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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005

The Killers

Sim: são NY-rock e ousam utilizando teclados house
Não: o vocalista emula The Cure e Franz Ferdinand

Franz Ferdinand é dose.
(Lembrança nunca tida antes.) Eu chorava porque não queria ficar longe da minha mãe quando entrei na 1ª série, mas ao mesmo tempo eu sabia que estava "errando", eu já tinha o senso da responsabilidade, e a minha atitude, contrária ao "dever", já provocava em mim, aos 5 anos, a auto-penitência, a raiva de mim mesmo. Era ambivalente. Todas as minhas limitações emocionais, em virtude da insegurança, sempre me foram punições em dobro, por causa dessa consciência tão precoce quanto a minha inteligência e as minhas obrigações sociais, não-compatíveis com o meu desenvolvimento psicológico, até meados da universidade.
Eu acho ela bonita.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2005



Agora eu sei qual é o livro misterioso que eu vi na Bamboletras, todo fora de foco (tem textos e imagens, tudo fora de foco; assim, conceitual apenas): Velázquez, do artista plástico mineiro de vanguarda Waltércio Caldas. São R$ 100 para ter algo que deixar numa mesa de centro e desconcertar as visitas. Mas é tão impressionante que se fosse mais barato eu pensaria em comprar.
A VOLTA DA "BIZZ". Não será uma revista de música convencional, dessas com matérias de grupos da hora, seção de lançamentos, notas curtas... A partir de março agora, todo mês vão chegar pelo menos um produto Bizz (pode ser mais) voltado na grande maioria ao rock, uma espécie de "edições especiais" temáticas, sendo que o tema aí pode ser uma banda, uma tendência, uma data, um hype. No estilo dos especiais da "Q", da "Rolling Stone". Um dos números iniciais, parece, é o das 100 melhores capas de disco da história. (LR)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005

"Lei contra o cristianismo. (...) Art. 3º - O local amaldiçoado onde o cristianismo chocou seus ovos de basilisco deve ser demolido e transformado no lugar mais infame da Terra, constituirá motivo de pavor para a posteridade. Lá devem ser criadas cobras venenosas." (NIETZSCHE)
"Em verdade, o fim pelo qual [a finalidade pela qual] se mente faz uma grande diferença: se com isso preserva ou destrói." (NIETZSCHE)
"Talvez as convicções sejam inimigas mais perigosas à verdade que as mentiras (Humano, Demasiado Humano, Aforismo 483(1)). Desta vez pretendo colocar a questão definitiva: existe, de modo geral, alguma diferença entre uma mentira e uma convicção? - Todo o mundo acredita que sim. (...) A espécie mais comum de mentira é aquela com a qual nos enganamos a nós mesmos: mentir aos outros é algo relativamente raro." (NIETZSCHE)
"A fé na realidade não move montanhas, mas as constrói onde antes não existiam: tudo isso fica bastante evidente após uma breve visita a um hospício." (NIETZSCHE)
"Que sucedeu? O velho Deus foi acometido por um pavor mortal. O próprio homem havia sido seu maior erro; criou para si um rival; a ciência torna os homens divinos - tudo se arruína para padres e deuses quando o homem torna-se científico! - Moral: a ciência é proibida per se; somente ela é proibida. A ciência é o primeiro dos pecados, o germe de todos os pecados, o pecado original. Toda a moral é apenas isto: 'Tu não conhecerás' - o resto deduz-se disso." (NIETZSCHE)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

SEX



SÁB



DOM

Sabe o que esta coluna vem assoprando desde dezembro, sobre a vinda da banda britânica Placebo ao Brasil?

Então: multiplica por oito...

O adorado grupo de Londres vai mesmo tocar no país em abril, em OITO cidades brasileiras, este espaço apurou. A tão-esperada vinda da banda do dândi Brian Molko vai ganhar confirmação oficial na segunda-feira da semana que vem.

A notícia é MUITO MAIOR. A missão do Placebo no Brasil é percorrer oito cidades brasileiras para encabeçar toda a primeira fase de um festival gigante de rock que a companhia de celulares Claro pretende realizar em setembro, sob o nome Claro Que É Rock. A Claro trabalha para trazer bandas mega como Radiohead, Strokes e Audioslave para agitar a cena brasileira e entrar em choque direto com o festival "irmão" Tim Festival, outro superevento com nome de celular que costuma ocorrer em data bem próxima: outubro ou novembro.

* BANDAS INDIE -- Esta primeira fase, em abril, com o Placebo de grande atração em oito cidades, fará parte de uma seletiva de bandas nacionais que tocarão no festival maior, em setembro, em um palco que será dedicado à música independente.

As cidades por onde passarão o Placebo e novas bandas nacionais de rock são São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Brasília e Ribeirão Preto.

A informação sobre como ocorrerão as inscrições de bandas nacionais nas seletivas da Claro Que É Rock será dada na semana que vem, quando for feito o anúncio da turnê brasileira do Placebo.
(LR)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

O que eu suspeitava estava certo, ainda bem: Lunasigh (Pelagio neste caso) é bom de escutar no discman.
Gaúcho vira 'midas' da cena goiana

Uma das fragilidades da criação musical da cena roqueira goiana, a produção dos discos, começa a mudar pelas mãos de um "gringo" do Rio Grande do Sul. Músico ligado à cena roqueira de Porto Alegre, baterista da banda Tom Bloch, Iuri Freiberger tem sido o nome por trás da nova leva de álbuns do rock feito em Goiás. Tem até passado temporadas na capital para trabalhar em novas produções dos grupos locais.

Além do MQN, Freiberger já produziu por aqui a dupla Réu e Condenado (única não lançada pela Monstro) e finaliza os novos discos do Violins, Mechanics e Barfly. Vai produzir também o novo do Valentina, grupo com quem tem tocado bateria em shows. Saiu também das mãos dele discos de bandas de outros Estados lançados pela Monstro Discos, caso da brasilienses Prot(o) e das gaúchas Walverdes e Irmãos Rocha. O início em produção, contou ele, foi com um disco do conterrâneo Frank Jorge, em 2000.

Depois da MQN, o produtor recebeu convites para produzir outros grupos da capital, tanto da "geração Mostro" como outros do rock-pop da cidade, como Casa Bizantina, cuja negociação está em andamento. Enquanto produz os discos, Iuri aproveita para tocar por aqui. Além dos shows com o Valentina, tocou no disco de blues que Dênio de Paula prepara e no novo da volta da veterana Plebe Rude, de Brasília.

Freiberger concorda com a tese de que faltam produtores preparados para o rock feito na cidade. "Falta material humano, know how, imagino que seja pela falta de histórico do próprio rock por aqui, que é coisa recente", avalia. Mas ele enxerga em Goiás um diferencial em relação aos outros Estados brasileiros, inclusive à cidade dele.

"Porto Alegre alimenta um starsystem que acabou no mundo. Acho que os músicos goianos têm mais o pé no chão. É gente que quer o sucesso, mas não a qualquer preço. Acho até que não existe no Brasil essa coisa tão alternativa como se prega, mas eles têm uma relação diferente com a música", afirmou Freiberger. Freiberger tem fama de respeitar o som das bandas que produz. Ele diz que procura ouvir antes o que vai produzir e saber o que os músicos querem de um disco.

"É como pizza, tem gente que gosta de quatro queijos com orégano e outros sem. A tecnologia ajuda nessas horas, em que eles não têm tanta grana para gastar em estúdio", falou sobre as adaptações que costuma fazer para as gravações. O toque final vem na mixagem, que ele já faz nos programas que carrega no laptop (Pro Tools e Logic Audio, seu preferido). (O Popular, de Goiás)
Por causa das suas dores de estômago (que segundo ele os médicos consideravam raras e inexplicáveis), o Kurt queria chamar um próximo disco do Nirvana, duplo e conceitual, de Cobain's Desease, "uma ópera rock sobre vomitar suco gástrico".
"Quando centro de gravidade da vida é colocado, não nela mesma, mas no 'além' - no nada -, então se retirou da vida o seu centro de gravidade. A grande mentira da imortalidade pessoal destrói toda razão, todo instinto natural - tudo que há nos instintos que seja benéfico, vivificante, que assegure o futuro, agora é causa de desconfiança." (NIETZSCHE)
"No fundo só existiu um cristão, e ele morreu na cruz. (...) Apenas a prática cristã, a vida vivida por aquele que morreu na cruz, é cristã. (...) Reduzir o ato ser cristão, o estado de cristianismo, a uma aceitação da verdade, a um mero fenômeno de consciência [a fé], equivale a formular uma negação do cristianismo. De fato, não existem cristãos. O 'cristão' - aquele que por dois mil anos passou-se por cristão - é simplesmente uma auto-ilusão psicológica." (NIETZSCHE)
"O 'reino dos céus' é um estado de espírito - não algo que virá 'além do mundo' ou 'após a morte'." (NIETZSCHE)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005

Uma verdade que o Douglinhas, mimado, nunca quis admitir: sempre quis estender o presente bom para o futuro, o que só trazia frustração. Já o Douglas está aprendendo, aos poucos.

"Desde que haja tempo, há sofrimento. Você tem um futuro desde que tenha um passado, e ainda que esteja apaixonado pelo presente, ele se tornará passado, seja como for." (CAMPBELL)
Spam?

1) O que é um cigarro de maconha feito com papel de jornal?
Baseado em fatos reais.
2) Qual é o fim da picada?
Quando o mosquito vai embora.
4) Qual é a comida que liga e desliga?
O Strog-ON-OFF.
17) Por que as estrelas não fazem miau?
Por que Astro-no-mia.
18) Por que a vaca foi para o espaço?
Para se encontrar com o vácuo.
19) O que o espermatozóide falou para o óvulo! ?
Deixa-me morar com você porque a minha casa é um saco!!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005

With Teeth é o novo título do sucessor de The Fragile, dos Nine Inch Mails. E esta é a lista final das músicas, que já estão gravadas:

01 All the Love in the World
02 You Know What You Are?
03 The Collector
04 The Hand that Feeds
05 Love Is Not Enough
06 Every Day Is Exactly the Same
07 With Teeth
08 Only
09 Getting Smaller
10 Sunspots
11 The Line Begins to Blur
12 Beside You in Time
13 Right Where It Belongs
Carreiras profissionais.

"Que espécie de vida é essa? Que tipo de sucesso é esse que o obrigou a nunca fazer nada do que quis, em toda a sua vida? Eu sempre recomendo aos meus alunos: Vão aonde o seu corpo e a sua alma desejam ir." (CAMPBELL)
"Em idéias, a maioria está sempre errada. A função da maioria, no que diz respeito às coisas do espírito, é tentar ouvir e abrir-se para alguém que tenha tido uma experiência para além de nutrição, proteção, procriação e riqueza." (CAMPBELL)
"Sente-se numa sala e leia - leia, leia, leia. E leia os livros certos escritos pelas pessoas certas. Sua mente será levada a esse nível [transcendente], e você terá, o tempo todo, um enlevo agradável, suave, cálido. Essa compreensão da vida pode ser uma compreensão constante em seu viver. Quando você encontrar um autor que o prenda de verdade, leia tudo o que ele escreveu. (...) Leia apenas o que esse determinado autor tem a lhe oferecer. Depois você poderá ler o que ele tenha lido. Então o mundo se abrirá, em coerência com um certo ponto de vista. Mas quando você salta de autor para outro, isso o habilita a dizer em que data cada um deles escreveu este ou aquele poema - mas nenhum deles lhe terá dito nada." (CAMPBELL)
There is no
life I know
that compares
with pure
imagination



Oompa loompa, doompa dee doo
I've got a perfect puzzle for you
Oompa loompa, doompa dee dee
If you are wise, you listen to me

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Lisa Yuskavage: arte erótica muito arte e muito erótica.
"O padre usa o nome de Deus em vão: chama o estado da sociedade humana no qual ele próprio determina o valor de todas as coisas de 'o reino de Deus'; chama os meios através dos quais esse estado é alcançado de 'vontade de Deus'; com um cinismo glacial, avalia todos povos, todas épocas e todos indivíduos através de seu grau de subserviência ou oposição do poder da ordem sacerdotal. (...) Reduziram todos grandes acontecimentos à estúpida fórmula: 'obedientes ou desobedientes a Deus'. E foram mais adiante: a 'vontade de Deus' (em outras palavras, as condições necessárias para a preservação do poder dos padres) tinha de ser determinada - e para tal fim necessitavam de uma 'revelação'. Dizendo de modo mais claro, uma enorme fraude literária teve de ser perpetrada, 'sagradas escrituras' tiveram de ser forjadas . . . A desobediência a Deus, ou seja, a desobediência ao padre, à lei, agora porta o nome de 'pecado'; os meios prescritos para a 'reconciliação com Deus' são, é claro, precisamente os que induzem mais eficientemente um indivíduo a sujeitar-se ao padre; apenas ele 'salva'. Considerados psicologicamente, os 'pecados' são indispensáveis em toda sociedade organizada sobre fundamentos eclesiásticos; são os únicos instrumentos confiáveis de poder; o padre vive do pecado; tem necessidade de que existam 'pecadores'... Axioma Supremo: 'Deus perdoa a todo aquele que faz penitência' - ou, em outras palavras, a todo aquele que se submete ao padre." (NIETZSCHE)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005



Maya: Wow, this is really starting to open up, what do you think? I started to appreciate the life of wine, that it's a living thing, that it connects you more to life. I like to think about what was going on the year the grapes were growing. I like the think about how the sun was shining that summer and what the weather was like. I think about all those people who tended and picked the grapes. And if it's an old wine, how many of them must be dead by now. I love how wine continues to evolve, how if I open a bottle the wine will taste different than if I had uncorked it on any other day, or at any other moment. A bottle of wine is like life itself - it grows up, evolves and gains complexity. Then it tastes so fucking good.
Dia 27 torceremos para a Kate Winslet como melhor atriz e para o ESOASM (BEDUMSL), do Charlie Kaufman, como melhor roteiro adaptado. Pretendemos fazer uma reunião lá em casa. Faltam 17 dias para o Oscar e as minhas férias.
Audição dos discos de bandas portuguesas que a Katia me deu.

> Gostei, mas são derivados (Divine Comedy, Nick Cave, Leonard Cohen, Supergrass):
>
>> > > 04 The Gift - Nowadays
>> > > 05 Silence 4 - Where Are You?
>> > > 06 Raindogs - In The City
>> > > 07 David Fonseca - In Love With Myself
>> > > 15 Austin - Shine Off
>> > > 16 Plastica - Honey Honey
>
> Adorei:
>
>> > > 08 Pop Dell Arte - Mrs Tyler
>> > > 13 Ornatos Violeta - Tanque
>> > > 18 Blind Zero - (Entertainment)
>> > > 20 Mão Morta - Cárcere
>> > > 13 Méchanosphére - Engenhos
>> > > 16 Stowaways - Rended Boy

Comentários da Katia.

> Blind Zero pode te desapontar. Eu não gosto
> especialmente deles, mas
> essa música é boa. Não sei se tu gostaria do resto.

> Os outros que tu adorou são foda... Mechanosphere é
> projeto do Adolfo [Luxúria Canibal]
> (do MM) com um belga (ou frances? sempre confundo).
"Isso [ter um lugar sagrado], hoje, é uma necessidade absoluta para qualquer um. Você precisa de um quarto, uma determinada hora ou um certo dia em que não leu as notícias da manhã, não sabe quem são seus amigos, não sabe o que deve a quem quer que seja, nem o que lhe devem. É um lugar onde simplesmente você vivencia e traz à tona o que você é e o que pode ser. É o lugar da criação incubativa. No início, você pode achar que nada acontece. Mas se você tem um lugar sagrado e se serve dele, alguma coisa eventualmente acontecerá." (CAMPBELL, Joseph. O poder do mito.)
A passagem do trensurb subiu de R$ 0,75 para R$ 1,10.
O meu humor não anda muito bem. Eu gostaria de conseguir preservar os que me amam, que comigo convivem. O mau humor me faz materializá-lo em verbalizações de coisas não necessariamente falsas, mas que estão bem longe de serem a verdade pura. Nessas horas, eu penso em Why I Can't Be Good? (o Lou Reed cantando no filme do Wim Wenders). E por falar em anjos, ainda bem que eles existem: a Manuela, que até nome de anjo tem, é a que me acompanha sempre e que me guarda, que sussurra no meu ouvido no momento em que eu o aponto para a imagem dela na minha alma; e, eu fico feliz por ter conhecido a Bruna, que deixa os meus dias de trabalho menos entediantes, e que hoje [ontem] me escreveu palavras bonitas, parece que adivinhando que eu precisava delas. Agora chega de falar porque tudo o que sai de mim parece feio e não apropriado. Sei que passa.
"A virtude deve ser nossa invenção; deve surgir de nossa necessidade pessoal e em nossa defesa. (...)

"O que destrói um homem mais rapidamente que trabalhar, pensar e sentir sem uma necessidade interna, sem um profundo desejo pessoal, sem prazer - como um mero autômato do dever? Essa é tanto uma receita para a décadence quanto para a idiotice." (NIETZSCHE)
"O budismo é a única religião genuinamente positiva que pode ser encontrada na História, e isso se aplica até mesmo à sua epistemologia (que é um fenomenalismo estrito) - ele não fala sobre 'a luta contra o pecado', mas, rendendo-se à realidade, diz 'a luta contra o sofrimento'. (...) Nos ensinamentos de Buda o egoísmo é um dever. A 'única coisa necessária', a questão 'como posso me libertar do sofrimento', é o que rege e determina toda a dieta espiritual. (...) O Budismo, eu repito, é uma centena de vezes mais austero, mais honesto, mais objetivo. Não precisa mais justificar suas aflições, sua suscetibilidade ao sofrimento, interpretando essas coisas em termos de pecado - simplesmente diz o que simplesmente pensa: 'eu sofro'. Para o bárbaro, entretanto, o sofrimento em si é pouco compreensível: o que necessita é, em primeiro lugar, uma explicação sobre o porquê de seu sofrimento (o seu instinto leva-o a negar completamente seu sofrimento, ou a suportá-lo em silêncio). Aqui a palavra 'Diabo' era uma bênção: o homem devia possuir um inimigo onipotente e terrível - não havia motivos para envergonhar-se por sofrer nas mãos de tal inimigo." (NIETZSCHE)
"A compaixão contraria inteiramente lei da evolução, que é a lei da seleção natural. Esse instinto depressor e contagioso opõe-se a todos os instintos que se empenham na preservação e aperfeiçoamento da vida: no papel de defensor dos miseráveis, é um agente primário na promoção da decadência - compaixão persuade à extinção.

"Onde quer que a influência dos teólogos seja sentida, há uma transmutação de valores, os conceitos de 'verdadeiro' e 'falso' são forçados a inverter suas posições: tudo que é mais prejudicial à vida é nomeado 'verdadeiro', tudo que a exalta, a intensifica, a afirma, a justifica e a torna triunfante é nomeado 'falso'." (NIETZSCHE, Friedrich. O anticristo.)

Vide o 'núcleo dos religiosos' no filme Breaking The Waves (Ondas Do Destino), se não me engano o primeiro do maestro dinamarquês Lars Von Trier. Assisti-lhe hoje de manhã. Uma paulada - mais uma - de 160 minutos.

"É cristão todo o ódio contra o intelecto, o orgulho, a coragem, a liberdade, a libertinagem intelectual; o ódio aos sentidos, à alegria dos sentidos, à alegria em geral, é cristão." (NIETZSCHE)

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2005

"O processo da evolução não significa necessariamente elevação, melhora, fortalecimento." (Nietzsche)

(Dá-lhe Contato, Waking Life e Reality Bites!)
"O que é bom? - Tudo que aumenta, no homem, a sensação de poder*, a vontade de poder, o próprio poder. O que é mau? - Tudo que se origina da fraqueza. O que é felicidade? - A sensação de que o poder aumenta - de
que uma resistência foi superada.

" . . . que tipo de homem deve ser criado, que tipo deve ser pretendido como sendo o mais valioso, o mais digno de viver, a garantia mais segura do futuro. (...) Com muita freqüência esse foi precisamente o tipo mais temido; até ao presente foi considerado praticamente o terror dos terrores; e devido a esse terror, o tipo contrário foi desejado, cultivado e atingido: o animal doméstico, o animal de rebanho, a doentia besta humana." (NIETZSCHE)

* "Poder", em Nietzsche, não é usado com o significado da Sociologia.
Grifos meus. (Com internet bloqueada, me resta ler os e-books de filosofia que baixei.)

"As condições sob as quais sou compreendido, sob as quais sou necessariamente compreendido - conheço-as muito bem. Para suportar minha seriedade, minha paixão, é necessário possuir uma integridade intelectual levada aos limites extremos. Estar acostumado a viver no cimo das montanhas - e ver a imundície política e o nacionalismo abaixo de si. Ter se tornado indiferente; nunca perguntar se a verdade será útil ou prejudicial... Possuir uma inclinação - nascida da força - para questões que ninguém possui coragem de enfrentar; ousadia para o proibido; predestinação para o labirinto. Uma experiência de sete solidões. Ouvidos novos para música nova. Olhos novos para o mais distante. Uma consciência nova para verdades que até agora permaneceram mudas. E um desejo de economia em grande estilo - acumular sua força, seu entusiasmo... Auto-reverência, amor-próprio, absoluta liberdade para consigo... Muito bem! Apenas esses são meus leitores, meus verdadeiros leitores, meus leitores predestinados: que importância tem o resto? - O resto é somente a humanidade." (NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. O
anticristo
.)
Bertolucci é insignificante.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Eu tenho um poema Surrealista. É o Red Knight. Folheie seu Ambivalência. Ele me veio numa ida ao banheiro, na madrugada.
SEGREDOS DA ARTE MÁGICA SURREALISTA
Composição surrealista escrita, ou primeiro e último jato
(BRETON)

Mande trazer com que escrever, quando já estiver colocado no lugar mais confortável possível para concentração do seu espírito sobre si mesmo. Ponha-se no estado mais passivo ou receptivo, dos talentos de todos os outros. Pense que a literatura é um dos mais tristes caminhos que levam a tudo. Escreva depressa, sem assunto preconcebido, bastante depressa para não reprimir, e para fugir à tentação de se reler. A primeira frase vem por si, tanto é verdade que a cada segundo há uma frase estranha ao nosso pensamento consciente pedindo para ser exteriorizada. É bastante difícil decidir sobre a frase seguinte: ela participa, sem dúvida, a um só tempo, de nossa atividade consciente e da outra, admitindo-se que o fato de haver escrito a primeira supõe um mínimo de percepção. Isto não lhe importa, aliás; é aí que reside, em maior parte, o interesse do jogo surrealista. A verdade é que a pontuação se opõe, sem dúvida, à continuidade absoluta do vazamento que nos interessa, se bem que ela pareça tão necessária quanto a distribuição dos nós numa corda vibrante. Continue enquanto lhe apraz. Confie no caráter inesgotável do murmúrio. Se o silêncio ameaça cair, por uma falta da inatenção, digamos, que o leve a cometer um pequeno erro, não hesite em cortar uma linha muito clara. Após uma palavra cuja origem lhe pareça suspeita, ponha uma letra qualquer, a letra "l", por exemplo, sempre a letra "l", restabeleça o arbitrário, impondo esta letra como inicial à palavra que vem a seguir.

Em certos estados mentais patológicos, onde os distúrbios sensoriais afetam toda a atenção do doente, limita-se este, que continua a responder às perguntas, a pegar a última palavra pronunciada junto dele, ou o último membro de frase surrealista que deixou vestígio em seu espírito:

'Que idade você tem?' - Tem (Ecolalia)
'Como você se chama?' - Quarenta e cinco casas (Sintoma de Ganser, ou das respostas absurdas)
Pensamento falado.

"Certa noite então, antes de adormecer, percebi, nitidamente articulada a ponto de ser impossível mudar-lhe uma palavra, mas bem separada do ruído de qualquer voz, uma frase bem bizarra que me alcançava sem trazer indício dos acontecimentos aos quais, segundo o testemunho de minha consciência, eu estava preso, nessa ocasião, frase que me pareceu insistente, frase, se posso ousar, que batia na vidraça. Rapidamente tive a sua noção, e já me dispunha a passar adiante quando o seu caráter orgânico me reteve. Na verdade, esta frase me espantava; infelizmente não a guardei até hoje, era algo como: 'Há um homem cortado em dois pela janela', mas não poderia haver ambigüidade, acompanhada como estava pela fraca representação visual de um homem andando, e seccionado a meia altura por uma janela perpendicular ao eixo de seu corpo. Fora de dúvida era a simples aprumação no espaço de um homem debruçado à janela. Mas esta janela tendo seguido o deslocamento do homem vi que se tratava de uma imagem de tipo bastante raro e logo pensei em incorporá-la a meu material de construção poética. Assim que lhe concedi este crédito ela deu lugar a uma sucessão quase ininterrupta de frases que não me surpreenderam menos e me deixaram sob a impressão de uma tal gratuidade que me pareceu ilusório o império que até então eu mantinha sobre mim mesmo, e só pensei então em liquidar a interminável disputa travada em mim." (BRETON, André. Manifesto do Surrealismo. 1924.)

"No dia seguinte acordei cedo. Estava ainda escuro. Meus olhos estavam abertos fazia tempo, quando ouvi o relógio do apartamento inferior bater cinco horas. Quis novamente dormir mas não consegui, eu estava completamente desperto e mil coisas baralhavam na minha cabeça. De repente me vieram uns bons trechos, próprios para utilização num esboço, num folhetim; subitamente, por acaso, achei frases muito bonitas, frases como jamais escreverei. Eu as repetia lentamente, palavra por palavra, eram excelentes. E vinham mais outras. Levantei-me, peguei lápis e papel na mesa atrás de minha cama. É como se eu tivesse rompido uma veia, uma palavra seguia outra, colocava-se em seu lugar, surgiam as réplicas, em meu cérebro, eu gozava profundamente. Os pensamentos me vinham tão rapidamente e fluíam tão abundantemente que eu perdia uma porção de detalhes delicados, porque meu lápis não podia andar tão depressa, e entretanto eu me apressava, a mão sempre em movimento, eu não perdia um minuto. As frases continuavam a brotar em mim, eu estava prenhe de meu assunto." (Knut Hamsun)

"No fim do primeiro dia podíamos [Breton e Philippe Soupault] ler umas cinqüenta páginas obtidas por este meio, e começar a comparação de nossos resultados. No conjunto, os de Soupault e os meus mostravam notável analogia: mesmo vício de construção, falhas similares, mas também, de cada lado, a ilusão de um estro maravilhoso, muita emoção, escolha considerável de imagens de uma tal qualidade que não teríamos sido capazes de preparar uma só delas, mesmo com muito empenho, um pitoresco muito especial, e de um lado e de outro, alguma proposição de pungente burlesco. (...)

"SURREALISMO, s.m. Automatismo psíquico puro pelo qual se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral.

"ENCICL. Filos. O Surrealismo repousa sobre a crença na realidade superior de certas formas de associações desprezadas antes dele, na onipotência do sonho, no desempenho desinteressado do pensamento." (BRETON)
Esta vai para aqueles que quiseram me encaixar em categorias de doenças. "A saúde e a doença, se as considerarmos como juízo de valor, só com muita precaução podem ser aplicadas à espiritualidade humana, porque são conceitos biológicos e a natureza do homem não se reduz ao biológico." (MANN, Thomas. Schopenhauer.)
"O mau é aquele que, desde que nenhuma força exterior o impeça, comete o mal, isto é, um homem que não se contenta com afirmar a vontade de viver tal qual aparece em seu corpo, mas, além disso, nega a que aparece nos outros e se esforça por aniquilar-lhes a existência." (MANN, Thomas. Schopenhauer.)
"A liberdade existiria exclusivamente no transcendente, jamais no empírico, na objetivação da vontade, que repousaria no espaço, no tempo e na causalidade, no mundo." (MANN, Thomas. Schopenhauer.)
THX 1138

Estética: 10
Densidade: abaixo da média

(Assim como qualquer George Lucas.)



Em suma: ... vale a pena

A atriz principal, Maggie McOmie, foi retirada de uma lanchonete, porque nenhuma atriz em 1971 aceitava raspar o cabelo e ainda por cima ganhar apenas o piso salarial. E, o melhor, ela ficou linda sem cabelo, para interpretar a LUH 3417, companheira do THX 1138 (Robert Duvall, que disse que queria continuar os beijos nas filmagens, que ela era obrigada a pará-lo). O longa é um esforço do produtor Francis Ford Coppola de alongar o curta universitário premiado do George Lucas, THX 1138 4EB. A trilha sonora é do Lalo Schifrin.
O perigo real dos finais dos filmes. "There aren't good endings or bad endings. There are only true endings and false endings." Explicar a arte. "I wonder if my work, or any work, is capable of being scrutinized to the effect that it has." Eternidades versus atualidades. "I don't watch TV; I don't really read newspapers." Arte. "I think my movies are about nothing but emotion." (Hal Hartley)
Sua concepção deu-se por ocasião de quatro fatalidades. Duas gestações abortadas de sua mãe. Uma irmãzinha que morreu antes mesmo de começar a andar ? se sobrevivesse, seria cega, surda e muda. E um corte no pé do pai, num acampamento no Espírito Santo, enquanto ele pescava. O pai e a mãe tiveram que ficar em repouso, dentro da barraca, e lá foi mais um espermatozóide dele fecundar o óvulo dela, formando o zigoto que deu origem ao menino sete meses depois.

Outras concepções deram-se durante os 26 anos seguintes dele, Neny Becker, por ocasião de outras fatalidades. Lembrou-se da carta Morte, do tarô. Pensou no limite entre o desespero e a esperança, e uma imagem transparente formou-se em sua alma. Pensou no caos, princípio que rege o universo. E no desconhecido, princípio que rege a transcendência, como a da arte.

Nasceu de sete meses, e a mãe dele teve complicações no parto da sua quarta gestação. Por isto, o bebê ficou cinco dias longe dela e mais vinte e cinco sem o seu colo, sem o seu calor. Uma interrupção na continuidade da vida.

? A maternidade está infectada com um vírus.

? Ele é prematuro, o dr. não pode tirá-lo da encubadora. São as ordens.

O médico resolveu assumir o risco, mesmo contra a direção do hospital de Juiz de Fora. A avó de Neny, a jovem Vina, embrulhou o neto em panos, como se fosse uma mercadoria clandestina que devesse permanecer em segredo, no seu transporte, e desceu as escadas do hospital até que chegou à porta do carro que esperava para raptá-lo, dirigido pelo pai, o sr. Becker. O sr. e a sra. Becker estavam em Minas Gerais a chamado do sogro do presidente, mas logo estariam de volta à cinematograficamente pacata Vila Arthur Lange, uma Pleasant Ville que seria o berço da primeira-infância do novo e terceiro membro da família Becker.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2005


Eis os posts dos últimos dias no LiveJournal. (Ainda não decidi o que vou fazer. No LJ eu posso postar em tempo real, mas eu perco todo o histórico deste e a possibilidade de customizar o template.)
Dou o play. No mesmo - mesmo - momento, eu sou cercado por um surround de campainhas de telefone. Levanto e vou atender, comentando a ocorrência acausal em voz alta, mas não ouço ninguém quando deito o fone na minha orelha direita. Cercado por fantasmas. Continuo escrevendo no computador e lembro da minha (genial para mim próprio na época) constatação de que a primeira vez em que se escuta uma música nunca dantes escutada é insuperável: a intensidade primeva de que falava o amigo do Tim. O Aldous.

Os pés da alma seguem intuitivamente cada passo conduzido pela música e os pés dela, e, às vezes, a primeira vez em que se dança uma dança é a que menos se parece com uma primeira.

Olha, ter barba é ter companhia, porque dá para ficar brincando com ela. Mas uma daquelas que lembrem a pelagem do Capitão Caverna. Eu, por exemplo, consigo esconder tocos de lápis B6 na parte inferior da minha.

Quando eu era pequeno, gostava de esperar a passagem do sono para o sonho acariciando botões lisinhos de pijamas. Se eu for calssificado no concurso para o Legislativo, planejo ter em casa todos os botões bastantes para se gravar um álbum de qualidade em casa. Paredes com isolamento acústico, e uma bateria para eu subverter. Acho que os bateristas são os que menos subvertem. Alguns raros tocadores de guitarra tocam-na como se ela fosse um tambor, aproveitando o discurso do Krist no enterro do Kurt; mas os baquetistas da cidade parecem todos iguais. Deveriam observar mais o Orri Páll Dýrason varrendo os pratos.

Putz, acredite se quiser: o disléxico Replicador queimou seus olhos fazendo solda sem máscara e já entra na terceira semana de atraso para entregar o meu ProCo Turbo Rat. Minha tagima prata está lá em casa, esperando para "arder" - como ele, o Replicador, mesmo diz.

Como alguém consegue fazer isto com uma guitarra e um pedal? Quem não conhece Sonic Youth é a mulher do padre. Quem não aprecia/entende, é o padre em si. "Lero lero", diria a minha querida Manuela. Minha noiva, embora estejamos morando juntos, casados, há mais de um ano. Só nos falta trocarmos o anel-aliança de mão. E realizarmos um ato sagrado, num templo, seres mitologizadores que somos, eu e ela, a Manu.
"Nossa alegria diante dum sistema metafísico, nossa satisfação em presença duma construção do pensamento, em que a organização espiritual do mundo se mostra num conjunto lógico, coerente a harmônico, sempre dependem eminentemente da estética; têm a mesma origem que o prazer, que a alta satisfação, sempre serena afinal, que a atividade artística nos proporciona quando cria a ordem e a forma a nos permite abranger com a vista o caos da vida, dando-lhe transparência. A verdade e a beleza devem ser postas em relação.

"Todas as vezes que Schopenhauer evoca o sofrimento do mundo, a lamentável angústia e a fúria de viver das múltiplas encarnações do querer (ele trata disso freqüentemente e com minúcias), sua já excepcional eloqüência e seu gênio de escritor atingem os cimos mais resplandescentes e mais gélidos de sua perfeição. Fala com uma veemência decidida, com o cunho da experiência, no tom de quem sabe, de quem com isso se aterroriza e é arrebatado pela sua verdade potente." (Thomas Mann)

"O tempo é a imagem móvel da eternidade." (Platão)

"Toda a nossa experiência do mundo está submetida a três leis e condições: tempo, espaço, causalidade. A concepção das coisas que nos chega em imagem, condicionada por essas três condições, se chama, pois imanente; transcendente seria a que poderíamos atingir se a razão, voltando-se sobre si mesma, se tornasse crítica da razão." (Kant)

"As coisas do mundo, ensinava o pensador grego [Platão], não têm existência verdadeira; sempre em 'devenir', jamais são. Não valem como objetos do verdadeiro conhecimento, pois só existe conhecimento que é em si, por si a sem mudança; ora, em sua multiplicidade a na relatividade de seu ser de empréstimo, que bem se poderia chamar um não-ser, jamais podem ser senão o objeto duma opinião provocada por uma sensação. São sombras. O que só é verdadeiramente, o que não cessa de ser, sem jamais se transformar nem se perder, são os arquétipos [mitos, diria Campbell], realidades a que essas sombras correspondem, são as Idéias eternas, os protótipos de todas as coisas. Ignoram estes a multiplicidade, porque, por essência, cada um deles é único, é precisamente o original, cujas cópias ou sombras não são mais que coisas ostentando o mesmo nome que ele, coisas isoladas, perecíveis e semelhantes. (...)

"Na verdade, é ele [o artista] quem, pleno de alegria sensual e pecaminosa, pode sentir-se preso aos fenômenos do mundo, às imagens do mundo, pois sabe que pertence ao mesmo tempo ao mundo da Idéia e do Espírito, porque é o Mago, graças ao qual podem estes nos aparecer através dos fenômenos. Surge aqui a missão mediatária do artista, seu papel de mediador nas encantações herméticas entre o mundo do alto e o mundo de baixo, entre a Idéia e o fenômeno, o espírito e a sensualidade.

"A sensibilidade, os nervos, o cérebro [para Schopenhauer] seriam a expressão da vontade num dado momento de sua objetivação e a representação resultante, igualmente destinada a seu serviço, não teria mais seu fim em si, mas constituiria um simples meio, um instrumento, que pertmitiria à vontade atender a seus fins, exatamente como outros órgãos como o aparelho sexual. (...) A inteligência - independentemente de sua tarefa, que consiste em projetar um pouco de luz na vizinhança imediata da vontade e em ajudá-la em sua luta pela existência num grau mais elevado - tem por única missão servir de porta-voz à vontade, justificá-la, provê-la de motivos 'morais', em suma, racionalizar nossos instintos.

"A dor é o elemento positivo; a alegria não é mais que sua interrupção, um elemento negativo pois, e logo se transforma em tédio.

"Contudo, pode-se salvar o mundo da miséria, do erro, do engano e da penitência que é a vida; e a salvação está ao alcance do homem, que realiza a mais alta e a mais evoluída objetivação da vontade, mas também, por esta mesma razão, a mais capaz de sofrer e a mais rica de sofrimento. Crê-se que isso possa ser a morte? Muito falta para tal. A morte pertence inteiramente ao domínio dos fenômenos e do empírico, à esfera da multiplicidade e da mudança; nenhum contacto tem com a realidade transcendente e verdadeira. O que morre conosco é unicamente a individuação; a vontade, que é vontade de viver e forma o núcleo de nosso ser, não é sequer atingida por ela; tão demoradamente quanto se afirma a si mesma, poderá sempre encontrar os caminhos que dão acesso à vida. Resulta daí, digamo-lo de passagem, que o suicídio é absurdo e imoral, pois nada conserta: o que o indivíduo nega e suprime, destruindo-se, é unicamente sua individuação, mas não o erro original, a vontade de viver, que, pelo suicídio, não fez mais que tender para uma realização mais feliz. A salvação, pois, de maneira alguma se chama "morte"; liga-se a condição muito diferente. Ninguém imagina a que mediador devemos eventualmente esta bênção. É à inteligência.

"Mas a inteligência não é o produto da vontade, seu instrumento, sua luz na escuridão, a serva que lhe foi reservada? É assim e assim continua. Nem sempre, porém, nem em todos os casos. Em circunstâncias particularmente felizes - oh! pode-se mesmo dizer bem-aventuradas - em circunstâncias excepcionais por conseqüência, esse criado que é o intelecto, esse pobre servente pode tornar-se mestre de seu mestre; pode pregar-lhe uma peça, emancipar-se, tornar-se autônomo e, ao menos durante algum tempo, estabelecer sobre o mundo sua soberania. (...)

"Há um único estado em que esse milagre se realiza: o conhecimento se separa violentamente da vontade, o sujeito deixa de ser um simples indivíduo, tornando-se, puro e sem vontade, o sujeito do conhecimento. Chama-se-lhe estado estético. É uma das maiores e mais profundas experiências de Schopenhauer. (...) O prazer estético seria puro, desinteressado, livre do querer. (...)

"O estado de artista, julgava ele, a parada diante duma imagem iluminada pela Idéia, não representaria a salvação definitiva. O estado estético seria apenas uma etapa; deveria levar-nos a estado mais perfeito, em que a vontade, que no primeiro não havia encontrado mais que passageira satisfação, seria para sempre submergida pelos raios do conhecimento, expulsa do terreno e aniquilada. 0 acabamento do artista seria o santo." (Thomas Mann)
O último filme divulgado dele foi O Livro Da Vida, lá de 1998. No IMDb, há três filmes pós-1998 sobre os quais há pouca informação e outros dois: The Girl From Monday (2005) e No Such Thing (2001), do qual encontrei este cartaz (veja quem é a atriz principal).

Henry Fool, que eu revi este fim de semana, nasceu de um questionamento do Hal Hartley: o que você recebe de seu professor e o que ele apenas identifica em você? Ou seja, é sobre as influências para os artistas.

Henry Fool: We gotta talk. What the hell were you trying to do when you wrote this thing?
Simon: Nothing.
Henry Fool: Well, you know, you wrote it in a kind of iambic pentameter.
Simon: Iambic what?
Henry Fool: Verse. Look. In my opinion, this is pretty powerful stuff. Though your spelling is Neanderthal and your reasoning a little naive, your instincts are profound. But the whole thing needs to be given a more cohesive shape. It can be expanded, followed through, unified. Do you see what I'm getting at? Are you willing to commit yourself to this? To really work on it? To give it its due in the face of adversity and discouragement? To rise to the challenge you yourself have set? And don't give me that wonderstruck "I'm only a humble garbage man" bullshit, either.
Simon: It hurts to breathe.
Henry Fool: Of course it does.
Saiu o resultado da votação de melhores do ano no Screamyell, incluindo os meus votos (sim, sou eu o Douglas DIECKEL ali creditado; há uma campanha para desmagnanimizar a numerologia do meu nome). Tem duas menções à Blanched: da Katia e do Mojo (que escolheu como melhor do ano o Misery Is A Butterfly). O pós-rock internacional não recebeu nenhuma menção. Faz sentido, já que Morrissey e Wonkavision foram campeões de menções.
O rastro do teu sangue na neve. "(...) Havia começado três meses antes do casamento, num domingo de mar em que a quadrilha de Billy Sánchez tomou de assalto os vestiários de mulheres no balneário de Marbella. Nena Daconte havia acabado de fazer dezoito anos, acabava de regressar do internato de la Châtellenie, em Saint-Blaise, Suíça, falando quatro idiomas sem sotaque e com um domínio magistral do sax-tenor, e aquele era seu primeiro domingo de mar desde o regresso. Havia se despido por completo para vestir o maiô quando começou a debandada de pânico e os gritos de abordagem nas cabines vizinhas, mas não entendeu o que estava acontecendo até que a tranca de sua porta saltou aos pedaços e viu parado na sua frente o bandoleiro mais belo que alguém podia imaginar. A única coisa que vestia era uma cueca exígua de falsa pele de leopardo, e tinha o corpo agradável e elástico e a cor dourada das pessoas do mar. No pulso direito, onde tinha uma pulseira metálica de gladiador romano, trazia enrolada uma corrente de ferro que lhe servia de arma mortal, e tinha pendurada no pescoço uma medalha sem santo que palpitava em silêncio com o susto do coração. Haviam estado juntos na escola primária e quebrado muitas jarras no jogo de cabra-cega das festas de aniversário, pois ambos pertenciam à estirpe provinciana que manejava ao seu arbítrio o destino da cidade desde os tempos da colônia, mas haviam deixado de se ver tantos anos que não se reconheceram à primeira vista. Nena Daconte permaneceu de pé, imóvel, sem fazer nada para ocultar sua nudez intensa. (...)" (MÁRQUEZ, Gabriel García. Doze contos peregrinos.)