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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Clayton Cubitt Hysterical Literature Session Nine Marne
Têm aparecido aqui e ali de citações da mexicana Avelina Lésper, que dariam sustentação à afirmação de que a arte contemporânea não passa de uma farsa.
Seria como nos posicionarmos pró ou contra a arte renascentista ou pró ou contra o tempo dos dinossauros, quando o que pode fazer sentido é nos debruçarmos em busca de verificar o que nesses momentos acontece.
Que haja dúvidas e até mesmo um certo pé atrás por parte do público com relação a arte mais recente, não é difícil entender. É algo que desde há muito vem-se configurando com o hiato que se foi formando entre as experiências da linha de frente e o grande público, a quem sabe-se muito bem o que os meios de comunicação costumam oferecer.
“De todos os dogmatismos que foram impostos para destruir a arte, este é o mais pernicioso. Democratizar a criação artística, como pedia Beuys, democratizou a mediocridade e a converteu em um signo da arte contemporânea.” Mas, se não é bem assim, o que importa é que essa afirmação vai servir de caminho para o ponto a que lhe interessa chegar: “Este dogma partiu da ideia destrutiva de acabar com a figura do gênio e tem uma lógica, porque os gênios . . . não necessitam curadores.” Aí o ponto, a meta principal. O contemporâneo questionamento da figura do gênio lhe aparece como uma ameaça, e é a isso que é seu propósito atacar.
Sente-se no poder de dizer o que é e o que não é arte. E é desde essa autoridade auto-outorgada que ela desafia os artistas a abrirem mão do curador e dos dogmas do sistema. “Deixem que seu trabalho fale por vocês” ela propõe. Mas o que o trabalho dirá é a ela que cabe julgar: “Sua obra dirá se são ou não artistas, e se fazem essa falsa arte, eu lhes repito, não são artistas.” E por que não são? Por que fazem o que a todo-poderosa Lésper considera “arte falsa”.
Ou seja, o que faz a teórica mexicana é justamente assumir o papel do curador poderoso que ela critica.(José Luiz do Amaral)
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
Assim que nos conhecemos.
Os problemas de seguir o mantra “ganhe a vida com o que você gosta”
A ideia de que só é feliz quem trabalha com que ama pode ter seus efeitos colaterais
(Pedro Burgos)
Você possivelmente já viu o célebre discurso de Steve Jobs aos formandos de Stanford em 2005. “Você precisa descobrir o que ama. A única maneira de estar realmente satisfeito é se dedicar ao que você acredita ser um grande trabalho. E a única forma de fazer um ótimo trabalho é amar o que você faz.” Livros de auto-ajuda, reportagens daquele cara “que largou tudo pra fazer __ ” e vídeos inspiradores martelam na nossa cabeça a noção de que, se não estamos fazendo o que amamos, há algo errado.
Em um excelente artigo para a revista Jacobin, a historiadora da arte Miya Tokumitsu apresenta uma teoria interessante: a de que esse papo aspiracional não é bom para a nossa sociedade. Em primeiro lugar porque, é óbvio, nem todo mundo pode se dar ao luxo de fazer o que quer, de perseguir o sonho, de “largar tudo”. Esse papo é interessante para quem já tem algo – seja ela uma família com suporte financeiro (Plano B: voltar para a casa dos pais), diplomas ou contatos. O mantra do “Faça o que você ama” (DWYL, no acrônimo em inglês) se dirige a uma certa elite econômica, que passa por Steve Jobs, os alunos de Stanford e alguns publicitários/designers/jornalistas trendsetters assistindo o vídeo sobre a Geração Y, que acham ali uma justificativa para não aceitar ordens ou se acostumar a uma rotina.
A outra questão é que esse mantra é problemático para a nossa vida em sociedade. O discurso de Jobs, Miya aponta, fala “você” e “seu”, o tempo todo. Como personalista que era, o fundador da Apple fazia parecer que a empresa era fruto de sua paixão, mas, ao fazer isso, “ele ocultou o trabalho de milhares de trabalhadores que permitiram a Jobs realizar o seu amor”.
Não há nada de errado, de novo, em seu trabalho ser uma fonte de prazer. Mas ao delimitarmos que ele necessariamente deve ser uma fonte de prazer para uma vida plena, 1) deixamos as pessoas que só trabalham para garantir a sua vida menos realizadas e 2) abrimos espaço para a exploração dos que “trabalham por amor”. De certa forma, relegamos as pessoas que trabalham por trabalhar, mesmo sem nos dar conta disso, a uma categoria inferior. E isso tem consequências sérias.
Se todos forem “em busca dos seus sonhos”, quem vai manter o país funcionando? Não podemos reconhecer mais o trabalho dessas pessoas que se realizam de outra forma? E celebrá-los, inclusive?
O segundo problema nos leva de novo à praga do “trabalhar por networking”, que discutimos bastante aqui. Trabalhar de graça, por contatos ou por pouco só é possível justamente porque ouvimos dizer que quando fazemos o que gostamos, “não é trabalho” – independentemente se outras pessoas lucrem com isso.
A ideia de que só é feliz quem trabalha com que ama pode ter seus efeitos colaterais
(Pedro Burgos)
Você possivelmente já viu o célebre discurso de Steve Jobs aos formandos de Stanford em 2005. “Você precisa descobrir o que ama. A única maneira de estar realmente satisfeito é se dedicar ao que você acredita ser um grande trabalho. E a única forma de fazer um ótimo trabalho é amar o que você faz.” Livros de auto-ajuda, reportagens daquele cara “que largou tudo pra fazer __ ” e vídeos inspiradores martelam na nossa cabeça a noção de que, se não estamos fazendo o que amamos, há algo errado.
Em um excelente artigo para a revista Jacobin, a historiadora da arte Miya Tokumitsu apresenta uma teoria interessante: a de que esse papo aspiracional não é bom para a nossa sociedade. Em primeiro lugar porque, é óbvio, nem todo mundo pode se dar ao luxo de fazer o que quer, de perseguir o sonho, de “largar tudo”. Esse papo é interessante para quem já tem algo – seja ela uma família com suporte financeiro (Plano B: voltar para a casa dos pais), diplomas ou contatos. O mantra do “Faça o que você ama” (DWYL, no acrônimo em inglês) se dirige a uma certa elite econômica, que passa por Steve Jobs, os alunos de Stanford e alguns publicitários/designers/jornalistas trendsetters assistindo o vídeo sobre a Geração Y, que acham ali uma justificativa para não aceitar ordens ou se acostumar a uma rotina.
A outra questão é que esse mantra é problemático para a nossa vida em sociedade. O discurso de Jobs, Miya aponta, fala “você” e “seu”, o tempo todo. Como personalista que era, o fundador da Apple fazia parecer que a empresa era fruto de sua paixão, mas, ao fazer isso, “ele ocultou o trabalho de milhares de trabalhadores que permitiram a Jobs realizar o seu amor”.
Não há nada de errado, de novo, em seu trabalho ser uma fonte de prazer. Mas ao delimitarmos que ele necessariamente deve ser uma fonte de prazer para uma vida plena, 1) deixamos as pessoas que só trabalham para garantir a sua vida menos realizadas e 2) abrimos espaço para a exploração dos que “trabalham por amor”. De certa forma, relegamos as pessoas que trabalham por trabalhar, mesmo sem nos dar conta disso, a uma categoria inferior. E isso tem consequências sérias.
Se todos forem “em busca dos seus sonhos”, quem vai manter o país funcionando? Não podemos reconhecer mais o trabalho dessas pessoas que se realizam de outra forma? E celebrá-los, inclusive?
O segundo problema nos leva de novo à praga do “trabalhar por networking”, que discutimos bastante aqui. Trabalhar de graça, por contatos ou por pouco só é possível justamente porque ouvimos dizer que quando fazemos o que gostamos, “não é trabalho” – independentemente se outras pessoas lucrem com isso.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Hurry up, save the bees, save the life. Kari.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
"Não existe xamã na Vila Madalena. A cabala não vai salvar meu casamento. Meditação não fará de mim uma pessoa melhor no trabalho. Imitar a alimentação de monges tibetanos não aliviará minha inveja. Frequentar cachoeiras indígenas não fará de mim uma pessoa menos consumista. Tatuar palavras védicas não me impedirá de fazer qualquer negócio pra viver mais. Visitar templos no Vietnã não fará de mim alguém menos dependente das redes sociais. Desejar isso fará de mim apenas ridículo. Tradição funciona como hábitos que se impõem com a força de um vulcão, de um terremoto, de um tsunami, de uma febre amarela. Nada tem a ver com se pintar como aborígenes pra defender reservas indígenas ou abraçar árvores." (Luiz Felipe Pondé)
Skyler Grey e o vestido band-aid Michael Costello do Grammy 2014.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Adriana PK, Porto Alegre (RS)
Refilmagens precipitadas.
"Wait a couple decades for God's sake!"
Todas são façanhas dos norte-americanos. Precipitate hurry stupid remakes.
____
1997 - Abre los ojos
1998
1999
2000
2001 - Vanilla sky
____
2009 - Män som hatar kvinnor
2010
2011 - The girl with the dragon tattoo
____
1998 - Ringu
1999
2000
2001
2002 - The ring
____
2007 - [Rec]
2008 - Quarantine
____
2011 - Á annan veg
2012
2013 - Prince Avalanche
____
2010 - Somos lo que hay
2011
2012
2013 - We are what we are
____
2003 - Oldeuboi
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013 - Oldboy
____
I'm sure if I saw "Vanilla Sky" after this movie, I'd enjoy it a lot less. This is sheer proof that the general American public is too lazy to read subtitles. Because if you were watching the DVD of "VS" and switched the language channels from English to Spanish, it's the same damn movie! And now I feel sorry for the director of this movie, since he's the genius behind this genuinely original story, but Cameron Crowe comes along and takes all the credit. I am not one of those grouches who hates remakes, but if you're going to remake a film, put your own spin on it! Don't take all the original ideas and conduct it with different actors! And wait a couple decades for God's sake! "Open Your Eyes" was released in 1997 and "VS" only four years later. So unless you're illiterate, please see "Open Your Eyes" before you even consider "Vanilla Sky"! (mattymatt4ever)
"Wait a couple decades for God's sake!"
Todas são façanhas dos norte-americanos. Precipitate hurry stupid remakes.
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1997 - Abre los ojos
1998
1999
2000
2001 - Vanilla sky
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2009 - Män som hatar kvinnor
2010
2011 - The girl with the dragon tattoo
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1998 - Ringu
1999
2000
2001
2002 - The ring
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2007 - [Rec]
2008 - Quarantine
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2011 - Á annan veg
2012
2013 - Prince Avalanche
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2010 - Somos lo que hay
2011
2012
2013 - We are what we are
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2003 - Oldeuboi
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013 - Oldboy
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I'm sure if I saw "Vanilla Sky" after this movie, I'd enjoy it a lot less. This is sheer proof that the general American public is too lazy to read subtitles. Because if you were watching the DVD of "VS" and switched the language channels from English to Spanish, it's the same damn movie! And now I feel sorry for the director of this movie, since he's the genius behind this genuinely original story, but Cameron Crowe comes along and takes all the credit. I am not one of those grouches who hates remakes, but if you're going to remake a film, put your own spin on it! Don't take all the original ideas and conduct it with different actors! And wait a couple decades for God's sake! "Open Your Eyes" was released in 1997 and "VS" only four years later. So unless you're illiterate, please see "Open Your Eyes" before you even consider "Vanilla Sky"! (mattymatt4ever)
sábado, 25 de janeiro de 2014
"Segundo um especialista da Ademe, agência francesa para o ambiente e controle da energia, o ar condicionado contribui para que as temperaturas subam ainda mais no futuro. Esses aparelhos emitem gases responsáveis pelo efeito de estufa. Isso porque eles funcionam com fluidos produtores de frio à base de hidrofluorocarbonos (HFC), substâncias com poder de aquecimento 1.300 vezes superior ao do gás carbônico (CO2), o mais conhecido dos gases responsáveis pela mudança do clima. Estima-se que um CARRO com ar condicionado libere três quilos de gases estufa depois de rodar 100 quilômetros. Os aparelhos de ar condicionado também consomem muita energia, produzida normalmente por fontes de alto impacto ambiental. Calcula-se que o mesmo automóvel climatizado gaste 25% a 35% mais combustível na cidade e 10% a 20% mais na estrada. Instalado em casa durante um verão 'normal', estima-se que o ar condicionado aumente o consumo de eletricidade em cerca de 2.000 quilowatts em três meses numa pequena área de 45 metros quadrados, fazendo subir a conta de luz entre 20% e 25%. Finalmente, a manutenção desses aparelhos é rara, e o fluido, que acaba por ser despejado, provoca uma nova fuga de gás." (Tiago)
"NÃO TENHO a menor dúvida, a solidariedade nasce da miséria. Os miseráveis se obrigam a ser gentis uns com os outros, a engolir suas dores e frustrações, a dividir o pouco que conseguem, a consolar uns aos outros(as), tudo em nome da sobrevivência, da necessidade de se ver e continuar como humano. O Brasil é um exemplo, nesse sentido: melhora economicamente, e as pessoas vão se tornando mais e mais egoístas, fechadas em seus mundinhos, cheias de dores e queixas imaginárias. E quanto mais ricas, mais individualistas, e afogadas em delírios e bobagens. Entretanto, aquele que não tem nada, ou melhor, que consegue o mínimo para se manter, sabe que, na verdade, se precisa de muito pouco, quase nada, para viver e encontrar seu lugar no mundo. Sentido para a própria vida não é um produto à venda. Pois é... E essa preciosidade se acha, gratuitamente, num lugar obscuro e medonho: as nossas próprias entranhas mentais... Que horror, né? Muito mais fácil se entorpecer trabalhando demais, e comprando porcarias desnecessárias, que nunca irão substituir esse sentido, oculto em nós mesmos, muito raramente encontrado. Alguém se arrisca?" (Alvaro Oxley Rocha)
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
"Cineasta" do Leblon x Batman
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
"Eu sou o Senhor Vamos-Cortar-Opções. É essa uma das razões pelas quais as pessoas gostam de trabalhar comigo, parece-me, porque eu digo 'Faz isto, isto está ótimo, vamos fazê-lo resultar.' Explorar todas as possibilidades não é o problema. É fazer uma delas resultar." (Brian Eno)
"Existem duas formas de se ser artista. Uma é explorar um filão - como o Randy Newman ou a Joni Mitchell. Há pessoas que entram num território e o exploram mesmo. Dizem 'Esta é a minha linguagem, e eu a falarei cada vez melhor.' Mas eu não sou desse tipo de artistas. Eu fico entusiasmado ao sugerir outras formas de falar, outras línguas que alguém poderia falar. Uma vez que uma ideia tenha flutuado da forma mais convincente que me parece que tenha de ser, não quero vendê-la para sempre! Não quer dizer que pare de o fazer, mas não quero que seja exclusivamente a 'minha cena'." (Brian Eno)
"Hollywoodização: este é o processo através do qual as coisas são uniformizadas, racionalizadas, muito bem iluminadas de todos os lados, cuidadosamente equilibradas, estudiosamente testadas contra todas as fórmulas conhecidas, recomendadas a vários comitês, e finalmente tornadas despercebidas de forma triunfante." (Brian Eno)
"Artistas que não censuram o seu próprio trabalho: Picasso, Miles Davis, Prince. São todos pessoas que se lançam, e quase não têm uma auto-censura crítica. Eles dizem, 'Deixem o mercado decidir; deixem o mundo decidir.' Você pode não ser a melhor pessoa para decidir. É uma espécie de humildade, na verdade: não é uma espécie de arrogância, que diz 'Eu sei que sou muito bom', mas uma humildade que diz 'Não sou eu quem o deve decidir'." (Brian Eno)
"O mais importante numa canção é seduzir as pessoas até a um ponto onde elas começam a procurar. Se a música não faz isso, então não faz nada. Se apenas se apresenta ali, e ali fica, e isto se chega a apresentar-se claramente, ou se é demasiado obscura para querer dizer algo, então para mim acho que falhou. Apostar nessa linha é muito interessante." (Brian Eno)
"Existem duas formas de se ser artista. Uma é explorar um filão - como o Randy Newman ou a Joni Mitchell. Há pessoas que entram num território e o exploram mesmo. Dizem 'Esta é a minha linguagem, e eu a falarei cada vez melhor.' Mas eu não sou desse tipo de artistas. Eu fico entusiasmado ao sugerir outras formas de falar, outras línguas que alguém poderia falar. Uma vez que uma ideia tenha flutuado da forma mais convincente que me parece que tenha de ser, não quero vendê-la para sempre! Não quer dizer que pare de o fazer, mas não quero que seja exclusivamente a 'minha cena'." (Brian Eno)
"Hollywoodização: este é o processo através do qual as coisas são uniformizadas, racionalizadas, muito bem iluminadas de todos os lados, cuidadosamente equilibradas, estudiosamente testadas contra todas as fórmulas conhecidas, recomendadas a vários comitês, e finalmente tornadas despercebidas de forma triunfante." (Brian Eno)
"Artistas que não censuram o seu próprio trabalho: Picasso, Miles Davis, Prince. São todos pessoas que se lançam, e quase não têm uma auto-censura crítica. Eles dizem, 'Deixem o mercado decidir; deixem o mundo decidir.' Você pode não ser a melhor pessoa para decidir. É uma espécie de humildade, na verdade: não é uma espécie de arrogância, que diz 'Eu sei que sou muito bom', mas uma humildade que diz 'Não sou eu quem o deve decidir'." (Brian Eno)
"O mais importante numa canção é seduzir as pessoas até a um ponto onde elas começam a procurar. Se a música não faz isso, então não faz nada. Se apenas se apresenta ali, e ali fica, e isto se chega a apresentar-se claramente, ou se é demasiado obscura para querer dizer algo, então para mim acho que falhou. Apostar nessa linha é muito interessante." (Brian Eno)
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
"Atualmente a degradação geral em quase todos os âmbitos, especialmente na infra-estrutura natural que sustenta a vida é tão profunda que, em si, se necessitaria de uma radical revolução. Do contrário, podemos chegar tarde demais e assistir a catástrofes ecológico-sociais de magnitude nunca antes vividas pela história humana. Mas não existe ainda, nos 'donos do poder' a consciência subjetiva desta urgência. Nem a querem. Preferem manter seu poderio mesmo com o risco de eles mesmos sucumbirem num eventual Armagedon. O Titanic está afundando mas sua obsessão por ganhos é tão grande que continuam comprando e vendendo joias como se nada estivesse acontecendo." (Leonardo Boff)
sábado, 18 de janeiro de 2014
My family tree / Minha árvore genealógica,
tirada das páginas da família
do meu avô materno e
da minha avó materna.
tirada das páginas da família
do meu avô materno e
da minha avó materna.
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
"A mística se dá na proposta de cativar a imaginação, no ato de ficcionar e criar mundos imaginários, sair da literalidade do registro narrativo para fazer o espectador se perder no universo exuberante e assustador de sugestão da imagem. A radicalidade de Inland Empire talvez venha justamente daí: nos filmes anteriores, o registro narrativo indicava a abertura mas mantinha a função de entreter o espectador nem que fosse com a promessa de resolução; agora, ele pede ao espectador que entretenha-se com aquilo que está sendo mostrado, que, duas vezes guiado pela mão até a sintonia com a qual os filmes pedem para ser vistos, agora David Lynch faz com seu espectador para caminhar sozinho. Assim, Inland Empire acaba representando na carreira de Lynch o que Death Proof representa na de Tarantino: um mergulho total num universo de imagens desejadas que antes tinham que negociar sua presença entre outros signos mais palatáveis. No filme, a viagem do espectador é identificada à alucinação, ao sonho, ao trabalho do ator: tornar-se outro ou, para usar vocabulário deleuziano, desterritorializar-se, sair dos amparos individuais da percepção, fazê-la cambalear no desconhecido da ausência de sentido e no excesso de intensidades livres de códigos (narrativos)." (Ruy Gardnier)
L'inconnu du lac / Um estranho no lago (2013, Alain Guiraudie)
"Alain Guiraudie é um grande poeta dos lugares desabitados, das paisagens grandiosas porém sinistras e das narrativas construídas em combinatórias que extravasam o rigor matemático para ganhar em acréscimo de densidade emocional. O espaço cênico é o tema maior de seus filmes: ele filmou uma fábrica desmontada em 'Esse velho sonho que se move', um descampado infinito em 'Por um lugar ao sol', e em 'Um estranho no lago' a locação é um paradisíaco lago isolado que se transformou em point de nudismo e de pegação gay. Se em alguns filmes anteriores de Guiraudie a sensação surreal surgia da imaginação do cineasta, aqui ela surge da própria condição do gueto homossexual, separado da sociedade, e consequentemente livre para agir conforme seus desejos e não como a ordem moral estabelece. Guiraudie sabe extrair toda aura de mistério e sensualidade do balneário improvisado, seja nas cenas de floresta, nas de natação ou nas situações de humor que intensificam o clima surreal. A precisão e a elegância no ritmo e na economia de planos, a trama de mistério servindo para discutir obsessões complexas e o poder mortífero da atração sexual. Não é filme de nicho, é cinema de verdade, com pleno domínio de linguagem, para quem gosta e sabe olhar." (Ruy Gardnier)
"Dentro do cinema hollywoodiano que se produzia nos anos 1940 e 1950, a figura de Michel se assemelharia a uma femme fatale. Um tipo de mulher perigosa, que pode ser vista também em neo-noirs produzidos nas décadas de 1980, como Corpos Ardentes (Body Heat, 1981), de Lawrence Kasdan, e 1990, como Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992). Quer dizer, há a mulher que é insuportavelmente atraente e que vira do avesso a cabeça do protagonista, a ponto de ele perder o bom senso." (Ailton Monteiro)
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Etnografia dos rolezinhos.
"Eles nos mostravam as marcas e lojas preferidas. Eles contavam como faziam de tudo para adquirir esses bens (...) eles faziam um ritual de se vestir, de usar as melhores marcas e estar digno a transitar pelo shopping. Uma vez um menino disse que usava as melhores roupas e marcas para ir ao shopping para ser visto como gente. (...) Eles acreditavam que eram os mais adorados e empoderados clientes das lojas. Um funcionário da Nike uma vez declarou para a pesquisa: 'nós nos envergonhamos desse fenômeno de apropriação da nossa marca por esses marginais'. Mas eles nos diziam: 'as marcas deveriam nos pagar para fazer propaganda, porque nos as amamos. Sem marca, você é um lixo'. (...) Eu estou acompanhando os rolezinhos e sinto certo prazer em ver aquela apropriação. Mas entre apropriação e resistência há uma abismo significativo. Adorar os símbolos de poder – no caso, as marcas – dificilmente remete à ideia de resistência que tanta gente procura encontrar nesse ato. (...) Enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica." (Rosana Pinheiro-Machado)
"Eles nos mostravam as marcas e lojas preferidas. Eles contavam como faziam de tudo para adquirir esses bens (...) eles faziam um ritual de se vestir, de usar as melhores marcas e estar digno a transitar pelo shopping. Uma vez um menino disse que usava as melhores roupas e marcas para ir ao shopping para ser visto como gente. (...) Eles acreditavam que eram os mais adorados e empoderados clientes das lojas. Um funcionário da Nike uma vez declarou para a pesquisa: 'nós nos envergonhamos desse fenômeno de apropriação da nossa marca por esses marginais'. Mas eles nos diziam: 'as marcas deveriam nos pagar para fazer propaganda, porque nos as amamos. Sem marca, você é um lixo'. (...) Eu estou acompanhando os rolezinhos e sinto certo prazer em ver aquela apropriação. Mas entre apropriação e resistência há uma abismo significativo. Adorar os símbolos de poder – no caso, as marcas – dificilmente remete à ideia de resistência que tanta gente procura encontrar nesse ato. (...) Enquanto esses símbolos globais forem venerados entre os mais fracos, a liberdade nunca será plena e a pior das dependências será eterna: a ideológica." (Rosana Pinheiro-Machado)
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História bonita e um vídeo bonito. Sophia Glaser, 22 anos, estudante de arte da New York University, fazia um curso na Europa ano passado e morreu enquanto dormia, vítima de hemorragia cerebral. Tinha feito cirurgia no cérebro em 2009, por causa de um tumor "benigno".
No meio das coisas dela, a família encontrou um material filmado para um concurso que a banda Edward Sharpe and the Magnetic Zeros fez em 2012. Ela pretendia gravar, originalmente, com uma amiga modelo atuando, mas a garota não apareceu e ela mesma foi personagem do vídeo, que era para a música “All Wash Out''. Sophia ia participar do concurso, mas por algum motivo não terminou a edição e não mandou. Agora o vídeo foi finalizado pela irmã mais velha, exibido no funeral dela e enviado a Edward Sharpe, que imediatamente transformou em clipe oficial da banda.
No meio das coisas dela, a família encontrou um material filmado para um concurso que a banda Edward Sharpe and the Magnetic Zeros fez em 2012. Ela pretendia gravar, originalmente, com uma amiga modelo atuando, mas a garota não apareceu e ela mesma foi personagem do vídeo, que era para a música “All Wash Out''. Sophia ia participar do concurso, mas por algum motivo não terminou a edição e não mandou. Agora o vídeo foi finalizado pela irmã mais velha, exibido no funeral dela e enviado a Edward Sharpe, que imediatamente transformou em clipe oficial da banda.
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Capicua, sereia louca, serei a louca. Ou Ana Matos Fernandes, rapper da cidade do Porto, Portugal. Imperdível essa história.
"O que me consola é que não somos os primeiros a termos o gosto julgado mau ou péssimo ou ambos pela vossa Igreja. Na realidade, arrisco-me a dizer que estamos em boa (e vasta) companhia." (Gregorio Duvivier)
Boa companhia: Monty Python e The Beatles.
Leia 'Péssimo mau gosto', texto dele sobre as críticas contra o especial de Natal do Porta dos Fundos.
Daqui a 400 anos a Igreja vai dar o braço a torcer (porque é isso, né, questão de teimosia... como no caso do Galileu) quanto ao sacerdócio de mulheres, ao uso de métodos contraceptivos, ao aborto de fetos anencéfalos, ao aborto em casos de estupro, ao amor entre pessoas do mesmo sexo, à eutanásia e às pesquisas com célula-tronco.
Boa companhia: Monty Python e The Beatles.
Leia 'Péssimo mau gosto', texto dele sobre as críticas contra o especial de Natal do Porta dos Fundos.
Daqui a 400 anos a Igreja vai dar o braço a torcer (porque é isso, né, questão de teimosia... como no caso do Galileu) quanto ao sacerdócio de mulheres, ao uso de métodos contraceptivos, ao aborto de fetos anencéfalos, ao aborto em casos de estupro, ao amor entre pessoas do mesmo sexo, à eutanásia e às pesquisas com célula-tronco.
sábado, 11 de janeiro de 2014
"The Unauthorized Biography of Reinhold Messner": The title of this Ben Folds Five album refers to a name used by the band's drummer Darren Jessee and his friends on fake IDs as teenagers. The band was unaware of the existence of the real Reinhold Messner, the first man to climb Mount Everest solo, and the first to do so without the aid of bottled oxygen, until work on the album had already progressed. They were informed of his existence in 1999 during an interview with DJ Bruce Warren of WXPN radio.[1] In the record's liner notes, Messner is thanked for his understanding and cooperation. He later contacted the band to let them know that he was highly pleased with the album.
Antes de qualquer coisa: 'Nymphomaniac' é uma comédia. Tem até o ator principal (Jens Albinus) da comédia anterior do Lars, 'Direktøren for det hele'. O Lars Von Trier deve ter se encarnado no Quentin Tarantino. Decidiu tirar onda do diretor que tira onda. Pensando, com certeza, de que a onda da onda seria uma onda maior. Fez o seu 'Kill Bill', inclusive com dois volumes e a presença da Uma Thurman no elenco. Cena em preto e branco não me lembro se 'Kill Bill' tem, até porque o considero um filme ruim, mas lembro que 'Death proof' tem, até porque esse é o meu preferido do QT. Odeio filme conduzido por alguém contando a história. Benjamin Button? Titanic? O dinamarquês é genial, inclusive fazendo filme pra tirar sarro. Toda a campanha publicitária, a expectativa, só pra cuspir água na nossa cara. Genial. Mas, pra mim, uma obra é sagrada, e eu não aprecio ela por fatores externos.
A obra Nymphomaniac é simplória - em personagens, em tensão, em surpresa, em estilo, em coesão, em interpretação dos atores, em estrutura, em reflexão, em evolução da obra do diretor.
A melhor e mais engraçada parte do filme é quando mostram o Universo. O tempo que duram as imagens passou do ponto de simples ilustração para ser referência ao filme Árvore da Vida, curiosamente tido como "par" de Melancholia, ano retrasado.
A obra Nymphomaniac é simplória - em personagens, em tensão, em surpresa, em estilo, em coesão, em interpretação dos atores, em estrutura, em reflexão, em evolução da obra do diretor.
A melhor e mais engraçada parte do filme é quando mostram o Universo. O tempo que duram as imagens passou do ponto de simples ilustração para ser referência ao filme Árvore da Vida, curiosamente tido como "par" de Melancholia, ano retrasado.
"Lars Von Trier é um fanfarrão. É impossível separar suas obras de sua persona pública, e ele sabe disso. É comum encontrar pessoas que acreditam que o diretor é uma espécie de fraude, e que seus filmes são em geral provocações vazias. Lars não parece fazer a mínima questão de combater essa percepção, pelo contrário, ele cada vez mais tem abraçado essa imagem. Quando o diretor anunciou que faria um filme 'pornográfico' com atores famosos, até veículos que não dão a mínima para filmes 'de arte' noticiaram o fato. (...) Tudo isso foi explorado de forma brilhante na comercialização de Ninfomaníaca, através de teasers descontextualizados que faziam o filme parecer especialmente sórdido e uma série de posters hilários que parecem ter sido criados com o principal objetivo de provocar quem já estava propenso a ser provocado. Quem consegue enxergar um pouco abaixo da superfície e tem o conhecimento da posição do filme como última parte da Trilogia da Depressão (que inclui Anticristo e Melancolia), no entanto, já sabia o que fica claro logo no começo dessa primeira parte: Ninfomaníaca não é um filme pornográfico sobre ninfomania, do mesmo jeito que Anticristo não é um filme de terror sobre o anticristo e Melancolia não é um filme de ficção científica sobre o fim do mundo." (Rodrigo Pinder)
"No que chegamos ao segundo grande problema do filme: o excesso de múltiplas telas, o uso recorrente de legendas gráficas diante das cenas, as imagens de arquivo a ilustrar e-xa-ta-men-te o que os dois personagens centrais falam, as metáforas pobres que ligam a procura de vários parceiros com uma pescaria, com direito a alusões recorrentes às ideias de isca e fisgada. Poesia ou apresentação em Power Point? Dúvida atroz." (Carol Almeida, que não entendeu)
Um homem de 42 anos desmaiou durante a sessão de pré-estreia do filme Ninfomaníaca, no Casa Park, na noite dessa quinta-feira (9/1). De acordo com a administração do shopping, o homem alegou não ter se alimentado direito - o que poderia teria ter sido a causa do desmaio. O marketing do filme, que estreia oficialmente nos cinemas da cidades nesta sexta-feira (10/1) foi baseado na polêmica que anunciava cenas fortes. (Correio Braziliense)
"Ninfomaníaca é pornô, arte — ou só uma provocação vazia de uma mente doentia? Lars von Trier é o arquiteto de uma coleção de provocações cinematográficas disfarçadas de arte. Seus filmes exploram as emoções humanas tanto quanto os atores que servem suas fantasias dementes. Depressivo, claustrofóbico e maníaco, von Trier se compraz em oferecer uma interpretação distorcida da personalidade humana. Filmes saudados como obras-primas por alguns, abominações por outros — são exercícios de auto-indulgência. (...) Mas von Trier é de uma liga diferente. Seu objetivo é causar, tanto quanto fazer uma declaração artística. Ele se vê como um apóstolo da licenciosidade, um homem imerso em seu próprio delírio, sem compromisso com nada nem ninguém. Isso poderia uma forma de expressão pura e corajosa, mas von Trier é tão desprovido de gosto e estrutura moral que seus filmes são realmente pornográficos, com ou sem sexo." (Harold Von Kursk, pudorado e ingenuamente recalcado)
"Equiparar o basfond da pegação à arte de pescar, e vulvas a iscas e anzóis, é, no mínimo, trazer para o cinema a leitura cínica daquelas associações que fazemos no dia a dia, em rodas de amigos, aproveitando para fazer blague das nossas vidas, ironizando a existência. Uma sacada e tanto. O realizador ainda aproveita esse contexto para debochar do próprio crítico de cinema, que enxerga imagens por trás de outras, tentando interpretar o filme, mas nunca chegando a botar a mão na massa." (Alexandre Schnabl)
"Ao menos nesta primeira parte não é possível saber se o diretor faz coro ou uma paródia dessa busca com lupa sobre como começa e onde acaba a suposta insensatez da personagem. (...) No futuro, quando for olhado em perspectiva a partir do segundo filme ainda inédito, saberemos se este cinema encabeçado por Von Trier servirá também como arma de combate ou se reforçará o ambiente lúgubre da realidade que pretende retratar. Quando a polêmica é um fim em si, e se confunde com a moral que visa escancarar, o risco é a realidade (moralista, cínica e covarde) ganhar na tela uma estética à altura: a estética da culpa." (Matheus Pichonelli/Carta Capital)
"O filme não vai decepcionar quem for ao cinema atrás de pornografia soft. Contam-se mais de dez cenas de sexo entre a Joe jovem (a bela Stacy Martin) e seus parceiros. Ela perde a virgindade com o jovem Jerome (Shia Labeouf), num ato de exatas oito penetrações. Mais tarde, com uma amiga, brinca de pegar homens casados e solteiros no trem, transando com eles no banheiro. Já nesta primeira parte vemos cenas de sexo oral masculino e feminino, sexo anal, uma bateria de closes de pênis em série, o close de uma punção numa vagina - uma imagem incômoda que lembra a vagina decepada de 'Anticristo'. Numa montagem paralela, Joe transa com quatro caras diferentes, dizendo a cada um deles que é sua primeira vez. Há até uma penetração mostrada em close, numa das cenas de sexo entre Joe e Jerome - e na internet as pessoas devem passar as próximas semanas comentando se o pênis em close é mesmo de Shia Labeouf. Von Trier fez um filme pornográfico? Pode-se dizer que sim, mas seu filme só deve chocar quem passou os últimos 20 anos longe do cinema." (Thiago Stivaletti, que não foi além da simploriedade de rebater a expectativa)
"A primeira polêmica envolvendo 'Ninfomaníaca Volume I', novo filme de Lars Von Trier, antes mesmo que o filme seja exibido, envolve a notícia, divulgada pelo distribuidor brasileiro, de que a versão que está sendo lançada aqui é a que foi cortada pelos produtores, com autorização de Lars Von Trier, mas sem sua participação. A versão sem cortes vai ser divulgada em primeira mão pelo Festival de Berlim, em fevereiro." (Reuters)
"Ao recontar as aventuras de Joe adolescente e a amiga B, numa louca competição entre as duas para saber qual delas transaria com mais homens em banheiros de um trem - em troca da prosaica recompensa de um saco de bombons -, Trier mostra, novamente, seu cinismo - que, por excessivo, retira um pouco da humanidade de suas personagens. O que não acontecia em Ondas do Destino e Dogville, filmes de escrita mais elaborada. Alguns dos raros momentos em que Joe mostra sentimentos é ao lado do pai (Christian Slater). Ela deixa clara uma relação tóxica com a mãe (Connie Nielsen), um indício de um psicologismo um tanto óbvio na composição da personalidade da protagonista." (Neusa Barbosa)
A versão sem cortes, de cinco horas e meia, será exibida fora de concurso no Festival de Berlim, que começa dia 6 de fevereiro.
"Lars von Trier é um provocador. Mas já provou que não é um provocador adulto. Ele age como aquelas crianças mimadas que gostam de desafiar a autoridade dos pais, aquele moleque chato que sente prazer em assoprar primeiro a vela do bolo de aniversário da irmã. (...) É um discurso simplista, infantil, tolo, pouco original e trabalhado de forma excessivamente canhestra. A usual divisão em capítulos, que a cada projeto se torna mais arbitrária, promove analogias curiosas e cafonas. Vale ressaltar os vários momentos de riso involuntário que o filme suscita. O choque não nasce da exibição do órgão sexual, mas da total gratuidade de sua aparição. Existem cenas especificamente elaboradas para tentar causar o choque. Uma manipulação pouco eficiente, já que aparentemente o titereiro sofre de sérios problemas motores." (Octavio Caruso)
"O problema está nas sequência de coincidências entre cada capítulo do longa – o quarto de Seligman parece ter sido arrumado especialmente para que sua hóspede contasse sua história, ao ponto que cada elemento é muito específico para lembrar os fatos narrados. Ainda fora da narrativa da vida da ninfomaníaca, ainda temos diálogos artificiais, muito claramente construídos para possibilitar as metáforas utilizadas em cada arco dramático do filme. Não só isso, as reações de Seligman são, no mínimo, inverossímeis, demonstrando somente em alguns momentos o choque esperado ao ouvir a história de Joe. No fim parece que ele está assistindo um filme e não a realidade." (Guilherme Coral, que pode estar certo em sua opinião, mas certamente ignora que tudo isso pode ser de propósito)
"Lars deixou claro que seu filme teria mais de quatro horas de duração; mais precisamente, quase cinco. Pelo mundo, os produtores associados chiaram com a impossibilidade de colocar esse tanto de material em sessões regulares, e aproveitaram que já teriam de colocar um cabresto no filme para anunciarem que as condições eram duas: dividi-lo ao meio, para lançamento em duas partes; e retirar da produção todo o 'excesso de pornografia' existente na obra. Ora pois, ninguém percebeu que com isso a proposta corria sério risco de descer pelo ralo?" (Francisco Carbone, lúcido)
"Seligman tenta encontrar uma lógica naquilo que escuta, apelando para referências tão díspares quanto a arte da pesca da truta, os números de Fibonacci e a polifonia de Bach. Há uma disparidade aqui, um paradoxo que se entranha na alma de quem assiste ao filme sem preconceitos. A vida de Joe, de uma promiscuidade absoluta, é algo que confina com a desordem mais completa. Porém, na medida em que ela a descreve, Seligman tenta compreendê-la em termos da harmonia mais profunda - a silenciosa ordem dos números, a composição matemática de John Sebastian Bach. A vertigem do sexo num plano, a música das esferas no outro. Como se ordem e desordem, caos e cosmos estivessem contidos na humana dimensão do desejo. (...) Esse procedimento, em que a mescla de registros busca o choque do pensamento, está na base do estilo duro de Von Trier. A culpa da mãe pela morte da criança que leva ao paroxismo amoroso e à mutilação em Anticristo; o casamento feliz que se desfaz na noite de núpcias e antecede o cataclismo em Melancolia; a bondade da comunidade que primeiro acolhe e depois escraviza em Dogville - são os paradoxos desse cinema de extremos, inquieto e inquietante." (Luiz Zanin Oricchio/Estadão)
"No que chegamos ao segundo grande problema do filme: o excesso de múltiplas telas, o uso recorrente de legendas gráficas diante das cenas, as imagens de arquivo a ilustrar e-xa-ta-men-te o que os dois personagens centrais falam, as metáforas pobres que ligam a procura de vários parceiros com uma pescaria, com direito a alusões recorrentes às ideias de isca e fisgada. Poesia ou apresentação em Power Point? Dúvida atroz." (Carol Almeida, que não entendeu)
Um homem de 42 anos desmaiou durante a sessão de pré-estreia do filme Ninfomaníaca, no Casa Park, na noite dessa quinta-feira (9/1). De acordo com a administração do shopping, o homem alegou não ter se alimentado direito - o que poderia teria ter sido a causa do desmaio. O marketing do filme, que estreia oficialmente nos cinemas da cidades nesta sexta-feira (10/1) foi baseado na polêmica que anunciava cenas fortes. (Correio Braziliense)
"Ninfomaníaca é pornô, arte — ou só uma provocação vazia de uma mente doentia? Lars von Trier é o arquiteto de uma coleção de provocações cinematográficas disfarçadas de arte. Seus filmes exploram as emoções humanas tanto quanto os atores que servem suas fantasias dementes. Depressivo, claustrofóbico e maníaco, von Trier se compraz em oferecer uma interpretação distorcida da personalidade humana. Filmes saudados como obras-primas por alguns, abominações por outros — são exercícios de auto-indulgência. (...) Mas von Trier é de uma liga diferente. Seu objetivo é causar, tanto quanto fazer uma declaração artística. Ele se vê como um apóstolo da licenciosidade, um homem imerso em seu próprio delírio, sem compromisso com nada nem ninguém. Isso poderia uma forma de expressão pura e corajosa, mas von Trier é tão desprovido de gosto e estrutura moral que seus filmes são realmente pornográficos, com ou sem sexo." (Harold Von Kursk, pudorado e ingenuamente recalcado)
"Equiparar o basfond da pegação à arte de pescar, e vulvas a iscas e anzóis, é, no mínimo, trazer para o cinema a leitura cínica daquelas associações que fazemos no dia a dia, em rodas de amigos, aproveitando para fazer blague das nossas vidas, ironizando a existência. Uma sacada e tanto. O realizador ainda aproveita esse contexto para debochar do próprio crítico de cinema, que enxerga imagens por trás de outras, tentando interpretar o filme, mas nunca chegando a botar a mão na massa." (Alexandre Schnabl)
"Ao menos nesta primeira parte não é possível saber se o diretor faz coro ou uma paródia dessa busca com lupa sobre como começa e onde acaba a suposta insensatez da personagem. (...) No futuro, quando for olhado em perspectiva a partir do segundo filme ainda inédito, saberemos se este cinema encabeçado por Von Trier servirá também como arma de combate ou se reforçará o ambiente lúgubre da realidade que pretende retratar. Quando a polêmica é um fim em si, e se confunde com a moral que visa escancarar, o risco é a realidade (moralista, cínica e covarde) ganhar na tela uma estética à altura: a estética da culpa." (Matheus Pichonelli/Carta Capital)
"O filme não vai decepcionar quem for ao cinema atrás de pornografia soft. Contam-se mais de dez cenas de sexo entre a Joe jovem (a bela Stacy Martin) e seus parceiros. Ela perde a virgindade com o jovem Jerome (Shia Labeouf), num ato de exatas oito penetrações. Mais tarde, com uma amiga, brinca de pegar homens casados e solteiros no trem, transando com eles no banheiro. Já nesta primeira parte vemos cenas de sexo oral masculino e feminino, sexo anal, uma bateria de closes de pênis em série, o close de uma punção numa vagina - uma imagem incômoda que lembra a vagina decepada de 'Anticristo'. Numa montagem paralela, Joe transa com quatro caras diferentes, dizendo a cada um deles que é sua primeira vez. Há até uma penetração mostrada em close, numa das cenas de sexo entre Joe e Jerome - e na internet as pessoas devem passar as próximas semanas comentando se o pênis em close é mesmo de Shia Labeouf. Von Trier fez um filme pornográfico? Pode-se dizer que sim, mas seu filme só deve chocar quem passou os últimos 20 anos longe do cinema." (Thiago Stivaletti, que não foi além da simploriedade de rebater a expectativa)
"A primeira polêmica envolvendo 'Ninfomaníaca Volume I', novo filme de Lars Von Trier, antes mesmo que o filme seja exibido, envolve a notícia, divulgada pelo distribuidor brasileiro, de que a versão que está sendo lançada aqui é a que foi cortada pelos produtores, com autorização de Lars Von Trier, mas sem sua participação. A versão sem cortes vai ser divulgada em primeira mão pelo Festival de Berlim, em fevereiro." (Reuters)
"Ao recontar as aventuras de Joe adolescente e a amiga B, numa louca competição entre as duas para saber qual delas transaria com mais homens em banheiros de um trem - em troca da prosaica recompensa de um saco de bombons -, Trier mostra, novamente, seu cinismo - que, por excessivo, retira um pouco da humanidade de suas personagens. O que não acontecia em Ondas do Destino e Dogville, filmes de escrita mais elaborada. Alguns dos raros momentos em que Joe mostra sentimentos é ao lado do pai (Christian Slater). Ela deixa clara uma relação tóxica com a mãe (Connie Nielsen), um indício de um psicologismo um tanto óbvio na composição da personalidade da protagonista." (Neusa Barbosa)
A versão sem cortes, de cinco horas e meia, será exibida fora de concurso no Festival de Berlim, que começa dia 6 de fevereiro.
"Lars von Trier é um provocador. Mas já provou que não é um provocador adulto. Ele age como aquelas crianças mimadas que gostam de desafiar a autoridade dos pais, aquele moleque chato que sente prazer em assoprar primeiro a vela do bolo de aniversário da irmã. (...) É um discurso simplista, infantil, tolo, pouco original e trabalhado de forma excessivamente canhestra. A usual divisão em capítulos, que a cada projeto se torna mais arbitrária, promove analogias curiosas e cafonas. Vale ressaltar os vários momentos de riso involuntário que o filme suscita. O choque não nasce da exibição do órgão sexual, mas da total gratuidade de sua aparição. Existem cenas especificamente elaboradas para tentar causar o choque. Uma manipulação pouco eficiente, já que aparentemente o titereiro sofre de sérios problemas motores." (Octavio Caruso)
"O problema está nas sequência de coincidências entre cada capítulo do longa – o quarto de Seligman parece ter sido arrumado especialmente para que sua hóspede contasse sua história, ao ponto que cada elemento é muito específico para lembrar os fatos narrados. Ainda fora da narrativa da vida da ninfomaníaca, ainda temos diálogos artificiais, muito claramente construídos para possibilitar as metáforas utilizadas em cada arco dramático do filme. Não só isso, as reações de Seligman são, no mínimo, inverossímeis, demonstrando somente em alguns momentos o choque esperado ao ouvir a história de Joe. No fim parece que ele está assistindo um filme e não a realidade." (Guilherme Coral, que pode estar certo em sua opinião, mas certamente ignora que tudo isso pode ser de propósito)
"Lars deixou claro que seu filme teria mais de quatro horas de duração; mais precisamente, quase cinco. Pelo mundo, os produtores associados chiaram com a impossibilidade de colocar esse tanto de material em sessões regulares, e aproveitaram que já teriam de colocar um cabresto no filme para anunciarem que as condições eram duas: dividi-lo ao meio, para lançamento em duas partes; e retirar da produção todo o 'excesso de pornografia' existente na obra. Ora pois, ninguém percebeu que com isso a proposta corria sério risco de descer pelo ralo?" (Francisco Carbone, lúcido)
"Seligman tenta encontrar uma lógica naquilo que escuta, apelando para referências tão díspares quanto a arte da pesca da truta, os números de Fibonacci e a polifonia de Bach. Há uma disparidade aqui, um paradoxo que se entranha na alma de quem assiste ao filme sem preconceitos. A vida de Joe, de uma promiscuidade absoluta, é algo que confina com a desordem mais completa. Porém, na medida em que ela a descreve, Seligman tenta compreendê-la em termos da harmonia mais profunda - a silenciosa ordem dos números, a composição matemática de John Sebastian Bach. A vertigem do sexo num plano, a música das esferas no outro. Como se ordem e desordem, caos e cosmos estivessem contidos na humana dimensão do desejo. (...) Esse procedimento, em que a mescla de registros busca o choque do pensamento, está na base do estilo duro de Von Trier. A culpa da mãe pela morte da criança que leva ao paroxismo amoroso e à mutilação em Anticristo; o casamento feliz que se desfaz na noite de núpcias e antecede o cataclismo em Melancolia; a bondade da comunidade que primeiro acolhe e depois escraviza em Dogville - são os paradoxos desse cinema de extremos, inquieto e inquietante." (Luiz Zanin Oricchio/Estadão)
A pílula do esquecimento: Lacuna Inc. tornando-se possível. (Superinteressante)
Brilho eterno de uma mente sem lmbranças, Eternal sunshine of the spotless mind.
Brilho eterno de uma mente sem lmbranças, Eternal sunshine of the spotless mind.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
quinta-feira, 9 de janeiro de 2014
DICAS PARA MELHORAR OS SEUS PROBLEMAS DE INSÓNIA
(Miguel Lucas)
1. RELAXAMENTO MUSCULAR PROGRESSIVO
2. ESTRATÉGIAS DE COPING
Modificação do pensamento: Mudança de cognições, atitudes negativas e crenças irracionais acerca do sono. Substituição das crenças disfuncionais por crenças adaptativas. Por exemplo pessoas que acreditam ser imprescindível ter de dormir sempre 8 horas por noite para se sentirem bem durante o dia são confrontadas sobre essa crença Pessoas que estão convictas que a insónia está a destruir a sua qualidade de vida são encorajadas a desenvolver competências de enfrentamento adaptativas e minimizar a percepção de se verem a eles próprios como vitimas As mudanças de atitude permitem a redução da ansiedade antecipatória e activação fisiológica que interferem com o sono.
3. TÉCNICAS DE AUTO-INSTRUÇÃO
Auto-verbalização de pistas que incitam pensamentos positivos que permitam a redução de pensamentos catastróficos em relação aos sintomas de insónia.
4. CONTROLO DO ESTÍMULO
A terapia de controlo do estímulo tem na sua base a premissa de que a insónia é uma resposta condicionada relativa à hora de deitar e ao espaço físico correspondente ao local de dormir, assim como acontecimentos associadas ao sono. O objectivo principal da terapia do controlo do estímulo é fazer com que a pessoa volte a associar a cama e o quarto com o adormecer. As instruções de controlo do estímulo envolvem o hábito de ir para a cama apenas quando se está sonolento; usando a cama e o quarto apenas para dormir; saindo-se da cama e ir para outra divisão da casa quando não se consegue adormecer ou retomar o sono facilmente, retornando para a cama apenas quando se volta a estar sonolento. Deve-se manter uma hora regular para acordar independentemente da hora a que se deitou no dia anterior e evitar sextas durante o dia.
5. RESTRIÇÃO DO SONO
As pessoas com dificuldades no sono de uma forma geral aumentam o tempo que ficam na cama num esforço de terem uma maior probabilidade de adormecer, com esta estratégia fragmentam o sono e diminuem a sua qualidade. A terapia da restrição do sono consiste em reduzir o tempo que se passa na cama para aumentar a percentagem do tempo que se passa a dormir. Esta estratégia melhora a eficácia do sono da pessoa (tempo a dormir/tempo na cama). Por exemplo uma pessoa que relata estar na cama por oito horas mas que dorme em média seis horas deverá ser aconselhada a reduzir o tempo que está na cama para cinco horas. Assim que a eficácia do sono tenha aumentado o tempo que se passa na cama é aumentado 15 a 30 minutos por noite. Os ajustes serão feitos durante as semanas necessárias até que o ritmo do sono se torne regular. Para minimizar a sonolência diurna o tempo que se passa na cama não deve ser reduzido para além das cinco horas por noite.
6. COMPONENTE EDUCACIONAL
Higiene do sono: A terapia da higiene do sono baseia-se no conhecimento da existência de determinados factores que interferem decisivamente no sono, prejudicando-o ou, pelo contrário, beneficiando-o. Esta realidade conduziu a um conjunto de regras relativas a práticas de saúde (dieta, exercício e consumo de substancias) e ao controlo de factores ambientais (luz, ruído temperatura). A pessoa deve dormir o tempo suficiente para se sentir restaurado, mas não demais. Permanecer demasiado tempo na cama prejudica o sono. A pessoa deve limitar a permanência na cama ao tempo que era habitual antes do início da perturbação. Deve procurar manter um horário de sono (deitar e levantar) mesmo ao fim-de-semana. Não se deve esforçar por adormecer. deve deixar que o sono ocorra naturalmente. O exercício físico praticado de forma regular, e não pouco antes de se deitar, melhorará a qualidade do sono. Dormir com ruído, luz, calor ou frio não ajuda o sono. Proteger o quarto de dormir destes factores retirar o despertador para longe da cama, é um factor de distração, uma pequena refeição ajuda a dormir melhor. Deve evitar ir dormir após uma grande refeição, as bebidas alcoólicas e o tabaco prejudicam o sono. Evitar tomar café ou bebidas com cafeína depois das 16 horas. Tentar pensar nos problemas durante o dia e não há hora de se deitar. Não ver televisão na cama. Evitar dormir durante o dia, se dormir mal uma noite, não desesperar. Na noite seguinte, deitar-se à hora normal.
(Miguel Lucas)
1. RELAXAMENTO MUSCULAR PROGRESSIVO
2. ESTRATÉGIAS DE COPING
Modificação do pensamento: Mudança de cognições, atitudes negativas e crenças irracionais acerca do sono. Substituição das crenças disfuncionais por crenças adaptativas. Por exemplo pessoas que acreditam ser imprescindível ter de dormir sempre 8 horas por noite para se sentirem bem durante o dia são confrontadas sobre essa crença Pessoas que estão convictas que a insónia está a destruir a sua qualidade de vida são encorajadas a desenvolver competências de enfrentamento adaptativas e minimizar a percepção de se verem a eles próprios como vitimas As mudanças de atitude permitem a redução da ansiedade antecipatória e activação fisiológica que interferem com o sono.
3. TÉCNICAS DE AUTO-INSTRUÇÃO
Auto-verbalização de pistas que incitam pensamentos positivos que permitam a redução de pensamentos catastróficos em relação aos sintomas de insónia.
4. CONTROLO DO ESTÍMULO
A terapia de controlo do estímulo tem na sua base a premissa de que a insónia é uma resposta condicionada relativa à hora de deitar e ao espaço físico correspondente ao local de dormir, assim como acontecimentos associadas ao sono. O objectivo principal da terapia do controlo do estímulo é fazer com que a pessoa volte a associar a cama e o quarto com o adormecer. As instruções de controlo do estímulo envolvem o hábito de ir para a cama apenas quando se está sonolento; usando a cama e o quarto apenas para dormir; saindo-se da cama e ir para outra divisão da casa quando não se consegue adormecer ou retomar o sono facilmente, retornando para a cama apenas quando se volta a estar sonolento. Deve-se manter uma hora regular para acordar independentemente da hora a que se deitou no dia anterior e evitar sextas durante o dia.
5. RESTRIÇÃO DO SONO
As pessoas com dificuldades no sono de uma forma geral aumentam o tempo que ficam na cama num esforço de terem uma maior probabilidade de adormecer, com esta estratégia fragmentam o sono e diminuem a sua qualidade. A terapia da restrição do sono consiste em reduzir o tempo que se passa na cama para aumentar a percentagem do tempo que se passa a dormir. Esta estratégia melhora a eficácia do sono da pessoa (tempo a dormir/tempo na cama). Por exemplo uma pessoa que relata estar na cama por oito horas mas que dorme em média seis horas deverá ser aconselhada a reduzir o tempo que está na cama para cinco horas. Assim que a eficácia do sono tenha aumentado o tempo que se passa na cama é aumentado 15 a 30 minutos por noite. Os ajustes serão feitos durante as semanas necessárias até que o ritmo do sono se torne regular. Para minimizar a sonolência diurna o tempo que se passa na cama não deve ser reduzido para além das cinco horas por noite.
6. COMPONENTE EDUCACIONAL
Higiene do sono: A terapia da higiene do sono baseia-se no conhecimento da existência de determinados factores que interferem decisivamente no sono, prejudicando-o ou, pelo contrário, beneficiando-o. Esta realidade conduziu a um conjunto de regras relativas a práticas de saúde (dieta, exercício e consumo de substancias) e ao controlo de factores ambientais (luz, ruído temperatura). A pessoa deve dormir o tempo suficiente para se sentir restaurado, mas não demais. Permanecer demasiado tempo na cama prejudica o sono. A pessoa deve limitar a permanência na cama ao tempo que era habitual antes do início da perturbação. Deve procurar manter um horário de sono (deitar e levantar) mesmo ao fim-de-semana. Não se deve esforçar por adormecer. deve deixar que o sono ocorra naturalmente. O exercício físico praticado de forma regular, e não pouco antes de se deitar, melhorará a qualidade do sono. Dormir com ruído, luz, calor ou frio não ajuda o sono. Proteger o quarto de dormir destes factores retirar o despertador para longe da cama, é um factor de distração, uma pequena refeição ajuda a dormir melhor. Deve evitar ir dormir após uma grande refeição, as bebidas alcoólicas e o tabaco prejudicam o sono. Evitar tomar café ou bebidas com cafeína depois das 16 horas. Tentar pensar nos problemas durante o dia e não há hora de se deitar. Não ver televisão na cama. Evitar dormir durante o dia, se dormir mal uma noite, não desesperar. Na noite seguinte, deitar-se à hora normal.
O ataque da mediocridade(Superinteressante Portugal)
Precisamos mais de estabilidade ou criatividade? Cada uma se rege pelas suas próprias leis e ambas são necessárias: uma promove o progresso, a outra assegura a estabilidade social.
Luís de Rivera, catedrático espanhol de psiquiatria, define a mediocridade como a incapacidade para valorizar, apreciar ou admirar a excelência, e distingue três graus. A mediocridade comum é a forma mais simples e inócua. Os seus sintomas são a hiper-adaptação, a falta de originalidade e uma normalidade tão absoluta que poderia ser considerada patológica: a chamada “normopatia”. Os que a manifestam não têm ponta de criatividade e não sabem distinguir a excelência, mas respeitam as indicações que lhes dão e são consumidores bons e obedientes. O conformismo permite que se sintam razoavelmente felizes.
O segundo tipo, a mediocridade pseudocriativa, acrescenta à anterior uma tendência pretensiosa para imitar os processos criativos normais. Enquanto o medíocre comum não se esforça para além do mínimo exigível, o pseudocriativo sente necessidade de aparentar e ostentar poder. A imagem é tudo para ele, mas, como não distingue o belo do feio, o bom do mau, não mostra inclinação para favorecer progressos de qualquer tipo e incentiva as manobras repetitivas e imitativas.
Aqueles que se enquadram na síndrome da mediocridade inoperante activa (MIA) formam o terceiro grupo. Trata-se do mais prejudicial e agressivo, pelo que encaixa no perfil da maioria dos praticantes de assédio. Enquanto as categorias anteriores são simplesmente incapazes de reconhecer o génio, os MIA também se propõem destruí-lo por todos os meios ao seu alcance. O indivíduo afectado por esta síndrome desenvolve uma grande actividade que não é criativa nem produtiva, e possui um enorme desejo de notoriedade e influência. Por isso, tende a infiltrar-se em organizações complexas, nomeadamente as que já se encontram minadas por formas menores de mediocridade, com o objectivo de entorpecer ou aniquilar o progresso dos indivíduos brilhantes.
O escritor italiano Pino Aprile, no seu livro Elogio do Imbecil, conclui que existe uma razão para todos os sistemas sociais advogarem a mediania: “A inteligência é como a areia que se introduz nas engrenagens: pode obstruir os mecanismos.” O génio é subversivo, não apenas por discutir a norma em vez de a aplicar, mas também por bloquear, através da sua actuação, o percurso habitual de qualquer sistema burocrático. Por isso, segundo o autor, “o poder de uma organização social humana será tanto maior quanto maior for a quantidade de inteligência que conseguiu destruir”.
O modelo educativo dominante não se dá geralmente ao trabalho de fomentar a excelência, a criatividade ou a iniciativa. As crianças usam o mesmo uniforme, preenchem as mesmas fichas e quase não tomam apontamentos; acompanham a lição num livro, igual para todos. Não interessa se uma delas é óptima a matemática e odeia línguas, ou se tem talento para desenhar mas não se interessa por álgebra. Têm todas de fazer o mesmo: adaptar-se sem se destacar demasiado, não causar conflitos. O que se espera delas é que sejam “normais”.
Cyril Northcote Parkinson, historiador inglês com grande conhecimento do sistema burocrático britânico de meados do século XX e autor do livro A Lei de Parkinson, afirmava que “a tarefa a ser efectuada será insuflada de importância e complexidade na proporção directa do tempo disponível”. Na opinião deste observador da realidade social, o número de horas consagrado ao desempenho de uma actividade nada tem a ver com a qualidade do resultado (Paul McCartney corroborou o facto ao assegurar que os Beatles nunca investiram mais de duas horas a compor qualquer dos seus temas). Segundo Parkinson, quanto mais tempo alguém tiver para executar uma tarefa, mais irá demorar a fazê-la.
O pedagogo canadiano Laurence J. Peter (1919–1990) explicou o êxito profissional dos medíocres através do que denominou “princípio de Peter”: “Numa empresa ou organização, qualquer trabalhador tende a ascender até atingir o seu nível de incompetência.” Se nos promoverem devido aos nossos méritos, acabaremos por ocupar um cargo para o qual não temos competência e deixaremos de nos destacar (e de ascender), permanecendo enquistados no nosso nicho de mediocridade. (...)
De acordo com o princípio de Dilbert, “as empresas promovem sistematicamente os trabalhadores menos competentes a cargos directivos, a fim de limitar os danos que eles podem provocar”. O termo foi inventado por um economista nova-iorquino, Scott Adams, que é também autor da banda desenhada humorística protagonizada por Dilbert, um excelente engenheiro ao serviço de um chefe despótico. Os desenhos, publicados originalmente no Wall Street Journal, inspiraram posteriormente um livro e, para além do aspecto lúdico, demonstraram constituir um fiel reflexo da organização empresarial nos Estados Unidos (seguramente extensível a outros países). Numa entrevista à revista Funny Business, Adams explicava: “Muitas vezes, promove-se a pessoa menos competente apenas para afastá-la do verdadeiro trabalho. É preferível que se dedique a coisas simples, como pedir café ou gritar com os outros. Os programadores e os cirurgiões, pessoas verdadeiramente brilhantes, não costumam figurar no quadro de administração das empresas.”
Instinto de sobrevivência – A prioridade do medíocre é sobreviver, custe o que custar. Mais vale ser parvo do que morto, como dizia o escritor escocês Robert-Louis Stevenson. É o oposto do instinto de suplantar, que procura alargar os horizontes, mesmo que se tenha de arriscar a vida. Será que Colombo pensava no risco que corria ao atravessar o oceano na sua frágil embarcação?
Terror do infinito – O medíocre não só não consegue imaginar o infinito, como sente naúseas só de pensar nisso. Em contrapartida, o excelente acolhe a espiritualidade e procura um sentido para a vida.
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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
João de Ricardo: "Não"
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política,
psicologia
"Toda esta hecatombe de promessas não cumpridas acontece por apenas um motivo: o Brasil não suspenderia seu estado de espírito RELAPSO e incompetente por um simples decreto da varinha de condão de Blatter. Por aqui, a letargia e o cavalgar lancinante das cifras para erguer meio metro de parede são mais poderosos que a Budweiser. (...) Nós vamos oferecer exatamente o que temos para oferecer, o que a África do Sul ofereceu: o que temos de bom e a também a nossa miséria suprema. Será um sucesso repleto de porcaria, brilho, lixo e espontaneidade. Vamos rir, dançar, beber, assaltar, ser felizes, nos arrepender, receber bem, cobrar o latão de cerveja bem caro e cheirar LOLÓ, porque é assim que vivemos. E a Fifa não nos abandonaria em hipótese alguma, mesmo que quem tivesse morrido em Itaquera fosse o André Sanchez, o Messi e a Dilma Rousseff." (Douglas Ceconello)
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
"Samsara não é um lugar, não é o planeta Terra, não é a existência humana, não é nada disso. O Samsara é esse jeito de ser, em que ficamos perambulando por aí, feito cachorro de rua, sem rumo, fundamentalmente desiludidos, agindo a partir do desejo e da hostilidade. Sem amadurecer, sem florescer, sem cultivar a verdadeira felicidade, saltando de um lado para o outro, até a morte finalmente chegar." (Düdjom Lingpa)
"O tempo não é nem um pouco precioso como dizem, porque é uma ilusão. O que você percebe como precioso não é o tempo, mas o único ponto que está fora do tempo: O Agora. Isso é realmente precioso. Quanto mais você está focado no tempo, passado e futuro, mais você perde o agora, a coisa mais preciosa que existe." (Eckhart Tolle)
"Quando você corre atrás dos seus pensamentos, é como um cachorro correndo atrás de um graveto. Toda vez que o graveto é atirado, ele sai correndo atrás. Em vez disso, seja como o leão que, ao invés de correr atrás do graveto, vira em direção a quem atirou o graveto. Só atiramos um graveto ao leão uma única vez." (Milarepa)
"Já que tudo é nada mais que uma aparição, nada tendo a ver com bom ou ruim, com aceitação ou rejeição, você pode cair na gargalhada." (Longchenpa)
"Não é o que o outro seja irritante; eu é que me irrito. Não é que ele seja irritante, ele está perturbado. Agora, se ele está perturbado, por que é que eu vou importar a perturbação? Eu não vou me perturbar. Aí eu me mantenho não perturbado e o ajudo a sair da perturbação." (Lama Samten)
domingo, 5 de janeiro de 2014
Roger Waters and Eddie Vedder - Confortably numb
O Gato e a Espiritualidade
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo.
É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata.
Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade.
Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem." O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia-- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali. Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele.
O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta. No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. "O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final." (Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald e Loretta Hausman)
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não topa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode, ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós. Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele" não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo.
É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato! Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata.
Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo (quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones. Lição de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade.
Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. O gato é uma chance de interiorização e sabedoria, posta pelo mistério à disposição do homem." O gato é um animal que tem muito quartzo na glândula pineal, é portanto um transmutador de energia e um animal útil para cura, pois capta a energia ruim do ambiente e transforma em energia boa, -- normalmente onde o gato deita com frequência, significa que não tem boa energia-- caso o animal comece a deitar em alguma parte de nosso corpo de forma insistente, é sinal de que aquele órgão ou membro está doente ou prestes a adoecer, pois o bicho já percebeu a energia ruim no referido órgão e então ele escolhe deitar nesta parte do corpo para limpar a energia ruim que tem ali. Observe que do mesmo jeito que o gato deita em determinado lugar, ele sai de repente, poi ele sente que já limpou a energia do local e não precisa mais dele.
O amor do gato pelo dono é de desapego, pois enquanto precisa ele está por perto, quando não, ele se a afasta. No Egito dos faraós, o gato era adorado na figura da deusa Bastet, representada comumente com corpo de mulher e cabeça de gata. Esta bela deusa era o símbolo da luz, do calor e da energia. Era também o símbolo da lua, e acreditava-se que tinha o poder de fertilizar a terra e os homens, curar doenças e conduzir as almas dos mortos. Nesta época, os gatos eram considerados guardiões do outro mundo, e eram comuns em muitos amuletos. "O gato imortal existe, em algum mundo intermediário entre a vida e a morte, observando e esperando, passivo até o momento em que o espírito humano se torna livre. Então, e somente então, ele irá liderar a alma até seu repouso final." (Fonte: The Mythology Of Cats, Gerald e Loretta Hausman)
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
"Sem o arsenal IMAX 3D, os planos sequências de Gravidade são grandes peças de um cartoon tentando se passar por filme sério: Ryan Stone escorrega numa casca de banana, levanta-se e tropeça numa pedra, levanta-se e cai num precipício, para se esborrachar no vale e levantar novamente. (...) A arte tem como gesto explodir os limites da técnica, tentar alargá-los, tensionando até o rompimento, de onde se pode tirar força e beleza. Consolidar a técnica, aproveitá-la para, no fim das contas, deslumbrar-se com ela, é tarefa do artesanato. Quando acaba é, de alguma forma, deixado de lado sobre a cômoda e vira, na melhor das hipóteses, um artigo de decoração. Gravidade não emana a força nem a beleza necessárias para superar isso. (...) Como acontece com a Dra. Ryan Stone, ao final do filme o retorno à terra firme é um momento de alívio, deixando para trás essa experiência, apenas como uma anedota de superação." (Raul Arthuso/Revista Cinética)
Os melhores personagens do Paul Dano são de quando ele é ator coadjuvante: Eli Sunday (There Will Be Blood), Alex Jones (Prisoners), Dwayne (Little Miss Sunshine), Seth (Looper) e até o "VW Guy" (Taking Woodstock).
"O curioso é que aqueles brasileiros que queixam-se amargamente de limpar o próprio banheiro, elogiam incansavelmente a possibilidade de andar à noite sem medo pelas ruas, sem enxergar a relação entre as duas coisas. Violência social não é fruto de pobreza. Violência social é fruto de desigualdade social. A sociedade holandesa é relativamente pacífica não porque é rica, não porque é 'primeiro mundo', não porque os holandeses tenham alguma superioridade moral, cultural ou genética sobre os brasileiros, mas porque a sociedade deles tem pouca desigualdade. Há uma relação direta entre a classe média holandesa limpar seu próprio banheiro e poder abrir um Mac Book de 1400 euros no ônibus sem medo." (Daniel Duclois)
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
[75 MELHORES MÚSICAS de 2013]
01. Body/Head - Abstract
02. Eels - The turnaround
03. Volcano Choir - Byegone
04. Best Coast - Fear of my identity
05. David Bowie - Where are we now?
06. Low - Plastic cup
07. Camera Obscura - Do it again
08. Haim - The wire
09. Emiliana Torrini - Blood red
10. Juana Molina - Eras
11. Tristen - No one's gonna know
12. Depeche Mode - Heaven
13. Siléste - Só és feliz
14. Lisa Germano - Up in the air
15. The Naked And Famous - A small reunion
16. Cosmo - Yalla
17. Widowspeak - Calico
18. Agnes Obel - Run cried the crawling
19. Chvrches - Lies
20. Bill Callahan - Summer painters
21. CocoRosie - Gravediggress
22. Nine Inch Nails - Find my way
23. Marcelo Fruet e Os Cozinheiros - Tempo
24. Lady Gaga - Aura
25. Jim James - A new life
26. Julia Holter - Hello stranger
27. Haim - Honey & I
28. Atoms For Peace - Default
29. Pearl Jam - Pendulum
30. M.I.A. - Bad girls
31. She And Him - I've got your number, son
32. Múm - When girls collide
33. Laura Veirs - Finister saw the angels
34. Nine Inch Nails - Disappointed
35. Bonnie Prince Billy & Dawn McCarthy - Milk train
36. Speedy Ortiz - Tiger tank
37. Sky Ferreira - Omanko
38. Waxahatchee - Brother Bryan
39. The Pastels - Check my heart
40. Devendra Banhart - Für Hildegard von Bingen
41. Laura Veirs - Sun song
42. Eminem - Asshole
43. Cheyenne Mize - Wait for it
44. Yo La Tengo - Two trains
45. Travis - Boxes
46. CSS - Hangover
47. Nick Cave - Jubilee Street
48. Typhoon - 100 years
49. Kevin Morby - Miles, miles, miles
50. Lee Ranaldo - Lecce, leaving
51. Body/Head - Actress
52. Emika - Sleep with my enemies
53. Yo La Tengo - I'll be around
54. Glasvegas - I'd rather be dead (than be with you)
55. Perera Elsewhere - Dreamt that dream
56. I Break Horses - You burn
57. Aye Nako - Start talking
58. Basia Bulat - Tall tall shadow
59. The Julie Ruin - Cookie road
60. Tricky - Nothing's changed
61. Veronica Falls - Tell me
62. The Skins - Ocean
63. The Kissaway Trail - So sorry, I'm not
64. The Boy Least Likely To - I keep falling in love with you
65. Yo La Tengo - Ohm
66. Diana - Born again
67. Charli XCX - You (ha ha ha)
68. Melt-Banana - My missing link
69. Paavoharju - Tattarisuo 1931
70. Forest Fire - Annie
71. K-X-P - Melody
72. Califone - Magdalene
73. Chastity Belt - Giant (vagina)
74. Pinkunoizu - The swollen map
75. Gnaw - Humming
01. Body/Head - Abstract
02. Eels - The turnaround
03. Volcano Choir - Byegone
04. Best Coast - Fear of my identity
05. David Bowie - Where are we now?
06. Low - Plastic cup
07. Camera Obscura - Do it again
08. Haim - The wire
09. Emiliana Torrini - Blood red
10. Juana Molina - Eras
11. Tristen - No one's gonna know
12. Depeche Mode - Heaven
13. Siléste - Só és feliz
14. Lisa Germano - Up in the air
15. The Naked And Famous - A small reunion
16. Cosmo - Yalla
17. Widowspeak - Calico
18. Agnes Obel - Run cried the crawling
19. Chvrches - Lies
20. Bill Callahan - Summer painters
21. CocoRosie - Gravediggress
22. Nine Inch Nails - Find my way
23. Marcelo Fruet e Os Cozinheiros - Tempo
24. Lady Gaga - Aura
25. Jim James - A new life
26. Julia Holter - Hello stranger
27. Haim - Honey & I
28. Atoms For Peace - Default
29. Pearl Jam - Pendulum
30. M.I.A. - Bad girls
31. She And Him - I've got your number, son
32. Múm - When girls collide
33. Laura Veirs - Finister saw the angels
34. Nine Inch Nails - Disappointed
35. Bonnie Prince Billy & Dawn McCarthy - Milk train
36. Speedy Ortiz - Tiger tank
37. Sky Ferreira - Omanko
38. Waxahatchee - Brother Bryan
39. The Pastels - Check my heart
40. Devendra Banhart - Für Hildegard von Bingen
41. Laura Veirs - Sun song
42. Eminem - Asshole
43. Cheyenne Mize - Wait for it
44. Yo La Tengo - Two trains
45. Travis - Boxes
46. CSS - Hangover
47. Nick Cave - Jubilee Street
48. Typhoon - 100 years
49. Kevin Morby - Miles, miles, miles
50. Lee Ranaldo - Lecce, leaving
51. Body/Head - Actress
52. Emika - Sleep with my enemies
53. Yo La Tengo - I'll be around
54. Glasvegas - I'd rather be dead (than be with you)
55. Perera Elsewhere - Dreamt that dream
56. I Break Horses - You burn
57. Aye Nako - Start talking
58. Basia Bulat - Tall tall shadow
59. The Julie Ruin - Cookie road
60. Tricky - Nothing's changed
61. Veronica Falls - Tell me
62. The Skins - Ocean
63. The Kissaway Trail - So sorry, I'm not
64. The Boy Least Likely To - I keep falling in love with you
65. Yo La Tengo - Ohm
66. Diana - Born again
67. Charli XCX - You (ha ha ha)
68. Melt-Banana - My missing link
69. Paavoharju - Tattarisuo 1931
70. Forest Fire - Annie
71. K-X-P - Melody
72. Califone - Magdalene
73. Chastity Belt - Giant (vagina)
74. Pinkunoizu - The swollen map
75. Gnaw - Humming
Lisa Germano compôs "Dança das abelhas" e a gravou com interferências de telefone celular...
"Then there’re the bees, whose magical dance of pollination is being challenged by the interfering vibrations of the digital devices we humans clutch so fiercely to our quivering breasts. We ought to take that song at face value at first, then speculate on its particulars: alienation, identity, a troubling new view of humanity." (Lisa Germano)
"Then there’re the bees, whose magical dance of pollination is being challenged by the interfering vibrations of the digital devices we humans clutch so fiercely to our quivering breasts. We ought to take that song at face value at first, then speculate on its particulars: alienation, identity, a troubling new view of humanity." (Lisa Germano)
[25 MELHORES FILMES de 2013/2012]
01. Elena (2013, Petra Costa)
02. La vie d'Adéle / Azul é a cor mais quente (2013, Abdellatif Kechiche)
03. Post tenebras lux (2012, Carlos Reygadas)
04. Broken (2012, Rufus Norris)
05. Upstream color (2013, Shane Carruth)
06. Jagten / A caça (2012, Thomas Vinterberg)
07. De rouille et d'os / Ferrugem e osso (2012, Jacques Audiard)
08. Después de Lucía / Depois de Lúcia (2012, Michel Franco)
09. Jag etter vind (2013, Rune Denstad Langlo)
10. Nobody walks (2012, Ry-Russo Young)
11. Save the date (2012, Michael Mohan)
12. The necessary death of Charlie Countryman (2013, Fredrik Bond)
13. Pokazatelnyy protsess: Istoriya Pussy Riot (2013, Mike Lerner e Maxim Pozdorovkin)
14. Safety not guaranteed / Sem segurança nenhuma (2012, Colin Trevorrow)
15. Klip (2012, Maja Milos)
16. Spring breakers / Garotas perigosas (2013, Harmony Korine)
17. Before midnight / Antes da meia-noite (2013, Richard Linklater)
18. Le passé / O passado (2013, Asghar Farhadi)
19. The end of love / O fim do amor (2012, Mark Webber)
20. Some girl(s) (2013, Daisy von Scherler Mayer)
21. Amour / Amor (2012, Michael Haneke)
22. Hello I must be going (2012, Todd Louiso)
23. Dark touch / Encontro com o passado (2013, Marina De Van)
24. Zero dark thirty / A hora mais escura (2012, Kathryn Bigelow)
25. About time / Questão de tempo (2013, Richard Curtis)
01. Elena (2013, Petra Costa)
02. La vie d'Adéle / Azul é a cor mais quente (2013, Abdellatif Kechiche)
03. Post tenebras lux (2012, Carlos Reygadas)
04. Broken (2012, Rufus Norris)
05. Upstream color (2013, Shane Carruth)
06. Jagten / A caça (2012, Thomas Vinterberg)
07. De rouille et d'os / Ferrugem e osso (2012, Jacques Audiard)
08. Después de Lucía / Depois de Lúcia (2012, Michel Franco)
09. Jag etter vind (2013, Rune Denstad Langlo)
10. Nobody walks (2012, Ry-Russo Young)
11. Save the date (2012, Michael Mohan)
12. The necessary death of Charlie Countryman (2013, Fredrik Bond)
13. Pokazatelnyy protsess: Istoriya Pussy Riot (2013, Mike Lerner e Maxim Pozdorovkin)
14. Safety not guaranteed / Sem segurança nenhuma (2012, Colin Trevorrow)
15. Klip (2012, Maja Milos)
16. Spring breakers / Garotas perigosas (2013, Harmony Korine)
17. Before midnight / Antes da meia-noite (2013, Richard Linklater)
18. Le passé / O passado (2013, Asghar Farhadi)
19. The end of love / O fim do amor (2012, Mark Webber)
20. Some girl(s) (2013, Daisy von Scherler Mayer)
21. Amour / Amor (2012, Michael Haneke)
22. Hello I must be going (2012, Todd Louiso)
23. Dark touch / Encontro com o passado (2013, Marina De Van)
24. Zero dark thirty / A hora mais escura (2012, Kathryn Bigelow)
25. About time / Questão de tempo (2013, Richard Curtis)
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