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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Como vencer um Oscar
(Pablo Villaça)


Todos os anos, ao escrever sobre o Oscar e sobre as disputas envolvidas, busco lembrar os leitores de que se trata de uma eleição – e que, como tal, é influenciada pelo orçamento disponível para as campanhas feitas pelos estúdios, que investem pesado em seus candidatos promovendo festas especiais com exibição dos longas e presença do diretor e do elenco. Quando Tom Hooper venceu por seu trabalho pavoroso em O Discurso do Rei, apontei que ele, um britânico, havia se mudado para Los Angeles por três meses para fazer campanha.

No entanto, há outra questão importante que devemos considerar ao avaliar os vencedores na categoria de Melhor Filme: o fato de que raramente um filme que desafia o público costuma vencer. Não é à toa que produções que fogem do lugar-comum em termos de linguagem ou que abordam temas particularmente polêmicos jamais vencem. Quando apontei, por exemplo, que O Segredo de Brokeback Mountain, considerado favorito absoluto por muitos, tinha um caminho mais difícil do que se imaginava rumo à vitória, indiquei sua temática justamente como seu maior empecilho: era um filme importantíssimo, belíssimo, sensível, mas que abordava um tema que simplesmente incomodava muitos eleitores da Academia – que, demograficamente, vem envelhecendo rapidamente por ter membros vitalícios e só incorporar algumas dezenas de novos integrantes por ano.

Pois a questão principal que devemos levar em consideração na categoria Melhor Filme é a seguinte: filmes que dividem o público sempre perdem, mesmo tendo boa parcela de defensores radicais. Para vencer o Oscar, não adianta ter muitos defensores; é imperativo ter poucos detratores. Na realidade, a categoria principal da premiação tende a favorecer o lugar-comum, o café-com-leite. Filmes simpáticos, que não ameaçam, mesmo sendo medíocres ou irrelevantes como Arte.

Filmes como O Discurso do Rei, Gladiador, Quem Quer Ser um Milionário?, Shakespeare Apaixonado, O Paciente Inglês, Conduzindo Miss Daisy e tantos, tantos outros.

A razão para isso reside no sistema usado pela Academia para definir o vencedor. É um sistema que favorece não exatamente aquele filme amado por certos grupos, mas aquele que inspira um sentimento de “É bonitinho” por parte da Academia como um todo. Trata-se do voto preferencial.

Funciona assim: os cerca de 6.300 membros da Academia recebem a instrução de – apenas na categoria principal – ranquear todos os indicados, do preferido ao que menos gostam, em vez de votar apenas no favorito. A partir daí, os auditores da PriceWaterhouse Coopers separam os votos levando em consideração apenas o número um no ranking. Em seguida, eliminam o filme menos votado e redistribuem seus votos para aquele que se encontrava na segunda posição. E repetem o processo: eliminam o longa que agora é o menos votado e redistribuem as cédulas para o segundo colocado – e caso este já tenha sido eliminado, consideram o que se encontrava na terceira posição.

Este procedimento se repete até que algum filme tenha 50% dos votos mais um.

Um exemplo: consideremos que, no primeiro round, o resultado tenha sido:
Boyhood – 1.200 votos
Birdman – 1.190 votos
Grande Hotel Budapest – 950 votos
O Jogo da Imitação – 650 votos
A Teoria de Tudo – 640 votos
Sniper Americano – 500 votos
Selma – 450 votos
Whiplash – 400 votos

Estou considerando que apenas 5.980 membros votaram este ano; a abstenção costuma ser maior. Como nenhum filme conseguiu 2.991 votos (metade mais um), o último colocado é eliminado e suas cédulas são redistribuídas de acordo com o título que se encontrava na segunda posição. Suponhamos que o novo resultado tenha sido:

Birdman e Boyhood - 1.250 votos
Grande Hotel Budapeste – 1.000
O Jogo da Imitação – 800
A Teoria de Tudo – 680
Sniper Americano – 540
Selma – 490

Selma, portanto, é o novo eliminado e suas cédulas são redistribuídas. Aquelas nas quais Whiplash se encontrava na segunda posição continuam a valer – mas contando o filme que tinha sido ranqueado em terceiro lugar. Novo resultado:

Birdman – 1.280
Boyhood – 1.270
O Jogo da Imitação – 1.050
Grande Hotel Budapeste – 1.020
Sniper Americano – 700
A Teoria de Tudo – 690

Tchau, A Teoria de Tudo. Seus votos são redistribuídos (ignorando, claro, os já eliminados). O maior beneficiado é aquele título que também acompanha a história de um cientista real com vida trágica, O Jogo da Imitação. Em seguida:

O Jogo da Imitação – 1.400
Boyhood – 1.340
Birdman – 1.290
Grande Hotel Budapeste – 1.150
Sniper Americano – 830

Com a saída de Sniper Americano, as coisas começam a se definir. Consideremos que o perfil do eleitor deste filme é demograficamente mais velho e conservador quanto à linguagem. Filmes mais experimentais como Birdman e Boyhood não são exatamente obras que fazem parte do mesmo estilo, ao passo que Grande Hotel Budapeste é wesandersoniano demais. O mais tradicional dos indicados leva a maior parte dos votos: O Jogo da Imitação.

O Jogo da Imitação – 1.815
Grande Hotel Budapeste – 1.410
Birdman – 1.395
Boyhood – 1.390

Reparem que os filmes que inicialmente se encontravam nas primeiras posições agora estão nas últimas – e, na realidade, aquele que teria vencido caso a votação fosse simples e considerasse apenas o primeiro voto, agora foi eliminado. Mais: para sair vencedor, O Jogo da Imitação precisa arrecadar apenas mais 1.176 dos 4.195 votos restantes.

Considerando que é um filme que provoca menos debate do que Birdman e menos divisão do que Grande Hotel Budapeste (que é wesandersoniano demais, vale repetir), não é difícil supor que, nestas circunstâncias, seria eleito Melhor Filme.

Embora tenha ficado na quarta posição no voto inicial.

Então, repito: para vencer o Oscar, não adianta ter muitos defensores; é imperativo ter poucos detratores. Na realidade, a categoria principal da premiação tende a favorecer o lugar-comum, o café-com-leite.

Pois, como podem perceber, no sistema preferencial, você pode não apenas votar no seu favorito, mas também votar contra aqueles filmes que detesta. Basta colocá-los nas últimas posições da cédula.

Por isso, sugiro que jamais tentem usar o Oscar como sinônimo de qualidade. É um prêmio divertido e relevante do ponto de vista comercial e, sim, histórico (especialmente por ser tão antigo e por ser definido por membros da própria indústria).

Mas não se trata de uma Palma de Ouro, de um Urso de Ouro nem nada do gênero no que diz respeito ao seu valor artístico. Ao menos, não necessariamente, embora aqui e ali as duas coisas coincidam e provoquem um prazer inesperado nos cinéfilos dedicados.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Whiplash – elogio ao sadismo e à humilhação
(Eduardo Escorel)


O adendo ao título original não poderia ser pior – Em busca da perfeição. Tratando-se de uma música conhecida do compositor e saxofonista Hank Levy, não seria mesmo o caso de traduzir Whiplash (chicotada). Mas por que não preservar apenas o original como já se tornou hábito entre nós? Em busca da perfeição sugere ao espectador brasileiro desavisado que o filme escrito e dirigido pelo jovem Damien Chazelle (1985-) seja uma jornada em busca da excelência quando, na verdade, não passa de um elogio ao sadismo e à humilhação. Como se não bastasse, Whiplash nos diz que é preciso derramar sangue no altar da glória para que o sacrifício seja consagrado.

Chazelle desmerece sua Alma mater – a Harvard University. Terá sido por lá que aprendeu a seguir com tanto esmero a fórmula da eficácia narrativa adotada pela indústria americana e imposta ao mundo? Entre outros ingredientes, o famoso mid point (ponto central ou metade do filme) no qual algo inesperado deve necessariamente ocorrer para mudar o rumo da história. Em Whiplash, essa função é atribuída a um desastre de automóvel e uma agressão, a partir dos quais se inicia a volta por cima do baterista de jazz Andrew Neiman (Miles Teller) cujo objetivo na vida é “ser extraordinário” (“I want to be great”, ele diz).

Se o grande chef fosse aquele que segue a receita ao pé da letra, Chazelle seria um deles. Mas como não é suficiente seguir instruções para preparar um bom prato, Whiplash demonstra que por enquanto seu diretor e roteirista está longe de ser um cordon bleu. Falta-lhe o talento e a sensibilidade necessários para escolher bons ingredientes.

A primeira metade de Whiplash é um amontoado de lugares comuns desesperadores. O professor de música Terence Fletcher (J.K. Simmons) é mais um na infindável galeria de instrutores sádicos, que inclui vários militares capazes de humilhar recrutas ou comandados e levá-los ao suicídio. Para Fletcher “empurrar além do esperado é uma necessidade absoluta”. O massacre de Andrew chega a um extremo tal que não há como ficar indiferente quando ele finalmente começa a reagir, confronta Fletcher, assume o comando do longo número musical que encerra o filme no qual prolonga indefinidamente seu solo. A duração da sequência a tornou controvertida. Para uns é notável vermos o decurso do tempo como poucas vezes foi visto no cinema. A.O. Scott escreveu no The New York Times (9/10/2014) que “a longa, intrincada cena final transcende o drama psicológico com uma explosão de inspiração puramente musical, empurrando a reação da plateia da curiosidade para a empatia e para o pasmo. Apenas tente ficar quieto na sua cadeira. Whiplash pode não chegar a ser um grande filme, mas não há dúvida de que sabe uma ou duas coisas sobre o que excelência quer dizer.”

O crítico americano J.R. Jones diverge frontalmente. Para ele, o final de Whiplash “é um desses infindáveis solos ejaculatórios que fazem a má fama do jazz, embora seja apresentado como a vitória final. É um momento de perfeição técnica em uma forma de arte cuja mágica está nas suas falhas ocasionais.” E ainda: “Louis Armstrong, músico de jazz de alguma reputação, era tão pouco instruído que nunca aprendeu como fazer uma embocadura apropriada (o que explica por que ele tinha aquele horrível sulco circular no seu lábio superior até o fim da vida). Alguns dos seus maiores solos dos anos 1920 e 1930 têm notas imperfeitas, porque ele estava sempre tentando algo novo, mas ninguém pode responsabilizar o sentimento que ele punha nesses solos. Para ser um dos grandes, você precisa correr o risco de não ser bom de todo.” (em http://www.chicagoreader.com/chicago/whiplash-damien-chazelle-jk-simmons-miles-teller-jazz-movies/Content?oid=15492714)

*

É meio patético comentar Whiplash no Brasil e dizer que é uma bomba. Afinal, trata-se de um filme americano muito bem sucedido no circuito dos festivais e das premiações anuais, assim como na bilheteria. Quando estreou no Festival de Cinema de Sundance, em janeiro do ano passado, ganhou os dois Grandes Prêmios – do Júri e do Público –, foi aclamado pela grande maioria da crítica e teve seu direito de distribuição internacional comprado pela Sony Picture Classics. Produzido por modestos $ 3.3 milhões, já rendeu $ 7.5 milhões e se tornou um dos filmes mais elogiados pela crítica americana em 2014. Há algumas semanas, J.K. Simmons recebeu o Prêmio Globo de Ouro para o melhor ator coadjuvante, e o filme está indicado para concorrer ao Oscar em cinco categorias: melhor filme, melhor roteiro adaptado, melhor ator coadjuvante, melhor mixagem e melhor montagem. Ao crítico brasileiro é o caso de perguntar: Não é disso que se trata, estúpido?

Ao mesmo tempo, porém, Richard Brody escreveu na revista The New Yorker (13/10/2014) que “o jazz em Whiplash [...] não é um problema em si mesmo. O problema é a ideia subjacente. A própria ideia de jazz do filme é uma caricatura grotesca e ridícula.” E completou: “Whiplash não honra o jazz nem o cinema; é um trabalho de didatismo insignificante, de exibicionismo insignificante, e alimenta o tipo de celebridade menor à qual Andrew aspira. Buddy Rich. Buddy fucking Rich.” (para Brody, Buddy Rich não passa de “um virtuoso técnico insensível e barulhento, uma celebridade da TV, não uma grande inspiração do jazz.”)

O mesmo J.R. Jones, citado acima, escreve também que “Whiplash tem menos em comum com os grandes dramas de jazz (Kansas City, de Robert Altman, e Round Midnight, de Bertrand Tavernier) do que com uma mercadoria muito mais abundante, o drama esportivo edificante. De fato, uma razão para os críticos estarem enlouquecidos com Whiplash pode ser que o filme transplanta os mecanismos excitantes do drama esportivo para o mundo da música de conservatório, fornecendo justificativa intelectual para jornalistas que de outro modo talvez empalidecessem diante da sua fórmula machista de masoquismo nobre e autorrealização gloriosa.”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Militares norte-americanos querem controlar o clima
(Artiom Kobzev)

Os serviços secretos dos Estados Unidos estão interessados na possibilidade de controlar o clima na Terra. O respectivo estudo foi encomendado à Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos pela Agência Central de Inteligência (CIA). Isso deu origem a receios de que os norte-americanos  possam vir a obter uma arma climática ofensiva.

Para estudar as possibilidades de geoengenharia, a CIA alocou 630 mil dólares. Por esse dinheiro os cientistas devem, durante 21 meses, explorar as possibilidades de impacto humano sobre condições meteorológicas. Além disso, os especialistas foram encarregados de descobrir que ameaças a geoengenharia pode trazer para a segurança nacional.

Por si próprio, este estudo parece bastante inofensivo. No entanto, o seu financiamento com dinheiro da CIA deu razão para supor que na verdade os norte-americanos esperam desenvolver uma arma climática.

É bastante difícil entender o quanto esta suposição é justificada. A maioria dos especialistas entrevistados pela Voz da Rússia se recusou a comentar o assunto. No entanto, ninguém negou o fato de que militares em todo o mundo já há muito que sonham com armas climáticas. O diretor do Instituto de Análise Política e Militar Alexander Sharavin comentou a situação:

“Todos os principais países do mundo começaram desenvolvendo armas climáticas há muito tempo, talvez mais de 50 anos atrás. Uns avançaram nessa área mais, outros menos. Já conhecemos casos de influência externa sobre o clima. A questão aqui não é se é possível ou não afetar o clima, mas quais serão as consequências. O mais difícil nesta área é prever o resultado. E por isso eu acho que não podemos chamar o que está sendo feito atualmente nesta área, de armas. É por isso que as somas atualmente alocadas para investigações nesta área pelo governo dos EUA são muito pequenas. Estamos falando de centenas de milhares de dólares. E isso, é claro, são somas ridículas para desenvolver quaisquer novas armas.”

Entretanto, sabe-se de um caso em que os Estados Unidos influenciaram o clima a fim de alcançar sucesso militar. Isso aconteceu durante a campanha do Vietnã. Na altura, os norte-americanos realizaram a operação "Espinafre" (Popeye): na época das chuvas, eles pulverizaram desde aviões iodeto de prata em forma finamente dispersa. Isso resultou em precipitação triplicada, e a duração das chuvas aumentou em metade. Isso, por sua vez, levou as estradas e caminhos pelos quais os guerrilheiros recebiam armas e munições a se transformarem num pântano completo.

No entanto, na mesma altura também se tornou claro que tais métodos de guerra são muito caros e seus efeitos são de curta duração. No entanto, a crença de que os norte-americanos são capazes de causar “danos climáticos” a seus inimigos, continua viva até hoje. Assim, em setembro do ano passado, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse que os inimigos estão causando secas na república islâmica. E antes disso, o falecido líder venezuelano Hugo Chávez acusou os Estados Unidos de envolvimento nos terremotos na China e no Haiti em 2010.

Na Rússia houve uma altura em que a culpa pelo calor anômalo no país era atribuída à estação americana HAARP, lembra o diretor do Centro de programas climáticos do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) Alexei Kokorin:

"A estação de comunicação longínqua HAARP, no Alasca, basicamente um forno de micro-ondas gigante, é bem conhecida. E quando em Moscou estava um calor terrível em julho de 2010, houve rumores de que isso poderia ser consequência da atividade da estação. Em princípio, tal estação é capaz de fazer um buraco nas nuvens, mesmo a uma grande distância. Outra coisa é que durante o calor em Moscou nada parecido foi registrado."

A estação HAARP não é um projeto único. Placas térmicas ionosféricas semelhantes funcionam em outros países também. Inclusive na própria Rússia, na região de Nizhny Novgorod. A única diferença é que a maioria dos dados obtidos pelo HAARP são secretos, e o próprio projeto foi desenvolvido com a participação do Exército e da Marinha dos EUA. Talvez tenha sido justamente esse fato que contribuiu para a demonização da imagem da estação HAARP. Seja como for, a estação foi encerrada recentemente. No orçamento simplesmente não houve dinheiro para manter o seu funcionamento.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Sobre Birdman.


"Em diversos momentos, o cineasta parece tomar para si esse caráter quixotesco e ególatra ao chamar a atenção para seu próprio esforço no comando da produção. (...) Por apostar tão firmemente neste artifício visual, o cineasta por vezes se porta como menos interessado nesse projeto de crítica cínica e bastante visceral à indústria do entretenimento e mais dedicado a alimentar o próprio portfólio ao ampliar seu repertório de artimanhas.

"A lição sobre economia de roteiro passada por Mike a Riggan logo no primeiro contato entre os dois – algo como 'Pare de repetir o que já disse quatro vezes de formas diferentes' – aparenta ter sido completamente ignorada por Iñárritu e as outras seis mãos que escreveram Birdman, uma vez que o que se vê em tela é uma ópera de repetições exaustivas e supostamente ácidas sobre o estado da indústria e da arte e a forma como as duas coisas mais se destroem do que coexistem.

"O olhar exagerado e alarmado de um cineasta que acredita ter descoberto a pólvora e o discurso de catástrofe berrado por seus personagens se confundem e se igualam em rasidão, inconsistência e pobreza de conteúdo. Sufocados por uma técnica virtuosa que infelizmente se encontra à serviço de uma confusão de vozes desesperadas (...)." (Virgílio Souza)



"Um grande filme sobre um astro do cinema buscando a redenção na carreira. Não, não é Birdman, de Alejandro González Iñárritu, mas Mapas Para as Estrelas, 21º longa do canadense David Cronenberg e um dos filmes mais sombrios e malévolos já feitos sobre a indústria do cinema. Mapas faz Birdman parecer A Noviça Rebelde." (André Barcinski)
Jornalista Bob Fernandes:


"Tirando 'Je vous salus Marie' ou casos específicos em cada região, eu não conheço nenhum caso recente, nos últimos anos ou décadas, de censura do Estado, que tanto temem e tanto dizem. E eu conheço, e qualquer jornalista conhece, centenas e centenas e centenas de casos de censura feita pelo dono do meio de comunicação. Então essa censura que dizem temer ela na prática existe, em vários lugares, em alguns lugares mais profundamente ainda. Claro, há quem se submeta e há quem não se submeta. Mas ela existe praticada por quem é dono do meio. Como é que as pessoas não dizem isso com todas as letras? Novas gerações de jornalistas, que não têm anticorpos, os caras acham que o dono quer de tal forma. Eu vejo muito isso, o cara acha que o dono quer. Às vezes eles querem ser mais realistas do que o rei, então já fazem sem que ninguém precise mandar fazer." (Bob Fernandes)


"Obviamente há uma questão que é 'de pele', em relação ao chamado governo popular. É óbvio, claro e evidente que há, independentemente de fatos que sejam verdadeiros. É claro que há. Há uma questão de classe. Os caras não são do clube, cara; os caras não são da festa. E o erro que eles cometeram ou cometem com muita frequência é suporem que são do clube e são da festa. Acham que resolvem por si... não resolvem nada! Mas tu não é do clube, meu irmão! É uma coisa que já se repetiu na história do Brasil, não é a primeira vez. Agora, isso não impede que os fatos sejam verdadeiros. Existem fatos que são verdadeiros e são noticiados, mas que eles não têm a simpatia, não têm." (Bob Fernandes)


"A classe política está estigmatizada porque tem uma farsa nisso aí, porque na verdade o que o Brasil precisa fazer é olhar para si mesmo. Conversando outro dia com o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel sobre corrupção e ele falou 'só para te lembrar, a dívida inscrita na União, quer dizer, líquida e certa, dos brasileiros que não pagam impostos é superior a um trilhão de reais'. Isso é corrupção. Por seu lado, o Estado deve aos brasileiros, e não paga, mais 100 bilhões de precatórios. Isso é corrupção. O twitter informa onde está tendo uma blitz, para você escapar da blitz da lei seca. O que é isso? O Brasil tem milhares de pequenos atos e gestos no dia a dia que são atos de corrupção. No entanto, no Brasil, o corrupto é sempre o vizinho, é o outro. Não existe corruptor no Brasil... Desmoraliza-se apenas o parlamento, como se isso não fosse um problema da sociedade brasileira. Nos municípios eu ouço dizer que na câmara só tem corrupto; nas assembleias também, só tem ladrão; no Congresso não precisa nem repetir. Eu te pergunto: de que planeta vieram essas pessoas? Vieram de Marte, de Júpiter? As pessoas que ocupam essas posições vieram de onde? Pegue 10 ou 20 ou 30 amigos seus e pergunte 'você vai pagar a cerveja para o guarda ou a multa de 700 paus?'. Quantos vão pagar a multa? Dê um mandato parlamentar para esse cidadão, uma posição no Estado, e você acha que ele vai fazer o quê? Então o que falta, na verdade, é o Brasil discutir a si mesmo e parar com essa farsa de que uma calçada é toda limpinha e a outra é toda sujinha. A política é o nosso salvo-conduto. Os políticos... Mas que 'os políticos', cara? Quem são os políticos? Somos nós, que eventualmente estamos com um mandato parlamentar. Claro, tem alguns limpos e tem alguns muito sujos. Isso vale para o jornalismo, vale para o cinema, para a fotografia, para o banco – vale para tudo." (Bob Fernandes)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"Este vasto problema do mundo é seu problema e meu problema, ou é independente de nós? A guerra é independente de você? O conflito nacional independe de você, a luta comunitária independe de você? A corrupção, a degradação, a desintegração moral – essas coisas são independentes de cada um de nós? Esta desintegração está diretamente relacionada conosco, e, portanto, a responsabilidade cabe a cada um de nós." (Krishnamurti)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

"Você sempre pergunta o que é que acontece depois da morte. Entretanto, você nunca perguntou o que acontece antes da morte, o que acontece agora na sua vida. Em que consiste a sua vida? – trabalho, escritório, dinheiro, dor, esforço, subir a escadaria do sucesso. Essa é a sua vida, e a morte põe fim a tudo isso. E seria possível por fim, ainda em vida, ao seu apego, à sua crença? Enfim, a beleza de por fim a alguma coisa voluntariamente, sem motivo, sem prazer – você consegue fazer isso? No terminar há um novo começo. Se você terminar, existe algo, as portas se abrem, mas você quer ter certeza, antes de terminar, que a porta se abrirá. Então você nunca termina, nunca acaba com o seu motivo. A compreensão da morte é viver uma vida findando interiormente.

"Será possível morrer todos os dias para tudo que se conhece – exceto, claro, o conhecimento tecnológico, a direção em que fica a sua casa, e coisas assim. Noutras palavras, pode-se morrer psicologicamente todos os dias, de modo que a mente permaneça fresca, jovem e inocente? Isso é morte. E, para se deparar com isso, é preciso não haver qualquer sombra de medo. Desistir sem discussão, sem resistência alguma – isso é morrer. Já tentou fazê-lo? Desistir sem um murmúrio, sem restrição, sem resistência, da coisa que lhe dá mais prazer (as coisas penosas, é claro, a pessoa quer afastar mesmo). Realmente desistir, deixá-las ir. Tente isso. Então, se você o fizer, verá que a mente se torna extraordinariamente alerta, viva e sensível, livre e aliviada. A velhice então assume significado bem diferente, e não algo a ser temido." (Krishnamurti)

“A vida de cada pessoa – cada forma de vida, na verdade – representa um mundo, uma forma única na qual o universo experiencia a si mesmo.” (Eckhart Tolle​)

domingo, 8 de fevereiro de 2015

"Se há coisas que te fazem sofrer, você tem que saber como deixá-las ir. Felicidade pode ser obtida soltando, deixando ir, incluindo deixando ir suas ideias sobre felicidade. Você imagina que certas condições são necessárias para sua felicidade, mas olhando profundamente se revelará para você que essas noções são exatamente as coisas que ficam no caminho da felicidade e te fazem sofrer. Devemos ser livres para experimentar a felicidade que apenas vem a nós, sem ter que procurá-la. Se você é uma pessoa livre, a felicidade pode vir para você num estalo. Olhe para a lua. Ela viaja no céu completamente livre, e esta liberdade produz beleza e felicidade. Eu estou convencido que a felicidade não é possível a menos que seja baseada na liberdade." (Thich Nhat Hanh​)
Terapia romena
(Diogo Olivier)
ZH, 25/01/2015



Artigo| TEMPOS SEM ESCRÚPULOS
(Moisés Mendes/ZH)

(...)

Que combinação permite que aconteça hoje no país o que era inimaginável nos governos tucanos? Faltava, nos anos 90, um juiz com o vigor de um Sergio Moro? Uma Polícia Federal autônoma? Um Joaquim Barbosa? Um MP que não dependesse só do quixote Luiz Francisco? Ou as empreiteiras só agora, não se sabe por que, decidiram sair corrompendo todo mundo? Ou faltava coragem?

O que teria ficado jogado no canto, com os escrúpulos de Ricupero, nesse tempo todo, para só estourar agora?

Por que a CPI do Banestado não deu em nada? Por que as investigações da compra de votos para a emenda que permitiu a reeleição de FH em 1997 (com “provas cabais”, como já disse o jornalista Fernando Rodrigues) nunca avançaram?

Que escrupulosos poderiam nos contar hoje o que não se ficou sabendo daqueles anos? Talvez nunca apareça um desengavetador de escrúpulos e talvez nem seja preciso. As próprias perguntas servem como resposta.

Enquanto isso, os formuladores da moral seletiva dos anos 90 continuam faturando o que é bom e escondendo o que possa incomodar suas imagens, seus projetos e suas consciências.
"Nosso primeiro álbum foi um EP, gravado em dezembro de 1981. Cinco faixas. Muitas das primeiras músicas que compusemos têm 'recheios' vagos e finais mais vagos ainda. As letras eram randômicas. Todos nós escrevemos linhas num pedaço de papel, e quando chegou a hora de gravar o vocal, eu sorteava as frases da lista. Anos depois, críticos disseram que as letras eram muito significativas, sem saber de que forma elas nasceram." (Kim Gordon, Sonic Youth)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

"Se você está inspirando e expirando conscientemente já tem insight. Todo mundo está respirando, mas nem todos estão conscientes de que estão respirando." (Thich Nhat Hanh)
Krishnamurti:


É importantíssimo, para todos nós, descobrirmos como operam as nossas mentes, o que significa ter autoconhecimento. Se não conhecemos as peculiaridades do nosso pensar; se não estamos cônscios das nossas reações e de como está condicionado o nosso pensamento; se a mente não investigar a fundo as bases de seu funcionamento (background, ou seja o 'eu', o 'ego'), então não há dúvida de que todos os conhecimentos serão prejudiciais e maléficos. (…) O autoconhecimento não se baseia em ideias, crenças ou conclusões. Deve ser uma coisa viva, porque, do contrário, não é autoconhecimento, e sim mero conjunto de conhecimentos. Há diferença entre o conhecimento de fatos, que é saber, e a sabedoria, que é o conhecimento dos processos dos nossos pensamentos e sentimentos.

Quanto mais uma pessoa se conhece, tanto mais clareza existe. O autoconhecimento é infinito; nunca se chega a um arremate, (…) a uma conclusão. É um rio sem fim. Estudando-o e penetrando-o mais e mais, encontramos a paz.

Para nos compreendermos completamente, torna-se necessário certo percebimento, o percebimento de nós mesmos tais como somos; e não podemos ter esse percebimento se condenamos ou justificamos o que vemos em nós. O percebimento é um estado de atenção sem escolha. Todos os problemas humanos emanam desse centro extraordinariamente complexo e vivo que é o 'eu', e o homem que deseja descobrir seus sutis movimentos tem de estar negativamente cônscio, observando sem escolher. Todo esforço para ver desfigura o que se vê. Uma percepção alerta e sem opções implica dar conta de tudo, tanto exterior como interiormente, sem preferir coisa alguma. Simplesmente perceber as árvores, as montanhas, a natureza - só perceber. Não escolher, dizendo: 'Gosto disto', 'Não gosto daquilo', ou, 'Desejo isto', 'Não desejo aquilo'. É observar sem o observador. O observador é o passado, o qual se acha condicionado e sempre está olhando a partir desse condicionado ponto de vista; em consequência, há agrado, desagrado etc.

A capacidade de compreender a vida só se realiza ao compreendermos a vida de relação. A vida de relação é um espelho. Ela deve refletir não aquilo que desejamos ser, ideal ou romanticamente, mas, sim, o que na realidade somos; e é muito difícil percebermos a nós mesmos tais como somos realmente, porque estamos habituados a fugir daquilo 'que é'. É difícil perceber, observar em silêncio 'o que é', porque estamos afeitos a condenar, a justificar, a comparar e a identificar. E, nesse processo, aquilo 'que é' não pode ser compreendido. Só na compreensão do 'que é' podemos ficar livres do 'que é'.

"Em geral, ou ouvimos só as palavras, concordando ou discordando, intelectualmente, ou ouvimos com a mente ocupada em interpretar, traduzindo desse modo o que ouvimos em conformidade com nossos preconceitos pessoais. Escutamos comparando com o que já sabemos. Em geral nós escutamos de maneira casual, ouvindo apenas o que desejamos ouvir; não damos atenção ao que é penetrante ou perturbador, e prestamos ouvido unicamente às coisas que são agradáveis, que nos satisfazem. Essa maneira de ouvir nos impede de escutar. Mas se, ao contrário, escutarmos sem condenar nem aceitar, com certo grau de atenção, assim como escutamos o murmúrio do vento entre as folhas; se escutarmos com todo o nosso ser, nosso coração e nossa mente, então talvez possamos estabelecer entre nós um estado de comunicação. Teremos então a possibilidade de entender-nos mutuamente, de maneira muito simples e direta. É uma verdadeira arte o escutar sem preconceito, sem defesas; deixar de lado todos os nossos conhecimentos adquiridos, nossas idiossincrasias e pontos de vista, com o intuito de descobrir a verdade contida em cada questão.

Não sabemos escutar para descobrir o que é; queremos impingir a outro as nossas ideias e opiniões, forçar o outro no molde do nosso pensamento. Nossos pensamentos e juízos são muito mais importantes, para nós, do que o descobrimento do que é. Para escutar, devemos estar livres. Devemos estar livres para ficarmos silenciosos, porque só então há possibilidade de escutar.

Só há uma única maneira de escutar realmente, que é escutar sem a tagarelice de nosso próprio pensamento.

É essencial ter uma mente tranquila. Quanto maior for o seu interesse por alguma coisa, quanto maior a sua intenção de compreender, tanto mais simples, clara e livre estará a mente. Cessa, então a verbalização. Afinal, o pensamento é a palavra, e a palavra é que perturba. É a cortina de palavras, a memória, que se interpõe entre o desafio e a resposta. Assim sendo, a mente que vive a tagarelar, a verbalizar, não pode compreender a verdade - a verdade nas relações. Mas quando você percebe que sua mente está tagarelando e enfrenta isso, se fixa nisso, então você verá o que acontece. Você diz: 'Está bem: tagarele'. Você está atento, o que significa que não está tentando tagarelar; está apenas atento a essa tagarelice. Se você o fizer, verá o que acontece: sua mente fica lúcida e provavelmente esse é o estado de um ser humano 'normal', saudável.

Uma sociedade baseada no USO mútuo é a raiz da violência. Quando fazemos uso de outrem, só temos diante dos olhos o fim que desejamos conseguir. O fim, o ganho, impede as relações, a comunhão. A vida diária, tal como a conhecemos, é uma batalha constante, uma aflição, uma confusão interminável, com ocasionais lampejos de alegria, de íntimo prazer. Assim, a menos que ocorra uma revolução fundamental em nossas relações, a batalha prosseguirá e, por esse caminho, nunca se achará solução alguma. A verdadeira revolução não é realizável pelos movimentos coletivos, e sim por uma interior reavalização das relações - só isso constitui verdadeira reforma, revolução radical. Ora, precisamos começar a resolver o problema em escala pequena, e essa escala pequena é o 'eu' e o 'tu'. Quando compreendo a mim mesmo, compreendo a ti, e dessa compreensão nasce o amor.

A realidade é o imensurável, o desconhecido. Se a pudéssemos medir, ela não seria a verdade. Porque, nada do que havemos aprendido nos livros, ou por afirmações de outros, é real; é mera repetição, e o que se repete não é mais a Verdade. Só os indivíduos amadurecidos encontrarão a Verdade. Aquele que alcançou a madureza não segue caminho algum. O homem que foi posto num caminho não está amadurecido e não encontrará, jamais, o Eterno, o Atemporal. Assim, parece que a primeira ilusão em que estamos aprisionados é o desejo de segurança, de certeza, essa indagação de por qual caminho poderemos atingir a meta desejada. Mas a verdade não é para ser entendida por meio de algum sistema. Estar buscando uma meta, um fim estático, indica que a nossa mente está procurando segurança, certeza. Estamos, ao invés disso, entrando num mar desconhecido, e cada um tem de ser seu próprio capitão, piloto e marujo. Cada um, por si, tem de ser tudo. Não há guia, e essa é a beleza da existência. Se você tem companheiros e guias, nunca viaja sozinho e, portanto, não está fazendo viagem nenhuma. Essa viagem é um 'processo' de autodescobrimento e, se começar a compreendê-la, verá a extraordinária relação que ela tem com sua presente existência. Fora de você não existe nenhum Salvador; você mesmo tem de transformar-se e, por conseguinte, cabe-lhe aprender a observar e a conhecer-se. Esse aprender acerca de si próprio é uma atividade fascinante, proporcionadora de grande alegria.
"A verdadeira segurança provém apenas do conforto com a insegurança. Ficarmos à vontade com o fluxo das coisas, ficarmos à vontade ao estarmos inseguros, essa é a maior segurança, pois nada pode nos tirar do prumo." (Tenzin Palmo)
"2015 e tem gente que ainda confunde excesso burocracia com Estado Máximo. Não minha gente, nos melhores exemplos europeus (Suécia, Alemanha, Inglaterra) o Estado é máximo, mas sem a burocracia que emperra a economia. Então parem de pregar 'Estado Mínimo' como um mantra, essa ideia foi a que fez com que 1% da população mundial ficasse com mais de 90% da riqueza do mundo, enquanto nós, classe média, lutamos pelas migalhas e os mais pobres nem isso têm. Resumindo: deixem de ser burros." (Euclides Bitelo)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Videoclipe macabro em alta definição
Cruéis gravações divulgadas pelo EI comprovam seu domínio de tecnologia e encenação: uso de várias câmeras, imagens em câmera lenta e primeiros planos
BELÉN AYALA/EL PAÍS

“Sou o tenente piloto Moaz Safi Youssef al-Kasaesbeh", diz, olhando para a câmera, um homem com o rosto com marcas de golpes. Começa assim o vídeo distribuído pela agência Reuters a emissoras de televisão do mundo todo, editado para eliminar os momentos mais cruéis da execução sumária do piloto jordaniano capturado em dezembro. Mesmo uniforme laranja que os ocidentais assassinados pelo Estado Islâmico, mas o refém está em movimento, não ajoelhado aos pés de seus captores.

Todos os planos do vídeo mostram que sua gravação foi perfeitamente organizada. Nada aparece por acaso, desde o cenário percorrido pelo jovem, entre escombros e olhando para o infinito, até a jaula na qual sofreu morte horrível, com a túnica laranja molhada e sem erguer os olhos do chão. Não só os aparelhos usados para captar as imagens são de última tecnologia, HD (alta definição), mas também os programas de edição e seus operadores, que usam imagens encadeadas, fundidas ou sobrepostas, além de inserir marcas na parte da tela que costuma ficar livre dos logos das emissoras de TV, alternando a bandeira preta do EI com outro logo. É preciso ter mais que conhecimentos básicos de vídeo para inserir tais máscaras.

Todas as tomadas parecem cenas de um roteiro: a dos soldados mujahedins em formação impecável, às costas do jovem de 26 anos, todos impecavelmente vestidos e armados; quando aparecem enfurnados em casas semidestruídas com os fuzis parecendo prontos para disparar a qualquer momento. Os primeiros planos dos olhos desses soldados, a única parte da face mostrada pelas balaclavas, as panorâmicas dos fuzis ao rosto – impecável o movimento, sem tremer, com tripé. O rosto do piloto, já com a barba de vários dias e o olhar perdido, dando a impressão de gesto repetido várias vezes. Sem planejar a gravação dessas tomadas, não é possível encontrá-las depois, na edição.

Os especialistas em Estado Islâmico ressaltam que a principal diferença dele em relação a outras organizações radicais jihadistas é seu domínio da Internet e das redes sociais como amplificadores para suas mensagens. E dominar a Web é controlar a imagem, bárbara, macabra, cruel... Desde que o cinema, no início, e agora o vídeo existem, a mais poderosa arma de propaganda.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Somos todos um
(Sadhaka Natha)


Somos todos um, pois todos nós somos um com o Criador, embora muitos de nós ainda não tenhamos a Consciência dessa Verdade. Entre nós e Deus, existe apenas um véu de ilusão, denominado Maya, a mente pensante, que impede a percepção da unicidade com o Divino.

A separação aparente existe no indivíduo, no ego, e se estende pela limitada faixa que vai do denso mundo físico até os limites do plano mental inferior, onde ainda ocorrem resquícios de formas e segmentações. A separação enganosa ainda existe em Samsara, a roda de mortes e renascimentos, provocando o aparecimento das figuras ilusórias: a reencarnação e o karma, emaranhados que nos mantêm estagnados espiritualmente.

A União consciente com Deus (destino de todos nós) dissolve todas essas ilusões mentais, pois unidos a Ele pairamos sobre os desmedidos desejos do corpo, sobre o descontrole das emoções, sobre o falso poder do intelecto e sobre o ilusório e interminável ciclo de Samsara. Toda a separação existe apenas nessa mente, dentro dessa ilusão denominada Maya, até onde os tentáculos mentais alcançam. O ser humano atinge a União com o Todo quando se conscientiza de quem ele realmente é: seu próprio Criador.

O Ser Supremo está e sempre esteve presente. O ser humano, no entanto, enxerga Deus através de um espelho embaçado. Por causa da mente, não o vê face a face porque imagina que está olhando para outra coisa diversa de si mesmo. A busca espiritual nada mais é do que primeiramente limpar esse espelho para que se veja com clareza. Isso é buscar a Conscientização. Então, no momento da Iluminação, o ser humano percebe que o Criador refletido no espelho é a própria criatura. O espelho se quebra e a dualidade se dissolve.

Percebemos que somos todos um quando, gradativamente, nos tornamos capazes de amar a tudo e a todos, como o fez o Nazareno. Amar é estar unido. A criatura que observa, que sente e que explica a criação deve procurar entender que é una com o seu Criador. Como não seria possível amar ao próximo quando se descobre que o próximo somos nós mesmos? E que todos somos o Criador em semente. E que somente Deus é.

O caminho para a União com Deus, para a Consciência de que somos todos um, inicia-se dentro de nós mesmos, pois a semente do Criador sempre existiu em nosso âmago, iluminando nosso ser através dos planos da Consciência, através dos intermináveis ciclos reencarnatórios. A mente procura encobrir a presença dessa semente em nós.

O primeiro passo é dado quando começamos a prestar atenção à sutil voz que existe dentro de cada um: a Intuição. Essa voz é o primeiro Mestre e possui a propriedade de encaminhar a mente humana a se tornar aquilo para o que ela foi projetada: uma boa condutora espiritual, não essa usurpadora que ela se tornou por ter sido mal conduzida. A mente bem conduzida é o veículo que nos levará ao encontro com a Verdade, com a simplicidade, com a Luz e o Amor, com a Consciência, com a harmonia, com a neutralidade, com a meditação, com a devoção, com o Mestre.