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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Edgar Morin:
A ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático compreende por que o fanático quer matá-lo, sabendo que este jamais o compreenderá. Compreender o fanático que é incapaz de nos compreender é compreender as raízes, as formas e as manifestações do fanatismo humano. É compreender porque e como se odeia ou se despreza. A ética da compreensão pede que se compreenda a incompreensão.  
A ética da compreensão pede que se argumente, que se refute em vez de excomungar e anatematizar. Encerrar na noção de traidor o que decorre da inteligibilidade mais ampla impede que se reconheça o erro, os desvios, as ideologias, as derivas.  
A compreensão não desculpa nem acusa: pede que se evite a condenação peremptória, irremediável, como se nós mesmos nunca tivéssemos conhecido a fraqueza nem cometido erros. Se soubermos compreender antes de condenar, estaremos no caminho da humanização das relações humanas.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

"Todos os países desenvolvidos sabem o perfil da sua população; aqui só nos assustamos porque nossas fantasias caíram por terra. Eu sempre suspeitei da existência dessa grande massa de egoístas conservadores escravagistas, histéricos por manter seus privilégios, golpistas secundados por apoiadores cheios de ideias de subserviência e conformismo. Não me foi surpresa, portanto, que explodissem em ódio, preconceitos e violência." (Alvaro Oxley Rocha)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

"É a mente, é o pensamento, que cria tempo. Pensamento é tempo, e o que quer que o pensamento projete deve estar no tempo; portanto, o pensamento não pode ir além dele mesmo. O pensamento só acaba quando compreendemos todo o processo do pensar e, para compreender o pensar, deve haver autoconhecimento. Para descobrir o que está além do tempo, o pensamento deve 'chegar ao fim' – e essa é a coisa mais difícil, pois o 'fim' do pensamento não chega pela disciplina, pelo controle, pela negação ou supressão." (Krishnamurti)
"O QUE ME ASSUSTA é o número imenso de eleitores(as) dispostos a votar no antipetismo, ou seja, em nada. Reitero que não sou de nenhum partido. Mas destaco que o discurso em torno dos demais candidatos no primeiro turno era desencontrado e sem fundamento. No segundo turno, piorou. Ódio puro, irracionalidade, corporativismo, estupidez pura e simples, e berreiro por uma "mudança" para uma não-proposta, ou para um candidato de fachada, sem preocupações sociais ou com a manutenção da estabilidade econômica. Espero que isso não aumente nos próximos quatro anos, porque do contrário, já temos data e hora para cair no abismo. Juro que torço para estar errado..." (Alvaro Oxley Rocha)

domingo, 26 de outubro de 2014

"O que é, é o que você é, não o que você gostaria de ser; não é o ideal, pois o ideal é fictício, mas é o que você realmente está fazendo, pensando e sentindo de momento a momento. O que é, é o real, e compreender o real requer conscientização, uma mente muito alerta, viva. Mas se nós começamos condenando o que é, se começamos a culpá-lo ou resistir a ele, então não vamos compreender seu movimento. Se eu quiser compreender alguém, não posso condená-lo – devo observá-lo, estudá-lo. Devo amar a própria coisa que estou estudando. Se você quiser compreender uma criança, deve amá-la e não condená-la. Você deve brincar com ela, ver seus movimentos, suas idiossincrasias, seus modos de comportamento; mas se você meramente condena, resiste ou a culpa, não haverá compreensão da criança. Do mesmo modo, para compreender o que é, a pessoa deve observar o que pensa, sente e faz de momento a momento. Isso é o real. Qualquer outra ação, qualquer ideal ou ação ideológica, não é o real – é, meramente, um anseio, um desejo fictício de ser alguma coisa que não existe. Assim, compreender o que é requer um estado de mente em que não há identificação ou condenação, o que significa uma mente que está alerta e, contudo, passiva." (Krishnamurti)

sábado, 25 de outubro de 2014

"O dualismo é a visão de que o bem e o mal, o sagrado e o profano, a felicidade e o sofrimento se opõem uns aos outros. De acordo com a visão da interexistência, o bem e o mal intersão. Bem é uma maneira hábil de lidar com o mal e que leva à sua transformação. Não lutamos contra. O bem e o mal são orgânicos e estão presentes juntos. Essa percepção é a única maneira de podermos remover todas as discriminações e medo. É o fundamento da prática dos treinamentos. Em seguida, os treinamentos, muito naturalmente, tornam-se a forma como vivemos e a fonte de nossa felicidade." (Thich Nhât Hanh)
"O ideal não é real, não é factual; ele é o que deveria ser, é uma coisa no futuro. Ora, o que eu digo é isto: esqueça o ideal e esteja consciente do que você é. Não vá atrás do que deveria ser, mas compreenda o que é. A compreensão daquilo que você de fato é, é muito mais importante do que ir atrás do que deveria ser. Por quê? Porque, compreendendo o que você é, inicia-se um processo espontâneo de transformação; ao passo que se tornando o que você deveria ser, não haverá mudança de fato, mas apenas a continuação da mesma coisa antiga sob uma forma diferente. Se a mente, vendo que é estúpida, tenta mudar sua estupidez para inteligência, que é o que deveria ser, é tolice, não tem significado nem realidade; é apenas a busca de uma autoprojeção, um adiamento da compreensão daquilo que é. Enquanto a mente tenta mudar sua estupidez em outra coisa, ela permanece estúpida. Mas se a mente diz: 'Eu percebo que sou estúpida e quero compreender o que é a estupidez, então vou investigá-la, observar como ela surge', e esse próprio processo de investigação gera uma transformação fundamental." (Krishnamurti)

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

"Em época de eleições, talvez eu devesse me dedicar à literatura e ao cinema. Mas não tem jeito: as eleições são um tema fascinante. Nesta eleição, contrariamente ao que todos parecem gritar, não se enfrentam visões realmente antagonistas. Paradoxalmente, o fato de que os candidatos têm visões de futuro compatíveis produz e explica o caráter raivoso da campanha. Sabemos (desde Freud) que as pequenas diferenças são as que inspiram as reações mais violentas. É o próximo mais parecido conosco que odiamos com facilidade: ninguém quer exterminar as girafas, mas podemos querer exterminar o vizinho um pouco mais escuro ou mais claro que a gente. Ou seja, os concorrentes seriam menos adversos se não compartilhassem uma mesma visão de futuro. A existência (suposta) de campos 'opostos' permite 'aderir' plenamente a um deles, e aderir – ser e sentir-se parte integrante de um grupo – é uma paixão humana quase universal, embora um tanto sinistra. A vontade de aderir a qualquer partido, igreja, torcida ou tribo é quase uma falha moral, que corresponde ao anseio de se perder numa coletividade para poder descansar da tarefa (mais árdua) de inventar pensamentos e critérios próprios. Resumindo: o próprio fato de que os dois blocos políticos não tenham alvos radicalmente diferentes alimenta uma oposição surda aos argumentos do outro, na qual a adesão encoraja cada um a renunciar à sua capacidade de pensar por conta própria." (Contardo Calligaris)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Apenas sentar
(Lama Padma Samten/Vida Simples)

É uma prática muito simples, basta sentar em silêncio e se posicionar como quiser. É comum que o corpo, ao ficar parado, sinta-se desconfortável e tenha que trocar de posição.

A mente acorda quando sentamos com a coluna bem ereta. Ainda assim, é provável que haja letargia e desinteresse alternado por energia e pensamentos intensos. A própria motivação da prática pode alternar entre interesse e desconexão.

Fundador do zen, Eihei Dogen, mestre budista japonês do século 13, é quem deu essa instrução de meditação de simplicidade extrema: "apenas sentar". O corpo flutua, a mente flutua, a energia flutua, a motivação também flutua. Haverá algum momento em que, ao persistir no treinamento, surgirá a estabilidade?

"Apenas sentar, essa é a prática fácil de um Buda, pratique o pensar além de pensar e não pensar" - segue a instrução do mestre Dogen reunida no texto sagrado Fukanzazengi, o guia de meditação dos Budas. Não parece fácil. Então qual é, afinal, o verdadeiro segredo dessas palavras?

Corpo ereto, sereno. Atenção na respiração. O ar entra, o ar sai... A consciência focada nesse movimento infindável e monótono. O ar que entra e sai é o movimento incessante do Universo, sem origem e sem fim. O ponto central da prática é que há algo estável, imóvel, vivo, mesmo dentro desse movimento infindável do mundo. Veja! Sentados, exercitamos a familiaridade com a estabilidade que não se perturba com o que flui dentro ou fora. Não é preciso parar o movimento, a natural presença serena não é perturbada. É uma presença translúcida, não perturbável.

"Minha mente e energia flutuam constantemente durante a prática, o que fazer?", perguntou ao mestre o aluno experiente. "Não se preocupe, é assim comigo também", respondeu seu mestre Tokuda San. A estabilidade não é afetada pela flutuação. Os mestres não enrijecem ou se afastam, mas flutuam em uma dança lúcida e serena em meio ao mundo.

Apenas sentar, ereto. Veja: o mundo flutua, você está sereno. Assim é a prática. Agora abra os olhos e caminhe suavemente dentro de um shopping, lúcido, com um leve sorriso. Em casa, lave a louça da pia, ponha tudo em ordem, com um sorriso. Com a mente focada, estude o que precisa estudar, com um sorriso.

Os seres ao redor iluminarão seu rosto e sua vida com compaixão e amor pelo que de profundo você encontrar neles. Tudo começa com uma prática muito simples: basta sentar ereto em silêncio. Pronto.
"Não concordo com a afirmação, hoje muito comum, de que não mais existem esquerda e direita. Acho até que quem diz isso normalmente é de direita. Minha visão política tem substrato religioso. Olhando para o futuro, acredito que enquanto houver um desvalido, enquanto perdurar a injustiça com os infortunados de qualquer natureza, teremos que pensar e repensar a história em termos de esquerda e direita. No Brasil atual, outra maneira fácil de manter clara a distinção é a seguinte: quem é de esquerda, luta para manter a soberania nacional e é socialista; quem é de direita, é entreguista e capitalista. Quem, na sua visão do social, coloca a ênfase na justiça, é de esquerda. Quem a coloca na eficácia e no lucro, é de direita." (Ariano Suassuna)


Fonoaudióloga analisa Aécio Neves nos debates.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

<< "Escutar, ou seja, ouvir com atenção, é uma atividade que muita gente entende errado. É comum pensar que basta focar em algum som e ignorar os demais. Para mim, isso não é escuta, mas deficiência controlada", explica o norteamericano Gordon Hempton, que tem 30 anos de carreira como caçador de sons e 7 mil gravações de "músicas" da natureza, cada uma com duas horas de duração. Hempton, tal como Frisch e Wrightson, é um ecologista acústico, um ambientalista preocupado em preservar a natureza física dos ambientes e a paisagem sonora composta por todos os sons que permeiam o espaço, emitidos por todos os seres. "Para mim, um ecologista acústico é, acima de tudo, uma pessoa que sabe escutar. O que fazemos é tratar todos os sons com igual importância para saber interpretá-los", afirma. (...) Hempton destaca a "ausência de pálpebras para ouvidos" nos animais. Até hoje, não se tem notícia de uma espécie que possa interromper a audição. "Se você fechar os olhos, para de ver. Mas note que não temos pálpebras nas orelhas. Nenhum animal tem. E por uma boa razão: no ambiente selvagem, é muito perigoso parar de escutar. É um processo essencial para a sobrevivência. Nascemos para escutar", explica. (...) Tente fazer uma lista de cinco sons ambientais - não músicas - escutadas hoje. Depois, escreva mais cinco sons naturais que você aprecia e cinco que não gosta. Poucos podem realizar essa tarefa. >> (Maíra Lie Chao/Revista Planeta)

<< Para o ornitólogo brasileiro Johan Dalgas Frisch, a Amazônia deveria ser mais apreciada. "O planeta Terra é uma jukebox movida a energia solar", diz. "Quanto mais luz incide sobre a superfície, mais alta é a música tocada pela natureza, por conta da captação de energia pelos painéis solares - ou seja, as folhas. Na região equatorial existe a maior incidência de raios solares, portanto a Amazônia oferece a música mais alta e mais diversa do mundo! É preciso escutá-la para acreditar", admira-se. >> (Maíra Lie Chao/Revista Planeta)
"O pensamento não pode ver a inteireza, a totalidade do problema; ele só pode ver parcialmente, e uma resposta parcial não é uma resposta completa e, portanto, não é uma solução. Quanto mais pensamos sobre um problema, quanto mais investigamos, analisamos e o discutimos mais complexo ele se torna. Então, é possível olhar um problema compreensivamente, integralmente? Como isto é possível? Porque essa, me parece, é nossa maior dificuldade. Nossos problemas estão sendo multiplicados, existe um iminente perigo de guerra, existem todos os tipos de perturbação em nossas relações, e como podemos entender isso compreensivamente, como um todo? Obviamente, isto só pode ser resolvido quando pudermos olhar como um todo – não em compartimentos, não dividido. Quando isto é possível? Certamente, só é possível quando o processo de pensar, que tem sua origem no 'eu', no ego, no resquício da tradição, do condicionamento, do preconceito, da esperança, do desespero, chegar ao fim." (Krishnamurti)

sábado, 18 de outubro de 2014

Diálogos sobre o fim do mundo
(Eliane Brum)


Antropoceno – o momento em que o homem deixa de ser agente biológico para se tornar uma força geológica, capaz de alterar a paisagem do planeta e comprometer sua própria sobrevivência como espécie e a dos outros seres vivos. Ou, dito de outro modo, o ponto de virada em que os humanos deixam de apenas temer a catástrofe para se tornar a catástrofe.

Déborah Danowski é filósofa, professora da pós-graduação da PUC do Rio de Janeiro. Pesquisa a metafísica moderna e, ultimamente, o pensamento ecológico. Eduardo Viveiros de Castro é etnólogo, professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É autor do “perspectivismo ameríndio”, contribuição que impactou a antropologia e o colocou entre os maiores antropólogos do mundo. Como disse Latour, Déborah é uma “filósofa meio ecologista”, Eduardo um “antropólogo meio filósofo”. Eduardo e Déborah são marido e mulher e pais de Irene.

Eduardo Viveiros de Castro – Até certo ponto é muito mais fácil você dar um carro para o pobre do que tirar o carro do rico. E talvez fosse muito mais fácil para o pobre aceitar que ele não pode ter um carro se o rico parasse de ter carro também. Dizendo, de fato: “Olha, lamento, você não pode mais usar, mas eu também não”. É claro que enquanto você ficar dizendo para o pobre – “Você não pode ter e eu tenho” – não dá. Ele vai dizer: “Por que vocês podem continuar a consumir seis planetas Terra e eu não posso comprar o meu carrinho?”. É preciso dissociar crescimento de igualdade, como afirma o Rodrigo Nunes (professor do Departamento de Filosofia da PUC-Rio). E sobretudo você tem que parar de superdesenvolver os países superdesenvolvidos. E a palavra tem que ser "superdesenvolvido". Porque a gente fala muito em sociedades desenvolvidas e subdesenvolvidas, como antigamente – países subdesenvolvidos, países em vias de desenvolvimento, países desenvolvidos. Nunca ninguém falou que existem países superdesenvolvidos, isto é, excessivamente desenvolvidos. É o caso dos Estados Unidos, onde um cidadão americano médio gasta o equivalente a 32 cidadãos do Quênia ou da Etiópia. A relação que sempre se faz é que, para tirar as populações da pobreza, é preciso crescer economicamente. E aí você tem um dilema: se você cresce economicamente, com uso crescente de energia fortemente poluente, como petróleo e carvão, nós vamos destruir o planeta. Assim, a luta pela igualdade não pode depender do nosso modelo de crescimento econômico mundial, do qual o Brasil, Índia e China são só as pontas mais histéricas, porque querem crescer muito rápido. O jeito como o mundo está andando não pode continuar porque se baseia numa ideia de que o crescimento pode ser infinito, quando a gente sabe que mora num mundo finito, com recursos finitos. Entretanto, eu nunca vi ninguém falar: “O crescimento vai ter que parar aqui”. Você vai ser preso se você disser isso em qualquer lugar do mundo. Eu não acho que o Brasil tenha que parar de crescer, no sentido de crescimento zero. O que o Brasil precisa, como o mundo precisa, é de uma redistribuição radical da riqueza. Quanto mais você redistribui, menos precisa crescer, no sentido de aumentar a produção. A economia capitalista está fundada no princípio de que viver economicamente é produzir riqueza, quando a questão realmente crítica é redistribuir a riqueza existente.

Eduardo – São Paulo cimentou todo o seu território, se transformou num captor térmico gigantesco, só com cimento, asfalto e carro jogando gás carbônico. Desapareceu a garoa, não existe mais a garoa em São Paulo. A Amazônia foi e está sendo desmatada por empresários paulistas. São Paulo é uma metáfora, mas não é só uma metáfora. São Paulo está destruindo a Amazônia e está sofrendo as consequências disso. Acho que São Paulo é um laboratório espetacular, no sentido não positivo da palavra. É como se estivesse passando em fast forward, acelerado, tudo o que está acontecendo no mundo. Explodiu a quantidade de carros, explodiu a poluição, explodiu a falta de água, explodiu a violência, explodiu a desigualdade. Em suma, São Paulo é uma espécie de laboratório do mundo, neste sentido. Não só São Paulo, há outras cidades iguais, mas São Paulo é a mais próxima de nós, e estamos vendo o que está acontecendo.

Eduardo – Há um pensador alemão, o Günther Anders, que foi o primeiro marido da Hannah Arendt. Ele fugiu do nazismo e virou um militante antinuclear, especialmente entre o fim da década de 40 e os anos 70. Ele diz que a arma nuclear é uma prova de que aconteceu alguma coisa com a humanidade, na medida em que ela se tornou incapaz de imaginar o que é capaz de fazer. É uma situação antiutópica. O que é um utopista? Um utopista é uma pessoa que consegue imaginar um mundo melhor, mas não consegue fazer, não conhece os meios nem sabe como. E nós estamos virando o contrário. Nós somos capazes tecnicamente de fazer coisas que não somos nem capazes de imaginar. A gente sabe fazer a bomba atômica, mas não sabe pensar a bomba atômica. O Günther Anders usa uma imagem interessante, a de que existe essa ideia em biologia da percepção de fenômenos subliminares, abaixo da linha de percepção. Tem aquela coisa que é tão baixinha, que você ouve mas não sabe que ouviu; você vê, mas não sabe que viu; como pequenas distinções de cores. São fenômenos literalmente subliminares, abaixo do limite da sua percepção. Nós, segundo ele, estamos criando uma outra coisa agora que não existia, o supraliminar. Ou seja, é tão grande, que você não consegue ver nem imaginar. A crise climática é uma dessas coisas. Como é que você vai imaginar um troço que depende de milhares de parâmetros, que é um transatlântico que está andando e tem uma massa inercial gigantesca? As pessoas ficam paralisadas. Dá uma espécie de paralisia cognitiva.

EduardoNo calendário agrícola de uma tribo indígena você sabe que está na hora de plantar porque há vários sinais da natureza. Por exemplo, o rio chegou até tal nível, o passarinho tal começou a cantar, a árvore tal começou a dar flor. E a formiga tal começou a fazer não-sei-o-quê. O que eles estão dizendo agora é que esses sinais dessincronizaram. O rio está chegando a um nível antes de o passarinho começar a cantar. E o passarinho está cantando muito antes de aquela árvore dar flor. É como se a natureza tivesse saído de eixo. E isso todos eles estão dizendo. As espécies estão se extinguindo, e a humanidade parece que continua andando para um abismo. O mundo vai, de fato, piorar para muita gente, para todo mundo. Só o que vai melhorar é a taxa de lucro de algumas empresas, e mesmo os acionistas delas vão ter que talvez tirar a casa de luxo que eles têm na Califórnia e jogar para outro lugar, porque ali vai ter pegado fogo. Se houver uma epidemia, um vírus, uma pandemia letal, violenta, tipo ebola, pode pegar todo mundo. Enquanto os sujeitos têm corpo de carne e osso, ninguém está realmente livre, por mais rico que seja, do que vai acontecer. Mas é evidente que quem vai primeiro soçobrar serão os pobres, os danados da Terra, os condenados da Terra. Algumas pessoas estão começando a se preocupar, mas não conseguem fazer parar, porque todas as outras estão empurrando. E você diz: "para, para, para!". E você não consegue. Mas há muitas iniciativas pelo mundo de gente que percebeu que os estados nacionais, ou que as grandes tecnologias gigantescas, heroicas e épicas, não vão nos salvar. E que está nas nossas mãos nos salvarmos. Não está nas mãos dos nossos responsáveis. Não temos responsáveis. A ideia de que o governo é responsável por nós, a gente já viu que não é. Ele é irresponsável. Ele toma decisões irresponsáveis, destrói riquezas que ele não pode substituir, e, portanto, há um descrédito fortíssimo nas formas de representação.

Eduardo – As pessoas acham que o crescimento diminui a pobreza. O crescimento, na verdade, produz e reproduz a pobreza. Na medida em que ele tira gente da pobreza, ele tem que criar outros pobres no lugar. O capitalismo conseguiu melhorar a condição de vida do operariado europeu porque jogou para o Terceiro Mundo as condições miseráveis. Então, era o operário daqui sendo explorado para que os pobres operários de lá fossem menos explorados.

Eduardo – O que aconteceu com a história do Brasil é que foi um processo circular de transformação de índio em pobre. Tira a terra, tira a língua, tira a religião. Aí o cara fica com o quê? Com a força de trabalho. Virou pobre. Qual foi sempre o truque da mestiçagem brasileira? Tiravam tudo, convertiam e diziam: agora, se vocês se comportarem bem, daqui a 200, 300, 400 anos, vocês vão virar brancos. Eles deixam de ser índios, mas não conseguem chegar a ser brancos. Pessoal, vocês precisam misturar para virar branco. Se vocês se esforçarem, melhorarem a raça, melhorarem o sangue, vai virar branco. O que chamam de mestiçagem é uma fraude. O nome é branqueamento. E é o que estão fazendo na Amazônia. É re-colonização. O Brasil está sendo recolonizado por ele mesmo com esse modelo sulista/europeu/americano. (...) Então, em vez de fazer o pobre ficar mais parecido com você, você tem que ajudar o pobre a ficar mais parecido com ele mesmo. O que é o pobre positivado? Não mais transformado em algo parecido comigo, mas transformado em algo que ele sempre foi, mas que impedem ele de ser ao torná-lo pobre. O quê? Índio. Temos de ajudá-los a lutar para que eles mesmos definam seu próprio rumo, em vez de nos colocarmos na posição governamental de: “Olha, eu vou tirar vocês da pobreza”. E fazendo o quê? Dando para eles consumo, consumo, consumo. Endividando, no cartão de crédito. Qual foi a grande carta de alforria que o governo Dilma deu ao pobre? O cartão de crédito. Hoje pobre tem cartão de crédito. Legal? Muito legal, sobretudo para as firmas que vendem as mercadorias que os pobres compram no cartão de crédito. Porque a Brastemp está adorando o cartão de crédito para pobre. As Casas Bahia estão nas nuvens. Porque o pobre agora pode se endividar. Eu provocava a esquerda, dizendo: “O que vocês não estão entendendo é o seguinte. Enquanto vocês tratarem o Outro como pobre, e portanto como alguém que tem que ser melhorado, educado, civilizado – porque no fundo é isso, civilizar o pobre! –, vocês vão estar sendo cúmplices de todo esse sistema de destruição do planeta que permitiu aos ricos serem ricos”.

Eliane – Vocês afirmam que os índios são especialistas em fim do mundo. E que vamos precisar aprender com eles. No livro, há até uma analogia com o filme de Lars Von Trier, no qual um planeta chamado Melancolia atinge a Terra. Vocês dizem que, em 1492, o Velho Mundo atingiu o Novo Mundo, como um planeta que vocês chamam ironicamente de Mercadoria. O que os índios podem nos ensinar sobre sobreviver ao fim do mundo?

Eduardo – Acho que os índios podem nos ensinar a repensar a relação com o mundo material, uma relação que seja menos fortemente mediada por um sistema econômico baseado na obsolescência planejada e, portanto, na acumulação de lixo como principal produto. Eles podem nos ensinar a voltar à Terra como lugar do qual depende toda a autonomia política, econômica e existencial. Em outras palavras: os índios podem nos ensinar a viver melhor em um mundo pior. Porque o mundo vai piorar. E os índios podem nos ensinar a viver com pouco, a viver portátil, e a ser tecnologicamente polivalente e flexível, em vez de depender de megamáquinas de produção de energia e de consumo de energia como nós. Quando eu falo índio é índio aqui, na Austrália, o pessoal da Nova Guiné, esquimó... Para mim, índio são todas as grandes minorias que estão fora, de alguma maneira, dessa megamáquina do capitalismo, do consumo, da produção, do trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana. Eu acho que os índios podem também nos ensinar a aceitar os imponderáveis, os imprevistos e os desastres da vida com o “pessimismo alegre” (expressão usada originalmente pelo filósofo francês François Zourabichvili, com relação a Deleuze, mas que aqui ganha outros sentidos). O pessimismo alegre caracteriza a atitude vital dos índios e demais povos que vivem à margem da civilização bipolar que é a nossa, que está sempre oscilando entre um otimismo maníaco e um desespero melancólico. Os índios podem nos ensinar a viver melhor num mundo pior. Viver é uma coisa que você tem que fazer de minuto a minuto, tem que viver o presente. E nós temos um problema, que é a dificuldade imensa em viver o presente. Os índios são pessoas que de fato vivem no presente no melhor sentido possível. Vamos tratar de viver o presente tal como ele é, enfrentando as dificuldades que ele apresenta, mas sem imaginar que a gente tem poderes messiânicos, demiúrgicos de salvar o planeta.

Eduardo – Para essa esquerda, ar, água, planta, bicho não faz parte do mundo. São pessoas completamente antropocêntricas, que veem o mundo à disposição dos homens, para ser dominado, controlado e escravizado. Então essa esquerda é uma esquerda sócia do capitalismo. Acha que é preciso levar o capitalismo até o fim, para que ele se complete, para que a industrialização se complete, para que a transformação de todos os índios do mundo em pobres se complete. Para que você então transforme o pobre em proletário, o proletário em classe revolucionária, ou seja, é uma historinha de fadas. Como se pudesse separar a parte boa da parte ruim do capitalismo. Como se fosse possível: isso aqui eu quero, isso aqui eu não quero. Outra coisa, essa esquerda fez um pacto satânico com a direita, que é o seguinte: a gente gosta dos pobres, quer melhorar a vida deles, quer melhorar o nível de renda deles, mas não vai tocar no bolso de vocês, fiquem tranquilos. É o que está dito na Carta ao Povo Brasileiro (documento escrito por Lula na campanha eleitoral de 2002). E foi exatamente isso o que aconteceu. Ou seja, os bancos nunca lucraram tanto. Veja o tamanho das algemas que a esquerda se pôs. De onde é que vai vir, então, a grana para melhorar a vida dos pobres? Só tem um lugar. Da natureza. Então você superexplora, você queima os móveis da casa. Aumentou o dinheiro disponível para dar umas migalhas para os pobres, o bolo cresceu. Não é por acaso que o Delfim Netto (ministro da Fazenda no período do chamado “Milagre Econômico Brasileiro”, na ditadura civil-militar) é um grande conselheiro do Lula. Primeiro é preciso crescer para depois distribuir. Está crescendo, está dando renda para os pobres, mas esse dinheiro não está saindo do bolso dos ricos. Está saindo da natureza, da floresta destruída. É da água que a gente está exportando para a China sob a forma de boi, de carne e de soja. O dinheiro tem que sair de algum lugar. Não está saindo de empréstimo internacional, mas está saindo de empréstimo natural. Esse empréstimo não dá para pagar. Quando a natureza vier cobrar, estaremos fritos. E a natureza está cobrando de que forma? Seca, tufão, furacão, enchente... E no Brasil ainda não chegou a barra pesada.

Eduardo – Como diz o (antropólogo) Beto Ricardo (um dos fundadores do Instituto Socioambiental), o Brasil é como se fosse dividido entre uma grande São Bernardo e uma grande Barretos. Quer dizer, a zona rural vai ser como Barretos (cidade do interior paulista onde se faz a maior festa country do país): gado, rodeio, bota, chapéu e 4X4. E a parte urbana vai ser uma grande São Bernardo (cidade do chamado ABC Paulista, onde Lula se tornou líder sindical metalúrgico nas grandes greves da virada dos anos 70 para os 80): fábricas, metalurgia, motores, carros.

Eliane – Acho que foi a Isabelle Stengers (filósofa belga) que disse que “o capitalismo pode não se preocupar com a atmosfera, mas é muito mais grave que a atmosfera não se preocupe com o capitalismo”. Você, Eduardo, afirma que é mais fácil imaginar o fim do capitalismo do que o fim do mundo, mas que teremos de imaginar os dois. Mas quem fala no fim do capitalismo é visto como alguém que está viajando, que está fora da realidade. Se essa é também uma crise de imaginação, como fazer isso, na medida em que seria imaginação contra poder?

Eduardo – Para imaginar o não fim do mundo, nós temos que imaginar o fim do capitalismo. E isso é extremamente difícil. Porque a questão do capitalismo nunca foi substituir, mas somar, sobrepor. Essa coisa de que o petróleo iria substituir o carvão, porque o petróleo é menos poluente do que o carvão, não é verdade. Está se consumindo mais carvão do que petróleo. Agora está se usando energia nuclear, energia eólica, energia solar. Isso não baixou o consumo de petróleo. O que está acontecendo é que nós estamos acrescentando fontes de energia, ou seja, não para nunca. Quanto mais melhor.

Eduardo – Reconhecer direitos aos demais viventes não é reconhecer direitos humanos aos demais viventes. É reconhecer direitos característicos e próprios daquelas diferentes formas de vida. Os direitos de uma árvore não são os mesmos direitos de um cidadão brasileiro da espécie homo sapiens. O que não quer dizer, entretanto, que ela não tenha direitos. Por exemplo, o direito à existência, que só pode ser negado sob condições que exigem reflexão. Os índios não acham que as árvores são iguais a eles. O que eles acham simplesmente é que você não faz nada impunemente. Todo ser vivo, com exceção dos vegetais, tem que tirar a vida de um outro ser vivo para sobreviver. A diferença está no fato de que os índios sabem disso. E sabem que isso é algo sério. Nós estamos acostumados a fazer a nossa caça nos supermercados, não somos mais capazes de olhar de frente uma galinha antes de matá-la para comer. Assim, perdemos a consciência de que nós vivemos num mundo em que viver é perigoso e traz consequências. E que comer tem consequências. Os animais seriam pessoas no sentido de que eles possuem valor intrínseco, eles têm direito à vida, e só podemos tirar a vida deles quando a nossa vida depende disso. Isso é uma coisa que, para os índios, é absolutamente claro. Se você matar à toa, você vai ter problemas. Eles não estão dizendo que é tudo igual. Eles estão dizendo que tudo possui um valor intrínseco e que mexer com isso envolve você mesmo. Acho que o símbolo da nossa relação com o mundo, hoje, é o tipo de guerra que os Estados Unidos fazem com os drones, aqueles aviões não tripulados, ou apertando um botão. Ou seja, você nem vê a desgraça que você está produzindo. Nós todos, hoje, estamos numa relação com o mundo cujo símbolo seria o drone. A pessoa está lá nos Estados Unidos apertando um botão num computador, aquilo vai lá para o Paquistão, joga uma bomba em cima de uma escola, e a pessoa que apertou o botão não está nem sabendo o que está acontecendo. Ou seja, nós estamos distantes. As consequências de nossas ações estão cada vez mais separadas das nossas ações. O índio que vai para o mato e tem que flechar o inimigo, ele tem que arcar com as consequências psicológicas, morais, simbólicas disso. Aquele soldadinho americano que está num quartel nos Estados Unidos, apertando um botão, ele nem sabe o que está fazendo. Porque ele está longe. Você cada vez mais distancia os efeitos das suas ações de você mesmo. Então nós somos todos drones nesse sentido. A gente compra carne no supermercado quadradinha, bem embaladinha, refrigeradinha, sem cara de bicho. E você está o mais longe possível daquela coisa horrorosa que é o matadouro. Daquela coisa horrorosa que são as fazendas em que as galinhas estão enfiadas em gaiolas apertadas. Se o pessoal lembrar que 50% das galinhas que nascem são galos e que esses 50% que nascem são triturados ao nascer para virar ração animal porque não colocam ovos, talvez não conseguissem comer galinhas. Se você mostrasse que metade dos pintinhos vão todos vivos para uma máquina que tritura, talvez melhorasse um pouco. Mas as pessoas não querem saber disso. Nisso, nós somos iguaizinhos ao soldado americano que aperta o botão para matar inocentes no Paquistão. Nós fazemos a mesma coisa com as galinhas. Nós somos todos drones. Temos uma relação com o mundo igual à que os Estados Unidos tem com suas máquinas de guerra. Somos como os pilotos da bomba atômica que não sabiam bem o que estavam fazendo quando soltaram a bomba atômica em cima de Hiroshima. Dissociação mental. Essa coisa de não se dar conta do que a gente está fazendo, por um lado está aumentando. Mas, por outro lado, com a mudança climática, as pessoas estão começado a perceber que o que elas estão fazendo está influenciando o mundo. Estamos num momento crucial: por um lado o aumento brutal do modelo drone, com tudo cada vez mais distante, e, por outro, as catástrofes batendo na sua porta. O mar está subindo, o furacão está chegando, a seca está vindo.
"Isto que Marina Silva agora faz é velha politicagem, jamais nova política. (...) Se a intenção de parte do eleitorado era destronar o PT e Dilma a qualquer custo, então que votasse num partido mais à esquerda (sim, eles existem) e não num partido que reza na cartilha do datado neoliberalismo que levou à convulsão social e ao desemprego massivo países europeus sólidos como França e Espanha, e que quase levou o Brasil à bancarrota, na era FHC. Este, por sua vez, sociólogo pós-graduado na Universidade de Paris, tem como hobby disparar frases infelizes, como a recente declaração preconceituosa e separatista sobre os nordestinos e seu voto, segundo ele, catequizado. Com todo o respeito que possa merecer, o ex-presidente está na Idade Média da Sociologia. Avançamos muito nos últimos anos em termos de 'pensamento social'. Não há porque retroceder." (Zeca Baleiro)
Meritocracia, trapaça e depressão
(George Monbiot)

O fundamentalismo de mercado, amplamente conhecido por neoliberalismo, gira em torno da noção de mérito. A competição irrestrita recompensaria as pessoas talentosas, que trabalham duro e inovam. Ela romperia com as hierarquias e criaria um mundo de oportunidades e mobilidade. Mas a realidade é bem diferente.

Mesmo no início do processo, quando os mercados foram desregulamentados pela primeira vez, não começamos com oportunidades iguais. Algumas pessoas já estavam bem à frente antes de ser dada a largada. Foi assim que as oligarquias russas conseguiram acumular tanta riqueza quando a União Soviética chegou ao fim. Eles não eram, em sua maioria, os mais talentosos, trabalhadores ou inovadores, mas sim os menos escrupulosos, os mais grosseiros e com os melhores contatos, frequentemente na polícia secreta — a KGB.

O neoliberalismo acaba sendo uma trapaça egoísta, e seus gurus e thinktanks financiados desde o início por algumas das pessoas mais ricas do mundo. O mercado deveria nos libertar, oferecendo autonomia e liberdade. Em vez disso, entregou atomização e solidão.

O local de trabalho foi envolvido por uma estrutura louca, kafkiana, de monitoramento, medição, vigilância e auditorias, orientada centralmente, planejada de forma rígida e cujo objetivo é recompensar os vencedores e punir os perdedores. Ela destrói a autonomia, o empreendimento, a inovação e a lealdade e gera frustração, inveja e medo. Em nome da autonomia e da liberdade, acabamos controlados por uma burocracia esmagadora e anônima.

Paul Verhaeghe, um professor belga de psicanálise, escreve em seu livro 'What About Me?' que essas mudanças vieram acompanhadas de um aumento espetacular em certas condições psiquiátricas: automutilação, distúrbios de alimentação, depressão e distúrbios de personalidade. Dentre os distúrbios de personalidade, os mais comuns são ansiedade por desempenho e fobia social: ambos refletem um medo da outra pessoa, que é percebida tanto como avaliadora quanto como competidora, as únicas funções que o fundamentalismo de mercado admite para a sociedade. Somos atormentados pela depressão e pela solidão.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Quem não vai votar em Tarso Genro (PT) para governador do Rio Grande do Sul PRECISA ver e ouvir esta entrevista com o candidato José Ivo Sartori (PMDB).
A fala de ninguém: sobre a retórica de Aécio
(Saulo Dourado)

(...)

A razão defendida promove sim a análise mais fina da realidade, mas se utilizada a favor da realidade: ela também pode ser um modo de se estar fora, acima dela, e não tocá-la apesar de fingir com eficiência que sim. Quem confia tanto no poder do discurso, o que não vale apenas para os candidatos, talvez já tenha descolado as palavras das coisas e sabe que pode manusear as coisas por uma via de interesse, se as palavras apontarem para outra. Ou ter a justificativa pronta antes de qualquer acontecimento, a ponto de enquadrá-lo previamente no que se deseja. Pelo olhar triunfante, o meio sorriso, a ironia programada, que se repetem entre perguntas e respostas, tenho em Aécio a sensação de que as coisas mesmas não importam, só os fins. Até quando relatou uma história de sua avó, no debate da Globo, se comunicava como quem ensaia e sabe dos efeitos que vai causar, sem ter sequer a imagem do conteúdo entre os seus olhos.

A retórica é uma técnica antiga, dos gregos ainda, apropriada aos debates na ágora. Desde lá, sabe-se que o manuseio habilidoso pode convencer multidões em causa própria e que alguns homens, ditos os sofistas, eram capazes de defender tão bem quanto atacar um mesmo conteúdo. Votações inteiras, que diziam de assuntos reais, como guerras e condenações, poderiam ser decididas por jogos de palavras, onde nem as guerras nem as condenações entravam de fato, e sim as tendências e os interesses periféricos. Quem os denunciou foi Sócrates, com o ardil de desenvolver o seu próprio método, que conseguia colocar as palavras do oponente contra ele mesmo e provar o vazio do conteúdo. Dilma não é nenhum Sócrates: não sabe retirar o feitiço do oponente, evidenciar o jogo. Ela responde a Aécio como se ele de fato lhe estivesse falando, como se ele estivesse interessado nos temas e não nos impactos. Os recursos de Aécio ficam ainda mais em evidência neste vai-e-vem, e ele parece ainda mais habilidoso em dispor de qualquer ideia ante qualquer outra. Dilma assim ora acerta ora erra. No entanto, este “descuido”, que a faz parecer acreditar que o outro está presente, é o que a torna presente. A variação e a preocupação em conseguir alguma realidade ao expressar-se, ainda que equivocada, mostra o mínimo de contato, e é o contato que eu ao menos espero da política.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014


5 coisas que só criança faz
"Em 2011, a psicóloga Gabriele Oettingen, da New York University, publicou os resultados de um estudo elegante, conduzido com sua colega Heather Kappes, no qual os participantes foram privados de água. Alguns desses voluntários foram guiados a um exercício de visualização, no qual se pedia para eles imaginarem um copo de água gelada. Depois, medindo a pressão de todo mundo, Oettingen descobriu que o exercício baixou o nível de energia das pessoas e as relaxou. Pensar num copo imaginário de água gelada deixa as pessoas MENOS motivadas para levantar e ir até a geladeira, onde poderia pegar a coisa real. A conclusão é o contrário do senso comum. Oettingen mostrou que sonhar com o que você quer dificulta consegui-lo na realidade. Gurus motivacionais há tempo defendem que o cérebro 'não consegue distinguir realidade e imaginação'. Ironicamente, os experimentos de Oettingen provam que eles estavam certos – mas também que a conclusão que eles desenhavam está espetacularmente errada. Experienciar um sucesso como se ele já tivesse se materializado é um atalho rápido para o desapontamento." (Oliver Burkerman/The Guardian)
"Uma pessoa que diz 'Eu sei' é a pessoa mais destrutiva, porque ela, realmente, não sabe. O que ela sabe? Da mesma forma, quando você está consciente de que mudou, quando está ciente de que mudou, você não mudou." (Krishnamurti)
Deep Web e suas CAMADAS!
(facebook.com/br.DeepWeb)


- Level 0 Web (primeira camada) – Common Web:
É a ponta do iceberg, é basicamente tudo que você conhece e acha que é o limite, que até a sua avó acessa, é a parte onde aparece no Google e todo mundo acessa normalmente e sem medo (teoricamente).

- Level 1 Web (segunda camada) – Surface Web:
Ainda não estando muito fundo, é a parte mais “escura” da internet normal que você usa, é o lugar aonde sites como Reddit, Newgrounds, sites eróticos e Bancos de Dados de sites comuns ficam, mas ainda são fáceis de ser acessados por qualquer um.

- Level 2 Web (terceira camada) – Bergie Web:
Esse é o mais fundo que qualquer usuário consegue chegar sem nenhum conhecimento de programação, esse é o limite que o “Google” consegue indexar no seu buscador, nessa camada ficam hospedagens de sites, hackers conhecidos, 4chan entre outros sites que são conhecidos por todos – ou não.

- Level 3 Web (quarta camada) – Deep Web:
E chegamos no meio do nosso iceberg, aqui é a Deep Web, onde só acessado com Proxy, aqui aonde fica escondido o que você pensava que não existia na internet, você pode encontrar arquivos, artigos sobre vírus, conteúdo adulto pesado/ilegal, manuais de suicídio, entre outras coisas além do nosso conhecimento.

- Level 4 Web (quinta camada) – Charter Web:
Aqui é a verdadeira Deep Web, onde você precisa ter um pouco de atenção se você chegou até aqui provavelmente tenha conhecimento sobre Proxy e os navegadores próprios para o uso da camada (TOR), é o máximo que muita gente conseguiu chegar, aqui você encontra literalmente de tudo que eu havia citado, tudo que você precisa você encontrará aqui, livros, artigos, arquivos, downloads de música e de filmes, e para o povo mais “hardcore“, encontraria os conteúdos pesados como pornografia pesada(leia-se: estranha), arquivos militares, contratação de hackers e crackers, fóruns da Anonymous, pedofilia, necrofilia, exemplos de suicídio, assassinos e exemplo de assassinatos, entre outras coisas realmente “cabulosas” ou até mesmo ilegais, mas calma pequeno padawan não precisa ter medo, porque você só encontraria se quisesse e procurasse, como você viu anteriormente, nada na Deep Web é jogado na sua cara, se chegou até aqui foi através de pesquisa ou curiosidade. Lembre-se do ditado sobre curiosidade e como o gato se deu mal com isso.

- Level 5 Web (sexta camada) – Mariana’s Web:
A partir desta camada, é aonde a “mitologia virtual” começa (não há como confirmar a veracidade dessas camadas), são apenas lendas virtuais que são interessantes de estudar. Aqui que toda a parte da Internet se encontra mas é quase impossível de ser acessada, a famosa Mariana’s Web está fora do alcance de muitos e mesmo consigam acessar até a Charter Web teriam dificuldades extremas para chegar até aqui, segundo informações retiradas de vários sites, você necessita resolver o “Polymeric Falcighol Derivation“, que são mecânicas quânticas necessárias para conseguir acessar essa parte da DW, aqui é aonde a verdadeira parte perigosa está, aonde poucos tem a habilidade de conseguir acessar e os que estão aqui provavelmente não estão querendo boa coisa. Aqui você pode encontrar teorias da conspiração (diferentes e mais relevantes que você está costumado a ouvir sobre, algumas até realmente chocantes), experimentos físicos e termo-nucleares, Inteligência Artificial, experimentos de clonagens, algorítimos geométricos, redes de assassinos, construção de supercomputadores, bases de dados militares e governamentais, e até a verdadeira localização da perdida “Atlantis”. Aqui é aonde você deve ter cuidado onde você entrará, porque aqui você estará entrando em um risco muito grande. Muitos dizem que já entraram na Mariana’s Web, mas poucos conseguem dizer o que há realmente lá dentro, mas é algo bem maior do que você consegue imaginar, vai além da sua imaginação, muito do que pode ser encontrado nessa camada, você acharia que era um filme fictício.

- Level 6 Web (sétima camada) – ?
Aqui é a linha entre a sexta camada, e a oitava camada, não muda muita coisa.

- Level 7 Web (oitava camada) – The Fog/Virus Soup
Não há melhor forma de explicar o Sétimo Nível como um “campo de batalha”, aqui é aonde verdadeiros hackers que tem conhecimentos físicos, quânticos, entre outros elementos da física estão, aqui é aonde todos tentam entrar na última camada, que seria o Level 8, enquanto tentam entrar, eles tentam impedir os outros de chegar, é basicamente a verdadeira guerra da Internet aonde ninguém está vendo, e é o ultimo lugar no universo que você gostaria de estar.

- Level 8 Web (última camada) – The Primarch System
Este nível é praticamente impossível de ser acessada diretamente. O “Sistema Primarca” é que controla a internet e tudo que vemos e ouvimos, não há governos ou organizações que conseguem ter o controle dessa camada, ninguém sabe o que tem nessa camada, ela foi anonimamente descoberta no começo dos anos 2000, esse sistema envia informações inalteráveis e invisíveis para toda a internet (sim, literalmente 100% de tudo que você conhece e não conhece), de forma aleatória, há muitas teorias da conspiração do que pode ter nessa internet, como teorias de seres de outro mundo, outras dimensões que controlam o nosso mundo, aqui é o verdadeiro desconhecido.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Anatomia de um debate
(Pablo Villaça)

Assim que o debate entre Dilma e Aécio chegou ao fim, li algumas pessoas criticando a dicção da presidente. Mesmo, amigos? Chegamos a isso? Não sabia que Dilma estava concorrendo ao posto de Mestre Intergaláctica de Oratória. Achei, sinceramente, que o mais importante fosse o CONTEÚDO do que estava sendo dito, não a forma - e, neste aspecto, Dilma moeu Aécio Neves.

Não que isto seja difícil: depois de uma carreira inteira em uma Minas Gerais com uma imprensa amordaçada, Aécio perdeu a capacidade de lidar com o contraditório - e, talvez por isso, em vários momentos ergueu a voz e o dedo para a presidente (assim como havia feito com Luciana Genro) e se mostrou descontrolado. Para debater, é preciso conteúdo e honestidade. E ajuda, também, se o candidato tiver ideias para apresentar e, principalmente, se puder falar com orgulho do que já fez. E Aécio não tem e não pode, como ficou muito claro neste confronto.

Não é à toa que, ao final do debate, Dilma sugeriu que os telespectadores fossem ao Google pesquisar e confirmar as informações que ofereceu, enquanto Aécio sugeriu que as pessoas fossem consultar... o site do PSDB.

Aliás, devo citar aqui o bom apontamentodo cineasta Kléber Mendonça Filho (do magistral O Som ao Redor): "Nunca vi isso nos 20 anos que acompanho a política no Brasil. Um candidato de oposição que não quer propor mudança no sistema, mas dar seguimento a projetos revolucionários que o governo que ele quer desbancar conseguiu implantar."

Esta foi a dinâmica de Aécio: depois de criticar por anos, ao lado do PSDB, o Bolsa-Família, chamando-a de Bolsa-Esmola, ele subitamente se mostrou determinado a dizer que esta foi invenção de seu partido. Agora imaginem: seus eleitores insistem em gritar contra o programa, seu partido o atacou por anos (até mesmo em editorial no site tucano)(1) e, subitamente, Aécio quer assumir sua paternidade. Anos e anos e anos com o PT explicando que a Bolsa Família era um grande avanço, os caras dizendo que era "esmola", que era "assistencialismo barato", e agora tentam se apropriar da autoria da ideia.

Mas me adianto.

O que vimos neste debate foi um espetáculo mentiras por parte de Aécio. E como na Internet mentira tem perna curta, creio ser fundamental, para os eleitores indecisos, constatarem como o presidenciável não se intimida em faltar com a verdade de maneira incrivelmente cínica. Analisemos sua participação no debate em ordem cronológica:

1) Já de início, antes mesmo de o debate começar, Aécio disse na porta da Band que fazia "uma campanha só de verdades". Curioso, porque uma das coisas que vem dizendo é que vai transformar o Bolsa-Família em lei. Ora, ele não sabe que ela já é lei desde 2004, quando a Medida Provisória 132/2003 se transformou, em janeiro de 2004, na Lei 10836/04? (2)

2) Em seguida, Aécio afirmou que o Brasil "perdeu credibilidade no exterior". Provavelmente não leu, entre outras coisas, a análise que a FORBES fez sobre Dilma e o país há poucos meses.(3)

3) Logo depois, o presidenciável afirmou, sem hesitar, que as contas da Saúde de seu governo foram aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Não. (4) Para piorar, quando Dilma afirmou que o parecer do TCE poderia ser verificado online, o site, que fica sob os cuidados do atual governo tucano de MG (que, felizmente, será substituído em janeiro), simplesmente SAIU DO AR E NÃO RETORNOU ATÉ O MOMENTO EM QUE PUBLICO ESTE POST, 8 horas depois. Mas há outras fontes.(5)(6)

4) Aécio diz que MG foi o Estado que mais investiu em Saúde durante seu governo. Opa: dos 26 estados (mais o DF) da União, MG ficou em 24o. lugar. Sim, 24o entre 27.(7)

5) Dilma apontou que Aécio ameaçava acabar com os bancos públicos e este negou veementemente. Ora, deveria ter consultado Armínio Fraga, que ele já anunciou que será seu Ministro da Fazenda e que declarou, quanto ao BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil, que, se assumirem, "nem sabe o que vai sobrar deles".(8) Aliás, há ÁUDIO de Fraga dizendo isso.(9)

6) Aliás, quando Dilma fez questionamentos sobre Armínio Fraga, Aécio disse que ela estava "preocupada" demais com este. Ora, e deveria mesmo estar - não só como ela, mas também o eleitor. Quando Fraga assumiu a presidência do BC, em 1999, elevou a taxa de juros a 45% ao ano. Nos três anos seguintes, sabem o que aconteceu com a inflação que os tucanos insistem em dizer que controlaram? Ela DOBROU de tamanho, indo de 6,5%, em 2000, para 12,5% em 2002.(10) Aécio, vale apontar, é bem corajoso ao tentar falar de inflação com Dilma, já que, ao contrário do que ele tenta fazer parecer, a média anual da inflação nos anos Dilma é a segunda MENOR em CINCO MANDATOS PRESIDENCIAIS, sendo bem próxima à de Lula e muito inferior à de FHC.(11)

7) Confrontado com relação ao "choque de gestão" em MG, Aécio afirmou que as finanças do estado estão saudáveis. Outra mentira: Minas está quebrada.(12) O mais incrível: ao voltar a falar sobre o Bolsa Família, Aécio disse que o Plano Real foi um programa de "redistribuição de renda" muito mais eficiente. De onde tirou isso, não sei, mas - claro - não é verdade.(13)

8) Quando o assunto mudou para Educação, Aécio deu outro show de desinformação. Em primeiro lugar, cobrou de Dilma resultados das escolas públicas MUNICIPAIS e ESTADUAIS, que, como já fica claro pelo... ora... pelo "municipais e estaduais", são responsabilidade do município e dos estados - COMO DETERMINA A CONSTITUIÇÃO. O pior: Aécio afirmou que MG tem a "melhor educação do país" - mas como isto pode ser possível se, de novo, entre 26 estados (mais o DF), Minas ficou em 24o. em termos de investimento na Educação?(14) Além disso, os professores mineiros ABOMINAM Aécio Neves (15)(16)

9) A seguir, Dilma trouxe à baila a questão da corrupção. E apontou como, ao contrário do que houve nos anos FHC, a era Lula-Dilma criou mecanismos de investigação e condições para que a PF agisse de forma eficaz. Basta dizer que nos OITO anos de FHC, apenas 48 operação da PF foram feitas, enquanto nos doze anos de Lula e Dilma, foram realizadas MAIS DE DUAS MIL OPERAÇÕES. Isto para não mencionar o fato de que o procurador-geral da época engavetava todas as denúncias.(17) Dilma apontou também que nenhum tucano jamais foi investigado por todos os desmandos do mensalão tucano mineiro, do cartel do metrô, da privataria, do banco Marka, da SUDAM, etc, etc, etc.

10) Aécio insistiu em dizer que Dilma se mostrava obstinada em olhar pra trás, enquanto ele queria olhar pra frente. Dá pra entender por que ele prefere olhar para um futuro hipotético do que para o passado, com todos os seus dados e fatos registrados.(18)

11) Em seguida, Aecio disse que foi "inocentado" com relação ao aecioporto. Mentira. A procuradoria-geral disse que não havia indícios de ilícito em esfera FEDERAL, mas encaminhou a denúncia para o MPE para investigação de IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA do governo tucano.(19)

12) Veio, então, a parte mais inacreditável do debate. Dilma questionou os vários parentes que Aécio mantém empregados em seu governo. Ele negou que isto fosse verdade e disse, por exemplo, que sua irmã não trabalha com ele. Esta fez MG rir em conjunto, já que Andrea Neves foi uma das figuras mais poderosas do governo Aécio. Tanto que entrou numa lista das 60 pessoas MAIS PODEROSAS DO PAÍS (na 42a. posição)(20)(21) Isto para não mencionar que, sim, ele empregou outros parentes.(22)(23)

13) A seguir, Dilma perguntou a Aécio sobre "violência contra a mulher". Do ponto de vista de estratégia de debate, era óbvio que ela fazia referência a algo específico para desconcertar o oponente.(24) Conseguiu.(A propósito: Aécio ameaçou, mas curiosamente não processou Kfouri pelo que este publicou em seu blog.)

14) Aécio criticou empréstimo do BNDES a Cuba. Ué, e o feito por FHC, podia?(25)

15) Aécio tenta criticar os investimentos de Dilma na área das escolas técnicas. O governo do PT criou 214. O de FHC? ZERO. Aécio nem deveria ter tocado neste assunto.(26) Como se não bastasse, Aécio disse que Dilma não cumpriu promessa de construir seis mil creches. Outra mentira.(27)

16) Logo a seguir, outro momento em que Aecio se perdeu totalmente. Dilma questionou - e atenção para isso - o investimento que o GOVERNO DE MG fez em anúncios nas rádios PERTENCENTES À FAMÍLIA DE AECIO. Ele negou que isto tenha acontecido. Ops.(28)(29)(30)(31)(32)

17) Dilma levantou, então, a questão dos quase CEM MIL servidores públicos contratados IRREGULARMENTE por Aécio no governo de MG. Ele mais uma vez negou qualquer irregularidade. Mentira. Uma mentira, aliás, que foi custar os empregos destas quase cem mil pessoas numa lei que Aécio tentou passar pra corrigir o problema, mas que era INCONSTITUCIONAL.(33)(34)

18) Neste ponto do debate, Aécio começou a falar repetidas vezes de "meritocracia". Ele não é a melhor pessoa pra falar do assunto, já que, aos 17 ANOS, foi indicado por seu pai para um cargo de confiança em Brasília quando este era deputado do Arena, partido que apoiava o regime militar. Não só Aécio tinha 17 anos como aparentemente também desempenhou este cargo (em Brasília) do RIO DE JANEIRO, onde morava.(35) Poucos anos depois, Aécio foi nomeado para o cobiçado cargo de diretor de Loterias da Caixa quando seu primo, Francisco Dornelles, era Ministro da Fazenda.(36) Meritocracia. Sei.

19) Outras mentiras pontuais: Aécio disse que não foi contra o Mais Médicos (que ele agora afirma que vai melhorar). Opa, foi, sim.(37)

20) Aécio acusou Dilma de não cuidar da segurança pública nos estados. Desconhece que, SEGUNDO A CONSTITUIÇÃO, esta é de competência dos governos estaduais - ou seja: dele. Então, Dilma apontou que a violência em MG subiu 52% durante governo de Aécio. Ele negou veementemente. Estava mentindo.(38)

21) Aécio disse, em certo momento, que "todas as eleições que disputei em MG, venci". Opa. Em 1992, concorreu à prefeitura de BH. Perdeu para Patrus Ananias, do PT.

22) Aécio afirmou que o Brasil teve queda "em todos os indicadores sociais". Deveria ter lido o relatório do IBGE, que mostrou melhora na renda, no acesso ao ensino fundamental, queda na mortalidade infantil, entre outros.(39)

Pra finalizar, Dilma mencionou brevemente Montezuma, mas acabou se concentrando no aeroporto de Cláudio. Pena. Há muito que falar sobre Montezuma.(40)

Talvez no próximo debate, embora, se julgarmos pelo que ocorreu nesse, Aécio provavelmente não hesite em negar a existência de qualquer problema.

(P.S: vi gente compartilhando foto de Dilma cercada de assessores, no intervalo do debate, e Aécio sozinho. A sugestão é a de que ele não precisa de assessores. Ops: https://twitter.com/pablovillaca/status/522321107438014464)
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FONTES:
1.http://www.cartacapital.com.br/…/por-que-o-psdb-agora-e-a-f…
2.http://www.m.vermelho.org.br/noticia/251305-1…
3.http://www.forbes.com/…/in-brazil-elections-president-dilm…/
4.http://t.co/k4FdNNx9Ba
5.http://amp-mg.jusbrasil.com.br/…/minas-investe-menos-do-que…
6.https://twitter.com/fernandocabral/status/522221808867872768
7.http://t.co/rq0bpEM66X
8.http://t.co/VF1krtF32O
9.http://t.co/VF1krtF32O
10.http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi05039906.htm
11.http://achadoseconomicos.blogosfera.uol.com.br/…/inflacao-…/
12.http://t.co/gl7X2CdsyS
13.http://goo.gl/FwFxJQ
14.http://t.co/Fi6xi9imFO
15.http://www.pragmatismopolitico.com.br/…/professores-de-mina…
16.http://www.sindutemg.org.br/…/11-09-BoletimEspecial-Geral.p…
17.https://t.co/yKJurCmrAS
18.http://goo.gl/yLuARu
19.http://g1.globo.com/…/pgr-arquiva-representacao-contra-aeci…
20.http://t.co/zdbVLJ971t
21.http://t.co/zNnl4pfaOG
22.http://t.co/TIciOuWa1M
23.http://www.redebrasilatual.com.br/…/aecio-usa-lei-para-cont…
24.http://t.co/rB3mgwiC7G
25.http://t.co/Kuooc4vuLL
26.http://t.co/9fomImiyYa
27.http://t.co/P8LPR0OUL6
28.http://www.valor.com.br/…/aecio-desconversa-sobre-gastos-pu…
29.http://www1.folha.uol.com.br/…/190765-aecio-diz-que-nao-sab…
30.http://www.blogdacidadania.com.br/…/escandalo-das-radios-d…/
31.http://politica.estadao.com.br/…/eleicoes,aecio-diz-desconh…
32.http://www.diariodocentrodomundo.com.br/e-decente-um-gover…/
33.http://t.co/gwJ7iOVI93
34.http://t.co/l71W6ByB1L
35.http://t.co/hHNPJMQbve
36.http://www.redebrasilatual.com.br/…/aecio-critica-mas-ja-fo…
37.https://www.youtube.com/watch?v=8pKZAnji68k
38.http://www.pautandominas.com.br/…/Em-dez-anos-n%C3%BAmero-d…
39.http://biblioteca.ibge.gov.br/visualiza…/livros/liv66777.pdf
40.http://www.redebrasilatual.com.br/…/como-aecio-ficou-dono-d…
Primeiro debate do segundo turno das eleições de 2014 para presidente da república do Brasil.

"Eu venho aqui hoje, esse debate da Band, representar não um partido político ou uma coligação de partidos, mas um sentimento, um sentimento crescente na sociedade brasileira que quer ver o governo reconciliado com a nossa gente, um governo que olhe para o futuro, um governo que seja generoso. (...) Tire os olhos do retrovisor, vamos falar para o futuro, vamos falar para quem está em casa até essa hora nos ouvindo, vamos falar de um Brasil que pode crescer muito mais do que está crescendo. (...) Eu me preparei ao longo desses últimos 30 anos não para fazer o governo de um partido político, mas um governo que tire o Brasil da lanterna de crescimento econômico e dos piores indicadores sociais de toda a nossa região, estou aqui para apresentar as nossas propostas." (Aécio Neves)

"Candidata, lamento que a senhora esteja tão desinformada. Candidata, não sei quem tem lhe dado esses números, não repita aquela oposição tão desqualificada que o PT fez ao nosso governo. A senhora repete os mesmos números, não são verdadeiros. Aliás, não falar a verdade se tornou uma tônica da sua campanha desde o primeiro turno. Candidata, desde o primeiro turno, a sua campanha tem sido marcada pelos ataques, pelas ofensas, pelas mentiras. Foi assim com Eduardo campos, foi assim com Marina e tem sido assim comigo. Inverdade, nas redes sociais, inverdades nas redes, na sua proposta eleitoral. A senhora não se arrepende, candidata, de ter feito uma campanha com ataques tão violentos e tão cruéis no primeiro turno contra seus adversários? Não é verdade, candidata. A senhora falta com a verdade. Candidata. Eu quero responder a candidata Dilma olhando nos seus olhos. A senhora está sendo leviana, candidata, leviana. Não pode, candidata, não pode fazer uma campanha com tantas inverdades, é mentira atrás de mentira, a sua propaganda é só mentira. A senhora mente aos brasileiros para ficar no governo. Não pode ser esse vale tudo em que a senhora transformou a campanha eleitoral, como a senhora dizia, numa campanha faz se o diabo, não é verdade, eleve o nível do debate. A senhora está mais uma vez enganada, ou mentindo." (Aécio Neves)

"Criamos o maior e um grande mercado de consumo de massa que beneficiou extremamente a economia. Todos ganharam. Mas ganharam mais os que mais precisavam. Candidato, eu não escolhi o candidato a ministro da fazenda que o senhor escolheu. Como é que o senhor quer que eu acredite que com a mesma receita, o mesmo cozinheiro, vocês vão entregar um prato diferente do que já entregaram para o Brasil. Vocês, candidato, gostam de cortar. Gostam de cortar e sempre cortam. Cortam emprego, cortam salários. Vocês jamais aplicaram nenhum recurso em grandes programas sociais, candidato." (Dilma Rousseff)
"Quando a mente está na intenção de descobrir todo o processo de si mesma, então cada incidente, cada reação se torna um meio de descobrir, de conhecer a si mesmo. Isso requer paciente vigilância – que não é a vigilância de uma mente que está constantemente lutando. Então você verá que as horas de sono são tão importantes quando as horas acordado, porque a vida é então um processo total. Enquanto você não conhecer a si mesmo, o medo continuará e todas as ilusões que o ego cria vão florescer. O autoconhecimento, assim, não é um processo para ser lido ou para se especular a respeito, ele tem que ser descoberto por cada um de momento a momento, quando olhamos nosso discurso, nossos gestos, o modo como falamos, de modo que a mente se torne extraordinariamente alerta e os motivos ocultos que são de repente revelados. Nesse estado de alerta existe certa quietude, uma conscientização passiva em que não há desejo de ser ou não ser, e em que existe um surpreendente sentido de liberdade. Só então é possível libertar-se do medo. Enquanto houver medo, não existe amor. O medo obscurece nosso ser e a causa do medo é o 'eu'." (Krishnamurti)
Por que acabar com as vagas de rua
Carros parados ao longo da via atrapalham o trânsito e inibem o investimento em garagens eficientes.
Eles ocupam o espaço que poderia revolucionar as cidades
(PHILIP YANG/Época)


Projeções recentes mostram que, de 2001 a 2030, o aumento da mancha urbana no planeta cobrirá uma área maior que a superfície de todas as cidades criadas em toda a história da civilização até o ano 2000. A demanda urbana por espaço aumenta em função de duas lógicas ligadas à produção de bens e serviços: a economia de escala e a economia de aglomeração. A economia de escala – redução de custos pelo aumento da produção – em geral requer grandes áreas e leva à ocupação extensiva da terra. A economia de aglomeração – aumento de produtividade propiciada pela proximidade de atividades complementares –, ao contrário, se beneficia da ocupação intensiva da terra.

O automóvel favoreceu a ocupação extensiva, no século XX, ao dar liberdade de deslocamento. Distritos residenciais foram erguidos cada vez mais distantes das áreas centrais, onde tradicionalmente estão os postos de trabalho. O movimento pendular entre moradia e emprego tornou-se obrigatório para milhões de habitantes. A lógica favoreceu o isolamento e a exclusão social, em vez de formar tecidos urbanos mistos. Congestionamentos e o aumento do tempo de viagem, em todas as grandes metrópoles, mostram o esgotamento do modelo de espraiamento horizontal das cidades, baseado na hegemonia do automóvel. Mesmo a expansão acelerada na oferta de avenidas, viadutos, túneis e pontes mostra-se insuficiente para absorver o aumento do trânsito. O impacto dos congestionamentos é conhecido por todos. Temos menos horas de lazer e de trabalho. A produção de bens e serviços é menos eficiente.

Na era da mobilidade, em que o fator tempo é decisivo para o desempenho de tudo e de todos, o Brasil caminha na contramão da história. Políticas de habitação favorecem a moradia cada vez mais distante dos centros de emprego. Incentivamos a compra de automóveis, quando o resto do mundo busca o contrário: maior oferta de transportes públicos, de ciclovias, de moradias próximas à oferta de emprego. O traço comum às iniciativas para melhorar o trânsito é o desincentivo ao uso de carro.

 Uma das opções mais aceitas no mundo para reduzir o tráfego é o pedágio urbano. Londres, Estocolmo e Milão cobram pelo acesso a zonas mais congestionadas, como forma de aliviar o trânsito e financiar a melhoria da rede de transportes públicos. Embora inicialmente impopular, o pedágio vem ganhando corações e mentes nessas cidades, pois a fluidez das vias melhorou, e o transporte público pôde absorver os passageiros que preferiram deixar seus carros em casa. No mesmo diapasão, há quem defenda uma sobretaxa aos combustíveis, destinada a financiar o transporte coletivo. Proponho eliminar as vagas de estacionamento ao longo das ruas, nas áreas centrais das cidades, a fim de ceder o espaço para calçadas mais largas.

Os carros poderiam parar em edifícios-garagem públicos, com gestão privada, erguidos a cada quatro ou cinco quarteirões. As vagas de rua custam caro à sociedade e prestam um serviço ruim para o dono do carro. Ao mesmo tempo, seu baixo custo visível inibe o investimento privado na construção de garagens mais eficientes. Com o fim das vagas de rua, os usuários de automóvel seriam cobrados não pelo direito de circular, mas pelo direito de estacionar. O ajuste adequado do preço dos estacionamentos serviria para desestimular o uso do carro, como já acontece em sociedades mais maduras. A extinção das vagas de rua depende de três atores. O governo ajustaria a legislação e faria desapropriações, ao criar um marco regulatório para a concessão de edifícios-garagem públicos. O setor privado investiria na construção e administração dos edifícios-garagem. Os motoristas passariam a pagar preços de mercado pelo uso das garagens.

Encontrar uma vaga diante da calçada, numa área saturada da cidade, consome tempo de quem quer estacionar e de quem quer apenas passar pela rua. Estudos realizados nos Estados Unidos mostraram que, quando mais de 85% das vagas estão ocupadas, os motoristas passam a rodar em círculos em busca de um espaço vazio. A busca por vagas gera mais trânsito e poluição em vias já saturadas. Sem as faixas de estacionamento na rua, eliminaríamos a busca por vagas e as obstruções ao trânsito causadas pelas manobras de entrar e sair das vagas.

O custo de parar o carro na rua é imprevisível. Talões de estacionamento oficiais da prefeitura, como o Zona Azul, de São Paulo, ou o Vaga Certa, do Rio de Janeiro, cumprem timidamente o papel de regular o uso das vagas. O motorista não sabe quanto terá de gastar com um eventual flanelinha ou com possíveis danos ao carro, guardado em condições de segurança e conservação precárias. Com edifícios-garagem, o cidadão poderia calcular os custos e benefícios de cada alternativa de deslocamento, antes de sair de casa. O preço para estacionar em cada garagem pública seria ajustado conforme a procura, a fim de evitar a falta de vagas e incentivar a busca de transporte alternativo nas áreas mais saturadas da cidade.

A extinção do estacionamento de rua levaria qualidade de vida às cidades, além de aliviar o trânsito. A faixa de asfalto desocupada poderia dar lugar a calçadas mais largas, com ciclovias e árvores, além de baratear o enterramento dos fios e cabos, hoje suspensos em postes. Os edifícios-garagem poderiam ser mais que um mero abrigo de carros. Poderiam reunir átrios para circulação e entretenimento público, redes de comércio e serviços, hotéis e albergues estudantis ou escritórios. As novas calçadas poderiam promover o paisagismo brasileiro, e os edifícios-garagem, em sua versão multifuncional, poderiam se tornar exemplos da arquitetura contemporânea, equilibrando forma e função no tecido urbano. Um sonho alcançável, em ciclo administrativo curto. Ele pode ser abraçado por qualquer grande cidade do Brasil, capaz de aglutinar a cidadania, o mercado e o governo em torno do projeto.

Uma crítica ao estacionamento pago, bem como ao pedágio urbano, é seu potencial de exclusão social, por limitar a circulação dos motoristas mais pobres. Pode-se também argumentar que o fim do estacionamento grátis permite a criação de espaços públicos melhores. Nada é mais democrático que favorecer o pedestre.

* Philip Yang é mestre em administração pública pela Universidade Harvard e diretor do Instituto Urbem

terça-feira, 14 de outubro de 2014

0:00a gente imagina
0:01o bonde
0:03não tinha máxima
0:05mas mesmo assim que o caso da quebra de sigilo
0:07e por escrito da empresa encarar peito que estaria também área que abriga
0:11diário artistas populares
0:14este ano no time principal no entanto não prometeu empenho nunca trabalha
0:18aqui você tem que matar um leão por dia
0:20equipa caldense no olho
0:22é matar ou morrer aqui por
0:23aqui eu vou sentar da marca na caçamba
0:25escândalos
0:27o que você tem que passar o dia aqui na última carta aberta publicada pela boca
0:32tapada quer saber de você enquanto duas apostavam na tarde de ponta delgada acho
0:38que é ela leva você para participar porque atuou
0:44são paulo eo próprio ou não
0:45trocando passes no senado
0:48não está lá mosca do paraíba sul passa a contar com quatro parcelas de
0:52terra para ficar com aderbal tarde
0:54quem é que paga por dia a loira não vou ficar aqui só chegou a ser cogitado
0:58mas que deve ao fato de que devo ser passada a varinha de condão pra cima da
1:02bola não
1:02o homem fala com ricardo nicolau ii parnaíba pelo amor de deus para uma
1:07equipa da tvi requerida tamborim dinâmico
1:12são paulo é porque ouvi o ministro
1:14tudo termina hoje
1:15exatamente o caso
1:18falar não tarda nada pois pensava ser isso aqui é meu amigo é negócio e
1:22lápis na parte final do pregão porque você 94 cara que está dentro do bar do
1:27gaúcho nada adiantou realmente eu não estou com saúde de qualidade tocava em
1:32durban desmarets praça aberta por evandro é o urubu
1:36o robô e definitiva essa versão
1:39praça de são pedro o negócio que você pega pé do kaká já está
1:43acostumada pt a bandeira passa e você vai dar um computador a cada ano nessa
1:46época passada em cima da concorrência
1:49eu não vou
1:50ao ficar citando a máxima em cima de cimento não vou precisar de apoios aí
1:54eu garanto que este não é o meu cada vereador que colocar de maçaneta e de
1:58soja produzidas com a tabuleta da pizza tem toda razão
2:02são paulo e eu quero fazer um porque é mais vamos sugerir
2:06a docente
2:07vai ter de acabar perto
2:09diz uma
2:11veja a tabela rola solta
2:13só o começo
2:14desfalcada que por lá atacante rolar
2:17a tratar junto com o grupo
2:20e nesta modalidade não adianta nada recorda que a base tem faltado à
2:23imprensa
2:24eu faço carentes que aqui aqui na praia grande aqui aqui não era porque do
2:30acidente sete não nega que é suco de noni amora mas só com a imprensa será
2:34jogo legal
2:36porque é um retrocesso colibri só que vai ter de calixto cuido balanço de
2:40sousa rui de uma forma de pressão ou
2:42os carros por hora
2:45assange
2:47coordeno do sul de tunes ao milan toda que pariu mas estuda vender a televisão
2:52privado
2:58tempo seco apenas fala o que quer
3:02também não é possível que as obras sanitárias paulo
3:06ricardo vida
3:08ricardo é o seguinte
3:10sacando achamos a dívida mas não é burro
3:13supla da colômbia na cara na cabeça no peito é
3:18é a gata volta conta
3:20e jogar merda micael de fora é o que eu sei é que eu estava correto
3:26não não não tem nada pra tudo à sua volta só quer dinheiro
3:30mas outra polêmica o ramalhão a modelo no rádio
3:34a deputada revelou
3:36kelly bowen trópicos tropas estrangeiras e vai sumir e joga lá na
3:42poule h e karnataka de caçandoquinha
3:46na distante e não obteve cerca de 80
3:51para button dureza na copa
3:53eu sou
3:54e aí deixa rolar
3:563 de outubro vamos ter que voltar
Raposinha Sapeca é MTVmente genial.

David Coimbra:

"Eles tentam convencer o país que o que está em jogo não são o poder, os empregos públicos e dinheiro, dinheiro, dinheiro, e sim que se está travando a luta do Bem contra o Mal. Então, você tem de estar de um lado ou de outro. Assim, em duas colunas:

ELITE BRANCA x NEGROS E POBRES
Racistas x Negros discriminados
Homofóbicos x Homossexuais
Misóginos x Feministas
Colonos x Índios
Agronegócio x Sem Terra
Motoristas agressivos x Ciclistas pacíficos
Comedores de carne x Vegetarianos
Especistas x Defensores dos animais
Empresários x Trabalhadores
Estados Unidos x Cuba
Poluidores x Ecologistas
Malvados x Bonzinhos.

Sempre que há qualquer questão envolvendo esses grupos, você está proibido de pensar a respeito, de tentar entender as motivações dos dois lados. Proibido. Você tem que entrar num time e permanecer nele até o fim. Se você estiver de um lado, você é Elite Branca; se você estiver de outro, é Negro e Pobre. Ou simpatizante, digamos assim. (...) No Brasil, a Elite Branca sofre."
"A sabedoria não pode ser comprada, não pode ser aprendida, ela surge apenas quando a mente está quieta, completamente imóvel – não imobilizada pela compulsão, coerção ou disciplina. Só quando a mente está espontaneamente silenciosa [livre da ansiedade] é possível compreender aquilo que está além do tempo." (Krishnamurti)

domingo, 12 de outubro de 2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Guido Mantega x Armínio Fraga
Como ter uma carreira musical hoje, por Claire Elise Boucher (aka Grimes)


Uma coisa de que eu não me dei conta quando eu comecei a fazer música foi que qualquer esforço empresarial envolve contratar pessoas, criar uma empresa e entrar no mundo dos negócios. Então, se você me conhece como artista musical, sabe que, na prática, eu sou também uma chefe. Eu sou a CEO de duas empresas: Grimes Creative Corp e Fairy Tour Corp, e acabei de começar a Roco-Prime Productions, com meu irmão. Isso é simultaneamente muito legal e muito estressante. Eu definitivamente não sou a melhor ou mais experiente chefe. Eu também sou uma chefe jovem, mulher, que pode apresentar um repertório muito particular de desafios práticos e emocionais. Aqui, compilei uma lista de coisas que têm sido úteis para mim enquanto eu tenho me dado conta de como estar no comando, na esperança de que alguma delas possa ajudar qualquer um de vocês que esteja fazendo a mesma coisa que eu (ou seja, aprender a ir adiante).

• Você nunca vai ouvir tanta gente dizendo que você está errado quando você está tendo sucesso. Depois que lancei meu disco Visions, eu perdi um tempo realmente longo surtando porque as pessoas me diziam para dar “o próximo passo” na minha carreira, como eu poderia ser uma melhor “musicista”, que eu preciso de uma banda de apoio etc. Eu agora me dei conta de que (a) nenhuma dessas pessoas têm carreiras musicais e (b) eu perdi muito tempo tentando fazer coisas que me disseram que eram “importantes para qualquer músico profissional” fazer, sem me dar conta de que, como fã, eu estou muito mais interessada em coisas que eu nunca tinha visto antes. A questão é: ouvir os odiadores não tem propósito nenhum. As pessoas julgam qualquer coisa — muitas vezes porque eles se sentem ameaçados. Ignore-os. Eu acho que isso se aplica qua qualquer negócio ou criação, porque o mundo de amanhã não vai se parecer com o mundo de hoje. Fazer alguma coisa diferente é provavelmente melhor do que fazer a mesma coisa que outras pessoas fazem.

• Pule corda. É a maneira mais eficiente de fazer exercícios cardiovasculares em qualquer tipo de clima, sem precisar ir a uma academia. Exercitar-se é muito importante se você tem que lidar com questões de agressividade ou depressão — e qualquer trabalho na indústria do entretenimento vai causar as duas coisas.

• Pare de trabalhar quando você estiver cansado — mas não fique com preguiça. Eu às vezes alterno entre trabalhar 22 horas seguidas e então desmoronar e me dar conta de que eu não tenho que me prender a um calendário fixo e assistir a cada episódio dos Sopranos. Eu não vou sugerir esse sistema. Cronogramas são incríveis: oito horas de trabalho, oito horas de sono. As outras oito horas são jogo livre. (Eu não sou muito boa nessa parte, mas, quando eu me permito fazer, fico bem mais produtiva.)

• Uma vez, Elvis Presley queria gravar um côver da música “I Will Always Love You”, da Dolly Parton, mas com a condição de dar metade dos direitos autorais pra ele. Dolly disse não, e muitos anos depois Whitney Houston cantou a música num filme, e ela se tornou provavelmente uma das músicas mais memoráveis (e lucrativas) músicas de todos os tempos. Então é muito importante manter-se dono da sua propriedade intelectual. Copyright everything. NÃO SE ESQUEÇA DISSO. Existem muitas formas de você ser ferrado se você não registrar os seus trabalhos. Ao mesmo tempo, trate seus colaboradores com respeito e dê os créditos quando são devidos.

• Seja legal com as pessoas que trabalham com você. É de extrema importância tratar as pessoas com gentileza, porque você vai querer que elas trabalhem duro e se preocupem com aquilo que vocês estão construindo juntos. Entretanto, para conseguir terminar as coisas, às vezes você precisa ser firme. Eu sou realmente ruim nisso, mas você absolutamente precisa deixar as pessoas saberem que certa coisa é inaceitável, senão elas poderão continuar fazendo-as, e você vai ficar ressentido com elas, e isso vai criar más vibrações.

• Leia/veja biografias de pessoas que você admira. Eu tenho aprendido mais com essa prática do que com qualquer outra, sério. Também, se você tem alguém por perto que faz o que você quer fazer, faça a ela perguntas e veja ela trabalhando.

• Bette Midler disse uma vez: “Eu acredito firmemente que com o calçado adequado, alguém pode dominar o mundo.” Eu tentava usar salto, e era um desastre. Agora eu sempre priorizo calçados confortáveis. Também, evite usar branco: pessoas ocupadas não tem muito tempo pra trocar de roupa, e branco fica sujo rapidamente (a não ser que você seja Olivia Pope [personagem da série Scandal]). Apenas encontre uma ou duas coisas que sejam cool e que com as quais você também pode dormir.

• Evite namorar alguém que faz o mesmo trabalho que você. Se não tiver escapatória, assegure-se que eles não vai se ressentir com o seu sucesso e vice-versa.

• Tente namorar alguém que cozinhe bem. Isso vai economizar tempo.

• Se você estiver cansado e precisar ficar mais animado, beber um pouco de molho de pimenta puro funciona bem.

• Mantenha uma caneta e um papel ao lado de sua cama. Boas ideias muitas vezes vêm quando você está caindo no sono, e você não vai lembrar delas de manhã.

• Só porque alguém tem mais qualificações que você não significa que essa pessoa seja melhor do que você. Vivemos na era da tecnologia, então você pode googlar qualquer coisa sobre a qual você não saiba. A única coisa que você não pode googlear é como ser criativo e único.

• De fato, a coisa mais importante é parar de duvidar de si mesmo. Isso é basicamente impossível pra mim, mas eu descobri que, se eu agir como uma chefe, eu posso convencer a mim mesma que eu sou uma chefe quando preciso ser uma. Eu copio coisas que eu vi políticos e atores fazendo; eu faço contato visual com as pessoas; tento manter meus ombros pra trás e minha cabeça erguida; eu gesticulo selvagemente e às vezes faço longas pausas (silêncio pode ser bastante intimidativo). Eu tento agir como se eu fosse poderosa, no palco e fora dele. Eu sou frequentemente tratada com desrespeito, mas eu respondo tão respeitavelmente quanto eu posso, porque isso faz um otário parecer estúpido quando você não desliza. Conforme o tempo foi passando, eu fui me dando conta de que as pessoas imbecis foram deasparecendo e eu estou rodeada cada vez mais por pessoas em que eu confio, e com as quais eu compartilho de mútuo respeito — o que, aliás, produz intimidade de verdade.