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segunda-feira, 28 de junho de 2010

"A essência do princípio feminino é espaço — o vasto, o vasto espaço. É uma investigação do espaço aberto da mente e do coração, tanto de mulheres como de homens. E ele convida cada um de nós a descobrir como podemos manifestar mais espaço e abertura em nossa vida cotidiana e em nosso trabalho com os outros. Muitos de nós têm uma tendência habitual a focar nossa atenção em conteúdos — em palavras, números ou ações. O princípio feminino convida-nos, em vez disso, a perceber o espaço e o contexto. Ele expande nossa atenção para a atmosfera ou para o meio. Convida-nos a perceber o espaço do qual se origina a experiência. Talvez isso pareça um pouco obscuro, mas na verdade é algo muito presente e faz parte da experiência de todos. Talvez seja o sentido invisível ou intangível de nossa experiência — sobre o qual não é fácil falar, mas que está lá mesmo assim. O princípio feminino convida-nos a buscar a visão mais ampla, a ver todo o quadro, e a relaxar um pouco." (Arawana Hayashi/Dharma|Arte)

domingo, 27 de junho de 2010

"A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça. Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara.

"Em primeiro lugar pelo excesso de informação. A informação não é experiência. E mais, a informação não deixa lugar para a experiência, ela é quase o contrário da experiência, quase uma anti-experiência. Por isso a ênfase contemporânea na informação, em estar informados, e toda a retórica destinada a constituir-nos como sujeitos informantes e informados; a informação não faz outra coisa que cancelar nossas possibilidades de experiência. O sujeito da informação sabe muitas coisas, passa seu tempo buscando informação, o que mais o preocupa é não ter bastante informação; cada vez sabe mais, cada vez está melhor informado, porém com essa obsessão pela informação e pelo saber (mas saber não no sentido de 'sabedoria', mas no sentido de 'estar informado') o que consegue é que nada lhe aconteça. Depois de assistir a uma aula ou a uma conferência, depois de ter lido um livro ou uma informação, depois de ter feito uma viagem ou de ter visitado uma escola, podemos dizer que sabemos coisas que antes não sabíamos, que temos mais informação sobre alguma coisa, mas, ao mesmo tempo, podemos dizer também que nada nos aconteceu, que nada nos tocou, que com tudo o que aprendemos nada nos sucedeu ou nos aconteceu.

"Como se o conhecimento se desse sob a forma de informação, e como se aprender não fosse outra coisa que não adquirir e processar informação. (...) O que eu quero apontar aqui é que uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade onde a experiência é impossível.

"Em segundo lugar, a experiência é cada vez mais rara por excesso de opinião. O sujeito moderno é um sujeito informado que, além disso, opina. É alguém que tem uma opinião supostamente pessoal e supostamente própria e, às vezes, supostamente crítica sobre tudo o que se passa, sobre tudo aquilo de que tem informação. Para nós, a opinião como a informação se converteu em um imperativo. Nós, em nossa arrogância, passamos a vida opinando sobre qualquer coisa sobre que nos sentimos informados. E se alguém não tem opinião, se não tem uma posição própria sobre o que se passa, se não tem um julgamento preparado sobre qualquer coisa que se lhe apresente, sente-se em falso, como se lhe faltasse algo essencial. E pensa que tem que ter uma opinião. Depois da informação, vem a opinião. No entanto, a obsessão pela opinião também anula nossas possibilidades de experiência, também faz com que nada nos aconteça.

"Benjamin dizia que o periodismo é o grande dispositivo moderno para a destruição generalizada da experiência. O periodismo destrói a experiência, sobre isso não há dúvida, e o periodismo não é outra coisa que a aliança perversa entre informação e opinião. O periodismo é a fabricação da informação e a fabricação da opinião. E quando a informação e a opinião se sacralizam, quando ocupam todo o espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria que fazer a história segundo os velhos marxistas, não é outra coisa que o suporte informado da opinião pública. Quer dizer, um sujeito fabricado e manipulado pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz de experiência. E o fato de o periodismo destruir a experiência é algo mais profundo e mais geral do que aquilo que derivaria do efeito dos meios de comunicação de massas sobre a conformação de nossas consciências." (Jorge Larrosa Bondía, professor da Universidade de Barcelona e doutor em Filosofia da Educação)

sábado, 26 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Eu ouço o Galvão desde criança. Desde o Piquet e o Careca. Desde "Ayrton Senna do Brasil!" e "É tetra!". Não troco ele pelo Luciano do Vale. Nem pelo Sílvio Luís. Por nenhum outro narrador. Numa compilação das narrações do gol que deu o título mundial ao Inter, a do Galvão foi, de longe, a mais emocionante.

Cala a boca, JORNALISMO. (Não adianta trocar pra Band. Fátimas, Bonners, Escobares e Schmidtes - e Coutos - estão por toda parte.)

Palpite meu para as semifinais da Copa 2010: Brasil x Uruguai e Argentina x Paraguai. A Europa não está gostando de jogar em gramados do Terceiro Mundo.

E o presidente da CBF interveio pra que o Dunga aceitasse que a Seleção desse uma entrevista exclusiva para a Fátima Bernardes. Dunga disse que, se fosse obrigado a aceitar, seu cargo estaria à disposição e A FÁTIMA PODERIA TREINAR O BRASIL.
"Um dia o Buda estava sentado na floresta com alguns monges. Eles tinham acabado de almoçar e já iam começar um compartilhamento sobre o Dharma quando um fazendeiro se aproximou deles. O fazendeiro disse: 'Veneráveis monges, vocês viram minhas vacas por aqui? Eu tenho dezenas de vacas e elas fugiram. Além disso, eu tenho cinco acres de plantação de gergelim e este ano os insetos comeram tudo. Eu acho que vou me matar. Eu não posso continuar a viver assim.' O Buda sentiu forte compaixão pelo fazendeiro. Ele disse: 'Meu amigo, me desculpe, não vimos suas vacas vindo nessa direção.' Quando o fazendeiro se foi, o Buda se voltou para seus monges e disse: 'Meus amigos, sabem por que vocês são felizes? Porque vocês não têm vacas para perder.' Eu gostaria de dizer a mesma coisa para vocês. Meus amigos, se vocês têm vacas, têm que identificá-las. Você pensa que elas são essenciais para sua felicidade, mas se você praticar olhar em profundidade, entenderá que são estas mesmas vacas que trazem sua infelicidade. O segredo da felicidade é ser capaz de deixar ir suas vacas, soltá-las. Você deveria chamar suas vacas por seus verdadeiros nomes. Eu te garanto que quando você deixar suas vacas ir embora, você experimentará felicidade porque quanto mais liberdade você tem, mais felicidade você terá." (Thich Nhât Hanh)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Foram divulgados os espetáculos que concorrerão ao 5º Prêmio Braskem Em Cena. Eles vão compor a grade de atrações gaúchas do 17º Festival Porto Alegre Em Cena, de 8 a 26 de setembro. O prêmio será entregue ao final do evento.

Confira os selecionados:

- Dentrofora (teatro), de Carlos Ramiro Fensterseifer
- Dar Carne à Memória (dança), de Mônica Dantas e Eva Schul
- Elefantilt (teatro), de Humberto Vieira
- Milkshakespeare (teatro), de Camilo de Lélis
- My House (dança), de Marco Rodrigues
- O Avarento (teatro), de Gilberto Fonseca
- Homem que Não Vive da Glória do Passado (teatro), de João de Ricardo, Cia. Espaco em BRANCO
- O Gordo e o Magro Vão para o Céu (teatro), de Nelson Diniz e Liane Venturella
- Play-Beckett (dança e teatro), de Alexandre Dill e Igor Pretto
- Solos Trágicos (teatro), de Roberto Oliveira
"Compaixão idiota é uma grande expressão, que na verdade foi cunhada por Trungpa Rinpoche. Refere-se a algo que todos nós fazemos muito e chamamos de compaixão. Em alguns sentidos, é o que se chama indulgência. É a tendência geral de dar às pessoas o que elas querem porque não podemos suportar vê-las sofrendo. Fundamentalmente, não estamos dando a elas aquilo de que necessitam. Estamos tentando nos livrar de nossa sensação de não podermos vê-las sofrendo. Em outras palavras, estamos fazendo isso por nós próprios. Não estamos realmente fazendo por elas." (Pema Chödrön)


Quanto aos jornalistas, o Dunga é o Bob Dylan gaúcho do futebol brasileiro, o Amarante da mídia esportiva. Estamos carentes de heróis assim. Viva o Dunga!

segunda-feira, 21 de junho de 2010



"Gostaria de acreditar que as coisas que faço pertencem a um outro tipo de realidade. Acho que o papel de um artista também é reverter valores, olhar para o mundo e virá-lo do avesso." (Thais Beltrame)

domingo, 20 de junho de 2010

Mais algumas palavras sobre o Eugene Hutz. Ele, sem bigode, É o Alexander do livro do Jonfen. É impossível ler o livro, depois de ter visto o filme, sem ouvir a voz do Gogol Bordello falando em "roncar ZZZZs".



Vajrakilaya supera os obstáculos às atividades espirituais através dos meios hábeis da compaixão irada com os quais derrota os venenos emocionais internos da nossa mente e evita calamidades em nível externo.

Está entre as principais 'deidades iradas' do budismo tibetano. Segue uma explicação sobre esse tipo de divindade:

"Se você é uma pessoa raivosa, é muito eficaz fazer prática de visualização, usando a ira como antídoto para cortar a raiva que existe na sua mente. Nas práticas com divindades iradas, visualizamos seres irados, manifestações da sabedoria, com duas, quatro ou muitas pernas pisoteando seres negativos, soltando faíscas e brandindo armas. Aqueles que são destruídos não são seres externos, mas nossos próprios venenos, nossos verdadeiros inimigos e demônios. O apego do 'eu' é encarnado por Rudra, o 'dono' do samsara, que é reprimido por seres que personificam a sabedoria. Em todas essas imagens iradas, assistimos ao desenrolar de uma guerra interior: a sabedoria destrói a raiva, apego e ignorância." (Chagdud Tulku Rinpoche)

Sua história é fascinante. O protetor Vajrakilaya é fruto de uma emanação criada por todos os budas, para derrotar o Rudra Tharpa Nagpo, um ser desastroso, que causava muitos problemas e obstáculos para a prática espiritual. Para vencer Rudra, os budas emanaram um ser fisicamente idêntico ao inimigo. Assim, ele conseguiu se unir com a consorte de Rudra. Dessa união, nasceu Vajrakilaya, que, finalmente, conseguiu derrotar Rudra.

Vajrakilaya, então, o engoliu. Preso no estômago do protetor, Rudra se lembrou de todas suas incontáveis e miseráveis vidas de sofrimento no inferno, se arrependendo profundamente dos atos que o levaram a ser o que era. Foi expelido pelo ânus de Vajrakilaya e se curvou diante do protetor, se transformando em seu servo. (Blog Samsara)

sábado, 19 de junho de 2010




CONTRA A PAREDE
Fatih Akin, Gegen die wand, Alemanha/Turquia, 2004


Contra a Parede definitivamente não começa bem, quando somos apresentados ao protagonista masculino da trama (Cahit), em sua trajetória auto-destrutiva que o leva até uma clínica de recuperação. Filmado no estilo “mundo cão” mais rasteiro e patológico, o filme de Fatih Akin parece fadado ao mais completo desinteresse. É quando entra em cena, como um furacão, Sibel, a protagonista feminina: a conhecemos pedindo Cahit em casamento, em plena clínina e assim que o conhece - estando ela lá por tentar cortar os pulsos. A impulsividade deste seu primeiro ato em cena desconcerta não só o personagem masculino, mas o espectador também, e desta forma injeta vida e energia no que parecia mais um modorrento espetáculo da vida bandida.

E assim será por toda a primeira metade do filme, que se torna um embate entre um mau personagem (o punk desiludido e marginal que tem um poster de Siouxsie and the Banshees atrás da porta de casa) com uma personagem excepcional, a reprimida filha de família turca que quer viver a vida em tudo que ela possa oferecer. Todas as vezes em que ela está em cena o filme parece ganhar enorme interesse: tudo foge de um padrão, de um olhar estabelecido. Nem importa tanto que o filme seja apenas mais uma história de amor entre “diferentes que se apaixonam”, quase uma refilmagem etnicamente correta e com atores de Shrek (o ogro que vira príncipe, a princesa que vira ogra): porque sempre importa menos que se esteja contando mais uma vez o que já conhecemos, e sim que esteja sendo contado com tanta energia e paixão quanto ela injeta na tela, mesmo e principalmente na relação entre os dois.

No entanto, lá pela uma hora de filme, talvez preocupado com sua capacidade de manter pela duração de um longa aquele cinema de pele que é o melhor do filme, Akin introduz uma trama absolutamente patética, a partir de um ato completamente arbitrário – o assassinato de um amante de Sibel por Cahit, com um golpe de cinzeiro. De repente, toda a vida se esvai do filme, que cai de vez num tosco melodrama moralizante e culpabilizador, onde os personagens pagam cada centavo do preço de sua “inadequação” às regras tolas do convívio social. Vão se acumulando, então, as mais torpes soluções dramáticas (como um personagem marcar sua passagem de humor cortando radicalmente o cabelo ou deixando a barba crescer) e a personagem de Sibel é quem acaba prisioneira – não da Lei dos Homens, mas certamente da Lei do Diretor.

Enclausurada nesta via crúcis sem nenhum sentido, com ela morre também qualquer interesse do filme e tudo se torna repetitivo e banal (como acontece, por exemplo, com a marcação da passagem de “capítulos” pela presença de um grupo musical turco tocando na frente de uma paisagem urbana à beira de um rio – o que no início é misterioso e de uma beleza estranha, logo se torna óbvio e sem função real de interesse). Para entender o que propõe o filme, basta ver sua filmagem de cenas de sexo (assim como a "boa virada" de Cahit na prisão nos apresenta ele tomando somente água no final): quando Cahit está com Maren (a sua amante antes de conhecer Sibel) o sexo que fazem é encenado como violento e cheio de angústias, e a câmera os observa com estranheza e distanciamento. Quando finalmente se consuma a relação de Cahit com Sibel vemos no máximo um bom e velho papai-e-mamãe filmado com elegância. A domesticação dos afetos é enxergada como a autêntica felicidade e carinho.

E assim Contra a Parede apenas vem reforçar uma cada vez maior sequência de ganhadores de prêmio principal nos festivais de Berlim (caso deste) ou Veneza que indicam uma absoluta indigência dos júris com um olhar para o cinema de hoje.

Eduardo Valente
1. Zero Hora dominical publicou reportagem sobre o engarrafamento insuportável da BR-116. O problema mais destacado por eles foi o impacto econômico, geral e para o "bolso" dos motoristas. O máximo de humano mencionado foi quanto ao dissociado corpo: um problema de coluna. Quem já enfrentou engarrafamentos sabe que existe um impacto imediato, e esse não é econômico, mas reflexo no corpo da desumanidade mental/espiritual de tal situação. Onde vai parar esse modo de pensar da "humanidade" e dos jornalistas?

2. Marcos Rolim escreve na ZH de domingo que 87% do merchandising e 70% das propagandas de bebidas alcoólicas se dão nos intervalos dos programas esportivos, e faz um alerta sobre a incompatibilidade da droga com o esporte. Mas a questão é que essas propagandas não se destinam a esportistas, mas a torcedores. Porque torcer para o clube ou para a seleção pressupõe entrar em coma alcoólico. Um tipo de torcida que não funciona nada, porque quem não consegue acompanhar um jogo não consegue escolher o que mentalizar, e quem está alcoolizado sequer consegue mentalizar qualquer coisa.

Fotos: Clive Mason/FIFA.com

Dos meus 12 aos 16 anos, minhas seleções preferidas de futebol eram as do leste europeu. Meus jogadores prediletos eram Thomas Skuravy, da Tchecoslováquia; Gheorghe Hagi, da Romênia; Dragan Stojkovic, da Iugoslávia; e Hristo Stoichkov, da Bulgária. Não sei explicar exatamente por quê - mas eram. Romênia e Bulgária ainda existem como países, mas não estão na cópia. Os outros dois se desmembraram em outros nove: República Tcheca e Eslováquia; Sérvia, Croácia, Kosovo, Montenegro, Bósnia e Herzegovina, Eslovênia e Macedónia. E fazia tempo que eu não me empolgava tanto com uma seleção de lá do que com a Sérvia agora. Por causa da linda camiseta e porque venceu a Alemanha. Aliás, esta Copa está linda com as derrotas de França (México 2x0), Espanha (Suíça 1x0), Alemanha (Sérvia 1x0) e com os empates da Inglaterra. Do Leste, além da Sérvia, a Eslovênia está em primeiro no grupo da Inglaterra, e as duas se enfrentam na próxima e última rodada da primeira fase, e a Eslováquia está no grupo em que todos só jogaram uma vez até agora, e todos empataram.

quinta-feira, 17 de junho de 2010



Nó infinito, o símbolo da interdependência de todos os seres - do fato de todos os seres inter-serem.
Liam Neeson é Aníbal.


Aníbal, B.A., Cara & Murdoch. O original e o novo Esquadrão Classe A.
"O Buda nos deu instrumentos extremamente eficazes para apagar o fogo que arde dentro de nós: o método da respiração consciente, o método do andar consciente, o método de abraçar nossa raiva, o método de examinar profundamente a natureza das nossas percepções e o método de observar profundamente a outra pessoa para compreender que ela também sofre muito e precisa de ajuda. Esses métodos são muito práticos e procedem diretamente do Buda.

"Inspirar conscientemente é saber que o ar está entrando no corpo e expirar conscientemente é saber que o corpo está permutando ar. Assim, você fica em contato com o ar e com o seu corpo, e como sua mente está atenta a tudo isso, você fica em contato com ela também. Basta apenas uma única respiração consciente para voltar a ter contato com você e com tudo em torno, e três respirações conscientes para manter esse contato.

"A raiva é como uma flor. No início, você pode não compreender a natureza da sua raiva ou por que ela se manifestou. Mas, se você souber como abraçá-la com a energia da plena consciência, ela começará a se abrir. Para gerar a energia da plena consciência e abraçar a raiva, você pode ficar na posição sentada, acompanhando mentalmente sua respiração, ou praticar a meditação andando e concentrando-se em cada passo. Depois de dez ou vinte minutos, a raiva terá se aberto para você e, de repente, você verá sua verdadeira natureza. Ela pode ter surgido apenas por causa de uma percepção errada ou da falta de habilidade de alguém que não tinha a intenção de lhe causar sofrimento.

"Abrace a raiva com bastante ternura. Ela não é sua inimiga, ela é seu bebê. Ela é como seu estômago ou seu pulmão. Quando tem algum problema no pulmão ou no estômago, você não pensa em jogar o órgão fora. O mesmo acontece com relação à raiva. Você a aceita porque sabe que pode cuidar dela. Você é capaz de transformá-la numa energia positiva." (Thich Nhât Hanh via SangaVirtual.blogspot.com)
"Quando Descartes disse 'Penso, logo existo', ele estava afirmando que podemos provar nossa própria existência através do pensamento. Eu concluiria o exato oposto: 'Penso, portanto não existo'." (Thich Nhât Hanh)
"Um pé de carvalho é um pé de carvalho. Tudo o que ele precisa fazer é ser o que ele é. Se um carvalho for menos do que um carvalho, todos nós ficaremos transtornados. Em nossas vidas anteriores fomos rochas, nuvens e árvores. Fomos também um carvalho. Isto não é apenas budista, é científico. Nós humanos somos espécies jovens. Fomos plantas, fomos árvores e agora nos tornamos humanos. Temos que nos lembrar das nossas existências passadas e ser humildes. Podemos aprender muito com um carvalho.

"Nós humanos achamos que somos inteligentes, mas uma orquídea, por exemplo, sabe como produzir flores simétricas, um caracol sabe como fazer uma concha bela e bem proporcionada. Comparado com o conhecimento deles, o nosso não é, de forma alguma, tão valioso. Devemos nos curvar profundamente diante da orquídea e do caracol e unir nossas mãos reverenciando a borboleta e o pé de magnólia. O sentimento de respeito por todas as espécies nos ajudará a reconhecer e cultivar dentro de nós a mais nobre natureza." (Thich Nhat Hanh via SangaVirtual.blogspot.com)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Record Club: INXS "Never tear us apart" & "Need You Tonight"
Beck Hansen & Annie Clark (St. Vincent)

terça-feira, 15 de junho de 2010



GUS VAN SANT: Eu tive a chance de assistir Filth and Wisdom. É realmente uma peça íntima e constante do trabalho. Fiquei realmente surpreso por ele. Eu não sabia o que esperar.

MADONNA: Sim, eu tenho certeza. Eu acho que é íntimo. Eu nunca pensei assim. É uma espécie de uma pequena história. Mas realmente, se você for ver, é sobre a luta de ser um artista. Eu sinto que os três personagens principais do filme são basicamente sobre mim.

VAN SANT: São eles?

MADONNA: Ou aspectos de mim, sim. Eu tive a sorte de encontrar Eugene [Hütz], o ucraniano que protagoniza o filme. Quando comecei a escrever Filth and Wisdom, eu não o conhecia, e o personagem que ele eventualmente desempenharia ia ser um ator esforçado que era ‘desligadão’ quanto suas necessidades e despesas. Mas quando eu conheci Eugene depois que eu o vi em outro filme, eu descobri que ele estava em uma banda, Gogol Bordello. Então comecei a perseguir ele. [Risos] Eu era como: “Oh, Deus, ele é incrível. Vou fazer do personagem um músico esforçado.” Eu pensei que seria mais interessante.

VAN SANT: Em qual filme você o viu?

MADONNA: Eu vi em um filme que Liev Schreiber dirigiu chamado ‘Everything Is Illuminated’ [2005], baseado no romance de Jonathan Safran Foer. Eugene era meu favorito no filme, e eu me tornei obcecada com ele. Eu escrevi uma peça para ele no meu script para o meu novo filme, no âmbito de um segurança imigrante russo que vivem no Brooklyn e trabalha em Manhattan. Eugene inspirou a peça de verdade, o nome do personagem é Evgeni. (Interview Magazine/TudoSobreMadonna.blogspot.com)



O ucraniano Eugene Hutz veio para o Rio morar com sua namorada, a romena Diana, que trabalha numa tese de mestrado sobre ciganos brasileiros, num apartamento em Ipanema. "Ainda gosto de Nova York. Mas Diana está aqui e, para mim, foi perfeito. Meu interesse pelo Brasil não começou ontem. Já toquei com ritmistas brasileiros em Manhattan e na hora pensei estar vivendo o ápice da minha carreira como músico. Nossas culturas são parecidas, principalmente na forma como lidamos com nossas emoções, de forma intensa." (Globo.com)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"Mallarmé observou que desejava jornais em que os habitantes de Paris relatassem seus sonhos (em vez dos acontecimentos políticos cotidianos). De fato, os discursos cênicos se aproximam em vários aspectos de uma estrutura onírica e parecem contar algo acerca do mundo onírico de seus criadores. É essencial para o sonho a não-hierarquia entre imagens, movimentos e palavras. O sonho é o modelo por excelência da estética teatral não-hierárquica, uma herança do surrealismo. Assim como o sonho demanda uma diversa compreensão dos signos, o novo teatro precisa de uma semiótica 'desbloqueada' e de uma interpretação 'turbulenta'. O aparato sensorial humano dificilmente suporta a falta de referência. Privado de seus nexos, ele procura referências próprias, torna-se 'ativo', fantasia 'descontroladamente', e o que lhe ocorre então são as semelhanças, conexões, correspondências, mesmo as mais remotas. O reastreamento de conexões anda junto com a desamparada concentração da percepção nas coisas que se oferecem (talvez elas ainda sussurem seu segredo)." (Hans-Thies Lehmann)
"Talvez estejamos também vivendo como mortos. Nos movemos pela vida nos nossos próprios cadáveres porque não tocamos a vida em profundidade. Vivemos um tipo de vida artificial, com muitos planos, muitas preocupações e raiva. Nunca somos capazes de nos estabelecer no aqui e agora e viver nossas vidas profundamente. Temos que acordar! Temos que fazer o possível para o momento de consciência se manifestar. Esta é a prática que irá nos salvar – esta é a revolução.

"O momento mais maravilhoso da sua vida já aconteceu? Se pergunte isso. A maioria de nós responderá que não aconteceu ainda, mas que poderá acontecer a qualquer momento. Não importa a nossa idade, tendemos a sentir que o momento mais maravilhoso de nossa vida não aconteceu ainda. Tememos que seja muito tarde, mas estamos ainda esperando. Mas a verdade é que se continuarmos a viver no esquecimento – isto é sem a presença da plena consciência – este momento nunca acontecerá.

"O ensinamento do Buda te diz claramente e plenamente para fazer deste o momento mais magnífico e maravilhoso da sua vida. Este momento presente deve se tornar o mais maravilhosos da sua vida. Tudo que você precisa para transformar este momento em uma maravilha é liberdade. Tudo que você precisa é libertar a si mesmo de suas preocupações sobre o passado, futuro e tudo mais.

"O profundo insight da impermanência é o que nos ajuda a fazer isto. É muito útil manter viva nossa concentração na impermanência. Você pode pensar que a outra pessoa na sua vida estará presente para sempre, mas isto não é verdade. Esta pessoa é impermanente, assim como você. Portanto se você pode fazer algo para deixar esta pessoa feliz, deveria fazer imediatamente. Qualquer coisa que você possa dizer ou fazer que a deixe feliz – diga ou faça agora! É agora ou nunca.

"Na prática do budismo, morrer é muito importante. É tão importante quanto viver. Morrer é tão importante quanto nascer, porque nascimento e morte intersão. Sem nascimento, não poderia haver morte. Sem morte não poderia haver nascimento. Nascimento e morte são amigos próximos e a colaboração entre os dois é necessária para a vida ser possível.

"Portanto não tenha medo da morte. Morte é apenas uma continuação assim como o nascimento. A cada momento, a morte está acontecendo no seu corpo – algumas células estão morrendo de forma que outras possam nascer. Morte é indispensável à vida. Se não houvesse morte, não haveria nascimento, assim como não poderia haver esquerda se não houvesse a direita. Não mantenha esperanças que a vida seja possível sem morte. Você deve aceitar a ambos.

"Se você praticar bem, pode ganhar um insight profundo da dimensão última, a dimensão absoluta, enquanto permanece em contato com a dimensão histórica, relativa. E quando você estiver em contato profundo com a dimensão histórica, também tocará a dimensão última, e verá que sua natureza verdadeira é a do não-nascimento e não-morte." (HANH, Thich Nhat. You are here.)

domingo, 13 de junho de 2010

Dois trechos interessantes de divertidos do recém criado blog da amiga Juliana Davi, terapeuta psicológica e fã da Lily Allen.

"Depois a gente se torna uma pessoa 'adulta' e, por alguma razão que desconheço totalmente, passamos a achar que levar a vida à sério, ser respeitado e assumir responsabilidades exige uma postura de preocupação, seriedade constante e rugas na testa. Então passamos não apenas a nos preocupar, mas a demonstrar ou até exibir a preocupação no rosto e na fala, como se fosse uma comprovação de que somos pessoas maduras, responsáveis e capazes."

"Pois no mês passado, depois de abrir uma das portas do roupeiro e ver tudo cair sobre minha cabeça, decidi: hoje é o dia de jogar fora! Não vou comprar um alfinete até que saiba tudo o que guardo dentro desta casa!"

sábado, 12 de junho de 2010

Sonhei com um rinoceronte aparecendo no corredor de um bar.



"Um dos três maiores mamíferos terrestres, o rinoceronte tem uma presença física colossal. Embora ele seja conhecido por mostrar comportamento agressivo, na maioria das vezes ele é uma criatura passiva – preferindo perambular por seus espaços abertos e gramados em solidão contemplativa. Aqui está o primeiro de muitos paradoxos que nos levam a subestimar o tema simbólico do rinoceronte: things are not as they seem. O simbolismo animal do rinoceronte nos lembra a apreciarmos a generosidade expansiva que temos ao nosso redor. Quando ele vem até nós em nosso dia-a-dia, é tempo de parar e agradecer às maravilhas infinitas que ocorrem em cada milímetro e em cada minuto de nossas vidas. Faça como ele faz e pise com força na mãe (terra) com a confiança conectiva de que tudo está bem. Envolva-se em um conforto fresquinho assim como o rinoceronte faz em seus rituais de banhos de lama. De novo, deixe a riqueza da abundância e da estabilidade da mãe (terra) abraçá-lo e reafirmá-lo. Rinoceronte é uma criatura de substância, persistência e perseverança, solidez e poder de explosão. Quando você se sentir vazio e transparente, invoque o rinoceronte e veja o que acontece – observe-se sendo preenchido pela majestade que essa criatura representa." (Avia Venefica)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

"A possibilidade mais marcante do estético é a de produzir uma 'concentração máxima da atenção sobre um dado objeto' (Mukarovský). No contexto dessa argumentação, ele [Mukarovský] introduz um exemplo que se revela imediatamente condizente com a nossa observação: a importância da função estética em todo tipo de cerimônia, o fator estético 'isolante' que é inerente a toda festividade. Ora, é evidente que a prática do teatro sempre possui uma dimensão do cerimonial. O teatro pós-dramático é a substituição da ação dramática pela cerimônia, com a qual a ação dramático-cultual estava intrinsecamente ligada em seus primórdios. Jean Genet considerava o teatro espressamente como cerimônia, e a missa como a forma mais elevada do drama moderno. Para Genet, como constata Monique Borie, é o diálogo com os mortos que confere à obra de arte sua dimensão própria." (Hans-Thies Lehmann)
Pelos olhos do gênio Tarkovski.



Esta deve ser uma das mais lindas capas de disco do ano passado.

quinta-feira, 10 de junho de 2010



"Tudo é impermanente em nossas experiências. Este universo que habitamos não existia há muito tempo e, um dia, ele será mais uma vez reduzido ao nada. Houve um tempo em que nosso corpo físico não existia e um dia ele terá, mais uma vez, desaparecido. De todas pessoas que viveram nesta terra há cem anos atrás, quantas ainda estão aqui? E dessas, quantas estarão aqui dentro de cem anos? Se vocês entenderem a impermanência, perceberão a importância de usar bem o tempo que estão juntos.

"Desde o início, precisam pensar claramente qual é a direção que seu casamento vai tomar. O mais importante não é tanto estarem juntos e sim como irão usar o tempo que estão juntos. Casamento significa o compromisso de agora em diante, pelo resto de suas vidas, viver em harmonia, com alegria, amor e afeição, e com a intenção de beneficiar um ao outro, o máximo possível. Isto significa tentar diariamente colocar a felicidade do seu parceiro à frente da sua. Tanto no nível mundano quanto espiritual, é a decisão de atender às necessidades e contribuir para o crescimento espiritual do outro. O amor genuíno e altruísta que vocês expressam um pelo outro irá criar virtude que trará felicidade nesta vida e plantará as sementes de felicidade futura.

"Se, por outro lado, vocês colocarem a responsabilidade pela sua felicidade em seu cônjuge, se sentir que ele ou ela lhe deve algo, somente verá as falhas do seu parceiro. Se sua motivação fundamental for a esperança de que o outro o fará feliz, então o seu casamento não será tão fácil, e sua felicidade não durará tanto. Aproximar-se do casamento com um ponto de vista egocentrado, estabelece automaticamente as circunstâncias que irão frustrar a possibilidade de um bem maior. Mas, se sua motivação for trazer felicidade à outra pessoa, ambos serão felizes tanto a curto quanto a longo prazo, e trarão felicidade àqueles a seu redor. Este é o significado do sucesso tanto num senso mundano quanto espiritual.

"A felicidade que experimentamos na vida depende muito de nossa motivação. E a nossa motivação é tão importante no casamento quanto em qualquer outra área humana. Embora uma motivação altruísta não seja o mesmo que boditchita, que possui um âmbito maior – o benefício temporário e definitivo de todos os seres –, é um modo de praticar o altruísmo de modo muito direto, com a pessoa que está ali, a seu lado. E você pode usar o relacionamento com seu cônjuge como um modelo de relacionamento para com todo o mundo." (Chagdud Tulku Rinpoche)

quarta-feira, 9 de junho de 2010



"Como gostaria de falar das coisas sem precisar dar nome a elas. Gostaria de falar da natureza, do céu, das árvores, dos animais, das estrelas, dos astros e do Universo inteiro sem precisar usar dessa linguagem que personificamos as coisas. Se para falar da 'natureza' uso tal palavra não é porque a natureza é uma coisa, as coisas não são coisas, não são entes, não são nem deixam ser, e eu não sei o que são e nem sei o que deixam de ser. Uso todos esses nomes para poder falar, mas as coisas não têm nome. Se personifico o mundo é por uma imposição da linguagem, mas eu não acredito em nada do que falo. Ficaria contente se todos nós não acreditássemos no que falássemos. Precisamos de uma linguagem sem linguagem. Não me pergunte como, só sei que toda linguagem é um sopro de morte sobre tudo o que vive." (Adriel)

terça-feira, 8 de junho de 2010

"A categoria adequada para o novo teatro não é a de ação, mas a de estado ou situação. O teatro nega intencionalmente, ou ao menos relega a segundo plano, a possibilidade de 'desdobramento do enredo' que lhe é própria na qualidade de arte temporal. Isso não exclui uma dinâmica particular que se mobiliza no 'âmbito' do estado - poder-se-ia chamá-la, por distinção com a dinâmica dramática, de dinâmica cênica. O estado é uma figuração estética do teatro que mostra mais uma composição do que uma história, embora haja atores vivos representando. Não é por acaso que muitos artistas do teatro pós-dramático vieram das artes plásticas. O teatro pós-dramático é um teatro de estados e de composições cênicas dinâmicas." (Hans-Thies Lehmann)


HANH, Thich Nhât. Os cinco treinamentos para a mente alerta.

Ecologia profunda: é impossível distinguir os seres sensíveis dos não sensíveis.

Todas as coisas inter-são.

Se dividirmos a realidade em dois lados - o violento e o não violento - e ficarmos em um lado enquanto atacamos o outro, o mundo nunca terá paz. Estaremos sempre culpando e condenando aqueles que julgamos responsáveis pelas guerras e pela injustiça social, sem reconhecer o grau de violência em nós mesmos. Traçar uma linha e repudiar pessoas como inimigas, mesmo aquelas que agem e forma violenta, nunca vai ajudar. Temos de aproximar-nos deles com amor no coração e fazer o melhor para ajudá-las a caminhar na direção da não-violência. Se trabalharmos pela paz movidos pela raiva nunca teremos sucesso. A paz não é um fim. Ela não pode se estabelecer através de meios não pacíficos.

A vida é bem mais do que usar o tempo para ganhar dinheiro. O tempo é para se viver, para compartilhar a alegria e a felicidade com os outros. Os ricos são normalmente os menos capazes de fazer os outros felizes. Apenas os que têm tempo podem fazê-lo. (...) Muitas pessoas acham que só serão capazes de praticar a generosidade depois que acumularem uma pequena fortuna. Conheço jovens que sonham em ficar ricos para poderem leva a felicidade aos outros: 'Quero ter o título de doutor ou ser presidente de uma grande empresa para ganhar muito dinheiro e ajudar muitas pessoas'. Eles não percebem que normalmente é mais difícil praticar a generosidade depois de ficar rico. Se você é motivado pela gentileza amorosa e pela compaixão, há muitas formas de levar a felicidade aos outros agora mesmo, começando pela maneira amável de falar. O seu modo de falar com os outros pode dar a eles alegria, felicidade, autoconfiança, esperança, lealdade e iluminação. O modo de falar consciente é uma prática profunda.

Se o casal viver junto por um longo tempo, até os cabelos ficarem brancos e os dentes caírem, é devido a nghiã, e não devido a tinh. Tinh é o amor passional. Nghiã é o tipo de amor que possui dentro de si muita compreensão e gratidão. Todo amor pode começar sendo passional, mas no processo de viver juntos eles devem aprender e praticar o amor, para que o egocentrismo - a tendência de possuir - diminua e entrem pouco a pouco os elementos da compreensão e da gratidão, até que o amor se torne acalentador, protetor e animador. Com nghiã você tem certeza de que a outra pessoa vai tomar conta de você e vai amar você até seus dentes caírem e seus cabelos ficarem brancos. Nada, além de nghiã, vai garantir que a outra pessoa fique com você por longo tempo. Nghiã é construído por vocês dois no dia-a-dia.

Quando você olha para seu pai, provavelmente não vê de imediato que você e seu pai são um só. Você pode estar zangado com ele por muitas razões. Mas no momento em que você o compreende e ama, percebe que amar a você mesmo é amar seu pai, e que amar seu pai é amar a você mesmo. Na vida moderna, as pessoas pensam que seus corpos pertencem a elas mesmas e que podem fazer o que quiserem com ele. 'Temos direito de viver nossa própria vida.' Quando você faz tal declaração, a lei apoia você. Esta é uma manifestação do individualismo. Porém, de acordo com o ensinamento do vazio, seu corpo não é seu. Seu corpo pertence a seus ancestrais, a seus pais e às gerações futuras. Ele também pertence à sociedade e a todos os outros seres vivos. Todos eles se uniram para concretizar a presença deste corpo - as árvores, as nuvens, tudo. Manter seu corpo saudável é expressar gratidão a todo o cosmos e a todos os seus ancestrais, e é também não trair as gerações futuras. Praticamos este treinamento para a mente alerta para o cosmos inteiro, para a sociedade inteira. Podemos ter uma dieta cuidadosa para o nosso corpo e podemos também ter uma dieta cuidadosa para nossa consciência, nossa saúde mental. Precisamos nos abster de ingerir os tipos de alimento intelectual que trazem toxinas para a nossa consciência. Precisamos estar protegidos, pois as toxinas estão onipresentes. Elas estão destruindo nossa sociedade, nossas famílias e a nós mesmos. Por sermos solitários, queremos conversar, mas nossas conversas também podem suscitar muitas toxinas.

SCHOPENHAUER, Arthur. A arte de escrever.

Para a imensa maioria dos eruditos, sua ciência é um meio e não um fim. Desse modo, nunca chegarão a realizar nada de grandioso, porque para tanto seria preciso que tivessem o saber como meta, e que todo o resto, mesmo sua própria existência, fosse apenas um meio. Pois tudo o que se realiza em função de outra coisa é feito apenas de maneira parcial, e a verdadeira excelência só pode ser alcançada, em obras de todos os gêneros, quando elas foram produzidas em função de si mesmas e não como meios para fins ulteriores.

Espíritos de primeira categoria nunca se tornarão especialistas eruditos. Para eles, como tais, a totalidade da existência é que se impõe como problema, e ee sobre ela que cada um deles comunicará à humanidade novas soluções, de uma forma ou de outra. Pois só pode merecer o nome de gênio quem assume como tema de suas realizações a totalidade, aquilo que é grandioso, as coisas essenciais e gerais, e não alguém que dedica os esforços de sua vida a esclarecer qualquer relação específica de objetos entre si.

A relação existente entre um pensador de força própria e o típico filósofo livresco é semelhante à relação de uma testemunha direta com um historiador: o primeiro fala a partir de sua concepção própria e imediata das coisas.

A verdade fica mais bonita nua, e a impressão que ela causa é mais profunda quanto mais simples for a sua expressão.
A seguir, uma série de trechos de três livros lidos na pousada Refúgio do Pomar, a 5 quilômetros do templo budista Khadro Ling, do figuraça Renato Schebelo.


Fernando Pessoa:

"O mal verdadeiro, o único mal, são as convenções e as ficções sociais, que se sobrepõem às realidades naturais."

"Pensar é estar doente dos olhos."

"Os deuses são deuses porque não se pensam."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Apichatpong Weerasethakul ganha a Palma de Ouro em Cannes



Tim Burton and the jury awarded Apichatpong Weerasethakul's Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives the Palme d'Or at Cannes today, marking the first Palme d'Or for the director and for Thailand. Weerasethakul won the Jury Prize in 2004 for Tropical Malady (which still feels like a giant oversight by Quentin Tarantino and his jury that year, who gave the Palme d'Or to Fahrenheit 9/11) and the Un Certain Regard Award in 2002 for Blissfully Yours. You can watch A Letter to Uncle Boonmee, the director's fantastic 17-minute short which he expanded into the feature, on MUBI. In his fourth outing as a feature director, Mathieu Amalric took home the Best Director prize for Tournée [On Tour]. In a rare tie, Javier Bardem and Elio Germano were named the Best Actors for Biutiful and La nostra vita [Our Life] respectively, and Juliette Binoche won her first Best Actress prize at Cannes this year for Abbas Kiarostami's Copie conforme [Certified Copy]. Rounding out the rest of the awards: Lee Chang-dong won Best Screenplay for Poetry, Xavier Beauvois' Des hommes et des dieux [Of Gods and Men] was awarded the Grand Prix and Michael Rowe's Año bisiesto [Leap Year] won the Caméra d'Or (for best first film). Full awards below:

Palme d'Or: Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives, d. Apichatpong Weerasethakul, Thailand/France/Germany/Spain/United Kingdom
Grand prix: Des hommes et des dieux [Of Gods and Men], d. Xavier Beauvois, France
Prix du jury: Un homme qui crie [A Screaming Man], d. Mahamat-Saleh Haroun, France/Chad
Prix de la mise en scène [Best Director]: Mathieu Amalric - Tournée [On Tour]
Prix d'interprétation féminine [Best Actress]: Juliette Binoche - Copie conforme [Certified Copy]
Prix d'interprétation masculine [Best Actor]: (tie) Javier Bardem - Biutiful; Elio Germano - La nosta vita [Our Life]
Prix du scénario [Best Screenplay]: Lee Chang-dong - Poetry
Caméra d'Or: Año bisiesto [Leap Year], d. Michael Rowe, Mexico

terça-feira, 1 de junho de 2010

"O teatro pós-dramático é essencialmente (mas não exclusivamente) ligado ao campo teatral experimental e disposto a correr riscos artísticos. Trata-se aqui de teatro especialmente arriscado, porque rompe com muitas convenções. Os textos não correspondem às expectativas com as quais as pessoas costumam encarar textos dramáticos. Muitas vezes é difícil até mesmo descobrir um sentido, um signficado coerente da representação. Há ainda um obscurecimento das fronteiras entre os gêneros. O teatro experimental não é um teatro despropositado. Suas novidades não têm de ser plausíveis de imediato, seus resultados podem ficar aquém das expectativas do ponto de vista da realização prática, seu potencial inovador pode se evidenciar pouco, pelo menos a princípio. A cisão entre sucesso e efeito deve ser sempre constatada. No entanto, (...) no mainstream [algo como 'rio principal', traduzindo-se o termo literalmente] também nadam peixes fantásticos; no porão da vanguarda também se empilha sucata." (Hans-Thies Lehmann)
O SORRISO