Motivação correta e meditação *
Lama Samten
Quando há um obstáculo na vida e não há como ultrapassá-lo, esses aspectos intransponíveis são o objeto da meditação. Aquilo que é intransponível, que não dá para atravessar, é aquilo que a meditação atravessa. Porque por ela nós vamos compreender que aquilo que consideramos sólido diante de nós não é sólido, nem é separado de nós. As sensações que nós temos não brotam de fora - elas são ativadas. As percepções são um processo ativo, não um processo passivo onde eu recebo coisas. A percepção depende de uma estrutura que eu estou operando. Se eu não perceber essa estrutura, então eu não entendo o que é percepção. Percepção tem um nível de construção junto.
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Quando entendemos esta noção de responsabilidade universal é como se gerássemos, como se ficasse claro para nós um tipo de sonho positivo que nos conduz no caminho e nos possibilita construir o mundo de uma forma positiva. Neste sonho nós somos felizes, nos relacionamos bem com os outros, a natureza está preservada, nós temos saúde, temos educação, podemos crescer de uma forma positiva. Este é um bom sonho. Nós poderíamos sonhar variados sonhos. Um dos sonhos que podemos sonhar é assim: no futuro vamos ter guerras, é bom nos prepararmos para isso. Então quando olhamos para a frente, podemos construir nossos sonhos em diferentes direções. Nós podemos ter sonhos coletivos favoráveis.
Esse é o ponto que vai nos levar à noção de responsabilidade universal. Para termos um sonho, é bom que ele não seja aleatório. Então que referencial podemos escolher para nosso sonho? Sem uma cultura de paz, sem a visão da responsabilidade universal, a vida se torna insatisfatória e a própria sustentabilidade da vida no planeta fica ameaçada. Nesse sentido, o mundo real enquanto mundo possível e sustentável é o mundo da cultura de paz e não o mundo como pensamos que ele é a partir das nossas visões obstruídas.
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De tanto em tanto, em meio a nossos afazeres e atribulações a gente se pergunta: será que eu estou indo realmente em direção a algum lugar? Está tudo tão parecido. Isso é porque nos giramos em ciclos ou círculos, vivemos o que se chama, no budismo, de experiência cíclica.
Diz-se que não apenas os seres humanos, mas todos os seres estão submetidos a essa experiência cíclica, estão submetidos a dukka. Essa categoria não é uma categoria ocidental, então não temos propriamente uma palavra para isso. O sofrimento em nossa cultura é apontado como tendo uma outra origem, outra descrição.
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* Além de recortes, troquei o termo Prajna Paramitta por meditação.
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sábado, 10 de dezembro de 2011
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