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sexta-feira, 30 de julho de 2004

Pensamento de ontem. "Nem uma dúzia de gatos seria suficiente para neutralizar a energia negativa que está na órbita do meu globo ocular."
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Esqueça tudo o que eu escrevi antes sobre a representação aqui acima: não há como explicá-la verbalmente. Se alguém enxergar algo ali, me dá um toque, que aí podemos trocar umas idéias.
Enfim, imagino que a prioridade nossa seja a criação, então é nela que temos que despejar nosso tempo.
Estive pensando. Por que será que apenas em bandas de música - pelo menos nas de rock alternativo - se pretende adotar a anarquia ou votação para tudo? Por que apenas nisso se tem a utopia do coletivismo perfeito?

Não acredito em grupo sem liderança. E funções mais ou menos definidas e divididas. E os projetos têm uma estruturação.
Date: Tue, 13 Jul 2004 18:17:58
Subject: vida louca
From: "tiago ianuck"
To: "douglasdickel"

Conversa de messenger com douglasdickel@hotmail.com

- DOUGLAS DICKEL!!
- Ei
- e aí!! te mandei um email... vc é vc mesmo?
- qual
- hotmail
- sim. por que vc nao anima o seu nome botando isso
- nao sei colocar
- é fassiu e só botar abre parentesis qual quer letra maiuscula e fecha parentesis
- fassiu?! vc nao é o douglas! qual quer ?
- sou sim
- douglas nao escreve errado
- ñ
- então me diga qual a minha banda favorita.
- ñ sei
- onde você mora?
- em casa
- qual estado?
- MS
- você me conheceu algum dia?
- Campo Grande MS
- você me conheceu algum dia?
- ñ
- voce conhece algum outro douglas dickel?
- vc pode entrar sabado e domingo?
- porque?
- eu tenho que sair agora.
- me diga sua banda favorita, então, antes de sair.
- Link Park por que?
- curiosidade... ignore os meus emails então. vc é outra pessoa
- mata o gato!!!!!!!!!!!!!!
- que gato?
- tenho que sair agora
- quantos anos você tem?
- 10
Vendi meus últimos dois BTAs! Se houver interessados em adquirir um, corra, no show, porque o que vai ter lá é o fim. Da primeira "tiragem". De duzentos.

quinta-feira, 29 de julho de 2004

sentido do non-sense
acho que ainda acredito nisso.

o tipo de coisas que
voam
a nossa frente
principalmente quando estamos parados esperando a chaleira anunciar a água quente do café.

postado por FELIPE DREHER
eu não sei quem eu sou,
sequer o que vou fazer,
sei apenas o que quero.
tenho objetivos claros,
mas ainda não o método.

quando acabessa agonia?
 
Se no Tão Longe Tão Perto (que eu vi primeiro) aparece o Lou Reed tocando num quarto de hotel e falando com o Cassiel na rua, no Asas Do Desejo (que é o primeiro da bilogia) tem um show do Nick Cave. Massa, Wim Wenders - como diria o Leonardo.
[Trecho do conto O Mundo De Jon, do Philip K. Dick.]

- Não estamos em fase com nenhum objeto espaço-temporal - explicou Ryan. - Estamos fora de foco com o universo em si. Neste momento existimos no não-tempo. Não estamos operando em nenhum continuum.

(...)

- O que aconteceria se esta nave rachasse? [- perguntou Kastner.]

- Seríamos atomizados. Dissolvidos no fluxo que nos cerca. - Ryan acendeu um cigarro. - Iríamos nos tornar parte do fluxo do tempo. Ficaríamos nos movendo sem parar para trás e para frente, de uma extremidade do universo para a outra.

- De uma extremidade para a outra?

- As extremidades do tempo. O tempo flui em ambos os sentidos. Neste momento estamos nos movendo para trás. Mas a energia precisa se mover em ambas as direções para manter o equilíbrio. Do contrário, ergs temporais em vastas quantidades iriam se acumular num continuum específico, e o resultado seria catastrófico.
Why can't I be good?
1.

Jantar com os amigos pós-concerto dos Concertos Dana, numa pizzaria. Lá pelo final da noite, veio até perto da nossa mesa o maestro da Orquestra da Ulbra, para trocar umas palavras. Um pouco menos perto estava um cara que eu pensei reconhecer. Fiquei numa dúvida imensa se era o tal conhecido ou se era uma bruta insanidade da minha mente. Decidi-me e chamei o cara.

- Que instrumento tu toca?
- Violino.
- Ricardo?
- Sim.
- Eu sou o Douglas.
- Douglas?
- Filho do Claudio e da Iris.
- Eu me lembro que tu me contava historinhas no violino.
- :)
- E que vocês tinham aqueles discos de historinhas infantis.
- É, uns amarelinhos...

Era o meu (ex-)tio, que eu não via há mais de vinte anos, que se separou da minha tia Carla, irmã mais nova do meu pai. Eu o conheci com uns 4 ou 5, quando eu morava numa vila em Pelotas e a minha única referência de Porto Alegre era justamente o apartamento do "Tio Dô", que tocava - e ainda toca - na OSPA. Minha tia era artista plástica, se não me engano, na época. Depois, ela mudou bastante de ofício e não sei o que ela faz hoje. Só sei que ela roubou uma quatro-páginas do meu álbum de figurinhas Fofura, provavelmente para pintar um dos bichinhos de que ela gostara na tal folha.

2.

Esses dias veio testemunhar num processo disciplinar o João Paulo, amigo dos meus pais quando eu era criança. Eles eram parceiros de C.T.G. e ele e a mulher dele acabaram morando na mesma casa em que a minha família morou em Taquara, na rua Pinheiro Machado.

- Eu tenho uma audiência.
- Oi, tudo bom? Te lembra de mim?
- Não...
- Douglas.
- Douglas...
- Filho do Claudio e da Iris.
- Bá, quando eu me lembro de ti "desse" tamanho.
- Sempre acompanhei teu nome nos jornais.
- Eu tenho saudades daquela época e dos teus pais.
Os muros eram horas e as horas
Fixo e acumulado pesar.
O tempo dessas horas não era tempo.
escambo [Por *escambio + es + câmbio.] S. m. 1. Troca direta de mercadorias, sem interveniência da moeda. 2. Troca, permuta; câmbio.

Nos anos 70-80, a gurizadinha trocava gibis no cinema, enquanto a luz estava acesa: antes do filme, no interlúdio, ou mesmo no fim. Hoje, a gente troca cópias de discos nos blogs, e-mails e no orkut. A Era do Escambo é a seqüência natural do gravador de CDs, da internet e do Soulseek. Existem os sebos de livros e as lojas de CDs e de VHSs usados, que de alguma forma intermedeiam as trocas, mas, o que é sem graça, envolve moeda. O mais legal do escambo e a não "interveniência da moeda". Do dinheiro. A Era do Escambo é uma forma divertida e barata de multiplicarmos nossas coleções de discos. O mais recente que eu fiz foi com o Daniel Galera, e agora estou em tratativas com o Fabrício Pontin, o Daniel Matos e o Júnior. Recebi há pouco uma parte do "Projeto Patti Smith", o enorme escambo entre mim e o Fabrício. Tem os novos da PJ Harvey, do Primal Scream e do The Cure (produzido pelo cara do Slipknot), os EPs do Nine Inch Nails e do Radiohead (How I am driving?), Einsturzende Neubauten, Diamanda Galás e - o começo de tudo - o Radio Ethiopia, da Patti Smith.
Peligro Discos
Informativo #03
28/07/2004

== Mais Vendidos ==

Nacionais

1. Lunasigh "Lunasigh EP" (Fuzzy Nebulae)
2. Blanched "Blanched toca Angelopoulos" (Independente)
3. Blue Afternoon "Folxploitation" (Bizarre)
4. Edith "Couleurs du Temps" (Independente)
5. Hurtmold / Eternals "s/t" (Submarine)
não escreva o que não gostaria de dizer.
não diga o que não gostaria de escrever.

quarta-feira, 28 de julho de 2004

Douve fala
Yves Bonnefoy

Que palavra surgiu perto de mim,
Que grito nasce numa boca ausente?
Mal posso ouvir o grito contra mim,
Mal sinto o hálito que me nomeia.

No entanto o grito em mim vem de mim mesmo,
Estou murado em minha extravagância.
Que voz divina ou que estranha voz
Consentira habitar o meu silêncio?

(Trad.: Mário Laranjeira)
????

" . . . [fulano de tal] se destaca por sua capacidade de transformar todo assunto ou objeto em matéria poética." (O Poema)

???
Um despertar
Octavio Paz

Estava emparedado dentro de um sonho,
Seus muros não tinham consistência
Nem peso: seu vazio era seu peso.
Os muros eram horas e as horas
Fixo e acumulado pesar.
O tempo dessas horas não era tempo.

Saltei por uma fenda: às quatro
Deste mundo. O quarto era meu quarto
E em cada coisa estava meu fantasma.
Eu não estava. Olhei pela janela:
Sob a luz elétrica nem uma viva alma.

(...)
Vento, água, pedra
Octavio Paz

A água perfura a pedra,
o vento dispersa a água,
a pedra detém ao vento.
Água, vento, pedra.

O vento esculpe a pedra,
a pedra é taça da água,
a água escapa e é vento.
Pedra, vento, água.

O vento em seus giros canta,
a água ao andar murmura,
a pedra imóvel se cala.
Vento, água, pedra.

Um é outro e é nenhum:
entre seus nomes vazios
passam e se desvanecem.
Água, pedra, vento.

(Trad.: Antônio Moura)
Sobre um poema
Herberto Helder

um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

fora existe o mundo. fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
a hora teatral da posse.
e o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

e já nenhum poder destrói o poema.
insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
e o poema faz-se contra o tempo e a carne.
"Tudo o que importa é o eterno movimento que há por trás da poesia, a vasta corrente subterrânea da dor, da loucura, da pretensão, da exaltação ou da ignorância humanas, por mais sublime que seja a intenção do poeta." (Dylan Thomas)
"Somos uns animais diferentes dos outros, provavelmente inferiores aos outros, duma sensibilidade excessiva, duma vaidade imensa que nos afasta dos que não são doentes como nós." (Graciliano Ramos, carta à irmã Heloísa em 1935)
Chuva
Francis Ponge

A chuva, no pátio em que a olho cair, desce em andamentos muito diversos. No centro, é uma fina cortina (ou rede) descontínua, uma queda implacável mas relativamente lenta de gotas provavelmente bastante leves, uma precipitação sempiterna sem vigor, uma fração intensa do meteoro puro. A pouca distância das paredes da direita e da esquerda caem com mais ruído gotas mais pesadas, individuadas. Aqui parecem do tamanho de um grão de trigo, lá de uma ervilha, adiante quase de uma bola de gude. Sobre o rebordo, sobre o parapeito da janela a chuva corre horizontalmente ao passo que na face inferior dos mesmos obstáculos ela se suspende em balas convexas. Seguindo toda a superfície de um pequeno teto de zinco abarcado pelo olhar, ela corre em camada muito fina, ondeada por causa de correntes muito variadas devido a imperceptíveis ondulações e bossas da cobertura. Da calha contígua onde escoa com a contenção de um riacho fundo sem grande declive, cai de repente em um filete perfeitamente vertical, grosseiramente entrançado, até o solo, onde se rompe e espirra em agulhetas brilhantes. Cada uma de suas formas tem um andamento particular; a cada uma corresponde um ruído particular. O todo vive com intensidade, como um mecanismo complicado, tão preciso quanto casual, como uma relojoaria cuja mola é o peso de uma dada massa de vapor em precipitação. O repique no solo dos filetes verticais, o gluglu das calhas, as minúsculas batidas de gongo se multiplicam e ressoam ao mesmo tempo em um concerto sem monotonia, não sem delicadeza. Quando a mola se distende, certas engrenagens por algum tempo continuam a funcionar, cada vez mais lentamente, depois toda a maquinaria pára. Então, se o sol reaparece, tudo logo se desfaz, o brilhante aparelho evapora: choveu.

(Tradução: Júlio Castañon Guimarães)
eu
estou
te pedindo
querida é pra
que mais poderia um
não mas não é o que
claro mas você não parece
entender que eu não posso ser
mais claro a guerra não é o que
imaginamos mas por favor pelo amor de Oh
que diabo sim é verdade que fui
eu mas esse eu não sou eu
você não vê que agora não nem
sequer cristo mas você
precisa compreender
como porque
eu estou
morto


Poema: E. E. Cummings
Tradução: Augusto de Campos

Procura da poesia
Carlos Drummond de Andrade

(...) [antes deste ponto eu não concordo com ele]

penetra surdamente no reino das palavras.
lá estão os poemas que esperam ser escritos.
estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
tem paciência, se obscuros. calma, se te provocam.

espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
não forces o poema a desprender-se do limbo.
não colhas no chão o poema que se perdeu.
não adules o poema. aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço.

chega mais perto e contempla as palavras.
cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível, que lhe deres:
trouxeste a chave?

(...)


A coisa que mais salva o Love Actually é este personagem espetacular chamado Billy Mack, interpretado pelo ator Bill Nighy, o qual, aliás, (acabei de descobrir), interpretou também o melhor personagem - e o de melhor nome - do filme do Mochileiro Das Galáxias: o Slartibartfast!
" . . . o muriel paraboni - sujeito que (apesar do pouco convívio) eu de fato considero - me convidou para arquitetar o prefácio do livro dele e do douglas dickel (o que de imediato tomei como tarefa das mais empolgantes do ano); prometi o prefácio para sexta-feira passada, reli os textos do livro várias vezes (esqueci de dizer, é um livro de poesia); escrevi algumas linhas que não dei por suficientes; na real... como é difícil esse negócio de 'prefaciar'... ainda mais quando se trata de poesia (que é o laboratório de tudo); estou longe de ser o fabrício carpinejar - que tem a maior facilidade para falar sobre a poesia dos outros; (...) uma coisa eu adianto, os textos do livro são básicos e sinceros - têm valor porque, de cara, chutam a trama do estilo, o refinamento das coberturas onde nem se sabe mais da vida, da sua sujeira, da gagueira do seu imensurável vazio." (Paulo Scott)
Odacaixa, Sérgio Euclides, Letícia Marques, Marina Volpato, Mirella Maines, Luciano Schuck, Felipe Suzin, Luciano Seade, Guilherme Pilla, Carlos Marques, Frebs, Tiago Ianuck, Diogo Valim, Wesley Sampaio, Carol Beal, Cássio Grovermann, Família Zanin: onde estão vocês? Saudades!

terça-feira, 27 de julho de 2004

"O Bhagavad Gita diz: 'Vá lá e faça o que deve fazer. Não se preocupe com o resultado.' Aceite a tristeza como parte do jogo [Rilke]. Quando existe tempo, existe tristeza. Não podemos livrar o mundo da tristeza, mas podemos optar por viver com alegria." (CAMPBELL)

"Minha pergunta foi a seguinte: 'Como tudo é Brahman, tudo é radiância divina, como podemos dizer não para a ignorância, a brutalidade ou qualquer outras coisa?' Sua [a do mestre indiano Sri Atmananda] resposta foi: 'Para você e para mim, dizemos sim. (...) Mantenha-se 'radiante', como disse Joyce, na sujeira do mundo." (CAMPBELL)

(Eu acho a filosofia do budismo linda, e acredito nela. Mas, ao mesmo tempo, pergunto: como se sobrepor à natureza humana, às constatações de Darwin e Hobbes?)
"O que você gosta de fazer? O que você aprendeu a fazer? (...) Aposto que, se você procurar, vai encontrar conexões entre o espaço sagrado que você tem agora e um espaço realmente especial que teve em sua infância. Como adulto, você precisa redescobrir o poder que move sua vida. Tensão, falta de sinceridade e a sensação do irreal vêm quando se segue a força errada em sua vida. (...) O espaço sagrado fica hermeticamente selado do mundo temporal. Quando você está em um espaço desses, não é possível entrar nele. Você está em uma zona eterna e protegida do impacto dos estímulos do dia e da hora. (...) Você precisa de um programa de isolamento para os momentos em que deseja se fechar: uma vez por semana, uma vez por dia ou uma por hora. Qual o valor disso? É uma necessidade absoluta, no qual o eterno em você se desliga do campo do tempo. (...) No espaço sagrado, tudo é feito para que o ambiente torne-se uma metáfora." (CAMPBELL)

Eu gosto de tocar, eu aprendi a tocar. Eu aprendi a imaginar, vendo filmes e desenhos e brincando sozinho no chão de um "quarto de brinquedos", com Ferrorama, Playmobil, caixinhas vazias, carrinhos de ferro, Transformers etc. Muitas coisas fazem parte da minha memória afetiva, do meu imaginário inconsciente formado na primeira infância. Entre elas, redescobertas recentes: o rádio Transglobe e a fascinação por aviões. O que eu não imaginava era que um dos caras mais legais do planeta, já amigo antigo da minha noiva, reapareceria do desaparecimento perante ela e eu e, como um presente do Trilho, me auxiliaria diretamente com os meus espaços sagrados de rádio e de avião. Um dia eu falei para a Manuela que dois dos barulhos mais bonitos que eu conhecia eram o da estática do rádio e dos aviões - seja o estrondo das turbinas, seja o zumbido agudo constante. Este amigo emocionante é o Júnior. Domingo ele deve instalar o simulador de vôo no meu computador para que eu sinta como é ser um comandante de vôo. Simulador este que é válido nos Estados Unidos para a contagem de horas de vôo de um piloto, embora o pai da Gracian, piloto de verdade, tenha dificuldade em pilotar os aviões virtuais. Domingo passado, depois de tirar umas fotos dos aviões de verdade a sete metros das nossas cabeças, na "árvore de natal" do Salgado Filho, e de tomar uns chimarrões e de ter umas conversas agradáveis, o Júnior me levou para a cabine virtual dele, de onde eu pilotei um F-18 do Salgado Filho até o aeroporto de Florianópolis. Depois, fiz uns treinamentos mais básicos com um adorável teco-teco. Além de tudo, eu e ele também vamos fazer um daqueles escambos musicais maravilhosos. Ontem carregamos um sofá que não cabia no elevador sete andares acima e esta semana ainda tem capeletti. Obrigado, Manuel(ind)a, Júnior, Sabrina, Tony, Nandie, Dênis, Bia, Luis, Arthur, Josiane, Massa, Giane, Márcia, Andrea, Luciano (tu mesmo), Iris, Selvina, Cezar, Irdes - vocês estão salvando o planeta.

"Se você estiver percorrendo os trilhos certos, é assim que as coisas funcionam: as portas se abrem como por milagre."
Por favor, quem assinou, nos comentários deste post, como "professor pasquale"? (Para que ser anônimo?)

segunda-feira, 26 de julho de 2004

Aeronáutica & Joseph Campbell ficam para amanhã.
Vocês também são das pessoas mais humanas que nós já conhecemos.
"Frank Poole é muito bom mesmo." (Luis/Pedro/Luispedro/Pedrão)
Saiu em vídeo: olha que capa bonitinha:


O All Music Guide mudou radicalmente de layout e eu odeio mudanças radicais de layout. Viu como ficou?


Esta é uma das ilustrações da Emily Hubley - irmã da Georgia, baterista do Yo La Tengo - usada nas animações presentes no filme Hedwig And The Angry Inch, escrito, roteirizado, dirigido e atuado pelo John Cameron Mitchell. Hedwig começou para mim muito específico, com a figura da drag queen causando-me um pouco de desconforto. Depois, isto passou, e o filme tornou-se universal, um bonito e grande poema de uma hora e meia sobre a vida. Entrou para a minha lista. É praticamente um musical, e as músicas são muito boas, assim como as letras. Quem tocou a guitarra foi o Bob Mould, ex-Hüsker Dü - banda que inluenciou os Pixies. "Vocês têm que ver o documentário (tem no DVD), que conta que tudo começou como um sketch em bar gay (o começo é muito legal, o James [sic] Cameron Mitchell se encontra em um trem na Europa com um dos caras do filme - o guitarrista da banda no filme - e eles começam um lance que evoluiu pra peça em bar gay, peça de teatro, musical off broadway, musical legal, franchising (tinham 8 hedwigs), e daí os caras resolvem fazer um filme e ele passa a ser diretor e ator... Eu amo este filme." (Luis Pedro)
Agora eu quero ver Ringu (1998) - que foi coverizado no hollywoodiano The Ring (O Chamado) - e Ringu 2 (1999), ambos do Hideo Nakata. Ringu 0: Bâsudei (2000), que eu vi anteontem, foi dirigido pelo Norio Tsuruta. Suspense surreal de primeira.

PS: Eu nunca mais vou ver Homem-Aranha > 2. É para masoquistas.
A eternidade é fugaz.

sexta-feira, 23 de julho de 2004

Gostei do Elephant, do Gus Van Sant: na linha de filmes minimalistas - como Punch-Drunk Love, Lost In Translation - e ótimos. Fiz uma coletânea de Foo Fighters, matadora - depois eu digo a tracklist. Terminaram minhas férias ontem, mas hoje eu fiquei trancado dentro de casa pela terceira vez. Depois do trabalho da Manu, ela me resgata e nós vamos ver Homem-Aranha 2 - em que a Giane, doce presenteadora da Cheetara, nosso quarto felino, chorou já nos créditos iniciais.
Um novo disco do R.E.M., sucessor de Reveal (ó vizinho do 802!), deve conterm as seguintes músicas: Electron Blue, Aftermath, Magnetic North, Around The Sun, From A Train, Make It All OK, On The Fly, The Outsiders, I Wanted To Be Wrong e Weatherman. No entanto, as únicas faixas confirmadas por eles até agora são Leaving New York, Wanderlust, I'm Gonna DJ e Final Straw.
"As pessoas sabem que há um meio de fazer com que o desenvolvimento espiritual se dê, mas a Igreja não nos ajuda nesse sentido porque fala de eventos metafísicos como se fossem fatos históricos. (...) A Ascensão representa a jornada interior, mitológica. E o Nascimento Virginal refere-se ao nascimento da vida espiritual no ser humano. (...) Jung nos escreveu que o mito moderno dos objetos voadores não identificados diz-nos algo sobre as expectativas visionárias da humanidade. As pessoas esperam visitantes do espaço exterior porque acreditam que nossa libertação virá de lá. (...) O Reino do Pai não virá com a espera. Nós o produzimos em nossos próprios corações. O Reino é aqui. Olhamos para o mundo e vemos o brilho. (...) A morte e ressurreição dos heróis são um modelo para a saída da casca da antiga vida e a entrada na nova." (CAMPBELL)

quinta-feira, 22 de julho de 2004

Três meninas bonitas do cinema.

1. Alakina Mann.
1/8/1990, Inglaterra.
Anne, do Os Outros.

2. Jessica Brooks Grant.
Marie, do Amor Além Da Vida.

3. Dakota Fanning.
Decepção: Os Outros.
Vi a fita Volumen, com os clipes da Björk até o Homogenic. Tem um - I Miss You - dirigido pelo John Kricfalusi, o cara que faz o Ren & Stimpy. Michel Gondry é o diretor preferido dela, sendo seus melhores Bachelorette e um em preto e branco, Hyperballad. Spike Jonze é responsável por um dos mais bonitos: It's Oh So quiet. A Björk é bonita.
Sigamos APRENDENDO.
"Somos todos Cristos e não percebemos isso."

"O Graal significa estar em perfeito acordo com a abundância da natureza, a mais elevada realização espiritual, o inexaurível frasco do qual você obtém qualquer coisa que deseja."

"Será que Deus existiria se não existisse ninguém? Não. (...) Há tantos deuses quanto pessoas pensando em Deus. Quando a senhora Oliveira e o Papa pensam em Deus, não é o mesmo Deus. Ao escolher o seu deus, você escolhe sua maneira de olhar para o universo. É grande o número de Deuses. Escolha o seu. O deus que você adora é o deus que você merece." (CAMPBELL)
"Encontre um lugar onde haja alegria, e a alegria queimará a dor [como o 'purgatório']."
(CAMPBELL)
"Nossa verdadeira e suprema raiz está em nossa natureza humana, não em nossa genealogia pessoal." (CAMPBELL)
"O sublime traduz-se em um prodigioso poder ou um espaço imenso: quando você chega ao cume de uma montanha, um mundo se abre - todo aquele cenário descortina-se diante de você. Isso é a sublimidade. Assim, poder e espaço são duas traduções da sublimidade, e, nos dois casos, o ego é diminuído. É estranho: quanto menos há de você, mais você vivencia o sublime." (CAMPBELL)

sexta-feira, 16 de julho de 2004

Medulla, o novo disco da Björk, baseado em beatbox e com muitas participações especiais, sai em 31 de agosto pela Elektra Records.

01 Pleasure Is All Mine
02 Show Me forgiveness
03 Where Is the Line?
04 Vokuro
05 Öll Birtan
06 Who Is It (Carry My Joy on the Left, Carry My Pain on the Right)
07 Submarine
08 Desired Constellation
09 Oceania
10 Sonnets/Unrealities XI
11 Piano II
12 Mouths Cradle
13 Wednesday (Midvikudags)
14 Triumph of a Heart
Comprei um rádio Philco Ford Transglobe, com 9 bandas, 7 de ondas curtas, 1 de AM e 1 de FM. E comprei os dois discos do Karnak que faltavam para eu completar a discografia da banda: o primeiro e o terceiro-e-último. Fiz uma coletânea de Wilco e uma de músicas do John Lennon nos Beatles e na carreira solo dele.
Peligro Discos
== Mais Vendidos ==

1. TV on the Radio "Desperate Youth, Blood Thirsty Babes" (Touch & Go)
2. Clinic "Walking with Thee" (Slag)
3. Lunasigh "Lunasigh EP" (Fuzzy Nebulae)
4. Blanched "Blanched toca Angelopoulos" (Independente)
5. Blue Afternoon "Folxploitation" (Bizarre)

sexta-feira, 9 de julho de 2004

Estou de férias até o dia 22. Férias-relâmpago. Minha/nossa amiga Gabriela.
1. Pontue a seguinte oração de modo que tenha sentido lógico.

"Um fazendeiro tem um bezerro e a mãe do fazendeiro também é o pai do bezerro."
Significados de alguns dos anagramas do meu nome.

CALL DIEGO DUSK
Chame o Crepúsculo-de-Diego.

IDEAL DOCK SLUG
Lesma da plataforma perfeita.

DUAL LOGIC DESK
Mesa da dupla lógica.

Good...
O que os seguintes nomes têm em comum?

Rodeohead
The Lonesome Traveller
Astronauta Pingüim
Blue Floyd
Beatallica
Dread Zeppelin
Johnny Cash
Cat Power
Trans Slovenia Express

quinta-feira, 8 de julho de 2004

O filme Dogville, do Lars Von Trier, deve(ria) fazer parte do currículo das disciplinas de Ética e Filosofia nas universidade e, por que não, do currículo de vida do não-estudante-convencional. Porque ele desvela a condição humana da forma mais didática possível.

Ser ético e ter compaixão ao extremo é ser arrogante.
Dizer-se despretensioso é a maior pretensão. (Wiu?)
Achar possível dissolver o ego é ter a pretensão de ser
sobre-humano,
semi-deus.

PS: Isso não quer dizer que não goste de ti, BG, pelo contrário ;-)
"Éramos 49 pessoas. (...) Estávamos divididos em sete grupos de sete e disseram-nos para passar o dia pensando em sete coisas sem as quais não gostaríamos de viver: 'Quais são as sete coisas pelas quais você acha que vale a pena estar vivo?' Depois, disseram-nos para reunir sete pequenos objetos, pequenos o suficiente oara caberem em sua mão, e que você saberia qual era qual. à noite, fomos no escuro por uma escada ladeada por árvores até a entrada de uma caverna. A caverna tinha uma porta de madeira, que podia ser aberta. Diante da porta, havia um homem com uma máscara de cão: Cérbero na porta do inferno. Ele estendeu a mão e disse: 'Dêem-me o de que menos gostam.' Quando você entregava um dos pequenos objetos que estavam em sua mão, ele abria a porta e o deixava entrar. Depois, você avançava pela caverna, um lugar enorme, segurando as seis coisas remanescentes. Em outros cinco momentos, pediam-lhe que entregasse cada um dos outros objetos menos estimados, até restar apenas um, que representava o que você mais valoriza em sua vida. E pode acreditar em mim, você acabava descobrindo o que era. Descobria mesmo. E a ordem na qual abria mão dos objetos era reveladora: você percebia qual era sua ordem de valores." (CAMPBELL)
" . . . em muitas sociedades, os idosos passam uma parte considerável de seu tempo brincando com os jovens e tomando conta deles, enquanto os pais correm de lá para cá; assim, os idosos são devolvidos à esfera das coisas eternas, não apenas interiormente, como também exteriormente. E também podemos entender, devo imaginar, que a considerável atração mútua entre os muito jovens e os muito velhos pode denotar algo de seu conhecimento secreto e comum: o de que eles, e não a atarefada geração intermediária, é que se preocupam com a brincadeira poética, eterna e verdadeiramente sábia." (JUNG)
Eu tendo - e a maioria tende - a avaliar a nova obra de um determinado artista levando em conta tudo o que ele produziu até então, e não a nova obra em separado, como algo individual, com vida própria, como disse o Hauser. O que continua OK no Sonic Youth são as vozes de Moore e Ranaldo - e desta vez houve produção de vocais, pelo Don Fleming (Dumball). Dentre as letras, nenhuma chega aos pés de Free City Rhymes. O encarte é pobre, não tem as letras e só tem uma foto da banda, bem chumbrega. No mais, algumas enfermeiras do Richard, todas muito parecidas entre si.
Do autor das Nurse Paintings.











Comprei o Sonic Nurse anteontem. Depois de três audições, não me saem da cabeça Rain On Tin, Disconnected Notice e Empty Page. Os primeiros segundos empolgam porque parece que eles adentraram a área dos Strokes. Mas depois muda. Eu prefiro o Radiohead copiando Aphex Twin para evoluir do que o Sonic Youth continuando exatamente a mesma coisa. Só que eu odiei o Kid A nos primeiros meses de audição. Estão repetindo por aí que o ponto positivo do Sonic Nurse é a volta da plena atividade da Kim Gordon. Pois eu acho isso negativo. O último suspiro dela foi com Nevermind, do antepenúltimo disoc. Plastic Sun é a pior música do Murray Street, e o disco é muito bom por centrar os vocais nos dois homens - Thurston e Lee. Eu nunca vou deixar de amar Cross The Breeze, Bull In The Heather e Tunic (Song For Karen), mas eu temo desgostar de tudo o que ela cantar a partir de agora, sei lá exatamente por quê. No Sonic Nurse, eu só estou considerando a 5, a 3 e a 7: Stones, Dripping Dream e New Hampshire. Parece que o foco desta vez foi em criar melodias vocais estranhas, mas não saíram boas o suficiente. Até a música que o Lee Ranaldo canta - uma só - é ruim. Lá vou eu para a quarta edição, desta vez com as letras na tela. Daqui a pouco eu volto.
Glória, glória aleluia,
Glória, glória aleluia,
Glória, glória aleluia,
Louvemos ao Senhor!

Good day sunshine,
Good day sunshine,
Good day sunshine...
I need to laugh and when the sun is out
I've got something I can laugh about.
I feel good in a special way.
I'm in love and it's a sunny day.

quarta-feira, 7 de julho de 2004

Uma das coisas mais empolgantes que eu já li em todos tempos.

(CAMPBELL, Joseph. Reflexões sobre a arte de viver. p. 79-86.)

Em todos os sistemas tradicionais, tanto do Oriente como do Ocidente, as formas mitológicas autorizadas são apresentadas em ritos aos quais o indivíduo deve responder com dedicação e fé. Mas, e se ele não o fizer? Suponha que toda a herança de formas mitológicas, teológicas e filosóficas deixe de despertar nele qualquer dessas respostas sinceras. Como ele deve se comportar? O normal seria fingir; sentir-se inadequado, passar por crente, forçar-se a acreditar e viver na imitação dos demais, uma vida falsa. Por outro lado, o autêntico caminho criativo, que eu denominaria de caminho da arte, em oposição à religião, consiste em reverter essa ordem autoritária.

Nas novelas de Joyce, como nas de Mann, a chave da progressão está na ênfase sobre o que é interiorizado... Nas palavras do herói de Joyce: "Quando a alma de um homem nasce neste país, lançam-se sobre ela redes para impedi-la de voar. Você me fala de nacionalidade, língua, religião. Eu tento voar perto dessas redes." (JOYCE)

Aquilo que para a alma são redes, lançadas sobre ela "para impedi-la de voar", podem tornar-se, para aquele que descobriu o seu próprio centro, a indumentária, escolhida livremente, de sua próxima aventura.

Que tipo de ação e experiência de vida seria adequada para alguém que passou por esse momento gratificante de experiência do Graal? Não há regras a dizer o que se pode fazer. Buda voltou e ensinou durante cinqüenta anos. Para responder a essa pergunta, seria necessário prever as circunstâncias que envolveriam essa vida posteriormente.

Depois de passar pela experiência, você precisa passar por ela no segundo seguinte, e no próximo também. O processo para atingi-la ocorre com a tradução das experiências da vida naquele eterno elixir, que é o "feliz com Ele para sempre no Céu", parte da resposta à pergunta do catecismo básico: "Por que Deus criou você?" A resposta que aprendi era: "Deus me criou para conhecê-Lo, para amá-Lo e para servi-Lo neste mundo, e para ser feliz com Ele para sempre no Céu." Traduzindo isso em metáfora: O céu é o símbolo da vida eterna que existe em você. É um aspecto básico de você mesmo na eternidade. Esse é o arrebatamento. E depois, a vida temporal pede "conhecimento, amor e serviço... de, e a, Deus", a energia geradora da vida que existe em você e em todas as coisas.

Segundo minha experiência, posso sentir que estou no Castelo do Graal quando convivo com pessoas que amo, fazendo aquilo que amo. Tenho a sensação de estar satisfeito. Mas, por deus, não é preciso muito para me fazer sentir que perdi o Castelo, que ele se foi. Um modo de perder o Castelo é ir a um coquetel. Esse é meu conceito de não estar lá de jeito nenhum.

A idéia que tenho dele é que você precisa dedicar-se continuamente a chegar lá. Pode levar algum tempo. Mesmo depois de chegar lá, é fácil distrair-se, pois o mundo tem coisas que quer que você faça e você decidiu que não fará o que o mundo quer. O problema está em encontrar um campo de ação que lhe traz essa satisfação interior, para que você não seja expulso do Castelo.

... nem todos, mesmo hoje, são do tipo apático, que precisam que seus valores de vida lhes sejam dados, lembrados aos gritos dos púlpitos e outras mídias contemporâneas de massa. Pois há, com efeito, em lugares silenciosos, grande número de pessoas dedicadas à profunda busca e ao encontro da espiritualidade, fora dos centros sociais santificados, além de sua supervisão e controle; em pequenos grupos, aqui e ali, e, mais comumente, mais tipicamente (bastando olhar ao redor para constatar), com uma ou duas pessoas, entrando na floresta nesses pontos que elas escolheram, que estão visivelmente mais escuros e nos quais não há trilha ou caminho batido.

A jornada do herói sempre começa com um chamado. De algum modo, deve aparecer um guia e dizer: "Olhe, você está na Terra do Sono. Acorde. Vamos viajar. Há todo um aspecto de sua consciência, de seu ser, que ainda não foi tocado. E então, você está em sua casa? Bem, não há muito de você aí." E ela começa.

O arauto ou anunciador da aventura... costuma ser sinistro, odioso ou aterrorizante, considerado diabólico pelo mundo; mas, se o seguirmos, será aberto um caminho pelas paredes do dia e chegaremos às sombras onde brilham as jóias.

O chamado pede que a pessoa deixe certa situação social, passe para sua própria solidão e encontre a jóia, o centro que é impossível encontrar quando se está engajado socialmente. Você é deslocado de seu centro de equilíbrio, e quando isso acontece é porque chegou a hora de partir. É nessa partida que o herói sente que alguma coisa foi perdida, e sai a sua procura. Você está prestes a cruzar o limiar de uma nova vida. É uma aventura perigosa, pois você está saindo de sua esfera de conhecimento sobre a comunidade e sobre si mesmo.

O primeiro passo, o desapego ou a introspecção, consiste em uma transferência de ênfase radical, levando do mundo externo para o interno, do macro para o microcosmo, um afastamento do desespero causado pela terra devastada e a entrada na paz do mundo (...) que existe em seu interior: este reino, pelo que a psicanálise nos informa, é precisamente o inconsciente infantil. É o reino em que entramos ao dormir: Levamo-lo em nosso íntimo para sempre. Todos os ogros e auxiliares secretos de nossas brincadeiras estão lá, toda a magia da infância. Mais importante, todas as potencialidades de vida que nunca conseguimos reproduzir na vida adulta, essas outras porções de nós mesmos, estão lá; pois essas sementes douradas não perecem.

Quando pensamos em algum motivo para não ir ou temos medo e ficamos na sociedade porque é mais seguro, os resultados são radicalmente diferentes do que acontece quando atendemos ao chamado. Se você se recusa a ir, é porque serve a alguém. Quando acontece a recusa ao chamado, há uma espécie de ressecamento, a sensação de que parte da vida se perdeu. Tudo que existe em seu íntimo sabe que você se recusou a viver uma aventura obrigatória. Acumulam-se ansiedades. O que você se recusou a vivenciar de forma positiva será vivenciado de forma negativa.

Contudo, se o que você está seguindo é sua própria e verdadeira aventura, se é algo apropriado a suas mais profundas necessidades espirituais ou a sua preparação, então guias mágicos surgirão para auxiliá-lo. Se você diz: "Todos vão fazer essa viagem este ano e por isso eu vou também", não aparecerá guia algum. Sua aventura precisa sair bem do seu interior. Se você estiver pronto para ela, abrir-se-ão portas onde antes não havia porta alguma, nem para você, nem para qualquer outra pessoa. E você precisa ter coragem. É um chamado para a aventura, o que significa nada de segurança, nada de regras.

Ao cruzar o limiar, você adentra a floresta sombria, mergulha no mar, embarca em uma viagem pelo mar noturno. Ela envolve a travessia de pedras em choque, portões estreitos ou coisas do gênero, representando o sim e o não, os pares de opostos. Haverá um momento em que você terá a impressão de que as paredes do mundo se abriram por um segundo, e você vislumbra o que existe lá. Então, pule! Vá! Geralmente, as portas fecham-se tão depressa que arrancam a ponta da cauda de seu cavalo. Você pode ser desmembrado, perder tudo o que tem. É o Cristo abandonando sua Mãe, o mundo, e indo para o Pai, o Espírito. É Jonas engolido pela baleia, tendo por mandíbulas o par de opostos.

Psicologicamente, isso representa a viagem que sai do mundo das intenções racionais e conscientes e se dirige para a zona das energias do corpo que se movem de outro centro: o centro com o qual você está tentando entrar em contato.

Como agora você está rumando para o centro, terá mais ajuda, bem como provas cada vez mais difíceis. Você precisa abdicar cada vez mais daquilo a que está apegado. O evento final é o desapego total, cede-se completamente. Você está em um lugar diametralmente oposto a suas experiências de vida e a tudo o que aprendeu na escola.

Psicologicamente, houve uma passagem para o inconsciente; no entanto, é um deslocamento para um campo de ação do qual você não conhece nada. Tudo pode acontecer, tanto favorável como desfavorável.

Quanto mais fundo você vai, e mais se aproxima da realização final, maior a resistência. Você está chegando às áreas reprimidas, e é esse sistema de repressão que você deve atravessar. E é nesse lugar, evidentemente, que a ajuda mágica é mais necessária. Aqui, o herói pode descobrir, pela primeira vez, que em todos os lugares existe um poder benigno a apoiar sua passagem sobrenatural.

Finalmente, você chega à experiência final: descobre, e torna seu, aquilo que estava faltando no lugar de onde você partiu. Essa experiência pode ser descrita de quatro maneiras diferentes.

Uma é o Casamento Sagrado, o encontro com o ser amado que causa o nascimento de sua própria vida espiritual, tendo por noiva aquilo com que você está lidando na vida: macho/fêmea, Eu/Tu, isto/aquilo.

Outra descrição é a Reconciliação com o Pai. O filho separou-se do pai, o que significa que ele tem vivido de forma inadequada a sua verdadeira herança. O filho é o aspecto atemporal e o pai é o aspecto eterno do mesmo ser. O pai representa a ordem natural da qual você foi retirado. Você está tentando descobrir seu caráter, que foi herdado de seu pai. A reconciliação consiste em fazer com que seu programa pessoal e contemporâneo entre em acordo com o impulso da vida do qual você saiu.

Depois, há a Apotheosis, a percepção de que "Sou o que todos esses outros seres são". O herói sabe que ele é Isso, a imagem do Buda, o conhecedor da verdade. "O Reino do Pai estende-se sobre a terra e os homens não o vêem." Essa é a iluminação que vem com Apotheosis. Você não tem permissão para essa percepção no cristianismo, exceto no cristianismo gnóstico. Você não pode dizer: "O estado de Cristo acha-se em mim."

Finalmente, há o Roubo de Elixir, um tipo de percepção completamente diferente. Em vez de um lento progresso através dos mistérios com a boa vontade dos poderes, há uma pressão violenta e constante e uma captura ? Prometeu e o roubo do fogo, ou o uso do LSD nos anos 1960 ? e você escapa dos poderes que não conseguiu aplacar ao longo do caminho. Este é o vôo da transformação, no qual o herói, com os poderes a sua caça, leva seus bens de volta ao mundo das luzes o mais rápido que pode. Ou ele pode ter um acesso esquizofrênico e ficar lá mesmo.

Os dois mundos, o divino e o humano, só podem ser representados de forma distinta ? diferentes como vida e morte, como dia e noite. Da terra que conhece, o herói aventura-se nas sombras; lá, realiza sua aventura, ou torna a se perder; é aprisionado ou corre perigo; e seu retorno é descrito como a saída dessa zona longínqua. Entretanto ? e eis uma importante chave para a compreensão do mito e do símbolo ?, os dois mundos são, na verdade, um só. O mundo dos deuses é uma dimensão esquecida do mundo que conhecemos.

Uma imagem do retorno que me diverte é a de um jovem que sai de Wisconsin e vai estudar arte em Nova York. Ele mora em Greenwich Village, o submundo de Manhattan. Tem diversas ninfetas a auxiliá-lo e um mestre que o orienta. Finalmente, recebe seu diploma. Depois, já dominando um estilo próprio, vai para a Rua 57 com suas pinturas e encontra o olhar frio do comerciante. O grande problema está em levar vida de volta para a terra devastada, na qual as pessoas vivem de forma não autêntica. Levar o dom ao retomar e integrá-lo em uma vida racional é muito difícil. É ainda mais difícil do que descer ao submundo. O que você precisa levar de volta é uma coisa de que o mundo carece, motivo pelo qual você foi buscá-la; e embora dela careça, o mundo não sabe disso. Ao retornar, quando você leva sua dádiva para o mundo e não encontra comitê de recepção, o que você faz? Há três reações possíveis.

Uma consiste em dizer: "Que se danem, vou voltar para o mato." Você compra um cão e um cachimbo e deixa o mato crescer no portão. Você voltou para o mundo com um presente e as pessoas olharam para você com olhos vítreos, chamaram-no de "pirado" e você se retraiu. Esta é a recusa do retorno.

A segunda: "O que eles querem?". Você tem um dom. Você pode dar-lhes o que eles querem de maneira comercial. Com isso, você terá criado um nicho para sua expressividade, mas perdeu o que tinha antes. Você tem uma carreira pública, e você renunciou à jóia.

A terceira possibilidade: tentar descobrir, no mundo ao qual você veio, algum aspecto que possa receber uma fração do dom que você tem para dar. Você tenta descobrir um modo de entregar o dom segundo os termos e as proporções apropriadas à capacidade de recebê-las. É um meio que exige boa dose de compaixão e de paciência. Procure fissuras nas paredes e só entregue a jóia aos que estão prontos para recebê-la.

Se nada funcionar, procure emprego como professor e apresente sua mensagem às pessoas que estudam com você. Se você conseguir enfiar um pequeno gancho na sociedade constituída, verá que pode transmitir seu recado. Artistas que dão aulas são exemplo disso: estão fazendo seu trabalho criativo, mas estão sendo sustentados por algo secundário a sua atividade principal. Estão recebendo rendimentos adequados e formando lentamente um grupo de seguidores.

Sua aventura não será completa se você não retomar. Existe um momento de entrar na floresta e um momento de voltar, e você sabe qual é o momento. Terá coragem? É preciso uma coragem dos diabos para retomar depois de ter passado algum tempo na mata.

Estas são formas de percepção, e a meta final é conhecer, amar e servir à vida de modo a manter-se eternamente em repouso. Esse repouso deve permear tudo. Embora você seja ativo no mundo, existe em seu íntimo um ponto de completo repouso e compostura. Quando ele não está no lugar, você sente agonia.

Quando o mundo parece desmoronar, a regra é apegar-se a sua sublimidade. É essa vida que sobrevive.

Liberdade para atravessar; de um lado para outro, a divisão do mundo... é o talento do mestre. O Dançarino Cósmico, declara Nietzsche, não se apóia pesada mente em um mesmo ponto, mas alegremente, levemente, rodopia e salta de uma posição para outra.

Minha depressão é a do tipo chamado de transtorno afetivo bipolar.
A humanidade é um amontoado de egos tentando de tudo para esconder dos outros e até de si mesmos que são o que são: egos.
Fracos os que não cavocam os reais motivos das suas atitudes.
"Num domingo estranhamente familiar, eu me vejo preso as minhas usuais e eficientes armadilhas, eis que decido dar a atenção que o CD [da Blanched] merece. Não me arrependi. Me perdoem se soar óbvio, referências ao Mogwai são evidentes, mas o som transcende elas. Uma pérola, confesso que não é pra escutar sempre, me remete a lembranças doídas demais pra experimentar regularmente, mas funciona perfeitamente. Irretocável. Obrigado. Fez minha vida melhor." (Luis Pedro)

terça-feira, 6 de julho de 2004

Stanley Donwood é expressionista? Se sim, eu gosto de expressionismo.


http://planeta.terra.com.br/arte/sarmentocampos/OndasCurtas.htm
E dois Mondrian.






1. trufas
2. frapês
"Quando você cursa uma universidade, não faz aquilo que você quer fazer. Você descobre o que o professor quer que você faça para receber o diploma, e faz isso. (...) Recebi uma bolsa de estudos na Europa, e fui cursar a Universidade de Paris. Estava me dedicando ao francês e ao provençal medievais e à poesia dos trovadores. Quando cheguei à Europa, descobri a Arte Moderna: James Joyce, Picasso, Mondrian - toda aquela turma. Paris, em 1927-1928, era outra coisa. Depois, fui à Alemanha e comecei a estudar sânscrito e me envolvi com o hinduísmo. Descobri Jung enquanto estudava na Alemanha. Tudo estava se abrindo - deste lado, daquele lado. Bem, a minha dúvida na época foi: 'Devo voltar para aquela garrafa?' Meu interesse pelo romance celta se fora. Fui à universidade e disse: 'Olha, eu não quero voltar para aquela garrafa.' Tinha feito todas as matérias necessárias para o título; só precisava redigir a maldita tese. Não me deixavam ir para outro lugar e dar prosseguimento aos estudos, e por isso eu disse, vão para o inferno. Mudei-me para o campo e passei cinco anos lendo. Nunca tirei meu Ph.D. Aprendi a viver com absolutamente nada. Estava livre e não tinha responsabilidades. Foi maravilhoso.

"É preciso coragem para fazer aquilo que você deseja. Outras pessoas tê um monte de planos para você. Ninguém quer que você faça o que você quer fazer. Eles [por exemplo os orientadores dos trabalhos de conclusão] querem que você embarque na viagem deles, mas você pode fazer o que você quiser. Eu fiz isso. Fui para o mato e li durante cinco anos." (CAMPBELL)

Eu terminei a porra do Jornalismo e agora eu faço o que eu quero. E não parei de estudar, como se percebe.
"Quando você segue sua paixão, não conta mais com a ajuda da sociedade. Você precisa ser muito cauteloso. Você está sozinho." (CAMPBELL)
"Convocação geral

Eu e vários amigos em diferentes cidades do Brasil e do mundo estamos começando o projeto de uma nova revista, para download, que vai mostrar o que cada um está desenvolvendo atualmente, além de falar sobre as cidades onde todos moram. A idéia é efetivamente fazer uma nova publicação que seja produzida e lida pela web ao redor dos 4 cantos do planeta.

Em linhas gerais, DRIFTER é:

(1) Uma revista para download;
(2) Uma publicação mensal, lançada todo dia 01;
(3) Um encontro de amigos, onde cada um é também curador em sua cidade e área e assim pode indicar outros participantes;
(4) Uma viagem com textos bem escritos, interessantes e inusitados, que devem ser entregues em qualquer língua e uma versão em inglês;
(5) Um compromisso que fecha todo dia 20. Para o primeiro número receberemos material até 20 julho 2004;
(6) Uma novidade que não impõe limite de páginas para as colaborações individuais;
(7) Um padrão de impressão no formato de página A4, para que qualquer um imprima o que quiser em casa;
(8) Um email ( longe@hotmail.com ) que recebe as colaborações;
(9) Um ensaio sobre cada uma das cidades participantes, em cada número;
(10) Um passeio pelo mundo: atualmente há colaboradores em Roma, Barcelona, Moscou, Canadá, Londres, São Paulo, Guarapari, Tóquio, Brasília, Rio de Janeiro e Porto Alegre. E a idéia é ampliar, claro!

Enfim, quem se interessar, entre em contato comigo o quanto antes!

Até o dia 10 recebo as propostas de colaboração para montar um sumário do primeiro número. A idéia é fazer um levantamento do que cada um pretende fazer, dimensionando assim a edição.

Dúvidas, esclarecimentos e contato:

Yury Hermuche
longe@hotmail.com"
Digitando "douglas dickel" no Google Image, aparece esta foto minha.
Esse Wiki parece mais revolucionário que o Orkut. Não é exatamente a mesma coisa, mas é uma rede fácil, simples e pode reunir todas as coisas interessantes do planeta.
As sessões de gravação do novo disco dos Flaming Lips já resultaram em duas músicas: Space Bible e Mr. Ambulance Driver.

segunda-feira, 5 de julho de 2004


Página da Blanched em Wiki. (O que é isto?)
Vila Arthur Lange é o nome do lugar entre São Lourenço do Sul e Pelotas onde eu vivi dos 2 aos 6 anos. (Eu quero visitá-lo para completar minhas visitas de memórias afetivas visuais - iniciada com a visita ao Colégio Santa Teresinha. Quero fotografar muito. E chorar.) Sobre o curtume Arthur Lange, onde meu pai trabalhou, e sobre a (ex-)vila, eu não encontrei nada na internet. A não ser isto:

"Tive uma experiência e por isso estou aqui. Em 1935, o meu pai comprou um pequeno curtume no local que, hoje, é denominado de Vila Arthur Lange. Quando ele quis registrar esse curtume, não lhe foi permitido, porque ele era de origem alemã e não podia curtir couro nem fazer tamanco, porque couro e tamanco também eram segurança nacional. Para registrar a empresa, fato que ocorreu há sessenta e dois anos, foi preciso emancipar os filhos." (Ary Lange. Assembléia Legislativa do Estado, Comissão do Mercosul, 21/08/1997.)

"Há oito anos, Turuçu, antiga vila Lange, deixou de ser distrito de Pelotas e se emancipou a município, mas os laços com a cidade vizinha continuam fortes." (Diário Popular. Pelotas, 13/06/2004.)

Tem uma locadora de vídeo em Nova Prata que é a melhor do universo em termos de antigüidades: consegui locar Poltergeist (!!), uma fita retirada de circulação em Porto Alegre. (Pegamos seis fitas para vermos durante a semana em Porto Alegre e devolvermos no fim de semana, pagando apenas 12 reais.)

Tenho quatro considerações a fazer.

1. Eu não gosto muito de South Park.
2. Eu gosto muito de Beavis e Butt-Head.
3. Eu gosto muito de Ren & Stimpy.
4. Eu não gosto muito dos Simpsons.
"Sri Ramakrishna disse: Não procure a iluminação, a menos que a procure como um homem que tem os cabelos em chamas procura em uma lagoa. Se deseja tudo, os deuses lhe darão. Mas você deve estar pronto para isso." (CAMPBELL)
"Você adentra a floresta em seu ponto mais sombrio, no qual não há trilha. Se há trilha ou caminho, é a trilha de outra pessoa. Você não estará em seu próprio caminho. Se seguir o caminho alheio, não concretizará seu potencial." (CAMPBELL)
"Ao enveredar pela vida, seguindo seu próprio caminho, pássaros cagarão em você. Não se preocupe em limpar." (CAMPBELL)
"Quando falamos em solucionar os problemas do mundo, estamos redondamente enganados. O mundo é perfeito. É uma baderna. Sempre foi uma baderna. Nós não vamos mudá-lo. Nossa tarefa consiste em endireitar nossas próprias vidas." (CAMPBELL)

quinta-feira, 1 de julho de 2004

"Dave Gilmour me pediu para ajudar em algumas letras, o que eu fiz, mas acho que ele não usou nenhuma das minhas sugestões no fim das contas. A única sugestão minha que eu sei que foi usada foi que o álbum poderia se chamar The Division Bell. Eu não criei o título, é claro, eu simplesmente apontei a frase que estava lá em alguma das letras e que poderia ser um ótimo título. Eu estava dando uma palestra no Royal Geographical Society em benefício da conservação dos rinocerontes pela Environmental Investigation Agency. Dave e Nick Mason apareceram e nós três saímos para jantar, depois da palestra. Dave estava um pouco preocupado com a questão do título - eles tinham que decidir até a manhã seguinte, e ninguém conseguia. Eu disse, 'OK, eu dou um título para vocês, mas ele vai custar uma contribuição de 5.000 libras para a EIA.' Dave disse, 'Bem, bem, me conta qual é o título e então a gente conversa'. Eu sugeri The Division Bell. E Dave disse, 'Bem, parece funcionar. Está bem, OK'. Então, ele se chamou The Division Bell." (Douglas Adams)
Peligro Discos
Informativo #01
30/06/2004

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A gente queria que essa introdução fosse como a intro da primeira música do Slow Riot for New Zero Kanada do Godspeed You! Black Emperor, mas versão mailing. Sei lá o que isso quer dizer, mas para a gente, hoje é um grande dia. Estréia a Peligro Discos um catálogo de venda de discos por e-mail, especializado em música alternativa, com uma quedinha para o experimental. Quando falo a gente, quero dizer Guilherme Barrella (ex-Bizarre) e os irmãos Eduardo e Bruno Ramos (Slag). Peligro Discos é a extensão natural do coletivo Open Field, o braço "comercial", se vocês preferirem. A gente tem banda, selo, faz festa, só faltava isso.

A idéia pode ser meio romântica, por isso as aspas no termo comercial no parágrafo acima. A gente quer reunir toda a produção de música experimental independente no Brasil, gente cultuada por poucos, apenas por falta de informação. Além de informar, queremos oferecer. E mais, vender CD importado por preço justo. O catálogo da Peligro é selecionado a dedo, tudo pronta-entrega, nada de encomendas. A gente não é megastore, não tem site ou aceita cartão de crédito, mas com certeza temos o melhor preço. Ou seja: discos fudidos por preço de amigo e vitrine para a produção experimental nacional. Peligro é isso, boa sorte a todos! (...)

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Em vez de ler o e-mail, você também pode acessar http://www.blue-afternoon.com/peligro e ver nosso catálogo online, com capinha dos
discos e outras frescuras.
"Uma máxima de Goethe pode nos ajudar aqui. 'Se você desejar conhecer a si mesmo, observe o que os seus vizinhos estão fazendo.', disse ele. 'Se você desejar compreender as outras pessoas, examine-se a si mesmo.' A maioria de nós tende a fazer exatamente o oposto. (...) Normalmente olhamos a outra pessoa objetivamente, mas olhamos para nós subjetivamente. Vemos os outros com a visão 20-20 da sanidade e do realismo - sem miopia - observamos suas fraquezas, defeitos, autodecepções e até reconhecemos seus preconceitos fantasiados de princípios." (De um polígrafo não-identificado.)
Peligro Discos
venda por e-mail
de Guilherme Barrella

== Destaques ==

Nancy (...)

Hurtmold (...)

Blanched "Blanched Toca Angelopoulos" (Independente) * cd-r * R$ 10,00
O terceiro EP dessa banda gaúcha me pegou de surpresa. Bem diferente desde sua primeira formação, em 2001, o grupo largou os teclados, diminuiu ainda mais o falatório e entrou de vez no pós-rock. A voz é cada vez mais apenas um instrumento e o som está moderníssimo, na linha de bandas pós-Mogwai como Explosions in the Sky e Mono. Os climas são ideais, alternando com precisão a repetição dos momentos tranqüilos e os crescendos bombásticos.