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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Nós não cansamos de tentar controlar a verdade incontrolável, tornar certeza a incerteza que permeia tudo. E isso vai se transformando em endurecimento dos músculos, tensão corporal que impede a fruição das coisas como elas são. Somente não desejando controlar é que podemos viver uma relação (entre qualquer coisa e/ou ser) até o seu fundo, até o máximo de suas possibilidades e potencialidades, com a regulação divina do Acaso não-causal.


Claro enigma
(Helio Ponciano)

Com o DVD de 'Cidade dos sonhos' (2001), de David Lynch, pode-se desfazer a impressão de alta complexidade que o filme deixou quando foi lançado. A trajetória . . . é confusa apenas à primeira vista (...). O limite entre sonho e realidade importa menos do que a força com que o imaginário - ditado por sentimentos como ódio, ciúme, inveja, culpa - interfere e detona o real. É que certos índices da trama (como a chave azul, a agenda em poder de um assassino, o crachá de uma garçonete, a cena do jantar) se revelam como atrativos certeiros para a montagem de um quebra-cabeça que, depois de compreendido em sua lógica interna (o nonsense do sonho e a galeria de tipos esdrúxulos) e assim desmitificado, permite o salto para a fruição da maior virtude de 'Cidade dos sonhos': satirizar habilmente Hollywood e retratar, com uma estrutura narrativa à altura de seu tema, os abismos da alma humana.
A arte e a necessidade
(Teixeira Coelho)



(...) Que arte serve para alguma coisa, que a arte tem utilidade. É isso que dizemos, de modo tático, aos políticos e empresários. A arte não serve para nada, a arte é inútil. Arte é puro dispêndio. Que bom. Os inimigos da "arte contemporânea" (no sentido de arte obscura, sem sentido) pensam atingi-la chamando-a de masturbação, essa também, do ponto de vista religioso, um desperdício por despejar no vazio a semente reprodutiva (o pecado de Onã). Na verdade, é um cumprimento à arte. Numa sociedade submetida à ideia da produtividade prometéica a todo custo (na verdade, ao menor custo ou ao custo dos outros), a arte como inutilidade é, para não dizer resistência, o que seria forte demais, pelo menos uma alternativa ao "sistema". É uma ironia e um paradoxo, claro, que o sistema gaste 5, 10 milhões de dólares numa bienal, com dinheiro das marcas mais divulgadas no mundo, para mostrar essa arte inútil. Mas, assim é. E é isso que permite a Richard Serra negar com veemência qualquer possibilidade de se considerar Frank Gehry, o arquiteto do Guggenheim-Bilbao, e de quem no entanto é amigo, o maior artista do século 20, como querem alguns. Por mais que a arquitetura contenha um elemento de arte (e como reproduzo aqui este juízo de valor, de algum modo o endosso - o que me valerá mais algumas inimizades entre os arquitetos...), sobre ela pesa uma enorme carga funcionalista e utilitária que não lhe permite considerar-se arte - não, em todo caso, do modo como se considera a "arte contemporânea". Reconhecer Frank Gehry como artista é contestar, a rigor, a ideia de autonomia da arte, tão duramente conquistada a partir das prisões de várias ditaduras e totalitarismos - a da Inquisição, a macarthista, a caribenha, a petainista, a pinochetista, a brasileira, a nazista, a fascista, a franquista, a salazarista, a soviética, a maoísta, a islâmica-fundamentalista e aquelas ainda em germinação (que as há, e como!). Os artistas não estão prontos a entregar a rapadura tão fácil assim, mesmo que a isca seja sedutora, como o é Gehry. (...)

Bravo! Novembro 2002, p. 18-19. José Roberto Teixeira Coelho é crítico de arte, professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) e curador-coordenador do Museu de Artes de São Paulo (MASP) desde 2006.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sparklehorse

1995. Vivadixiesubmarinetransmissionplot
depositfiles[ponto]com/files/w5y1gjoly
.
1999. Good morning spider
depositfiles[ponto]com/files/nsuuf0ib9
.
2001. It's a wonderful life
depositfiles[ponto]com/files/aa9zm7nrn
.
2006. Dreamt for light years in the belly of a mountain
depositfiles[ponto]com/files/v9hx8lxaw
.
2009. Dark night of the soul (com Danger Mouse & convidados)
depositfiles[ponto]com/files/rsujuur1k
"O significado da palavra miksang em tibetano é 'bom olho'. Na fotografia contemplativa (como também é chamada) são critérios diferentes dos convencionais que levam o autor a disparar o clique. A proposta da fotografia miksang (baseada na meditação e concentração) é nos deixar mais atentos para o que nos desperta interesse. Ou seja, o clique só ocorre quando o coração é tocado. A técnica pode parecer estranha, mas no Japão é comum combinar a meditação com ações do dia a dia. Ela permite notar os milagres que acontecem em instantes e que normalmente passariam despercebidos." (Texto adaptado da edição 15 da revista Vida Simples, abril de 2004)

"O que é Miksang: Miksang palavra de origem tibetana, que significa 'olho bom' e é uma união de meditação e uma forma de arte (fotografia contemplativa). Miksang faz parte da Arte de Dharma. Seus princípios são baseados nos ensinos do mestre de meditação, professor e artista Chögyam Trungpa. Seus ensinamentos são direcionados para percepção da natureza e da arte contemplativa. Percebendo Miksang: Na infinita, vívida e rica simplicidade do mundo, encontramos as imagens Miksang. Podemos dizer que a parte 'bom' é o nosso Mundo, e a parte 'olho' é a prática da fotografia contemplativa. Juntando o bom e o olho, nós podemos ajustar as boas qualidades do mundo ao nosso próprio Mundo. Esta viagem é realmente simples de ser visualizada. Se abrimos os olhos para nossa consciência natural, teremos um momento da percepção fresca, vívida e desobstruída. Há, em nós, um desejo natural de comunicar essa experiência. O resultado dessa fusão da meditação com a fotografia são as Miksang. Aprendendo Miksang: Com os exercícios visuais e as atribuições fotográficas, o olho e a mente obtêm naturalmente uma sincronização, de modo que a experiência de ver possa ser sem preocupações, presente e atual. Vendo desta maneira, cada percepção é completa, não filtrada e integralmente contemplada. Visualizando Miksang: O mundo visual pode ser percebido diretamente, sem o fardo dos nossos habituais gostos e desgostos, das associações e das memórias, que levam a obscurecer uma percepção limpa da natureza e da realidade. Sem o preconceito visual, nós podemos dar forma ao equivalente, daquilo que nós vimos e queremos expressar, precisamente em cada uma de nossas percepções. Miksang é uma forma de se abrir para um consciente natural, fugindo de perguntas e dos porquês." (Fonte)
[15 MELHORES FILMES DE 2009 ATÉ AGORA]

01. Synecdoche, New York / Sinédoque Nova York (2008) Charlie Kaufman
02. Caos calmo / Caos calmo (2008) Antonio Luigi Grimaldi
03. Rachel getting married / O casamento de Rachel (2008) Jonathan Demme
04. Entre le murs / Entre os muros da escola (2008) Laurent Cantet
05. The girlfriend experience / Confissões de uma garota de programa (2009) Steven Soderbergh
06. Revolutionary Road / Foi apenas um sonho (2008) Sam Mendes
07. A festa da menina morta (2008) Matheus Nachtergaele
08. Elegy / Fatal (2008) Isabel Coixet
09. Stella / Stella (2008) Sylvie Verheyde
10. Frozen river / Rio congelado (2008) Courtney Hunt
11. Paris / Paris (2008) Cédric Klapisch
12. Budapeste (2009) Walter Carvalho
13. Vicky Cristina Barcelona / Vicky Cristina Barcelona (2008) Woody Allen
14. Be kind rewind / Rebobine, por favor (2008) Michel Gondry
15. Burn after reading / Queime depois de ler (2008) Ethan Coen & Joel Coen


'The girlfriend experience' ('Confissões de uma garota de programa') - A estreia da Sasha Grey no cinema não-pornô é surpreendente. Um filme não-linear sobre a obsessão por dinheiro e pelo corpo - seja em seu modelamento pela academia, seja em seu aluguel pela prostituta - nesse caso, uma do tipo "sofisticada". Pontos para Grey e Soderbergh.

domingo, 23 de agosto de 2009

Mas já? Sim, 2009 já é o último ano da década de 00 (década de 2000?). Parece que foram ontem as duas viradas do milênio, não é? Pois a Pitchfork está começando as listas, as retrospectivas. O primeiro apanhado é das 500 melhores músicas da década. Hoje eles publicaram da 201ª à 500ª. Dentre elas, eu selecionei "algumas" que certamente vão entrar na minha lista (bem menor do que 500...) OU que eu ainda preciso conhecer.

006. Yeah Yeah Yeahs - Maps (2003)
008. Radiohead - Idioteque (2000)
009. Animal Collective - My Girls (2009)
010. Arcade Fire - Neighborhood #1 (Tunnels) (2004)
017. Annie - Heartbeat (2004)
018. Hercules and Love Affair - Blind (2008)
020. The Walkmen - The Rat (2004)

024. Radiohead - Everything in Its Right Place (2000)
028. Antony and the Johnsons - Hope There's Someone (2005)
030. The White Stripes - Seven Nation Army (2003)
033. Spoon - The Way We Get By (2003)
035. Animal Collective - Fireworks (2007)
036. Sigur Rós - Svefn-G-Englar (2000)
037. Kylie Minogue - Can't Get You Out of My Head (2001)
039. Modest Mouse - Float On (2004)
042. Battles - Atlas (2007)
048. Panda Bear - Bro's (2006)
049. Sufjan Stevens - Chicago (2005)

053. The Strokes - Someday (2001)
058. The White Stripes - Fell in Love With a Girl (2002)
059. Radiohead - Pyramid Song (2001)
061. Wilco - Jesus, Etc. (2002)
062. The Shins - New Slang (2001)
064. Interpol - Obstacle 1 (2002)
066. Fleet Foxes - White Winter Hymnal (2008)
067. Band of Horses - The Funeral (2007)
069. Arcade Fire - Rebellion (Lies) (2005)
073. Animal Collective - Grass (2005)
081. Deerhunter - Nothing Ever Happened (2008)
084. Peter Bjorn and John [ft. Victoria Bergsman] - Young Folks (2006)
086. Mclusky - To Hell With Good Intentions (2002)
088. The New Pornographers - Letter From an Occupant (2002)
089. The Postal Service - Such Great Heights (2003)
091. Justice - D.A.N.C.E. (2007)
092. Modest Mouse - 3rd Planet (2000)
096. Clinic - Distortions (2000)
097. Belle and Sebastian - I'm a Cuckoo (by the Avalanches) (2004)
098. Beirut - Postcards From Italy (2006)

101. Jürgen Paape - So Weit Wie Noch Nie (2002)
103. Feist - Mushaboom (2003)
106. The Mae Shi - Run to Your Grave (2008)
109. Grizzly Bear - Knife (2007)
115. Dirty Projectors - Stillness Is the Move (2009)
116. The White Stripes - Dead Leaves and the Dirty Ground (2002)
117. Animal Collective - Leaf House (2004)
118. Camera Obscura - Lloyd, I'm Ready to Be Heartbroken (2006)
126. Califone - The Orchids (2006)
128. The Mountain Goats - No Children (2003)
130. Spoon - The Underdog (2007)
132. Panda Bear - Comfy in Nautica (2005)
133. Belle and Sebastian - Your Cover's Blown (2004)
135. The Strokes - The Modern Age" [EP version] (2001)
140. Interpol - NYC (2003)
142. The Flaming Lips - Do You Realize?? (2002)
143. Feist - 1234 (2007)
145. Broken Social Scene - Cause = Time (2003)
146. Fennesz - Caecilia (2001)
147. Wilco - Poor Places (2002)
151. Santogold - L.E.S. Artistes (2008)
154. Sufjan Stevens - Casimir Pulaski Day (2005)
155. Coldplay - Clocks (2002)
158. Art Brut - Formed a Band (2004)
159. Cat Power - I Don't Blame You (2003)
162. Grizzly Bear - Two Weeks (2009)
164. Broadcast - Come on Let's Go (2000)
176. Xiu Xiu - I Luv the Valley OH! (2004)
178. Air - Cherry Blossom Girl (2003)
179. Bon Iver - Skinny Love (2007)
180. Gwen Stefani - Hollaback Girl (2004)
182. Yo La Tengo - Our Way to Fall (2000)
184. Queens of the Stone Age - No One Knows (2002)
188. Jens Lekman - Black Cab (2005)
189. The Tough Alliance - Silly Crimes (2006)
191. Vampire Weekend - Oxford Comma (2008)
192. Pulp - Sunrise (2001)
195. Love Is All - Make Out Fall Out Make Up (2003)
196. No Age - Teen Creeps (2008)
197. Joanna Newsom - Peach, Plum, Pear (2004)
198. Vitalic - La Rock 01 (2001)
199. Portishead - The Rip (2008)
200. Beck - Lost Cause (2002)

201. The New Pornographers - The Laws Have Changed (2003)
202. Belle and Sebastian - I'm Waking Up to Us (2001)
204. Spoon - Everything Hits at Once (2001)
205. Lily Allen - Smile (2006)
208. Kylie Minogue - Love at First Sight (2002)
209. The Clientele - Since K Got Over Me (2005)
210. Cat Power - Lived in Bars (2006)
212. The Beta Band - Squares (2001)
213. Yeah Yeah Yeahs - Y Control (2003)
216. Sleater-Kinney - Jumpers (2005)
220. Ekkehard Ehlers - Plays John Cassavettes, Pt. 2 (2001)
221. Fuck Buttons - Sweet Love for Planet Earth (2008)
224. The National - Abel (2005)
225. Dntel [ft. Ben Gibbard] - (This Is) The Dream of Evan and Chan (2001)
226. Le Tigre - Deceptacon (DFA Remix) (2001)
229. Joanna Newsom - Sprout and the Bean (2004)
230. The Mountain Goats - Best Ever Death Metal Band in Denton (2001)
231. Jarvis Cocker - Running the World (2006)
233. Air - Playground Love (2000)
236. Elliott Smith - A Distorted Reality Is Now a Necessity to Be Free" [7" version] (2003)
247. Broadcast - Pendulum (2003)
252. Bright Eyes - The Calendar Hung Itself (2000)
253. Caribou - Melody Day (2007)
254. Radiohead - Reckoner (2007)
257. The Flaming Lips - Fight Test (2002)
259. Neko Case - I Wish I Was the Moon (2002)
261. Sonic Youth - Incinerate (2006)
263. Coldplay - Yellow (2000)
265. Jim O'Rourke - Good Times (2001)
266. Bright Eyes - First Day of My Life (2005)
267. The Beta Band - To You Alone (2000)
269. The Decemberists - The Engine Driver (2005)
271. Arcade Fire - Intervention (2007)
273. Smog - Dress Sexy at My Funeral (2000)
275. Broken Social Scene - Stars and Sons (2002)
280. The Fiery Furnaces - Here Comes the Summer (2005)
281. The Books - Take Time (2003)
283. Godspeed You Black Emperor! - Storm [First Movement] (2000)
289. PJ Harvey - Good Fortune (2000)
292. Deerhunter - Spring Hall Convert (2007)
293. Aphex Twin - Avril 14th (2001)
295. Grandaddy - The Crystal Lake (2000)
296. Johnny Cash - The Man Comes Around (2002)
297. David Byrne and Brian Eno - Strange Overtones (2008)
298. Stars - Your Ex-Lover Is Dead (2004)
299. CSS - Let's Make Love and Listen to Death From Above (2006)
300. Iron & Wine - Upward Over the Mountain (2002)
301. The Shins - Kissing the Lipless (2003)
302. Black Dice - Cone Toaster (2003)
304. Destroyer - The Sublimation Hour (2001)
308. Gorillaz - Feel Good Inc. (2005)
310. Okkervil River - For Real (2005)
316. Neko Case - Hold On, Hold On (2006)
317. Squarepusher - My Red Hot Car (2001)
318. The Notwist - One With the Freaks (2002)
321. Four Tet - Smile Around the Face (2005)
324. The Twilight Sad - Cold Days From the Birdhouse (2007)
326. Yeah Yeah Yeahs - Cheated Hearts (2006)
327. Vampire Weekend - Walcott (2008)
329. Caribou - Hendrix With KO (2006)
331. Andrew Bird - Fake Palindromes (2005)
333. Death Cab for Cutie - A Movie Script Ending (2001)
334. Grizzly Bear - While You Wait for the Others (2009)
337. The National - Mistaken for Strangers (2007)
338. The Decemberists - O Valencia! (2006)
339. Sonic Youth - The Empty Page (2002)
341. Fleet Foxes - Blue Ridge Mountains (2008)
343. The Microphones - The Glow (2000)
345. Antony and the Johnsons - Aeon (2009)
346. Super Furry Animals - Juxtaposed With U (2001)
347. Bonnie "Prince" Billy - Cursed Sleep (2006)
353. Stars of the Lid - Requiem for Dying Mothers (Part 1) (2001)
355. Deerhoof - Milk Man (2004)
358. Cat Power - I Found a Reason (2000)
360. Boards of Canada - In a Beautiful Place Out in the Country (2000)
361. Smog - Rock Bottom Riser (2005)
362. Sigur Rós - Vaka (Untitled 1) (2007)
363. Clap Your Hands Say Yeah - The Skin of My Yellow Country Teeth (2005)
364. Elliott Smith - Everything Reminds Me of Her (2000)
365. Gwen Stefani - What You Waiting For (Thin White Duke Remix) (2004)
367. Frightened Rabbit - The Modern Leper (2008)
369. Primal Scream - Swastika Eyes (2000)
372. Camera Obscura - French Navy (2009)
377. Soulwax - NY Excuse (2004)
378. Blur - Out of Time (2003)
380. Rex the Dog - I Look Into Mid-Air (2004)
382. The Microphones - The Moon [Song Islands version] (2002)
384. Boards of Canada - Music Is Math (2002)
385. Four Tet - My Angel Rocks Back and Forth (2004)
388. Sigur Rós - Hoppípolla (2005)
393. Lightning Bolt - Dracula Mountain (2003)
397. Queens of the Stone Age - The Lost Art of Keeping a Secret (2000)
398. The Chemical Brothers - Star Guitar (2002)
400. Boris - Ibitsu (2003)
401. The Walkmen - In the New Year (2009)
402. My Morning Jacket - Off the Record (2005)
406. Nine Inch Nails - The Hand That Feeds (2005)
409. Sunn O))) - It Took the Night to Believe (2005)
410. Women - Black Rice (2008)
411. Wilco - Handshake Drugs (2003)
413. Nick Cave and the Bad Seeds - There She Goes, My Beautiful World (2004)
416. Jens Lekman - The Opposite of Hallelujah (2005)
417. High Places - From Stardust to Sentience (2008)
421. Lambchop - Up With People (2000)
422. Santogold - Lights Out (2008)
423. The Delgados - All You Need Is Hate (2003)
425. Björk - New World (2000)
426. Bob Dylan - Mississippi (2001)
427. Patrick Wolf - The Magic Position (2007)
428. Yo La Tengo - Last Days of Disco (2000)
431. Death Cab for Cutie - The New Year (2003)
439. Beirut - Elephant Gun (2007)
440. The Libertines - Time for Heroes (2002)
441. Sufjan Stevens - For the Widows in Paradise, For the Fathers in Ypsilanti (2003)
442. Menomena - Wet and Rusting (2006)
443. Explosions in the Sky - First Breath After Coma (2003)
444. Be Your Own Pet - Adventure (2006)
446. M. Ward - Chinese Translation (2006)
450. My Morning Jacket - Golden (2004)
452. Jay Reatard - Always Wanting More (2008)
453. Fucked Up - Crusades (2006)
454. Songs: Ohia - Didn't It Rain (2002)
455. Bonnie "Prince" Billy - Wolf Among Wolves (2003)
456. Doves - Black and White Town (2004)
457. Emily Haines & The Soft Skeleton - Doctor Blind (2006)
458. Sleater-Kinney - Far Away (2002)
460. Vivian Girls - Where Do You Run To (2008)
463. Black Kids - I'm Not Gonna Teach Your Boyfriend How to Dance With You" [EP version] (2008)
468. The Strokes - What Ever Happened? (2003)
469. DJ Shadow - You Can't Go Home Again (2002)
471. Crystal Castles - Alice Practice (2006)
474. Wolf Eyes - Human Animal (2006)
477. Dodos - Fools (2008)
479. Brightblack Morning Light - Everybody Daylight (2006)
482. Nick Cave & The Bad Seeds - As I Sat Sadly By Her Side (2001)
484. Múm - Green Grass of Tunnel (2002)
488. Jesu - Silver (2006)
490. Closer Musik - Departures (2002)
492. St. Vincent - The Strangers (2009)
494. Blonde Redhead - Equus (2004)
497. Woods - Rain On (2009)
498. Unwound - Scarlette (2001)
Carlos Inada, do projeto Dharma/Arte (que, por exemplo, organizou um curso com a multi-artista Meredith Monk em São Paulo), utilizou fotografias minhas para ilustrar a matéria Teatro Sagrado.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A que ponto chegamos de distanciamento: "Seu segundo álbum é um tanto insípido: tirando alguns momentos mais inspirados, como 'A feeling of the all-thing' e 'Entropy reigns', o disco é tão divertido quanto assistir vacas pastando ou um lado B do Erasure." (CR, da DJ Mag, resenhando Kelley Polar)
Blanched em Portugal. MP3:
Blanched - Tristes... (com locução de Diogo Santos)
(O link foi substituído, pois estava dando erro.)

domingo, 16 de agosto de 2009

Também o input_output foi mostrado na Rádio Universidade de Coimbra, em Portugal. O mesmo Diogo Santos, do Helicon (no qual tocou Blanched), mostrou 'Cada vez mais' no Umlaut, programa de IDM/ambient/electronica experimental. Para baixar a música precedida da locução, clique aqui.



Umlaut #3. 06.08.09

[ch`os]_decimal
Input_Output_cada vez mais
French Teen Idol_el siete es la luz
Balmorhea_settler (eluvium rmx)
Daily Misconceptions_hopen
Sigur Rós_ti ki
Wixel_cloud formation

Listen and Download: Here!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Acabei de receber esta... carta:

Harry Patch (In Memory Of)
'i am the only one that got through
the others died where ever they fell
it was an ambush
they came up from all sides
give your leaders each a gun and then let them fight it out themselves
i've seen devils coming up from the ground
i've seen hell upon this earth
the next will be chemical but they will never learn'

Recently the last remaining UK veteran of the 1st world war Harry Patch died at the age of 111.
I had heard a very emotional interview with him a few years ago on the Today program on Radio4.
The way he talked about war had a profound effect on me.
It became the inspiration for a song that we happened to record a few weeks before his death.
It was done live in an abbey. The strings were arranged by Jonny.
I very much hope the song does justice to his memory as the last survivor.

It would be very easy for our generation to forget the true horror of war, without the likes of Harry to remind us.
I hope we do not forget.

As Harry himself said
"Irrespective of the uniforms we wore, we were all victims".

Recently the Today program played the song for the first time and now it is available to download from our website.

Please go to http://download.waste.uk.com to download the song

The proceeds of this song will go to the British Legion.

To peace and understanding.
Thom
Achei! Eu já tinha visto o 'Burn to shine 2', mas tinha esquecido o título do DVD. É uma série:

















quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vislumbres de espaço: o dom do princípio feminino
Alice Haspray

Os princípios masculino e feminino são indivisíveis. Cada um de nós — homens ou mulheres — possui ambos os princípios. Como seres humanos, nosso caminho é envolver essas energias de uma maneira dinâmica e saudável.

Para que possamos ter uma consciência vívida de nossos aspectos feminino e masculino, poderíamos nos perguntar: precisamos de mais espaço em nossa vida? ou precisamos de mais atividades e coisas? Penso que descobriremos que na maior parte do tempo precisamos de mais espaço, mais energia feminina. Tirar nossas couraças permite-nos abrir mão de nossas preconcepções e simplesmente estar em um espaço de incerteza. Quando encontramos uma situação, temos a tendência de logo atirar. Agimos sem ter uma visão do todo, sem apreciar o espaço daquele momento. Instantaneamente queremos algo ou queremos rejeitar alguma coisa. Apenas reagimos. Queremos aumentar e proteger nosso território. Somos constantemente fisgados para fazer alguma coisa. Assim, como podemos soltar toda essa ocupação para apenas estar no espaço e relaxar? A linhagem materna, a corporificação do princípio feminino, oferece-nos um convite aberto para fazer justamente isso.

Penso que é possível dizer com segurança que a energia masculina vem dominando nossa sociedade há muito, muito tempo. Também podemos dizer que a energia masculina, no sentido de atividade, tangibilidade e materialidade, tem sido supervalorizada, em detrimento dos elementos intangíveis do princípio feminino. Podemos ver isso muito literalmente no que vem acontecendo com o planeta e os oceanos. Vemos o desaparecimento do espaço aberto e a erosão e degradação da Terra e da água. O progresso é muitas vezes definido de uma maneira estreita; é muito freqüentemente vinculado apenas ao que faz a economia crescer em um nível material. Os elementos intangíveis — como a arte, a cultura e a verdadeira celebração — tendem a não ser tão valorizados. Os elementos intangíveis de uma situação são capazes de conferir enorme poder, sustentação e magia, como bem sabemos. Portanto, é vital que não os negligenciemos. Esse é o poder da energia feminina.
O sentido da vida é o sentido da vida.


A MENSAGEM DE VIKTOR FRANKL
Olavo de Carvalho

O médico judeu austríaco Viktor Emil Frankl foi grande nas três dimensões em que se pode medir um homem por outro homem: a inteligência, a coragem, o amor ao próximo. Mas foi maior ainda naquela dimensão que só Deus pode medir: na fidelidade ao sentido da existência, à missão do ser humano sobre a Terra.

Homem de ciência, neurologista e psiquiatra, não foi o estudo que lhe revelou esse sentido. Foi a temível experiência do campo de concentração. Milhões passaram por essa experiência, mas Frankl não emergiu dela carregado de rancor e amargura. Saiu do inferno de Theresienstadt levando consigo a mais bela mensagem de esperança que a ciência da alma deu aos homens deste século.

O sentido da vida, concluiu Frankl, era o segredo da força de alguns homens, enquanto outros, privados de uma razão para suportar o sofrimento exterior, eram acossados desde dentro por um tirano ainda mais pérfido que Hitler - o sentimento de viver uma futilidade absurda. Após a libertação, reencontrou a esposa e a profissão, como diretor do Hospital Policlínico de Viena.

Frankl criou o conceito das doenças noogênicas, isto é, provenientes do espírito. Além das causas somáticas e psíquicas do sofrimento humano, era preciso reconhecer um sofrimento de origem propriamente espiritual, nascido da experiência do absurdo, da perda do sentido da vida: "O homem pode suportar tudo, menos a falta de sentido."

Das reflexões de Frankl sobre a experiência do absurdo nasceu um dos mais impressionantes sistemas de terapia criados no século dos psicólogos: a logoterapia, ou terapia do discurso - um conjunto de esquemas lógicos usados para desmontar os subterfúgios com que a mente doentia procura eludir a questão decisiva: a busca do sentido.

O sentido não tem de ser moldado pela mente, mas a mente pelo sentido. O sentido da vida, enfatiza Frankl, é uma realidade ontológica, não uma criação cultural. Frankl não dá nenhuma prova filosófica desta afirmativa, mas o caminho mesmo da cura logoterapêutica fornece a cada paciente uma evidência inequívoca da objetividade do sentido da sua vida. O sentido da vida simplesmente existe: trata-se apenas de encontrá-lo.

Universal no seu valor, individual no seu conteúdo, o sentido da vida é encontrado mediante uma tenaz investigação na qual o paciente, com a ajuda do terapeuta, busca uma resposta à seguinte pergunta: Que é que eu devo fazer e que não pode ser feito por ninguém, absolutamente ninguém exceto eu mesmo? O dever imanente a cada vida surge então como uma imposição da estrutura mesma da existência humana. Nenhum homem inventa o sentido da sua vida: cada um é, por assim dizer, cercado e encurralado pelo sentido da própria vida. Este demarca e fixa num ponto determinado do espaço e do tempo o centro da sua realidade pessoal, de cuja visão emerge, límpido e inexorável, mas só visível desde dentro, o dever a cumprir.

Eis aí por que é inútil buscar provas teóricas do sentido da vida: ele não é uma máxima uniforme, válida para todos - é a obrigação imanente que cada um tem de transcender-se. Discutir o sentido da vida sem realizá-lo seria negá-lo; e, uma vez que começamos a realizá-lo, já não é preciso discuti-lo, porque ele se impõe com uma evidência que até a mente mais cínica se envergonharia de negar.



Dois anos antes Olavo escreveu:

A evolução do pensamento moderno, de Maquiavel ao desconstrucionismo, é marcada pela presença crescente do fenômeno que denomino paralaxe cognitiva: o hiato entre o eixo da experiência pessoal e o da construção teórica. Cada novo "maître à penser" esmera-se em criar teorias cada vez mais sofisticadas que sua própria vida de todos os dias desmente de maneira flagrante. A "análise existencial" de Frankl, a contrapelo do "existencialismo" de Heidegger e Sartre que é uma apoteose da paralaxe, recupera o dom de raciocinar desde a experiência direta, que ao longo da modernidade foi renegada pelos filósofos e só encontrou refúgio entre os poetas e romancistas.

Se, a despeito disso, a obra de Frankl ainda não alcançou o lugar merecido nas atenções do establishment acadêmico, é simplesmente porque este é o templo da paralaxe cognitiva.



Livros de Victor Frankl no Brasil:

'Em busca de sentido' (Vozes-Sinodal)
'Psicoterapia para todos' (Vozes)
'A questão do sentido em psicoterapia' (Papirus)
'Um sentido para a vida' (Santuário)
'Sede de sentido' (Quadrante)
'Psicoterapia e sentido da vida' (Quadrante)
'A presença ignorada de Deus' (Vozes-Sinodal)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Stanley Donwood existe - ele não é o próprio Thom Yorke, como eu achava que fosse - já que é sobrenatural a sintonia entre a música do Radiohead e a arte gráfica dos discos, já que Thom Yorke é formado em artes plásticas e já que o Staley Donwood nãodava entrevistas, não aparecia...

Yury Hermuche:

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Duas postagens de agosto de 2007.

1. Bicho s.m. Homem que faz menos barulho.

2. Eu vou ter um não-lustre da Tok Stok no meu próximo apartamento. Eu entro na loja e chego para um atendente: "Eu não quero um lustre." E saio. E isso é gravado em vídeo. No teto da minha sala, para iluminar, haverá uma tevê pendurada com o vídeo da loja em loop.


Alguns deles já começaram a cantar. Em 2007, começaram no dia 30 de agosto.
"Uma imagem vale por mil palavras."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Maria Makowska



Parque Eólico de Osório

"Usar o transporte público em vez do automóvel privado tem claramente consequências ambientais que impactam a vivibilidade da cidade. Mas não é só uma questão dos efeitos dessa decisão sobre a qualidade do ar que se respira. É também o impacto sobre os aspectos relacionais e de interação entre pessoas, e do nosso próprio relacionamento com a cidade. (...) Vista sempre de dentro de um carro, [ela] é percebida como um lugar de passagem, mas não de convivência." (Lara Penin)
Três vizinhos meus, cidadãos da Noruega.




Brad Downey & Erik Tidemann - 'Bi-product of the process'




Rune Guneriussen
Eu darei tudo para ter um lar artisticizado.



Misewell
"Em uma aula, sendo perguntado sobre o significado de 'arte', o Agnaldo Farias mencionou o poema 'Catar feijão' do João Cabral [de Melo Neto - vide abaixo] sobre como as coisas estão aí como pedras e os artistas as tornam visíveis. Segundo ele, 'o artista dá a ver o problema, traz à tona aquilo que fica submerso para outros'." (Laura Davina)

1.
Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.
Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.


Obra realizada a partir da proposta da mostra The SMART Art - Trash Into Treasure que acontece em San Francisco. "Competition was launched earlier this year with the goal to show the world that discarded items can be re-designed, re-used and re-thought into works of art and every day functional items." Fonte: blog da moça que vou mencionar nas postagens acima.
Miranda July apresenta...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009



"El peso es para mí un valor esencial; no es que sea más atractivo que la ligereza, pero sencillamente sé más sobre lo pesado que sobre lo ligero, y por tanto tengo más cosas que decir sobre ello, más que decir sobre …, los efectos psicológicos del peso, más que decir sobre los constantes y minuciosos reajustes del peso, más que decir sobre el placer derivado de la exactitud de las leyes de la gravedad." (Richard Serra, escultor)



Está publicada a minha "mixtape" no Sinewave - e um podcast com o Daniel Galera. Blanched em dose dupla.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

CAMPBELL, Joseph. O herói de mil faces.
Capítulo IV em diante.

O herói mitológico, saindo de sua cabana ou castelo cotidianos, é atraído, levado ou se dirige voluntariamente para o limiar da aventura. Ali, encontra uma presença sombria que guarda a passagem. O herói pode derrotar essa força, assim como pode fazer um acordo com ela, e penetrar com vida no reino das trevas (batalha com o irmão, batalha com o dragão; oferenda, encantamento); pode, da mesma maneira, ser morto pelo oponente e descer morto (desmembramento, crucifixação). Além do limiar, então, o herói inicia uma jornada por um mundo de forças desconhecidas e, não obstante, estranhamente íntimas, algumas das quais o ameaçam fortemente (provas), ao passo que outras lhe oferecem uma ajuda mágica (auxiliares). Quando chega ao nadir da jornada mitológica, o herói passa pela suprema provação e obtém sua recompensa. Seu triunfo pode ser representado pela união sexual com a deusa-mãe (casamento sagrado), pelo reconhecimento por parte do pai-criador (sintonia com o pai), pela sua própria divinizaçao (apoteose) ou, mais uma vez — se as forças se tiverem mantido hostis a ele -—, pelo roubo, por parte do herói, da bênção que ele foi buscar (rapto da noiva, roubo do fogo); intrinsecamente, trata-se de uma expansão da consciência e, por conseguinte, do ser (iluminação, transfiguração, libertação). O trabalho final é o do retorno. Se as forças abençoaram o herói, ele agora retorna sob sua proteção (emissário); se não for esse o caso, ele empreende uma fuga e é perseguido (fuga de transformação, fuga de obstáculos). No limiar de retorno, as forças transcendentais devem ficar para trás; o herói reemerge do reino do terror (retorno, ressurreição). A bênção que ele traz consigo restaura o mundo (elixir).

Sempre que é objeto de uma interpretação que a encara como biografia, história ou ciência, a poesia presente no mito fenece. As vividas imagens estiolam-se em fatos remotos de um tempo ou céu distantes. Ademais, jamais há dificuldades em demonstrar que a mitologia, tomada como história ou ciência, é um absurdo. Quando uma civilização passa a interpretar sua mitologia desse modo, a vida lhe foge, os templos transformam-se em museu e o vínculo entre as duas perspectivas é dissolvido. Uma tal praga certamente se abateu sobre a Bíblia e sobre grande parte do culto cristão.

Para levar essas imagens a recuperar a vida, devemos procurar, não aplicações interessantes a temas modernos, mas indícios que nos tragam a luz do passado inspirado. Quando esses indícios iluminadores são encontrados, vastas áreas de iconografia semimorta voltam a revelar seu sempiterno sentido humano.

O intelectual moderno não encontra dificuldades em admitir que o simbolismo da mitologia se reveste de um significado psicológico. Está fora de dúvidas, especialmente depois do trabalho dos psicanalistas, que tanto os mitos compartilham da natureza dos sonhos, quanto os sonhos são sintomáticos da dinâmica da psique.


Ladies and gentlemen, Pipilotti Rist...

Médico conta bastidores do "lobby farmacêutico"
New York Times, 25 de novembro de 2007 (Daniel Carlat)


Era um dia frio de outono na Nova Inglaterra, em 2001, e o amistoso representante da Wyeth Pharmaceuticals me visitou em meu consultório em Newburyport, Massachusetts, para me convidar a fazer palestras a outros médicos sobre o uso do Effexor XR como remédio para a depressão. A Wyeth forneceria as ilustrações para as palestras e me pagaria um curso que me ensinaria a falar melhor em público.

Eu visitaria os consultórios de outros médicos na hora do almoço e receberia US$ 500 por sessões de almoço informativo. Os honorários subiriam para US$ 750 caso eu tivesse de viajar mais de uma hora de carro. A empresa bancaria uma viagem de "treinamento de professores" a Nova York, onde eu seria mimado em um hotel da região central de Manhattan por duas noites, além de receber um "honorário" adicional.

Eu tinha um consultório psiquiátrico movimentado, e minha especialidade era a psicofarmacologia. Conhecia bem o Effexor, e havia lido estudos recentes segundo os quais o medicamento poderia ser ligeiramente mais eficiente que os remédios conhecidos como SSRI, os antidepressivos mais comuns - Prozac, Paxil e Zoloft, por exemplo.

"SSRI" quer dizer inibidor de regeneração seletiva de serotonina. O remédio eleva a presença do neurotransmissor serotonina, um produto químico que o cérebro produz e ajuda a regular nossos humores. O Effexor estava sendo comercializado como inibidor duplo de regeneração, o que significava que ele elevava ao mesmo tempo a serotonina e a norepinefrina, outro neurotransmissor.

A teoria promovida pela Wyeth era a de que dois neurotransmissores com certeza seriam melhores que um. Eu já havia receitado Effexor a diversos pacientes, e o remédio me parecia trabalhar no mínimo tão bem quanto os SSRI. Se eu fizesse palestras a clínicos sobre o Effexor, arrazoei, não estaria violando a ética. A Wyeth talvez se beneficiasse, mas os demais médicos também obteriam vantagens, porque receberiam mais informação sobre um bom remédio.

Poucas semanas mais tarde, minha mulher e eu estávamos no saguão do luxuoso Millenium Hotel, em Manhattan. Na recepção, me foi entregue uma pasta que continha o cronograma das palestras, um convite para diversos jantares e recepções, além de dois ingressos para um musical da Broadway. Comecei a sentir certa dor na consciência. O dinheiro investido parecia excessivo, se o objetivo do grupo farmacêutico era simplesmente que eu instruísse os médicos que trabalham em pequenas cidades ao norte de Boston. (...) No final da última palestra, todos recebemos envelopes ao sair da sala. Dentro deles, havia cheques no valor de US$ 750. (...)

Era como um vício, não foi fácil abandonar o hábito. Havia outro problema. Pacientes que suspendiam o tratamento com o remédio estavam reportando sintomas como tontura e náuseas severas, sensações bizarras de choque elétrico em suas cabeças, insônia, tristeza e choro. Começou a gradualmente ficar claro que se tratava de sintomas causados pela abstinência. Na reunião da Wyeth em Nova York nos haviam assegurado de que os sintomas causados por abstinência não eram comuns, no Effexor, e em geral era possível evitá-los por meio de uma redução gradual da dosagem.

Mas, em meu consultório, era comum que essa idéia não funcionasse, e os pacientes estavam sofrendo para largar o remédio. Isso me fez pensar duas vezes antes de receitá-lo, dali por diante. Em minhas palestras, eu mencionava os dois aspectos da questão, afirmando que os sintomas causados pela abstinência podiam ser fortes mas que "em geral" eram evitáveis.
O objeto na escultura contemporânea
(Regilene Sarzi-Ribeiro)


Foi realizada . . . dia 18 de fevereiro em Madri, na Espanha, a Arco – 27ª Feira Internacional de Arte Contemporânea, que teve o Brasil como país homenageado. Entre os brasileiros participantes da feira estavam Cao Guimarães, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Tunga, Vik Muniz, Marepe e Sandra Cinto.

A crítica discutiu durante a Feira a posição da arte contemporânea brasileira no circuito internacional, as relações de mercado e as características das obras e dos artistas que participaram da feira e que receberam destaque. Galerias de arte e críticos acreditam que a produção contemporânea brasileira tem apresentado ao mundo obras ímpares, as quais desmontam vários clichês sobre o nosso país.

Diante dos debates e argumentações uma obra me chamou muito a atenção e foi nela que me inspirei para escrever este ensaio. Trata-se de uma “escultura” do artista plástico Marepe intitulada Edifício Pá (2007). Sua peça, composta de um conjunto de pás de lixo de plástico coloridas sobrepostas, me fez refletir sobre os procedimentos da escultura moderna, sobretudo as alterações ocorridas com a linguagem escultórica, como o uso de materiais industrializados e os novos modelos operatórios. Neste sentido, quero enfatizar a apropriação de objetos do cotidiano como matéria prima e a ambientação espacial comum às instalações, entre outros elementos visuais, que foram sendo assimiladas pela linguagem tridimensional. (...)

Se antes os procedimentos mais comuns à escultura eram esculpir, modelar e fundir, agora os artistas passarão a manipular a matéria escultórica por meio de outros procedimentos, tais como construir, modular e ambientar, conforme afirma Laurentiz (1988). Aliados a outra atitude de ordem conceitual, que introduziu no espaço escultórico os objetos do cotidiano, objetos comuns. Refiro-me aos ready-mades de Marcel Duchamp, um dos protagonistas da escultura moderna. Os ready-mades (feitos à mão, prontos) de Duchamp, guardados os aspectos de ordem política contra o sistema da arte e às instituições culturais, contribuem de maneira significativa para que os escultores passem a se apropriar de qualquer objeto ou materiais, fazendo deles um “objeto”, agora atribuído de significados estéticos.

Observem agora a obra de Marepe. Após essas breves considerações sobre a escultura moderna, vejamos o quanto é interessante a apropriação que este artista faz de um objeto corriqueiro: uma pá de lixo.



Trata-se de uma escultura-objeto no formato de uma torre composta de pás de lixo de plástico de várias cores. São 70 pás, sobrepostas, todas do mesmo tamanho. A disposição das cores nos remete às teorias das cores e as relações tonais. O amarelo bem abaixo, próximo ao chão, mais luminoso, claro, amplia o espaço pressionando nosso olhar para o alto da torre, onde se encontram o maior número de pás verdes, mais escuro, menos luminoso. Mas o verde está restrito entre duas cores complementares formadas por um conjunto de pás de cor laranja e outro azul, que por atração comprimem o espaço entre elas.

Esse jogo cromático é responsável por prender nosso olhar, que sobe e desce pela torre de plástico em busca da harmonia entre os tons. Mas, ao nos deparamos com a materialidade da obra, objetos de plástico, e o que representam esses objetos acumulados, essa magia das cores é interrompida.

Marepe se apropria das pás de plástico para realizar uma construção espacial por meio de módulos e ambientar um objeto, um ready-made. Se pesquisarmos outras obras deste artista, veremos o quanto esta obra é coerente com as suas mais recentes produções, marcadas por este acúmulo de materiais e por construções tendo objetos cotidianos como matéria-prima. Como um telhado feito com telhas verdadeiras ou o conhecido carrinho de madeira, exposto no Panorama do MAC, em 2007, em São Paulo.

Interessante notar que o título dado por Marepe à obra, Edifício Pá, nos remete às questões espaciais e às relações da construção tridimensional com a arquitetura e, ainda se assim a concebermos, às apropriações de objetos comuns do dia-a-dia como objeto artístico. A presença física da obra discute o espaço. Seu aspecto concreto se impõe como uma estrutura espacial idealizada e produzida pela ação simples, porém não menos complexa, de juntar, acumular, sobrepor, um conjunto de 70 pás de lixo.

Quem observa a obra e desconhece todos os procedimentos conceituais que cercam o processo criativo do artista, pode pensar que é uma obra simples, afinal é só um “monte” de pazinhas de lixo colocadas uma acima da outra. Mas basta aprofundar a pesquisa sobre as obras de Marepe e comparar com as obras de escultura contemporâneas para se perceber o quanto são sutis suas intervenções. (...)


Wikipédia:

O ready-made se caracteriza por uma operação de sentido que faz retornar o literário ao problema da arte, contrariando a ênfase modernista na forma do objeto artístico. O conceito de alegoria retorna na forma de uma operação que a materializa concretamente. E ao adotar tal operação de sentido, Duchamp termina por implicar mais que a obra de arte; é necessário tratar de toda a constelação estética que envolve a obra e da conjuntura de sentido que a produz, mas também a que a sustenta e sanciona. (...) Ao longo de seu trabalho, Duchamp termina por qualificar a produção de ready-mades. A expressão se refere primariamente aos objetos que não sofreram transformação formal. Na qualidade de objetos, assim, de algum modo transformados, temos os ready-mades ajudados, retificados, corrigidos e recíprocos, segundo o modo pelo qual sua forma sofre interferência por parte do artista.
Trechos que eu consegui interpretar do 'Tao te Ching', de Lao Tsé.


1

Sem-Nome é o princípio do céu e da terra
Com-Nome é a mãe de dez mil coisas


2

Quando os seres sob o céu reconhecem o belo como belo
Então isso já se tornou um mal
E reconhecendo o bem como bem
Então já não seria um bem
A existência e a inexistência geram-se uma pela outra
O difícil e o fácil completam-se um ao outro
O longo e o curto estabelecem-se um pelo outro
O alto e o baixo inclinam-se um pelo outro
O som e a tonalidade são juntos um com o outro
O antes e o depois seguem-se um ao outro
Portanto
O Homem Sagrado realiza a obra pela não-ação
E pratica o ensinamento através da não-palavra
Do selo-site Sinewave.

Helicon é um programa da Rádio Universidade de Coimbra, Portugal, capitaneado pelo Diogo Santos. Os “alinhamentos” (set lists - aprendemos agora hehe) dos programas sempre incluem alguma música lançada pela Sinewave, em meio a lançamentos e clássicos de post-rock mundial. No programa mais recente, chamado “Ordem e Progresso!”, Diogo nos pediu uma seleção só de artistas lançados pela Sinewave. Confiram lá!

Ordem e Progresso!

Edição especial com temas escolhidos do outro lado o Atlântico pelos sócios/fundadores da net-label Sinewave, portanto uma hora totalmente dedicada à editora sediada em São Paulo no Brasil.

001. Blanched. Tristes dos que procuram dentro de si respostas porque lá só há espera. Blanched Toca Angelopoulos
002. Este Silêncio. Azul. Este Silêncio
003. Duelectrum. Cabeças nas nuvens. Electrolandia
004. Herod Layne. Sealand fire. Sealand Fire EP
005. Hoping to Collide With. The last straw. Hoping to Collide With
006. Sertão Agrário. Pedrinho e o dragão lunar. Crescendo
007. S.O.M.A. 4891. O.M.
008. A Sea of Leaves. Time in overdrive. Time in Overdrive EP
009. Gray Strawberries. Submerged. Metropolitan Passionate Idealist
010. [Art].Ficial. Recuperando corpos quebrados com um estalar de dedos. Braille
011. Allice. Jardim de inverno. Allice

Ouvir.
Download.

domingo, 2 de agosto de 2009

Palestra do monge budista Thich Nhat Hanh em 2003.



"Pode ser prazeroso, não é um trabalho duro. Você não precisa fazer nenhum esforço. Só ficar consciente de que você está inspirando e expirando agora. E você pode até fazer melhor: você pode sorrir para sua inspiração, você pode sorrir para sua expiração, como que para um amigo querido, uma amiga querida. Esse é um primeiro exercício. É muito simples, mas o efeito pode ser muito profundo. Quando você desfruta de sua inspiração e de sua expiração, quando você reconhece elas, você consegue parar todos os seus pensamentos. Parar de pensar é uma grande realização. Você não está tentando parar, mas o pensamento para. (...) Você é sua respiração do começo ao fim."


Chegou Kaossilator, o oscilador da Korg, sintetizador de palma da mão, o mini-Kaosspad que não serve como processador de efeitos.


Com este olhar, Leora Barbara vai longe.


'The Texas-Jerusalem crossroads', de 2002, é um clássico do post-rock cantado. Na foto, o líder do Lift To Experience, Josh T. Pearson
Há uma melodia idêntica nas músicas 'Will to love' (1977), do Neil Young, e 'Roda-gigante' (2007), dos Cachorro Grande:

DUCASSE, Isidore = LAUTRÉAMONT, Conde de. Os cantos de Maldoror.

Canto Segundo, (13)

Procurava uma alma que se assemelhasse a mim, e não conseguia encontrá-la. Revirava todos os rincões da terra; minha perseverança era inútil. No entanto, não podia continuar só. Precisava de alguém que aprovasse meu caráter; precisava de alguém que tivesse as mesmas ideias que eu. (...) Sentei-me em um rochedo, à beira-mar. Um navio acabava de içar todas as suas velas, para afastar-se dessas paragens: um ponto imperceptível acabava de aparecer no horizonte, e se aproximava aos poucos, impelido pelas rajadas de vento, crescendo com rapidez. A tempestade ia começar seus ataques, e o céu escurecia, adquirindo um negror quase tão horrendo quanto o do coração do homem. O navio, um grande vaso de guerra, acabava de jogar todas as suas âncoras, para não ser varrido sobre os rochedos da costa. O vento silvava com furor dos quatro pontos cardeais, e deixava as velas em tiras. Os trovões explodiam entre os relâmpagos, e não conseguiam encobrir o rumor dos lamentos que se ouviam na casa sem alicerces, sepulcro móvel. O balanço dessas massas aquosas ainda não havia conseguido romper as correntes das âncoras; mas seus embates haviam entreaberto um caminho para a água, nos flancos do navio. Brecha enorme; pois as bombas não bastavam para devolver as quantidades de água salgada que vêm abater-se espumando sobre a ponte, como montanhas. O navio em perigo dispara os tiros de canhão do alarme; mas soçobra com lentidão... com majestade. Quem não viu um navio afundar no meio da tempestade, da intermitência dos relâmpagos e da mais profunda escuridão, enquanto aqueles que ele contém são tomados por esse desespero que conheceis, esse ainda não conhece os acidentes da vida. Finalmente, um grito universal de imensa dor escapa dos flancos do navio, enquanto o mar redobra seus temíveis ataques. É o grito emitido pelo abandono das forças humanas. Todos se envolvem no manto da resignação, e entregam seu destino às mãos de Deus. Ajuntam-se como um rebanho de carneiros. O navio em perigo dispara os tiros de canhão do alarme; mas soçobra com lentidão... com majestade. Fizeram funcionar as bombas pelo dia todo. Esforços inúteis. A noite chegou, espessa, implacável, para culminar esse espetáculo gracioso. Cada qual se repete que, uma vez na água, não conseguirá respirar; pois, até onde chega sua memória, não reconhece nenhum peixe como ancestral; exortam-se, porém, a reter o fôlego pelo maior tempo possível, a fim de prolongar a vida por mais dois ou três segundos; é a ironia vingativa que pretendem dirigir à morte... O navio em perigo dispara os tiros de canhão do alarme, mas soçobra com lentidão... com majestade. Não sabe que o casco, ao afundar, ocasiona uma poderosa circunvolução de ondas ao redor delas mesmas; que o limo lamacento se misturou às águas revoltas, e que uma força que vem de baixo, contragolpe da tempestade que exerce sua devastação em cima, imprime ao elemento líquido movimentos sincopados e nervosos. Assim, apesar da provisão de sangue frio que ele junta antecipadamente, o futuro afogado, após uma reflexão mais ampla, deverá sentir-se feliz se prolongar sua vida, nos turbilhões do abismo, pela metade do tempo de uma respiração ordinária, e isso calculando-se com folga. Ser-lhe-á, pois, impossível zombar da morte, seu desejo supremo. O navio em perigo dispara os tiros de canhão do alarme; mas soçobra com lentidão... com majestade. Está errado. Não dá mais tiros de canhão, não soçobra. A casca de noz foi completamente tragada. (...) Seguia, com uma atitude triunfante, todas as peripécias desse drama, desde o instante em que o barco lançou suas âncoras, até o momento em que submergiu, vestimenta fatal que arrastou às entranhas do mar aqueles que dela se haviam revestido, como de um manto. Mas aproximava-se o instante em que iria, eu mesmo, intervir como ator nessas cenas da natureza transtornada. Quando o lugar, onde o veleiro havia sustentado o combate, mostrou claramente que esse iria passar o resto dos seus dias no porão do mar, então aqueles que haviam sido levados pelas ondas reapareceram parcialmente à superfície. Seguravam-se abraçados, dois a dois, três a três; era o modo de não salvarem suas vidas; pois seus movimentos ficavam embaraçados, e afundavam como jarras furadas... O que é esta esquadra de monstros marinhos que fende as ondas com rapidez? São seis; suas nadadeiras são vigorosas, e abrem caminho através das ondas revoltas. De todos esses seres humanos, que agitam os quatro membros nesse continente pouco firme, os tubarões logo fazem nada mais que um omelete sem ovos, e o repartem de acordo com a lei do mais forte. O sangue se mistura às águas, e as águas se misturam ao sangue. Seus olhos ferozes bastam para iluminar o cenário da carnificina... Mas o que será ainda esse tumulto das águas, lá longe, no horizonte? Dir-se-ia uma tromba d'água a aproximar-se. Que remadas! Já vejo do que se trata. Uma enorme fêmea de tubarão vem partilhar o patê de fígado de ganso, e tomar o caldo frio. Está furiosa; pois chega esfaimada. Inicia-se um combate entre ela e os tubarões, para disputar os poucos membros palpitantes que flutuam ali e acolá, sem nada dizer, à superfície do creme vermelho. À direita, à esquerda, desfere dentadas que provocam feridas mortais. Mas três tubarões sobreviventes ainda a cercam, e é obrigada a virar-se em todas as direções, para esquivar-se das suas manobras. Com uma emoção crescente, desconhecida até então, o espectador, postado à margem, acompanha essa batalha naval de um novo gênero. Tem os olhos fixos nessa corajosa fêmea de tubarão, com dentes tão fortes. Não hesita mais, coloca seu fuzil ao ombro e, com sua habilidade costumeira, acerta a segunda bala no ouvido de um dos tubarões, no momento em que este se mostrava sobre as ondas. Restam mais dois tubarões que exibem uma fúria maior ainda. Do alto do rochedo, o homem da saliva salobra se atira ao mar, e nada rumo ao tapete agradavelmente colorido, segurando em sua mão esse facão de aço que nunca o abandona. Agora, cada tubarão tem um contendor pela frente. Avança sobre seu adversário fatigado, e, sem pressa, enterra em seu ventre a afiada lâmina. A fortaleza móvel se livra facilmente do último adversário... Encontram-se frente a frente, o nadador e a fêmea de tubarão, salva por ele. Olharam-se nos olhos, por alguns minutos; e ambos se espantaram por encontrar tamanha ferocidade no olhar do outro. Dão voltas nadando, não se perdem de vista, e se dizem: 'Enganei-me até hoje; aí está alguém que é mais malvado'. Então, de comum acordo, entre duas águas, deslizaram um para o outro, com uma admiração mútua, a fêmea do tubarão afastando as águas com suas nadadeiras, Maldoror batendo a onda com seus braços; e retiveram seu fôlego, em uma veneração profunda, cada qual desejoso de contemplar, pela primeira vez, seu retrato vivo. Chegados a três metros de distância, sem qualquer esforço, caíram bruscamente um contra o outro, como dois ímãs, e se abraçaram com dignidade e reconhecimento, em um amplexo tão terno como o de um irmão ou de uma irmã. Os desejos carnais seguiram de perto essa demonstração de amizade. Duas coxas nervosas se colaram estreitamente à pele viscosa do monstro, como duas sanguessugas; e, os braços e as nadadeiras entrelaçados ao redor do corpo do objeto amado, rodeando-o com amor, enquanto suas gargantas e seus peitos logo formavam coisa alguma, a não ser uma massa glauca, com exalações de sargaços; à luz dos relâmpagos; tendo por leito de himeneu a vaga espumosa, transportados por uma corrente submaria como em um berço, rolando sobre si mesmos, rumo às profundezas desconhecidas do abismo, juntaram-se em uma cópula longa, casta e horrorosa!... Finalmente, acabava de encontrar alguém semelhante a mim!... De agora em diante, não estava mais só na vida!... Ela tinha as mesmas ideias que eu!... Estava diante do meu primeiro amor!

sábado, 1 de agosto de 2009

O psicólogo americano Joy Paul Guilford (1897-1987) desenvolveu no final dos anos 40 um modelo de entendimento humano que serviu de fundamento à pesquisa moderna sobre a criatividade. O ponto decisivo na concepção de Guilford foi a distinção entre pensamento convergente e divergente.

O pensamento convergente visa diretamente a uma única possibilidade correta de solução para determinado problema. Já o divergente seria o raciocínio criativo.

Segundo Guilford, em primeira linha os testes de QI exigem pensamento convergente. Afinal sempre se trata de procurar, com auxílio da lógica, uma solução ortodoxa que se possa classificar como certa ou errada, de modo claro.

No entanto, pessoas criativas destacam-se sobretudo porque seu intelecto, ao confrontar-se com um problema, supera os esquemas mentais já arraigados e trilha novos caminhos. Guilford definia a criatividade justamente como a capacidade de "encontrar respostas inusitadas, às quais se chega por associações muito amplas". E aqui entra em cena o pensamento divergente, com a finalidade de produzir diversas soluções possíveis. "No pensamento divergente avança-se para muitos lados. Tão logo seja necessário, ele muda de direção e leva com isso a uma pluralidade de respostas que podem ser, todas elas, corretas e adequadas", explicou em 1950.

Sobre o conceito de pensamento divergente, que ainda continua sendo bastante nebuloso, os especialistas definiram até hoje pelo menos seis traços característicos:

Fluência de idéias: aspecto quantitativo da criatividade, ou seja, quantas idéias e associações ocorrem para determinada pessoa, por exemplo quando se apresenta a ela um novo conceito.

Pluralidade, flexibilidade: o critério aqui é encontrar o maior número possível de soluções diferentes.

Originalidade: aspecto qualitativo da idéia, ou seja, a capacidade de desenvolver possibilidades de solução peculiares, às quais nem todos podem chegar.

Elaboração: define o talento de formular uma idéia e continuar desenvolvendo-a até que se torne solução concreta para um problema.

Sensibilidade para problemas: capacidade de perceber uma tarefa como tal e ao mesmo tempo identificar as dificuldades associadas a ela.

Redefinição: dom de perceber questões conhecidas sob um novo viés. A decomposição de um problema sob aspectos parciais muitas vezes ajuda a ver as coisas sob uma luz totalmente nova.



Fonte: Revista Mente & Cérebro
BISSOCIAÇÃO




Definição. A bissociação é a técnica mentalsomática associativa decorrente da justaposição de uma ideia ou constructo básico com vários outros de diferentes campos não relacionados para produzir descobertas, inovações, invenções e captação de neoideias ou potencialização da criatividade.

Sinonímia: 1. Técnica associativa do pareamento conceitual. 2. Associação biconceitual. 3. Justaposição aleatória. 4. Correlação inteligente. 5. Liberdade pensênica. 6. Combinatória lexical.

Antonímia: 1. Repetição. 2. Monotonia. 3. Prisão pensênica.

Etimologística. O termo bissociação foi proposto por Arthur Koestler no livro The act of creation.

Fonte: Conscienciopédia