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domingo, 29 de novembro de 2009
Esta semana eu fiz um curso de Excelência em Atendimento. Por que eu fiz? Em primeiro lugar, porque, mesmo eu já tendo o mínimo de horas de treinamento necessário para a promoção agora em janeiro, é bom já ir somando horas para a próxima promoção. E por que mais, por que ESSE curso? Porque eu trabalho com atendimento no balcão. Mas e qual era a minha expectativa com o curso? - o professor perguntou. Aliás, eu fui um dos últimos a me apresentar e ele esqueceu de fazer para mim essa pergunta. Mas eu iria responder que esperava algo de que eu não sabia, que eu esperava alguma surpresa em algum momento. A maior delas foi perceber que eu podia encontrar intersecções com as coisas em que eu acredito, mesmo o curso sendo de um conteúdo a princípio raso e a princípio mantenedor do sistema, mesmo as coisas em que eu acredito sendo muito mais complexas. Opa, mas a complexidade é uma teoria do Morin que exatamente percebe a convivência entre coisas diferentes e até opostas! Sim, as relações de atendimento e de liderança e de equipe estão presentes em toda parte, da empresa uberlucrativa até o grupo mais espontâneo de arte. Os colegas eram maravilhosos. O professor era praticamente budista. Deu mais "lições de vida" do que ensinamentos técnicos. Ele faz parte inclusive de uma associação de educação experiencial. Meu curso foram três manhãs, terminando na sexta-feira. No sábado, ele iria levar um grupo de chefes para o Lami, e lá eles trabalhariam em equipe, sem hierarquia, dentro de uma espécie de No Limite. Porrada a coisa. Pena que "quem precisaria estar aqui não está". Enfim, vou colocar abaixo algumas ideias que mais me impressionaram, com as quais eu mais me identifiquei.
* Um serviço é profundamente diferente de um produto físico. É um resultado psicológico e pessoal.
* A melhoria do serviço começa no topo da organização. Uma cultura contamina de cima para baixo - mesmo que a hierarquia não se reflita em comportamentos calcados em recalques.
* O feedback é essencial na comunicação, que por sua vez é essencial para a saúde da organização e de seus orgãos (integrantes). Ele deve ser:
1. privativo
2. positivo
3. sem julgamento
4. sem intermediários
5. específico
6. objetivo
7. com permissão pedida
* A liderança deve atuar em três posições:

* Devemos "buscar a felicidade" em cada uma das nossas paisagens existenciais: pessoal, familiar, profissional, educacional - sim, o aprendizado não pode parar.
* Um serviço é profundamente diferente de um produto físico. É um resultado psicológico e pessoal.
* A melhoria do serviço começa no topo da organização. Uma cultura contamina de cima para baixo - mesmo que a hierarquia não se reflita em comportamentos calcados em recalques.
* O feedback é essencial na comunicação, que por sua vez é essencial para a saúde da organização e de seus orgãos (integrantes). Ele deve ser:
1. privativo
2. positivo
3. sem julgamento
4. sem intermediários
5. específico
6. objetivo
7. com permissão pedida
* A liderança deve atuar em três posições:

* Devemos "buscar a felicidade" em cada uma das nossas paisagens existenciais: pessoal, familiar, profissional, educacional - sim, o aprendizado não pode parar.
'Looking for Eric' (Ken Loach, 2009) vale a pena pela cena da Operação Cantona.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009

É uma pena. Se 'INLAND EMPIRE' fosse um filme editado, talvez estaria entre os cinco melhores da década. Tem ideias e trechos geniais de senhor Lynch lá.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Algumas listas de melhores discos de 2009.
UNCUT
01. Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
02. Super Furry Animals – Dark Days/Light Years
03. The Dirty Projectors – Bitte Orca
04. Bob Dylan – Together Through Life
05. Wild Beasts – Two Dancers
06. The XX – The XX
07. Wilco – Wilco (The Album)
08. Grizzly Bear – Veckatimest
09. Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!
10. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
11. Bill Callahan – Sometimes I Wish We Were An Eagle
12. Fever Ray – Fever Ray
13. White Denim – Fits
14. The Flaming Lips – Embryonic
15. Bassekou Kouyate And Ngoni Ba – I Speak Fula
16. Florance And The Machine – Lungs
17. Doves – Kingdom Of Rust
18. Graham Coxon – The Spinning Top
19. Sonic Youth – The Eternal
20. The Horrors – Primary Colours
21. The Low Anthem – Oh My God, Charlie Darwin (Uncut Deliberate Error Charlie Brown Hahhaha)
22. Alela Diane – To Be Still
23. Manic Street Preachers – Journal For Plague Lovers
24. Micachu And The Shapes – Jewellery
25. Sunn 0))) – Monoliths And Dimensions
26. The Unthanks – Here’s The Tender Coming
27. Yo La Tengo – Popular Songs
28. Madness – The Liberty Of Norton Folgate
29. Pj Harvey & John Parish – A Woman A Man Walked By
30. Jim O’ Rourke – The Visitor
31. The Dead Weather – Horehound
32. Iggy Pop – Preliminaries
33. The Duke And The King – Nothing Gold Can Stay
34. Trembling Bells – Carberth
35. Tinariwen – Imidiwan: Companions
36. Fuck Buttons – Tarot Sport
37. Dinosaur Jr – Farm
38. Arctic Monkeys – Humbug
39. Cornershop – Judy Sucks On A Lemon For Breakfast
40. The Felice Brothers – Yonder Is The Clock
41. Van Morrison – Astral Weeks Live At The Hollywood Bowl
42. Richard Hawley – Truelove’s Gutter
43. Bruce Springsteen – Working On A Dream
44. Reigning Sound – Love And Curses
45. Richmond Fontaine – We Used To Think The Freeway Sounded Like A River
46. Broadcast & The Focus Group - …Investigate Witch Cults Of The Radio Age
47. Alasdair Roberts – Spoils
48. Raphael Saadiq – The Way I See It
49. Jay-Z – The Blueprint 3
50. Kurt Vile – Childish Prodigy
Q
01. Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum
02. Florence And The Machine – Lungs
03. Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz
04. Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
05. Manic Street Preachers – Journal For Plague Lovers
06. Arctic Monkeys – Humbug
07. Muse – The Resistance
08. Lilly Allen – It’s Not Me, It’s You
09. U2 – No Line On The Horizon
10. Phoenix – Woulgang Amadeus Phoenix
11. Doves – Kingdom Of Rust
12. Jack Penate – Everything Is New
13. Grizzly Bear – Veckatimest
14. Devendra Banhart – What Will We Be
15. Dizzee Rascal – Tongue ‘N Cheek
16. Empire F The Sun – Walking On A Dream
17. Green Day – 21st Century Breakdown
18. Mika – The Boy Who Knew Too Much
19. Monsters Of Folk – Monsters Of Folk
20. Fever Ray – Fever Ray
21. Jamie T – Kings And Queens
22. The Low Anthem – Oh My Gad, Charlie Darwin
23. The Prodigy – Invaders Must Die
24. Mos Def – The Ecstatic
25. Noah And The Whale – The First Days Of Spring
26. Bat For Lashes – Two Suns
27. The Dead Weather – Horehound
28. Bruce Springsteen – Working On A Dream
29. Wilco – Wilco (The Album)
30. La Roux – La Roux
31. Biffy Clyro – Only Revolutions
32. Paolo Nutini – Sunny Side Up
33. Dirty Projectors – Bitte Orca
34. White Lies – To Lose My Life
35. Pearl Jam – Backspacer
36. Sonic Youth – The Eternal
37. Fuck Buttons – Tarot Sport
38. Richard Hawley
39. The Horrors – Primary Colours
40. Cheryl Cole – 3 Words
41. Wild Beasts – Two Dancers
42. Mariachi El Bronx – Mariachi El Bronx
43. Tinariwen – Imidiwan Companions
44. The View – Which Bitch
45. Conor Oberst And The Mystic Valley Band – Outer South
46. Golden Silvers – True Romance
47. Madness – The Liberty Of Norton Folgate
48. Ian Brown – My Way
49. Bob Dylan – Together Through Life
50. Jarvis Cocker – Further Complication
ROUGH TRADE
01. the xx - xx
02. the low anthem - oh my god Charlie darwin
03. the horrors primary
04. fever ray - fever ray
05. the pains of being pure at the heart
06. grizzly bear - veckatimest
07. the leisure society - the seeper and the product of the ego brain
08. fuck buttons - tarot sport
09. forest fire - survival
10. the very best - warm heart of africa
11. animal collective - merriweather post pavillion
12. yeah yeah yeahs - it's blitz!
13. atlas sound - logos
14. phoenix - wolfgang amadeus phoenix
15. local natives - gorilla manor
16. white denim - fits
17. jonsi and alex - riceboy sleeps
18. terry lynn - kingstonlogic 2.0
19. camera obscura - my maudlin career
20. mountain goats - the life of the world to come
21. wild beasts - 2 dancers
22. portico quartet - isla
23. major lazer - guns don't kill people... lazers do
24. memory tapes - seek magic
25. florence and the machine - lungs
26. girls - album
27. alela diane - to be still
28. andrew bird - noble beast
29. cymbals eat guitars - why there are mountains
30. taken by trees - east of eden
31. mos def - the ecstatic
32. shitty limits - beware the limits
33. dead mans bones - dead man's bones
34. fanfarlo - reservoir
35. lindstrom and christabelle - real life is no cool
36. kid congo and the pink monkey birds - dracula boots 37. big pink - a brief history of love
38. mumford and sons - sigh no more
39. a place to bury strangers - exploding head
40. martyn - great lengths
41. young republic - balletesque
42. richard hawley - truelove's gutter
43. cate le bon - me oh my
44. jarvis - further complications
45. mummers - tale to tell
46. the smith westerns - the smith westerns
47. ganglians - monster head room
48. micachu and the shapes - jewellery
49. irrepressibles - from the circus... to the sea
50. telepathe - dance mother
51. decemberists - the hazards of love
52. dirty projectors - bitte orca
53. yo la tengo - popular songs
54. vivian girls - everything goes wrong
55. patrick watson - wooden arms
56. she keeps bees - nests
57. soulsavers - broken
58. let's wrestle - In the court of the wrestling lets
59. japandroids - post nothing
60. bill callahan - sometimes I wish we were an angel
UNCUT
01. Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
02. Super Furry Animals – Dark Days/Light Years
03. The Dirty Projectors – Bitte Orca
04. Bob Dylan – Together Through Life
05. Wild Beasts – Two Dancers
06. The XX – The XX
07. Wilco – Wilco (The Album)
08. Grizzly Bear – Veckatimest
09. Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz!
10. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
11. Bill Callahan – Sometimes I Wish We Were An Eagle
12. Fever Ray – Fever Ray
13. White Denim – Fits
14. The Flaming Lips – Embryonic
15. Bassekou Kouyate And Ngoni Ba – I Speak Fula
16. Florance And The Machine – Lungs
17. Doves – Kingdom Of Rust
18. Graham Coxon – The Spinning Top
19. Sonic Youth – The Eternal
20. The Horrors – Primary Colours
21. The Low Anthem – Oh My God, Charlie Darwin (Uncut Deliberate Error Charlie Brown Hahhaha)
22. Alela Diane – To Be Still
23. Manic Street Preachers – Journal For Plague Lovers
24. Micachu And The Shapes – Jewellery
25. Sunn 0))) – Monoliths And Dimensions
26. The Unthanks – Here’s The Tender Coming
27. Yo La Tengo – Popular Songs
28. Madness – The Liberty Of Norton Folgate
29. Pj Harvey & John Parish – A Woman A Man Walked By
30. Jim O’ Rourke – The Visitor
31. The Dead Weather – Horehound
32. Iggy Pop – Preliminaries
33. The Duke And The King – Nothing Gold Can Stay
34. Trembling Bells – Carberth
35. Tinariwen – Imidiwan: Companions
36. Fuck Buttons – Tarot Sport
37. Dinosaur Jr – Farm
38. Arctic Monkeys – Humbug
39. Cornershop – Judy Sucks On A Lemon For Breakfast
40. The Felice Brothers – Yonder Is The Clock
41. Van Morrison – Astral Weeks Live At The Hollywood Bowl
42. Richard Hawley – Truelove’s Gutter
43. Bruce Springsteen – Working On A Dream
44. Reigning Sound – Love And Curses
45. Richmond Fontaine – We Used To Think The Freeway Sounded Like A River
46. Broadcast & The Focus Group - …Investigate Witch Cults Of The Radio Age
47. Alasdair Roberts – Spoils
48. Raphael Saadiq – The Way I See It
49. Jay-Z – The Blueprint 3
50. Kurt Vile – Childish Prodigy
Q
01. Kasabian – West Ryder Pauper Lunatic Asylum
02. Florence And The Machine – Lungs
03. Yeah Yeah Yeahs – It’s Blitz
04. Animal Collective – Merriweather Post Pavilion
05. Manic Street Preachers – Journal For Plague Lovers
06. Arctic Monkeys – Humbug
07. Muse – The Resistance
08. Lilly Allen – It’s Not Me, It’s You
09. U2 – No Line On The Horizon
10. Phoenix – Woulgang Amadeus Phoenix
11. Doves – Kingdom Of Rust
12. Jack Penate – Everything Is New
13. Grizzly Bear – Veckatimest
14. Devendra Banhart – What Will We Be
15. Dizzee Rascal – Tongue ‘N Cheek
16. Empire F The Sun – Walking On A Dream
17. Green Day – 21st Century Breakdown
18. Mika – The Boy Who Knew Too Much
19. Monsters Of Folk – Monsters Of Folk
20. Fever Ray – Fever Ray
21. Jamie T – Kings And Queens
22. The Low Anthem – Oh My Gad, Charlie Darwin
23. The Prodigy – Invaders Must Die
24. Mos Def – The Ecstatic
25. Noah And The Whale – The First Days Of Spring
26. Bat For Lashes – Two Suns
27. The Dead Weather – Horehound
28. Bruce Springsteen – Working On A Dream
29. Wilco – Wilco (The Album)
30. La Roux – La Roux
31. Biffy Clyro – Only Revolutions
32. Paolo Nutini – Sunny Side Up
33. Dirty Projectors – Bitte Orca
34. White Lies – To Lose My Life
35. Pearl Jam – Backspacer
36. Sonic Youth – The Eternal
37. Fuck Buttons – Tarot Sport
38. Richard Hawley
39. The Horrors – Primary Colours
40. Cheryl Cole – 3 Words
41. Wild Beasts – Two Dancers
42. Mariachi El Bronx – Mariachi El Bronx
43. Tinariwen – Imidiwan Companions
44. The View – Which Bitch
45. Conor Oberst And The Mystic Valley Band – Outer South
46. Golden Silvers – True Romance
47. Madness – The Liberty Of Norton Folgate
48. Ian Brown – My Way
49. Bob Dylan – Together Through Life
50. Jarvis Cocker – Further Complication
ROUGH TRADE
01. the xx - xx
02. the low anthem - oh my god Charlie darwin
03. the horrors primary
04. fever ray - fever ray
05. the pains of being pure at the heart
06. grizzly bear - veckatimest
07. the leisure society - the seeper and the product of the ego brain
08. fuck buttons - tarot sport
09. forest fire - survival
10. the very best - warm heart of africa
11. animal collective - merriweather post pavillion
12. yeah yeah yeahs - it's blitz!
13. atlas sound - logos
14. phoenix - wolfgang amadeus phoenix
15. local natives - gorilla manor
16. white denim - fits
17. jonsi and alex - riceboy sleeps
18. terry lynn - kingstonlogic 2.0
19. camera obscura - my maudlin career
20. mountain goats - the life of the world to come
21. wild beasts - 2 dancers
22. portico quartet - isla
23. major lazer - guns don't kill people... lazers do
24. memory tapes - seek magic
25. florence and the machine - lungs
26. girls - album
27. alela diane - to be still
28. andrew bird - noble beast
29. cymbals eat guitars - why there are mountains
30. taken by trees - east of eden
31. mos def - the ecstatic
32. shitty limits - beware the limits
33. dead mans bones - dead man's bones
34. fanfarlo - reservoir
35. lindstrom and christabelle - real life is no cool
36. kid congo and the pink monkey birds - dracula boots 37. big pink - a brief history of love
38. mumford and sons - sigh no more
39. a place to bury strangers - exploding head
40. martyn - great lengths
41. young republic - balletesque
42. richard hawley - truelove's gutter
43. cate le bon - me oh my
44. jarvis - further complications
45. mummers - tale to tell
46. the smith westerns - the smith westerns
47. ganglians - monster head room
48. micachu and the shapes - jewellery
49. irrepressibles - from the circus... to the sea
50. telepathe - dance mother
51. decemberists - the hazards of love
52. dirty projectors - bitte orca
53. yo la tengo - popular songs
54. vivian girls - everything goes wrong
55. patrick watson - wooden arms
56. she keeps bees - nests
57. soulsavers - broken
58. let's wrestle - In the court of the wrestling lets
59. japandroids - post nothing
60. bill callahan - sometimes I wish we were an angel
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domingo, 22 de novembro de 2009
Papa pede que artistas se afastem da beleza hipócrita da transgressão
da Efe, no Vaticano

O papa Bento 16 pediu neste sábado aos artistas que transmitam a verdadeira beleza da arte, e não a "hipócrita", da qual "frequentemente se faz propaganda" e que estimula a ânsia de poder sob expressões de "obscenidade, transgressão ou provocação".
Em um encontro realizado na Capela Sistina do Vaticano com cerca de 260 artistas, o pontífice falou sobre o conceito de beleza que, segundo ele, a arte deve transmitir.
"Muito frequentemente, a beleza da qual se faz propaganda é ilusória e falaz, superficial e deslumbrante até o atordoamento e, em vez de fazer sair os homens de si mesmos e abrir horizontes de verdadeira liberdade, atraindo-os para o alto, os aprisiona em si mesmos e os torna ainda mais escravos, carentes de esperança e de alegria. É uma sedutora, mas hipócrita, beleza, que aviva a ânsia, a vontade de poder, de posse, de abuso sobre o outro e que se transforma, em seguida, em seu oposto, assumindo a expressão da obscenidade, da transgressão ou da provocação. Os artistas têm a responsabilidade de transmitir a verdadeira beleza, que leva o coração humano ao desejo profundo de conhecer, de amar, de ir em direção ao outro. Vocês são os guardiães da beleza. Vocês têm, graças a seu talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e coletiva, de gerar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do compromisso humano. Estejam, portanto, agradecidos pelos dons recebidos e sejam plenamente sabedores da grande responsabilidade de comunicar a beleza, de fazer comunicar na beleza e através da beleza. Sejam também vocês, através de sua arte, anunciantes e testemunhos de esperança para a humanidade."
da Efe, no Vaticano

O papa Bento 16 pediu neste sábado aos artistas que transmitam a verdadeira beleza da arte, e não a "hipócrita", da qual "frequentemente se faz propaganda" e que estimula a ânsia de poder sob expressões de "obscenidade, transgressão ou provocação".
Em um encontro realizado na Capela Sistina do Vaticano com cerca de 260 artistas, o pontífice falou sobre o conceito de beleza que, segundo ele, a arte deve transmitir.
"Muito frequentemente, a beleza da qual se faz propaganda é ilusória e falaz, superficial e deslumbrante até o atordoamento e, em vez de fazer sair os homens de si mesmos e abrir horizontes de verdadeira liberdade, atraindo-os para o alto, os aprisiona em si mesmos e os torna ainda mais escravos, carentes de esperança e de alegria. É uma sedutora, mas hipócrita, beleza, que aviva a ânsia, a vontade de poder, de posse, de abuso sobre o outro e que se transforma, em seguida, em seu oposto, assumindo a expressão da obscenidade, da transgressão ou da provocação. Os artistas têm a responsabilidade de transmitir a verdadeira beleza, que leva o coração humano ao desejo profundo de conhecer, de amar, de ir em direção ao outro. Vocês são os guardiães da beleza. Vocês têm, graças a seu talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e coletiva, de gerar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do compromisso humano. Estejam, portanto, agradecidos pelos dons recebidos e sejam plenamente sabedores da grande responsabilidade de comunicar a beleza, de fazer comunicar na beleza e através da beleza. Sejam também vocês, através de sua arte, anunciantes e testemunhos de esperança para a humanidade."
sábado, 21 de novembro de 2009
[25 MELHORES DISCOS DE 2009 ATÉ AGORA]
01. Vic Chesnutt - At the cut
02. Bill Callahan - Sometimes I wish we were an eagle
03. Current 93 - Aleph at hallucinatory mountain
04. St. Vincent - Actor
05. El Perro Del Mar - Love is not pop
06. Do May Say Think - Other truths
07. Little Dragon - Machine dreams
08. William Basinski - 92982
09. Julian Casablancas - Phrazes for the young
10. Wild Beasts - Two dancers
11. Lokai - Transition
12. Iggy Pop - Preliminaires
13. PJ Harvey & John Parish - A woman a man walked by
14. Deerhunter - Rainwater cassette exchange
15. Converge - Axe to fall
16. Dead Man's Bones - Dead Man's Bones
17. Volcano Choir - Unmap
18. Death Cab For Cutie - The open door EP
19. Blackout Beach - Skin of evil
20. Lily Allen - It's not me, it's you
21. Xiu Xiu - You can't hear me
22. OOIOO - Armonico hewa
23. Destroyer - Bay of pigs EP
24. Neko Case - Middle cyclone
25. Robyn Hitchcock - Goodnight Oslo
01. Vic Chesnutt - At the cut
02. Bill Callahan - Sometimes I wish we were an eagle
03. Current 93 - Aleph at hallucinatory mountain
04. St. Vincent - Actor
05. El Perro Del Mar - Love is not pop
06. Do May Say Think - Other truths
07. Little Dragon - Machine dreams
08. William Basinski - 92982
09. Julian Casablancas - Phrazes for the young
10. Wild Beasts - Two dancers
11. Lokai - Transition
12. Iggy Pop - Preliminaires
13. PJ Harvey & John Parish - A woman a man walked by
14. Deerhunter - Rainwater cassette exchange
15. Converge - Axe to fall
16. Dead Man's Bones - Dead Man's Bones
17. Volcano Choir - Unmap
18. Death Cab For Cutie - The open door EP
19. Blackout Beach - Skin of evil
20. Lily Allen - It's not me, it's you
21. Xiu Xiu - You can't hear me
22. OOIOO - Armonico hewa
23. Destroyer - Bay of pigs EP
24. Neko Case - Middle cyclone
25. Robyn Hitchcock - Goodnight Oslo
Característica do meu mapa astral "Urano na 11ª Casa": Você está no mundo, mas não faz parte dele.
Meu kin (signo) maia, Semente/Kan: Às vezes KAN parece estar em outro mundo.
Meu kin (signo) maia, Semente/Kan: Às vezes KAN parece estar em outro mundo.
Meu kin (signo) maia
SEMENTE / KAN
Traduzido por: Maria Thereza F. Di Lascio
Você deve plantar agora a semente de alguma intenção, projeto ou sonho. A energia da semente lhe pede não ter problemas de receptividade, pois as sementes germinam melhor em um campo de entrega, que responda. O que você pode fazer para criar essa receptividade, que ajude a germinação de suas ideias-sementes? Recorde-se de que toda semente se auto-germina, e que o cumprimento de qualquer sonho começa com um pensamento singelo. Não se perca no processo inteiro da manifestação, comece semeando o que seu coração deseja. Sinta que é possível este sonho-semente brotar da terra. Sua vida é a terra receptiva. Plante uma semente nessa terra fértil. Comece. O resultado florescerá de forma natural dentro de sua predisposição para começar. Todas as sementes contém o poder holográfico para auto-realizar-se. A Semente representa o poder que dirige os processos vitais de um organismo até a sua plenitude. Siga nesta viagem de manifestação, acatando os sonhos e seus sentimentos mais profundos.
A sabedoria da sombra (receios e medos): a sombra alerta que pode ser que você queira continuar latente, buscando ser protegido e ser invulnerável. Você está inconscientemente limitando-se ao abrigar a ideia de ficar a salvo e de ter segurança dentro de sua concha. Disponha-se a romper com essa couraça formada de auto-conceitos e estruturas da vida, que o conservam como que amarrado. Liberte-se de velhas estruturas e crenças que antes davam a você segurança, e vá ao encontro de novas possibilidades. Muito além dos confins da segurança e esquemas de rotina da vida diária, existem possibilidades desconhecidas que chamam você. Contemple como você pode estar limitando seu crescimento natural. Não espere condições perfeitas para plantar sua semente; agora é a época; cultive suas sementes. Você é a terra receptiva; seus desejos atrairão, de forma natural, o apoio de que necessita. Todos os seus sonhos e desejos estão dentro de você, esperando que os desperte. A resposta está dentro de você e não fora. Lembre-se de que a semente contém o holograma completo do todo e que, dentro do processo de crescimento, se encontram as respostas e os vislumbres disponíveis. Plante suas intenções; elas se ativarão, guiarão você e manifestarão os mistérios interiores.
É possível que haja uma fenda entre a mente e o corpo, que KAN tente curar, trabalhando através das crises. Na superfície, KAN ou Semente, pode aparentar ser indolente, mas na realidade, KAN é um caçador passivo que está sempre pronto a reagir às oportunidades e fazer contatos com as pessoas certas. É sua natureza receptiva e agressiva que reconhece um movimento social de vanguarda, sem ofender diretamente ou deixar deslocadas muitas pessoas. KAN tem uma natureza fogosa e não pode tolerar superficialidade, levando a vida bastante seriamente, muitas vezes envolvendo-se com intrincados assuntos como ciência, filosofia, religião e metafísica. No íntimo, KAN é muito sério a respeito da vida. Sua atitude muito séria pode levá-lo à depressão e desesperança, se continuar reprimindo-se. É importante reservar um tempo para ocupações alegres e despreocupadas. KAN é ajudado ficando algum tempo no sol para a restauração de sua saúde física e emocional. Atividades ao ar livre que levem KAN a sair de suas atividades e interesses mentais trazem equilíbrio para ele.
KAN tem uma energia física muito profunda e forte. KAN pode ter uma mente intensamente abstrata, envolvendo-se com teorias mitológicas. Às vezes KAN parece estar em outro mundo.
KAN está plantando sementes e permitindo que as mesmas germinem. Descubra onde você não está permitindo o crescimento dos seus sonhos. Você está permitindo o repouso da semente para permanecer salva no mundo interior do eu? Está limitando seu crescimento natural, permanecendo na casca protetora da semente? Lembre-se, a casca exterior da semente não traz vida. Ela precisa ser rompida, permitindo que a força vital e a luz interior da semente tragam a vida para o exterior.
Não espere pelo tempo ou lugar perfeito para permitir-se experimentar. Se você buscar salvação na superfície do mundo, não a encontrarás. Não se deixe prender no processo de manifestação de si próprio. Sua vida é um grão fértil. Plante já as sementes e tome as primeiras medidas em relação aos seus desejos. O único tempo de experimentar é agora. Comece a viver seu destino solar. O universo é receptivo e você atrairá apoio para seu destino. Tudo o que você é capaz de ser, está pronto para ser manifestado na primavera do seu destino. A resposta está dentro da semente que é VOCÊ! Lembre-se que a manifestação de um sonho se inicia com um pensamento e então você coloca usa intenção para criar, permitindo que o universo manifeste seu sonho. Tudo isso é necessário para que você realize e siga seu chamado interior. Quem vive no universo, também vive na SEMENTE! Comece a GERMINAR!
SEMENTE / KAN
Traduzido por: Maria Thereza F. Di Lascio
Você deve plantar agora a semente de alguma intenção, projeto ou sonho. A energia da semente lhe pede não ter problemas de receptividade, pois as sementes germinam melhor em um campo de entrega, que responda. O que você pode fazer para criar essa receptividade, que ajude a germinação de suas ideias-sementes? Recorde-se de que toda semente se auto-germina, e que o cumprimento de qualquer sonho começa com um pensamento singelo. Não se perca no processo inteiro da manifestação, comece semeando o que seu coração deseja. Sinta que é possível este sonho-semente brotar da terra. Sua vida é a terra receptiva. Plante uma semente nessa terra fértil. Comece. O resultado florescerá de forma natural dentro de sua predisposição para começar. Todas as sementes contém o poder holográfico para auto-realizar-se. A Semente representa o poder que dirige os processos vitais de um organismo até a sua plenitude. Siga nesta viagem de manifestação, acatando os sonhos e seus sentimentos mais profundos.
A sabedoria da sombra (receios e medos): a sombra alerta que pode ser que você queira continuar latente, buscando ser protegido e ser invulnerável. Você está inconscientemente limitando-se ao abrigar a ideia de ficar a salvo e de ter segurança dentro de sua concha. Disponha-se a romper com essa couraça formada de auto-conceitos e estruturas da vida, que o conservam como que amarrado. Liberte-se de velhas estruturas e crenças que antes davam a você segurança, e vá ao encontro de novas possibilidades. Muito além dos confins da segurança e esquemas de rotina da vida diária, existem possibilidades desconhecidas que chamam você. Contemple como você pode estar limitando seu crescimento natural. Não espere condições perfeitas para plantar sua semente; agora é a época; cultive suas sementes. Você é a terra receptiva; seus desejos atrairão, de forma natural, o apoio de que necessita. Todos os seus sonhos e desejos estão dentro de você, esperando que os desperte. A resposta está dentro de você e não fora. Lembre-se de que a semente contém o holograma completo do todo e que, dentro do processo de crescimento, se encontram as respostas e os vislumbres disponíveis. Plante suas intenções; elas se ativarão, guiarão você e manifestarão os mistérios interiores.
É possível que haja uma fenda entre a mente e o corpo, que KAN tente curar, trabalhando através das crises. Na superfície, KAN ou Semente, pode aparentar ser indolente, mas na realidade, KAN é um caçador passivo que está sempre pronto a reagir às oportunidades e fazer contatos com as pessoas certas. É sua natureza receptiva e agressiva que reconhece um movimento social de vanguarda, sem ofender diretamente ou deixar deslocadas muitas pessoas. KAN tem uma natureza fogosa e não pode tolerar superficialidade, levando a vida bastante seriamente, muitas vezes envolvendo-se com intrincados assuntos como ciência, filosofia, religião e metafísica. No íntimo, KAN é muito sério a respeito da vida. Sua atitude muito séria pode levá-lo à depressão e desesperança, se continuar reprimindo-se. É importante reservar um tempo para ocupações alegres e despreocupadas. KAN é ajudado ficando algum tempo no sol para a restauração de sua saúde física e emocional. Atividades ao ar livre que levem KAN a sair de suas atividades e interesses mentais trazem equilíbrio para ele.
KAN tem uma energia física muito profunda e forte. KAN pode ter uma mente intensamente abstrata, envolvendo-se com teorias mitológicas. Às vezes KAN parece estar em outro mundo.
KAN está plantando sementes e permitindo que as mesmas germinem. Descubra onde você não está permitindo o crescimento dos seus sonhos. Você está permitindo o repouso da semente para permanecer salva no mundo interior do eu? Está limitando seu crescimento natural, permanecendo na casca protetora da semente? Lembre-se, a casca exterior da semente não traz vida. Ela precisa ser rompida, permitindo que a força vital e a luz interior da semente tragam a vida para o exterior.
Não espere pelo tempo ou lugar perfeito para permitir-se experimentar. Se você buscar salvação na superfície do mundo, não a encontrarás. Não se deixe prender no processo de manifestação de si próprio. Sua vida é um grão fértil. Plante já as sementes e tome as primeiras medidas em relação aos seus desejos. O único tempo de experimentar é agora. Comece a viver seu destino solar. O universo é receptivo e você atrairá apoio para seu destino. Tudo o que você é capaz de ser, está pronto para ser manifestado na primavera do seu destino. A resposta está dentro da semente que é VOCÊ! Lembre-se que a manifestação de um sonho se inicia com um pensamento e então você coloca usa intenção para criar, permitindo que o universo manifeste seu sonho. Tudo isso é necessário para que você realize e siga seu chamado interior. Quem vive no universo, também vive na SEMENTE! Comece a GERMINAR!
Significado do meu nome, "Douglas": Aquele que veio do rio de águas escuras e uma pessoa que, com seu temperamento impulsivo, consegue resultados rápidos em tudo o que se propõe a fazer.
Característica do meu mapa astral "Mercúrio Sextil Marte": Você é uma pessoa extremamente dinâmica e capaz de realizar tarefas em uma torrente de atividade em metade do tempo que levaria o comum dos mortais. Quando decide agir, bate como um raio.
Característica do meu mapa astral "Mercúrio Sextil Marte": Você é uma pessoa extremamente dinâmica e capaz de realizar tarefas em uma torrente de atividade em metade do tempo que levaria o comum dos mortais. Quando decide agir, bate como um raio.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Nilmar fez seis dos últimos sete gols da Seleção Brasileira. Ontem ele foi o único a marcar - de novo. Ele não só vai ser titular no lugar do Robinho, como vai ser artilheiro da Copa do Mundo. E eu vou acompanhar o Brasil com muito mais motivação por isso tudo.
Luiz Alberto Oliveira (cosmólogo) - Na própria transcrição dos genes em proteínas ocorre uma aleatoriedade inevitável, proveniente das circunstâncias internas da célula, e essa indeterminação é co-responsável pela fixação dos caracteres individuais; a complementaridade entre Acaso e Necessidade abrange os ambientes exógeno e endógeno dos seres vivos.
ComCiência - Como dialogam as ciências humanas, a biologia e a física na atualidade?
Oliveira - Na maioria das vezes, como viajantes noturnos no deserto, que passam bem ao lado um do outro sem se encontrar. Nas ciências naturais, duas tendências estão em confronto: o especialismo, segundo o qual cada saber deve possuir limites bem demarcados para a atuação de seus praticantes, e a transdisciplinaridade, fundada no reconhecimento de que objetos complexos como o clima requerem, para uma descrição eficaz, a colaboração de idéias, instrumentos e procedimentos oriundos de diferentes áreas, da geologia à física do Sol. Obviamente, ambas as posturas são indispensáveis, a verticalidade para o específico, a horizontalidade para o integrado, mas na prática costuma-se decair para um fundamentalismo míope em favor de um dos lados. Ainda mais agudo é o distanciamento entre os saberes naturais e os humanos, em vista da generalidade e da singularidade de seus respectivos objetos de estudo. Veja-se por exemplo o conflito entre neuropsiquiatras e psicanalistas: os primeiros proclamam que os neurofármacos decretaram o fim de uma pseudociência, ignorando a observação de Lewis Thomas de que as palavras agem sobre vírus, penetram em escalas subcelulares; os segundos denunciam a leviandade da remoção de sintomas sem que se intervenha sobre as causas, esquecendo a antevisão de Freud acerca das promessas da bioquímica. Quem sabe um dia, dada a função comum de serem meios para que o pensamento mergulhe no desconhecido, os saberes venham a dialogar abertamente.
ComCiência - Se é verdade que, na atualidade, a ciência está mais associada ao mercado, quais as consequências disso para o saber científico e para os saberes que não podem produzir para o mercado, como a filosofia?
Oliveira - Consideremos o mito moderno por excelência, o "Progresso": a humanidade, o grande universal humanista parido pelo Iluminismo, teria como destinação o rumo a uma nova Canaã de abundância material. Mas a sensação em nossa pós-modernidade, o gosto em nossa boca, é de mal-estar. Recordemos os primórdios da Revolução Industrial: bens naturais fartos, bens artificiais raros. Hoje, vemos o inverso: bens artificiais abundantes, bens naturais escasseando. Sem dúvida, todo ser vivo necessariamente desconstrói e reconstrói seu habitat, mas o peso de nossa presença começa a se tornar excessivo; Edward Wilson nos aponta um rosário de extinções em massa em ecossistemas e de ecossistemas decorrentes da crescente ocupação devastadora humana. Os atuais seguidores do mercado o entronizaram como provedor de todos os benefícios prometidos e adiados, e o mercado tornou-se diretor e causa final da atividade produtiva. Tudo deve ser conversível em commodity, tudo deve ser o nodo de um fluxo de percentagens, tudo deve ser apreçado: sentimentos íntimos, doutrinas religiosas, órgãos humanos. Para quê a filosofia? Que sejamos todos unidimensionais, quer dizer, consumidores, quer dizer, consumíveis; caso contrário, estamos fora. Esta destrutividade, essa exclusão exponencial, não são apenas um mal-estar, são um mal-ser. Ora, do ponto de vista da teoria dos sistemas complexos, a vida é uma matéria organizada que, aprendendo a modificar sua própria estrutura para responder a alterações do meio, passou a conectar os tempos bilionesimais das moléculas ao tempo profundo das transformações ambientais, geológicas, e astrofísicas. A aceleração técnica vigente na contemporaneidade superpôs um novo modo temporal a esta conexão entre os ritmos materiais e biológicos: a rapidez das produções culturais. O físico Freeman Dyson compara os andamentos típicos da natureza à marcha estugada da cultura: a África e a América do Sul levaram 150 milhões de anos para atingir a separação atual; uma especiação requer em média um milhão de anos; o clima global varia ao longo de centenas de milhares de anos; já o desenvolvimento de artefatos culturais como a metalurgia ou a cidade precisou de dezenas de milhares de anos; entidades como as línguas e as religiões têm milhares de anos de longevidade; instituições como as nações duram séculos; os indivíduos têm expectativa de vida da ordem de várias décadas; mas no sistema acadêmico hiperacelerado de hoje as ideias surgem e fenecem em anos, e as inovações técnicas são lançadas e obsoletam em meses. O aspecto crítico aqui é que a compactação dos ritmos naturais pelos ritmos tecnológicos instaura uma imprevisibilidade radical: doravante o passado não nos servirá como guia, pois a história - quer da natureza, quer da cultura - não pode mais ser rebatida sobre o futuro. O futuro não será mais como antigamente. Transformações civilizacionais deste calibre não costumam ser experiências pacíficas e serenas. Como reza a tradicional maldição chinesa, viveremos tempos interessantes. Talvez como em nenhuma outra época, será necessário que invoquemos e exerçamos as potências do pensamento - a arte, a filosofia, a ciência - para que possamos, como queria o filósofo Friedrich Nietzsche, ser uma ponte entre o primata e o além-do-homem.
Luiz Alberto Oliveira*
Espaço e Tempo - na Filosofia, na Ciência e na Arte
Santander Cultural - 5 e 6 de dezembro de 2009
Horário: 15h - 17h30
Investimento: R$ 180,00 para os 20 primeiros inscritos, R$ 200,00 para os demais. Formas de pagamento: Parcelamento em 2x no cheque
Local das inscrições: Livraria Bamboletras
Flávio: 8110 0118 // flaviogil@hotmail.com
Júlia: 9242 5267 // ju_bertolucci@yahoo.com.br
Nos últimos cem anos, uma série de idéias inovadoras, resultantes da profunda Revolução Científica ocorrida no começo do século XX, tiveram sua consolidação e disseminação. Os cientistas se tornaram progressivamente capazes de sondar, analisar e modelar certas classes de fenômenos inacessíveis aos instrumentos (e conceitos) do passado.
O objetivo dos encontros será o de compor uma perspectiva acerca dos desenvolvimentos dos conceitos Espaço e Tempo nos domínios da Filosofia, da Ciência e da Arte. É proposto um debate, segundo uma visão renovada dos processos criadores, para reavaliar o entendimento que atualmente dispomos sobre a Natureza, a Vida e o Pensamento.
Para isso, serão examinadas as origens das noções de Espaço e Tempo, no Mito, na Filosofia e na História; a passagem do Mundo Fechado medieval ao Universo Infinito de Newton, a partir da constituição da Ciência moderna; a profunda reformulação acarretada pelos avanços recentes da Microfísica, Cosmologia e Teoria dos Sistemas Complexos; e explorar problemas de fronteira na Filosofia, na Ciência e na Arte segundo uma perspectiva contemporânea.
* Luiz Alberto Oliveira é físico, doutor em Cosmologia, pesquisador da Coordenação de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (ICRA-BR) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT), Rio de Janeiro, onde também atua como professor de História e Filosofia da Ciência. É ainda coordenador associado do Núcleo de Pesquisas sobre Ciberculturas (CiberIdea) do Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento da Escola de Comunicação da UFRJ, consultor de Ciências do Canal Futura de Teleducação, membro fundador do Instituto de Estudos da Complexidade e professor convidado da Casa do Saber do Rio de Janeiro e do Escritório Oscar Niemeyer.
Além de tudo isso, ele é membro da equipe dos Dynamic Encounters, do Charles Watson.
ComCiência - Como dialogam as ciências humanas, a biologia e a física na atualidade?
Oliveira - Na maioria das vezes, como viajantes noturnos no deserto, que passam bem ao lado um do outro sem se encontrar. Nas ciências naturais, duas tendências estão em confronto: o especialismo, segundo o qual cada saber deve possuir limites bem demarcados para a atuação de seus praticantes, e a transdisciplinaridade, fundada no reconhecimento de que objetos complexos como o clima requerem, para uma descrição eficaz, a colaboração de idéias, instrumentos e procedimentos oriundos de diferentes áreas, da geologia à física do Sol. Obviamente, ambas as posturas são indispensáveis, a verticalidade para o específico, a horizontalidade para o integrado, mas na prática costuma-se decair para um fundamentalismo míope em favor de um dos lados. Ainda mais agudo é o distanciamento entre os saberes naturais e os humanos, em vista da generalidade e da singularidade de seus respectivos objetos de estudo. Veja-se por exemplo o conflito entre neuropsiquiatras e psicanalistas: os primeiros proclamam que os neurofármacos decretaram o fim de uma pseudociência, ignorando a observação de Lewis Thomas de que as palavras agem sobre vírus, penetram em escalas subcelulares; os segundos denunciam a leviandade da remoção de sintomas sem que se intervenha sobre as causas, esquecendo a antevisão de Freud acerca das promessas da bioquímica. Quem sabe um dia, dada a função comum de serem meios para que o pensamento mergulhe no desconhecido, os saberes venham a dialogar abertamente.
ComCiência - Se é verdade que, na atualidade, a ciência está mais associada ao mercado, quais as consequências disso para o saber científico e para os saberes que não podem produzir para o mercado, como a filosofia?
Oliveira - Consideremos o mito moderno por excelência, o "Progresso": a humanidade, o grande universal humanista parido pelo Iluminismo, teria como destinação o rumo a uma nova Canaã de abundância material. Mas a sensação em nossa pós-modernidade, o gosto em nossa boca, é de mal-estar. Recordemos os primórdios da Revolução Industrial: bens naturais fartos, bens artificiais raros. Hoje, vemos o inverso: bens artificiais abundantes, bens naturais escasseando. Sem dúvida, todo ser vivo necessariamente desconstrói e reconstrói seu habitat, mas o peso de nossa presença começa a se tornar excessivo; Edward Wilson nos aponta um rosário de extinções em massa em ecossistemas e de ecossistemas decorrentes da crescente ocupação devastadora humana. Os atuais seguidores do mercado o entronizaram como provedor de todos os benefícios prometidos e adiados, e o mercado tornou-se diretor e causa final da atividade produtiva. Tudo deve ser conversível em commodity, tudo deve ser o nodo de um fluxo de percentagens, tudo deve ser apreçado: sentimentos íntimos, doutrinas religiosas, órgãos humanos. Para quê a filosofia? Que sejamos todos unidimensionais, quer dizer, consumidores, quer dizer, consumíveis; caso contrário, estamos fora. Esta destrutividade, essa exclusão exponencial, não são apenas um mal-estar, são um mal-ser. Ora, do ponto de vista da teoria dos sistemas complexos, a vida é uma matéria organizada que, aprendendo a modificar sua própria estrutura para responder a alterações do meio, passou a conectar os tempos bilionesimais das moléculas ao tempo profundo das transformações ambientais, geológicas, e astrofísicas. A aceleração técnica vigente na contemporaneidade superpôs um novo modo temporal a esta conexão entre os ritmos materiais e biológicos: a rapidez das produções culturais. O físico Freeman Dyson compara os andamentos típicos da natureza à marcha estugada da cultura: a África e a América do Sul levaram 150 milhões de anos para atingir a separação atual; uma especiação requer em média um milhão de anos; o clima global varia ao longo de centenas de milhares de anos; já o desenvolvimento de artefatos culturais como a metalurgia ou a cidade precisou de dezenas de milhares de anos; entidades como as línguas e as religiões têm milhares de anos de longevidade; instituições como as nações duram séculos; os indivíduos têm expectativa de vida da ordem de várias décadas; mas no sistema acadêmico hiperacelerado de hoje as ideias surgem e fenecem em anos, e as inovações técnicas são lançadas e obsoletam em meses. O aspecto crítico aqui é que a compactação dos ritmos naturais pelos ritmos tecnológicos instaura uma imprevisibilidade radical: doravante o passado não nos servirá como guia, pois a história - quer da natureza, quer da cultura - não pode mais ser rebatida sobre o futuro. O futuro não será mais como antigamente. Transformações civilizacionais deste calibre não costumam ser experiências pacíficas e serenas. Como reza a tradicional maldição chinesa, viveremos tempos interessantes. Talvez como em nenhuma outra época, será necessário que invoquemos e exerçamos as potências do pensamento - a arte, a filosofia, a ciência - para que possamos, como queria o filósofo Friedrich Nietzsche, ser uma ponte entre o primata e o além-do-homem.
Luiz Alberto Oliveira*
Espaço e Tempo - na Filosofia, na Ciência e na Arte
Santander Cultural - 5 e 6 de dezembro de 2009
Horário: 15h - 17h30
Investimento: R$ 180,00 para os 20 primeiros inscritos, R$ 200,00 para os demais. Formas de pagamento: Parcelamento em 2x no cheque
Local das inscrições: Livraria Bamboletras
Flávio: 8110 0118 // flaviogil@hotmail.com
Júlia: 9242 5267 // ju_bertolucci@yahoo.com.br
Nos últimos cem anos, uma série de idéias inovadoras, resultantes da profunda Revolução Científica ocorrida no começo do século XX, tiveram sua consolidação e disseminação. Os cientistas se tornaram progressivamente capazes de sondar, analisar e modelar certas classes de fenômenos inacessíveis aos instrumentos (e conceitos) do passado.
O objetivo dos encontros será o de compor uma perspectiva acerca dos desenvolvimentos dos conceitos Espaço e Tempo nos domínios da Filosofia, da Ciência e da Arte. É proposto um debate, segundo uma visão renovada dos processos criadores, para reavaliar o entendimento que atualmente dispomos sobre a Natureza, a Vida e o Pensamento.
Para isso, serão examinadas as origens das noções de Espaço e Tempo, no Mito, na Filosofia e na História; a passagem do Mundo Fechado medieval ao Universo Infinito de Newton, a partir da constituição da Ciência moderna; a profunda reformulação acarretada pelos avanços recentes da Microfísica, Cosmologia e Teoria dos Sistemas Complexos; e explorar problemas de fronteira na Filosofia, na Ciência e na Arte segundo uma perspectiva contemporânea.
* Luiz Alberto Oliveira é físico, doutor em Cosmologia, pesquisador da Coordenação de Cosmologia, Relatividade e Astrofísica (ICRA-BR) do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF/MCT), Rio de Janeiro, onde também atua como professor de História e Filosofia da Ciência. É ainda coordenador associado do Núcleo de Pesquisas sobre Ciberculturas (CiberIdea) do Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento da Escola de Comunicação da UFRJ, consultor de Ciências do Canal Futura de Teleducação, membro fundador do Instituto de Estudos da Complexidade e professor convidado da Casa do Saber do Rio de Janeiro e do Escritório Oscar Niemeyer.
Além de tudo isso, ele é membro da equipe dos Dynamic Encounters, do Charles Watson.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
"Houve um tempo em que as religiões eram matriarcais. Religiões voltadas para a devoção da Natureza e das forças da Natureza, e de seus ciclos, respeitando seus movimentos de expansão e retração. Elas refletiam uma visão de mundo a partir do olhar da mulher, da mãe Natureza. Mas esta visão foi soterrada pelo patriarcado e o império da razão e do racionalismo. E estamos pagando caro por isso! A visão patriarcal do mundo - refletida nas religiões patriarcais - diminuindo o feminino, o corpo, a Terra, os frutos, nega a manifestação do Espírito. Pois o Espírito se expressa no vivo, no material. O invisível se expressa por meio do visível. Disso decorre toda sorte de dificuldades com o prazer e com a expressão da Vida nas suas mais variadas formas. Quem quer que negue a energia feminina, nega a Terra. Quem nega a Terra, nega seu feminino. Hoje percebo mais claramente a necessidade premente de vermos espelhada a nossa saúde por meio de espaços puros, naturais. A paisagem urbana cria uma capa racional, artificial, construída em cimento, que impermeabiliza nosso contato com o verde primordial da onde viemos, fazendo-nos esquecer que somos feitos desses elementos, dessa Natureza mesma. Perdemos, assim, o acesso ao nosso espaço natural; por natural entendemos aquilo que é o que eu sou (sem esforço). Tudo passa a ser construído e artificial como o nosso pensar e a nossa razão. O Buda diz: "Não é possível separar sua Mente da Natureza. Sua Mente e a Natureza são uma coisa só." Como fica nossa Mente (e a percepção de nós mesmos) quando em ilhas urbanas desfiguramos a Natureza, apartando-nos do contato com nós mesmos?" (Isabela Bisconcini)
"O primeiro culto da humanidade foi ligado à Deusa Mãe, que se manifesta de várias formas: Isis, Vênus, Ishtar, Iemanjá, Maria, Kwan Yin, Athenas e tantas outras. Todas as deusas com esta gama variada de nomes manifestam os atributos de uma só, a Mãe Universal, que é mais conhecida entre os humanos como Grande Mãe ou Grande Deusa. (...) Com o passar do tempo, o culto intenso ao patriarcado fez a deusa silenciar, trazendo um impacto desmedido que se arrasta até os dias atuais. As próprias mulheres deixaram-se influenciar por este contexto, perderam a sua feminilidade, interferindo até mesmo nos ciclos lunares de menstruação. Seu lado masculino (yang) tornou-se tão forte que gerou desequilíbrios internos. (...) Quando o lado masculino usurpou do poder, afastando a Deusa do contato com a Terra, a escuridão se fez na mente humana. A mente racional assumiu o controle, deturpando o verdadeiro sentido de todas as coisas. Apagaram-se assim as estrelas do céu da consciência, para dar espaço aos fantasmas das sombras que tentam invadir o coração do ser humano. E assim arrastados pela ilusão do poder, perdem o referencial, instalando a doença da incredulidade, na ignorância dos desejos mundanos. (...) É exatamente agora o momento de plenitude em que a serpente ígnea, a energia psíquica (kundalini), subirá pela coluna, espiralando-se, usando esse poder inteligente para alcançar a iluminação e vencendo a treva da ignorância." (Mestre Djwal Khul)
"O primeiro culto da humanidade foi ligado à Deusa Mãe, que se manifesta de várias formas: Isis, Vênus, Ishtar, Iemanjá, Maria, Kwan Yin, Athenas e tantas outras. Todas as deusas com esta gama variada de nomes manifestam os atributos de uma só, a Mãe Universal, que é mais conhecida entre os humanos como Grande Mãe ou Grande Deusa. (...) Com o passar do tempo, o culto intenso ao patriarcado fez a deusa silenciar, trazendo um impacto desmedido que se arrasta até os dias atuais. As próprias mulheres deixaram-se influenciar por este contexto, perderam a sua feminilidade, interferindo até mesmo nos ciclos lunares de menstruação. Seu lado masculino (yang) tornou-se tão forte que gerou desequilíbrios internos. (...) Quando o lado masculino usurpou do poder, afastando a Deusa do contato com a Terra, a escuridão se fez na mente humana. A mente racional assumiu o controle, deturpando o verdadeiro sentido de todas as coisas. Apagaram-se assim as estrelas do céu da consciência, para dar espaço aos fantasmas das sombras que tentam invadir o coração do ser humano. E assim arrastados pela ilusão do poder, perdem o referencial, instalando a doença da incredulidade, na ignorância dos desejos mundanos. (...) É exatamente agora o momento de plenitude em que a serpente ígnea, a energia psíquica (kundalini), subirá pela coluna, espiralando-se, usando esse poder inteligente para alcançar a iluminação e vencendo a treva da ignorância." (Mestre Djwal Khul)
Você não é um funcionário. Você se criou como um funcionário. Quando você apresenta seu cartão de visitas ou seu currículo, não acredite que você é aquilo, você é aquele que construiu o seu currículo. Todas as nossas tragédias são tragédias do personagem. Se suas circunstâncias afundarem, você não precisa afundar junto. O treinamento para atingir esse estágio, de estar vinculado e ao mesmo tempo livre, é a quarta verdade de Buda. Ela se divide em outras quatro:
• Motivação correta
• Não trazer sofrimento aos seres
• Trazer benefício aos seres
• Dirigir a própria mente (é preciso tomar decisões capazes de serem implementadas)
Se você não se acha útil para alguma coisa, é melhor nem procurar emprego. Enquanto você tiver essa dúvida – se é útil ou não –, não tem a energia para chegar. Agora, quando você tiver a certeza de sua utilidade, é diferente. Antes de chegar a uma empresa, é preciso ver de que forma você pode trazer benefício àquela organização. Faça uma investigação cuidadosa. Quando você chegar para a entrevista, tem de estar apto a dizer "sorte sua, você me encontrou".
Essencialmente, o que você precisa ter é algo que satisfaça o outro, que traga benefícios. O ponto central é esse: não é o que vou ganhar em uma relação de troca, mas o que tenho a oferecer. Muitas pessoas pensam o contrário e acabam alijadas. Isso vale tanto para o funcionamento de um negócio quanto para o mercado de trabalho. O budismo tem 26 séculos e é um empreendimento. Não é uma atividade com fins lucrativos, mas se move dentro do mundo econômico. O budismo não tem interesses econômicos, não remunera seus funcionários e seguidores. Ainda assim, mesmo sem ser uma atividade lucrativa, vive. A essência da estabilidade do budismo é que tem algo a oferecer para cada pessoa.
(Lama Padma Samten)
• Motivação correta
• Não trazer sofrimento aos seres
• Trazer benefício aos seres
• Dirigir a própria mente (é preciso tomar decisões capazes de serem implementadas)
Se você não se acha útil para alguma coisa, é melhor nem procurar emprego. Enquanto você tiver essa dúvida – se é útil ou não –, não tem a energia para chegar. Agora, quando você tiver a certeza de sua utilidade, é diferente. Antes de chegar a uma empresa, é preciso ver de que forma você pode trazer benefício àquela organização. Faça uma investigação cuidadosa. Quando você chegar para a entrevista, tem de estar apto a dizer "sorte sua, você me encontrou".
Essencialmente, o que você precisa ter é algo que satisfaça o outro, que traga benefícios. O ponto central é esse: não é o que vou ganhar em uma relação de troca, mas o que tenho a oferecer. Muitas pessoas pensam o contrário e acabam alijadas. Isso vale tanto para o funcionamento de um negócio quanto para o mercado de trabalho. O budismo tem 26 séculos e é um empreendimento. Não é uma atividade com fins lucrativos, mas se move dentro do mundo econômico. O budismo não tem interesses econômicos, não remunera seus funcionários e seguidores. Ainda assim, mesmo sem ser uma atividade lucrativa, vive. A essência da estabilidade do budismo é que tem algo a oferecer para cada pessoa.
(Lama Padma Samten)
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
"Focando as quatro afirmações – forma é vazio, vazio é forma, forma nada mais é do que vazio, vazio nada mais é do que forma – vemos que a analogia do espelho pode nos ajudar. Forma nada mais é do que liberdade, a liberdade do espelho manifestar formas. Não há nenhuma forma dentro da forma no espelho; a vacuidade nada mais é do que a liberdade da mente em manifestar formas. (...) Nesse ponto, especificamente no zen surgem os haikus. A pessoa olha para o pássaro que canta num galho; não é um pássaro que canta num galho, é o extraordinário aparecimento mágico de um pássaro que canta num galho. Um milagre. As menores coisas passam a ter um sentido extraordinário. É o domínio, a percepção do processo da criação. Os versos do haiku descrevem a criação. Cada haiku é de um mestre verdadeiro. A pessoa que não compreende a vacuidade e o processo de surgimento inseparável, não tem como fazer haiku. O haiku mesmo é uma afirmação de que forma é vacuidade e vacuidade é forma, é outro modo de dizer o Sutra do Coração." (Lama Padma Samten)
Mais Lama Padma Samten:
Na tradição Zen, existe o koan, que é uma pergunta que não tem resposta lógica possível, e serve para quebrar a rigidez da compreensão do discípulo; a resposta não importa, o relevante é trabalhar-se com a pergunta mesmo. (Faz parte do método e da linguagem do zen a sofisticação de valorizar mais o paradoxal do que a lógica comum da afirmação. Quando a afirmação produz conforto, acalma e tranquiliza, a pessoa estaciona; se a afirmação produz desconforto, a pessoa nunca consegue harmonizá-la perfeitamente no contexto de seus conceitos e, assim, nunca se sentirá intelectualmente pacificada, ficará instigada e não poderá estacionar. A linguagem, em vez de legitimar a visão convencional, se torna algo que vai forçando a pessoa ir adiante e só no momento em que ela atinge a realização interna do ensinamento é que se sentirá confortável.)
Neste ponto é interessante lembrar o koan das mãos que se batem. O mestre bate uma mão espalmada contra a outra, bate palmas, e pergunta ao monge-discípulo: "qual é o som que vem de apenas uma das mãos? Não há resposta possível. Como compreender esta pergunta e o que ela pode trazer como compreensão? Este koan exemplifica a noção de objeto e suas limitações. A noção de objeto pressupõe a separação entre sujeito e objeto e a ideia de que as propriedades pertencem apenas a um e não ao outro. Examinemos os objetos que nos rodeiam e examinemos a forma pela qual eles nos surgem como objetos com realidade permanente e separada. (...)
Qual a diferença entre uma pedra e uma flor? Sem dúvida, poderíamos encontrar muitas, mas, olhando do contexto mais sutil, poderíamos também dizer que são o mesmo, pois a essência de ambas é a mesma, ambas são discriminações, projeções mentais. A palavra contexto descortina aqui este aspecto crucial da compreensão budista: as verdades relativas são todas elas contextuais, ou seja, são válidas, inequívocas, úteis, corretas, verificáveis experimentalmente, mas sempre dentro de limites de validade, sob a égide dos pressupostos que lhe dão este sentido de verdade palpável.
Existindo verdades relativas, haveriam também as absolutas? No sentido budista, a verdade relativa sobre um vaso é, por exemplo, que caindo ao chão, quebrará, ou que se pode colocar plantas dentro, ou ainda que é feito de barro. Já a verdade absoluta sobre um vaso é que não há um vaso em si mesmo, independentemente. Este é o sentido de verdade absoluta no budismo. No budismo, o sentido de verdade absoluta refere-se, portanto, aos aspectos cognitivos, e não aos aspectos relacionais. (...)
As projeções mentais que são realizadas de forma inteiramente automática e oculta à operação mental consciente, e que dão forma e realidade a tudo o que é "visto", operam a partir de quadros referenciais complexos onde o "ver" se resume, na maior parte das vezes, em classificar apenas. Estes "quadros referenciais", que aqui estamos chamando também de "contexto cognitivo do objeto" é que são, de fato, a imagem inconsciente que temos de cada objeto e que surge de acordo com as circunstâncias. A maior parte da atividade mental é classificatória, é incluir o objeto em alguma das possibilidades de definição previamente existente para ele. A criação mesma da estrutura do contexto cognitivo de um objeto é uma atividade muito rara que podemos chamar de "atividade genuinamente criativa". (...)
No mundo psicológico isto é muito fácil de perceber. Um professor em sala de aula não vê pessoas, vê alunos; um vendedor vê clientes, uma mãe vê filhos, um marido vê a suamulher, um policial vê contraventores, um pivete vê oportunidades, e assim por diante. Todos estão corretos, todos operam de maneira adequada em suas funções, mas todos, ao operar assim, são incapazes de ver opções que estejam fora de seus "quadros referenciais", fora dos contextos cognitivos previamente reservados de forma inconsciente e muitas vezes criados através de muito esforço, de muito estudo ou de um treinamento difícil, mas em todos estes casos, por meio de pensamentos anteriores. Assim são construídos os quadros referenciais, por pensamentos. Como os humanos se comunicam com base em quadros referenciais bastante complexos e sutis, necessária se torna a escolarização, pois é este treinamento que permitirá que a comunicação abstrata e simbólica se dê de modo mais preciso e mais livre das naturais distorções. (...) O processo de escolarização enriquece a pessoa, sem dúvida, mas ao mesmo tempo retira dela a capacidade de ver o novo. Os quadros referenciais são como estradas fáceis, planas e boas, sua existência é ótima, mas tornam quase sem sentido a busca de outras alternativas. (...) A própria sintaxe das línguas indo-arianas com seus verbos, sujeito, predicado, adjuntos, exige que tratemos de objetos "isolados", e assim, a própria forma verbal estabelece um quadro referencial impossível de ser superado dentro dela mesma.
Na tradição Zen, existe o koan, que é uma pergunta que não tem resposta lógica possível, e serve para quebrar a rigidez da compreensão do discípulo; a resposta não importa, o relevante é trabalhar-se com a pergunta mesmo. (Faz parte do método e da linguagem do zen a sofisticação de valorizar mais o paradoxal do que a lógica comum da afirmação. Quando a afirmação produz conforto, acalma e tranquiliza, a pessoa estaciona; se a afirmação produz desconforto, a pessoa nunca consegue harmonizá-la perfeitamente no contexto de seus conceitos e, assim, nunca se sentirá intelectualmente pacificada, ficará instigada e não poderá estacionar. A linguagem, em vez de legitimar a visão convencional, se torna algo que vai forçando a pessoa ir adiante e só no momento em que ela atinge a realização interna do ensinamento é que se sentirá confortável.)
Neste ponto é interessante lembrar o koan das mãos que se batem. O mestre bate uma mão espalmada contra a outra, bate palmas, e pergunta ao monge-discípulo: "qual é o som que vem de apenas uma das mãos? Não há resposta possível. Como compreender esta pergunta e o que ela pode trazer como compreensão? Este koan exemplifica a noção de objeto e suas limitações. A noção de objeto pressupõe a separação entre sujeito e objeto e a ideia de que as propriedades pertencem apenas a um e não ao outro. Examinemos os objetos que nos rodeiam e examinemos a forma pela qual eles nos surgem como objetos com realidade permanente e separada. (...)
Qual a diferença entre uma pedra e uma flor? Sem dúvida, poderíamos encontrar muitas, mas, olhando do contexto mais sutil, poderíamos também dizer que são o mesmo, pois a essência de ambas é a mesma, ambas são discriminações, projeções mentais. A palavra contexto descortina aqui este aspecto crucial da compreensão budista: as verdades relativas são todas elas contextuais, ou seja, são válidas, inequívocas, úteis, corretas, verificáveis experimentalmente, mas sempre dentro de limites de validade, sob a égide dos pressupostos que lhe dão este sentido de verdade palpável.
Existindo verdades relativas, haveriam também as absolutas? No sentido budista, a verdade relativa sobre um vaso é, por exemplo, que caindo ao chão, quebrará, ou que se pode colocar plantas dentro, ou ainda que é feito de barro. Já a verdade absoluta sobre um vaso é que não há um vaso em si mesmo, independentemente. Este é o sentido de verdade absoluta no budismo. No budismo, o sentido de verdade absoluta refere-se, portanto, aos aspectos cognitivos, e não aos aspectos relacionais. (...)
As projeções mentais que são realizadas de forma inteiramente automática e oculta à operação mental consciente, e que dão forma e realidade a tudo o que é "visto", operam a partir de quadros referenciais complexos onde o "ver" se resume, na maior parte das vezes, em classificar apenas. Estes "quadros referenciais", que aqui estamos chamando também de "contexto cognitivo do objeto" é que são, de fato, a imagem inconsciente que temos de cada objeto e que surge de acordo com as circunstâncias. A maior parte da atividade mental é classificatória, é incluir o objeto em alguma das possibilidades de definição previamente existente para ele. A criação mesma da estrutura do contexto cognitivo de um objeto é uma atividade muito rara que podemos chamar de "atividade genuinamente criativa". (...)
No mundo psicológico isto é muito fácil de perceber. Um professor em sala de aula não vê pessoas, vê alunos; um vendedor vê clientes, uma mãe vê filhos, um marido vê a suamulher, um policial vê contraventores, um pivete vê oportunidades, e assim por diante. Todos estão corretos, todos operam de maneira adequada em suas funções, mas todos, ao operar assim, são incapazes de ver opções que estejam fora de seus "quadros referenciais", fora dos contextos cognitivos previamente reservados de forma inconsciente e muitas vezes criados através de muito esforço, de muito estudo ou de um treinamento difícil, mas em todos estes casos, por meio de pensamentos anteriores. Assim são construídos os quadros referenciais, por pensamentos. Como os humanos se comunicam com base em quadros referenciais bastante complexos e sutis, necessária se torna a escolarização, pois é este treinamento que permitirá que a comunicação abstrata e simbólica se dê de modo mais preciso e mais livre das naturais distorções. (...) O processo de escolarização enriquece a pessoa, sem dúvida, mas ao mesmo tempo retira dela a capacidade de ver o novo. Os quadros referenciais são como estradas fáceis, planas e boas, sua existência é ótima, mas tornam quase sem sentido a busca de outras alternativas. (...) A própria sintaxe das línguas indo-arianas com seus verbos, sujeito, predicado, adjuntos, exige que tratemos de objetos "isolados", e assim, a própria forma verbal estabelece um quadro referencial impossível de ser superado dentro dela mesma.
"No tempo da nossa cultura atual, vemos ações de desenvolvimento que não contemplam esses valores, é como se fossem originadas fora do âmbito humano. São geradas por uma lógica que não é mais propriamente humana, uma vez que não tem por objetivo explícito trazer felicidade e reduzir o sofrimento, mas são referenciadas por números abstratos e sem emoção." (Lama Samten)
"Digamos que alguém olha para uma planta que se encontra num vaso dentro da casa. Pelo olhar compassivo, em vez observar se gosta dela ou não, pergunta como é que ela se sente sem a luz do sol, a água da chuva e sem as suas plantas amigas e companheiras. Quando olhamos uma planta pensando se gostamos ou não, nossa mente opera obstruída pela sensação de gostar ou não gostar. Uma inteligência maior é olharmos para aquela planta perguntando do que ela necessita. E mais do que isso, nós podemos olhá-la e ver com os olhos do bom jardineiro quais as flores e frutos que essa planta tem escondidas dentro dela, e que ela mesma não sabe. Da mesma forma, podemos olhar o outro e ver o que afeta a sua existência, para nos manifestarmos de forma positiva para remover os obstáculos, isso é compaixão. Para promover as qualidades positivas, isso é amor." (Lama Padma Samten)
O diretor de 'The proposition' está para estrear seu filme baseado num livro do escritor de 'No country for old men'. John Hillcoat é o diretor e Cormac McCarthy, o escritor. E já que 'The proposition' foi escrito e musicado por Nick Cave, ele e Warren Ellis fazem a trilha sonora também de 'The road', que tem como protagonista Viggo Mortensen. No elenco, ainda, Robert Duvall, Guy Pearce e Charlize Theron.
Bill Scheffel no Dharma/Arte:
(...) É muito, muito importante para nós que pela manhã, logo que acordamos, o primeiro incenso que sentimos seja feito de esterco de vaca ou esterco de cavalo, ou tenha o cheiro das plantas… Temos de apoiar e experimentar como a terra fala, em vez de simplesmente sentir o cheiro do bacon que nosso vizinho prepara assim que acordamos… temos de trabalhar sobre a terra, de maneira literal e adequada. (...)
"A degradação do Tao ocorre quando abertura se torna espírito, espírito se torna energia e energia se torna forma. Quando nasce a forma, tudo se degrada. O funcionamento do Tao ocorre quando forma se torna energia, energia se torna espírito e espírito se torna abertura. Quando a abertura é clara, tudo flui livremente. Assim os sábios antigos investigaram o início do que flui livremente e da degradação, encontraram a fonte da evolução, esqueceram a forma e cultivaram a energia, esqueceram a energia e cultivaram o espírito, e esqueceram o espírito e cultivaram a abertura. Quando abertura se torna espírito, espírito se torna energia, energia se torna forma e forma se torna vitalidade, então vitalidade se torna atenção. Atenção se torna gestos sociais, e gestos sociais se tornam elevação e modéstia. Elevação e modéstia se tornam posição elevada e baixa, e posição elevada e baixa se tornam discriminação. Discriminação se torna status oficial, status se torna carros. Carros se tornam mansões, mansões se tornam palácios. Palácios se tornam salões de banquetes, salões de banquetes se tornam extravagância. Extravagância se torna cobiça, cobiça se torna fraude. Fraude se torna punição, punição se torna rebelião. Rebelião se torna armas, armas se tornam conflitos e pilhagens, conflitos e pilhagem se tornam derrota e destruição."
— De 'As irmãs imortais: ensinamentos secretos de mulheres taoístas' [The Immortal Sisters: Secret Teachings of Taoist Women], tradução e edição de Thomas Cleary. Essa seção foi escrita no século X por Tan Jingsheng. É chamada de 'Escritos transformacionais', e resume a visão taoísta da evolução e da involução tanto de indivíduos como de processos coletivos.
(...) É muito, muito importante para nós que pela manhã, logo que acordamos, o primeiro incenso que sentimos seja feito de esterco de vaca ou esterco de cavalo, ou tenha o cheiro das plantas… Temos de apoiar e experimentar como a terra fala, em vez de simplesmente sentir o cheiro do bacon que nosso vizinho prepara assim que acordamos… temos de trabalhar sobre a terra, de maneira literal e adequada. (...)
"A degradação do Tao ocorre quando abertura se torna espírito, espírito se torna energia e energia se torna forma. Quando nasce a forma, tudo se degrada. O funcionamento do Tao ocorre quando forma se torna energia, energia se torna espírito e espírito se torna abertura. Quando a abertura é clara, tudo flui livremente. Assim os sábios antigos investigaram o início do que flui livremente e da degradação, encontraram a fonte da evolução, esqueceram a forma e cultivaram a energia, esqueceram a energia e cultivaram o espírito, e esqueceram o espírito e cultivaram a abertura. Quando abertura se torna espírito, espírito se torna energia, energia se torna forma e forma se torna vitalidade, então vitalidade se torna atenção. Atenção se torna gestos sociais, e gestos sociais se tornam elevação e modéstia. Elevação e modéstia se tornam posição elevada e baixa, e posição elevada e baixa se tornam discriminação. Discriminação se torna status oficial, status se torna carros. Carros se tornam mansões, mansões se tornam palácios. Palácios se tornam salões de banquetes, salões de banquetes se tornam extravagância. Extravagância se torna cobiça, cobiça se torna fraude. Fraude se torna punição, punição se torna rebelião. Rebelião se torna armas, armas se tornam conflitos e pilhagens, conflitos e pilhagem se tornam derrota e destruição."
— De 'As irmãs imortais: ensinamentos secretos de mulheres taoístas' [The Immortal Sisters: Secret Teachings of Taoist Women], tradução e edição de Thomas Cleary. Essa seção foi escrita no século X por Tan Jingsheng. É chamada de 'Escritos transformacionais', e resume a visão taoísta da evolução e da involução tanto de indivíduos como de processos coletivos.
domingo, 15 de novembro de 2009
CALLE, Sophie. Histórias reais.

O nariz
Eu tinha quatorze anos e meus avós queriam corrigir algumas das minhas imperfeições. Iriam refazer meu nariz, esconder a cicatriz da minha perna esquerda com um pedaço de pele retirado das nádegas e, ainda, corrigir minhas orelhas de abano. Eu não estava convencida, mas me tranquilizaram: eu poderia desistir até o último instante. Foi marcada uma consulta com o doutor F., famoso cirurgião plástico. Foi ele que acabou com as minhas dúvidas. Dois dias antes da operação, ele se suicidou.
O porco
É uma história meio louca. Eu tinha trinta anos. Um homem me procurou dizendo que tínhamos projetos parecidos. Concordei em marcar um encontro com ele, sempre tenho medo de perder alguma coisa. (...)
O nariz
Eu tinha quatorze anos e meus avós queriam corrigir algumas das minhas imperfeições. Iriam refazer meu nariz, esconder a cicatriz da minha perna esquerda com um pedaço de pele retirado das nádegas e, ainda, corrigir minhas orelhas de abano. Eu não estava convencida, mas me tranquilizaram: eu poderia desistir até o último instante. Foi marcada uma consulta com o doutor F., famoso cirurgião plástico. Foi ele que acabou com as minhas dúvidas. Dois dias antes da operação, ele se suicidou.
O porco
É uma história meio louca. Eu tinha trinta anos. Um homem me procurou dizendo que tínhamos projetos parecidos. Concordei em marcar um encontro com ele, sempre tenho medo de perder alguma coisa. (...)
Uma das mais lindas obras de artes plásticas que eu já vi.

Uma foto de Marte. Com gelo. Mas isso não importa.
Uma foto de Marte. Com gelo. Mas isso não importa.
Perigo perto do Grande Sol. Imagens de uma missão de resgate do Hubble. Imagens de um "astrônomo amador".
Macarrão gravatinha.

A nova câmera a bordo do telescópio Hubble, Wide Field Camera 3, registrou essa imagem de gás quente de uma estrela morrendo a 3.800 anos-luz da constelação Scorpius, com uma massa cinco vezes maior à do Sol. Remontando a uma espécie de reciclagem galáctica, o gás "perdido", rico em oxigênio, nitrogênio e carbono, formará um material para as futuras estrelas. Foto: NASA. Texto: New York Times.

Essas duas imagens da Carina Nebula mostra como observações feitas em luz visível e em luz infravermelha podem revelar aspectos complementares de um objeto.
A nova câmera a bordo do telescópio Hubble, Wide Field Camera 3, registrou essa imagem de gás quente de uma estrela morrendo a 3.800 anos-luz da constelação Scorpius, com uma massa cinco vezes maior à do Sol. Remontando a uma espécie de reciclagem galáctica, o gás "perdido", rico em oxigênio, nitrogênio e carbono, formará um material para as futuras estrelas. Foto: NASA. Texto: New York Times.
Essas duas imagens da Carina Nebula mostra como observações feitas em luz visível e em luz infravermelha podem revelar aspectos complementares de um objeto.
New York Times: essas imagens são uma visão ultravioleta do Sol em 19/07/2000, esquerda, e 18 de março de 2009, direita. A maioria dos físicos que estudam o Sol não têm ideia do que está acontecendo com ele.
O romance do escocês Alex Garland, de que se originou 'Sunshine', o último filme bom do Danny Boyle ('Alerta solar'), pode ser mais "científica" do que "ficção". A história é de que o Sol está morrendo e uma nave foi enviada para implantar uma bomba que originaria, do Sol, um outro e novo sol. Uma primeira nave fracassou e foi enviada uma segunda, na qual está Kappa (Cillian Murphy).
Paradigma da corporeidade. A Juliana, que está estudando para a seleção do mestrado em antropologia na UFRGS, acabou de me falar:
- Se o conhecimento é experiência do corpo, apreendida pelos sentidos, por que a linguagem precisa ser sobreposta a essa experiência? Por que as coisas não podem ser ditas pelo corpo, NO corpo? Se o paradigma da corporeidade continuar avançando nesse ritmo, no futuro as pessoas experimentarão os trabalhos, em vez de lê-los.
- Isso não vai acontecer porque a ciência existe para manter o poder e a hierarquia entre professores e pesquisadores. É a segurança que algumas pessoas têm para provar (ou iludir) que seu caralho é o maior, é uma regra universalmente aceita e inquestionável. Para tirar essas pessoas do poder, para arrancar a ciência da crosta terrestre, só à força, como na Revolução Francesa. Tem que crescer cada vez mais o número de opositores para que, num dado momento, eles invadam o palácio e matem todo mundo - respondi.
- Se o conhecimento é experiência do corpo, apreendida pelos sentidos, por que a linguagem precisa ser sobreposta a essa experiência? Por que as coisas não podem ser ditas pelo corpo, NO corpo? Se o paradigma da corporeidade continuar avançando nesse ritmo, no futuro as pessoas experimentarão os trabalhos, em vez de lê-los.
- Isso não vai acontecer porque a ciência existe para manter o poder e a hierarquia entre professores e pesquisadores. É a segurança que algumas pessoas têm para provar (ou iludir) que seu caralho é o maior, é uma regra universalmente aceita e inquestionável. Para tirar essas pessoas do poder, para arrancar a ciência da crosta terrestre, só à força, como na Revolução Francesa. Tem que crescer cada vez mais o número de opositores para que, num dado momento, eles invadam o palácio e matem todo mundo - respondi.
sábado, 14 de novembro de 2009
A: E aí, gostou?
B: Não.
A: Não?? Por quê???
B: Achei escuro. Tanto o ambiente quanto o som. E também o cara não é empolgado.
C: Mas isso é de cada pessoa!
B: É da minha pessoa não gostar disso :]
Viram só? Vocês sempre dizem "Do caralho!", "Muito massa!", "Afudê!", aí, quando alguém diz "Não", acaba causando constrangimento, atitudes defensivas, contra-argumentações, um terremoto. Por que perguntou então se eu gostei? Por que se ofender com uma das duas respostas possíveis?
Máscaras. Falta de liberdade e abertura - corpomental. Perguntas sérias demais & respostas sérias demais do alemão Thomas Demand. Irrelevâncias.
B: Não.
A: Não?? Por quê???
B: Achei escuro. Tanto o ambiente quanto o som. E também o cara não é empolgado.
C: Mas isso é de cada pessoa!
B: É da minha pessoa não gostar disso :]
Viram só? Vocês sempre dizem "Do caralho!", "Muito massa!", "Afudê!", aí, quando alguém diz "Não", acaba causando constrangimento, atitudes defensivas, contra-argumentações, um terremoto. Por que perguntou então se eu gostei? Por que se ofender com uma das duas respostas possíveis?
Máscaras. Falta de liberdade e abertura - corpomental. Perguntas sérias demais & respostas sérias demais do alemão Thomas Demand. Irrelevâncias.
Síndrome de Couvade, ou gravidez simpática, é uma condição psicossomática na qual um indivíduo próximo a uma mulher esperando bebê, comumente o parceiro dela, experiencia alguns mesmos sintomas e comportamentos que a mãe tem perto do trabalho de parto. Eles podem ser dores do parto, depressão pós-parto, desejos e restrições alimentares e tabus sexuais. O sintoma de dor do parto é conhecido como dor simpática. Também dor de estômago, indigestão, mundaças no apetite, ganho de peso, diarreia, prisão-de-ventre, dor de cabeça, dor-de-dente, náusea, aumento dos seios e insônia. Ela alguns casos extremos, os pais podem ter a barriga aumentada similarmente a uma grávida de 7 meses ("gravidez falsa" ou "gravidez psicológica"). As causas não são conhecidas ao certo pelos médicos, mas há algumas teorias. Causas psicológicas podem ser ansiedade, pseudorrivalidade de irmãos, identificação com o feto, ambivalência a respeito da paternidade, uma afirmação da paternidade ou ciúmes do parto. Na teoria psico-evolucionária, pensa-se que o couvade é uma forma de minimizar as diferenças sexuais na experiência da gravidez e do dar-à-luz. O couvade pode ser uma forma também de estabelecer o papel do pai na vida da criança e balancear os papéis de gênero. Couvade é mais comum nas sociedades em que os papéis sexuais são flexíveis e a mulher tem uma dominância de status. Estudos têm mostrado que o homem que mora com uma mulher grávida experiencia mudanças hormonais nos níveis de prolactina, cortisol, estradiol e testosterona; geralmente começa no fim do primeiro trimestre e continua por várias semanas depois do parto. Pesquisas indicam que a metade da população de futuros pais (54%) desenvolve alguns sintomas relativos à gravidez durante o curso da gestação. Couvade deriva de 'couver', termo francês que significa incubar. É o nome de um ritual difundido entre índios da América do Sul e da África, no qual o pai, depois que a mulher dá à luz, passa por um período de resguardo com o filho até que o cordão umbilical caia. Alguns pais chegam a usar roupas das parceiras durante a gestação pois acreditam que assim estariam desviando delas maus espíritos que poderiam atrapalhar a gravidez.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
A década é deles.


[75 MELHORES FILMES DOS ANOS 00]
01. Antichrist / Anticristo (2009) Lars Von Trier
02. Dogville / Dogville (2003) Lars Von Trier
03. Synecdoche, New York / Sinédoque, Nova Iorque (2008) Charlie Kaufman
04. Eternal sunshine of a spotless mind / Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2003) Michel Gondry
05. Caos calmo / Caos calmo (2008) Antonio Luigi Grimaldi
06. Så som i himmelen / A vida no paraíso (2004) Kay Pollak
07. Entre le murs / Entre os muros da escola (2008) Laurent Cantet
08. It's all about love / Dogma do amor (2003) Thomas Vinterberg
09. Lucía y el sexo / Lúcia e o sexo (2001) Julio Medem
10. The fountain / Fonte da vida (2006) Darren Aronofsky
11. Rachel getting married / O casamento de Rachel (2008) Jonathan Demme
12. Direktøren for det hele / O grande chefe (2006) Lars Von Trier
13. All the real girls / Prova de amor (2003) David Gordon Green
14. Me and you and everyone we know / Eu, você e todos nós (2005) Miranda July
15. Punch-drunk love / Embriagado de amor (2002) Paul Thomas Anderson
16. Stranger than fiction / Mais estranho que a ficção (2006) Marc Forster
17. Caché / O cachê (2005) Michael Hanneke
18. Before sunset / Antes do por-do-sol (2004) Richard Linklater
19. Mulholland Drive / Cidade dos sonhos (2001) David Lynch
20. A history of violence / Marcas da violência (2005) David Cronenberg
21. Lost in translation / Encontros e desencontros (2003) Sofia Coppola
22. Man on wire / O equilibrista (2008) James Marsh
23. Irina Palm / Irina Palm (2007) Sam Garbarski
24. The secret life of words / A vida secreta das palavras (2005) Isabel Coixet
25. Elephant / Elefante (2003) Gus Van Sant
26. Brown Bunny / Brown Bunny (2003) Vincent Gallo
27. Dear Wendy / Querida Wendy (2005) Thomas Vinterberg
28. Donnie Darko / Donnie Darko (2001) Richard Kelly
29. Dancer in the Dark (2000) Lars Von Trier
30. Two lovers / Amantes (2008) James Gray
31. The girlfriend experience / Confissões de uma garota de programa (2009) Steven Soderbergh
32. Le escaphandre et le papillon / O escafandro e a borboleta (2007) Julian Schnabel
33. Le couperet / O corte (2005) Costa-Gavras
34. Revolutionary Road / Foi apenas um sonho (2008) Sam Mendes
35. 1408 / 1408 (2007) Mikael Håfström
36. Vozvrashcheniye / O retorno (2003) Andrei Zvyagintsey
37. Efter brylluppet / Depois do casamento (2006) Susanne Bier
38. Sideways / Entre umas e outras (2004) Alexander Payne
39. O brother, where art thou? / E aí, meu irmão, cadê você? (2000) Joel Coen & Ethan Coen
40. Das Leben der Anderen / A vida dos outros (2006) Florian Henckel von Donnersmarck
41. The prestige / O grande truque (2006) Christopher Nolan
42. Kukkia ja sidontaa / Arranjos e flores (2004) Janne Kuusi
43. Delirious / Delirious (2006) Tom DiCillo
44. Match point / Match point (2005) Woody Allen
45. En soap / Além do desejo (2006) Pernille Fischer Christensen
46. Waking life / Waking life (2001) Richard Linklater
47. Lavoura arcaica / Lavoura arcaica (2001) Luiz Fernando Carvalho
48. Minority report / A nova lei (2002) Steven Spielberg
49. Vanilla sky / Vanilla sky (2001) Cameron Crowe
50. El hijo de la novia / O filho da noiva (2001) Juan Jose Campanella
51. A festa da menina morta (2008) Matheus Nachtergaele
52. The departed / Os infiltrados (2006) Martin Scorsese
53. Tillsammans / Bem-vindos (2000) Lukas Moodysson
54. High Fidelity / Alta fidelidade (2000) Stephen Frears
55. Irreversible (2002) Gaspar Noé
56. La pianiste / A professora de piano (2001) Michael Haneke
57. Secretary / Secretária (2002) Steven Shainberg
58. V for vendetta / V de vingança (2005) James McTeigue
59. Trouble every day / Desejo e obsessão (2001) Claire Denis
60. Sunshine / Alerta solar (2007) Danny Boyle
61. Garden state / Hora de voltar (2004) Zach Braff
62. Un buda / O buda (2005) Diego Rafecas
63. Being John Malkovich / Quero ser John Malkovich (2000) Spike Jonze
64. The hitchhiker's guide to the galaxy / O mochileiro das galáxias (2005) Garth
65. Bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom / Primavera, verão, outono, inverno e... primavera (2003) Ki-duk Kim
66. In America / Terra dos sonhos (2004) Jim Sheridan
67. There will be blood / Sangue negro (2007) Paul Thomas Anderson
68. No country for old men / Onde os fracos não têm vez (2007) Joel Coen & Ethan Coen
69. Eastern promises / Senhores do crime (2007) David Cronenberg
70. The goddess of 1967 / A deusa de 1967 (2000) Clara Law
71. Zoolander / Zoolander (2001) Ben Stiller
72. Thumbsucker / Impulsividade (2005) Mike Mills
73. The Terminal / O terminal (2004) Steven Spielberg
74. Something's gotta give / Alguém tem que ceder (2003) Nancy Meyers
75. Everything is illuminated / Uma vida iluminada (2005) Liev Schreiber

[75 MELHORES FILMES DOS ANOS 00]
01. Antichrist / Anticristo (2009) Lars Von Trier
02. Dogville / Dogville (2003) Lars Von Trier
03. Synecdoche, New York / Sinédoque, Nova Iorque (2008) Charlie Kaufman
04. Eternal sunshine of a spotless mind / Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2003) Michel Gondry
05. Caos calmo / Caos calmo (2008) Antonio Luigi Grimaldi
06. Så som i himmelen / A vida no paraíso (2004) Kay Pollak
07. Entre le murs / Entre os muros da escola (2008) Laurent Cantet
08. It's all about love / Dogma do amor (2003) Thomas Vinterberg
09. Lucía y el sexo / Lúcia e o sexo (2001) Julio Medem
10. The fountain / Fonte da vida (2006) Darren Aronofsky
11. Rachel getting married / O casamento de Rachel (2008) Jonathan Demme
12. Direktøren for det hele / O grande chefe (2006) Lars Von Trier
13. All the real girls / Prova de amor (2003) David Gordon Green
14. Me and you and everyone we know / Eu, você e todos nós (2005) Miranda July
15. Punch-drunk love / Embriagado de amor (2002) Paul Thomas Anderson
16. Stranger than fiction / Mais estranho que a ficção (2006) Marc Forster
17. Caché / O cachê (2005) Michael Hanneke
18. Before sunset / Antes do por-do-sol (2004) Richard Linklater
19. Mulholland Drive / Cidade dos sonhos (2001) David Lynch
20. A history of violence / Marcas da violência (2005) David Cronenberg
21. Lost in translation / Encontros e desencontros (2003) Sofia Coppola
22. Man on wire / O equilibrista (2008) James Marsh
23. Irina Palm / Irina Palm (2007) Sam Garbarski
24. The secret life of words / A vida secreta das palavras (2005) Isabel Coixet
25. Elephant / Elefante (2003) Gus Van Sant
26. Brown Bunny / Brown Bunny (2003) Vincent Gallo
27. Dear Wendy / Querida Wendy (2005) Thomas Vinterberg
28. Donnie Darko / Donnie Darko (2001) Richard Kelly
29. Dancer in the Dark (2000) Lars Von Trier
30. Two lovers / Amantes (2008) James Gray
31. The girlfriend experience / Confissões de uma garota de programa (2009) Steven Soderbergh
32. Le escaphandre et le papillon / O escafandro e a borboleta (2007) Julian Schnabel
33. Le couperet / O corte (2005) Costa-Gavras
34. Revolutionary Road / Foi apenas um sonho (2008) Sam Mendes
35. 1408 / 1408 (2007) Mikael Håfström
36. Vozvrashcheniye / O retorno (2003) Andrei Zvyagintsey
37. Efter brylluppet / Depois do casamento (2006) Susanne Bier
38. Sideways / Entre umas e outras (2004) Alexander Payne
39. O brother, where art thou? / E aí, meu irmão, cadê você? (2000) Joel Coen & Ethan Coen
40. Das Leben der Anderen / A vida dos outros (2006) Florian Henckel von Donnersmarck
41. The prestige / O grande truque (2006) Christopher Nolan
42. Kukkia ja sidontaa / Arranjos e flores (2004) Janne Kuusi
43. Delirious / Delirious (2006) Tom DiCillo
44. Match point / Match point (2005) Woody Allen
45. En soap / Além do desejo (2006) Pernille Fischer Christensen
46. Waking life / Waking life (2001) Richard Linklater
47. Lavoura arcaica / Lavoura arcaica (2001) Luiz Fernando Carvalho
48. Minority report / A nova lei (2002) Steven Spielberg
49. Vanilla sky / Vanilla sky (2001) Cameron Crowe
50. El hijo de la novia / O filho da noiva (2001) Juan Jose Campanella
51. A festa da menina morta (2008) Matheus Nachtergaele
52. The departed / Os infiltrados (2006) Martin Scorsese
53. Tillsammans / Bem-vindos (2000) Lukas Moodysson
54. High Fidelity / Alta fidelidade (2000) Stephen Frears
55. Irreversible (2002) Gaspar Noé
56. La pianiste / A professora de piano (2001) Michael Haneke
57. Secretary / Secretária (2002) Steven Shainberg
58. V for vendetta / V de vingança (2005) James McTeigue
59. Trouble every day / Desejo e obsessão (2001) Claire Denis
60. Sunshine / Alerta solar (2007) Danny Boyle
61. Garden state / Hora de voltar (2004) Zach Braff
62. Un buda / O buda (2005) Diego Rafecas
63. Being John Malkovich / Quero ser John Malkovich (2000) Spike Jonze
64. The hitchhiker's guide to the galaxy / O mochileiro das galáxias (2005) Garth
65. Bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom / Primavera, verão, outono, inverno e... primavera (2003) Ki-duk Kim
66. In America / Terra dos sonhos (2004) Jim Sheridan
67. There will be blood / Sangue negro (2007) Paul Thomas Anderson
68. No country for old men / Onde os fracos não têm vez (2007) Joel Coen & Ethan Coen
69. Eastern promises / Senhores do crime (2007) David Cronenberg
70. The goddess of 1967 / A deusa de 1967 (2000) Clara Law
71. Zoolander / Zoolander (2001) Ben Stiller
72. Thumbsucker / Impulsividade (2005) Mike Mills
73. The Terminal / O terminal (2004) Steven Spielberg
74. Something's gotta give / Alguém tem que ceder (2003) Nancy Meyers
75. Everything is illuminated / Uma vida iluminada (2005) Liev Schreiber
De alguns anos atrás.
[desintoxicação]
eu queria escrever um poema
que arrancasse a minha alma
que me extirpasse o organismo
não restando sequer a epiderme
mas apenas uma pele amassada
um bolinho de pele irreconhecível
isso se alguém resolver revolver
o monte de roupas atirado no chão
que me colocasse unhas na boca
e dentes nas pontas dos dedos
e então eu arranharia meus dentes
que limasse todos os meus anos
que eu carrego dentro de mim
mas isto parece ser impossível
não é uma vontade que vai durar
pelo menos assim eu bem espero
ela já está um pouco menor agora
um poema demora pra ser escrito
[desintoxicação]
eu queria escrever um poema
que arrancasse a minha alma
que me extirpasse o organismo
não restando sequer a epiderme
mas apenas uma pele amassada
um bolinho de pele irreconhecível
isso se alguém resolver revolver
o monte de roupas atirado no chão
que me colocasse unhas na boca
e dentes nas pontas dos dedos
e então eu arranharia meus dentes
que limasse todos os meus anos
que eu carrego dentro de mim
mas isto parece ser impossível
não é uma vontade que vai durar
pelo menos assim eu bem espero
ela já está um pouco menor agora
um poema demora pra ser escrito
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
[TOP 20 MELHORES DISCOS BRASILEIROS DOS ANOS 00]
1. Lavajato - Assim como tah (2000)
2. Astromato - Melodias de uma estrela falsa (2000)
3. Tom Bloch - Tom Bloch (2002)
4. Los Hermanos - Ventura (2003)
5. CSS - Donkey (2008)
6. Irmãos Rocha! - Ascensão e queda dos Irmãos Rocha! (2004)
7. Wander Wildner - Eu sou feio... mas sou bonito! (2001)
8. Blanched - Blanched toca Angelopoulos (2004)
9. Adriana Calcanhoto - Adriana Partimpim (2004)
10. Frank Jorge - Carteira nacional de apaixonado (2000)
11. Fruet & Os Cozinheiros - O som do fim ou tanto faz (2006)
12. Marcelo D2 - Em busca da batida perfeita (2003)
13. Video Hits - Registro sonoro oficial (2001)
14. Ahlev de Bossa - Ahlev de Bossa (2005)
15. Andina - Escadanova (2008)
16. Pato Fu - Toda cura para todo mal (2005)
17. Supla - Charada brasileiro (2001)
18. Erasmo Carlos - Erasmo convida, volume II (2007)
19. Lobão - Canções dentro da noite escura (2005)
20. Julio Reny - Primavera do gato amarelo (2008)
1. Lavajato - Assim como tah (2000)
2. Astromato - Melodias de uma estrela falsa (2000)
3. Tom Bloch - Tom Bloch (2002)
4. Los Hermanos - Ventura (2003)
5. CSS - Donkey (2008)
6. Irmãos Rocha! - Ascensão e queda dos Irmãos Rocha! (2004)
7. Wander Wildner - Eu sou feio... mas sou bonito! (2001)
8. Blanched - Blanched toca Angelopoulos (2004)
9. Adriana Calcanhoto - Adriana Partimpim (2004)
10. Frank Jorge - Carteira nacional de apaixonado (2000)
11. Fruet & Os Cozinheiros - O som do fim ou tanto faz (2006)
12. Marcelo D2 - Em busca da batida perfeita (2003)
13. Video Hits - Registro sonoro oficial (2001)
14. Ahlev de Bossa - Ahlev de Bossa (2005)
15. Andina - Escadanova (2008)
16. Pato Fu - Toda cura para todo mal (2005)
17. Supla - Charada brasileiro (2001)
18. Erasmo Carlos - Erasmo convida, volume II (2007)
19. Lobão - Canções dentro da noite escura (2005)
20. Julio Reny - Primavera do gato amarelo (2008)
terça-feira, 10 de novembro de 2009
"Rémanence é a continuação de um som que não é mais ouvido. Depois da extinção da emissão e da propagação, o som dá a impressão de ainda estar 'no ouvido'. Sharawadji é a sensação de plenitude que às vezes é criada pela contemplação de um motivo sonoro ou uma textura complexa cuja beleza é inexplicável, fascinante, tira o fôlego. Ubiquité é ligada às condições espaço-temporais que expressam a dificuldade ou a impossibilidade de localizar a origem de um som. O som parece vir de todos os lugares e de nenhum lugar ao mesmo tempo, ou de uma fonte única e de várias fontes simultaneamente, podendo criar uma sensação de desorientação." (David Paquette)
"Num dia memorável do fim dos anos 80, na capital finlandesa Helsinki, havia um grupo de música e performance art chamado Ultra 3. Seus integrantes sujeitaram-se a um exaustivo teste de resistência sônica. Isolados numa sala pequena, eles aguentaram 10 horas, sem comida ou qualquer alimento, imersos imersos num rumor de estática de baixa frequência por volta de estilhaçantes 125 decibéis. Quase uma década depois, dois membros daquele grupo, Mika Vainio e Ilpo Väisänen [aka Pan Sonic], na sua residência em South London, ficaram criando música em público seis horas por dia, todo dia, por três semanas. O Pan Sonic vem de uma pequena coleção de almas na Finlândia (um lugar onde, segundo eles, 'dificilmente alguma coisa acontece alguma vez') que se dedicam a cultivar um clima bizarro de experimento artístico e inovação tecnológica. 'A experiência Ultra 3 funcionou muito bem', diz Ilpo. 'Havia um grande sentimento depois daquilo, porque nós treinamos nossas mentes para estar no espaço por dez horas.'" (Rob Young)
"Sempre acreditei que a drone music precisa de tempo - de muito tempo - para poder desenvolver as suas propriedades imersivas/meditativas no ouvinte. Não é por acaso que La Monte Young criou em meados da década de 1960 The Theatre of Eternal Music, um ambicioso projecto com performances de extrema duração: a mais longa, 'Dream house', aconteceu na Harrison Street Gallery, em Nova Iorque, e durou 6 anos ininterruptos, de 1979 a 1985! Agrada-me esta ideia de música infinita, ou seja, uma música omnipresente sem princípio nem fim, que simplesmente existe num continuum sonoro que pode ser retomado e assim escutado em qualquer momento. No domínio da drone music é preciso abrandar o ritmo de percepção sensorial e entrar numa velocidade diferente, mais lenta, para penetrar com profundidade na câmara escura dos sonhos. Salvas as devidas distâncias, foi com esta ideia em mente que decidi explorar a capacidade máxima do CD. (Jorge Mantas/The Beautiful Schizophonic para Miguel Arsénio)
"Fechar os olhos e ouvir o que vinha do palco permitia escutar para lá do que realmente estava a acontecer. A primeira camada era só uma fachada, a porta de entrada para quem simplesmente quer ouvir barulho. É nas restantes coberturas sonoras que se encontra o significado de tudo isto. Era como ouvir a formação de um novo mundo e as nascentes de novos rios e mares, oceanos a serem gerados, o sexo entre sóis e luas, suado, trepidante, incandescente e, acima de tudo, maravilhoso. Por baixo de tudo isso, os pássaros que nascem e cantam, as vozes que se ouvem nas bocas fechadas de todos os presentes, mas principalmente, de quem não se encontra na sala. Por baixo de tudo isso, é o verdadeiro Acontecimento. O palco não importa nada. O que importa são as vibrações que nos puxam e que nos levam a uma entidade comum. O tremer da pele e da carne diz-nos que não estamos ali. Nós não somos os corpos que estão de pé numa sala muito pequena, completamente negra, repleta de amplificadores num certo armazém da capital inglesa. Nós já não estamos ali. É uma viagem ao interior uns dos outros, quando deixamos de viver e passamos a formar um só ser. (...) As duas guitarras acabaram a noite suspensas, sozinhas, sem que o som vindo delas terminasse. Alguém dizia no início: 'isto é o século XXI'. Sim, é isto o século XXI. Há quem diga que é a banda sonora para o Apocalipse. Muito pelo contrário." (Tiago Dias)
Dream House abre para a temporada 2009-2010 – nosso 17º ano
La Monte Young Marian Zazeela
Dream House
Sound and Light Environment
a time installation
measured by a setting of continuous frequencies in sound and light
Extended Exhibition at MELA Foundation
275 Church Street, 3rd Floor
between Franklin and White Streets in Tribeca
Thursday, September 24, 2009 continuing through Saturday, June 19, 2010
Thursdays, Fridays and Saturdays from 2:00 PM to Midnight
In the concurrent sound environment, La Monte Young presents The Base 9:7:4 Symmetry in Prime Time When Centered above and below The Lowest Term Primes in The Range 288 to 224 with The Addition of 279 and 261 in Which The Half of The Symmetric Division Mapped above and Including 288 Consists of The Powers of 2 Multiplied by The Primes within The Ranges of 144 to 128, 72 to 64 and 36 to 32 Which Are Symmetrical to Those Primes in Lowest Terms in The Half of The Symmetric Division Mapped below and Including 224 within The Ranges 126 to 112, 63 to 56 and 31.5 to 28 with The Addition of 119, a periodic composite sound waveform environment created from sine wave components generated digitally in real time on a custom-designed Rayna interval synthesizer. Both artists are presenting works utilizing concepts of structural symmetry. Under a long-term commission from the Dia Art Foundation (1979-85), Zazeela and Young collaborated in a six-year continuous Dream House presentation set in a six-story building on Harrison Street in New York City, featuring multiple interrelated sound and light environments, exhibitions, performances, research and listening facilities, and archives.
"Por volta de 1962, La Monte Young formulou o conceito da Dream House como uma peça que pode ser tocada continuamente, experienciada como um organismo vivo. Ela segue o princípio de que a atmosfera musical é uma função de tempo. Pode ser essencial experienciar frequêncies durante longos períodos de tempo, a fim de ajudar o sistema nervoso e vibrar com as frequências do ambiente." (Mediaartnet)
"Dentro da Casa dos Sonhos, um estreito corredor conecta duas salas. Um profundo rumor flutua pelo corredor, como fluxos pulsantes num túnel de vento. à esquerda fica a sala principal, severamente vazia. Tudo na Casa é branco – paredes brancas, carpete branco, almofadas brancas – tudo tingido pelas luzes rosa e violeta de Zazeela. Na outra sala há três janelas, todas cobertas por telas magenta translúcidas que filtram a luz do sol lá de fora, reforçando o matiz avermelhado. Em cada canto há uma alta e branca caixa de som que parece uma geladeira gigante, tão intimidante naquele espaço nu quanto o monolito de Stanley Kubrick. Esses monolitos estão vibrando com as 32 frequências da composição de Young, e, embora a música mantenha-se constante, não importa quanto tempo você fique na casa, a relação entre o som e seus ouvintes pode mudar drasticamente com os movimentos mais insignificantes. A única ocasião em que a música se mantém estável é quando o ouvinte fica completamente imóvel: os drones graves culminam em uma densa nuvem de britadeiras assim que eles se cruzam, formando ritmos complexos. Entretanto, pequenas variações na postura alteram completamente o campo sonoro. Sons agudos diferentes aparecem quando você mexe a cabeça; balançando-se lentamente para frente e para trás, você pode criar um hipnótica melodia de duas notas enquanto os tons agudos se alteram e giram de forma a causar tontura. Mais para o centro da sala principal, os drones são mais fracos e mais graves, enquanto no perímetro da sala o som tende a ser mais aéreo, dominado por um choramingo murmurado. Esse efeito desorientador é um componente-chave da Casa do Sonho. Young explica por e-mail que 'cada frequência tem seus próprios pontos de ressonância e não-ressonância na sala (pontos de expressão poderosa e suave). As frequências mais baixas tem tamanhos longos de onda e você precisa andar um pouco para experienciar as diferenças na altura daquela frequência. As mais altas tem curtos tamanhos de onda que por milimétrico movimento de cabeça, a a diferença das alturas pode ser observada.'" (Ed Howard)
"Cada onda sinuosa vibra em partes diferentes da sala. Eu gosto de sentar no chão na posição de lótus, girando minha cabeça para frente e para trás, para um lado e para o outro, criando minhas próprias melodias e texturas sonoras. O visitante com um ouvido apurado pode na verdade "tocar" a sala como um instrumento: explorar o sol perto da parede, perto do chão, nos cantos ou ficando parado." (David Farneth)
domingo, 8 de novembro de 2009
Poesia em pernas artificiais. (Ela tem mais de 12.)
“Há muito se supõe que os torcedores fanáticos de esportes obtêm excitação e um senso de comunidade torcendo por um time. Mas um crescente corpo de evidências científicas sugere que, para alguns torcedores, os laços são ainda mais profundos. Algumas pesquisas apontam que os torcedores fanáticos tornam-se tão ligados ao seus times que eles experienciam, tanto quanto os atletas, ondas hormonais e outras mudanças fisiológicas enquanto acompanham os jogos. A auto-estima de alguns torcedores, homens ou mulheres, também sobe e desce com um resultado de jogo. Uma derrota afeta o otimismo deles acerca de qualquer coisa, desde um encontro amoroso até uma apresentação de um trabalho. Há uma teoria que remete as raízes da psicologia do torcedor a um tempo primitivo, quando as pessoas viviam em pequenas tribos, e os guerreiros que lutavam para proteger suas tribos eram representantes genéticos legítimos de seu povo. Nas sociedades modernas, atletas amadores e profissionais interpretam um papel similar para uma cidade dentro da guerra estilizada do campo de futebol, diz a teoria. Mesmo que os atletas profissionais sejam mercenários em todos os sentidos, a bravura deles pode recriar em alguns torcedores as intensas emoções que provavelmente seus ancestrais tinham nos embates tribais. Também pode ser que foram essas emoções que em grande parte provocaram a explosão na popularidade dos esportes nas últimas duas décadas. ‘Nossos heróis do esporte são os nossos guerreiros’, diz Roberto Cialdini, professor de psicologia no estado do Arizona. ‘Não é uma diversão leve para ser apreciada por sua graça e harmonia inerente. O ‘eu’ é centralmente envolvido no resultado do evento.’ Alguns estudos recentes sugerem que alguns torcedores experienciam mudanças fisiológicas durante um jogo ou quando são mostradas fotos do seu time. Um estudo na Geórgia mostrou que os níveis de testosterona em torcedores masculinos sobe consideravelmente depois de uma vitória e cai no mesmo nível depois de uma derrota. O mesmo padrão tem sido documentado em animais machos que brigam por uma parceira: biólogos teorizam que os mamíferos se envolvem dessa forma para assegurar resoluções rápidas para os conflitos. James Dabbs, um psicólogo da Universidade Estadual da Geórgia, testou amostras de saliva de diferentes grupos de torcedores esportivos antes e depois de jogos importantes. Em um dos testes, Dabbs tirou amostras de saliva de 21 homens italianos e brasileiros em Atlanta antes e depois da vitória do Brasil sobre a Itália na Copa do Mundo de 1994. A testosterona dos brasileiros subiu em média 28%, enquanto os níveis dos italianos caíram em cerca de 27%. Charles Hillman, psicólogo da Universidade de Illinois, descobriu que os torcedores fanáticos de futebol da Universidade da Flórida experienciam uma excitação fisiológica extrema quando vêem fotos das estrelas do Gator em jogos em que o time venceu, mas respondem com indiferença a imagens de outros atletas e outras equipes. Entre fervosos torcedores e torcedoras, os estudos de Hillman apontaram que os níveis de excitação – medidos por batimentos cardíacos, ondas cerebrais e transpiração – foram comparáveis aos registrados quando aos torcedores foram mostradas fotos eróticas ou imagens de animais atacando. Edward Hirt, da Universidade de Indiana, demonstrou que a auto-estima de um torcedor fanático tende a alinhar-se com a performance do time. Homens e mulheres que são torcedores obstinados estavam muito mais otimistas quanto ao seu poder de atração depois de uma vitória. Eles também estavam mais esperançosos sobre suas habilidades para se sairem bem em testes físicos ou mentais, como dardos e jogos com palavras. Quando o time perdeu, o otimismo evaporou. Na maioria dos casos, essa profunda ligação a um time pode ser saudável, segundo os estudos. Daniel Wann, psicólogo da Murray State University, em Kentucky, tem feito uma série de estudos demonstrando que um interesse intenso em um time pode tirar pessoas da depressão e despertar sentimentos de auto-apreço e pertencimento.” (McKINLEY Jr., James C. It isn’t just a game: clues to rooting.)
in
SCHECHNER, William. Performance studies.
in
SCHECHNER, William. Performance studies.
Marina Camargo é vizinha do Jorge Macchi.

Horizonte

Entre edifícios

Dark side of the moon

O mundo (até o fim)
Horizonte
Entre edifícios
Dark side of the moon
O mundo (até o fim)
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
"Podemos dizer então que a função biológica primordial do comportamento ritualístico é cibernético: o ritual opera para facilitar tanto a coordenação intraorganísmica como a coordenação interorganísmica. Tal coordenação é necessária para criar respostas corporativas coerentes, com direções e objetivos comuns, para a conclusão de alguns efeitos ou tarefas que não poderiam ser concluídas se os colegas de espécie agissem sozinhos. Os rituais de cerimônias humanas não são uma instituição exclusiva do homo sapiens, mas um sistema de variáveis compartilhado com outras espécies. Podemos traçar a progressão evolutiva do comportamento ritualístico partindo da emergência da formalização e chegando na coordenação do comportamento comunicativo formalizado; partindo das sequências do comportamento ritualístico e chegando à conceitualização de tais sequências e ao ato de os homens lhes atribuírem símbolos." (Eugene D’Aquili, Charles Laughlin Jr. & John McManus)
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Apesar de estar a 800 mil quilômetros do núcleo que gera o calor, na atmosfera, a temperatura do Sol é tão alta quanto no núcleo. Sob a coroa, a superfície do Sol está literalmente fervendo. Toda a superfície do sol está coberta por células convectivas. A matéria quente do interior do Sol sobe, alcança a superfície, arrefece, brilha, emite luz solar, depois volta a afundar-se. É um processo extremamente violento. Cada bolha de matéria que sobe tem mais ou menos o tamanho do Texas.[Em alguns casos, expele uma massa equivalente à do Everest, que vem em nossa direção, segundo o astrofísico Andrew Coates. A cada poucas horas, o Sol ejeta bilhões de toneladas de partículas eletricamente carregadas - o vento solar. Isto acontece constantemente em cerca de 1 milhão de zonas sobre toda a superfície solar durante todo o dia. Esta ebulição não é so violenta como extremamente barulhenta. A superfície agitada do Sol cria energia sonora suficiente para superaquecer a coroa até milhões de graus. Os cientistas crêem que a combinação entre essas ondas sonoras e a energia do campo magnético do Sol é responsável pelas temperaturas extremas que se encontram na coroa.
Rituais humanos & rituais animais
SCHECHNER, William. Performance studies.
Todos os animais, incluindo o homo sapiens, existem dentro da mesma teia ecológica sujeita aos mesmos processos evolutivos. Mas os animais não são todos iguais. Homologias [Aurélio: "Semelhança de estrutura e de origem, em partes de organismos taxonomicamente diferentes"] e analogias devem ser levadas adiante com cautela. É incorreto analisarmos em termos humanos a sacudida abdominal e o trabalho de patas da abelha melífera comunicando a outras abelhas as coordenadas geográficas da "dança" do néctar. Abelhas não podem improvisar, mudar os padrões básicos de movimento ou expressar os seus sentimentos (os quais as abelhas não têm em nenhum dos entedimentos humanos da palavra). Onde tudo é geneticamente determinado, onde não há aprendizagem, onde nenhum improviso é possível, onde nenhum erro ou descuido pode ocorrer, arte não há. Então o que as abelhas estão fazendo? Elas estão se comunicando na forma de um sistema simbólico de movimentos. Esse tipo de comunicação sugere uma conexão, uma de muitas, entre os rituais do homem e dos animais.
"[O biólogo inglês Julian] Huxley descobriu que certos padrões de movimento, no decorrer da filogenia [Aurélio: 'evolução das unidades taxonômicas; história evolucionária das espécies; filogênese'], perderam sua função específica original e tornaram-se puramente cerimônias 'simbólicas'. Ele chamou esse processo de ritualização e usou esse termo sem sinais de ser uma citação. Em outras palavras, ele equiparou os processos culturais destinados ao desenvolvimento de ritos humanos com os processos filogenéticos que dão origem às tão notáveis 'cerimônias' de animais. De um ponto-de-vista puramente funcional, essa equiparação é justificada, mesmo tendo em mente a diferença entre os processos culturais e filogenéticos. A tripla função de evitar confronto dentro do grupo, manter o grupo unido e realçá-lo como uma entidade independente contra outras unidades similares, é performada por um ritual culturalmente desenvolvido, tanto para uma estrita analogia quanto para ser digno de grande consideração. A formação dos ritos tradicionais deve se ter dado com o primeiro alvorecer da cultura humana, bem como num nível muito menor a formação do rito filogenético foi um pré-requisito para origem da organização social dos animais mais desenvolvidos. repetição rítmica de um mesmo movimento é tão carcaterística de muitos e muitos rituais, tanto instintivos como culturais, que é desnecessário fornecer exemplos." (LORENZ, Konrad. On aggression. 1966.)
SCHECHNER, William. Performance studies.
Todos os animais, incluindo o homo sapiens, existem dentro da mesma teia ecológica sujeita aos mesmos processos evolutivos. Mas os animais não são todos iguais. Homologias [Aurélio: "Semelhança de estrutura e de origem, em partes de organismos taxonomicamente diferentes"] e analogias devem ser levadas adiante com cautela. É incorreto analisarmos em termos humanos a sacudida abdominal e o trabalho de patas da abelha melífera comunicando a outras abelhas as coordenadas geográficas da "dança" do néctar. Abelhas não podem improvisar, mudar os padrões básicos de movimento ou expressar os seus sentimentos (os quais as abelhas não têm em nenhum dos entedimentos humanos da palavra). Onde tudo é geneticamente determinado, onde não há aprendizagem, onde nenhum improviso é possível, onde nenhum erro ou descuido pode ocorrer, arte não há. Então o que as abelhas estão fazendo? Elas estão se comunicando na forma de um sistema simbólico de movimentos. Esse tipo de comunicação sugere uma conexão, uma de muitas, entre os rituais do homem e dos animais.
"[O biólogo inglês Julian] Huxley descobriu que certos padrões de movimento, no decorrer da filogenia [Aurélio: 'evolução das unidades taxonômicas; história evolucionária das espécies; filogênese'], perderam sua função específica original e tornaram-se puramente cerimônias 'simbólicas'. Ele chamou esse processo de ritualização e usou esse termo sem sinais de ser uma citação. Em outras palavras, ele equiparou os processos culturais destinados ao desenvolvimento de ritos humanos com os processos filogenéticos que dão origem às tão notáveis 'cerimônias' de animais. De um ponto-de-vista puramente funcional, essa equiparação é justificada, mesmo tendo em mente a diferença entre os processos culturais e filogenéticos. A tripla função de evitar confronto dentro do grupo, manter o grupo unido e realçá-lo como uma entidade independente contra outras unidades similares, é performada por um ritual culturalmente desenvolvido, tanto para uma estrita analogia quanto para ser digno de grande consideração. A formação dos ritos tradicionais deve se ter dado com o primeiro alvorecer da cultura humana, bem como num nível muito menor a formação do rito filogenético foi um pré-requisito para origem da organização social dos animais mais desenvolvidos. repetição rítmica de um mesmo movimento é tão carcaterística de muitos e muitos rituais, tanto instintivos como culturais, que é desnecessário fornecer exemplos." (LORENZ, Konrad. On aggression. 1966.)
"Há algo de terrivelmente soez na mente moderna; as pessoas que toleram toda espécie de mentiras indignas na vida real, e toda espécie de realidades indignas, não suportam a existência da fábula." (Octavio Paz)
"Acredita-se que as catas e classes inferiores em sociedades estratificadas manifestam um comportamento mais involuntário e imediatista. Isto pode ou não ser empiricamente verdadeiro, mas é, até certo ponto, uma crença persistente e talvez sustentada com mais firmeza por aqueles que ocupam os degraus intermediários na estrutura, sobre os quais as pressões estruturais no sentido da conformidade são as maiores. E, embora os condenem abertamente, eles também invejam em segredo o comportamento desses grupos e classes menos submetidos às inibições normativas, estejam eles em posição mais baixa ou mais alta na pirâmide do status." (TURNER, Victor. Dramas, campos e metáforas: ação simbólica na sociedade humana.)
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Disco quente, homem frio
(Miguel Arsénio/Bodyspace.net)

A frio, há que referir que Ben Frost tem, em 'By the throat', um impressionante disco sem atalho para inversão de marcha. Disco em que o ruído ataca em matilha, monumento de atrito sinfónico e núcleo tão hostil quanto irresistível, armadilha assegurada pela claustrofobia d'O Reino, de Lars Von Trier, e dos primeiros filmes de John Carpenter. A lei de Murphy é a única a imperar em 'By the throat': o que pode correr mal, corre mal. E o colapso provocado por isso contribui para uma escuta paranormal e a qualquer momento vertiginosa. Mergulhamos nas duas mini-séries incluídas em 'By the throat' ('Peter Venkman' e 'Through the...') e aí ficamos retidos. Aviso: isto é tudo excepto uma escuta gratuita.
De modo a obter os tais píncaros de intensidade de 'By the throat', a família Frost contou com os já habituais membros Valgeir Sigurðsson (co-produtor) e Nico Muhly (arranjos), e estendeu, desta vez, os seus ramos às Amiina, ao metal sueco dos Crowpath e à percussão de Jeremy Gara, dos Arcade Fire. A força esteve com todos.
No próximo dia 5 de Novembro, quando vigiar as baleias, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, em parceria com Sam Amidon, Nico Muhly (o tal) e Valgeir Sigurðsson, é provável que Frost ocupe o lugar do manipulador de crescendos ofuscantes, entre outros fenómenos. Ou, então, nada disso, porque a visão desobedece ao previsível, e aí está um dos mais prodigiosos e ecléticos ensembles internacionais, capazes de contrariar as palavras escritas nas brochuras, nos comunicados de imprensa e mesmo nesta introdução. Ben Frost neutraliza expectativas a curto prazo ao criar ficção científica sonora para os anos vindouros. Antes da intempérie na avenida de Roma, respondeu a algumas questões do Bodyspace.
'Theory of machines' e 'By the throat' parecem, às vezes, transmitir a noção de um estado clínico, que vai de uma pulsação fraca ao estado de hiperventilação e fricção intensa, para regressar depois ao início. Procuras jogar com a vitalidade da "coisa" nas músicas que compões?
Aí está uma pergunta interessante. Agradeço-te, pois não costumam ser frequentes. Tenho consciência absoluta da forma da minha música e do formato dos meus álbuns. No fundo, remover uma peça de Theory of Machines ou de By The Throat cria um vazio na narrativa sónica desses trabalhos, que os destrói precisamente por esse motivo. Enquanto trabalho, preocupo-me com as macrodinâmicas do disco, assim como com os pormenores microscópicos de cada peça de música; dentro disso, há um lado dramático que me atrai a atenção, mesmo que seja alheio à música e à melodia. Mesmo assim, quando enquadrado num campo auditivo, restringido à imagem estéreo e incolor do som, esse drama ultrapassa o que os olhos alcançam, com a excepção do artwork que acompanha o disco e de alguma iluminação em palco. Por isso, tendo a procurar instrumentos sónicos que componham o meu estado emocional como ouvinte e que, inflexivelmente, criem um espaço para a narrativa. A natureza "condicional" de aparelhos como o electrocardiógrafo ou o dialisador produzem em mim um efeito emocionalmente forte, talvez porque, tal como a respiração dos animais, aqueles sons de raiz partem de imagens humanas e físicas, que, na ausência de vocalizações e letras, fazem falta a grande parte da música mais "experimental". Eu exijo mais da minha música. Não sei se sou capaz de o explicar, nem tão-pouco sinto necessidade de o fazer com maior detalhe, mas devo dizer que é eminente a proximidade entre a minha personalidade e os elementos que mencionas. Estão entranhados nas raízes essenciais do meu trabalho.
Fala-me dos teus trabalhos recentes para as companhias de teatro na Austrália.
Estou, neste preciso momento, num avião a sobrevoar a Austrália Central, a caminho da minha casa na Islândia. Estive na Austrália, durante o último mês, para a produção de uma peça de dança intitulada Black Marrow para a companhia de dança Chunky Move.
(Miguel Arsénio/Bodyspace.net)
A frio, há que referir que Ben Frost tem, em 'By the throat', um impressionante disco sem atalho para inversão de marcha. Disco em que o ruído ataca em matilha, monumento de atrito sinfónico e núcleo tão hostil quanto irresistível, armadilha assegurada pela claustrofobia d'O Reino, de Lars Von Trier, e dos primeiros filmes de John Carpenter. A lei de Murphy é a única a imperar em 'By the throat': o que pode correr mal, corre mal. E o colapso provocado por isso contribui para uma escuta paranormal e a qualquer momento vertiginosa. Mergulhamos nas duas mini-séries incluídas em 'By the throat' ('Peter Venkman' e 'Through the...') e aí ficamos retidos. Aviso: isto é tudo excepto uma escuta gratuita.
De modo a obter os tais píncaros de intensidade de 'By the throat', a família Frost contou com os já habituais membros Valgeir Sigurðsson (co-produtor) e Nico Muhly (arranjos), e estendeu, desta vez, os seus ramos às Amiina, ao metal sueco dos Crowpath e à percussão de Jeremy Gara, dos Arcade Fire. A força esteve com todos.
No próximo dia 5 de Novembro, quando vigiar as baleias, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, em parceria com Sam Amidon, Nico Muhly (o tal) e Valgeir Sigurðsson, é provável que Frost ocupe o lugar do manipulador de crescendos ofuscantes, entre outros fenómenos. Ou, então, nada disso, porque a visão desobedece ao previsível, e aí está um dos mais prodigiosos e ecléticos ensembles internacionais, capazes de contrariar as palavras escritas nas brochuras, nos comunicados de imprensa e mesmo nesta introdução. Ben Frost neutraliza expectativas a curto prazo ao criar ficção científica sonora para os anos vindouros. Antes da intempérie na avenida de Roma, respondeu a algumas questões do Bodyspace.
'Theory of machines' e 'By the throat' parecem, às vezes, transmitir a noção de um estado clínico, que vai de uma pulsação fraca ao estado de hiperventilação e fricção intensa, para regressar depois ao início. Procuras jogar com a vitalidade da "coisa" nas músicas que compões?
Aí está uma pergunta interessante. Agradeço-te, pois não costumam ser frequentes. Tenho consciência absoluta da forma da minha música e do formato dos meus álbuns. No fundo, remover uma peça de Theory of Machines ou de By The Throat cria um vazio na narrativa sónica desses trabalhos, que os destrói precisamente por esse motivo. Enquanto trabalho, preocupo-me com as macrodinâmicas do disco, assim como com os pormenores microscópicos de cada peça de música; dentro disso, há um lado dramático que me atrai a atenção, mesmo que seja alheio à música e à melodia. Mesmo assim, quando enquadrado num campo auditivo, restringido à imagem estéreo e incolor do som, esse drama ultrapassa o que os olhos alcançam, com a excepção do artwork que acompanha o disco e de alguma iluminação em palco. Por isso, tendo a procurar instrumentos sónicos que componham o meu estado emocional como ouvinte e que, inflexivelmente, criem um espaço para a narrativa. A natureza "condicional" de aparelhos como o electrocardiógrafo ou o dialisador produzem em mim um efeito emocionalmente forte, talvez porque, tal como a respiração dos animais, aqueles sons de raiz partem de imagens humanas e físicas, que, na ausência de vocalizações e letras, fazem falta a grande parte da música mais "experimental". Eu exijo mais da minha música. Não sei se sou capaz de o explicar, nem tão-pouco sinto necessidade de o fazer com maior detalhe, mas devo dizer que é eminente a proximidade entre a minha personalidade e os elementos que mencionas. Estão entranhados nas raízes essenciais do meu trabalho.
Fala-me dos teus trabalhos recentes para as companhias de teatro na Austrália.
Estou, neste preciso momento, num avião a sobrevoar a Austrália Central, a caminho da minha casa na Islândia. Estive na Austrália, durante o último mês, para a produção de uma peça de dança intitulada Black Marrow para a companhia de dança Chunky Move.
"Sempre acreditei que a drone music precisa de tempo - de muito tempo - para poder desenvolver as suas propriedades imersivas/meditativas no ouvinte. Não é por acaso que La Monte Young criou em meados da década de 1960 The Theatre of Eternal Music, um ambicioso projecto com performances de extrema duração: a mais longa, 'Dream house', aconteceu na Harrison Street Gallery, em Nova Iorque, e durou 6 anos ininterruptos, de 1979 a 1985! Agrada-me esta ideia de música infinita, ou seja, uma música omnipresente sem princípio nem fim, que simplesmente existe num continuum sonoro que pode ser retomado e assim escutado em qualquer momento. No domínio da drone music é preciso abrandar o ritmo de percepção sensorial e entrar numa velocidade diferente, mais lenta, para penetrar com profundidade na câmara escura dos sonhos. Salvas as devidas distâncias, foi com esta ideia em mente que decidi explorar a capacidade máxima do CD." (Jorge Mantas/The Beautiful Schizophonic para Miguel Arsénio/Bodyspace.net)
SCHECHNER, William. Performance studies.
O que é “performar”?
Em negócios, esportes e sexo, “performar” é fazer algo além do padrão – para obter êxito, para se destacar. Nas artes, “performar” é expressar-se em um show, uma peça, uma dança, um concerto. No dia-a-dia, “performar” é exibir-se, chegar a extremos, sublinhar uma ação para aqueles que estão olhando. No Século 21, como nunca antes, as pessoas vivem sob o signo da performance.
“Performar” também pode ser entendido relacionando-se a:
a. Ser
b. Fazer
c. Mostrar fazer
d. Explicar mostrar fazer
“Ser” é a existência em si mesma. “Fazer” é a atividade de tudo o que existe, dos quarks aos seres sencientes às supercordas galáticas. “Mostrar fazer” é performar: apontando, sublinhando e expondo o fazer. “Explicar ‘mostrar fazer’” é o trabalho dos Performance Studies.
É muito importante distingui-los uns dos outros. “Ser” pode ser ativo ou estático, linear ou circular, expansivo ou contrativo, material ou espiritual. Ser é uma categoria filosófica apontando para o que quer que seja que as pessoas teorizem como sendo a “existência última”. “Fazer” e “mostrar fazer” são ações. Fazer e mostrar estão sempre em fluxo, sempre mudando – o mundo do filósofo grego pré-socrático Heráclito, que disse, “Ninguém pode pisar duas vezes no mesmo rio, nem tocar uma substância mortal duas vezes na mesma condição”. O quarto termo, “explicar mostrar fazer”, é um esforço reflexivo para compreender o mundo da performance e o mundo como performance. Essa compreensão é geralmente o trabalho de críticos e estudantes. Mas, às vezes, no teatro brechtiano, em que o ator sai do papel para comentar o que o personagem está fazendo, e na performance criticamente desenvolvida, como “Couple in the cage” (1992), de Guillermo Gómez-Peña (1955- ) e Coco Fusco (1960- ), uma performance é reflexiva.
Performances
Performances marcam identidades, dobram o tempo, remodelam e adornam o corpo e contam histórias. Performances – de arte, rituais ou vida corriqueira – são feitas de “twice-behaved behaviors”, “comportamentos reconstruídos”, ações performáticas que as pessoas treinam para fazer, que elas praticam e ensaiam. O treino e o esforço consciente em direção à arte é claro. Mas a vida também envolve anos de treinamento, de aprender partículas de comportamento apropriado, de descobrir como ajustar e performar a vida do indivíduo com as circunstâncias pessoais e sociais. A longa infância da espécie humana é um longo período de treinamento e ensaio para uma performance exitosa na vida adulta. A “graduação” em adultez é marcada em muitas culturas e religiões por ritos de iniciação. Mas, mesmo antes da adultez, algumas pessoas adaptam-se mais confortavelmente à vida que lhes foi atribuída do que outras, que resistem ou se rebelam. A maioria das pessoas vive numa tensão entre a resignação e a rebeldia. Ações sociais – políticas, protestos, revoluções e coisas do tipo – são esforços coletivos de larga escala ou para manter o status quo, ou para mudar o mundo. Todo o período do desenvolvimento humano individual pode ser estudado “como” performance. Isso inclui eventos de larga escala como ações sociais, revoluções e política. Cada ação, não importa quão pequena ou abrangente, consiste de twice-behaved behaviors.
E o que dizer sobre as ações que são aparentemente “once-behaved” – o happening de Allan Kaprow (1927- ), por exemplo, ou uma ocorrência de dia-a-dia (cozinhar, vestir-se, fazer uma caminhada, falar com um amigo)? Até mesmo essas são construídas a partir de behaviors previamente behaved. Na verdade, a diariedade do dia-a-dia é, precisamente, sua familiaridade, seu “ser” construído de partículas de comportamento rearranjadas e modeladas com o propósito de servir a circunstâncias específicas. Arte “lifelike” - como Kaprow chama muitos de seus trabalhos – é próxima da vida diária. A arte de Kaprow sublinha ou destaca levemente o comportamento ordinário – prestando muita atenção em como uma comida é preparada, olhando as pegadas de alguém depois de caminhar no deserto. Prestando atenção em ações simples performadas no momento presente é desenvolver uma consciência zen com relação ao cotidiano, uma homenagem ao ordinário. Homenagear o ordinário é se dar conta de quão ritualística é a vida diária, o quanto a vida diária é formada de repetições. Não há “once-behaved behavior”.
Há um paradoxo aqui. Pode estar certas ambas as teorias, a de Heráclito e a do comportamento restaurado? Performances são feitas de partículas de comportamento restaurado, mas cada performance é diferente da outra. Primeiro, determinadas partículas de comportamento podem ser recombinadas em variações infinitas. Segundo, nenhum evento pode exatamente copiar outro evento. Não só o comportamento em si – nuances de humor, tom de voz, linguagem corporal, e assim por diante, mas também a ocasião específica e o contexto fazem com que cada instante seja único. E o que dizer de replicantes ou clones reproduzidos mecânica, digital ou biologicamente? Pode ser que um filme ou uma uma peça de performance art digital sejam os mesmos a cada exibição. Mas o contexto de cada recepção faz com que cada instante seja diferente. Em outras palavras, a unicidade de um evento não está em sua materialidade, mas em sua interatividade. Então, se essa unicidade acontece em filmes ou eventos digitais, imagine em performances ao vivo, nas quais produção e recepção variam de instante para instante. Ou em nosso dia-a-dia, cujo contexto é impossível de controlar. (...)
“A arte ocidental tem na verdade duas histórias, dentro do avant-garde: uma da ‘artlike art’ e outra da ‘lifelike art’. [...] Para simplificar, a ‘artlike art’ defende que a arte é separada da vida e de tudo o mais, enquanto que a ‘lifelike art’ defende que a arte é conectada à vida e a tudo o mais. Em outras palavras, há uma arte a serviço da arte e uma arte a serviço da vida. Os fazedores da ‘artlike art’ tendem a ser especialistas; os da ‘lifelike art’, generalistas. [...] A ‘artlike art’ avant-garde ocupa a maioria da atenção dos artistas e do público. Ela é geralmente vista como séria e parte de uma tradição arte-histórica ocidental vigente, na qual a mente é separada do corpo, o indivíduo é separado das pessoas, a civilização é separada da natureza; e ‘cada arte’ é separada da ‘outra’. [...] A ‘artlike arte’ basicamente acredita (ou não nega) a continuidade dos gêneros tradicionalmente separados – artes visuais, música, dança, literatura, teatro etc. [...] A ‘lifelike art’ avant-garde, em contrapartida, diz respeito a uma intermitente minoria (futuristas, dadaístas, happeners, fluxartistas, Earthworkers, body artists, provos, artistas postais, ruidistas, poetas performáticos, artistas xamânicos, conceitualistas).” (KAPROW, Allan. The real experiment. 1983.)
Estruturas, funções, processos e experiências
Rituais e ritualizações podem ser entendidos de pelo menos quatro perspectivas:
1. Estruturas – como os rituais se parecem e soam, como eles usam o espaço, quem os performa e como eles são performados.
2. Funções – o que os rituais realizam para os grupos, as culturas e os indivíduos.
3. Processos – a dinâmica de alicerce guiando os rituais; como eles representam as mudanças e como eles as provocam.
4. Experiências – como é estar “em” um ritual.
Os etologistas estudam a continuidade entre os rituais humanos e os animais, particularmente como eles controlam e redirecionam a agressividade, a hierarquia estabelecida e mantida e o território marcado e defendido. Neuropsicólogos acreditam que certos ritmos repetitivos estimulam o cérebro, levam a uma “experiência oceânica” [ver “senso oceânico] de bem-estar máximo. Paleontólogos estudando a “arte” das cavernas da Europa supuseram que a caça e os rituais de fertilidade eram provavelmente performados em associação com pinturas e esculturas. A “arte” pode ter sido uma depositária da memória grupal antes da escrita. Antropólogos observam e teorizam sobre a miríade de práticas ritualísticas das sociedades humanas de hoje. Teóricos da performance investigam os processos ritualísticos que sustenteam oficinas, ensaios e performances.
Somente uma parte da vasta literatura sobre rituais é relevante aos estudos da performance. Eu identifiquei sete temas-chave para explorar:
1. rituais como ações, como performances.
2. similaridades e diferenças entre os rituais humanos e animais.
3. rituais como performances subliminares acontecendo entre os estágios da vida e entre as identidades sociais.
4. o processo ritualístico.
5. dramas sociais.
6. a relação entre ritual e teatro em termos da díade eficácia-entretenimento.
7. a performance tem origem nos rituais ou não?
"O ritual está para os símbolos que ele dramatiza assim como a ação está para o pensamento; num segundo nível, o ritual integra pensamento e ação; e, num terceiro nível, um foco na performance ritualística integra nosso pensamento e a ação deles." (BELL, Catherine. Teoria ritualística, prática ritualística. 1992.)
O que é “performar”?
Em negócios, esportes e sexo, “performar” é fazer algo além do padrão – para obter êxito, para se destacar. Nas artes, “performar” é expressar-se em um show, uma peça, uma dança, um concerto. No dia-a-dia, “performar” é exibir-se, chegar a extremos, sublinhar uma ação para aqueles que estão olhando. No Século 21, como nunca antes, as pessoas vivem sob o signo da performance.
“Performar” também pode ser entendido relacionando-se a:
a. Ser
b. Fazer
c. Mostrar fazer
d. Explicar mostrar fazer
“Ser” é a existência em si mesma. “Fazer” é a atividade de tudo o que existe, dos quarks aos seres sencientes às supercordas galáticas. “Mostrar fazer” é performar: apontando, sublinhando e expondo o fazer. “Explicar ‘mostrar fazer’” é o trabalho dos Performance Studies.
É muito importante distingui-los uns dos outros. “Ser” pode ser ativo ou estático, linear ou circular, expansivo ou contrativo, material ou espiritual. Ser é uma categoria filosófica apontando para o que quer que seja que as pessoas teorizem como sendo a “existência última”. “Fazer” e “mostrar fazer” são ações. Fazer e mostrar estão sempre em fluxo, sempre mudando – o mundo do filósofo grego pré-socrático Heráclito, que disse, “Ninguém pode pisar duas vezes no mesmo rio, nem tocar uma substância mortal duas vezes na mesma condição”. O quarto termo, “explicar mostrar fazer”, é um esforço reflexivo para compreender o mundo da performance e o mundo como performance. Essa compreensão é geralmente o trabalho de críticos e estudantes. Mas, às vezes, no teatro brechtiano, em que o ator sai do papel para comentar o que o personagem está fazendo, e na performance criticamente desenvolvida, como “Couple in the cage” (1992), de Guillermo Gómez-Peña (1955- ) e Coco Fusco (1960- ), uma performance é reflexiva.
Performances
Performances marcam identidades, dobram o tempo, remodelam e adornam o corpo e contam histórias. Performances – de arte, rituais ou vida corriqueira – são feitas de “twice-behaved behaviors”, “comportamentos reconstruídos”, ações performáticas que as pessoas treinam para fazer, que elas praticam e ensaiam. O treino e o esforço consciente em direção à arte é claro. Mas a vida também envolve anos de treinamento, de aprender partículas de comportamento apropriado, de descobrir como ajustar e performar a vida do indivíduo com as circunstâncias pessoais e sociais. A longa infância da espécie humana é um longo período de treinamento e ensaio para uma performance exitosa na vida adulta. A “graduação” em adultez é marcada em muitas culturas e religiões por ritos de iniciação. Mas, mesmo antes da adultez, algumas pessoas adaptam-se mais confortavelmente à vida que lhes foi atribuída do que outras, que resistem ou se rebelam. A maioria das pessoas vive numa tensão entre a resignação e a rebeldia. Ações sociais – políticas, protestos, revoluções e coisas do tipo – são esforços coletivos de larga escala ou para manter o status quo, ou para mudar o mundo. Todo o período do desenvolvimento humano individual pode ser estudado “como” performance. Isso inclui eventos de larga escala como ações sociais, revoluções e política. Cada ação, não importa quão pequena ou abrangente, consiste de twice-behaved behaviors.
E o que dizer sobre as ações que são aparentemente “once-behaved” – o happening de Allan Kaprow (1927- ), por exemplo, ou uma ocorrência de dia-a-dia (cozinhar, vestir-se, fazer uma caminhada, falar com um amigo)? Até mesmo essas são construídas a partir de behaviors previamente behaved. Na verdade, a diariedade do dia-a-dia é, precisamente, sua familiaridade, seu “ser” construído de partículas de comportamento rearranjadas e modeladas com o propósito de servir a circunstâncias específicas. Arte “lifelike” - como Kaprow chama muitos de seus trabalhos – é próxima da vida diária. A arte de Kaprow sublinha ou destaca levemente o comportamento ordinário – prestando muita atenção em como uma comida é preparada, olhando as pegadas de alguém depois de caminhar no deserto. Prestando atenção em ações simples performadas no momento presente é desenvolver uma consciência zen com relação ao cotidiano, uma homenagem ao ordinário. Homenagear o ordinário é se dar conta de quão ritualística é a vida diária, o quanto a vida diária é formada de repetições. Não há “once-behaved behavior”.
Há um paradoxo aqui. Pode estar certas ambas as teorias, a de Heráclito e a do comportamento restaurado? Performances são feitas de partículas de comportamento restaurado, mas cada performance é diferente da outra. Primeiro, determinadas partículas de comportamento podem ser recombinadas em variações infinitas. Segundo, nenhum evento pode exatamente copiar outro evento. Não só o comportamento em si – nuances de humor, tom de voz, linguagem corporal, e assim por diante, mas também a ocasião específica e o contexto fazem com que cada instante seja único. E o que dizer de replicantes ou clones reproduzidos mecânica, digital ou biologicamente? Pode ser que um filme ou uma uma peça de performance art digital sejam os mesmos a cada exibição. Mas o contexto de cada recepção faz com que cada instante seja diferente. Em outras palavras, a unicidade de um evento não está em sua materialidade, mas em sua interatividade. Então, se essa unicidade acontece em filmes ou eventos digitais, imagine em performances ao vivo, nas quais produção e recepção variam de instante para instante. Ou em nosso dia-a-dia, cujo contexto é impossível de controlar. (...)
“A arte ocidental tem na verdade duas histórias, dentro do avant-garde: uma da ‘artlike art’ e outra da ‘lifelike art’. [...] Para simplificar, a ‘artlike art’ defende que a arte é separada da vida e de tudo o mais, enquanto que a ‘lifelike art’ defende que a arte é conectada à vida e a tudo o mais. Em outras palavras, há uma arte a serviço da arte e uma arte a serviço da vida. Os fazedores da ‘artlike art’ tendem a ser especialistas; os da ‘lifelike art’, generalistas. [...] A ‘artlike art’ avant-garde ocupa a maioria da atenção dos artistas e do público. Ela é geralmente vista como séria e parte de uma tradição arte-histórica ocidental vigente, na qual a mente é separada do corpo, o indivíduo é separado das pessoas, a civilização é separada da natureza; e ‘cada arte’ é separada da ‘outra’. [...] A ‘artlike arte’ basicamente acredita (ou não nega) a continuidade dos gêneros tradicionalmente separados – artes visuais, música, dança, literatura, teatro etc. [...] A ‘lifelike art’ avant-garde, em contrapartida, diz respeito a uma intermitente minoria (futuristas, dadaístas, happeners, fluxartistas, Earthworkers, body artists, provos, artistas postais, ruidistas, poetas performáticos, artistas xamânicos, conceitualistas).” (KAPROW, Allan. The real experiment. 1983.)
Estruturas, funções, processos e experiências
Rituais e ritualizações podem ser entendidos de pelo menos quatro perspectivas:
1. Estruturas – como os rituais se parecem e soam, como eles usam o espaço, quem os performa e como eles são performados.
2. Funções – o que os rituais realizam para os grupos, as culturas e os indivíduos.
3. Processos – a dinâmica de alicerce guiando os rituais; como eles representam as mudanças e como eles as provocam.
4. Experiências – como é estar “em” um ritual.
Os etologistas estudam a continuidade entre os rituais humanos e os animais, particularmente como eles controlam e redirecionam a agressividade, a hierarquia estabelecida e mantida e o território marcado e defendido. Neuropsicólogos acreditam que certos ritmos repetitivos estimulam o cérebro, levam a uma “experiência oceânica” [ver “senso oceânico] de bem-estar máximo. Paleontólogos estudando a “arte” das cavernas da Europa supuseram que a caça e os rituais de fertilidade eram provavelmente performados em associação com pinturas e esculturas. A “arte” pode ter sido uma depositária da memória grupal antes da escrita. Antropólogos observam e teorizam sobre a miríade de práticas ritualísticas das sociedades humanas de hoje. Teóricos da performance investigam os processos ritualísticos que sustenteam oficinas, ensaios e performances.
Somente uma parte da vasta literatura sobre rituais é relevante aos estudos da performance. Eu identifiquei sete temas-chave para explorar:
1. rituais como ações, como performances.
2. similaridades e diferenças entre os rituais humanos e animais.
3. rituais como performances subliminares acontecendo entre os estágios da vida e entre as identidades sociais.
4. o processo ritualístico.
5. dramas sociais.
6. a relação entre ritual e teatro em termos da díade eficácia-entretenimento.
7. a performance tem origem nos rituais ou não?
"O ritual está para os símbolos que ele dramatiza assim como a ação está para o pensamento; num segundo nível, o ritual integra pensamento e ação; e, num terceiro nível, um foco na performance ritualística integra nosso pensamento e a ação deles." (BELL, Catherine. Teoria ritualística, prática ritualística. 1992.)
O amigo Carlo Franzato disse que A MAIORIA também queria remover esta (maravilhosa) obra que a Bienal de Veneza deixou na cidade.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Veja (DESTA semana - Edição 2137 / 4 de novembro de 2009):

"O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em 2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana, acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente, apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012 ou em 21 de dezembro de 2012.
"No inventário dos fracassos humanos, talvez não haja aposta tão malsucedida quanto a de marcar data para o fim do mundo. Falhou 100% das vezes, mas continua a se espalhar, resistindo ao tempo, à razão e à ciência. As tentativas de explicar esse fenômeno são uma viagem fascinante pela alma, pela psique, pelo cérebro humano. Uma das explicações está no fato de que o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas, mesmo onde tudo é casual e fortuito. As constelações no céu, por exemplo, são uma criação mental para organizar o caos estelar. Ao enxergarmos as constelações de Órion ou Andrômeda, encontramos ordem e sentido. O dado complicador é que a vida, no céu e na terra, deve muito mais às contingências do acaso do que ao determinismo. O espermatozoide que fecundou o óvulo que gerou Albert Einstein foi um produto do acaso, resultado de uma disputa entre espermatozoides resolvida por milésimos de segundo. Assim como aconteceu, poderia não ter acontecido.
"Recuando no tempo, a própria humanidade, analisada do ponto de vista científico, é fruto do acaso. Por um acidente, um peixe pré-histórico desenvolveu barbatanas que, à imitação de pernas ou patas, lhe permitiram enfrentar a gravidade da Terra e, assim, por acaso, viabilizou o desenvolvimento de vertebrados fora da água. Bilhões de anos depois, cá estamos nós, bípedes, inteligentes, comendo sorvete de morango, descobrindo a estrela mais antiga e nos deliciando com Elizabeth Taylor deslumbrante como Cleópatra. Tudo por acaso. A preponderância do aleatório sobre o determinado pode dar a sensação de desesperança, de que somos impotentes diante de todas as coisas. Talvez nisso residam a beleza e a complexidade da vida, mas o fato é que o cérebro está mais interessado em ordem do que em belezas complexas. Por isso, quando não vê significado nas coisas naturais, ele salta para o sobrenatural. 'Nascemos com o cérebro desenhado para encontrar sentido no mundo', diz o psicólogo Bruce Hood, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, autor de 'Supersense: Why We Believe in the Unbelievable' (Supersentido: Por que Acreditamos no Inacreditável). 'Esse desenho às vezes nos leva a acreditar em coisas que vão além de qualquer explicação natural.'

"O achado de Hood foi descobrir que as crenças talvez não sejam fruto nem da religião nem da cultura, mas uma expressão de como o cérebro humano trabalha. É o que ele chama de 'supersentido'. É o supersentido que nos leva a bater na madeira, dar valor afetivo a um objeto ou conversar com Deus. A religião seria uma criação mental através da qual o cérebro atende a sua necessidade por sentido. O apocalipse, nesse caso, é uma saída brilhantemente engenhosa. Explica duas questões que atormentam a humanidade desde sempre: o significado da vida e a inevitabilidade da morte. Somos a única espécie com consciência da própria morte e, no entanto, não sabemos o significado da vida. Afinal, por que estamos aqui? A pergunta, em si, revela nossa busca por sentido, devido à nossa dificuldade de conviver com a possibilidade de que, talvez, não estejamos aqui por alguma razão especial. O apocalipse é uma resposta. Está descrito nos seus mínimos e horripilantes detalhes no Livro do Apocalipse, escrito pelo evangelista João, por volta do ano 90 da era cristã, quando estava preso, perseguido pelo Império Romano.
"O começo do fim do mundo, diz João, será anunciado por sinais tenebrosos: um céu negro, uma lua cor de sangue, estrelas desabando sobre a Terra e uma sucessão de desastres varrendo o planeta na forma de terremotos, inundações, incêndios, epidemias. O Anticristo então dominará a Terra por sete anos, ao fim dos quais Jesus Cristo descerá dos céus com um exército de santos e mártires – e vencerá Satã, a besta. Depois de 1 000 anos acorrentado, Satã conseguirá se libertar e forçará Jesus Cristo a travar uma segunda batalha, a terrível batalha do Armagedom. Derrotado Satã, todos nós, vivos e mortos, nos sentaremos no banco dos réus do tribunal divino. Os bons irão para o paraíso celestial. Os maus arderão no fogo eterno. É uma narrativa tão magicamente escatológica que Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos, a chamou de 'delírio de um maníaco'. Bernard Shaw, o grande teatrólogo irlandês, disse que era o 'inventário das visões de um drogado'. Delírio ou visões, o Livro do Apocalipse explica tudo. O professor Ralph Piedmont, do Loyola College, em Maryland, especialista em psicologia da religião, afirma: 'O Apocalipse de João explica a morte, ao informar que vamos ressuscitar, e dá sentido à vida, ao dizer que é uma provação'.
"Subsidiariamente, o apocalipse atende a outra necessidade humana, a de acreditar num mundo regido por uma ordem moral. Os historiadores atribuem o surgimento da visão apocalíptica ao persa Zoroastro, ou Zaratustra, que viveu uns 1 000, talvez 1 500 anos antes de Cristo. Ele foi o primeiro a falar de uma batalha cósmica entre o bem e o mal, mais tarde aproveitada pelos profetas Ezequiel, Daniel e, principalmente, João. 'Num mundo em que, com frequência, os bons sofrem e os maus prosperam, a promessa de um julgamento moral é um consolo profundo', diz Michael Barkun, professor de ciência política da Universidade de Syracuse, que estuda a relação entre violência e religião. Eis por que o fim do mundo aterroriza mas também pode nos consolar. Nem sempre o apocalipse vem numa embalagem religiosa. A profecia de 2012 começou com base em eventos astronômicos e calendários antigos. Só depois recebeu a adesão de seitas espiritualistas e cristãs, mas originalmente 2012 é, digamos, um fim do mundo pagão. Se não é um fim com prêmio aos bons e punição aos maus, então por que acreditamos em profecias que nunca dão certo?

"A explicação começou a surgir nos anos 50, quando o brilhante psicólogo americano Leon Festinger (1919-1989) resolveu testar uma hipótese revolucionária: a de que, diante de uma profecia fracassada, os fiéis não desistem de sua crença, mas, ao contrário, se aferram ainda mais a ela. Festinger e seus colegas se infiltraram numa seita do fim do mundo e descobriram exatamente o que imaginavam. O grupo era formado por quinze pessoas e liderado por uma dona de casa de Michigan, Marion Keech, que fora informada por extraterrestres de que o mundo acabaria com uma inundação no dia 21 de dezembro – olha a data aí de novo – de 1954. Antes da catástrofe final, Marion e seguidores seriam resgatados pela nave-mãe e levados para um lugar seguro. Na data e hora marcadas, eles se reuniram para esperar o resgate, e não apareceu nave nenhuma. Passou uma hora, e nada. Duas horas, e nada. Eles estavam tensos e preocupados, alguns começando a dar sinais de descrença naquilo tudo, até que, quase cinco horas depois, Marion foi novamente contactada pelos extraterrestres com uma novidade redentora: o grupo ali reunido, com o poder de sua crença, espalhara tanta luz que Deus cancelara a destruição do mundo. Os membros reagiram com entusiasmo. Haviam encontrado um meio de acreditar que a profecia, afinal, estava correta.
"O caso foi contado no livro 'When Prophecy Fails' (Quando a Profecia Falha) e se tornou um dos fundamentos do que veio a se chamar teoria da dissonância cognitiva. É a inclinação que temos para reduzir o profundo desconforto provocado por duas informações conflitantes – no caso, a crença de que o mundo vai acabar e a evidência incontornável de que o mundo não acabou. Há exemplos mais rotineiros, como o sujeito que sabe que o cigarro pode matar e, no entanto, fuma dois maços por dia. Tem-se uma 'dissonância cognitiva', que precisa ser resolvida: ou o sujeito para de fumar ou racionaliza que o cigarro, no fundo, acalma, emagrece, seja o que for. Meio século depois, a tese de Festinger será ainda válida para explicar a crença inabalável em profecias finalistas? 'É, ainda, a melhor explicação psicológica', diz Daniel Gilbert, da Universidade Harvard, autor de um trabalho pioneiro sobre como enxergamos o futuro – com lupa, diz ele, sempre dando a sucessos ou fracassos importância muito maior do que efetivamente terão quando (e se) acontecerem.
"As profecias do apocalipse são um desastre como previsão do futuro, mas excelentes como alegorias do presente. A coleção de afrescos e pinturas clássicas que retratam o Juízo Final, como a obra-prima de Michelangelo na Capela Sistina, reflete o temor do tribunal divino e o domínio da Igreja Católica de então. Depois da II Guerra, os filmes de Hollywood, grandes difusores da catástrofe final, passaram a enfocar o fim do mundo como resultado de uma guerra nuclear ou de um monstro deformado pela radioatividade. Estavam narrando as aflições dos americanos com a bomba de Hiroshima e Nagasaki e a chegada da corrida armamentista com a União Soviética. É o momento em que o apocalipse começa a ter duas fontes – a religião e a ciência. Nos anos 60, com as profundas transformações varrendo os EUA, da Guerra do Vietnã à revolução sexual, do advento do computador ao movimento dos direitos civis, dos Beatles a Woodstock, o apocalipse mudou de lugar. 'O livro da revelação deixou o gueto cristão e entrou no coração da política americana e da cultura popular', escreve Jonathan Kirsch em 'A History of the End of the World' (Uma História do Fim do Mundo), um ótimo inventário do apocalipse."
***
Na estrela anã amarela chamada Sol cabem 1 milhão de Terras. É a única estrela do Sistema Solar. Gera 380.000.000.000.000.000.000 de Megawatts de potência, e isto torna minúscula qualquer coisa à escala humana. Num segundo, o Sol emite mais energia do que foi utilizada em toda a história da civilização humana. (FONTE)
Campo magnético do sol:
Campo magnético da Terra:
CLIQUE-ME
Sem a proteção de um campo magnético, a Terra pode-se tornar um planeta "morto", assim como Marte. Mario Acuña estima que Marte era um planeta com atmosfera e oceanos com formas primitivas de vida e que, há mais ou menos 4 bilhões de anos, o Planeta Vermelho teria começado a perder campo magnético e estar sujeito à erosão dos ventos solares, já que duas grandes crateras lá, formadas provavelmente pelo choque de corpos celestes, tiveram suas idades estimadas também em 4 bilhões de anos.(FONTE)
A linda & devastadora (oh!) tempestade solar perfeita:
Uma nova tempestade solar perfeita poderia tirar do ar sistemas de comunicação por meses: CLIQUE NAS NOTÍCIAS DA RAPOSA
A agitação está aumentando nos seres:
Uma tempestade dentro da Terra está enfraquecendo nosso campo magnético externo (oh!!):
Algo de estranho está acontecendo nos profundos subterrâneos da Terra, onde um líquido metálico é constantemente movimentado pela rotação do Planeta, gerando uma força invisível: O Campo Magnético, que protege a Terra contra radiações advindas do espaço. Este campo magnético parece que aos poucos está se tornando mais fraco. Haverá um dia de completa desgmanetização do planeta Terra em que todos os habitantes estarão sujeitos aos efeitos da radiação cósmica e do vento solar? No ritmo atual do enfraquecimento, o campo durará somente até o próximo milênio, segundo o astrofísico Peter Olson. (FONTE)
"Space weather is nasty", baby.
Trecho:
Apesar de estar a 800 mil quilômetros do núcleo que gera o calor, na atmosfera, a temperatura do Sol é tão alta quanto no núcleo. Sob a coroa, a superfície do Sol está literalmente fervendo. Toda a superfície do sol está coberta por células convectivas. [A convecção é soma de dois fenômenos físicos, a condução de calor (ou difusão de calor) e a advecção de um meio fluido (líquidos e gases).] A matéria quente do interior do Sol sobe, alcança a superfície, arrefece, brilha, emite luz solar, depois volta a afundar-se. É um processo extremamente violento. Cada bolha de matéria que sobe tem mais ou menos o tamanho do Texas. [Em alguns casos, expele uma massa equivalente à do Everest, que vem em nossa direção, segundo o astrofísico Andrew Coates. A cada poucas horas, o Sol ejeta bilhões de toneladas de partículas eletricamente carregadas - o vento solar.] Isto acontece constantemente em cerca de 1 milhão de zonas sobre toda a superfície solar durante todo o dia. Esta ebulição não é so violenta como extremamente barulhenta. A superfície agitada do Sol cria energia sonora suficiente para superaquecer a coroa até milhões de graus. Os cientistas crêem que a combinação entre essas ondas sonoras e a energia do campo magnético do Sol é responsável pelas temperaturas extremas que se encontram na coroa.
Células convectivas do sol, por uma nave japonesa:
A cerâmica age como gravador de fita magnética. Vasos registram o campo magnético da Terra no momento em que são feitos, segundo o arcqueólogo John Shaw. Como em rochas vulcânicas, a argila contém pequenos pedaços de minerais ferrosos chamados magnetita. Num nível microscópico, magnetita cotném muitas regiões magnéticas distintas, como minúsculos ímãs. Mas a argila torna-se magnética apenas quando é cozida. Uma vez fria, o magnetismo é preso. (FONTE)
"O ano de 2012 tornou-se o centro de gravidade do fim do mundo por uma confluência de achados proféticos. Primeiro, surgiu a tese de que a Terra será destruída com a volta do planeta Nibiru em 2012. Depois, veio à tona que o calendário dos maias, uma das esplêndidas civilizações da América Central pré-colombiana, acaba em 21 dezembro de 2012, sugerindo que se os maias, tão entendidos em astronomia, encerraram as contas dos dias e das noites nessa data é porque depois dela não haverá mais o que contar. Posteriormente, apareceram os eternos intérpretes de Nostradamus e, em seguida, vieram os especialistas em mirabolâncias geológicas e astronômicas com um vasto cardápio de catástrofes: reversão do campo magnético da Terra, mudança no eixo de rotação do planeta, devastadora tempestade solar e derradeiro alinhamento planetário em que a Terra ficará no centro da Via Láctea – tudo em 2012 ou em 21 de dezembro de 2012.
"No inventário dos fracassos humanos, talvez não haja aposta tão malsucedida quanto a de marcar data para o fim do mundo. Falhou 100% das vezes, mas continua a se espalhar, resistindo ao tempo, à razão e à ciência. As tentativas de explicar esse fenômeno são uma viagem fascinante pela alma, pela psique, pelo cérebro humano. Uma das explicações está no fato de que o nosso cérebro é uma máquina programada para extrair sentido do mundo. Assim, somos levados a atribuir ordem e significado às coisas, mesmo onde tudo é casual e fortuito. As constelações no céu, por exemplo, são uma criação mental para organizar o caos estelar. Ao enxergarmos as constelações de Órion ou Andrômeda, encontramos ordem e sentido. O dado complicador é que a vida, no céu e na terra, deve muito mais às contingências do acaso do que ao determinismo. O espermatozoide que fecundou o óvulo que gerou Albert Einstein foi um produto do acaso, resultado de uma disputa entre espermatozoides resolvida por milésimos de segundo. Assim como aconteceu, poderia não ter acontecido.
"Recuando no tempo, a própria humanidade, analisada do ponto de vista científico, é fruto do acaso. Por um acidente, um peixe pré-histórico desenvolveu barbatanas que, à imitação de pernas ou patas, lhe permitiram enfrentar a gravidade da Terra e, assim, por acaso, viabilizou o desenvolvimento de vertebrados fora da água. Bilhões de anos depois, cá estamos nós, bípedes, inteligentes, comendo sorvete de morango, descobrindo a estrela mais antiga e nos deliciando com Elizabeth Taylor deslumbrante como Cleópatra. Tudo por acaso. A preponderância do aleatório sobre o determinado pode dar a sensação de desesperança, de que somos impotentes diante de todas as coisas. Talvez nisso residam a beleza e a complexidade da vida, mas o fato é que o cérebro está mais interessado em ordem do que em belezas complexas. Por isso, quando não vê significado nas coisas naturais, ele salta para o sobrenatural. 'Nascemos com o cérebro desenhado para encontrar sentido no mundo', diz o psicólogo Bruce Hood, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, autor de 'Supersense: Why We Believe in the Unbelievable' (Supersentido: Por que Acreditamos no Inacreditável). 'Esse desenho às vezes nos leva a acreditar em coisas que vão além de qualquer explicação natural.'
"O achado de Hood foi descobrir que as crenças talvez não sejam fruto nem da religião nem da cultura, mas uma expressão de como o cérebro humano trabalha. É o que ele chama de 'supersentido'. É o supersentido que nos leva a bater na madeira, dar valor afetivo a um objeto ou conversar com Deus. A religião seria uma criação mental através da qual o cérebro atende a sua necessidade por sentido. O apocalipse, nesse caso, é uma saída brilhantemente engenhosa. Explica duas questões que atormentam a humanidade desde sempre: o significado da vida e a inevitabilidade da morte. Somos a única espécie com consciência da própria morte e, no entanto, não sabemos o significado da vida. Afinal, por que estamos aqui? A pergunta, em si, revela nossa busca por sentido, devido à nossa dificuldade de conviver com a possibilidade de que, talvez, não estejamos aqui por alguma razão especial. O apocalipse é uma resposta. Está descrito nos seus mínimos e horripilantes detalhes no Livro do Apocalipse, escrito pelo evangelista João, por volta do ano 90 da era cristã, quando estava preso, perseguido pelo Império Romano.
"O começo do fim do mundo, diz João, será anunciado por sinais tenebrosos: um céu negro, uma lua cor de sangue, estrelas desabando sobre a Terra e uma sucessão de desastres varrendo o planeta na forma de terremotos, inundações, incêndios, epidemias. O Anticristo então dominará a Terra por sete anos, ao fim dos quais Jesus Cristo descerá dos céus com um exército de santos e mártires – e vencerá Satã, a besta. Depois de 1 000 anos acorrentado, Satã conseguirá se libertar e forçará Jesus Cristo a travar uma segunda batalha, a terrível batalha do Armagedom. Derrotado Satã, todos nós, vivos e mortos, nos sentaremos no banco dos réus do tribunal divino. Os bons irão para o paraíso celestial. Os maus arderão no fogo eterno. É uma narrativa tão magicamente escatológica que Thomas Jefferson, o terceiro presidente dos Estados Unidos, a chamou de 'delírio de um maníaco'. Bernard Shaw, o grande teatrólogo irlandês, disse que era o 'inventário das visões de um drogado'. Delírio ou visões, o Livro do Apocalipse explica tudo. O professor Ralph Piedmont, do Loyola College, em Maryland, especialista em psicologia da religião, afirma: 'O Apocalipse de João explica a morte, ao informar que vamos ressuscitar, e dá sentido à vida, ao dizer que é uma provação'.
"Subsidiariamente, o apocalipse atende a outra necessidade humana, a de acreditar num mundo regido por uma ordem moral. Os historiadores atribuem o surgimento da visão apocalíptica ao persa Zoroastro, ou Zaratustra, que viveu uns 1 000, talvez 1 500 anos antes de Cristo. Ele foi o primeiro a falar de uma batalha cósmica entre o bem e o mal, mais tarde aproveitada pelos profetas Ezequiel, Daniel e, principalmente, João. 'Num mundo em que, com frequência, os bons sofrem e os maus prosperam, a promessa de um julgamento moral é um consolo profundo', diz Michael Barkun, professor de ciência política da Universidade de Syracuse, que estuda a relação entre violência e religião. Eis por que o fim do mundo aterroriza mas também pode nos consolar. Nem sempre o apocalipse vem numa embalagem religiosa. A profecia de 2012 começou com base em eventos astronômicos e calendários antigos. Só depois recebeu a adesão de seitas espiritualistas e cristãs, mas originalmente 2012 é, digamos, um fim do mundo pagão. Se não é um fim com prêmio aos bons e punição aos maus, então por que acreditamos em profecias que nunca dão certo?
"A explicação começou a surgir nos anos 50, quando o brilhante psicólogo americano Leon Festinger (1919-1989) resolveu testar uma hipótese revolucionária: a de que, diante de uma profecia fracassada, os fiéis não desistem de sua crença, mas, ao contrário, se aferram ainda mais a ela. Festinger e seus colegas se infiltraram numa seita do fim do mundo e descobriram exatamente o que imaginavam. O grupo era formado por quinze pessoas e liderado por uma dona de casa de Michigan, Marion Keech, que fora informada por extraterrestres de que o mundo acabaria com uma inundação no dia 21 de dezembro – olha a data aí de novo – de 1954. Antes da catástrofe final, Marion e seguidores seriam resgatados pela nave-mãe e levados para um lugar seguro. Na data e hora marcadas, eles se reuniram para esperar o resgate, e não apareceu nave nenhuma. Passou uma hora, e nada. Duas horas, e nada. Eles estavam tensos e preocupados, alguns começando a dar sinais de descrença naquilo tudo, até que, quase cinco horas depois, Marion foi novamente contactada pelos extraterrestres com uma novidade redentora: o grupo ali reunido, com o poder de sua crença, espalhara tanta luz que Deus cancelara a destruição do mundo. Os membros reagiram com entusiasmo. Haviam encontrado um meio de acreditar que a profecia, afinal, estava correta.
"O caso foi contado no livro 'When Prophecy Fails' (Quando a Profecia Falha) e se tornou um dos fundamentos do que veio a se chamar teoria da dissonância cognitiva. É a inclinação que temos para reduzir o profundo desconforto provocado por duas informações conflitantes – no caso, a crença de que o mundo vai acabar e a evidência incontornável de que o mundo não acabou. Há exemplos mais rotineiros, como o sujeito que sabe que o cigarro pode matar e, no entanto, fuma dois maços por dia. Tem-se uma 'dissonância cognitiva', que precisa ser resolvida: ou o sujeito para de fumar ou racionaliza que o cigarro, no fundo, acalma, emagrece, seja o que for. Meio século depois, a tese de Festinger será ainda válida para explicar a crença inabalável em profecias finalistas? 'É, ainda, a melhor explicação psicológica', diz Daniel Gilbert, da Universidade Harvard, autor de um trabalho pioneiro sobre como enxergamos o futuro – com lupa, diz ele, sempre dando a sucessos ou fracassos importância muito maior do que efetivamente terão quando (e se) acontecerem.
"As profecias do apocalipse são um desastre como previsão do futuro, mas excelentes como alegorias do presente. A coleção de afrescos e pinturas clássicas que retratam o Juízo Final, como a obra-prima de Michelangelo na Capela Sistina, reflete o temor do tribunal divino e o domínio da Igreja Católica de então. Depois da II Guerra, os filmes de Hollywood, grandes difusores da catástrofe final, passaram a enfocar o fim do mundo como resultado de uma guerra nuclear ou de um monstro deformado pela radioatividade. Estavam narrando as aflições dos americanos com a bomba de Hiroshima e Nagasaki e a chegada da corrida armamentista com a União Soviética. É o momento em que o apocalipse começa a ter duas fontes – a religião e a ciência. Nos anos 60, com as profundas transformações varrendo os EUA, da Guerra do Vietnã à revolução sexual, do advento do computador ao movimento dos direitos civis, dos Beatles a Woodstock, o apocalipse mudou de lugar. 'O livro da revelação deixou o gueto cristão e entrou no coração da política americana e da cultura popular', escreve Jonathan Kirsch em 'A History of the End of the World' (Uma História do Fim do Mundo), um ótimo inventário do apocalipse."
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Na estrela anã amarela chamada Sol cabem 1 milhão de Terras. É a única estrela do Sistema Solar. Gera 380.000.000.000.000.000.000 de Megawatts de potência, e isto torna minúscula qualquer coisa à escala humana. Num segundo, o Sol emite mais energia do que foi utilizada em toda a história da civilização humana. (FONTE)
Campo magnético do sol:
Campo magnético da Terra:
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Sem a proteção de um campo magnético, a Terra pode-se tornar um planeta "morto", assim como Marte. Mario Acuña estima que Marte era um planeta com atmosfera e oceanos com formas primitivas de vida e que, há mais ou menos 4 bilhões de anos, o Planeta Vermelho teria começado a perder campo magnético e estar sujeito à erosão dos ventos solares, já que duas grandes crateras lá, formadas provavelmente pelo choque de corpos celestes, tiveram suas idades estimadas também em 4 bilhões de anos.(FONTE)
A linda & devastadora (oh!) tempestade solar perfeita:
Uma nova tempestade solar perfeita poderia tirar do ar sistemas de comunicação por meses: CLIQUE NAS NOTÍCIAS DA RAPOSA
A agitação está aumentando nos seres:
Uma tempestade dentro da Terra está enfraquecendo nosso campo magnético externo (oh!!):
Algo de estranho está acontecendo nos profundos subterrâneos da Terra, onde um líquido metálico é constantemente movimentado pela rotação do Planeta, gerando uma força invisível: O Campo Magnético, que protege a Terra contra radiações advindas do espaço. Este campo magnético parece que aos poucos está se tornando mais fraco. Haverá um dia de completa desgmanetização do planeta Terra em que todos os habitantes estarão sujeitos aos efeitos da radiação cósmica e do vento solar? No ritmo atual do enfraquecimento, o campo durará somente até o próximo milênio, segundo o astrofísico Peter Olson. (FONTE)
"Space weather is nasty", baby.
Trecho:
Apesar de estar a 800 mil quilômetros do núcleo que gera o calor, na atmosfera, a temperatura do Sol é tão alta quanto no núcleo. Sob a coroa, a superfície do Sol está literalmente fervendo. Toda a superfície do sol está coberta por células convectivas. [A convecção é soma de dois fenômenos físicos, a condução de calor (ou difusão de calor) e a advecção de um meio fluido (líquidos e gases).] A matéria quente do interior do Sol sobe, alcança a superfície, arrefece, brilha, emite luz solar, depois volta a afundar-se. É um processo extremamente violento. Cada bolha de matéria que sobe tem mais ou menos o tamanho do Texas. [Em alguns casos, expele uma massa equivalente à do Everest, que vem em nossa direção, segundo o astrofísico Andrew Coates. A cada poucas horas, o Sol ejeta bilhões de toneladas de partículas eletricamente carregadas - o vento solar.] Isto acontece constantemente em cerca de 1 milhão de zonas sobre toda a superfície solar durante todo o dia. Esta ebulição não é so violenta como extremamente barulhenta. A superfície agitada do Sol cria energia sonora suficiente para superaquecer a coroa até milhões de graus. Os cientistas crêem que a combinação entre essas ondas sonoras e a energia do campo magnético do Sol é responsável pelas temperaturas extremas que se encontram na coroa.
Células convectivas do sol, por uma nave japonesa:
A cerâmica age como gravador de fita magnética. Vasos registram o campo magnético da Terra no momento em que são feitos, segundo o arcqueólogo John Shaw. Como em rochas vulcânicas, a argila contém pequenos pedaços de minerais ferrosos chamados magnetita. Num nível microscópico, magnetita cotném muitas regiões magnéticas distintas, como minúsculos ímãs. Mas a argila torna-se magnética apenas quando é cozida. Uma vez fria, o magnetismo é preso. (FONTE)
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