Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O salário público dos servidores

(David Coimbra)


Os servidores públicos, em geral, não são recepcionistas que ganham 24 mil por mês. Em geral, os servidores públicos recebem salários compatíveis com seus cargos ou menos do que isso, como a maioria da população brasileira. E, como a maioria da população brasileira, os servidores públicos levam seus filhos à escola, empurram carrinho no supermercado, compram remédio na farmácia, conversam com o vizinho e se irritam no trânsito. Os servidores públicos são idênticos à maioria da população brasileira, mas, com a lei que pretende divulgar- lhes os nomes e os salários, levarão uma vida diferente de todos, levarão uma vida igual ao seu trabalho: pública. Posso imaginar uma roda de mulheres num bar passando de mão macia para mão macia a lista dos salários de seus amigos, e quiçá pretendentes, que trabalham no serviço público.

– Prefiro sair com este, que ganha R$ 928,52 a mais do que esse outro. – Olha aqui esse chinelão: me convidou para beber um vinho na casa dele, mas só ganha R$ 950. Vai ver é vinho de garrafão.

Ou quem sabe a faxineira de um servidor, discutindo com ele:

– O senhor pode me dar mais 20 por faxina: o seu salário é R$ 3.269,88.

Ou o vizinho na reunião de condomínio:

– Uma vez que o seu salário é de 10.974, você pode aumentar a contribuição mensal, já que nós ganhamos muito menos.

A relação de nomes e salários também será muito útil para operadoras de telemarketing, vendedores e eventuais golpistas, mas ninguém se beneficiará mais do que os sequestradores que abundam debaixo dos semáforos das cidades. Eles poderão estabelecer com minúcias de centavos quanto pedir de resgate por algum familiar de um servidor público. Muito prático.

Eu aqui, eu já precisei de inúmeros servidores públicos, ao longo da vida: sempre estudei em escola pública, e, como qualquer cidadão, já tive de me socorrer da saúde pública, da Justiça, da polícia, dos bombeiros, de diversos prestadores de serviço. Pois quando esses funcionários estavam me atendendo, se porventura pensasse no salário deles, sabe do que eu gostaria? Que eles fossem muito bem remunerados. Que aquele professor, que aquele médico, que aquele escrevente, que aquele delegado, que aquele juiz, que aquele brigadiano ganhasse muito bem, que estivesse satisfeito com seu trabalho, a fim de me prestar assistência de qualidade, a melhor assistência possível.

A divulgação dos salários vinculados aos nomes dos funcionários talvez diminua distorções como a da recepcionista que ganha R$ 24 mil por mês. Mas talvez também afaste os bons do serviço público. Porque, se é verdade que o que é caro não é necessariamente bom, também é verdade que o bom vale mais. O serviço público, por atender a toda a população, tem de ser composto pelos melhores, e os melhores têm de ser bem remunerados. Com merecimento, sim. Com transparência, claro que sim. Não com constrangimento.

* Texto publicado na Zero Hora de 13/07/2012




Glaucio Missioneiro diz: Divulgar salários de servidores que foram aprovados em concursos públicos e lutaram, muitas vezes se privando de muitas coisas pra chegar lá é um absurdo.

Colorada diz: Se Fulano quer saber o meu salário, que acesse determinado site, preencha um cadastro, em que deverá constar nome completo, email e CPF e aí sim, terá acesso ao meu salário. Então, eu receberei (pode ser pelo meu email funcional) um relatório do nome das pessoas que acessaram meus dados. Se é justo acessarem meu salário, que seja justo eu saber quem o fez.

Aline Porta diz: Discordo totalmente de vc. Não irár afastar .. quem procura \"emprego publico\" só quer duas coisas: estabilidade e dinheiro. Sou a favor de divulgar sim. Dinheiro publico é dinheiro do \"povo\". é totalmente diferente de uma empresa privada. No setor privado nunca aconteceria de uma recepcionista ganhar 24 mil???

Valdemir diz: Muito bom o texto. Entretanto, faltou dizer que trabalhar no serviço público é uma opção, entre tantas outras que fazemos em nossa vida. Optamos por fazer um concurso, e estudamos muito para isso. Ninguém pode ser tratado de forma diferente porque trabalha nesse setor.

Gilberto diz: Então vamos divulgar também o nome e os valores dos devedores de impostos, que também é dinheiro público, e que não tem a devida fiscalização do poder público.

Thiago diz: David, o que voce precisa entender, e\' que o funcionalismo publico brasileiro foi criado nao para prestar servicos `a sociedade brasileira, mas sim para gerar um mercado consumidor a partir dos salarios e da estabilidade gerados pelo Estado Brasileiro. A classe media brasileira iniciou com o funcionalismo publico e...bom, gerou as distorcoes terriveis que vemos hoje em dia e que pesam DEMAIS para a competitividade do setor privado, HOJE, verdadeiro pilar do crescimento SUSTENTAVEL.

Pedro diz: Mais uma vez, o Sr. David Coimbra mostrou-se uma pessoa abjeta e desprezível

Marcos Contarin diz: Sendo meu imposto que paga os salários dos servidores, eu como \"patrão\" tenho direito de saber quanto pago de salário para meus funcionários, pois tenho uma empresa e com o valor de impostos que pago eu poderia aumentar o quadro de funcionários em 25%. Além disso, concordo que médicos, professores, bombeiros e policiais ganhem muito bem, mais até que deputados, senadores e vereadores, pois ai sim teríamos os melhores servidores. Acho que constrangimento não é ganhar, 900,00, mil ou 10 mil reais, é ter que comprar uma geladeira ou um fogão e ir na loja e apresentar uma folha de pagamento de um salário minimo para aprovar o parcelamento, isso pra mim é constrangimento.

Gilvane Eduardo Ferret diz: O Brasil é um país atrasado. Mas certas elites querem fazer parecer que é avançado. A população não liga para política, quer tocar a vida da melhor maneira possível (mais ou menos como um afegão que não quer saber da guerra entre os americanos e o talibã). Não se deu conta que, cada vez que vota em alguém pela cara e não pelas propostas, assina um cheque em branco. Que medidas \"bonitinhas\" são inócuas ou, pior, cortina de fumaça. A democracia mal feita é fácil de atacar. Um policial que ganha 500 por mes é um agente do Estado com serviços de aluguel. Um juiz de 500 reais vai dar sentenças de 500 reais. Ou alguém acha que o sujeito que sabe que pode ganhar 1000 na iniciativa privada vai trabalhar por 500? Com salário divulgado e aposentadoria igual a da iniciativa privada? (...)

paulo ricardo de avila diz: sou servidor público hà 15 anos e tenho muito orgulho de meu trabalho. Sou essencial, pode parecer que não, mas sou. Se eu não estiver todo o dia no meu local de trabalho, quem vai atender a senhora idosa, doente e pobre que não tem acesso à médicos ou medicamentos. Se ela tiver um direito negado e eu não estiver lá para restabelecer a justiça quem o fará. Se o neto dela precisar aprender e eu não estiver lá, quem vai ensiná-lo. Confesso que não entendo esse movimento, que não vem de hoje, que coloca os servidores públicos como párias e responsáveis por boa parte das mazelas nacionais, como se fossemos um peso para a sociedade.

Alessandro Araldi Marcona diz: Para aprimorar a ideia, poderiamos conceber uma lei que obrigasse a publicar os balanços dos estabelecimentos que frequentamos, a final eles também são mantidos pelo dinheiro do povo.

João diz: não se iludam, pois, quando o processo de acovardamento e controle absoluto dos servidores públicos terminar (não falta muito), o foco vai mudar para o privado e não haverá mais onde se socorrer, já que os servidores públicos (entre eles vários que deveriam ter sua independência garantida para prestarem bons serviços públicos, como auditores da Receita, fiscais da Fazenda, juízes, promotores, e outros) estarão já todos de joelhos, rezando pela cartilha que lhes foi imposta sob o aplauso de muitos. Para quem duvida, há exemplos históricos disso, inclusive recentes e no mesmo continente.

francisco diz: Sr. Maquiavélicus, seja lá qual for seu nome... dou risada com a tua mistura de orgulho (nossa! leiam meu comentário, eu sou demais!) com drama esquizofrênico paranóico anti-funcionalismo psicótico brasileiro midiático cabeça-fraca (danem-se os servidores públicos, vagabundos!, imprestáveis!, eu tenho família, mas se eles têm, não quero nem saber!).

Nenhum comentário: