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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

"...
Quando o homem nasce, é fraco e flexível.
Quando morre, é impassível e duro.
Quando uma árvore cresce, é tenra e flexível.
Quando se torna seca e dura, ela morre.
A dureza e a força são atributos da morte.
Flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser.
Por isso, quem endurece, nunca vencerá.”

[poema de Arseny Tarkovski, narrado no filme Stalker (1979), de Andrei Tarkovski]
"As pessoas não querem a democracia. Elas não querem tomar as decisões, e sim que uma pessoa forte venha e faça isso por elas. A democracia é dura. Se alguém vem, promete assumir as rédeas do governo e acabar com o medo, assumindo a culpa por tudo, isso é atraente para as pessoas. Elas podem abrir mão da responsabilidade e passá-la para outro. Você quer um sistema onde só o líder é responsável. A democracia é dura. Se você quer lidar com a corrupção, é difícil, precisa começar desde a base. O policial precisa parar de aceitar suborno, o juiz também, o empresário. O combate à corrupção precisa partir das pessoas, ninguém pode impor isso de cima. Mas é mais fácil passar essa responsabilidade para outra pessoa." (Jason Stanley, professor de filosofia de Yale e estudioso do fascismo)
Medo em excesso causa paralisia, depressão, pânico. Medo de menos provoca inconsequência, euforia, imprudência. Medo na medida é o equilíbrio saudável do organismo vivo. É um mecanismo da nossa natureza, da nossa realidade, que serve a estratégia, cautela, prevenção, preservação.
INTERTEXTO
(Bertolt Brecht)

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro


Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Táticas avançadas de manipulação psicológica pela internet.

Revista Forum

...
O texto abaixo ajuda muito a não perder tempo com ações infrutíferas contra o voto no fascismo, e a ganhar tempo com ações planejadas. O texto é grande, mas dá pra ler em 10 minutos. O texto é do Rafael Azzi:

"Sua tia não é fascista, ela está sendo manipulada"

Você se pergunta como um candidato com tão poucas qualidades e com tantos defeitos pode conseguir o apoio quase que incondicional de grande parte da população?

Você já tentou argumentar racionalmente com os eleitores deles, mas parece que eles estão absolutamente decididos e te tratam imediatamente como inimigo no mais leve aceno de contrariedade?

Até sua tia, que sempre foi fofa com você, agora ataca seus posts sobre política no facebook?
Pois bem, vou contar uma história.

O principal nome dessa história é um sujeito chamado Steve Bannon. Bannon tinha uma visão de extrema direita nacionalista. Ele tinha um site no qual expressava seus pontos de vista que flertavam com o machismo, com a homofobia, com a xenofobia, etc. Porém, o site tinha pouca visibilidade e seu sonho era que suas ideias se espalhassem com mais força no mundo.

Para isso, Bannon contratou uma empresa chamada Cambridge Analytica. Essa empresa conseguiu dados do facebook de milhões de contas de perfis por todo mundo. Todo tipo de dado acumulado pelo facebook: curtidas, comentários, mensagens privadas. De posse desses dados e utilizando algoritmos, essa empresa poderia traçar perfis psicológicos detalhados dos indivíduos.

Tais perfis seriam então utilizados para verificar quais indivíduos estariam mais predispostos a receber as mensagens: aqueles com disposição de acreditar em teorias conspiratórias sobre o governo, por exemplo, ou que apresentavam algum sentimento de contrariedade difuso ao cenário político atual.

A estratégia seria fazer com que esse indivíduo suscetível a essas mensagens mudasse seu comportamento, se radicalizasse. Como as pessoas passaram a receber as notícias e a perceber o mundo principalmente através das redes sociais, não é difícil manipular essas informações. Se você pode controlar as informações a que uma pessoa tem acesso, você pode controlar a maneira com que ela percebe o mundo e, com isso, pode influenciar a maneira como se comporta e age.

Posts no facebook podem te fazer mais feliz ou triste, com raiva ou com medo. E os algoritmos sabem identificar as mudanças no seu comportamento pela análise dos padrões das suas postagens, curtidas, comentários.

Assim, indivíduos com perfis de direita e seu tradicional discurso “não gosto de impostos” foram radicalizados para perfis paranóicos em relação ao governo e a determinados grupos sociais. A manipulação poderia ser feita, por exemplo, através do medo: “o governo quer tirar suas armas”. Esse tipo de mensagem estimula um sentimento de impotência e de não ser capaz de se defender. Estimula também um sentimento de “somos nós contra eles”, o que fecha a pessoa para argumentos racionais.

Sites e blogs foram fabricados com notícias falsas para bombardear diretamente as pessoas influenciáveis a esse tipo de mensagem. Além disso, foi explorado também um sentimento anti-establishment, anti-mídia tradicional e anti “tudo isso que está aí”. Quando as pessoas recebiam várias notícias de forma direta, e não viam essas notícias repercutirem na grande mídia, chegavam à conclusão de que a grande mídia mente e esconde a verdade que eles têm.

Se antes a mídia tradicional podia manipular a população, a manipulação teria que ser feita abertamente, aos olhos de todos. Agora, todos temos telas privadas que nos mandam mensagens diretamente. Ninguém sabe que tipo de informação a pessoa do lado está recebendo ou quais mensagens estão construindo sua percepção de realidade.

Com esse poder nas mãos, Bannon conseguiu popularizar a alt right (movimento de extrema direita americana) entre os jovens, que resultou nos protestos “unite de right” no ano passado em Charlottesville, Virgínia que tiveram a participação de supremacistas brancos. Bannon trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump e foi estrategista de seu governo. A Cambridge Analytica trabalhou também no referendo do Brexit, que foi vencido principalmente por argumentos originados de fakenews.

Quando a manipulação veio à tona, Mark Zuckerberg foi chamado ao senado americano para depor. Pra quem entendeu o que houve, ficou claro que a democracia da nação mais importante do mundo havia sido hackeada. Mas os congressistas pouco entendimento tinham de mídia social; e quem estaria disposto a admitir que a democracia pode ser hackeada através da manipulação dos indivíduos?

Zuckerberg estava apenas pensando em estabelecer um modelo de negócios lucrativo com a venda de anúncios direcionados. A coleta de dados e a avaliação de perfil psicológico das pessoas tinham a intenção “inocente” de fazer as pessoas clicarem em anúncios pagos. Era apenas um modelo de negócios. Mas esse mesmo instrumento pode ser usado com finalidade política.

Ele se deu conta disso e sabia que as eleições brasileiras podiam estar em risco também. Somos uma das maiores democracias do mundo. O facebook tomou medidas ativas para evitar que as campanhas de desinformação e manipulações ocorressem em sua rede social. Muitas contas fake e páginas que compartilhavam informações falsas foram retiradas do facebook no período que antecede as eleições.

Mas não contavam com a capilarização e a popularização dos grupos de whatsapp. Whatsapp é um aplicativo de mensagens diretas entre indivíduos; por isso, não pode ser monitorado externamente. Não há como regular as fakenews, portanto. Fazer um perfil fake no whatsapp também é bem mais fácil que em outras redes sociais e mais difícil de ser detectado.

Lembram do Steve Bannon, que sonhou com o retorno de uma extrema direita nacionalista forte mundialmente? Que tinha ideias que são classificadas como anti minorias, racistas e homofóbicas? E que usou um sentimento difuso anti “tudo que está aí”, e um medo de os homens se sentirem indefesos para conquistar adeptos?

Pois bem, ele se encontrou em agosto com Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro disse que o Bannon apoiaria a campanha do seu pai com suporte e “dicas de internet”, essas coisas. Bannon é agora um “consultor eventual” da campanha. Era o candidato ideal pra ele, por compartilhava suas ideias, no cenário ideal: um país passando por uma grave crise econômica com a população desiludida com a sua classe política.

Logo depois de manifestações de mulheres nas ruas de todo o Brasil e do mundo contra Bolsonaro, o apoio do candidato subiu, entre o público feminino, de 18 para 24 por cento. Um aumento de 6 pontos depois de grande parte das mulheres se unir para demonstrar sua insatisfação com o candidato.

Isso acontece porque, de um lado, a grande mídia simplesmente ignorou as manifestações e, por outro, houve um ataque preciso às manifestações através dos grupos de whatsapp pró-Bolsonaro. Vídeos foram editados com cenas de outras manifestações, com mulheres mostrando os seios ou quebrando imagens sacras, mas utilizadas dessa vez para desmoralizar o movimento #elenão entre as mais conservadoras.

Além disso, Eduardo Bolsonaro veio a público logo após a manifestação e declarou: “As mulheres de direita são mais bonitas que as de esquerda. Elas não mostram os peitos e nem defecam nas ruas. As mulheres de direita têm mais higiene.” Essa declaração pode parece pueril ou simplesmente estúpida mas é feita sob medida para estimular um sentimento de repulsa para com o “outro lado”.

Isso não é nenhuma novidade. A máquina de propaganda do nazismo alemão associava os judeus a ratos. O discurso era que os judeus estavam infestando as cidades alemãs como os ratos. Esse é um discurso que associa o sentimento de repulsa e nojo a uma determinada população, o que faz com que o indivíduo queira se identificar com o lado “limpo” da história. Daí os 6 por cento das mulheres que passaram a se identificar com o Bolsonaro.

Agora é possível compreender porque é tão difícil usar argumentos racionais para dialogar com um eleitor do Bolsonaro? Agora você se dá conta do nível de manipulação emocional a que seus amigos e familiares estão expostos? Então a pergunta é: “o que fazer?”

Não adiante confrontá-los e acusá-los de massa de manobra. Isso só vai fazer com que eles se fechem e classifiquem você como um inimigo “do outro lado”. Ser chamado de manipulado pode ser interpretado como ser chamado de burro, o que só vai gerar uma troca de insultos improdutiva.
Tenha empatia. Essas pessoas não são tolas ou malvadas; elas estão tendo suas emoções manipuladas e estão submetidas a uma percepção da realidade bastante diferente da sua.

Tente trazê-las aos poucos para a razão. Não ofereça seus argumentos racionais logo de cara, eles não vão funcionar com essas pessoas. A única maneira de mudar seu pensamento é fazer com que tais pessoas percebam sozinhas que não há argumentos que fundamentem suas crenças e as notícias veiculadas de maneira falsa.

Isso só pode ser feito com uma grande dose de paciência e de escuta. Peça para que a pessoa defenda racionalmente suas decisões políticas. Esteja aberto para ouvi-la, mas continue sempre perguntando mais e mais, até ela perceber que chegou num ponto em que não tem argumentos para responder.

Pergunte, por exemplo: “Por que você decidiu por esse candidato? Por que você acha que ele vai mudar as coisas? Você acha que ele está preparado? Você conhece as propostas dele? Conhece o histórico dele como político? Quais realizações ele fez antes que você aprova?”

Em muitos casos, a pessoa tentará mudar o discurso para falar mal de um outro partido ou do movimento feminista. Tal estratégia é esperada porque eles foram programados para achar que isso representa “o outro lado”, os inimigos a combater.

Nesse caso, o caminho continua o mesmo: tentar trazer a pessoa para sua própria razão: “Por que você acha que esse partido é tão ruim assim? Sua vida melhorou ou piorou quando esse partido estava no poder? Como você conhece o movimento feminista? Você já participou de alguma reunião feminista ou conhece alguém envolvido nessa luta?”

Se perceber que a pessoa não está pronta para debater, simplesmente retire-se da discussão. Não agrida ou nem ofenda, comportamento que radicalizaria o pensamento de “somos nós contra eles”. Tenha em mente que os discursos que essa pessoa acredita foram incutidos nela de maneira que houvesse uma verdadeira identificação emocional, se tornando uma espécie de segunda identidade.

Não é de uma hora pra outra que se muda algo assim.

Duas das mais importantes democracias do mundo já foram hackeadas utilizando tais técnicas de manipulação. O alvo atual é o nosso país, com uma das mais importantes democracias do mundo. Não vamos deixar que essas forças nos joguem uns contra os outros, rasgando nosso tecido social de uma maneira irrecuperável.

P.S.: Por favor, pesquise extensamente sobre todo e qualquer assunto que expus aqui, e sobre o qual você esteja em dúvida. Não sou de nenhum partido. Sou filósofo e, como filósofo, me interesso pela verdade, pela ética e pelo verdadeiro debate de ideias.

Texto de Rafael Azzi

Combater ignorância com fatos provoca o efeito contrário do que se pretende.



"Esquizofrenia Brasil: eleger um fascista de verdade, que acham que é de mentira, por causa de um comunismo de mentira, que acham que é de verdade." (Carlos Mandacaru)
' ' Brasileiro via de regra não quer ver igualdade social, pra ele é melhor receber 5 mil e ver o "pobre" receber mil do que ver os dois ganhando 10 mil. Qualidade de vida para alguns não é viver bem, é se sentir melhor que outros... Por isso representantes que querem lutar por essas pessoas é uma ameaça ao "status". ' ' (Marcela Macario)
O que o mundo andou falando sobre Bolsonaro:

ALEMANHA

ZEIT
Um Fascista Se Apresentando Como Homem Honesto
https://bit.ly/2y7Gskf

Der Spiegel
Jair Bolsonaro - ascensão de um populista de direita
https://bit.ly/2OzW22k

Frankfurter Allgemeine
Alerta vermelho para democracia
https://bit.ly/2Qr2YMC

Sueddeutsche
O demagogo do deserto é de repente uma nova estrela política no Brasil.
https://bit.ly/2DOTU2E

Deutsche Welle
Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco
https://bit.ly/2IuN7Km

Handelsblatt
O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro - o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial.
https://bit.ly/2Iy10aB

ARGENTINA

La Nacion
Linha dura e Messianismo: Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência.
https://bit.ly/2ya60NR

El Clarín
Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira
https://clar.in/2y7zImH

ÁFRICA DO SUL

The Star
Mulheres brasileiras marcham contra 'formas misóginas
https://bit.ly/2NiZnOO

ÁUSTRIA

Die Presse
Ex-Presidente Detido e o Trump Tropical
https://bit.ly/2NiHgIG

AUSTRALIA

News.Au
Seria este é o político mais repulsivo do mundo?
Pensando que Donald Trump é ruim? Conheça o possível presidente brasileiro cujas crenças repulsivas chocaram o mundo.
https://bit.ly/2IwRrIO

The Australian
Conheça o Candidato que é um risco a democracia
https://bit.ly/2xVQdCN

The Sydney Sunday Herald
Por que alguns no Brasil estão se virando para um explosivo candidato de extrema-direita para o presidente?
https://bit.ly/2E09LvA

CHILE

EL MERCURIO
"Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias"
https://bit.ly/2OuWDSV

LA TERCERA
"Bolsonaro conseguiu captar o sentimento de revolta no Brasil"
https://bit.ly/2xU0sYj

LA CUARTA
Jair Bolsonaro: O Trump do Brasil.

ESPANHA

El País
Bolsonaro é um Pinochet institutional para o Brasil
https://bit.ly/2DA

El Mundo
Lider Polemico. Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do brasil.
https://bit.ly/2xYOzj4

La Vanguardia
Bolsonaro: o Candidato Ultradireitista que canalizou a insatisfacao no Brasil
https://bit.ly/2Iy2UIh

El Confidencial
Jair Bolsonaro: o “Le Pen tropical” que pode ser o próximo presidente do Brasil.
https://bit.ly/2P9ETtH

ESTADOS UNIDOS

Revista Time
Jair Bolsonaro ama Trump, odeia pessoas gays e admira autocratas. Ele poderia ser o próximo presidente do Brasil
https://ti.me/2wjfg16

Fox News
Um olhar sobre os comentários ofensivos do candidato brasileiro Bolsonaro
https://fxn.ws/2O0QMFI

HuffingtonPost
Jair Bolsonaro e o violento caos das eleições presidenciais no Brasil
https://bit.ly/2zNnod4

Washington Post
Um político parecido com Trump no Brasil poderia ter o apoio de um poderoso grupo religioso: os evangélicos
https://wapo.st/2Rk6tFZ

The New York Times
Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios
https://nyti.ms/2xsXSYv

Americas Quarterly
Ditadura militar iminente no Brasil?: Ganhando ou perdendo, a ascensão de Jair Bolsonaro colocar em perigo a jovem democracia brasileira.  https://bit.ly/2OWpYCW

FRANÇA

Le Figaro
Brasil nas garras da tentação autoritária
https://bit.ly/2vqsb0S

Le Monde por Rádio França Internacional RFI
Trump tropical, homofóbico e machista
https://bit.ly/2zMhaKL

Liberation
No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia
https://bit.ly/2P9qIEZ

HOLANDA

Der Volkskrant
Centenas de milhares de mulheres no Brasil nas ruas contra a extrema direita: "Ele nunca!"
https://bit.ly/2DQvPsj

ÍNDIA

India Express
Deixe a polícia matar criminosos, diz o candidato presidencial do Brasil, Jair Bolsonaro
https://bit.ly/2NiJdFd

ITÁLIA

La Republica
Bolsonaro, líder xenófobo e anti-gay que dá o assalto à Presidência do Brasil
https://bit.ly/2Qrb73H

Corriende della Sierra
Um pesadelo chamado Bolsonaro
https://bit.ly/2zNdkRF

MÉXICO

La Jornada
Bolsonaro: O candidato Imprevisível
https://bit.ly/2OD93sh

Milenio
Bolsonaro, o Neofascista que seduz o Brasil
https://bit.ly/2zNQjhl

El Universal
Militar de ultra-direita: um voto pelo passado?
https://bit.ly/2P6jjWO

MOÇAMBIQUE

O País
Bolsonaro que lidera sondagens de intenção de voto no país com a preferência de 27% dos eleitores terá irritado muitos brasileiros com comentários percebidos como sexistas, racistas e homofóbicos.
https://bit.ly/2DQlP29

PERU

La Republica
Brasil resiste:a promessa autoritária de Bolsonaro é desafiada pelas mulheres.
https://bit.ly/2zFQ0Vy

ÁFRICA DO SUL

The Star
Mulheres brasileiras marcham contra 'formas misóginas
https://bit.ly/2NiZnOO

PORTUGAL

O Público
Bolsonaro, o jagunço à porta do Planal
https://bit.ly/2xXbM5Y

Diário de Notícias
Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler
https://bit.ly/2yaPMUz

POLONIA

Gazeta Prawna
Trump brasileiro e outros. Escândalos de corrupção abrem caminho para o poder dos populistas
https://bit.ly/2xWanga

QATAR

Al Jazeera
Milhares de Mulheres protestam contra Bolsonaro
https://bit.ly/2RhJjQF

REINO UNIDO

Financial Times
O "trágico destino" brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente:
A raiva pública contra uma elite corrupta poderia precipitar outra revolta
https://on.ft.com/2DRGxyO

The Economist (CAPA)
A mais nova Ameaça na América Latina
https://econ.st/2OuXKlO

The Times
Jair Bolsonaro, populista "perigoso" promete tornar o Brasil seguro
https://bit.ly/2uxPG8p

The Guardian
Trump dos trópicos: o candidato 'perigoso' que lidera a corrida presidencial do Brasil
https://bit.ly/2qKHkYA

The Telegraph
Dezenas de milhares dizem “ele não” ao principal candidato do Brasil
https://bit.ly/2qKHkYA

The Economist
Brasília, nós temos um problema
O perigo representado por Jair Bolsonaro
https://econ.st/2vxMFWu

SUÍCA

Neuen Zürcher Zeitung
O Faxineiro Racista do Brasil
https://bit.ly/2QoJTdW
Eu sei que eu sou branco, sou homem, sou heterossexual, tive educação e não sou pobre. Sei também que eu não sou racista, não sou machista/misógino, não sou homofóbico e não tenho preconceito cultural ou social. Pelo menos tento, a cada dia, ser mais consciente dos meus privilégios e cuidar para que a minha posição, mais confortável do que a de muitos, não se reflita inconscientemente nas minhas atitudes com pessoas menos privilegiadas. Assim como tento também, num âmbito mais abrangente, lidar, cada vez melhor, com as emoções que causam sofrimento em mim e nos outros - e ser cada vez mais ativista disso tudo, buscando equilibrar firmeza com delicadeza.
Pablo Ortellado:

Publicamos no New York Times artigo pedindo ao WhatsApp que implemente 3 mudanças para reduzir o alarmante nível de desinformação no processo eleitoral: reduza o número de reenvios, reduza o alcance da transmissão e limite o tamanho de novos grupos.

Segundo o Datafolha, 44% dos brasileiros tem usado o aplicativo para acessar notícias e informações políticas. Reunimos as publicações de 347 grupos públicos de WhatsApp voltados ao debate político e submetemos as 50 imagens mais compartilhadas para serem avaliadas pela Lupa.

A análise mostra que 56% das imagens são falsas, tiradas do contexto ou sem apoio nos fatos. Apenas 8% delas são verdadeiras.

Acompanhando os grupos pudemos observar que a dinâmica de divulgação das informações combina uma organização piramidal e em rede. As campanhas utilizam a transmissão, a capacidade de enviar a mesma mensagem para até 256 contatos, para distribuir a mensagem para os militantes.

Esses, por sua vez, podem reencaminhar para ativistas locais ou diretamente publicar em grupos públicos ou fechados, de família ou amigos. Com apenas dois passos é possível atingir centenas de milhares de eleitores, numa campanha de desinformação em grande escala.

Pedimos ao WhatsApp que restrinja a capacidade de transmissão do aplicativo, que limite a 5 o número de reenvios, como já acontece na Índia e que limite o tamanho de novos grupos.

Acreditamos que com a adoção imediata dessas três medidas é possível uma redução rápida do dano que a desinformação tem causado ao debate eleitoral.

Informamos ao WhatsApp nossa proposta e a empresa nos respondeu que não há tempo para implementá-las. Nós discordamos. Na Índia, após uma série de linchamentos causados por boatos difundidos no aplicativo, o WhatsApp conseguiu implementar mudanças em poucos dias.
Estamos conclamando também o TSE e outras instituições com poder regulatório para agir.
"Aquele que bate em trans e gays tenta punir seu próprio desejo homossexual e suas próprias incertezas de gênero. Aquele que persegue negros está apavorado com a possibilidade de perder os supostos privilégios de sua 'raça' branca. Mas de onde vem o ódio pelas mulheres?" (Contardo Calligaris)
- O desespero tá grande...

- Desespero para evitar que o presidente do Brasil seja um defensor de tortura, ditadura, agressão a gays, humilhação a negros, extinção dos índios, armas para aumentar a violência, venda de todas as estatais, 20% de imposto de renda para todos que ganham mais de 5 salários mínimos, fim do 13º salário, educação à distância desde o primário para evitar os perigosos professores comunistas, estupro de quem merece, saída da ONU, rasgar o ECA, criar uma carteira de trabalho isenta de direitos trabalhistas, direitos humanos é pra defender vagabundo, menosprezo de mulheres, fuzilar a petezada, evitar o debate etc. Se tu acha isso melhor que o PT, tem algum problema.
 
- O único problema que eu tenho é não compactuar com ladrão. De resto, o tempo nos dirá meu amigo...

- O resto é aceitável, pra ti?
 
- Pra mim, nada disso vai acontecer.

- O que eu falei já aconteceu. Ele defendeu tudo isso. Já é grave o suficiente.

E bloqueei.
"Se meu programa de governo parecesse um powerpoint feito pelo meu vizinho de 13 anos que assiste vídeo do MBL, eu também não ia querer debater com o professor de ciência política da USP." (Mariana Fonseca)
"Centenas de milhōes de mensagens falsas do WhatsApp atingiram a mente de dezenas de milhōes de pessoas, criando uma realidade virtual. Esta infecção mental em massa por um 'vírus de informação' sincronizou milhōes de cérebros. É este processo que ameaça destruir a democracia no mundo." (Miguel Nicolelis)
As bestas em geral cansaram de ser repreendidas (e "humilhadas") por serem bestas e terem que esconder a bestialidade (antes era errado) e agora estão amando a permissão recebida.

***

Os eleitores do Bolsonaro - maioria dos eleitores brasileiros que decidiram votar em alguém - podem ser resumidos por uma característica: mimados. (Logo eles, que reclamam tanto do "mimimi"; o "mimimi" os fazem se sentirem "oprimidos", mas eles querem ser os "opressores", os reizinhos.) Eles querem poder fazer qualquer coisa que quiserem. Qualquer responsabilidade ética eles consideram ditadura: ter respeito com os outros, cuidar do meio ambiente, não matar, etc. Como escreveu o Leandro Demoro, no Intercept: "Jogue uma lata de Coca-Cola no chão e liberte-se." É patético e infantil. O conceito de liberdade deles só inclui o próprio umbiguinho.
Twitter, 22/10/2018, em três tempos:

Na nota, o deputado diz que nunca defendeu o fechamento do Supremo e que citou uma brincadeira que ouviu de alguém na rua. “Se fui infeliz e atingi alguém tranquilamente peço desculpas e digo que não era a minha intenção”, afirmou o parlamentar. (Congresso Em Foco - https://t.co/FCRoXPbjEF)

A tática dos fascistoides tem sido a mesma sempre: “Vamos acabar com o 13º”, “não foi bem assim que se queria dizer”; “apoiamos a tortura”, “vocês não entenderam direito”; “Fecha o STF”, “não defendemos fechar nada”... (Pedro Marinho)

“Vai haver uma limpeza como nunca houve antes nesse país. Vou varrer os vermelhos do Brasil. Ou vão embora ou vão pra cadeia.” (Bolsonaro, em telão na Av. Paulista, para catarse do público)
"Ou vencíamos pelo volume, já que a nossa quantidade de posts era muito maior do que o público em geral conseguia contra-argumentar, ou conseguíamos estimular pessoas reais, militâncias, a comprarem nossa briga. Criávamos uma noção de maioria", diz um ex-funcionário [da Facemedia, empresa especializada em criar perfis falsos, com personalidades forjadas, que chamam de "personas"]. "Se três amigos seus falam que um carro de uma determinada marca não é bom, aquilo entra na sua cabeça como um conhecimento", diz Yasodara Córdova, pesquisadora da Digital Kennedy School, da Universidade Harvard. (BBC)
O maior delírio vivido hoje no Brasil é o da “normalidade”
ELIANE BRUM

“Distopia simulada”. Esta foi a expressão usada por Luis Felipe Salomão, ministro do Superior Tribunal Eleitoral, para justificar a proibição do programa de Fernando Haddad em que era mostrada a apologia de Jair Bolsonaro à tortura e aos torturadores. O programa de Haddad, ao mostrar o que Bolsonaro diz e faz, nas palavras do ministro, “pode criar, na opinião pública, estados passionais com potencial para incitar comportamentos violentos”. A questão, para o ministro, não é o que Bolsonaro diz e faz, mas que as pessoas possam escutar o que ele diz e ver o que ele faz. E se posicionar a partir do que ele efetivamente diz e faz. Ou seja, se posicionar a partir da realidade dos fatos.

O problema do ministro é que o eleitor possa pensar algo lógico como: “Não posso votar num homem que defende a tortura e tem como herói um torturador que colocava fios desencapados na vagina das mulheres e depois chamava seus filhos pequenos para ver a mãe nua, urinada e vomitada”. Não, o ministro entendeu que precisava vetar a realidade factual para que o eleitor, ao conhecer os fatos, não tenha a estranha reação de pensar sobre eles.

O risco da violência, para o ministro, estaria naqueles que sentem medo, não nos que provocam medo. Pensar que o Brasil quase certamente vai eleger um homem que defende a tortura e tem como herói Carlos Alberto Brilhante Ustra poderia assustar a população. E o ministro acha que não há motivo para a população se assustar.

Vale a autoverdade do ministro, o que ele escolheu que é real e o que ele escolheu que é “simulado”. A verdade, assim como a realidade, tornou-se uma escolha pessoal. (...)
Pra família doentia brasileira, leis, direitos, justiça, liberdade, igualdade, é tudo questão de 'gosto'.
"Com esse STF, caso o próximo presidente venha a tomar medidas e aprovar projetos que sejam contrárias ao gosto desse STF, eles vão declarar inconstitucional. E aqui a gente não vai se dobrar a eles, não." (Dado)
Interprete os seguintes trechos da entrevista de ontem para o JN.

"Ao longo de 4 anos, nós tivemos uma bandeira baseada numa passagem bíblica, João 8:32: 'E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará'. Está na hora do Brasil conviver com a verdade. (...) As eleições acabaram. Chega de mentira, chega de fake new. Realmente agora estamos numa outra época. Eu quero governar para todos, não apenas para aqueles que votaram em mim." (Presidente)
"Ele é tachado como misógino, mas ele é casado com quem? Com a filha de um cearense!" (Primeira-Dama)
Adeus, Porta dos Fundos.

' ' Da série “Banalizaram tanto o termo ‘fascista’ que virou sinônimo de quem não gosta do PT”, que tal parar de brincar de Jedi? “Resistência” é só contra governo imposto. Contra governo eleito, é oposição. Aliás, estamos precisando de uma consciente e que se dê o respeito. ' ' (Antônio Tabet)

Eu já tinha parado de ver, aliás. Por causa dele.


Outras dele no Twitter:


"Eleito o presidente do Brasil. Que ele governe com sabedoria, responsabilidade e para todos, respeitando a democracia e as instituições. Boa sorte para nós e que voltemos a ser um só Brasil a partir de agora."

"Liberdade? Brigas? Esperanças? Histeria? Democracia? Crise? Não sei com o que a eleição de domingo vai acabar, mas se der fim às regras que os “cientistas políticos” que moram com os pais e nunca tiveram um contracheque cagam aqui, já sairemos no lucro."

"O PT não deveria estar tão preocupado com as fake news de 2018. As notícias de verdade desde 2005 são bem piores."

"Entre todas as imbecilidades que marcaram esta eleição - e não foram poucas - nenhuma é tão grave quanto brigar com parente ou amigo por causa de político."


"Deixa eu ver se entendi: quantos desses “fascistas, machistas e homofóbicos” que podem eleger Bolsonaro no 1º turno são os mesmos que elegeram Dilma... DUAS VEZES?!?"

"A militância de esquerda precisa de mais divã e menos empáfia."
 
 
 
"SOU CONTRA O ABORTO! TEM CAMISINHA PRA QUÊ?"
Ok, vamos educar então.
"MEU DEUS, ESTÃO EDUCANDO SOBRE CAMISINHA, É O FIM DO MUNDO MESMO!"
- O Brasil não perdeu de 7x1 pra Alemanha.
- O que é isso, cara. Foi no Mineirão, em 2014.
- Nem vem. Me respeita. E respeita a minha opinião.
- Mas é só entrar no site da FIFA...
- Vou entrar em site nenhum não. Você tem que aprender a respeitar a opinião dos outros. (@predocindio)
"Pelo novo vocabulário da língua brasileira - sim, porque em português é diferente - temos: (por Fernanda Barata Silva Brasil)

A) doutrinação: só existe para professores e quando esses são de esquerda;

B) ideologia de gênero: é explicar que existem pessoas com orientação hétero e homossexual e que todos merecem respeito em sua humanidade. Coisa muito perigosa, pois induz todas as crianças a serem homossexuais! Não falar no assunto, por outro lado, transforma toda a população em heterossexual automaticamente! Ser heterossexual é o normal, logo o que se espera das pessoas de bem
 
C) família: deve ser valorizada e protegida ao máximo, desde que esteja enquadrada no modelo que as marcas de margarinas elegeram para estampar seus comerciais. Quem fugir um pouquinho desse esquema está ferrado, pois há fortes tendências a criar filhos desviados. Ao menos que sejam ricos. Nesse último caso, o modelo fica mais liberal.

D) religião: é a cristã, o resto é seita.
 
E) cristianismo: parte de princípios que a direita e a ala mais conservadora da sociedade elegeram, independentemente do que Cristo realmente pregou ou praticou

F) história: é a versão que o exército quer dar aos fatos

G) educação: é o que o governo quer que o aluno aprenda, sem possibilidade de provocar “senso crítico” nos jovens. O mercado não quer jovens com capacidade de criticar, logo é papel do Estado assegurar uma massa de robôs que tenham colocação nas empresas.

H) corrupção: só existe quando praticada pelo PT

I) imprensa livre: a que está a serviço do governo. O jornalista amigo que combina perguntas e respostas com o entrevistado. O resto deve ser banido, por ser comprometido ideologicamente.

J) oposição: espécie em extinção no campo da política. Faz mal à democracia, pois significa torcer contra o país
 
K) nacionalismo: no caso do Brasil, é enaltecer o país, mas seguir o que determina o capital estrangeiro

L) sexualidade: cada um exercita a sua, desde que seja com absoluta discrição, mas a normal é a que as igrejas pentecostais apontam como tal

M) terrorismo: protestar contra o governo, ainda que pacificamente. Se mudar para um governo de esquerda, os protestos voltam a ser sinônimo de exercício de cidadania

N) segurança pública: é armar a população rica e dar carta branca pra polícia sair atirando, mesmo com o risco de matar inocentes (se forem pobres, claro)

O) democracia: é eleger um governo de extrema direita. Eleger um governo de esquerda, eventualmente, é fraude eleitoral

P) trabalhador: é o escravo. Aquele que labuta, mas quer direitos, é o aproveitador, que impede o crescimento da economia do país

Q) sindicatos: grupos de baderneiros que não gostam de trabalhar. Emperram o desenvolvimento econômico do país, insuflando os trabalhadores a exigirem privilégios exagerados dos patrões.

R) Justiça do Trabalho: órgão que faz o empresariado ser refém dos sindicatos e dos trabalhadores que ousam cobrar o que a lei lhes assegura. Impõe sanções injustas àqueles que não cumprem com os deveres legais, enriquecendo os desaforados que resolveram cobrar o que é seu. Formado por um contingente de juízes pouco espertos, ou tendenciosos, que não sabem detectar, ou coibir abusos das partes.

S) MPT: outro bando de baderneiros, responsáveis pela crise econômica no Brasil. E recebem dos cofres públicos para isso!! Está em vias de extinção, junto com a Justiça do Trabalho

T) Judiciário imparcial: aquele que é contra o PT

S) direitos: os exercidos pelas camadas mais abastadas da sociedade. Quando voltados aos pobres transmudam-se em privilégios, especialmente se forem sob a forma de programas sociais do governo

U) pessoas de bem: aquelas que seguem a cartilha da extrema direita

V) separação de poderes: sistema em desuso. Afinal, quando os interesses do Executivo são contrariados pelo Judiciário, ou pelo Legislativo ocorre uma verdadeira traição aos objetivos do país!

W) meio ambiente: algo a ser protegido, a menos que entre em choque com os interesses do capital. Não mais se admite que caprichos de ambientalistas criem obstáculos à indústria, à mineração e ao agronegócio

X) Constituição Federal: dura o tempo que o governo quiser e enquanto estiver sendo “interpretada” de acordo com seus interesses

Y) mulher: deve ser amada e respeitada enquanto segue o modelo “anos 50”. O resto é vagabunda

Z) povo: massa de manobra
DITA   DOR
DITA ORDEM
ORDENADOR
ORDENA  DOR
ORDEM NA   DOR
DITADOR

(Abílio-José Santos, poeta português, c. 1970)
Escola sem partido (parte dois) - Leandro Karnal

(...) A neutralidade é um desejo e uma meta, jamais realizável na sua integridade. Todo cientista, todo saber, todo profissional deveria buscar a maior isenção pessoal possível e eliminar a maior quantidade da sua subjetividade possível. Neutralidade é uma meta. Todo ser humano nasce em uma inserção histórica, tem uma renda específica, uma orientação religiosa, uma identidade étnica, uma orientação sexual, uma visão de mundo e uma língua materna. Ele sempre expressará algo a partir de tal realidade. A língua não é neutra e o conhecimento não é neutro. (...) Se pensarmos em verdade como a parte cognoscível do real, entre mim e o real existe um sujeito e toda mediação implicará um sujeito que é mutável e histórico.

Vamos pensar por exemplos. (...) Quando dizemos que o juiz deve ser imparcial/neutro no julgamento, significaria que ele não parte de um pressuposto anterior, todavia segue uma busca de justiça que pode favorecer ou não o réu. Isso implica dizer que o juiz determina que o sistema legal maior e seus dispositivos constitui um grau maior de objetividade (ou de menor subjetividade a partir de regras conhecidas) do que as envolvidas no litígio. A subjetividade jurídica serviria para equilibrar as subjetividades das partes do processo. A questão maior é onde eu coloco meu ideal de subjetividade. Legisladores com opções políticas e partidárias muito claras elaboraram uma lei subjetiva. O juiz (que também possui opiniões e vivências políticas) deve introduzir nova subjetividade diante das duas subjetividades das partes envolvidas.

Sempre é importante lembrar: todo juiz de futebol torce para um time. Seu objetivo é, ao apitar um jogo, evitar o máximo possível que suas subjetividades interfiram demais na subjetividade das regras do futebol. E de novo: objetividade é desejável; jamais realizável em padrão total.

Quando eu utilizo a palavra "ideologia" (exemplo: "o ensino de tal professor é ideológico") eu parto de um conceito de que ideologia seria a distorção de um dado real a partir de uma subjetividade prévia. Ora, toda fala, ensino, texto ou posição é fruto de um conjunto de crenças e vivências anteriores.

A língua possui ideologia prévia ao estipular que o Deus cristão seja grafado com maiúscula e os deuses gregos com minúsculas. A gramática foi, ideologicamente, cristianizada. Quando eu leciono para uma turma de 50 pessoas de diferentes gêneros e digo “Atenção, alunos”, a gramática optou pelo masculino em função de elaborações ideológicas de fundo masculino. Por que o grupo menor numérico (homens) domina sobre o grupo maior (mulheres)? Há ideologia na língua, nas roupas e nas crenças. Quando eu organizo um currículo escolar enfatizando A ou B, faço opções prévias e subjetivas.

Sempre acreditei que a principal função do ensino não seria realizar a plena neutralidade, mas desvendar as ideologias presentes nas ações e discursos nossos e do mundo. (...) Todo recorte apresenta limites. O ideal em uma boa aula não seria a neutralidade (em si já uma ideologia) mas a análise dos andaimes de cada ideologia, a análise da construção do que os alemães chamavam de visão de mundo ou cosmovisão (Weltanschauung). (...)
"Se você é sexista, racista, homofóbico ou basicamente um idiota, não compre este CD [In Utero]. Eu não me importo se você gosta de mim, eu odeio você." - Kurt Cobain
"Sou professora há 28 anos. Trabalhei em escolas públicas e particulares. Com crianças e adolescentes. Vivi muita coisa nesse tempo e vou lhes dizer algo importante sobre educação sexual: Sabe a quem interessa que sua criança não tenha educação sexual? Aos pedófilos." (@sreginabarbosa)

"Quem ensina sexo é papai e mamãe. E ponto final." (Presidente da República Federativa do Brasil)
"Estou louca para conhecer Porto Alegre para sentir frio", disse a senhora, em Belo Horizonte, onde estava 16ºC enquanto em Porto Alegre estava 32ºC.
' ' Eunício disse a Paulo Guedes que obedece à vontade da maioria dos pares, vocalizada pelos líderes de bancada, e por isso não poderia pautar a matéria de qualquer jeito. Lembrou ainda que há prioridades como a votação do orçamento para 2019, que costuma centralizar as atenções dos parlamentares no meio e no fim de cada ano. A conversa começou "em tom ameno" e depois se tornou ríspida, disse o senador.

"Ele olhou para mim e disse que orçamento não é importante, importante é aprovar reforma da Previdência. [...] Ele me disse: 'Vocês não aprovam orçamento, orçamento eu não quero que aprove não'. Mas não é o senhor querer, a Constituição diz que só podemos sair em recesso após a aprovação", relatou Eunício, acrescentando ter sido interrompido quando falou sobre a impossibilidade de recesso parlamentar sem a aprovação do orçamento.

"Não, eu só quero reforma da Previdência. Se vocês não fizerem vou culpar esse governo. Vou culpar esse Congresso e o PT volta, e vocês vão ser responsáveis pela volta do PT", bradou o economista, sempre segundo o relato do presidente do Senado.

(...) o mal-estar aumentou depois da solenidade dos 30 anos da Constituição, quando Guedes declarou os jornalistas, na entrada do Ministério da Fazenda, que uma "prensa" tinha que ser dada no Senado para que a reforma da Previdência fosse logo votada. A declaração soou, para além de pressão, como ameaça.

"Ele foi lá para a porta do Ministério da Fazenda e disse que tem que dar uma prensa. Eu digo que aqui ninguém dá prensa. Aqui você convence, discute, ganha, perde. Agora, prensa ninguém vai dar em mim", rebateu Eunício. ' ' (Congresso em Foco)

domingo, 18 de novembro de 2018

"Se alguém está te julgando, lamente por ele. Algo terrivelmente feio está dentro de sua alma, assustando-o." (Yoko Ono)
"Em política, não existe indicação para qualquer coisa que não seja política. Não existe política externa sem orientação ideológica. Nenhuma. Um real pago por cada 'sem viés ideológico' salvaria a Previdência. Faz parte da derrocada cognitiva aceitar repetir esses conceitos tortos." (@flaviamarreiro)
"A crise não é econômica, não é política, nem ética. A grande crise é a falta de sensibilidade dos seres humanos para com outros seres humanos." (Betinho)
“O climatismo diz: ‘Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos individuais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?'.” (Ministro Ernesto Henrique Fraga Araújo)
Os eleitores do Bolsonaro - maioria dos eleitores brasileiros que decidiram votar em alguém - podem ser resumidos por uma característica: mimados. (Logo eles, que reclamam tanto do "mimimi"; o "mimimi" os fazem se sentirem "oprimidos", mas eles querem ser os "opressores", os reizinhos.) Eles querem poder fazer qualquer coisa que quiserem. Qualquer responsabilidade ética eles consideram ditadura: ter respeito com os outros, cuidar do meio ambiente, não matar, etc. Como escreveu o Leandro Demoro, no Intercept: "Jogue uma lata de Coca-Cola no chão e liberte-se." É patético e infantil. O conceito de liberdade deles só inclui o próprio umbiguinho.
'' Abri o TweetDeck e fiz uma busca no perfil oficial @jairbolsonaro: digitei “direitos humanos” entre aspas. Bolsonaro usou as duas palavras combinadas exatas 53 vezes desde janeiro de 2013, quando falou pela primeira vez sobre o assunto no Twitter. Teve 55 retuítes e dois likes. As palavras associadas a “direitos humanos” em todas as suas manifestações desde então vão de “CANALHADA dos direitos humanos” a “ESTERCO DA VAGABUNDAGEM”, assim mesmo em letras maiúsculas. Sabem quantas vezes ele usou as palavras em tom positivo? Só uma, justamente quando resolveu madreteresamente defender os direitos humanos dos médicos cubanos. Teve 16 mil retuítes e 89 mil likes. Lacrou para os seus 2 milhões de seguidores, enquanto mais de 20 milhões de pessoas na vida real temem ficar sem médico já em janeiro. Mas tudo bem se vai tudo bem no Twitter da bolsosfera. '' (Leandro Demori/The Intercept Brasil)