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terça-feira, 31 de julho de 2012
"O primeiro passo é tomar consciência de que não podemos ver o tempo como um inimigo que temos que conquistar e explorar ao máximo. Se você faz muitas coisas ao mesmo tempo, está tocando apenas a superfície delas. Experimente simplesmente fazer menos coisas, com mais energia no momento presente. Muitos estudos demonstraram que quando temos relógios à vista a relação com o tempo muda, ficamos mais ansiosos. Vale a pena experimentar ao menos tirar o relógio no fim de semana." (Carl Honoré)
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Com 15 anos, a lituana Ruta Meilutyte fez o melhor tempo nas semifinais dos 100 metros peito das Olimpíadas de Londres.domingo, 29 de julho de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Onde está Batman?
(Contardo Calligaris)
(...) Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves jogaram suas namoradas no chão e as protegeram dos tiros com seu corpo: eles se sacrificaram, e elas se salvaram. E Jarell Brooks, 19 anos, no meio daquele inferno, empurrou na sua frente e levou até à saída Patricia Legarreta com suas duas filhas pequenas, que ele encontrou perdidas no escuro e nos disparos. Patricia e as meninas se salvaram. Jarell não morreu, mas, ao amparar as três como um escudo, foi baleado nas costas.
Fazer a coisa certa não é um automatismo: o marido de Patricia e pai das meninas, por exemplo, desorientado no meio do massacre, encontrara só a saída, não a mulher e as filhas, que ficaram por conta. Em suma, talvez Batman estivesse naquele cinema de Aurora, disfarçado de Jarell Brooks, Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves. Infelizmente, além de Batman em vários disfarces, no cinema de Aurora, havia também seus (e nossos) inimigos - James Holmes estava disfarçado de Bane e com os cabelos do Curinga.
A moral dessa história é que os "ruins" se vestem de Bane ou de Curinga: eles querem se destacar, mostrar ao mundo que eles são únicos e confirmar seu "glamour" graças ao nosso olhar - admirativo ou apavorado, pouco importa, contanto que fiquemos vidrados neles. (...) Em Aurora, nossos heróis, os "bons", ao contrário do assassino, foram quase invisíveis. Como explicar o que aconteceu aos nossos filhos? Acharia bom lhes dizer que o que aconteceu (ou algo parecido) vai acontecer sempre; e, quando acontecer, não poderão contar com a chegada de Batman, mas poderão, isso sim, descobrir se há um Batman neles, ou não.
(Contardo Calligaris)
(...) Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves jogaram suas namoradas no chão e as protegeram dos tiros com seu corpo: eles se sacrificaram, e elas se salvaram. E Jarell Brooks, 19 anos, no meio daquele inferno, empurrou na sua frente e levou até à saída Patricia Legarreta com suas duas filhas pequenas, que ele encontrou perdidas no escuro e nos disparos. Patricia e as meninas se salvaram. Jarell não morreu, mas, ao amparar as três como um escudo, foi baleado nas costas.
Fazer a coisa certa não é um automatismo: o marido de Patricia e pai das meninas, por exemplo, desorientado no meio do massacre, encontrara só a saída, não a mulher e as filhas, que ficaram por conta. Em suma, talvez Batman estivesse naquele cinema de Aurora, disfarçado de Jarell Brooks, Jon Blunk, Matt McQuinn e Alex Teves. Infelizmente, além de Batman em vários disfarces, no cinema de Aurora, havia também seus (e nossos) inimigos - James Holmes estava disfarçado de Bane e com os cabelos do Curinga.
A moral dessa história é que os "ruins" se vestem de Bane ou de Curinga: eles querem se destacar, mostrar ao mundo que eles são únicos e confirmar seu "glamour" graças ao nosso olhar - admirativo ou apavorado, pouco importa, contanto que fiquemos vidrados neles. (...) Em Aurora, nossos heróis, os "bons", ao contrário do assassino, foram quase invisíveis. Como explicar o que aconteceu aos nossos filhos? Acharia bom lhes dizer que o que aconteceu (ou algo parecido) vai acontecer sempre; e, quando acontecer, não poderão contar com a chegada de Batman, mas poderão, isso sim, descobrir se há um Batman neles, ou não.
O sobrepeso humano
(Ricardo Abramovay)
A existência de 1 bilhão de famintos e o horizonte de crescimento em mais de um terço da população mundial até 2050 parecem levar a uma conclusão óbvia: nada seria mais importante para o sistema agroalimentar que prosseguir no incessante aumento da oferta. Documento recente das Nações Unidas, elaborado a partir de entrevistas com dezenas de pesquisadores e líderes setoriais de todo o mundo, insurge-se contra essa aparente evidência. “Estamos buscando o objetivo errado”, diz o texto logo em sua introdução. “Pela primeira vez na História, a quantidade de pessoas com sobrepeso e obesidade supera a de desnutridos. São desastrosas as consequências de nossos hábitos dietéticos emergentes para a saúde das pessoas e dos ecossistemas. No entanto, a política agrícola concentra-se em produção e comércio e está curiosamente divorciada das questões vitais da boa nutrição”.
O setor agroalimentar é uma espécie de síntese dos grandes desafios da relação entre economia, sociedade e natureza no século XXI. Por um lado, é imprescindível que ele faça mais, permitindo que alimentos de boa qualidade cheguem àqueles que estão em situação de fome ou que têm carências nutricionais. Mas seu desafio mais importante e mais difícil não é este: é fazer melhor e, em muitos casos, fazer menos do que se faz atualmente.
A quantidade de refrigerante servida por refeição nos fast-foods americanos aumentou seis vezes, o hambúrguer tornou-se três vezes maior e a porção de batata frita foi igualmente multiplicada por três de 1950 para cá. Como esse padrão se difunde globalmente, o resultado é uma pandemia de obesidade. Só nos estados Unidos, um terço da população adulta é obesa. E sempre é bom lembrar que obesidade não é apenas sobrepeso: um indivíduo de um metro e setenta e cinco será considerado obeso caso seu peso vá além de 92 quilos.
Este é um exemplo de duas dimensões centrais dos problemas socioambientais contemporâneos. A primeira refere-se ao fato de que a ampliação desmesurada na oferta de produtos depende do uso predatório e gratuito de serviços ecossistêmicos, cuja oferta encontra-se cada vez mais ameaçada. A consultoria global KPMG calculou os custos ocultos de 11 setores da economia global referentes à emissão de gases-estufa, ao uso de água e à produção de lixo. Para cada setor esses custos foram comparados aos lucros setoriais. No caso do setor alimentar, corresponderam a nada menos que 284% dos lucros.
Globalmente, o setor opera no vermelho. Na raiz da obesidade (e também do desperdício que destina ao lixo de 30% a 40% da produção agropecuária mundial) está o caráter artificialmente barato das calorias servidas de forma cada vez mais abundante. Comida barata resulta muito mais de apropriação predatória e não paga de serviços ecossistêmicos escassos do que de eficiência tecnológica.
A segunda dimensão em que a obesidade sintetiza os problemas socioambientais contemporâneos é que os padrões de consumo a ela subjacentes são formatados de maneira explícita e coordenada pela indústria, sobretudo pela oferta crescente daquilo que Carlos Augusto Monteiro, uma das maiores autoridades mundiais no tema, chama de alimentos ultraprocessados. Seus principais ingredientes tornam-nos ricos em gorduras e pobres em micronutrientes, fibras e outros compostos bioativos. Além disso, eles possuem alta densidade energética, hiperpalatabilidade, são vendidos em porções imensas e apoiam-se em marketing agressivo. Consumir esses alimentos de forma esporádica não traz danos. O problema é que eles se integram à dieta cotidiana e a quantidade de produtos frescos com os quais, às vezes, são servidos é ínfima. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha os alimentos ultraprocessados fornecem mais de metade de toda a energia calórica consumida pela população.
Tais produtos não são uma resposta neutra àquilo que os consumidores demandam: sua base é um trabalho industrial e mercadológico de formação da demanda que passa pela moldagem da cultura alimentar e do próprio paladar das pessoas. O pior é que esse padrão vai-se impondo desde a infância, por meio de técnicas mercadológicas eticamente inadmissíveis (e, no entanto, largamente praticadas) como a associação entre comida e brinquedos como forma de atração de crianças para dentro das lojas de fast-food.
____________________________________________________________________
* Professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, é autor de Muito Além da Economia Verde. Twitter: @aBramovay
(Ricardo Abramovay)
A existência de 1 bilhão de famintos e o horizonte de crescimento em mais de um terço da população mundial até 2050 parecem levar a uma conclusão óbvia: nada seria mais importante para o sistema agroalimentar que prosseguir no incessante aumento da oferta. Documento recente das Nações Unidas, elaborado a partir de entrevistas com dezenas de pesquisadores e líderes setoriais de todo o mundo, insurge-se contra essa aparente evidência. “Estamos buscando o objetivo errado”, diz o texto logo em sua introdução. “Pela primeira vez na História, a quantidade de pessoas com sobrepeso e obesidade supera a de desnutridos. São desastrosas as consequências de nossos hábitos dietéticos emergentes para a saúde das pessoas e dos ecossistemas. No entanto, a política agrícola concentra-se em produção e comércio e está curiosamente divorciada das questões vitais da boa nutrição”.
O setor agroalimentar é uma espécie de síntese dos grandes desafios da relação entre economia, sociedade e natureza no século XXI. Por um lado, é imprescindível que ele faça mais, permitindo que alimentos de boa qualidade cheguem àqueles que estão em situação de fome ou que têm carências nutricionais. Mas seu desafio mais importante e mais difícil não é este: é fazer melhor e, em muitos casos, fazer menos do que se faz atualmente.
A quantidade de refrigerante servida por refeição nos fast-foods americanos aumentou seis vezes, o hambúrguer tornou-se três vezes maior e a porção de batata frita foi igualmente multiplicada por três de 1950 para cá. Como esse padrão se difunde globalmente, o resultado é uma pandemia de obesidade. Só nos estados Unidos, um terço da população adulta é obesa. E sempre é bom lembrar que obesidade não é apenas sobrepeso: um indivíduo de um metro e setenta e cinco será considerado obeso caso seu peso vá além de 92 quilos.
Este é um exemplo de duas dimensões centrais dos problemas socioambientais contemporâneos. A primeira refere-se ao fato de que a ampliação desmesurada na oferta de produtos depende do uso predatório e gratuito de serviços ecossistêmicos, cuja oferta encontra-se cada vez mais ameaçada. A consultoria global KPMG calculou os custos ocultos de 11 setores da economia global referentes à emissão de gases-estufa, ao uso de água e à produção de lixo. Para cada setor esses custos foram comparados aos lucros setoriais. No caso do setor alimentar, corresponderam a nada menos que 284% dos lucros.
Globalmente, o setor opera no vermelho. Na raiz da obesidade (e também do desperdício que destina ao lixo de 30% a 40% da produção agropecuária mundial) está o caráter artificialmente barato das calorias servidas de forma cada vez mais abundante. Comida barata resulta muito mais de apropriação predatória e não paga de serviços ecossistêmicos escassos do que de eficiência tecnológica.
A segunda dimensão em que a obesidade sintetiza os problemas socioambientais contemporâneos é que os padrões de consumo a ela subjacentes são formatados de maneira explícita e coordenada pela indústria, sobretudo pela oferta crescente daquilo que Carlos Augusto Monteiro, uma das maiores autoridades mundiais no tema, chama de alimentos ultraprocessados. Seus principais ingredientes tornam-nos ricos em gorduras e pobres em micronutrientes, fibras e outros compostos bioativos. Além disso, eles possuem alta densidade energética, hiperpalatabilidade, são vendidos em porções imensas e apoiam-se em marketing agressivo. Consumir esses alimentos de forma esporádica não traz danos. O problema é que eles se integram à dieta cotidiana e a quantidade de produtos frescos com os quais, às vezes, são servidos é ínfima. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha os alimentos ultraprocessados fornecem mais de metade de toda a energia calórica consumida pela população.
Tais produtos não são uma resposta neutra àquilo que os consumidores demandam: sua base é um trabalho industrial e mercadológico de formação da demanda que passa pela moldagem da cultura alimentar e do próprio paladar das pessoas. O pior é que esse padrão vai-se impondo desde a infância, por meio de técnicas mercadológicas eticamente inadmissíveis (e, no entanto, largamente praticadas) como a associação entre comida e brinquedos como forma de atração de crianças para dentro das lojas de fast-food.
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* Professor titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, é autor de Muito Além da Economia Verde. Twitter: @aBramovay
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filosofia,
psicologia
Segundo informações do diretor de resíduos sólidos [da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de São Leopoldo], Mário Selli, apesar do trabalho de coleta seletiva feito em conjunto entre a Prefeitura e as cooperativas, apenas 20% da população separa o lixo corretamente e a maioria o faz de forma errada, gerando mau cheiro nos galpões. (...) Hoje, o Município já possui sete usinas de separação e reciclagem que recebem mensalmente 150 toneladas de resíduo. (VS)
“Vocês são as mesmas flores que morreram no frio ou são diferentes? As flores responderam para mim: Thay, não somos as mesmas nem somos diferentes. Quando as condições são suficientes nos manifestamos e quando as condições não são suficientes nos escondemos. É tão simples quanto isso. Isto é o que o Buda ensinou. Quando as condições são suficientes as coisas se manifestam. Quando as condições não são mais suficientes as coisas se retiram. Elas esperam até o momento certo para elas se manifestarem novamente." (Thich Nhât Hanh)
quarta-feira, 25 de julho de 2012
"A vida é so um pretexto pra unir quem deve se encontrar." (Claudia Garcia González)
1 Muriel
4 Nei (26 Ratinho)
18 Juan (3 Índio)
13 Moledo
6 Kleber
5 Guiñazu (21 Ygor)
15 Elton
23 Dátolo (35 Fred)
10 D'Alessandro
7 Forlán (20 Dagoberto)
9 Damião
4 Nei (26 Ratinho)
18 Juan (3 Índio)
13 Moledo
6 Kleber
5 Guiñazu (21 Ygor)
15 Elton
23 Dátolo (35 Fred)
10 D'Alessandro
7 Forlán (20 Dagoberto)
9 Damião
terça-feira, 24 de julho de 2012
Estudar o budismo é estudar a si mesmo.
Estudar a si mesmo é esquecer a si mesmo.
Esquecer a si mesmo é estar identificado com todas as coisas.
Estar identificado com todas as coisas é tornar-se a própria VERDADE.
(mestre zen Eihei Dogên)
O Coringa está em toda parte
(Arnaldo Jabor)
Vamos ao cinema em busca de ilusões. Só que, de repente, sai da tela a realidade, como uma pavorosa 'rosa púrpura de sangue'!
"Armas na mão e balas nas cabeças" foi o slogan dessa noite terrível. Como se o assassino dissesse: "Eu não sou vocês; eu sou eles! Eu sou o Coringa".
Esse cara é louco de pedra, sem dúvida; mas, quem dá conteúdo à sua loucura? É óbvio que são as cenas de morte cruelmente sofisticadas e sádicas do cinema americano, as mesmas dos filmes-catástrofe, os 'Godzillas' que inspiraram o 11 de Setembro do Osama. Sempre me espantei com o prazer que tem o cinema americano de destruir Nova York; mesmo depois do Osama, continuam a destruir a cidade. Por que isso? Tirando as comédias românticas ridículas e os desenhos animados, só se vê morte nos filmes. E não é a violência literal que provoca esses assassinatos. Não; é justamente a tranquilidade com que a violência é exibida, a displicência com que fuzilamentos e punhaladas se transformaram em um bailado ritual quase erótico. A violência ficou fria, 'deliciosa' de ver.
E quem fornece as armas? Ora, é óbvio que é o comércio incontrolável de máquinas mortíferas, que ninguém consegue coibir. São 200 milhões de armas legalizadas na América. Assim:
"Boa tarde... eu queria uma metralhadora israelense, um Kalashnicov bacana, talvez o AK47, e aquela granadinha ali... por favor"... "Tudo bem, aqui está - quer mais munição?"
E, assim, o "cavaleiro das trevas ressurgiu", o homem morcego se vingou de seus antigos protegidos. É claro que não são as cenas pontuais de sangue que influenciam os loucos, mas a violência implícita no país, direito constitucional de pistoleiros e caubóis. Eu já morei lá, ia a uma escola como Columbine e vi de perto a cultura da porrada.
Ele quis massacrar nosso mundo de voyeurs. Ele quis mais, além de "olhar". Ele quis "ser". Quis que participássemos do filme de ação, queria partilhar conosco a loucura humana, num ato que mostra que a saúde, a razão moral, a compaixão são partes de um intrincado painel de delírios, uma pequena ilha num arquipélago de insanidades, quis mostrar que o 'humano' é definido por nossa agressividade milenar. É incrível que muita gente negue a influência do cinema nos assassinatos (sem contar o cotidiano guerreiro dos homens-bomba, dos genocídios nos países pobres e da crueldade dos ricos). No cinema, já estamos tão acostumados com o massacre colorido, que nem percebemos o absurdo. Quando o Código Hays da terrível censura careta dos anos 30 foi extinto em Hollywood, a sexualidade continuou ausente dos filmes. Só floresceu a brutalidade total, o substitutivo puritano para o sexo.
Por que ele matou espectadores e não compradores de supermercado? Por que matou os que sonhavam no escuro? Queria experimentar o inominável, o crime impensável? Queria outro tipo de cinema? Ele foi um documentarista. Foi contra a ficção - queria um "cinema-verdade". Poderia ter atirado na tela, matando o filme. Mas atirou nos passivos voyeurs da crueldade alheia. É como se dissesse: "Não se brinca com a morte, nem Batman nem ninguém nos livra da morte com catarses purificadoras, pois um dia ela chega". Um dia, o Coringa chega, pois ele está em toda parte. É só ligar a TV e olhar a Síria; Assad é um Coringa, Putin, também. Todo louco tem fome de realidade e, nisso, a morte tem uma grande serventia: ela é brutamente palpável, concreta, nega todo discurso.
Ele não se suicidou, como tantos. Não. Creio que ele, mesmo louco, queria aparecer, ser preso mesmo. No crime americano, o assassino quer ser reconhecido como sujeito. Lembro-me do garoto de In Cold Blood (A Sangue Frio), de Truman Capote, que tinha pronto um discurso para o dia em que ganhasse o Oscar; um discurso modesto, emocionado, que ele ensaiava diante do espelho.
Fiquei mesmo fascinado com as armadilhas que ele deixou no apartamento para a polícia; ele estava montando um filme em que ele era o roteirista e protagonista.
Talvez sua mensagem seja de que nada se explica, que não valemos nada, que nem no escuro, comendo pipocas, estamos a salvo.
Ele queria provar que o neocrime não é mais o contrário do Bem. Como um Mallarmé (Le Mal-Armé - perdão, lacanianos!...), ele ensinou que nosso pobre "jogo de dados não vai abolir o Acaso jamais"; um acaso sangrento pode surgir e nossa morte não é mais sagrada.
Os jornais perguntam sem parar: por quê? Mas toda semana há uma chacina nas periferias e ninguém pergunta nada. E tanto ele quanto aquele Matheus que fuzilou no cinema em São Paulo, durante o Clube da Luta, queriam silenciar os discursos do "bem" e do "mal". Queriam ir além deste velho maniqueísmo. Como disse um menino da Febem que decapitou um colega: "Desci o machado na garganta dele e, aí, já era!..." Ou seja, não houve nada; apenas uma decapitação. Para o assassino não houve nada no cinema; apenas um filme mais realista e violento. Esse neocrime é uma terceira coisa: é o mal banal. Chama-se de "mal" por falta de outro nome. É o crime do novo milênio, prefigurando a frieza dos extermínios que virão. Esses criminosos contemporâneos falam uma verdade que teimamos em ignorar em nosso humanismo fracassado: a tragédia quente está superada, está out; só nos resta a tragédia fria, como uma 'solução final' que não emociona mais. No mundo bárbaro e tecnizado há centenas de milhões de mortos-vivos pela fome. Os extermínios vão virar uma prática social, para regular o mercado de excedentes. Em vez de queimar produtos, queimarão consumidores. O fim da tragédia já aconteceu. A sobrevivência moderna precisa do crime. Contemplamos a miséria cotidiana com a mesma frieza com que o cara fez sua rosa de sangue. Esse louco sorridente queria mesmo nos chocar, nos acordar de um sono frio.
(Arnaldo Jabor)
Vamos ao cinema em busca de ilusões. Só que, de repente, sai da tela a realidade, como uma pavorosa 'rosa púrpura de sangue'!
"Armas na mão e balas nas cabeças" foi o slogan dessa noite terrível. Como se o assassino dissesse: "Eu não sou vocês; eu sou eles! Eu sou o Coringa".
Esse cara é louco de pedra, sem dúvida; mas, quem dá conteúdo à sua loucura? É óbvio que são as cenas de morte cruelmente sofisticadas e sádicas do cinema americano, as mesmas dos filmes-catástrofe, os 'Godzillas' que inspiraram o 11 de Setembro do Osama. Sempre me espantei com o prazer que tem o cinema americano de destruir Nova York; mesmo depois do Osama, continuam a destruir a cidade. Por que isso? Tirando as comédias românticas ridículas e os desenhos animados, só se vê morte nos filmes. E não é a violência literal que provoca esses assassinatos. Não; é justamente a tranquilidade com que a violência é exibida, a displicência com que fuzilamentos e punhaladas se transformaram em um bailado ritual quase erótico. A violência ficou fria, 'deliciosa' de ver.
E quem fornece as armas? Ora, é óbvio que é o comércio incontrolável de máquinas mortíferas, que ninguém consegue coibir. São 200 milhões de armas legalizadas na América. Assim:
"Boa tarde... eu queria uma metralhadora israelense, um Kalashnicov bacana, talvez o AK47, e aquela granadinha ali... por favor"... "Tudo bem, aqui está - quer mais munição?"
E, assim, o "cavaleiro das trevas ressurgiu", o homem morcego se vingou de seus antigos protegidos. É claro que não são as cenas pontuais de sangue que influenciam os loucos, mas a violência implícita no país, direito constitucional de pistoleiros e caubóis. Eu já morei lá, ia a uma escola como Columbine e vi de perto a cultura da porrada.
Ele quis massacrar nosso mundo de voyeurs. Ele quis mais, além de "olhar". Ele quis "ser". Quis que participássemos do filme de ação, queria partilhar conosco a loucura humana, num ato que mostra que a saúde, a razão moral, a compaixão são partes de um intrincado painel de delírios, uma pequena ilha num arquipélago de insanidades, quis mostrar que o 'humano' é definido por nossa agressividade milenar. É incrível que muita gente negue a influência do cinema nos assassinatos (sem contar o cotidiano guerreiro dos homens-bomba, dos genocídios nos países pobres e da crueldade dos ricos). No cinema, já estamos tão acostumados com o massacre colorido, que nem percebemos o absurdo. Quando o Código Hays da terrível censura careta dos anos 30 foi extinto em Hollywood, a sexualidade continuou ausente dos filmes. Só floresceu a brutalidade total, o substitutivo puritano para o sexo.
Por que ele matou espectadores e não compradores de supermercado? Por que matou os que sonhavam no escuro? Queria experimentar o inominável, o crime impensável? Queria outro tipo de cinema? Ele foi um documentarista. Foi contra a ficção - queria um "cinema-verdade". Poderia ter atirado na tela, matando o filme. Mas atirou nos passivos voyeurs da crueldade alheia. É como se dissesse: "Não se brinca com a morte, nem Batman nem ninguém nos livra da morte com catarses purificadoras, pois um dia ela chega". Um dia, o Coringa chega, pois ele está em toda parte. É só ligar a TV e olhar a Síria; Assad é um Coringa, Putin, também. Todo louco tem fome de realidade e, nisso, a morte tem uma grande serventia: ela é brutamente palpável, concreta, nega todo discurso.
Ele não se suicidou, como tantos. Não. Creio que ele, mesmo louco, queria aparecer, ser preso mesmo. No crime americano, o assassino quer ser reconhecido como sujeito. Lembro-me do garoto de In Cold Blood (A Sangue Frio), de Truman Capote, que tinha pronto um discurso para o dia em que ganhasse o Oscar; um discurso modesto, emocionado, que ele ensaiava diante do espelho.
Fiquei mesmo fascinado com as armadilhas que ele deixou no apartamento para a polícia; ele estava montando um filme em que ele era o roteirista e protagonista.
Talvez sua mensagem seja de que nada se explica, que não valemos nada, que nem no escuro, comendo pipocas, estamos a salvo.
Ele queria provar que o neocrime não é mais o contrário do Bem. Como um Mallarmé (Le Mal-Armé - perdão, lacanianos!...), ele ensinou que nosso pobre "jogo de dados não vai abolir o Acaso jamais"; um acaso sangrento pode surgir e nossa morte não é mais sagrada.
Os jornais perguntam sem parar: por quê? Mas toda semana há uma chacina nas periferias e ninguém pergunta nada. E tanto ele quanto aquele Matheus que fuzilou no cinema em São Paulo, durante o Clube da Luta, queriam silenciar os discursos do "bem" e do "mal". Queriam ir além deste velho maniqueísmo. Como disse um menino da Febem que decapitou um colega: "Desci o machado na garganta dele e, aí, já era!..." Ou seja, não houve nada; apenas uma decapitação. Para o assassino não houve nada no cinema; apenas um filme mais realista e violento. Esse neocrime é uma terceira coisa: é o mal banal. Chama-se de "mal" por falta de outro nome. É o crime do novo milênio, prefigurando a frieza dos extermínios que virão. Esses criminosos contemporâneos falam uma verdade que teimamos em ignorar em nosso humanismo fracassado: a tragédia quente está superada, está out; só nos resta a tragédia fria, como uma 'solução final' que não emociona mais. No mundo bárbaro e tecnizado há centenas de milhões de mortos-vivos pela fome. Os extermínios vão virar uma prática social, para regular o mercado de excedentes. Em vez de queimar produtos, queimarão consumidores. O fim da tragédia já aconteceu. A sobrevivência moderna precisa do crime. Contemplamos a miséria cotidiana com a mesma frieza com que o cara fez sua rosa de sangue. Esse louco sorridente queria mesmo nos chocar, nos acordar de um sono frio.
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Allan Stewart Konigsberg sofre bastante.
Woody Allen: "Eu tenho tido muita sorte e o meu talento me dá uma vida muito produtiva, mas em todo o resto eu sou péssimo. Eu não sou bom levando a vida, até nas coisas mais ridiculamente simples. Essas coisas que são brincadeira de criança pra maioria das pessoas são um trauma pra mim. Dar entrada em aeroporto ou hotel, segurar minhas relações com as outras pessoas, sair pra caminhar, devolver coisas em uma loja… Eu trabalho com a mesma máquina de escrever Olympus desde quando eu tinha 16 – e ela ainda parece nova. Todos os meus filmes foram batidos à máquina, inclusive recentemente eu não consegui nem trocar a fita colorida da máquina. Às vezes eu convido pessoas pra jantar e então elas podem trocar a fita pra mim. É uma tragédia. A vida é cheia de momentos que são bons – ganhar na loteria, ver uma mulher bonita, uma boa janta. Um oásis muito prazeroso. Mas pegue um filme como o Sétimo Selo, do Bergman. É uma grande tragédia, mas tem um momento em que ele está sendo com as crianças, bebendo leite e comendo morangos silvestres. Só que depois o momento maravilhoso passa e você volta para aquilo que a existência realmente é." (Fonte: The Talks)
VX é um agente de nervos de fabrico humano e que pode ser utilizado como arma química. Os agentes de nervos são as armas químicas que apresentam maior toxicidade e rapidez de ação. Mesmo após tratado mundial contrário, ainda existem países que possuem stocks do agente de nervos VX - como a Síria.
Sintomas logo após exposição a doses baixas
- Rinorreia
- Lacrimejo
- Miose
- Dor nos olhos
- Visão turva
- Salivação excessiva
- Sudorese excessiva
- Tosse
- Aperto no peito
- Diarreia
- Aumento da diurese
- Confusão mental
- Respiração rápida
- Sonolência
- Fraqueza
- Dores de cabeça
- Náuseas
- Vómitos
- Dores abdominais
- Bradicardia
- Hipotensão
- Falta de coordenação motora
- Broncoconstrição
- Dispneia
- Paralisia flácida
Sintomas após exposição a doses elevadas
- Perda de consciência
- Convulsões
- Paralisia
- Depressão respiratória
Sintomas logo após exposição a doses baixas
- Rinorreia
- Lacrimejo
- Miose
- Dor nos olhos
- Visão turva
- Salivação excessiva
- Sudorese excessiva
- Tosse
- Aperto no peito
- Diarreia
- Aumento da diurese
- Confusão mental
- Respiração rápida
- Sonolência
- Fraqueza
- Dores de cabeça
- Náuseas
- Vómitos
- Dores abdominais
- Bradicardia
- Hipotensão
- Falta de coordenação motora
- Broncoconstrição
- Dispneia
- Paralisia flácida
Sintomas após exposição a doses elevadas
- Perda de consciência
- Convulsões
- Paralisia
- Depressão respiratória
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Meu projeto musical Hotel foi trilha sonora para este curta documentário sobre o artista argentino Milton Cordoba. Convite da mineira Isabela Kayo. A música é Quarto 203, do disco 'Segundo andar', comigo e com Mateus D'Almeida na guitarra e no synth, Rodrigo Leszczynski Souto na bateria e Leonardo Márquez Brawl no baixo.
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Primeira entrevista coletiva da estreia do Fernandão como técnico de futebol do Sport Club Internacional contra o Atlético-GO.
"Vou fazer como ocorreu na Europa, quando fui artilheiro duas vezes, e na Copa do Mundo. Entrei para ajudar e acabei virando artilheiro. Se for, melhor, mas não é algo que penso." (Diego Forlán)
sábado, 21 de julho de 2012
Exagero regionalista
21/07/2012 — Ivson
A mídia regional é essencial para um país enorme como o nosso, não se discute. Como também, creio, não há discussão que, dos três pilares da notícia – ineditismo, intensidade e proximidade -, o último tem precedência. Por isso, é aceitável, e até mesmo correto, que os veículos de uma região procurem ângulos que aproximem seu leitor/telespectador/ouvinte de notícias importantes, mas distantes.
Deve ter sido seguindo esse raciocínio que os editores do Zero hora On Line, do Rio Grande do Sul, publicaram matéria com um gaúcho que assistiu à estreia de “Batman, o Cavaleiro das Trevas ressurge” nos Estados Unidos, na noite do massacre de Aurora. Só que os coleguinhas exageraram. Leia o lide da matéria e veja o porquê:
Ou seja, Gabriel não só não estava no cinema Century 16, como não assistiu o filme na mesma hora em que ocorria o massacre e sequer estava no estado em que ele aconteceu (Colorado).
No fim, uma alma um pouco menos regionalista retirou a notícia do site e, por isso, não pude obter o “print screen” da tela (ficou só a pista no endereço html da página). Pena.
21/07/2012 — Ivson
A mídia regional é essencial para um país enorme como o nosso, não se discute. Como também, creio, não há discussão que, dos três pilares da notícia – ineditismo, intensidade e proximidade -, o último tem precedência. Por isso, é aceitável, e até mesmo correto, que os veículos de uma região procurem ângulos que aproximem seu leitor/telespectador/ouvinte de notícias importantes, mas distantes.
Deve ter sido seguindo esse raciocínio que os editores do Zero hora On Line, do Rio Grande do Sul, publicaram matéria com um gaúcho que assistiu à estreia de “Batman, o Cavaleiro das Trevas ressurge” nos Estados Unidos, na noite do massacre de Aurora. Só que os coleguinhas exageraram. Leia o lide da matéria e veja o porquê:
“Sempre tem um sujeito com distúrbio mental e acesso a armas”, diz gaúcho que assistia à estreia Batman em uma sala americana.
Estudante de doutorado em Linguística viu o filme em sala lotada em Michigan O doutorando de Linguística Gabriel Roisenberg Rodrigues, 33 anos, de Porto Alegre, estava em uma sala de Michigan assistindo à sessão inaugural do novo filme de Batman. Só não era o mesmo horário em que ocorreu a tragédia do Colorado porque há uma diferença de duas horas no fuso horário. Mesmo estando nos EUA, Rodrigues ficou sabendo do episódio quando retornou para casa, foi comer alguma coisa e ligou a Rádio Gaúcha no seu Iphone. Confira trechos da entrevista para Zero Hora: (…)”
Ou seja, Gabriel não só não estava no cinema Century 16, como não assistiu o filme na mesma hora em que ocorria o massacre e sequer estava no estado em que ele aconteceu (Colorado).
No fim, uma alma um pouco menos regionalista retirou a notícia do site e, por isso, não pude obter o “print screen” da tela (ficou só a pista no endereço html da página). Pena.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
ARDIL, do catalão ardit, significa ‘empreendimento guerreiro’, com dissimilação. Sinônimo: armadilha. Esquilo em espanhol: la ARDILLA. rojaquinta-feira, 19 de julho de 2012
E o pior é que a série Sessão de Terapia, dirigida pelo Selton Mello, é mesmo uma versão brasileira para In Treatment, com cada personagem tendo a sua versão. Ao lado a Sophie "de verdade", e abaixo a "Sophie brasileira", com o Paul Weston cover.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
"O Pedro Cardoso foi muito feliz no seu comentário. Ser ator não é sinônimo de ser famoso (aquele que pede a fama e a foto na revista). O artista é a pessoa que trabalha com a criatividade e cria novas experiências pro seu público, no caso dos atores a ficção, a narrativa - a experiência da fantasia do faz de conta. A ideia do glamour é falsa e não tem relação com profissão artística alguma. A ideia do glamour é forjada para gerar lucro, para vender a imagem de uma vida perfeita e que gere insatisfação nas pessoas para que, essas, queiram o que é comercializado e não o que elas próprias já têm." (Angela Francisca)
O salário público dos servidores
(David Coimbra)
Os servidores públicos, em geral, não são recepcionistas que ganham 24 mil por mês. Em geral, os servidores públicos recebem salários compatíveis com seus cargos ou menos do que isso, como a maioria da população brasileira. E, como a maioria da população brasileira, os servidores públicos levam seus filhos à escola, empurram carrinho no supermercado, compram remédio na farmácia, conversam com o vizinho e se irritam no trânsito. Os servidores públicos são idênticos à maioria da população brasileira, mas, com a lei que pretende divulgar- lhes os nomes e os salários, levarão uma vida diferente de todos, levarão uma vida igual ao seu trabalho: pública. Posso imaginar uma roda de mulheres num bar passando de mão macia para mão macia a lista dos salários de seus amigos, e quiçá pretendentes, que trabalham no serviço público.
– Prefiro sair com este, que ganha R$ 928,52 a mais do que esse outro. – Olha aqui esse chinelão: me convidou para beber um vinho na casa dele, mas só ganha R$ 950. Vai ver é vinho de garrafão.
Ou quem sabe a faxineira de um servidor, discutindo com ele:
– O senhor pode me dar mais 20 por faxina: o seu salário é R$ 3.269,88.
Ou o vizinho na reunião de condomínio:
– Uma vez que o seu salário é de 10.974, você pode aumentar a contribuição mensal, já que nós ganhamos muito menos.
A relação de nomes e salários também será muito útil para operadoras de telemarketing, vendedores e eventuais golpistas, mas ninguém se beneficiará mais do que os sequestradores que abundam debaixo dos semáforos das cidades. Eles poderão estabelecer com minúcias de centavos quanto pedir de resgate por algum familiar de um servidor público. Muito prático.
Eu aqui, eu já precisei de inúmeros servidores públicos, ao longo da vida: sempre estudei em escola pública, e, como qualquer cidadão, já tive de me socorrer da saúde pública, da Justiça, da polícia, dos bombeiros, de diversos prestadores de serviço. Pois quando esses funcionários estavam me atendendo, se porventura pensasse no salário deles, sabe do que eu gostaria? Que eles fossem muito bem remunerados. Que aquele professor, que aquele médico, que aquele escrevente, que aquele delegado, que aquele juiz, que aquele brigadiano ganhasse muito bem, que estivesse satisfeito com seu trabalho, a fim de me prestar assistência de qualidade, a melhor assistência possível.
A divulgação dos salários vinculados aos nomes dos funcionários talvez diminua distorções como a da recepcionista que ganha R$ 24 mil por mês. Mas talvez também afaste os bons do serviço público. Porque, se é verdade que o que é caro não é necessariamente bom, também é verdade que o bom vale mais. O serviço público, por atender a toda a população, tem de ser composto pelos melhores, e os melhores têm de ser bem remunerados. Com merecimento, sim. Com transparência, claro que sim. Não com constrangimento.
* Texto publicado na Zero Hora de 13/07/2012
Glaucio Missioneiro diz: Divulgar salários de servidores que foram aprovados em concursos públicos e lutaram, muitas vezes se privando de muitas coisas pra chegar lá é um absurdo.
Colorada diz: Se Fulano quer saber o meu salário, que acesse determinado site, preencha um cadastro, em que deverá constar nome completo, email e CPF e aí sim, terá acesso ao meu salário. Então, eu receberei (pode ser pelo meu email funcional) um relatório do nome das pessoas que acessaram meus dados. Se é justo acessarem meu salário, que seja justo eu saber quem o fez.
Aline Porta diz: Discordo totalmente de vc. Não irár afastar .. quem procura \"emprego publico\" só quer duas coisas: estabilidade e dinheiro. Sou a favor de divulgar sim. Dinheiro publico é dinheiro do \"povo\". é totalmente diferente de uma empresa privada. No setor privado nunca aconteceria de uma recepcionista ganhar 24 mil???
Valdemir diz: Muito bom o texto. Entretanto, faltou dizer que trabalhar no serviço público é uma opção, entre tantas outras que fazemos em nossa vida. Optamos por fazer um concurso, e estudamos muito para isso. Ninguém pode ser tratado de forma diferente porque trabalha nesse setor.
Gilberto diz: Então vamos divulgar também o nome e os valores dos devedores de impostos, que também é dinheiro público, e que não tem a devida fiscalização do poder público.
Thiago diz: David, o que voce precisa entender, e\' que o funcionalismo publico brasileiro foi criado nao para prestar servicos `a sociedade brasileira, mas sim para gerar um mercado consumidor a partir dos salarios e da estabilidade gerados pelo Estado Brasileiro. A classe media brasileira iniciou com o funcionalismo publico e...bom, gerou as distorcoes terriveis que vemos hoje em dia e que pesam DEMAIS para a competitividade do setor privado, HOJE, verdadeiro pilar do crescimento SUSTENTAVEL.
Pedro diz: Mais uma vez, o Sr. David Coimbra mostrou-se uma pessoa abjeta e desprezível
Marcos Contarin diz: Sendo meu imposto que paga os salários dos servidores, eu como \"patrão\" tenho direito de saber quanto pago de salário para meus funcionários, pois tenho uma empresa e com o valor de impostos que pago eu poderia aumentar o quadro de funcionários em 25%. Além disso, concordo que médicos, professores, bombeiros e policiais ganhem muito bem, mais até que deputados, senadores e vereadores, pois ai sim teríamos os melhores servidores. Acho que constrangimento não é ganhar, 900,00, mil ou 10 mil reais, é ter que comprar uma geladeira ou um fogão e ir na loja e apresentar uma folha de pagamento de um salário minimo para aprovar o parcelamento, isso pra mim é constrangimento.
Gilvane Eduardo Ferret diz: O Brasil é um país atrasado. Mas certas elites querem fazer parecer que é avançado. A população não liga para política, quer tocar a vida da melhor maneira possível (mais ou menos como um afegão que não quer saber da guerra entre os americanos e o talibã). Não se deu conta que, cada vez que vota em alguém pela cara e não pelas propostas, assina um cheque em branco. Que medidas \"bonitinhas\" são inócuas ou, pior, cortina de fumaça. A democracia mal feita é fácil de atacar. Um policial que ganha 500 por mes é um agente do Estado com serviços de aluguel. Um juiz de 500 reais vai dar sentenças de 500 reais. Ou alguém acha que o sujeito que sabe que pode ganhar 1000 na iniciativa privada vai trabalhar por 500? Com salário divulgado e aposentadoria igual a da iniciativa privada? (...)
paulo ricardo de avila diz: sou servidor público hà 15 anos e tenho muito orgulho de meu trabalho. Sou essencial, pode parecer que não, mas sou. Se eu não estiver todo o dia no meu local de trabalho, quem vai atender a senhora idosa, doente e pobre que não tem acesso à médicos ou medicamentos. Se ela tiver um direito negado e eu não estiver lá para restabelecer a justiça quem o fará. Se o neto dela precisar aprender e eu não estiver lá, quem vai ensiná-lo. Confesso que não entendo esse movimento, que não vem de hoje, que coloca os servidores públicos como párias e responsáveis por boa parte das mazelas nacionais, como se fossemos um peso para a sociedade.
Alessandro Araldi Marcona diz: Para aprimorar a ideia, poderiamos conceber uma lei que obrigasse a publicar os balanços dos estabelecimentos que frequentamos, a final eles também são mantidos pelo dinheiro do povo.
João diz: não se iludam, pois, quando o processo de acovardamento e controle absoluto dos servidores públicos terminar (não falta muito), o foco vai mudar para o privado e não haverá mais onde se socorrer, já que os servidores públicos (entre eles vários que deveriam ter sua independência garantida para prestarem bons serviços públicos, como auditores da Receita, fiscais da Fazenda, juízes, promotores, e outros) estarão já todos de joelhos, rezando pela cartilha que lhes foi imposta sob o aplauso de muitos. Para quem duvida, há exemplos históricos disso, inclusive recentes e no mesmo continente.
francisco diz: Sr. Maquiavélicus, seja lá qual for seu nome... dou risada com a tua mistura de orgulho (nossa! leiam meu comentário, eu sou demais!) com drama esquizofrênico paranóico anti-funcionalismo psicótico brasileiro midiático cabeça-fraca (danem-se os servidores públicos, vagabundos!, imprestáveis!, eu tenho família, mas se eles têm, não quero nem saber!).
(David Coimbra)
Os servidores públicos, em geral, não são recepcionistas que ganham 24 mil por mês. Em geral, os servidores públicos recebem salários compatíveis com seus cargos ou menos do que isso, como a maioria da população brasileira. E, como a maioria da população brasileira, os servidores públicos levam seus filhos à escola, empurram carrinho no supermercado, compram remédio na farmácia, conversam com o vizinho e se irritam no trânsito. Os servidores públicos são idênticos à maioria da população brasileira, mas, com a lei que pretende divulgar- lhes os nomes e os salários, levarão uma vida diferente de todos, levarão uma vida igual ao seu trabalho: pública. Posso imaginar uma roda de mulheres num bar passando de mão macia para mão macia a lista dos salários de seus amigos, e quiçá pretendentes, que trabalham no serviço público.
– Prefiro sair com este, que ganha R$ 928,52 a mais do que esse outro. – Olha aqui esse chinelão: me convidou para beber um vinho na casa dele, mas só ganha R$ 950. Vai ver é vinho de garrafão.
Ou quem sabe a faxineira de um servidor, discutindo com ele:
– O senhor pode me dar mais 20 por faxina: o seu salário é R$ 3.269,88.
Ou o vizinho na reunião de condomínio:
– Uma vez que o seu salário é de 10.974, você pode aumentar a contribuição mensal, já que nós ganhamos muito menos.
A relação de nomes e salários também será muito útil para operadoras de telemarketing, vendedores e eventuais golpistas, mas ninguém se beneficiará mais do que os sequestradores que abundam debaixo dos semáforos das cidades. Eles poderão estabelecer com minúcias de centavos quanto pedir de resgate por algum familiar de um servidor público. Muito prático.
Eu aqui, eu já precisei de inúmeros servidores públicos, ao longo da vida: sempre estudei em escola pública, e, como qualquer cidadão, já tive de me socorrer da saúde pública, da Justiça, da polícia, dos bombeiros, de diversos prestadores de serviço. Pois quando esses funcionários estavam me atendendo, se porventura pensasse no salário deles, sabe do que eu gostaria? Que eles fossem muito bem remunerados. Que aquele professor, que aquele médico, que aquele escrevente, que aquele delegado, que aquele juiz, que aquele brigadiano ganhasse muito bem, que estivesse satisfeito com seu trabalho, a fim de me prestar assistência de qualidade, a melhor assistência possível.
A divulgação dos salários vinculados aos nomes dos funcionários talvez diminua distorções como a da recepcionista que ganha R$ 24 mil por mês. Mas talvez também afaste os bons do serviço público. Porque, se é verdade que o que é caro não é necessariamente bom, também é verdade que o bom vale mais. O serviço público, por atender a toda a população, tem de ser composto pelos melhores, e os melhores têm de ser bem remunerados. Com merecimento, sim. Com transparência, claro que sim. Não com constrangimento.
* Texto publicado na Zero Hora de 13/07/2012
Glaucio Missioneiro diz: Divulgar salários de servidores que foram aprovados em concursos públicos e lutaram, muitas vezes se privando de muitas coisas pra chegar lá é um absurdo.
Colorada diz: Se Fulano quer saber o meu salário, que acesse determinado site, preencha um cadastro, em que deverá constar nome completo, email e CPF e aí sim, terá acesso ao meu salário. Então, eu receberei (pode ser pelo meu email funcional) um relatório do nome das pessoas que acessaram meus dados. Se é justo acessarem meu salário, que seja justo eu saber quem o fez.
Aline Porta diz: Discordo totalmente de vc. Não irár afastar .. quem procura \"emprego publico\" só quer duas coisas: estabilidade e dinheiro. Sou a favor de divulgar sim. Dinheiro publico é dinheiro do \"povo\". é totalmente diferente de uma empresa privada. No setor privado nunca aconteceria de uma recepcionista ganhar 24 mil???
Valdemir diz: Muito bom o texto. Entretanto, faltou dizer que trabalhar no serviço público é uma opção, entre tantas outras que fazemos em nossa vida. Optamos por fazer um concurso, e estudamos muito para isso. Ninguém pode ser tratado de forma diferente porque trabalha nesse setor.
Gilberto diz: Então vamos divulgar também o nome e os valores dos devedores de impostos, que também é dinheiro público, e que não tem a devida fiscalização do poder público.
Thiago diz: David, o que voce precisa entender, e\' que o funcionalismo publico brasileiro foi criado nao para prestar servicos `a sociedade brasileira, mas sim para gerar um mercado consumidor a partir dos salarios e da estabilidade gerados pelo Estado Brasileiro. A classe media brasileira iniciou com o funcionalismo publico e...bom, gerou as distorcoes terriveis que vemos hoje em dia e que pesam DEMAIS para a competitividade do setor privado, HOJE, verdadeiro pilar do crescimento SUSTENTAVEL.
Pedro diz: Mais uma vez, o Sr. David Coimbra mostrou-se uma pessoa abjeta e desprezível
Marcos Contarin diz: Sendo meu imposto que paga os salários dos servidores, eu como \"patrão\" tenho direito de saber quanto pago de salário para meus funcionários, pois tenho uma empresa e com o valor de impostos que pago eu poderia aumentar o quadro de funcionários em 25%. Além disso, concordo que médicos, professores, bombeiros e policiais ganhem muito bem, mais até que deputados, senadores e vereadores, pois ai sim teríamos os melhores servidores. Acho que constrangimento não é ganhar, 900,00, mil ou 10 mil reais, é ter que comprar uma geladeira ou um fogão e ir na loja e apresentar uma folha de pagamento de um salário minimo para aprovar o parcelamento, isso pra mim é constrangimento.
Gilvane Eduardo Ferret diz: O Brasil é um país atrasado. Mas certas elites querem fazer parecer que é avançado. A população não liga para política, quer tocar a vida da melhor maneira possível (mais ou menos como um afegão que não quer saber da guerra entre os americanos e o talibã). Não se deu conta que, cada vez que vota em alguém pela cara e não pelas propostas, assina um cheque em branco. Que medidas \"bonitinhas\" são inócuas ou, pior, cortina de fumaça. A democracia mal feita é fácil de atacar. Um policial que ganha 500 por mes é um agente do Estado com serviços de aluguel. Um juiz de 500 reais vai dar sentenças de 500 reais. Ou alguém acha que o sujeito que sabe que pode ganhar 1000 na iniciativa privada vai trabalhar por 500? Com salário divulgado e aposentadoria igual a da iniciativa privada? (...)
paulo ricardo de avila diz: sou servidor público hà 15 anos e tenho muito orgulho de meu trabalho. Sou essencial, pode parecer que não, mas sou. Se eu não estiver todo o dia no meu local de trabalho, quem vai atender a senhora idosa, doente e pobre que não tem acesso à médicos ou medicamentos. Se ela tiver um direito negado e eu não estiver lá para restabelecer a justiça quem o fará. Se o neto dela precisar aprender e eu não estiver lá, quem vai ensiná-lo. Confesso que não entendo esse movimento, que não vem de hoje, que coloca os servidores públicos como párias e responsáveis por boa parte das mazelas nacionais, como se fossemos um peso para a sociedade.
Alessandro Araldi Marcona diz: Para aprimorar a ideia, poderiamos conceber uma lei que obrigasse a publicar os balanços dos estabelecimentos que frequentamos, a final eles também são mantidos pelo dinheiro do povo.
João diz: não se iludam, pois, quando o processo de acovardamento e controle absoluto dos servidores públicos terminar (não falta muito), o foco vai mudar para o privado e não haverá mais onde se socorrer, já que os servidores públicos (entre eles vários que deveriam ter sua independência garantida para prestarem bons serviços públicos, como auditores da Receita, fiscais da Fazenda, juízes, promotores, e outros) estarão já todos de joelhos, rezando pela cartilha que lhes foi imposta sob o aplauso de muitos. Para quem duvida, há exemplos históricos disso, inclusive recentes e no mesmo continente.
francisco diz: Sr. Maquiavélicus, seja lá qual for seu nome... dou risada com a tua mistura de orgulho (nossa! leiam meu comentário, eu sou demais!) com drama esquizofrênico paranóico anti-funcionalismo psicótico brasileiro midiático cabeça-fraca (danem-se os servidores públicos, vagabundos!, imprestáveis!, eu tenho família, mas se eles têm, não quero nem saber!).
[20 MELHORES FILMES DE 2012/2011 so far]
01. Drive / Drive (Nicolas Winding Refn, 2011)
02. Meek's cutoff (Kelly Reichardt, 2011)
03. Like crazy (Drake doremus, 2011)
04. Martha Marcy May Marlene (Sean Durkin, 2011)
05. The tree of life / Árvore da vida (Terrence Mallick, 2011)
06. Melancholia / Melancolia (Lars Von Trier, 2011)
07. Restless / Inquietos (Gus Van Sant, 2011)
08. Another earth / A outra Terra (Mike Cahill, 2011)
09. Source code / Contra o tempo (Duncan Jones, 2011)
10. The future (Miranda July, 2011)
01. Drive / Drive (Nicolas Winding Refn, 2011)
02. Meek's cutoff (Kelly Reichardt, 2011)
03. Like crazy (Drake doremus, 2011)
04. Martha Marcy May Marlene (Sean Durkin, 2011)
05. The tree of life / Árvore da vida (Terrence Mallick, 2011)
06. Melancholia / Melancolia (Lars Von Trier, 2011)
07. Restless / Inquietos (Gus Van Sant, 2011)
08. Another earth / A outra Terra (Mike Cahill, 2011)
09. Source code / Contra o tempo (Duncan Jones, 2011)
10. The future (Miranda July, 2011)
NOMEDACOUSA: THE XX SXSW
NOMEDACOUSA: THE XX SXSW: Show completo da banda The XX no festival de rock independente SXSW que acontece no Texas. The Strokes, White Stripes, Arcade Fire, são e...
"Gente que crê que seria mais feliz vivendo no passado. Quando a chuva não era ácida. Sem aquecimento global, sem TV, sem homens-bombas, sem armas nucleares, nem cartéis de drogas. Nostalgia é a negação. Negação do presente doloroso. O nome desta ilusão é Síndrome da Era de Ouro. A noção errônea de que um período de tempo diferente é melhor do que o que vivemos. Entende? Uma falha na imaginação romântica das pessoas que acham difícil enfrentar o presente." (Do filme do Woody Allen 'Midnight in Paris')
terça-feira, 17 de julho de 2012
Se esta simpatia é verdadeira, Sharon Stone está apaixonante (apaixonada?) - tirando foto com um desconhecido seu, dono de locadora de DVD em Santa Catarina.
Maisena + água = fluido não-newtoniano = gosma com vida própria incentivada por sons.
"Nos mitos e nos sonhos, o voo exprime um desejo de sublimação, de busca de uma harmonia interior, de uma ultrapassagem dos conflitos. Esse sonho é particularmente comum entre as pessoas nervosas, pouco capazes de realizar por si próprias o seu desejo de elevar-se. Simbolicamente significa não poder voar. Quanto mais esse desejo é exaltado, mais esta capacidade transforma-se em angústia, e a vaidade que a inspira, em culpa. (...) A imagem do voo é um substituto irreal da ação que deveria ser empreendida. Sem saber, poder ou querer empreendê-la, pede-se a um sonho que a realize, ultrapassando-a. (...) É curioso observar, nessa perspectiva, que os voos espaciais, os projetos interplanetários - apesar da capacidade e do heroísmo que exigem - podem encobrir a incapacidade das grandes nações industriais de resolver os problemas humanos do desenvolvimento econômico e social. Sem saber, poder ou querer utilizar os seus imensos recursos, de virtualidades quase infinitas, em benefício do homem e de todo homem, elas voam para longe da terra. É toda uma psicologia coletiva que se trai aqui, onde a vontade de afirmar o seu poderio no céu apenas compensa um sentimento de impotência na terra. Há algo de infantil nesse gigantismo científico, que mostra a inadequação desta sociedade em resolver os seus próprios problemas. É como se fosse incapaz de assumir a si mesma, para primeiro ordenar o seu próprio destino. Renova o mito de Ícaro e foge de si mesma, acreditando estar-se elevando ao céu." (Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, Dicionário de Símbolos)
segunda-feira, 16 de julho de 2012
"Tenho muito respeito pelo Zinho e pelo que ele representa. Mas a sensação que eu tinha todas as vezes que conversava com algum representante do clube é de que o Flamengo sempre foi prioridade para mim, mas eu nunca fui prioridade para o Flamengo. O nome Juan era valorizado pelos seus dirigentes, mas o jogador Juan, não. Tenho muita consideração pelo clube, por ter iniciado minha carreira lá, com apenas nove anos, mas faltou contrapartida. Sei que tenho uma história, meu valor e gostaria de ver o Flamengo reconhecendo isso. No encontro que tivemos num shopping, dia 10 de junho, encontro este citado pelo Zinho, falei da proposta que tinha de um outro clube (não revelei o nome do Internacional, por ética e por não me interessar fazer qualquer tipo de leilão) e ele me deixou à vontade, dizendo não ter condições de se aproximar dela. Na semana passada, quando decidi voltar ao futebol brasileiro, apareceram dirigentes rubro-negros declarando que minha contratação não era prioridade. O Flamengo só se mobilizou efetivamente quando eu já inha dado minha palavra ao Internancional de que aceitava a sua proposta, que sempre foi a mesma, desde a primeira conversa com o Fernandão. O Internacional fez o caminho certo. Procurou a diretoria da Roma, pediu autorização para negociar comigo e manteve contato permanente com os dirigentes italianos e com meu procurador. O Fernandão esteve na minha casa, no Rio, e me apresentou uma proposta que chegava muito perto daquilo que eu esperava e que acho que mereço. Além disso, mostrou um projeto de marketing desenvolvido especialmente para mim. E eu fui bem direto com ele: disse que ainda não tinha amadurecido a ideia de voltar a jogar no futebol brasileiro, que iria viajar para a Itália para conversar com a diretoria da Roma e saber das expectativas do clube em relação à minha permanência e, por último, que a prioridade, caso voltasse ao Brasil, seria do Flamengo. Depois disso, houve o encontro com o Zinho e viajei para os Estados Unidos, de férias. O Fernandão só me pediu que sinalizasse caso decidisse pelo Internacional e foi por causa desta segurança, que senti desde o início, é que tomei minha decisão. O Internacional será o quarto clube da minha carreira, tem uma torcida maravilhosa. Espero fazer história no Beira-Rio e honrar sua camisa. A decisão de voltar ao futebol brasileiro só foi tomada depois de conversar muito com meus familiares e de perceber que o Roma não encarava minha permanência como fundamental para a próxima temporada. Minha relação com o clube sempre foi muito transparente, baseada no respeito, e decidi sair pela porta da frente. Foram cinco anos maravilhosos e saio com a consciência de que fui importante para o Roma ao longo deste tempo." (Juan)
Philip Low
Neurocientista explica por que pesquisadores se uniram para assinar manifesto que admite a existência da consciência em todos os mamíferos, aves e outras criaturas, como o polvo, e como essa descoberta pode impactar a sociedade
Estruturas do cérebro responsáveis pela produção da consciência são análogas em humanos e outros animais, dizem neurocientistas
"A modernidade tem sido isto: romper com velhas tradições. Isso tem lados bons e ruins. Um lado ruim é ter criado o 'problema do sentido'. Levou a um individualismo tão forte que fica difícil pensar em algo mais comum que o individualismo. Como na Vida de Brian, do Monty Python. Brian não quer ser profeta: 'Vocês são todos indivíduos'. 'Somos todos indivíduos', respondem em coro. O indivíduo é aquele sujeito posto no mundo para realizar a si mesmo, esse é o grande projeto do sentido da vida para eles. E muitos de nós falhamos miseravelmente." (Lars Svendsen)
quinta-feira, 12 de julho de 2012
"Diego Forlán é um jogador com consciência corporal muito grande, boa formação humana. Parece muito profissional, determinado. É um cara educado, que atende as pessoas. Tenho impressão positiva. É um homem simples, bem informado e com cultura diferenciada." (Élio Carravetta)
quarta-feira, 11 de julho de 2012
O desperdício de energia elétrica no Brasil chega próximo dos 30%, considerando todos os segmentos (industrial, governamental, residencial etc.), desde a geração ao seu uso final. (EDP)
Das geladeiras, 20% do consumo deve-se à abertura das portas.
Das geladeiras, 20% do consumo deve-se à abertura das portas.
As indústrias eletrointensivas - ligadas à indústria de cimento, à produção siderúrgica e à produção de alumínio - estão entre os principais investidores no setor elétrico do país, segundo o especialista em energia Célio Bermann. (...) “As empresas de alumínio utilizam 8% de toda a energia elétrica do país e cerca de 2% no mundo. Se falarmos em alternativas energéticas, não existe uma alternativa para uma grande fábrica de alumínio. Isso é uma coisa estrutural no modelo de desenvolvimento do país, que elimina a possibilidade de outras alternativas de desenvolvimento”, explicava, em 2002, Glenn Switkes, que foi coordenador da ONG International Rivers Network. Glenn faleceu em janeiro de 2010.
O especialista Celio Bermann, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo, acrescenta que cerca de 50% da energia elétrica no Brasil é consumida por indústrias, sendo que 30% se restringe a seis setores: cimento, aço, alumínio, ferro-ligas, petroquímica e papel e celulose. “O Brasil precisa repensar urgentemente o perfil da indústria que quer no país, para reduzir a produção de produtos intensivos no consumo de energia com baixo valor agregado. O alumínio é vendido a um preço insignificante para o mercado internacional e gera pouco emprego. Fiz uma avaliação há pouco tempo sobre a mão-de-obra empregada para produção de alumínio e concluí que é 70 vezes menor do que a gerada pela indústria de alimentos e bebidas e 40 vezes menor do que a gerada pela indústria têxtil. Quando repensarmos a produção industrial brasileira, poderemos abrir novas oportunidades para a geração descentralizada, para a geração a partir da biomassa, da energia eólica ou das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PHEs). Do ponto de vista ambiental, estas são alternativas muito mais adequadas e do ponto de vista econômico-financeiro já se mostram competitivas, para usar um termo do mercado, embora exista esta restrição. Não fornecem energia em grande escala, mas essa escala é exigida pelas indústrias, pelos grandes centros urbanos.”
Sobre a privatização do setor, Célio Bermann aponta que ela tirou do Estado a capacidade de pensar a longo prazo, planejar. “O que hoje existe no Brasil são os programas nacionais de expansão. Cada ano um comitê de expansão de energia elétrica faz um estudo prevendo o crescimento da demanda e, em função disso, estabelecem, de forma indicativa, os empreedimentos que devem ser desenvolvidos para atender o crescimento do mercado. Essa é a única referência de planejamento no Brasil. Os estudos de longo prazo da Eletrobrás não existem mais. O setor elétrico acha que o mercado tem capacidade de resolver a oferta. O interesse público, portanto, fica à mercê do setor privado, o que não é a melhor forma de resolver o problema de energia, que é estratégico num país que tem 20 milhões de pessoas sem acesso à energia elétrica.” (Institutosocioambiental.org)
O especialista Celio Bermann, que é professor do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo, acrescenta que cerca de 50% da energia elétrica no Brasil é consumida por indústrias, sendo que 30% se restringe a seis setores: cimento, aço, alumínio, ferro-ligas, petroquímica e papel e celulose. “O Brasil precisa repensar urgentemente o perfil da indústria que quer no país, para reduzir a produção de produtos intensivos no consumo de energia com baixo valor agregado. O alumínio é vendido a um preço insignificante para o mercado internacional e gera pouco emprego. Fiz uma avaliação há pouco tempo sobre a mão-de-obra empregada para produção de alumínio e concluí que é 70 vezes menor do que a gerada pela indústria de alimentos e bebidas e 40 vezes menor do que a gerada pela indústria têxtil. Quando repensarmos a produção industrial brasileira, poderemos abrir novas oportunidades para a geração descentralizada, para a geração a partir da biomassa, da energia eólica ou das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PHEs). Do ponto de vista ambiental, estas são alternativas muito mais adequadas e do ponto de vista econômico-financeiro já se mostram competitivas, para usar um termo do mercado, embora exista esta restrição. Não fornecem energia em grande escala, mas essa escala é exigida pelas indústrias, pelos grandes centros urbanos.”
Sobre a privatização do setor, Célio Bermann aponta que ela tirou do Estado a capacidade de pensar a longo prazo, planejar. “O que hoje existe no Brasil são os programas nacionais de expansão. Cada ano um comitê de expansão de energia elétrica faz um estudo prevendo o crescimento da demanda e, em função disso, estabelecem, de forma indicativa, os empreedimentos que devem ser desenvolvidos para atender o crescimento do mercado. Essa é a única referência de planejamento no Brasil. Os estudos de longo prazo da Eletrobrás não existem mais. O setor elétrico acha que o mercado tem capacidade de resolver a oferta. O interesse público, portanto, fica à mercê do setor privado, o que não é a melhor forma de resolver o problema de energia, que é estratégico num país que tem 20 milhões de pessoas sem acesso à energia elétrica.” (Institutosocioambiental.org)
"Nossa relação com os carros e com as leis de trânsito é complexa. Entram em jogo fatores como ódio à autoridade, agressão, potência sexual, impulsividade, rivalidade, sensações difusas de perda, pressão e até claustrofobia. Alguns guiam da mesma forma que vivem, equilibrada ou loucamente. Outros se transformam em seres bárbaros só em ocasiões propícias, quando se sentem fortes e protegidos. Um sujeito aparentemente pacato pode virar um ogro ao dirigir. Uma mocinha delicada pode se tornar uma grossa que xinga, grita e fecha outros motoristas; uma pessoa equilibrada pode se tornar uma ditadora de lições de moral no trânsito. O carro, nesses casos, funciona como escudo protetor e arma. O ritmo lento do tráfego e a forma quase caótica de organização do trânsito causam ansiedade e angústia. (...)" (Luciana Saddi)
Enquanto a gente entrar na onda dos candidatos e acreditar que voto é uma questão de futuro, a política não vai dar certo. Futuro é ficção científica, imaginação, bola de cristal, máquina do tempo, promessa. Realidade é presente.
terça-feira, 10 de julho de 2012
"VAMO TOCÁ POR CIMA!!!!!!"
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segunda-feira, 9 de julho de 2012
Espiritualidade, decência, beleza, vida.
O que é ser uma pessoa decente? É ter espiritualidade, obter sentido maior em viver, ou seja, recusar que a vida se esgote numa existência que tem sentido em si mesma. Aplica-se aqui a noção de transcendência, ou seja, as coisas, a vida, o sentido é construído para além do imediato, além do momento e assim se mergulha na capacidade de honrar a vida, fazer valer a pena a existência humana. Isso nos leva a ser decente. O que seria isso, ser decente? Devemos deixar a vida ficar indecente? É essa indecência que quebra a possibilidade de existir, de acontecer, de ser, de fazer, de ter e deixa de ser bela a existência. Vida não é só beleza, mas nós obscurecemos essa existência quando os apesares são maiores em quantidade aos por causa; faço algo por causa disso ou daquilo, não apesar, que é o motivo maior, e isso acaba abafando o brilho da vida, gerando momentos de infelicidade pois não aproveitamos, pois a sabedoria não está em não falhar ou não sofre, mas usar nossas falhas para amadurecer (decência) e o sofrimento para compreender a dor do outro, assim não tendemos à indecência. A explicação esta na origem da palavra, na etimologia. Descobrimos sua origem latina, que parte do prefixo DEC, que significa ornar = enfeitar, embelezar. Daí vem as palavras ornamentação, decoração, decoro parlamentar, que tem a mesma origem de decência.
Perceba quando você diz: “Olha que pessoa bonita, que casa bonita, que escultura bonita…”, Você está dizendo que ela é descente. Por isso a arquitetura do ser e do conviver, bem planejadas gera pessoas descentes, pois celebram sua missão juntas em um espaço adequado, harmônico. O que é uma pessoa descente? É aquela que orna, combinar, harmoniza. É a descência que faz combinar, ornamentar a vida. Hoje temos no planeta, grande parte de pessoas indescentes, sem valores, com critérios baixos, sem uma missão que vai além, e isso está no modo que organizamos as cidades, nossa casa, nosso ser, nossos relacionamentos humanos e com a natureza. Hoje é uma relação de vida indescente. Essa falta de decoro leva uma agreção à fertilidade, ou seja: nós temos cidades feitas, rios poluidos, pessoas sem brilho, nada é mais belo, bom, verdadeiro e útil como deveria. Mas, não precisava ser assim, isso é mediocridade.
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Mário Sérgio Cortella - Filósofo pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, tem mestrado e doutorado em Educação pela PUC/SP. Trabalha na PUC/SP desde 1977, tendo atuado por 32 anos no Departamento de Teologia e Ciências da Religão, sendo hoje professor-titular do Departamento de Fundamentos da Educação e da Pós-Graduação em Educação.
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Não estou entendendo essa votação de melhor em campo no jogo Inter 2x1 Cruzeiro. Agora que finalmente o Bolatti poderá ser negociado com o Independiente, o que é bom para o volante e para o Inter (já que ele joga bem mas não está rendendo nada aqui), a torcida colorada resolve homenageá-lo pelos menos de 5 minutos que esteve em campo. Negociar é bom também porque, com Forlán, o Internacional soma cinco estrangeiros no elenco. Saindo o argentino, entrando o uruguaio e Guiñazu se naturalizando brasileiro, que é a ideia, ficaríamos os colorados com três jogadores tecnicamente estrangeiros, que é o limite permitido para o Campeonato Brasileiro. Entonces, déjalo ir!
Diego Forlán chegou ao Inter no dia 7 do mês 7 e será o camisa 7. No tarô, o sétimo arcano maior é o Carro, conduzido por um rei de cabelos loiros e longos...
"O número sete do Carro liga-o ao fado, ao destino, e à transformação. Num par de dados, os lados opostos de cada dado somam sete. Foram enumerados sete atos separados de criação no Gênese, e no processo alquímico há sete estádios de transformação sob o influxo de sete metais e sete planetas. Na filosofia oriental temos a lei séptupla da harmonia divina e os sete chacras. Não é, portanto, muito para admirar que O Carro assinale o início de uma nova era, e que a sua energia nos conduza à segunda fileira horizontal, apropriadamente denominada o Reino do Equilíbrio." (Sallie Nichols)
"O número sete do Carro liga-o ao fado, ao destino, e à transformação. Num par de dados, os lados opostos de cada dado somam sete. Foram enumerados sete atos separados de criação no Gênese, e no processo alquímico há sete estádios de transformação sob o influxo de sete metais e sete planetas. Na filosofia oriental temos a lei séptupla da harmonia divina e os sete chacras. Não é, portanto, muito para admirar que O Carro assinale o início de uma nova era, e que a sua energia nos conduza à segunda fileira horizontal, apropriadamente denominada o Reino do Equilíbrio." (Sallie Nichols)
quarta-feira, 4 de julho de 2012
"Não podemos esperar as coisas apodrecerem para fazer a mudança." (Roberto Siegmann)
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terça-feira, 3 de julho de 2012
Viva os carros \o/
As vendas de carros subiram 24,18% em junho na comparação com maio, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta terça-feira (3). Segundo a entidade, este é o melhor mês de junho da história do setor automobilístico. Os resultados refletem o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), determinado pelo governo federal no último dia 21. A redução do imposto valerá até 31 de agosto.
Em junho foram emplacados 340.706 automóveis e comerciais leves, alvos da medida, contra 274.368 em maio. Sobre o mesmo período do ano anterior, que teve 286.912 unidades vendidas, a alta em junho foi de 18,75%. No acumulado do ano, as vendas de carros chegaram a 1.632.483 unidades, número 0,33% inferior a 2011, quando foram alcançados 1.637.899 carros no mesmo período. O primeiro semestre do ano passado foi o melhor da história. Já, em 2012, as vendas de carros atingiram a segunda melhor marca semestral de todos os tempos. (G1)
Considerando que cada veículo roda 20.000 Km/ano, são eliminados 40 Kg de gás por carro por ano. Somando somente os carros vendidos nos primeiros semestres de 2011 e 2012, no Brasil, formar-se-ão cerca de 120.000 toneladas de gás a mais na atmosfera por ano. Fora as estatísticas de acidentes, atropelamentos (de humanos e outros animais), Lesões por Esforço Repetitivo, sedentarismo, asfaltamento (abafamento do solo, inundações), estresse, enfarte, enguiço, extorsão de flanelinhas etc.
As vendas de carros subiram 24,18% em junho na comparação com maio, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta terça-feira (3). Segundo a entidade, este é o melhor mês de junho da história do setor automobilístico. Os resultados refletem o desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), determinado pelo governo federal no último dia 21. A redução do imposto valerá até 31 de agosto.
Em junho foram emplacados 340.706 automóveis e comerciais leves, alvos da medida, contra 274.368 em maio. Sobre o mesmo período do ano anterior, que teve 286.912 unidades vendidas, a alta em junho foi de 18,75%. No acumulado do ano, as vendas de carros chegaram a 1.632.483 unidades, número 0,33% inferior a 2011, quando foram alcançados 1.637.899 carros no mesmo período. O primeiro semestre do ano passado foi o melhor da história. Já, em 2012, as vendas de carros atingiram a segunda melhor marca semestral de todos os tempos. (G1)
Considerando que cada veículo roda 20.000 Km/ano, são eliminados 40 Kg de gás por carro por ano. Somando somente os carros vendidos nos primeiros semestres de 2011 e 2012, no Brasil, formar-se-ão cerca de 120.000 toneladas de gás a mais na atmosfera por ano. Fora as estatísticas de acidentes, atropelamentos (de humanos e outros animais), Lesões por Esforço Repetitivo, sedentarismo, asfaltamento (abafamento do solo, inundações), estresse, enfarte, enguiço, extorsão de flanelinhas etc.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
Willian Cruz:
As cidades foram feitas para as pessoas. Os carros vieram depois e deformaram os espaços urbanos. Olhe da janela agora e veja quanto espaço há para a circulação das pessoas e quanto dele está reservado para os automóveis. Se a cidade é feita para a circulação motorizada, a tendência das pessoas será inevitavelmente essa. O resultado é o que conhecemos como hora do rush (das 7 da manhã às 10 da noite).
Em vez de perceber no que nossa cidade se tornou e contribuir para um lugar melhor para nós e nossos filhos, optando por trocar o carro por opções alternativas sempre que possível, a maioria das pessoas pensa apenas em comprar um carro mais confortável e se isolar dos problemas. Ligar o ar condicionado, fechar os vidros e aumentar o som. Ignorar o que está do lado de fora, fazer de conta que não está lá. Em outras palavras: fugir. Que bela solução.
Se você cansou de sua cidade, faça o possível para torná-la melhor. Um momento em que seu carro te deixa na mão, por exemplo, pode ser uma oportunidade para ver a cidade de outro ângulo, em vez da viciada experiência de se trancar em um ambiente climatizado e se isolar do mundo e das pessoas até chegar a outro local de confinamento.
Aliás, foi exatamente o que aconteceu comigo: em um dia que meu carro quebrou, resolvi usar a bicicleta para ir ao trabalho e vi que não era tão complicado quanto parecia. Foi aí que tudo começou a mudar. A cidade mudou para mim, e eu mudei para a cidade e para os que estão à minha volta.
Não podemos viver confinados em bolhas de metal. As ruas são suas também. Saia a pé, sinta o sol, olhe para o céu. Há quanto tempo você não repara nos formatos das nuvens, no som dos pássaros e nas plantas que insistem em nascer em qualquer buraquinho da calçada, resistindo à petrificação da cidade?
Prometheus, de Ridley Scott (EUA, 2012)
Fernando Toste/Revista Cinética
Se há algo que move Prometheus, filme que marca o retorno tardio e benvindo de Ridley Scott ao território da ficção científica depois de três décadas, é uma pergunta - uma bastante simples, aliás, e a mais antiga de todas: “por que?”. É a pergunta que surge irremediavelmente quando nos deparamos com os grandes mistérios e que, basicamente, nos define enquanto espécie. Ah, sim, vale lembrar: é uma pergunta que não tem resposta.
Scott, o cineasta britânico famoso pelo apuro técnico e pelo olho clínico na composição de um plano, parece ter redescoberto sua vocação para os grandes temas aos 74 anos de idade, na outra ponta de uma carreira que começou promissora e desandou depois de sua maior aposta artística, Blade Runner - seu terceiro longa-metragem, recebido com frieza e confusão generalizadas em 1982. Era um filme que ousava flertar com as grandes questões e por cuja audácia Scott foi condenado a ter o fígado devorado pelos abutres de Hollywood por toda a eternidade - preso a projetos que não exigiam mais do que a aplicação e disciplina do bom artesão e que lhe permitiam realizar voos ocasionais, a uma meia-altura. É impossível refutar o talento que Scott exibe na maior parte de seus filmes, mas também é impossível desfazer a impressão de se ter acompanhado a obra de um artista frustrado ao longo dos anos.
(...)
Ao eleger como tema a busca - e não o destino -, Scott parece liberar toda a energia represada há anos, e o resultado é exuberante. Dispondo de um orçamento gigantesco e de grande liberdade criativa, o cineasta investe no que tem de melhor e tece um espetáculo visual de enorme impacto, extravagante, atmosférico e desbragadamente pessoal. Uma viagem delirante que mescla o pesadelo sexual de Alien com o imaginário pagão de A Lenda e a auto-crítica cristã de Cruzada. Uma mistura, por sua vez, temperada com a obsessão por imagens de sacrifício (que encontramos em Gladiador, Thelma & Louise e Black Hawk Down) e por uma inusitada, inédita e muito benvinda irreverência.
Mas trinta e poucos anos de obediência bovina aos modelos e tendências da grande indústria também cobram seu preço - e Scott não abre mão de ser um "player", ainda que desta vez a balança tenha pendido para o seu lado. O resultado final é uma aberração hollywoodiana e um triunfo artístico que se ressente um pouco de sua incapacidade de cumprir plenamente a promessa do espetáculo - um pouco como Blade Runner antes dele. A impressão de obra inacabada não é nova para Scott. Poucos diretores acumulam na carreira tantas “versões do diretor” e com Prometheus o público já assiste ao filme esperando pelo blu-ray com a versão mais longa e satisfatória. (...)
Com tudo o que tem de imperfeito e estranho, Prometheus é um filme que resgata um artista da mediocridade e revela a alma de um replicante. (...)
Fernando Toste/Revista Cinética
Se há algo que move Prometheus, filme que marca o retorno tardio e benvindo de Ridley Scott ao território da ficção científica depois de três décadas, é uma pergunta - uma bastante simples, aliás, e a mais antiga de todas: “por que?”. É a pergunta que surge irremediavelmente quando nos deparamos com os grandes mistérios e que, basicamente, nos define enquanto espécie. Ah, sim, vale lembrar: é uma pergunta que não tem resposta.
Scott, o cineasta britânico famoso pelo apuro técnico e pelo olho clínico na composição de um plano, parece ter redescoberto sua vocação para os grandes temas aos 74 anos de idade, na outra ponta de uma carreira que começou promissora e desandou depois de sua maior aposta artística, Blade Runner - seu terceiro longa-metragem, recebido com frieza e confusão generalizadas em 1982. Era um filme que ousava flertar com as grandes questões e por cuja audácia Scott foi condenado a ter o fígado devorado pelos abutres de Hollywood por toda a eternidade - preso a projetos que não exigiam mais do que a aplicação e disciplina do bom artesão e que lhe permitiam realizar voos ocasionais, a uma meia-altura. É impossível refutar o talento que Scott exibe na maior parte de seus filmes, mas também é impossível desfazer a impressão de se ter acompanhado a obra de um artista frustrado ao longo dos anos.
(...)
Ao eleger como tema a busca - e não o destino -, Scott parece liberar toda a energia represada há anos, e o resultado é exuberante. Dispondo de um orçamento gigantesco e de grande liberdade criativa, o cineasta investe no que tem de melhor e tece um espetáculo visual de enorme impacto, extravagante, atmosférico e desbragadamente pessoal. Uma viagem delirante que mescla o pesadelo sexual de Alien com o imaginário pagão de A Lenda e a auto-crítica cristã de Cruzada. Uma mistura, por sua vez, temperada com a obsessão por imagens de sacrifício (que encontramos em Gladiador, Thelma & Louise e Black Hawk Down) e por uma inusitada, inédita e muito benvinda irreverência.
Mas trinta e poucos anos de obediência bovina aos modelos e tendências da grande indústria também cobram seu preço - e Scott não abre mão de ser um "player", ainda que desta vez a balança tenha pendido para o seu lado. O resultado final é uma aberração hollywoodiana e um triunfo artístico que se ressente um pouco de sua incapacidade de cumprir plenamente a promessa do espetáculo - um pouco como Blade Runner antes dele. A impressão de obra inacabada não é nova para Scott. Poucos diretores acumulam na carreira tantas “versões do diretor” e com Prometheus o público já assiste ao filme esperando pelo blu-ray com a versão mais longa e satisfatória. (...)
Com tudo o que tem de imperfeito e estranho, Prometheus é um filme que resgata um artista da mediocridade e revela a alma de um replicante. (...)
“É preciso que os produtores de conteúdo vejam nessa economia do ‘grátis’ uma oportunidade para lucrar indiretamente, saindo da lógica de custo de acesso. O acesso deve ser disponiblizado pelo produtor, senão alguém vai fazê-lo. Somos uma geração que está entrando no mercado e precisa ter uma estratégia para ser notada no meio da multidão. É preciso que as pessoas utilizem o potencial da web para nadar a favor da corrente, enxergando outras formas de receita.” (Júlio Secchin, diretor do curta Copyright Cops, numa entrevista ao Estadão)
domingo, 1 de julho de 2012
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