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sábado, 31 de maio de 2014

"Desde maio de 2012, por decisão do Planalto, vigora a pirâmide social redesenhada pelo ministro Wellington Moreira Franco, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Segundo esse monumento ao cinismo, a faixa dos miseráveis abrange quem ganha individualmente entre zero e R$ 70 reais. A pobreza vai de R$ 71 a R$ 250. A classe média começa em R$ 251 e a acaba em R$ 850. Os que embolsam mais de R$ 851 são ricos, e é nessa categoria que se enquadram milhares de seres andrajosos que se plantam de manhã à noite nos principais cruzamentos. Em São Paulo, esmolando oito horas por dia, cada um ganha de R$ 35 a R$ 40. Quase todos rondam os R$ 1.200 por mês. São, portanto, pedintes de classe média. Caso melhorem a produtividade, logo serão mendigos milionários." (Augusto Nunes)

"Parte-se de um fato inegável: ao longo dos últimos anos, a política de transferência de renda (via programas como Bolsa Família) e a política de valorização do salário mínimo foram o carro chefe de uma transformação significativa nas condições da população mais pobre em nosso País. Com elas vieram também a ampliação dos benefícios concedidos pela previdência social, a melhoria das condições no mercado de trabalho e o acesso ao crédito. No entanto, também é amplamente reconhecido que a política econômica desse período continuou a favorecer e beneficiar as camadas mais ricas de nossa sociedade, por meio da política de juros elevadíssimos (que só começou a mudar no último ano), das isenções fiscais, das desonerações tributárias, da ampliação da privatização e toda a sorte de benesses dirigidas ao capital em geral e ao setor financeiro em particular." (Paulo Kliass)

"De acordo com a definição da SAE, a classe média é aquela com renda familiar per capita mensal (ponto de corte) entre R$ 291,00 e R$ 1.019,00, a classe baixa, entre R$ 81,00 e R$ 291,00, e a classe alta, aquela com renda per capita mensal acima de R$ 1.019. Parece um número muito díspar, mas a diretora de programas da secretaria, Diana Grosner, defende que a pesquisa consegue mostrar bem a renda média da classe em ascensão. Outra pesquisa amplamente utilizada é a Critério de Classificação Econômica do Brasil (CCEB), elaborada pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas (ABEP). Utilizada por órgãos como, por exemplo, o Ibope e a Datafolha, a pesquisa é feita com base nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) também do IBGE e busca estimar o poder de compra das pessoas e famílias urbanas, dividindo-as nas classes A, B1, B2, C1, C2, D, E. De acordo com a Critério Brasil, integram as classes D e E as famílias com renda média mensal de R$ 776,00; a classe C2, aqueles com renda média de R$ 1.147,00; C1, os que têm renda de cerca de R$ 1.685,00; B2, indivíduos com renda mensal familiar de R$ 2.654,00; B1, renda de 5.241,00; e da classe A, aqueles com renda mensal média de R$ 9.263,00." (Jornal do Comércio, 12/08/2013)
Nenhum lixo passa despercebido.

"É muito difícil encontrar uma pessoa feliz entre os ricos. Uma pessoa pobre que consegue tomar café da manhã, almoçar e, com sorte, jantar… é automaticamente feliz. Nesse dia conseguiu seu objetivo. O rico – cuja tendência obsessiva é enriquecer mais – costuma meter-se numa espiral de infelicidade enorme. A grande perversão do sistema dos ricos é que acabam sendo escravos. Nada os sacia, entram em colapso, uma catástrofe!" (Zygmunt Bauman)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Greve, instrumento de transformação social
(Artigo de Artur Henrique, presidente da CUT em 2011.)

A greve é mais que um direito constitucional e um instrumento legítimo para os trabalhadores cobrarem aumentos salariais, proteção e ampliação de direitos e melhoria das condições de vida em geral.

Um movimento grevista também é um dos principais momentos para elevar a consciência crítica da população. É uma oportunidade de as pessoas se enxergarem como conjunto transformador, e por isso guarda em si potencial de catarse política, de passagem para uma experiência ativa de mudança do mundo social.

Compreendido esse potencial, entende-se porque as greves são tão hostilizadas – embora, e propositalmente, jamais de modo a apontar o verdadeiro temor – pelos patrões em geral e todo o sistema hegemônico de que dispõem.

O que não se pode entender ou mesmo aceitar é que administradores públicos das três esferas de governo, especialmente aqueles que têm origem no movimento sindical e nas lutas sociais, tentem desqualificar a greve ou coloquem-se contra o movimento como se defendessem um princípio.

Nada disso quer dizer que a greve seja algo que busquemos como recurso primeiro. Ao contrário. Quando acontece, a greve é resultado de um processo de negociação que fracassou. Em circunstâncias assim, é o último e único recurso de pressão dos trabalhadores, diante da multiplicidade de mecanismos de que dispõem os empregadores – força econômica, domínio dos meios de comunicação e até controle das forças de repressão.

Os mais bem sucedidos processos de negociação, por sua vez, derivam da realização de greves em períodos anteriores que elevaram o grau de consciência política e organizativa de determinados grupos.

Já o fracasso de um processo de negociação não pode ser atribuído a um único ator do processo. Tanto no setor privado quanto no público, os administradores têm entre suas funções básicas a intermediação de conflitos trabalhistas.

Enquanto isso, os indignados de todo o mundo vão às ruas protestar contra o capitalismo, ainda que de forma fragmentada, com bandeiras múltiplas, reivindicando uma nova forma de gerir o planeta. Todos que acampam, levantam bandeiras e batem bumbo querem dizer, se me permitem o uso de uma frase que os estadunidenses criaram, com sua capacidade toda própria adquirida graças ao cinema e à publicidade: “Você não me deixa sonhar, então eu não deixo você dormir”.

O Brasil, que pleiteia, com justiça, uma posição de comando na diplomacia internacional, bem que poderia dizer ao mundo, durante as cerimônias públicas e nas coletivas de imprensa de fóruns mundiais como o próximo G-20, que não há nada comprovadamente mais eficaz contra a crise do que a organização da classe trabalhadora, ao mesmo tempo responsável pela produção e pelo consumo.

Arrisco-me a dizer ainda que a América Latina, a partir de suas experiências contra-hegemônicas, tem todo o direito de propor aos povos do Hemisfério Norte a desobediência ao sistema financeiro, esse que rouba nossos sonhos.
Um esclarecimento ao Batista e ao Ramiro Ruschel:

[Encarangado] é uma expressão que começou a ser usada na língua portuguesa no século 19, significando, segundo o Dicionário Etimológico do Antônio Geraldo da Cunha (4ª edição), "adoentado", "paralisado".

[Encarangado] deriva de [carango], que por sua vez deriva de [caranguejo], sinônimo de "câncer", "doença" – além do bicho aquele, que inclusive é o símbolo do signo zodiacal de câncer.

[Cancer cancri] do latim originou [cangro] do castelhano, com seu diminutivo [cangrejo], que originou [cangrego] no século 13 e [cranguejo] no século 16, chegando, por fim, à palavra [caranguejo].

Batista e Ramiro, na transmissão do jogo Inter x Chapecoense, disseram que a expressão só é usada "aqui no sul" e que significa "congelado".

***

Angela Francisca pergunta por que o bicho ganhou o nome da doença. Encontrei essas "conclusões provisórias" do Spacca, autor de livros em HQ:

a) As características do animal caranguejo sugerem as ideias de "prender" (pinças), "protegido" (casca) e "ação dissimulada" ou "timidez" (pelo seu deslocamento lateral).

b) Os diversos nomes do animal (em diversas línguas) evocam a ideia de "prender" e "persistência".

c) O conceito de "crescimento" pode ser encontrado, analogicamente, no signo e na doença. Mas esta semelhança não é apoiada por evidências na linguagem. Nenhum nome do animal lembra "crescimento" ou mesmo "inchação".

d) Nada na doença lembra os atributos mais imediatos do caranguejo.

e) Uma associação indireta poderia ser construída deste modo: Caranguejo - Maré - Lua - Fertilidade - Gestação - Interioridade - Crescimento Oculto - Intumescência - Tumor. O câncer é um inimigo interno, crescendo robusto e roubando alimento do organismo. "É como um cuco em ninho alheio". A expressiva imagem do ninho, do pássaro parasita que desequilibra a família que o criou, também tem algo a ver com o signo de Câncer, não o seu ideal, mas uma perversão de seu conceito básico.

Câncer, assim, seria tanto o crescimento "do bem" como o do "mal".

***

Mais reflexões que o levaram a essas conclusões:
http://www.spacca.com.br/astrologia/texto5.htm

***

Em latim, "cancer" significa caranguejo, o que explica por que o nome da doença é o mesmo do signo e da constelação de Câncer. Essa denominação comum já ocorria entre os gregos, que também designavam o animal e o tumor com a mesma palavra: "karkínos" -, de onde proveio o nosso carcinoma. Segundo Galeno, o legendário médico romano, o nome "câncer" foi dado à doença porque as veias intumescidas que circundam a parte afetada têm a aparência das patas de um caranguejo; outros atribuem o nome a uma metáfora: o local do tumor é corroído dolorosamente como se um caranguejo o devorasse. (dicionarioetimologico.com.br)

***

Tudo isso por causa do goleiro que nem encarangado estava! Ele saltou com os braços encolhidos por medo de chocá-los contra a trave da goleira.
Mudança de regime por decreto
(O Estado de S.Paulo)


A presidente Dilma Rousseff quer modificar o sistema brasileiro de governo. Desistiu da Assembleia Constituinte para a reforma política - ideia nascida de supetão ante as manifestações de junho passado e que felizmente nem chegou a sair do casulo - e agora tenta por decreto mudar a ordem constitucional. O Decreto 8.243, de 23 de maio de 2014, que cria a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS), é um conjunto de barbaridades jurídicas, ainda que possa soar, numa leitura desatenta, como uma resposta aos difusos anseios das ruas. Na realidade é o mais puro oportunismo, aproveitando os ventos do momento para impor velhas pretensões do PT, sempre rejeitadas pela Nação, a respeito do que membros desse partido entendem que deva ser uma democracia.

A fórmula não é muito original. O decreto cria um sistema para que a "sociedade civil" participe diretamente em "todos os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta", e também nas agências reguladoras, através de conselhos, comissões, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, etc. Tudo isso tem, segundo o decreto, o objetivo de "consolidar a participação social como método de governo". Ora, a participação social numa democracia representativa se dá através dos seus representantes no Congresso, legitimamente eleitos. O que se vê é que a companheira Dilma não concorda com o sistema representativo brasileiro, definido pela Assembleia Constituinte de 1988, e quer, por decreto, instituir outra fonte de poder: a "participação direta".

Não se trata de um ato ingênuo, como se a Presidência da República tivesse descoberto uma nova forma de fazer democracia, mais aberta e menos "burocrática". O Decreto 8.243, apesar das suas palavras de efeito, tem - isso sim - um efeito profundamente antidemocrático. Ele fere o princípio básico da igualdade democrática ("uma pessoa, um voto") ao propiciar que alguns determinados cidadãos, aqueles que são politicamente alinhados a uma ideia, sejam mais ouvidos.

A participação em movimentos sociais, em si legítima, não pode significar um aumento do poder político institucional, que é o que em outras palavras estabelece o tal decreto. Institucionaliza-se assim a desigualdade, especialmente quando o Partido (leia-se, o Governo) subvenciona e controla esses "movimentos sociais".

O grande desafio da democracia - e, ao mesmo tempo, o grande mérito da democracia representativa - é dar voz a todos os cidadãos, com independência da sua atuação e do seu grau de conscientização. Não há cidadãos de primeira e de segunda categoria, discriminação que por decreto a presidente Dilma Rousseff pretende instituir, ao criar canais específicos para que uns sejam mais ouvidos do que outros. Ou ela acha que a maioria dos brasileiros, que trabalha a semana inteira, terá tempo para participar de todas essas audiências, comissões, conselhos e mesas de diálogo?

Ao longo do decreto fica explícito o sofisma que o sustenta: a ideia de que os "movimentos sociais" são a mais pura manifestação da democracia. A História mostra o contrário. Onde não há a institucionalização do poder, há a institucionalização da lei do mais forte. Por isso, o Estado Democrático de Direito significou um enorme passo civilizatório, ao institucionalizar no voto individual e secreto a origem do poder estatal. Quando se criam canais paralelos de poder, não legitimados pelas urnas, inverte-se a lógica do sistema. No mínimo, a companheira Dilma e os seus amigos precisariam para esse novo arranjo de uma nova Constituição, que já não seria democrática. No entanto, tiveram o descaramento de fazê-lo por decreto.

Querem reprisar o engodo totalitário, vendendo um mundo romântico, mas entregando o mais frio e cinzento dos mundos, onde uns poucos pretendem dominar muitos. Em resumo: é mais um ato inconstitucional da presidente Dilma. Que o Congresso esteja atento - não apenas o STF, para declarar a inconstitucionalidade do decreto -, já que a mensagem subliminar em toda essa história é a de que o Poder Legislativo é dispensável.
Se tivesse "padrão Fifa", o Brasil seria muito pior
(Mário Magalhães)


A palavra de ordem se disseminou com intenção generosa: o Brasil padrão Fifa seria melhor.

No Google, aparecem 460 mil registros quando se digita "padrão Fifa" entre aspas.

Os serviços públicos, a começar por educação e saúde, teriam mais qualidade, se mimetizassem o alto nível da dona do futebol _é a ladainha que ouvimos desde junho de 2013.

Com o perdão dos que adotaram a divisa, eu acho que o padrão Fifa é uma balela ou significa o avesso do lugar-comum que se fixou no imaginário nacional.

O país seria muitíssimo pior caso se espelhasse nos valores, métodos e obra de Sepp Blatter e seus bons companheiros.

Na saúde, o padrão Fifa seria o contrário de cuidar da vida dos brasileiros, o que se faz (ou deveria ser feito) com bons hospitais e pronto-socorros, profissionais qualificados e bem remunerados, prevenção acurada, saneamento para todos, alimentação decente e outras providências.

Seria o contrário porque a Fifa secundariza a saúde dos jogadores de futebol e prioriza o caixa.

Na Copa de 94, a entidade, ainda conduzida por João Havelange, impôs jogos ao meio-dia no escaldante verão californiano.

Já na gestão de Joseph Blatter, entregou de modo suspeito o Mundial de 2022 ao Catar, onde o calor torturante ataca na época do ano que a tradição reserva ao torneio.

Isso é se preocupar com a saúde?

A educação inspirada no padrão Fifa não seria dos sonhos, e sim o oposto.

Ao abordar o racismo, em vez de ensinar a repulsa, os professores pregariam tolerância com a segregação.

Por todo o planeta, acumulam-se episódios de preconceito. Em vez de punir as agremiações que acolhem torcedores racistas, a Fifa somente obriga seleções a entrarem em campo com faixas cujos dizeres, embora justos, estão longe de proporcionar o efeito de castigos exemplares.

E as lições de democracia?

O que há de se aprender com a política elitista de preços escorchantes dos ingressos?

Mesmo dentro das ditas arenas, camarotes chiquérrimos documentam e celebram a desigualdade obscena.

Uma federação que interdita a alternância de governo e eterniza seus capi sugere democracia? Por mais de 20 anos, Havelange não largou o osso. Seu sucessor mantém idêntico apetite.

De acordo com o padrão Fifa, ditaduras não são ruins e ditadores são todos boa gente, desde que se prestem aos propósitos dos poderosos chefões encastelados na Suíça. Já havia sido assim na Copa de 78, na Argentina do genocida Videla, e continua hoje, quando os tiranos mais sinistros são bem-vindos na entidade. [Nota do Douglas: alguém, se não engano o Valcke, disse que boa vai ser a Copa do Putin.]

O que a Fifa diria sobre controle rigoroso de negócios em geral e operações financeiras em particular?

Dificilmente apresentaria como case o esquema que resultou na escolha do Catar.

Muito menos o que permite que amigos da cartolagem lucrem com ingressos da Copa, fazendo decolar a preços ainda mais exorbitantes pacotes que já são para poucos.

É essa a gestão que queremos como padrão?

O padrão Fifa subverte o ensinamento franciscano do "é dando que se recebe", a considerar tantas denúncias de propinas.

O que o padrão Fifa propõe para quem é flagrado em impedimento, senão a impunidade? Que punição houve para Havelange e Ricardo Teixeira?

É essa a Justiça ideal, o padrão Fifa de combate à corrupção?

Em que o Brasil prosperaria se imitasse o comportamento do secretário-geral Jérôme Valcke?

Ele é o mesmo executivo que embolsou, na condição de lobista, dinheiro da candidatura brasileira ao Mundial e mais tarde, na pele de cartola, sugeriu um pontapé no nosso traseiro.

Do seu papel no lobby só se soube graças a furo do repórter Sérgio Rangel.

Almejamos a transparência padrão Fifa, que escondia o frila do francês?

Em matéria de inovação e evolução, será que o caminho é o da Fifa, que resiste até ao controle eletrônico para saber se a bola entrou no gol?

De todas as expressões do farisaísmo do padrão Fifa, duas se destacam.

A primeira, quando a entidade fala em legado disso e daquilo para o Brasil. Ela está interessada em multiplicar sua fortuna. E só.

E quando alardeia sua devoção pelo futebol. A Fifa mercantilizou a níveis jamais vistos a mais genuína paixão dos brasileiros. Apropriou-se até de nomes consagrados, como "Copa do Mundo".

Por sorte, pelo menos isso não conseguiram nos roubar, a paixão que constitui a essência do futebol.

A despeito de todas as mazelas que vigoram no país que figura entre os campeões da desigualdade, o Brasil no padrão Fifa seria ainda mais egoísta, hipócrita, inescrupuloso, obscuro e desigual.

Padrão Fifa é exigir do outro o que não se faz _faça o que eu digo, e não o que eu faço.

A Fifa já nos fez muito mal. Fará mais ainda se o seu famigerado padrão se tornar o nosso modelo.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Uma moita densa de 2.000 anos, no deserto do Atacama. Foto por Rachel Sussman, uma artista obcecada por "coisas muito velhas que ainda vivem" (2.000 anos é a idade mínima).


***


quarta-feira, 28 de maio de 2014

"'Ordenei que cada oficial carregue, além do fuzil, os livros de Karl May sobre as lutas com os índios. É assim que precisam lutar com os russos. Devem se esconder em árvores e pontes e então matá-los de surpresa.' Esse pronunciamento de Hitler em 1942 traiu sua estranha relação com a realidade. Karl May era o autor favorito de Hitler. Esse autor alemão escreveu 70 livros infantis que Hitler leu quando criança. Karl May escreveu livros sobre índios e aventuras em lugares exóticos. A riqueza de detalhes e o realismo de seus livros é sua principal característica. Descreve como os índios faziam fogo, detalhava suas armas, vestimentas e provisões. Só que Karl May nunca tinha visitado esses lugares, nem tinha contato com pessoas em outros países. Como Hitler, também não tinha experiência em viagens. Mesmo quando adulto, Hitler ainda lia Karl May. Durante a guerra, ele citaria Karl May como prova de que não era preciso conhecer o deserto para comandar tropas na África. Hitler sabia da inexperiência de May. Ele não via May como um aventureiro canastrão, mas o levava a sério, considerando-o um sábio. Ele via em Karl May um tipo de teórico visionário, com a clarividência de realidades distantes. Em outra ocasião, Hitler cita May como exemplo de um homem com imaginação e poder de discernimento, que não precisa conhecer o povo, assim como May não conhecia beduínos e índios, mas era capaz de entender suas almas muito melhor que um antropólogo. May mostra que não era preciso viajar para conhecer o mundo. Hitler sustentava que a imaginação gera a base do conhecimento." (Peter Cohen)

terça-feira, 27 de maio de 2014

Ouvindo as ondas 
(Dang Nghien)

Nossas percepções sensoriais são como um trilho. Quando passamos uma vez, uma suave linha é marcada. Ela pode desaparecer se não a usarmos novamente. Contudo, se viajarmos por ela frequentemente, se tornará uma trilha, uma rua e então uma estrada. Quando experimentamos uma emoção repetidas vezes, ela se torna um hábito. Quando o caminho neural fica bem estabelecido, apenas um simples olhar ou som são necessários para nós imediatamente termos a percepção de perigo, ódio ou irritação. Imediatamente temos uma resposta fisiológica.

Muitos de nós pensamos que florescemos nas ondas da paixão e da excitação. Quando a onda vem, ela quebra e quebramos com ela. Nós nos tornamos a onda. Nós somos a onda. Pensamos que sem estas ondas despontando e quebrando estaremos entediados! Defendemos a raiva e dizemos que ela nos dá energia. Eu costumava acreditar que a depressão era necessária para escrever grandes poesias! Defendemos esta ideia porque não conhecemos nada melhor que as ondas. Por toda nossa vida atravessamos de uma onda para a outra, e acreditamos que apenas as ondas existem.

Mas abaixo das ondas há um imenso oceano que podemos nunca ter explorado. Acima das ondas há o espaço infinito. Em alguns momentos, enquanto sentamos quietamente, ouvindo nossa respiração ou sorrindo para uma flor, podemos tocar a imensidão do espaço – que significa não subir e descer, não investir e quebrar repetidas vezes, e significa ser estável e parado. É claro que não cessamos de ter percepções e sentimentos. Eles podem estar presentes, mas não nos tornamos eles. Nós podemos reconhecê-los enquanto estivermos no chão e não na onda.

O sofrimento não tem começo nem fim. Não tem uma causa única. Foi transmitido para nós pelos nossos ancestrais, pelos nossos pais, pelo nosso ambiente e pelo modo como vivemos os últimos anos. Paz, estabilidade e liberdade também funcionam da mesma maneira. Não tem começo nem fim e não tem uma causa única. Podemos escolher o caminho do sofrimento, sendo jogados de onda a onda, ou podemos pegar o caminho da liberdade nos treinando a cada momento, dia a dia. Literalmente passo a passo, respiração a respiração.

"Atravessamos a vida sendo dominados por nossas emoções, principalmente as mais intensas como a raiva, o medo, a ansiedade e até a paixão. Normalmente nos damos conta disso depois quando a onda da emoção forte já quebrou. Às vezes é tarde demais, porque sob domínio de emoções fortes pensamos, falamos e agimos de maneira que eventualmente nos arrependemos." (Tâm An Dao)

sábado, 24 de maio de 2014

"Um país em que a validade das regras de convivência fosse apenas efeito de policiamento ostensivo só existiria como expressão geográfica, porque ele não seria um país no espírito de seus supostos cidadãos. Se esse for o caso do Brasil, seria bom nos resignarmos a tomar as providências que cabem. Se uma sociedade se dissolve em menos de 24 horas porque sua polícia entra em greve, é que essa sociedade mal existia." (Contardo Calligaris)
"O problema da Copa não são as obras atrasadas, nem o que foi eventualmente roubado na sua construção. O fracasso da preparação da Copa não são os estádios, os hotéis e os metrôs inacabados: o fracasso é a sensação de que falta um país pelo qual torcer. É disso que se queixam as massas quando dizem que não querem a Copa." (Contardo Calligaris)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Desespero por ser aceito > apologist > concorda (demais, falsa e forçadamente) nos diálogos > pouco repertório, pra não arriscar > repetitivo e prolixo > previsível > enjoativo > não alcançou a adultez.
Sugiro a proibição da promessa nas campanhas políticas.



(Tipo a proibição de certos equipamentos nos carros de corrida para tornar a Fórmula 1 mais verdadeira.)
Garagem histórica
(Daniel Galera)

. . . livro “A fantástica fábrica”, de Leo Felipe, que conta a história do mais famoso reduto do underground porto-alegrense, o bar Garagem Hermética. Leo foi um dos donos do bar em sua chamada “fase clássica”, que foi da primavera de 1992 a setembro de 2001. Depois de um período fechado, o bar foi reaberto em versão reformada, com outra direção. Seguiu sendo um bar de rock que prestou bons serviços à cena noturna local, mas com uma identidade um tanto diferente. A “fase clássica” foi um daqueles fenômenos culturais impossíveis de replicar, algo que meu amigo Cardoso chamou de uma zona autônoma temporária, em referência ao conceito de Hakim Bey: um enclave libertário e pseudo-revolucionário em meio à ordem vigente.

Lugares como o antigo Garagem Hermética (doravante apenas Garagem) dificilmente prosperariam no novo milênio. O bar ocupava um velho sobrado da Barros Cassal, próximo ao Centro de Porto Alegre. O edifício literalmente caía aos pedaços. Uma de suas famosas atrações era o piso de madeira apodrecida que “só não ruía porque balançava”. Durante muito tempo, os dois minúsculos banheiros situados no meio de um corredor delgado não tiveram portas, forçando os clientes a atenderem aos mais diversos chamados da natureza — excreção, sensualismo, consumo de drogas — bem na fuça das outras pessoas que tentavam transitar entre uma salinha e outra. Houve uma festa de inauguração das portas dos banheiros. Normas de segurança, silêncio et cetera eram ignoradas. Em determinada noite, uma caixa de som caiu em cima da cabeça de uma guria durante um show da Ultramen. Ela desmaiou na hora, foi levada ao pronto-socorro para tomar pontos e depois voltou para a festa. No chamado “jardim”, um quintal de fundos repleto de entulho onde se projetavam filmes pornôs em Super-8 e outros gêneros cinematográficos extremos (videoarte radical, curtas gaúchos), os frequentadores eram atingidos por mísseis da vizinhança enfurecida, que iam de inofensivos potes de iogurte a temíveis baciadas de água fervente.

Não se trata de glorificar o desprezo ao bom senso e à segurança. O Garagem era um lugar perigoso e episódios mais graves só não ocorreram por sorte. A normatização e fiscalização de casas noturnas, intensificadas após a tragédia de Santa Maria, são imperativas. O que havia de mais especial no Garagem, e que em alguma medida se perdeu nos grandes centros urbanos, ou pelo menos em suas zonas mais nobres, é a sensação proporcionada por um lugar de convívio social que tem regras próprias, que só presta contas a si mesmo e à visão de seus proprietários e/ou de seu núcleo afetivo de frequentadores, em vez de se pautar pela expectativa do consumidor homogêneo. Em suma, o Garagem não era um lugar “feito para você”, como são todos os lugares hoje. Agora, até mesmo os estabelecimentos mais revoltadinhos aderem à lógica dos shopping centers, nos quais o discurso sedutor do “cliente em primeiro lugar” e o elogio da individualidade e da liberdade escondem a pasteurização do escapismo, o jeito certo e controlado de se divertir, no qual a qualidade da experiência e o volume de consumo devem convergir numa coisa só — a arquitetura dos shoppings não visa a conveniência do cliente, e sim a sua exposição à maior quantidade possível de vitrines.

É disso que mais sinto falta quando penso no velho Garagem Hermética: a sensação de que o lugar não era feito para mim, que se lixava para o que se passaria comigo lá dentro, o que só fazia aumentar meu fascínio e meu desejo de frequentá-lo. As madrugadas por lá podiam ser aterradoras: bandas mal-ensaiadas, jam sessions fora de controle, cerveja quente, toxicômanos em ciclos de êxtase e desespero, DJs tocando como se estivessem na sala de casa. E ao mesmo tempo podiam ser milagrosas, com bandas obscuras que representavam a legítima veia saltada do rock underground gaúcho, raves, festivais de cinema alternativo, noites iluminadas de libertinagem ou solidão contemplativa. Foi no Garagem que realizamos os lendários Bailões do Cardosonline, as festas do mail-zine onde publiquei meus primeiros textos, com atrações como o Fornication Lounge (colchões no chão, “Sexual Healing” no repeat) e a Rave do Pensamento Negativo (apenas música depressiva em fita cassete).

Queria dizer, acima de tudo, que “A fantástica fábrica” é um grande livro. A história do Garagem é cheia de passagens desagradáveis e detalhes barra-pesada. Leo conta tudo sem traço de nostalgia barata, idealismo, autoindulgência, deslumbramento ou acertos de contas. Dois amigos que “eram punks e não sabiam” tentaram criar, sem concessões, o bar que eles gostariam de frequentar. O Garagem marcou época e, como o leitor descobre no epílogo, abriu a porta, secretamente, para a ripongagem pós-punk que viria depois.

terça-feira, 20 de maio de 2014

BRESSON, Robert. Notas do cinematógrafo.

[trechos]


"O film-maker (Bresson insiste na diferença fundamental entre o criador em cinema e o metteur-en-scène, o diretor, ainda prisoneiro de conceitos vindos do teatro e do palco) não é o chefe em alguma criação falsa. Ele é um homem, só um homem, tentando desesperadamente, de todo o seu coração, expelir e dar forma aos sentimentos dos seus sentidos. Um homem; não um deus, não um ator." (Le Clézio)

...

Diretor. O ponto não é dirigir alguém, mas dirigir a si mesmo.



Sem atores.
(Sem direção de atores.) Sem roteiro.
(Sem aprender roteiros.) Sem encenação.
Mas o uso de modelos, trazidos da vida.
SER (modelos) ao invés de PARECER (atores).

...

A coisa que importa não é o que eles me mostram, mas o que eles escondem de mim e, acima de tudo, o que eles não suspeitam estar neles.

...

Dois tipos de filme: aqueles que empregam os recursos do teatro (atores, direção etc.) e usam a câmera com o intuito de reproduzir; e aqueles que empregam os recursos do cinema e usam a câmera para criar.



O terrível hábito do teatro.

...

Natural: aquilo que a arte dramática suprime em favor de uma naturalidade que é aprendida e mantida por exercícios.

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Não há relações possíveis entre um ator e uma árvore. Os dois pertencem a mundos diferentes. (Uma árvore cênica simula uma árvore de verdade.)

...

Não existe casamento entre teatro e cinema sem que ambos acabem exterminados.

...

Um filme em que a expressão é obtida de relações de imagens e sons, e não de um mimetismo feito com gestos e entonações de voz (sejam de atores, sejam de não-atores). Um que não analisa ou explica. Um que recompõe.

...

Uma cena deve ser transformada pelo contato com outras cenas, assim como uma cor é transformada no contato com outras cores. Um azul não é o mesmo azul ao lado de um verde, de um amarelo, de um vermelho. Não existe arte sem transformação.

...

Um filme em que as imagens, assim como as palavras no dicionário, não têm nenhum poder ou valor exceto por meio de sua posição e relação.

...

Se uma cena, vista por si só, expressar algo de forma inequívoca, se ela envolver interpretação, não se transformará em contato com outras cenas. As outras cenas não terão nenhuma força sobre ela, que, por sua vez, não terá nenhuma força sobre as outras cenas.

...

Sobre a escolha de "modelos".

Sua voz desenha pra mim sua boca, seus olhos, seu rosto, faz para mim o seu retrato completo, exterior e interior, muito melhor do que se ele estivesse na minha frente. O melhor deciframento vem com o ouvido sozinho.

...

Meu filme nasce na minha cabeça, morre no papel; é ressuscitado pelas pessoas vivas e objetos reais que eu uso, os quais são mortos no objeto-filme; projetado na tela, ele volta à vida como flores na água.

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Para os "modelos": "Não pense no que você está dizendo, não pense no que você está fazendo.” E também: “Não pense sobre o que você diz, não pense sobre o que você faz.”

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Um todo feito de boas cenas pode ser detestável.

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Um ator simulando medo no convés de um barco de verdade, assolado por uma tempestade de verdade — não acreditaremos nem no ator, nem no barco, nem na tempestade.

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Alguém que consegue trabalhar com o mínimo consegue trabalhar com mais. Alguém que consegue trabalhar com mais não consegue, inevitavelmente, trabalhar com o mínimo.

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Imagens e sons como pessoas que ficam íntimas em uma viagem e depois não conseguem se separar.

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Filmes de cinema controlados pela inteligência – não vão longe.

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"Querem encontrar a solução onde tudo é somente enigma." (Pascal)

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Limpe o anzol para pegar o peixe.

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Deixe a causa seguir o efeito, não acompanhá-lo nem precedê-lo.

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Quando o público estiver pronto para sentir antes de entender, quantos filmes revelarão e explicarão tudo para ele!

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É oca a ideia de "filme de arte". Os filmes "de arte" são os mais desprovidos dela.

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O público não sabe o que quer. Imponha as suas decisões, os seus deleites – as suas urgências, as suas orgias.

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A produção de emoção é determinada pela resistência à emoção.

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Não existe crítica dura ou elogio que não esteja baseado em algum mau entendimento.

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As pessoas afogam um filme com música. Elas nos antecipam que não haverá nada nas próximas imagens.
“É verdade que Bresson frequentemente começa seus filmes focalizando maçanetas e cintos, decapitando as pessoas. Mas não será isso para economizar, atrasar, para fazer esperar, preservar, para fazer desejar e, finalmente, mostrar o rosto no momento em que ele se torna importante, no momento em que esse belo rosto, mais uma vez insisto na beleza, em que esse belo rosto inteligente fala com doçura, gravidade, como se a pessoa falasse consigo mesma?” (François Truffaut)


"Compreender profundamente os desígnios da vida, na tragicidade de suas alegrias e tristezas, nos sentidos ocultos que reverberam por todos os cantos, em todos os encontros, em todos os imprevistos acontecimentos, eis a santidade de Bresson." (Tatiana Monassa)


"Ao fim e ao cabo, o que será que Bresson quis dizer com a história de, ao acaso, Balthazar? Que os seres humanos são erráticos, tolos, ambiciosos, egoístas, e muitas vezes extremamente cruéis? Pode ser – mas, sim, bem, disso a gente já sabia, né? Como eu sou um burro, um jumento? (...) Então, como sou um burro, um jumento, um asno, e não consegui compreender o que, afinal de contas, ao fim e ao cabo, Bresson quis dizer com o filme, vou a outras opiniões. (...) Encontro no AllMovie um longo elogio ao filme escrito por Wheeler Winston Dixon. Ele explica para mim o que Bresson quis dizer: ao enfrentar estoicamente todas as dificuldades da vida, Balthazar passa a merecer o paraíso. Epa! Então é isso, é? Quem enfrenta estoicamente todas as dificuldades da vida passa a merecer o paraíso. Ah, bom… 'Muito tem sido escrito sobre este filme, e ele permanece tão poderoso hoje quanto era quando foi lançado', continua o AllMovie; 'ele nos faz lembrar um tempo em que filmes de considerável ambição artística poderiam ainda conseguir retorno razoável nas bilheterias, ao contrário de hoje. No clima de blockbusters do cinema do século XXI, Au Hasard Balthazar parece um milagre, um sopro de ar fresco de outro tempo e lugar, em que a originalidade artística e o espírito humano eram igualmente valorizados.' Então tá." (Sérgio Vaz - sempre ele)
"Demos um dia, há milhares de anos, o salto da animalidade para a humanidade, do inconsciente para o consciente, do impulso destrutivo para a civilização. Mas esse salto ainda não se completou totalmente. Carregamos dentro de nós, latente mas sempre atuante, o impulso de morte. A religião, a moral, a educação, o trabalho civilizatório foram os meios que desenvolvemos para pôr sob controle esses demônios que nos habitam. Mas essas instâncias não detém aquela força que possa submeter tais impulsos às regras de uma civilização que procura resolver os problemas humanos com acordos e não com o recurso da violência. (...) Todos pensamos nos linchadores. Mas quais seriam os sentimentos de Fabiane Maria de Jesus, sabendo-se inocente e sendo vítima da sanha da multidão que faz 'justiça' com suas próprias mãos? A questão principal não é o Estado ausente e fraco ou o sentimento de impunidade. Tudo isso conta. Mas não esclarece o fato da barbaridade. Ela está em nós." (Leonardo Boff)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Um passo adiante das Hysterical Literatures.
Banda holandesa Adam cantando com vibrador funcionando dentro.

Eu vi: Au Hasard Balthazar, Robert Bresson, 1966


O primeiro impacto foi o encontro com o rosto de Anne Wiazemsky. Notavelmente parecido com o de Adèle, de La Vie d'Adèle. O mesmo rosto oval, o mesmo olhar perplexo, profundo, melancólico. O mesmo lábio inferior polposo que Kechiche filma, babando-se nas fases profundas do sono; A MESMA VOZ. Faço minhas as palavras do amigo português citado logo abaixo.




Ele viu: La Vie d'Adèle, Abdellatif Kechiche, 2013.
O primeiro impacto foi o encontro com o rosto de Adèle. Notavelmente parecido com o de Marie, de Au Hasard Balthazar, o filme quase esquecido de Robert Bresson. Marie, aliás, Anne Wiazemsky, a actriz de Bresson, teve um singular trajecto. Podemos segui-lo através da publicação das memórias, a mais recente das quais editada pela Gallimard com o título Une Année Studieuse. Wiazemsky filmou Teorema para Pasolini e La Chinoise para Jean-Luc Godard, entre outros. (...) Bisneta de um príncipe russo, tinha 18 anos quando rodou com Bresson a peregrinação do burro Balthazar. A mesma idade que Adèle celebra no filme. Adèle Exarchopoulos, a Adèle de Kechiche. 
O mesmo rosto oval, o mesmo olhar perplexo, profundo, melancólico. O mesmo lábio inferior polposo que Kechiche filma, babando-se nas fases profundas do sono. O método Bresson parece repetir-se com Kechiche, embora a repetição esgotante seja para o realizador franco-tunisino uma tentativa de captura da “naturalidade” e para Bresson a eliminação de qualquer veleidade interpretativa, um método para que os actores se esqueçam de que o são e assim acedam à condição de “modelos” (modèles). 
Adèle Exarchopoulos e Anne Wiazemsky, separadas por 47 anos. A Vida de Adèle e Au Hasard Balthasard, separadas por 47 anos. Talvez se ignorem, como Kechiche ignora Bresson. Anne saiu do filme de Bresson no quase anonimato e Adèle teve honras de estrelato nas passadeiras de Cannes. E no entanto, o cinema acendeu e revelou duas histórias semelhantes. (Luís Januário)

domingo, 18 de maio de 2014

“É evidente que quando se trabalha com agenda teremos um estresse maior. Tudo que for limitado por prazos dificilmente será realizado de forma prazerosa. Eu sugiro tentar trocar a agenda pela motivação. A motivação tem um objetivo estratégico sem prazo que é 'eu vou estar melhor se estiver efetivamente trazendo benefício aos seres'. A pessoa não está preocupada com um cronograma que tenha estabelecido. Esse cronograma é completamente artificial. O ponto central é estar focado em trazer benefício e causar o mínimo de danos aos outros. Isso foge ao espaço temporal.” (Lama Samten)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

"Não podemos nos desfazer das polaridades no plano da forma. No entanto, podemos transcender as polaridades através da rendição. Estamos então em contato com um local mais profundo dentro de nós onde, por assim dizer, as polaridades já não existem. Continuam a existir no plano externo. No entanto, inclusivamente aí, algo muda na forma como as polaridades se manifestam na nossa vida quando estamos num estado de aceitação ou renúncia. As polaridades manifestam-se de uma forma mais benigna e suave. Quanto mais inconsciente formos, mais identificados estamos com a forma. A essência da inconsciência é a seguinte: a identificação com a forma, quer seja uma forma externa (uma situação, local, evento ou experiência), uma forma de pensamento ou uma emoção. Quanto mais apegado estamos à forma, menos rendidos (entregues) estamos, e mais extrema, violenta e cruel é a nossa experiência das polaridades. Neste planeta existem pessoas que vivem praticamente no inferno e neste mesmo planeta há outros que vivem uma vida relativamente pacífica. Os que estão em paz interior ainda experimentam as polaridades, mas de uma forma muito mais benigna do que a forma extrema como muitos humanos contudo a experienciam. Por isso, a forma em que as polaridades se experimentam muda. As próprias polaridades não se podem eliminar, mas pode-se dizer que o universo inteiro se torna mais benevolente. Já não é tão ameaçador. O mundo já não é percebido como hostil, que é como o ego o apercebe." (Eckhart Tolle)
Dentro do universo de estupradores com patologia, a mais comum é a psicopatia. O psicopata tem como principal característica a falta de culpa e de remorso. É uma pessoa sem empatia em relação a outros seres humanos e incapaz de prever as consequências dos seus atos. “Toda doença mental é multifatorial. Grande parte dos psicopatas apresenta transtorno de conduta quando criança. São pessoas que viviam em ambientes violentos e socioeconomicamente ruins, sem a figura de uma pessoa cuidadora. Além dos fatores ambientais, há também os biológicos, mas para estes as pesquisas ainda estão em fase inicial”, diz o psiquiatra Antônio de Ávila Jacintho, pesquisador do Laboratório de Psicopatologia Fundamental da Unicamp. A recuperação de um criminoso sexual por tratamento psiquiátrico existe, mas não é simples nem usual. Além de dispendioso, é dificílimo tratar alguém que não acredita ter culpa, ou sequer considera que cometeu um crime, afirmam os especialistas. (Cecília Ritto/Veja)

quinta-feira, 15 de maio de 2014

“Quando você para de perceber o mundo como se ele fosse hostil, não há mais medo; não havendo mais medo, você pensa, fala e age de uma forma diferente.” (Eckhart Tolle)
Uma gata salvou um menino do ataque de um cão.

            

            

            

            

            

            

       

            

        

quarta-feira, 14 de maio de 2014

<Então, encarando possíveis futuros de benefícios e riscos incalculáveis, os especialistas certamente vão fazer tudo possível para garantir o melhor resultado, certo? Errado.
Se uma civilização alienígena superior nos envia uma mensagem “Estamos chegando dentro de algumas décadas”, nós responderíamos apenas “Ok, ligue quando estiverem por aqui – vamos deixar as luzes acesas”? Provavelmente não – mas é mais ou menos isso o que está acontecendo com a inteligência artificial. Apesar de estarmos prestes a encarar o que potencialmente será a melhor ou pior coisa da história da humanidade, pouca pesquisa séria está sendo feita sobre essas questões fora de instituições sem fins lucrativos como o Centro de Estudos de Risco Existencial em Cambridge, o Instituto do Futuro da Humanidade, o Instituto de Pesquisa de Inteligência de Máquina, e o Instituto de Vida Futura. Todos devíamos nos perguntar o que podemos fazer para melhorar as chances de colher os benefícios e evitar os riscos.>> (Stephen Hawking)
"É impossível para um homem aprender aquilo que ele acha que já sabe." (Epíteto)
"A atenção total é uma grande dádiva. Quando você dá para alguém a sua total atenção, você está-lhe oferecendo respeito. Proporcionar atenção incondicional a outrem é aceitar aquela pessoa totalmente e reconhecer o seu valor. Nesse momento de completa atenção, um profundo vínculo humano é sentido. A outra pessoa sente esse interesse compassivo e provavelmente irá corresponder. Com o tempo, a prática da atenção plena muda os antigos modos de percepção. Pois num momento de atenção plena, as memórias e o condicionamento passado são postos de lado. Cada momento de atenção plena é um momento de pureza no qual, por aquele instante, vemos com novos olhos a maravilha e a beleza daquilo que aqui está. Isso é verdade não só para seres vivos, mas para objetos inanimados também." (Sarah Doering)
A raiva
(Sarah Doering)

Os ensinamentos do Buda levam a raiva muito a sério, porque a raiva causa muito sofrimento. Mesmo quando, por conta da raiva, nenhuma ação é executada e aparentemente ela é controlada, uma pessoa que esteja enraivecida pode num instante mudar o ambiente ao entrar num cômodo. Ela traz consigo um calafrio invisível. Quem quer que esteja por perto se contrai e se retrai tornando-se menos espontâneo e mais defensivo. Isso ocorre inconscientemente. Parece claramente uma resposta no nível celular à qualidade de energia que a raiva emite.

A noção do eu é engrandecida e da mesma forma a noção do outro. Uma das razões porque a raiva é tão dolorosa é porque instantaneamente cria uma tamanha separação entre o eu e os outros. Uma barreira é estabelecida entre os dois, incapaz de ser superada.

A ação aparentemente desaparece. O pensamento foi pensado. A palavra foi dita. A ação ocorreu e se foi. Mas aquela ação coloca em movimento uma cadeia de efeitos subseqüentes que persistem. Tal qual as ondas que correm em todas as direções quando uma pedra é arremessada num lago, da mesma maneira, cada ação intencional tem resultantes que se movem através do espaço e tempo e afetam tudo aquilo que tocarem. Estamos atados àquilo que fizemos e aos efeitos do que causamos. Em outras palavras, somos os herdeiros do nosso karma.

A lei de karma também diz algo mais que é grave. Diz que ao longo do tempo a nossa personalidade e caráter são moldados por aquilo que pensamos e dizemos e fazemos. Cada momento de raiva aprofunda a marca da raiva no contínuo mental. Isso significa que cada vez que sentirmos raiva, será mais fácil sentir raiva outra vez. Uma reação enraivecida, repetida com freqüência, pouco a pouco se torna um hábito. Começamos a perceber cada vez menos coisas que nos dão prazer, tanto na nossa vida como nos outros, e nos tornamos cada vez mais irritadiços e negativos. E não é de se estranhar que as pessoas comecem a nos evitar e que nos sintamos isolados e solitários. Enquanto isso, as coisas desagradáveis continuam acontecendo e somos incapazes de compreender que elas são o resultado das nossas próprias ações.

A raiva tem variados matizes e assume muitas formas distintas. Elas incluem a irritação, a frustração, a fúria, o ódio, o amargor, a tristeza, o cinismo e a impaciência. Além disso, há o julgamento. A mente julgadora ocorre com freqüência – julgando a si mesmo, julgando os outros. E a culpa, também, é uma forma de raiva. É a raiva para consigo mesmo.

Ao mesmo tempo, é importante compreender, quando estamos numa situação desagradável que não pode ser mudada, que quanto mais rápido a resistência for abandonada, tanto mais rápido estaremos em paz. É bom senso, nada mais. De outro modo, continuaremos batalhando para viver num mundo que não existe, um mundo de fantasia de como desejaríamos que as coisas fossem, mas não são. Estaremos em dessintonia com aquilo que está acontecendo no momento e o sofrimento será inevitável.

O abandono, com a rendição à realidade do momento presente, é a única coisa realista a ser feita. Aceitar uma determinada situação não significa que você precisa gostar dela. Significa simplesmente que, quer gostemos ou não, ela está ali.

Deixar de lado o passado e aceitar as perdas é algo muito doloroso de ser feito. Mas apegar-se à tristeza e à auto-piedade e continuar a lamentar aquilo que se foi ou que poderia ter sido simplesmente corrói a força. Rouba toda a energia criativa de viver.

domingo, 11 de maio de 2014

A competência para viver em equipe
(Portal da Justiça Federal)


Pessoas podem trabalhar num mesmo departamento ou área por anos, participar de comitês ou mesmo reuniões regularmente e, ainda assim, não fazerem parte de uma equipe. Há uma enorme diferença entre pessoas trabalhando juntas num projeto e todas elas apenas trabalhando ao mesmo tempo. Nas organizações ainda temos de forma mais expressiva, pessoas trabalhando ao mesmo tempo, mas não necessariamente juntas.

Grupos existem em todas as organizações, equipes são raras ainda, embora ostentem essa denominação com freqüência. O futuro pertence a organizações baseadas em equipes. Como distinguir um grupo de uma equipe? Quando um grupo pode ser considerado uma equipe?

Pode-se considerar equipe... um grupo que compreende seus objetivos e está engajado em alcançá-los de forma compartilhada. A comunicação é verdadeira, opiniões divergentes são estimuladas. A confiança é grande, assumem-se riscos. As competências complementares dos membros possibilitam alcançar resultados; os objetivos compartilhados determinam seu propósito e direção. Respeito, mente aberta e cooperação são elevados. O grupo investe constantemente em seu próprio crescimento.

Um grupo transforma-se em equipe quando passa a prestar atenção à sua própria forma de operar e procura resolver os problemas que afetam o seu funcionamento. Esse processo de auto-exame e avaliação é contínuo, em ciclos recorrentes de percepção dos fatos, diagnose, planejamento de ação, prática/implementação, resolução de problemas e avaliação.

Um grupo que se desenvolve como equipe necessariamente incorpora à sua dinâmica as habilidades de diagnose e de resolução de problemas. Esse novo modo de funcionar torna-se tão natural que deixa de ser uma ferramenta disponível para utilização somente em circunstâncias específicas. É a característica da equipe em que todas as ocasiões, em todos os processos grupais que passa a prevalecer.


EQUIPE E SEUS BENEFÍCIOS

Desenvolver as pessoas para trabalhar em equipe resulta em benefícios para ambos - membro e equipe, tais como:

Aumento da colaboração com a redução dos níveis de competitividade individual: Trabalhar bem juntos, dar apoio uns aos outros, se identificar com o grupo, querer que o grupo vença e tenha sucesso, é muito mais do que um estado ou comportamento de cooperação uns com outros. É um estado de colaboração, de investimento de todos num esforço grupal. Quando as pessoas aprendem a dar suporte e ter confiança uns nos outros, eles podem compartilhar o que sabem mais livremente, isto é passar as informações que os membros necessitam para operar mais efetivamente.

Forte comprometimento: As pessoas quando são responsáveis pelas próprias decisões ou soluções, consequentemente sentem-se mais comprometidas com sua implantação e seu sucesso.

Qualidade: Há um consenso a respeito de que quando as pessoas sentem-se participantes do esforço grupal, e as relações são colaborativas, há uma ênfase em tornar o trabalho melhor possível.


O conceito de interdependência, tão mal compreendido, lembra para muita gente a dependência. Sendo assim, encontramos muitas pessoas, às vezes por razões egoístas, destruindo o casamento, abandonando os filhos e deixando de lado todas as responsabilidades sociais, sempre em nome da independência.

Uma postura independente, por si só, não se adapta à realidade interdependente. Pessoas independentes podem ser eficazes a nível individual, mas não constituem líderes adequados ou bons elementos em uma equipe. Eles não adquiriram ainda o paradigma da interdependência, necessário para se conseguir êxito na vida familiar, casamento, profissional...

A vida é por natureza, totalmente interdependente. Tentar atingir o máximo de eficácia através da independência equivale a tentar jogar tênis com um taco de golfe - a ferramenta não serve para a tarefa.

A interdependência é um conceito muito mais maduro e avançado. Se eu sou fisicamente interdependente, continuo mantendo minha autoconfiança e capacidade, além de saber que nós dois juntos podemos fazer muito mais do que um de nós isoladamente, por melhor que seja. Caso eu seja interdependente emocionalmente, tenho noção do meu próprio valor, e esta noção vem do íntimo, mas também reconheço a importância do amor, de compartilhar e de saber receber as dádivas dos outros. Sendo intelectualmente interdependente, tenho consciência de que preciso de toda a capacidade mental das outras pessoas, para somar a minha.

Como pessoa interdependente, tenho a oportunidade de me relacionar de modo mais profundo e significativo com os outros, conseguindo acesso ao potencial e aos imensos recursos dos demais seres humanos.

A interdependência é uma escolha que só pode ser feita por pessoas independentes. Os dependentes não conseguem atingir a interdependência. Não possuem personalidade suficiente para tanto, não conhecem o bastante de si.
Profissionais despreocupados e que sabem levar o trabalho como se diz, “numa boa”, podem esperar ter um melhor aproveitamento em termos de resultado e atingem os seus objetivos muito mais facilmente. Certo? Errado. Um estudo voltado para qualidade de vida e desempenho concluiu que o tipo de pessoa trabalhadora e prudente é a que mais sucesso tem em seu trabalho e vive mais tempo.

Segundo o site hypeScience, a pesquisa seguiu 1.528 crianças superdotadas desde o início dos anos 1920 até sua morte e verificou questões relativas a sucesso e saúde. Entre os resultados, o estudo mostra que pessoas conscientes e prudentes vivem alguns anos a mais do que os despreocupados. O conceito que se sobressaiu é que pessoas comprometidas com objetivos, pessoais ou coletivo, mas envolvidas em projetos profissionais significativos, estavam melhores em termos de resultado e saúde.

Sabe-se que laços sociais são impulsionadores de longevidade para ambos os sexos. Profissionais que estavam comprometidos com suas carreiras e assumiram mais responsabilidades, além de atingirem posições mais importantes dentro de suas atividades, também tinham maior probabilidade de viver uma vida longa e saudável.

O estudo analisou que não apenas o nível socioeconômico, mas também a persistência, a confiança e os laços sociais realmente importavam para que as pessoas atingissem o sucesso além de terem melhor saúde e longevidade.

Um fator importante, tanto para a saúde quanto para o lado profissional foi o estabelecimento de laços sociais fortes. Quanto mais estes laços eram evidentes na vida dos estudados, notou-se um melhor aproveitamento profissional ao passo que ocorreu exatamente o contrário em relação aos que tinham dificuldade em estabelecer relações sociais duradouros. Neste sentido, pessoas casadas e que permaneceram casadas, atingiram relativamente mais sucesso do que as pessoas que não permaneceram casadas. O aspecto analisado aqui diz respeito ao comprometimento, tanto com sua carreira quanto com sua saúde.

Outra descoberta é que tanto homens quanto mulheres com traços considerados mais “femininos”, como desejo por companhia e compartilhamento de sentimentos, têm mais facilidade de atingir o sucesso e a viver mais do que as pessoas com traços mais fechados, “masculinos”.

As pessoas podem mudar, e aqueles que reforçam a sua ética em relação a trabalho mais tarde na vida também colhem benefícios na saúde e no trabalho.

O comprometimento e o envolvimento em projetos significativos, além de estabelecer laços sociais fortes e duradouros, pode ajudar e muito o lado profissional. Líderes são por natureza comprometidos com pessoas e com resultados. Assim, estabelecem prioridades tanto em relação a seu trabalho quanto a suas relações pessoais. Aprendem desde cedo a liderarem pelo menos a sua própria vida.

Aluísio Lima*

* Empresário, coach de negócios, professor por formação. Um Empreendedor por convicção e escolha. Empresário. Ligado aos valores familiares. Pai, irmão e filho. Apaixonado pela vida e pelas pessoas de um modo geral. Tem como missão a ideia de que pode ajudar, fazer a diferença positivamente na vida das pessoas. Acredita mais no trabalho do que na sorte. Acredita na vontade, no sonho a realizar, no desejo ardente de atingir objetivos. Crê que nada pode ser maior que o amor, que pode ser traduzido de diferentes formas, mas sentido apenas de uma única maneira. Citação predileta: "Ninguém pode mudar de vida da noite para o dia, mas pode mudar o rumo dela em um segundo".
Leilane Neubarth ficou chocada com (e não quis ouvir) o fato, contado a ela pela entrevistada Gilberta Acselrad, de que o uso de drogas é paralelo à história da humanidade, próprio do ser que tem consciência – e que as drogas não são do Capeta.





Entre a glamourização e a demonização do uso de drogas, e em que pese a produção de conhecimento que procura dar conta da complexidade da experiência, a população consumidora continua sendo vista como a grande culpada. De um lado, a população consumidora que carrega algum estigma social – racial, ocupacional, habitacional, nacional, entre outros –, que consome drogas de baixa qualidade e, principalmente, que encontra no comércio da droga sua fonte de sobrevivência e de inserção social, ainda que na ilegalidade. De outro, aquela que, por sua posição social e econômica, não é estigmatizada e que se ampara na ideologia liberal que justifica que se limite para alguns – cidadão ou cidadã de “primeira classe” – o poder do Estado de interferir na vida privada. Reiteram-se as afirmações “o uso de drogas desagrega as famílias”, “o uso de drogas leva à violência”, “enquanto houver usuários, haverá tráfico”, “quem usa drogas participa da violência que cerca sua produção”, “vamos seguir os usuários e chegaremos aos traficantes”. Afirma-se que “enquanto houver demanda, haverá oferta”. Mas não há razões suficientes para crermos que o “problema” da droga esteja apenas no consumo, como insistem alguns governos, instituições e parte da mídia. O consumo parece ser a ponta de um iceberg, expressão do mal-estar do sujeito no mundo moderno. Pois a demanda não brota espontaneamente, ela é produzida social e historicamente.

Contexto obscuro

Culpabiliza-se a população como forma de justificar a manutenção da lei que proíbe o uso de certas drogas, mesmo quando não há danos a terceiros, justificando igualmente toda a repressão que dela decorre. A violência que hoje envolve consumo e, principalmente, o tráfico parece ser única, não sendo relacionada como uma entre outras formas de violência, a caracterizar as relações humanas. Obscurece-se o contexto de uso. Não vem à tona o fato de que, em se tratando de drogas como maconha e cocaína, nos países subdesenvolvidos, grupos sociais que estão fora do controle da economia institucionalizada dominam o cultivo, a produção e parte do transporte de drogas. Minimiza-se a responsabilidade dos setores financeiros dos países desenvolvidos, no comércio de insumos necessários à produção, sua responsabilidade na lavagem e apropriação dos fundos provenientes do comércio ilegal. Dissimulam-se tanto a dificuldade dos poderes públicos em elaborar políticas públicas de integração social plena que garantam a redução dos eventuais danos decorrentes do uso, como as ambigüidades ideológicas, filosóficas e das políticas proibicionistas.

A incapacidade de controlar os hábitos de consumo se manifesta não só nas políticas que tentam erradicar o consumo de drogas ilícitas, como também nos espaços educacionais, familiares e de trabalho. Há, na realidade, um grande confronto entre uma lógica econômica que, ao mesmo tempo em que combate uma mercadoria de consumo ilegal, estimula sua necessidade pela produção de uma vida social competitiva, permeada pela iminência de exclusão.

Predomina a tendência a buscar um culpado: o inimigo externo, o “vírus” que ataca o corpo social sadio, provocando a doença que é preciso erradicar. As políticas de drogas, mesmo quando têm um discurso que se aproxima do politicamente correto – combate limitado ao uso indevido, abusivo, ações que levem em conta o contexto local, noção de que no “problema” interferem o produto, a personalidade do usuário e o contexto de uso, na prática –, como foi o discurso oficial do governo FHC, de alguma forma ainda contribuem para fortalecer a noção de que a população consumidora é a responsável pelo descontrole, confirmando a necessidade indiscutível da erradicação do uso.

Na prática da política de drogas, no Brasil tem predominado a preocupação essencial com os produtos ilícitos – quando, de fato, no país, as pesquisas indicam o uso preponderante de substâncias (uso na vida e uso dependente) de venda legal – álcool, tabaco, solventes, tranqüilizantes, remédios para emagrecer, só depois seguidos pela maconha e cocaína – nos levantamentos realizados com estudantes. No que se refere a sondagens domiciliares recentes, em São Paulo, o álcool e o tabaco são as drogas de uso na vida mais citadas (seguidas pela maconha, solventes, cocaína, estimulantes, tranqüilizantes, remédios para emagrecer e xaropes), mantida, portanto, a importância do consumo de substâncias de uso legalizado. Ainda que as pesquisas realizadas sobre consumo de bebidas alcoólicas evidenciem a associação do uso indevido e comportamentos de risco e ainda que seja clara a associação entre o hábito de fumar (tabaco) e doenças respiratórias, as políticas oficiais são perigosamente condescendentes com esses hábitos, na medida, talvez, da legalidade dessas drogas. Os produtos são referidos como se eles todos tivessem a mesma ação no organismo e como se fossem determinantes dos danos, estes considerados sempre como inevitáveis e fatais. Muito timidamente são citados os diferentes tipos de uso – a primeira experiência, os usos circunstanciais e habituais que se mostram serem passíveis de controles. De maneira recorrente, confundem-se usos controlados com a dependência.

Por outro lado, não é considerado o uso involuntário de drogas, aquele que resulta do contato com substâncias psicoativas, altamente tóxicas, presentes no processo de trabalho agrícola e industrial. Desqualifica-se a pessoa como sujeito de sua história, de suas escolhas. Afinal, a droga é apresentada quase como um vírus contra o qual a “vacina” da proibição e da repressão surge como a única solução.

Resgatar a memória sobre o consumo de drogas, ontem e hoje, aqui e em outros países, ajuda a pensar formas democráticas de lidar com o que hoje se tornou um “problema”. Cada sociedade, em cada momento de sua história, encontrou uma forma de lidar com as drogas, seja sua produção ou seu consumo. Em alguns momentos, controles individuais e coletivos foram suficientes para reduzir danos. O hábito de beber vinho puro já foi considerado um ato pouco cidadão – cada dose de vinho era misturada a duas de água –, evitava-se beber vinho durante as refeições ou mesmo durante o dia, bebia-se apenas depois do jantar, o consumo era proibido entre as crianças, que, no entanto, tinham acesso a algumas gotas de ópio para melhor dormir. O absinto, bebida popular na França de 1830 até o início do século XX, teve sua toxicidade comprovada oficialmente como se a substância tivesse em si mesma a explicação da violência manifestada pelos usuários, contra todas as evidências, quando a sua popularidade ameaçou os interesses econômicos dos tradicionais produtores franceses de vinho.

Usos restritos a alguns grupos, usos diferenciados de acordo com a idade, usos restritos a determinados momentos, cercados por rituais coletivamente elaborados e aceitos por toda a sociedade, essas são práticas registradas pela história, na intenção de minimizar danos eventuais. Hoje, o ritual coletivo perde-se no projeto de satisfação individualista. Sugere-se que o sonho do consumo “cria identidade”. E, se as decepções de um mundo que escapa aos nossos desejos, as angústias próprias da vida nos afligem, o caminho de busca solitária de compensações está aberto, e, nessa busca, as drogas são uma opção de fácil acesso e resultado imediato. O uso de drogas generalizou-se, tornou-se prática banalizada. Qualquer um – em quase qualquer espaço, jovens, adultos, idosos, ricos e pobres – pode experimentar, habituar-se, correndo o risco de tornar-se dependente.

O usuário dependente realiza, inconscientemente, o ideal de “homo economicus”, que, no modelo liberal, coloca como valor máximo a satisfação dos desejos individuais, sem nenhuma imposição de valores críticos. “O prazer autônomo tanto quanto possível, independentemente de todas as relações, é reduzido à ativação de uma substância com outra. Do prazer percebido como subproduto de alguma combinação de atividades que estavam em harmonia com o bem-estar do indivíduo e da espécie, hoje, passamos a seu acesso direto pela via elétrica ou química que nos exime de lidar com decepções. Mas o enfoque autônomo do prazer individual subjetivo é literalmente mortal.”

Melhor educar

Diante do “problema” das drogas, é necessário agir, fazer alguma coisa. Mas o que fazer? Prevenir significa evitar que alguma coisa aconteça. Buscamos prevenir doenças, obesidade, acidentes, velhice. É melhor prevenir do que remediar, diz o ditado popular. A prevenção das drogas é fundamental já que, segundo estimativas, 30% apenas dos dependentes de drogas conseguem superar o uso indevido, abusivo, e isso significa dizer não retomar o uso nos cinco anos seguintes ao fim do tratamento.

(...)

No que se refere ao uso indevido, predomina a prevenção – forma de evitar a própria experiência da droga –, mas na sua expressão autoritária. Como na história da Bela Adormecida, o rei e a rainha não quiseram receber no palácio as “bruxas” consideradas feias, desagradáveis – referindo-se a conflitos que, de fato, fazem parte da realidade. Estas, irritadas, rogam uma praga: a princesinha, mais tarde, irá ferir-se com um fuso. Em vez de ensinar a princesinha a lidar com o fuso, seus pais preferem bani-los do reino. Com a razão entorpecida pelo medo, a descuidada princesa acaba encontrando um fuso esquecido no sótão e se fere, caindo num torpor, após cometer a transgressão de mexer no que era proibido. Não teria sido melhor prepará-la para lidar com o fuso, de forma clara, sem mitificações e mistificações? Não teria sido mais pedagógico educar, em vez de tentar evitar o problema erradicando os fusos do reino? Educar para a autonomia – “ajudar o outro, esse feixe de pulsões e imaginação, a tornar-se um ser humano, capaz de governar e ser governado”?

A educação para a autonomia é um processo que começa na idade zero e que ninguém sabe quando termina. É um projeto pedagógico que procura desenvolver a capacidade de aprender do sujeito – aprender a aprender, aprender a descobrir, aprender a inventar. Nele, sem dúvida, as matérias ensinadas – a geografia, por exemplo, pode tratar da importância cultural do plantio de coca nos países andinos, do uso medicinal da maconha no interior do Brasil – serão degraus que permitirão desenvolver a capacidade de aprender, descobrir, inventar. No projeto de educação para a autonomia, dois princípios são firmemente defendidos: todo processo de educação que não visa desenvolver ao máximo a atividade própria dos alunos é ruim; todo sistema educativo incapaz de fornecer uma resposta razoável à questão eventual dos alunos – “Por que deveremos aprender isto?” – não terá sucesso.

No que se refere à prevenção do ingresso no tráfico, é grave a indigência das ações correntes. A política de drogas tem se limitado a reprimir a transgressão, com uma inovação recente: o Programa de Justiça Terapêutica, proposta de tratamento compulsório – mais uma vez identificando uso e dependência – como alternativa à perda da liberdade. As instituições que acolhem crianças em conflito com a lei estão muito longe de proporcionar alternativas reais de inserção social digna e cidadã. Por isso, a falência dessa prevenção, que é esvaziada de sentido real. Tentar erradicar algo que faz parte da nossa história, de maneira meramente repressiva, exagerar riscos, dar informações genéricas, confusas ou mesmo errôneas como se fossem “verdades” desde sempre comprovadas, propor “alternativas” de uma falsa profissionalização, para quem teria de ter sua infância resgatada, são algumas das tentativas da prevenção que tendem a se frustrar.

Mais do que nunca, a possibilidade de conhecer e dispor de informações sempre atualizadas e amplas é o melhor caminho para educar para a possibilidade de refletir e agir no interesse próprio e da coletividade. Até que ponto o consumidor de drogas ilícitas, na sua transgressão individual, não está correspondendo ao ideal liberal de consumidor acrítico? Até que ponto as crianças em situação de violência armada organizada, com o seu envolvimento crescente no “trabalho” do tráfico, não estão reforçando o fracasso do poder público, que não conseguiu honrar o contrato social a que os cidadãos têm direito?

O papel da mídia

Na mídia, podemos identificar o predomínio de divulgação sensacionalista de ações espetaculares de repressão ao tráfico de drogas ilícitas. A riqueza de detalhes no que se refere à violência das ações, os níveis de modernização dos tipos de armas que circulam em ambos os lados, a conexão com a corrupção policial e as imagens cinematográficas dos embates e de policiais do Bope que escondem o rosto revezam-se com o tratamento aparentemente piedoso, ao mesmo tempo, considerando quase uma fatalidade o que ocorre com as pessoas inocentes feridas ou mortas nos violentos conflitos armados.

Em segundo plano, com bem menos destaque, vem a divulgação de resultados de pesquisas, estudos sobre consumo, tráfico de drogas, violência. Apresenta-se uma discussão que, mesmo não sendo unânime, sem suas conclusões, caracteriza-se pela seriedade do enfoque. Embora com reduzido ou raro destaque, essas pesquisas, quando veiculadas, contribuem, sem dúvida, para uma reflexão diferenciada em relação ao sensacionalismo habitual, ainda que sempre focalizada nas pessoas jovens, como se estas fossem as únicas consumidoras de drogas, sempre ilícitas, sendo a reflexão completada com conselhos aos familiares, via de regra perplexos diante dos fatos. Paralelamente, tornam-se cada vez mais freqüentes os artigos de opinião, editoriais, entrevistas com personalidades, imediatamente após um momento em que o “problema” droga irrompe com maior violência e/ou gravidade.

Episodicamente, temos as campanhas da chamada “prevenção”. É curioso observar aqui, de novo, a tendência de provocar impacto no público-leitor, por meio de imagens e linguagem sensacionalistas, sugerindo um estado de guerra individual e coletiva. Em algumas campanhas veiculadas pela mídia, a imagem do dependente, na deterioração física apresentada com um fato indiscutível, pode ser confundida com o aspecto de uma pessoa com dengue hemorrágico. Em outdoors, frases aparentemente ingênuas reforçam a irracionalidade, a discriminação. Dizer “Drogas, tô fora” motivou, pela sua inconsistência, o complemento jocoso, pichado num muro de Porto Alegre: “Claro, saí para comprar”. Afirmar “Drogas, nem morto” também não tem sentido algum: uma vez morto, o sujeito não tem escolhas. Dizer que “Quem se droga é triiiiiste” é generalizar a experiência negativa, ainda que os riscos sejam reais. É fazer de conta que uma festa não perde a graça quando a bebida acaba, é nunca ter observado o prazer que dá tragar um cigarro, ou ainda ignorar a tranqüilidade experimentada logo após a ingestão de um medicamento contra a dor ou para dormir. Dizer que “Droga é brega” expressa, sem que se perceba, um preconceito em relação às pessoas chamadas de “bregas”, que o são apenas aos olhos de quem assim as consideram – afinal, cada pessoa tem seu estilo e dele se orgulha. E o que significa dizer que “Droga é uma merda”? O que informa essa frase para quem já experimentou e sentiu prazer, calma, alívio? Campanhas dessa natureza não educam, são desconsideradas pelos usuários ou, o que é tanto mais grave, confundem.

Algumas dessas frases são, de alguma maneira, perversas porque informam pela metade, não atingem quem não inclui sua experiência na forma estereotipada co-mo a reação é apresentada, mas que, nem por isso, estão imunes aos riscos e precisam estar alertas. São frases que não preparam, de fato, o sujeito para refletir e agir de forma consciente, diante dos riscos que sem dúvida existem. São palavras de ordem que continuam sendo difundidas, carregadas de uma intenção de prescrever vacinas que ilusoriamente nos protegeriam. Mas nessas campanhas, recentemente, surgem também novos enfoques em que a relação pais/mães e filhos(as) é valorizada. Novos motes apontam a necessidade da autonomia: “Quem escolhe meu caminho sou eu, não a droga”, frase mais identificada com a noção de que somos sujeitos de nossa história. A mídia tem reiteradamente divulgado entrevistas com artistas e intelectuais sobre suas experiências de uso de drogas. Se, no texto interno, o debate se amplia, assim como a busca de encaminhamentos democráticos da questão, o sensacionalismo das chamadas de capa mais uma vez evidencia a manipulação das experiências, o que tem até redundado em prejuízos posteriores às declarações dadas.

Pedra no caminho

A criminalização do usuário é um absurdo jurídico: o Estado exacerba no seu direito de legislar quando legisla no espaço privado, quando não há prejuízo de terceiros.

Por mais contraditório que possa parecer, descriminalizar o uso de drogas, quaisquer que elas sejam, com definição no texto da lei sobre quantidade que evidencie uso pessoal, abre caminho para uma educação democrática que reduza os danos decorrentes do consumo. Essa possibilidade já é real em alguns países da Europa, como na Holanda – e, mais recentemente, Espanha e Portugal. Na Bélgica, descriminalizou-se o uso de maconha. Sob outra perspectiva, no Canadá, o uso terapêutico da maconha é autorizado no caso de doenças terminais. (...)

*Gilberta Acselrad

Mestra em Educação, coordenadora do curso de extensão universitária “Drogas e Aids: questões de direitos humanos”, no Programa Cidadania e Direitos Humanos, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Somos felizes e não sabemos, porque (talvez várias vezes) já dissemos que "éramos felizes e não sabíamos". Notícia boa: somos sempre felizes. Notícia ruim: nunca sabemos que somos. Notícia ótima: tem remédio. É o que o budismo chama de iluminação (trouxe luz ao que estava na sombra), revelação da natureza de Buda (todo mundo tem o potencial de perceber o que acontece).
Que coisa mais linda a doma índia - yoga equina.

"A arte do nosso tempo pode ser apontada como algo que foge à interpretação, que busca meios de escapar à atividade intelectual que se sobrepõe aos sentidos. Há uma relação de poder que coloca a interpretação como tentativa de catequizar a obra que se mostra rebelde, que rompe com o padrão pré-estabelecido e que 'nos deixa nervosos'." (Susan Sontag)
“Aquele que cuida adequadamente de si mesmo é, por isso mesmo, capaz de se conduzir adequadamente em relação aos outros e para os outros. Uma cidade na qual todo mundo cuidasse de si adequadamente funcionaria bem e encontraria nisso o princípio ético de sua permanência.” (Michel Foucalt)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

"Você faz seus planos baseados no que a sua mente pode pensar. Mas se você se agarrar a esses planos, terá como resultado um trabalho seco e morto. O que você precisa fazer é se abrir para o mergulho no caos, e assim surge uma novidade. E se você acionar a faculdade da crítica cedo demais, você igualmente matará a ideia criativa." (Joseph Campbell)

terça-feira, 6 de maio de 2014

"Quando aceitamos que existe sofrimento, podemos reconhecer o sofrimento real em nós e ao nosso redor. Em segundo lugar, podemos aprender a lidar com o sofrimento que reconhecemos. Reconhecer o sofrimento não significa que vamos ter que ver tudo como sofrimento ou que seja suficiente ver intelectualmente que existe sofrimento. Identificar o sofrimento como é significa que nós não fugimos dele e que vamos tomar medidas para sermos capazes de transformá-lo. Para transformar o sofrimento, temos de olhar profundamente para ele e encontrar suas raízes. (...) Pobreza, doença, desemprego, injustiça social, escravidão e discriminação: estas são causas reais que geram enorme sofrimento. Se olharmos profundamente, veremos que este tipo de sofrimento não está separado do sofrimento individual. Mesmo se não houvesse pobreza, doença, desemprego e injustiça social, não significaria que não haveria mais estresse, preocupação, medo e violência. Ainda haveria sofrimento. Mas se nós soubéssemos como lidar com nosso estresse, preocupação, medo e raiva, então a violência iria diminuir." (Thich Nhât Hanh)
"Interações humanas autênticas tornam-se impossíveis quando você se coloca - e se perde - num papel.” (Eckhart Tolle)
Haruhiko Kawaguchi

As 3 primeiras palavras vão dizer o que você terá em 2015.
Nigel Van Wieck - Q train (1990)

"Quando decide, bate como um raio", dizia meu mapa astral.


"O amor...
É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm.
Sonhar um sonho a dois e nunca desistir da busca de ser feliz, é para poucos."
(Cecília Meireles)
O tempo é ingerenciável; o que precisamos gerenciar, para ter mais produtividade, é a nós mesmos.
-ster

Sufixo usado na formação de substantivos, referindo-se especialmente a ocupação, hábito ou associação: gamester; songster; trickster; gangster; hipster; NAPSTER: aquele(a) que tira muita soneca, que tem o hábito de cochilar. Na fotografia abaixo, Shawn Fanning e sua napster, a gata que deu origem ao logo.


Quando você presta atenção nas coisas, tudo se torna seu professor.
Comandos do GOOGLE 

- Intext: Procura informações nos textos das páginas.

- Inurl: Procura informações em links.

- Inanchor: Procura informação no texto de um link. Ex: download (palavra muito comum em textos de links).

- Intitle: Procura por no título das páginas.

- Site: Especifica em quais sites a busca será feita. Exemplo: com.br (procurar só em sites comerciais no Brasil), gov.br (procura só em sites governamentais no Brasil), uol.com.br (procura apenas no site uol).

- Filetype: Especificar o tipo de arquivo que quer encontrar. Você precisa colocar apenas a extensão. Ex: pdf, doc, swf, xls, ini, pwd, mdb.

Você pode combinar esses comandos. Exemplo: quero pesquisar por sites que contenham a palavra segurança no título da página e que sejam somente do Brasil.

+intitle:segurança +site:br


(Fonte: brdeepweb.com/forum ~Spidey)

sábado, 3 de maio de 2014

Dois trechos de "O homem duplicado", do José Saramago (livro que originou o filme 'Enemy', do cineasta canadiano Denis Villeneuve).

"Ao princípio não pareceu que assim fosse acontecer, Tertuliano Máximo Afonso entrou como qualquer pessoa, deu, como qualquer pessoa, as boas-tardes, e, como qualquer pessoa, pôs-se a percorrer as estantes, devagar, detendo-se aqui e além, torcendo o pescoço para ler as lombadas das caixas que continham as cassetes, até que finalmente se dirigiu ao balcão e disse, Venho comprar o vídeo que levei daqui ontem, não sei se se recorda, Recordo-me perfeitamente, foi o Quem Porfia Mata Caça, Exacto, venho comprá-lo, Com todo o prazer, mas, se me permite a observação, obviamente faço-a só no seu interesse, seria melhor que nos devolvesse a cassete que alugou e levasse um vídeo novo, é que, com o uso, sabe, sempre há uma certa deterioração tanto da imagem como do som, mínima, sim, mas com o tempo começa-se a notar, Não vale a pena, disse Tertuliano Máximo Afonso, para aquilo que pretendo, o que levei serve muito bem. O empregado registou perplexo as intrigantes palavras para-aquilo-que pretendo, não é frase que em geral se considere necessário aplicar a um vídeo, um vídeo quer-se para ver, foi para isso que nasceu, que o fabricaram, não há que dar-lhe mais voltas."

"A quinta e última ligação foi de Maria da Paz, Sou eu, disse ela, como se no mundo não existisse nenhuma outra pessoa que pudesse dizer, Sou eu, sabendo de antemão que seria reconhecida, Imagino que estarás a chegar por estes dias, espero que tenhas descansado bastante, ainda pensei que me telefonarias de casa da tua mãe, mas já devia saber que contigo não se pode contar para estas coisas, enfim, não importa, ficam-te aí as palavras de recebimento de uma amiga, fala-me quando te apetecer, quando tiveres vontade, mas não como quem se sentiu obrigado a fazê-lo, isso seria mau para ti e para mim, às vezes ponho-me a imaginar o maravilhoso que seria se me telefonasses apenas porque sim, simplesmente como alguém a quem lhe deu a sede e vai beber um copo de água, mas isso já sei que seria pedir-te demasiado, nunca finjas comigo uma sede que não sintas."








Importante: o maior jornal do Rio Grande do Sul, Zero Hora (do grupo midiático RBS), adotou como logomarca, em sua recentíssima reformulação visual, a bandeira do anarcocapitalismo – uma espécie de liberalismo extremo. Vejam com seus próprios olhos!




Abaixo, a Bandeira Gadsden, a primeira adotada pelos liberais radicais anarcocapitalistas como símbolo. Sob o desenho de uma cascavel, os dizeres "NÃO SE META COMIGO"...