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sexta-feira, 27 de dezembro de 2002

Na verdade eu sou um chato.
Na verdade eu sou uma ogiva nuclear: quando sou detonado por alguma maravilha nova, eu explodo com violência e minha radiação espalha-se por tudo perto.
"O que adianta gastar milhões para ter um milhão de clipes iguais?" Idéias como esta estão no trabalho de conclusão do Gustavo Berocan, um dos guitarristas e vocalistas do Frank Poole: é em formato de manual de instruções e acompanha o trabalho prático que foi a realização de clipes para músicas da banda. Chama-se "Frank Poole: vídeo experiências em lo-fi". Os vídeos são arte, lindos; coisa impossível de se ver em outras bandas de rock-arte neste país. Em breve transcreverei mais trechos da reflexão do Gustavo, que acaba de ir para a Espanha, onde passará quatro anos. O outro guitarrista e vocalista, Yury Hermuche, está morando em São Paulo, onde procura guitarrista e baterista para seguir a arte do Frank Poole fora da sua ex-sede, Brasília.
O post que estava aqui foi substituído por estas palavras, porque a percepção que eu estava tendo não era completa: havia segundas intenções, não era completamente natural.
Se mais alguém que escreve tem vontade de contar seus sonhos interessantes ou experimentar formas de expressão sob estados alterados da consciência, está convidado: é só pedir para mim a inclusão no "Team" dos blogs.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2002

" . . . descobri os reais motivos de a Prefeitura ter fechado o Garagem Hermética. Acontece que o dono do lugar, o Fernando, sempre foi petista e participava do conselho de cultura. Um dia, começou a se irritar porque sempre que havia shows de graça para ser feitos, chamavam as bandas da rapeize. (...) Correm boatos de que ele foi arrastado para fora de uma reunião em que reclamou demais da injustiça. Pois ele ganhou um Açorianos de incentivo à cena musical, subiu no palco para receber e disse que Não quero que me liguem ao PT. Sempre fui petista, mas agora não sou mais. E explicou o porquê. Poucos dias depois, a Prefeitura decidiu atender às reclamações milenares dos moradores da Barros Cassal e fechar o bar. Também tentaram fechar a loja de discos do Fernando, mas o diretor da galeria Chaves, numa reação admirável, disse que se quisessem fechar a Magazine Records, então ele fechava a galeria inteira e no outro dia estaria tudo nos jornais. A Prefeitura obviamente amarelou. É claro que não tenho como provar essa história. Meu RG é 4062358983 e podem chamar seus melhores advogados." (Martelada: blog do Marcelo Träsel)
Quase ninguém escapa (é mais fácil não escapar) do festejo do nada, da alegria kitsch: em massa e sem aura. A alegria na época da reprodutibilidade cultural.
Estou temporariamente impedido de estar no PARAÍSO: até as 19h30. Os últimos dias foram felizes, com a Gabriela querida. Tem mais de uma dezena de CDs de MP3 com álbuns completos de bandas como Smog, Björk, Flaming Lips, Spiritualized, Air, Mutantes, Stereolab, Gastr Del Sol, Mercury Rev, Guided By Voices, todo o duplo LIFT YOUR SKINNY FISTS ANTENNA TO HEAVEN do GODSPEED YOU BLACK EMPEROR! e o PET SOUNDS do BEACH BOYS em duas versões (e isso que até agora eu explorei apenas metade dos CDs...).
Faz parte de mim ser um crítico duro, um cara muito exigente. Tem seu lado negativo, mas no fim das contas eu gosto de ser assim. O que me salva, junto com o aspecto positivo da exigência, é o lado reverso: eu valorizo com a mesma intensidade as coisas boas nas coisas e nas pessoas. Inclusive um elogio exigente tem muito mais densidade que milhões de elogios de quem elogia fácil e qualquer coisa. Eu gosto de trocar sensações e sentimentos com as pessoas legais, de ser carinhoso e gentil com elas. Quem se ofende com sinceridade, ou seja, quem é estúpido ou tem sérios problemas psicológicos, considera-me um malvado. Já os malvados me consideram bonzinho demais: um otário.
O significado da palavra preconceito vai além da sinonímia com a palavra discriminação. Preconceito é um conceito que você tem acerca de alguma coisa e que não surge da sua análise completa daquele objeto a partir apenas do objeto e da sua examinação, mas que vem de conceitos anteriores, tidos por outras pessoas: daí o pré.
Os gênios legais são tão gênios...

terça-feira, 24 de dezembro de 2002

Feliz cocô para vocês. Que ele saia fofinho dos seus cus. (Uma homenagem ao mestre do humor Diego Medina e seu inesquecível Abu.)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2002

Poesia Vogon:

movimenta
movimente
movimenti
movimento
movimentu

move mente

--- N. Vogonoroi & W. Delaugonay
Sábado, Junho 15, 2002

• • • • •

floump!...

--- N. Vogonoroi & W. Delaugonay
Sábado, Junho 15, 2002
Raspei minha barba esses dias e passei máquina um no cabelo. Comprei uma máquina pelo preço de três cortes. Repassei a máquina um em casa, só que ficou tudo irregular. Então sábado decidi passar a zero. Ficou mais irregular ainda, parecia a coisa mais horrenda da sua imaginação. A solução foi depilar a cabeça, de modo que estou parecido com novos personagens: Lex Luthor e Mini-Me. Tenho medo de passar a mão na cabeça, lavá-la é uma tortura e ela roçando no travesseiro parecia plástico. Agora está nascendo um velcro, que oferece resistência às golas das camisetas que eu tento colocar ou tirar. Estou tendo que usar um boné do Star Wars para evitar que o sol me queime a careca (outro procedimento seria protetor solar para fetos pisarem na superfície do sol incólumes; o Vicente é o cara mais divertido que existe), mesmo que neste momento eseja chovendo em Porto Alegre, e que possíveis choques morais de colegas de trabalho aconteçam.
Interlúdio. Biologia. Duas espécies que têm grandes dificuldades de comunicação, pois não sabem perceber a reação do interlocutor, falando ou escrevendo de modo cego-surdo, executando invasões de espaço e ignorando a necessidade de cativar para construir uma convivência. (Não se ofendam com o conteúdo deste post, muito menos fiquem magoados, porque ele é um sinal de que eu tenho esperança de não precisar evitar a convivência, coisa que qualquer outra pessoa já teria feito. Também porque as intenções são boas, o modo de ação é que deveria ser repensado. Eu só não podia manter-me indignado e calado. Tenho certeza de que vocês não gostariam de receber na lápide a epígrafe: CHATO.)

Os zés [conversando ao vivo]: Quando começam a falar, não param mais. Não adianta nem tentar interromper. Não respeitam se o interlocutor manifesta discordância ou até mesmo aversão ao assunto. Aproveitam-se de brechas lógicas para forçar supostas sintonias de idéias. Não ouvem o que o interlocutor fala; parecem pensar somente em como continuar falando até o infinito.

Os arlens [em e-mails e comentários]: Fazem comentários inúteis como "Peguei esse filme esses dias, mas não consegui ver até o fim" ou algo que não tenha nada a ver com o post. Entendem menos de 50% do que se responde para eles, então repetem tudo o que haviam dito antes como se não tivesse havido uma resposta. Comentam todos os posts, banalizando a existência dos comentários.

Referências bibliográficas: BUKOWSKI, Charles. Observações sobre a peste.
"O Douglas parece uma ave." (Rômulo, irmão da Madi)
Gafe ou coincidência? "Esse ano [The Clientele] lançaram o EP Lost Weekend, baseado no filme de mesmo nome do diretor David Lich." (Luciano Vianna)

domingo, 22 de dezembro de 2002

Uma biografia recente dos Beatles diz que o Paul era mais legal que o John porque ele saía de noite e o John ficava em casa.
Agora são 22:52. Faltam 20 horas. Toca Godspeed You Black Emperor! no Freak Show. Amanhã é o paraíso: clipes do Sonic Youth, mais GYBE!, vídeo do Frank Poole, Madi, Gabi e drogas são como guitarras e blogs: são apenas instrumentos, que podem ser bem ou mal utilizados.
[mistério]

piada interna
era algo que
deveria ser
estudado.
O que me fascina em Nietzsche é a minha leitura dele. O que eu leio não é o que ele pensou, mas sim o que eu penso sobre o que ele escreveu.
Morsa e Douglas> Camarão é a melhor coisa que existe.

Vicente> Mas que papo bem furado. ISSO NÃO EXISTE. Quem é que vai confiar num bicho que tem os olhos fora da cabeça? (...) Quem é que vai confiar num cara que gosta de Bidê Ou Balde, tem um bicho que toma cerveja, lambe vômito e é do inferno?

Marcos> He. De onde saiu essa?

Douglas> Onde tu tava ontem de noite?

sábado, 21 de dezembro de 2002

Juremir Machado da Silva: "Porto Alegre, no verão, tem muitas qualidades: pode-se ir a um restaurante vazio, ver filme velho, morrer asfixiado no Brique, torrar dentro de casa. Um paraíso."

"O único jeito de salvar a humanidade de si mesma, do tédio, das drogas e da falta de sentido para a vida, é pelos trabalhos forçados. Quanto mais tempo livre, mais depressão. (...) O sentido da vida consiste em encontrar uma atividade obsessiva que impeça de pensar no sentido da vida. Não por acaso os depressivos são tratados com terapia ocupacional. Tempo é tédio. (...) Nunca conheci alguém que soubesse ficar sem fazer nada. (...) A classe média tem aquele hábito lamentável de matar o tempo lavando carro na calçada. É a marca de uma época decadente. Era mais nobre morrer no campo de batalha. Acabem com as novelas e com os jogos de futebol e verão no que dá: a sociedade explode. (...) A massa quer é mexer-se, simular um interesse por algo . . . "
Quinta eu estava caminhando pela calçada comfortably numb. Eu estava feliz, vinha vindo um cara, eu olhei para ele, ele olhou para mim, parecia também feliz. Mas não: achou que eu era gay por estar olhando para ele e feliz e por isso jorrou um cuspe no meio-fio.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2002

Estou de coturnos pretos por cima da calça de tactel cinza-escuro e uma camiseta preta da Tom Bloch meio curta, além de careca e com uma sombrinha bege quebrada.

- Está fashion o modelito - Mozart disse, para estraçalhar.
- Ah, obrigado - eu respondi, para dizimar.

V V
V V
(00)
(__)

[manifesto veado]

eu não sou:
nem gay
nem preconceituoso
nem machão
nem sexista.

eu tenho:
a atitude que eu quiser
o visual que eu quiser.

se insistem em chamar "veado",
então eu acabo com a festa.
pronto:
sou
veado.

Mais BG: "Guitarras são como blogs: são apenas instrumentos, que podem ser bem ou mal utilizados."
Como é que eu tiro a porra daquele ponto e a porra daquela linha intrusa em cima da tabela aqui à esquerda? Eles não aparecem no código do template!
Entrando no debate indireto do blog do Marcos: (Eu resumi.)

Alguém> Truth is after all, a moving target.
Alguém> A verdade é a verdade. A opinião é mutante.
Marcos> As verdades são diferentes de mente pra mente. Pouquíssimas são as verdades absolutas.
Neumann> É ousadia dizer que existem pouquíssimas, pode não haver nenhuma...
Marcos> "Não existe verdade absoluta": esta frase anularia ela própria, porque seria uma verdade absoluta.
Neumann> Eu disse que *pode* não haver nenhuma, logo, o paradoxo não se fechou...
Reinada> Apologia às verdades (minhas).
Eu> A minha verdade é que não existe nenhuma verdade absoluta.
Eu não podia deixar de trazer para cá também o elogio mais bonito que eu já percebi na vida: "Me sinto envergonhado diante da grandeza da Blanched." (Bruno Galera)
A teoria de Waking Life é de que a vida é na verdade o Sonho e o sonho é na verdade a Vida. Talvez por isso as drogas psicodélicas sejam mágicas: elas nos levam de volta à Vida. Dormir também. Pensei numa interpretação 180º do espiritismo. Somos, acordados, espíritos em pleno sonho-pesadelo, e toda essa "realidade" que nós conhecemos é imaginária e fictícia, apesar do mecanismo de sedução da concretude. O mundo real, onde as vidas de fato acontecem, é o do sonho (vida parcial), o do pré-nascimento, e o do pós-morte (vida integral). Não seria por um temor à verdadeira realidade que a maioria dos humanos tem medo do mundo do inconsciente e descredibiliza os não-vivos mais vivos, classificando-os como doentes? Acabo de perceber que vivemos uma guerra de mundos, uma guerra de realidades opostas, cada uma determinando de modo diferente o que é vida.
Temos que nos acostumar a valorizar o simples, como o amigo Rafael Martinelli: pedir pouco. Pedir pouco não significa fazer pouco. Estar à vontade pressupõe saber viver - com a satisfação e a insatisfação. Ambas vêm e vão, de modo que nunca o ser humano está satisfeito de verdade. É uma teoria que o Suzin apresentou sábado passado, parece que é de Schopenhauer. A Madi defendeu a tese de que quando se satisfaz uma vontade, a satisfação está completa e uma nova vontade teria uma nova satisfação. Eu concordo com o Suzin que essa tal Satisfação com S maiúsculo não vem nunca, e é com ela que precisamos saber conviver - ou não.

Orlando leu, Madi transcreveu: "Fui ver um filme, não entendi nada, mas senti tudo." (Clarice Lispector) Era David Lynch!
Este blog me mantém vivo. É o meu bom trabalho. (E eu não me travo como nos meus outros bons trabalhos.)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2002

[paradoxo]

temos que
conhecer a
linguagem para
menosprezá-la.
Desconfio que, se a maioria dos instrumentistas do rock estudasse música, ele teria mais surpresas boas. (Este deve ser um problema do rock alternativo brasileiro.) Porque a troca de idéias seria possibilitada: você pode dizer exatamente o que você está imaginando para o seu parceiro de banda, ou então pode compor à distância com pessoas de outras bandas. Porque a criação seria facilitada: se vem uma melodia na cabeça, você pode pegar um papel e um lápis e escrevê-la. Quantas melodias os compositores que não escrevem já perderam? Além disso, a visualização da melodia na pauta e a consciência harmônica mudam a forma do ato de compor, inclusive empolgam mais: você sabe quais são as suas armas e como usá-las.

Mas é natural haver uma resistência à técnica, eu tinha, porque música é sentimento e parece que somente a intuição, e não a razão, deveria entrar em ação (também porque se pensa em virtuosismo, que é bem outra coisa). Eu pensava assim, mas resolvi ter coragem e arriscar: entrei num negócio que poderia me estragar, mas está valendo a pena. A técnica e a escrita facilitam as coisas, são o instrumento para transformar a inspiração em música inspirada. É a velha história de dominar a técnica para criar uma nova estética depois: veja o Sonic Youth. (E tem gente que pensa que é só sair tocando a mão em qualquer casa e em qualquer corda.)
NADA É NECESSARIAMENTE ALGO.
A Madi está agora num avião :( Sentindo o som suave do vôo no céu e vendo as nuvens :) Em quatro anos e meio a gente havia não dormido juntos apenas uma vez - quando fui tocar em São Paulo - e agora vão ser quatro noites dormindo sozinhos e três dias sem nos vermos :( Foi ver papai, irmãozinhos e sobrinhozinhos: inclusive o Lucas, que ela ainda nem viu depois de ele nascer, que é irmão da Mariana e do Cauê, os meus sobrinhos preferidos :) Vou ficar com saudade deles e de Brasília, mas eu não tenho recesso, e férias só depois de um ano de serviço: a partir de agosto do ano que vem :( Mas segunda-feira a Madi volta, com a Gabriela, que vai passar 11 dias conoscoaqui, em 5 dos quais eu vou ter um feriadão quase-recesso :) Vou buscá-las no aeroporto :) Eu pedi para ela samplear o barulho do avião :)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2002

A melhor "cena" de Waking Life: Wiley está descendo os degraus de uma entrada de metrô, quando acidentalmente choca-se com esta garota:

TIANA: Desculpe-me.
WILEY: Desculpe-me.

Wiley continua descendo os degraus, mas Tiana o persegue escada abaixo.

TIANA: Ei, nós podemos fazer de novo? Eu sei que a gente não se conhece, mas eu não quero ser uma formiga, você entende? (...) "Pare, vá, caminhe aqui, dirija para lá." Toda nossa ação é basicamente para a sobrevivência. Toda comunicação é simplesmente para manter essa colônia de formigas zumbindo de um modo eficiente e polido. (...) Eu quero momentos humanos reais. Eu quero ver você. Eu quero que você me veja. (...) Eu não quero ser uma formiga. Você me entende?

WILEY: Sim, sim, eu entendo. Eu não quero ser uma formiga, também. (...) Eu tenho sido como um zumbi no piloto automático, ultimamente. Eu não me sinto como uma formiga, na minha cabeça, mas acho que provavelmente eu pareço uma. É como a idéia de D.H. Lawrence: duas pessoas encotrando-se numa estrada e, ao invés de somente passarem e irem embora, elas decidem aceitar o que ele chama de confrontamento entre suas almas. (...)

TIANA: Então é como a gente se conheceu!
"Nossos sentidos nos dizem que o tempo flui, isto é, que o passado é fixo, o futuro é indeterminado e a realidade é vivida no presente. No entanto, diversos argumentos físicos e filosóficos sugerem o contrário. A passagem do tempo é provavelmente uma ilusão. Talvez a consciência envolva processos termodinâmicos ou quânticos que nos dão a impressão de estarmos vivendo momento a momento." (Marcos: DAVIES, Paul. Esse fluxo misterioso. Scientific American Brasil n.º 5, Out/2002.)
O que mais tem meu na web é texto; o que menos tem é foto. Pensando nisto quis fazer um daquels álbuns do Yahoo, mas somente os usuários premium podem fazê-lo com acesso público. Então recorri à Vila Bol, mas o máximo que ela consegue fazer é isto e isto. Vou ter que fazer uma página de fotos artesanalmente em casa.
Um (ex?) amigo me deixou triste: Carta aberta ao passado. Posicionei-me para frente e comecei a correr. Corro porque quero deixar o passado bem longe... E quanto mais penso nisso, mais energia consigo pra me afastar dele. As pessoas estão admiradas em me ver assim, sem me deixar parar. Mas não se espante, o segredo é simples: quanto mais rápidas forem minhas pernas, maior a distância das lembranças; maiores as chances da renovação espiritual. Mas algumas pessoas insistem em se jogar na minha frente! E daí eu tenho de diminuir a velocidade ou até parar pra poder desviar e continuar correndo... e algumas acreditam estar me fazendo bem... Não! Não estão! Essa carta foi uma dessas paradas. E agora torno isso tudo bem mais claro e sem covardia, sem indiretas: Dickel, se o teu desejo verdadeiro é ver no meu rosto o sorriso redondo postado, não se jogue mais na minha frente... faça a coisa certa, pelo menos dessa vez, deixe a marca da boa amizade se dissolver no esquecimento, ao invés de criar uma aberração do presente. Em resumo, reitero a mensagem que você insiste em não entender: se afaste. Claro, você vai onde você quiser, mas se vai se dirigir a mim, de maneira direta como acabou de fazer, tenha consciência que não está me fazendo o bem. Ou então, mude seu discurso, mas não acho que tua personalidade seja flexível a tal ponto. Quanto à música [Providence, contendo a voz dele], a curiosidade é grande, claro. Mas já sabia da existência dela quando procurei pelas palavras "John Voyers" no yahoo. Porém, sinto desapontá-lo por não ouvir. Perdoem-me a breve pausa, agora volto a correr. John Voyers.
Me dei conta que o meu primeiro contato com o Charles foi em 1998, na Agência Experimental de Jornalismo da Unisinos, quando ele me apresentou, do nada e rapidamente, o finado Easy.To/Remember. Criei o dickel@i.am, o musiczine@i.am e o http://i.am/musiczine. Faz tanto tempo e hoje a gente se encontra tanto que eu nem lembrava que aquele benfeitor era o Charles.

Na janta do ex-colegas, eu pronunciei o nome do Charles Pilger e os outros lembraram e me surpreenderam que em 1992 havia sido criado o Nível de Chatice, medido em charlibéis, tendo em vista a fama que ele tinha de chato em Taquara. Surpresa porque em 2002, 10 anos depois, o Marcos, eu e a Belle passamos uma madrugada falando coisas como charba, charbeador e Charla Averbuck... Tanto que ele enjoou de ficar ouvindo o próprio nome e foi embora da festa, em São Leopoldo.

E, agora, a visão do Charles sobre o show de domingo: "Madi e Belle gritando na última música da Sensifer criou um clima todo especial para ela, ficando mais legal ainda; o Douglas passou bem pela estréia dele como guitarrista da Blanched, mesmo estando um pouco nervoso no começo. O Israel pode viajar tranqüilo sabendo que o lugar dele foi ocupado por alguém que vai honrar o que ele vinha fazendo; e se o Leonardo cantando desafina um pouco, se passa um pouco do ritmo, isso não importa nem um pouco. Você sente perfeitamente que ele sente o que canta . . . "

terça-feira, 17 de dezembro de 2002

Olha o que eu achei no Google:

"Olha o que eu achei
O blog do Douglas Dickel. :)
Baby Borderline, às 12:21h
Quarta-feira, Outubro 30, 2002"

É da Sylvie Piccolotto. Embora ela faça parte da comunidade alternativa, seja mulher do André Takeda e eu tenha usado em 2000 no MusicZine uma foto que ela tirou do Astromato, nós nunca tivemos um contato direto. Isso me faz pensar que o uso do artigo definido na contração com a preposição é mais um sinal de uma fama minha a que eu não tenho acesso. Como quando o Eduardo Palandi me pediu autógrafo, no show da Tom Bloch em São Paulo, por causa do MusicZine e depois me transformou em personagem da novela dele (veja nos links "eu na web").
^ ^
oO
(oo)
Minha estréia na Blanched: comentários bem diferentes dos que eu recebera na Tom Bloch, na Poliéster e na O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO: o Marcos falou em competência minha, o Cardoso falou em coisas na medida certa, o Galera falou em bem ensaiada, a Thiane falou em triste.

"Melhor agora ficou com a entrada do Douglas, outro bom amigo meu, na lacuna deixada pelo Israel, que foi morar em Moçambique. No início confesso que temia pela instabilidade dele em se fixar em um projeto único (ele não se contenta em tocar em apenas uma banda. Certo ele -- eu também não me contentaria), só que a competência de ontem e o entusiasmo nos últimos dias demonstrados por ele me faz achar que essa união vai longe." (Marcos)

"Pra fechar a noite, a Blanched desfilou alguns poucos minutos de rock puro e simples, sem grandes firulas nem invencionismos. Ok, tinha aquela flautista bonitinha ali na cantola mas nem dava pra ouvir direito o que a moça assoprava no metal. Blanched tem guitarras soando na medida certinha, na altura certinha, no peso certinho. As três músicas que eu já conhecia da demo ficaram ainda mais porrada ao vivo e eu tive muita vontade de ir lá pra frente gritar não só a amo/ como morreria /por ela agora mas já era tarde, eu tenho dores nas vértebras e cervejas na cabeça." (Cardoso)

" . . . um show curto mas inspirador da Blanched, que se destaca junto com a Sensifer pela originalidade das composições, embora o som das duas seja distinto. A Blanched consegue cruzar seqüências de acordes à la MPB com explosões de distorção dignas do melhor post-rock, e faz isso com uma fluidez impressionante. Ao vivo, a banda soa ensaiada, precisa, sem excessos, e digo isso num sentido positivo." (Galera)

"Os caras tocam com a alma. Dão tudo de si (posso dizer isso porque não é o primeiro show deles que eu vejo). O leonardo desafina um pouco mas quem se importa." (Fagner)

"E a Blanched? Destoou completamente das outras bandas. O Cidade disse antes de começar: Agora vamos sofrer. Show tiro curto, mas direto no coração, bocas e olhos pra baixo. Inevitavelmente gostei mais. Na volta pra casa comentei com o Rafael: Tínhamos que tocar com eles. Talvez o evento pudesse se chamar Triste, triste, triste...." (Thiane)

"Cara, que bandinha enjoada aquela! Quase dormi no show deles... Eles acham que ser alternativo é entrar morto no palco." (Deucídio)
Busque ser sensato em tudo. Então você estará seguro para a próxima fase. Separe tudo em que é importante ser sensato e mantenha a sensatez no material separado. Agora, seja tolo em tudo o que sobrou. E esqueça a palavra sensato. Esqueça todas as palavras.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2002

Do reencontro dos colegas de segundo grau, sábado, participamos sete somente. Mas no final, o afunilamento de afinidades resultou na debandada dos menos pensantes e na mais longa e profunda conversa filosófica de que eu já participei na minha vida. Foi entre mim, a Madi, o Muriel e o (emocionante) Suzin. A Madi escreveu que uma coisa bem linda é "Conversar coisas surpreendentemente legais depois de já ter perdido a esperança [pelo longo tempo de relembranças dos momentos de uma turma histórica de colégio]". Quando estávamos indo embora, no amanhecer, o Suzin disse "Vou sentir falta de vocês" e deu um abraço carinhoso.
Estou multicansado. Preciso descansar e depois voltar a ter ânimo.
Resumindo: niilismo é a ausência de ilusão.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2002

Bizarrice divertida. Saí da minha sala com um processo na mão. No corredor, na frente dos elevadores, três garotas estavam sentadas nas cadeiras interligadas e portanto transformadas num banco. Duas tinham all star de cano longo. Uma delas tinha cabelo vermelho. Uma das que não tinha cabelo vermelho disse para mim que a de cabelo vermelho queria ficar comigo. "Agora?", perguntei. "Sim", a suposta intermediadora respondeu. A própria só ria. Segui até o banheiro. Na volta, passei de novo pelas garotas e agora a vermelha estava encostada na porta fechada de um dos quatro elevadores. A suposta intermediadora falou "Ó, é só grudar". Fui em direção à vermelha. Era só dar um beijo. Só que ela escapuliu e gargalhou. Então sorri, ameacei pegá-la abrindo e fechando as mãos de forma gozada. Dei meia-volta e fui levar o processo para o xerox.
- Um lugar somente de isolamento. (...) Um lugar neutro. (...) Tem que ser um lugar asséptico, um lugar confortável, onde a pessoa não se sinta mal por estar sozinha. Um retiro espiritual para os pobres de espírito. Um hospital filosófico pras pessoas pensarem e se curarem. Um ateliê individual. Impessoal. Sem rosto nenhum. Agora lendo isso tudo aí acima, a descrição me lembrou um hospício - disse Gabriela.

- Nada disso, querida. Os antípodas da mente! - respondeu Huxley, com aquela gargalhada viva de sua cara torta.

- É! Entrar dentro de si mesmo por meio de cogumelo ou ácido, and I have become comfortably numb, descansar da linguagem, da razão e do consciente - concordei.

- Ou filmar coisas bonitas que falam por si próprias - finalizou a menina.

- Eu quero! - eu senti, verbalizando no estilo Madi.
Duas horas e 15 reais de combustível foram gastos no passeio de carro ontem a Porto Alegre. Passeio porque iríamos divulgar na rádio Ipanema o show de domingo.

- Viemos pruma entrevista na Ipanema - eu disse para o guarda.
- Cláudio Cunha?
- Sim.
- Ele pediu desculpas, mas a rádio ganhou um prêmio e foi todo mundo pruma festa. Tá até escuro lá, a programação tá gravada. Entre em contato com ele pra marcar outro dia.

Graham Bell ainda não inventou o telefone, né?

Pelo menos demos - eu, a Madi e o Marcos - uma passada no aeroporto, que é um lugar que me fascina esteticamente, principalmente pelos aviões. Depois de ter uma idéia para um vídeo de Ter Estado Aqui, agora tive para Mandrágora. Na livraria, folheamos livros e revistas. A Vida Sexual De Catherine Millet: "Tem que haver uma relação entre viajar no espaço e trepar, senão não haveria a expressão estar nas nuvens." Quero ler! Best seller na França, editora Ediouro... Uma revista Guitar Player está custando R$ 33,95. Na capa é o Tom Morello, que de longe parece o Herbert Vianna. Vi uma propaganda do Chris Whitley, sobre quem nunca havia ouvido falar, mas tem comparação com Sonic Youth. E um livro chamado Mundo Da Lua, em que há o close de um seio na capa, sendo que o mamilo representa a lua.
God Only Knows (Pet Sounds) tem a melodia mais viciante e cheia de relevos bonitos do mundo. Brian Wilson e Marcelo Camelo têm a ver: ambos têm o maior esmero pelas melodias.
Meus LINDOS favoritos:

1. Nietzsche
1. Sonic Youth
1. David Lynch
1. Monty Python
1. Pink Floyd
1. Bukowski

quinta-feira, 12 de dezembro de 2002

DAVID LYNCH

"No início, eu queria ser pintor. Mas durante os meus estudos de artes plásticas, rodei um pequeno filme de animação afim de o projetar de forma ininterrupta sobre um ecrã esculpido. Era um projeto experimental, que dava a impressão de uma espécie de pintura viva. Um sujeito viu isso e me deu dinheiro para eu fazer uma outra, para ele expor em sua casa. Como os primeiros testes não eram conclusivos, ele me disse 'Não faz mal, guarde o dinheiro e filme o que você quiser'. Então, fiz um curta-metragem, que me levou a conseguir uma bolsa e trabalhar em Eraserhead. Só fiz um curso de cinema na minha vida, com um professor que se chamava Frank Daniel. Era um curso de análise, no qual ele mostrava filmes aos alunos pedindo-lhes para só se concentrarem num só elemento: a fotografia, o som, a música, os atores... Depois, discutia-se a utilização deste elemento particular no filme, comparávamos as nossas notas e descobríamos montes de coisas incríveis. Era fascinante. Mas funcionava porque Frank, como todos os grandes professores, tinha essa capacidade de inspirar os seus alunos, de os apaixonar pelo assunto."

"Como os meus filmes têm muitas vezes tendência para surpreender ou chocar, pergunto-me às vezes se é um erro querer agradar ao público. De fato, penso que não. De qualquer modo, é quase impossível agradar a toda a gente. Mas se eu tentar seduzir os espectadores e que, para isso, acabe por fazer um filme que não me agrada, então caminharia para o desastre."

(Laurent Tirard, "Studio" n.º 118, Janeiro de 1997)

Os trinta ou quarenta primeiros minutos [de Lost Highway] são aterradores, mas não continua na mesma onda.

Lynch - De fato. Gosto de pensar nos filmes como tendo movimentos musicais.

E quantos movimentos teria o filme, neste caso?

Lynch - Três.

A parte mais assustadora é quando o homem misterioso diz a Fred que está em sua casa. O que dá força a esta cena é a sua impossibilidade lógica: uma mesma pessoa não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Há três ou quatro cenas como esta, em torno das quais o filme está construído. Poderíamos também imaginar: uma mesma pessoa não pode ter dois rostos diferentes. A terceira seria: duas mulheres diferentes não podem ter a mesma cara. A este nível muito "básico", não pode haver lógica.

Lynch - As possibilidades são ilimitadas.

(Entrevista realizada em Los Angeles por Bill Krohn, traduzida para francês por Serge Grûnberg, "Cahiers du Cinéma" n.º 509, Janeiro de 1997)

Releu o script procurando falhas lógicas?

Lynch - Sim. Mas não procuramos uma lógica. Era apenas necessário que fosse lógico para Barry [o roteirista] e eu. O script deve ser lógico com ele mesmo. Um elemento funciona porque se junta com o seguinte. Fomos atraídos na boa direção por lindas indicações. Vimos verdadeiramente a história a ter lugar. E sente-se quando está correto. É muito excitante.

Sob que forma as ideias lhe surgem?

Lynch - Por vezes, são sequências: outras vezes, não têm um som definido, mas comportam indicações sobre o modo de como devem soar. Têm uma atmosfera, têm uma sensibilidade. Comportam personagens que se revelam com precisão: estão vestidas de uma certa maneira, compreendemos instantaneamente. É uma coisa mágica.

(Gérard Deforme, "Première" n.º 238, Janeiro 1997)

"Lost Highway é uma síntese interessante dos diferentes filmes de Lynch. David está desenvolvendo a sua arte e a sua linguagem. Em cada filme que tenho trabalhado com ele, a sua exigência na câmera tem-se tornado mais sofisticada e dinâmica. Ele pensa a sério em como pode tornar a cena mais simples na mais interessante, tanto visual como emocionalmente." (Mary Sweeney, produtora)

"Lynch sabe exatamente o que quer dos atores que dirige. Por exemplo, diz coisas como 'OK! Patricia, agora deixa o gato sair da jaula'. Eu não entendia nada, mas respondia: 'OK! Está pronto? Cuidado! O gato vai sair da jaula - o gato está saindo!'. (...) Às vezes é desconcertante: ele usa música [a do Rammstein tocava todos os dias] para nos dar uma idéia do ritmo que quer impor à cena. Depois, há coisas de pernas para o ar. Interpretações muito intensas parecem descabidas com ele. E as mais descabidas de todas acabam por ser muito intensas... Por exemplo, às vezes, eu e o Bill acabávamos uma cena e dizíamos um ao outro: 'Esta foi a melhor!', e aí vinha o David: 'Vamos fazê-la outra vez'. Fazíamos outro take e nós dizíamos. 'Grande merda! Vai nos matar!', e aí o David vinha com os dois polegares em riste: 'Foi fabuloso! Fa-bu-lo-so!' Assim, quando o Balthazar Getty chegou, eu lhe disse: 'Olha, meu! Deixa eu avisar já: se você for muito estranho, ele vai adorar; se você for correto, ele vai odiar. OK? Topou? Pronto? Ação!' " (Patricia Arquette)

E tudo isso começou com um link no blog do Mojo.
"Diz pra Madi que eu não gostei do blog novo dela, tá muito branco. E o teu tá muito viajante." (Rodrigo Andrade)
A data palíndroma do ano que vem, considerando todos os algarismos do ano, não existe: 30022003.
"Toda fiolosofia que acredita removido ou até mesmo solucionado, através de um acontecimento político, o problema da existência é uma filosofia de brinquedo e uma pseudofilosofia. (...) Pois agora ele [o homem moderno] precisa mergulhar na profundeza da existência, com uma série de perguntas insólitas nos lábios: – por que vivo? que lição devo aprender com a vida? como me tornei assim como sou e por que sofro então com esse ser-assim? Ele se atormenta: e vê como ninguém se atormenta assim, como, em vez disso, as mãos de seus semelhantes estão apaixonadamente estendidas para os fantásticos eventos ostentados pelo teatro político ou como eles próprios se pavoneiam com cem máscaras, desfilando como jovens, homens, velhos, pais, cidadãos, padres, funcionários, comerciantes, assiduamente atentos à sua comédia comum e nunca a si mesmos. (...) Quem entende sua vida apenas como um ponto no desenvolvimento de uma espécie ou de um Estado ou de uma ciência e assim quer ser unicamente parte integrante da história do vir-a-ser, da História, não entendeu a lição que lhe propõe a existência e tem de aprendê-la mais uma vez." (NIETZSCHE, F. W. Considerações extemporâneas. 1874.)
"Uma religião que, de todas as horas de uma vida humana, considera a última como a mais importante, que prediz uma conclusão da vida terrestre em geral e condena tudo o que o vive a viver no quinto ato da tragédia excita, com certeza, as forças mais profundas e mais nobres, mas é hostil a toda nova implantação, tentativa audaciosa, desejo livre; resiste contra todo vôo ao desconhecido, porque ali não ama . . ." (NIETZSCHE, F. W. Considerações extemporâneas. 1874.)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2002

Ei, você. As suas coisas dentro da pasta transparente só são de fato vistas por quem vive. O resto simplesmente não existe, o que faz com que a sua preocupação desapareça. Certinho?
textos sem letras maiúsculas como os da gabriela os do träsel no cardosonline e sem ou quase sem pontuação como alguns meus seduzem a mente e os dedos do escrevente para saírem assim mas ficam sem graça sem entonação estragam os bons conteúdos não acha?
http://www.whitehouse.org : Patriotic Initiatives : Operação Pureza Infinita

" . . . a Operação Pureza Infinita é dedicada à completa erradicação da masturbação do solo americano até o ano de 2005. Os EUA estão loucos com a busca solitária do prazer sexual: experts estimam que há ao menos 150 mil americanos se masturbando neste momento. Masturbação custa aos negócios americanos ao menos US$ 3,14 bilhões em perdas de produtividade por mês. (...) Teólogos em masturbação concluíram que masturbação é uma ponte para o pecado. Isso significa que a masturbação leva a ofensas mais sérias. Na verdade, praticamente todos os estupradores, sodomistas, pedófilos e pornógrafos começaram como masturbadores." (Citado por Lúcio Ribeiro na Pensata da Folha Online.)
"O homem moderno acaba por arrastar consigo, por toda parte, uma quantidade descomunal de indigestas pedras de saber, que ainda, ocasionalmente, roncam na barriga, como se diz no conto. Com esses roncos denuncia-se a propriedade mais própria desse homem moderno: a notável oposição entre um interior, a que não corresponde nenhum exterior, e um exterior, a que não corresponde nenhuma interior, oposição que os povos antigos não conhecem. O saber, que é absorvido em desmedida sem fome, e mesmo contra a necessidade, já não atua mais como motivo transformador . . . não é de modo algum uma cultura efetiva, mas uma espécie de saber em torno da cultura; fica no pensamento-de-cultura, no sentimento-de-cultura, dela não resulta nenhuma decisão-de-cultura. (...) um grego passando diante de uma tal cultura; ele perceberia que para os homens modernos ser "culto" e ter uma "cultura histórica" parecem tão solidários como se fossem um só e somente se distinguissem pelo número das palavras. Se então ele pronunciasse sua frase: alguém pode ser muito culto e no entanto não ter nenhuma cultura histórica, acreditariam não ter ouvido bem e sacudiriam a cabeça." (NIETZSCHE, F. W. Considerações extemporâneas. 1874.)
Quando parecia que os mailzines eram a opção mais prática de publicação na internet, veio o fim do CardosOnline e o sumiço dos itens do gênero. Então a tecnologia revolucionária-histórica do blog surgiu com tudo, tornando-se a opção mais prática com vantagem estética.

A única resistência, no meu caso, é daqueles amigos que costumam conectar apenas para utilizar o outlook. Eles acham que navegar é mais custoso, porque o e-mail "chega para si", como se não fosse apenas uma imagem essa "chegada" dos e-mails, que na verdade é idêntica à "chegada" de uma página de web ao internet explorer. E eles acham que eu escrever neste espaço aqui é muito impessoal, e que se eu escrevesse um e-mail para eles seria mais pessoal.

O problema é que, mesmo quando eu escrevo um e-mail, muitas vezes eu não recebo resposta, o que para mim é como se o outro não tivesse lido o que eu escrevi PARA ELE. Como não parece que o remetente está ALI, o destinatário sente-se inocente fazendo essa desfeita inclusive ética.
Eu tive uma prova de que crítica musical é realmente absurdo: percebi que eu nunca admirei um crítico musical, mesmo na época em que eu era um e portanto acreditava na existência decente desse tipo de texto. Época do MusicZine e início do Apanhador. Bom, eu acreditava na função da crítica e dos rótulos, que é a de dar uma orientação para os procuradores de sons agradáveis para si. Não sei se eu não acredito mais em termos absolutos ou eu é que estou muito aprofundado nos assuntos musicais e filosóficos e para mim é que não serve mais. O que é fato é que simplesmente não tem como traduzir estética em palavras sem incorrer em pura enrolação com palavras bonitas (já disse o Ezra Pound que a crítica da obra de arte é uma nova obra de arte, independente do objeto analisado e externo a ele) e clichês da crítica musical. Se pelo menos os críticos entendessem de música, então poderiam dizer algo técnico compreensível universalmente, mas então os leitores também deveriam entender do assunto. Os textos que se salvam nesse universo são os que apresentam fatos históricos da banda e declarações dos seus integrantes.
Ghoó!!! (Som de vômito.) Ontem eu estava indo do trabalho para a aula de guitarra, de carro, pela Borges, e parei numa faixa de segurança em que uma fêmea jovem esperava para atravessar. Enquanto estive parado, passaram uns dez carros e nenhum parava, e então eu tive que desistir. Ela só fez caras de certeza de que eu havia parado por causa dela, para vê-la passar, só porque era ela, uma fêmea, uma gostosa, e talvez eu saltasse do carro e trepasse com ela à força, em plena avenida. Quando parti, gritei para fora da janela que faixa de segurança existe para nada, e não adiantou. O sorrisinho malicioso de ele está me querendo mas é feio continuou vertendo de sua pessoa asterosa.
"Estou bastante ansioso para ver como ficará a Blanched. Lembro que o que eu mais gostei no show da Poliéster foi ver você tocando. Camadas e mais camadas de ruídos massageando o cérebro." Bonita expressão essa, Charles.

terça-feira, 10 de dezembro de 2002

(OLHEM, eu resumi esse poste aqui caso o pequeno número de comentários seja um reflexo de que muitos tiveram preguiça de ler um texto tão grande. Ele é importante.)

Há algum tempo eu imaginei que Jesus e os santos eram alienígenas e aquelas luzes brilhantes que os maravilhados viam eram das naves espaciais. Recentemente a ficha caiu mais fundo. Jesus e os santos não podiam ser alienígenas, porque eles não existem. Alienígenas e naves espaciais, assim como Jesus e os santos, podem ser visões psicodélicas. Timothy Leary escreveu: "Frank [Barron] e eu estávamos no escritório, quando Allen [Ginsberg] e Peter [Orlovski] apareceram com um jeito de ermitões medievais. Os dois completamente nus. Bem, nem tanto. Allen estava de óculos. Ele ergueu o dedo com um brilho ao mesmo tempo louco e santo em seus olhos. – Eu sou o Messias. Desci para pregar o amor no mundo. Nós vamos caminhar pelas ruas e ensinar as pessoas a pararem de odiar."

Eis uma prova de que um chapado com algumas qualidades que o façam ter uma boa auto-estima poderia acreditar que era o filho do Senhor, que nada mais é do que o Mundo e a Vida em metáfora. Um chapado sente-se mais do que ninguém integrado ao Mundo e à Vida, como se fosse um filho. Dessa forma, os primeiros cristãos podiam ser um grupo de usuários de drogas psicodélicas. Prossiga, Leary, mostre aquela citação do micologista Robert Anton Wasson.

"Não me lembro bem . . . de qual de nós, minha mulher ou eu, foi o primeiro a expressar em palavras isso nos anos 40, a suspeita de que nossos ancestrais remotos, de há quatro mil anos mais ou menos, adoravam um cogumelo. (...) A vantagem dos cogumelos é que eles fazem com que algumas, senão todas as pessoas, possam chegar a um estado visionário sem ter de sofrer as mortificações de Blake ou de São João. Permitem que você enxergue além dos horizontes desta vida. Viajar para frente e para trás no tempo. Entrar em outros planos de existência. Até mesmo, como dizem os índios, conhecer Deus. (...)"

Leary: "Wasson sugeriu que todas as grandes religiões do mundo se originaram pelas alucinações botânicas de algum visionário antigo. Citou e depois traduziu os nomes antigos para os cogumelos em várias línguas do Oriente Médio e do Oriente, propondo que todas elas implicavam uma experiência religiosa – comida dos deuses, carne dos deuses. Mesmo o nome de Jesus Cristo em aramaico derivava da palavra usada para designar o cogumelo psicodélico."

Mesmo o nome de Jesus Cristo! Talvez o desespero do cristianismo para condenar as drogas venha de um trauma ou de um medo que algo tão real fosse cultuado, ao invés de uma porção de mitos que só promovem a falta de uma vida real. Outro fato suspeito é o momento da Bíblia em que Deus permite tudo a Adão e Eva, menos comer do fruto da árvore da sabedoria. E a hóstia? Um cogumelo bem que poderia dar a idéia de ser o Corpo de Cristo!

Leary foi convidado por religiosos a ministrar psilocibina (cogumelo sintetizado) e placebo a um grupo de estudantes de teologia numa capela universitária. Veja o resultado: um deles, que tomou psilocibina, gritou, olhando para o alto: "Deus está em todo lugar. Oh, a Glória!". Leary: "Dez dos estudantes [que ingeriram placebo no lugar da psilocibina] ficaram sentados diante do altar como adoradores. Os dez visionários eram menos convencionais. Alguns deitaram nos bancos. Outros deitaram no chão. Alguns andavam pela capela, murmurando preces, maravilhados. Um cantava um hino. Outro foi até o altar e manteve as mãos erguidas. E havia mais um, que tocava acordes esquisitos no órgão." Minha teoria tem ou não sentido?
Quando eu estou trabalhando, eu não me sinto eu. Eu faço tudo automaticamente, porque eu não faço nada para mim. Às vezes estou descendo as escadas e me dou conta que eu só estou indo aonde eu estou indo por causa de um pacto inconsciente poderoso que eu fiz comigo mesmo, de agir e reagir de acordo com que eu ganhe um salário no final do mês por tudo isso. Só não sei até quando eu posso agüentar sem me desesperar.

Se eu quisesse um emprego público com maior salário, ia ter que me preocupar muito e me dedicar a estudar mais além de matemática, português, informática e somente a Lei Complementar 10.098/94 (Estatuto do Servidor Público Civil Estadual), que bastaram para o emprego atual.

O que eu não posso é perder a segurança da rotina e acabar com a minha estabilidade emocional. Diz que Kant pensou e escreveu tudo aquilo (que eu ainda não sei o que que é) porque ele fazia a mesma coisa todos os dias, e assim evitava ao máximo obstáculos e contratempos e aproveitava ao máximo e da melhor forma seu tempo disponível.
Está sendo bonita a história da minha entrada na Blanched.

Eu conheci o Leonardo na biblioteca da Unisinos, na primeira reunião do Apanhador, projeto que surgiu do encontro entre ele e o Marcos. Ele falou pouco e é bonito, por isso me deu uma impressão de ingenuidade. O segundo encontro foi num começo de chuva, ele estava estacionado perto do BR-3 e me ofereceu carona até em casa e me deu uma cópia do CD da Blanched. Simpatizei com o jeito com que ele me tratou. Ouvi o CD e achei ruim. A voz eu achei parecida com a do Renato Russo, coisa que acontece com as melhores bandas deste país (além de Blanched, Frank Poole e Deus E O Diabo).

Com o tempo, fui gostando de La Casa e Tédio. Demorei para ver que a voz dele estava mais para Ian Curtis. Depois foram surgindo as festas do Apanhador e as festas particulares e eu e ele fomos ficando amigos e percebendo sintonia de idéias quanto a música e filosofia. Entrou Mogwai na vida dele e Nietzsche na minha. Vieram as novas músicas, achei o novo show matador e passei a considerar a voz dele como uma das melhores do rock deste país. A pedido do Leonardo, escrevi, depois de muito suor, o texto que está no novo EP e no site e que, assim como o EP, já foi elogiado nacionalmente. Mal sabia alguém que depois de um texto tão bom para uma banda da qual eu não fazia parte eu de fato faria parte da banda. Parece que a alma que apareceu no momento da redação veio do futuro.

Pela amizade e pelo som que eu ouço e que eu vinha fazendo na guitarra foi incrivelmente natural minha entrada na banda, substituindo o Israel que foi para Moçambique. Minha entrada empolgou bastante tanto ele como o Koch, o Alemão e a Priscila.

Minha estréia em show vai ser domingo que vem, às seis da tarde, no Espaço Cultural Tear, que fica do lado do Ocidente, na rua João Telles quase esquina com a avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Também vão tocar Winston, Sensifer e Fresno. A produção é do Apanhador, que vai fazer a discotecagem e dar fanzine para os 100 primeiros que chegarem. A entrada custa R$ 5,00. Vou apreciar se os amigos forem lá para ver/ouvir.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2002

Depois de elogiar Blanched e O Apanhador, o cara foi no Upload e elogiou Cachorro Grande e escreveu isso: "E o que foi aquele Tom Bloch? Que coisa RUIM, pelamordedeus! O pior show do festival. Um horror. Um rock-pop sem graça, comercial, me lembrou Capital Inicial, que coisa HORROROSA, aaaaaahhhhhhhh! Cara, como pode existir um troço ruim desses... Não se aproveita nada dali. Já desconfiava que a banda não prestava, mas nem de longe havia me preparado para o show DE HORROR que foi aquilo. Definitivamente, não é minha praia, nunca foi, som comercial desse jeito é um nojo, eu não suporto, fico de mau humor e falo mal mesmo. Essas bandas nem deviam existir." É a sina que a Tom Bloch tem de alguns ouvintes sentirem horror à primeira audição. Recomendo insistência, assim como com Astromato.
Para quem estiver interessado em escambos: estes são meus CDs e estes são meus MP3 (faltando incluir os nacionais).
"Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in. / It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it, right? And this bag was like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid. Ever." (Ricky Fitts)
" . . . quase tudo na atividade humana e no comportamento humano não é essencialmente diferente do comportamento animal. As mais avançadas tecnologias e naves espaciais nos trouxeram no máximo ao nível do super-chimpanzé. Atualmente, a diferença entre Platão ou Nietzsche e a média da humanidade é muito maior do que a distância entre o chimpanzé e a média da humanidade. O reino do espírito real, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, é raramente conseguido. Por que tão pouco? Porque a evolução e a história do mundo não são uma história de progresso, mas essa sem-fim e fútil soma de zeros. Nenhum grande valor pode desenvolver-se. Porra, os gregos, 3.000 anos atrás, eram tão avançados quanto nós somos. Então o que são essas barreiras que impedem as pessoas de alcançarem qualquer lugar mais perto do seu potencial? A resposta para isso pode ser encontrada numa outra questão, e ela é assim: - Qual é a característica humana mais universal? MEDO ou PREGUIÇA?" (LINKLATER, Richard. Waking life.)
"Quando eu falo amor, o som sai da minha boca e atinge o ouvido da outra pessoa, viajando pelo conduto bizantino em seu cérebro, por suas memórias de amor, ou de falta de amor, e ela registra o que eu estou dizendo e ela diz sim, ela entende. Mas como eu sei que ela entende? Porque palavras são inertes, elas são somente símbolos, elas estão mortas, sabe? E muito da nossa experiência é intangível. Muito do que nós percebemos não pode ser expressado. É infalável." (LINKLATER, Richard. Waking life.)
"What is the most universal human characteristic - fear or laziness?" (LINKLATER, Richard. Waking life.)
"Choose life. Choose a job. Choose a career. Choose a family, Choose a fucking big television, Choose washing machines, cars, compact disc players, and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol and dental insurance. Choose fixed-interest mortgage repayments. Choose a starter home. Choose your friends. Choose leisure wear and matching luggage. Choose a three piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics. Choose DIY and wondering who you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing sprit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pishing you last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked-up brats you have spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life." (Mark Renton)

sábado, 7 de dezembro de 2002

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Sempre que eu passo na Ponte dos Açores eu olho as tartarugas na água. Elas me deixam mais feliz, porque eu vejo outra vida além da minha. Nos prédios, nos asfaltos, nos carros e nas pessoas eu não vejo. Elas nadam suavemente com as patinhas para frente e para trás. Às vezes põem a cabeça para fora, para cima, e olham para o céu ou para as nuvens. Mesmo quando saem da água e param no murinho que cerca a água delas ficam olhando para cima. Perto das poças onde as pombas, que têm olhos artificiais, bebem a mesma água com se banham.
Se todos as pessoas legais começarem a fazer blogs, nós não vamos poder fazer mais nada a não ser ficar lendo blogs. Se todos esses blogs contiverem comentários, então nos tranformaremos em blogs e, num barulhinho, sumiremos da superfície.
Caras como David Bowie, Lou Reed e Roger Waters deviam entrar em alguma banda. Mais ou menos como o Neil Young fez com o Pearl Jam. O Bowie podia entrar no Placebo, já que já tirou foto como se fosse da banda e tudo, além de ter feito dueto numa segunda versão de Without You I´m Nothing. O Lou Reed podia aproveitar a afinidade novaiorquina e no estilo de cantar com o Sonic Youth. O Waters, como gostou do OK Computer com que o filho dele o presenteou, podia gravar um disco com o Radiohead. Toda a terra da Terra ia se levantar de alegria, como um tapete do tamanho do planeta sendo balançado.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2002

Com quem já me acharam parecido (atualização):

- Cláudio Dickel
- Cláudio Heinrich
- Carlos Alberto Ricceli
- Brad Pitt
- Beavis
- Daniel Feix
- Liam Gallagher
- Mateus Nachtergaele
- Andy Kaufman
- Moby
- Christopher Lloyd
Foi engraçado. Um daqueles e-mails em inglês vendendo porcaria foi enviado para o meu endereço e para outros três: douglaspedra@bol.com.br, dougato@bol.com.br e douglas-suave@bol.com.br. Será uma charada?
O Apanhador no Esquizofrenia.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2002

"Gosto de dançar, gosto de dar gargalhadas de presente às pessoas e de ser fotografado em movimento. NINGUÉM ACREDITA - todo mundo acha que é trago e drogas. Malditos RASOS." (Cardoso)

terça-feira, 3 de dezembro de 2002

[doctor abee]

tinha duas abelhas agonizando
no chão no caminho
do aeroporto até o trem.

tinha duas abelhas no trem.
uma saiu pela porta
na estação Petrobrás.
a outra desapareceu.
será que elas vão conseguir
voltar pra casa?

eu odeio abelhas.
elas picam e fazem dodói.

uma vez a gente deu
carona pra um mosquito.

Autor: Madi
Título: eu, parafraseando Graham Chapman (Monty Python)
Formato de poema: eu
Vamos transformar numa letra de música?
Haverá feriados este ano na Suécia?
"De: marcos ludwig
Data: 26/11/2002 16:00
Assunto: êba

o Lupi tá de aniversário hoje!
viva!
5 aninhos.
=)
marcos."

Eu tinha esquecido de avisar. (Obs.: Lê-se "lúpi". Lupi é o cãozinho do Marcos. Ele rosna quase 100% do tempo. Mesmo quando está gostando. Todos os dácsunds (sic) são lúpis. Ex.: "Olha ali um lúpi.")
Tem bolinhas de natal no aparelho de bater ponto... Não posso evitá-las! No natal passado, quando os vizinhos do prédio começaram a botar bolinhas, botas e charbas nas portas, eu e a Madi descobrimos uma utilidade para o recorte que havia sobrado na limpeza das papelamas: penduramos o Truman - true man, not the stupid Santa Claus - acenando, sorrindo, de mala na mão. Além de ser uma homenagem a esse ator sobrenatural que é o Jim Carrey e ao melhor filme que ele fez, depois de Man On The Moon, é também uma chacota aos natalinos que passam por ali e não entendem porque o rapaz está rindo para eles. É realmente lamentável existir festividade convencional não-autêntica. Como aniversário, natal, páscoa, ano novo, dia das mães, dos pais, das crianças, dos namorados, do amigo, do professor, do bispo e do caralho a quatro. Simplesmente não há um motivo em comemorações automáticas. Não existe dia fixo para se estar feliz, fazer festa ou dar presente. Mesmo porque calendário, anos, meses, dias, horas, minutos e segundos são convenções para facilitar algumas coisas (como eu já escrevi), não para se acreditar neles.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2002

"É covardia abrir um disco de estréia com Nessa Casa." (João Perassolo) Como era previsto, chegando a hora de a Tom Bloch lançar o seu disco, já se multiplicam pela internet matérias, todas, dizendo que a Tom Bloch destoa do rock gaúcho, como se precisasse comparar com essa porcaria de rótulo. Essa frase que eu colei no início deste parágrafo é boa para mim porque acabou me elogiando, e muito, como um dos autores, mas o resto do texto é bobagem pura de resenha musical. Ouça.
A diretora do centro de ciências da comunicação controla a vida de cada bolsista individualmente. Não pode deixar almofada particular à vista e não pode conversar no local de trabalho. Ela só pode ser doente. Um cartaz nos banheiros demonstra o espírito humanista jesuítico. Fala em não sujar o banheiro e tem o desenho de um menininho tendo a orelha puxada-beliscada por uma mão com dedos pontudos. Quando fiz teste psicológico lá, tive que responder se eu tinha atração por pessoas do sexo oposto e se eu julgava conhecer todas as pessoas do mundo, numa bateria de questões "objetivas". Não fui considerado "com o perfil para a vaga", e eu nunca soube que perfil era esse. A maioria dos funcionários são retardados mentais ou psicóticos, portanto não entendi o objetivo do teste psicológico. Talvez eles estejam evitando "perigosos" como o Timothy Leary. Tive meu acesso aos computadores lá bloqueado duas vezes: uma por convidar a pró-reitora (cujo e-mail figurava na lista de clientes da Pure Pop Records) a assinar gratuitamente o MusicZine e outra por freqüentar o Nerve, um site considerando por eles pornográfico e altamente periculoso para a saúde moral. A Madi teve o acesso bloqueado uma vez porque eu estava usando a senha dela e "a senha é pessoal e intransferível", mesmo sendo, nós, um casal. Soube que ficaram putos porque eu atirei canudinhos para a platéia da formatura, além de estar com cabelos e unhas pintados de vermelho, acreditando que era uma manifestação política minha (querendo dizer que o canudo não vale nada, e eu nem tinha pensando nisso, era só para diversão). Enfim, a universidade é uma das melhores em termos de infra-estrutura e organização do país, mas...
Mais um recorte da BeLLe legal :D

e hmmmm...
agora vou dançar...
:]
:D
\o/
sim...
temos visto uma BeLLe faceira ultimamente...
hmmm...
estranho...
ontem eu comi waffles na tici...
tava bem legal...
soh q eu comi e depois girei por mais de 5 min....
e daih fikei tontinha, e enjoadinha...
estranho...
eu jah girei por 23 min e naum fikei mal... :/
:P
Por e-mail, através dos comentários no IUMA: "Greetings! I was just browsing through and had to tell you how awesome your music sounds! I don't know how your promotional efforts are going, but I know I can help you get the exposure you need. My name is Michaelantonio, and I am a talent scout who makes people famous. Below is my personal recruiting website, where you can get started on your journey to STARDOM! I look forward to working with you."

No site dele: "I am a Talent coordinator for one of the premier Talent Referral Services in The Entertainment Industry, "E-Insider". You've seen the talent we work with on everything from MTV, CMT, Billboard Magazine, to local television and radio stations all over the country! (...)"

domingo, 1 de dezembro de 2002

Eu saio atrás das bagunças e vou arrumando tudo. Pensei que era só em casa, mas no trabalho também. Será que é tão raro assim uma pessoa organizada? Eu preciso da organização para me sentir bem, para ter espaço para agir (e bagunçar, depois arrumando de novo para bagunçar de novo), para não poluir e pesar meus pensamentos através da visão. É incrível como o ser humano é devastador. MUITAS coisas legais não são possíveis de fazer porque juntando um monte de gente a bagunça e a sujeira seriam tão insuportáveis que somente UMA pessoa como eu iria penar. Também UMA ou DUAS pessoas iam entrar com o dinheiro que é gasto em alimentação e limpeza.
Um dia eu vou para Nova York, Londres, Amsterdam ou Portugal (que cidade?).

Se não houvesse pressão, o aprendizado funcionaria melhor. Os alunos só pensam no canudo, como um coelho numa esteira e uma cenoura no anzol da ponta da vara de pescar. Sempre se tenta CHEGAR a algum lugar, viver é ter uma FINALIDADE eterna, sem nunca chegar ao prazer, para os ingênuos. Depois do canudo, a carreira profissional. Ninguém entende por que eu não quero seguir na minha profissão ou fazer mestrado, depois de ter me formado em jornalismo. Ninguém entende que o que eu gosto de fazer não está relacionado com salários, ou não deve estar.
A ética depende (também) da memória.
O Timothy Leary era o Forrest Gump. A MARILYN Monroe entrou no quarto onde ele estava, sentou na cama dele e pediu para ele ligá-la. Ele foi vizinho de cela do Charles MANSON, que disse estar acompanhando pelos jornais todas as conspirações do governo Nixon contra Leary. Bom, leia Flashbacks para saber das outras inúmeras situações-forrest.
"Sonic Youth é a coisa mais incrivelmente tri que existe." (Vicente, irmão do Mauricio, que copiou TODOS os CDs do Sonic Youth para mim.)
Rubricando, lembrei que eu fazia a mesma rubrica, uma espécie de "Dd", todos os dias, ao retirar e ao devolver a chave da sala de aula como eu sempre era líder da turma no colégio.

"Cada um de nós é capaz de lembrar-se, a qualquer momento, de tudo o que já ocorreu conosco, bem como de se aperceber de tudo o que está acontecendo em qualquer parte do universo." (Aldous Huxley)

Há algum tempo eu pratico o exercício de lembrar-me de algo que eu nunca havia lembrado antes. Eu deixo a minha mente viajando pelo passado, ou seja, pelo inconsciente, que guarda TUDO o que acontece, até fisgar alguma coisa de lá para a consciência aqui. A primeira vez que consegui fazer isso foi sob efeito de fumo. Outros exemplos de coisas que eu lembrei e que nunca tinha lembrado antes: No colégio, eu deixava minha mochila de pé, no chão, com as costas dela encostadas na minha cadeira, no lado direito. Quando eu ia cortar o cabelo os cabeleireiros colocavam almofadinhas na cadeira, porque eu era criança, para ficar mais alto.

"A função do cérebro e do sistema nervoso é proteger-nos, impedindo que sejamos esmagados e confundidos por essa massa de conhecimentos, na sua maioria inúteis e sem importância, eliminando muita coisa que, de outro modo, deveríamos perceber ou recordar constantemente, e deixando passar apenas aquelas poucas sensações selecionadas que, provavelmente, terão utilidades na prática. De acordo com tal teoria, cada um de nós possui, em potencial, a Onisciência." (Aldous Huxley)
Estou experimentando um novo tipo de afeição. Uma afeição que eu nunca havia sentido antes na minha vida. Algo mágico. Estou afeiçoado a um processo. Carimbei, numerei e rubriquei, há cerca de um mês, suas 3.542 folhas dos seus oito volumes. Semana passada, tirei cópia de todas as suas 3.542 folhas; imprimi o carimbo de "Confere com a peça contida no expediente original" feito no Word no verso de suas 3.542 folhas; rubriquei, a fim de autenticação, no carimbo do verso de suas 3.542 folhas; conferi se não faltava nenhuma de suas 3.542 folhas, ou se alguma estava fora de ordem, nas cópias; conferi se não faltava nenhuma de suas 3.542 folhas, ou se alguma estava fora de ordem, no original.

Resultado: 21.252 viradas de folha.
"Quando eu vi a Gabriela pensei que só podia ser amiga do Douglas. Tem tudo a ver." (Muriel)

sexta-feira, 29 de novembro de 2002

Eu ODEIO ficar com as meias e os tênis molhados. O único modo de evitar isso é usar os coturnos militares. Mas eu achei que a chuva ia parar depois de ontem.
A única limitação que um músico não pode ter para estar numa banda e ela ser boa é de ritmo. Isso significa precisão e constância e capacidade para entender e tocar qualquer ritmo. Relacionado a isto está o fato de o baterista ser o único da banda que tem que ser bom. Banda com baterista ruim não tem salvação, já disse o Iuri Freiberger, baterista da Tom Bloch (cujo disco que vai ser distribuído pela Trama está quase nas lojas).

quinta-feira, 28 de novembro de 2002

Hoje acharam que eu não gosto de mulher. Coisa que fazia tempo que não acontecia mais. Mas já aconteceu muito comigo. Eu fico com raiva, afetado, mesmo tendo convicção das minhas limitações sexuais e não tendo preconceito com homossexualismo. Com as meninas isso também acontece? Digam, vocês aí. Peguei o elevador do 12º para o 15º andar e nele estavam umas seis estagiárias da PEP (Procuradoria de Execução de Precatórios da PGE). Como eu estava indo para a unidade delas e eu saí primeiro do elevador, elas estavam atrás de mim. "Acho que ele é meio... ", ouvi-as dizendo, antes de eu entrar pela porta. Eu só queria saber baseadas no que elas pensam isso. Quando é outro homem que pensa isso, geralmente é inveja de quanto o difamado chama a atenção das garotas.
South Park filosófico, contado por Lúcio Ribeiro: Stan (ou Kyle, não lembro agora) é avisado por um Cartman chocado e desesperançoso que a fada dos dentinhos não existe. Sabe a fada dos dentinhos, não? Aquela que, quando um dente seu cai e é colocado debaixo do travesseiro, aparece no seu quarto à noite e o troca por uma grana. Estamos em um episódio de 2000, que trata, além da cruel história da fada dos dentinhos, de máfia, contrabando, animais que são metade galinha, metade esquilo e outras coisas. Pois, então. O Stan, puto, foi tirar satisfação com o pai, que confirmou a inexistência da bela entidade. "Só falta você me dizer agora que Papai Noel e Peter Pan também não existem", reclamou. Com a confirmação do pai, Stan saiu de casa desacorçoado com esse mundo de mentiras do qual até o próprio pai participa. Aí começou a indagar se ele mesmo existia. Como o pai disse que sim, mas o pai sempre mentiu, talvez ele, Stan, na verdade, nunca existiu. E, de tanto pensar se ele era real ou não, Stan transcendeu, foi para outra dimensão.
[máximas]

não existe
nada mais
prático do que
a filosofia.

não existe
nada mais
objetivo do que
a arte.
Homem não pode mostrar as pernas. Tem que suar como uma parede em dia de 95% de umidade relativa do ar neste estado (que tem o pior clima e os piores eleitores... Luciano! Adivinha quem eram as únicas duas pessoas que estavam sentadas no palco, no show da Graforréia. Quem? A enjoadinha e o maridão. Tenho curiosidade sobre o que ela ashow do chou). Tira essa bermuda que eu quero você sério. Qual é a origem dessa merda? Imitação burra de padrões estéticos e morais de países ricos, que são mais frios? (Não dá nem para dizer que parece um costume medieval, porque os romanos usavam saiotes.) Há palpites de que o motivo são os pêlos, que "são feios". E então os braços de fora, e as barbas? Isso tudo me faz lembrar da máxima de que o órgão masculino "é feio" (o pau). Não sei qual é o absurdo cultural maior.

terça-feira, 26 de novembro de 2002

A filosofia do Nietzsche PODE SER apenas mais uma explicação poética sobre a vida, que não tem nada a ver com a verdade, sendo que o próprio diz que ela não existe. Ela seria apenas a MELHOR das explicações poéticas, na qual alguém como eu prefere acreditar, em contraposição a outras explicações. O raciocínio surgiu sem querer como exemplo de potencialização dos estados alterados ontem, conversando com o Morsa sobre estes dois assuntos.
"Mogwai é divertido." (Morsa, que ouviu a banda pela primeira vez ontem, precisamente Punk Rock e a faixa seguinte do Come On Die Young)
O trânsito é a menos evitável das convivências com pessoas desprezíveis. Não só é inevitável como a sua saúde física e mental - e até mesmo a sua sobrevivência - depende de milhões de desprezíveis, em curtos espaços de tempo. Monty Python e Radiohead estavam certos: THE KILLER CARS!
Mais um exemplo em que o mundo fechado do indivíduo atrapalha o pensamento lógico.

1) Assinale verdadeiro (V) ou falso (F), verificando se as questões correspondem à seguinte resposta de um diálogo verídico:

- Eu não tomo essas merdas - respondeu, ponto final.

a. (F) - Você toma essas merdas?
b. (F) - Você quer tomar ecstasy comigo?
c. (F) - Você gosta de ecstasy?
d. (F) - Por que você não quer beber a água deste vaso?
d. (V) - Você tem acesso a ecstasy? De preferência antes do Natal - eu disse, esperando que ela pudesse conseguir para mim.

segunda-feira, 25 de novembro de 2002

A Manuela almoçou comigo hoje. Quer conhecer a Gabriela. Lamentou a Carol não ter aparecido. Quer dar presentes de Natal para a Madi e a Gabriela. Na hora de eu voltar para o trabalho, caminhamos de braços dados e ela com a cabeça no meu ombro e eu com a mão direita na cabeça dela. Despedimos com um abraço forte e beijo no pescoço. Se os amigos estão diminuindo, as amigas estão surgindo. Simplesmente :D
Mais sobre o meu transplante de cérebro. "Meu amigo Douglas. Ralmente eu espero ansioso pra te reencontrar e ver esta transformação que já tinha sido explicitada pelo Muriel e que se confirma nos seus mails. Quase não dá pra acreditar que voce é o mesmo cara que fez o 2° grau comigo. Fã do Floyd, leitor de filosofia e Timothy Leary, compositor, escritor critico, cinéfilo. Realmente impressionante, parece qe voce trocou de alma, ou eu nunca fui capaz de perceber a sua real personalidade. Provavelmente a segunda alternativa, pois como o Muriel disse, sempre fui meio 'cavalão'. Um abraço fraternal, Felipe Suzin."
"Douglas: Ontem passou meu filme e a recepção do público foi muito legal, muito elogiado, aplaudido e, mais do que isso, parece que ele exerce uma simpatia particular nas pessoas. Os míopes sempre são os mais entusiastas. (...) fiquei emocionado com o cumprimendo da Gabriela, a tua amiga aqui de Brasília, que veio sozinha assistir ao filme sem nem me conhecer, se não apenas pelas coisas que tu, Douglas, provavelmente disse a ela. Ela foi muito querida e muito legal e realmente me deixou feliz e especialmente emocionado. Ela ficou até o final, participou do debate que rolou depois, tudo na maior paciência, só pra vir me
dizer que estava feliz porque eu estava aqui e porque o meu filme falava alguma coisa de que ela também compartilhava." (Muriel, no Festival de Cinema de Brasília)
Em 11/10/02 foi quando houve mais acessos ao MP3 de Miopia até hoje: 61. Foi a 259ª página mais visitada no dia. Momento mágico em Brasília ontem. A Gabriela viu Miopia no Festival de Cinema (ela vai escrever as percepções dela como minha representante numa exibição do curta em festival, o que inclui a audição da trilha sonora que eu compus, já que provavelmente eu nunca vou estar na situação em que ela esteve). E falou com o Muriel. Dois dos amigos mais queridos encontrando-se sem a minha mediação.
"E eu tentando entender a chave do Douglas, 'dizer sim a um instante é dizer sim para toda a existência' . . . Até que eu senti. E gritei sim por dentro com tanta força que ele saiu molhado dos olhos. E só esse momento já valia a minha existência. E eu sei que muitos outros como esse virão. Agora eu aprendi a usar a chave, seja ela qual for. Só depende dos olhos que usamos. E esses, estão todos disponíveis, é só escolher o melhor. Eu simplesmente fiquei aberta, e deixei o vento e o sol entrarem." (Madizinha)
Descartes disse que o tempo é uma seta apontada para o futuro: uma bobagem para facilitar o estudo da História da Humanidade e as referências aos acontecimentos da vida de cada um. O TEMPO É O AGORA. SEMPRE É AGORA (como eu escrevi numa letra minha que vai virar música em breve). O passado não existe - a não ser de forma artificial: por lembranças e registros - e o futuro menos ainda. O era não é, assim como o será também não é: somente o é é.
Providence, do Sonic Youth, é o primeiro resultado da nova fase do O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO: sem bateria eletrônica (que foi vendida pelo Marcos para a tecladista da Bidê Ou Balde), sem baterista e fazendo versões em vez de interpretações. Contém as vozes de Madi, Habacuque (Supertrunfo), Manuel Montenegro, Rômulo Pacheco, Luís Roberto Pacheco, Sérgio Euclides de Souza, Tiago Ianuck (John Voyers), minha mãe (Iris Bertha Dietrich) e minha vó (Selvina Dietrich), Luciano Seade, Luciano Monteiro, Gabriela e Juba. (Se o MP3 ainda não está lá, vai estar em seguida: é o tempo que o IUMA leva para aprovar a qualidade.)

domingo, 24 de novembro de 2002

É bonito ver uma outra percepção. Belle menina.

"acabou que boa parte das pessoas bacanas foram pra fora...
e daih todos se deram as mãos denovo...
e começamos a nos enrolar c/ os braços...
e nos misturar...
e ficar c/ os braços tortos...
e passar por baixo de dois braços e tu se dah conta que passou por baixo do outro braço da pessoa que tu tava de mão..."

And now for something completely dif... completely dif... completely different.

"Marcas no braço, marcas na testa; Marcos na festa."
"Sorria, você está sendo enciumado. Eu odeio o meu pastel."
"The Bends do Radiohead é um som piscina."
"Eu faço a minha CHarba com o CHarbeador elétrico. CHARLES."

Encostamos nossas mãos.
"Qual é a graça?", perguntou.
"Você gosta dela?", convidamos.
"Não", disse.

sexta-feira, 22 de novembro de 2002

Primeira crítica que eu leio sobre a Blanched depois de ter entrado nela: Esquizofrenia.
VIVA! Novo disco do Massive Attack em fevereiro: 100th Window. E é o Robert Del Naja sozinho! (É dele, do louro da banda, a sonoridade e a voz sussurrada de Angel, Risingson, Inertia Creeps e Karmacoma - simplesmente as músicas mais guitarreiras e bonitas do Massive Attack.) Pitchforkmedia: . . . signs of that discord are evident, as 100th Window contains the work of only one of Massive Attack's three founding members, Robert "3-D" Del Naja. DJ Andrew "Mushroom" Vowles left the band following Mezzanine's release, and third member Grant "Daddy G" Marshall just... appears to be sitting this one out. Picking up the slack, Del Naja has enlisted Blur frontman/Gorilla Damon Albarn and long-time collaborator Horace Andy to join the album's official chanteuse, Sinead O'Connor. According to Del Naja, O'Connor will sing on three tracks, Andy on two, with Albarn contributing backing vocals to "Small Time Shot Away". Tracklist:

01 Future Proof
02 What Your Soul Sings
03 Everywhen
04 Special Cases
05 Butterfly Caught
06 A Prayer For England
07 Small Time Shot Away
08 Name Taken
09 Antistar

Mas a "banda" já está trabalhando num sucessor da centésima janela, incluindo Daddy G, além de Mos Def e Tom Waits.
Chamaram a Gisele Bündchen de puta porque assinou contrato com uma grife de peles. Ela ficou puta e disse que está fazendo o trabalho dela. O Radiohead não toca sob o patrocínio de marcas de cigarro.
"Eu sempre achei que o errado é o outro, e sempre me achei do caralho. Se não fosse assim, nunca teria sobrevivido. Eu não sou uma pessoa comum. Pra você não ser comum basta que não queira." (Lobão, na revista Zero)
Um carinha com camiseta do Korn foi me pedir Korn na discotecagem da última festa do Apanhador. Eu disse que não tinha. Então podia ser Cranberries...
É patética a falta de ética na internet. Falta até senso de marketing (quem se interessa por coisas empurradas?) para os idiotas que ficam entupindo nossos e-mails com propagandas de livros jurídicos, sites pornográficos pagos e de gosto padrão, perfumes famosos e outras coisas que não tem nada a ver com a gente, incluindo uma mensagem de rodapé sobre a "lei dos spams" e "é só responder REMOVER", então você obedece rapidamente com prazer, só que a resposta não vai porque o e-mail é inexistente. Assim não adianta nem bloquear remetente, mesmo porque eles usam um endereço diferente a cada encheção de saco. Como eles conseguem o nosso e-mail? Criei uma conta nova, só divulguei para amigos que não são forwarders compulsivos desconhecedores da cópia oculta, e no segundo dia já havia perfumes famosos lá. A saída são os filtros para e-mail que contenham aquelas palavras demoníacas no assunto.

quinta-feira, 21 de novembro de 2002

A família compra um cachorro para passar as férias (frustradas) no campo. Quando soltam o cão fora do carro, ele sai correndo e desaparece. Dias depois, a família vê o cão passando correndo, e ele desaparece de novo. É uma das cenas mais engraçadas que eu já vi.

Melhor vilão em filmes de terror: a televisão de Poltergeist.

quarta-feira, 20 de novembro de 2002

- Eu queria fazer tatuagem de rena - eu disse, pensando em coisas como o SONIC YOUTH da capa do Goo.
- Ah, se usa bastante no verão! São legais aqueles desenhinhos ["tribais"]* - "concordou" a "doutora".

(* Lembrando que sempre que eu uso colchetes é para representar a minha fala dentro de outra fala.)
Seis pistas, três em cada faixa, separam o estacionamento do Centro Administrativo estadual do Fórum de Porto Alegre. Em cada faixa há uma faixa de pedestres. Sempre que eu atravesso ali tem poucos carros, mas ontem foi o teste de fogo.

Na primeira faixa havia carros nas três pistas. O da primeira vinha devagar e eu passei. Os das outras duas não pararam e eu só não morri porque estava entre a segunda e a terceira pista quando eles passaram - um deles era um carro de auto-escola com um aluno em plena "aula" de direção... Fiz o sinal com o braço e a mão apontando para aquelas lindas listras que enfeitam os asfaltos do nosso país. (Só a cidade de Brasília é que é feia, fica dando utilidade àquelas obras de arte.) Na segunda faixa, um carro vinha lento e eu me toquei pelas listras. Não parou também! Era uma mulher, estava com o vidro aberto, gritei para ela, que não mexeu um músculo.
Dia palíndromo: 201102.
Da mulher por todos detalhes e partes e movimentos fetiche tenho eu. Fetiche deixe de ser talvez então.

terça-feira, 19 de novembro de 2002

Primeiros filmes do Andy Warhol
Fonte: Rebel Rebel

Sleep (1963) - Poeta dorme durante seis horas.
Kiss (1963) - 58 minutos de closes de casais se beijando.
Blowjob (1963) - 35 minutos de close no rosto de um jovem recebendo boquete.
Eat (1964) - Pintor pop come cogumelos e brinca com um gato.
Couch (1964) - 58 minutos de pornografia no divã vermelho do centro da Factory. Com Allen Ginsberg, Gregory Corso e Jack Kerouac.
Empire (1964) - 8 horas de câmera parada. Empire States das 20h às 2h30. Editado em slow motion.
Velvet Underground And Nico: A simphony of sound (1966) - Uma banda ensaia. As câmeras se movem desenfreadamente ao redor e o som é sujo e muito alto.
Chelsea girls (1966) - Superstars de Warhol moram no Chelsea Hotel.
I, a man (1967) - Um garoto bissexual faz sexo ou conversa com seis garotas diferentes num dia em Nova York.
Lonesome cowboys - Romeu e Julieta estilo faroeste. Venceu o San Francisco Film Festival.

"Andy ficava no canto da sala com a câmera, sentado num banquinho e lendo o jornal. A câmera virada em uma direção e ele virado para outra. Nunca olhava através da câmera, apenas lia o seu jornal e de vez em quando apertava um botão. Esse era seu jeito de dirigir um filme." (Joe Dallesandro, superstar)

"Ele dizia 'Se não sair bom, tudo bem'. Ele não dirigia, ele não pedia que fizéssemos nada" (Dennis Hopper)
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CHAVE
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A luta é para se liberar do negativo, que, na verdade, é a nossa vontade do nada. E eu tenho dito SIM ao instante, a afirmação é contagiosa. Explode numa cadeia de afirmações sem limites. Dizer SIM a um instante é dizer sim a toda a existência."

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CHAVE
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SOBRE O NIILISMO

§ 12

Queda dos valores cosmológicos

A


O niilismo como estado psicológico terá de ocorrer, primeiramente, quando tivermos procurado em todo acontecer por um "sentido" que não está nele: de modo que afinal aquele que procura perde o ânimo. Niilismo é então o tomar-consciência do longo desperdício de força, o tormento do "em vão", a insegurança, a falta de ocasião para se recrear de algum modo, de ainda repousar sobre algo - a vergonha de si mesmo, como que se tivesse enganado por demasiado tempo . . . Aquele sentido poderia ter sido: o "cumprimento" de um cânone ético supremo em todo acontecer, a ordenação ética do mundo; ou o aumento do amor e da harmonia no trato dos seres; ou a aproximação de um estado de felicidade universal; ou mesmo o livrar-se de um estado universal de nada - um alvo é sempre um sentido ainda. O que há de comum entre todos esses modos de representação é que algo deve, através do processo mesmo, ser alcançado: - e agora se concebe que, com o vir-a-ser, nada é alvejado, nada é alcançado . . .

Dadas essas compreensões, de que com o vir-a-ser nada deve ser alvejado e de que sob todo vir-a-ser não reina nenhuma grande unidade em que o indivíduo pode submergir totalmente como em um elemento de supremo valor: resta como escapatória condenar esse inteiro mundo do vir-a-ser como ilusão e inventar um mundo que esteja para além dele, como verdadeiro mundo . . .

- O que aconteceu, no fundo? O sentimento da ausência de valor foi alvejado, quando se compreendeu que nem com o conceito "fim", nem com o conceito "unidade", nem com o conceito "verdade" se pode interpretar o caráter global da existência. Com isso, nada é alvejado e alcançado; falta a unidade abrangente na pluralidade do acontecer: o caráter da existência não é "verdadeiro", é falso . . . não se tem absolutamente mais nenhuma fundamento para se persuadir de um verdadeiro mundo . . . Em suma: as categorias "fim", "unidade", "ser", com as quais tínhamos imposto ao mundo um valor, foram outra vez retiradas por nós - e agora o mundo parece sem valor . . .

B


Suposto que tenhamos conhecido em que medida o mundo não pode mais ser interpretado com essas três categorias, e que depois dessa compreensão o mundo começa a se tornar sem valor para nós: temos então de perguntar, de onde provém nossa crença nessas três categorias, - ensaiemos se não é possível retirar a elas a crença! Depois que desvalorarmos essas três categorias, a demonstração de sua inaplicabilidade ao todo não é mais nenhum fundamento para desvalorarmos o todo.

Resultado: A crença nas categorias da razão é a causa do niilismo, - medimos o valor do mundo por categorias, que se referem a um mundo puramente fictício.

Resultado final: todos os valores com os quais até agora procuramos tornar o mundo estimável para nós e afinal, justamente com eles, o desvaloramos, quando eles se demonstram inaplicáveis - todos esses valores são, do ponto de vista psicológico, resultados de determinadas perspectivas de utilidade para a manutenção e intensificação de formações humanas de dominação: e apenas falsamente projetados na essência das coisas. É sempre ainda a hiperbólica ingenuidade do homem: colocar a si mesmo como sentido e medida de valor das coisas.
Andando até a farmácia ontem, com o cabelo lambido recém-banho, calção da Madi e camiseta "física" com Supermercado Asun estampado na frente e Estância Velha Amiga atrás, fiquei pensando sobre o que alguém me dizia. Que o Carlo Pianta, numa certa época de Graforréia Xilarmônica, estava com o cabelo desgrenhado e ficava fazendo a mesma nota por muito tempo na guitarra. "Completamente maluco" alguém me disse. Andando até a farmácia ontem, com o cabelo lambido recém-banho, calção da Madi e camiseta física com "supermercado Asun" estampado na barriga e "Estância Velha amiga" nas costas, eu vi com clareza toda a situação. E você?
Eu ouvi uma mulher caminhando a céu aberto, saindo do trabalho, falando no celular provavelmente com o marido. "Me deposita 1.500 ou 1.700." Aí me transformei num gigante e vi a humanidade como formiguinhas. Duas delas bateram as antenas uma na outra. "Precisamos de mais 1.500 ou 1.700 folhinhas para o estoque do inverno." Estamos todos na mesma arca. A complexidade do progresso tecnológico é apenas detalhe dentro da Grande Lógica, que não distingue homem de formiga.
Engraçado que tem pessoas que pegam no sono fumando, vendo filme ou lendo. Ou seja, fazendo coisas SAGRADAS. (Eu só pego no sono no volante. De resto...) Eu só durmo quando eu decido dormir. É tão difícil assim ter esse controle? Já ouvi gente dizendo - mas isso faz muito tempo, quando existia a possibilidade de eu topar com gente assim - que Pink Floyd "é bom para dormir". Bom, Mogwai dá sono no Sapo, deixa o Renato "deprê" e "oprime" o Porsche. E o Apenas James acha que é "rock progressivo modernoso".
Devia haver trilhos para os automóveis nas rodovias. Talvez os motoristas aprendessem a dirigir de forma inteligente e o trânsito seria calmo e rápido-eficiente. No começo iriam espumar e se contorcer, mas com o tempo aprenderiam.
- Use o máximo de luzes possível para fazer desse Natal o mais brilhante de todos. Casa cheia de luzes...
- É zona.
- Não! ...é de quem ouve o Programa Y.

Ã?

segunda-feira, 18 de novembro de 2002

Lula, Bin Laden, talibãs, quakers, Che Guevara, Enéias, Marcelo Camelo. Só porque essas pessoas têm barba não quer dizer que todo barbudo do planeta seja um deles.
Mais três daquele tipo de elogio que recompensa o trabalho todo. Não há por que ter vergonha de massagem no ego :D

"Você está escrevendo muito claro." (Madi)

"Já tinham me dito que tu tinhas mudado, mas pelo que estou vendo a mudança foi maior que eu esperava; pra melhor, devo dizer!" (Graziela, colega de segundo grau que pôde comparar, no pré-reencontro da turma, por lista de discussão, o Douglas´2002 com o Douglas´1992)

"Mérito pro Douglas que tá lendo Timothy Leary, quando você desenvolveu gosto pra estas coisas, rapaz???? Sempre achei que você ia desenvolver mais a área de informática ou coisas assim. Pelo visto me enganei." (Suzin, colega de segundo grau confirmando a diferença entre o idiota completo e o idiota circunstancial, com potencial a ser explorado)

"ducaralho. curti muito. e ainda de quebra tem participacao do boto. massa." (Pepe, a única pessoa, entre as listas de discussão Independentes-POA, Poplist, LondonBurning, ImaginaryFriends, PopSantos e Jornalismo_Unisinos, que ouviu a trilha do Miopia e comentou, inclusive reforçando no fim de um outro e-mail) "legal mesmo o som, doug."
Nestes três semestres sem medir o tempo por semestres, eu devo ter aprendido tanto quanto nos 14 semestres anteriores, quando estava numa universidade, seguindo professores e seus métodos científicos. Ou mais. E viva a vida sem camisas-de-força! No último fim de semana, eu encontrei duas chaves de que eu precisava para avançar no (auto-)Conhecimento e eliminar o sofrimento. Uma estava com um personagem de Waking Life, filme-obra do Richard Linklater; e a outra, com Nietzsche - claro. Assim que eu puder fotografar a primeira chave, eu mostro as duas.
[cultura com c maiúsculo]

<- é assim
é assim ->
<- é assim
é assim ->
<- é assim
é assim ->
O ser humano sente necessidade de classificar até mesmo as relações interpessoais. Amiga, namorada, esposa. Ele acredita que tem certeza dos limites entre cada conceito, como se uma fórmula matemática definisse com exatidão as fronteiras, tal qual os sinais dos termos de uma equação determinam se a função é crescente ou decrescente. Mas essa certeza é aparente, se for fuçar lá no fundo. É tudo relação humana. Não importa o nome. E a diferença entre elas não pode ser demonstrada em um pódium. Não há grau de mais ou menos, só de assim e assado.
"Caetano Veloso diz ao New York Times que quer gravar Kurt Cobain em próximo disco. O cantor Caetano Veloso declarou em entrevista ao New York Times que seu próximo disco deve ser todo dedicado a músicas pop em inglês. 'Teria um pouco de tudo, de Cole Porter a Kurt Cobain, ou pelo menos Prince', . . ." Kurt Cobain ou pelo menos Prince? Achei melhor parar por aqui.
Se existem NA NATUREZA vegetais e fungos que ingeridos provocam prazer e otimizam a atividade cerebral e ajudam a vida não tem por que ignorá-los.
"Uma luz se acendeu para mim: é de companheiros de viagem que eu preciso, e vivos - não de companheiros mortos e cadáveres, que carrego comigo para onde eu quero ir. Mas é de companheiros vivos que eu preciso, que me sigam porque querem seguir a si próprios - e para onde eu quero ir."

"Valores foi somente o homem que pôs nas coisas, para se conservar - foi ele somente que criou sentido para as coisas, um sentido de homem! Por isso ele se chama de 'homem', isto é: o estimador."

"Médico, ajuda a ti próprio: assim ajudas também a teu doente. Seja esta tua melhor ajuda, que ele veja com seus olhos aquele que cura a si próprio."

"Querer liberta: pois querer é criar: assim eu ensino. E somente para criar deveis aprender!"

"O criador é aquele a quem odeiammais: o que quebra tábuas e velhos valroes, o quebrador - a ele chamam de infrator."

(NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Assim falou Zaratustra. 1883.)


"Quem olhou em profundidade para dentro do mundo adivinha bem que sabedoria há em que os homens sejam superficiais. É seu instinto de conservação que os ensina a serem fugazes, leves e falsos."

"É-nos tão mais fácil fantasiar um mais-ou-menos de árvore. Mesmo em meio às mais raras vivências, fazemos ainda o mesmo: inventamos a maior parte da vivência e dificilmente somos coagidos a não contemplar como 'inventores' algum evento. Isto tudo quer dizer: estamos, desde o fundamento, desde antiguidades - habituados a mentir. Ou, para exprimi-lo de modo mais virtuoso e hipócrita, em suma, mais agradável: somos mais artistas do que sabemos."

(NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Para além de bem e mal. 1885-1886.)


"O combate contra a finalidade na arte é sempre o combate contra a tendência moralizante na arte, contra a sua subordinação à moral. (...) [A arte é] um verme que se morde o rabo."

(NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Crespúsculo dos ídolos. 1885-1886.)
[duas vidas]

tendinite
olho seco
músculos
tensos.

a vida
virtual
é bonita.

mas
a vida
real

tem mais movimentos.

domingo, 17 de novembro de 2002

O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO procura BATERISTA!
[pigs on the wing]

and any fool knows
a dog needs a home
a shelter from pigs on the wing.

[sheep]

have you heard the news?
the dogs are dead!
you better stay home
and do as you’re told.
get out of the road
if you want to grow old.

* roger waters
É muito mais difícil do que me parecia a aceitação das drogas como parte da natureza, da vida. Como potencializadora da mente - das reflexões e das sensações. Instrumento de crescimento pessoal "interno", desde os grupos humanos mais antigos. A chave difícil para a maioria é sublimar as moralidades criadas e coladas pelos setores da sociedade mais temedores da loucura, destacando-se o cristianismo e a indústria da consciência (como disse Huxley).
As pessoas realmente têm problemas para conversar por e-mails. A maioria não responde ou demora uma vida para responder ou quando responde não responde o que foi perguntado. Deve ser reflexo das reais possibilidades de comunicação do ser humano (sem a auto-pressão moral do cara-a-cara ou do voz-a-voz do telefone), das complexas relações internas das mentes dos indivíduos e das suas relações difíceis com as outras mentes.

sexta-feira, 15 de novembro de 2002

1) Fica um câmera na porta do meu prédio mostrando eu sair e caminhar em direção da esquina, onde o alvo é um segundo câmera. Quando eu chegar no segundo câmera, aquele começa a gravar a minha caminhada por três quadras, na calçada, até chegar na locadora. Sem usar zoom. Eu começo a voltar com a sacolinha e um vídeo dentro. Quando eu chego no segundo câmera, o primeiro volta a gravar. Antes de chegar na porta do prédio, naquele grande receptáculo de ferro para os lixos dos moradores, eu jogo a sacolinha com o vídeo. Fim.

2) Um filme que seja a biografia do personagem-ator principal, incluindo no filme biográfico a própria realização dele.
O moralismo sexual está de volta. Desta vez, patético. Parei atrás de uma menina com uma saia curta feita de bermuda cortada e pernas bonitas, de fora, com uma tatuagem na direita. Esperar o metrô na Estação Mercado. Quando chegou o trem, ela sentou num banco de dupla de costas para a direção a que o trem iria. Eu, nos bancos mais coletivos na lateral, perto do banco da menina. Ela sentou e colocou a camisa de manga comprida que ela estava carregando em cima das pernas, tampando-as. A perna direita, com a tatuagem, ela tampou com uma pastinha, daquelas quadradas com elástico que eram moda no fim dos anos 80. Colocou entre a base do banco da frente e a perna direita. A esquerda ela retraiu para debaixo do próprio banco. Não devia ter feito tatuagem nem deve usar roupa curta.

quinta-feira, 14 de novembro de 2002

Seres lingüísticos automatas.

- É aí que trabalha o Fulano?
- Espera aí... (qual é o ramal do Fulano?) ...estou transferindo a liga...
- Espera aí! Eu só quero saber se é aí que trabalha o Fulano!
- É.
- Tem um senhor aqui querendo falar com ele, então precisa saber ONDE ele trabalha.

- Sabia que bla bla bla?
- Ahã. [a pessoa acha que eu estou gozando, duvidando]
- É sério!
- Eu sei.

- Não sei o que não sei o quê?
- Sim.
- Hahahahahaha... [a pessoa acha gozado respostas "sim" ou "não" no lugar de expressões complexas ou justificativas detalhadas não pedidas pela pergunta]

- Aqui que é tal lugar?
- Sim.
- Então eu estou no lugar certo e na hora certa?
- Talvez. [ele não perguntou sobre a hora marcada]
- Talvez... (?)

- Big Mac. [essa e a próxima são clássicas]
- A promoção número um?
- Não. Big Mac.
- Só o sanduíche?
- Ã h ã ã ã ã ã ã m m ( ( : D : D : D ) )

- Coca SÓ com gelo.
...
- (Puta merda...) Eu não pedi limão.
- Espera que eu troco. [e, na próxima vez, ele de novo não ouve o pedido]
Domingo faltou luz no Big.

[culo]

- tá ih culo, mamãe!
- tá ih culo, mamãe!
- tá ih culo, mamãe!
e mamãe não olhava.
e mamãe não respondia.
e a menina estava
no carrinho dirigível.

na saída,
entrando,
estava outra
menina com
sua mamãe.
de longe,
apontou:
- tá culo!

quarta-feira, 13 de novembro de 2002

"A Blanched é . . . formada por Israel Monteiro (guitarra), Marcelo Koch (bateria), Carlos Bergold (baixo), Leonardo Fleck (vocal/guitarra) e Priscila Wachs (flauta transversa). A banda iniciou as atividades em meados de 2001, lançando a primeira demo intitulada Blanched, contendo cinco composições. As setenta cópias iniciais são as únicas. 'Esta demo não nos representa mais!' (...) Em agosto de 2002 lançaram o EP Ter estado aqui contendo três músicas.

Comunicado:

Em janeiro de 2003, o grande amigo e guitarrista, Israel Monteiro, deixará a banda. Seu distino será Moçambique por dois anos. Mais nada será dito sobre isso, mas lamentamos profundamente.

Douglas Dickel assumirá a guitarra.

Dia: 15 de dezembro
Local: Espaço Cultural Tear
End.: João Telles, ao lado do Ocidente
Cidade: Porto Alegre
Bandas: Fresno, winston, Sensifer e Blanched
Valores: Ingressos a 5 reais
Horário: Às 18 horas"