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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

"I'm a war president. I make decisions here in the Oval Office in foreign-policy matters with war on my mind. Again, I wish it wasn't true, but it is true. And the American people need to know they got a president who sees the world the way it is. And I see dangers that exist, and it's important for us to deal with them." (George W. Bush)


A dupla de cantores dos Stars, responsáveis por uma das músicas a duas vozes mais bonitas de todos os tempos, a valsinha 'Your ex-lover is dead'. Seus nomes: Torquil Campbell e Amy Millan. Ambos têm/tiveram participação em outra grande banda canadense, o coletivo Broken Social Scene. Torquil é inglês de nascença e fez dois filmes como ator, aparecendo também em seriados como Sex And The City. Os Stars formaram-se em Toronto, mudaram-se para Nova York e hoje estão fixados em Montreal.

domingo, 28 de outubro de 2007



Jorge Macchi é um gênio. Quem ainda não viu a exposição monográfica do argentino, no Santander Cultural, é imediamente convocado a ir ver. Pois isso é tudo o que o resto da Bienal não é e o que tudo nas outras não foi.





Amsterdam
2004

Mapa de Amsterdam intervenido.
100 x 110 cm






Nocturno
2004

Paper, nails, on the wall. Installation at Muca Roma, México city, 2004.
30 x 40 x 3 cm






Un charco de sangre
(A pool of blood)
1998-2004

Newspaper cuts on the wall. Installation at Muca Roma, Mexico City 2004. 600 cm

2nd place in a contest
Originally uploaded by [douglasdickel].

Fiquei em 2º lugar no 3º Concurso Fotográfico do Sintrajufe, cujo tema era Sombras. Ganhei aquele troféu ali e R$ 700, e a foto estará no calendário de 2008 do Sindicato. A premiação deu-se sexta-feira, no Café da Oca.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Telegrama
(Zeca Baleiro)

Eu tava triste
Tristinho
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
(Que um vilão de filme mexicano)
Tava mais bobo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok

Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama
Que tanto te ama
Que muito muito te ama
Que tanto te ama

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria


Minha tribo sou eu
(Zeca Baleiro)

eu não sou cristão
eu não sou ateu
não sou japa
não sou chicano
não sou europeu
eu não sou negão
eu não sou judeu
não sou do samba
nem sou do rock
minha tribo sou eu

eu não sou playboy
eu não sou plebeu
não sou hippie
hype
skinhead
nazi
fariseu
a terra se move
falou galileu
não sou maluco
nem sou careta
minha tribo sou eu

ai ai ai ai ai
ié ié ié ié ié
pobre de quem não é cacique
nem nunca vai ser pajé
Quinta-feira, 25 de outubro de 2007, 20 horas e 20 minutos. Estou na metade do melhor macarrão-com-sardinha da eternidade: nunca houve melhor e jamais haverá melhor. Coloquei um pouco do óleo no qual a sardinha vem imersa, o que ajudou a chegar lá. O sal no cozimento da massa também contribuiu. Sardinha Gomes da Costa em óleo comestível e macarrão Isabela espaguetini com ovos. Vou lá.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Olha o que eu achei no DVD de backup das gravações da Pelicano, coisa do Carlo.

Comissário Gordon – Puta que o pariu, Batiman, não acredito em nenhuma palavra disso... puta que pariu, chefe O'Hara...
Chefe O'Hara – E como é que pode ser verdade uma porra dessa, hein, Batiman? Me explica essa porra.
Batiman – É simples, Comissário, esta fita mostra tudo.
Comissário Gordon – Mostra o quê, caralho?
Robin – A sua mãe trepando, fiadaputa!
Batiman – Sua mãe e sua mulher são duas putas, Comissário, eu não queria falar nisso, mas... a verdade é essa... são duas putas pagas...
Chefe O'Hara – Como, puta paga, porra?
Comissário Gordon – Puta paga? Caralho, e agora como é que eu faço?
Batiman – É simples, Comissário, eu e o Robin estamos no encalço do... no encalço daquele filho da puta que as comeu. É muito simples, Comissário...
Robin – Ela é uma puta mesmo, o açougueiro comeu ela...
Comissário Gordon – Puta que... Como?
Batiman – Comissário, eu e o Robin descobrimos ontem, colocamos esta fita em seu apartamento para sabermos se o Curinga ia aparecer lá mas... ela nos traiu... a sua mulher é uma puta mesmo, Comissário... ela estava dando para o açougueiro...
Robin – Ela tava trepando aquele açougueiro cheio de gonorréia.
Batiman – E tem mais, Comissário... eu e o Robin descobrimos que sua mãe também é puta.
Comissário Gordon – Puta que pariu, então eu sou um viado? Tô fudido, eu preciso ir embora pra casa... Chefe O’Hara, como é que eu faço?
Batiman – Não faz nada, Comissário, eu e o Robin vamos cuidar de tudo... Quando nós descobrirmos alguma coisa, vamos dizer ao senhor, não se preocupe, eu e o Robin... somos a dupla dinâmica.
Chefe O'Hara – Ah, dupla dinâmica é o caralho, cês são dois filha da p...
Comissário Gordon – Eles são dois viados, né?
Batiman – Vambora, Robin, vambora...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

A MTV pensou em mim. Mas perdi os dois, e reprise do Sonic Youth daqui a "pouco", à 1h. Talvez eu veja os dois (se passam todos) sábado ou domingo, às 11h.

Bonnie "Prince" Billy está para lançar 'Ask forgiveness', com um cover de 'I've seen
it all', gravado originalmente pela Byorke e pelo Thom Jörk na trilha sonora 'Selmasongs', do filme 'Dancer in the dark'.

***

O Arnaldo Baptista e a Zélia Duncan saíram dos Mutantes. O guitarrista Sérgio Dias está preparando, junto com o Tom Zé, material para o primeiro disco da banda em mais de 30 anos.
Imperdível para quem conhece felinos: REYNOLDS, Harold. Regras básicas para gatos que têm uma casa para governar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Parte boa: a equipe do 'Ensaio sobre a cegueira' está filmando em São Paulo também. "Mark Rufallo respira o ar do rio Pinheiros (foto de Yoshino Kimura, a Mulher do Primeiro Homem Cego)":



Parte ruim: "Parece uma maldição que me persegue. Perdi meu roteiro novamente. Digo novamente pois também perdi meu roteiro três semanas antes de acabar 'Cidade de Deus' e o mesmo aconteceu com o roteiro do 'Jardineiro Fiel'. Claro que eu poderia imprimir uma nova cópia, mas nem é o caso, de tanto lê-lo já decorei completamente a história. O que me faz falta não são os diálogos ou as descrições das cenas, mas sim as anotações e idéias que fui rabiscando nos cantos ou no verso das páginas desde dezembro do ano passado. As idéias que me pareceram boas eu até lembro, mas certamente vou esquecer detalhes que nunca chegarão a ser filmados. Merda. O pior é que eu tenho certeza de onde deixei. Estava na prateleira de livros no cenário da casa do Médico. Alguém tirou do cenário, provavelmente para não aparecer em quadro, enfiou numa caixa qualquer e eu nunca mais vou vê-lo, já sei. Agora tenho que terminar de rodar assim mesmo, às cegas. Já vi este filme. (...)

"(E se alguém encontrar um fichário de capa de plástico azul com um roteiro todo rabiscado dentro, já sabe. É meu. Façam a gentileza de devolver ou me informar através de um comentário neste blog, que tenho lido regularmente)." (Fernando Meirelles)
'Dark side of the moon' e 'O mágico de Oz'; 'In rainbows' e 'OK computer'. O_O

E mais!

http://www.mortigitempo.com/too_bored/showthread.php?t=67166
http://en.wikipedia.org/wiki/Golden_ratio

Não pára por aqui...

"There's also a 43min 43s Donald Duck educational video about mathematics which focuses on Pythagoras and the Golden Ratio which syncs up perfectly with 'In rainbows'."

domingo, 21 de outubro de 2007

Um dos melhores discos do Sonic Youth e de todos os tempos (na minha opinião) recebeu a rara nota 0.0 (0.0/10) da Pitchfork, em 2000. O All Music Guide deu duas estrelas e meia (2,5/5) e o Porsche, até hoje, diz que esse é o disco mais fraco do Sonic Youth.
AXE: CUSTA QUASE O MESMO, MAS FUNCIONA. Essa campanha do desodorante chega a ser analfabeta. O que eles querem dizer é CUSTA UM POUCO MAIS, MAS FUNCIONA, porque provavelmente o Axe não é mais barato que o spray comum que figura ao lado dele nesse display de parada de ônibus. A palavra QUASE, assim, atuando sozinha, só pode significar "um pouco menos", sendo impossível significar "um pouco mais". QUASE é quando ainda não alcançou, e não quando acabou de ultrapassar. Mas digamos que o Axe seja mais barato que o desodorante genérico: nesse caso, o correto seria CUSTA QUASE O MESMO E, ALÉM DISSO (AINDA POR CIMA), FUNCIONA". Não haveria espaço para conjunção adversativa ali, e um "mas" aditivo não caberia também, já que eles querem ressaltar que o Axe "funciona", ao contrário dos outros desodorantes baratos.

Outra coisa de dar dor de barriga nos defensores da língua portuguesa é o outdoor divulgando a palestra do "Dr. Içami Tiba": QUEM AMA, EDUCA. A oração subordinada substantiva subjetiva não pode ser separada da oração principal por vírgula, é correspondente ao caso mais grave de erro com vírgulas, que é o de separar o sujeito do verbo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Date: Wed, 17 Oct 2007 17:06:01 -0200
From: "Bruno Galera"
Subject: Atacado e varejo


Quero vender meu amplificador. Um Laney TF-300, pré-valvulado, com 3
canais (um limpo, um CRUNCH e um LEAD). O som limpo não deve nada
pros Fender, e a distorção é loucamente ampla e boa. LATÃO de 12",
alto-falante dos bons.

Para mais detalhes:

http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=29&pid=9

Único defeito dele: o reverb não está funcionando. Creio que é algum
fusível, ou algo bem baratinho. Se for algo pior, posso abater do
preço ou rachar o pagamento do conserto.

No Mercado Livre, estão vendendo por R$ 1.200:

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-63286294-amplificador-laney-tf300-3-canais-celestion-12-120w-rms-_JM

Eu quero R$ 1.000 pelo meu, com um footswitch. Negociações totalmente
abertas. Inclusive, estou querendo comprar um bom violão folk
elétrico. Aceito trocas em valor semelhante ou como entrada/parcela.

Se souberem de possíveis interessados, favor encaminhar essa mensagem.

Gratidão,

--

.....................................
Bruno Galera
bgalera[arroba]gmail.com
http://www.big-muff.org
"Eu queria mais coisas nesses estilos do input_output, do Lavajato, do Objeto Amarelo. Eu acho muito foda. Cara, tem umas coisas fodidas no som do input_output, me remeteu a Einsturzende Neubauten. Chique demais. Na música 'Medo', ao vivo, depois dos seis minutos, me remeteu a Neubauten. Em algumas passagens do 'Polissonografia' eu também achei." (Antonio)
Cat Power - Jukebox (2008)

01 Theme From 'New York, New York' (Kander/Ebb; popularized by Frank Sinatra/Liza Minnelli)
02 Metal Heart (Cat Power)
03 Ramblin' (Wo)man (Hank Williams)
04 Song To Bobby (Cat Power-- música nova, em homenagem ao Bobby Dylan)
05 Aretha, Sing One For Me (J Harris/Eugene William; originally sung by George Jackson)
06 Lost Someone (James Brown)
07 I Believe In You (Bob Dylan)
08 Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival)
09 Silver Stallion (Lee Clayton)
10 Dark End of the Street (Chips Moman/Dan Penn; originally sung by James Carr)
11 Don't Explain (Billie Holiday)
12 Woman Left Lonely (Spooner Oldham/Dan Penn, popularized by Janis Joplin)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Segue o debate sobre a leitura de textos jornalísticos. (Este trecho de texto aqui me foi indicado pelo Tony, em resposta convergente ao trecho do Rubem Alves citando Tao Te Ching.)

"(...) Começarei com a palavra 'experiência'. Poderíamos dizer, de início, que a experiência é, em espanhol, 'o que nos passa'. Em português se diria que a experiência é 'o que nos acontece'; em francês a experiência seria 'ce que nos arrive'; em italiano 'quello che nos succede' ou 'quello che nos accade'; em inglês seria 'that what is happening to us'; em alemão seria "was mir passiert".

"A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça . Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara.

"Em primeiro lugar pelo excesso de informação. A informação não é experiência. E mais, a informação não deixa lugar para a experiência, ela é quase o contrário da experiência, quase uma anti-experiência. Por isso a ênfase contemporânea na informação, em estar informados, e toda a retórica destinada a constituir-nos como sujeitos informantes e informados; a informação não faz outra coisa que cancelar nossas possibilidades de experiência. O sujeito da informação sabe muitas coisas, passa seu tempo buscando informação, o que mais o preocupa é não ter bastante informação; cada vez sabe mais, cada vez está melhor informado, porém com essa obsessão pela informação e pelo saber (mas saber não no sentido de 'sabedoria', mas no sentido de 'estar informado') o que consegue é que nada lhe aconteça. A primeira coisa que gostaria de dizer sobre a experiência é que é necessário separá-la da informação. E o que gostaria de dizer sobre o saber de experiência é que é necessário separá-lo de saber coisas tal como se sabe quando se tem informação sobre as coisas, quando se está informado. É a língua mesma que nos dá essa possibilidade. Depois de assistir a uma aula ou a uma conferência, depois de ter lido um livro ou uma informação, depois de ter feito uma viagem ou de ter visitado uma escola, podemos dizer que sabemos coisas que antes não sabíamos, que temos mais informação sobre alguma coisa, mas, ao mesmo tempo, podemos dizer também que nada nos aconteceu, que nada nos tocou, que com tudo o que aprendemos nada nos sucedeu ou nos aconteceu.

"Além disso, seguramente todos já ouvimos que vivemos numa 'sociedade de informação'. E já nos demos conta de que esta estranha expressão funciona às vezes como sinônima de 'sociedade do conhecimento' ou até mesmo de 'sociedade da aprendizagem'. Não deixa de ser curiosa a troca, o intercambialidade, entre os termos 'informação', 'conhecimento' e 'aprendizagem'. Como se o conhecimento se desse sob a forma de informação, e como se aprender não fosse outra coisa que não adquirir e processar informação. (...) O que eu quero apontar aqui é que uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade onde a experiência é impossível.

"Em segundo lugar, a experiência é cada vez mais rara por excesso de opinião. O sujeito moderno é um sujeito informado que, além disso, opina. É alguém que tem uma opinião supostamente pessoal e supostamente própria e, às vezes, supostamente crítica sobre tudo o que se passa, sobre tudo aquilo de que tem informação. Para nós, a opinião como a informação se converteu em um imperativo. Nós, em nossa arrogância, passamos a vida opinando sobre qualquer coisa sobre que nos sentimos informados. E se alguém não tem opinião, se não tem uma posição própria sobre o que se passa, se não tem um julgamento preparado sobre qualquer coisa que se lhe apresente, sente-se em falso, como se lhe faltasse algo essencial. E pensa que tem que ter uma opinião. Depois da informação, vem a opinião. No entanto, a obsessão pela opinião também anula nossas possibilidades de experiência, também faz com que nada nos aconteça.

"Benjamin dizia que o periodismo é o grande dispositivo moderno para a destruição generalizada da experiência. O periodismo destrói a experiência, sobre isso não há dúvida, e o periodismo não é outra coisa que a aliança perversa entre informação e opinião. O periodismo é a fabricação da informação e a fabricação da opinião. E quando a informação e a opinião se sacralizam, quando ocupam todo o espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria que fazer a história segundo os velhos marxistas, não é outra coisa que o suporte informado da opinião pública. Quer dizer, um sujeito fabricado e manipulado pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz de experiência. E o fato de o periodismo destruir a experiência é algo mais profundo e mais geral do que aquilo que derivaria do efeito dos meios de comunicação de massas sobre a conformação de nossas consciências."

(Jorge Larrosa Bondía, professor da Universidade de Barcelona e doutor em Filosofia da Educação)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Wendy McNeill, a canadense que abriu para a Joanna Newsom: "Eu me mudei para Paris porque eu sabia que eu tinha que estar em um grande centro de arte. Eu excursionei pelo Canadá algumas vezes. Teve um show em Sudbury com três pessoas na platéia, e isso incluindo o cara que eu arrastei de um café do outro lado da rua. Então eu soube que alguma coisa tinha que mudar."

Na hora do show eu não me empolguei muito com ela, mas depois, lembrando da beleza dos movimentos da performance e da personalidade mais forte do que a da Joanna (talvez também pela idade) e da personalidade do som com o uso de gaita-ponto, acabei querendo baixar as músicas dela. Estou viciado em 'Such a common bird', principalmente a versão acústica em dueto com uma tal de Ane Brun. Escrevi para ela, perguntando qual pedal ela usa para as repetições, dizendo que eu havia gostado do show e listando os artistas canadenses que eu aprecio. Ela respondeu, carinhosamente, que é o RC-20, da Boss, and: "Best of luck with your playing and all passions. Cheers from France."
"Tao-Te-Ching diz o seguinte: 'Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada.' O cientista soma; o sábio subtrai." (Rubem Alves)

***

"'Carpe Diem' quer dizer 'colha o dia'. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente." (Rubem Alves)

***

"(...) Lembrei-me de uma advertência de Schopenhauer: 'No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos... Muitos eruditos leram até ficar estúpidos.' Existirá possibilidade de que a leitura dos jornais nos torne estúpidos?

"(...) O prazer da leitura, para mim, está não naquilo que leio mas naquilo que faço com aquilo que leio. Ler, só ler, é parar de pensar. É pensar os pensamentos de outros. E quem fica o tempo todo pensando o pensamento de outros acaba por desaprender a arte de pensar seus próprios pensamentos: outra lição de Schopenhauer. Pensar não é ter as informações. Pensar é o que se faz com as informações. É dançar com o pensamento, apoiando os pés no texto lido: é isso que me dá prazer. Suspeito que a leitura meticulosa e detalhada das informações tenha, freqüentemente, a função de tornar desnecessário o pensamento. Pensar os próprios pensamentos pode ser dolorido. Quem não sabe dançar corre sempre o perigo de escorregar e cair... Assim, ao se entupir de notícias – como o comilão grosseiro que se entope de comida – o leitor se livra do trabalho de pensar. (...)" (ALVES, Rubem. Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos? Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 02/09/2001.)
Um link para a discografia do Sunn 0))), expoente do doom ambient ou drone metal.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Está uma confusão/polêmica lá na Justiça do Trabalho por causa disto:

"É direito do advogado examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos." (Estatuto da OAB: Lei 8.906/94, Art. 7º, XIII)

"Os autos dos processos da Justiça do Trabalho não poderão sair dos cartórios ou secretarias, salvo se solicitados por advogado regularmente constituído por qualquer das partes, ou quando tiverem de ser remetidos aos órgãos competentes, em caso de recurso ou requisição. As partes, ou seus procuradores, poderão consultar, com ampla liberdade, os processos nos cartórios ou secretarias." (CLT: Decreto-lei 5.452/43, Arts. 778 e 779)

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

== Mais Vendidos == Peligro Discos ==

Outubro


01. Sebastião Estiva "Meu Paranã: Verdades, Mitos e Falácias" (Open Field / Peligro)
02. Pan&Tone "Estéreo Tipo ou Panorâmico Tonal" (Open Field / Peligro)
03. Luna Remoto "Luna Remoto" (Open Field / Peligro)
04. Hotel "Térreo" (Open Field / Peligro)
05. Constantina "Jaburu" (Open Field / Peligro)
06. Apanhador Só "Embrulho Pra Levar" (Independente)
07. Lulina "Bolhas na Pleura" (Open Field / Peligro)
08. Objeto Amarelo "Veloz2Volks" (Open Field / Peligro)
09. Müvi "Você pensa e faz ao contrário" (Open Field / Peligro)
10. Índios Eletrônicos & Angelo Esmanhotto "Hindustrial" (Open Field / Peligro)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007


wisdom in the mirror

Resumo da palestra do Lama Samten que presenciei ontem, na Semana da Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. (Antes da palestra, troquei umas idéias com o militar aposentado Édson. É um sujeito bastante agradável, que se separou da mulher e está numa busca espiritual, obtendo bons progressos na vida dele. Depois da palestra, descobri que ele é colega do Rodrigo, namorado da Mirella Maines, num curso de filosofia. Falei com o Lama, aka Alfredo Aveline, que fui aluno dele no Colégio Santa Teresinha, em Taquara, há 14 anos. Ele disse que me achou familiar, só não lembrava de onde me conhecia. Lembra-se do Muriel e mandou lembranças para toda a turma daquele 3º ano do 2º grau.)

Podemos condicionar a mente a trabalhar nas cinco sabedorias dos budas verde, azul, vermelho, amarelo e branco, que representam, respectivamente, as sabedorias plena (entender o outro no contexto dele), reflexiva (visualizar as causas e as conseqüências), discriminativa (perceber o que é real e o que é ilusório), equânime (não lembro) e absoluta (ter em mente que há uma base de consciência que não começa e não termina). Parece simples, mas não é fácil colocar em prática esse condicionamento, pois temos os karmas (vícios de personalidade) que oferecem obstáculos.

Temos a consciência da realidade (despertos), a consicência do sonho (dormindo) e a consciência de quando sabemos que vamos morrer. Nessas três, há sempre uma base de consciência, um observador que registra o que aconteceu acordado, que registra o que aconteceu no sonho, e assim por diante. Essa base não tem idade, pois não começa e não termina, e é ela que continuará depois da morte.

"Não lastime pelo mundo: isto é assim." Ele disse isso após comentar que uma dakini (mestre budista feminina) estava chorando copiosamente e perguntaram para ela por que ela chorava. Ela disse que era pelo sofrimento no mundo, que todos estavam sofrendo e que o mundo é devastação. Um tempo depois, ela começou a rir sem parar. Perguntaram de novo por quê, e ela respondeu que o sofrimento todo é ilusório.

As identidades são lúdicas. Devemos perceber isso e, percebendo, achar graça. Temos várias identidade: eu, por exemplo, a identidade do técnico judiciário, a identidade do artista, a identidade do namorado, a identidade do filho. Quando abandonamos uma identidade é como uma morte. Ele contou que quando vai a Rio Grande, onde mora a família dele, ou quando visita a UFRGS, onde dava aula de Física, as pessoas olham para ele e tentam enxergar, demonstrando claramente nas expressões faciais, aquela pessoa que não existe mais. Em cada momento da vida, temos uma identidade principal, "eu sou este". Dizer "eu sou este" traz vantagens, mas também obstáculos, porque isso molda todo o modo como vemos as coisas (a realidade de cada um são os olhos quem faz), o que pode gerar excesso de seriedade e de julgamento dos outros.

Os projetos-de-um-homem só estão com seus dias longe de serem contados.


1. Digitech JamMan



Pedal de sampler, Looper/Phrase, com 99 loops independentes, 24 minutos de gravação de áudio na memória (até 6.5 horas com cartão Compact Flash 2GB), gravação ritmos de loops e solo, comunicação com PC via USB; entradas, 1 para instrumento, 1 XLR para Mic, 1 Slot para cartão Compact Flash. (Cartão Compact Flash Opcional).


2. Boss RC-20xl Loop Station

Sampleamento e criação de loops em tempo real. Para utilização em estúdios, shows ou em casa, o RC-20xl traz para você um novo universo de criação para suas performances. Oferecendo sobreposição de sons gravados em tempo real até o tempo máximo de 16 minutos(!), o RC-20xl é único em sua categoria. Explore toda sua criatividade musical com a técnica "sound-on-sound" embutida no RC-20xl. Grave sequências de acordes, sobreponha com frases ou single notes e depois improvise sobre a sua própria base gravada. Colocado após um multiprocessador de efeitos BOSS (GT-8 por exemplo), as opções do RC-20xl são ilimitadas. Como ferramenta de estudo, através da entrada AUX IN você pode gravar trechos de solos difíceis de tirar, e depois diminuir o andamento da música sem alteração da afinação.

* Tempo de gravação de até 16 Minutos!
* 11 memórias internas para salvar seus loops e bases prediletos;
* Função UNDO para apagar ou recuperar o último trecho tocado;
* Função AUTO QUANTIZE para fácil criação de loops precisos;
* Ajuste de tempo sem alterar a afinação do material gravado;
* Modo REVERSE para transformar seus loops em frases inacreditáveis;
* Funciona a pilha ou fonte BOSS tipo PSA;
* Entrada para microfone com volume separado.

O RC-20xl assume do ponto onde seu antecessor, o consagrado modelo RC-20 parou, oferecendo mais tempo de gravação e mais recursos, porém com o mesmo preço. O RC-20xl herda o mesmo conceito de operação "hands-free" do RC-20: grava, sobrepõe e toca loops apenas com os pés, deixando suas mãos livres para tocar. Porém agora, você tem 16 minutos de tempo de gravação (4 vezes mais que o modelo RC-20), e além disso, você tem a nova função UNDO, uma necessidade quando você comete algum erro durante a gravação do seu loop. O RC-20xl tem 11 memórias internas, onde você pode gravar seus trechos prediletos e usá-los quando quiser. Em performances ao vivo, você pode mudar de memórias utilizando um footswitch duplo modelo FS-6 (opcional). A função “UNDO” pode ser útil para apagar trechos mal executados e gravar um novo trecho imediatamente. Depois de chocar seu público com sua performance, é hora de encerrar seus loops. Para isso, o RC-20xl tem 3 tipos de finalização, Imediata (assim que o pedal STOP é acionado), Loop Inteiro (que toca todo o loop antes de parar) ou ainda, em fade out, onde o volume vai baixando gradativamente até parar por completo.


3. RC-2 Loop Station

Mini Loop Station. Já consagrados ao redor do mundo estão os modelos RC-20xl Loop Station e RC-50 Super Loop Station. Agora chega o novo integrante desta família, o novo BOSS RC-2. Montado em formato de pedal compacto, o RC-2 coloca uma surpreendente quantidade de recursos dentro de um pequeno pedal BOSS.

* Até 16 minutos de tempo de gravação;
* Função "loop quantize" para fácil criação de loops com precisão;
* Patterns reais de bateria usados como guia de andamento;
* Simples e prático para criação de loops com várias camadas;
* Função UNDO/REDO para apagar ou recuperar a última frase gravada;
* Pode armazenar até onze loops na sua memória interna;
* Entrada AUX para gravação a partir de iPods, CD players e etc;
* Entrada para foot-switch amplia possibilidades de controle.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

THANK YOU FOR ORDERING IN RAINBOWS. THIS IS AN UPDATE.

YOUR UNIQUE ACTIVATION CODE(S) WILL BE SENT OUT TOMORROW MORNING (UK TIME). THIS WILL TAKE YOU STRAIGHT TO THE DOWNLOAD AREA.

HERE IS SOME INFORMATION ABOUT THE DOWNLOAD:

THE ALBUM WILL COME AS A 48.4MB ZIP FILE CONTAINING 10 X 160KBPS DRM FREE MP3s.
Uma das minhas três fotos inscritas foi selecionada entre as 12 para o calendário. A ordem de classificação do concurso (três primeiros lugares têm prêmio em dinheiro) será divulgada no evento abaixo descrito. O que não está descrito é que as 12 fotos serão projetadas num telão.

"O SINTRAJUFE/RS tem o prazer de convidar para o Coquetel de Premiação do 3ª Concurso Literário Mário Quintana e do 3º Concurso Fotográfico do Sintrajufe, a realizar-se no dia 26/10 às 20h, no Café da Oca (João Telles, 512). Os presentes serão convidados a eleger a foto que ocupará o 4º lugar por intermédio do júri popular. Informamos que todas as fotos selecionadas ficarão expostas para visitação no Café da Oca de 26/10 à 23/11."
Coming soon.
Thrill Jockey Anniversary Box Set (covered artist in parentheses):

Adult.: "Underwater Wave Game" (Pit er Pat)
Arbouretum [ft. Beach House's Victoria Legrand]:
"Bus Stop" (Thalia Zedek)
David Byrne: "Ex-Guru" (The Fiery Furnaces)
Califone: "Jewel" (Freakwater)
Bobby Conn: "Washed in the Blood" (Freakwater)
Angela Desveaux: "Two Moons" (Arbouretum)
Eleventh Dream Day: "I Like the Name Alice" (Sue Garner)
Freakwater: "Passengers" (The Zincs)
Sue Garner & Rick Brown: "UMO" (OOIOO)
Howe Gelb: "Boxers" (John Parish)
John Parish: "Vampiring Again" (Califone)
Pit er Pat : "Flew Out My Window" (The Lonesome Organist)
Archer Prewitt: "Mrs. Turner" (The National Trust)
Pullman: "3 a.m." (The Chicago Underground Quartet)
The Sea and Cake: "Spider's House" (Califone)
Tortoise: "Fallslake" (Nobukazu Takemura)
Thalia Zedek: "Flat Hand" (Freakwater)
The Zincs: "Blue Marble Girl" (Giant Sand)

sábado, 6 de outubro de 2007

Minha pasta preferida, a das "melhores músicas do mundo", está acessível agora somente até a letra G. Pedindo um DIR no DOS, ele pára no G sem concluir, travando ali. A única forma de ver que tais arquivos não foram removidos sem querer ou por vírus é clicando com o botão esquerdo numa área branca da pasta e pedindo Propriedades, pois então ele diz que há 1000 arquivos, e não somente os 552 até a letra G. Meu HD parece que está dando uns estalos. Para abrir uma pasta no Windows Explorer, espera-se meses e pode-se ter que reiniciar o computador, mas no botão de reset, porque o CTRL+ALT+DEL não responde. Eu tenho esse micro há um ano, torrei uma fortuna e uma saúde para tê-lo novo. Investi alto para ter um HD de 300 Gb. Deus, o que eu faço?
The Twilight Sad, pós-rock cantado - "heavy scottish accent" - da Escócia, notando-se alguma semelhança com Interpol também às vezes. Seu debut é um dos melhores discos do ano que corre. Quem já o ouviu não esquece estas duas frases (e nunca imaginaria o vocalista com a aparência que ele realmente tem):

"And so you make it your own
But this is where your arm can't go"

"With a knife in your chest"

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

De uma apostila de português, exercício para pontuar: "É preciso, pois, para poder filosofar, não apenas passar pela existência, mas vivê-la, acompanhá-la solidariamente, degustá-la."

Esse curso que eu fiz para somar horas necessárias à promoção era sobre acentuação, orações subordinadas e pontuação. Acho que fora a ortografia, para entender o resto da língua é preciso ser bom em matemática, ou melhor, em lógica. Quem tem dificuldades para raciocinar, não consegue entender a diferença entre orações adjetivas restritivas e explicativas. Os professores fazem um esforço tremendo falando em "representa a totalidade do grupo" e "representa um indivíduo do grupo", o que eu acho bobagem, macete, porque o entendimento está antes disso, mas mesmo assim não adianta, as pessoas colocam vírgula onde não tem e não colocam onde precisa ter. Os problemas mais críticos e revoltantes são esse e o da elipse do verbo. Uma vez aprendido que a vírgula marca a elipse do verbo, as pessoas enxergam elipses em todo canto, sendo que o verbo está bem ali. Elas acham a regra bonita e têm prazer em usá-la, gratuitamente, apenas para ostentá-la e mostrar que sabem aquela coisa bonita - e que sabem usar coisas bonitas, em geral. É semelhante a ir ao Press Café na Hilário Ribeiro.
Não existe nada mais anticlímax do que árvores iluminadas por luz verde. Não sei quem foi o idiota que inventou isso e achou que isso era bom. Os outros idiotas seguiram a moda. Árvore precisa de luz amarela. Na verdade, árvore não precisa de luz artificial, precisa de luz do sol, que é amarela (ou branca?). Mas a luz amarela é a que mais destaca suas qualidades visuais naturais.
O (meu) problema com tatuagens.


1. FILOSÓFICO

1.1. Nada é eterno a não ser no exato momento presente. Tudo se transforma, muda - já dizia o Lavoisier. Há músicas que você ouve há bastante tempo, há frases que você cita há bastante tempo, mas a maioria das coisas que são importantes para você neste momento são coisas que você descobriu há pouco, no curso da sua evolução pessoal. Talvez aqui os mais jovens tenham maior propensão a tatuar, porque não têm essa noção ainda de que a transformação é contínua. Então, mesmo que seja tatuado um signficado que dificilmente vai se alterar na sua vida, ainda assim existe o risco de ele se alterar. Não se brinca com o acaso. A qualquer momento pode acontecer algo terrivelmente negativo que se relacione diretamente com a coisa tatuada, e está feita a marca.

1.2. Digamos que não existisse o item acima, haveria o problema filosófico do autor da tatuagem. Por que, dentre os infinitos artistas visuais do planeta, aquele tatuador da cidade, que não deve ser propriamente um artista plástico (que pesquisa arte), é o escolhido para fazer a marca física eterna na sua pele? E mesmo que fosse contratado o Stanley Donwood para tatuar, ele uma relação com você insuficientemente íntima para um desenho fisicamente eterno. No caso de frases, costuma-se escolher frases em inglês, principalmente entre os indies, que pinçam trechos de letras musicais. A questão do inglês é um primeiro problema e a questão da não-proximidade (e da popularidade) do autor da letra é o segundo. Dessa forma, considero as tatuagens do Leonardo Fleck as menos problemáticas, pois foi ele mesmo que desenhou, ele mesmo que criou a frase e ele mesmo que escreveu (a caligrafia da tatuagem é dele). Ele é um raro cara original. Tatuagem é arte, uma vez que exposta na sua pele, sua pele é a exposição. E sua pele não pode ser uma exposição dos outros.

2. ERÓTICO - No sexo, os cinco sentidos são estimulados. O tato na química da pele com a pele, do toque, dos encaixes, dos carinhos, dos apertos, da pressão e da não-pressão, do peso e do não-peso; o olfato, mais inconsciente mas não menos importante, cheira-se tudo e não se sabe dizer qual é o cheiro, mas é maravilhoso cheirar; a audição, ouvindo os movimentos do corpo, a respiração, os sons emitidos pela voz, as palavras propriamente ditas, a cama ou o outro lugar que esteja servindo de apoio para a ação da gravidade; o paladar, por meio das lambidas, as mais diversas; e a visão. Para o mais observador, cada detalhe e cada movimento da mulher, principalmente da amada, é um espetáculo, "uma porta de acesso eón dos deuses". Felizmente (e só se pensa assim porque existe um desejo da ciência ou da inveja de que o contrário pudesse acontecer) cada mulher é uma complexidade completamente diferente da outra, então a pele é um atrativo à parte, descobrir cada veia à mostra, cada sinalzinho marrom, cada pêlo e cabelo, cada dobra e cada curva e cada cicatriz (naturalmente provocada). Então, para mim é inadmissível que um trecho dessa cultuada pele seja escondido para sempre por uma porção de tinta. Tiramos a roupa para transar porque queremos ver o animal como ele é, queremos ver a pele por debaixo das blusas, calças, saias, calcinhas e sutiãs. Nesse sentido, a tatuagem é uma roupa que não sai. E mais: é uma roupa que tem uma densidade de signficado, o qual é bombardeado para quem o pode ver. Seria como fazer sexo olhando para um cartaz ou um adesivo colado na outra pessoa. Lembrei-me de uma piada maldosa. Uma estagiária havia tatuado o nome do namorado. Eu brinquei, com alguns colegas, que, se a tatuagem fosse acima da bunda, seria a glória do amante comê-la por trás vendo o nome do namorado e rindo da cara dele.

3. QUANTO À SAÚDE - Ver uma tatuagem cicatrizando é uma das coisas mais enojantes que existe, porque é uma ferida feia (e eu não gosto de ver feridas e sangue) e porque foi o ferido quem escolheu ferir-se. Depois de cicatrizada, tem os cuidados excessivos com o sol e o risco de ter contraído hepatite.


Feu Thérèse - Ça va cogner (2007)

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Camiseta e moletom da Pelicano! Arte do Felipe Oliveira, o Mac. O disco da banda ainda não foi lançado, mas será. Estava prestes a ser lançado, pois o material gráfico já está todo produzido pelo Mac. Mas não sei mais exatamente quando será lançado, pois estamos com uma idéia de tentar melhorar a qualidade do resultado das gravações - ou de gravar ao vivo, para ver se não fica melhor. A banda não está mais ativa, mas o registro das músicas precisa ficar à altura da qualidade delas (eu tenho orgulho delas).
Acabei de comprar o novo do Radiohead (o Muriel me falou que está uma polêmica enorme porque a banda revolucionou não-lançando por gravadora e disponibilizando gratuitamente o disco na internet) por £ 0.00. É: o ZERO é uma das possibilidades do pague-quanto-quiser! "Chega" dia 10.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Você já ficou preso em um elevador? Eu sim. Hoje. Quando se percebe que tudo parou e nada abre, o ar começa a faltar imediatamente.
Fui selecionado no Concurso Fotográfico do Sintrajufe, o sindicato da justiças federais. Como não sei ainda minha colocação, no mínimo a minha foto (que também ainda não sei qual das três que eu inscrevi) estará no calendário de 2008 do Sindicato e no máximo eu ganharei uma boa grana (se eu estiver entre os três primeiros). Quando saiu o resultado, meu nome não estava entre os selecionados, nem no concurso fotográfico, nem no literário. Desconfiado, ainda dei um CTRL+F para mandar o Windows procurar meu nome. Não estava lá. Hoje recebemos o jornal do Sintrajufe e estava lá o meu nome, passando a estar, também, no site. Parece o Radiohead, que era, não era e depois era mesmo. Amanhã saberei detalhes.
Os pousa-tigres
CORTÁZAR, Julio. Histórias de cronópios e famas. Roma/Paris, 1962.

Muito antes de levar à prática nossa idéia, sabíamos que o pouso dos tigres nos colocava diante de um duplo problema, sentimental e moral. O primeiro não se referia tanto ao pouso como ao próprio tigre, na medida em que esses felinos não gostam que a gente os hospede, e recorrem a todas as suas energias, que são enormes, para resistir. Caberia nessas circunstâncias enfrentar o temperamento desses animais? Mas a pergunta nos transferiria ao plano moral, onde toda ação pode ser causa ou efeito de esplendor ou de infâmia. À noite, em nossa casinha da rua Humboldt, meditávamos diante das terrinas de arroz-doce, esquecidos de polvilhá-las com canela e açúcar. Não estávamos verdadeiramente certos de poder pousar um tigre, e o lamentávamos.

Decidiu-se afinal que pousaríamos um, com o único objetivo de ver funcionar o mecanismo em toda a sua complexidade, e que mais tarde avaliaríamos os resultados. Não falarei aqui da obtenção do primeiro tigre; foi um trabalho sutil e penoso, um corre-corre por consulados e drogarias, uma complicada trama de passagens, cartas aéreas e trabalho de dicionário. Certa noite, meus primos chegaram cobertos de tintura de iodo [usada como mercuro-cromo e merthiolate]: era o sucesso. Bebemos tanto vinho que minha irmã mais moça acabou tirando a mesa com o ancinho. Nessa época éramos mais jovens.

Agora que a experiência deu os resultados conhecidos, posso facilitar detalhes do pouso. Talvez o mais difícil seja o que se refere ao ambiente, pois se requer um aposento com o mìnimo de móveis, coisa difícil na rua Humboldt. Coloca-se o dispositivo no centro: duas tábuas atravessadas, um jogo de varetas elásticas e alguns potes com leite e água. Pousar o tigre não é muito difícil, embora a operação possa fracassar e seja necessário repeti-la; a verdadeira dificuldade começa no momento em que, já pousado, o tigre recupera a liberdade e opta - de diversas maneiras possíveis - por exercê-la. Nessa etapa, que chamarei de intermediária, as reações de minha família são fundamentais; tudo depende de como se comportem minhas irmãs, da habilidade com que meu pai torne a pousar o tigre, tirando dele o máximo partido, tal como o oleiro com o seu barro. A menor falha levaria à catástrofe, os fusíveis queimados, o leite derramado no chão, o horror de uns olhos fosforescentes riscando as trevas, os jatos mornos a cada patada [grifo do dono do blog]; recuso-me sequer a imaginá-lo, visto que até agora temos pousado o tigre sem conseqüências perigosas. Tanto o dispositivo como as diferentes funções que todos devemos desempenhar, do tigre até meus primos segundos, parecem eficazes e se articulam harmoniosamente. Para nós o fato em si de pousar o tigre não é importante, e sim que a cerimônia se realize até o fim, sem erros. É necessário que o tigre concorde em ser pousado, ou que o seja de forma tal que seu assentimento ou sua repulsa careçam de importância. Nos instantes que somos tentados a chamar cruciais - talvez pelas duas tábuas, talvez por um simple lugar-comum -, a família sente-se possuída de uma exaltação extraordinária; minha mãe não consegue disfarçar as lágrimas, e minhas primas trançam e destrançam convulsivamente os dedos. Pousar o tigre tem algo de encontro total, de alienação perante um absoluto; o equilíbrio depende de tão pouco e pagamos um preço tão alto, que os breves instantes que se sucedem ao pousar e que decidem sua perfeição nos arrebatam de nós mesmos, arrasam com a tigridade e com a humanidade num só movimento imóvel que é vertigem, pausa e chegada. Não há tigre, não há família, não há pouso. É impossível saber o que há: um tremor que não é desta carne, um tempo central, uma coluna de contato. E depois saímos todos para o pátio coberto, e nossas tias trazem a sopa como se algo cantasse, como se fôssemos a um batizado.
U pro juiz, u pro São Paulo - domingo, no Beira-Rio. (Eu vi um jogador tricolor agredindo e derrubando um gandula.) Comparando Olímpico a Beira-Rio: nos vermelhos, não teve bomba explodindo no campo, não teve copos de cerveja voadores não-identificados, não teve avalanche, os torcedores parecem mais gente-boa, mais amistosos; os azuis têm mais músicas e músicas mais fáceis e são um pouco mais barulhentos. Vermelho é mais bonito e mais chamativo, é a lei da física, cores quentes versus cores frias. No futebol, o Inter está uma uva e azarado como sempre foi.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Disco novo do Radiohead amanhã [29/9]??

[UPDATE - publicado inicialmente em 28/09/2007]

'In rainbows', o novo disco do Radiohead, agora sim, com 10 músicas, dia 10 de outubro, quarta-feira da semana que vem. GENIAL o falso alarme-falso da semana passada! No entanto, ele está sendo lançado nos seguintes formatos:



O preço do disco em MP3 é aquele que o comprador escolher, ou seja, qualquer um. O "discbox", cuja pré-venda já começou, será entregue até 3 de dezembro. Além de um CD com as 10 faixas, a caixa traz um LP e um CD-bônus com oito faixas, fotos, material de arte, um LP com as faixas bônus, mais arte e livretos com as letras. Tudo por 40 libras ou 81 dólares. O CD "tradicional" sai no começo do ano que vem. Resta saber quando vaza para download no Soulseek. Se não vazar, quem sabe eu compro os MP3 por 1 dólar.