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terça-feira, 27 de dezembro de 2016
De 1985 até hoje, não houve atriz que tenha superado, nas novelas da Globo, a Christiane Torloni em A Gata Comeu – nos quesitos charme, estilo, carisma, feminilidade, brilho nos olhos e a beleza personalíssima que disso tudo decorre.
Eu falara em destacar 5, mas consegui separar 40 melhores patos:
Mogli, o pato lobo
Um pato chamado cavalo
Pato, o boto
Um peixe chamado Pato
V de pato
Pato, o porquinho atrapalhado
Pato, a baleia assassina
Pato, o super-cão
Pato adentro
O banheiro do pato
Pato ataca
Quando os patos cospem
Patos verdes fritos
Meu pato esquerdo
Apertem os patos, o piloto sumiu
O pato veste Prada
Precisamos falar sobre pato
Um pato chamado desejo
A primeira noite de um pato
A história sem pato
Pato na chuva
Viagem ao centro do pato
9 semanas e meia de pato
O pato de Lorenzo
O pato de Jéssica
O pato de Truman
O pato de Andy
O pato de Rosemary
O pato de Kaspar Hauser
O pato de Emily Rose
Pato de Mary Shelley
O pato de Jack e Rose
O pato de Munchausen
O curioso pato de Benjamin Button
O pato do Soldado Ryan
O pato de Brian
Quo-pato
Monty pato e o cálice sagrado
João e o pé de pato
A morte pede pato
Autores: Wagner Pacheco, Vânia Santos, Telma Scherer, Inara Moraes Dos Santos, Roberto Malater Guimarães, Rogério Beninca, Valdir L. de Andrade Jr., Carlos D Medeiros, Luana Brassel, Criz Azevedo, Leca Heinzelmann, Lia Masoni, Jose Pedroso, Marcelo Gobatto, Jean Dobrinsky Davi, Ana Roberta, Laura Backes, Euclides Bitelo, Eduardo Amorim de Mattos, Henrique Fanti e eu.
Mogli, o pato lobo
Um pato chamado cavalo
Pato, o boto
Um peixe chamado Pato
V de pato
Pato, o porquinho atrapalhado
Pato, a baleia assassina
Pato, o super-cão
Pato adentro
O banheiro do pato
Pato ataca
Quando os patos cospem
Patos verdes fritos
Meu pato esquerdo
Apertem os patos, o piloto sumiu
O pato veste Prada
Precisamos falar sobre pato
Um pato chamado desejo
A primeira noite de um pato
A história sem pato
Pato na chuva
Viagem ao centro do pato
9 semanas e meia de pato
O pato de Lorenzo
O pato de Jéssica
O pato de Truman
O pato de Andy
O pato de Rosemary
O pato de Kaspar Hauser
O pato de Emily Rose
Pato de Mary Shelley
O pato de Jack e Rose
O pato de Munchausen
O curioso pato de Benjamin Button
O pato do Soldado Ryan
O pato de Brian
Quo-pato
Monty pato e o cálice sagrado
João e o pé de pato
A morte pede pato
Autores: Wagner Pacheco, Vânia Santos, Telma Scherer, Inara Moraes Dos Santos, Roberto Malater Guimarães, Rogério Beninca, Valdir L. de Andrade Jr., Carlos D Medeiros, Luana Brassel, Criz Azevedo, Leca Heinzelmann, Lia Masoni, Jose Pedroso, Marcelo Gobatto, Jean Dobrinsky Davi, Ana Roberta, Laura Backes, Euclides Bitelo, Eduardo Amorim de Mattos, Henrique Fanti e eu.
Ceder teu lugar
Abrir passagem
Desacelerar pra respeitar o ritmo do outro
Respirar antes de responder
:assim se muda teu mundo ~
(Luís Nenung)
Abrir passagem
Desacelerar pra respeitar o ritmo do outro
Respirar antes de responder
:assim se muda teu mundo ~
(Luís Nenung)
Eduardo Galeano para massagear os ouvidos e o que vem depois deles.
"É sempre um exercício narcísico de projeção de espelho, de especular. Eu acho que nós temos com os políticos essa relação. Os brasileiros odeiam em alguns políticos o que são e amam em alguns juízes e políticos o que gostariam de ser. Por isso que o ódio é tão intenso. Porque são exatamente a cara do Brasil, eles se comportam como todos os brasileiros. E como é tão insuportável essa visão da medusa, eu petrifico e digo que luto por um Brasil melhor, e canto o hino nacional dizendo que é uma luta pela ética, quando é uma recusa do que eu venho fazendo há anos como personagem, como cidadão, mas sem ter tanto poder como o político. Isso não quer dizer que não seja interessante protestar contra a falta de ética, mas quando você vê alguém berrando na TV com passionalidade, pensando com o fígado, como a gente diz, você entende que ali precisaria mais de divã do que de análise sociológica. E a política pública é um espaço que conduz às dores individuais. E as pessoas transferem para o palco tudo aquilo que as incomoda." (Leandro Karnal)
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O samba não é do Gugu, o samba não é do Faustão: o samba é do Aphex Twin.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
Programa-054 by Revelações*DouglasDickel on Mixcloud
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Para William Correia, Luiz Felipe Pondé e muitos outros.
Os 5 mitos da Justiça do Trabalho
(Rodrigo de Lacerda Carelli - Professor da UFRJ e procurador do trabalho no RJ)
A Justiça do Trabalho vem sendo atacada por mitos, baseados em crenças ideológicas, sem qualquer vinculação rigorosa com fatos ou estudos empíricos.
O primeiro mito é que a proteção do direito do trabalho gera desemprego, sendo necessária a flexibilização da legislação trabalhista para a criação de postos de trabalho. Segundo os estudos empíricos realizados em diversos países (por todos, Relatório de Giuseppe Bertola para a OIT – Organização Internacional do Trabalho de 2009; e da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico de 2006 e 2013), não há qualquer relação determinante entre a proteção trabalhista e a geração de empregos, no sentido que a proteção trabalhista impediria a contratação de trabalhadores ou que a flexibilização incentivaria a criação de novos postos de trabalho. Outro ponto que os estudos abrangentes demonstram é que a proteção trabalhista assegura melhor distribuição da renda, além de demonstrar que longas horas de trabalho e alta rotatividade diminuem sensivelmente a produtividade (Deakin, Malmber e Sarkar, International Labour Review 195, 2014). O discurso de que o direito do trabalho se relaciona com o nível de emprego tem origem puramente ideológica.
O segundo mito é que a legislação trabalhista é antiga, tem mais de 70 anos, e por isso ultrapassada. De fato, a Consolidação das Leis do Trabalho original é do ano de 1943, porém, dos 510 artigos que compõem a parte de direito individual do trabalho, somente 75 permanecem com a redação original, ou seja, apenas 14,7% dos dispositivos não sofreu atualização. Além disso, há dezenas de leis esparsas tratando de novas formas de contratação que não estão inseridas no bojo do diploma legal principal, a CLT.
O terceiro mito é que é a legislação trabalhista que causa excesso de processos na Justiça do Trabalho. No ano de 2015, 46,9% das ações em curso eram relativas a pagamento das verbas rescisórias (Relatório Justiça em Números 2015, Conselho Nacional de Justiça), sendo que a maior parte desses trabalhadores, provavelmente, foram encaminhados pela própria empresa à Justiça do Trabalho para conciliar e reduzir o valor que o trabalhador tem por direito a receber. Ou seja, quase a metade da demanda na Justiça do Trabalho se dá pelo simples não pagamento de verbas na dispensa do trabalhador, não tendo qualquer relação com rigidez do Direito do Trabalho.
O quarto mito é que há excesso de ações na Justiça do Trabalho. Os jornais estampam manchetes dizendo que a Justiça do Trabalho receberá cerca de três milhões de ações este ano. Esse número, em termos absolutos, realmente assusta. Mas se olharmos em termos relativos, a Justiça do Trabalho recebe 13,8% dos casos novos, muito menos processos que a Justiça Estadual (69,7%), e menos ainda que a Justiça Federal, que tem praticamente um réu, a União Federal (14%).
O quinto mito é que as súmulas do Tribunal Superior do Trabalho e a multiplicação de leis trabalhistas tornariam complexas e sem segurança as relações jurídicas. Ora, esse mito é originado da ilusão do positivismo jurídico de querer tudo regular e não dar brechas para interpretação dos juízes: o Código Prussiano, de 1794, com 19.000 artigos, e o Código Napoleônico, de 1802, com 2.280 artigos, são os exemplos mais claros da utopia e também de seu fracasso. Por óbvio esses códigos não conseguiram abarcar todas as situações da vida, e os conflitos tiveram que ser resolvidos por interpretações judiciais. Isso se dá pelo simples fato que o mundo é complexo, as relações são complexas, não havendo possibilidade de amarrá-las todas em um texto legal. As súmulas dos tribunais são apenas uma tentativa que, sabendo-se um tanto vã, buscam maior clarificação do direito. Quanto à multiplicação das leis trabalhistas, essa é oriunda do próprio processo de desconstrução do direito do trabalho: a cada passo de flexibilização, mais uma lei é criada, mais uma exceção e, assim, mais complexa se torna a aplicação do direito.
Esses mitos impedem que haja a necessária análise desprovida de paixões ideológicas. A Justiça do Trabalho e o direito do trabalho exercem importantes funções no equilíbrio das relações sociais, impedindo a emergência de conflitos abertos entre empregadores e trabalhadores. Os fatos estão esquecidos ou escondidos, os mitos se tornam senso comum, espalham-se e contaminam até mesmo membros desse ramo: hoje a Justiça do Trabalho é uma ilha cercada de mitos por todos os lados. Os náufragos, habitantes dessa ilha, são os trabalhadores e a sociedade, que só esperam que os direitos fundamentais não sejam destruídos e que seja buscada a construção de uma comunidade baseada em respeito mútuo e, por conseguinte, mínima pacificação social.
Os 5 mitos da Justiça do Trabalho
(Rodrigo de Lacerda Carelli - Professor da UFRJ e procurador do trabalho no RJ)
A Justiça do Trabalho vem sendo atacada por mitos, baseados em crenças ideológicas, sem qualquer vinculação rigorosa com fatos ou estudos empíricos.
O primeiro mito é que a proteção do direito do trabalho gera desemprego, sendo necessária a flexibilização da legislação trabalhista para a criação de postos de trabalho. Segundo os estudos empíricos realizados em diversos países (por todos, Relatório de Giuseppe Bertola para a OIT – Organização Internacional do Trabalho de 2009; e da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico de 2006 e 2013), não há qualquer relação determinante entre a proteção trabalhista e a geração de empregos, no sentido que a proteção trabalhista impediria a contratação de trabalhadores ou que a flexibilização incentivaria a criação de novos postos de trabalho. Outro ponto que os estudos abrangentes demonstram é que a proteção trabalhista assegura melhor distribuição da renda, além de demonstrar que longas horas de trabalho e alta rotatividade diminuem sensivelmente a produtividade (Deakin, Malmber e Sarkar, International Labour Review 195, 2014). O discurso de que o direito do trabalho se relaciona com o nível de emprego tem origem puramente ideológica.
O segundo mito é que a legislação trabalhista é antiga, tem mais de 70 anos, e por isso ultrapassada. De fato, a Consolidação das Leis do Trabalho original é do ano de 1943, porém, dos 510 artigos que compõem a parte de direito individual do trabalho, somente 75 permanecem com a redação original, ou seja, apenas 14,7% dos dispositivos não sofreu atualização. Além disso, há dezenas de leis esparsas tratando de novas formas de contratação que não estão inseridas no bojo do diploma legal principal, a CLT.
O terceiro mito é que é a legislação trabalhista que causa excesso de processos na Justiça do Trabalho. No ano de 2015, 46,9% das ações em curso eram relativas a pagamento das verbas rescisórias (Relatório Justiça em Números 2015, Conselho Nacional de Justiça), sendo que a maior parte desses trabalhadores, provavelmente, foram encaminhados pela própria empresa à Justiça do Trabalho para conciliar e reduzir o valor que o trabalhador tem por direito a receber. Ou seja, quase a metade da demanda na Justiça do Trabalho se dá pelo simples não pagamento de verbas na dispensa do trabalhador, não tendo qualquer relação com rigidez do Direito do Trabalho.
O quarto mito é que há excesso de ações na Justiça do Trabalho. Os jornais estampam manchetes dizendo que a Justiça do Trabalho receberá cerca de três milhões de ações este ano. Esse número, em termos absolutos, realmente assusta. Mas se olharmos em termos relativos, a Justiça do Trabalho recebe 13,8% dos casos novos, muito menos processos que a Justiça Estadual (69,7%), e menos ainda que a Justiça Federal, que tem praticamente um réu, a União Federal (14%).
O quinto mito é que as súmulas do Tribunal Superior do Trabalho e a multiplicação de leis trabalhistas tornariam complexas e sem segurança as relações jurídicas. Ora, esse mito é originado da ilusão do positivismo jurídico de querer tudo regular e não dar brechas para interpretação dos juízes: o Código Prussiano, de 1794, com 19.000 artigos, e o Código Napoleônico, de 1802, com 2.280 artigos, são os exemplos mais claros da utopia e também de seu fracasso. Por óbvio esses códigos não conseguiram abarcar todas as situações da vida, e os conflitos tiveram que ser resolvidos por interpretações judiciais. Isso se dá pelo simples fato que o mundo é complexo, as relações são complexas, não havendo possibilidade de amarrá-las todas em um texto legal. As súmulas dos tribunais são apenas uma tentativa que, sabendo-se um tanto vã, buscam maior clarificação do direito. Quanto à multiplicação das leis trabalhistas, essa é oriunda do próprio processo de desconstrução do direito do trabalho: a cada passo de flexibilização, mais uma lei é criada, mais uma exceção e, assim, mais complexa se torna a aplicação do direito.
Esses mitos impedem que haja a necessária análise desprovida de paixões ideológicas. A Justiça do Trabalho e o direito do trabalho exercem importantes funções no equilíbrio das relações sociais, impedindo a emergência de conflitos abertos entre empregadores e trabalhadores. Os fatos estão esquecidos ou escondidos, os mitos se tornam senso comum, espalham-se e contaminam até mesmo membros desse ramo: hoje a Justiça do Trabalho é uma ilha cercada de mitos por todos os lados. Os náufragos, habitantes dessa ilha, são os trabalhadores e a sociedade, que só esperam que os direitos fundamentais não sejam destruídos e que seja buscada a construção de uma comunidade baseada em respeito mútuo e, por conseguinte, mínima pacificação social.
domingo, 4 de dezembro de 2016
"Earlier this year it was revealed that sculptor and color-hoarder Anish Kapoor had been given exclusive rights to the blackest black in the world. Called Vantablack it was developed by British company NanoSystem—specialists in nanomaterials—who created it for military and scientific uses. However, after Kapoor contacted the company he was allowed to be the only artist in the world given permission to paint with it. Created with carbon nanotubes it is able to absorb 99.96% of visible light."
Por causa disso, o criador do Rosa Mais Rosa do Mundo vende-o para qualquer um, MENOS para Anish Kapoor. Revenge...
Por causa disso, o criador do Rosa Mais Rosa do Mundo vende-o para qualquer um, MENOS para Anish Kapoor. Revenge...
"Eu acho que as pessoas têm mesmo é que enriquecer. Só no Brasil existe preconceito contra dinheiro. É por isso que estamos tão atrasados." (Pondé)
"A intenção é que você seja parte de uma rede, que a rede seja total e sem buracos, e que o controle seja exercido pelos donos da rede. Você pensa que é sujeito ativo no baile das formas modernas de comunicação mas na real você é um ponto de recepção mais. Em definitiva, não se trata do que você quer fazer mas de que você seja parte da comunidade disponível para receber o que eventualmente precise ser 'comunicado' para você." (Octavio Scopelliti)
Jader Rocha, jornalista: "Estou com uma sensação de profunda derrota."
Odelir José Magri, bispo: "Vim à Arena Condá cinco vezes. Foram duas vitórias, dois empates e uma derrota. Na vida também às vezes ganhamos, às vezes perdemos e às vezes empatamos. Sairemos daqui hoje todos vencedores."
Odelir José Magri, bispo: "Vim à Arena Condá cinco vezes. Foram duas vitórias, dois empates e uma derrota. Na vida também às vezes ganhamos, às vezes perdemos e às vezes empatamos. Sairemos daqui hoje todos vencedores."
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Antônio Fernando Guimarães:
Em minha tese de doutorado – “Marketing verde e a propaganda ecológica: Uma análise da estrutura da comunicação em anúncios impressos” (FEA-USP) – apresento o resultado de uma pesquisa realizada com anúncios publicados na mídia impressa. Essa pesquisa mostra como empresas de segmentos de mercado distintos utilizam apelos ecológicos para se comunicar com seu público-alvo e, assim, apresentam-se como empresas ecologicamente corretas.
A maioria dos anunciantes (77%) declara ser fabricante do produto anunciado. Porém, somente 7%, efetivamente, promove os atributos ecológicos específicos desses produtos; mas nenhuma delas discute, com clareza, quais os benefícios ecológicos reais que o consumidor pode usufruir quando da utilização do referido produto.
Uma grande parte (60%) se preocupa unicamente em trabalhar a imagem corporativa, apresentando-se como uma empresa ecologicamente correta e que se dispõe a desenvolver esforços para auxiliar na preservação do meio ambiente.
Um terço dessas empresas (33%) se preocupa em mostrar para o público-alvo os atributos ecológicos específicos do produto, associando-os à imagem da empresa e enfatizando, assim, a demonstração de uma imagem de empresa ecologicamente correta.
Fato que chamou a atenção foi o fato de apesar de 77% dos anunciantes declararem serem fabricantes dos produtos anunciados, somente 37% utilizou apelos racionais em seus anúncios.
Quase a metade dos anunciantes (47%) estruturou sua mensagem de comunicação com base numa composição de apelos racionais e emocionais, na tentativa de persuadir o consumidor a diferenciar sua empresa das demais concorrentes.
Outra variável que teve um peso significativo na análise dos anúncios foi a variável que levava em conta os benefícios ecológicos do produto e o comprometimento real da empresa em atividades específicas de proteção ao meio ambiente. Cinquenta e três por cento delas estabeleceram, claramente, a ligação entre o produto fabricado e a preservação do meio ambiente. O restante das empresas respondentes (47%) se preocupou em demonstrar somente seu comprometimento em ações específicas de proteção ambiental, sem uma ligação direta dessas ações com os produtos fabricados. Nenhuma das empresas pesquisadas utilizou-se do meio de comunicação para enfatizar, especificamente, somente os benefícios ecológicos dos produtos fabricados.
A partir desses dados verificou-se que as empresas analisadas, não se diferenciam entre si, fato este que pode levar os consumidores a adotar um comportamento inerte, ou seja, a percepção do consumidor pode ser a de que essas empresas são todas iguais, falam sempre a mesma linguagem, logo, não se diferenciam em nada em relação às demais que estão no mercado.
Antônio Fernando Guimarães tem formação em engenharia mecânica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é mestre e doutor em administração pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (USP). É, também, professor e pesquisador do Centro Universitário Ítalo Brasileiro (UniÍtalo) na área de marketing com concentração no marketing ambiental, comportamento do consumidor, empreendedorismo e administração estratégica.
COM CIÊNCIA – REVISTA ELETRÔNICA DE JORNALISMO CIENTÍFICO
Artigo disponível em: http://www.comciencia.br/ comciencia/?section=8&edicao= 75&id=937
Pergunta da leitora Patrícia Branquinho
Muitas marcas usam a Solidariedade Social como ferramenta de Marketing. Outras consideram que a Solidariedade Social não se exibe. Em que condições consideram aconselhável o uso da Solidariedade Social como ferramenta de Marketing?
Antes de responder à questão é preciso definirmos ou relembrarmos o objetivo principal de uma ação de solidariedade: o BEM social. Como tal, essa ação deverá resultar numa melhoria na vida de todos, seja através de um contributo material ou de algo mais abstrato, como uma mudança de comportamento. Exemplo de uma ação nacional que considero bem sucedida é a “Missão Sorriso”. Esta causa já conta com uma contribuição total de mais de 9 milhões de euros nos últimos 12 anos. A “Missão Sorriso” tem como objetivo apoiar profissionais e instituições de saúde com equipamentos hospitalares e materiais diversos, nomeadamente produtos básicos de alimentação e higiene, com vista a melhorar a qualidade de vida de crianças, idosos e famílias carenciadas. Exibir uma ação de solidariedade social não é, de forma alguma, incorreto, desde que a exposição da campanha contribua para os seus próprios resultados. Para terem força mobilizadora, as causas precisam de mediatismo, mesmo as que já são bem conhecidas. Contudo, há outros aspetos que devem ser tidos em consideração e que podem fazer a diferença entre o mero exibicionismo e a honestidade.
A palavra que melhor resume uma boa campanha de solidariedade social é genuinidade. As marcas não devem deixar de apoiar e promover causas com o receio de serem rotuladas como exibicionistas ou oportunistas, mas devem fazê-lo de forma genuína. Ao colocar os interesses da causa acima dos seus, a marca já tem meio caminho andado. O Continente poderia ter optado por uma simples campanha de “Na compra de produtos Continente, damos x% a uma instituição de caridade” mas não o fez, o que, aparentemente demonstra a ausência de interesse comercial.
Embora na prática a causa venha em primeiro lugar, não podemos ser ingénuos ao ponto de esquecermos que representamos marcas. Por trás do apoio tem que estar um pensamento estratégico responsável.
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Programa-053 by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud
Programa-052 by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud
sábado, 5 de novembro de 2016
Nando Rocha: “Foi sofrido, foi suado, mas o Inter chegou lá”
Angustiante. Eletrizante. Parecia que não ia dar. Foi um primeiro tempo onde tudo deu errado. Valdivia fez um “salcedo”, Anderson parecia jogar por um xis calota, Aylon se movimentando bem, oportunista. Victor querendo estragar tudo. Foi um 2 a 1 fora dos planos. Dos camarotes, a SWAT e Piffero assistiam inertes os seus planos se esvaindo em boas atuações individuais de um time montado para perder.
No intervalo, Celso Roth consertou o time. Pediu para recuar e não avançar mais do que um jogador à frente da linha da bola. Orientou a zaga a não marcar Lucas Pratto. E então o Galo chegou lá. Quando notou que Valdivia tomava a iniciativa do contra-ataque, o retirou. E mesmo assim o time teimava em ter soluções ofensivas. Então, para não correr mais riscos, Celso Roth retirou os dois autores dos gols, Anderson e Aylon, mantendo Seijas fora, colocando, estrategicamente, Andrigo e Ariel, que, por óbvio, nem precisariam de instrução para não incomodar a defesa do Galo.
No fim, mesmo com imensas dificuldades, o Inter alcançou o seu objetivo: ser eliminado da Copa do Brasil. Por mais que tenha tentado contra o Santos, foi infeliz e acabou vencendo. Mas contra o Galo, cumpriu o planejado e provou para o Piffero que planejamento não é apenas quando se ganha. Nesse caso, é quando se perde, também.
Angustiante. Eletrizante. Parecia que não ia dar. Foi um primeiro tempo onde tudo deu errado. Valdivia fez um “salcedo”, Anderson parecia jogar por um xis calota, Aylon se movimentando bem, oportunista. Victor querendo estragar tudo. Foi um 2 a 1 fora dos planos. Dos camarotes, a SWAT e Piffero assistiam inertes os seus planos se esvaindo em boas atuações individuais de um time montado para perder.
No intervalo, Celso Roth consertou o time. Pediu para recuar e não avançar mais do que um jogador à frente da linha da bola. Orientou a zaga a não marcar Lucas Pratto. E então o Galo chegou lá. Quando notou que Valdivia tomava a iniciativa do contra-ataque, o retirou. E mesmo assim o time teimava em ter soluções ofensivas. Então, para não correr mais riscos, Celso Roth retirou os dois autores dos gols, Anderson e Aylon, mantendo Seijas fora, colocando, estrategicamente, Andrigo e Ariel, que, por óbvio, nem precisariam de instrução para não incomodar a defesa do Galo.
No fim, mesmo com imensas dificuldades, o Inter alcançou o seu objetivo: ser eliminado da Copa do Brasil. Por mais que tenha tentado contra o Santos, foi infeliz e acabou vencendo. Mas contra o Galo, cumpriu o planejado e provou para o Piffero que planejamento não é apenas quando se ganha. Nesse caso, é quando se perde, também.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Do blog do Mário Marcos de Souza, citando o Elio Gaspari:
"(...) Algemaram os garotos numa semana em que o presidente do Senado chamou um magistrado de “juizeco”, a presidente do Supremo Tribunal Federal disse que não tinha horário livre para uma reunião com o presidente da República, e o ministro Teori Zavascki suspendeu uma investigação impertinente ordenada pelo magistrado que o senador chamou de “juizeco”.
Os mecanismos de protesto e manipulação que resultaram na ocupação das escolas foram disparados pela bagunça dos adultos poderosos de Brasília. O presidente Michel Temer, que se apresentou ao país como um “pacificador”, resolveu reformar o ensino médio do país editando uma Medida Provisória. Nem durante a ditadura aconteciam coisas assim (...)".
(Do colunista Élio Gaspari, no jornal O Globo de domingo, ao lembrar que a mesma polícia que algema estudantes de 15 anos - em Miracema, Tocantins -, deixa políticos presos com as mãos livres)
"(...) Algemaram os garotos numa semana em que o presidente do Senado chamou um magistrado de “juizeco”, a presidente do Supremo Tribunal Federal disse que não tinha horário livre para uma reunião com o presidente da República, e o ministro Teori Zavascki suspendeu uma investigação impertinente ordenada pelo magistrado que o senador chamou de “juizeco”.
Os mecanismos de protesto e manipulação que resultaram na ocupação das escolas foram disparados pela bagunça dos adultos poderosos de Brasília. O presidente Michel Temer, que se apresentou ao país como um “pacificador”, resolveu reformar o ensino médio do país editando uma Medida Provisória. Nem durante a ditadura aconteciam coisas assim (...)".
(Do colunista Élio Gaspari, no jornal O Globo de domingo, ao lembrar que a mesma polícia que algema estudantes de 15 anos - em Miracema, Tocantins -, deixa políticos presos com as mãos livres)
Moralistas e 'engraçados' autorizam assassinos de transexuais e prostitutas
(Contardo Calligaris)
Assisti a "O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu", em São Paulo, no Sesc Pinheiros –em cartaz, de quinta a sábado, até 5 de novembro. Depois disso, a peça viaja para Europa. Espero que, na volta, tenha outra temporada mais longa.
É um monólogo, dirigido por Natalia Mallo e escrito por Jo Clifford, inglesa que mudou de sexo em 2006, aos 56 anos. Clifford mostra (a ela mesma e ao mundo) que o Cristo não é inimigo dela nem da vida que lhe coube. Ela tem razão.
A atriz é Renata Carvalho, travesti de 35 anos; ela consegue nos fazer rir e chorar como a peça manda.
Se você for cristão, não perca. E, se você for padre ou pastor, organize uma excursão de sua comunidade –será espiritualmente mais útil do que assistir a "Os Dez Mandamentos". Ou então contrate a peça para a homilia do terceiro domingo de Quaresma –é uma excelente ilustração do mistério da redenção.
Lucas (15, 1-2): "Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este recebe pecadores e come com eles". Jesus responde explicando a alegria da redenção por três parábolas, a da ovelha perdida, a da dracma perdida (na peça, é o brinco perdido) e a do filho pródigo (na peça, é a filha expulsa de casa).
O leitor dos Evangelhos sabe que fariseus e escribas têm razão: Jesus tem simpatia por adúlteras, prostitutas e demais pecadores e pecadoras. Enquanto isso, ele tem antipatia por moralistas e hipócritas.
"Moralistas e hipócritas" é um pleonasmo. Se os moralistas não fossem hipócritas, não precisariam ser moralistas: por que me preocupar com o que faz meu vizinho, se não porque ele desperta em mim um desejo ou uma tentação que tento esconder de mi mesmo e do mundo?
Em 2003, meu filho, num intercâmbio, passou um ano letivo na PUC de Curitiba. Uma noite, ele foi convidado por alguns colegas para um programa que, foi-lhe dito, ele "adoraria": passar de carro por ruas semidesertas e jogar laranjas nas prostitutas travestis que esperavam clientes.
Meu filho ficou abismado. Pedras para machucar, ovos para sujar, bananas como gozação do pênis, daria para explicar. Mas por que laranjas? A psicanálise ajuda: laranja não é só um fruto, é também o testa de ferro, que colocamos no nosso lugar quando estamos a fim de fazer algo escuso. Os estudantes de Curitiba jogavam laranjas porque os travestis na rua eram os laranjas da tentação de eles mesmos, os estudantes, vestir peruca e sainha e vender-se pelas ruas. Laranjas nos laranjas.
O Brasil tem o recorde de 100 travestis e transexuais assassinados na rua a cada ano. Quem autoriza os apedrejadores ou "alaranjadores"? São os moralistas e os "engraçados".
Os moralistas (fariseus e escribas) querem que o "pecado" seja punido. De fato, dessa forma, eles acabam incitando um fiel ou outro a apedrejar "a puta" ou "o veado" que representam tentações "culpadas": mato "o traveco" para me liberar do traveco em mim.
E o "engraçado"? Pois é, o moralista denuncia os desejos, o "engraçado" pretende escondê-los, o que é pior. Os "engraçados" são os piadistas de padaria; eles permitem que seu público negue seus próprios desejos, que são transformados em objetos de riso e, graças ao riso, confinados nos outros. Nada a ver comigo; prova disso, estou rindo: olhe como é engraçado ver os travestis fugindo das laranjas, com saltos altos e trejeitos.
O moralista culpa, o "engraçado" desagrava. O moralista ainda pode achar discutível a ideia de jogar pedras. O "engraçado" sequer é sensível ao argumento do próprio Cristo (quem estiver sem pecado jogue a primeira pedra) porque ele não se reconhece como pecador.
Na semana passada, Rita Cadillac foi convidada a um programa "engraçado" para deixar a marca de sua bunda na "calçada da sarjeta". Para alguém achar isso engraçado, é preciso que ele esteja negando uma poderosa fantasia de ser atriz num filme pornô ou musa de um cárcere masculino. Para maior clareza: essas fantasias são ótimas, a negação "engraçada" dessas fantasias é sinistra e assassina.
Renata Carvalho, no fim da peça, lembrou que domingo retrasado, no parque do Carmo, em São Paulo, morreu Yasmin Montoy, travesti e prostituta de 20 anos. Só falaram disso alguns sites e o "R7". Os moralistas devem achar certo. E os "engraçados" devem achar engraçadíssimo.
(Contardo Calligaris)
Assisti a "O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu", em São Paulo, no Sesc Pinheiros –em cartaz, de quinta a sábado, até 5 de novembro. Depois disso, a peça viaja para Europa. Espero que, na volta, tenha outra temporada mais longa.
É um monólogo, dirigido por Natalia Mallo e escrito por Jo Clifford, inglesa que mudou de sexo em 2006, aos 56 anos. Clifford mostra (a ela mesma e ao mundo) que o Cristo não é inimigo dela nem da vida que lhe coube. Ela tem razão.
A atriz é Renata Carvalho, travesti de 35 anos; ela consegue nos fazer rir e chorar como a peça manda.
Se você for cristão, não perca. E, se você for padre ou pastor, organize uma excursão de sua comunidade –será espiritualmente mais útil do que assistir a "Os Dez Mandamentos". Ou então contrate a peça para a homilia do terceiro domingo de Quaresma –é uma excelente ilustração do mistério da redenção.
Lucas (15, 1-2): "Aproximavam-se de Jesus todos os publicanos e pecadores para o ouvir. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este recebe pecadores e come com eles". Jesus responde explicando a alegria da redenção por três parábolas, a da ovelha perdida, a da dracma perdida (na peça, é o brinco perdido) e a do filho pródigo (na peça, é a filha expulsa de casa).
O leitor dos Evangelhos sabe que fariseus e escribas têm razão: Jesus tem simpatia por adúlteras, prostitutas e demais pecadores e pecadoras. Enquanto isso, ele tem antipatia por moralistas e hipócritas.
"Moralistas e hipócritas" é um pleonasmo. Se os moralistas não fossem hipócritas, não precisariam ser moralistas: por que me preocupar com o que faz meu vizinho, se não porque ele desperta em mim um desejo ou uma tentação que tento esconder de mi mesmo e do mundo?
Em 2003, meu filho, num intercâmbio, passou um ano letivo na PUC de Curitiba. Uma noite, ele foi convidado por alguns colegas para um programa que, foi-lhe dito, ele "adoraria": passar de carro por ruas semidesertas e jogar laranjas nas prostitutas travestis que esperavam clientes.
Meu filho ficou abismado. Pedras para machucar, ovos para sujar, bananas como gozação do pênis, daria para explicar. Mas por que laranjas? A psicanálise ajuda: laranja não é só um fruto, é também o testa de ferro, que colocamos no nosso lugar quando estamos a fim de fazer algo escuso. Os estudantes de Curitiba jogavam laranjas porque os travestis na rua eram os laranjas da tentação de eles mesmos, os estudantes, vestir peruca e sainha e vender-se pelas ruas. Laranjas nos laranjas.
O Brasil tem o recorde de 100 travestis e transexuais assassinados na rua a cada ano. Quem autoriza os apedrejadores ou "alaranjadores"? São os moralistas e os "engraçados".
Os moralistas (fariseus e escribas) querem que o "pecado" seja punido. De fato, dessa forma, eles acabam incitando um fiel ou outro a apedrejar "a puta" ou "o veado" que representam tentações "culpadas": mato "o traveco" para me liberar do traveco em mim.
E o "engraçado"? Pois é, o moralista denuncia os desejos, o "engraçado" pretende escondê-los, o que é pior. Os "engraçados" são os piadistas de padaria; eles permitem que seu público negue seus próprios desejos, que são transformados em objetos de riso e, graças ao riso, confinados nos outros. Nada a ver comigo; prova disso, estou rindo: olhe como é engraçado ver os travestis fugindo das laranjas, com saltos altos e trejeitos.
O moralista culpa, o "engraçado" desagrava. O moralista ainda pode achar discutível a ideia de jogar pedras. O "engraçado" sequer é sensível ao argumento do próprio Cristo (quem estiver sem pecado jogue a primeira pedra) porque ele não se reconhece como pecador.
Na semana passada, Rita Cadillac foi convidada a um programa "engraçado" para deixar a marca de sua bunda na "calçada da sarjeta". Para alguém achar isso engraçado, é preciso que ele esteja negando uma poderosa fantasia de ser atriz num filme pornô ou musa de um cárcere masculino. Para maior clareza: essas fantasias são ótimas, a negação "engraçada" dessas fantasias é sinistra e assassina.
Renata Carvalho, no fim da peça, lembrou que domingo retrasado, no parque do Carmo, em São Paulo, morreu Yasmin Montoy, travesti e prostituta de 20 anos. Só falaram disso alguns sites e o "R7". Os moralistas devem achar certo. E os "engraçados" devem achar engraçadíssimo.
Aos 88 anos, o grande filósofo e ensaísta [George Steiner] denuncia, em uma lúcida entrevista, que a má educação ameaça o futuro dos jovens. E diz também: "Se você não acredita na política, então não venha reclamar que é governado por bandidos". (El Pais)
"Sobre a beleza, o meu pai também explicava: só existe a beleza que se diz. Só existe a beleza se existir interlocutor. A beleza da lagoa é sempre alguém. Porque a beleza da lagoa só acontece porque posso partilhar. Se não houver ninguém, nem a necessidade de encontrar a beleza existe nem a lagoa será bela. A beleza é sempre alguém, no sentido em que ela se concretiza apenas pela expectativa da reunião com o outro." (Valter Hugo Mãe)
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O PASSADO E O FUTURO DA BELÍNDIA
(João Filho)
COSTUMA-SE DIZER QUE há dois Brasis em um. Em 1974, o economista Edmar Bach cunhou o termo Belíndia – uma Bélgica (pequena e rica) cercada por uma Índia (grande e pobre) por todos os lados. A imagem ilustra a profunda desigualdade social do país. De lá para cá, as coisas mudaram um pouco, mas o Brasil continua vergonhosamente desigual.
Há também o Brasil do passado e o Brasil do futuro. Curiosamente, são os arquitetos da Ponte para o Futuro os representantes do passado. Eles seguem empenhados em resolver os problemas econômicos da Belíndia cortando verbas e direitos da Índia e mantendo os privilégios da Bélgica. Os belgas tropicais se encontram em suntuosos jantares para decidir o futuro dos indianos brasileiros.
Nas últimas semanas, muitos fatos confirmam essa direção.Temos a proposta do congelamento em investimentos no serviço público e, ao mesmo tempo, um reajuste salarial para o Poder Judiciário e a Polícia Federal. Isso para não falar da decisão do STF de autorizar o desconto nos salários servidores públicos em greve, ou dos menores de idade no Tocantins que foram ilegalmente algemados e presos por protestarem por mais investimentos na educação.
Estudantes secundaristas de todo o país ocupam hoje 1.177 escolas contra a reforma do ensino médio e a PEC 241 – que congela os investimentos por 20 anos, inclusive na educação. Mas, inacreditavelmente, essa não é a principal pauta da imprensa brasileira atualmente.
Duas declarações bastante simbólicas do Brasil do passado e do futuro me chamaram a atenção essa semana. Alexandre Garcia, 76 anos, comentarista da Globo, do Estadão e ex-porta-voz do regime militar, desancou os estudantes que protestam contra a reforma escolar e lembrou com emoção dos anos de chumbo. Sua fala também é bastante representativa do desdém com que a mídia tem tratado os estudantes que protestam pela melhora do ensino.
Ana Julia, 16 anos, estudante secundarista, deu uma aula de cidadania e política para deputados paranaenses na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná. Com a voz embargada e vestindo o uniforme do colégio, a garota contrariou quem esperava uma fala infantil, cheia de clichês revolucionários e sensos comuns. O vídeo do seu discurso viralizou nas redes sociais e conseguiu finalmente colocar as ocupações em destaque no noticiário.
Para cada afirmação insana da coluna de Garcia, publicada na Rádio Metrópole na última quarta-feira, é possível responder com um trecho do discurso de Ana Julia. Vejamos alguns diálogos possíveis:
Ao contrário do que Garcia afirmou com convicção, os estudantes querem, sim, uma reforma no ensino médio.
Alexandre Garcia: “Gente, estudantes do ensino médio estão contra a reforma do ensino médio. Ou seja, eles estão satisfeitos com os resultados medíocres do ensino médio brasileiro.”
Ana Júlia:“A gente sabe que a gente precisa de uma reforma do ensino médio. Não só no ensino médio como no sistema educacional como um todo. A reforma da educação é prioritária, só que a gente precisa de uma reforma que tenha sido debatida. Uma reforma que tenha sido conversada. Uma reforma que precisa ser feita pelos profissionais da área de educação. É essa reforma que a gente precisa. A medida provisória tem, sim, seus lados positivos. Só que ela tem muitas falhas. Se colocarmos ela com essas falhas, a gente vai estar fadado ao fracasso. O Brasil estará fadado ao fracasso.”
Diferente do que prega Garcia, Ana Julia e seus colegas não estão satisfeitos com a mediocridade do ensino atual e brigam exatamente contra isso. A estudante ressalta o problema do analfabetismo funcional, que impede que os jovens ouçam Alexandre Garcia com senso crítico, por exemplo.
Alexandre Garcia: “Jovens se satisfazendo com a mediocridade é uma coisa incrível. Aí fazem ocupação de escola, não tem aula, deve ser por masoquismo, para aprenderem ainda menos. Essa proposta vem lá do governo Dilma e é necessária para o país”.
Ana Júlia: “Somos um movimento que se preocupa com as gerações futuras. Um movimento que se preocupa com a sociedade, se preocupa com o futuro do país. Que futuro o Brasil vai ter se não nos preocuparmos com uma geração de pessoas que vão desenvolver senso crítico? De pessoas que têm que ter um senso crítico político. De pessoas que não podem simplesmente ler um negócio e simplesmente acreditar naquilo. A gente tem que saber o que está lendo. Nós temos que ser contra o analfabetismo funcional que é um grande problema do Brasil hoje. E é por isso que nós estamos aqui. É por isso que nós ocupamos as nossas escolas. É por isso que a gente levanta a bandeira da educação. É por isso que a gente é contra a medida provisória.”
Malandramente, o jornalista nada inocente associa a tragédia às ocupações. A tentativa de transformar os estudantes que protestam por melhor educação em vagabundos drogados é vergonhosa.
Alexandre Garcia: Agora acontece até um assassinato numa escola em Curitiba. Um assassinato à faca. Quer dizer, tem estudante entrando na ocupação levando arma. E estavam lá os dois mortos [Nota: apenas um foi morto] envolvidos com droga também. Um com 16 anos e o autor com 17 anos. Tudo por uma manifestação pelo ensino. Que futuro, hein!
Ana Júlia: Nós que ocupamos as escolas não somos vagabundos como dizem aqui, como a sociedade lá fora diz. Nós estamos lá por ideais. Nós lutamos por eles. Nós acreditamos neles. Eu convido vocês a irem nas ocupações para ver o nosso desgaste psicológico. Para ver que não é fácil estar lá e que a gente vai continuar lutando. A gente vai continuar lutando porque a gente acredita nisso. A gente vai continuar lutando porque está em busca de conhecimento e não vai parar de ir atrás do conhecimento.
Alexandre Garcia: Um último registro: a morte do capitão do Tri no México, Carlos Alberto. Foi a melhor equipe que o Brasil já teve e marcou o início do entusiasmo que empurrou o Brasil para 3 anos de crescimento médio de 11,2% ao ano – crescimento chinês – com o entusiasmo de todos. Inclusive eu, estudante na época, como todo mundo, tinha no carro o plástico: ‘ame-o ou deixe-o’, que era um recado para os terroristas, entre os quais estava a Dona Dilma.”
Ana Júlia: O movimento estudantil nos trouxe um conhecimento muito maior sobre política e cidadania do que durante todo o tempo em que ficamos sentados e enfileirados em aulas padrões. Apesar de toda essa ridicularização, essa desmoralização. Apesar de sermos ofendidos. Apesar dos problemas que vamos enfrentar, a gente ainda consegue ter a presença da felicidade, porque nós deixamos de ser meros adolescente e nos tornamos cidadãos comprometidos com o desenvolvimento da educação.”
Não bastou usar a morte de um estudante para tentar deslegitimar o protestos dos estudantes. Garcia deu um jeitinho também de usar o falecimento de Carlos Alberto Torres como escada para enaltecer a ditadura militar – da qual participou entusiasticamente, sempre muito próximo dos ditadores. Aproveitou também para enaltecer o “crescimento chinês” da Belíndia durante o regime militar e chamar de terrorista quem lutou contra o regime assassino, como fez a estudante Dilma. O colunista vai além e se vangloria de ter apoiado a ditadura quando estudante ao carregar em seu carro o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A Globo já pediu desculpas por ter apoiado a ditadura, mas ainda conta com funcionários que insistem em dourar esse trágico período do país.
Enquanto nosso futuro não engole a Ponte para o Futuro, nosso passado está louco para reviver 64. Mas Ana Júlia e sua geração não estão para brincadeira. Estão para a luta!
(João Filho)
COSTUMA-SE DIZER QUE há dois Brasis em um. Em 1974, o economista Edmar Bach cunhou o termo Belíndia – uma Bélgica (pequena e rica) cercada por uma Índia (grande e pobre) por todos os lados. A imagem ilustra a profunda desigualdade social do país. De lá para cá, as coisas mudaram um pouco, mas o Brasil continua vergonhosamente desigual.
Há também o Brasil do passado e o Brasil do futuro. Curiosamente, são os arquitetos da Ponte para o Futuro os representantes do passado. Eles seguem empenhados em resolver os problemas econômicos da Belíndia cortando verbas e direitos da Índia e mantendo os privilégios da Bélgica. Os belgas tropicais se encontram em suntuosos jantares para decidir o futuro dos indianos brasileiros.
Nas últimas semanas, muitos fatos confirmam essa direção.Temos a proposta do congelamento em investimentos no serviço público e, ao mesmo tempo, um reajuste salarial para o Poder Judiciário e a Polícia Federal. Isso para não falar da decisão do STF de autorizar o desconto nos salários servidores públicos em greve, ou dos menores de idade no Tocantins que foram ilegalmente algemados e presos por protestarem por mais investimentos na educação.
Estudantes secundaristas de todo o país ocupam hoje 1.177 escolas contra a reforma do ensino médio e a PEC 241 – que congela os investimentos por 20 anos, inclusive na educação. Mas, inacreditavelmente, essa não é a principal pauta da imprensa brasileira atualmente.
Duas declarações bastante simbólicas do Brasil do passado e do futuro me chamaram a atenção essa semana. Alexandre Garcia, 76 anos, comentarista da Globo, do Estadão e ex-porta-voz do regime militar, desancou os estudantes que protestam contra a reforma escolar e lembrou com emoção dos anos de chumbo. Sua fala também é bastante representativa do desdém com que a mídia tem tratado os estudantes que protestam pela melhora do ensino.
Ana Julia, 16 anos, estudante secundarista, deu uma aula de cidadania e política para deputados paranaenses na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná. Com a voz embargada e vestindo o uniforme do colégio, a garota contrariou quem esperava uma fala infantil, cheia de clichês revolucionários e sensos comuns. O vídeo do seu discurso viralizou nas redes sociais e conseguiu finalmente colocar as ocupações em destaque no noticiário.
Para cada afirmação insana da coluna de Garcia, publicada na Rádio Metrópole na última quarta-feira, é possível responder com um trecho do discurso de Ana Julia. Vejamos alguns diálogos possíveis:
Ao contrário do que Garcia afirmou com convicção, os estudantes querem, sim, uma reforma no ensino médio.
Alexandre Garcia: “Gente, estudantes do ensino médio estão contra a reforma do ensino médio. Ou seja, eles estão satisfeitos com os resultados medíocres do ensino médio brasileiro.”
Ana Júlia:“A gente sabe que a gente precisa de uma reforma do ensino médio. Não só no ensino médio como no sistema educacional como um todo. A reforma da educação é prioritária, só que a gente precisa de uma reforma que tenha sido debatida. Uma reforma que tenha sido conversada. Uma reforma que precisa ser feita pelos profissionais da área de educação. É essa reforma que a gente precisa. A medida provisória tem, sim, seus lados positivos. Só que ela tem muitas falhas. Se colocarmos ela com essas falhas, a gente vai estar fadado ao fracasso. O Brasil estará fadado ao fracasso.”
Diferente do que prega Garcia, Ana Julia e seus colegas não estão satisfeitos com a mediocridade do ensino atual e brigam exatamente contra isso. A estudante ressalta o problema do analfabetismo funcional, que impede que os jovens ouçam Alexandre Garcia com senso crítico, por exemplo.
Alexandre Garcia: “Jovens se satisfazendo com a mediocridade é uma coisa incrível. Aí fazem ocupação de escola, não tem aula, deve ser por masoquismo, para aprenderem ainda menos. Essa proposta vem lá do governo Dilma e é necessária para o país”.
Ana Júlia: “Somos um movimento que se preocupa com as gerações futuras. Um movimento que se preocupa com a sociedade, se preocupa com o futuro do país. Que futuro o Brasil vai ter se não nos preocuparmos com uma geração de pessoas que vão desenvolver senso crítico? De pessoas que têm que ter um senso crítico político. De pessoas que não podem simplesmente ler um negócio e simplesmente acreditar naquilo. A gente tem que saber o que está lendo. Nós temos que ser contra o analfabetismo funcional que é um grande problema do Brasil hoje. E é por isso que nós estamos aqui. É por isso que nós ocupamos as nossas escolas. É por isso que a gente levanta a bandeira da educação. É por isso que a gente é contra a medida provisória.”
Malandramente, o jornalista nada inocente associa a tragédia às ocupações. A tentativa de transformar os estudantes que protestam por melhor educação em vagabundos drogados é vergonhosa.
Alexandre Garcia: Agora acontece até um assassinato numa escola em Curitiba. Um assassinato à faca. Quer dizer, tem estudante entrando na ocupação levando arma. E estavam lá os dois mortos [Nota: apenas um foi morto] envolvidos com droga também. Um com 16 anos e o autor com 17 anos. Tudo por uma manifestação pelo ensino. Que futuro, hein!
Ana Júlia: Nós que ocupamos as escolas não somos vagabundos como dizem aqui, como a sociedade lá fora diz. Nós estamos lá por ideais. Nós lutamos por eles. Nós acreditamos neles. Eu convido vocês a irem nas ocupações para ver o nosso desgaste psicológico. Para ver que não é fácil estar lá e que a gente vai continuar lutando. A gente vai continuar lutando porque a gente acredita nisso. A gente vai continuar lutando porque está em busca de conhecimento e não vai parar de ir atrás do conhecimento.
Alexandre Garcia: Um último registro: a morte do capitão do Tri no México, Carlos Alberto. Foi a melhor equipe que o Brasil já teve e marcou o início do entusiasmo que empurrou o Brasil para 3 anos de crescimento médio de 11,2% ao ano – crescimento chinês – com o entusiasmo de todos. Inclusive eu, estudante na época, como todo mundo, tinha no carro o plástico: ‘ame-o ou deixe-o’, que era um recado para os terroristas, entre os quais estava a Dona Dilma.”
Ana Júlia: O movimento estudantil nos trouxe um conhecimento muito maior sobre política e cidadania do que durante todo o tempo em que ficamos sentados e enfileirados em aulas padrões. Apesar de toda essa ridicularização, essa desmoralização. Apesar de sermos ofendidos. Apesar dos problemas que vamos enfrentar, a gente ainda consegue ter a presença da felicidade, porque nós deixamos de ser meros adolescente e nos tornamos cidadãos comprometidos com o desenvolvimento da educação.”
Não bastou usar a morte de um estudante para tentar deslegitimar o protestos dos estudantes. Garcia deu um jeitinho também de usar o falecimento de Carlos Alberto Torres como escada para enaltecer a ditadura militar – da qual participou entusiasticamente, sempre muito próximo dos ditadores. Aproveitou também para enaltecer o “crescimento chinês” da Belíndia durante o regime militar e chamar de terrorista quem lutou contra o regime assassino, como fez a estudante Dilma. O colunista vai além e se vangloria de ter apoiado a ditadura quando estudante ao carregar em seu carro o lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”. A Globo já pediu desculpas por ter apoiado a ditadura, mas ainda conta com funcionários que insistem em dourar esse trágico período do país.
Enquanto nosso futuro não engole a Ponte para o Futuro, nosso passado está louco para reviver 64. Mas Ana Júlia e sua geração não estão para brincadeira. Estão para a luta!
Carlos D Medeiros:
Tô muito fascinado pelo fenômeno Nada (como podem ver). O Nada, o apartidário, o nulo, o ausente. O vazio é revelador. Tem um vazio enorme que não foi ocupado. Não adiantou Crivella, Veja, Globo, Freixo, eu, tu, eles. Não adiantou reza, oratória, fala mansa, denúncia, defesa. Não adiantou alerta, crença, fé, promessa e currículo. A descrença venceu mas na nossa lógica sem lógica o vazio é um problema é não tem valor. E é um lugar a ser ocupado, afinal, na nossa loucura tudo tem que ser possuído. E foi. Ganhou o segundo lugar. Para o nihilista tanto faz pois todos, segundo ele, são os mesmos.
Se fosse Crivella e Bolsominion ou Índio e Paulo-espancador-de-mulher eu também iria dormir, ir à praia ou digitar 00. Zero zero. Zero a zero. Iria mesmo.
Assim, que dizer a quem desvotou? Nada, ué. Ao vazio nada se diz. Se respeita. Mas se o vazio diz sem dizer contra palavras vazias, também permite que outros falem por ele. Quem não se expressa que se imprense. Nos próximos dias, a imprensa imprimirá a fala de alguém legitimado por ter sido o segundo pois o vazio ainda é algo entre o porvir e o que nunca rolará.
"Olhe o abismo e o abismo olhará para você". (Nietszche)
"Qual o som que se obtém ao bater palmas com uma só mão?" (Zen)
"Paz sem voz não é paz é medo" (Rappa)
E por aí vai. Não cumpre aqui desvalorizar o vazio. O abismo está a nos olhar e estamos olhando pra ele. Entre estupefatos e de saco cheio. Sei lá o que fazer com isso. No zen, no budismo, na yoga, o vazio é algo a se alcançar pois contém a resposta que a barulheira oculta.
Miremos.
NÃO SE PODE SUBESTIMAR o alcance e a dimensão do fracasso do PSOL neste caso. Todos os dados disponíveis mostram a mesma história. Aqueles com os menores níveis de renda e de escolaridade rejeitaram fortemente o PSOL – um partido formado para combater as desigualdades sociais – em prol do conservador evangélico e pró-empresários. Freixo perdeu esmagadoramente na Zona Oeste. Eleitores da classe trabalhadora e residentes de favelas fora da Zona Sul simplesmente deram as costas para a esquerda. Em outras palavras, os próprios eleitores a quem o programa político do PSOL tenta atender são aqueles que se sentem mais distantes do partido – e são muitas vezes hostis a ele. (...)
Há muitas razões pelas quais os apoiadores do PSOL deveriam estar otimistas em relação ao futuro de seu movimento. O partido evitou os escândalos de corrupção que engoliram quase todos os outros partidos. Tem liderado a luta por ética no governo: junto com a Rede, iniciou e dirigiu o processo para remover Eduardo Cunha da Câmara, além de liderar a luta para bloquear a anistia ao Caixa Dois que Michel Temer e Rodrigo Maia tentaram inserir na lei. A paixão de seus jovens apoiadores, e a maneira com que recebem e empoderam a diversidade na população brasileira, são inspiradoras. A postura intransigente e de princípios de seus candidatos, embora muitas vezes dificulte o sucesso eleitoral, é um oásis raro e importante num cenário sujo de cinismo e oportunismo político.
Em um momento do seu discurso de 10 minutos e 40 segundos, Ana Júlia menciona a morte do estudante Lucas Eduardo de Araújo Mota e afirma: “Vocês estão aqui representando o Estado, e eu convido vocês a olhar a mão de vocês. A mão de vocês está suja com o sangue de Lucas. Não só do Lucas como de todos os adolescentes que são vítimas disso. O sangue do Lucas está na mão de vocês, vocês representam o Estado”.
O presidente da Assembleia, Ademar Traiano (PSDB), como um daqueles tubarões rápidos em detectar um flanco de oportunidade, acreditou que havia ali uma chance de atacar a menina e devolver o plenário ao seu ambiente natural, aquele em que peixinhos dourados não confrontam velhos carnívoros. “Aqui você não pode agredir o parlamentar.... Eu vou encerrar a sessão, eu vou cortar a palavra... (...) Não afronte deputado, aqui ninguém está com a mão manchada de sangue, não”, inflamou-se. Encerrar a sessão, “cortar a palavra”, seria mesmo uma bênção para uma parcela dos parlamentares.
Ana Júlia seguiu defendendo as palavras: “Eu peço desculpa, mas o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) nos diz que a responsabilidade pelos nossos adolescentes, pelos nossos estudantes é da sociedade, da família e do Estado”. Nem precisaria pedir desculpas. Ela estava falando em português para pessoas que deveriam ter capacidade de interpretação de discursos em língua portuguesa. O deputado entendeu muito bem que ela não se referia a mãos literalmente “sujas de sangue” ou apontava uma relação direta com a morte do estudante, mas estava, sim, chamando atenção sobre a responsabilidade constitucional dos parlamentares em sua função pública. O deputado apenas preferiu apostar na burrice – e parece que ninguém perde no Brasil atual ao apostar na burrice.
"A Associação Nacional dos Jornais entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para estender a restrição a participação estrangeira na comunicação social aos portais de Internet. O alvo são os sites estrangeiros que tem feito bom jornalismo por aqui: BBC Brasil, El País Brasil e The Intercept. O argumento utilizado é apenas cínico: impedir que a seleção e filtro das notícias passe por estrangeiros, o que geraria viés e interferência." (Jornal GGN)
Só que a mídia "estrangeira" vem sendo a mais brasileira, e a mídia brasileira sempre foi e continua sendo mais entreguista e baba-gringo. O argumento da associação de jornais, levado ao pé da letra, jogaria contra si própria.
Só que a mídia "estrangeira" vem sendo a mais brasileira, e a mídia brasileira sempre foi e continua sendo mais entreguista e baba-gringo. O argumento da associação de jornais, levado ao pé da letra, jogaria contra si própria.
Bruno Torturra
October 30 at 5:41pm ·
SUFRÁGIO UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.
Uma tragédia carioca em 1 ato.
A caminho do aeroporto, diz o motorista do Uber:
- Torço pro Freixo ganhar. Um cara inteligente, honesto. Mas votei no Crivella.
- Por quê? - pergunto eu.
- Porque ele queria ensinar criança a ser gay. E eu tenho filho na escola municipal.
- Mas ainda assim torce por ele?
- Deus me livre a Igreja Universal comandando o Rio!
Pano rápido.
October 30 at 5:41pm ·
SUFRÁGIO UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.
Uma tragédia carioca em 1 ato.
A caminho do aeroporto, diz o motorista do Uber:
- Torço pro Freixo ganhar. Um cara inteligente, honesto. Mas votei no Crivella.
- Por quê? - pergunto eu.
- Porque ele queria ensinar criança a ser gay. E eu tenho filho na escola municipal.
- Mas ainda assim torce por ele?
- Deus me livre a Igreja Universal comandando o Rio!
Pano rápido.
"É uma crise sobretudo pelo lado da receita já que as despesas do governo, as despesas primárias, cresceram até menos nos últimos anos do que em muitos outros períodos ou nos governos anteriores. Apesar do mito de que o colapso é por um excesso de gastos, o colapso é por falta de receita. No fundo você tira da mesa de discussão tudo que tem a ver questão tributária, tributação dos mais ricos, o fim e a eliminação das desonerações fiscais, a discussão sobre a taxa de juros, isso tudo sai da mesa." (Laura Carvalho, professora de Economia da USP)
"Parece que o parto, a amamentação e a criação têm de ser experiências maravilhosas. A maternidade é uma relação humana como qualquer outra, não o reino mítico que vendem. Quando a experiência materna não é tão maravilhosa quanto se supõe que deveria ser, muitas mulheres se sentem monstros. Reduzir as expectativas faria com que se considerassem menos culpadas. É como o amor, nem sempre é cor de rosa." (Orna Donath)
"Parabéns ao PSDB, talvez o maior vencedor das eleições municipais de 2016 no Brasil. É necessário muita habilidade, realmente, para ser uma das principais forças corruptas, entreguistas e golpistas do Brasil, ter diversos de seus principais quadros delatados como beneficiários de esquemas de corrupção Brasil afora, trabalhar dedicadamente pelos interesses das multinacionais e dos bilionários parasitas locais, prejudicar sistematicamente os interesses da maior parte da população e, ainda assim, ser o mais votado nas principais capitais." (Tiago Ribeiro)
"Existe uma síndrome se espalhando pelo Brasil. Seria interessante que fosse analisada pelos especialistas. Poderia chamar-se síndrome do orgulho do explorado, ou algo do tipo. Acomete aquele sujeito que, ao deparar-se com qualquer forma de resistência ao sistema predatório que se quer implantar no Brasil pós-golpe (seja uma ocupação, uma manifestação, um ato, uma marcha ou um mero comentário em uma rede social) se levanta contra, chama todo mundo de vagabundo e desocupado e grita que ele trabalha 44 horas por semana, que pega 3 ônibus pra chegar ao local de trabalho, que tem que acordar às 5 da manhã, que dá um duro desgraçado. Ele tem muito orgulho disso. Muito orgulho de ser explorado. E muita raiva de quem tenta fazer algo contra a exploração." (Tiago Ribeiro)
"Existe uma síndrome se espalhando pelo Brasil. Seria interessante que fosse analisada pelos especialistas. Poderia chamar-se síndrome do orgulho do explorado, ou algo do tipo. Acomete aquele sujeito que, ao deparar-se com qualquer forma de resistência ao sistema predatório que se quer implantar no Brasil pós-golpe (seja uma ocupação, uma manifestação, um ato, uma marcha ou um mero comentário em uma rede social) se levanta contra, chama todo mundo de vagabundo e desocupado e grita que ele trabalha 44 horas por semana, que pega 3 ônibus pra chegar ao local de trabalho, que tem que acordar às 5 da manhã, que dá um duro desgraçado. Ele tem muito orgulho disso. Muito orgulho de ser explorado. E muita raiva de quem tenta fazer algo contra a exploração." (Tiago Ribeiro)
Me dei conta de que moro no endereço atual há mais tempo do que em qualquer outro na minha vida até hoje.
39÷13=3
A média foi de 3 anos por endereço, até hoje...
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quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Carta aberta aos membros da REDE
Por que saímos da REDE Sustentabilidade
Passadas as eleições municipais, seria importante que a REDE realizasse um balanço político. Mais do que o exame dos resultados alcançados em sua primeira participação eleitoral, trata-se de avaliar o percurso político até aqui tendo em conta os propósitos que estiveram presentes na fundação do partido.
As pessoas que se comprometeram com a construção da REDE, desde quando a contestação às formas tradicionais de fazer política nos aproximou, tiveram em mente a necessidade de um instrumento que fosse capaz de ajudar a mudar o Brasil, reduzindo as desigualdades abissais, enfrentando o racismo estrutural, lutando pelos direitos das sociedades originárias e das minorias, aprofundando a democracia, por meio de ampla reforma política, lançando as bases para o desenvolvimento sustentável e para o protagonismo da sociedade civil e dos indivíduos. Junto aos princípios que afirmávamos, havia o claro repúdio às condutas que evocam fins grandiosos apenas para justificar vilanias cotidianas, invariavelmente definidas como os “meios” ou “males necessários”. Era evidente, para todos nós, que um pragmatismo desta natureza – descolado de qualquer princípio – havia já conduzido à degradação da política e a seu distanciamento dos valores republicanos.
Desde então, a REDE tem se estruturado sobre um vazio de posicionamentos políticos. Inicialmente, imaginávamos que esta lacuna poderia ser explicada pela fragilidade do próprio partido, pela inexperiência de grande parte de seus dirigentes e militantes e pela enorme diversidade interna que demandaria um processo cuidadoso de construção de “consensos progressivos”. A experiência que tivemos nos foi demonstrando, entretanto, que o deserto de definições a respeito de temas centrais nas disputas políticas contemporâneas não era um subproduto de nossas limitações, mas o produto de uma postura determinada que evita as definições, porque percebe que cada uma delas pressupõe um custo político-eleitoral.
O fato de a REDE ser politicamente dependente de Marina Silva, sua maior figura pública, se constituiu em um fenômeno que, ao invés de ter se tornado menor ao longo do processo de construção partidária, se acentuou ao longo do tempo. Na verdade, as decisões estratégicas que foram conformando o perfil da REDE partiram todas de Marina e apenas dela, desde a decisão de entrar no PSB até a decisão favorável ao impeachment da presidente Dilma. Em cada um desses momentos cruciais, a maioria da direção nacional simplesmente se inclinou em apoio às posições sustentadas por Marina.
É preciso sublinhar que Marina é uma liderança política com virtudes excepcionais. Entre elas, a honestidade e a integridade de propósitos; a capacidade de se conduzir em meio às disputas políticas sem realimentar a lógica do ódio e da destruição do outro, ainda quando injustamente atacada; a inquietude que a faz refletir sempre com independência e em sintonia com alguns dos desafios de nossa época etc. Ao mesmo tempo, Marina possui, como todos nós, limites relevantes e não lidera a REDE para que o partido assuma definições políticas consistentes, parecendo preferir navegar em meio a uma sucessão de ambiguidades. A maioria da direção nacional a acompanha nesta preferência, como em todas as demais.
Por conta da reduzida definição política, a REDE tem se construído como uma legião de pessoas de boa vontade e nenhum rumo. Alcançada a legalização do partido, foi precisamente essa característica que permitiu que muitos oportunistas e políticos de direita identificassem na REDE um espaço fértil para seus projetos particulares. O que ocorreu em todo o País, então, foi um mergulho da REDE em direção ao passado e às tradições políticas que pretendíamos superar.
As poucas decisões políticas tomadas nacionalmente pela REDE aprofundaram este caminho. Nesse particular, cabe destacar a decisão favorável ao impeachment, em que o partido aliou-se ao movimento que entregou o poder ao PMDB e a um grupo político envolvido nas investigações da Lava Jato e comprometido em aplicar políticas radicalmente contrárias ao que sempre supomos fossem os valores e os objetivos da Rede.
Temer chegou à presidência para impor ao País uma agenda regressiva e reverter as poucas conquistas sociais do último período. Por mais desastroso que fosse o governo Dilma (e o era) e por piores que fossem os crimes perpetrados por políticos do PT (e muitos deles o foram concretamente), o fato é que não foram esses os motivos que pautaram o processo de impedimento. Assim, por intenções nunca explicitadas e sob a liderança de mafiosos, aprovou-se o impeachment, condenando práticas até então comuns aos Executivos, na União e nos Estados, e nunca antes destacadas pelos Tribunais de Contas como razão para a rejeição das contas. De fato, os beneficiários do impeachment são mestres nos desmandos dos quais setores do PT são aprendizes. O grupo hoje no poder, aliás, é muito mais histórica e organicamente vinculado às práticas de corrupção e de apropriação privada do espaço público, o que não isenta o PT de responsabilidade, mas desmascara a hipocrisia que generaliza acusações e gera a ilusão perversa de que, livre do PT, o Brasil estaria a salvo da corrupção.
Nós resistimos o quanto pudemos e nos orgulhamos dos parlamentares que, mesmo sofrendo ataques na REDE, mantiveram, com firmeza, sua posição contrária ao impeachment. A direção nacional da REDE pretendeu se somar ao impeachment em nome da bandeira, “Nem Dilma, nem Temer”, indicando que o próximo passo haveria de ser dado pelo TSE, com a cassação da chapa Dilma- Temer. Uma estratégia tão inverossímil quanto ingênua e equivocada. A hipótese TSE só haveria se o impeachment não passasse; só não via essa realidade quem não quisesse – e não faltaram os alertas. Subsidiariamente, ao se posicionar em favor do impeachment, a REDE minou sua interlocução com o campo no qual nasceram seus ideais, ao menos aqueles expressos em sua carta de fundação.
O que estava em curso, verdadeiramente, era um deslocamento político da REDE em direção ao bloco hegemônico. Um exemplo desse fenômeno foi o lamentável processo de aliança com o PMDB em larga composição conservadora em Porto Alegre, onde poderíamos ter composto com Luciana Genro, do PSOL, que nos ofereceu espaço na chapa majoritária e protagonismo na definição programática e na composição de um eventual governo de corte reformador e republicano.
Depois de um ano de existência legal e três anos de construção partidária, a REDE não se posicionou sobre qualquer das grandes questões nacionais – sequer foi capaz de formular uma crítica fundamentada ao governo Temer. Quando esboçou alguma posição, ou proclamou platitudes, ou decepcionou, afastando-se dos compromissos assumidos em sua fundação. O que disse a REDE sobre a economia brasileira e as reformas propostas pelo PMDB e seus aliados: a previdenciária, a trabalhista e a fiscal? E sobre o teto para gastos governamentais? Que reforma política o partido propõe? Que políticas a REDE defende para a educação e a saúde? Qual modelo de desenvolvimento sustentável propõe para o país, objetivamente? Qual sua posição sobre política de drogas, aborto, reforma da segurança, desmilitarização e o casamento homoafetivo? A sociedade brasileira não sabe o que pensa a REDE, nem consegue situá-la no espectro político-ideológico. A auto-indulgente declaração de respeito às diferenças internas não basta para dar identidade a um partido e justificar sua existência. Pluralista, internamente, o PMDB também é, o que, aliás, lhe tem sido muito conveniente.
O mais grave é que há sentido no cultivo de generalidades e na indefinição adotada como estilo e método. Lamentavelmente, a REDE está informando ao distinto público de que lado está, na política brasileira. Paulatinamente, vai se distanciando do campo progressista – sequer reconhece sua existência, o que é outra forma de afastar-se dele. Custa-nos, depois de tantos anos dedicados a esse sonho, mas é nosso dever admitir que antevemos, para 2018, uma inflexão da REDE para o centro político, o qual, no Brasil de hoje, corresponde a alinhamento ideológico indiscutivelmente conservador.
Um partido cuja coesão depende exclusivamente de uma liderança, mesmo que ela tenha a admirável e extraordinária dimensão humana de Marina, não é sustentável. Sem um mínimo de consistência ideológica, sem posicionamentos claros, não há como construir unidade que não seja pelo cálculo de oportunidade ou por circunstâncias eleitorais, tão mais atraentes quão mais nos aproximemos de 2018. Não é sustentável um partido cuja direção vota um tema chave para a história do Brasil, o impeachment, sob o argumento explícito de que “não podemos deixar Marina sozinha”, tendo ela anunciado, na véspera, sozinha e sem consultas, sua surpreendente posição favorável, depois de declarar-se contrária ao longo de meses. Um partido que não faça sentido sem uma liderança individual, torna-se refém de sua vontade e acaba sendo regido por lógica pouco democrática, independentemente das intenções de todas e todos, por mais sinceras que sejam as disposições democráticas, inclusive dessa liderança.
Acreditamos que a tarefa, hoje, dos que percebem a necessidade de resistir à tsunami ultra-conservadora e à temporada caça-direitos é contribuir para a articulação, na sociedade, de uma ampla frente democrática e progressista, da qual, tragicamente, a REDE está se auto excluindo.
Por conta dessa avaliação, consideramos que nossa presença na REDE não faz mais sentido. Permanecer, especialmente em um quadro onde o debate interno substantivo é uma ficção, seria apenas legitimar um processo que, rapidamente, repete a doença senil dos partidos.
Assim, desejando que esta carta contribua para a reflexão interna da REDE e anime sua militância em direção a um caminho diverso desse que nos parece frustrante e melancólico, seguimos em frente, sem partido, mas com a mesma disposição de lutar por nossos sonhos.
Rio de Janeiro e Porto Alegre, 3 de outubro de 2016,
Luiz Eduardo Soares
Miriam Krenzinger
Marcos Rolim
Liszt Vieira
Tite Borges
Carla Rodrigues Duarte
Sonia Bernardes
Eduardo Antunes Dias
Por que saímos da REDE Sustentabilidade
Passadas as eleições municipais, seria importante que a REDE realizasse um balanço político. Mais do que o exame dos resultados alcançados em sua primeira participação eleitoral, trata-se de avaliar o percurso político até aqui tendo em conta os propósitos que estiveram presentes na fundação do partido.
As pessoas que se comprometeram com a construção da REDE, desde quando a contestação às formas tradicionais de fazer política nos aproximou, tiveram em mente a necessidade de um instrumento que fosse capaz de ajudar a mudar o Brasil, reduzindo as desigualdades abissais, enfrentando o racismo estrutural, lutando pelos direitos das sociedades originárias e das minorias, aprofundando a democracia, por meio de ampla reforma política, lançando as bases para o desenvolvimento sustentável e para o protagonismo da sociedade civil e dos indivíduos. Junto aos princípios que afirmávamos, havia o claro repúdio às condutas que evocam fins grandiosos apenas para justificar vilanias cotidianas, invariavelmente definidas como os “meios” ou “males necessários”. Era evidente, para todos nós, que um pragmatismo desta natureza – descolado de qualquer princípio – havia já conduzido à degradação da política e a seu distanciamento dos valores republicanos.
Desde então, a REDE tem se estruturado sobre um vazio de posicionamentos políticos. Inicialmente, imaginávamos que esta lacuna poderia ser explicada pela fragilidade do próprio partido, pela inexperiência de grande parte de seus dirigentes e militantes e pela enorme diversidade interna que demandaria um processo cuidadoso de construção de “consensos progressivos”. A experiência que tivemos nos foi demonstrando, entretanto, que o deserto de definições a respeito de temas centrais nas disputas políticas contemporâneas não era um subproduto de nossas limitações, mas o produto de uma postura determinada que evita as definições, porque percebe que cada uma delas pressupõe um custo político-eleitoral.
O fato de a REDE ser politicamente dependente de Marina Silva, sua maior figura pública, se constituiu em um fenômeno que, ao invés de ter se tornado menor ao longo do processo de construção partidária, se acentuou ao longo do tempo. Na verdade, as decisões estratégicas que foram conformando o perfil da REDE partiram todas de Marina e apenas dela, desde a decisão de entrar no PSB até a decisão favorável ao impeachment da presidente Dilma. Em cada um desses momentos cruciais, a maioria da direção nacional simplesmente se inclinou em apoio às posições sustentadas por Marina.
É preciso sublinhar que Marina é uma liderança política com virtudes excepcionais. Entre elas, a honestidade e a integridade de propósitos; a capacidade de se conduzir em meio às disputas políticas sem realimentar a lógica do ódio e da destruição do outro, ainda quando injustamente atacada; a inquietude que a faz refletir sempre com independência e em sintonia com alguns dos desafios de nossa época etc. Ao mesmo tempo, Marina possui, como todos nós, limites relevantes e não lidera a REDE para que o partido assuma definições políticas consistentes, parecendo preferir navegar em meio a uma sucessão de ambiguidades. A maioria da direção nacional a acompanha nesta preferência, como em todas as demais.
Por conta da reduzida definição política, a REDE tem se construído como uma legião de pessoas de boa vontade e nenhum rumo. Alcançada a legalização do partido, foi precisamente essa característica que permitiu que muitos oportunistas e políticos de direita identificassem na REDE um espaço fértil para seus projetos particulares. O que ocorreu em todo o País, então, foi um mergulho da REDE em direção ao passado e às tradições políticas que pretendíamos superar.
As poucas decisões políticas tomadas nacionalmente pela REDE aprofundaram este caminho. Nesse particular, cabe destacar a decisão favorável ao impeachment, em que o partido aliou-se ao movimento que entregou o poder ao PMDB e a um grupo político envolvido nas investigações da Lava Jato e comprometido em aplicar políticas radicalmente contrárias ao que sempre supomos fossem os valores e os objetivos da Rede.
Temer chegou à presidência para impor ao País uma agenda regressiva e reverter as poucas conquistas sociais do último período. Por mais desastroso que fosse o governo Dilma (e o era) e por piores que fossem os crimes perpetrados por políticos do PT (e muitos deles o foram concretamente), o fato é que não foram esses os motivos que pautaram o processo de impedimento. Assim, por intenções nunca explicitadas e sob a liderança de mafiosos, aprovou-se o impeachment, condenando práticas até então comuns aos Executivos, na União e nos Estados, e nunca antes destacadas pelos Tribunais de Contas como razão para a rejeição das contas. De fato, os beneficiários do impeachment são mestres nos desmandos dos quais setores do PT são aprendizes. O grupo hoje no poder, aliás, é muito mais histórica e organicamente vinculado às práticas de corrupção e de apropriação privada do espaço público, o que não isenta o PT de responsabilidade, mas desmascara a hipocrisia que generaliza acusações e gera a ilusão perversa de que, livre do PT, o Brasil estaria a salvo da corrupção.
Nós resistimos o quanto pudemos e nos orgulhamos dos parlamentares que, mesmo sofrendo ataques na REDE, mantiveram, com firmeza, sua posição contrária ao impeachment. A direção nacional da REDE pretendeu se somar ao impeachment em nome da bandeira, “Nem Dilma, nem Temer”, indicando que o próximo passo haveria de ser dado pelo TSE, com a cassação da chapa Dilma- Temer. Uma estratégia tão inverossímil quanto ingênua e equivocada. A hipótese TSE só haveria se o impeachment não passasse; só não via essa realidade quem não quisesse – e não faltaram os alertas. Subsidiariamente, ao se posicionar em favor do impeachment, a REDE minou sua interlocução com o campo no qual nasceram seus ideais, ao menos aqueles expressos em sua carta de fundação.
O que estava em curso, verdadeiramente, era um deslocamento político da REDE em direção ao bloco hegemônico. Um exemplo desse fenômeno foi o lamentável processo de aliança com o PMDB em larga composição conservadora em Porto Alegre, onde poderíamos ter composto com Luciana Genro, do PSOL, que nos ofereceu espaço na chapa majoritária e protagonismo na definição programática e na composição de um eventual governo de corte reformador e republicano.
Depois de um ano de existência legal e três anos de construção partidária, a REDE não se posicionou sobre qualquer das grandes questões nacionais – sequer foi capaz de formular uma crítica fundamentada ao governo Temer. Quando esboçou alguma posição, ou proclamou platitudes, ou decepcionou, afastando-se dos compromissos assumidos em sua fundação. O que disse a REDE sobre a economia brasileira e as reformas propostas pelo PMDB e seus aliados: a previdenciária, a trabalhista e a fiscal? E sobre o teto para gastos governamentais? Que reforma política o partido propõe? Que políticas a REDE defende para a educação e a saúde? Qual modelo de desenvolvimento sustentável propõe para o país, objetivamente? Qual sua posição sobre política de drogas, aborto, reforma da segurança, desmilitarização e o casamento homoafetivo? A sociedade brasileira não sabe o que pensa a REDE, nem consegue situá-la no espectro político-ideológico. A auto-indulgente declaração de respeito às diferenças internas não basta para dar identidade a um partido e justificar sua existência. Pluralista, internamente, o PMDB também é, o que, aliás, lhe tem sido muito conveniente.
O mais grave é que há sentido no cultivo de generalidades e na indefinição adotada como estilo e método. Lamentavelmente, a REDE está informando ao distinto público de que lado está, na política brasileira. Paulatinamente, vai se distanciando do campo progressista – sequer reconhece sua existência, o que é outra forma de afastar-se dele. Custa-nos, depois de tantos anos dedicados a esse sonho, mas é nosso dever admitir que antevemos, para 2018, uma inflexão da REDE para o centro político, o qual, no Brasil de hoje, corresponde a alinhamento ideológico indiscutivelmente conservador.
Um partido cuja coesão depende exclusivamente de uma liderança, mesmo que ela tenha a admirável e extraordinária dimensão humana de Marina, não é sustentável. Sem um mínimo de consistência ideológica, sem posicionamentos claros, não há como construir unidade que não seja pelo cálculo de oportunidade ou por circunstâncias eleitorais, tão mais atraentes quão mais nos aproximemos de 2018. Não é sustentável um partido cuja direção vota um tema chave para a história do Brasil, o impeachment, sob o argumento explícito de que “não podemos deixar Marina sozinha”, tendo ela anunciado, na véspera, sozinha e sem consultas, sua surpreendente posição favorável, depois de declarar-se contrária ao longo de meses. Um partido que não faça sentido sem uma liderança individual, torna-se refém de sua vontade e acaba sendo regido por lógica pouco democrática, independentemente das intenções de todas e todos, por mais sinceras que sejam as disposições democráticas, inclusive dessa liderança.
Acreditamos que a tarefa, hoje, dos que percebem a necessidade de resistir à tsunami ultra-conservadora e à temporada caça-direitos é contribuir para a articulação, na sociedade, de uma ampla frente democrática e progressista, da qual, tragicamente, a REDE está se auto excluindo.
Por conta dessa avaliação, consideramos que nossa presença na REDE não faz mais sentido. Permanecer, especialmente em um quadro onde o debate interno substantivo é uma ficção, seria apenas legitimar um processo que, rapidamente, repete a doença senil dos partidos.
Assim, desejando que esta carta contribua para a reflexão interna da REDE e anime sua militância em direção a um caminho diverso desse que nos parece frustrante e melancólico, seguimos em frente, sem partido, mas com a mesma disposição de lutar por nossos sonhos.
Rio de Janeiro e Porto Alegre, 3 de outubro de 2016,
Luiz Eduardo Soares
Miriam Krenzinger
Marcos Rolim
Liszt Vieira
Tite Borges
Carla Rodrigues Duarte
Sonia Bernardes
Eduardo Antunes Dias
Gravei o áudio da palestra do Leandro Karnal no TRT. Ele falou sobre tipos de preconceito e intolerância: xenofobia, homofobia, misoginia, racismo, demofobia (aversão a pobre).
Abrindo o arquivo de áudio no Sound Forge, um software de edição de áudio, eu pude enxergar o ponto em que houve mais barulho na palestra: foi quando a plateia riu porque ele disse algo do tipo "O Papa Francisco fez um milagre maior do que andar sobre as águas, transformar água em vinho, ou fazer cego enxergar: ele conseguiu fazer com que as pessoas amassem um argentino".
Justamente no momento em que ele foi mais preconceituoso, justamente no momento em que ele foi xenófobo (eu não estou criticando ele, ele sabe o que tá fazendo; inclusive disse a seguir que era xenofobia), foi quando as pessoas gargalharam mais alto. E a plateia era formada por magistrados e servidores do Poder Judiciário - o que exemplificou a tese, por ele exposta, de que o preconceito é enraizado e está dentro de um caldo cultural.
Abrindo o arquivo de áudio no Sound Forge, um software de edição de áudio, eu pude enxergar o ponto em que houve mais barulho na palestra: foi quando a plateia riu porque ele disse algo do tipo "O Papa Francisco fez um milagre maior do que andar sobre as águas, transformar água em vinho, ou fazer cego enxergar: ele conseguiu fazer com que as pessoas amassem um argentino".
Justamente no momento em que ele foi mais preconceituoso, justamente no momento em que ele foi xenófobo (eu não estou criticando ele, ele sabe o que tá fazendo; inclusive disse a seguir que era xenofobia), foi quando as pessoas gargalharam mais alto. E a plateia era formada por magistrados e servidores do Poder Judiciário - o que exemplificou a tese, por ele exposta, de que o preconceito é enraizado e está dentro de um caldo cultural.
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"A tirania se constrói graças a uma cascata de tirania, em que os tiranizados, para se vingarem, tiranizam os mais abaixo." (Leandro Karnal)
Texto acadêmico
(Carlos Gerbase)
Resumo: este ensaio mostra como é produzido um texto acadêmico.
Abstract: this paper shows how an academic text is written.
Palavras chaves: padronização, cientificismo, vácuo intelectual.
Key words: standardization, scientism, intelectual vacuum.
Introdução. Para ter seu artigo aprovado numa revista de prestígio (classificação A1, A2 ou B1 na Capes), o professor universitário segue certas regras. Nossa hipótese é de que, ao seguir normas rígidas, tanto na forma (ABNT), quanto no conteúdo (método acadêmico vigente), o texto será uma sucessão de paráfrases (dizer o mesmo de outro jeito) sem qualquer relevância, que serve apenas à manutenção do emprego do redator no seu programa de pós-graduação e à sua inserção numa comunidade de acadêmicos que escrevem ensaios parecidos.
Capítulo 1. Metodologia. Primeiro encontra-se um tema bem específico, que interesse apenas aos futuros leitores acadêmicos do ensaio. Depois lê-se tudo que foi escrito a respeito em português e inglês. O aproveitamento de textos em alemão e francês é recomendável. Em espanhol, discutível. Em outras línguas, irrelevante. A seguir, escolhe-se um aspecto não abordado, ou um aspecto já abordado, mas com autores parafraseados diferentes. Finalmente, colam-se citações dos textos originais e costuram-se as lacunas com paráfrases elaboradas pelo redator.
Capítulo 2. Interditologia. É vedada qualquer manifestação da subjetividade do autor. O texto deve conter apenas verdades científicas provadas. As provas devem ser coletadas em textos já publicados em revistas e livros acadêmicos da mesma área de atuação do autor. Essas publicações devem ser corretamente citadas. Jamais usar dados recolhidos de forma não sistemática. Gráficos são aceitáveis (embora perigosos). Imagens, irrelevantes. Um adjetivo conduzirá a um parecer que pede correções substantivas. Um ponto de exclamação provocará a recusa definitiva do texto.
Capítulo 3. Epistemologia. A episteme de um ensaio acadêmico passível de publicação é a reprodução do que já é conhecido.
Conclusão. Não interessa pensar, nem opinar, nem pesquisar, nem desvendar. Só interessa parafrasear e padronizar, visando a um estado de vácuo intelectual do leitor. A Academia está ferrada.
(Carlos Gerbase)
Resumo: este ensaio mostra como é produzido um texto acadêmico.
Abstract: this paper shows how an academic text is written.
Palavras chaves: padronização, cientificismo, vácuo intelectual.
Key words: standardization, scientism, intelectual vacuum.
Introdução. Para ter seu artigo aprovado numa revista de prestígio (classificação A1, A2 ou B1 na Capes), o professor universitário segue certas regras. Nossa hipótese é de que, ao seguir normas rígidas, tanto na forma (ABNT), quanto no conteúdo (método acadêmico vigente), o texto será uma sucessão de paráfrases (dizer o mesmo de outro jeito) sem qualquer relevância, que serve apenas à manutenção do emprego do redator no seu programa de pós-graduação e à sua inserção numa comunidade de acadêmicos que escrevem ensaios parecidos.
Capítulo 1. Metodologia. Primeiro encontra-se um tema bem específico, que interesse apenas aos futuros leitores acadêmicos do ensaio. Depois lê-se tudo que foi escrito a respeito em português e inglês. O aproveitamento de textos em alemão e francês é recomendável. Em espanhol, discutível. Em outras línguas, irrelevante. A seguir, escolhe-se um aspecto não abordado, ou um aspecto já abordado, mas com autores parafraseados diferentes. Finalmente, colam-se citações dos textos originais e costuram-se as lacunas com paráfrases elaboradas pelo redator.
Capítulo 2. Interditologia. É vedada qualquer manifestação da subjetividade do autor. O texto deve conter apenas verdades científicas provadas. As provas devem ser coletadas em textos já publicados em revistas e livros acadêmicos da mesma área de atuação do autor. Essas publicações devem ser corretamente citadas. Jamais usar dados recolhidos de forma não sistemática. Gráficos são aceitáveis (embora perigosos). Imagens, irrelevantes. Um adjetivo conduzirá a um parecer que pede correções substantivas. Um ponto de exclamação provocará a recusa definitiva do texto.
Capítulo 3. Epistemologia. A episteme de um ensaio acadêmico passível de publicação é a reprodução do que já é conhecido.
Conclusão. Não interessa pensar, nem opinar, nem pesquisar, nem desvendar. Só interessa parafrasear e padronizar, visando a um estado de vácuo intelectual do leitor. A Academia está ferrada.
"Here's how screwed up the music business is, in 100 words or less. You're likely familiar with this story. Wilco's Yankee Hotel Foxtrot was deemed sales cyanide by Reprise Records, so they ditched the record and the band along with it. Wilco bought back Yankee Hotel Foxtrot from Reprise and eventually sold it to Nonesuch, and the album debuted at No. 13 on the charts. Reprise and Nonesuch are both owned by Time-Warner-AOL; meaning, that company paid for the same album twice." (Dallas Observer)
"Jeff Tweedy is a twat," one former major-label president told me at the height of the singer's travails with Reprise. Though acknowledging the enduring merit of Wilco's music, the executive—who didn't even work for Warner Brothers—marveled at Wilco's desire to make "indulgent albums" for what had become the music industry's largest corporation. "It's unacceptable at this time for any artist to behave the way he does. Who does he think he is? Neil Young?" Perhaps. Neil Young once got sued by his label in the 1980s for making what the gravely disappointed executive David Geffen called "unrepresentative" albums—in other words, they didn't sell well enough. (USA Today)
"Jeff Tweedy is a twat," one former major-label president told me at the height of the singer's travails with Reprise. Though acknowledging the enduring merit of Wilco's music, the executive—who didn't even work for Warner Brothers—marveled at Wilco's desire to make "indulgent albums" for what had become the music industry's largest corporation. "It's unacceptable at this time for any artist to behave the way he does. Who does he think he is? Neil Young?" Perhaps. Neil Young once got sued by his label in the 1980s for making what the gravely disappointed executive David Geffen called "unrepresentative" albums—in other words, they didn't sell well enough. (USA Today)
O que é 'space brain', o fenômeno que pode fazer missões a Marte fracassarem
(BBC Brasil)
Quais e quantas lembranças astronautas conseguiriam ter após uma viagem a Marte? Parece uma pergunta irrelevante, mas é uma das maiores preocupações de especialistas. Isso se deve a um fenômeno conhecido como "space brain", relacionado à exposição prolongada a raios cósmicos galácticos (GCR, na sigla em inglês).
Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia pode causar danos de longo prazo ao cérebro. Entre os efeitos desse fenômeno estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos GCR ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.
Em experimentos em ratos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que níveis de inflamação no cérebro continuavam significativos e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem. "São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos", comentou Limoli, professor de radiação e oncologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Irvine.
"O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas", afirmou Limoli. Para o especialista, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do "space brain" estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões. "Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida."
Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a "extinção do medo", processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado (por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar). "O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade", assinalou Limoli. "Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte."
Raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, astronautas estão protegidos porque se encontram na magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.Construir naves espaciais com uma dupla capa protetora pode não ser útil, pois nada resiste a esses raios. Por isso, especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.
Se os pesquisadores estiverem corretos, é possível que um astronauta que voltar de Marte tenha, portanto, dificuldades para recordar sua memorável experiência.
(BBC Brasil)
Quais e quantas lembranças astronautas conseguiriam ter após uma viagem a Marte? Parece uma pergunta irrelevante, mas é uma das maiores preocupações de especialistas. Isso se deve a um fenômeno conhecido como "space brain", relacionado à exposição prolongada a raios cósmicos galácticos (GCR, na sigla em inglês).
Esses raios carregam tanta energia que podem penetrar o casco de uma nave espacial. De acordo com cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine (EUA), a exposição a partículas carregadas de alta energia pode causar danos de longo prazo ao cérebro. Entre os efeitos desse fenômeno estão alterações cognitivas e demência. Possíveis danos causados pelos GCR ao corpo já eram conhecidos, mas acreditava-se que eram de curto prazo.
Em experimentos em ratos, porém, Charles Limoli e sua equipe descobriram que níveis de inflamação no cérebro continuavam significativos e danosos aos neurônios mesmo após seis meses, afetando comportamento, memória e aprendizagem. "São más notícias para astronautas que embarcarem em uma viagem de ida e volta a Marte de dois ou três anos", comentou Limoli, professor de radiação e oncologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Irvine.
"O ambiente espacial traz perigos únicos para os astronautas", afirmou Limoli. Para o especialista, entre outros possíveis problemas decorrentes do fenômeno do "space brain" estão a diminuição do rendimento, ansiedade, depressão e alterações na hora de tomar decisões. "Muitas dessas consequências adversas podem continuar e progredir ao longo da vida."
Os pesquisadores também descobriram que a radiação afeta a "extinção do medo", processo pelo qual o cérebro reprime experiências desagradáveis e estressantes do passado (por exemplo, quando alguém sofre uma queda de cavalo e volta a montar). "O déficit na extinção do medo pode torná-los (astronautas) propensos à ansiedade", assinalou Limoli. "Isso poderia ser problemático em uma viagem de três anos de ida e volta a Marte."
Raios cósmicos descarregam muita energia ao se chocar com o corpo humano. Na Estação Espacial Internacional, astronautas estão protegidos porque se encontram na magnetosfera da Terra, que atua como escudo contra radiação. O mesmo não aconteceria em uma aventura rumo à Marte.Construir naves espaciais com uma dupla capa protetora pode não ser útil, pois nada resiste a esses raios. Por isso, especialistas sugerem o desenvolvimento de tratamentos preventivos para proteção do cérebro.
Se os pesquisadores estiverem corretos, é possível que um astronauta que voltar de Marte tenha, portanto, dificuldades para recordar sua memorável experiência.
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Os significados por trás do videoclipe de Daydreaming.
sábado, 8 de outubro de 2016
<< O intestino tem mais neurônios que a medula espinhal – cerca de 100 milhões – perdendo apenas para o cérebro em número de neurônios. Ele fabrica muito mais serotonina que o cérebro. Mais exatamente, 95% da serotonina é fabricada e armazenada no intestino. Serotonina é um neurotransmissor – substância química fabricada pelos neurônios e que possui papel vital na transmissão e processamento das informações e estímulos sensoriais através dos neurônios. O equilíbrio da serotonina determina, em última análise, o “fundo musical” dos nossos pensamentos. Dependendo do fundo musical, uma mesma cena (pensamento) pode ser interpretada como alegre, triste, pavorosa, engraçada, neutra, relaxante ou aterrorizante. >> (fonte)
"Atrás da grosseria esconde-se alguém com duplo defeito: tem medo do mundo e dele se defende com as patas erguidas. Acima de tudo, o ser grosseiro tem dificuldade em compartilhar a alegria do convívio pois vive o isolamento pleno de temores. Atrás de alguém sem noção social, existe um ser que padece e ataca para encontrar um paliativo a sua dor." (Leandro Karnal)
Tirei a carta do Corvo no tarô xamânico:
<< A magia do Corvo é poderosa e pode lhe infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do Vazio no qual residem todos os seres que ainda não tem forma definida. O Vazio é denominado “Grande Mistério”. O Grande Mistério já existia antes que todas as outras coisas viessem a existir. O Grande Espírito é oriundo do Grande Mistério e vive no Vazio. O Corvo é o mensageiro do Vazio.
Se a carta do Corvo apareceu em seu jogo, isto é prenúncio de que você está às vésperas de experimentar uma mudança de consciência, que pode significar inclusive uma viagem pelo Grande Mistério ou por alguma senda situada à margem do tempo. A cor do Corvo é a cor do Vazio – o buraco negro no espaço sideral que congrega todas as energias criadoras. Esta carta traz a seguinte mensagem do Corvo: Você conquistou por seus próprios méritos o direito de vislumbrar um pouco mais da magia da vida.
Na cultura dos índios norte-americanos, a cor preta tem diversos significados, mas não simboliza o mal, como na cultura do homem branco. O preto pode expressar, por exemplo, a busca de respostas, o Vazio, ou o caminho para as dimensões suprafísicas. A cor negro-azulada do Corvo possui uma luminosidade que simboliza a magia da escuridão e uma mutabilidade de forma que simboliza os nossos processos de transformação.
O Corvo é o guardião da magia cerimonial, e um curador que opera à distância, e que está sempre presente em qualquer Roda de Cura. O Corvo guia a magia curativa para promover uma mudança de consciência capaz de manifestar uma nova realidade na qual não há mais lugar para a doença e a ignorância. O Corvo nos traz diretamente do Vazio do Grande Mistério um novo estado de bem-aventurança e plenitude, proveniente do campo da fartura.
O Corvo é o mensageiro que conduz o fluxo de energia de uma cerimônia mágica, guiando-a até o seu objetivo final. Por exemplo, se uma cerimônia está sendo realizada para levar consolo e ajuda aos habitantes de uma região assolada por uma catástrofe natural, a tarefa do Corvo será precisamente a de ser o portador deste fluxo de energia. Seu papel é o de interligar as mentes dos praticantes do ritual com as mentes daqueles que estão necessitando daquele trabalho.
Se você tirou a carta do Corvo, isto é sinal de que há magia no ar ao seu redor. Não tente, porém, decifrá-la ou interpretá-la de modo racional, pois você não será capaz, visto que esta é a magia do desconhecido em ação, preparando a chegada de algum acontecimento muito especial. O maior mistério, no entanto, será a sua própria reação ante a maravilhosa sincronia proporcionada por esse momento de pura alquimia. Você será capaz de reconhecer este momento e aproveitar esta oportunidade para seu desenvolvimento espiritual? Será capaz de aceitar esta dádiva do Grande Espírito? Ou você deixará passar esta oportunidade, tentando explicar o poder do Grande Mistério de modo racional e intelectual?
Talvez seja tempo de chamar o Corvo como um mensageiro para transportar energias curativas, mensagens, ou, ainda, simples pensamentos. O Corvo é o protetor dos sinais de fumaça e das mensagens, espirituais representadas pela fumaça. Portanto, se você deseja entrar em contato com os Anciões ou enviar uma mensagem para a Estrada Azul do Espírito, peça auxílio ao Corvo. Ou, quem sabe, os Anciões estão chamando por você.
Lembre-se de que este momento mágico surgiu do vazio da escuridão. O seu desafio, a partir de agora, é iluminá-lo. Ao manifestar a magia luminosa deste momento você estará honrando plenamente o mágico que existe dentro de você. >>
<< A magia do Corvo é poderosa e pode lhe infundir a coragem necessária para penetrar nas trevas do Vazio no qual residem todos os seres que ainda não tem forma definida. O Vazio é denominado “Grande Mistério”. O Grande Mistério já existia antes que todas as outras coisas viessem a existir. O Grande Espírito é oriundo do Grande Mistério e vive no Vazio. O Corvo é o mensageiro do Vazio.
Se a carta do Corvo apareceu em seu jogo, isto é prenúncio de que você está às vésperas de experimentar uma mudança de consciência, que pode significar inclusive uma viagem pelo Grande Mistério ou por alguma senda situada à margem do tempo. A cor do Corvo é a cor do Vazio – o buraco negro no espaço sideral que congrega todas as energias criadoras. Esta carta traz a seguinte mensagem do Corvo: Você conquistou por seus próprios méritos o direito de vislumbrar um pouco mais da magia da vida.
Na cultura dos índios norte-americanos, a cor preta tem diversos significados, mas não simboliza o mal, como na cultura do homem branco. O preto pode expressar, por exemplo, a busca de respostas, o Vazio, ou o caminho para as dimensões suprafísicas. A cor negro-azulada do Corvo possui uma luminosidade que simboliza a magia da escuridão e uma mutabilidade de forma que simboliza os nossos processos de transformação.
O Corvo é o guardião da magia cerimonial, e um curador que opera à distância, e que está sempre presente em qualquer Roda de Cura. O Corvo guia a magia curativa para promover uma mudança de consciência capaz de manifestar uma nova realidade na qual não há mais lugar para a doença e a ignorância. O Corvo nos traz diretamente do Vazio do Grande Mistério um novo estado de bem-aventurança e plenitude, proveniente do campo da fartura.
O Corvo é o mensageiro que conduz o fluxo de energia de uma cerimônia mágica, guiando-a até o seu objetivo final. Por exemplo, se uma cerimônia está sendo realizada para levar consolo e ajuda aos habitantes de uma região assolada por uma catástrofe natural, a tarefa do Corvo será precisamente a de ser o portador deste fluxo de energia. Seu papel é o de interligar as mentes dos praticantes do ritual com as mentes daqueles que estão necessitando daquele trabalho.
Se você tirou a carta do Corvo, isto é sinal de que há magia no ar ao seu redor. Não tente, porém, decifrá-la ou interpretá-la de modo racional, pois você não será capaz, visto que esta é a magia do desconhecido em ação, preparando a chegada de algum acontecimento muito especial. O maior mistério, no entanto, será a sua própria reação ante a maravilhosa sincronia proporcionada por esse momento de pura alquimia. Você será capaz de reconhecer este momento e aproveitar esta oportunidade para seu desenvolvimento espiritual? Será capaz de aceitar esta dádiva do Grande Espírito? Ou você deixará passar esta oportunidade, tentando explicar o poder do Grande Mistério de modo racional e intelectual?
Talvez seja tempo de chamar o Corvo como um mensageiro para transportar energias curativas, mensagens, ou, ainda, simples pensamentos. O Corvo é o protetor dos sinais de fumaça e das mensagens, espirituais representadas pela fumaça. Portanto, se você deseja entrar em contato com os Anciões ou enviar uma mensagem para a Estrada Azul do Espírito, peça auxílio ao Corvo. Ou, quem sabe, os Anciões estão chamando por você.
Lembre-se de que este momento mágico surgiu do vazio da escuridão. O seu desafio, a partir de agora, é iluminá-lo. Ao manifestar a magia luminosa deste momento você estará honrando plenamente o mágico que existe dentro de você. >>
<< Contribuiu para reduzir o índice de desemprego no Reino Unido (5,6%) – apesar de alguns sindicatos, como o Unite the Union, o considerarem mais como uma “maquiagem” do que uma verdadeira redução. “Esse tipo de contrato outorga todo o controle ao empregador e deixa o empregado em uma situação terrivelmente instável e mais vulnerável a abusos”, resume Neil Lee, professor de Economia na London School of Economics (LSE). Os trabalhadores de ‘zero horas’ precisam estar disponíveis 24 horas por dia, todos os dias da semana e, na maioria dos casos, têm uma cláusula que os impede de ter outro emprego. Além disso, muitos não sabem que horário terão de trabalhar e quanto vão ganhar. (...) “Contando com o dia de hoje, já são três dias sem notícias. Não recebi nenhuma mensagem, nenhuma chamada. Nada”, murmura Sarah. Seu semblante forte se evapora quando fala do temor de que a empresa a tenha dispensado. “Com esses contratos, eles nem precisam te despedir. Basta não te chamarem mais para trabalhar”, afirma. E se não há trabalho, não há salário. E também não há acesso ao seguro-desemprego nem outros subsídios. “Tampouco posso deixar esse emprego e procurar outro. Se fizesse isso, sairia do sistema de seguro-desemprego durante seis meses. É assim que eles nos tratam. É como uma escravidão em pleno século XXI”. >> (El Pais)
"Quando o homem nasce, é fraco e flexível; quando morre é impassível e duro. Quando uma árvore nasce, é tenra e flexível; quando se torna seca e dura, ela morre. A dureza e a força são atributos da morte; a flexibilidade e a fraqueza são a frescura do ser. Por isso, quem endurece, nunca vencerá." (Andrei Tarkovski)
Luis Nenung:
Se acontece de uma pessoa próxima a ti
estar mal
ofereça espaço e não julgamento
não minimize ou queira forçar que ela "fique bem" pra diminuir teu desconfortose não tiver algo significativo a dizer
ofereça teu silêncio e um olhar atento
que vale bem +que outro conselho soando a consolo
a Empatia é infinitamente +curativa que nossas opiniões
Impeachment para o Futuro
Jools Holland: Se eu fosse o Iggy Pop de 19 anos, que conselho você me daria?
Iggy Pop: O Izzy me disse pra tomar todas as drogas... Fique só na marijuana! Mande ver e não dê ouvidos a ninguém. Dê ouvidos a tudo que disserem, menos se for pra você. Se disserem pra você, provavelmente é bosta.
Iggy Pop: O Izzy me disse pra tomar todas as drogas... Fique só na marijuana! Mande ver e não dê ouvidos a ninguém. Dê ouvidos a tudo que disserem, menos se for pra você. Se disserem pra você, provavelmente é bosta.
"Entre ser ateu ou agnóstico, fico com o agnosticismo. Um ateu tem uma certeza: a inexistência de Deus. Um agnóstico opta pela dúvida. Ou mesmo por crenças simultâneas. Analisando a História ou mesmo meu feed, percebo que a certeza desune mais que a dúvida. Com a abertura da dúvida, o respeito parece mais palpável. Penso que Ateísmo é certeza demais para nossos tempos. O discurso da Certeza já aniquilou demais. A certeza é violenta." (Augusto Darde)
"Uma pesquisa que saiu na revista científica New Ideas in Psychology é o primeiro estudo empírico já feito sobre coisas arrepiantes (creepy). E sua principal conclusão é que para ser horripilante, mais do que repulsivo, é preciso ser imprevisível. (...) No topo da lista de profissões, com uma imensa vantagem, estão os palhaços. E entre as características que ativam o alerta de arrepio, comportamentos só um pouco estranhos são considerados piores que comportamentos abertamente estranhos. É impossível saber se um palhaço está feliz ou triste com o disfarce da maquiagem. E é impossível saber se ele vai ou não dar com uma torta na sua cara em uma fração de segundo. O mais provável, então, é que seja essa mistura de felicidade fingida com intenções ocultas que dê tanto medo. E esse medo é universal." (Revista Galileu)
Caixa rápido.
"Um filho, afinal, é quem dá à luz a mãe. Pois cada menino nascido faz nascer uma mãe." (Mia Couto)
"Elaborar uma tristeza é o que permite que a gente não se melancolize. Se não encontramos no outro os recursos para isso, vamos ficando anestesiados e mortificados. Esse é o paradoxo: justamente ao tentar evitar toda e qualquer tristeza é que se pode acabar empurrando alguém para a melancolia. Em vez de representar a falta e elaborar a dimensão da perda, quando entramos com a criança na via de restituição do objeto, ou na via de esquivar o acontecimento doloroso, nós a empurramos para uma situação muito pior, porque não compartilhamos com ela os recursos que permitem elaborar as perdas e as faltas, e isso cria uma fragilidade psíquica muito maior." (Julieta Jerusalinsky, psicanalista)
Tem o Cão das Lágrimas e tem o Gato das Lágrimas.
Mujica supremo.
Noutra ocasião:
Noutra ocasião:
Se a vida me ensinou alguma coisa, foi que os únicos derrotados são aqueles que deixam de lutar. No pior dos mundos, temos que persistir e começar de novo. Por quê? Porque a luta e a vida continua. Começamos de novo e seguimos em frente. Mudamos o mundo? Não, mas melhoramos alguma coisa. Nunca se vai triunfar totalmente e tampouco se estará totalmente derrotado. Por isso, se deve que ter fé e compromisso. E ter compromisso significa trabalhar um pouco mais.
Não gosto que se rompa com o voto do povo. Porque, às vezes, o povo erra, mas ele é o único que tem o direito de errar porque ele é quem paga o custo de seu erro. Este é um problema que vocês, brasileiros, têm que resolver.
Se a vida me ensinou alguma coisa, foi que os únicos derrotados são aqueles que deixam de lutar. Vocês tem que saber que não há um prêmio no final do caminho. O prêmio é o próprio caminho, é a própria caminhada. Nossa luta é muito velha e são falsos os termos esquerda e direita. São apenas invenções da revolução francesa. Na realidade, são lados permanentes da condição humana, como os lados de uma moeda, que fluem e refluem permanentemente na história. Há que aprender que, em uma vida desordenada, se necessita ter a coragem de sempre voltar a começar.
E todos sabemos que a democracia nunca será reconhecida como perfeita e não poderá ser. Porque é uma construção humana, e nós somos seres humanos, não somos deuses. Somos diferentes, nascemos de lugares distintos, pertencemos a classes distintas, geneticamente temos matrizes em nosso DNA. Seja o que for, nós homens somos semelhantes, mas cada um é particular e diferente. Porque não somos perfeitos, a sociedade tem e terá sempre conflitos. Porque somos sociais e temos defeitos. Somos diferentes, temos conflito. Por isso, precisamos da política.
A função da política não é gerar confusão e aborrecer a gente. A função da política é dar um limite à dor e às injustiças. A função da política é lutar por um mundo melhor, buscando conciliar permanentemente as inevitáveis diferenças. A função da política não é apagar, mas negociar as diferenças sociais.
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O Caio Kinzel Filho, primo da minha esposa Angela Francisca, esteve no Vietnã e nos contou que os vietnamitas não dizem que não gostam de comer algo - cebola, por exemplo. Eles dizem "eu não sei comer cebola". Porque é só questão de aprender ou não aprender.
"O povo sem partido foi às ruas do país ontem para votar nos candidatos sem partido, cujas ideias sem partido implementarão governos sem partido. O povo brasileiro, hoje, é sem partido, mas com igreja, com empresa, com banco, com emissora de TV, com quadrilha... Tudo muito novo. Tudo muito neutro. Nem esquerda, nem direita. Vai Brazil!" (Tiago Ribeiro)
"A coisa estranha sobre a preocupação é que ela realmente não ajuda. Ela agrava a situação. É difícil estar presente e confiante, porque estamos vivendo no futuro ou no passado em vez de estarmos no presente, o que só gera mais medo e preocupação." (Sakyong Rinpoche)
"A não-ação é frequentemente mais importante que a ação. Sem fazermos nada, as coisas às vezes podem ir mais suavemente, apenas devido à nossa presença pacífica. Em um barco pequeno quando uma tempestade vem, se uma pessoa fica sólida e calma, os outros não entrarão em pânico, e o barco terá maiores possibilidades de continuar flutuando. Em muitas circunstâncias, não-ação é fundamental para o nosso bem-estar. Se pudermos aprender o modo de vida que a árvore tem – permanecendo frescos e sólidos, pacíficos e calmos – mesmo se não fizermos muitas coisas, outros se beneficiarão de nossa não-ação, de nossa presença. Podemos também praticar a não-ação no domínio da fala. Palavras podem criar entendimento e aceitação mútua, ou podem causar o sofrimento dos outros. O melhor às vezes é não falar nada. Precisamos discutir ação social não violenta, mas precisamos discutir também não-ação não violenta." (Thich Nhât Hahn)
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Benedict Cumberbatch cantando Comfortably Numb com o Gilmour.
Palestra do Leandro Karnal no TRT4 (Porto Alegre) em 05/10/2016.
***
Gravei o áudio da palestra do Leandro Karnal no TRT. Ele falou sobre tipos de preconceito e intolerância: xenofobia, homofobia, misoginia, racismo, demofobia (aversão a pobre).
Abrindo o arquivo de áudio no Sound Forge, um software de edição de áudio, eu pude enxergar o ponto em que houve mais barulho na palestra: foi quando a plateia riu porque ele disse algo do tipo "O Papa Francisco fez um milagre maior do que andar sobre as águas, transformar água em vinho, ou fazer cego enxergar: ele conseguiu fazer com que as pessoas amassem um argentino".
Justamente no momento em que ele foi mais preconceituoso, justamente no momento em que ele foi xenófobo (eu não estou criticando ele, ele sabe o que tá fazendo; inclusive disse a seguir que era xenofobia), foi quando as pessoas gargalharam mais alto. E a plateia era formada por magistrados e servidores do Poder Judiciário - o que exemplificou a tese, por ele exposta, de que o preconceito é enraizado e está dentro de um caldo cultural.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
“Desculpe o transtorno, preciso falar do Cunha”, escreve Michel Temer
(The Piauí Herald)
Primeiramente, affinitas affinitatem non generat.
Conheci-o no culto. Essa frase pode soar eloquente demais se você imaginar alguém pregando a palavra de Deus num templo milenar de Israel. Mas o culto em questão era apenas um dos muitos que os pastores vêm comandando desde os anos 90 em decadentes cinemas das capitais. Ele fazia preces financeiras. Nunca vou esquecer: passava a sacolinha entre os fiéis humildes enquanto recitava Malaquias 3:8-10.
Quando os pastores levantavam a voz no púlpito, ele se calava. Quando contabilizavam o dízimo nos bastidores, ele os auxiliava. Quando gritavam “amém, Jesus!”, ele concordava com a cabeça. Sempre estrábico, deixava claro que conseguia manter um olho no peixe e outro no gato. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.
Passamos algumas madrugadas conversando na Telerj ao som de Sonda-me, Usa-me e Rendido Estou. De lá, migramos pro governo Garotinho. Do governo Garotinho pro PMDB, do PMDB pro Congresso.
Começamos a namorar quando ele tinha 50 e eu, 68, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todos os episódios de House of Cards várias vezes. Testamos todas as receitas possíveis de robalo. Escolhemos diretorias em estatais como se escolhêssemos gravatas. A quatro mãos, escrevemos medidas provisórias, projetos de lei e inúmeras versões da reforma trabalhista. Fizemos uma dúzia de amigos novos e, com eles, fundamos o Blocão. Sofremos com os haters, gargalhamos com a desgraça da Dilma. Juntos, rasgamos a Constituição. Viajamos o mundo dividindo o cartão de crédito. Dos dez paraísos fiscais de que mais gosto, sete foi ele quem me apresentou. Os outros três foi ele quem inaugurou. Aprendi com ele o significado de usufrutuário, truste, Panama Papers e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho e enviando pra NSA.
Ontem, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais do que quando líamos o Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Mais do que quando falávamos em público de nossas famílias. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ele? Parece que, pra sempre, ele vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido votos, eu penso. Levaria algo de íntegro comigo.
Semana passada, consumou-se o impeachment que a gente urdiu juntos – não por acaso, fruto de um emaranhado jurídico bem mais cabeludo do que nossas cabeças já ralas. Achei que fosse chorar tudo de novo. Mas o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter orquestrado um grande golpe na vida. E de ter esse golpe documentado no Diário Oficial. Não falta nada.
(The Piauí Herald)
Primeiramente, affinitas affinitatem non generat.
Conheci-o no culto. Essa frase pode soar eloquente demais se você imaginar alguém pregando a palavra de Deus num templo milenar de Israel. Mas o culto em questão era apenas um dos muitos que os pastores vêm comandando desde os anos 90 em decadentes cinemas das capitais. Ele fazia preces financeiras. Nunca vou esquecer: passava a sacolinha entre os fiéis humildes enquanto recitava Malaquias 3:8-10.
Quando os pastores levantavam a voz no púlpito, ele se calava. Quando contabilizavam o dízimo nos bastidores, ele os auxiliava. Quando gritavam “amém, Jesus!”, ele concordava com a cabeça. Sempre estrábico, deixava claro que conseguia manter um olho no peixe e outro no gato. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.
Passamos algumas madrugadas conversando na Telerj ao som de Sonda-me, Usa-me e Rendido Estou. De lá, migramos pro governo Garotinho. Do governo Garotinho pro PMDB, do PMDB pro Congresso.
Começamos a namorar quando ele tinha 50 e eu, 68, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todos os episódios de House of Cards várias vezes. Testamos todas as receitas possíveis de robalo. Escolhemos diretorias em estatais como se escolhêssemos gravatas. A quatro mãos, escrevemos medidas provisórias, projetos de lei e inúmeras versões da reforma trabalhista. Fizemos uma dúzia de amigos novos e, com eles, fundamos o Blocão. Sofremos com os haters, gargalhamos com a desgraça da Dilma. Juntos, rasgamos a Constituição. Viajamos o mundo dividindo o cartão de crédito. Dos dez paraísos fiscais de que mais gosto, sete foi ele quem me apresentou. Os outros três foi ele quem inaugurou. Aprendi com ele o significado de usufrutuário, truste, Panama Papers e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho e enviando pra NSA.
Ontem, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais do que quando líamos o Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Mais do que quando falávamos em público de nossas famílias. Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ele? Parece que, pra sempre, ele vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido votos, eu penso. Levaria algo de íntegro comigo.
Semana passada, consumou-se o impeachment que a gente urdiu juntos – não por acaso, fruto de um emaranhado jurídico bem mais cabeludo do que nossas cabeças já ralas. Achei que fosse chorar tudo de novo. Mas o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter orquestrado um grande golpe na vida. E de ter esse golpe documentado no Diário Oficial. Não falta nada.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Cunha dando a letra:
'ARMADILHA TEMER'
Ele está vivendo uma situação difícil, inclusive com erro de agenda. As manifestações de 2013 nunca foram sepultadas. Essa crise foi o propulsor do impeachment. Agora, Michel assumiu e, de certa forma, ele herda a crise de representatividade. Aqueles que votaram na Dilma e também no Michel — ele foi votado pelos mesmos 54 milhões — votaram num programa de governo apresentado pela Dilma que não foi cumprido. Ele precisaria compreender que ele foi votado por esses 54 milhões, que votaram em um programa de governo que a Dilma não cumpriu.
REFÉM
Há a sensação de que ele fica refém, porque ele entrega a política e o governo para aqueles que foram a oposição, que perderam a eleição para ele. É importante dizer isso: o PSDB e o DEM perderam a eleição para a Dilma e para o Michel. Se você quer legitimar o poder, tem que legitimar o poder eleito pelos 54 milhões. Quando você quer fazer o programa do PSDB e do DEM, passa a impressão de que quem está governando é o PSDB e o DEM. De uma certa forma, está trazendo para si a falta de representatividade. Os que votaram em você não reconhecem isso e aqueles que votaram no programa PSDB/DEM não entendem que o Michel é o representante legítimo para exercer isso. Nessas circunstâncias, ele está numa armadilha.
Há a sensação de que ele fica refém, porque ele entrega a política e o governo para aqueles que foram a oposição, que perderam a eleição para ele. É importante dizer isso: o PSDB e o DEM perderam a eleição para a Dilma e para o Michel. Se você quer legitimar o poder, tem que legitimar o poder eleito pelos 54 milhões. Quando você quer fazer o programa do PSDB e do DEM, passa a impressão de que quem está governando é o PSDB e o DEM. De uma certa forma, está trazendo para si a falta de representatividade. Os que votaram em você não reconhecem isso e aqueles que votaram no programa PSDB/DEM não entendem que o Michel é o representante legítimo para exercer isso. Nessas circunstâncias, ele está numa armadilha.
COMPORTAMENTO
Tem que ter um pacto mínimo, mas não temos mandato reformador. Temos um mandato resultante de uma crise. Não dá para se comportar como se tivesse se ganho uma eleição, com um programa que não foi discutido e apresentado à sociedade.
Tem que ter um pacto mínimo, mas não temos mandato reformador. Temos um mandato resultante de uma crise. Não dá para se comportar como se tivesse se ganho uma eleição, com um programa que não foi discutido e apresentado à sociedade.
OS INSATISFEITOS
Vai acontecer o seguinte: nesse primeiro momento, há [nas ruas] os movimentos orquestrados pelo PT, mas daqui a pouco vão se agregar os outros, os insatisfeitos com o programa não cumprido da Dilma, os que votaram no Aécio... Isso é uma situação muito perigosa.
Vai acontecer o seguinte: nesse primeiro momento, há [nas ruas] os movimentos orquestrados pelo PT, mas daqui a pouco vão se agregar os outros, os insatisfeitos com o programa não cumprido da Dilma, os que votaram no Aécio... Isso é uma situação muito perigosa.
REELEIÇÃO
O PSDB adotou essa posição de censor depois que se divulgou a ideia de que o Michel poderia ser candidato à reeleição. Eles ficaram com a desconfiança. Não vão ser sócios de um governo que dê certo, porque se der certo o candidato é o Michel. Se der errado, serão partícipes do fracasso. Então eles vão ficar nessa posição. Votam o que for de interesse deles e criticam o que não for. Demarcaram uma diferença.
O PSDB adotou essa posição de censor depois que se divulgou a ideia de que o Michel poderia ser candidato à reeleição. Eles ficaram com a desconfiança. Não vão ser sócios de um governo que dê certo, porque se der certo o candidato é o Michel. Se der errado, serão partícipes do fracasso. Então eles vão ficar nessa posição. Votam o que for de interesse deles e criticam o que não for. Demarcaram uma diferença.
LIVRO
Vou escrever um livro sobre o impeachment. Ainda não pensei no título. Vou escrever com todos os detalhes tudo o que aconteceu dentro desse processo do qual participei. Tenho uma boa memória, né? Tenho ele rascunhado dentro da minha cabeça. Pretendo ter ele pronto até o fim desse ano. Acho que, talvez, o ponto de partida seja as manifestações de 2013. Tudo começa ali. Não espero perder o mandato mas, se acontecer, o livro vai sair mas rápido. Vou ter mais tempo.
Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice
(Gregório Duvivier)
Conheci ela no jazz. Essa frase pode parecer romântica se você imaginar alguém tocando Cole Porter num subsolo esfumaçado de Nova York. Mas o jazz em questão era aquela aula de dança que todas as garotas faziam nos anos 1990 — onde ouvia-se tudo menos jazz. Ela fazia jazz. Minha irmã fazia jazz. Eu não fazia jazz mas ia buscar minha irmã no jazz. Ela estava lá.
Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.
Dançando. Nunca vou me esquecer: a música era "You Oughta Know", da Alanis.
Quando as meninas se jogavam no chão, ela ficava no alto. Quando iam pra ponta dos pés, ela caía de joelhos. Quando se atiravam pro lado, trombavam com ela que se lançava pro lado oposto. Os olhos, sempre imensos e verdes, deixavam claro que ela não fazia ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista. Só pra mim, acho.
Passamos algumas madrugadas conversando no ICQ ao som de Blink 182 e Goo Goo Dolls. De lá, migramos pro MSN. Do MSN pro Orkut, do Orkut pro inbox, do inbox pro SMS.
Começamos a namorar quando ela tinha 20 e eu 23, mas parecia que a vida começava ali. Vimos todas as séries. Algumas várias vezes. Fizemos todas as receitas existentes de risoto. Queimamos algumas panelas de comida porque a conversa tava boa. Escolhemos móveis sem pesquisar se eles passavam pela porta. Escrevemos juntos séries, peças de teatro, filmes. Fizemos uma dúzia de amigos novos e junto com eles o Porta dos Fundos. Fizemos mais de 50 curtas só nós dois —acabei de contar. Sofremos com os haters, rimos com os shippers. Viajamos o mundo dividindo o fone de ouvido. Das dez músicas que mais gosto, sete foi ela que me mostrou. As outras três foi ela que compôs. Aprendi o que era feminismo e também o que era cisgênero, gas lighting, heteronormatividade, mansplaining e outras palavras que o Word tá sublinhando de vermelho porque o Word não teve a sorte de ser casado com ela.
Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "UP". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.
Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos — não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme — e em tantos vídeos, músicas e
crónicas. Não falta nada.
domingo, 11 de setembro de 2016
Programa-051 by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
<< O conhecido “racionalista” Debasis Bhattacharya afirma que Madre Teresa fazia os pobres sofrerem para poderem receber o amor de Deus. “Mas ela nunca esperou. Quando ficou doente recorreu a serviços de saúde modernos e caros.” Do primeiro milagre que o Papa reconheceu como dela, a cura de um tumor em Mónica Besra, garante que foi uma mentira planejada: “Seu tumor não era cancerígeno, mas de tuberculose. Curou-se porque foi diagnosticado e tratado no hospital.” >> (El País)
Os 5 mitos da Justiça do Trabalho
(Por Rodrigo de Lacerda Carelli, professor da UFRJ e procurador do trabalho no RJ)
A Justiça do Trabalho vem sendo atacada por mitos, baseados em crenças ideológicas, sem qualquer vinculação rigorosa com fatos ou estudos empíricos.
O primeiro mito é que a proteção do direito do trabalho gera desemprego, sendo necessária a flexibilização da legislação trabalhista para a criação de postos de trabalho. Segundo os estudos empíricos realizados em diversos países (por todos, Relatório de Giuseppe Bertola para a OIT – Organização Internacional do Trabalho de 2009; e da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico de 2006 e 2013), não há qualquer relação determinante entre a proteção trabalhista e a geração de empregos, no sentido que a proteção trabalhista impediria a contratação de trabalhadores ou que a flexibilização incentivaria a criação de novos postos de trabalho. Outro ponto que os estudos abrangentes demonstram é que a proteção trabalhista assegura melhor distribuição da renda, além de demonstrar que longas horas de trabalho e alta rotatividade diminuem sensivelmente a produtividade (Deakin, Malmber e Sarkar, International Labour Review 195, 2014). O discurso de que o direito do trabalho se relaciona com o nível de emprego tem origem puramente ideológica.
O segundo mito é que a legislação trabalhista é antiga, tem mais de 70 anos, e por isso ultrapassada. De fato, a Consolidação das Leis do Trabalho original é do ano de 1943, porém, dos 510 artigos que compõem a parte de direito individual do trabalho, somente 75 permanecem com a redação original, ou seja, apenas 14,7% dos dispositivos não sofreu atualização. Além disso, há dezenas de leis esparsas tratando de novas formas de contratação que não estão inseridas no bojo do diploma legal principal, a CLT.
O terceiro mito é que é a legislação trabalhista que causa excesso de processos na Justiça do Trabalho. No ano de 2015, 46,9% das ações em curso eram relativas a pagamento das verbas rescisórias (Relatório Justiça em Números 2015, Conselho Nacional de Justiça), sendo que a maior parte desses trabalhadores, provavelmente, foram encaminhados pela própria empresa à Justiça do Trabalho para conciliar e reduzir o valor que o trabalhador tem por direito a receber. Ou seja, quase a metade da demanda na Justiça do Trabalho se dá pelo simples não pagamento de verbas na dispensa do trabalhador, não tendo qualquer relação com rigidez do Direito do Trabalho.
O quarto mito é que há excesso de ações na Justiça do Trabalho. Os jornais estampam manchetes dizendo que a Justiça do Trabalho receberá cerca de três milhões de ações este ano. Esse número, em termos absolutos, realmente assusta. Mas se olharmos em termos relativos, a Justiça do Trabalho recebe 13,8% dos casos novos, muito menos processos que a Justiça Estadual (69,7%), e menos ainda que a Justiça Federal, que tem praticamente um réu, a União Federal (14%).
O quinto mito é que as súmulas do Tribunal Superior do Trabalho e a multiplicação de leis trabalhistas tornariam complexas e sem segurança as relações jurídicas. Ora, esse mito é originado da ilusão do positivismo jurídico de querer tudo regular e não dar brechas para interpretação dos juízes: o Código Prussiano, de 1794, com 19.000 artigos, e o Código Napoleônico, de 1802, com 2.280 artigos, são os exemplos mais claros da utopia e também de seu fracasso. Por óbvio esses códigos não conseguiram abarcar todas as situações da vida, e os conflitos tiveram que ser resolvidos por interpretações judiciais. Isso se dá pelo simples fato que o mundo é complexo, as relações são complexas, não havendo possibilidade de amarrá-las todas em um texto legal. As súmulas dos tribunais são apenas uma tentativa que, sabendo-se um tanto vã, buscam maior clarificação do direito. Quanto à multiplicação das leis trabalhistas, essa é oriunda do próprio processo de desconstrução do direito do trabalho: a cada passo de flexibilização, mais uma lei é criada, mais uma exceção e, assim, mais complexa se torna a aplicação do direito.
Esses mitos impedem que haja a necessária análise desprovida de paixões ideológicas. A Justiça do Trabalho e o direito do trabalho exercem importantes funções no equilíbrio das relações sociais, impedindo a emergência de conflitos abertos entre empregadores e trabalhadores. Os fatos estão esquecidos ou escondidos, os mitos se tornam senso comum, espalham-se e contaminam até mesmo membros desse ramo: hoje a Justiça do Trabalho é uma ilha cercada de mitos por todos os lados. Os náufragos, habitantes dessa ilha, são os trabalhadores e a sociedade, que só esperam que os direitos fundamentais não sejam destruídos e que seja buscada a construção de uma comunidade baseada em respeito mútuo e, por conseguinte, mínima pacificação social.
(Por Rodrigo de Lacerda Carelli, professor da UFRJ e procurador do trabalho no RJ)
A Justiça do Trabalho vem sendo atacada por mitos, baseados em crenças ideológicas, sem qualquer vinculação rigorosa com fatos ou estudos empíricos.
O primeiro mito é que a proteção do direito do trabalho gera desemprego, sendo necessária a flexibilização da legislação trabalhista para a criação de postos de trabalho. Segundo os estudos empíricos realizados em diversos países (por todos, Relatório de Giuseppe Bertola para a OIT – Organização Internacional do Trabalho de 2009; e da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico de 2006 e 2013), não há qualquer relação determinante entre a proteção trabalhista e a geração de empregos, no sentido que a proteção trabalhista impediria a contratação de trabalhadores ou que a flexibilização incentivaria a criação de novos postos de trabalho. Outro ponto que os estudos abrangentes demonstram é que a proteção trabalhista assegura melhor distribuição da renda, além de demonstrar que longas horas de trabalho e alta rotatividade diminuem sensivelmente a produtividade (Deakin, Malmber e Sarkar, International Labour Review 195, 2014). O discurso de que o direito do trabalho se relaciona com o nível de emprego tem origem puramente ideológica.
O segundo mito é que a legislação trabalhista é antiga, tem mais de 70 anos, e por isso ultrapassada. De fato, a Consolidação das Leis do Trabalho original é do ano de 1943, porém, dos 510 artigos que compõem a parte de direito individual do trabalho, somente 75 permanecem com a redação original, ou seja, apenas 14,7% dos dispositivos não sofreu atualização. Além disso, há dezenas de leis esparsas tratando de novas formas de contratação que não estão inseridas no bojo do diploma legal principal, a CLT.
O terceiro mito é que é a legislação trabalhista que causa excesso de processos na Justiça do Trabalho. No ano de 2015, 46,9% das ações em curso eram relativas a pagamento das verbas rescisórias (Relatório Justiça em Números 2015, Conselho Nacional de Justiça), sendo que a maior parte desses trabalhadores, provavelmente, foram encaminhados pela própria empresa à Justiça do Trabalho para conciliar e reduzir o valor que o trabalhador tem por direito a receber. Ou seja, quase a metade da demanda na Justiça do Trabalho se dá pelo simples não pagamento de verbas na dispensa do trabalhador, não tendo qualquer relação com rigidez do Direito do Trabalho.
O quarto mito é que há excesso de ações na Justiça do Trabalho. Os jornais estampam manchetes dizendo que a Justiça do Trabalho receberá cerca de três milhões de ações este ano. Esse número, em termos absolutos, realmente assusta. Mas se olharmos em termos relativos, a Justiça do Trabalho recebe 13,8% dos casos novos, muito menos processos que a Justiça Estadual (69,7%), e menos ainda que a Justiça Federal, que tem praticamente um réu, a União Federal (14%).
O quinto mito é que as súmulas do Tribunal Superior do Trabalho e a multiplicação de leis trabalhistas tornariam complexas e sem segurança as relações jurídicas. Ora, esse mito é originado da ilusão do positivismo jurídico de querer tudo regular e não dar brechas para interpretação dos juízes: o Código Prussiano, de 1794, com 19.000 artigos, e o Código Napoleônico, de 1802, com 2.280 artigos, são os exemplos mais claros da utopia e também de seu fracasso. Por óbvio esses códigos não conseguiram abarcar todas as situações da vida, e os conflitos tiveram que ser resolvidos por interpretações judiciais. Isso se dá pelo simples fato que o mundo é complexo, as relações são complexas, não havendo possibilidade de amarrá-las todas em um texto legal. As súmulas dos tribunais são apenas uma tentativa que, sabendo-se um tanto vã, buscam maior clarificação do direito. Quanto à multiplicação das leis trabalhistas, essa é oriunda do próprio processo de desconstrução do direito do trabalho: a cada passo de flexibilização, mais uma lei é criada, mais uma exceção e, assim, mais complexa se torna a aplicação do direito.
Esses mitos impedem que haja a necessária análise desprovida de paixões ideológicas. A Justiça do Trabalho e o direito do trabalho exercem importantes funções no equilíbrio das relações sociais, impedindo a emergência de conflitos abertos entre empregadores e trabalhadores. Os fatos estão esquecidos ou escondidos, os mitos se tornam senso comum, espalham-se e contaminam até mesmo membros desse ramo: hoje a Justiça do Trabalho é uma ilha cercada de mitos por todos os lados. Os náufragos, habitantes dessa ilha, são os trabalhadores e a sociedade, que só esperam que os direitos fundamentais não sejam destruídos e que seja buscada a construção de uma comunidade baseada em respeito mútuo e, por conseguinte, mínima pacificação social.
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