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quarta-feira, 30 de janeiro de 2002

Beijei a Björk na boca ontem. Quando encontrei ela eu fiquei emocionado, quase chorei. Primeiro beijei no braço. Segundo beijei no rosto. Mas terceiro beijei na boca. Mas foi rápido, porque os aparelhos móveis estavam atrapalhando. Fui tirar o aparelho para ele parar de atrapalhar, mas tinha outro. E outro. E outro. E outro, e outro, e outro. Nunca paravam de sair aparelhos móveis da minha boca. Foi um sonho.

Num sonho da semana passada eu estava comendo duas irmãs. Eu estava sentando num sofá e elas se revezavam, peladas, sentando em cima de mim. Certa hora, uma delas deitou de pernas abertas, me alcançou uma camisinha e disse: "Goza." Então eu acordei e voltei a dormir. O sonho continuou. Elas não estavam mais a fim, mas eu comecei a ler algo que despertou tesão numa delas novamente. Fomos os três até a beira da praia para transar. O céu era relampejante, sobrenatural. Chegando no mar, as duas me trocaram por outros dois caras. E eu chutei alguém que estava deitado no chão. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2002

Eu não toco de dia por causa do calor filho duma puta que faz neste estado amado pelos bairristas. Mas eu não toco de noite porque o barulho atrapalha os vizinhos. Mas eu não gosto de tocar de dia porque tem o barulho irritante e insistente dos carros na rua. Mas eu gosto de tocar de noite porque é fresquinho e, por exemplo agora, só tem o barulho dos grilos. Mas eu não gosto de ficar acordado de dia por causa do calor e do barulho. Mas é bom ficar acordado de dia por causa do horário de funcionamento das coisas. Mas é bom ficar acordado de noite porque não existe festa de dia. Mas é de ficar louco.

......SL...........................................
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-----|-------- estrada luminosa ----------
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.......| BR-116.................................
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............| Souza Reis......................
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.........POA....................................

Avenida Souza Reis. Porto Alegre. Volta do ensaio da Tom Bloch. Nas últimas duas ou três vezes eu pude ver da Souza Reis um avião aterrisando. Hoje foi assim, pensei: "Vxiiiuuuu (onomatopéia). Não, hoje eu não vou ver ele ali. Hoje eu vou ver ele na BR. Ele vai passar por cima do carro." A sinaleira que liga a Souza Reis à BR estava vermelha. Olhei para cima, e nada. Sinal verde. Mais alguns metros e passa um avião por cima do carro. Puta merda, eu tenho sorte com essas coisas de premonição. Quase sempre que eu lembro de tentar adivinhar alguma coisa, eu tento e consigo...

Egoísta. Eu sou egoísta. Eu sou egoísta para tentar manter meu ego longe da depressão. Eu sou egoísta porque meu objetivo é a felicidade e para isso eu preciso fazer somente as coisas que realmente me interessam e me dão prazer. Mas eu não sou um egoísta monstro, pois entre as coisas que realmente me interessam e me dão prazer estão os meus amigos, está a vontade de que eles também sejam felizes - e egoístas. (Dentro da palavra amigos considera-se a presença da esposa, do pai, da mãe e da vó.) Egoísmo porque a vida passa rápido, é curta, e se deixar a dispersão trabalhar sozinha a vida passa e o sonho não se realiza.

Experimente pedir um filtro de barro, vão lhe perguntar Mas é por opção mesmo? Nós temos esses aqui, que são melhores. Você tem certeza? Ou experimente pedir uma lente orgânica de óculos, vão lhe perguntar Não vai querer nem a anti-reflexo? Ou ainda experimente pedir um refrigerante com gelo, você vai ter que jogar o limão na cara do garçom. O certo é pedir Me dá um refrigerante e um copo só com gelo, sem limão, SEM LIMÃO, OK? Assim como também o certo é pedir Me dá uma promoção Nº1 simples, normal, sem a batata maior e o refrigerante maior, Nº 1, OK? Simples. Se for pedir McSundae, peça o SIMPLES, não o Top Sundae. Se você pedir só Sundae, vão lhe dar o Top. Para pedir só Sundae, tem que pedir Me dá um Sundae sem ser o Top, o SIMPLES, viu? E sem cobertura extra, por favor.

terça-feira, 22 de janeiro de 2002

Meu computador anda fazendo coisas sozinho, como trocar de página da web e desconectar (auto-sleep...), por isso estou reescrevendo o que escrevi há alguns minutos. Andei pensando: como eu tive sorte em ficar esses seis meses desempregado, e isso ainda não acabou. Pude pensar e refeletir sobre a vida ideal para mim. Tem gente que emenda o estudo no trabalho e não pára para pensar se está no caminho certo, não pára para pensar a partir do nada, a partir da própria mente, sem as pré-determinações da sociedade com viseiras, a sociedade cavala. Primeiro vem a depressão pela falta de dinheiro, depois vem a cura e a iluminação pelas reflexões agudas.

Tem gente que não tem noção, como o cara que veio na minha casa e disse que a Tom Bloch (a banda em que eu toco) é uma merda, que Nessa Casa (música que eu ajudei a fazer) é uma merda e que qualquer faz o teclado de Ontem (eu sou o tecladista), e eu tive que aturar a figura tagarelando e demorando para ir embora depois de me deixar totalmente sem saco. São os mcclintocks sobre quem o Bukowski falou nas suas Observações Sobre A Peste (contidas em Fabulário Geral Do Delírio Cotidiano). Tem gente que não nota que não tem nada a ver com a gente e fica perguntando por que a gente demora "tanto" para responder no ICQ. Por exemplo:

Ela> o que fez neste carnaval?
Eu> responde sobre os gostos musicais.
Ela> ahhhhh gosto de rock e MPB mas não é nada radical.... nunca montei uma banda ou fui vidrada em shows, entende?
Eu> de que bandas de rock?
Ela> Queen, Beatle Metálica, Led Zeppelin, Aerosmith....
Eu> e de literatura?
Ela> gosto de tudo... adoro policiais. gosto muito de romances policiais... por que não preciso pensar... eles simplesmente fluem..... conhece Patrícia Cornwell? e James Fallows? conhece algum site que ensine economia online?
Ela> e aí o q tá fazendo?
Eu> organizando uma publicação que eu estou criando. um blog coletivo de textos escritos sob estados alterados de consciência.
Ela> para q?
Eu> para que o quê?
Ela> vc estudo psicologia?
Eu> de alguma forma sim, sem teoria nenhuma, só na experimentação da própria vida.
Ela> ahhhhhhhhh,.... o q já entende?
Eu> tu altera o estado da tua consciência de alguma forma?
Ela> da hora q durma a q acordo!!!!!!! ; )
Eu> como?
Ela> condicionamento
Eu> à base de quê?
Ela> ué.... vc pensa e faz ; )
Eu> estou tentando concursos públicos de nível de segundo grau. concurso é uma forma menos humilhante de mendigar emprego.
Ela> Não consigo entender este mal humor!!!!

Ela me achou sem querer no ICQ e ela se empolgou porque eu também fiz jornalismo e conheço um amigo que ela conhece.

Deixar a barba crescer naturalmente tem três vantagens: 1- é legal, diferente, 2- é bom de receber carinho, tanto quanto no cabelo da cabeça e 3- não precisa fazer a barba, ficar com a cara ardendo, usar gilete cega porque as boas são dez reais só porque são novas tecnologias. As vantagens superam as desvantagens, que são: 1- às vezes a gente deita em cima e ela fica presa entre a cara e o travesseiro, 2- o bigode atrapalha de beijar na boca e a barba inteira atrapalha de beijar o corpo inteiro e 3- ficam dizendo que o cara é o "Los Hermanos", ou é petista, ou é o Bin Laden etc.

A internet é o vale-tudo da verdade e da mentira, da exposição e do anonimato, da falta do que fazer e das possibilidades de transcendência. É a vida, o homem é um ser social.

Quem leu e absorveu O Pequeno Príncipe sabe que infantilidade é virtude, e muita gente leu o livro por ele ser consagrado e curtinho e fácil e muito bom. O problema é realmente absorver o que existe por trás das metáforas. O outro tipo de infantilidade que existe é o de ser adulto muito cedo - por culpa dos padrões adultos e pré-conceituosos da sociedade, como "fumar e viajar é pagar mico" - e nunca mais voltar a ser criança e a ver o mundo com os primeiros olhos.

domingo, 20 de janeiro de 2002

Escrevendo. Comendo uvas niágara bem docinhas. Vendo o céu azul-amanhecer com nuvens avermelhadas-azuladas, um festival de combinações lindas de cores lindas. São ovelhinhas psicodélicas, cor-de-rosa sem serem tingidas como aqueles poodles podados. A prima do Leonardo foi atrás de comida e comprou para nós um pote de sorvete napolitano da kibon, mais dois saquinhos de stiksy e dois saquinhos de ruffles. E ainda disse que tinha só isso... Antes eu havia descoberto sem querer uma garrafa de coca-cola recheada de suco de vinho, sangari, sangria, aquela coisa refrescante que desceu como um elixir supremo da larica pelas vias bebetórias do meu organismo. Foi repeteco da Festa da Piscina na casa do Leonardo, marcando a despedida do estado de Baia Liberada. Eu não tinha levado maconha porque achei que o Eric e o Fábio levariam sua lata de pastilhas valda, mas eles não estavam lá. Cheguei e fui entrando, assustei as pessoas na janela, principalmente a namorada do Leonardo. Ele, o Leonardo, perguntou do material auto-reflexivo, e eu disse que não trouxe e ele quis buscar na minha casa, que é noutra cidade. Um motivo nobre era a vontade de se iniciar na arte de viajar de duas meninas de cabelos loiros, uma era simpática, parecia a Mariana Ximenez, tinha 19 ou 20 anos. Ela viajou bastante, até que a namorada do Leonardo teve uma emoção profunda da viagem que muitos infelizes classificaram como fiasco ou mico, então o rapaz levou as duas irmãs para dentro de um quatro e fechou. Nos privou de acompanhar um caso de segunda vez e um caso de primeira vez, desvirginamento da válvula redutora do cérebro. A outra estreante era namorada ou parente de um carinha que disse que mico já era o ato de fumar. E eu oferecendo o baseado para o Jesus crucificado em cima do vão que vai para a dupla cozinha da casa de três pisos. E há pouco se foi mais uma festa em que as pessoas não resistiram e fumaram a erva maldita, sagrada e angustiante ao mesmo tempo, um desafio para uma vida feliz. Tentei reproduzir os tons maravilhosos desta aurora com tinta guache numa folha de ofício. Vamos ver como ficou depois de umas doze horas de sono, ando dormindo muito e sonhando muito, uma vida inteira (ou meia) acontecendo na terra-do-nunca, no paraíso livre do sonho, onde podemos muitas vezes voar, ativar interruptores de lâmpada à distância, ter sentimentos de amor e tesão num mundo de fantasia, onde não existe parâmetro. Escrever. É a vida :D

domingo, 13 de janeiro de 2002

Gostar do cheiro de uma outra pessoa tem a ver com o sexo, com o amor ou com as duas coisas? Vai dizer que você não se sente em casa sentindo aquele cheirinho na nuca do seu amor? Mas você cheiraria a nuca de suas amigas? Sim? Então não tem a ver com sexo. Pode ter a ver com amor de amigo. Ou com sexo de amigo. Mas você cheiraria a nuca de seus amigos? Não? Então tem a ver com sexo, mesmo, porque você não transaria com seu amigo. Mas também você não amaria seu amigo como poderia amar sua amiga, por ela ser do sexa da sua preferência sexual. Uma hora dessas vou pedir para uma menina Posso cheirar sua nuca?

Maconha é muito bom, não é? Quando eu conseguir terminar o meu site pessoal de acordo com um novo projeto, vou colocar textos sobre o assunto. Mas maconha é muito bom nas interações pessoais, não muito para viajar sozinho em casa, embora muitos sejam adeptos da máxima que a maconha é uma droga introspectiva. Eu gosto de ter viagens coletivas, de usar a expansão da mente para trocar idéias e energias, fazer exercícios coletivos de liberdade e imaginação. [Como ontem, quando eu pulei na piscina de madrugada. Tirei a camiseta e tive vergonha de tirar a bermuda na frente de todos os caras e de uma menina, que não viajam tanto quanto eu ou pelo menos não coletivamente, ou não demonstram. Tirei na garagem e fui com minha cueca preta apertada que está mais para sunga de banho pelo desconforto. Entrei até o joelho e a coxa estava com medo. Então viajei e fiquei mole, até deixar o corpo cair reto para a frente. Foi uma delícia. Tinha inimigos na piscina, um parecia uma folha e outro parecia uma mosca, ambos eram. Os chapados-sóbrios riam do chapado-chapado, o bobo da corte que já tinha imitado o Beavis e o Arnaldo Antunes (com a nossa-sua composição Tema do Sassá Mutema). Numa das voltas do mergulho bati palmas e fiz voz de foca, para tirar sarro de estarem tirando sarro de mim. Quando eu disse que o barulho que água fazia numa boca (aquela que evita que a piscina transborde) parecia o barulho de peixes que eles jogavam para mim na piscina, foi a gota d'água. Disseram Esse sabe aproveitar. Será que era sério ou era pejorativo?] Então o meu trauma é que em todas as sessões coletivas de auto-reflexão, eu sou o último a dormir, todo mundo vai pegando no sono por causa da maconha, se entrega aos mecanismos do cérebro e não aproveita os benefícios, apenas absorve os malefícios e o mínimo de bebefício para justificar o ato ilícito. Fumar para dormir? Que coisa pobre, muito pobre. Vamos acordar. Sonhar acordados. Ouvir músicas, olhar vídeos, conversar! Conversar aquilo que a gente não conversou quando o subconsciente estava alerta. Fazer demonstrações de amor, ou de carinho, ou de tesão. Ter idéias, ler textos, criar imagens no cérebro. Transcender, viver, ser feliz. Ou então é melhor dormir direto, sem a ressaca do dia seguinte, sem gastar com traficantes. Porque também é possível viajar acordado sem drogas. Depois que elas lhe ensinam o caminho, não é difícil chegar até lá. Ou pelo menos perto.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2002

De uma vez por todas, passem os cotonetes e repitam comigo: em voz alta:

O Rio Grande do Sul é MAIS QUENTE que Brasília.
O Rio Grande do Sul é MAIS QUENTE que Brasília.
O Rio Grande do Sul é MAIS QUENTE que Brasília.

Agora, os brasilienses:

O Rio Grande do Sul NÃO É FRIO fora do inverno.
O Rio Grande do Sul NÃO É FRIO fora do inverno.
O Rio Grande do Sul NÃO É FRIO fora do inverno.
Dia 3. O carro não pegou por causa dos dezoito dias de inatividade. Fui de ônibus almoçar no RU da Unisinos. Tenho que comer tudo o que não comi por esquecimento e por reflexo dos dez dias ininterruptos de sessões de auto-reflexão. Nessas alturas, estar chapado é estar de cara e estar de cara é que é estar chapado. Alô Caco, saudade. Luís também, tenho dar para ele um exemplar do Apanhador com o texto dele sobre o Planeta Dos Chimpanzés. O Caco e o Luís não se dão :( A sala pública de informática da Unisinos só abre dia 18 de fevereiro, merda. Nesse meio tempo vou ter que usar internet à manivela. Por exemplo, este texto está sendo digitado no bloco de notas, e não online no Blogger. (P.S.: Na hora de postar, o site do Blogger levou mais de trinta minutos para carregar.)

Dia 2. Quatro pessoas. Seis potinhos de tinta guache e vinte e uma folhas A4, um copo com água e um pano de chão. Seis latinhas de skol e meia dose de absinto. Um ray-ban azul. Um blog do Pernapalm, vários Exploding Dog e muitos Mondo Guigui. Três travesseiros, cinco marias e alguns pedaços rasgados de jornal. Choros de três pessoas. Duas mochilas e uma bolsa. Duas escalas, três decolagens e três aterrissagens, quatro nútris e quatro copos de refrigerante e quatro sacos de amendoim, seis blablablás em português e seis em inglês aeromóceo. Mais um trem e mais cinqüenta minutos. Vinte e sete horas acordados e um sono.

Seis horas depois eu acordei sem saber o que pensar e chorei. Mais uma volta de viagem na minha vida. Qual a razão da tristeza? Saudade adiantada dos amigos (cada vez mais amigos), mudança brusca de ambiente (casa), retorno à rotina (obrigações), fim de férias (viagem), tudo pode ser. O mais engraçado e triste é que quando a gente volta parece que a viagem foi um sonho e que o tempo congelou pois tudo em casa está como a gente deixou. É por causa da referência. No Rio Grande do Sul eu não fico pensando "Eu estou no Rio Grande do Sul", mas em Brasília eu não paro de pensar "Eu estou em Brasília, de viagem, minha casa é em outro planeta". Pegue um mapa do Brasil e observe a distância entre São Leopoldo e Brasília, é muito triste.

Dia reveião teve ceia de hash pipe.

Agora, um aviso de utilidade pública:

Se você tem algum vínculo com a Unisinos e usa os seus laboratórios de informática, saiba agora, se ainda não sabe, que tudo o que você faz na rede é vigiado: todos seus arquivos e por onde você navega. Há um departamento para isso, cuja sede, entre o redondo e a banca de revistas, é cercada de espinhos e na porta de entrada tem uma câmera para identificação.

O meu login foi suspenso por um mês, com base na resolução 010/99, artigo 5º, inciso I, que diz que é expressamente proibida a utilização dos equipamentos de informática para produção, obtenção, armazenamento e remessa de imagens, documentos e/ou arquivos que veiculem conteúdos ou imagens imorais.

Fotos alternativas de mulheres nuas das décadas de 20 a 70 eu estava vendo no Nerve, e elas foram consideradas imorais. Nas salas de computadores há cartazes lembrando que é proibida a pornografia. Mas é muito urgente especificar o que é imoral e o que é pornográfico, pois são conceitos subjetivos. (Não há um consenso sobre isso.) Em nome da ética e da justiça tão citadas na Missão e no Credo da Unisinos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2002

Ontem foi foda. Anteontem eu fui dormir quando cheguei nos 8.000 dos 16.000 caracteres que devo escrever para a matéria da Aplauso. Dormi pensando em descansar e acordar bem no dia seguinte para tocar ficha e acabar de vez com a missão. Só que não começou bem. Acordei de mau humor. Acordei várias vezes com telefone tocando e a casa onde eu estou fica na margem da L1, em Brasília, e os carros passam sem parar. E as janelas têm micropersianas que não adiantam para nada e só há um tapa-olhos mágico capaz de fazer a pessoa dormir de verdade, sem ver luz e luz e luz. Mas tudo bem, tomei banho e me acalmei. Ia ter um almoço familiar nesta casa, só que eu não esperava que viessem sete crianças e seis adultos, treze pessoas fazendo barulho, crianças invadindo a salinha do computador querendo usá-lo apenas para ganhar de mim, para tomar o brinquedo da minha mão. Mas eu precisava trabalhar. Eu até já passei do limite de caracteres, mas falta incluir idéias e depois burilar e depois cortar um pouco. Depois do almoço fui dormir, esperando acordar numa nova era, sem extras na casa. Acordei com tudo igual. Alugaram Planeta Dos Chimpanzés (apes são chimpanzés, não macacos, seus tradutores bastardos!) e foi uma bela diversão, apesar do novo adiamento do término da matéria. Foi legal ver a Helena Bonham-Carter de chimpanzé, mas foi mais legal vê-la como humana naquelas frescurinhas bonus dos DVDs. É legal o jeito de ela se mexer, meio desengonçada. [FWD] Enchi a banheira com água fria, pois não descobri a água quente dela. Quando chegou no ponto, liguei as turbinas a massagem iniciou. Fiquei de pé, mas estava sem graça. Então desliguei os motores e decidi ver até onde eu agüentava mergulhar. Fui entrando milímetro por milímetro, como se fosse um ritual, e o gelo da água ia me esquentando de tão gelado. Mas foi bom. Só não consegui colocar o nariz dentro dágua nem as costas. Quanto tentei fazer isso, comecei a tremer e tive que sair, surpreendendo meus amigos e molhando o caminho até o banheiro e o quarto, onde tirei a roupa molhada, me sequei e fiz sexo.

Hoje começou bem, como um Contato MTV especial O Rappa. Deram uma aula de como ser uma banda boa, ainda que eles se preocupem muito com as mensagens sociais, e eu me concentro só nos efeitos que a música pode provocar na alma de uma pessoa. Massari entrevistando os caras, Yuka grande cérebro presente e direção de Rodrigo Lariú, o cara da Midsummer Madness está trabalhando na MTV?. O Rappa pensa tanto na mensagem que não sei se nota que faz um som único, de qualidade mundial. O ao vivo Instinto Coletivo, gravado no Opinião em Porto Alegre e que eu coloquei como quarto melhor CD do ano no Brasil para a pesquisa do Scream&Yell do Marcelo Costa, é para ter marcado o fim de uma fase da banda. Curioso estou para saber qual a próxima. "Estou ansioso para um novo disco de inéditas em 2002 e eu vou estar de volta tocando alguma coisa", disse Yuka.