wisdom in the mirror
Resumo da palestra do Lama Samten que presenciei ontem, na Semana da Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. (Antes da palestra, troquei umas idéias com o militar aposentado Édson. É um sujeito bastante agradável, que se separou da mulher e está numa busca espiritual, obtendo bons progressos na vida dele. Depois da palestra, descobri que ele é colega do Rodrigo, namorado da Mirella Maines, num curso de filosofia. Falei com o Lama, aka Alfredo Aveline, que fui aluno dele no Colégio Santa Teresinha, em Taquara, há 14 anos. Ele disse que me achou familiar, só não lembrava de onde me conhecia. Lembra-se do Muriel e mandou lembranças para toda a turma daquele 3º ano do 2º grau.)
Podemos condicionar a mente a trabalhar nas cinco sabedorias dos budas verde, azul, vermelho, amarelo e branco, que representam, respectivamente, as sabedorias plena (entender o outro no contexto dele), reflexiva (visualizar as causas e as conseqüências), discriminativa (perceber o que é real e o que é ilusório), equânime (não lembro) e absoluta (ter em mente que há uma base de consciência que não começa e não termina). Parece simples, mas não é fácil colocar em prática esse condicionamento, pois temos os karmas (vícios de personalidade) que oferecem obstáculos.
Temos a consciência da realidade (despertos), a consicência do sonho (dormindo) e a consciência de quando sabemos que vamos morrer. Nessas três, há sempre uma base de consciência, um observador que registra o que aconteceu acordado, que registra o que aconteceu no sonho, e assim por diante. Essa base não tem idade, pois não começa e não termina, e é ela que continuará depois da morte.
"Não lastime pelo mundo: isto é assim." Ele disse isso após comentar que uma dakini (mestre budista feminina) estava chorando copiosamente e perguntaram para ela por que ela chorava. Ela disse que era pelo sofrimento no mundo, que todos estavam sofrendo e que o mundo é devastação. Um tempo depois, ela começou a rir sem parar. Perguntaram de novo por quê, e ela respondeu que o sofrimento todo é ilusório.
As identidades são lúdicas. Devemos perceber isso e, percebendo, achar graça. Temos várias identidade: eu, por exemplo, a identidade do técnico judiciário, a identidade do artista, a identidade do namorado, a identidade do filho. Quando abandonamos uma identidade é como uma morte. Ele contou que quando vai a Rio Grande, onde mora a família dele, ou quando visita a UFRGS, onde dava aula de Física, as pessoas olham para ele e tentam enxergar, demonstrando claramente nas expressões faciais, aquela pessoa que não existe mais. Em cada momento da vida, temos uma identidade principal, "eu sou este". Dizer "eu sou este" traz vantagens, mas também obstáculos, porque isso molda todo o modo como vemos as coisas (a realidade de cada um são os olhos quem faz), o que pode gerar excesso de seriedade e de julgamento dos outros.

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