Follow douglasdickel on Twitter
www.flickr.com
[douglasdickel]'s items Go to [douglasdickel]'s photostream


Instagram
http://soundcloud.com/input_output
:: douglasdickel 18 anos de blog :: página inicial | leituras | jormalismo ::
:: trabalho artístico :: projeto musical input_output | desenhos | fotografia instagram | fotografia flickr | pesquisa de discos | pesquisa de filmes | programa podcast musical ::
:: catarses musicais inativas :: hotel | blanched | o restaurante | homem que não vive da glória do passado ::
:: no pé da página :: currículo | discografia ::

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

under acid effects
under acid effects,
originally uploaded by [douglasdickel].
Tomei 3/4 de ácido na sexta-feira. Coloquei-o na saliva às 13h e, antes das 14h, que era a previsão, o efeito já havia aparecido. Um efeito colateral é evidente: uma pressão, de dentro para fora, na região entre o estômago e o peito - que o Bruno descreveu como pâncreas. Estava nublado e eu estava sozinho, então fiquei mais em casa. Havia os gatos. Toquei sem parar: baixo, guitarra e sintetizador. Principalmente uns covers cujas letras eu havia imprimido recentemente: 'Winner's blues' (Sonic Youth), 'Lucky' (Radiohead), 'The golden age' (Beck), 'Misunderstood' (Wilco), entre outras. A tevê ficou ligada com o 'Meeting people is easy' rodando no DVD. Às vezes, eu deixava soando um ruído, no sintetizador, parecido com o que há dentro do avião em vôo, e ia fazer outra coisa. Dei uma volta com Arcade Fire nos fones, que rodou duas vezes na íntegra - MARAVILHA. As árvores nas ruas pareceram por um segundo holográficas e movimentantes. Mas só. Fui ao Gasômetro ver as instalações da Bienal, no entanto logo fui enxotado por invasões de turmas de colégios. Adolescentes entraram naquela em que há imagens de nus e ficaram rindo, tropeçaram e caíram etc. Não eram grande coisa mesmo, as instalações. Ácido tem que ser tomado ao ar livre, e com sol. As cores da natureza foram o carro-chefe da minha experiência anterior. O Jardim botânico será o habitat da minha próxima experiência, dessa vez com 1/2. Os 3/4 que eu tomei não deixavam nunca de fazer efeito: deitei às 22h e não consegui dormir. Acordei cedo, no sábado, e não voltei a dormir também. Era isso. O resumo do efeito bom é BEM-ESTAR (clique na foto do canto superior direito para ver um registro fotográfico do bem-estar, com o Tune derramado sobre o meu colo), e o do ruim é (foi, por causa da dose) NÃO PÁRA NUNCA, PORRA. Para mais detalhes, tome você mesmo.

***

Opiniões de quem também faz.

"Ouvi o input_output e gostei das texturas, das alternâncias. Muito bem captado/gerado. Fora o visual, que também curti." (Carlos D)

"Eu acho muito boa a forma como você estrutura suas 'canções' e os timbres que você usa. Tem bastante ruído e eu acho que você sabe jogar bem com os sons na hora certa." (MMeNDES)

***

Os ingressos para o show do Pearl Jam, que segundo boatos terá abertura de Reação Em Cadeia e Mudhoney, já estão à venda, por preços de R$ 90 e R$ 160. Dos 165 mil ingressos colocados à venda para os shows de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, 10 mil foram vendidos em apenas quatro horas após as bilheterias serem abertas.

Local do show: Estádio do Gigantinho
Horário: 21h
Postos de venda:

Bilheteria do Gigantinho (das 10 às 18 horas)
Zaffari-Menino Deus (das 14 às 22 horas)
Bourbon Shopping Country (das 14 às 22 horas)
Telentrega Opus - (51) 3299-0800 (de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas)

Não irei. Eu vou pagar 120 para ver QUATRO superbandas. Sem contar que o show vai ser na noite do dia em que chegaremos de São Paulo. Mas eu queria ver o Pearl Jam. Gosto bastante dos discos Vs., Vitalogy, No Code e Yield. Não gosto do Ten e do Binaural. Os outros eu ainda não ouvi, por não conhecer ninguém mais que compre discos da banda. Mas ouvi dizer que eles estariam tentando ficar mais parecidos com o Neil Young.

***



Poa Róque Town > Vôos de estréia
Discotecagem dos melhores primeiros álbuns da história
DJs João Perassolo & Dani Hyde
Dia 4, sexta, 23h
Beco (João Pessoa, 203)
R$ 5 ingresso + R$ 5 consumo
Estacionamento gratuito, com segurança, no local

***

"'Os irmãos Grimm': assistindo a essa obra mais recente de Terry Gilliam, fica claro que a mesma trata-se muito mais de um projeto de encomenda do que de um trabalho estritamente autoral por parte do cineasta. E talvez o grande trunfo de 'Os irmãos Grimm' esteja aí: na incrível capacidade de Gilliam de perverter e melhorar um filme que tinha tudo para cair em fórmulas fáceis de filmes 'fofinhos' e pretensamente na linha fantástica, como 'Em busca da Terra do Nunca' ou 'Amelie Poulain'." (André Kleinert)

***



Eu deveria ter feito screen caps, mas não tive tempo.

Ontem eu vi 'Duna', uma ficção-científica dirigida pelo David Lynch e lançada em 1984. Com Kyle McLachlan, (a bonita) Sean Young (uma Fremen, com uma luz azul no lugar do olho), Sting, Max Von Sydow e o carinha que fez 'Um estranho no ninho' (o gago) e 'Cor da noite'. Algumas coisas bem interessantes - idéias lynchianas - e outras menos - acredito que por causa do caráter mais comercial do filme, produzido pelo Dino Di Laurentiis. Os escudos de energia são o ponto alto visual. A trilha sonora é composta pelo Toto (?!). A narradora do filme, filha do imperador do universo conhecido, é a Virginia Madsen, que, 20 anos mais tarde, estrelou 'Sideways' - 'Duna' foi o terceiro dos 59 filmes em que ela já atuou.



Sábado assisti ao 'Retratos de uma obsessão' (o título original é bem melhor: 'One hour photo'), do diretor de videoclipes Mark Romanek, que passou longe dos colegas Spike Jonze e Michel Gondry. É bom quanto às cores, mas a história se desenvolve de forma muito rápida e direta, sem suspense. O ponto alto da história é o final. Com Robin Williams, Connie Nielsen e Michael Vartan - o Padre Joss, de 'Contato'.

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

chillin' out
chillin' out,
originally uploaded by crab in the bucket.
Campanha A MÁQUINA Q T FAZ SORRIR



A publicidade dos bancos (folhetos + anúncios de tv, web e imprensa) é povoada de gente sorridente e feliz - incrivelmente satisfeita com os serviços oferecidos pelos gigantes da grana. Não é bem verdade, considerando as taxas abusivas e o atendimento cada vez mais impessoal e exclusivista.

A UMBIGO GROUP ( . ) organiza uma ação do tipo M.C. (misantropia coletiva) a fim de construir a instalanúncio "A Máquina Q T Faz Sorrir" (imagem acima).

A ação-ug consiste em:

1 - Pedir a pessoas que colaborem recolhendo o maior número possível folhetos promocionais dos bancos (Banco do Brasil, Banrisul, Santander, Itaú, Bradesco, Real etc).

2 - Os folhetos 'apropriados' devem ser enviados para UG conforme combinação pelo e-mail pureza.ug@gmail.com

Enfim, o material coletado individual porém coletivamente se destina a construir um anúncio em tempo real sobre o sorriso de massa na publicidade.

Prazo: o mais rápido possível.

Mais infos sobre o envio de material e demais dúvidas:
Projeto Máquina Q T Faz Sorrir - pureza.ug@gmail.com
Lista UMBIGO GROUP ( . ) - http://br.groups.yahoo.com/group/umbigogroup

"Misantropos, uni-vos." (M. Só)

Gratos.
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
UMBIGO GROUP ( . ) - 'servir melhor para servir sempre'

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Ontem foi o Dia D, como disse o vocalista dos Acústicos & Valvulados. O Dia da Desgraça em Porto Alegre. (Era impressionante o número de bêbados. Quando chegamos ao local do show, já tinha gente vomitando - na calçada.) Centenas de indies passaram mal com a violência incontrolável e socialmente aceita (os Strokes não pararam o show para pedir calma como fizeram os Stones em Altamond), e a Ieve foi esfaqueada na Osvaldo depois de dançar com o Arcade Fire numa festa "secreta" no Ocidente. Estou com dor de barriga e com vontade de chorar. A Bruna também.



Pitchfork. A longevidade do Sonic Youth pode ser atribuída também ao entusiasmo dos seus integrantes com uma variedade de formas de arte, de pintura a escultura a fotografia a moda. Lee Ranaldo já experimentou em poesia, livros de ficção e não-ficção, artes visuais e vídeo-arte, 'printmaking' e pintura. No dia 29 de novembro, três dias depois de ele ter tocado aqui, a Plexifilm [vale a pena entrar no link!] lança, em DVD, 'Drift', um projeto colaborativo entre Ranaldo e sua esposa, a artista visual Leah Singer. A dupla tem trabalhado nele desde 1991, participando de muitos eventos com Ranaldo fazendo a trilha sonora de imagens manipuladas. Usando dois projetores modificados, Leah trabalha com velocidade e imagens estáticas, numa técnica comparável à do scratch dos DJs. O DVD conterá um livro de 112 páginas coloridas com imagens, uma conversa do casal e textos do cineasta Jonas Mekas, do escritor e músico Alan Licht, dos artistas Sam Durant e Tom Leeser e dos curadores Roland Spekle e Lea Rekow.

rain won't stop?
rain won't stop?,
originally uploaded by _Silverstar_.
Nunca tive tanto medo da morte. A qualquer momento eu podia desmaiar por falta de ar ou me quebrar sendo pisoteado. E eu estava muito longe da saída, muito perto do palco - a umas cinco pessoas da grade. Eu sempre cheguei na frente em todos shows a que fui e nunca tive que voltar, mas ontem foi diferente. Quando cheguei aonde eu queria, no vazio do pavilhão, custei um pouco a retornar do estado de animal acuado e voltar a saber quem eu era e o que eu iria fazer. Experiência traumática, desumana (aposto que na mídia só vai sair que a lotação insana representou "sucesso absoluto"), fez todos os amigos que vão para São Paulo ver o Sonic Youth temerem um repeteco da violência. E ver a banda de trás, no telão, não vale 397 reais. O que salvou a noite foi a performance mágica do Arcade Fire, com destaque para a técnica de arranjo em que um instrumento fica num só acorde e os outros variam. O baixo às vezes era tocado "rasgueado", como guitarra. E a beleza da imagem e dos movimentos da primeira dama da banda formava um par hipnótico com os sons graves, ora disparados pelo baixo, ora pelo teclado. Os vocais apoteóticos provocaram choro em todos com quem eu falei depois. E, mesmo assim, o público gritava "enough" para o Arcade Fire. Para, depois, vibrarem, retardados, ao som do CD dos Strokes (Placebo II...). E, porra, esses shows em segunda-feira!

Parte do espetáculo dos canadenses é o rodízio de instrumentos:

Win Butler (Guitar / Lead Vocals / Bass Guitar / Keyboards / Harmonica)
Régine Chassagne (Keyboards / Lead & Backing Vocals / Accordion / Xylophone / Drums)
Richard Parry (Guitar / Percussion / Helmet / Backing Vocals / Upright Bass / Keyboards / General Mayhem)
Tim Kingsbury (Bass / Backing Vocals / Guitar)
Will Butler (Percussion / Helmet / Guitar / Bass Guitar / Backing Vocals / General Mayhem)
Sarah Neufeld (Violin / Backing Vocals)
Jeremy Gara (Drums / Guitar / Backing Vocals)



Contam que o texano Win Butler cruzou a fronteira do Canadá em 2000. Três anos depois, encontrou Régine Chassagne numa performance jazzística, na Universidade de Concórdia. Os pais dela abandonaram o Haiti quando o ditador François Duvalier comandou o país, nos anos 60. As primeiras músicas do que viria a ser o Arcade Fire passaram a surgir com a consolidação da dupla, que se transformou em casal. "Começamos a tocar juntos na mesma altura em que começamos a namorar. Foi praticamente tudo de uma vez. Senti que a Régine tinha uma aproximação muito pessoal e única em relação à música, e tivemos desde logo essa ligação", disse Win ao Nuno Proença, do site português Mondo Bizarre. O nome da banda surgiu de uma história relatada a Win, sobre uma casa de fliperama que teria incendiado, resultando na morte de várias crianças. (...) Durante as gravações do primeiro disco, Régine perdeu sua avó, os irmãos Butler perderam um avô e Parry perdeu uma tia: "Funeral", o álbum de estréia.



Saiu como uma das frases da semana no site da Isto É: "Estou louca para ouvir as pessoas conversando em português." (Régine Chassagne)

Procurando as fotos que postei aqui, encontrei um site de uma fotógrafa muito boa de shows. E mais uma coisa: João Perassolo viu o show do M. Takara no Tim do sudeste e disse que ao vivo são um laptop, uma mesa de som e duas baterias!

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

everythingelse
everythingelse,
originally uploaded by avolare.
Nos 12 meses em que morei em Brasília, estudei no UniCEUB, um estabelecimento de ensino que, enquanto eu estava lá, passou de faculdade a centro universitário. Diziam que o Maluf era um dos sócios. Era a segunda melhor "universidade" de lá, só que a UnB transforma até o segundo lugar em retardatário, duas voltas atrás. Havia máquinas de escrever em 1999. Um dos cabeças era um sujeito chamado Harry (pronunciando-se Rári) Klein. Tive aula de marketing com ele, e foi a única vez desde o segundo grau em que fui ridicularizado - por não conhecer marcas de sapato... Ele é que fazia as matrículas para jornalismo, e você não podia escolher as disciplinas que você quisesse: ele é que decidia, com a arbitrariedade de alemão (e gaúcho) que ele é, o que você iria fazer. De propósito ele atrapalhava os seus planos. Era inacreditável. E tudo o que ele ensinou em seis meses de aula foi o seguinte.

As 22 Consagradas Leis do Marketing
Al Ries & Jack Trout, 1993
(Autores de "Marketing de Guerra")


1. A lei da liderança
É melhor ser o primeiro do que ser o melhor.

2. A lei da categoria
Se não puder ser o primeiro em uma categoria, estabeleça uma nova categoria em que seja o primeiro.

3. A lei da mente
É melhor ser o primeiro na mente do que o primeiro no mercado.

4. A lei da percepção
O marketing não é uma batalha de produtos, é uma batalha de percepção.

5. A lei do foco
Em marketing, o mais poderoso conceito é representar uma palavra na mente.

6. A lei da exclusividade
Duas empresas não podem representar a mesma palavra na mente.

7. A lei da escada
A estratégia a adotar depende do degrau ocupado na escada.

8. A lei da dualidade
Com o passar do tempo, todo mercado transforma-se em uma corrida com dois concorrentes.

9. A lei do oposto
A estratégia de quem está almejando o segundo lugar é determinada pelo líder.

10. A lei da divisão
Com o tempo, a categoria se divide e se transforma em duas ou mais categorias.

11. A lei da perspectiva
Os efeitos do marketing ocorrem por um período prolongado.

12. A lei da extensão de linha
Há uma pressão irresistível para estender o patrimônio líquido de marca.

13. A lei do sacrifício
A fim de conseguir alguma coisa é preciso desistir de alguma coisa.

14. A lei de atributos
Para cada atributo, há um atributo oposto, igualmente eficaz.

15. A lei da sinceridade
Quando admitimos um negativo, o cliente em perspectiva nos dá um positivo.

16. A lei da singularidade
Em cada situação, apenas um único movimento produz resultados substanciais.

17. A lei da imprevisibilidade
Sem prever os planos do concorrente, é impossível prever o futuro.

18. A lei do sucesso
Com freqüência, o sucesso leva à arrogância e a arrogância ao fracasso.

19. A lei do fracasso
O fracasso deve ser esperado e aceito.

20. A lei do alarde
Com freqüência, situação é o oposto da maneira como aparece na imprensa.

21. A lei da aceleração
Os programas bem-sucedidos não se baseiam em "coqueluches". Baseiam-se em tendências.

22. A lei de recursos
A idéia que não tiver fundos suficientes não decolará.

***



Esta é Melanie Lynskey, a mais nova atriz a entrar na minha lista das mais bonitas de Hollywood. Neo-zelandesa nascida no mesmo ano que eu, 1977, estreiou junto com a Kate Winslet em 'Almas gêmeas' (Heavenly creatures), do diretor Peter Jackson, que depois veio a dirigir o multipremiado 'Senhor dos anéis'. 'Almas gêmeas' foi projetado ontem, às 20h, na CCMQ, durante o I Festival de Cinema Fantástico do Clube de Cinema de Porto Alegre - mas eu e a Manuela vimo-lo em casa, na mesma hora. Eu odiei, achei caricato; mas a Manu gostou e o Tony - que é do Clube - adora. Segundo o iMDB, Lynskey tem um misto de chihuahua e dachshund chamado Mouse e foi a primeira pessoa a beijar a Kate Winslet em um filme.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005


IV. "Em geral, ritmo é o tempo que demora a repetir-se um qualquer fenômeno repetitivo, mas a palavra é normalmente usada para falar do ritmo quando associado à música, à dança, ou a parte da poesia, onde designa a variação (explícita ou implícita) da duração de sons com o tempo. Quando se rege por regras, chama-se métrica. (...) Na música ociental, os ritmos estão em geral relacionados com uma notação de tempo, que em parte implica uma métrica. A velocidade do pulso subjacente, chamada batida, é o tempo. (...) No século XX, compositores como Igor Stravinsky, Philip Glass, e Steve Reich escreveram música de maior complexidade rítmica, usando métricas estranhas e técnicas como o faseamento ou o ritmo aditivo. Ao mesmo tempo, modernistas como Olivier Messiaen e os seus seguidores usaram um aumento na complexidade para quebrar a sensação de uma batida regular, o que levou ao uso generalizado de ritmos irracionais na Nova Complexidade. LaMonte Young também escreveu música na qual a sensação de uma batida regular está ausente, porque a sua música consiste apenas de longos tons sustentados (drone)." (Wikipédia)

***

Harmonia é a arte ou a ciência dos acordes e de sua relação mútua. Acorde é a junção de três ou mais notas, ou tons, que soam ao mesmo tempo. Enquanto a melodia define o desenvolvimento horizontal de uma música (isto é, a sucessão de notas umas após as outras), a harmonia define o desenvolvimento vertical (as notas que são tocadas simultaneamente).

Os acordes são feitos a partir da nota mais grave, adicionando a ela terças ascendentes. Os acordes mais comuns têm apenas três notas. Eles são chamados de tríades. Cada nota de uma escala tem sua importância. A primeira nota é a tônica, a quinta é a dominante e a quarta é a subdominante, e esta é sua hierarquia.

Isto também vale para os acordes. As tríades construídas usando a tônica como base têm o mesmo poder relativo da tônica, e causam ao ouvinte uma sensação de repouso, de lar-doce-lar. Já a tríade sobre a dominante provoca uma suspensão, uma tensão que só é aliviada quando ouvimos novamente a tônica. Por fim, a tríade sobre a subdominante serve como preparação da dominante [ou afastamento]. Dessa maneira, a subdominante chama a dominante, e essa sempre pede pela tônica. Grosso modo, na música tudo acaba na tônica.

Esse jogo de tensão e relaxamento, provocado pelo acorde da tônica e todos os outros que desembocam nele, forma o que se chama de tonalidade. Quando se diz que tal peça está na tonalidade de sol maior, isto significa que o tom principal é sol e que o "acorde do perfeito bem estar" é a tríade de sol. As tonalidades têm o mesmo nome das escalas (os dois conceitos estão atrelados), portanto há 24 tonalidades, 12 maiores e 12 menores.

Uma peça de música não é composta inteiramente em apenas uma tonalidade. Tecnicamente, o artifício de passar de uma tonalidade a outra (e, conseqüentemente, trocar de escala) se chama modulação.

Na politonalidade, duas tonalidades diferentes são utilizadas simultaneamente. Isto é, a linha melódica em uma tonalidade e o acompanhamente em outra. Uma obra assim é quase que o oposto de uma obra atonal [sem tonalidade definida, utilizando todos os tons e semitons, o que é chamado de cromatismo ou escala cromática], por ser duas vezes tonal. Mesmo assim representa uma ruptura bastante drástica com as normas tradicionais de harmonia. [Miles Davis e Sonic Youth, por exemplo, utilizam essa técnica.] (Allegro)

Entre os 30 finalistas do concurso da Tramavirtual que vai premiar três artistas/bandas com um "supercomputador" estão Blue Afternoon (do Guilherme Barrella) e Senador Medinha. Votem lá.

***

Terminou ontem a minha audição ininterrupta de Lavajato (discos 'Assim como tah' e 'O mínimo recomendável') que começara segunda-feira. É sem dúvida um dos projetos musicais mais interessantes do país hoje. Fiquei curioso quanto a este outro disco, mencionado na página do LVJT dentro do Antena:

1a 1f 1g (2004/2005): ep virtual da Truma Virtual Records. Vinhetas resultantes dum processo bem peculiar na linha de desmonte e remontagem do LVJT. Partindo de uma série de 15 freqüências numéricas e de 6 parâmetros alfabéticos a,b,c,d,e...etc, Lavajato realizou uma combinação aleatória destes grupamentos sonoros se inspirando no processo pictórico de Jackson Pollock. O resultado é um action painting sonoro digital. Faixas de curta duração a fim de torná-las de fácil download.

***

Enquanto isso, novos loops estão sendo produzidos massivamente por mim para um próximo álbum do input_output. Algumas parcerias serão testadas para o próximo trabalho em estúdio. Amanhã será o segundo ensaio da formação live, que acho que terá outro nome que não imput_output (estamos em dúvida entre i_o_live ou reaproveitar nomes como Kaufman e o restaurante do fim do universo), primeiro com o Renan na guitarra. Ontem, além dos loops, criei algumas vozes de guitarra para os novos arranjos das músicas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Which body part?
Which body part?,
originally uploaded by Stebbi.
(Vamos ao terceiro post desta semana sobre música contemporânea.) A música [o texto que aqui começa é colado da Wikipédia] é um fenômeno natural intuitivo que opera em três dimensões, quais sejam, tempo, energia e altura. Enquanto tal, apresenta três estruturas organizativas distintas entre si, porém, interdependentes: ritmo, harmonia e melodia. [Há quem acrescente o timbre. O conteúdo programático da disciplina Sonorização Para Multimídia, da Universidade de Aveiro, Portugal, diz: "Concepção 'clássica' da música: ritmo, melodia, harmonia, timbre, intensidade. A Música como fenômeno sonoro: altura, duração, timbre, intensidade, localização." Que inveja... (Não sei o que é 'localização'.) Segue: "A natureza abstrata da Música. A Música como sistema formal. Estrutura e organização sonora: (a altura do som/harmonia como princípio organizador da estrutura: da organização tonal ao serialismo). Macro e micro estruturas; idéias, processos e invenção de 'gramáticas'. Repetição e contraste. O papel do computador na criação sonora. Dos primórdios da musica eletrônica ao 'desktop musician'. Principais ferramentas de apoio à criação sonora com computador: síntese, edição, sequenciação, 'sampling', composição." Que inveja.]

Em si mesma, a música não constitui arte, no entanto criá-la e expressá-la sim. Enquanto ouvir música possa ser um lazer e aprendê-la e entendê-la sejam tanto mais disciplinas, a música em si é um fenômeno natural e universal. Exemplo disto é que até mesmo plantas respondem a ela.

Tradicionalmente, uma das maiores dificuldades em definir esta palavra tem sido seu emprego na descrição de todas as atividades e elementos relacionadas à música e/ou som. Uma composição somente irá gerar música no momento em que for executada ou quando gravadas e retocadas. Compor, improvisar e executar são formas de arte que utilizam o fenômeno música.

Porque este fenômeno é natural e intuitivo, os seres humanos podem executá-lo e ouvi-lo virtualmente em suas mentes sem mesmo entendê-lo.

A música pode ser criada matematicamente (racionalmente) ou intuitivamente (improvisação). Pode ser construída baseada em uma forma musical (ex: jazz, rock, mpb), aonde nessas formas, existem padrões harmônicos.

A música que contêm elementos escolhidos ao acaso é chamada de música aleatória. [Acrescentei aqui o resultado da minha pesquisa sobre música eletrônica (concreta e pura), eletroacústica, acusmática e música eletroacústica mista, ou viva, ou em tempo real.

*

A música eletrônica não é considerada música, nessas concepções, quando não utiliza ritmo, melodia e harmonia, mas apenas timbre, configurando-se em música aleatória. É o caso da eletrônica de noise que menciono três posts abaixo.

Diante desse "problema" (o Lavajato [leia as letras do Mortimer Só em letrasmortas] se diz não-música, mas eu discordo, considero e música, e das boas!) e pensando em termos práticos, pensei num conceito diferente de música: arte construída e veiculada em áudio (principalmente hoje em CD e MP3), exceto leitura de poemas, mesmo que musicada, com foco único nos poemas. Que acham vocês?

***

Muito interessante é a descrição deste disco do catálogo da netlabel Antena:

AjaxFree vs. Splinter vs. Stalin - 'We Are Here to Fuck our Ears'

2004. Depois de Splinter vs Stalin ter cometido um disco de remixes de AjaxFree, AjaxFree se vinga, remixando sem respeito as músicas de Splinter vs Stalin. Um disco feio, sujo, barulhento e mau.


Netlabel é mais um conceito que eu aprendi nas últimas semanas. São os selos que promovem lançamentos virtuais, com disponibilização das imagens das capas para impressão.

***

Olha o Porsche.



***

Quanto ao Fumproarte, foi sugerido à Secretaria da Fazenda o pagamento de todas as primeiras parcelas, de todos os 23 projetos contemplados com o penúltimo edital, até o final do ano - e não a regularização total como já havia sido sugerido - e a administração municipal negou. Quatro parcelas do antepenúltimo edital ainda não foram pagas. Leia mais sobre o drama dos contemplados, no Bife.

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

estátua
estátua,
originally uploaded by criz.
Música eletrônica é um gênero musical que inclui todos os sons registrados por microfones (musique concrète ou música concreta - a vertente francesa, surgida em Paris -, na qual os sons naturais são, após o registro propriamente dito, reprocessados através de recursos eletrônicos) e também aqueles produzidos por geradores eletrônicos de sons (elektronische musik ou música eletrônica pura- a vertente alemã, surgida em Colônia -, no sentido de que os sons são sintetizados ou construídos utilizando-se exclusivamente aparelhos eletrônicos). A utilização simultânea de sonoridades concretas e sons eletrônicos puros resulta, do ponto de vista exclusivo do material sonoro utilizado, na realização de música eletroacústica, que tem na peça Gesang der Jüngling (1955-56) (O Canto dos Adolescentes) de Stockhausen, o exemplo pioneiro e mais significativo.

Acousmatique ou acusmática é a música eletrônica que é ouvida sem que sua causa/origem seja visível, ou seja, um trabalho feito em estúdio e reproduzido em alto-falantes num show, sem a intervenção de instrumentistas. E a utilização simultânea, ao vivo, de instrumentos e fita chama-se música eletroacústica mista, ou música eletrônica viva, ou música eletroacústica em tempo real. (#)

***

Date: Wed, 19 Oct 2005 11:10:05
From: "Mario Brandalise Baril"
To: "Douglas Dickel"
Subject: Re: interessado em fortalecer o cenário já existente

Olá Douglas! É um prazer para nós receber o seu e-mail. Contatosnovos são sempre gratificantes para o nosso coletivo [Antena].

Como o press-release diz a nossa proposta é divulgar música eletrônica não-convencional em formatos digitais, isso com uma preocupação de manter compromiso sério com a agenda de lançamentos e a divulgação em português, espanhol e inglês.

Eu me chamo Mario, moro em Curitiba, respondo pelo projeto de noise/pós-industrial Adipocera e sou o curador do selo até janeiro. Esse cargo é eletivo e possui duração pré estabelecida. Minha obrigação é definir exatamente o que será lançado. (...)

Outros membros possuem tarefas distribuídas conforme a disponibilidade de cada um, afinal quase todos nós trabalhamos, etudamos etc. Entre elas estão a manutenção do site, divulgação em fóruns e listas de e-mails e promoção de shows como os dos dias 15 e 16 deste mês em Porto Alegre.

O seu trabalho me deixou MUITO interessado pois se encaixa perfeitamente a orientação desse coletivo e possui um tom de profissionalismo muito evidente. Se você tiver material e quiser divulgar logo é só me avisar.

Abraços, Mario e a diretoria

***

Alguém conhece e saberia me explicar o que é isto aqui? Econtrei no Google isto:

azvd
Demi-God

Location: I'm annoying
Posts: 436

- Antony and the Johnsons "I am a Bird Now"
- Bell Orchestre "Recording a Tape the Colour of the Light"
- Black Mountain "Black Mountain"
- Bright Eyes "Digital Ash in a Digital Urn"
- Dinosaur Jr. "Dinosaur" [reissue]
- Dinosaur Jr. "Bug" [reissue]
- Dinosaur Jr. "Where You Been"
- Grandaddy: "Excerpts From The Diary Of Toddzilla"
- input_output "eu contenho todos os meus anos dentro de mim"
- QotSA "Lullabies To Paralyze" [UK tour edition]
- Sonic Youth "Goo" [deluxe edition]
- Wolf Parade: "Apologies To Queen Mary"

***

Em breve, notícias mais concretas sobre a Blanched. O que eu posso adiantar é que a banda funcionará em caráter especial, devido à mudança de cidade do Daniel e às eventuais temporadas do Leonardo e da Priscila fora do Brasil. Ou seja, nossos planos no presente são: tocar em ocasiões especiais & tentar gravar o material já composto e ainda não registrado.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

going up in style.
going up in style.,
originally uploaded by swissmiss.
"Jim O'Rourke tem feito muitas coisas nos seus 36 anos: produziu, remixou e colaborou com incontáveis pesos pesados do indie e do avant-rock, gravou sozinho alguns álbuns pop e experimentais, foi membro do Gastr del Sol, do Loose Fur e, até semana passada, do Sonic Youth. Mas o que ele realmente quer é dirigir. Tal qual o George Clooney. Numa entrevista com a Pitchfork sexta-feira, Lee Ranaldo confirmou os rumores de que O'Rourke deixou a banda. Entretanto, não está descartada a possibilidade de futuras colaborações. 'Ele está num período period de reexaminar muitos aspectos da vida dele e o que ele quer fazer. Acho que ele gostaria de viver no Japão por um tempo e mergulhar no cinema japonês.' O'Rourke já foi consultor musical do Richard Linklater em Escola de Rock e trabalhou na trilha sonora de filmes como Grizzly Man, Love Liza e Julien Donkey-Boy. Três de seus álbuns solo receberam nomes de filmes do Nicolas Roeg. Ranaldo falou sobre a era pós-O'Rourke no Sonic Youth. 'Vamos fazer nosso próximo disco como um quarteto de novo. Mudança sempre é bom. Sempre funciona para nós da melhor forma. Leva-nos a um novo lugar.' Lee recuperou duas de suas guitarras customizadas, que haviam sido roubadas com o caminhão em 1999. Embora elas estejam baleadas, ele está otimista para reabilitá-las e poder usá-las em breve." (Pitchfork)

***

Mateus d'Almeida (Farveste) ouviu o input_output. "Excelente disco para se ouvir de fones de ouvido, caminhando pela cidade. Disco perturbador para se ouvir à noite, tentando dormir. Faixa quatro: beleza suprema."

***

O Felipe Dreher lançou uma livraria!


Date: Mon, 17 Oct 2005 23:15:59
Subject: Maldita Poesia - leitura de Rimbaud
From: "abacolivros"
To: "bemcapaz"

Amigos,
Como estão?

Convido todos vocês para prestigiarem o primeiro evento de nossa livraria. É o projeto Malditos Poetas que trará a cada mês a obra de um escritor que mudou os rumos da literatura. A primeira edição do evento será na quinta-feira, dia 20 de outubro, a partir das 19h na Ábaco Livros (Av. Cristóvão Colombo, 16 - Porto Alegre), e abordará a vida e a obra poética de Jean Nicholas Arthur Rimbaud.

A intenção do projeto é trazer questões relevantes sobre a obra de artistas rebeldes, ler poesia de excelente qualidade e travar diálogos inteligentes em meio a momentos agradáveis. Esperamos todos vocês.

Abraços,
Ábaco
Livros certos nas mãos certas
www.abacolivros.com.br
51 3226 3318

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

mudam as cores
mudam as cores,
originally uploaded by *L.
Cheguei ao Teatro de Arena um pouco atrasado. A porta estava chaveada, e o ruído já estava à toda. Tive que chamar o porteiro através da janela encostada na escadaria do viaduto da Borges. Entrei, paguei e ganhei protetores auriculares, aqueles usados por pedreiros em construção pesada ou operários em fábrica de carro. Sentimos imediata necessidade de usar os protetores. Lá dentro estava em ação Abesta, fazendo um ruído extremo e praticamente não variável, de modo que fiquei encasquetado com o porquê de os catarinenses estarem mexendo sem parar nos potenciômetros dos pedais e aparelhos instalados em duas mesinhas. Havia um deles, depois fiquei sabendo que era o "agitador Zimmer", que usava um capacete de caveira e batia num gongo. E também um trumpetista que parecia estar entediado e que tinha participação modesta. O Teatro de Arena é bem bonito: pequeno e com uma arena quadrada, cercada em três dos lados por arquibancadas estofadas. Além de nós, das esposas dos artistas e da organização, quem estava na platéia eram dois integrantes dos Massa - Diego e Kiko - e o trio da Wonkavision, fato que me deixou também confuso: o pop extremo interessado no ruído extremo? Acabada a única e longa música - todos os artistas que vimos (e perdemos o primeiro, do Edith10sdat) tocaram uma única e longa "música" - o show seguinte foi do gaúcho Cine Victoria (a.k.a. Guilherme Darisbo) com o recém radicado aqui Lavajato (a.k.a. D). O meu preferido, principalmente porque a performance do D foi a mais humana, experimentando com voz e dois pedais colados com fita crepe à coxa. Não gostei tanto da parte teatral de ele estar com um saco plástico asfixiante grudado em volta da cabeça e da cara. Depois, veio o "dark ambient" do carioca (dell.tree) (a.k.a. Marcelo Mendes) que tinha muita aparelhagem, muita mesma, mas o som continuava abstrato demais para mim. Preciso de repetição. Ritmo. Alguma melodia. Então comecei a engatilhar alguns escambos. Acabei com dois discos do (dell.tree), um com capa artesanal genial e o outro é um daqueles micro-CDs; um disco de "músicas inacabadas" para serem usadas por outras pessoas e transformadas em música pronta, do Cine Victoria; um disco do Cinedia (Cine Vicoria + O Dia); e um CD e dois vinis da catarinense Migué Records - mais para o lado do rock tradicional.

Balanço.

Foi um evento histórico em Porto Alegre, não-acostumada a vanguarda no rock (noise eletrônico acho que pode ser enquadrado em rock de vanguarda). O equipamento de som era perfeito, e o lugar também. O público era pequeno, mas suficiente para uma troca de figurinhas, que é um dos motores dessa cena noise brasileira. Eu ainda sinto falta do meio termo: no Brasil, ou há bandas tradicionais, ou projetos experimentais demais, que dão a impressão aos ouvintes de que não é necessário talento especial. (E eu acho que é isso mesmo que muitos deles querem passar, mas, você sabe, eu sou aquele exigente de sempre.) É mais fácil ficar juntando ruídos apenas de forma caótica, do que planejar estruturas, sejam elas complexas ou não. Mas já é um começo, e começos são sempre incipientes. Se não houvesse um começo, nunca haveria um desenvolvimento. O pouquíssimo público deve ser sinal de que muito poucos porto-alegrenses estão interessados em ousar e conhecer a ousadia, e eu percebo isso no dia-a-dia.

Já a Noisy estava bem animada do início ao fim, não houve discotecário prejudicado e não teve atrolho. Acredito que a apoteose catártica coletiva tenha sido Vitalic, dos Chemical Brothers, disparada pelo Tony. A ordem foi Éverton, eu, Tony e João. Meu setlist foi exatamente o seguinte.

Super Furry Animals - Northern lites*
Iggy And The Stooges - Search and destroy
Radiohead - Idioteque
Pulp - Like a friend*
The Fall - Oh! brother*
Man... Or Astro-man? - Interstellar hardrive
The Chemical Brothers - Block rockin' beats
Beck - The new pollution
Butter 08 - 9mm*
Nirvana - Bleed* [cantada em uníssono!]
Spacehog - Spacehog
Madonna - Into the groove
Sparklehorse - Ghost of his smile
Pearl Jam - Brain of J*
The Smashing Pumpkins - 1979
Gang Of Four - Damage goods
PJ Harvey - Long snake moan*
input_output - Joelho

* Músicas em que pessoas vieram me perguntar qual era.

- Tu tem 'The Unbelievable'?
- Não.

- O que é isso?
- Pearl Jam.
- Pearl Jam? É dos últimos?
- É do Yield.
- Os últimos são melhores, né?
- [Tive preguiça de responder que "os do meio".]

- Tem Prodigy?
- Não.
- Tu não vai ter nada do que eu pedir, né?
- Eu só trouxe isso. E da outra vez eu toquei Prodigy, hoje toquei Chemical Brothers.

- O que é isso? Soundgarden?
- PJ Harvey. [Mostrei a capa.]
- Eu sei. Tenho aquele from the city. Aquele é o melhor.

João tocou o Prodigy com a Juliette Lewis no vocal.

- Ó, tu tinha pedido o Prodigy.
- Tu vai tocar depois?
- Não, é essa que tá tocando. Com a Juliette Lewis no vocal.

Ele fez cara feia.

Chato.

***

"A Poa Róque Town e o Clube de Cinema de Porto Alegre fazem a festa oficial de encerramento do I Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, no sábado 22, a partir das 23h, no Beco. Dani Hyde (Róque Town) convida Antonio Xerxenesky, André Kleinert (cineclubistas), e Pedro Sevante, todos amantes fervorosos da sétima arte, para comporem a trilha sonora da noite (...)".

Poa Róque Town apresenta
Festa de encerramento do
I Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre
22 de outubro, sábado, 23h
Beco (João Pessoa, 203)
R$ 5 ingresso + R$ 5 consumo
Estacionamento no local, gratuito, com segurança

***

A teoria do caos é descrita como sensibilidade extrema às condições iniciais. Diferenças mínimas das condições iniciais levam o mesmo sistema a gerar resultados diversos.

O caos psicológico não é muito diferente do caos em termos de física. Apenas acrescenta-se o componente humano. O caos questiona a possibilidade de fazermos previsões de longo prazo de qualquer sistema.

Isso nos leva à teoria do efeito borboleta. Uma cadeia de eventos aparentemente sem importância que muda os acontecimentos através do tempo e nos leva a um resultado imprevisível. Tudo na vida é imprevisível, mas o que é um evento sem importância?

Na teoria do caos a infinidade de eventos nos impede de dizer que como sua mãe fez isso a você quando você era criança ou como você aprendeu a usar penico aos 2 anos, o efeito é esse. O efeito não é linear. Seria fácil tratar da teoria do caos com psicoterapia se fosse linear, mas não é. Tem a ver com um número infinito e complexo de eventos dentro do sistema que aconteceram na época para qual a pessoa regride.

"Now that science is looking, chaos seems to be everywhere." (James Gleick)

Sem dúvida o caos é o estado natural dos seres humanos. Nos referimos muito ao controle de nossas vidas. O existencialismo reza que não nascemos somos atirados num mundo bastante caótico. Refiro-me ao caos em termos leigos. Não à Teoria do Caos. Somos atirados num ambiente caótico difícil de administrar. Precisamos exercer opções a toda hora para que o caos onde estamos faça algum sentido. [É a sensação de controle. A arte é tão fascinante ao artista também porque a obra é um mundo fechado, totalmente criado e controlado pelo autor.]

O caminho do nascimento à morte é uma trajetória. É definido como imprevisível. Não há garantia de nada. As coisas dão errado. Enfrentamos ações maliciosas. Coisas maravilhosas acontecem. Como lidamos com isso reflete o que somos e o que nos tornamos. Essa é a trajetória.

Como se pode fazer previsões de longo prazo em vista dos componentes finitos de um sistema em vista da complexidade do ser humano. Um entende de um jeito, outro reage de outro modo. O efeito de uma pessoa em outra são infinitos. Não podemos fazer previsões de longo prazo.

"Chaos and order are not enemies, only opposites." (Richard Carriott)

Querer levantar informação que evitamos saber a vida inteira porque temos medo que altere o sistema que estabeleça o caos nos sistemas é um desafio muito atraente.

Somos impactados por muitas pequenas informações que nem sempre vemos. Mas se você estiver ligeiramente deprimido ou feliz se pensar, verá que está assim por causa de um pequeno evento. Pode ser algo muito bonito que você viu e tal faz com que você se sinta bem. Somos muito sensíveis. Eu diria que somos caóticos.

Se eu sentir medo de ser assaltado quando andar nas ruas de Nova York vou me tornar muito defensivo. Ao me tornar defensivo, eu me torno um alvo e portanto passo a atrair aquilo que tenho medo. O caos e o medo do caos, atraem mais caos.

"Chaos was the law of nature; order was the dream of man." Henry Brooks Adams

Todos nós queremos controlar nossas vidas para podermos nos sentir seguros. Com sorte tomamos decisões boas sobre o que é seguro escolher parceiros que nos façam sentir seguros e confiantes e que nossas decisões nos façam sentir segurança e confiança. Fora isso aperte o cinto. Preste atenção. Saiba quem você é e qual é o sentido de tudo: eu penso, sinto, dou valor. E apronte-se para crescer.

Será que o caos é ruim? Se vivermos em uma sociedade que entende e convive com o caos estaremos tratando do conceito psicológico de espontaneidade conseguir viver o momento poder conviver com a realidade e não tentar controlar os fatos. Se pudermos viver o momento, conviver com o atual que é outro termo psicológico. Se pudermos aceitar os fatos não seria tão necessário tentar controlar o que o futuro pode trazer.

"Chaos is a friend of mine." (Bob dylan)

Ao se tornar defensivo, você acaba por se tornar um alvo e por tanto passa a atrair aquilo que se teme. O caos e o medo do caos atraem mais caos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

fragile
fragile,
originally uploaded by liliths_nymph.
"Fui convidado para participar de um seminário com Jean Baudrillard, 19 de outubro em Porto Alegre, no Salão de Atos da UFRGS. Fiquei honrado, pois adoro o Baudrillard. A Academia odeia-o, pois ele chuta sem parar, mas faz gols de placa. E ele é muito mais estimulante que as melancólicas carpideiras do Sentido. Ele caminha sem esperança, um filhote de Nietzsche, ousando ser intempestivo, e está no portal de um tempo ilógico quando, mesmo assim, teremos de continuar pensando. Parodiando o próprio Baudrillard, repito aqui algumas 'profecias' que já escrevi neste espaço, pouco antes da zorra que se abateu no mundo com a chegada dos flagelos gêmeos: Bush e Osama, que cavam o buraco negro da razão. Vamos a isso.

"No século 21, por causa da aceleração do espaço-tempo, da biotecnologia e da virtualidade da vida, teremos, cada vez mais, o desespero da 'instantaneidade'. O aqui e o agora vão ser fugazes. O passado será chamado de 'depreciação'; teremos nostalgia de um presente que não tem repouso e angústia por um futuro que não pára de 'não' chegar.

"Será o fim do fim. Qualquer esperança de síntese será ridícula. O mundo será fragmentário, um fluxo sem nexo, e nossa infinita desimportância no universo ficará nua. Como poderemos ser humanos perante a ascensão incontrolável da tecnologia?

"Teremos saudades da linearidade, da perspectiva, do princípio, do meio e do fim; teremos saudades do inútil e da lentidão. A indústria sentirá este mercado potencial e, além de nos vender celulares e palmtops, também inventará drogas da câmera lenta, do vazio, do inerte, do descanso pelo tédio.

"Definitivamente, haverá o fim do 'sujeito'. Os últimos resquícios desta ilusão individual serão abolidos. No séc. 21, seremos todos objetos, sem o charme de qualquer sentimento de especialidade. Mergulhados em uma incompreensão total dos signos, nenhuma razão nos restará a não ser as regras de ouro de manutenção dos mercados, estes sim, definitivamente organizados, lógicos e previsíveis. As corporações serão proprietárias exclusivas das 'grandes narrativas'.

"Como a História será incompreensível, talvez floresçam Parques Temáticos de Sentido (os PTS), onde poderemos viver epopéias que acabam bem ou grandiosas apoteoses de pessoas ou nações. Como os filmes de hoje prefiguram, teremos Hiper-Hollywoods transcendentais. (...)" (Arnaldo Jabor)

O restante, metade final do texto, era o tradicional exagero apocalíptico (incluindo que a arte desapareceria por causa dos efeitos especiais...) com as contaminações da sociologia. Até aqui foi genial.

***

Que me desculpem aquelas do trio que são minhas amigas, mas eu, como anti-fã do referido filme, declaro que a alucinação coletiva com relação ao mesmo está chegando ao nível do descontrole. De qualquer forma, está divulgado:

Você já imaginou a Amélie Poulain dançando rock? Pois é, nós imaginamos
e resolvemos fazer uma festa exatamente assim!

Discotecagem do trio Fofoletes Glitterérrimas (CrisGrings, AmandaReche
e MarianneDill)

Dance Rock, Amélie!
05 de novembro, sábado
Beco (João Pessoa, 203)
$10 - valem uma ceva

Amanda Reche has invited you to join 'Dance Rock, Amélie!'.

***

Esse é o Tony. "Fui parado numa barreira policial hoje enquanto dirigia. Pediram os documentos.
Perguntaram o que tinha no porta-malas.
Eu disse 'dois casacos'. Falei brincando 'Sinto muito, mas não estou carregando drogas' e sorri."

***

Agora um flyer menor.



Vá.

***

O Autechre cancelou a vinda ao Tim Festival, e a gravadora Warp mandou um substituto também do seu cast, um Jamie sei lá das quantas. Toca junto com Vincent Gallo e M. Takara.

***

Vou substituir o João Perassolo na discotecagem de sábado na Noisy Toca Strokes, no Garagem. Reforçarei o time já escalado com DJ Jaspion (mais conhecido como Éverton) e Antônio Xerxenesky (o Tony). O que eu poderia dizer? Vão. Ide vós.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

esta manhã
esta manhã,
originally uploaded by *L.
O caminhão de equipamentos do Sonic Youth, roubado em 1999, no sul da Califórnia, está quase sendo recuperado, segundo o (jornal?) Los Angeles CityBeat. Parece que o ladrão é um fã. Imagina se eles recuperam tudo até o show em São Paulo e tocam com aquelas máquinas de ruído usadas em Experimental Jet Set, Trash And No Star? O Sonic Youth vai lançar o sexto título do selo SYR antes do fim do ano. SYR 6 documentará uma performance com o baterista/percussionista Tim Barnes em 12 de abril de 2003 no Anthology Film Archives, em Nova York. A Pitchfork, nesta matéria que estou traduzindo aqui, anunciou a agenda da banda:

10-26 Paris, France - Cite de la Musique (John Lennon tribute)
10-27 Paris, France - Cite de la Musique (John Lennon tribute)
10-28 Valencia, Spain - Greenspace
11-26 Sao Paulo, Brazil - Claro E Rock Festival
11-27 Rio de Janeiro, Brazil - Claro E Rock Festival

O SY está em fase de pré-produção do próximo álbum de estúdio, provisoriamente chamado de Sonic Life, que marcará o fim do contrato atual com a gravadora do namorado do Keanu Reeves, a Geffen. A Kim Gordon disse que o álbum será "very song-oriented", ou seja, seguirá a linha dos dois mais recentes. Mas talvez haverá uma mudança: o mesmo Los Angeles CityBeat diz que o Jim O'Rourke não est(ar)á mais na banda.

***

"Pode preparar seu bichinho de pelúcia, sua luva verde do Caco o Sapo, o sangue de mentira. Wayne Coyne afirmou à produção do festival Claro Que É Rock (26 e 27 de novembro) que o Flaming Lips vem com seu show inteiro, o que significa toda a bizarrice acima mais o telão engraçado, a chuva de confetes e ela, a enorme bolha de plástico em que Coyne entra e caminha sob o público. (...) A idéia de convidar os Lábios Flamejantes de Oklahoma nasceu por sugestão de Brian Molko, o vocalista do Placebo. Numa conversa entre a galera da banda inglesa e a produção do festival brasileiro, em abril, Molko sugeriu o Flaming Lips para o line up do festival de novembro, tratando-o como 'o melhor show que já vi na vida. É como ir numa festa de aniversário de criança viajando de ácido!'" (LR)

***

AGORA: ARTE E PENSAMENTO 2005

Promoção
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da PUCRS
Instituto Goethe
Movimento Transverso

Apoio
Faculdade de Direito da PUCRS
Bienal do Mercosul

Auditório da Arquitetura da PUCRS (Térreo do Prédio 9)
Investimento: R$ 35,00
Inscrições: PROEX (Pró-Reitoria de Extensão da PUCRS)
Telefone: (51) 3320 3680 Fax: (51) 3320 3543, proex@pucrs.br
Av. Ipiranga, 6681 (Prédio 40, sala 201)
Valerá como atividade complementar (20h)
Será fornecido certificado de participação.

[Tem vários subeventos, mas eu destaco estes dois:]

24.10 - Segunda-feira

14h45min
A Música Contemporânea
Antônio Carlos Borges Cunha (UFRGS)
Fernando Mattos (UFRGS)
Ronel Alberti da Rosa (PUCRS)
Coordenador: Donaldo Schüler (PUCRS)

16h45min
Artes Visuais e Perspectivas da BIENAL
Claudia Paim (UFRGS)
Elaine Tedesco (ULBRA)
Gaudêncio Fidelis (Curador Adjunto da BIENAL)
Coordenador: Eduardo Veras (Zero Hora)

***

Yury Hermuche (Frank Poole) escreveu: "Cara, estou muito contente: acabei de comprar a melhor guitarra da minha vida. Uma fender jaguar. Agora eu só penso numa coisa: fazer barulhos novamente!" Não vejo a hora.

***

Pelicano está planejando... (Leia no site.) E vem aí a versão banda do input_output. A formação live está em testes. Tocarei baixo.

***

Eu é que agradeço. "Douglas. Saí do serviço às 18h45min. Durante o retorno para casa, me surpreendia tendo que fazer um esforço enorme - para manter a atenção por entre o vidro embaçado do carro e a água que nele caía vencendo o trabalho do limpador do pára-brisa - devido a uma súbita e inexplicável vontade de ler a tua poesia. Ao chegar em casa, após o ritual diário de tentar retirar os resquícios dos fluidos imundos do meu corpo, da minha mente, me atirei no sofá e devorei as tuas páginas do livro. A cada verso que eu lia, mais entendia o porquê da sensação que há poucos instantes sentia enquanto ia - e cada vez mais eu ia. Foi como se tuas palavras gritassem tudo o que existe de mais profundo em mim, o que escondo para conseguir minha inclusão no mundo dos normais, ou anormais... Eu precisava te escrever. Talvez tu entendas, talvez não, me desconheces. O importante agora é que saibas o quanto fez o bem pra mim. Escrevo essas sob a imensa vontade de permitir meu pranto, no entanto contenho minhas lágrimas para não despertar aqueles que não me compreendem. Despeço-me com a necessidade de te dar um grande abraço. Obrigada." (Lissandra Pinto)

***

Sábado dia 15 haverá o primeiro show (ao vivo/de banda) no Beco. O Eduardo Normann, produtor do evento, diz: "Vamos baixar a bancada do DJ, empurrá-la para o fundo, pôr a bateria em cima e mandar ver."

***



O coletivo Antena executa, nos dias 15 e 16 de outubro, às 20:00, o show RUÍDO INTENSO PARA PESSOAS CURIOSAS. No Teatro de Arena, alto do viaduto da Avenida Borges (835). Porto Alegre.

Show de música eletroacústica ruidosa, com os grupos:

Lavajato (Rio de Janeiro/Porto Alegre)
Cine Victória (Porto Alegre)
(dell.tree) (Rio de Janeiro)
ABesta (Florianópolis)
editH10Sdat (Porto Alegre).

Ingressos a R$ 5,00

Som: Luciano Menezes
Luz: Iria Izabel Barcellos

O que é o Antena?

Antena é um coletivo virtual de produtores de música eletroacústica e eletrônica não-convencional. Tem membros em Porto Alegre, Santa Maria, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Campinas, Recife. Trabalha com os estilos noise, ambient, eletroacústico e similares. Mantem um cronograma constante de lançamentos de discos virtuais, em MP3, para download gratuito em seu site. Busca sempre novos artistas interessados em colaboração, para divulgar e fortalecer o cenário já existente.

Como vai ser o show?

O duo de teremins ABesta cria seu harsh noise utilizando objetos metálicos e geradores de ruído. O projeto editH10Sdat cria sonoridades mais delicadas, a partir de seu laptop. Os projetos Lavajato e Cine Victória fazem seu primeiro show em parceria, disparando sons em fitas analógicas e utilizando captadores em peças de plástico e no corpo humano. (dell.tree), do consagrado tecladista Marcelo Mendes - um dos coordenadores das apresentações eletroacústicas na loja carioca Plano B, citadas na revista Bizz deste mês - usa também laptop, mas processado por módulos de efeito, numa sonoridade ambiente que se aproxima da eletrônica vintage.

CDs, camisetas e demais produtos Antena estarão à venda no hall do teatro.

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

AdoGGyConversation
AdoGGyConversation,
originally uploaded by crabbygobyebye.
"A delicadeza e a fragilidade são a frescura do ser", diz o personagem Stalker, no filme homônimo do russo Andrei Tarkovski. Frescura no sentido de fresco, de frescor, em oposição ao duro e ao morto, que é duro. O ser é frágil, e são muitos os mecanismos que ele usa para lidar com essa fragilidade, desde a coragem - e aceitação natural da realidade - até a covardia. A covardia é a pior delas. A artificialidade. Esconder-se dentro de uma coisa falsa, e essa coisa jamais é o próprio ser, pois o ser é único, e a coisa é reproduzível, imitável. Irrita-me o fato de haver essas pessoas que determinam que tais palavras, tais roupas, tais atitudes são abomináveis, ridículas, bregas, enfim, inferiores. Elas negam muito. E se fecham dentro de uma tribo - sim, tribo - de iguais. Não enxergam cada indivíduo como sendo ele próprio, mas o vêem inconsciente e instintivamente como sendo alguém mais forte - por ser mais tolerante e portanto menos limitado, e por não ter medo de expor sua fragilidade (afinal, por que negar-se a si mesmo?) - do que elas, e então o medo faz armarem os espinhos. É a velha atitude viciosa de não enfrentar o problema pela raiz, que está sempre dentro de si. A atitude dos recalcados. E se disfarçam de superiores: são os duros, não os delicados.

***

Date: Tue, 04 Oct 2005 19:00:04
To: douglasdickel
From: "Sonic Youth"
Subject: Sonic Youth Fall 2005 Newsletter

SONIC YOUTH FALL 2005 NEWSLETTER

UPCOMING LIVE DATES

The summer?s touring has wound down, but SY has a few more live dates coming up. Sonic Youth will perform twice in Paris as part of the John Lennon Tribute at Cite de la Musique October 26 and 27, and will travel to Valencia, Spain on the 28th for a festival date with Enrico Morente, including a collaborative performance between Morente and SY. On the 26th and 27th of November, SY will be in Sao Paulo and Rio de Janeiro Brazil at the Claro E Rock (sic) Festival with Iggy and the Stooges and the Flaming Lips.

***

Peligro Discos
Informativo #33
05/10/2005

== Mais Vendidos ==

Nacionais

01. Nancy "As Doença" (Open Field / Peligro)
02. Tony da Gatorra "Só Protesto" (Open Field / Peligro)
03. input_output "eu contenho todos os meus anos dentro de mim" (Open Field / Peligro)
04. Hurtmold "Mestro" (Submarine)
05. Blue Afternoon "Folxploitation" (Bizarre)
06. Blue Afternoon "Radio Sessions" (Open Field)
07. Blanched "Blanched toca Angelopoulos" (Independente)
08. Pessoas do Século Passado "Pessoas do Século Passado" (Slag)
09. M. Takara "M. Takara" (Submarine)
10. Grenade "Grenade" (Slag)

***

Quinta-feira da semana passada peguei 2,5 Gb de música nova com o João Perassolo. Amen, Aphex Twin, Autechre, Tetine, Slayer, Fantômas, Arab Strap, The Sea And Cake, Nick Cave, Objeto Amarelo, O Dia, Fennesz, Le Tigre, Blue Afternoon, Tindersticks, Vincent Gallo, Matmos e muitos outros discos de que eu não me lembro agora.

***

Confira a programação oficial e completa do Festival Fantástico, do Clube de Cinema de Porto Alegre.

***

Ingressos comprados pelo amigo Luis Pedro, passagens aéreas compradas agora - nos mesmos vôos de ida e volta, pela Gol, de Vicente, Vinícius, Madi e Jorge, e talvez muitos outros conhecidos. Sonhei com o Thurston Moore, e ele falava português. Acompanhei a passagem de som.

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

sf7
sf7,
originally uploaded by avolare.
CAMPBELL, Joseph. A Jornada do herói.

" . . . eu estava em uma plataforma com um dos astronautas (Russell Schweickart). Ele me falou de uma vez em que teve que realizar uma ação extranave - sair do módulo enquanto estava voando pelo espaço. E já estava vestido com a roupa espacial, ligada ao módulo por um cordão umbilical - devia tirar fotos, ou coisa assim, ao redor da máquina, enquanto um trabalho paralelo se desenvolvia no interior do módulo. Mas algo saiu errado no interior, de modo que ele ficou por uns cinco minutos sem poder fazer nada. Bem, os astronautas sempre têm de executar muitas tarefas para manter-se ocupados. Portanto, não deveriam passar pela experiência daquele astronauta em particular. Ele estava lá, sozinho no espaço exterior, voando a 27.000 Km/h. Não havia som algum. Nem um sopro de ar, e lá em cima estava a Terra, e lá fora estava a Lua. Agora, pensem um minuto no que estava acontecendo a esse cara."

***

ARRIEN: Será que existe algo no amor ou no romance que não seja uma projeção? Ou será que é somente a projeção de uma imagem ideal que nos une?

CAMPBELL: Eu realmente descobri, olhando em torno de mim, que o amor romântico tal como o vejo é esse ideal, a anima. Anima é o ideal que trazemos dentro de nós e projetamos em diferentes entidades externas e com a qual nos unificamos. Logo começamos a ver através da projeção. E o que acontece?

ANDRESEN: Existe um grande romance que seja duradouro?

FAVROT: Eis uma boa pergunta. Às vezes, quando se lê Jung, por exemplo, parece que não existe espaço para o grande romance existir, porque em última análise tudo é uma projeção, no seu esquema, que se coloca na anima ou no animus. Eu me pergunto...

CAMPBELL: A grande provação no casamento é deixar que a projeção se dissolva e aceitar o que resulta disso. Quando isso se realiza, pode-se ter um relacionamento amoroso muito rico que perdura. (...) Abandone a projeção e aceite o que há.

***

COCKRELL: Eu li um texto de Kant sobre "O belo e o sublime". Uma das coisas que ele diz é que as mulheres são belas e os homens, sublimes. E que uma das funções do homem é instaurar o sublime nas mulheres, para que essa qualidade, desenvolvendo-se nelas, as torne sublimes à medida em que sua beleza vai desaparecendo. (...)

CAMPBELL: (...) Lembro-me desse ensaio de Kant. Há nele uma frase que nos vem de uma discussão de Dante sobre o belo e o sublime que guardei, e me fez sentir que Kant era um poeta em potencial. Ele dizia que olhos azuis são belos e olhos escuros são sublimes. A beleza evoca, o sublime despedaça. O sublime é experimentado - quero dizer, verdadeiramente sublime - quando enormes espaços ou áreas de grande poder estão envolvidos. Por exemplo, quando se está em uma cidade em que ocorre um bombardeio até a saturação, pode-se experimentar o sublime. É isso mesmo! Enquanto se estiver ali. Isso é o sublime. O sublime abala, sobrepuja.

Blanched (Leonardo McFleck chega sábado, às 10h) e Pelicano (estamos criando mais três músicas) estão cadastradas no Projeto Rock 2005, site dos bastidores do Claro Q É Rock.

Palcos A & B.
BANDA: HORÁRIO: PALCO:

Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta 15:00 15:25 B
Volpina 15:25 15:50 B
Cartolas 15:50 16:15 B
Star61 16:15 16:40 B
CACHORRO GRANDE 16:40 17:25 A
Spiegel 17:25 17:50 B
10zer04 17:50 18:15 B
Os Imperdíveis 18:15 18:40 B
MopTop 18:40 19:05 B
GOOD CHARLOTTE 19:05 20:10 A
NAÇÃO ZUMBI 20:10 21:05 B
SUICIDAL TENDENCIES 21:05 22:10 A
THE FLAMING LIPS 22:10 23:15 B
IGGY AND THE STOOGES 23:15 00:35 A
SONIC YOUTH 00:35 01:55 B
NINE INCH NAILS 01:55 03:10 A

***

Michael Winterbottom é o pior diretor da história. Boas idéias como 24 Hours Party People, 9 Songs e Code 46 contrastam com os resultados sofríveis.

***

aves que engordam
uma oração de vicente renner & douglas dickel

ave kim gordon cheia de graça
thurston moore é convosco
bendita sois vós entre as mulheres
e bendito é o fruto de tanta distorção, sonic youth
santa kim, mãe da coco
rogai por nós reles fruidores
agora e na hora da nossa sorte (de vê-los)
a man

***

Top 11 diretores.

1)LYNCH
2)TARKOVSKJ
3)gondry
4)VON TRIER
5)gallo
6)VINTERBERG
7)HARTLEY
8)LINKLATER
9)MEDEM
10)van sant
11)moodysson