"A única bomba atômica que eu quero é uma que quando explodir saiam flores."
"Por mim, a arma mais perigosa que existiria é o estilingue."
(Lula)
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segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Ascensorista versus Usuário de Elevador, na luta pelo título mundial dos pesos pesados.
Ela, diz "Disponha" a cada e todo "Obrigado" recebido! Diz o número do andar quando tem só uma pessoa dentro do elevador e ele chega no único andar marcado! Diz "Térreo" quando o elevador está descendo, cheio de gente para chegar no térreo e ele chega no térreo! Responde "Sobe" ou "Desce" quando alguém pergunta "Desce?" ou "Sobe?" e nunca responde "Não" ou "Sim".
Ele, diz "Obrigado" à Ascensorista cada e toda vez que ela abre a porta do elevador para ele descer! Aperta todos os botões de sobe e desce, mesmo quando quer fazer apenas uma das ações! Fica no fundo do elevador quando é um dos primeiros a descer! Grita "Sobe" (ou "Desce") quando o elevador chega e a Ascensorista grita "Sobe" (ou "Desce") e ele não está no campo de visão dela, ao invés de gritar coisas como "Espera"!
Não perrcamm.
Ela, diz "Disponha" a cada e todo "Obrigado" recebido! Diz o número do andar quando tem só uma pessoa dentro do elevador e ele chega no único andar marcado! Diz "Térreo" quando o elevador está descendo, cheio de gente para chegar no térreo e ele chega no térreo! Responde "Sobe" ou "Desce" quando alguém pergunta "Desce?" ou "Sobe?" e nunca responde "Não" ou "Sim".
Ele, diz "Obrigado" à Ascensorista cada e toda vez que ela abre a porta do elevador para ele descer! Aperta todos os botões de sobe e desce, mesmo quando quer fazer apenas uma das ações! Fica no fundo do elevador quando é um dos primeiros a descer! Grita "Sobe" (ou "Desce") quando o elevador chega e a Ascensorista grita "Sobe" (ou "Desce") e ele não está no campo de visão dela, ao invés de gritar coisas como "Espera"!
Não perrcamm.
O grifo é meu.
"O Douglas insistiu, eu demorei, mas finalmente fui ao site da Blanched e baixei os mp3 do novo EP deles, 'Ter estado aqui'. Que troço bom pra cacete. O som das guitarras é de dar vergonha na maioria das outras bandas independentes do RS. Definitivamente irei ao próximo show. É sério, é muito bom. Baixem os mp3 lá no site deles." (Galera)
"O Douglas insistiu, eu demorei, mas finalmente fui ao site da Blanched e baixei os mp3 do novo EP deles, 'Ter estado aqui'. Que troço bom pra cacete. O som das guitarras é de dar vergonha na maioria das outras bandas independentes do RS. Definitivamente irei ao próximo show. É sério, é muito bom. Baixem os mp3 lá no site deles." (Galera)
Eu não sei por que o David Lynch fez The Straight Story (História Real). E tem a Walt Disney por trás. O velho que faz o Alvin Straight é um ótimo ator (concorreu a ator coadjuvante mas não ganhou o Oscar); a Sissy Spacek (que fez Carrie, A Estranha), uma boa atriz; os enquadramentos, perfeitos; e o meio de transporte, surreal. Ponto.
Nos últimos meses semanas dias (em ordem cronológica inversa):
1- SÁBADO PASSADO. O chuveiro estragou (parou de sair água por ele) e os consertadores cujos números de telefone eu tinha só podiam atender na segunda-feira.
2- SEXTA PASSADA. Encontrei estilhaçado o vidro da porta esquerda do meu carro dentro do estacionamento pelo qual eu pago 60 reais por mês. Roubaram um urso polar de pelúcia, que era a alma do carro, e um macaco-leão que a minha mãe deu de presente. Roubaram ainda dois óculos de sol. De vandalismo, só arrancaram os botões do rádio-toca-fitas velho, provavelmente tentando arrancá-lo do painel. Não levaram um estojo com 15 fitas nem quatro folhas de cheque. Eu vi isso na sexta à noite. Até a manhã de sábado, tive que deixar o carro numa garagem com porteiro-vigia, o que custou 8 reais. O vidro novo custou 65 reais e a sua instalação, 40.
3- SEXTA PASSADA. Meu salário entrou numa conta do Banrisul que eu já fechei duas vezes.
4- SEGUNDA PASSADA. O cheque com que eu paguei o computador voltou porque a conta nova do Banrisul, onde era para estar meu salário, estava vazia.
5- QUINTA RETRASADA. Foi-me entregue o computador novo que eu comprei. Fiz uma lista de NOVE erros. Entre eles, o drive de disquete, o modem e o gravador de CD, que não estavam funcionando.
6- TERÇA RETRASADA. Um carro forte bateu na minha traseira na esquina da Pará com a São Pedro, por causa do alagamento que sempre acontece em dia de chuva em Porto Alegre que molhou a lona do freio.
7- Bateram na traseira do meu carro na BR-116 em Canoas.
8- Furtaram a minha carteira de dentro da minha mochila que estava nas minhas costas num ônibus da linha Santana do Mercado até a Cauduro. Só percebi quando fui pegar o ônibus de volta ao Centro, aí o ladrão já tinha sacado todo o dinheiro da minha conta do Santander, onde eu recebia do Jornal NH. Não só isso, fizeram um empréstimo, totalizando 1.000 reais de prejuízo. Meus documentos não apareceram até hoje.
9- O Detran de Brasília não responde e-mail e seu telefone está sempre ocupado, impossibilitando que eu retire a segunda via dos documentos do carro e perigando uma multa.
10- No alagamento mais feio deste ano, eu estava indo para o ensaio da Tom Bloch quando o carro estragou na Farrapos. Com dois teclados no porta-malas e o carro sem seguro. Não tinha como empurrar porque o trânsito estava trancado. Fiquei duas horas ali até que um cara aceitou ajudar, empurrar para uma "oficina" numa rua transversal escura. Quando o carro pegou, eu fui embora. Notei no caminho que a maleta de ferramentas dele tinha ficado no chão do banco do caroneiro. Abri a tampa e o que havia era uma adaga-faca-espada feita em casa com cabo de fita isolante.
O Azar é infinito e os traumas vão se acumulando, sem volta.
1- SÁBADO PASSADO. O chuveiro estragou (parou de sair água por ele) e os consertadores cujos números de telefone eu tinha só podiam atender na segunda-feira.
2- SEXTA PASSADA. Encontrei estilhaçado o vidro da porta esquerda do meu carro dentro do estacionamento pelo qual eu pago 60 reais por mês. Roubaram um urso polar de pelúcia, que era a alma do carro, e um macaco-leão que a minha mãe deu de presente. Roubaram ainda dois óculos de sol. De vandalismo, só arrancaram os botões do rádio-toca-fitas velho, provavelmente tentando arrancá-lo do painel. Não levaram um estojo com 15 fitas nem quatro folhas de cheque. Eu vi isso na sexta à noite. Até a manhã de sábado, tive que deixar o carro numa garagem com porteiro-vigia, o que custou 8 reais. O vidro novo custou 65 reais e a sua instalação, 40.
3- SEXTA PASSADA. Meu salário entrou numa conta do Banrisul que eu já fechei duas vezes.
4- SEGUNDA PASSADA. O cheque com que eu paguei o computador voltou porque a conta nova do Banrisul, onde era para estar meu salário, estava vazia.
5- QUINTA RETRASADA. Foi-me entregue o computador novo que eu comprei. Fiz uma lista de NOVE erros. Entre eles, o drive de disquete, o modem e o gravador de CD, que não estavam funcionando.
6- TERÇA RETRASADA. Um carro forte bateu na minha traseira na esquina da Pará com a São Pedro, por causa do alagamento que sempre acontece em dia de chuva em Porto Alegre que molhou a lona do freio.
7- Bateram na traseira do meu carro na BR-116 em Canoas.
8- Furtaram a minha carteira de dentro da minha mochila que estava nas minhas costas num ônibus da linha Santana do Mercado até a Cauduro. Só percebi quando fui pegar o ônibus de volta ao Centro, aí o ladrão já tinha sacado todo o dinheiro da minha conta do Santander, onde eu recebia do Jornal NH. Não só isso, fizeram um empréstimo, totalizando 1.000 reais de prejuízo. Meus documentos não apareceram até hoje.
9- O Detran de Brasília não responde e-mail e seu telefone está sempre ocupado, impossibilitando que eu retire a segunda via dos documentos do carro e perigando uma multa.
10- No alagamento mais feio deste ano, eu estava indo para o ensaio da Tom Bloch quando o carro estragou na Farrapos. Com dois teclados no porta-malas e o carro sem seguro. Não tinha como empurrar porque o trânsito estava trancado. Fiquei duas horas ali até que um cara aceitou ajudar, empurrar para uma "oficina" numa rua transversal escura. Quando o carro pegou, eu fui embora. Notei no caminho que a maleta de ferramentas dele tinha ficado no chão do banco do caroneiro. Abri a tampa e o que havia era uma adaga-faca-espada feita em casa com cabo de fita isolante.
O Azar é infinito e os traumas vão se acumulando, sem volta.
sexta-feira, 27 de setembro de 2002
Ninfetas ou lolitas são tão provocantes porque oscilam confusamente entre a ingenuidade e o sexo.
Tinha uma menina ontem no metrô com rosto e seios aparentando de 12 anos mexendo na camisa de um homem que aparentava no máximo 40. Achei bizarro. Fiquei confuso. Estavam de pé. Ele mexeu no olho dela. Ela tinha quadril e movimentos aparentando de 15 anos. Pendurou-se na barra horizontal e ficou impulsionando as pernas e por tabela o corpo para frente e para trás. Sua blusinha amarela subiu e sua barriga provocava vontade de mastigar, ainda mais mexendo e tomando infinitas formas diferentes, uma mais bonita que a outra. Foi uma das coisas mais bonitas que eu já vi em termos de barriga.
Fiquei com medo de ficar olhando aquilo, medo de me considerarem pedófilo ou de o cara ser o pai dela e não gostar da minha atitude. Medo besta, não devia ter. (Ou devia?) Lá pelas tantas, ouvi ela chamá-lo de pai. Ela era a cara dele. Antes de descer, ela ainda ficou mexendo na barriga na calça jeans na calcinha de bichinhos, passando o dedão por baixo duma e por baixo doutra, arrumando. Se as adultas fossem infantis assim seriam mais provocantes. (Ou não?)
Tinha uma menina ontem no metrô com rosto e seios aparentando de 12 anos mexendo na camisa de um homem que aparentava no máximo 40. Achei bizarro. Fiquei confuso. Estavam de pé. Ele mexeu no olho dela. Ela tinha quadril e movimentos aparentando de 15 anos. Pendurou-se na barra horizontal e ficou impulsionando as pernas e por tabela o corpo para frente e para trás. Sua blusinha amarela subiu e sua barriga provocava vontade de mastigar, ainda mais mexendo e tomando infinitas formas diferentes, uma mais bonita que a outra. Foi uma das coisas mais bonitas que eu já vi em termos de barriga.
Fiquei com medo de ficar olhando aquilo, medo de me considerarem pedófilo ou de o cara ser o pai dela e não gostar da minha atitude. Medo besta, não devia ter. (Ou devia?) Lá pelas tantas, ouvi ela chamá-lo de pai. Ela era a cara dele. Antes de descer, ela ainda ficou mexendo na barriga na calça jeans na calcinha de bichinhos, passando o dedão por baixo duma e por baixo doutra, arrumando. Se as adultas fossem infantis assim seriam mais provocantes. (Ou não?)
INCONTINÊNCIA foi o Velvet Underground usar um conto como letra de música - ou escrever uma letra que é um conto. The Gift (Lou Reed/John Cale/Sterling Morrison/Maureen Tucker) está no segundo álbum da banda, White Light/White Heat, o primeiro sem o Andy Warhol dando palpite, sem a Nico e a exigência de compor coisas para ela cantar. Provavelmente quem escreveu a - óptima - história de Waldo Jeffers e Marsha Bronson foi o Lou Reed, e quem recita, com sotaque meio britânico, é o John Cale.
quinta-feira, 26 de setembro de 2002
Depois de vários experimentos com bocejos cheguei à conclusão de que eles não são transmissíveis pela visão. O tato e o paladar estão descartados. Então as hipóteses são duas. Pode haver um som emitido no bocejo que nosso ouvido e nossa mente não percebem através da consciência, mas esse som é que provocaria inconscientemente a vontade de imitar o bocejador-transmissor. Uma segunda possibilidade, mais improvável, é um cheiro que sai do organismo na hora de esgaçar a boca que, da mesma forma que o som da teoria anterior, só atinge o lado escuro do cérebro.
quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Eu não entendo esses literais sem-vergonha que assinam Luís Fernando Veríssimo e ficam espalhando textos pela internet. Ou talvez entenda! Pode ser uma coincidência, alguém com o nome foneticamente idêntico ao do Luis Fernando Verissimo, só que com dois acentos agudos a mais. Assim como há um tal de Érico Veríssimo, cujo nome foi dado a ruas e auditórios, como o do Centro de Ciências da Comunicação da Unisinos, que teve a sorte de ser batizado com o mesmo nome, foneticamente, do autor de O Tempo E O Vento.
Deixando a ironia de lado, o próprio LFV famoso encorajou o seu falsificador a assinar com o verdadeiro nome, pois considerou bom o texto do rapaz e não haveria por que ele deixar de ter a fama endereçada a si mesmo. Isso na época do texto falando mal do FHC, se não me engano. Em duas semanas, recebi duas dessas, muito provavelmente, falsificações. Uma era dita como verídica, na qual um homem narrava sua experiência de se cagar todo, e a outra era uma oração dos estressados, ambas sem a sutileza do pai do Pedro, coisa que já se nota nesse meu relato sintético.
Deixando a ironia de lado, o próprio LFV famoso encorajou o seu falsificador a assinar com o verdadeiro nome, pois considerou bom o texto do rapaz e não haveria por que ele deixar de ter a fama endereçada a si mesmo. Isso na época do texto falando mal do FHC, se não me engano. Em duas semanas, recebi duas dessas, muito provavelmente, falsificações. Uma era dita como verídica, na qual um homem narrava sua experiência de se cagar todo, e a outra era uma oração dos estressados, ambas sem a sutileza do pai do Pedro, coisa que já se nota nesse meu relato sintético.
domingo, 15 de setembro de 2002
Duas frases boas tiradas dum blog:
Nossa. Dormi como um cocô essa noite. Que delícia!
- Tu mudou a história do meu pau pra sempre.
Nossa. Dormi como um cocô essa noite. Que delícia!
- Tu mudou a história do meu pau pra sempre.
sexta-feira, 13 de setembro de 2002
O metrô é o melhor lugar para se observar pessoas e flertar (melhor que a *Noite*, pasmem e morram discordando os ordinários). Cheguei a esta conclusão ontem. Os bancos e os ferros de se segurar são dispostos minuciosa e harmoniosamente para tornar o ambiente agradável e facilitar o contato visual - e até físico - entre os passageiros. Coisa que não acontece numa merda de ônibus.
Passei a usar metrô todos os dias desde o cursinho pré-concurso público, no qual eu passei e por isso agora eu trabalho em Porto Alegre morando em São Leopoldo. No meio, teve um intervalo de três meses e meio, apenas. (Durante TODA a minha carreira - blargh - de jornalista - blergh.)
No metrô eu não dirijo e não corro o risco de bater o carro e por isso não fico nervoso e com os músculos pedra, eu leio livros no tempo longo necessário para transportar-me de uma cidade até a outra ou observo as pessoas, principalmente a estética das mulheres, o que não deixa de ser um flerte (Luft: namoro leve, de passatempo).
A julgar pelo Regime de Contato Visual e Físico da nossa Cultura e pelas estatísticas de ocorrências desse tipo comigo, o metrô é o melhor lugar para se observar pessoas e flertar. Esta semana, foram duas ocorrências graves, uma de contato visual e outra de físico.
O físico foi o clássico de filmes mão-na-mão no ferro de se segurar. Eu estava segurando com a mão esquerda num ferro dos verticais. Entrou uma menina numa estação adiante e segurou com a mão direita no mesmo ferro. Embaixo da minha. Mexeu de leve e encostou a mão dela na minha. Trocou de debaixo para em cima. Mexia um pouco a cada minuto até que as mãos ficaram se encostando. Eu senti algo gelado. Ou a mão dela estava fria, ou era algum anel no dedo mínimo, ou as cerca de dez pulseiras fininhas douradas. Eu olhava para as janelas do lado do Lago Guaíba e ela olhava para as janelas do lado da BR-116. Quando vagou lugar para sentar ela destacou a mão e foi sentar, ficando na mesma posição até na hora de descer. Sentada curvada para a frente com uma mão segurando o queixo. Talvez arrependida.
O visual foi quando eu fiquei sentado entre o Gordinis e um outro cara que trabalha com o mesmo tipo de coisa que ele, encostados na janela do lado da BR-116. Embarcou uma menina de uns 19 anos com casaco amarelo. Parou se segurando no ferro vertical de se segurar bem na minha frente. Ouvia as conversas e olhava para os três, sobretudo para mim, que estava mais tempo calado e para não ficar olhando para a direita e para a esquerda e para a direita e para a esquerda fiquei olhando para frente, mesmo porque a menina era bonita. No tempo em que esteve ali vestiu o capuz amarelo. Ficou apertando os lábios bem existentes no sentido vertical. Roeu unhas e deixou o dedão da mão esquerda molhado de saliva. Tinha a braguilha da calça jeans não totalmente fechada. Quando um cara parou entre ela e mim, ela desviou mais para a minha esquerda, direita dela, encostando-se no ferro para continuar olhando, talvez para a rua.
P.S.: Hoje eu estava sentado ao lado de uma mulher com saia jeans bem curta, meia-calça preta até o tornozelo e um chinelo fechado na frente, mas que deixa apenas os dedos escondidos. Tinha a voz bonita, mais média-grave que a maioria das vozes femininas. Falava com uma amiga e eu lia um livro. De repente ela se virou para mim, para a sua esquerda.
- Tu tá de prova que ela só tá me maltratando! - disse simpaticamente.
- ...não sei... - respondi, quase gargalhando.
- Se tu tá me tratando assim, eu tenho que falar com meu amigo - falou, voltando-se novamente para amiga, à direita.
Passei a usar metrô todos os dias desde o cursinho pré-concurso público, no qual eu passei e por isso agora eu trabalho em Porto Alegre morando em São Leopoldo. No meio, teve um intervalo de três meses e meio, apenas. (Durante TODA a minha carreira - blargh - de jornalista - blergh.)
No metrô eu não dirijo e não corro o risco de bater o carro e por isso não fico nervoso e com os músculos pedra, eu leio livros no tempo longo necessário para transportar-me de uma cidade até a outra ou observo as pessoas, principalmente a estética das mulheres, o que não deixa de ser um flerte (Luft: namoro leve, de passatempo).
A julgar pelo Regime de Contato Visual e Físico da nossa Cultura e pelas estatísticas de ocorrências desse tipo comigo, o metrô é o melhor lugar para se observar pessoas e flertar. Esta semana, foram duas ocorrências graves, uma de contato visual e outra de físico.
O físico foi o clássico de filmes mão-na-mão no ferro de se segurar. Eu estava segurando com a mão esquerda num ferro dos verticais. Entrou uma menina numa estação adiante e segurou com a mão direita no mesmo ferro. Embaixo da minha. Mexeu de leve e encostou a mão dela na minha. Trocou de debaixo para em cima. Mexia um pouco a cada minuto até que as mãos ficaram se encostando. Eu senti algo gelado. Ou a mão dela estava fria, ou era algum anel no dedo mínimo, ou as cerca de dez pulseiras fininhas douradas. Eu olhava para as janelas do lado do Lago Guaíba e ela olhava para as janelas do lado da BR-116. Quando vagou lugar para sentar ela destacou a mão e foi sentar, ficando na mesma posição até na hora de descer. Sentada curvada para a frente com uma mão segurando o queixo. Talvez arrependida.
O visual foi quando eu fiquei sentado entre o Gordinis e um outro cara que trabalha com o mesmo tipo de coisa que ele, encostados na janela do lado da BR-116. Embarcou uma menina de uns 19 anos com casaco amarelo. Parou se segurando no ferro vertical de se segurar bem na minha frente. Ouvia as conversas e olhava para os três, sobretudo para mim, que estava mais tempo calado e para não ficar olhando para a direita e para a esquerda e para a direita e para a esquerda fiquei olhando para frente, mesmo porque a menina era bonita. No tempo em que esteve ali vestiu o capuz amarelo. Ficou apertando os lábios bem existentes no sentido vertical. Roeu unhas e deixou o dedão da mão esquerda molhado de saliva. Tinha a braguilha da calça jeans não totalmente fechada. Quando um cara parou entre ela e mim, ela desviou mais para a minha esquerda, direita dela, encostando-se no ferro para continuar olhando, talvez para a rua.
P.S.: Hoje eu estava sentado ao lado de uma mulher com saia jeans bem curta, meia-calça preta até o tornozelo e um chinelo fechado na frente, mas que deixa apenas os dedos escondidos. Tinha a voz bonita, mais média-grave que a maioria das vozes femininas. Falava com uma amiga e eu lia um livro. De repente ela se virou para mim, para a sua esquerda.
- Tu tá de prova que ela só tá me maltratando! - disse simpaticamente.
- ...não sei... - respondi, quase gargalhando.
- Se tu tá me tratando assim, eu tenho que falar com meu amigo - falou, voltando-se novamente para amiga, à direita.
Os taoístas, segundo um "livro" de Jolan Chang, acreditam que o homem que não controla a ejaculação e desperdiça o seu sêmem é fraco e doente. O ideal é de duas a três "emissões" a cada dez coitos! É ter dez mulheres numa mesma noite. Dizem que considerar a ejaculação como clímax é só questão de hábito. Que a "felação" é perigosa porque facilita a ejaculação, enquanto que o homem lamber a mulher é magnífico, pois assim ele bebe a essência Yin e sacia a mulher.
Penso que eles imaginam essas coisas todas para sublimar a insegurança sexual e o sentimento de inferioridade com relação à mulher, ou até mesmo para se sentirem mais poderosos do que os outros homens.
Ejaculação é violência e destruição. Só o jeito deles é perfeito, transcendental e digno, e os outros mortais são reles idiotas, numa construção ideológica estupidamente burra, ignorando a realidade fisiológica e próprio prazer quase infinito enquanto dura do orgasmo masculino. Mais ou menos como achar que o coelhinho da Páscoa caga ovos grandes de chocolate.
Ainda por cima chamam eufemicamente pau de galho de jade e buceta de portão de jade, ao mesmo tempo em que dizem que o povo chinês é o que trata o sexo de forma mais natural em todo o mundo. Descrevem com detalhes TODAS as reações que QUALQUER mulher tem numa relação sexual, como se isso fosse possível e, portanto, digno de atenção. Não suportei e fui obrigado a parar imediatamente de ler o troço.
Mudei para The Doors Of Perception, clássico que eu já havia lido uma vez, também no metrô, quando fiz curso de locução de rádio em Porto Alegre. É do Aldous Huxley, sobre experiências com drogas, especificamente a mescalina, que é a síntese da substância psicoativa do peiote, um cactus mastigado por indígenas e simpatizantes do México e do sudoeste dos EUA. Stay tuned em comentários coming soon.
Penso que eles imaginam essas coisas todas para sublimar a insegurança sexual e o sentimento de inferioridade com relação à mulher, ou até mesmo para se sentirem mais poderosos do que os outros homens.
Ejaculação é violência e destruição. Só o jeito deles é perfeito, transcendental e digno, e os outros mortais são reles idiotas, numa construção ideológica estupidamente burra, ignorando a realidade fisiológica e próprio prazer quase infinito enquanto dura do orgasmo masculino. Mais ou menos como achar que o coelhinho da Páscoa caga ovos grandes de chocolate.
Ainda por cima chamam eufemicamente pau de galho de jade e buceta de portão de jade, ao mesmo tempo em que dizem que o povo chinês é o que trata o sexo de forma mais natural em todo o mundo. Descrevem com detalhes TODAS as reações que QUALQUER mulher tem numa relação sexual, como se isso fosse possível e, portanto, digno de atenção. Não suportei e fui obrigado a parar imediatamente de ler o troço.
Mudei para The Doors Of Perception, clássico que eu já havia lido uma vez, também no metrô, quando fiz curso de locução de rádio em Porto Alegre. É do Aldous Huxley, sobre experiências com drogas, especificamente a mescalina, que é a síntese da substância psicoativa do peiote, um cactus mastigado por indígenas e simpatizantes do México e do sudoeste dos EUA. Stay tuned em comentários coming soon.
quarta-feira, 11 de setembro de 2002
"Para algumas pessoas, a idéia de que a vida é desprovida de sentido é simplesmente apavorante." -- David Lynch
Isto é existencialista (como os trechos do Pulp do Bukowski que eu já transcrevi aqui). Revela a fragilidade escondida atrás da Cultura Humana e a questão simples escondida atrás da complexidade da mesma. E ainda explica (ou não explica) o sentido (ou não-sentido) dos filmes desse diretor. Dos quais as pessoas tentam de todas as formas encontrar um sentido. Como se precisasse. É o costume, o medo, o pavor.
Disse ontem na segunda aula meu professor de música (e um dos melhores guitarristas e baixistas que há), Carlo Pianta, que os filmes do David Lynch são (como) músicas. Eles, como elas, passam AQUILO. Você sente AQUILO, e é isso. PRECISA mais? It´s the arts.
Isto é existencialista (como os trechos do Pulp do Bukowski que eu já transcrevi aqui). Revela a fragilidade escondida atrás da Cultura Humana e a questão simples escondida atrás da complexidade da mesma. E ainda explica (ou não explica) o sentido (ou não-sentido) dos filmes desse diretor. Dos quais as pessoas tentam de todas as formas encontrar um sentido. Como se precisasse. É o costume, o medo, o pavor.
Disse ontem na segunda aula meu professor de música (e um dos melhores guitarristas e baixistas que há), Carlo Pianta, que os filmes do David Lynch são (como) músicas. Eles, como elas, passam AQUILO. Você sente AQUILO, e é isso. PRECISA mais? It´s the arts.
brincando de bukowski.
[seres vivos superiores]
quem tem carro
e dirige ele
é criminoso
fora da lei.
[o homem invisível]
não responder
um e-mail.
deixá-lo
sem resposta.
atender
mudo o
telefone.
fingir que
quem está falando
com você
não existe.
(por escolha.)
é a mesma coisa.
a falta do mínimo.
indiferença.
declaração de:
- você é um nada.
[seres vivos superiores]
quem tem carro
e dirige ele
é criminoso
fora da lei.
[o homem invisível]
não responder
um e-mail.
deixá-lo
sem resposta.
atender
mudo o
telefone.
fingir que
quem está falando
com você
não existe.
(por escolha.)
é a mesma coisa.
a falta do mínimo.
indiferença.
declaração de:
- você é um nada.
segunda-feira, 9 de setembro de 2002
Eu escrevi este fim.
"(...) O que Naxi via no chuvisco da tela eram cães extra-terrestres. Eles formavam uma pirâmide canina. Três em baixo, dois no meio e um, talvez o líder, em cima. O alienígena do meio da base começou a abrir o focinho, liberando algo estranho. Mas logo Naxi foi criando lágrimas nos olhos. O que saía do focinho do cão ET era a alma de MacPoulos. " (DICKEL, Douglas. Whisky e filosofia. Brasília: Nonzine, 1999.)
Três anos antes de ler este fim.
"(...) Então, enquanto eu observava, o Pardal abriu lentamente o bico. Uma fenda enorme surgiu. E dentro do bico havia um grande redemoinho amarelo, mais forte que o sol, inacreditável. Não é assim que acontece, pensei novamente. O bico abriu-se, a cabeça do Pardal aproximou-se e o amarelo brilhante e nu envolveu-me e levou." (BUKOWSKI, Charles. Pulp. Black Sparrow Press, 1994.)
"(...) O que Naxi via no chuvisco da tela eram cães extra-terrestres. Eles formavam uma pirâmide canina. Três em baixo, dois no meio e um, talvez o líder, em cima. O alienígena do meio da base começou a abrir o focinho, liberando algo estranho. Mas logo Naxi foi criando lágrimas nos olhos. O que saía do focinho do cão ET era a alma de MacPoulos. " (DICKEL, Douglas. Whisky e filosofia. Brasília: Nonzine, 1999.)
Três anos antes de ler este fim.
"(...) Então, enquanto eu observava, o Pardal abriu lentamente o bico. Uma fenda enorme surgiu. E dentro do bico havia um grande redemoinho amarelo, mais forte que o sol, inacreditável. Não é assim que acontece, pensei novamente. O bico abriu-se, a cabeça do Pardal aproximou-se e o amarelo brilhante e nu envolveu-me e levou." (BUKOWSKI, Charles. Pulp. Black Sparrow Press, 1994.)
No time to lose. No time to anything. A semana é morta. Isso não é exagero e tenho quase certeza que você vai achar que é. De manhã eu acordo, tomo banho, café, pego o metrô e trabalho. De meio-dia eu almoço. De tarde eu trabalho. De noite eu pego o metrô e chego em casa. Eu janto. E vou dormir. É assim segunda, terça, quarta, quinta e sexta.
Quando chega o fim de semana, eu tenho mais ou menos 26 horas acordadas para compor, ensaiar o projeto cover meu e da Madi, escrever, navegar na internet e responder e-mails, limpar a casa, organizar a casa, fazer compras, organizar os arquivos no computador, trabalhar em algumas páginas de web, namorar, olhar alguns filmes e tentar organizar a mente, tentar ser feliz, combater a depressão, aprender a viver. Em 168 horas semanais, 28 delas para fazer TUDO.
Quando chega o fim de semana, eu tenho mais ou menos 26 horas acordadas para compor, ensaiar o projeto cover meu e da Madi, escrever, navegar na internet e responder e-mails, limpar a casa, organizar a casa, fazer compras, organizar os arquivos no computador, trabalhar em algumas páginas de web, namorar, olhar alguns filmes e tentar organizar a mente, tentar ser feliz, combater a depressão, aprender a viver. Em 168 horas semanais, 28 delas para fazer TUDO.
"A religião é a pulsão que mais se afasta do desejo humano de liberdade 'ao perturbar o livre jogo de eleição e adaptação, ao impor a todos um igual caminho único para alcançar a felicidade e evitar o sofrimento, reduzindo a vida a um único valor - Deus -, deformando intencionalmente a imagem do mundo real e estimulando o mundo de fantasias catastróficas, medidas que têm como condição prévia a intimidação da inteligência e levando a que só reste o sofrimento, a submissão incondicional como último consolo e fonte de gozo' (FREUD apud Crobers, 1993)." (Claudio Cohen e Marco Segre para a revista Bioética, 1994)
Algo muito interessante sobre escrever aqui, num computador.
"Bem, meu septuagésimo primeiro ano foi muito produtivo. Eu provavelmente escrevi mais palavras neste ano do que em qualquer outro da minha vida... Este computador, que comecei a usar no dia 18 de janeiro, tem muito a ver com isso. É mais fácil de escrever uma palavra, ela passa mais rapidamente do cérebro (ou de onde quer que venha) para os dedos e dos dedos para a tela, onde fica imediatamente visível - brilhante e nítida. Não é puramente uma questão de velocidade, trata-se de um fluxo, um rio de palavras e, se as palavras são boas, então vamos deixá-las correr soltas." (BUKOWSKI, Charles. O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. 22 de novembro de 1991.)
"Bem, meu septuagésimo primeiro ano foi muito produtivo. Eu provavelmente escrevi mais palavras neste ano do que em qualquer outro da minha vida... Este computador, que comecei a usar no dia 18 de janeiro, tem muito a ver com isso. É mais fácil de escrever uma palavra, ela passa mais rapidamente do cérebro (ou de onde quer que venha) para os dedos e dos dedos para a tela, onde fica imediatamente visível - brilhante e nítida. Não é puramente uma questão de velocidade, trata-se de um fluxo, um rio de palavras e, se as palavras são boas, então vamos deixá-las correr soltas." (BUKOWSKI, Charles. O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio. 22 de novembro de 1991.)
a new war
e pensar que, depois que eu me for,
haverá mais dias para os outros, outros dias,
outras noites.
cães andando, árvores balançando ao
vento. (...)
transport
certa noite, não faz muito
tempo
eu sonhei que
podia voar.
quero dizer, só mexendo
os braços e as pernas
eu podia flanar pelos
ares
e voava.
havia todas aquelas pessoas
no chão,
elas erguiam os
braços e tentavam me puxar
para baixo
eles não
conseguiam.
senti-me no se
mijasse neles.
eles eram tão
ciumentos.
tudo que precisavam fazer era
treinar do seu modo
até chegar lá
como eu tinha
feito.
tais pessoas acham
que o sucesso dá em
árvores.
você e eu,
nós sabemos
mais.
(bukowski)
e pensar que, depois que eu me for,
haverá mais dias para os outros, outros dias,
outras noites.
cães andando, árvores balançando ao
vento. (...)
transport
certa noite, não faz muito
tempo
eu sonhei que
podia voar.
quero dizer, só mexendo
os braços e as pernas
eu podia flanar pelos
ares
e voava.
havia todas aquelas pessoas
no chão,
elas erguiam os
braços e tentavam me puxar
para baixo
eles não
conseguiam.
senti-me no se
mijasse neles.
eles eram tão
ciumentos.
tudo que precisavam fazer era
treinar do seu modo
até chegar lá
como eu tinha
feito.
tais pessoas acham
que o sucesso dá em
árvores.
você e eu,
nós sabemos
mais.
(bukowski)
sexta-feira, 6 de setembro de 2002
Letícia todas as noites tinha o mesmo sonho. Ela andava pela rua e sentia-se atraída para uma casa. Chegava na porta e batia. Ninguém atendia, mas ela entrava mesmo assim, e um mordomo aparecia dizendo "Bom dia, senhorita Mônica". Era aí que Letícia acordava suando. Foi assim por quatro meses.
Ficou apavorada no começo, mas depois procurou pensar que era apenas uma torturosa coincidência - afinal, sonhos recorrentes são rotinas do sono humano. Quando começou a se acostumar, até sentia-se bem e empolgava-se quando deitava a orelha no travesseiro para dormir. Viciou naquilo. Até no suor.
O meu primeiro sonho recorrente foi uma floresta e a iminência de aparição e ataque do Lobo Mau. Sair para a rua pelado ou de pantufas. Elevador caindo. Ver no céu chuva de meteoros ou dezenas de aviões se chocando ou um caindo no meio da cidade. Fugir de bandidos. O mar invadindo a cidade e eu e outras pessoas tentando se salvar. Coisas assim.
Mas depois de quatro meses, aquilo parou para Letícia e tudo foi absolutamente normal por anos. Um dia ela andava pela rua e sentiu-se atraída para uma casa. Chegou na porta e bateu. Ninguém atendeu, mas ela entrou mesmo assim, e um mordomo apareceu dizendo "Bom dia, senhorita Letícia".
Mônica acordou suando. Por quatro meses teve o mesmo sonho, todas as noites.
(Baseado em A Casa Assombrada, de André Maurois.)
Ficou apavorada no começo, mas depois procurou pensar que era apenas uma torturosa coincidência - afinal, sonhos recorrentes são rotinas do sono humano. Quando começou a se acostumar, até sentia-se bem e empolgava-se quando deitava a orelha no travesseiro para dormir. Viciou naquilo. Até no suor.
O meu primeiro sonho recorrente foi uma floresta e a iminência de aparição e ataque do Lobo Mau. Sair para a rua pelado ou de pantufas. Elevador caindo. Ver no céu chuva de meteoros ou dezenas de aviões se chocando ou um caindo no meio da cidade. Fugir de bandidos. O mar invadindo a cidade e eu e outras pessoas tentando se salvar. Coisas assim.
Mas depois de quatro meses, aquilo parou para Letícia e tudo foi absolutamente normal por anos. Um dia ela andava pela rua e sentiu-se atraída para uma casa. Chegou na porta e bateu. Ninguém atendeu, mas ela entrou mesmo assim, e um mordomo apareceu dizendo "Bom dia, senhorita Letícia".
Mônica acordou suando. Por quatro meses teve o mesmo sonho, todas as noites.
(Baseado em A Casa Assombrada, de André Maurois.)
POR QUE TEM QUE SORRIR PARA APARACER NUMA CÂMERA DE MONITORAMENTO DE SEGURANÇA E DISCIPLINA? O cara pode sorrir e quebrar tudo ao mesmo tempo. Mas, como sorriu, estará absolvido? Os guardas não virão pegá-lo? Ou acredita-se que o sorriso é um impedidor natural de irregularidades, como o esperma que impede o xixi ou a comida e a bebida que impedem a respiração pela boca? Sorria, você está sendo vigiado.
quinta-feira, 5 de setembro de 2002
É engraçado. O ordinário internauta não manda por e-mail coisas que ele encontrou e considerou interessantes (mesmo porque ele não procura nada muito menos encontra), mas coisas que SÃO DE REPASSAR. Então vêm esses falsos textos do Verissimo, assinados "veridicamente" com acento no íssimo. E então qualquer e-mail que a gente manda eles percebem como sendo da mesma categoria daqueles outros. É impressionante como TUDO é corrente, até mesmo as correntes.
quarta-feira, 4 de setembro de 2002
Da janela da minha sala, no 12.º andar de um prédio de 20, eu vejo - do oeste para o leste - o lago Guaíba (que parece radioativo com o reflexo da luz do sol), a Usina do Gasômetro (onde pela primeira vez eu participei dum show de rock, tocando baixo, guitarra e berrando pela Larissa No Penhasco; era para eu tocar o meu teclado Roland JX-3P, que era a própria Larissa No Penhasco, a "alma" da banda, mas o case abriu quando eu fui passá-lo de cima da minha cabeça para o chão, e o teclado quebrou; depois, foi submetido a cirurgia e hoje funciona ainda melhor, com o controlador que potencializa ele como um sintetizador), a Ponte do "Rio" Guaíba (que levanta para navios passarem e isso marcou a minha infância, nas viagens de Pelotas, onde eu morava, para Estância Velha, na casa dos meus avós), aviões aproximando-se do solo em direção ao Aeroporto Internacional Salgado Filho (aviões são outra marca desde a infância), urubus planando bem perto das janelas, as bandeiras sacudidas pelo vento em cima da Assembléia Legislativa do Estado, a cúpula da Igreja Matriz (cuja praça, em frente, deu nome à gangue responsável por um famoso assassinato de um jovem, da qual fazia parte, dizem, o China, mais conhecido como Ricardo Macchi), a Praça dos Açores (que me marcou na infância como a imagem que aparecia atrás do Mendes Ribeiro em seu comentário no Jornal do Almoço, na RBS), o Largo da Epatur (onde foi meu último show com a Tom Bloch, pelo II Fórum Social Mundial; em frente ao Dr. Jekyll, onde foi a estréia do O RESTAURANTE DO FIM DO UNIVERSO).
Vejo os prédios da metrópole capital gaúcha formando uma obra de arte de cores e luzes e sombras e contrastes com o fundo do céu azul de um dia ensolarado. A beleza estética de obras destrutivas do planeta que não provocam mais esse tipo de reflexão de tanto que fazem parte da paisagem urbana e mental. Avenidas e ruas asfaltadas igualmente lindas, com carros feios que parecem leves à distância, quando não se está pisando em embreagem, freio e acelerador, cuidando para não bater no carro da frente e dos lados e para não ser batido pelo carro de trás, pisando os músculos e os nervos e a tranqüilidade necessária para se estar feliz. Ouvindo buzinas por procedimentos corretos de trânsito e buzinando em vão por procedimentos errados alheios contra a lei porém aceitos pelo costume do ele-também-fez e todo-mundo-faz. Pelo menos garças e revoadas de pássaros ainda mantêm parte da originalidade da obra, sem a manipulação dos mercenários de um racionalismo falso, em nome do Progresso - mas este é um outro capítulo.
Vejo os prédios da metrópole capital gaúcha formando uma obra de arte de cores e luzes e sombras e contrastes com o fundo do céu azul de um dia ensolarado. A beleza estética de obras destrutivas do planeta que não provocam mais esse tipo de reflexão de tanto que fazem parte da paisagem urbana e mental. Avenidas e ruas asfaltadas igualmente lindas, com carros feios que parecem leves à distância, quando não se está pisando em embreagem, freio e acelerador, cuidando para não bater no carro da frente e dos lados e para não ser batido pelo carro de trás, pisando os músculos e os nervos e a tranqüilidade necessária para se estar feliz. Ouvindo buzinas por procedimentos corretos de trânsito e buzinando em vão por procedimentos errados alheios contra a lei porém aceitos pelo costume do ele-também-fez e todo-mundo-faz. Pelo menos garças e revoadas de pássaros ainda mantêm parte da originalidade da obra, sem a manipulação dos mercenários de um racionalismo falso, em nome do Progresso - mas este é um outro capítulo.
Não tem como fazer cocô com os faxineiros, que ficam no banheiro em quase tempo integral, batendo papo sobre se a garota deu bola ou não deu e cantarolando um sambinha batucando nas paredes das patentes. Depois disso, passam de cabine em cabine, que são cinco, e mexem na maçaneta das portas fechadas tentando abri-las. Ora, se estão fechadas, não precisa e não se deve testar se tem alguém. As portas são para fechar quando estamos lá dentro fazendo força. E, se estamos fazendo a tal força, é sagrado que a façamos sem papo, sem samba e sem tentativa de invasão. De vez em quando aparece um rodo quase alcançando os pés. E isso parece que é em todos os andares do prédio, pois o Flávio, do 15.º, falou que só falta eles botarem a cabeça por baixo da porta. Tem mais, eles puxam assunto com quem vai lá mijar. Um burro pensaria que é preconceito, mas imagina que tipo de assunto eu vou ter que esses caras. Nenhum. Um deles me disse que quem arrebentou uma cordinha que é presa atrás da porta e que segura os rolos de papel higiênico merecia ter um carro andando de ré esmagando a sua cabeça.
Olhando a vitrine da banca, a capa com uma índia bonita é mais sensual do que as capas eróticas e pornográficas. O clichê da excitação é uma coisa tão forçada e artificial, com aquelas caras e unhas, que passa longe da pretensão, que é de ser "animal". ANIMAL é a atriz principal do filme Hot'N'Frosty, o melhor vídeo pornô que eu já peguei. É de emocionar. Ela é tão boa que fica em posições que só uma fêmea humana fazendo sexo e entregando-se a isso pode ficar - nada de burras com bronzeados, silicones, corpos brilhando de óleo. Quanto mais animal, quanto mais instinto, mais provoca o instinto dos outros, mais demonstra prazer e incentiva prazer. Para o filme ser melhor, só se as mulheres do filme não tivessem raspado os pêlos.
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