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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002

"¿É impensável um Estado em que o malfeitor se denuncia por si mesmo, dita publicamente sua própria pena, no orgulhoso sentimento de que assim honra a lei que ele próprio fez, de que ao se punir exerce sua potência, a potência do legislador? Ele pode alguma vez cometer alguma falta, mas pela pena voluntária ele se eleva acima de sua falta, não somente apaga a falta pela liberdade de ânimo, grandeza e tranqüilidade: acrescenta-lhe um benefício público. Este seria o criminoso de um futuro possível, que sem dúvida pressupõe também uma legislação do futuro, deste pensamento fundamental: 'Curvo-me somente à lei que eu mesmo dei, nas pequenas como nas grandes coisas'. Tantos ensaios precisam ser feitos! Tanto futuro precisa ainda vir à luz!"

Isso é teoria política com poesia, um devaneio chapado ou pura prosa poética? É a Aurora - De um futuro possível, sendo o primeiro título o da obra, e o segundo, o do capítulo, numerado como § 187. É Nietzsche. Não é à toa que esse cara é entendido pelos maconheiros e pelos pós-modernos, e adotado por eles. Outro cara genial é o Arnaldo Jabor, tido como conservador (vejam só a falta de clareza na mente das pessoas). O próprio Nietzsche foi mal entendido ao ser utilizado pelos nazistas. Mas esse texto do Nietzche (que eu li abrindo o livro randomicamente, como um cristão abre a Bíblia para ler um salmo) me lembrou do dia em que eu ia atravessando a rua, aqui no Rio Grande do Sul, pela faixa de pedestres, e um golf branco não parou. Passou riscando por mim, e, para demonstrar minha raiva por ética, dei um tapa na lataria da traseira direita do carro. Estávamos na rua grande da cidade. Ele deu ré, engatou primeira e dobrou numa transversal, logo parando. Baixou o vidro e perguntou:

- Foi tu que bateu no meu carro?
- Foi.
- Por quê?
- Porque tu não parou na faixa de segurança.
- Não interessa, palhaço - disse, nervoso.

Nisso eu já ia seguindo meu caminho com minha mulher quando ele deu uma ré brusca e nervosa e me empurrou com o Golf. Querendo explodir um cara desses, bati com mais força ainda no mesmo local. Pena que foi de mão aberta, tinha que ter sido um soco ou um chute, para amassar mesmo. Segui caminho mais uma vez e ele desceu do carro e ficou gritando:

- Vem aqui bater de novo agora, palhaço. Por que tu não vem bater de novo agora, palhaço?

Entramos no banco que havia na esquina e foi sorte ele não ter ido atrás. Eu lutaria com ele, pela raiva e pela ética, apesar de ele parecer mais forte. Mas as condições seriam precárias, pois minhas pernas estavam tão bambas que eu quase encostava meu saco no chão. A nor-adrenalina destrói as pessoas. Talvez por ser pouco usada. Ela existe para preparar um corpo para a fuga, em caso de predação (sic). Só que a droga é tão forte e a gente é tão pouco acostumado a ela - esse tipo de situação não acontece muito - que desfalece.

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