(OLHEM, eu resumi esse poste aqui caso o pequeno número de comentários seja um reflexo de que muitos tiveram preguiça de ler um texto tão grande. Ele é importante.)
Há algum tempo eu imaginei que Jesus e os santos eram alienígenas e aquelas luzes brilhantes que os maravilhados viam eram das naves espaciais. Recentemente a ficha caiu mais fundo. Jesus e os santos não podiam ser alienígenas, porque eles não existem. Alienígenas e naves espaciais, assim como Jesus e os santos, podem ser visões psicodélicas. Timothy Leary escreveu: "Frank [Barron] e eu estávamos no escritório, quando Allen [Ginsberg] e Peter [Orlovski] apareceram com um jeito de ermitões medievais. Os dois completamente nus. Bem, nem tanto. Allen estava de óculos. Ele ergueu o dedo com um brilho ao mesmo tempo louco e santo em seus olhos. – Eu sou o Messias. Desci para pregar o amor no mundo. Nós vamos caminhar pelas ruas e ensinar as pessoas a pararem de odiar."
Eis uma prova de que um chapado com algumas qualidades que o façam ter uma boa auto-estima poderia acreditar que era o filho do Senhor, que nada mais é do que o Mundo e a Vida em metáfora. Um chapado sente-se mais do que ninguém integrado ao Mundo e à Vida, como se fosse um filho. Dessa forma, os primeiros cristãos podiam ser um grupo de usuários de drogas psicodélicas. Prossiga, Leary, mostre aquela citação do micologista Robert Anton Wasson.
"Não me lembro bem . . . de qual de nós, minha mulher ou eu, foi o primeiro a expressar em palavras isso nos anos 40, a suspeita de que nossos ancestrais remotos, de há quatro mil anos mais ou menos, adoravam um cogumelo. (...) A vantagem dos cogumelos é que eles fazem com que algumas, senão todas as pessoas, possam chegar a um estado visionário sem ter de sofrer as mortificações de Blake ou de São João. Permitem que você enxergue além dos horizontes desta vida. Viajar para frente e para trás no tempo. Entrar em outros planos de existência. Até mesmo, como dizem os índios, conhecer Deus. (...)"
Leary: "Wasson sugeriu que todas as grandes religiões do mundo se originaram pelas alucinações botânicas de algum visionário antigo. Citou e depois traduziu os nomes antigos para os cogumelos em várias línguas do Oriente Médio e do Oriente, propondo que todas elas implicavam uma experiência religiosa – comida dos deuses, carne dos deuses. Mesmo o nome de Jesus Cristo em aramaico derivava da palavra usada para designar o cogumelo psicodélico."
Mesmo o nome de Jesus Cristo! Talvez o desespero do cristianismo para condenar as drogas venha de um trauma ou de um medo que algo tão real fosse cultuado, ao invés de uma porção de mitos que só promovem a falta de uma vida real. Outro fato suspeito é o momento da Bíblia em que Deus permite tudo a Adão e Eva, menos comer do fruto da árvore da sabedoria. E a hóstia? Um cogumelo bem que poderia dar a idéia de ser o Corpo de Cristo!
Leary foi convidado por religiosos a ministrar psilocibina (cogumelo sintetizado) e placebo a um grupo de estudantes de teologia numa capela universitária. Veja o resultado: um deles, que tomou psilocibina, gritou, olhando para o alto: "Deus está em todo lugar. Oh, a Glória!". Leary: "Dez dos estudantes [que ingeriram placebo no lugar da psilocibina] ficaram sentados diante do altar como adoradores. Os dez visionários eram menos convencionais. Alguns deitaram nos bancos. Outros deitaram no chão. Alguns andavam pela capela, murmurando preces, maravilhados. Um cantava um hino. Outro foi até o altar e manteve as mãos erguidas. E havia mais um, que tocava acordes esquisitos no órgão." Minha teoria tem ou não sentido?
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