pelo resto da vida, com filhos e netos, mas isso fica pra depois, porque interessam as horas que antecederam o encontro, horas nas quais ele passara por outras três festas em outras faculdades. Festas que, nos anos sessenta, eram chamadas de reuniões dançantes. Ele havia passado por três outras reuniões dançantes, como se dizia na época, e nada de bom a não ser a cuba libre, mas nenhuma mulher que lhe chamasse a atenção. Ia embora para casa, e teria ido embora para casa se não fosse o amigo chamado Mauro, que depois se tornou pediatra mas, na época, era apenas um adolescente que jogava futebol de salão e quando jogava brigava com todo o time adversário, com o juiz e, até com os próprios companheiros quando erravam passe. Mas esse amigo Mauro insistiu (ele devia estar iluminado por Deus), insistiu que fossem a uma quarta festa, instalando, em plena Porto Alegre, uma movida quando, em Porto Alegre, nem havia movida. E tendo ido, para felicidade sua, a esta quarta festa, aconteceu a visão da mulher linda e vestida de azul e a súbita e desajeitada pergunta e a resposta encantadora, ou seja, aconteceu o decisivo episódio que está relatado nas primeiras linhas desse que se pretende conto. Aliás, esse amigo, Mauro, jamais teve conhecimento da importância do gesto. Nem soube que casaram e tiveram filhos aqueles dois que ele, sem saber, uniu. E também sem saber ficou que, passados alguns anos, nem a pergunta quando parares de rir queres dançar comigo, porque nem riso mais havia, havia era a alma despedaçada e nem havia mais música para dançar e nem mesmo a disposição de fazer a pergunta e, se fizesse a pergunta, por mais gramatical que fosse, a resposta não seria então vamos dançar agora, porque as lágrimas não deixariam falar e tudo conspiraria para instalar entre os dois a mesma sensação que invade, agora, este que se pretendia conto, ou seja, de que deveria ter parado na página anterior e não poderia de modo algum ter prosseguido até esse tempo onde a alma já está despedaçada, deixando em quem escreve a sensação muito dolorosa de que não precisava ter lembrado nada disso.


Tarântulas
(Juarez Guedes Cruz)

- O senhor acredita, Meritíssimo, que uma frase pode destruir a vida de um homem? Pois eu acredito e adianto que isso aconteceu comigo. Eu vivia de uma pensão desde os meus trinta e cinco anos, por causa do acidente que deixou essa mão esfacelada e o rosto deformado, como o senhor pode ver. Tornei-me um sujeito solitário. Passava quase todo o tempo nos cinemas, mais para me esconder do dia e das pessoas. E em livrarias, nos sebos principalmente. Buscava algo que desse um rumo para a existência. Procurava textos de religião ou do tipo ajuda-te a ti mesmo. Em fevereiro do ano passado, folheando livros ao acaso, encontrei um volume de contos eróticos. O azar é que abri em uma página onde havia um conto de uma só frase, intitulado Carícia perfeita. Foi escrito por uma jornalista cujo nome não recordo... o sobrenome era Shua. Pois ela teve a capacidade de escrever assim: Não há carícia mais perfeita do que o leve roçar de uma mão de oito dedos, afirmam aqueles que, ao invés de escolher uma mulher, optam por entrar, sós e nus, no Quarto das Aranhas. Quando terminei de ler essas palavras, senti um soco na barriga e elas não me saíram mais do pensamento. Eu me via na situação que a desgraçada inventou, sei lá de que jeito, na cabeça dela. Imaginava-me nu, entrando em um quarto escuro, sabendo que, lá dentro, estavam as aranhas. Aí eu me deitava - tudo isso na minha imaginação, Meretíssimo -, me deitava e elas começavam a caminhar por cima do meu corpo. Sentia cócegas, aquele roçar das patas na pele. Pensava que uma delas poderia me envenenar e imaginar tal coisa era muito excitante. Eu gozava sem ter que me tocar. O problema é que essa visão não me largou mais e me desinteressei por sexo normal. Normal? Isso de um homem e uma mulher fazendo aquelas coisas que, perdoe a intromissão, o Meretíssimo deve fazer com sua esposa. Porque não acredito que na cabeça do Meretíssimo e de sua senhora passem idéias parecidas com as que andam pela minha cabeça. Comecei a me assustar comigo mesmo e procurei um médico. Na consulta, ele me mostrou o livro de um cientista alemão, Krafft-Ebing, sobre perversões sexuais. Falava de coisas tão horríveis que sua primeira edição teve que ser em latim, para que só os doutores pudessem ler. Isso porque, imagino, a cabeça dos doutores não deve, ou pelo menos não deveria, ser influenciada por essas baixezas. Mas saber desse livro não adiantou nada. Tem duzentos e trinta e oito casos de taras de tudo que é tipo mas em nenhum aparece isso de o sujeito ficar se imaginando acariciado por aranhas. E mais raiva me deu da mulherzinha que pensou logo uma coisa assim. E me fez pensar, eu que toda vida fui um cara supernormal e direito. Dei, então, de ver filmes como O colecionador, Ata-me, Estranha obsessão e outros do gênero. No início, achava que era para me satisfazer com as cenas. Ficava me enxergando trancado com uma mulher que, ao mesmo tempo, me desejasse e odiasse. Inventava que o quarto estava cheio de facas e eu ali, sem saber se ela iria me amar ou matar. Então, Meretíssimo, começou a acontecer aquilo que me apavorou: pensei em seqüestrar uma mulher e fechá-la em uma peça escura. Depois entrar alí, só e nu, e me deitar perto dela, sabendo-a revoltada comigo. Só então compreendi: os filmes serviam para organizar melhor meu plano. Por isso estou aqui: para pedir que não permita uma loucura dessas. Sinto-me mais um animal, desses loucos furiosos, do que um ser humano. E o melhor é eu ficar trancafiado numa cela. Para quem tem pensamentos como os meus, Excelência, a cabeça já é uma cela. Só não me mande para um lugar escuro e pequeno, porque aí eu fico com medo das aranhas que aquela infeliz imaginou para enlouquecer minha cabeça. Eu lhe peço, Meretíssimo, me condene e me vigie. Antes que eu magoe alguém. E não se preocupe: eu só tranquei sua mulher e sua filha no banheiro para que a gente pudesse conversar em paz. Agora que o senhor me ouviu, pode soltá-las e até ficar com o revólver. Mas, por favor, não fique me olhando assim, com esses múltiplos olhos de Juiz. Tenha piedade, Meretíssimo, não me toque com essa sua pata enorme. Peluda.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Estou com faringite, por isso estou aqui - agora. Raios. É ruim.
Disco novo do Bob Dylan: nota 10 - se não fossem as extensas repetições, tanto das melodias vocais como dos riffs de acordeon. No fim das contas: nota 0 - se não fosse o próprio uso do acordeon, muito bom. No último final das contas: nota 1.

- Tá, mas não é tu que é o cara do minimalismo?
- Não sei explicar exatamente por que, mas o que ele faz (nos últimos dois discos) não é minimalismo, é repetitividade, mesmo.
Flávio Calazans escreveu:

Key, no livro 'Media sexploitation', descreve diversos subliminares sonoros, inclusive explica a decupagem dos efeitos sincronizados na mixagem ou edição do filme 'O exorcista'. Segundo Key, o reforço que o som causa na imagem é a causa do sucesso desse filme de terror, pois foi realizado com engenharia de som subliminar sofisticada para a época, chegando a ganhar um Oscar pela trilha sonora. Friedkin, o responsável, explica que aplicou diversos tipos de subliminar no fundo sonoro, por exemplo:

1) Som do enxame de abelhas furiosas, zunindo em dezesseis freqüências diferentes mixadas – o consciente as ouve como um único som. Todos os humanos reagem com medo e ansiedade ao som das abelhas, mesmo se nunca ouviram tal som, este desperta o desejo de fugir, esconder-se, e o medo de sofrer dores. Friedkin explica que, segundo Jung, tal som seria um arquétipo. Esse som foi plantado na edição em ondas crescentes antes das cenas de maior tensão e suspense.

2) Som dos gritos de porcos sendo degolados. A menina Reagan, ao ser possuída pelo demônio, vai sendo maquiada gradualmente a cada cena para parecer-se com um porco, enquanto "ouve-se" subliminarmente estes guinchos angustiantes.

3) Gemidos de casais no momento do orgasmo foram inseridos no fundo subliminar nas cenas de clímax, o ato de exorcismo com a moça e o padre a sós. Key explica que mais de 50% das mulheres entrevistadas por sua equipe afirmaram ficar excitadas sexualmente nessa cena.

4) Som no silêncio. As pausas silenciosas do filme eram silêncio eletrônico, com fundo de baixa freqüência inaudível, zumbindo.

'O exorcista', é importante lembrar, foi realizado em 1976. Hoje tais tecnologias sofisticaram-se, bem como suas aplicações. No Brasil, em 1989, Zé Rodrix produziu um jingle para o Chevrolet da General Motors, cujo ritmo era de 80 ciclos por minuto. Segundo Zé Rodrix, o ritmo do coração de uma mãe amamentando o filho, ouvido pelo recém-nascido, é um som associado a conforto, tranqüilidade, segurança e prazer. Sensações que o publicitário, por meio do jingle, tentava associar subliminarmente ao carro. Rodrix afirma que se baseou em pesquisas do grupo Pink Floyd que apontaram o ritmo de 80 ciclos como o de maior efeito subliminar sobre o auditório – cobaias involuntárias dessas tecnologias experimentais em seus shows.
Na visão sugerida pelo eternalismo, não existe a passagem do tempo; um relógio mede durações entre eventos como uma fita métrica mede distâncias entre dois objetos.

Nós aparentemente tememos a morte porque acreditamos que não vamos existir mais depois da morte. Mas se o eternalismo está correto, a morte é apenas uma das nossas fronteiras temporais, então não deve ser mais ou menos preocupante que o nascimento.

Imagine duas situações: 1. você vai ao dentista e 2. você já saiu de lá. O senso comum diz que você deve preferir já ter ido ao dentista. Mas se o eternalismo está correto, tanto faz em qual das situações você está.

Se o indeterminismo pode ser removido das teorias de fluxo-do-tempo, ela pode ser agrupada com as teorias eternalistas? Surpreendentemente, a resposta é um qualificado "sim", na forma de teorias multiversas, nas quais múltiplos e alternados futuros existem num cenário fixo, mas observadores individuais não têm como saber qual das alternativas acabará acontecendo.

(Wikipédia)


Em filosofia do tempo, presentismo é a tese que nem o futuro nem o passado existem. O oposto de presentismo é eternismo, a tese que aceita a existência em algum "lugar", de alguma maneira, eternamente, ou ao menos fora do tempo, do passado e do futuro.

Santo Agostinho propôs que o presente é um corte afiado entre o passado e o futuro e por isso não contém nenhuma extensão de período de tempo. Isso parece evidente porque, se o presente tivesse extensão, ele poderia ser separado em diversas partes [e o que cada uma dessas partes seria?].

(Wikipédia)


Talvez o mais famoso argumento contra a realidade do tempo seja o de McTaggart. Ele diz que podemos distinguir duas "séries" ou características do tempo, a série-A e a série-B, que chamaremos de características-A e características-B. As noções de passado, presente e futuro são as características-A, e as noções de antes e depois, ou anterior e posterior, são as características-B. Segundo McTaggart, as características-B são redutíveis às características-A, e as características-A nos levam ao regresso ao infinito. Tome como exemplo um evento presente, a leitura deste artigo da Wikipédia. Esse evento é presente, foi futuro e será passado. Ser presente é ser presente no presente, ter sido futuro no passado e vir a ser passado no futuro. Ser presente no presente é ser presente no presente no presente, ter sido futuro no passado no presente, vir a ser passado no futuro no presente etc. Resumindo, por levarem ao regresso ao infinito as características-A não podem ser atribuídas ao tempo. Como, após a redução das características-B às características-A, não há outras características do tempo, McTaggart conclui que o tempo não tem característica alguma por ser irreal. Em suma, ele diz que o tempo não existe, embora tenhamos a ilusão do tempo.

Uma das duas principais famílias de soluções para esse problema tem caráter epistemológico e metafísico. Nessa visão, traçamos a visão de uma direção no tempo por causa da assimetria da causação. Sabemos mais sobre o passado porque os elementos do passado são causas do efeito que é nossa percepção.

(Wikipédia)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Primeiro, havia o Ronaldo, zagueiro do São Paulo. Ele passou a ser também o zagueiro da Seleção Brasileira. Depois surgiu o Ronaldo do Cruzeiro, que com 17 anos também integrou a Seleção. Para não confundirmos os Ronaldos, o zagueiro passou a ser chamado de Ronaldão e o atacante de Ronaldinho. Ronaldinho foi jogar na Europa e voltou a ser chamado de Ronaldo. Ronaldão se aposentou, e Ronaldo passou a ser chamado de Ronaldo também na Seleção. Então surgiu o Ronaldinho do Grêmio, meio-campo. Para não ser confundido, foi batizado Ronaldinho Gaúcho. Ronaldo, por sua vez, começou a ser chamado aqui no Brasil de Ronaldo Nazário. Esses dias ouvi o Ronaldinho Gaúcho sendo chamado de Ronaldo Moreira. A seguir, cenas do próximo capítulo.
Agora eu sei por que a Resposta à Grande Questão do Universo é 42. O banho quente ideal é com a água a 42ºC.


O Russell Crowe convidou o Nick Cave para escrever o roteiro de uma continuação de 'Gladiador' (2000), e a resposta foi "não".

terça-feira, 5 de maio de 2009



Melhor Jogador, Revelação, Artilheiro e Melhor Atacante do Gauchão 2009.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Viciado.


'Ambivalência' já está em sebo.
"(...) Costuma-se dizer que o que caracteriza a prática é a cópia de uma quantidade superior a oito compassos inteiros de outra música. Há especialistas, no entanto, que utilizam conceitos bem mais rigorosos. 'O plágio pode ser constatado ainda que haja apenas três notas idênticas', acredita o advogado José Carlos Costa Netto, autor do livro 'Direito Autoral no Brasil', de 1998. Neste caso, seria preciso que tal seqüência de sons bastasse para identificar a canção original. A verdade é que não há nada tão específico assim na lei brasileira, nem em parte alguma do planeta. Aceitar a cópia de oito compassos, por exemplo, é um disparate. Seria o mesmo que roubar um quarto do total de outra melodia, já que uma canção popular não costuma ultrapassar 32 compassos. 'Se a lei usasse essa medida, haveria uma estranha e incompreensível tolerância legal e moral para a reprodução desautorizada de qualquer canção', escreveu o especialista Edman Ayres de Abreu em 'O Plágio em Música'. Sem critérios exatos para avaliar tais situações, os julgamentos se baseiam primordialmente em decisões anteriores – jurisprudência – e, em larga medida, em opiniões subjetivas dos juízes.

"(...) Esse tipo de confusão ocorre porque a música popular é, em última análise, a arte da redundância. O compositor não cria a partir do nada, e sim seguindo determinado 'estilo', que é definido por padrões rítmicos, harmônicos ou melódicos. Boa parte das músicas do gênero rock'n'roll, por exemplo, usa a mesma seqüência de acordes criada por Chuck Berry, nos anos 50. Se fosse processar todos os músicos americanos que se valeram da fórmula, Chuck seria mais rico do que Michael Jackson. Dança do Bumbum, lançada pelo grupo É o Tchan, na época áurea de Carla Perez, é um caso parecido. Apoiada em uma melodia recorrente da música baiana, foi acusada de ser plágio do samba Na Beira do Mangue, de Ary do Cavaco e Otacílio da Mangueira, gravado por Jair Rodrigues, em 1976. Por meio de um acordo feito pela gravadora PolyGram, os acusadores tornaram-se co-autores da música do É o Tchan. A notícia se espalhou e gerou efeito cascata. Agora, outros compositores, desta vez gaúchos, reivindicam a autoria da canção, que, no fundo, não tem dono. 'A música popular é um produto industrial e quem a cria precisa de matéria-prima. Quando não encontra, rouba', resume o historiador José Ramos Tinhorão." (Celso Masson, revista Veja, 14/04/1999)
O Inter chegou semana passada a 83 mil sócios e ultrapassou o River Plate, sendo agora o clube com maior número de sócios fora da Europa e o oitavo do mundo. O próximo a ser superado é o Real Madrid, que tem 92 mil associados.

domingo, 3 de maio de 2009

Atualização: 'The eternal' é pior do que 'Sonic nurse' (2004), é o pior disco do Sonic Youth desde que consolidaram seu estilo em 'Evol' (1986). Ou seja, é o pior disco em 23 anos de uma carreira exitosa. Simplesmente não funciona. O Lee Ranaldo quase salva nas músicas em que canta. A melhor música do disco é 'Antenna', só que a versão do falso disco.

'The eternal', o novo disco do Sonic Youth, tem aqui e aqui.

29 de abril:

Eu estava quase chorando de tristeza. Oito músicas instrumentais, somente duas cantadas pela Kim Gordon e nenhuma voz masculina, a não ser na suposta última faixa, 'massagem na história' ou algo que o valha, que aparece o Thurston Moore cantando... 'Diamond sea'. Pensei que a banda estava se despedindo. Resolvi pesquisar no Google para ver as opiniões sobre essa grande decepção. Pedi resultados somente do Brasil e caí no blog do Abonico R. Smith. O disco que vazou era falso, apenas para despistar. É Sonic Youth, mas nada comparável ao que virá, um disco de carreira. Eu sei.