Olha o que eu ganhei. Fui noticiado por e-mail. Que sortudo eu.
"Felicidades! Você ganhou umas férias, celebrando os 100 Anos de Magia.
Por favor contactar com nossos escritórios nos Estados Unidos.
Para chamar desde Brasil e outros países, 00 1 305 371 7144 de Segunda a Sexta das 11:00 horas às 20:00 horas, Sabado e Domingo Das 12:00 horas às 19:00 horas."
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
O jornalismo tem um batalhão de merdas. Uma delas é o trauma com os artigos. A regra é uma obsessiva supressão dos "o"s e "a"s e "um"s. Olha, manchete da Zero Hora nesses dias, mais ou menos: INCRÍVEL INCÊNDIO EM ASILO. Ã? Que cidade é essa, Asilo? Incêndio em Asilo? Incêndio em exílio, o incêndio está em exílio? Hum... Er... Ah, incêndio em UM asilo, incêndio nUM asilo! Por que não pode UM? Se o artigo indefinido não tivesse serventia, não existiria e, aqui está a prova fatal, não estaria tão presente na oralidade. UM asilo porque não é O asilo. E só asilo, sem nada antes, fica vazio, fica faltando. O jornalismo se diz um meio termo entre o coloquial e a norma culta, mas o que está parecendo é que ele é mais burocrático ainda que a norma culta. Veja os livors, por exemplo. Há artigos aos montes neles.
Na crítica musical, só para ter uma idéia, não deixam usar show DO David Bowie. Tem que ser show DE David Bowie, assim, parecendo que David Bowie é uma coisa. (Ou que quem está falando é alguém com sotaque pernambucano ou baiano.) O argumento deles é que se usar o artigo fica muito íntimo. E daí? Intimidade é proibido, é feio, é sujo? Para o jornalismo sim. Deve ser porque ele nasceu no final da época moderna, do iluminismo, da racionalidade, do cartesianismo. Dali vem a objetividade paranóica (e, na verdade, utópica e por isso ingênua e burra). Lá do cristianismo vem a assepsia, o moralismo, o sexo utilitário, o não-íntimo. O jornalismo é um grande cagalhão.
Na crítica musical, só para ter uma idéia, não deixam usar show DO David Bowie. Tem que ser show DE David Bowie, assim, parecendo que David Bowie é uma coisa. (Ou que quem está falando é alguém com sotaque pernambucano ou baiano.) O argumento deles é que se usar o artigo fica muito íntimo. E daí? Intimidade é proibido, é feio, é sujo? Para o jornalismo sim. Deve ser porque ele nasceu no final da época moderna, do iluminismo, da racionalidade, do cartesianismo. Dali vem a objetividade paranóica (e, na verdade, utópica e por isso ingênua e burra). Lá do cristianismo vem a assepsia, o moralismo, o sexo utilitário, o não-íntimo. O jornalismo é um grande cagalhão.
Finais. As histórias não deviam ter finais. (As histórias reais não têm, a não ser com a morte dum, mas aí a vida continua para os outros "personagens".) As pessoas que criam não sabem fazer finais, não conseguem. Raras sabem. David Lynch, por exemplo, soube, em Estrada Perdida - melhor filme de todos os tempos. Terry Gilliam em Doze Macacos - segundo melhor filme de todos os tempos - também. O Bukowski, na maravilha Pulp, infelizmente não soube. Robert Zemeckis também não, no Náufrago. A proposta (idéia) é muito boa, o filme vai se saindo mais ou menos, no final parece que vai dar certo... mas... não dá. Tem filmes lindos com que a gente vai se empolgando e no final recebe uma bola no estômago. Pelo menos comigo é assim. Foi assim em Gladiador e Beleza Americana. Tem gente que acha que final original é final triste, só porque é contrário ao final feliz, que supostamente seria o tipo clichê. Não tem nada a ver isso daí. A coisa não depende disso. Um tipo de final que não faz feio é aquele que pressupõe uma continuação, mas também dá raiva. Como no Planeta Dos Macacos, fim.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2002
Sobre a grossa camada de pré-conceitos e padrões que as pessoas têm e nem notam. Camadas por cima de camadas de idéias por cima de idéais, e nada se pensa a partir do nada, a partir do nada e da seu próprio pensamento. O trecho é também do Bukowski "Pulp".
"- Que vai ser, amorzinho?
- Duas garrafas de cerveja. Sem copo.
- Duas garrafas, amorzinho?
- É.
- Que marca?
- Uma chinesa qualquer.
- Chinesa?
- Duas garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
- Posso lhe perguntar uma coisa?
- Sim.
- Vai tomar as duas?
- Espero.
- Então por que não toma uma, depois pede outra? Assim fica gelada.
- Eu simplesmente quero assim. Deve haver um motivo, imagino.
- Se descobrir, amorzinho, me diz...
- Por que vou lhe dizer? Talvez queira guardar segredo.
- Senhor, sabe, não temos obrigação de lhe servir. Nós nos reservamos o direito de recusar a servir qualquer pessoa.
- Vai dizer que não vai me servir porque eu pedi duas cervejas chinesas e não estou lhe dizendo por quê?
- Eu não disse que não vamos lhe servir. Disse que nos reservamos o direito de não servir.
- Olhe, o motivo é segurança, um motivo subconsciente de segurança. Tive uma infância horrível. Duas garrafas de uma vez me preenchem um vazio que precisa ser preenchido. Talvez. Não sei.
- Amorzinho, vou lhe dizer uma coisa. Você precisa de um psiquiatra.
- Tudo bem. Mas até conseguir um, vou tomar duas garrafas de cerveja chinesa.
Apareceu um grandalhão de avental branco sujo.
- Qual é o problema aqui, Betty?
- Esse cara quer duas garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
- Betty, na certa ele está esperando um amigo.
- Ele não tem amigo, Blinky.
Blinky olhou para mim. Mais um gordão grande. Dois gordões grandes.
- Não tem amigo? - perguntou.
- Não - respondi.
- Então pra quê quer duas garrafas de cerveja chinesa?
- Quero tomar.
- Por que não pede uma, termina, depois pede outra?
- Prefiro desse jeito.
- Nunca ouvi falar nisso - disse Blinky.
- Por que não posso? É contra a lei?
- Não, é só esquisito, só isso.
- Eu disse que ele precisa de um psiquiatra - disse Betty.
Os dois ficaram ali parados, me olhando. Peguei um charuto e acendi.
- Esse troço fede - disse Blinky.
- Também seus excrementos - eu disse.
- Como?
- Me traga - eu disse - três garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
- Esse cara é doido - disse Blinky.
Olhei para ele e ri.
Depois disse:
- Não fale mais comigo. Não faça nada pra me irritar, senão vou arrancar esses beiços da porra da sua cara, garotão.
Blinky gelou. Parecia que ia movimentar os intestinos.
Betty ficou parada.
Um minuto se passou. Então Betty disse:
- E agora, que é que eu faço, Blinky?
- Pegue as garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
Betty saiu para buscar o pedido.
- Você aí - eu disse a Blinky - senta aí na minha frente. Quero que me veja tomando essas três cervejas chinesas.
- Claro - ele disse, enfiando-se no cubículo, na minha frente.
Suava. Os três queixos tremiam."
"- Que vai ser, amorzinho?
- Duas garrafas de cerveja. Sem copo.
- Duas garrafas, amorzinho?
- É.
- Que marca?
- Uma chinesa qualquer.
- Chinesa?
- Duas garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
- Posso lhe perguntar uma coisa?
- Sim.
- Vai tomar as duas?
- Espero.
- Então por que não toma uma, depois pede outra? Assim fica gelada.
- Eu simplesmente quero assim. Deve haver um motivo, imagino.
- Se descobrir, amorzinho, me diz...
- Por que vou lhe dizer? Talvez queira guardar segredo.
- Senhor, sabe, não temos obrigação de lhe servir. Nós nos reservamos o direito de recusar a servir qualquer pessoa.
- Vai dizer que não vai me servir porque eu pedi duas cervejas chinesas e não estou lhe dizendo por quê?
- Eu não disse que não vamos lhe servir. Disse que nos reservamos o direito de não servir.
- Olhe, o motivo é segurança, um motivo subconsciente de segurança. Tive uma infância horrível. Duas garrafas de uma vez me preenchem um vazio que precisa ser preenchido. Talvez. Não sei.
- Amorzinho, vou lhe dizer uma coisa. Você precisa de um psiquiatra.
- Tudo bem. Mas até conseguir um, vou tomar duas garrafas de cerveja chinesa.
Apareceu um grandalhão de avental branco sujo.
- Qual é o problema aqui, Betty?
- Esse cara quer duas garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
- Betty, na certa ele está esperando um amigo.
- Ele não tem amigo, Blinky.
Blinky olhou para mim. Mais um gordão grande. Dois gordões grandes.
- Não tem amigo? - perguntou.
- Não - respondi.
- Então pra quê quer duas garrafas de cerveja chinesa?
- Quero tomar.
- Por que não pede uma, termina, depois pede outra?
- Prefiro desse jeito.
- Nunca ouvi falar nisso - disse Blinky.
- Por que não posso? É contra a lei?
- Não, é só esquisito, só isso.
- Eu disse que ele precisa de um psiquiatra - disse Betty.
Os dois ficaram ali parados, me olhando. Peguei um charuto e acendi.
- Esse troço fede - disse Blinky.
- Também seus excrementos - eu disse.
- Como?
- Me traga - eu disse - três garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
- Esse cara é doido - disse Blinky.
Olhei para ele e ri.
Depois disse:
- Não fale mais comigo. Não faça nada pra me irritar, senão vou arrancar esses beiços da porra da sua cara, garotão.
Blinky gelou. Parecia que ia movimentar os intestinos.
Betty ficou parada.
Um minuto se passou. Então Betty disse:
- E agora, que é que eu faço, Blinky?
- Pegue as garrafas de cerveja chinesa. Sem copo.
Betty saiu para buscar o pedido.
- Você aí - eu disse a Blinky - senta aí na minha frente. Quero que me veja tomando essas três cervejas chinesas.
- Claro - ele disse, enfiando-se no cubículo, na minha frente.
Suava. Os três queixos tremiam."
Soube da Caminhada da Prosperidade, que foi em dezembro do ano passado? "Indivíduos de todos os continentes do mundo unirão suas forças para defender, promover e celebrar o Empreendedorismo, o Livre Mercado e a Prosperidade. O Capitalismo encoraja os direitos individuais, a liberdade política, a propriedade privada, a criatividade, a tecnologia, o comércio em um mercado global, o lucro e a saúde das empresas, a prosperidade individual e nacional, e especialmente a busca da Paz Mundial." Paz Mundial, com maiúsculas, porque é o nome próprio (poderia ser João Marcos ou Paulo Augusto) que deram para o nome comum controle econômico e político do mundo.
Pode-se dizer que as pessoas têm tópicos de interesses ou gostos. As parcerias se formam quando o conjunto desses tópicos de uma pessoa forma uma intersecção com o conjunto de outra. As parcerias mais íntimas e duradouras se formam quando os tópicos interseccionados são muitos, e talvez todos os mais importantes. Essa importância depende da nossa velha conhecida "escala de valores", sobre a qual nos falaram lá na aula de moral e cívica do primeiro grau. Ainda melhor: escala de interesses ou gostos.
Pulp do Bukowski é um dos melhores livros da história. (É um livro dum escritor COMPLETO. Tem estilo, humor, ironia, filosofia, criatividade etc. "Decidi ficar na cama até o meio-dia. Talvez então a metade do mundo estivesse morta e ele seria metade menos difícil de enfrentar. Talvez quando eu me levantasse de tarde tivesse uma aparência melhor. Uma vez conheci um cara que ficou dias sem defecar. Acabou explodindo. De verdade. A merda saiu voando da barriga." Só se você ler o livro inteiro vai sentir o que eu estou falando. Editora L&PM, anota aí.) "Freqüentemente os melhores momentos da vida são quando a gente não está fazendo nada, só meditando, ruminando. Quer dizer, a gente pensa que todo o mundo é sem sentido, aí vê que não pode ser tão sem sentido assim se a gente percebe que é sem sentido, e essa consciência de falta de sentido já é quase um pouco de sentido. Sabe como é? Um otimismo pessimista." (Se você não quer ler todas as passagens geniais reflexivas e universais - extra-trama - dos primeiros 40 capítulos antes de realmente ler o livro inteiro, não siga a leitura deste post.)
- Bah, mas então tu tá fazendo um monte de coisa! - disse o meu irmão Luciano Seade, numa longa conversa de telefone em horário comercial, depois de muito tempo sem conversarmos. A gente se vê pouco, mas o carinho e a confiança são de verdadeiros irmãos, [marque um 'x' na resposta certa: a- ( ) mesmo porque; b- ( ) apesar de que; c- ( ) todas as respostas estão corretas] tanto ele como eu somos filhos únicos. (Tecnicamente eu tenho dois irmãos, mas ambos com mais de 20 anos de diferença, de outra mãe, que moram noutra cidade. Quer dizer, não há a convivência de irmão, nem 100% do sangue.)
- Coisinhas... - respondi. Se bem que, agora, pensando melhor, essas coisinhas, que são escrever em três (em breve quatro) blogs (publicações com tecnologia do blog, mas com linguagem e finalidade bastante diferentes do padrão do blog como um diário, que esteja claro) e escrever textos poéticos para letras de música são fazer NADA. Ou seja, meditar, ruminar. Ou seja, são melhores momentos da vida. Otimismo. Mesmo assim, a Dona Depressão às vezes me invade quando eu rumino e percebo que é sem sentido. Não estar fazendo nada significa uma sinfonia: momentos alegres e ligeiros, de chorar, e momentos tristes e lentos, também de chorar. Pessimismo. Assim é a vida. Um otimismo pessimista.
"A existência era não apenas absurda, era simplesmente trabalho pesado. Pense em quantas vezes a gente veste as roupas de baixo em toda a vida. Era surpreendente, era repugnante, era estúpido." Eu, por exemplo, vesti as roupas de baixo 8.640 vezes, sem contar os dias em que tive que vesti-las mais de uma vez e os dias em que não tive que vesti-las. É aquelas três palavras, sim. Mas o problema vantajoso de não estar fazendo nada é que a gente se põe a pensar. E essa droga é uma viagem sem volta, como alertam por aí. Alguns chamam essa droga de loucura. Outros chamam-na de iluminação.
Outro grande problema é que o clube dos que estão lá é pouco procurado, e é muito longe. As pessoas ou não se interessam, ou ficam com preguiça de caminhar até lá. Sorte a delas. Azar o delas. "A maior parte do mundo estava doida. E a parte que não era doida era furiosa. E a parte que não era doida nem furiosa era apenas idiota. Eu não tinha chance. Só agüentar e esperar pelo fim. Era trabalho duro. O trabalho mais duro imaginável."
"Por que eu não podia simplesmente ser um cara assistindo a um jogo de beisebol? Interessado no resultado. Por que não podia ser um cozinheiro fritando ovos, desligado? Por que não podia ser uma mosca no pulso de alguém, rastejando sublime e interessada? Por que não podia ser um galo num galinheiro, catando milho? Por que aquilo?" Uma vez descobrindo o sentido sem sentido, não há como recuar, você já está lá e de lá só sai se a Dona Morte quiser. Então você chega a este cume, a este ponto máximo, e não tem mais para onde ir, nem como se mexer.
"Todo mundo estava fodido. Não havia vencedores. Só vencedores aparentes. Todos nós corríamos atrás de nada. Dia após dia. Sobreviver parecia a única necessidade. Não parecia bastante. Não com Dona Morte esperando. Eu ficava puto quando pensava no assunto." Dá um desânimo letal, chamado de depressão, quando você se dá conta que tudo o que você faz para se sentir é bem é só para se sentir bem, só para sobreviver. É triste pensar que as coisas boas não são tão boas, todas têm um vazio, nada preenche por completo. "Ainda não morrera, só estava em estado de rápida decomposição. Quem não estava? Estávamos todos na mesma canoa furada, tentando nos alegrar." Mas tem pessoas que não são assim, a Madi não é. Eu sou, talvez porque fui filho único duma família de classe média alta, e ainda por cima fui a quarta gestação da minha mãe. Todo o sentimento de ter um filho foi depositado em mim. Isso e o dinheiro. Eu devia ganhar todos esses brinquedos (que eu guardo até hoje e que induzem em mim boas recordações) como promessas de felicidades. Chantagens. Se eu estava chorando, alguma coisa eu recebia em troca para parar de ficar triste. E isso foi criando em mim expectativas maiores do que a satisfação que o birnquedo proporcionava. Certo natal eu ia ganhar o Jogo da Operação e enchi o saco até que eu pudesse ganhá-lo antes da noite de natal. Ganhei e continuei triste. Assim como o Chuck Noland conseguiu sair da ilha e voltar para casa, o que parecia a solução de tudo, depois de quatro anos e meio sozinho comendo côco e peixe. Mas não foi. Também as expectativas exageradas da minha mãe, por eu ser o único filho dela, e do meu pai, por ser perfeccionista mesmo, geraram essa frustração que sinto agora e o fato de eu ser absurdamente exigente comigo mesmo. Que beleza, esse blog é espaço para autopsicanálise.
- Bah, mas então tu tá fazendo um monte de coisa! - disse o meu irmão Luciano Seade, numa longa conversa de telefone em horário comercial, depois de muito tempo sem conversarmos. A gente se vê pouco, mas o carinho e a confiança são de verdadeiros irmãos, [marque um 'x' na resposta certa: a- ( ) mesmo porque; b- ( ) apesar de que; c- ( ) todas as respostas estão corretas] tanto ele como eu somos filhos únicos. (Tecnicamente eu tenho dois irmãos, mas ambos com mais de 20 anos de diferença, de outra mãe, que moram noutra cidade. Quer dizer, não há a convivência de irmão, nem 100% do sangue.)
- Coisinhas... - respondi. Se bem que, agora, pensando melhor, essas coisinhas, que são escrever em três (em breve quatro) blogs (publicações com tecnologia do blog, mas com linguagem e finalidade bastante diferentes do padrão do blog como um diário, que esteja claro) e escrever textos poéticos para letras de música são fazer NADA. Ou seja, meditar, ruminar. Ou seja, são melhores momentos da vida. Otimismo. Mesmo assim, a Dona Depressão às vezes me invade quando eu rumino e percebo que é sem sentido. Não estar fazendo nada significa uma sinfonia: momentos alegres e ligeiros, de chorar, e momentos tristes e lentos, também de chorar. Pessimismo. Assim é a vida. Um otimismo pessimista.
"A existência era não apenas absurda, era simplesmente trabalho pesado. Pense em quantas vezes a gente veste as roupas de baixo em toda a vida. Era surpreendente, era repugnante, era estúpido." Eu, por exemplo, vesti as roupas de baixo 8.640 vezes, sem contar os dias em que tive que vesti-las mais de uma vez e os dias em que não tive que vesti-las. É aquelas três palavras, sim. Mas o problema vantajoso de não estar fazendo nada é que a gente se põe a pensar. E essa droga é uma viagem sem volta, como alertam por aí. Alguns chamam essa droga de loucura. Outros chamam-na de iluminação.
Outro grande problema é que o clube dos que estão lá é pouco procurado, e é muito longe. As pessoas ou não se interessam, ou ficam com preguiça de caminhar até lá. Sorte a delas. Azar o delas. "A maior parte do mundo estava doida. E a parte que não era doida era furiosa. E a parte que não era doida nem furiosa era apenas idiota. Eu não tinha chance. Só agüentar e esperar pelo fim. Era trabalho duro. O trabalho mais duro imaginável."
"Por que eu não podia simplesmente ser um cara assistindo a um jogo de beisebol? Interessado no resultado. Por que não podia ser um cozinheiro fritando ovos, desligado? Por que não podia ser uma mosca no pulso de alguém, rastejando sublime e interessada? Por que não podia ser um galo num galinheiro, catando milho? Por que aquilo?" Uma vez descobrindo o sentido sem sentido, não há como recuar, você já está lá e de lá só sai se a Dona Morte quiser. Então você chega a este cume, a este ponto máximo, e não tem mais para onde ir, nem como se mexer.
"Todo mundo estava fodido. Não havia vencedores. Só vencedores aparentes. Todos nós corríamos atrás de nada. Dia após dia. Sobreviver parecia a única necessidade. Não parecia bastante. Não com Dona Morte esperando. Eu ficava puto quando pensava no assunto." Dá um desânimo letal, chamado de depressão, quando você se dá conta que tudo o que você faz para se sentir é bem é só para se sentir bem, só para sobreviver. É triste pensar que as coisas boas não são tão boas, todas têm um vazio, nada preenche por completo. "Ainda não morrera, só estava em estado de rápida decomposição. Quem não estava? Estávamos todos na mesma canoa furada, tentando nos alegrar." Mas tem pessoas que não são assim, a Madi não é. Eu sou, talvez porque fui filho único duma família de classe média alta, e ainda por cima fui a quarta gestação da minha mãe. Todo o sentimento de ter um filho foi depositado em mim. Isso e o dinheiro. Eu devia ganhar todos esses brinquedos (que eu guardo até hoje e que induzem em mim boas recordações) como promessas de felicidades. Chantagens. Se eu estava chorando, alguma coisa eu recebia em troca para parar de ficar triste. E isso foi criando em mim expectativas maiores do que a satisfação que o birnquedo proporcionava. Certo natal eu ia ganhar o Jogo da Operação e enchi o saco até que eu pudesse ganhá-lo antes da noite de natal. Ganhei e continuei triste. Assim como o Chuck Noland conseguiu sair da ilha e voltar para casa, o que parecia a solução de tudo, depois de quatro anos e meio sozinho comendo côco e peixe. Mas não foi. Também as expectativas exageradas da minha mãe, por eu ser o único filho dela, e do meu pai, por ser perfeccionista mesmo, geraram essa frustração que sinto agora e o fato de eu ser absurdamente exigente comigo mesmo. Que beleza, esse blog é espaço para autopsicanálise.
Comerciantes não são humanos. Talvez sejam obrigados a não ser, mas isso não importa.
Estou caminhando na calçada duma rua de camelôs. Olho para um camelô.
- Fica à vontade - alguma vendedora me diz.
- Se tu não tivesse dito isso, eu ficaria - respondo, no pensamento.
Estou caminhando na calçada duma quadra com restaurante. Olho para o lado, sem querer.
- Quer entrar? Pois não? O que deseja? - um garçom me diz uma dessas coisas.
- Estamos passando na calçada - respondo, sem olhar de novo praquele lado.
Estamos numa ótica. A vendedora oferece uma armação Ralph Laurent, de R$ 473,00.
- Que absurdo! - exclamo.
- Eu não acho - diz a vendedora muito rapidamente, indignada. - Esta é uma armação boa. - "De classe", ela queria dizer.
- A gente paga pela marca - completo.
- Pela marca, pelo material. É fino - insiste.
- É 600% mais cara que essa outra - digo, em ponto final.
- Tem banheiro - pergunto, tendo certeza de que tem, pois vi no corredor.
- Sai ali, dobra ali, tem um shopping, lá tem - responde a mulher, querendo dizer "Que falta de compostura pedir para ir no banheiro nesta ótica fina".
Nessas horas dá para entender o carinha que metralhou o cinema.
Estou caminhando na calçada duma rua de camelôs. Olho para um camelô.
- Fica à vontade - alguma vendedora me diz.
- Se tu não tivesse dito isso, eu ficaria - respondo, no pensamento.
Estou caminhando na calçada duma quadra com restaurante. Olho para o lado, sem querer.
- Quer entrar? Pois não? O que deseja? - um garçom me diz uma dessas coisas.
- Estamos passando na calçada - respondo, sem olhar de novo praquele lado.
Estamos numa ótica. A vendedora oferece uma armação Ralph Laurent, de R$ 473,00.
- Que absurdo! - exclamo.
- Eu não acho - diz a vendedora muito rapidamente, indignada. - Esta é uma armação boa. - "De classe", ela queria dizer.
- A gente paga pela marca - completo.
- Pela marca, pelo material. É fino - insiste.
- É 600% mais cara que essa outra - digo, em ponto final.
- Tem banheiro - pergunto, tendo certeza de que tem, pois vi no corredor.
- Sai ali, dobra ali, tem um shopping, lá tem - responde a mulher, querendo dizer "Que falta de compostura pedir para ir no banheiro nesta ótica fina".
Nessas horas dá para entender o carinha que metralhou o cinema.
"- Gente, por favor. Cadê aquela banda visceral que me faz dançar sem parar?"
"- Crise, cara. Não temos mais o que fazer juntos." - disse Daniel, sem meias-palavras, engolindo a cerveja ruidosamente. "- Esses caras só querem saber de enrolar. Vou fazer o teste pra Bidê ou Balde agora!"
"- Que Bidê ou Balde o quê, Daniel! Você não vai sair do Blemish porra nenhuma!"
"- Tarde demais. Já comprei meu terninho e meus sapatos sociais."
"- Devolve na loja. Diz que ficou pequeno!"
"- Acabou, Luciano. Eu e o Douglas Dickel vamos pra Goiânia montar um projeto eletrônico com vocal feminino e trabalhar na área de relações públicas da Monstro. E vamos produzir o Prot(o)." - disse Tito, matando seu copo de cerveja.
Estranho esse diálogo? (Eu, personagem de uma história?) Faz parte do primeiro capítulo da novela Quero Ser Kevin Shields (é o guitarrista do My Bloody Valentine), que o Eduardo Palandi está escrevendo na coluna dele Eu Sou Mais Indie Que Você, na revista London Burning.
"- Crise, cara. Não temos mais o que fazer juntos." - disse Daniel, sem meias-palavras, engolindo a cerveja ruidosamente. "- Esses caras só querem saber de enrolar. Vou fazer o teste pra Bidê ou Balde agora!"
"- Que Bidê ou Balde o quê, Daniel! Você não vai sair do Blemish porra nenhuma!"
"- Tarde demais. Já comprei meu terninho e meus sapatos sociais."
"- Devolve na loja. Diz que ficou pequeno!"
"- Acabou, Luciano. Eu e o Douglas Dickel vamos pra Goiânia montar um projeto eletrônico com vocal feminino e trabalhar na área de relações públicas da Monstro. E vamos produzir o Prot(o)." - disse Tito, matando seu copo de cerveja.
Estranho esse diálogo? (Eu, personagem de uma história?) Faz parte do primeiro capítulo da novela Quero Ser Kevin Shields (é o guitarrista do My Bloody Valentine), que o Eduardo Palandi está escrevendo na coluna dele Eu Sou Mais Indie Que Você, na revista London Burning.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2002
Escrever com alguém do lado, vendo ou não, é que nem fazer xixi com alguém do lado, vendo ou não. O texto não sai e o xixi não sai.
Hoje, no ônibus que eu peguei para vir à universidade (a sala pública de informática da Unisinos - que agora fica no térreo granitado antes inaproveitado da maior biblioteca da América Latina - agora é meu escritório novamente, conexão cable modem, porém apenas duas ou três conectadas na semana, uma tortura para algo tão necessário), eu fiquei de pé no corredor. Mão esquerda segurando no ferro do banco, mão direita no ferro que vem do teto do ônibus. Notei que a menina que estava sentada no banco de trás ficou nervosa com a minha presença. Colocou os óculos escuros. Deixei a mão esquerda sempre no ferro, na frente da cara dela, para me segurar - claro - e para ver o que acontecia. De vez em quando ela colocava a mão dela a centímetros da minha. De vez em quando. Depois tirava. E voltava a botar. Mas foi só quando o ônibus estava quase chegando no destino que eu senti calor numa parte da minha mão. Ela teve coragem de encostar. Uma vez, por um segundo.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
"¿É impensável um Estado em que o malfeitor se denuncia por si mesmo, dita publicamente sua própria pena, no orgulhoso sentimento de que assim honra a lei que ele próprio fez, de que ao se punir exerce sua potência, a potência do legislador? Ele pode alguma vez cometer alguma falta, mas pela pena voluntária ele se eleva acima de sua falta, não somente apaga a falta pela liberdade de ânimo, grandeza e tranqüilidade: acrescenta-lhe um benefício público. Este seria o criminoso de um futuro possível, que sem dúvida pressupõe também uma legislação do futuro, deste pensamento fundamental: 'Curvo-me somente à lei que eu mesmo dei, nas pequenas como nas grandes coisas'. Tantos ensaios precisam ser feitos! Tanto futuro precisa ainda vir à luz!"
Isso é teoria política com poesia, um devaneio chapado ou pura prosa poética? É a Aurora - De um futuro possível, sendo o primeiro título o da obra, e o segundo, o do capítulo, numerado como § 187. É Nietzsche. Não é à toa que esse cara é entendido pelos maconheiros e pelos pós-modernos, e adotado por eles. Outro cara genial é o Arnaldo Jabor, tido como conservador (vejam só a falta de clareza na mente das pessoas). O próprio Nietzsche foi mal entendido ao ser utilizado pelos nazistas. Mas esse texto do Nietzche (que eu li abrindo o livro randomicamente, como um cristão abre a Bíblia para ler um salmo) me lembrou do dia em que eu ia atravessando a rua, aqui no Rio Grande do Sul, pela faixa de pedestres, e um golf branco não parou. Passou riscando por mim, e, para demonstrar minha raiva por ética, dei um tapa na lataria da traseira direita do carro. Estávamos na rua grande da cidade. Ele deu ré, engatou primeira e dobrou numa transversal, logo parando. Baixou o vidro e perguntou:
- Foi tu que bateu no meu carro?
- Foi.
- Por quê?
- Porque tu não parou na faixa de segurança.
- Não interessa, palhaço - disse, nervoso.
Nisso eu já ia seguindo meu caminho com minha mulher quando ele deu uma ré brusca e nervosa e me empurrou com o Golf. Querendo explodir um cara desses, bati com mais força ainda no mesmo local. Pena que foi de mão aberta, tinha que ter sido um soco ou um chute, para amassar mesmo. Segui caminho mais uma vez e ele desceu do carro e ficou gritando:
- Vem aqui bater de novo agora, palhaço. Por que tu não vem bater de novo agora, palhaço?
Entramos no banco que havia na esquina e foi sorte ele não ter ido atrás. Eu lutaria com ele, pela raiva e pela ética, apesar de ele parecer mais forte. Mas as condições seriam precárias, pois minhas pernas estavam tão bambas que eu quase encostava meu saco no chão. A nor-adrenalina destrói as pessoas. Talvez por ser pouco usada. Ela existe para preparar um corpo para a fuga, em caso de predação (sic). Só que a droga é tão forte e a gente é tão pouco acostumado a ela - esse tipo de situação não acontece muito - que desfalece.
Isso é teoria política com poesia, um devaneio chapado ou pura prosa poética? É a Aurora - De um futuro possível, sendo o primeiro título o da obra, e o segundo, o do capítulo, numerado como § 187. É Nietzsche. Não é à toa que esse cara é entendido pelos maconheiros e pelos pós-modernos, e adotado por eles. Outro cara genial é o Arnaldo Jabor, tido como conservador (vejam só a falta de clareza na mente das pessoas). O próprio Nietzsche foi mal entendido ao ser utilizado pelos nazistas. Mas esse texto do Nietzche (que eu li abrindo o livro randomicamente, como um cristão abre a Bíblia para ler um salmo) me lembrou do dia em que eu ia atravessando a rua, aqui no Rio Grande do Sul, pela faixa de pedestres, e um golf branco não parou. Passou riscando por mim, e, para demonstrar minha raiva por ética, dei um tapa na lataria da traseira direita do carro. Estávamos na rua grande da cidade. Ele deu ré, engatou primeira e dobrou numa transversal, logo parando. Baixou o vidro e perguntou:
- Foi tu que bateu no meu carro?
- Foi.
- Por quê?
- Porque tu não parou na faixa de segurança.
- Não interessa, palhaço - disse, nervoso.
Nisso eu já ia seguindo meu caminho com minha mulher quando ele deu uma ré brusca e nervosa e me empurrou com o Golf. Querendo explodir um cara desses, bati com mais força ainda no mesmo local. Pena que foi de mão aberta, tinha que ter sido um soco ou um chute, para amassar mesmo. Segui caminho mais uma vez e ele desceu do carro e ficou gritando:
- Vem aqui bater de novo agora, palhaço. Por que tu não vem bater de novo agora, palhaço?
Entramos no banco que havia na esquina e foi sorte ele não ter ido atrás. Eu lutaria com ele, pela raiva e pela ética, apesar de ele parecer mais forte. Mas as condições seriam precárias, pois minhas pernas estavam tão bambas que eu quase encostava meu saco no chão. A nor-adrenalina destrói as pessoas. Talvez por ser pouco usada. Ela existe para preparar um corpo para a fuga, em caso de predação (sic). Só que a droga é tão forte e a gente é tão pouco acostumado a ela - esse tipo de situação não acontece muito - que desfalece.
Enquanto isso, na Sala de Justiça, quer dizer, Casa dos Artistas...
SYANG> Eu já tava pensando aqui onde a gente pode fazer a nossa cabana de edredom.
ELLEN> Não, mas...
TIAZINHA> Não, mas...
SYANG> Só pras mulheres. Já sei onde pode ser. Aqui na mesa. A gente coloca o lençol em cima e pode fazer o que quiser lá embaixo. Só nós.
[Segunda-feira, Fevereiro 18, 2002]
SYANG> Eu já tava pensando aqui onde a gente pode fazer a nossa cabana de edredom.
ELLEN> Não, mas...
TIAZINHA> Não, mas...
SYANG> Só pras mulheres. Já sei onde pode ser. Aqui na mesa. A gente coloca o lençol em cima e pode fazer o que quiser lá embaixo. Só nós.
[Segunda-feira, Fevereiro 18, 2002]
Uma vez eu tinha que economizar tempo e comi meu lanche sentado no vaso do banheiro da universidade, defecando. A porta não trancava e a fatalidade aconteceu: um cara burro empurrou a porta que estava encostada, só não estava trancada, me viu e começou a gargalhar. Larguei o lanche em cima da mochila que estava no meu lado, no chão, respirei fundo e chutei a porta de volta, com toda a força que pude produzir. Ela bateu na sobrancelha esquerda do cara, que começou a sangrar. O rapaz caiu por causa da dor inesperada. Sem levantar minha calça, juntei uma bosta minha de dentro da água do vaso, enfiei na boca do cara e mexi o maxilar dele para cima e para baixo. Falei:
- Por que eu não posso comer e cagar ao mesmo tempo? Nada me impede. O cu é na bunda e a boca é na cara, e isso nem é tudo, se eu quisesse eu poderia comer cocô. Nada me impede.
Na verdade eu não fiz nada disso, nem falei. Só empurrei a porta delicadamente de volta e ouvi quieto a gargalhada do cara, como se eu estivesse sendo humilhado. Mas hoje - hoje, especificamente - pensei o quanto é idiota e imbecil uma pessoa que pensa como aquele cara pensou. Ele nunca ouviu falar de alguém que tivesse feito aquilo que ele viu (porque isso é feio, viu? Que nem passar fio dental na frente dos outros, não pode!), por isso considerou uma aberração. Assim como ele considera tudo que não é padrão da Massa Humana como aberração. Alguém já parou para pensar que padrão não existe de fato, a não ser as leis da natureza e a ética (que ainda assim é subjetiva às vezes)? A Massa Humana existe de fato. E essa, sim, cheira a merda - metaforicamente. [Segunda-feira, Fevereiro 18, 2002]
- Por que eu não posso comer e cagar ao mesmo tempo? Nada me impede. O cu é na bunda e a boca é na cara, e isso nem é tudo, se eu quisesse eu poderia comer cocô. Nada me impede.
Na verdade eu não fiz nada disso, nem falei. Só empurrei a porta delicadamente de volta e ouvi quieto a gargalhada do cara, como se eu estivesse sendo humilhado. Mas hoje - hoje, especificamente - pensei o quanto é idiota e imbecil uma pessoa que pensa como aquele cara pensou. Ele nunca ouviu falar de alguém que tivesse feito aquilo que ele viu (porque isso é feio, viu? Que nem passar fio dental na frente dos outros, não pode!), por isso considerou uma aberração. Assim como ele considera tudo que não é padrão da Massa Humana como aberração. Alguém já parou para pensar que padrão não existe de fato, a não ser as leis da natureza e a ética (que ainda assim é subjetiva às vezes)? A Massa Humana existe de fato. E essa, sim, cheira a merda - metaforicamente. [Segunda-feira, Fevereiro 18, 2002]
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2002
Eu vejo a Casa dos Artistas. Porque eu me interesso pela psicologia das pessoas, pelo modo como elas se relacionam, trocam energias, se sintonizam ou se repelem ou se toleram-suportam. Porque eu gosto de observar a beleza que há na diferença de cada um. Porque eu gosto de coisas que se tornam públicas, invasões de privacidade, essas coisas que agradam 100% dos não-hipócritas. Talvez porque seja um não-desligamento total da minha infância e adolescência de telespectador fanático, um não-desligamento total da droga que são os raios catódicos (como descobriu o Träsel). Porque eu gosto de ver os habitualmente mascarados terem que deixar totalmente pelados seus caráteres e personalidades. Por isso que eu queria ser amigo do Supla. Por isso e por outras coisas que eu vou detalhar melhor noutro texto. Eu vi TUDO da Casa dos Artistas 1, inclusive os ao-vivos que passaram por poucos dias, à tarde. Comecei a ver pela presença do Supla, pensando que ia ser divertido ele avacalhar com os outros. Mas a verdade foi outra, e os motivos tornaram-se outros para eu acompanhar até o fim, até o choro do fim. Eu vou ver a Casa dos Artistas 2. A partir de hoje, todos os dias, às 21h.
Ontem o Supla foi para o meio da platéia do Domingo Legal e começou a berrar. Será que até em momentos como esse as fãs histéricas da imagem-que-elas-criaram-a-partir-da-imagem-que-a-mídia-está-criando-do-Supla suspiram e soltam seus agudíssimos gritinhos?
Ontem o Supla foi para o meio da platéia do Domingo Legal e começou a berrar. Será que até em momentos como esse as fãs histéricas da imagem-que-elas-criaram-a-partir-da-imagem-que-a-mídia-está-criando-do-Supla suspiram e soltam seus agudíssimos gritinhos?
sábado, 16 de fevereiro de 2002
MOGWAI e RADIOHEAD no Brasil este ano.
No dia em que eu for entrevistado pela Lorena Calabria no Multishow eu vou dizer:
- A tua apresentação do Sigur Rós no Free Jazz e o Rubens Ewald Filho e a Babi xingando a Björk no Oscar foram as piores coisas que eu vi na televisão em todos os tempos.
{Retrospectiva}
Rubens> Não sei por quê, eu tenho a sensação de que ela está tirando sarro da minha cara [é claro que sim, babaca].
Babi> O visual dela é um fiasco [é perfeito, vestida de cisne no Shrine Auditorium e ainda bota um ovo no tapete vermelho, o teu que é sem graça].
E ainda:
Babi> Ela está parecendo um urubu [um ano antes, sobre a Angelina Jolie, por ela estar toda de preto; sem comentários].
Lorena> Eles me surpreenderam [claro, não conhece nada de música boa]. Eu tinha ouvido coisas muito diferentes a respeito da banda, uns diziam que eles eram pesados, outros diziam que eles usavam cordas... [realmente, cordas e peso são coisas antagônicas...] Agora eles estão num momento apoteótico [e bem nessa hora o Multishow corta e mostra a múmia falando], já estão acabando [mentira].
{Fim da retrospectiva}
Aí o Lobão vai me telefonar me dando os parabéns e querendo me adotar. Então nós sempre vamos aparecer juntos na mídia.
- A tua apresentação do Sigur Rós no Free Jazz e o Rubens Ewald Filho e a Babi xingando a Björk no Oscar foram as piores coisas que eu vi na televisão em todos os tempos.
{Retrospectiva}
Rubens> Não sei por quê, eu tenho a sensação de que ela está tirando sarro da minha cara [é claro que sim, babaca].
Babi> O visual dela é um fiasco [é perfeito, vestida de cisne no Shrine Auditorium e ainda bota um ovo no tapete vermelho, o teu que é sem graça].
E ainda:
Babi> Ela está parecendo um urubu [um ano antes, sobre a Angelina Jolie, por ela estar toda de preto; sem comentários].
Lorena> Eles me surpreenderam [claro, não conhece nada de música boa]. Eu tinha ouvido coisas muito diferentes a respeito da banda, uns diziam que eles eram pesados, outros diziam que eles usavam cordas... [realmente, cordas e peso são coisas antagônicas...] Agora eles estão num momento apoteótico [e bem nessa hora o Multishow corta e mostra a múmia falando], já estão acabando [mentira].
{Fim da retrospectiva}
Aí o Lobão vai me telefonar me dando os parabéns e querendo me adotar. Então nós sempre vamos aparecer juntos na mídia.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002
Agora estou com todas minhas coisas de infância em casa, depois de oito anos de separação. Elas moravam com as traças, os ratos e seus cocôs. Ontem ficamos crianças e fizemos uma festa com as coisas: Ferrorama, miniaturas de engradados de Coca-Cola e Minuano Limão, Super Trunfo e (seu antecessor) Super Coluna, Jogo da Operação, Vira-Monstro Vira-Herói, pinicas (bolinhas de gude, para os estrangeiros), coleção de moedas, cartinhas de amor, figurinhas e álbuns de figurinhas (campeonatos brasileiros, Batman, O Retorno De Jedi, Fofura, Impacto, Menudo, chocolate Surpresa, Ploc Monsters, da Elma Chips etc.), gibis (aventuras Marvel, Disney, turma da Mônica, Hanna Barbera), Aquaplay, Playmobil, pistola e parabela Estrela de espoletas Ringo, bombinhas (rojões), pino mágico, Echo Chain (o chaveirinho que responde a assobios e frêqüências agudas em geral), Rapa-Tudo, Transformers,(futebol de) botão etc. Em termos de brinquedos, eu fui uma criança de sorte; em termos de lembranças conservadas, eu sou um adulto de sorte.
Lê isto aqui, me diz o que achou e depois eu conto de quem é.
METADE
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio
Que a música que eu ouço ao longe seja linda
Ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade é o que eu canto
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio
Me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade, também
METADE
Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio
Que a música que eu ouço ao longe seja linda
Ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja para sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
E a outra metade é o que eu canto
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade eu não sei
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio
Me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém tente complicar
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade, também
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Deu vontade de chorar mas como muitas vezes o choro não saiu. (A gente aprende a ser forte e a não chorar porque homem não chora e aí fica esse nó na garganta, essa coisa presa que não sai, mesmo tendo vontade.) É porque eu me emocionei vendo mais uma vez o Pulp tocando Common People, acho que no Reading Festival. Aquilo é tudo o que eu quero que o meu som seja: melodias e arranjos que provocam sensações intensas junto com letras que dizem coisas do fundo da alma ou de reflexões importantes. Fazer um som só instrumental seria muito bom, mas faltariam as letras e os vocais para a coisa ficar completa, full. Puxa, e o Jarvis Cocker é MUITO BOM. Ele tem o visual e o jeito de se mexer e escreve como poucos e canta como raros. Pena que os CDs são irregulares. As poucas faixas que eu ouvi do novo We Love Life não me agradaram como Like A Friend, Mis-Shapes, The Fear, This Is Hardcore e Common People, que são simplesmente perfeitas. Olha a tradução da letra sobre as Pessoas Comuns (copiada direto das legendas exibidas no Multishow).
Ela veio da Grécia, tinha sede de sabedoria
Estudou escultura na Saint Martin’s
Foi onde eu conquistei sua atenção
Ela me disse que seu pai estava bêbado
Eu disse “Vou tomar rum com coca-cola”
Ela disse “Tudo bem”
Então, em trinta segundos, ela disse
“Quero viver como as pessoas comuns
Eu quero fazer o que toda pessoa comum faz
Quero dormir com pessoas comuns
Quero dormir com pessoas comuns como você”
Bem, o que mais eu podia fazer?
Eu disse “Vou ver o que posso fazer”
Eu a levei ao supermercado
Não sei por quê, mas tinha que começar de algum lugar
Então, começou lá
Eu disse “Finja que não tem dinheiro”
Ela riu e disse “Você é engraçado”
Eu disse “É mesmo?
Bem, eu não vejo ninguém mais rindo aqui”
"Você quer viver como as pessoas comuns?
Você quer ver o que as pessoas comuns vêem?
Quer domir com pessoas comuns?
Quer domir com pessoas comuns como eu?”
Mas ela não entendeu, ela sorriu e segurou minha mão
"Alugue um apartamento sobre uma loja
Corte o cabelo e arrume um emprego
Fume alguns cigarros e jogue sinuca
Finja que nunca foi à escola
Ainda assim nunca vai acertar
Porque ao deitar na cama à noite
Vendo baratas subirem pela parede
Se você chamasse seu pai ele acabaria com tudo
Você nunca vai viver como as pessoas comuns
Nunca vai fazer o que as pessoas comuns fazem
Nunca vai falhar como as pessoas comuns
Nunca vai ver sua vida perder-se de vista
E dançar, beber e transar
Porque não há mais nada para se fazer
Cante junto com as pessoas comuns
Cante junto e você pode chegar lá
Ria junto com as pessoas comuns
Ria junto mesmo que elas riam de você
E das coisas estúpidas que você faz
Porque você acha que ser pobre é legal
Como um cão deitado numa esquina
Vão morder você e nunca avisá-la
Cuidado, vão dilacerar suas tripas
Porque todos detestam um turista
Principalmente um que acha que tudo é riso
E a mancha de gordura da batata frita sairá no banho
Você nunca vai entender como é viver a sua vida
Sem significado ou controle
E sem lugar algum para ir
Fica pasmo por existirem
E queimarem intensamente enquanto você se questiona
'Por quê?' "
Ela veio da Grécia, tinha sede de sabedoria
Estudou escultura na Saint Martin’s
Foi onde eu conquistei sua atenção
Ela me disse que seu pai estava bêbado
Eu disse “Vou tomar rum com coca-cola”
Ela disse “Tudo bem”
Então, em trinta segundos, ela disse
“Quero viver como as pessoas comuns
Eu quero fazer o que toda pessoa comum faz
Quero dormir com pessoas comuns
Quero dormir com pessoas comuns como você”
Bem, o que mais eu podia fazer?
Eu disse “Vou ver o que posso fazer”
Eu a levei ao supermercado
Não sei por quê, mas tinha que começar de algum lugar
Então, começou lá
Eu disse “Finja que não tem dinheiro”
Ela riu e disse “Você é engraçado”
Eu disse “É mesmo?
Bem, eu não vejo ninguém mais rindo aqui”
"Você quer viver como as pessoas comuns?
Você quer ver o que as pessoas comuns vêem?
Quer domir com pessoas comuns?
Quer domir com pessoas comuns como eu?”
Mas ela não entendeu, ela sorriu e segurou minha mão
"Alugue um apartamento sobre uma loja
Corte o cabelo e arrume um emprego
Fume alguns cigarros e jogue sinuca
Finja que nunca foi à escola
Ainda assim nunca vai acertar
Porque ao deitar na cama à noite
Vendo baratas subirem pela parede
Se você chamasse seu pai ele acabaria com tudo
Você nunca vai viver como as pessoas comuns
Nunca vai fazer o que as pessoas comuns fazem
Nunca vai falhar como as pessoas comuns
Nunca vai ver sua vida perder-se de vista
E dançar, beber e transar
Porque não há mais nada para se fazer
Cante junto com as pessoas comuns
Cante junto e você pode chegar lá
Ria junto com as pessoas comuns
Ria junto mesmo que elas riam de você
E das coisas estúpidas que você faz
Porque você acha que ser pobre é legal
Como um cão deitado numa esquina
Vão morder você e nunca avisá-la
Cuidado, vão dilacerar suas tripas
Porque todos detestam um turista
Principalmente um que acha que tudo é riso
E a mancha de gordura da batata frita sairá no banho
Você nunca vai entender como é viver a sua vida
Sem significado ou controle
E sem lugar algum para ir
Fica pasmo por existirem
E queimarem intensamente enquanto você se questiona
'Por quê?' "
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2002
E a Gata Quente me ouve falando sobre esses pensamentos evolutivos e pergunta "Qual é a teoria de hoje?"...
^ ^
oO
(oo)
^ ^
oO
(oo)
Escrevo para quem? Quem me lê? Quem está lendo isto aqui agora me dá um alô. O principal disto aqui é realmente pensar em voz alta, e pensar de um modo organizado e bonito porque está sendo publicado - treinar o texto. Treinar o pensamento e a voz alta.
Um diagnóstico grave: "O ouvido dele é tão fechado que o riff principal de Paranoid Android não causa efeito nenhum."
Os cachorrinhos de verdade me tratam como se eu fosse um deles, quando eu me ajoelho e encosto meu nariz no focinho geladinho e molhadinho deles. Eu gosto tanto deles que me sinto um próprio cachorrinho :D
"Se o Michael Stipe tivesse 4 cachorrinhos, gostaria que fossemos nós!! :) Já pensou!?! Íamos nos divertir bastante com nosso dono, além de estarmos sempre juntos, não teríamos preocupações capitalistas, só comer, dormir e brincar. E ouvir R.E.M. e suas influências muitas vezes..." (John Voyers)
"Apesar de alguns bicões se enturmarem de gaiato na panela dos legais, afinal os legais são sempre abertos, mas isso às vezes me dá um pouco de desgosto." (JV)
O pesadelo começou quando eu errei o caminho, por esquecimento, passei num pardal acima da velocidade e ainda tive que pagar pedágio. A estrada de terra da rodovia até a casa estava péssima (é péssima), o carro desceu dançando desgovernado e até uma pedra se atirou e acertou embaixo do banco da direita. "Diz para ele que ele está parecendo o Papai Noel", disse a mulher. As duas crianças estavam achando minha barba até engraçada, parecia, mas a mulher disse "Eles estão achando estranho, esquisito, nunca conviveram com alguém de barba assim". Covardia, falta de coragem para assumir os próprios pensamentos nojentos de boa capricorniana e ainda por cima usando os próprios filhos de menos de meia dúzia de anos como porta-vozes mudos. Parece o cara que obrigou a Selma a suicidar ele. A tarefa de limpar os brinquedos e os cadernos e os livros de aula para resgatá-los dos ratos e dos cocôs de ratos foi barra pesada, pois durou mais de um dia e os cocôs era muitos, as aranhas mortas e vivas eram muitas, e as coisas comidas por ratos, como varetas de pega-varetas e caixinhas de cigarros da coleção de caixinhas de cigarros também eram muitas. À noite, o medo de assalto (a casa já foi assaltada e meu pai, torturado com choque de fio de ferro de passar roupa cortado e coronhadas, com a mulher e os dois pequenos de platéia ainda por cima) criou nervosismo e não foi fácil dormir, à meia-noite. O colchão tinha três dobras e era áspero, pois é de um sofá-cama, o que aumentava o desconforto. E o travesseiro era baixo demais. Às 3:00 um dos meus irmãos teve um sonho e acordou dizendo "Esse não tem pilha", e depois "Bobo mãe, bobo", ainda "Não quero dormir". Eu é que acabei não querendo e não conseguindo e passei duas horas em claro, torcendo para que o escuro fosse embora logo. Nunca desejei tanto que chegasse o dia, a noite é um pesadelo para quem tem inimigos noturnos. E os galos me torturaram cantando muito antes da hora, como numa provocação. Quando era a hora certa do seu canto matinal, eu finalmente já estava dormindo, e acordamos às 10:51. Mais limpeza e mais organização, caixas no porta-malas, muito cansaço, sono e fome. Um banho, quatro horas de sono e a visão da minha casa limpa deram o conforto necessário para fazer uma janta e vir até aqui escrever.
Um diagnóstico grave: "O ouvido dele é tão fechado que o riff principal de Paranoid Android não causa efeito nenhum."
Os cachorrinhos de verdade me tratam como se eu fosse um deles, quando eu me ajoelho e encosto meu nariz no focinho geladinho e molhadinho deles. Eu gosto tanto deles que me sinto um próprio cachorrinho :D
"Se o Michael Stipe tivesse 4 cachorrinhos, gostaria que fossemos nós!! :) Já pensou!?! Íamos nos divertir bastante com nosso dono, além de estarmos sempre juntos, não teríamos preocupações capitalistas, só comer, dormir e brincar. E ouvir R.E.M. e suas influências muitas vezes..." (John Voyers)
"Apesar de alguns bicões se enturmarem de gaiato na panela dos legais, afinal os legais são sempre abertos, mas isso às vezes me dá um pouco de desgosto." (JV)
O pesadelo começou quando eu errei o caminho, por esquecimento, passei num pardal acima da velocidade e ainda tive que pagar pedágio. A estrada de terra da rodovia até a casa estava péssima (é péssima), o carro desceu dançando desgovernado e até uma pedra se atirou e acertou embaixo do banco da direita. "Diz para ele que ele está parecendo o Papai Noel", disse a mulher. As duas crianças estavam achando minha barba até engraçada, parecia, mas a mulher disse "Eles estão achando estranho, esquisito, nunca conviveram com alguém de barba assim". Covardia, falta de coragem para assumir os próprios pensamentos nojentos de boa capricorniana e ainda por cima usando os próprios filhos de menos de meia dúzia de anos como porta-vozes mudos. Parece o cara que obrigou a Selma a suicidar ele. A tarefa de limpar os brinquedos e os cadernos e os livros de aula para resgatá-los dos ratos e dos cocôs de ratos foi barra pesada, pois durou mais de um dia e os cocôs era muitos, as aranhas mortas e vivas eram muitas, e as coisas comidas por ratos, como varetas de pega-varetas e caixinhas de cigarros da coleção de caixinhas de cigarros também eram muitas. À noite, o medo de assalto (a casa já foi assaltada e meu pai, torturado com choque de fio de ferro de passar roupa cortado e coronhadas, com a mulher e os dois pequenos de platéia ainda por cima) criou nervosismo e não foi fácil dormir, à meia-noite. O colchão tinha três dobras e era áspero, pois é de um sofá-cama, o que aumentava o desconforto. E o travesseiro era baixo demais. Às 3:00 um dos meus irmãos teve um sonho e acordou dizendo "Esse não tem pilha", e depois "Bobo mãe, bobo", ainda "Não quero dormir". Eu é que acabei não querendo e não conseguindo e passei duas horas em claro, torcendo para que o escuro fosse embora logo. Nunca desejei tanto que chegasse o dia, a noite é um pesadelo para quem tem inimigos noturnos. E os galos me torturaram cantando muito antes da hora, como numa provocação. Quando era a hora certa do seu canto matinal, eu finalmente já estava dormindo, e acordamos às 10:51. Mais limpeza e mais organização, caixas no porta-malas, muito cansaço, sono e fome. Um banho, quatro horas de sono e a visão da minha casa limpa deram o conforto necessário para fazer uma janta e vir até aqui escrever.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2002
Trecho duma entrevista com o Hakim Bey traduzida pelo Pilla e me passado pela Eiko (tem tudo a ver com a minha visão de mundo, Arnaldo Jabor e Fórum Social Mundial):
"Se os libertários tivessem passado os últimos quinze anos organizando redes econômicas alternativas para potencializar o surgimento da ZAT e levar à Zona Autônoma Permanente (ZAP), em vez de jogar o joguinho fútil da politicagem de terceiro-partido, que é a posição perdedora desde o início; se o movimento da maconha tivesse dedicado suas energias para organizar redes econômicas alternativas nos últimos quinze anos, não necessariamente baseadas em trocas 'criminosas' de dinheiro por maconha, mas em possibilidades e necessidades do dia-a-dia; se toda esta energia tivesse sido dirigida NESTE sentido, em vez de no que me parece uma quimera, uma aberração totalmente abstrata chamada 'força política legislativa democrática' - então eu acho que nós estaríamos há muito tempo no caminho para a mudança revolucionária nesta sociedade. Do jeito como é, todas estas boas intenções e alta energia foram mal-dirigidas para um jogo - um jogo em que a autoridade faz as regras, e que 'eles' fixaram de uma maneira que pessoas como eu e você não PODEM ganhar força com este sistema."
"Se os libertários tivessem passado os últimos quinze anos organizando redes econômicas alternativas para potencializar o surgimento da ZAT e levar à Zona Autônoma Permanente (ZAP), em vez de jogar o joguinho fútil da politicagem de terceiro-partido, que é a posição perdedora desde o início; se o movimento da maconha tivesse dedicado suas energias para organizar redes econômicas alternativas nos últimos quinze anos, não necessariamente baseadas em trocas 'criminosas' de dinheiro por maconha, mas em possibilidades e necessidades do dia-a-dia; se toda esta energia tivesse sido dirigida NESTE sentido, em vez de no que me parece uma quimera, uma aberração totalmente abstrata chamada 'força política legislativa democrática' - então eu acho que nós estaríamos há muito tempo no caminho para a mudança revolucionária nesta sociedade. Do jeito como é, todas estas boas intenções e alta energia foram mal-dirigidas para um jogo - um jogo em que a autoridade faz as regras, e que 'eles' fixaram de uma maneira que pessoas como eu e você não PODEM ganhar força com este sistema."
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2002
O Eduardo Palandi, que eu conheci num London Burning Festival em São Paulo, conheceu o Silvio Ricardo no IRC e depois pessoalmente em Brasília. O importante é que o Silvio fez um bonito Top 10 de beijos:
1 - beijo quando a moça quer comer a tua boca, e realmente morde morde e morde, sem deixar de beijar
2 - beijo na orelha
3 - beijo no pescoço
4 - beijo molhaaaaaado
5 - beijo no rosto quando a pessoa, ao inves de simplesmente encostar o rosto no teu, toca rua bochecha com os lábios... é emocionante
6 - beijo no rosto de amigos homens - é muito emocionante
7 - beijo nos olhos fechados
8 - beijo do meio da testa
9 - beijos nos pés
10 - beijar sem destino!!!
1 - beijo quando a moça quer comer a tua boca, e realmente morde morde e morde, sem deixar de beijar
2 - beijo na orelha
3 - beijo no pescoço
4 - beijo molhaaaaaado
5 - beijo no rosto quando a pessoa, ao inves de simplesmente encostar o rosto no teu, toca rua bochecha com os lábios... é emocionante
6 - beijo no rosto de amigos homens - é muito emocionante
7 - beijo nos olhos fechados
8 - beijo do meio da testa
9 - beijos nos pés
10 - beijar sem destino!!!
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