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domingo, 30 de julho de 2006
Durante a semana estou na maratona-do-inferno. Loop infinito trabalho-curso-dormir-trabalho-curso-dormir-trabalho... Estou caminhando 60 minutos por dia. Exaustão mental & física. Não tenho conseguido estudar no fim de semana, porque tem acontecido muita coisa musical. De sexta-feira restrasada a quarta-feira passada esteve por aqui o amigo Yury Hermuche (FireFriend, ex-Frank Poole). Ele veio para ver os shows no Teatro de Arena, para fazer uma jam gravada comigo (e com o Kó e o Renan) e para inaugurar uma nova fase na vida dele, de mais viagens. Gravamos 16 "músicas" no estúdio Live domingo passado. Lançaremos o que ficar bom sob o nome de Hotel (vide fotos no meu flickr), um projeto sazonal com formação variável e sem nunca ensaiar. Os shows da terça-feira foram bons, com destaque para uma centrífuga do espaço e o onidestacado Lavajato. input_output fechou a noite com muita textura ruidosa e muito volume. Depois do evento, teve comida com 50% de desconto - para o pessoal do show - no Cavanhas. Ontem teve o show da Farveste na beirada do terraço do prédio do Mateus. Lindo. Porém o dia era o menos adequado: frio da porra. Depois, as famílias Dickel (i_o), D (Lavajato) e Darisbo (Cine Victoria), mais o Maurício e o Sergio (Superphones), fomos comer canja - e boi à milanesa - na Lancheria do Parque. Hoje de manhã foi a vez da Blanched registrar ao vivo as suas quatro músicas ainda não registradas ('Cora', 'Barbaritude', 'O final de O Incrível Hulk' e 'Valsa #') no mesmo estúdio Live. Periga Pelicano, Blanched e Hotel lançarem seus registros ao mesmo tempo. E o input_output está adentrando o coletivo Antena, entrada marcada com lançamento do single 'Polissonografia'. Tudo isso em meio à maratona circular infinita. Afe. Outros destaques das últimas semanas são a querida Manu e os queridos peludos que mandam aqui nesta casa. Fuzzy dorme metade no meu colo, metade no teclado do micro, neste momento. Estou me preparando para mais atividade musical a partir de agora, espero que não tenha sido fogo de palha. Mais improvisos registrados (eu ia esquecendo: sábado que vem será a vez de input_output + Lavajato + etc.). Mais eventos de música "experimental". Mais eventos no terraço do prédio. Bem que eu podia passar nesse concurso para o qual eu estou estudando.
sábado, 29 de julho de 2006
segunda-feira, 24 de julho de 2006
FIBERONLINE
17/07/2006
Do pós-rock às experimentações eletrônicas mais extremas
por Luis Depeche
Douglas Dickel é o cérebro por trás do projeto Input_Output, um dos representantes da música experimental produzida no sul do país. Ele contou ao FiberOnline como foram as etapas de produção de seu audacioso álbum de estréia, intitulado 'Eu Contenho Todos os Meus Anos Dentro de Mim'.
Você vem de um background musical mais voltado para o rock. Como surgiu o interesse pela música eletrônica?
Coincidentemente. Criei um disco sem pensar racionalmente em como queria que ele fosse. Pouco antes de começar o processo criativo, fui acumulando todas as minhas reações a todas as músicas que eu vinha ouvindo, registrando tanto aquilo que me agradava como principalmente aquilo que sentia falta gerando uma ânsia crescente por ouvir aquele som ainda não encontrado.
No álbum 'Eu Contenho Todos os Meus Anos Dentro de Mim' você utiliza samples de maneira inusitada e até mesmo surreal. Daria para comentar um pouco sobre o seu processo de produção e sobre os samples utilizados no álbum?
Dou a partida com uma porção de direcionamentos inconscientes, que vão se manifestando somente na prática, na forma da música. Então a estética do disco surgiu espontaneamente, à medida que cada música ia sendo feita, intuitivamente. Na falta do som que eu estava procurando, eu próprio o fiz; talvez seja o que acontece com qualquer compositor, mas foi com essa surpresa com relação ao acaso que eu percebi esse impulso criativo. Eu não sabia exatamente qual era o som, nem como era, mas sentia que poderia e deveria fazê-lo. Eu tinha como munição uma série de samples e loops acumulados em uma pasta, e a maioria deles eram de estática de rádio. Esse clique deu na minha mente depois de eu rever o filme "Contato", do Robert Zemeckis, baseado no livro do Carl Sagan. Ele me fez lembrar que na infância a hipótese de comunicação extraterrestre me fascinava e que, de alguma forma, eu relacionava isso com o rádio de ondas curtas que o meu pai tinha, com as estações de rádio de outros países mal sintonizadas, ou seja, carregadas da "sujeira" da estática.
Comecei a digitalizar um walkman sendo freneticamente sintonizado por mim. Depois, eu ouvia os resultados e separava aquilo que era interessante como loop. E então eu justapus esses loops, gerando o caráter minimalista que a música eletrônica tem, mas que até então eu havia experimentado, ativa e passivamente, apenas no post-rock. Quando o disco ficou pronto, eu não sabia como classificá-lo, adotei o post-rock/experimental. Pensei em noise, trip hop, industrial. Mas foi só quando dei uma entrevista para o site português Bodyspace que alguém, no caso o André Gomes, por meio de uma pergunta como a sua, fez-me pensar pela primeira vez na minha obra como eletrônica. E um tempo depois, ainda, eu vim a conhecer o duo finlandês Pan Sonic, que me fez mergulhar na pesquisa de artistas eletrônicos de vanguarda. Gosto de usar sons de erros, porque eles são presentes do acaso.
Comente um pouco sobre as participações neste álbum.
Quando ouvi a voz da Mariana Prates pela primeira vez, no disco da banda Superphones, senti que deveria ser a voz que representaria a outra pessoa a dizer, junto comigo, "Vamos juntar nossos escombros e formar a cidade mais bonita do mundo", em 'Escombros'. Convidei-a, ela aceitou e deu o toque feminino para a música mais suave do disco. Para a faixa 'Joseph Campbell', eu queria uma leitura de trechos desse autor que tratam sobre a interpretação da simbologia do cristianismo, mas não queria mais uma leitura com a minha voz, pois eu já havia declamado um poema em 'Albatroz'. Sabendo disso, minha mulher, Manuela Colla, ofereceu-se para gravar, gravou e ficou um bom resultado. Foram essas as duas participações.
E como surgiu a oportunidade de ter seu trabalho lançado pelo selo Open Field Records?
A Peligro Discos, que faz parte do coletivo Open Field, já distribuía os discos (independentes) da Blanched, minha banda de post-rock. Era a minha única opção para o input_output, se eu não fosse lançar com o Open Field, eu lançaria sozinho. Questão de identificação com o gosto musical, com os estilos que eles abarcam, com o profissionalismo, com os projetos visuais. Lancei uma cópia da master para o Guilherme Barrella, e então ele e os sócios dele, felizmente, interessaram-se em lançar o 'Eu Contenho...' pelo Open Field.
No caso do Input_Output, produzir música experimental dá prazer ou é um puro exercício calculado, daqueles que exige muita concentração?
Prazer. Produzir música, independentemente do adjetivo que vem depois, é sempre prazer. Catarse. Também há o sofrimento do parto da obra, mas é um sofrimento ao mesmo tempo prazeroso, até porque resulta no nascimento do filhote. E eu, particularmente, não sei o que é planejar a criação de alguma obra, seja de música ou de qualquer outra linguagem artística. Concentração é fundamental sempre. "Cálculo" às vezes é necessário, mas nunca vem sozinho, por causa do meu método espontâneo.
Em sua opinião, sentimento e emoção cabem na música experimental?
Sentimento e emoção SÃO a música experimental - boa. É claro que um experimentalismo que me soar ruim não vai me trazer outro sentimento senão o de não querer ouvi-lo. Mas uma música extremamente "alienígena" (se considerarmos a existência de um padrão "terrestre") pode causar as maiores emoções. Colocam-se os fones e os sons vão puxando a alma para todas as infinitas direções, causando reações claramente físicas, inclusive. Bem, isso todo mundo conhece, é a música. Mas entendo que muitas pessoas, a maioria delas, têm repulsa à música experimental. Os motivos são tantos que renderiam um texto só para eles. O principal motivo é o medo do desconhecido. Surpreender-se é a melhor coisa que há. Enfrentar os medos também é uma das melhores atividades. As duas coisas têm a ver com superação.
O que você tem escutado ultimamente?
Minhas descobertas mais recentes são os japoneses Ryoji Ikeda e Sakamoto (ex-Yellow Magic Orchestra) e o alemão Carsten Nicolai a.k.a. Alva Noto, todos fazendo uma eletrônica bastante extrema, no limite com a não-música, mas até por isso bastante interessantes. É bonito explorar ao máximo os limites, as fronteiras. Destaque para o álbum 'Matrix', do Ikeda, que é o exemplo mais apropriado de produção de reações físicas no ouvinte. Sempre ouço algum disco de Sonic Youth, Grandaddy, Múm. Descobri também as cantoras Neko Case e Jenny Lewis, bem como suas respectivas bandas, The New Pornographers e Rilo Kiley. Bandas com vocal feminino como The Fiery Furnaces, Architecture In Helsinki, Arcade Fire e Black Box Recorder. Andei fazendo uma aproximação com os mestres do jazz, como Coltrane, Monk, Miles Davis. Conheci também artistas do doom ambient, dos quais passei a ouvir o Sunn 0))), outro provocador de claros efeitos físicos.
Se você pudesse remixar o trabalho de alguém, de quem seria?
Já tentei me imaginar remixando algo, até mesmo meu próprio álbum, mas não consegui. Talvez seja reflexo do fato de que eu nunca gostei de nenhum remix de nenhuma música, sempre me pareceu que eles estragam as originais, então eu nem chego a considerá-los.
E quais são os planos do Input_Output para o futuro?
Quanto às criações e aos discos, seguir adiante. Quando e como eu ainda não sei. Mas existe a versão ao vivo do "Eu contenho...', que está sendo levada aos palcos por mim e mais três instrumentistas: Felipe Oliveira, Mateus D?Almeida e Renan Stiegemeier. Fazemos rodízio na operação de synths (um digital, um analógico e o Nanoloop do Game Boy), megafone, ursinho-musical-de-ninar-à-corda, aspirador de pó, prato de ataque com pedal de delay e samples disparados por meio de um discman, além de guitarra, baixo e bateria, ligados ou não a pedais de efeitos. O show está montado para ser apresentado sempre que há oportunidades. No próximo dia 25, faremos uma versão diferente do show, como convidados do coletivo Antena [http://www.antena.art.br] para um evento no Teatro de Arena, em Porto Alegre. Não utilizaremos bateria convencional nem baixo, afastando-nos dos elementos de rock e explorando as texturas e o experimentalismo, porque o evento é específico de música eletrônica. Ah, e o 'Eu contenho...' poderá ter uma edição em Portugal, por meio do selo Music Is Math, do André Gomes (Bodyspace), possibilitando um alcance europeu.
Baixe input_output no FiberOnline: http://www.fiberonline.com.br/artista.php?id=1993
17/07/2006
Do pós-rock às experimentações eletrônicas mais extremas
por Luis Depeche
Douglas Dickel é o cérebro por trás do projeto Input_Output, um dos representantes da música experimental produzida no sul do país. Ele contou ao FiberOnline como foram as etapas de produção de seu audacioso álbum de estréia, intitulado 'Eu Contenho Todos os Meus Anos Dentro de Mim'.
Você vem de um background musical mais voltado para o rock. Como surgiu o interesse pela música eletrônica?
Coincidentemente. Criei um disco sem pensar racionalmente em como queria que ele fosse. Pouco antes de começar o processo criativo, fui acumulando todas as minhas reações a todas as músicas que eu vinha ouvindo, registrando tanto aquilo que me agradava como principalmente aquilo que sentia falta gerando uma ânsia crescente por ouvir aquele som ainda não encontrado.
No álbum 'Eu Contenho Todos os Meus Anos Dentro de Mim' você utiliza samples de maneira inusitada e até mesmo surreal. Daria para comentar um pouco sobre o seu processo de produção e sobre os samples utilizados no álbum?
Dou a partida com uma porção de direcionamentos inconscientes, que vão se manifestando somente na prática, na forma da música. Então a estética do disco surgiu espontaneamente, à medida que cada música ia sendo feita, intuitivamente. Na falta do som que eu estava procurando, eu próprio o fiz; talvez seja o que acontece com qualquer compositor, mas foi com essa surpresa com relação ao acaso que eu percebi esse impulso criativo. Eu não sabia exatamente qual era o som, nem como era, mas sentia que poderia e deveria fazê-lo. Eu tinha como munição uma série de samples e loops acumulados em uma pasta, e a maioria deles eram de estática de rádio. Esse clique deu na minha mente depois de eu rever o filme "Contato", do Robert Zemeckis, baseado no livro do Carl Sagan. Ele me fez lembrar que na infância a hipótese de comunicação extraterrestre me fascinava e que, de alguma forma, eu relacionava isso com o rádio de ondas curtas que o meu pai tinha, com as estações de rádio de outros países mal sintonizadas, ou seja, carregadas da "sujeira" da estática.
Comecei a digitalizar um walkman sendo freneticamente sintonizado por mim. Depois, eu ouvia os resultados e separava aquilo que era interessante como loop. E então eu justapus esses loops, gerando o caráter minimalista que a música eletrônica tem, mas que até então eu havia experimentado, ativa e passivamente, apenas no post-rock. Quando o disco ficou pronto, eu não sabia como classificá-lo, adotei o post-rock/experimental. Pensei em noise, trip hop, industrial. Mas foi só quando dei uma entrevista para o site português Bodyspace que alguém, no caso o André Gomes, por meio de uma pergunta como a sua, fez-me pensar pela primeira vez na minha obra como eletrônica. E um tempo depois, ainda, eu vim a conhecer o duo finlandês Pan Sonic, que me fez mergulhar na pesquisa de artistas eletrônicos de vanguarda. Gosto de usar sons de erros, porque eles são presentes do acaso.
Comente um pouco sobre as participações neste álbum.
Quando ouvi a voz da Mariana Prates pela primeira vez, no disco da banda Superphones, senti que deveria ser a voz que representaria a outra pessoa a dizer, junto comigo, "Vamos juntar nossos escombros e formar a cidade mais bonita do mundo", em 'Escombros'. Convidei-a, ela aceitou e deu o toque feminino para a música mais suave do disco. Para a faixa 'Joseph Campbell', eu queria uma leitura de trechos desse autor que tratam sobre a interpretação da simbologia do cristianismo, mas não queria mais uma leitura com a minha voz, pois eu já havia declamado um poema em 'Albatroz'. Sabendo disso, minha mulher, Manuela Colla, ofereceu-se para gravar, gravou e ficou um bom resultado. Foram essas as duas participações.
E como surgiu a oportunidade de ter seu trabalho lançado pelo selo Open Field Records?
A Peligro Discos, que faz parte do coletivo Open Field, já distribuía os discos (independentes) da Blanched, minha banda de post-rock. Era a minha única opção para o input_output, se eu não fosse lançar com o Open Field, eu lançaria sozinho. Questão de identificação com o gosto musical, com os estilos que eles abarcam, com o profissionalismo, com os projetos visuais. Lancei uma cópia da master para o Guilherme Barrella, e então ele e os sócios dele, felizmente, interessaram-se em lançar o 'Eu Contenho...' pelo Open Field.
No caso do Input_Output, produzir música experimental dá prazer ou é um puro exercício calculado, daqueles que exige muita concentração?
Prazer. Produzir música, independentemente do adjetivo que vem depois, é sempre prazer. Catarse. Também há o sofrimento do parto da obra, mas é um sofrimento ao mesmo tempo prazeroso, até porque resulta no nascimento do filhote. E eu, particularmente, não sei o que é planejar a criação de alguma obra, seja de música ou de qualquer outra linguagem artística. Concentração é fundamental sempre. "Cálculo" às vezes é necessário, mas nunca vem sozinho, por causa do meu método espontâneo.
Em sua opinião, sentimento e emoção cabem na música experimental?
Sentimento e emoção SÃO a música experimental - boa. É claro que um experimentalismo que me soar ruim não vai me trazer outro sentimento senão o de não querer ouvi-lo. Mas uma música extremamente "alienígena" (se considerarmos a existência de um padrão "terrestre") pode causar as maiores emoções. Colocam-se os fones e os sons vão puxando a alma para todas as infinitas direções, causando reações claramente físicas, inclusive. Bem, isso todo mundo conhece, é a música. Mas entendo que muitas pessoas, a maioria delas, têm repulsa à música experimental. Os motivos são tantos que renderiam um texto só para eles. O principal motivo é o medo do desconhecido. Surpreender-se é a melhor coisa que há. Enfrentar os medos também é uma das melhores atividades. As duas coisas têm a ver com superação.
O que você tem escutado ultimamente?
Minhas descobertas mais recentes são os japoneses Ryoji Ikeda e Sakamoto (ex-Yellow Magic Orchestra) e o alemão Carsten Nicolai a.k.a. Alva Noto, todos fazendo uma eletrônica bastante extrema, no limite com a não-música, mas até por isso bastante interessantes. É bonito explorar ao máximo os limites, as fronteiras. Destaque para o álbum 'Matrix', do Ikeda, que é o exemplo mais apropriado de produção de reações físicas no ouvinte. Sempre ouço algum disco de Sonic Youth, Grandaddy, Múm. Descobri também as cantoras Neko Case e Jenny Lewis, bem como suas respectivas bandas, The New Pornographers e Rilo Kiley. Bandas com vocal feminino como The Fiery Furnaces, Architecture In Helsinki, Arcade Fire e Black Box Recorder. Andei fazendo uma aproximação com os mestres do jazz, como Coltrane, Monk, Miles Davis. Conheci também artistas do doom ambient, dos quais passei a ouvir o Sunn 0))), outro provocador de claros efeitos físicos.
Se você pudesse remixar o trabalho de alguém, de quem seria?
Já tentei me imaginar remixando algo, até mesmo meu próprio álbum, mas não consegui. Talvez seja reflexo do fato de que eu nunca gostei de nenhum remix de nenhuma música, sempre me pareceu que eles estragam as originais, então eu nem chego a considerá-los.
E quais são os planos do Input_Output para o futuro?
Quanto às criações e aos discos, seguir adiante. Quando e como eu ainda não sei. Mas existe a versão ao vivo do "Eu contenho...', que está sendo levada aos palcos por mim e mais três instrumentistas: Felipe Oliveira, Mateus D?Almeida e Renan Stiegemeier. Fazemos rodízio na operação de synths (um digital, um analógico e o Nanoloop do Game Boy), megafone, ursinho-musical-de-ninar-à-corda, aspirador de pó, prato de ataque com pedal de delay e samples disparados por meio de um discman, além de guitarra, baixo e bateria, ligados ou não a pedais de efeitos. O show está montado para ser apresentado sempre que há oportunidades. No próximo dia 25, faremos uma versão diferente do show, como convidados do coletivo Antena [http://www.antena.art.br] para um evento no Teatro de Arena, em Porto Alegre. Não utilizaremos bateria convencional nem baixo, afastando-nos dos elementos de rock e explorando as texturas e o experimentalismo, porque o evento é específico de música eletrônica. Ah, e o 'Eu contenho...' poderá ter uma edição em Portugal, por meio do selo Music Is Math, do André Gomes (Bodyspace), possibilitando um alcance europeu.
Baixe input_output no FiberOnline: http://www.fiberonline.com.br/artista.php?id=1993
Prêmio Dynamite 2005
ÁLBUM MÚSICA ELETRÔNICA
4258 votos nesta categoria
1. Sonic Jr. - Pra Fazer O Mundo Girar (Mundo Perfeito/AL) 854 20.06%
2. DJ Dolores - Aparelhagem (Trama/PE) 544 12.78%
3. X-Action - Into the night (Techno Vision/SP) 344 8.08%
4. Input_Output - Eu contenho todos os meus anos dentro de mim (Open Field/Peligro/RS) 286 6.72%
5. Que fim Levou Robin!? - No país de Laura Roitiman (Paradoxx/SP) 285 6.69%
6. No Porn - No Porn (Segundo Mundo/SP) 279 6.55%
7. Tara Code - Azul e Roxo (ind./BA) 267 6.27%
8. Bojo - Procedimento (Outros Discos/SP) 235 5.52%
9. Instituto Vs DJ Dolores - Narradores de Javé Remix (YB Music/PE e SP) 225 5.28%
10. Johann Heyss - Psychosamba (Astronauta/RJ) 212 4.98%
11. Chambaril - Chambaril (Bazooka Discos/PE) 148 3.48%
12. Pet Duo - Palazzo Volume Five (T: Classix/SP) 146 3.43%
13. CH2K - Light...camera...sound... (Segundo Mundo/SP) 120 2.82%
14. Bruno E - Alma Sessions / Super Jazz-Nova vida vol2 (Trama/SP) 89 2.09%
15. Deejay Jozé Pedro - Quero Dizer A Que Vim (Ind./SP) 86 2.02%
16. Julio Torres - Depper Love (Deeper Love/Aquatic/SP) 84 1.97%
17. George Actv - Sunday Away # 1 mixed by George Actv (URBR/SP) 54 1.27%
4º entre 17: está ótimo.
No Prêmio London Burning, o 'Eu contenho...' ficou em 3º entre 5. Uma boa média, em se tratando de votação do público, não-especializada.
ÁLBUM MÚSICA ELETRÔNICA
4258 votos nesta categoria
1. Sonic Jr. - Pra Fazer O Mundo Girar (Mundo Perfeito/AL) 854 20.06%
2. DJ Dolores - Aparelhagem (Trama/PE) 544 12.78%
3. X-Action - Into the night (Techno Vision/SP) 344 8.08%
4. Input_Output - Eu contenho todos os meus anos dentro de mim (Open Field/Peligro/RS) 286 6.72%
5. Que fim Levou Robin!? - No país de Laura Roitiman (Paradoxx/SP) 285 6.69%
6. No Porn - No Porn (Segundo Mundo/SP) 279 6.55%
7. Tara Code - Azul e Roxo (ind./BA) 267 6.27%
8. Bojo - Procedimento (Outros Discos/SP) 235 5.52%
9. Instituto Vs DJ Dolores - Narradores de Javé Remix (YB Music/PE e SP) 225 5.28%
10. Johann Heyss - Psychosamba (Astronauta/RJ) 212 4.98%
11. Chambaril - Chambaril (Bazooka Discos/PE) 148 3.48%
12. Pet Duo - Palazzo Volume Five (T: Classix/SP) 146 3.43%
13. CH2K - Light...camera...sound... (Segundo Mundo/SP) 120 2.82%
14. Bruno E - Alma Sessions / Super Jazz-Nova vida vol2 (Trama/SP) 89 2.09%
15. Deejay Jozé Pedro - Quero Dizer A Que Vim (Ind./SP) 86 2.02%
16. Julio Torres - Depper Love (Deeper Love/Aquatic/SP) 84 1.97%
17. George Actv - Sunday Away # 1 mixed by George Actv (URBR/SP) 54 1.27%
4º entre 17: está ótimo.
No Prêmio London Burning, o 'Eu contenho...' ficou em 3º entre 5. Uma boa média, em se tratando de votação do público, não-especializada.
Peligro Discos
Informativo #51.5
19/07/2006
----------------------------------------------------------------------
(...) vou dar um toque de dois eventos imperdíveis que rolam na terça que vem, dia 25 de julho, em dois extremos do país. Em Porto Alegre, o input_output toca na festa dos nossos amigos do coletivo Antena, no alto do viaduto da Borges, a partir das 20h. Também tocam Lavajato (sem palavras né), Cine Victória e o belga Szkieve, entre outros. Na mesma noite, em Garanhuns, interior de Pernambuco, o Ahlev de Bossa toca no famoso festival de inverno da cidade, já na sua 16ª edição. No palco instrumental, a partir das 18h.
abraço, gui.
Informativo #51.5
19/07/2006
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(...) vou dar um toque de dois eventos imperdíveis que rolam na terça que vem, dia 25 de julho, em dois extremos do país. Em Porto Alegre, o input_output toca na festa dos nossos amigos do coletivo Antena, no alto do viaduto da Borges, a partir das 20h. Também tocam Lavajato (sem palavras né), Cine Victória e o belga Szkieve, entre outros. Na mesma noite, em Garanhuns, interior de Pernambuco, o Ahlev de Bossa toca no famoso festival de inverno da cidade, já na sua 16ª edição. No palco instrumental, a partir das 18h.
abraço, gui.
quarta-feira, 19 de julho de 2006
http://www.nemo.com.br/25julho/
Apresentação do coletivo
de música eletroacústica
Antena e convidados:
--------------------------------------------
Szkieve
(Bélgica/Canadá, Hushush Disques, convidado)
--------------------------------------------
Cine Victória + editH10Sdat + Lavajato
(Porto Alegre, Antena)
--------------------------------------------
input_output
(Porto Alegre, Peligro Discos, convidado)
--------------------------------------------
| 25 de julho, terça-feira
| 20:00
| Teatro de Arena
| (Avenida Borges, 835 ? altos do Viaduto)
| ingressos a R$ 8,00
-------------
ANTENA.art.br
-------------
Antena é o nome adotado por um coletivo de artistas que trabalham com música eletroacústica, nos estilos noise, drone, ambient e IDM. O coletivo Antena está mapeando, divulgando e promovendo a produção de música eletroacústica no Brasil e América Latina, com intercâmbio constante entre os participantes, apresentações ao vivo ou transmitidas pela internet, e lançamentos de discos virtuais.
Formado em janeiro de 2005 em Porto Alegre, o Antena hoje conta com a participação de artistas em 10 cidades de 8 estados, além de Santiago do Chile, Buenos Aires, Nova York e Milão. O coletivo Antena mantém um cronograma constante de lançamento de discos virtuais, em formatos digitais como .MP3 e .OGG, com os discos em versão integral para download livre, com todas as músicas e capas para impressão, sempre através de licenças do modelo Creative Commons.
------------
INPUT_OUTPUT
------------
input_output é o projeto individual/autoral de Douglas Dickel, também integrante de Pelicano (guitar band) e Blanched (post-rock). Ano passado, lançou seu debut, "Eu contenho todos os meus anos dentro de mim", pelo selo paulista Open Field/Peligro, distribuído por meio do site http://www.peligro.com.br.
Misturando elementos acústicos e eletrônicos e explorando colagens, edição, texturas (como a estática de rádio) e minimalismo, Douglas procura equilibrar facetas quase inconciliáveis e promover um árido diálogo entre o experimentalismo e a canção. O disco ainda revela outras referências musicais de Dickel, como trip hop, música industrial e rock alternativo, além da música eletrônica experimental e do
noise/ambient.
Ao vivo, tal como o Nine Inch Nails de Trent Reznor, o input_output é uma banda, formada também por Felipe Oliveira, Mateus D'Almeida e Renan Stiegemeier. Os quatro se revezam na manipulação de sintetizadores, samples, pedais de efeitos, um aspirador de pó, um ursinho musical de ninar e um megafone, além do tradicional guitarra-baixo-e-bateria.
Para o show do Teatro de Arena, como convidado do coletivo Antena, o input_output não usará baixo, a guitarra será explorada ainda mais como geradora de texturas, associada a pedais de efeito, e a bateria tradicional será substituída por um prato de ataque (crash) conectado também a um pedal de efeitos, por meio de captador de contato.
-------------
MAIS DETALHES
-------------
http://www.nemo.com.br/25julho/
-----
LINKS
-----
www.antena.art.br
www.nemo.com.br
www.skieve.org
www.hushush.com
www.antena.art.br/lavajato
www.umbigogroup.com.br
www.antena.art.br/cinevictoria
www.antena.art.br/edith10sdat
www.geocities.com/douglasdickel/input_output
Apresentação do coletivo
de música eletroacústica
Antena e convidados:
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Szkieve
(Bélgica/Canadá, Hushush Disques, convidado)
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Cine Victória + editH10Sdat + Lavajato
(Porto Alegre, Antena)
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input_output
(Porto Alegre, Peligro Discos, convidado)
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| 25 de julho, terça-feira
| 20:00
| Teatro de Arena
| (Avenida Borges, 835 ? altos do Viaduto)
| ingressos a R$ 8,00
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ANTENA.art.br
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Antena é o nome adotado por um coletivo de artistas que trabalham com música eletroacústica, nos estilos noise, drone, ambient e IDM. O coletivo Antena está mapeando, divulgando e promovendo a produção de música eletroacústica no Brasil e América Latina, com intercâmbio constante entre os participantes, apresentações ao vivo ou transmitidas pela internet, e lançamentos de discos virtuais.
Formado em janeiro de 2005 em Porto Alegre, o Antena hoje conta com a participação de artistas em 10 cidades de 8 estados, além de Santiago do Chile, Buenos Aires, Nova York e Milão. O coletivo Antena mantém um cronograma constante de lançamento de discos virtuais, em formatos digitais como .MP3 e .OGG, com os discos em versão integral para download livre, com todas as músicas e capas para impressão, sempre através de licenças do modelo Creative Commons.
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INPUT_OUTPUT
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input_output é o projeto individual/autoral de Douglas Dickel, também integrante de Pelicano (guitar band) e Blanched (post-rock). Ano passado, lançou seu debut, "Eu contenho todos os meus anos dentro de mim", pelo selo paulista Open Field/Peligro, distribuído por meio do site http://www.peligro.com.br.
Misturando elementos acústicos e eletrônicos e explorando colagens, edição, texturas (como a estática de rádio) e minimalismo, Douglas procura equilibrar facetas quase inconciliáveis e promover um árido diálogo entre o experimentalismo e a canção. O disco ainda revela outras referências musicais de Dickel, como trip hop, música industrial e rock alternativo, além da música eletrônica experimental e do
noise/ambient.
Ao vivo, tal como o Nine Inch Nails de Trent Reznor, o input_output é uma banda, formada também por Felipe Oliveira, Mateus D'Almeida e Renan Stiegemeier. Os quatro se revezam na manipulação de sintetizadores, samples, pedais de efeitos, um aspirador de pó, um ursinho musical de ninar e um megafone, além do tradicional guitarra-baixo-e-bateria.
Para o show do Teatro de Arena, como convidado do coletivo Antena, o input_output não usará baixo, a guitarra será explorada ainda mais como geradora de texturas, associada a pedais de efeito, e a bateria tradicional será substituída por um prato de ataque (crash) conectado também a um pedal de efeitos, por meio de captador de contato.
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www.nemo.com.br
www.skieve.org
www.hushush.com
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segunda-feira, 17 de julho de 2006
Fui convidado pelo Pedro, do Colorir (ouça 'Formigas'), a participar de um improviso com eles:

"Vamos fazer uma sessão free jazz descarrego! Vai ser lindo", disse ele.
*
Blanched estará reunida na Grande Porto Alegre, entre 27 de julho e 2 de agosto. Aguardem notícias, porque estamos cogitando gravar as músicas inéditas e tentando armar algum show.
*
Marcelo Fruet começou a masterização do long-awaited debut da Pelicano, o 'Oito meses para a migração'.
"Vamos fazer uma sessão free jazz descarrego! Vai ser lindo", disse ele.
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Blanched estará reunida na Grande Porto Alegre, entre 27 de julho e 2 de agosto. Aguardem notícias, porque estamos cogitando gravar as músicas inéditas e tentando armar algum show.
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Marcelo Fruet começou a masterização do long-awaited debut da Pelicano, o 'Oito meses para a migração'.
sábado, 15 de julho de 2006
(...) No show do Teatro de Arena, como convidado do coletivo Antena, o input_output não usará baixo, a guitarra será explorada ainda mais como geradora de texturas, associada a pedais de efeito, e a bateria tradicional será substituída por um prato de ataque conectado também a um pedal de efeitos, por meio de captador de contato.
Nós somos viciados em (querer) ter o que nós não temos/tínhamos. Por isso é que os HDs lotam.
O consumismo da vida real se repete na vida virtual.
Na maioria das vezes você não precisa daquilo que você quer. E então aquilo que serviu aparentemente para aplacar uma angústia sua acaba tornando-se uma nova angústia depois, quando você está com aquele entrave (veja feng-shui) e precisa perder muito tempo no gerenciamento do que precisa ser jogado fora para dar lugar a novas tralhas. Dentro ou fora do computador.
Você verá um dia de novo todas as fotos que salva? Você precisa de tantos MP3s? Você precisa de enfeitezinhos para as suas estantes? E de tantas opções de roupas abarrotando o roupeiro? Você lerá um dia de novo todos os e-mails que você não apagou?
O consumismo da vida real se repete na vida virtual.
Na maioria das vezes você não precisa daquilo que você quer. E então aquilo que serviu aparentemente para aplacar uma angústia sua acaba tornando-se uma nova angústia depois, quando você está com aquele entrave (veja feng-shui) e precisa perder muito tempo no gerenciamento do que precisa ser jogado fora para dar lugar a novas tralhas. Dentro ou fora do computador.
Você verá um dia de novo todas as fotos que salva? Você precisa de tantos MP3s? Você precisa de enfeitezinhos para as suas estantes? E de tantas opções de roupas abarrotando o roupeiro? Você lerá um dia de novo todos os e-mails que você não apagou?
Foi-se
(Luis Fernando Verissimo)
De Berlim
Foi a Copa de tão pouco futebol que o maior divertimento estava na platéia. Ver o Maradona torcendo e especular sobre como o Beckenbauer conseguia estar em todos os jogos, alguns realizados no mesmo dia a centenas de quilômetros um do outro. Descartada a tese dos quatro sósias, concluiu-se pela tese do helicóptero rápido. Como Beckenbauer também se casou durante a Copa, comenta-se que o noivo é que era um sósia.
***
Foi a Copa em que chegamos convencidos de que só muito azar evitaria a vitória do Brasil e em que não foi preciso azar. Bastou um Zidane.
Foi a Copa que uniu um país em torno da sua seleção, e dividiu sua alma. Os alemães preocupavam-se com uma questão nova em suas vidas: quanto patriotismo é demais? Quando o amor por uma seleção deixa de ser só isto e se transforma em recaída em velhos hábitos? Pela primeira vez, viu-se alemães abanando a bandeira do seu país sem medo de serem mal compreendidos. Foi um grande passo para esquecer o passado e acabar com desconfianças. Dizem que o próximo é modificar o hino nacional. Onde diz "Deutschland, Deutschland uber alles" ficaria "Deutschland, Deutschland uber alles no bom sentido".
Foi a Copa em que dois jogadores prometiam ser sensações. Um era o Ronaldinho. Melhor do mundo, etc. O outro era o garoto inglês Theo Walcott. Apenas 17 anos, diziam maravilhas dele. Nenhum dos dois jogou nada. O Theo Walcott pelo menos tem a desculpa de nunca ter entrado em campo.
Foi a Copa em que se abriu uma discussão sobre a importância da torcida na produção de um time. "Allez lês vieux", o refrão alternativo a "Allez les bleus" da torcida francesa, ajudou. Pelo menos os veteranos da França chegaram à final. Teria faltado algo parecido para animar os nossos velhos? Está aí uma explicação.
Foi a Copa do gol do Esteban Cambiasso, concluindo aquela trama do ataque argentino, quando a Argentina fez 6 a 0 na Sérvia e Montenegro e chegou-se a pensar que salvaria o futebol da mediocridade que pintava. A Argentina nem salvou o futebol da Copa nem se salvou. Mas que aquele gol foi bonito, foi.
Foi finalmente a Copa em que se estava consagrando uma legenda que a própria legenda se encarregou de destruir. Seria a Copa do Zidane. Foi a Copa da desgraça do Zidane, que saiu de campo sob vaias. Pelo menos um pouco de drama para temperar a mediocridade.
E foi a minha última Copa. O Cafu e eu não estaremos na África do Sul, em 2010. Vou tentar esquecer esta e lembrar as outras. Principalmente as que ganhamos.
(Luis Fernando Verissimo)
De Berlim
Foi a Copa de tão pouco futebol que o maior divertimento estava na platéia. Ver o Maradona torcendo e especular sobre como o Beckenbauer conseguia estar em todos os jogos, alguns realizados no mesmo dia a centenas de quilômetros um do outro. Descartada a tese dos quatro sósias, concluiu-se pela tese do helicóptero rápido. Como Beckenbauer também se casou durante a Copa, comenta-se que o noivo é que era um sósia.
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Foi a Copa em que chegamos convencidos de que só muito azar evitaria a vitória do Brasil e em que não foi preciso azar. Bastou um Zidane.
Foi a Copa que uniu um país em torno da sua seleção, e dividiu sua alma. Os alemães preocupavam-se com uma questão nova em suas vidas: quanto patriotismo é demais? Quando o amor por uma seleção deixa de ser só isto e se transforma em recaída em velhos hábitos? Pela primeira vez, viu-se alemães abanando a bandeira do seu país sem medo de serem mal compreendidos. Foi um grande passo para esquecer o passado e acabar com desconfianças. Dizem que o próximo é modificar o hino nacional. Onde diz "Deutschland, Deutschland uber alles" ficaria "Deutschland, Deutschland uber alles no bom sentido".
Foi a Copa em que dois jogadores prometiam ser sensações. Um era o Ronaldinho. Melhor do mundo, etc. O outro era o garoto inglês Theo Walcott. Apenas 17 anos, diziam maravilhas dele. Nenhum dos dois jogou nada. O Theo Walcott pelo menos tem a desculpa de nunca ter entrado em campo.
Foi a Copa em que se abriu uma discussão sobre a importância da torcida na produção de um time. "Allez lês vieux", o refrão alternativo a "Allez les bleus" da torcida francesa, ajudou. Pelo menos os veteranos da França chegaram à final. Teria faltado algo parecido para animar os nossos velhos? Está aí uma explicação.
Foi a Copa do gol do Esteban Cambiasso, concluindo aquela trama do ataque argentino, quando a Argentina fez 6 a 0 na Sérvia e Montenegro e chegou-se a pensar que salvaria o futebol da mediocridade que pintava. A Argentina nem salvou o futebol da Copa nem se salvou. Mas que aquele gol foi bonito, foi.
Foi finalmente a Copa em que se estava consagrando uma legenda que a própria legenda se encarregou de destruir. Seria a Copa do Zidane. Foi a Copa da desgraça do Zidane, que saiu de campo sob vaias. Pelo menos um pouco de drama para temperar a mediocridade.
E foi a minha última Copa. O Cafu e eu não estaremos na África do Sul, em 2010. Vou tentar esquecer esta e lembrar as outras. Principalmente as que ganhamos.
quinta-feira, 6 de julho de 2006
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Duas fotos (as mais recentes) da exposição de 11 quadros que estou fazendo no restaurante do Centro Administrativo do RS.
sábado, 1 de julho de 2006
Texto e artista indicados pelo amigo Munir Klamt. Texto escrito pelo luso Fernando Ferreira. Muito interessantes.
Ryoji Ikeda - Dataplex
Computações e cálculos, corrente alternativa e discargas electricas, ondas magnéticas e estática - transformaram-se nos instrumentos da "nova" música que se faz hoje.
"Dataplex" é um trabalho puramente experimental, ou se preferirem extremamente matemático. A ideia do projecto é criar uma música simplesmente com dados. Os dados são a matéria-prima e a intenção de todos este trabalho. Numa altura em que praticamente toda a manipulação sonora passa por ferramentas e métodos digitais, aproximações a este tipo de música são bastante frequentes. Não em relação aos métodos de composição através de algoritmos matemáticos como as series de Fibonacci ou outros, mas à forma de comprender e aproveitar que hoje em dia toda música é potencialmente traduzida a sequências matemáticas.
No princípio dos anos noventa foram feitas várias aproximações como as experiências sonoras dos Oval, usando para isso defeitos de gravação ou através de software. Este mesmo caminho foi também escolhido por outros projectos como por exemplo Alva Noto. A este tipo de sonoridade deram o nome de ?clicks and cuts?.
Outra forma de criação é transformar os dados digitais em som, este processo é o preferido de Ryoji Ikeda em "Dataplex". Para isso, serve-se de fórmulas ou simplesmente da aleatoridade matemática para criar frequências mutantes criando assim não a "nova" música... mas a música do futuro.
Em "Dataplex" as primeiras oito faixas são claramente dados em bruto completamente despidos, sequências ritmicas básicas como de matéria-prima se tratasse, o próprio nome da primeira faixa mostra isso "data.index". As restantes faixas são combinações cada vez mais longas e complexas das primeiras oito faixas até chegarmos ao extâse sonoro em ?datavortex?, onde todos estes dados parecem convergir para um buraco negro para desaparecerem e mais tarde resurgirem de novo em forma individual mas transformados pelo contacto que têm uns com os outros.
Desta forma, "Dataplex" parece um disco demasiado cerebral e carente de alma, mas não é verdade. Em alguns momentos encontramos um ritmo mais "dancável" mesmo sentindo que todos estes arranjos são de uma precisão cirúrgica e servidas em fatias curtas de um "beat" minimalista.
Editado pela etiqueta alemã Raster-Noton no final do ano de 2005, "Dataplex" assume-se como um dos discos mais próximo da estética desta editora. A procura e a exploração de toda uma palete sonora oferece ao ouvinte uma gama de sons que poderá ser díficil audição, dificuldade essa advertida na caixa do cd com a seguinte informação: "Este CD contém dados específicos que poderão ser só lidos em alguns leitores de CD. A última faixa poderá dar alguns erros em certos leitores de CD".
Ryoji Ikeda - Dataplex
Computações e cálculos, corrente alternativa e discargas electricas, ondas magnéticas e estática - transformaram-se nos instrumentos da "nova" música que se faz hoje.
"Dataplex" é um trabalho puramente experimental, ou se preferirem extremamente matemático. A ideia do projecto é criar uma música simplesmente com dados. Os dados são a matéria-prima e a intenção de todos este trabalho. Numa altura em que praticamente toda a manipulação sonora passa por ferramentas e métodos digitais, aproximações a este tipo de música são bastante frequentes. Não em relação aos métodos de composição através de algoritmos matemáticos como as series de Fibonacci ou outros, mas à forma de comprender e aproveitar que hoje em dia toda música é potencialmente traduzida a sequências matemáticas.
No princípio dos anos noventa foram feitas várias aproximações como as experiências sonoras dos Oval, usando para isso defeitos de gravação ou através de software. Este mesmo caminho foi também escolhido por outros projectos como por exemplo Alva Noto. A este tipo de sonoridade deram o nome de ?clicks and cuts?.
Outra forma de criação é transformar os dados digitais em som, este processo é o preferido de Ryoji Ikeda em "Dataplex". Para isso, serve-se de fórmulas ou simplesmente da aleatoridade matemática para criar frequências mutantes criando assim não a "nova" música... mas a música do futuro.
Em "Dataplex" as primeiras oito faixas são claramente dados em bruto completamente despidos, sequências ritmicas básicas como de matéria-prima se tratasse, o próprio nome da primeira faixa mostra isso "data.index". As restantes faixas são combinações cada vez mais longas e complexas das primeiras oito faixas até chegarmos ao extâse sonoro em ?datavortex?, onde todos estes dados parecem convergir para um buraco negro para desaparecerem e mais tarde resurgirem de novo em forma individual mas transformados pelo contacto que têm uns com os outros.
Desta forma, "Dataplex" parece um disco demasiado cerebral e carente de alma, mas não é verdade. Em alguns momentos encontramos um ritmo mais "dancável" mesmo sentindo que todos estes arranjos são de uma precisão cirúrgica e servidas em fatias curtas de um "beat" minimalista.
Editado pela etiqueta alemã Raster-Noton no final do ano de 2005, "Dataplex" assume-se como um dos discos mais próximo da estética desta editora. A procura e a exploração de toda uma palete sonora oferece ao ouvinte uma gama de sons que poderá ser díficil audição, dificuldade essa advertida na caixa do cd com a seguinte informação: "Este CD contém dados específicos que poderão ser só lidos em alguns leitores de CD. A última faixa poderá dar alguns erros em certos leitores de CD".
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