Procura da poesia
Carlos Drummond de Andrade
(...) [antes deste ponto eu não concordo com ele]
penetra surdamente no reino das palavras.
lá estão os poemas que esperam ser escritos.
estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
tem paciência, se obscuros. calma, se te provocam.
espera que cada um se realize e consuma
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
não forces o poema a desprender-se do limbo.
não colhas no chão o poema que se perdeu.
não adules o poema. aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada no espaço.
chega mais perto e contempla as palavras.
cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta
pobre ou terrível, que lhe deres:
trouxeste a chave?
(...)
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