Meu computador anda fazendo coisas sozinho, como trocar de página da web e desconectar (auto-sleep...), por isso estou reescrevendo o que escrevi há alguns minutos. Andei pensando: como eu tive sorte em ficar esses seis meses desempregado, e isso ainda não acabou. Pude pensar e refeletir sobre a vida ideal para mim. Tem gente que emenda o estudo no trabalho e não pára para pensar se está no caminho certo, não pára para pensar a partir do nada, a partir da própria mente, sem as pré-determinações da sociedade com viseiras, a sociedade cavala. Primeiro vem a depressão pela falta de dinheiro, depois vem a cura e a iluminação pelas reflexões agudas.
Tem gente que não tem noção, como o cara que veio na minha casa e disse que a Tom Bloch (a banda em que eu toco) é uma merda, que Nessa Casa (música que eu ajudei a fazer) é uma merda e que qualquer faz o teclado de Ontem (eu sou o tecladista), e eu tive que aturar a figura tagarelando e demorando para ir embora depois de me deixar totalmente sem saco. São os mcclintocks sobre quem o Bukowski falou nas suas Observações Sobre A Peste (contidas em Fabulário Geral Do Delírio Cotidiano). Tem gente que não nota que não tem nada a ver com a gente e fica perguntando por que a gente demora "tanto" para responder no ICQ. Por exemplo:
Ela> o que fez neste carnaval?
Eu> responde sobre os gostos musicais.
Ela> ahhhhh gosto de rock e MPB mas não é nada radical.... nunca montei uma banda ou fui vidrada em shows, entende?
Eu> de que bandas de rock?
Ela> Queen, Beatle Metálica, Led Zeppelin, Aerosmith....
Eu> e de literatura?
Ela> gosto de tudo... adoro policiais. gosto muito de romances policiais... por que não preciso pensar... eles simplesmente fluem..... conhece Patrícia Cornwell? e James Fallows? conhece algum site que ensine economia online?
Ela> e aí o q tá fazendo?
Eu> organizando uma publicação que eu estou criando. um blog coletivo de textos escritos sob estados alterados de consciência.
Ela> para q?
Eu> para que o quê?
Ela> vc estudo psicologia?
Eu> de alguma forma sim, sem teoria nenhuma, só na experimentação da própria vida.
Ela> ahhhhhhhhh,.... o q já entende?
Eu> tu altera o estado da tua consciência de alguma forma?
Ela> da hora q durma a q acordo!!!!!!! ; )
Eu> como?
Ela> condicionamento
Eu> à base de quê?
Ela> ué.... vc pensa e faz ; )
Eu> estou tentando concursos públicos de nível de segundo grau. concurso é uma forma menos humilhante de mendigar emprego.
Ela> Não consigo entender este mal humor!!!!
Ela me achou sem querer no ICQ e ela se empolgou porque eu também fiz jornalismo e conheço um amigo que ela conhece.
Deixar a barba crescer naturalmente tem três vantagens: 1- é legal, diferente, 2- é bom de receber carinho, tanto quanto no cabelo da cabeça e 3- não precisa fazer a barba, ficar com a cara ardendo, usar gilete cega porque as boas são dez reais só porque são novas tecnologias. As vantagens superam as desvantagens, que são: 1- às vezes a gente deita em cima e ela fica presa entre a cara e o travesseiro, 2- o bigode atrapalha de beijar na boca e a barba inteira atrapalha de beijar o corpo inteiro e 3- ficam dizendo que o cara é o "Los Hermanos", ou é petista, ou é o Bin Laden etc.
A internet é o vale-tudo da verdade e da mentira, da exposição e do anonimato, da falta do que fazer e das possibilidades de transcendência. É a vida, o homem é um ser social.
Quem leu e absorveu O Pequeno Príncipe sabe que infantilidade é virtude, e muita gente leu o livro por ele ser consagrado e curtinho e fácil e muito bom. O problema é realmente absorver o que existe por trás das metáforas. O outro tipo de infantilidade que existe é o de ser adulto muito cedo - por culpa dos padrões adultos e pré-conceituosos da sociedade, como "fumar e viajar é pagar mico" - e nunca mais voltar a ser criança e a ver o mundo com os primeiros olhos.
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terça-feira, 22 de janeiro de 2002
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