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sábado, 31 de dezembro de 2011
"Talvez tenha algo relacionado à abordagem de Malick. Ele entrega seu filme logo no primeiro instante a um vórtice de misticismo, simbolismo, intimismo: Terrence caminha para o abismo sem medo. A Árvore da Vida não faz concessões a Seu Ninguém: Quem quiser que embarque no que ele tem para dizer – e, primo, é muita coisa." (Victor Bruno)
Meek’s Cutoff (Kelly Reichardt, 2009)
4/5
(Victor Bruno)
Quanto mais longe da água, mais precária é a vida. A lógica é mais antiga que o Tempo e praticamente é a força motriz deste Meek’s Cutoff. Também pudera: O filme aborda um grupo de pioneiros norte-americanos no meio do século XIX que estão atravessando o deserto do Oregon rumo ao Oeste liderado por um porra-louca falastrão e arrogante que não faz a menor ideia de onde estão, onde ficarão e muito menos se algum dia chegarão ao lugar deles.
E desde o início, a brilhante diretora Kelly Reichardt nos põe bem no meio da ação do filme, o que implica dizer que estamos sempre juntos às personagens. Desde o primeiro fotograma de Meek’s Cutoff, o público tem a certeza que os pioneiros que a história segue não são nada além de um produto do meio: Se estão irritados, é por que não estão longe de onde querem ir, mas sim por que estão longe do mínimo de condição humana de vida. Se estiverem mais calmos, é por que têm a certeza de que ali é um lugar minimamente habitável. Mas em nenhum momento o público deve pensar que eles estão conformados com a situação de merda em que se encontram.
Narrando seu filme de forma bastante direta e objetiva, a diretora Reichardt em nenhum momento, mas nenhum momento mesmo; resolve enganar seu público, ou fugir da proposta inicial que elaborou. Apesar de se passar no meio do século XIX, Meek’s Cutoff está longe de ser um Western: Não há tiros, não há machões, não há índios assaltando trens ou putas se oferecendo para o xerife que sempre está com as mãos na fivela do cinto enquanto cospe fumo mascado. Longe disso: Ao enquadrar seu filme num aspecto de proporção 1.33:1 – bastante atípico para os filmes atuais, usualmente fotografados em uma janela widescreen 2.35:1 – Reichardt nos confina num inferno vivo. Como nosso campo visual está bastante limitado por uma janela visual quase quadrada, só se vê o essencial: As personagens e como elas transitam no meio. Reichardt evita firulas visuais, não há contraluzes espetaculosos (exceto uma vez), não há elaborados e virtuosos movimentos de câmera – e devo dizer que suspeito se houve iluminação senão aquela diegética, uma vez que mesmo nas cenas noturnas nada é visto, a não ser se alguém estiver iluminado. Por exemplo, em determinado momento, logo no início do filme, escutamos um diálogo entre a Sra. White (Shirley Henderson) e seu marido, William White (Neal Huff). Atente: nós apenas escutamos, mas não vemos – só sabemos que há alguém ali por que a Sra. White está iluminando a cena com uma pequena lamparina. (E é realmente um milagre podermos ver aquela lamparina, o que imediatamente me obriga a parabenizar a fotografia de Christopher Blauvelt.)
E por que isso é importante? Muito simples: No momento em que Reichardt nos obriga a ver/sentir apenas o que os tropeiros do filme vêem/sentem, imediatamente nós somos postos na mesma situação agonizante que aqueles pobres coitados – algo fundamental para o êxito do filme: Já que estamos vendo a história de gente ferrada no meio do deserto, nós precisamos saber o que eles estão vivendo. Então, mesmo que a fotografia quase nunca se movimente ou evite brincadeiras que virariam mera perfumaria estética, ela jamais se torna mera observadora passiva do filme: Ela se torna uma personagem ativa. E a lógica de Reichardt é realmente louvável (ainda que eu, pessoalmente, considere bastante arriscada): Se os tropeiros estão parados, por que deveríamos estar nos movimentando? Para evitar o tédio? Não, não: O tédio faz parte da história.
Só que ao mesmo tempo em que é interessante que nós sintamos o tédio que eles estão sentindo, parece que Reichardt se esquece que somos o público, e o público não quer passar tédio. Logo, logo, a falta de moção do filme acaba cansando o espectador, tamanha a auto-indulgência da diretora – que também é montadora. E se ela é montadora então fodeu, amigo, agora é que estamos à mercê das mãos dela. E é assim, desta forma, que todo aquele aspecto interessante daquela contemplatividade que Kelly Reichardt insistia se quebra. E logo o desespero que vemos Millie Gately (Zoe Kazan, neta de Elia) sentir não é compartilhado por nós, e acaba se tornando algo simplesmente natural e lógico – o que é fatal para um filme de cunho sensorial como Meek’s Cutoff.
Por outro lado, nós não devemos desprezar esses momentos em que as personagens se entregam aos seus mais profundos sentimentos, o que uma hora ou outra vai acontecer. E o interessante é que estes momentos vão sendo construídos de forma gradativa ao longo da trama, mesmo que estejam óbvios desde o primeiro segundo. Por exemplo, é incrível como os tropeiros seguram a vontade de matar seu guia, Stephen Meek (que dá título ao filme, interpretado pelo talentoso Bruce Greenwood) até o último instante do filme – e mesmo assim, a figura mais violenta da trama seja Emily Tetherow (Michelle Williams), uma mulher – figura relegada ao papel de sentimental nos Westerns, mas que aqui funciona como uma figura absorvente de todas as emoções sentidas durante a estória, sejam elas do público, sejam elas dos próprios personagens.
Ainda desta forma, muito pouco é dito pelos personagens do filme. A maioria das ações fica relegada ao olhar ou as expressões dos personagens – ou mesmo a pequenos artifícios da diretora, como vestir Stephen Meek com uma roupa vermelha-sangue, simbolizando o perigo que aquele homem é para si mesmo e para todos que o cercam. E isso é interessante por que à medida que passa, as situações ficam cada vez mais ambíguas: Aqueles homens são realmente capazes de seguir Stephen, uma pessoa que claramente não faz a menor idéia de onde vai? Porque fica estampado na testa cabeluda dele que o homem não sabe de absolutamente porra nenhuma: Toda vez que é perguntado, responde “Não sei, talvez”; “É possível”, ou algo que o valha.
De um jeito ou de outro, a auto-indulgência de Reichardt é o fator que mais tira pontos do filme. São necessárias uma hora e treze para que finalmente o índio que põe ainda mais em risco a integridade de todos apareça para trazer novo ar a trama – e ainda assim sua figura parece ser descartável, uma vez que em momento algum autoridade de Meek quanto a liderança é expressamente posta em risco – ainda que nós saibamos que é o índio quem manda agora. Talvez sua função seja a seguinte: Num microcosmo instável como o da caravana do filme, a figura do índio sirva para cristalizar tudo aquilo que é diferente – sejam diferenças culturais, ideológicas ou simplesmente um fator estranho. Stephen Meek fala de crueldades que os índios já fizeram e que ele supostamente já testemunhou, como arrancar as pálpebras de um homem e o forçar a olhar o sol enquanto prendem sua cabeça, mas segundos depois começa a surrar seu prisioneiro. Talvez seja obviedade sendo mostrada, mas também pode ser de uma genialidade incrível. A tênue linha que separa a sinceridade da dúvida foi magistralmente traçada por Reichardt. Mas como você já deve ter percebido, eu mesmo já estou em dúvidas quanto as qualidades de Meek’s Cutoff. E a verdade é que eu passei o filme inteiro com interrogações na cabeça. Ora é um filme genial, ora um exercício de estilo tedioso. E o final elaborado pelo filme confirma apenas a incrível pretensão da historinha de Kelly Reichardt. Mas isso é o que menos importa.
4/5
(Victor Bruno)
Quanto mais longe da água, mais precária é a vida. A lógica é mais antiga que o Tempo e praticamente é a força motriz deste Meek’s Cutoff. Também pudera: O filme aborda um grupo de pioneiros norte-americanos no meio do século XIX que estão atravessando o deserto do Oregon rumo ao Oeste liderado por um porra-louca falastrão e arrogante que não faz a menor ideia de onde estão, onde ficarão e muito menos se algum dia chegarão ao lugar deles.
E desde o início, a brilhante diretora Kelly Reichardt nos põe bem no meio da ação do filme, o que implica dizer que estamos sempre juntos às personagens. Desde o primeiro fotograma de Meek’s Cutoff, o público tem a certeza que os pioneiros que a história segue não são nada além de um produto do meio: Se estão irritados, é por que não estão longe de onde querem ir, mas sim por que estão longe do mínimo de condição humana de vida. Se estiverem mais calmos, é por que têm a certeza de que ali é um lugar minimamente habitável. Mas em nenhum momento o público deve pensar que eles estão conformados com a situação de merda em que se encontram.
Narrando seu filme de forma bastante direta e objetiva, a diretora Reichardt em nenhum momento, mas nenhum momento mesmo; resolve enganar seu público, ou fugir da proposta inicial que elaborou. Apesar de se passar no meio do século XIX, Meek’s Cutoff está longe de ser um Western: Não há tiros, não há machões, não há índios assaltando trens ou putas se oferecendo para o xerife que sempre está com as mãos na fivela do cinto enquanto cospe fumo mascado. Longe disso: Ao enquadrar seu filme num aspecto de proporção 1.33:1 – bastante atípico para os filmes atuais, usualmente fotografados em uma janela widescreen 2.35:1 – Reichardt nos confina num inferno vivo. Como nosso campo visual está bastante limitado por uma janela visual quase quadrada, só se vê o essencial: As personagens e como elas transitam no meio. Reichardt evita firulas visuais, não há contraluzes espetaculosos (exceto uma vez), não há elaborados e virtuosos movimentos de câmera – e devo dizer que suspeito se houve iluminação senão aquela diegética, uma vez que mesmo nas cenas noturnas nada é visto, a não ser se alguém estiver iluminado. Por exemplo, em determinado momento, logo no início do filme, escutamos um diálogo entre a Sra. White (Shirley Henderson) e seu marido, William White (Neal Huff). Atente: nós apenas escutamos, mas não vemos – só sabemos que há alguém ali por que a Sra. White está iluminando a cena com uma pequena lamparina. (E é realmente um milagre podermos ver aquela lamparina, o que imediatamente me obriga a parabenizar a fotografia de Christopher Blauvelt.)
E por que isso é importante? Muito simples: No momento em que Reichardt nos obriga a ver/sentir apenas o que os tropeiros do filme vêem/sentem, imediatamente nós somos postos na mesma situação agonizante que aqueles pobres coitados – algo fundamental para o êxito do filme: Já que estamos vendo a história de gente ferrada no meio do deserto, nós precisamos saber o que eles estão vivendo. Então, mesmo que a fotografia quase nunca se movimente ou evite brincadeiras que virariam mera perfumaria estética, ela jamais se torna mera observadora passiva do filme: Ela se torna uma personagem ativa. E a lógica de Reichardt é realmente louvável (ainda que eu, pessoalmente, considere bastante arriscada): Se os tropeiros estão parados, por que deveríamos estar nos movimentando? Para evitar o tédio? Não, não: O tédio faz parte da história.
Só que ao mesmo tempo em que é interessante que nós sintamos o tédio que eles estão sentindo, parece que Reichardt se esquece que somos o público, e o público não quer passar tédio. Logo, logo, a falta de moção do filme acaba cansando o espectador, tamanha a auto-indulgência da diretora – que também é montadora. E se ela é montadora então fodeu, amigo, agora é que estamos à mercê das mãos dela. E é assim, desta forma, que todo aquele aspecto interessante daquela contemplatividade que Kelly Reichardt insistia se quebra. E logo o desespero que vemos Millie Gately (Zoe Kazan, neta de Elia) sentir não é compartilhado por nós, e acaba se tornando algo simplesmente natural e lógico – o que é fatal para um filme de cunho sensorial como Meek’s Cutoff.
Por outro lado, nós não devemos desprezar esses momentos em que as personagens se entregam aos seus mais profundos sentimentos, o que uma hora ou outra vai acontecer. E o interessante é que estes momentos vão sendo construídos de forma gradativa ao longo da trama, mesmo que estejam óbvios desde o primeiro segundo. Por exemplo, é incrível como os tropeiros seguram a vontade de matar seu guia, Stephen Meek (que dá título ao filme, interpretado pelo talentoso Bruce Greenwood) até o último instante do filme – e mesmo assim, a figura mais violenta da trama seja Emily Tetherow (Michelle Williams), uma mulher – figura relegada ao papel de sentimental nos Westerns, mas que aqui funciona como uma figura absorvente de todas as emoções sentidas durante a estória, sejam elas do público, sejam elas dos próprios personagens.
Ainda desta forma, muito pouco é dito pelos personagens do filme. A maioria das ações fica relegada ao olhar ou as expressões dos personagens – ou mesmo a pequenos artifícios da diretora, como vestir Stephen Meek com uma roupa vermelha-sangue, simbolizando o perigo que aquele homem é para si mesmo e para todos que o cercam. E isso é interessante por que à medida que passa, as situações ficam cada vez mais ambíguas: Aqueles homens são realmente capazes de seguir Stephen, uma pessoa que claramente não faz a menor idéia de onde vai? Porque fica estampado na testa cabeluda dele que o homem não sabe de absolutamente porra nenhuma: Toda vez que é perguntado, responde “Não sei, talvez”; “É possível”, ou algo que o valha.
De um jeito ou de outro, a auto-indulgência de Reichardt é o fator que mais tira pontos do filme. São necessárias uma hora e treze para que finalmente o índio que põe ainda mais em risco a integridade de todos apareça para trazer novo ar a trama – e ainda assim sua figura parece ser descartável, uma vez que em momento algum autoridade de Meek quanto a liderança é expressamente posta em risco – ainda que nós saibamos que é o índio quem manda agora. Talvez sua função seja a seguinte: Num microcosmo instável como o da caravana do filme, a figura do índio sirva para cristalizar tudo aquilo que é diferente – sejam diferenças culturais, ideológicas ou simplesmente um fator estranho. Stephen Meek fala de crueldades que os índios já fizeram e que ele supostamente já testemunhou, como arrancar as pálpebras de um homem e o forçar a olhar o sol enquanto prendem sua cabeça, mas segundos depois começa a surrar seu prisioneiro. Talvez seja obviedade sendo mostrada, mas também pode ser de uma genialidade incrível. A tênue linha que separa a sinceridade da dúvida foi magistralmente traçada por Reichardt. Mas como você já deve ter percebido, eu mesmo já estou em dúvidas quanto as qualidades de Meek’s Cutoff. E a verdade é que eu passei o filme inteiro com interrogações na cabeça. Ora é um filme genial, ora um exercício de estilo tedioso. E o final elaborado pelo filme confirma apenas a incrível pretensão da historinha de Kelly Reichardt. Mas isso é o que menos importa.
"Another Earth" é um exemplo puro do que é cinema independente. Falo de filmes onde normalmente há poucos recursos financeiros mas que com criatividade e uma boa história para contar sobressaem. Este foi filmado em digital, câmera ao ombro durante todo o filme, é a primeira obra deste jovem realizador/autor, cuja parceira além de protagonizar o papel principal também co-escreveu o argumento com o realizador e ambos produziram o filme pelos seus próprios meios. Por exemplo, um facto visível e curioso é a casa escolhida onde se passa grande parte deste drama, ser da própria familia do realizador (da mãe dele).
Brit Marling, "her beauty is incidental to her grave and controlled performance. She’s impeccably in tune with Rhoda; every action feels true."
Brit Marling, "her beauty is incidental to her grave and controlled performance. She’s impeccably in tune with Rhoda; every action feels true."
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Eliane Brum, na revista Época:
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem, e que tudo pode, significa dizer ao seu filho que você não confia nele, nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Programa-003 by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud
Ano passado eu não fiz aquela retrospectiva "de diário"; agora vou fazer. Bom sinal até, de que eu estou, hoje, com a serenidade necessária, sem a depressão impeditiva. Em 2011 eu parei de beber álcool - que eu só bebi em 2010, na minha vida inteira; e já havia parado em 2010 com os cigarros. Isso e a psicoterapia e o budismo me fizeram dar um passo destacado em direção à maturidade, ao conceito psicológico e filosófico de adultez, ao autoconhecimento ativo. Estou cada vez mais no momento presente, e lembrando que o sofrimento é condição inerente, e que a raiva é irracional e passa. Este ano abri um SoundCloud e um MixCloud (para programas "de rádio") e um MusicBox e fechei um Orkut, além de abandonar o Messenger e o Skype. Enfeitei a casa com lindas fotografias: leão, lince, guepardo, Grace Zabriskie, Joseph Campbell, Lee Ranaldo, Thurston Moore, PJ Harvey, Charlotte Gaisbourg, Lars Von Trier; além de três pinturas: duas do Andrew Wyeth e uma Nurse do Richard Prince. Montei o equipamento musical na sala, comprei fones de ouvido profissionais (presente de Natal), gravei três discos do input_output. Angela Francisca está em processo crescente de mudança para cá; no Natal, trouxemos a mesa da cozinha para a sala e ali a deixamos; temos roupas de cama novas, um projetor, um ventilador novo e dois aquecedores - um de lâmpada e um de ventinho. Consolidei minha condição de pedestre, com convicção e prazer. Agora no fim do ano foi gravado o 'Terceiro andar' do Hotel, e talvez um embrião de banda esteja sendo formado. Não toquei coletivamente de outra forma em 2011. No carnaval, o toquei o input_output ao vivo sozinho pela primeira vez, e a formação de banda desse projeto havia sido a minha última banda. A apresentação continha projeção de vídeo com fotografia interposta. Consolidei minha situação de não-adepto dos eventos sociais noturnos, principalmente por causa do uso generalizado de álcool (e cigarro) e da desregulação do relógio biológico semanal. Descobri o Torrent e comprei um HD externo de meio terabyte, de modo que pude acompanhar os filmes considerados melhores do ano, as últimas temporadas do Dexter (e as primeira de In Treatment e Dollhouse) e uma penca de filmes de perturbação extrema, além de levar minha sempre crescente coleção de MP3 para onde eu ia. Amo cada vez mais a Angela Francisca e os nossos gatos - a Cvalda, o Pretinho e o Pequeno - e estou aprendendo a amar a mim mesmo, a não esquecer às vezes de mim. Reforçou-se, com dois meses de greve, a importância para mim da função de atender o balcão da vara, de conviver com os amigos advogados, advogadas, estagiários, estagiárias, reclamantes, e poder atendê-los bem. O estudo dos limites humanos não se restringiu ao cinema: comprei os livros da Natascha Kampusch, da Mary Bell e do Lionel Shriver. Adaptei-me com o MacOS e dele estou gostando bastante. Acompanhei com alegria o 30º e último ano das excepcionais bandas R.E.M. e Sonic Youth. Visitei a Bienal de São Paulo pela primeira vez. Depois da visita, tive um surto psicológico que foi muito importante para a não-ocorrência de outros dali para frente. Regozijei-me por comer sashimi e temaki de primeira qualidade e preço bom, na Japesca do Mercado Público. Fui Campeão Mundial de Pong para telefone celular, depois que adquiri meu primeiro smartphone, que me deixo com internet à mão a qualquer momento, em qualquer lugar. Comuniquei-me mais e melhor com o meu pai, tendo orgulho dele e da minha mãe, além da sempre crescente amizade com os meus irmãos Luan e Lucca.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Compensação da greve no recesso
Quarto dia
Setlist do DJ Shuffle
Julee Cruise - Nighthingale
Elbow - Little beast
Cat Power - Evolution
Planet Hemp - Quem tem seda
Frank Poole - Infanticídio
Pink Floyd - Wish you were here
Will Oldham (Bonnie "Prince" Billy) - Be still and know God (don't be shy)
Deus E O Diabo - Liga pra mãe
Magic Man - Monster
Lou Reed & John Cale - Trouble with classicists
Martina Topley-Bird - Poison
Gonjasufi - Sheep
Antony & The Johnsons - Hitler in my heart
The Raincoats - You're a million
Pena Branca & Xavantinho - O cio da terra
Bessie Smith - Reckless blues
Fantômas - 4-4-05
Ultramen - A escrita da vida é uma escritura dos tempos
Monovida - Não acredito em mecânicos
Patti Smith - Beneath the southern cross
Clinic - J.O./love is just a tool
Mclusky - Lightsaber cocksucking blues
The Smashing Pumpkins - Ava adore
Mão Morta - A poesia
Neil Young - Southern man
Barry Adamson - The sweetest embrace
Black Sabbath - Paranoid
Los Tres - Largo
Blonde Redhead - Oslo
Engenheiros do Hawaii - Negro amor
Talking Heads - Crosseyed and painless
Jason Lytle - I am lost (and the moment cannot last)
Lenine - Envergo mas não quebro
Katy B - Witches brew
Pan Sonic - 02:21
Nina Nastasia - You're a holy man
Titãs - Igreja
Joni Mitchell - The dawntreader
Stars - In our bedroom after the war
Monsters Of Folk - Say please
Keren Ann - Liberty
Be Your Own Pet - Blow yr mind
T.a.t.y. - Links 2 dry 4 (Rammstein mix)
Arcade Fire - Month of may
Best Coast - Boyfriend
Chemical Brothers - Setting sun
Beck - Novacane
The Lounge Lizards - One big yes
Thelonious Monk - Monk's mood
Brad Mehldau - Everything in its right place
Ry Cooder - Nothing out there
Autolux - Turnstile blues
Quarto dia
Setlist do DJ Shuffle
Julee Cruise - Nighthingale
Elbow - Little beast
Cat Power - Evolution
Planet Hemp - Quem tem seda
Frank Poole - Infanticídio
Pink Floyd - Wish you were here
Will Oldham (Bonnie "Prince" Billy) - Be still and know God (don't be shy)
Deus E O Diabo - Liga pra mãe
Magic Man - Monster
Lou Reed & John Cale - Trouble with classicists
Martina Topley-Bird - Poison
Gonjasufi - Sheep
Antony & The Johnsons - Hitler in my heart
The Raincoats - You're a million
Pena Branca & Xavantinho - O cio da terra
Bessie Smith - Reckless blues
Fantômas - 4-4-05
Ultramen - A escrita da vida é uma escritura dos tempos
Monovida - Não acredito em mecânicos
Patti Smith - Beneath the southern cross
Clinic - J.O./love is just a tool
Mclusky - Lightsaber cocksucking blues
The Smashing Pumpkins - Ava adore
Mão Morta - A poesia
Neil Young - Southern man
Barry Adamson - The sweetest embrace
Black Sabbath - Paranoid
Los Tres - Largo
Blonde Redhead - Oslo
Engenheiros do Hawaii - Negro amor
Talking Heads - Crosseyed and painless
Jason Lytle - I am lost (and the moment cannot last)
Lenine - Envergo mas não quebro
Katy B - Witches brew
Pan Sonic - 02:21
Nina Nastasia - You're a holy man
Titãs - Igreja
Joni Mitchell - The dawntreader
Stars - In our bedroom after the war
Monsters Of Folk - Say please
Keren Ann - Liberty
Be Your Own Pet - Blow yr mind
T.a.t.y. - Links 2 dry 4 (Rammstein mix)
Arcade Fire - Month of may
Best Coast - Boyfriend
Chemical Brothers - Setting sun
Beck - Novacane
The Lounge Lizards - One big yes
Thelonious Monk - Monk's mood
Brad Mehldau - Everything in its right place
Ry Cooder - Nothing out there
Autolux - Turnstile blues
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
"Um ser humano é parte de um todo chamado por nós de Universo, é uma parte limitada no tempo e no espaço. Ele experiencia a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos, como alguma coisa separada do resto - uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência. Essa ilusão é uma forma de prisão para nós, restringindo-nos aos nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas próximas. Nossa tarefa deve ser a de nos libertarmos dessa prisão, alargando nossos círculos de compaixão para envolver todas as criaturas vivas e o todo da natureza em sua beleza." (Albert Einstein)
"Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso que disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo." (Siddartha Gautama)
"O apego é uma das maiores ilusões. Apegar-se a quê, a quem, para quê, se tudo é transitório, se tudo é passageiro? O apego é uma das fontes de maior sofrimento. Somente com o desapego é que podemos ter o que é da alma. Porque nós não temos. Nós simplesmente somos. Somos o que somos." (Ingrid Dalila Engel)
"As Quatro Nobres Verdades são: 1- a Nobre Verdade da existência de Dukka (sofrimento); 2- a Nobre Verdade da origem de Dukka; 3- a Nobre Verdade da cessação de Dukka; 4- a Nobre Verdade do caminho para a cessação de Dukka. O sofrimento é, pois, segundo todos os princípios budistas, a base permanente da nossa existência, uma constante da nossa vida neste plano espiritual. Se refletirmos um pouco nesta Primeira Verdade, perceberemos que o stress e a preocupação, ou seja, o sofrimento é o fator dominante do nosso dia-a-dia, mesmo os momentos de maior felicidade não são vividos plenamente pelo medo do seu desaparecimento. No fundo, o apego não é mais que uma emoção destrutiva que nos impede de desfrutar plenamente o momento presente." (Isabel bodhisattva)
"As Quatro Nobres Verdades são: 1- a Nobre Verdade da existência de Dukka (sofrimento); 2- a Nobre Verdade da origem de Dukka; 3- a Nobre Verdade da cessação de Dukka; 4- a Nobre Verdade do caminho para a cessação de Dukka. O sofrimento é, pois, segundo todos os princípios budistas, a base permanente da nossa existência, uma constante da nossa vida neste plano espiritual. Se refletirmos um pouco nesta Primeira Verdade, perceberemos que o stress e a preocupação, ou seja, o sofrimento é o fator dominante do nosso dia-a-dia, mesmo os momentos de maior felicidade não são vividos plenamente pelo medo do seu desaparecimento. No fundo, o apego não é mais que uma emoção destrutiva que nos impede de desfrutar plenamente o momento presente." (Isabel bodhisattva)
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
"Como você pretende que as coisas mudem se você sempre age da mesma maneira?" (Albert Einstein)
sábado, 24 de dezembro de 2011
Certa vez, perguntaram ao Buda: "O que você e seus discípulos praticam?"
Ele respondeu: "Nós nos sentamos, nós andamos e nós comemos."
A pessoa que havia feito a pergunta ficou confusa.
"Todo mundo não se senta, anda e come?", perguntou.
"Sim", respondeu o Buda, "mas quando nos sentamos, sabemos que estamos nos sentando. Quando andamos, sabemos que estamos andando. Quando comemos, sabemos que estamos comendo."
Essa é a essência da vida consciente.
Se você for visitar Plum Village, o centro de meditação zen do monge vietnamita Thich Nhat Hanh, no sul da França, irá notar que sinos de conscientização tocam o dia todo para lembrar a todos de diminuir o ritmo/ dar um tempo e prestar atenção no momento presente. Sempre que o gongo soa, todos param o que estiverem fazendo, respiram três vezes e praticam um momento de conscientização.
(Isabella Benício e Eloísa Vargas)
Ele respondeu: "Nós nos sentamos, nós andamos e nós comemos."
A pessoa que havia feito a pergunta ficou confusa.
"Todo mundo não se senta, anda e come?", perguntou.
"Sim", respondeu o Buda, "mas quando nos sentamos, sabemos que estamos nos sentando. Quando andamos, sabemos que estamos andando. Quando comemos, sabemos que estamos comendo."
Essa é a essência da vida consciente.
Se você for visitar Plum Village, o centro de meditação zen do monge vietnamita Thich Nhat Hanh, no sul da França, irá notar que sinos de conscientização tocam o dia todo para lembrar a todos de diminuir o ritmo/ dar um tempo e prestar atenção no momento presente. Sempre que o gongo soa, todos param o que estiverem fazendo, respiram três vezes e praticam um momento de conscientização.
(Isabella Benício e Eloísa Vargas)
"Os nós interiores são um conjunto de ilusões, repressões, medos e ansiedades que se fixaram nas profundezas de nossa consciência. Eles são capazes de nos constranger e nos levar a fazer, dizer e pensar coisas que na realidade não queremos fazer, dizer ou pensar. Os nós interiores são plantados e alimentados por nossa ausência da mente alerta durante a vida de todo dia. Os dez nós interiores principais são: ganância, ódio, ignorância, vaidade, desconfiança, fixação no corpo como se fosse o eu, pontos de vista extremados e preconceitos, apego a ritos e rituais, ânsia de imortalidade, desejo ardente de manter as coisas exatamente como são. Nossa saúde e nossa felicidade dependem em grande parte de nossa habilidade de transformar esses dez grilhões." (Thich Nhât Hanh)
A atitude de festejar a morte também está presente na cultura japonesa. “Povoado do Moinho”, o último episódio do filme Sonhos (1992), do diretor japonês Akira Kurosawa, exibe o confronto entre a antiga concepção de morte, expressa nos ritos funerários do vilarejo, e a nova, ocidentalizada, representada por um forasteiro que assiste à cerimônia. O cortejo segue, alegre, pelas ruas do povoado. Crianças, jovens e adultos cantam e dançam durante todo o trajeto do enterro. Eles celebram a morte de uma das mulheres mais velhas da aldeia. O clima de festa surpreende o forasteiro, acostumado – como nós – à atmosfera sombria de boa parte da liturgia funerária ocidental. Um velhinho centenário, então, explica ao rapaz que é uma honra encontrar a morte depois de uma existência tão plena como a daquela mulher. Por isso, tal fato merece comemoração. A história mostra como o fato de morrer pode ser encarado com serenidade e satisfação, como uma homenagem à própria vida que terminou ali.
O mundo ocidental transformou a morte em tabu: ela costuma ser ocultada das crianças e banida das conversas cotidianas. Tudo aquilo que possa lembrá-la – a enfermidade, a velhice, a decrepitude – é escamoteado. Os doentes morrem no hospital, longe dos olhos – e, não raro, do coração – de seus amigos e parentes. E os rituais de luto são cada vez mais rápidos e pragmáticos. O medo natural que todo ser humano sente diante da própria finitude vira pânico.
(ZenNoParque.wordpress.com)
O mundo ocidental transformou a morte em tabu: ela costuma ser ocultada das crianças e banida das conversas cotidianas. Tudo aquilo que possa lembrá-la – a enfermidade, a velhice, a decrepitude – é escamoteado. Os doentes morrem no hospital, longe dos olhos – e, não raro, do coração – de seus amigos e parentes. E os rituais de luto são cada vez mais rápidos e pragmáticos. O medo natural que todo ser humano sente diante da própria finitude vira pânico.
(ZenNoParque.wordpress.com)
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
"Sobretudo nas últimas décadas, enfiamos presentes ou guloseimas goela abaixo das crianças, que elas os mereçam ou não, para vê-las satisfeitas e gratificadas (mesmo que seja só por um instante). Com que propósito? Esperamos que a fartura de nossos rebentos compense todas as nossas frustrações, passadas e presentes. Como nos envergonhamos dessa 'generosidade' narcisista, o jeito é fantasiá-la de Papai Noel: não somos nós que mimamos e estragamos nossas crianças, é um velhinho vestido de vermelho." (Contardo Calligaris)
Menos coisas, mais vida.
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Compensação da greve no recesso
Terceiro dia
Setlist do DJ Shuffle
Mão Morta - Cristina vai às compras
Bright Eyes - Emily, sing something sweet
Throbbing Gristle - Persuasion
Scott Walker - On your own again
César Oliveira & Rogério Melo - Campeiros
Kría Brekka - Solush
AC/DC - Jack
Antony & The Johnsons - Frankenstein
Patti Smith & Kevin Shields - The coral sea
Smog - The candle
Avey Tare & Kría Brekkan - Sasong
Elbow - On a day like this
Michael Andrews - Signs
Oneohtrox Point Never - Replica
Marianne Faithfull - Desperanto
PJ Harvey - The mountain
COH - Starlust vs. Emc2
Sonic Youth - Calming the snake
The Beatles - Dear Prudence
Blackout Beach - Nineteen, one god, one dull star
Dave Gahan - Deeper and deeper
Sparklehorse - Box of stars (part two)
Charlotte Gainsbourg - Morning song
Destroyer - Crystal country
Warren Ellis - 3 pieces for violin #3
Jay Reatard - Nightmares
Pink Floyd - One of my turns
Bon Iver - Skinny love
Miles Davis & John Coltrane - Budo
Death Cab For Cutie - Dream scream
Tortoise & Bonnie "Prince" Billy - Daniel
Santogold - You'll find a way (Switch & Sinden remix)
Feist - Mushaboom
Cavalera Conspiracy - Bloodbrawl
Black Box Recorder - Weekend
Mirah - Bones & skin
Adrian Orange & Her Band - A flower's mine
Pink Floyd - The post war dream
My Morning Jacket - Into the woods
Roupa Nova - Dona
Passion Pit - Sleepyhead
Radiohead - A reminder
Fito Páez - Mariposa tecnicolor
Converge - Cutter
Nine Inch Nails - Demon seed
Hauschka - So close
Teebs - My whole life
Joni Mitchell - You dream flat tires
Papa M - The unquiet grave
Bidê Ou Balde - Mais um dia sem ninguém
Tricky - Ponderosa
The Slits - Cut track 5
Björk - Cvalda
Sonic Youth - La cabane au Zodiac
Rammstein - Keine lust
Black Kids - Hit the heartbreakers
Chills - Wet blanket
Nine Inch Nails - The beginning of the end (Ladytron remix)
Little Jimmy Scott - I wish I didn't love you so
Mastodon - Hearts alive
Terceiro dia
Setlist do DJ Shuffle
Mão Morta - Cristina vai às compras
Bright Eyes - Emily, sing something sweet
Throbbing Gristle - Persuasion
Scott Walker - On your own again
César Oliveira & Rogério Melo - Campeiros
Kría Brekka - Solush
AC/DC - Jack
Antony & The Johnsons - Frankenstein
Patti Smith & Kevin Shields - The coral sea
Smog - The candle
Avey Tare & Kría Brekkan - Sasong
Elbow - On a day like this
Michael Andrews - Signs
Oneohtrox Point Never - Replica
Marianne Faithfull - Desperanto
PJ Harvey - The mountain
COH - Starlust vs. Emc2
Sonic Youth - Calming the snake
The Beatles - Dear Prudence
Blackout Beach - Nineteen, one god, one dull star
Dave Gahan - Deeper and deeper
Sparklehorse - Box of stars (part two)
Charlotte Gainsbourg - Morning song
Destroyer - Crystal country
Warren Ellis - 3 pieces for violin #3
Jay Reatard - Nightmares
Pink Floyd - One of my turns
Bon Iver - Skinny love
Miles Davis & John Coltrane - Budo
Death Cab For Cutie - Dream scream
Tortoise & Bonnie "Prince" Billy - Daniel
Santogold - You'll find a way (Switch & Sinden remix)
Feist - Mushaboom
Cavalera Conspiracy - Bloodbrawl
Black Box Recorder - Weekend
Mirah - Bones & skin
Adrian Orange & Her Band - A flower's mine
Pink Floyd - The post war dream
My Morning Jacket - Into the woods
Roupa Nova - Dona
Passion Pit - Sleepyhead
Radiohead - A reminder
Fito Páez - Mariposa tecnicolor
Converge - Cutter
Nine Inch Nails - Demon seed
Hauschka - So close
Teebs - My whole life
Joni Mitchell - You dream flat tires
Papa M - The unquiet grave
Bidê Ou Balde - Mais um dia sem ninguém
Tricky - Ponderosa
The Slits - Cut track 5
Björk - Cvalda
Sonic Youth - La cabane au Zodiac
Rammstein - Keine lust
Black Kids - Hit the heartbreakers
Chills - Wet blanket
Nine Inch Nails - The beginning of the end (Ladytron remix)
Little Jimmy Scott - I wish I didn't love you so
Mastodon - Hearts alive
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Compensação da greve no recesso
Segundo dia
Setlist do DJ Shuffle
Regina Spektor - Wallet
Be Your Own Pet - Let's get Sandy (big problem)
Motion Sickness Of Time Travel - Day glow
Land Of Talk - Hamburg, noon
Belle And Sebastian - I'm a cuckoo
El Perro Del Mar - L is for love
Marc Ribot y Los Cubanos Postizos - No me llores mas
The Beatles - And I love her
Stevie Wonder - I just called to say I love you
Charlotte Gainsbourg - Af607105
Nine Inch Nails - Ghosts I
Dntel - (This is) the dream of Evan and Chan
Kría Brekkan - Giddy walks through sand witho
Björk & Antony - My juvenile
Leonard Cohen - Hey, that's no way to say goodbye
The New Pornographers - Broken breads
Death Cab For Cutie - All is ful of love
Shonen Knife - Insect collector
Erik Satie - Lent
Bob Dylan - The wicked messenger
Beck - Green light
Bumps - OK!!!
Pantha Du Prince - Bohemian forest
Os Mutantes - El justiciero
Tomb - Angel of destruction
Múm - Grasi vaxin göng
Blonde Redhead - Silently
Destroyer - Holly going lightly
Aidam John Moffat - Nothing in common
Patti Smith - Lo and beholden
Thom Yorke - Cymbal rush
Mirah - Look up!
Lobão - Panamericana
AC/DC - Show business
Bow Wow Wow - The man mountain
Maher Shalal Hash Baz - Seamless garment
Daniel Licht - Astor's birthday party
Photek - 101 (Boddika's Drum Machine mix)
Feist - Lonely lonely (Frisbee'd mix)
dEUS - Include me out
Yann Tiersen - Kein titel
Pink Floyd - In the flesh
Alva Noto - u_03
Natalia Lafourcade - Siempre prisa
PJ Harvey - Joy
Tom Waits - God's away on business
Nico Nicolaiewsky - Grande valsa triste
Absentee - The nures don't notice a thing
Califone - Black metal valentine
Jay Reatard - We who wait
Menomena - Muscle'n flo
Yo La Tengo - By two's
Kimya Dawson - Fire
David Grubbs - Theme from horizontal technico
Laura Finocchiaro - Rhythm of love (12#)
Isis - 20 minutes/40 years
Mastodon - The hunter
The Travelling Wilburys - She's my baby
The Decemberists - I was meant for the stage
Los Hermanos - A flor
Massive Attack - Splitting the atom
The Sex Pistols - Bodies
Infidel?/Castro! - Somnambulism
Sahara Hotnights - With or without control
Xuxa - Viver
Panasonic (Pan Sonic) - Radiokemia
Avey Tare & Panda Bear - La rapet
R.E.M. - Hollow man
Sigur Rós - Starálfur
Boris & Michio Kurihara - Rainbow
My Morning Jacket - Into the woods
Tindersticks - The hungry saw
Vic Chesnutt - Worst friend
Segundo dia
Setlist do DJ Shuffle
Regina Spektor - Wallet
Be Your Own Pet - Let's get Sandy (big problem)
Motion Sickness Of Time Travel - Day glow
Land Of Talk - Hamburg, noon
Belle And Sebastian - I'm a cuckoo
El Perro Del Mar - L is for love
Marc Ribot y Los Cubanos Postizos - No me llores mas
The Beatles - And I love her
Stevie Wonder - I just called to say I love you
Charlotte Gainsbourg - Af607105
Nine Inch Nails - Ghosts I
Dntel - (This is) the dream of Evan and Chan
Kría Brekkan - Giddy walks through sand witho
Björk & Antony - My juvenile
Leonard Cohen - Hey, that's no way to say goodbye
The New Pornographers - Broken breads
Death Cab For Cutie - All is ful of love
Shonen Knife - Insect collector
Erik Satie - Lent
Bob Dylan - The wicked messenger
Beck - Green light
Bumps - OK!!!
Pantha Du Prince - Bohemian forest
Os Mutantes - El justiciero
Tomb - Angel of destruction
Múm - Grasi vaxin göng
Blonde Redhead - Silently
Destroyer - Holly going lightly
Aidam John Moffat - Nothing in common
Patti Smith - Lo and beholden
Thom Yorke - Cymbal rush
Mirah - Look up!
Lobão - Panamericana
AC/DC - Show business
Bow Wow Wow - The man mountain
Maher Shalal Hash Baz - Seamless garment
Daniel Licht - Astor's birthday party
Photek - 101 (Boddika's Drum Machine mix)
Feist - Lonely lonely (Frisbee'd mix)
dEUS - Include me out
Yann Tiersen - Kein titel
Pink Floyd - In the flesh
Alva Noto - u_03
Natalia Lafourcade - Siempre prisa
PJ Harvey - Joy
Tom Waits - God's away on business
Nico Nicolaiewsky - Grande valsa triste
Absentee - The nures don't notice a thing
Califone - Black metal valentine
Jay Reatard - We who wait
Menomena - Muscle'n flo
Yo La Tengo - By two's
Kimya Dawson - Fire
David Grubbs - Theme from horizontal technico
Laura Finocchiaro - Rhythm of love (12#)
Isis - 20 minutes/40 years
Mastodon - The hunter
The Travelling Wilburys - She's my baby
The Decemberists - I was meant for the stage
Los Hermanos - A flor
Massive Attack - Splitting the atom
The Sex Pistols - Bodies
Infidel?/Castro! - Somnambulism
Sahara Hotnights - With or without control
Xuxa - Viver
Panasonic (Pan Sonic) - Radiokemia
Avey Tare & Panda Bear - La rapet
R.E.M. - Hollow man
Sigur Rós - Starálfur
Boris & Michio Kurihara - Rainbow
My Morning Jacket - Into the woods
Tindersticks - The hungry saw
Vic Chesnutt - Worst friend
O fascismo de cada dia
(Adriel)
As atrocidades e crueldades que se cometem contra a vida em todas as suas manifestações, sejam elas humanas ou não, têm sido assustadoramente frequentes, tornando familiar e habitual o terror e o horror no cotidiano; de modo que, diante dos excessos, é a mídia quem tem determinado o espanto ou não das pessoas diante de cenários tão comuns.
O real já não mais espanta, o cheiro de morte no cotidiano já se tornou habitual às pessoas, e tem sido pela virtualidade dos meios de comunicação que a morte do dia-a-dia tem sido vivificada pelas pessoas que de momento se sentem horrorizadas. Horrorizadas até o amanhecer, quando a presença real das barbáries contra a vida passam a se constituir como mera paisagem durante o trajeto do trabalho, as reuniões de negócios e as compras no shopping.
O fascismo mais perigoso é aquele que se presta homenagem no dia-a-dia, preterindo uma situação inaceitável por outra. Dizer que os direitos humanos devam se sobrepor aos direitos dos animais ou vice-versa é substituir um modo de vida fascista por outro. E o nosso fascismo de cada dia tem sido tão sufocante que já se começa hierarquizar preferências entre barbáries para poder fazer escolhas do tipo “yorkishire espancado” ou “crianças africanas passando fome”. É necessário muita pobreza de espírito para começar a pensar que pessoas que estão sensibilizadas com o “yorkishire espancado” sejam a favor de outras barbáries.
O meio virtual tem se tornado um cenário onde as atrocidades muitas barbáries ganham suas formas de expressão das mais diversas maneiras “multimídicas”, mas quase sempre destituídas de forças para lutar. O facebook, por exemplo, tem sido uma rede social para duelos fascistas entre massas. Uma massa lança uma opinião aqui, outra lança uma contra-opinião ali, quando no fundo legitimam e dão voz a uma mesma lógica perversa.
Mas tão logo as pessoas caminham pelas ruas da cidade para que as expressões nas virtualidades se mimetizem como fazendo parte do próprio cenário urbano.
No fundo, as cristalizações microfascistas vão sendo substituídas por outras, e tem sido natural que um operário tenha que ter a obrigação de agradecer todos os dias porque tem um emprego com salário mínimo porque ainda há muito trabalho escravo no mundo.
Uma desgraça menos pior que a outra, essa tem sido a ética revolucionária de hoje!
(Adriel)
(...)
As atrocidades e crueldades que se cometem contra a vida em todas as suas manifestações, sejam elas humanas ou não, têm sido assustadoramente frequentes, tornando familiar e habitual o terror e o horror no cotidiano; de modo que, diante dos excessos, é a mídia quem tem determinado o espanto ou não das pessoas diante de cenários tão comuns.
O real já não mais espanta, o cheiro de morte no cotidiano já se tornou habitual às pessoas, e tem sido pela virtualidade dos meios de comunicação que a morte do dia-a-dia tem sido vivificada pelas pessoas que de momento se sentem horrorizadas. Horrorizadas até o amanhecer, quando a presença real das barbáries contra a vida passam a se constituir como mera paisagem durante o trajeto do trabalho, as reuniões de negócios e as compras no shopping.
O fascismo mais perigoso é aquele que se presta homenagem no dia-a-dia, preterindo uma situação inaceitável por outra. Dizer que os direitos humanos devam se sobrepor aos direitos dos animais ou vice-versa é substituir um modo de vida fascista por outro. E o nosso fascismo de cada dia tem sido tão sufocante que já se começa hierarquizar preferências entre barbáries para poder fazer escolhas do tipo “yorkishire espancado” ou “crianças africanas passando fome”. É necessário muita pobreza de espírito para começar a pensar que pessoas que estão sensibilizadas com o “yorkishire espancado” sejam a favor de outras barbáries.
O meio virtual tem se tornado um cenário onde as atrocidades muitas barbáries ganham suas formas de expressão das mais diversas maneiras “multimídicas”, mas quase sempre destituídas de forças para lutar. O facebook, por exemplo, tem sido uma rede social para duelos fascistas entre massas. Uma massa lança uma opinião aqui, outra lança uma contra-opinião ali, quando no fundo legitimam e dão voz a uma mesma lógica perversa.
Mas tão logo as pessoas caminham pelas ruas da cidade para que as expressões nas virtualidades se mimetizem como fazendo parte do próprio cenário urbano.
No fundo, as cristalizações microfascistas vão sendo substituídas por outras, e tem sido natural que um operário tenha que ter a obrigação de agradecer todos os dias porque tem um emprego com salário mínimo porque ainda há muito trabalho escravo no mundo.
Uma desgraça menos pior que a outra, essa tem sido a ética revolucionária de hoje!
Compensação da greve no recesso
Primeiro dia
Setlist do DJ Shuffle:
St. Vincent - Surgeon
Tortoise - Swung from the gutt
Pedro Verissimo - Paralisa
Tilly & The Wall - A perfect fit
Oasis - Stand by me
Titãs - Medo
Saul Williams - Guns by computer
The Shins - Sea legs
Cat Power - Cross bones style
Bryan Ferry - BF bass (ode to Olympia)
Le Tigre - After dark
Broken Social Scene - 7/4 (shoreline)
Tom Waits - New year's Eve
Patti Smith - My madrigal
Mount Eerie - The mouth of sky
Pan Sonic & Alan Vega - Fun in the Wonderland
The Statler Brothers - Flowers in the wall
Beat Happening - Don't mix the colors
KT Tunstall - Black horse and the cherry tree
Autolux - Subzero fun
Eels - I like the way this is going
James Blake - Tell her safe
John Zorn - Possession
Land Of Talk - Swift coin
Oval - Harm
Lavajato + Cine Victória - A minha voz dentro do corpo
Leonard Cohen - Everybody knows
Daau - Of R*D*H*D (2+2=5)
Morphine - Super sex
Dead Man's Bones - In The Room Where You Sleep
Bob Dylan - All along the watchtower
Tape - Dust and light
Renato & Seus Blue Caps - Onde está
Boris - Message
Xuxa & Evandro Mesquita - Garoto problema
Califone - The eyes you lost in the crusades
Nine Inch Nails - You know what you are?
Bonnie "Prince" Billy - There is something I have to say
The Beatles - Little child
The Blow - The long list of girls
Low - Nothing but heart
AC/DC - If you want blood (you've got it)
Death Cab For Cutie - Long division
The Strokes - Barely legal
Sylvain Chauveau - Datebook
Mika Vainio - Mining
Suzanne Vega - Anniversary
Bright Eyes - All of the truth
Tindersticks - The other side of the world
Frank Jorge - A historiadora
John Frusciante - Carvel
Hot Hot Heat - Naked in the city
Grandaddy - Summer here kids
Dating Robots - In my bones
Pink Floyd - Time
Antony & The Johnsons - Shake that devil
Fennesz + Sakamoto - Kuni
Mundo Livre S.A. - Muito obrigado
Wilco - Heavy metal drummer
Britney Spears - Hold it against me
Yeah Yeah Yeahs - Pin
The Decemberists - The bagman's gambit
Built To Spill - Kicked it in the sun
Ben Folds & Nick Hornby - Levi Johnston's blues
Wendy McNeill - Sometimes
Mécanosphère - O cinema
Herbert Vianna - O rio Severino
Sunn O))) & Boris - Akuma no kuma
Primeiro dia
Setlist do DJ Shuffle:
St. Vincent - Surgeon
Tortoise - Swung from the gutt
Pedro Verissimo - Paralisa
Tilly & The Wall - A perfect fit
Oasis - Stand by me
Titãs - Medo
Saul Williams - Guns by computer
The Shins - Sea legs
Cat Power - Cross bones style
Bryan Ferry - BF bass (ode to Olympia)
Le Tigre - After dark
Broken Social Scene - 7/4 (shoreline)
Tom Waits - New year's Eve
Patti Smith - My madrigal
Mount Eerie - The mouth of sky
Pan Sonic & Alan Vega - Fun in the Wonderland
The Statler Brothers - Flowers in the wall
Beat Happening - Don't mix the colors
KT Tunstall - Black horse and the cherry tree
Autolux - Subzero fun
Eels - I like the way this is going
James Blake - Tell her safe
John Zorn - Possession
Land Of Talk - Swift coin
Oval - Harm
Lavajato + Cine Victória - A minha voz dentro do corpo
Leonard Cohen - Everybody knows
Daau - Of R*D*H*D (2+2=5)
Morphine - Super sex
Dead Man's Bones - In The Room Where You Sleep
Bob Dylan - All along the watchtower
Tape - Dust and light
Renato & Seus Blue Caps - Onde está
Boris - Message
Xuxa & Evandro Mesquita - Garoto problema
Califone - The eyes you lost in the crusades
Nine Inch Nails - You know what you are?
Bonnie "Prince" Billy - There is something I have to say
The Beatles - Little child
The Blow - The long list of girls
Low - Nothing but heart
AC/DC - If you want blood (you've got it)
Death Cab For Cutie - Long division
The Strokes - Barely legal
Sylvain Chauveau - Datebook
Mika Vainio - Mining
Suzanne Vega - Anniversary
Bright Eyes - All of the truth
Tindersticks - The other side of the world
Frank Jorge - A historiadora
John Frusciante - Carvel
Hot Hot Heat - Naked in the city
Grandaddy - Summer here kids
Dating Robots - In my bones
Pink Floyd - Time
Antony & The Johnsons - Shake that devil
Fennesz + Sakamoto - Kuni
Mundo Livre S.A. - Muito obrigado
Wilco - Heavy metal drummer
Britney Spears - Hold it against me
Yeah Yeah Yeahs - Pin
The Decemberists - The bagman's gambit
Built To Spill - Kicked it in the sun
Ben Folds & Nick Hornby - Levi Johnston's blues
Wendy McNeill - Sometimes
Mécanosphère - O cinema
Herbert Vianna - O rio Severino
Sunn O))) & Boris - Akuma no kuma
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
O índice de reincidência criminal no Brasil é de 49,6% para os réus condenados a regime semi-aberto e 53,1% para o regime fechado.
"Eu sempre pensei que músicas são filmes para os ouvidos e filmes são músicas para os olhos." (Tom Waits)
sábado, 17 de dezembro de 2011
"Ninguém mais que Florian Hecker parece hoje tão empenhado em ampliar as noções do que se entende por música. A tarefa é árdua, porque aparentemente tudo que um dia não era considerado 'musical' hoje já o é: barulhos avassaladores, registros de campo, exercícios com frequências sonoras e mesmo o silêncio total já são assimilados pela história e pelas práticas artísticas como elementos legítimos de construção musical. E essas práticas criam gêneros, e esses gêneros vão tornando-se instituições, que vão criando padrões, historicidade, e rapidamente a legitimação transforma-se em domesticação, com sons áridos e ríspidos obedecendo aos mesmos padrões de ordenação temporal, estrutura progressiva e nexo lógico, perdendo o frescor e a imprevisibilidade que outrora tiveram. Noise e field recordings, para citar apenas dois 'gêneros' (eletroacústica numa chave menor), já são avaliados a partir de uma história pregressa, comparados a marcos do gênero, trabalhos similares etc., sem o caráter inaugural das primeiras obras desbravadoras. Florian Hecker está bastante ciente disso, e vai procurar suas inspirações completamente fora do espectro 'musical': de um lado, nas pesquisas acústicas dissociadas das questões de composição propriamente ditas (no que partilha terreno com gente como Maryanne Amacher), e de outro na inspiração vinda da teoria e da filosofia, como forma de imaginar mundos sonoros ainda não criados e arrumar inspiração para novas articulações, novas estruturas, novas formas de organização. E o intento é bem sucedido, pelo menos em seus aspectos preliminares: a música de Hecker não soa como nada mais nesse planeta, e seus discos são como monolitos magnéticos, envolvidos numa aura de mistério e impacto inaugural. Disco a disco." (Ruy Gardnier)
Records of the Year 2011
1. James Ferraro - Far Side Virtual
2. Rustie - Glass Swords
3. Eliane Radigue - Transamorem - Transmortem
4. Hype Williams - One Motion
5. The Beach Boys - The SMiLE Sessions
6. Michael Chapman - The Resurrection And Revenge Of The Clayton Peacock
7. DJ Rashad - Just A Taste
8. Laurel Halo - Hour Logic
9. Lou Reed & Metallica - Lulu
10. John Wall & Alex Rogers - Work 2006-2011
11. Keiji Haino / Jim O'Rourke / Oren Ambarchi - In a Flash Everything Comes Together As One There Is No Need For A Subject
12. Sun Araw - Ancient Romans
13. Bill Orcutt - How TheThing Sings
14. Oneohtrix Point Never - Replica
15. Peaking Lights - 936
16. Corrupted - Garten Der Unberwusstheit
17. Balam Acab - Wander/Wonder
18. Ricardo Villalobos & Max Loderbauer - Re: ECM
19. Anti G - Presents 'Kentje'sz Beatsz'
20. Thomas Ankersmit & Valerio Tricoli - Forma II
21. PJ Harvey - Let England Shake
22. Cornelius Cardew - The Great Learning
23. Thundercat - The Golden Age of Apocalypse
24. Hecker - Speculative Solution
25. Andy Stott - We Stay Together
26. Rinse 16: Mixed By Ben UFO
27. Radiohead - The King Of Limbs
28. Margaret Dygas - Margaret Dygas
29. Jim O'Rourke - Old News #5
30. Bangs And Works Vol 2: The Best of Chicago Footwork
31. Ekoplekz - Intrusive Incidentalz Vol 1
32. Tim Hecker - Ravedeath, 1972
33. The Advisory Circle - As The Crow Flies
34. Miles Davis - Live In Europe 1967: The Bootleg Series Vol 1
35. Alexander Tucker - Dorwytch
36. Helm - Cryptography
37. John Chantler - The Luminous Ground
38. Ectoplasm Girls - TxN
39. Cindytalk - Hold Everything Dear
40. Frank Ocean - Nostalgia, Ultra
41. Kuedo - Severant
42. Structure - Toad Blinker
43. The Fall - Ersatz GB
44. Leyland Kirby - Intrigue & Stuff Vol 1
45. Patrice & Friends - Cashmere Sheets
46. Zomby - Dedication
47. Music For Merce (1952-2009)
48. Peter Evans Quintet - Ghosts
49. Rrose x Bob Ostertag - Motormouth Variations
50. Michael Chapman - Trainsongs: Guitar Compositions 1967-2010
Wire Magazine Records of the Year 2011 - Avant Rock A–Z
Matt Baldwin - Night In The Triangle (American Dust)
Barn Owl & The Infinite Strings Ensemble - The Headlands (Important)
Ex-Easter Island Head - Mallet Guitars One (Low Point)
Expo 70 - Inaudible Bicoastal Trajectory (Aguirre)
Iceage - New Brigade (Dais)
C Joynes - Congo (Bo’Weavil)
Liturgy - Aesthethica (Thrill Jockey)
The Men - Leave Home (Sacred Bones)
Noveller - Glacial Glow (Weird Forest)
Angel Olson - Strange Cacti (Bathetic)
Peaking Lights - 936 (Not Not Fun/Domino)
Skullflower - Fucked On A Pile Of Corpses (Cold Spring)
Staccato Du Mal - Sin Destino (Wierd)
Alexander Tucker - Dorwytch (Thrill Jockey)
Village Of Spaces - Alchemy And Trust (Corleone)
Wire Magazine Records of the Year 2011 - Electronica A–Z
Balam Acab - Wander/Wonder (Tri Angle)
Ursula Bogner - Sonne = Blackbox (Faitiche)
Borden/Ferraro/Godin/Halo/Lopatin - FRKWYS 7 (FRKWYS)
Margaret Dygas - Margaret Dygas (Perlon)
Ekoclef - Tapeswap (Magic & Dreams)
Lawrence English - The Peregrine (Experimedia)
Mark Fell - Manitutshu (Editions Mego)
Steve Hauschildt - Tragedy & Geometry (Kranky)
Kangding Ray - OR (Raster-Noton)
Kuedo - Severant (Planet Mu)
Oneohtrix Point Never - Replica (Software/Mexican Summer)
Roll The Dice - In Dust (Leaf)
Pinch & Shackleton - Pinch & Shackleton (Honest Jon’s)
Andy Stott - Passed Me By (Modern Love)
Cristian Vogel - Black Swan (Sub Rosa)
Wire Magazine Records of the Year 2011 - Modern Composition A–Z
John Cage - The Works For Percussion 1 (Mode)
Friedrich Cerha - Bruchstuck, Getraumt/Neun Bagatellen/ Instants (Kairos)
Alvin Curran - Solo Works: The 70s (New World)
Luc Ferrari - Piano And Percussion Works (Hat HUT)
Hans G Helms - Fa:m’ Ahniesgwow (Wergo)
Ben Johnston - String Quartets (New World)
David Lumsdaine - Big Meeting (NMC)
Roger Reynolds - Sanctuary (Mode)
Richard Skelton - The Complete Landings (Sustain-Release)
Christian Wolff - Kompositionen 1950–72 (Edition RZ)
Wire Magazine Records of the Year 2011 - Jazz & Improv A–Z
Derek Bailey - Concert In Milwaukee (Incus)
Billy Bang’s Survival Ensemble - Black Man’s Blues (NoBusiness)
Michel Doneda / Jonas Kocher / Christoph Schiller - ///Grape Skin (Another Timbre)
Dörner / Dafeldecker / Johansson - Der Kreis Des Gegenstandes (Monotype)
Bertrand Denzler - Tenor (Potlach)
Klaus Filip & Nikos Veliotis - Slugabed (Hibari)
Flow Trio - Set Theory, Live At The Stone (Ayler)
Hession / Wilkinson / Fell - Two Falls & A Submission (Bo’Weavil)
Charlotte Hug - Slipways To Galaxies (Emanem)
Eli Keszler - Oxtirn (ESP)
Mural - Live At The Rothko Chapel (Rothko Chapel)
William Parker - Crumbling In The Shadows Is Fraulein Miller’s Stale Cake (Centering)
Akira Sakata & Chikamorachi - Live At Hungry Brain (Family Vineyard)
Sheriffs Of Nothingness - A Summer’s Night At The Crooked Forest (Sofa)
David S Ware / Cooper-Moore / William Parker / Muhammad Ali - Planetary Unknown (AUM Fidelity)
Wire Magazine Records of the Year 2011 - Outer Limits A–Z
Bee Mask - Canzoni Dal Laboratorio Del Silenzio Cosmico (Spectrum Spools)
Frieder Butzmann - Wie Zeit Vergeht (PAN)
Caboladies - Renewable Destination (Students Of Decay)
Cut Hands - Afro Noise I (Very Friendly/Susan Lawly)
Head Boggle - Unsounds And Domo Live (NNA Tapes)
Hecker - Speculative Solution (Editions Mego)
Idea Fire Company - Music From The Impossible Salon (Kye)
Thomas Lehn & Marcus Schmickler - Live Double Séance [Antaa Kalojen Vida] (Editions Mego)
John Mannion - Slice Through Or/In Glassmetal (Hanson)
Francisco Meirino - Recordings Of Voltage Errors, Magnetic Fields, On-Site Testimonies & Tape Tension (Misanthropic Agenda)
Jim O’Rourke & Christoph Heemann - Plastic Palace People Vol 1 (Streamline)
Peterlicker - Nicht (Editions Mego)
Raionbashi / Krube - Split (Hrönir)
Rodger Stella / Kites - Interior Moon (Mutter Wild)
Werewolf Jerusalem - Confessions Of A Sex Maniac (Second Layer)
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
O funcionário é um ser vivo, é vida, é energia e para isso não há forma, quantia, medida possível que possa ser utilizada para medi-lo. Motivação é energia psicológica que coloca em movimento o organismo humano, determinando um comportamento.
Ao solicitar tarefas, não deixe as pessoas sem um retorno, isso poderá passar uma má impressão. Lembre-se de que motivar também é ser humilde. Cabe aos gerentes responsáveis determinarem qual o tipo de motivação deverá ser aplicada. Será uma bonificação? Um incentivo? Uma palavra? Ou muitas vezes somente ser cordial e dizer um muito obrigado? Acabe com a arrogância - Seja cordial ao falar com as pessoas. Bom dia! Boa Tarde! Boa Noite! Muito Obrigado. Essas simples palavras podem fazer uma diferença significativa na visão que as pessoas têm de você e também na motivação alheia.
Pare de reclamar - O ato de reclamar só torna o homem vulnerável a derrotas interiores do dia-a-dia. Reclamar não é a solução, mas sim compartilhar. Lembre-se de que o ato de reclamar só alimentará mais a visão negativa das coisas. Dê a seguinte sugestão aos funcionários: vamos compartilhar na medida do possível, ao invés de reclamar.
(Roberto Carlos Pereira)
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A Privataria Tucana
(Jorge Furtado)
Terminei de ler o extraordinário trabalho jornalístico de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, (Geração Editorial), o livro mais importante do ano. Para quem acompanha a vida política do país através de alguns blogs e da revista Carta Capital, não há grandes novidades além dos documentos que comprovam o que já se sabia: a privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república. O grande mérito do livro de Amaury é a síntese que faz da rapinagem, e a base factual de suas afirmações, amparadas em documentos, todos públicos. Como bom jornalista, Amaury economiza nos adjetivos e esbanja conhecimento sobre o seu tema: o mundo dos crimes financeiros.
A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.
Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada, são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos 5 milhões de dólares), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.
A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, há propinas comprovadas de 20 milhões de dólares, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.
(Jorge Furtado)
Terminei de ler o extraordinário trabalho jornalístico de Amaury Ribeiro Jr., “A Privataria Tucana”, (Geração Editorial), o livro mais importante do ano. Para quem acompanha a vida política do país através de alguns blogs e da revista Carta Capital, não há grandes novidades além dos documentos que comprovam o que já se sabia: a privatização no Brasil, comandada pelo governo tucano, foi a maior roubalheira da história da república. O grande mérito do livro de Amaury é a síntese que faz da rapinagem, e a base factual de suas afirmações, amparadas em documentos, todos públicos. Como bom jornalista, Amaury economiza nos adjetivos e esbanja conhecimento sobre o seu tema: o mundo dos crimes financeiros.
A reportagem de Amaury esclarece em detalhes como os protagonistas da privataria tucana enriqueceram saqueando o país. De um lado, no governo, vendendo o patrimônio público a preço de banana. Do outro, no mercado, comprando as empresas e garantindo vida mansa aos netos. Entre as duas pontas, os lavadores de dinheiro, suas conexões com a mídia e com o mundo político.
Os personagens principais da maracutaia, fartamente documentada, são gente do alto tucanato: Ricardo Sérgio de Oliveira (senhor dos caminhos das offshores caribenhas, usadas pela turma para esquentar o dinheiro), Gregório Marin Preciado (sócio de José Serra), Alexandre Bourgeois (genro de José Serra), a filha de Serra, Verônica (cuja offshore caribenha, em sociedade com Verônica Dantas, lavou pelo menos 5 milhões de dólares), o próprio José Serra e o indefectível Daniel Dantas. Mas o livro tem também informações comprometedoras sobre o comportamento de petistas (Ruy Falcão e Antonio Palocci), sobre Ricardo Teixeira e sobre vários jornalistas.
A quadrilha de privatas tucanos movimentou cerca de 2,5 bilhões de dólares, há propinas comprovadas de 20 milhões de dólares, dinheiro que não cabe em malas ou cuecas. O livro revela também o indiciamento de Verônica Serra por quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros e traz provas documentais de sua sociedade com Verônica Dantas, irmã de Daniel Dantas, do Banco Opportunity, numa offshore caribenha.
Me dei conta de que eu não tinha autorizado as músicas do input_output no SoundCloud para download. Agora, sim, todas são baixáveis.
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Pitchfork Top 100 tracks
61. Eleanor Friedberger
"My Mistakes"
[Merge]
Eleanor Friedberger é uma vocalista de estilo único. Inventou um novo tipo de fraseado, uma forma percussiva de cuspir letras que te deixa saber que é ela cantando antes de acabar a primeira sílaba. "My Mistakes", uma música que se move praticamente entre dois básicos acordes, torna-se a base ideal para sua dicção peculiar. A estrutura ultrassimples e que pega o ouvinte deixam-na livre para barbarizar na melodia, e ela toma toda a vantagem disso, partindo pensamentos em múltiplas linhas e estrofes ("I wore the same outfit on the day the Hasid followed me in his car along Park/ Not Avenue/ But the one in Brooklyn") sem se preocupar onde eles vão chegar. (...) --Mark Richardson
61. Eleanor Friedberger
"My Mistakes"
[Merge]
Eleanor Friedberger é uma vocalista de estilo único. Inventou um novo tipo de fraseado, uma forma percussiva de cuspir letras que te deixa saber que é ela cantando antes de acabar a primeira sílaba. "My Mistakes", uma música que se move praticamente entre dois básicos acordes, torna-se a base ideal para sua dicção peculiar. A estrutura ultrassimples e que pega o ouvinte deixam-na livre para barbarizar na melodia, e ela toma toda a vantagem disso, partindo pensamentos em múltiplas linhas e estrofes ("I wore the same outfit on the day the Hasid followed me in his car along Park/ Not Avenue/ But the one in Brooklyn") sem se preocupar onde eles vão chegar. (...) --Mark Richardson
domingo, 11 de dezembro de 2011
A palavra entusiasmo vem do grego e significa ter um deus dentro de si.
sábado, 10 de dezembro de 2011
Segundo o budismo, as dez ações não-virtuosas são:
(1) matar,
(2) roubar, e
(3) má conduta sexual [para o corpo];
(4) mentir,
(5) caluniar,
(6) falar palavras severas, e
(7) fofoca inútil ou fala sem sentido para as ações da fala da pessoa; e
(8) pensamentos de avareza e cobiça,
(9) pensamento malicioso que deseja prejudicar os outros, e
(10) convicções enganadas, ou visões injustas, para as ações da mente da pessoa.
(1) matar,
(2) roubar, e
(3) má conduta sexual [para o corpo];
(4) mentir,
(5) caluniar,
(6) falar palavras severas, e
(7) fofoca inútil ou fala sem sentido para as ações da fala da pessoa; e
(8) pensamentos de avareza e cobiça,
(9) pensamento malicioso que deseja prejudicar os outros, e
(10) convicções enganadas, ou visões injustas, para as ações da mente da pessoa.
Motivação correta e meditação *
Lama Samten
Quando há um obstáculo na vida e não há como ultrapassá-lo, esses aspectos intransponíveis são o objeto da meditação. Aquilo que é intransponível, que não dá para atravessar, é aquilo que a meditação atravessa. Porque por ela nós vamos compreender que aquilo que consideramos sólido diante de nós não é sólido, nem é separado de nós. As sensações que nós temos não brotam de fora - elas são ativadas. As percepções são um processo ativo, não um processo passivo onde eu recebo coisas. A percepção depende de uma estrutura que eu estou operando. Se eu não perceber essa estrutura, então eu não entendo o que é percepção. Percepção tem um nível de construção junto.
*
Quando entendemos esta noção de responsabilidade universal é como se gerássemos, como se ficasse claro para nós um tipo de sonho positivo que nos conduz no caminho e nos possibilita construir o mundo de uma forma positiva. Neste sonho nós somos felizes, nos relacionamos bem com os outros, a natureza está preservada, nós temos saúde, temos educação, podemos crescer de uma forma positiva. Este é um bom sonho. Nós poderíamos sonhar variados sonhos. Um dos sonhos que podemos sonhar é assim: no futuro vamos ter guerras, é bom nos prepararmos para isso. Então quando olhamos para a frente, podemos construir nossos sonhos em diferentes direções. Nós podemos ter sonhos coletivos favoráveis.
Esse é o ponto que vai nos levar à noção de responsabilidade universal. Para termos um sonho, é bom que ele não seja aleatório. Então que referencial podemos escolher para nosso sonho? Sem uma cultura de paz, sem a visão da responsabilidade universal, a vida se torna insatisfatória e a própria sustentabilidade da vida no planeta fica ameaçada. Nesse sentido, o mundo real enquanto mundo possível e sustentável é o mundo da cultura de paz e não o mundo como pensamos que ele é a partir das nossas visões obstruídas.
*
De tanto em tanto, em meio a nossos afazeres e atribulações a gente se pergunta: será que eu estou indo realmente em direção a algum lugar? Está tudo tão parecido. Isso é porque nos giramos em ciclos ou círculos, vivemos o que se chama, no budismo, de experiência cíclica.
Diz-se que não apenas os seres humanos, mas todos os seres estão submetidos a essa experiência cíclica, estão submetidos a dukka. Essa categoria não é uma categoria ocidental, então não temos propriamente uma palavra para isso. O sofrimento em nossa cultura é apontado como tendo uma outra origem, outra descrição.
______________________________________________________
* Além de recortes, troquei o termo Prajna Paramitta por meditação.
Lama Samten
Quando há um obstáculo na vida e não há como ultrapassá-lo, esses aspectos intransponíveis são o objeto da meditação. Aquilo que é intransponível, que não dá para atravessar, é aquilo que a meditação atravessa. Porque por ela nós vamos compreender que aquilo que consideramos sólido diante de nós não é sólido, nem é separado de nós. As sensações que nós temos não brotam de fora - elas são ativadas. As percepções são um processo ativo, não um processo passivo onde eu recebo coisas. A percepção depende de uma estrutura que eu estou operando. Se eu não perceber essa estrutura, então eu não entendo o que é percepção. Percepção tem um nível de construção junto.
*
Quando entendemos esta noção de responsabilidade universal é como se gerássemos, como se ficasse claro para nós um tipo de sonho positivo que nos conduz no caminho e nos possibilita construir o mundo de uma forma positiva. Neste sonho nós somos felizes, nos relacionamos bem com os outros, a natureza está preservada, nós temos saúde, temos educação, podemos crescer de uma forma positiva. Este é um bom sonho. Nós poderíamos sonhar variados sonhos. Um dos sonhos que podemos sonhar é assim: no futuro vamos ter guerras, é bom nos prepararmos para isso. Então quando olhamos para a frente, podemos construir nossos sonhos em diferentes direções. Nós podemos ter sonhos coletivos favoráveis.
Esse é o ponto que vai nos levar à noção de responsabilidade universal. Para termos um sonho, é bom que ele não seja aleatório. Então que referencial podemos escolher para nosso sonho? Sem uma cultura de paz, sem a visão da responsabilidade universal, a vida se torna insatisfatória e a própria sustentabilidade da vida no planeta fica ameaçada. Nesse sentido, o mundo real enquanto mundo possível e sustentável é o mundo da cultura de paz e não o mundo como pensamos que ele é a partir das nossas visões obstruídas.
*
De tanto em tanto, em meio a nossos afazeres e atribulações a gente se pergunta: será que eu estou indo realmente em direção a algum lugar? Está tudo tão parecido. Isso é porque nos giramos em ciclos ou círculos, vivemos o que se chama, no budismo, de experiência cíclica.
Diz-se que não apenas os seres humanos, mas todos os seres estão submetidos a essa experiência cíclica, estão submetidos a dukka. Essa categoria não é uma categoria ocidental, então não temos propriamente uma palavra para isso. O sofrimento em nossa cultura é apontado como tendo uma outra origem, outra descrição.
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* Além de recortes, troquei o termo Prajna Paramitta por meditação.
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Lama Samten,
psicologia
O amigo e colega de ofício Cadu Tenório votou em 'Crocodilo', do input_output, como melhor disco de 2011. Obrigado e parabéns a ele, porque o disco 'Areia', de sua banda, Sobre a Máquina, ficou em primeiro lugar no ranking geral do Floga-se.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Joyce Lessa Werres escreveu e eu cortei e recortei e rejuntei:
Em 1919 Jung introduziu o conceito de arquétipo, trazendo a ideia de que as imagens primordiais humanas são transmitidas ou herdadas. Em seus escritos, caracteriza o arquétipo como "sistemas vivos de reação e prontidão que, por via invisível e, por isso mais eficiente ainda, determina a vida individual". É importante, também, salientar que, em suas polaridades, todos os arquétipos contêm, em si, um aspecto sadio e um patológico.
Para conceituar o arquétipo, Jung referiu-se a vias herdadas que conferem ao ser humano um padrão de comportamento, como uma espécie de norma biológica na atividade psíquica. Pelo arquétipo, percebe-se que há um fator independente da experiência em nossa atividade humana, o qual é estrutural e inato na psique, sendo, dessa forma, pré-consciente e inconsciente. Os arquétipos, por serem estruturas universais, estão imersos no inconsciente coletivo e atuam alternadamente na personalidade do indivíduo. Há, portanto, correspondência entre o inconsciente coletivo e o indivíduo.
Na infância, logo que começam as primeiras manifestações visíveis da vida psíquica, podem-se observar as particularidades de uma personalidade singular. Têm-se, assim, os aspectos individuais e coletivos funcionando em consonância. A introspecção nos insere no mundo mítico e através do mito, entendemos o cotidiano. Os mitos não são, portanto, ideias, mas dados instintivos que funcionam como uma espécie de padrão de comportamento mental que faz parte da natureza humana.
Os mitos são histórias verdadeiras e refletem a camada mais profunda e perene do psiquismo humano. O mito é um dos acessos à realidade arquetípica, sua história é nossa antes de a termos conhecido. Entramos no mito toda vez que em nossa vida nos confrontamos com o que está no inconsciente coletivo. A autora relata, ainda, que mito e cotidiano estão entrelaçados e nos tocam por terem características tanto positivas como negativas.
O mito é uma forma de pensamento autônomo e de organização cognitiva do mundo. Nos mitos estão inscritos em códigos todo o conhecimento e a competência que o homem já experimentou, em uma linha de tempo e espaço que se traduz como "desde sempre". O mito é o emblema da atividade psíquica e a demonstração do inconsciente coletivo e de seus respectivos arquétipos.
Como todo o arquétipo, o arquétipo da grande mãe tem em suas polaridades, tanto aspectos positivos quanto negativos, que pode apresentar-se de inúmeras formas, revestido por uma infinidade de imagens. Jung, menciona que as representações mais características são: a mãe e a avó, a madrasta, a sogra, a ama de leite, mulheres com quem nos relacionamos. No sentido de uma transferência mais elevada temos a mãe de Deus; em um sentido mais amplo a igreja, a terra, a matéria, o mundo subterrâneo, a lua; em sentido mais restrito, o jardim, a gruta, o poço profundo; e restringindo ainda mais temos o útero, as formas ocas, o forno, o caldeirão e o túmulo, entre outros.
Assim como os arquétipos, os símbolos também apresentam, em seus extremos, aspectos duais, positivos e negativos. Dessa forma, são atribuídas ao arquétipo da mãe características tanto de acolhimento, cuidado, sabedoria e suporte, como aterrorizantes, obscuras, devoradoras e advindas do mundo dos mortos.
Em 1919 Jung introduziu o conceito de arquétipo, trazendo a ideia de que as imagens primordiais humanas são transmitidas ou herdadas. Em seus escritos, caracteriza o arquétipo como "sistemas vivos de reação e prontidão que, por via invisível e, por isso mais eficiente ainda, determina a vida individual". É importante, também, salientar que, em suas polaridades, todos os arquétipos contêm, em si, um aspecto sadio e um patológico.
Para conceituar o arquétipo, Jung referiu-se a vias herdadas que conferem ao ser humano um padrão de comportamento, como uma espécie de norma biológica na atividade psíquica. Pelo arquétipo, percebe-se que há um fator independente da experiência em nossa atividade humana, o qual é estrutural e inato na psique, sendo, dessa forma, pré-consciente e inconsciente. Os arquétipos, por serem estruturas universais, estão imersos no inconsciente coletivo e atuam alternadamente na personalidade do indivíduo. Há, portanto, correspondência entre o inconsciente coletivo e o indivíduo.
Na infância, logo que começam as primeiras manifestações visíveis da vida psíquica, podem-se observar as particularidades de uma personalidade singular. Têm-se, assim, os aspectos individuais e coletivos funcionando em consonância. A introspecção nos insere no mundo mítico e através do mito, entendemos o cotidiano. Os mitos não são, portanto, ideias, mas dados instintivos que funcionam como uma espécie de padrão de comportamento mental que faz parte da natureza humana.
Os mitos são histórias verdadeiras e refletem a camada mais profunda e perene do psiquismo humano. O mito é um dos acessos à realidade arquetípica, sua história é nossa antes de a termos conhecido. Entramos no mito toda vez que em nossa vida nos confrontamos com o que está no inconsciente coletivo. A autora relata, ainda, que mito e cotidiano estão entrelaçados e nos tocam por terem características tanto positivas como negativas.
O mito é uma forma de pensamento autônomo e de organização cognitiva do mundo. Nos mitos estão inscritos em códigos todo o conhecimento e a competência que o homem já experimentou, em uma linha de tempo e espaço que se traduz como "desde sempre". O mito é o emblema da atividade psíquica e a demonstração do inconsciente coletivo e de seus respectivos arquétipos.
Como todo o arquétipo, o arquétipo da grande mãe tem em suas polaridades, tanto aspectos positivos quanto negativos, que pode apresentar-se de inúmeras formas, revestido por uma infinidade de imagens. Jung, menciona que as representações mais características são: a mãe e a avó, a madrasta, a sogra, a ama de leite, mulheres com quem nos relacionamos. No sentido de uma transferência mais elevada temos a mãe de Deus; em um sentido mais amplo a igreja, a terra, a matéria, o mundo subterrâneo, a lua; em sentido mais restrito, o jardim, a gruta, o poço profundo; e restringindo ainda mais temos o útero, as formas ocas, o forno, o caldeirão e o túmulo, entre outros.
Assim como os arquétipos, os símbolos também apresentam, em seus extremos, aspectos duais, positivos e negativos. Dessa forma, são atribuídas ao arquétipo da mãe características tanto de acolhimento, cuidado, sabedoria e suporte, como aterrorizantes, obscuras, devoradoras e advindas do mundo dos mortos.
[TOP 50 MELHORES DISCOS de 2011]
01. Winter Family - Red sugar
02. Amiina - Animamiina
03. Evangelista - In animal tongue
04. St. Vincent - Strange mercy
05. PJ Harvey - Let England shake
06. Eleanor Friedberger - Last summer
07. Duncan Powell - Impossible songs
08. The Oscillation - Veils
09. Josh T. Pearson - Lost of the country gentleman
10. Wye Oak - Civilian
11. A Winged Victory For The Sullen - A winged victory for the sullen
12. Alva Noto & Ryuichi Sakamoto - Summvs
13. Lady Gaga - Born this way
14. I†† - The star ruby
15. Julia Holter - Tragedy
16. Low - C'mon
17. Cake - Showroom of compassion
18. Thurston Moore - 12 string meditations for Jack Rose
19. Thao And Mirah - Thao and Mirah
20. Jessica Lea Mayfield - Tell me
21. Tapes 'N Tapes - Outside
22. Justice - Audio video disco
23. Kate Bush - 50 words for snow
24. Sonic Youth - SYR9: Simon Werner a disparu
25. Machinefabriek - Toendra
26. Jennifer Lo-Fi - Noia
27. Absu - Abzu
28. Cerys Matthews - Explorer
29. Destroyer - Kaputt
30. Lenine - Chão
31. Chrysta Bell - This train
32. Emika - Emika
33. Dum Dum Girls - Only in dreams
34. TV On The Radio - Nine types of light
35. Oneohtrix Point Never - Replica
36. Conquering Animal Sound - Kammerspiel
37. Cults - Cults
38. Bachelorette - Bachelorette
39. Little Dragon - Ritual union
40. Machinefabriek - Sol sketches
41. Sobre a Máquina - Areia
42. Noel Gallagher - Noel Gallagher's High Flying Birds
43. Architecture In Helsinki - Moment bends
44. Kimya Dawson - Thunder thighs
45. Sophie Ellis-Bextor - Make a scene
46. Art Brut - Brilliant! tragic!
47. Razika - Program 91
48. The Caretaker - An empty bliss beyond this world
49. Krallice - Diotima
50. Gonjasufi - The ninth inning EP
[TOP 50 MELHORES MÚSICAS de 2011]
01. Jónsi - Sun
02. Lou Reed & Metallica - The view
03. Bonnie "Prince" Billy - Merciless and great
04. Elbow - The birds
05. Eleanor Friedberger - My mistakes
06. Kimbra - Cameo lover
07. dEUS - Keep you close
08. Dum Dum Girls - Bedroom eyes
09. PJ Harvey - The words that maketh murder
10. Destroyer - Chinatown
11. Wye Oak - Holy holy
12. Low - Nothing but heart
13. Lamb - Build a fire
14. Evangelista - Artificial lamb
15. Razika - Vondt i hjertet
16. Elbow - Lippy kids
17. ruído/mm - Sanfonex
18. Slow Club - Where I'm waking
19. David Lynch - I know
20. The Watson Twins - Angelene
21. Thao & Mirah - Little cup
22. Fennesz + Sakamoto - 0423
23. Radiohead - Separator
24. Foo Fighters - Rope
25. Noel Gallagher - Everybody's on the run
26. Crystal Antlers - Summer solstice
27. Memory Tapes - Today is our life
28. Lykke Li - Youth knows no pain
29. Devotchka - All the sand in all the sea
30. Menomena - Oahu
31. Wilco - Art of almost
32. The Soft Moon - Repetition
33. Zomby - Natalia's song
34. Biosphere - Joyo-1
35. Chrysta Bell - Polish poem
36. Feist - A commotion
37. Alva Noto - Uni pro
38. Mika Vainio - Mining
39. Grouper - I saw a ray
40. David Lynch - Crazy clown time
41. Pedro Verissimo - Eu sempre digo adeus
42. Kylie Minogue - All the lovers
43. Deerhoof - Qui dorm, només somia
44. Britney Spears - Hold it against me
45. Rebekah Higgs - Asleep all winter
46. The Antlers - I don't want love
47. Okkervil River - The valley
48. Oh Land - Human
49. Jennifer Lopez - On the floor
50. Mount Moriah - Lament
01. Winter Family - Red sugar
02. Amiina - Animamiina
03. Evangelista - In animal tongue
04. St. Vincent - Strange mercy
05. PJ Harvey - Let England shake
06. Eleanor Friedberger - Last summer
07. Duncan Powell - Impossible songs
08. The Oscillation - Veils
09. Josh T. Pearson - Lost of the country gentleman
10. Wye Oak - Civilian
11. A Winged Victory For The Sullen - A winged victory for the sullen
12. Alva Noto & Ryuichi Sakamoto - Summvs
13. Lady Gaga - Born this way
14. I†† - The star ruby
15. Julia Holter - Tragedy
16. Low - C'mon
17. Cake - Showroom of compassion
18. Thurston Moore - 12 string meditations for Jack Rose
19. Thao And Mirah - Thao and Mirah
20. Jessica Lea Mayfield - Tell me
21. Tapes 'N Tapes - Outside
22. Justice - Audio video disco
23. Kate Bush - 50 words for snow
24. Sonic Youth - SYR9: Simon Werner a disparu
25. Machinefabriek - Toendra
26. Jennifer Lo-Fi - Noia
27. Absu - Abzu
28. Cerys Matthews - Explorer
29. Destroyer - Kaputt
30. Lenine - Chão
31. Chrysta Bell - This train
32. Emika - Emika
33. Dum Dum Girls - Only in dreams
34. TV On The Radio - Nine types of light
35. Oneohtrix Point Never - Replica
36. Conquering Animal Sound - Kammerspiel
37. Cults - Cults
38. Bachelorette - Bachelorette
39. Little Dragon - Ritual union
40. Machinefabriek - Sol sketches
41. Sobre a Máquina - Areia
42. Noel Gallagher - Noel Gallagher's High Flying Birds
43. Architecture In Helsinki - Moment bends
44. Kimya Dawson - Thunder thighs
45. Sophie Ellis-Bextor - Make a scene
46. Art Brut - Brilliant! tragic!
47. Razika - Program 91
48. The Caretaker - An empty bliss beyond this world
49. Krallice - Diotima
50. Gonjasufi - The ninth inning EP
[TOP 50 MELHORES MÚSICAS de 2011]
01. Jónsi - Sun
02. Lou Reed & Metallica - The view
03. Bonnie "Prince" Billy - Merciless and great
04. Elbow - The birds
05. Eleanor Friedberger - My mistakes
06. Kimbra - Cameo lover
07. dEUS - Keep you close
08. Dum Dum Girls - Bedroom eyes
09. PJ Harvey - The words that maketh murder
10. Destroyer - Chinatown
11. Wye Oak - Holy holy
12. Low - Nothing but heart
13. Lamb - Build a fire
14. Evangelista - Artificial lamb
15. Razika - Vondt i hjertet
16. Elbow - Lippy kids
17. ruído/mm - Sanfonex
18. Slow Club - Where I'm waking
19. David Lynch - I know
20. The Watson Twins - Angelene
21. Thao & Mirah - Little cup
22. Fennesz + Sakamoto - 0423
23. Radiohead - Separator
24. Foo Fighters - Rope
25. Noel Gallagher - Everybody's on the run
26. Crystal Antlers - Summer solstice
27. Memory Tapes - Today is our life
28. Lykke Li - Youth knows no pain
29. Devotchka - All the sand in all the sea
30. Menomena - Oahu
31. Wilco - Art of almost
32. The Soft Moon - Repetition
33. Zomby - Natalia's song
34. Biosphere - Joyo-1
35. Chrysta Bell - Polish poem
36. Feist - A commotion
37. Alva Noto - Uni pro
38. Mika Vainio - Mining
39. Grouper - I saw a ray
40. David Lynch - Crazy clown time
41. Pedro Verissimo - Eu sempre digo adeus
42. Kylie Minogue - All the lovers
43. Deerhoof - Qui dorm, només somia
44. Britney Spears - Hold it against me
45. Rebekah Higgs - Asleep all winter
46. The Antlers - I don't want love
47. Okkervil River - The valley
48. Oh Land - Human
49. Jennifer Lopez - On the floor
50. Mount Moriah - Lament
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Quatro torcedores do Internacional foram agredidos e precisaram ser atendidos em hospitais da Capital depois de uma pancadaria entre as torcidas organizadas Popular do Inter e Guarda Popular na saída do jogo comemorativo ao encerramento da carreira do atleta Fabiano Souza, no estádio Beira-Rio. O Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre confirmou a entrada de um agredido e um esfaqueado. Um dos agressores foi detido. A Brigada Militar (BM) não quis identificar o suspeito, mas confirmou a ligação dele com a Guarda Popular.
Três jovens foram esfaqueados. De acordo com comandante do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), Eraldo Leandro dos Santos, um dos atingidos pode perder parte do movimento de uma das mãos.
Outro ferido, um homem de 40 anos sem vínculo com as torcidas, que pediu para não ser identificado, contou à reportagem da Guaíba ter sido agredido a socos e pontapés por estar filmado a briga. De acordo com ele, no túnel de saída, as duas torcidas, que já haviam se desentendido no Gre-Nal do último domingo, trocaram socos e, ao notarem estar sendo gravados, integrantes da Guarda investiram contra ele.
Hierro, líder da Guarda Popular, em nota oficial: "Entendemos que o ser humano tem diferenças e estas diferenças trazem atitudes e consequências que nem sempre acontecem na melhor hora e local, em nenhuma das vezes que a Guarda Popular esteve envolvida em confusões dentro do estádio foi porque procuramos, provocamos ou decidimos que iriámos fazer confusão (vide imagens do sistema de segurança do estádio Beira-Rio). Não agimos, somente reagimos em legitíma defesa e quando isso acontece as consequências pra quem nos ataca sempre serão gravissímas."
Três jovens foram esfaqueados. De acordo com comandante do Pelotão de Operações Especiais (POE) do 1º Batalhão de Polícia Militar (1º BPM), Eraldo Leandro dos Santos, um dos atingidos pode perder parte do movimento de uma das mãos.
Outro ferido, um homem de 40 anos sem vínculo com as torcidas, que pediu para não ser identificado, contou à reportagem da Guaíba ter sido agredido a socos e pontapés por estar filmado a briga. De acordo com ele, no túnel de saída, as duas torcidas, que já haviam se desentendido no Gre-Nal do último domingo, trocaram socos e, ao notarem estar sendo gravados, integrantes da Guarda investiram contra ele.
Hierro, líder da Guarda Popular, em nota oficial: "Entendemos que o ser humano tem diferenças e estas diferenças trazem atitudes e consequências que nem sempre acontecem na melhor hora e local, em nenhuma das vezes que a Guarda Popular esteve envolvida em confusões dentro do estádio foi porque procuramos, provocamos ou decidimos que iriámos fazer confusão (vide imagens do sistema de segurança do estádio Beira-Rio). Não agimos, somente reagimos em legitíma defesa e quando isso acontece as consequências pra quem nos ataca sempre serão gravissímas."
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
"Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquele alguém que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente não é o alguém da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!" (Mario Quintana, dizem)
Os bastidores da troca no Jornal Nacional
(Rodrigo Vianna)
A Globo confirma a saída de Fátima Bernardes do “JN”. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta – atual apresentadora do “Fantástico”.
Fiz hoje pela manhã – no twitter e no facebook – algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: “ah, essa troca não quer dizer nada”. Até um colunista de TV do UOL, aparentemente mal infomado, disse o mesmo. Discordo.
Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação – que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no “JN” como “festa pelo aniversário da cidade”), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.
Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal “O Globo”, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.
Patrícia Poeta no “JN” significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.
Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no “JN”. Kamel respondeu: “a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém”. Amauri respondeu: “mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz – Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir”. Sabem qual foi a resposta de Kamel? “Amaury, o Evandro está morto”.
Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.
Kamel foi o ideólogo da “retomada consevadora” na Globo durante os anos Lula. Amauri foi “exilado” num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele. Os dois aproveitaram a fase de “baixa” pra fazer “do limão uma limonada”.
Alguns anos depois, Amauri voltou ao Brasil para coordenar projetos especiais; Patrícia Poeta foi encaixada no “Fantástico”. Só que Amauri e Kamel não se falavam. Tenho informação segura de que, ainda hoje, quando se cruzam nos corredores do Jardim Botânico, os dois se ignoram. Quando são obrigados a sentar na mesma mesa, em almoços da direção, não dirigem a palavra um ao outro. Amauri sabe como Kamel tramou para derrubá-lo.
Pois bem. Já há alguns meses, logo depois da eleição de 2010, recebemos a informação de que Ali Kamel estava perdendo poder. Claro, manteria o cargo e o status de diretor, até porque prestou serviços à família Marinho – que pode ser acusada de muita coisa, mas não de ingratidão.
Otavio Florisbal, diretor geral da Globo, deu uma entrevista ao UOL no primeiro semestre de 2011 dizendo que a Globo não falava direito para a classe C (o Brasil do lulismo). Por isso, trocou apresentadores tidos como “elitistas” (Renato Machado saiu pra dar lugar ao ótimo Chico Pinheiro – aliás, também amigo de Amauri). A Globo do Kamel não serve mais.
Lembremos que, desde o começo do governo Lula, a Globo de Kamel implicava com o “Bolsa-Família”. Kamel é um ideólogo conservador. Por isso, nós o chamávamos de “Ratzinger” na Globo. É contra quotas nas universidades, acha que racismo não existe no Brasil. Botou a Globo na oposição raivosa, promoveu a manipulação de 2006 na reeleição de Lula (por não concordar com isso, eu e mais três ou quatro colegas fomos expurgados da Globo em 2006/2007). E promoveu a inesquecível cobertura da “bolinha de papel” em 2010 – botando o perito Molina no “JN”. Nas reuniões internas do “comitê” global, ao lado de Merval Pereira, tentava convencer os irmãos Marinho dos “perigos” do lulismo.
Lula sabe o que Kamel aprontou. Tanto que no debate do segundo turno, em 2006, nem cumprimentou Kamel quando o viu no estúdio da Globo. Isso me contou uma amiga que estava lá.
Os irmãos Marinho parecem ter percebido que Kamel os enganou. O lulismo, em vez de perigo, mudou o Brasil pra melhor. Mais que isso: a Globo agora precisa de Dilma para enfrentar as teles, que chegam com muito dinheiro e apetite para disputar o mercado de comunicação. Kamel já não serve para os novos tempos. Assim como os “pitbulls” Diogo Mainardi e Mario Sabino não servem para a “Veja”.
Dilma buscou os donos da mídia, passada a eleição, e propôs a “normalização” de relações. O governo seguiu apanhando, na área “ética” – é verdade. O que não atrapalha a imagem de Dilma. Há quem veja na tal “faxina” um jogo combinado entre a presidenta e os donos da mídia. Será? Dilma tiraria as “denúncias” de letra (o custo ficaria para Lula e os aliados). Do outro lado, os “pitbulls” perderiam terreno na mídia. É a tal “normalização”. Considero um erro estratégico de Dilma. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. O fato é que a estratégia hoje é essa!
Patricia Poeta no “JN” parece indicar que a “normalização” passa por Ali Kamel longe do dia-a-dia na Globo (ele ainda tenta manobrar aqui e ali, mas já sem a mesma desenvoltura). Isso pode ser bom para o Brasil.
Não é coincidência que a Globo tenha permitido, há poucos dias, aquela entrevista do Boni admitindo manipulação do debate de 89. A entrevista (feita pelo excelente jornalista Geneton de Moraes Neto) foi ao ar na “Globo News”. Alguém acha que iria ao ar sem conhecimento da família Marinho? Isso não acontece na Globo!
Durante os anos de poder total de Kamel, a Globo tentou “reescrever” o passado – em vez de reconhecer os erros. Kamel chegou a escrever artigo hilário, tantando negar que a Globo tenha manipulado a cobertura das Diretas. Virou piada. Até o repórter que fez a “reportagem” em 84 contou pros colegas na redação (eu estava lá, e ouvi) – “o Ali é louco de tentar negar isso; todo mundo viu no ar”.
Ali Kamel nega o racismo, nega a manipulação, nega a realidade. Freud explica.
Agora, Boni reconhece que a Globo manipulou em 89. Isso faz parte do movimento de “normalização”. O enfraquecimento de Kamel também faz.
Tudo isso está nos bastidores da troca de apresentadores do “JN”. Mas claro que há mais. Há a estratégia televisiva, pura e simples. Fátima Bernardes deve comandar um programa matutino na Globo. As manhãs são hoje o principal calcanhar de aquiles da emissora carioca. A Record ganha ou empata todos os dias. Com o “Fala Brasil”, e com o “Hoje em Dia”. Ana Maria Braga não dá mais conta da briga – apesar de ainda trazer muita grana e patrocinadores.
Fátima deve ter um novo programa nas manhãs. Ana Maria será mantida. Até porque na Globo as mudanças são sempre lentas – como no Comitê Central do PC da China. A Globo é um transatlântico que se manobra lentamente.
Se a Fátima emplacar, pode virar uma nova Ana Maria. O programa dela deve contar com outras estrelas globais (Pedro Bial, quem sabe?).
A mudança de apresentadores tem esse duplo sentido: enfraquecimento de Kamel (que continuará a ter seu camarote no transatlântico global, mas talvez já não frequente tanto a cabine de comando); e estratégia pra recuperar audiência nas manhãs.
A conferir.
(Rodrigo Vianna)
A Globo confirma a saída de Fátima Bernardes do “JN”. No lugar dela deve entrar Patrícia Poeta – atual apresentadora do “Fantástico”.
Fiz hoje pela manhã – no twitter e no facebook – algumas observações sobre a troca; observações que agora procurarei consolidar nesse post. Vejo que há leitores absolutamente céticos: “ah, essa troca não quer dizer nada”. Até um colunista de TV do UOL, aparentemente mal infomado, disse o mesmo. Discordo.
Primeiro ponto: a Patrícia Poeta é mulher de Amauri Soares. Nem todo mundo sabe, mas Amauri foi diretor da Globo/São Paulo nos anos 90. Em parceria com Evandro Carlos de Andrade (então diretor geral de jornalismo), comandou a tentativa de renovação do jornalismo global. Acompanhei isso de perto, trabalhei sob comando de Amauri. A Globo precisava se livrar do estigma (merecido) de manipulação – que vinha da ditadura, da tentativa de derrubar Brizola em 82, da cobertura lamentável das Diretas-Já em 84 (comício em São Paulo foi noticiado no “JN” como “festa pelo aniversário da cidade”), da manipulação do debate Collor-Lula em 89.
Amauri fez um trabalho muito bom. Havia liberdade pra trabalhar. Sou testemunha disso. Com a morte de Evandro, um rapaz que viera do jornal “O Globo”, chamado Ali Kamel, ganhou poder na TV. Em pouco tempo, derrubou Amauri da praça São Paulo.
Patrícia Poeta no “JN” significa que Kamel está (um pouco) mais fraco. E que Amauri recupera espaço. Se Amauri voltar a mandar pra valer na Globo, Kamel talvez consiga um bom emprego no escritório da Globo na Sibéria, ou pode escrever sobre racismo, instalado em Veneza ao lado do amigo (dele) Diogo Mainardi.
Conheço detalhes de uma conversa entre Amauri e Kamel, ocorrida em 2002, e que revelo agora em primeira mão. Amauri ligou a Kamel (chefe no Rio), pra reclamar que matérias de denúncias contra o governo, produzidas em São Paulo, não entravam no “JN”. Kamel respondeu: “a Globo está fragilizada economicamente, Amauri; não é hora de comprar briga com ninguém”. Amauri respondeu: “mas eu tenho um cartaz, com uma frase do Evandro aqui na minha sala, que diz – Não temos amigos pra proteger, nem inimigos para perseguir”. Sabem qual foi a resposta de Kamel? “Amaury, o Evandro está morto”.
Era a senha. Algumas semanas depois, Amauri foi derrubado.
Kamel foi o ideólogo da “retomada consevadora” na Globo durante os anos Lula. Amauri foi “exilado” num cargo em Nova Yorque. Patrícia Poeta partiu com ele. Os dois aproveitaram a fase de “baixa” pra fazer “do limão uma limonada”.
Alguns anos depois, Amauri voltou ao Brasil para coordenar projetos especiais; Patrícia Poeta foi encaixada no “Fantástico”. Só que Amauri e Kamel não se falavam. Tenho informação segura de que, ainda hoje, quando se cruzam nos corredores do Jardim Botânico, os dois se ignoram. Quando são obrigados a sentar na mesma mesa, em almoços da direção, não dirigem a palavra um ao outro. Amauri sabe como Kamel tramou para derrubá-lo.
Pois bem. Já há alguns meses, logo depois da eleição de 2010, recebemos a informação de que Ali Kamel estava perdendo poder. Claro, manteria o cargo e o status de diretor, até porque prestou serviços à família Marinho – que pode ser acusada de muita coisa, mas não de ingratidão.
Otavio Florisbal, diretor geral da Globo, deu uma entrevista ao UOL no primeiro semestre de 2011 dizendo que a Globo não falava direito para a classe C (o Brasil do lulismo). Por isso, trocou apresentadores tidos como “elitistas” (Renato Machado saiu pra dar lugar ao ótimo Chico Pinheiro – aliás, também amigo de Amauri). A Globo do Kamel não serve mais.
Lembremos que, desde o começo do governo Lula, a Globo de Kamel implicava com o “Bolsa-Família”. Kamel é um ideólogo conservador. Por isso, nós o chamávamos de “Ratzinger” na Globo. É contra quotas nas universidades, acha que racismo não existe no Brasil. Botou a Globo na oposição raivosa, promoveu a manipulação de 2006 na reeleição de Lula (por não concordar com isso, eu e mais três ou quatro colegas fomos expurgados da Globo em 2006/2007). E promoveu a inesquecível cobertura da “bolinha de papel” em 2010 – botando o perito Molina no “JN”. Nas reuniões internas do “comitê” global, ao lado de Merval Pereira, tentava convencer os irmãos Marinho dos “perigos” do lulismo.
Lula sabe o que Kamel aprontou. Tanto que no debate do segundo turno, em 2006, nem cumprimentou Kamel quando o viu no estúdio da Globo. Isso me contou uma amiga que estava lá.
Os irmãos Marinho parecem ter percebido que Kamel os enganou. O lulismo, em vez de perigo, mudou o Brasil pra melhor. Mais que isso: a Globo agora precisa de Dilma para enfrentar as teles, que chegam com muito dinheiro e apetite para disputar o mercado de comunicação. Kamel já não serve para os novos tempos. Assim como os “pitbulls” Diogo Mainardi e Mario Sabino não servem para a “Veja”.
Dilma buscou os donos da mídia, passada a eleição, e propôs a “normalização” de relações. O governo seguiu apanhando, na área “ética” – é verdade. O que não atrapalha a imagem de Dilma. Há quem veja na tal “faxina” um jogo combinado entre a presidenta e os donos da mídia. Será? Dilma tiraria as “denúncias” de letra (o custo ficaria para Lula e os aliados). Do outro lado, os “pitbulls” perderiam terreno na mídia. É a tal “normalização”. Considero um erro estratégico de Dilma. Mas quem sou eu pra achar alguma coisa. O fato é que a estratégia hoje é essa!
Patricia Poeta no “JN” parece indicar que a “normalização” passa por Ali Kamel longe do dia-a-dia na Globo (ele ainda tenta manobrar aqui e ali, mas já sem a mesma desenvoltura). Isso pode ser bom para o Brasil.
Não é coincidência que a Globo tenha permitido, há poucos dias, aquela entrevista do Boni admitindo manipulação do debate de 89. A entrevista (feita pelo excelente jornalista Geneton de Moraes Neto) foi ao ar na “Globo News”. Alguém acha que iria ao ar sem conhecimento da família Marinho? Isso não acontece na Globo!
Durante os anos de poder total de Kamel, a Globo tentou “reescrever” o passado – em vez de reconhecer os erros. Kamel chegou a escrever artigo hilário, tantando negar que a Globo tenha manipulado a cobertura das Diretas. Virou piada. Até o repórter que fez a “reportagem” em 84 contou pros colegas na redação (eu estava lá, e ouvi) – “o Ali é louco de tentar negar isso; todo mundo viu no ar”.
Ali Kamel nega o racismo, nega a manipulação, nega a realidade. Freud explica.
Agora, Boni reconhece que a Globo manipulou em 89. Isso faz parte do movimento de “normalização”. O enfraquecimento de Kamel também faz.
Tudo isso está nos bastidores da troca de apresentadores do “JN”. Mas claro que há mais. Há a estratégia televisiva, pura e simples. Fátima Bernardes deve comandar um programa matutino na Globo. As manhãs são hoje o principal calcanhar de aquiles da emissora carioca. A Record ganha ou empata todos os dias. Com o “Fala Brasil”, e com o “Hoje em Dia”. Ana Maria Braga não dá mais conta da briga – apesar de ainda trazer muita grana e patrocinadores.
Fátima deve ter um novo programa nas manhãs. Ana Maria será mantida. Até porque na Globo as mudanças são sempre lentas – como no Comitê Central do PC da China. A Globo é um transatlântico que se manobra lentamente.
Se a Fátima emplacar, pode virar uma nova Ana Maria. O programa dela deve contar com outras estrelas globais (Pedro Bial, quem sabe?).
A mudança de apresentadores tem esse duplo sentido: enfraquecimento de Kamel (que continuará a ter seu camarote no transatlântico global, mas talvez já não frequente tanto a cabine de comando); e estratégia pra recuperar audiência nas manhãs.
A conferir.
"Miranda July can take a story about a thirty-something couple adopting an injured cat and dramatically transform it into an allegory about the internet generation’s fear of growing up." (Angela Watercutter)
"Nos seis anos que separam O Futuro de Eu, Você e Todos Nós, Miranda July cresceu. Mas não se engane quem ache que ela deixou de lado a 'esquisitice-encantadora' ou a 'fofura-do-inusitado'. Afinal de contas, cavalos sempre terão cheiro de cavalos. Mas da garota de quase 30 que transformava em ilusão poética as pequenezas de seu cotidiano, enquanto idealizava o príncipe encantado em uma loja de sapatos, ela passou para a mulher com medo dos 40 que ficou com seu princípe e se pergunta "e agora?". Aqui, a esquisitice não busca mais ser o desvio de comportamento alentador, nem resulta em pequenas belezinhas da vida ordinária - ela é só esquisitice mesmo. E em assumir essa 'falha', no sentido mesmo da ruptura, e em ousar na tentativa de ainda ser cativante sem medo do repúdio é que July ganha e cresce como artista." (Rafael Gomes)
"'O Futuro' é um filme estranho, parado, que flerta com o absurdo e algumas vezes parece uma mistura de Sofia Coppola com Charlie Kauffman. Mas não vai tão ao fundo das questões que aborda. A dificuldade em dar um passo adiante, nem que seja adotando um gato (poderia ser um filho), renderia um bom retrato de uma geração. Mas, assim como seus personagens, a diretora não completa o passo. Em vez de se aprofundar na leitura, ela mantém o olhar teso nas características dos protagonistas sem deixar pistas de suas motivações ou da raiz dos seus medos." (Rodrigo Levino)
"Miranda July está mais preocupada em explorar as excentricidades e vidas vazias de seus protagonistas do que fazer o retrato de uma geração. Os dois são praticamente niilistas, sem acreditar em nada, perambulando por um mundo, para eles, sem razão de ser. Trazem um sentimento de não pertencer, comum aos personagens de July, só que exacerbado. Mais do que deslocamento, torpor. 'O Futuro', no fim das contas, vale pela esquisitice de sua realizadora. Pode ser suficiente para alguns, mas não afasta a sensação de superficialidade." (Marco Tomazzoni)
"Nos seis anos que separam O Futuro de Eu, Você e Todos Nós, Miranda July cresceu. Mas não se engane quem ache que ela deixou de lado a 'esquisitice-encantadora' ou a 'fofura-do-inusitado'. Afinal de contas, cavalos sempre terão cheiro de cavalos. Mas da garota de quase 30 que transformava em ilusão poética as pequenezas de seu cotidiano, enquanto idealizava o príncipe encantado em uma loja de sapatos, ela passou para a mulher com medo dos 40 que ficou com seu princípe e se pergunta "e agora?". Aqui, a esquisitice não busca mais ser o desvio de comportamento alentador, nem resulta em pequenas belezinhas da vida ordinária - ela é só esquisitice mesmo. E em assumir essa 'falha', no sentido mesmo da ruptura, e em ousar na tentativa de ainda ser cativante sem medo do repúdio é que July ganha e cresce como artista." (Rafael Gomes)
"'O Futuro' é um filme estranho, parado, que flerta com o absurdo e algumas vezes parece uma mistura de Sofia Coppola com Charlie Kauffman. Mas não vai tão ao fundo das questões que aborda. A dificuldade em dar um passo adiante, nem que seja adotando um gato (poderia ser um filho), renderia um bom retrato de uma geração. Mas, assim como seus personagens, a diretora não completa o passo. Em vez de se aprofundar na leitura, ela mantém o olhar teso nas características dos protagonistas sem deixar pistas de suas motivações ou da raiz dos seus medos." (Rodrigo Levino)
"Miranda July está mais preocupada em explorar as excentricidades e vidas vazias de seus protagonistas do que fazer o retrato de uma geração. Os dois são praticamente niilistas, sem acreditar em nada, perambulando por um mundo, para eles, sem razão de ser. Trazem um sentimento de não pertencer, comum aos personagens de July, só que exacerbado. Mais do que deslocamento, torpor. 'O Futuro', no fim das contas, vale pela esquisitice de sua realizadora. Pode ser suficiente para alguns, mas não afasta a sensação de superficialidade." (Marco Tomazzoni)
Feliz natal e feliz ano-novo!
"A paz mundial não é algo que pode ser realizada apenas por políticos assinando tratados, ou pela ação de líderes empresariais em cooperação econômica. A paz verdadeira e duradoura será realizada somente por meio do estabelecimento de laços de confiança entre as pessoas no nível mais profundo, nas profundezas de suas próprias vidas." (Daisaku Ikeda)
Criolo x Clemente
sábado, 3 de dezembro de 2011
Programa-002 by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud

Acabamos de ver 'Win win', novo filme do diretor Tom McCarthy ('O visitante' e 'Agente da estação'), e não são só os letreiros que são semelhantes aos do 'Twin Peaks', até na ocorrência das letras WIN. No filme tem personagens com os nomes Mike, Shelly, Leo (inclusive coincide ser alguém incapacitado cuja tutela beneficia financeiramente algum esperto) e Kyle - que não é personagem do seriado, mas o nome do ator principal.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Melancolia (Melancholia)
- Dinamarca/11. Direção e roteiro de Lars Von Trier. 136 min. Com Kirsten Dunst, Charlotte Gainsbourgh, Charlotte Rampling, John Hurt, Kiefer Sutherland, Stelan Skasgaard, Alexander Skasgaard, Udo Kier e Brady Corbett. Califórnia Filmes.
"No fundo, o filme dramatiza algumas características do próprio diretor que, por diversas vezes, já comentou que sofre de crises profundas de depressão e que não acredita em nenhuma religião ou crença, nem mesmo na possível existência de outros seres intergalácticos." (Rubens Ewald Filho)
"No fundo, o filme dramatiza algumas características do próprio diretor que, por diversas vezes, já comentou que sofre de crises profundas de depressão e que não acredita em nenhuma religião ou crença, nem mesmo na possível existência de outros seres intergalácticos." (Rubens Ewald Filho)
MULHOLLAND DRIVE
(Cidade dos sonhos)
David Lynch
O que diabos acontece neste filme? O diretor tem Twitter. Pergunte a ele: @DAVID_LYNCH
* Otavio Almeida é formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Adora escrever e ver filmes desde pequeno. Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo, mas sempre torcerá pelo Flamengo.
Twin Peaks: os últimos dias de Laura Palmer (1992)
Rubens Ewald Filho
Nota: 1
"Até o Festival de Cannes, no qual David Lynch é considerado gênio, vaiou este filme que é, certamente, o ponto mais baixo de sua irregular carreira. Principalmente porque ele não deu o que o público esperava. Sua série de TV 'Twin Peaks' (1990-91) foi um grande sucesso de público e crítica, mas acabou de forma misteriosa, até mesmo enigmática. Supunha-se que Lynch iria então explicar tudo, neste longa-metragem financiado pelos franceses, e no qual aparece como ator (sempre um mau sinal de vaidade. Ele faz o diretor-geral que fala de Portland, Oregon). (...) Repleto de sexo, drogas, perversões e neuroses. Estranho e esquisito por natureza, acaba irritando, até por causa de suas sequências surrealistas."
Rubens Ewald Filho
Nota: 1
"Até o Festival de Cannes, no qual David Lynch é considerado gênio, vaiou este filme que é, certamente, o ponto mais baixo de sua irregular carreira. Principalmente porque ele não deu o que o público esperava. Sua série de TV 'Twin Peaks' (1990-91) foi um grande sucesso de público e crítica, mas acabou de forma misteriosa, até mesmo enigmática. Supunha-se que Lynch iria então explicar tudo, neste longa-metragem financiado pelos franceses, e no qual aparece como ator (sempre um mau sinal de vaidade. Ele faz o diretor-geral que fala de Portland, Oregon). (...) Repleto de sexo, drogas, perversões e neuroses. Estranho e esquisito por natureza, acaba irritando, até por causa de suas sequências surrealistas."
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
"A Pele Que Habito é uma parábola do amor, pois é banal que o amor nos leve a querer transformar parceiros e parceiras de forma que eles correspondam a nossas expectativas. O projeto de moldar o outro transforma qualquer convívio numa violência. Mas essa violência não impede nada: no clássico 'Post-traumatic Therapy and Victims of Violence', Frank Ochberg enumerava, entre os sintomas habituais das vítimas, tanto um ódio ressentido e doentio quanto sentimentos positivos - incluindo amor romântico, sujeição e, paradoxalmente, gratidão." (Contardo Calligaris)
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