Jornalista Bob Fernandes:
"Tirando 'Je vous salus Marie' ou casos específicos em cada região, eu não conheço nenhum caso recente, nos últimos anos ou décadas, de censura do Estado, que tanto temem e tanto dizem. E eu conheço, e qualquer jornalista conhece, centenas e centenas e centenas de casos de censura feita pelo dono do meio de comunicação. Então essa censura que dizem temer ela na prática existe, em vários lugares, em alguns lugares mais profundamente ainda. Claro, há quem se submeta e há quem não se submeta. Mas ela existe praticada por quem é dono do meio. Como é que as pessoas não dizem isso com todas as letras? Novas gerações de jornalistas, que não têm anticorpos, os caras acham que o dono quer de tal forma. Eu vejo muito isso, o cara acha que o dono quer. Às vezes eles querem ser mais realistas do que o rei, então já fazem sem que ninguém precise mandar fazer." (Bob Fernandes)
"Obviamente há uma questão que é 'de pele', em relação ao chamado governo popular. É óbvio, claro e evidente que há, independentemente de fatos que sejam verdadeiros. É claro que há. Há uma questão de classe. Os caras não são do clube, cara; os caras não são da festa. E o erro que eles cometeram ou cometem com muita frequência é suporem que são do clube e são da festa. Acham que resolvem por si... não resolvem nada! Mas tu não é do clube, meu irmão! É uma coisa que já se repetiu na história do Brasil, não é a primeira vez. Agora, isso não impede que os fatos sejam verdadeiros. Existem fatos que são verdadeiros e são noticiados, mas que eles não têm a simpatia, não têm." (Bob Fernandes)
"A classe política está estigmatizada porque tem uma farsa nisso aí, porque na verdade o que o Brasil precisa fazer é olhar para si mesmo. Conversando outro dia com o ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel sobre corrupção e ele falou 'só para te lembrar, a dívida inscrita na União, quer dizer, líquida e certa, dos brasileiros que não pagam impostos é superior a um trilhão de reais'. Isso é corrupção. Por seu lado, o Estado deve aos brasileiros, e não paga, mais 100 bilhões de precatórios. Isso é corrupção. O twitter informa onde está tendo uma blitz, para você escapar da blitz da lei seca. O que é isso? O Brasil tem milhares de pequenos atos e gestos no dia a dia que são atos de corrupção. No entanto, no Brasil, o corrupto é sempre o vizinho, é o outro. Não existe corruptor no Brasil... Desmoraliza-se apenas o parlamento, como se isso não fosse um problema da sociedade brasileira. Nos municípios eu ouço dizer que na câmara só tem corrupto; nas assembleias também, só tem ladrão; no Congresso não precisa nem repetir. Eu te pergunto: de que planeta vieram essas pessoas? Vieram de Marte, de Júpiter? As pessoas que ocupam essas posições vieram de onde? Pegue 10 ou 20 ou 30 amigos seus e pergunte 'você vai pagar a cerveja para o guarda ou a multa de 700 paus?'. Quantos vão pagar a multa? Dê um mandato parlamentar para esse cidadão, uma posição no Estado, e você acha que ele vai fazer o quê? Então o que falta, na verdade, é o Brasil discutir a si mesmo e parar com essa farsa de que uma calçada é toda limpinha e a outra é toda sujinha. A política é o nosso salvo-conduto. Os políticos... Mas que 'os políticos', cara? Quem são os políticos? Somos nós, que eventualmente estamos com um mandato parlamentar. Claro, tem alguns limpos e tem alguns muito sujos. Isso vale para o jornalismo, vale para o cinema, para a fotografia, para o banco – vale para tudo." (Bob Fernandes)
|
|
http://soundcloud.com/input_output |
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário