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sexta-feira, 30 de novembro de 2007



Optrum: a banda aquela japonesa que usa lâmpada como instrumento.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Algumas novidades para amenizar a tristeza.

1. O curta 'Anagrama', da Maria Clara Bastos, com input_output na trilha sonora e dois poemas meus, estréia segunda-feira na Famecos. O cara que está editando o filme perguntou se tentava corrigir o som da trilha ou se eram intencionais aqueles ruídos.

2. Encomendei um teclado controlador de MIDI, o Keyrig 49 (49 teclas/4 oitavas) da M-Audio. Ele chegou hoje na Good Music (haja saco), e eu vou buscá-lo amanhã de manhã.

Que semana corrida! Inscrevi-me num curso de ética no serviço público, ministrado por um professor doutor da PUC do Paraná e da Fundação Getúlio Vargas em Curitiba. Anteontem, na cama, pensei que o curso poderia estar começando no dia seguinte, pois foi uma inscrição relâmpago. Quando acordei, consultei a internet e era mesmo. Assisti à aula e fiz uma ronda pelas pet shops da cidade (em busca de um novo companheirinho para a Cvalda e para mim) na mesma manhã. Amanhã eu vou ter que sair antes da aula, de novo, para buscar o teclado.

sábado, 24 de novembro de 2007

Socorro, eu quero sair deste bairro Menino Deus! Estou morrendo de fome e liguei para o Habib's: não entregam no Menino Deus. Mas como?? Aqui não é longe do Centro, onde eu morava antes e recebia entrega do Habib's! É um dos bairros mais centrais de Porto Alegre! Não, não atendem. Então decidi ligar para a Domino's e até brinquei "Eles também não vão atender aqui". É, eles também não atendem o Menino Deus!! Porra!!!
Tinha me esquecido que eu havia realizado esta tarefa:

Assignment #27
Take a picture of the sun.
Douglas Dickel
Porto Alegre, BRAZIL

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Eduardo, Victor [Maymudes, tour manager] e Dylan (e um segurança) subiram o morro de Santa Teresa para fumar um e ver o pôr-do-sol, depois mataram a larica na Banca 40 do Mercado Público (um clássico local). 'Ninguém reconheceu Dylan, que foi caminhando até o hotel, são poucas quadras. No outro dia, ele foi a pé para o show! A distância é considerável, mas não é incomum Dylan fazer grandes caminhadas', garante Eduardo [Bueno, o 'Peninha']." (Marcelo Ferla)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

"Estou preparado para usar drogas, nesse sentido sou um abençoado, embora deteste cocaína e cigarro." (Eduardo "Peninha" Bueno, entrevistado pelo Marcelo Ferla, para a Rolling Stone Brasil, edição deste mês)


Eu já mencionei algumas vezes aqui o projeto da Miranda July chamado Learning To Love You More. Ela e o co-mentor Harrell Fletcher lançam, no site, espécies de tarefas, que eles chamam de "assignments", com o objetivo de fazer as pessoas aprenderem a amar mais a si mesmas. Os interessados inscrevem-se e enviam os resultados dessas tarefas para o site. Enviei descrições da minha pessoa feitas pela minha mãe, pelo meu padrasto e pela Tunnie.

Assignment #35
Ask your family to describe what you do.

Douglas Dickel
Porto Alegre, BRAZIL


Eu achava que os melhores resultados seriam reunidos num livro e que, portanto, eu poderia vir a estar num livro da Miranda July, mas parece que já foram, este ano, no dia 20 de setembro, como pude perceber no site da Amazon, de onde tirei aquela imagem da capa ali em cima.
1. Alguém está com o meu CD-R recheado de arquivos instaladores de programas?
2. Alguém se propõe ao desafio de tentar recuperar os dados de um HD? Eu pago.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Depois de dois dias "apenas" me sentindo mal, hoje, agora há pouco, eu consegui chorar de novo, auxiliado por uma massoterapia. (Quando eu fiz shiatsu com a Eugênia Gorsky, uma única vez porque logo ela foi trabalhar em Florianópolis, uma pena, ela avisou que depois eu poderia ficar com as emoções afloradas.) É uma coisa estranha o que acontece, uma batalha entre a tristeza e a vontade de mantê-la, por eu a achar merecida, e a necessidade de superar o episódio para que eu consiga voltar a fazer coisas. Há uma sensação de endurecimento na busca da melhora, porque ela pressupõe uma negação do fato ocorrido, uma tentativa de farsa no sentido de que tudo sempre teria sido assim, sem o Fuzzy. A Cvalda não chegou a ficar prostrada, mas estou preocupado porque ela está comendo e bebendo bem pouquinho e já emagreceu, ela que já era esbelta e só tinha conseguido ficar um pouco mais gordinha neste ano. Ela está com duas feridinhas, provavelmente emocionais, de tanto se coçar acima do olho esquerdo e na orelha direita.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Eu costumo acreditar que nada é por acaso, e geralmente não demora muito nem é muito difícil perceber qual é a conseqüência boa e importante de um fato negativo. Mas agora, diante desse abrupto corte vertical na minha vida, eu estou intrigado para saber qual será a vantagem decorrente de uma morte, se é que haverá. Será justamente uma lição sobre a fragilidade e a efemeridade de qualquer coisa na vida? Mas e isso não iria me deixar num estado permanente de medo? Será uma tentativa de reformar a minha visão sobre a morte? Será uma forma de me dizer que, por mais que se creia que já se passou por muita coisa ruim, sempre poderá haver mais uma surpresa a seguir? Será parte da contrapartida para uma série de questões favoráveis que eu tenho na minha vida e na minha pessoa, dentro da questão do equilíbrio necessário para o caos? Será um alerta para que eu pare de me lamentar por coisas pequenas (são elas pequenas?) e para que eu dê um impulso na minha vida artística de uma vez por todas? Não sei, todas as possibilidades não parecem fazer jus a uma vida que se vai - nada faz. De qualquer forma, espero que uma ou mais dessas possibilidades apresente(m)-se a mim como forma de amenizar o vácuo na região do meu esôfago. Ainda sinto que sou o Windows sem encontrar um arquivo DLL.

Em tempo: agora eu entendo porque é convenção não ouvir música no luto - porque ela incomoda, it's annoying me... Os condutos por onde passam as melodias estão estilhaçados.
"Descobrir qual é a imagem/síntese de um filme me parece tão importante quanto conseguir formular um story-line (resumir o filme em apenas uma frase). Em 'Blindness' ['Ensaio sobre a cegueira'] eu não sei exatamente qual será esta imagem/síntese, mas sempre imaginei um filme opressivamente luminoso. Em nossas 12 semanas de filmagens, conseguimos bons momentos de brancura e agora torço para que no meio das 45 horas de material rodado ou dos 3.888.000 fotogramas expostos, haja ao menos um que consiga traduzir esta história. Se não houver paciência, pois as filmagens já acabaram. E acabaram com festas e jantares. Como sempre." (Fernando Meirelles)

domingo, 18 de novembro de 2007

Decobri que o Pan Sonic tocou em São Paulo em 2004, no Credicard Hall, pela edição brasileira do festival Sónar.

sábado, 17 de novembro de 2007

Apelidos que o Fuzzy teve:

01. Pacato (o Tune era o Mugato, bem no começo)
02. Lune (de Looney & Tune, foi a Hadna que deu)
03. Gato-(Branco-)do-Demo (foi a Manu que deu)
04. Loucão
05. Chatão-Queridão (este é o meu preferido)
06. Modelo de Nariz
07. Mina de Algodão
08. Rei dos Canudinhos (foi a Giane que deu)
09. Tosco (foi a Manu que deu)
10. Curioso (foi o Lemos que deu)
11. Fuzzyca/Fuzzyco (foi o Tony que deu)
12. Fusilli (foi a Giane que deu)
13. (Meu) Querido/(Meu) Queridão
14. Patinha Peluda
15. Cavanhaque Sujo
16. Mão-de-Faca
17. Maridinho (foi a Gabi que deu)
18. Gato-de-Modelar

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

(Este texto talvez seja um dos mais importantes que eu escrevi na vida. Os mais sensíveis e espertos talvez impressionar-se-ão com a minha nudez; os outros, talvez, se lerem, classificar-me-ão como louco ou criança. Mas esta é a minha vida, uma vida humana.) Está sendo desesperadoramente insuportável. O Fuzzy não era só meu gato, ou meu filho (filhos um dia saem de casa), ou meu irmão, ou meu amigo. Ele era mais que isso, ele era a coisa mais sólida que eu tinha na vida, para mim era certo que ele ficaria junto comigo até o fim de uma das nossas vidas. Éramos uma pessoa só em corpo e mente. Em corpo porque ele ficava deitado no meu colo enquanto eu escrevia (ou fazia um disco) neste computador. Ele gostava que eu ficasse com as pernas em triângulo, colocando os pés na beirada da cadeira, porque aí ele deitava em 45 graus e ficava com o queixo apoiado nos meus joelhos, muitas vezes abrindo e fechando cada patinha alternadamente. Quando ele estava assim, muitas vezes eu levantava o pescoço dele para beijar debaixo, aquela fonte mais rica do planeta em algodão. Eu não cansava de olhar para o queixinho sardento dele, que parecia sujo de comida, e para a manchinha branca que ele tinha no meio das costas. Ontem quando as couraças desenvolvidas em nome da esperança desabou, senti uma dor enorme de abstinência física do meu gato branco, irmanando-me com a Cvalda de um jeito que eu nunca tinha visto. Enquanto ela cheirava pontos da casa com o cheirinho do Fuzzy e rolava nele, eu apertava a minha namorada e eu próprio na urgência de sentir a forma do Fuzzy debaixo daquela forma apertada, como se fosse mágica. Eu preciso dele, eu preciso vê-lo, apertá-lo, cheirá-lo. Ele era o meu companheiro indissociável. Preciso do bafo dele, dos arranhões, dos estragos nas coisas dentro de casa. Enquanto a Cvalda ainda procura ele atrás da cortina e atrás do sofá, enquanto ela mia chamando-o e, ao mesmo tempo, olhando para mim e pedindo que eu o traga de volta, a única coisa que eu posso falar para ela é que eu estou sentindo a mesma coisa e que não é culpa minha que eu não posso trazê-lo de volta. Tentei, inutilmente, deitar em lugares onde ele deitou, quem sabe eu não me transformaria no Fuzzy. Ontem, para tentar distrairmo-nos, vimos o filme dos irmão Coen 'Ei, meu irmão, cadê você?'. Nada nunca é por acaso, não? Uma das principais músicas do filme tem a seguinte letra: "You are my sunshine, my only sunshine. You make me happy when skies are grey. You'll never know, dear, how much I love you. Please don't take my sunshine away." Por mais que eu pensasse que quando eu chegasse em casa haveria o Fuzzy a Cvalda, eu sempre me surpreendia quando chegava na porta, quando estava prestes a girar a chave, ouvindo os miados de recepção do meu brancão, famosos em todo o prédio aqui. Não morreu apenas esse gato de que estou falando, morreu parte de mim, parte da minha história e da minha memória, parte da minha força na separação que faz pouco mais de um ano, parte da força que me fez passar num concurso tão desejado. O Fuzzy era parte da minha energia e eu, parte da dele. Era uma simbiose. Éramos uma pessoa só em mente porque ele era o ser vivo mais parecido comigo que existia. Pense em qualquer virtude minha ou defeito meu, ele tinha, e vice-versa. Agitado, ansioso, hiperativo, teimoso, chato, descoordenado, carente, inteligente, esperto, carinhoso, diplomático, aberto, obsessivo, grude, obstinado, musical. Não consigo suportar a idéia de não vê-lo envelhecendo, ficando cada vez mais esperto e estebelecendo cada vez mais uma comunicação direta comigo. Não consigo parar de chorar e querer ouvir os miados dele. Eu até ouço, às vezes. A Cvalda não consegue parar de miar, e qualquer barulho dentro de casa a faz correr para ver se não é o Fuzzy. Eu não consigo entender por que isso foi feito com ele e comigo - e com a Cvalda, e com... Nunca foram tão agradáveis para mim as idéias de haver vida após a morte ou existir máquina do tempo, nunca talvez tenha sido tão aceitável a idéia de eu morrer agora. Mesmo se não houver vida após a morte, quando eu morrer, eu estarei na mesma condição que o Fuzzy, encontraremo-nos de qualquer forma. E talvez só assim eu e ele voltaremos a estar no lugar certo: juntos. Não tem NADA dentro de casa ou em mim ou até na rua ou em qualquer lugar que não me lembre o gato branco. Hoje eu acordei pela primeira vez sabendo que ele realmente não estava aqui. Eu costumo sonhar que não estou encontrando alguém e acordo aliviado por ter sido só um sonho. Mas desta vez não foi assim. Acordei com a Cvalda dormindo nas minhas pernas. Levantei a coberta e, ao me ver, ela veio subindo até mim e cheirando o Fuzzy no meu pijama. Isso não pode ser verdade. Não pode ser tortura maior ver a Cvaldinha também sofrendo como eu. Sempre que alguma coisa terrível como essa acontece, é menos insuportável encontrar um culpado, e eu encontro esse culpado em mim: porque eu separei os quatro gatos, porque eu fiz mudança duas vezes, porque eu briguei muitas vezes com o Fuzzy, porque eu não internei ele de manhã, porque eu não percebi que por duas vezes ele não tomou o remédio para o coração que eu achei que tinha dado, porque eu não tinha força suficiente para vê-lo naquele estado e continuar otimista para transmitir energia positiva para ele, porque eu não sabia que fazendo uma medição da pressão arterial talvez fosse detectada a hipertensão que provavelmente causou a cardiomiopatia. "Se eu pudesse voltar no tempo, eu o salvaria." No serviço público, existe algo chamado licença-nojo, oito dias de folga para quem perde um parente próximo. Não terei direito a isso. Ninguém entenderia se eu pedisse. Parte de mim morreu e, socialmente, eu preciso fazer de conta que foi "só um gato". "Essas coisas acontecem", "vai passar" etc. A minha namorada disse que eu sou "warm and fuzzy". Mas agora eu sou só "warm". Que nem diz o Grant Lee Buffalo, com uma linda e inesquecível melodia: "I lied to. Now I'm Fuzzy."

quinta-feira, 15 de novembro de 2007


I wanna be with you (1)
Originally uploaded by [douglasdickel].

Mas nem sempre... Não deu. I'll always be with him. WE'll always be with him. Eu, Cvaldinha, Tunnie, Manu, Tune, Cheetara, Ieve, Gabi, Giane etc.

Pelo menos será mais uma surpresa se houver o Lado de Lá, quando eu lá chegar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A história se repete. Foi no feriado do dia 15/11 em 2005 (pasmem), há exatos dois anos, que os quatro gatos ficaram doentes, incluindo o Fuzzy. Sobreviveram. Todos. Por milagre. O Fuzzy foi internado no Hospital Veterinário da UFRGS hoje, com 33 graus de temperatura e um quadro de saúde muito sério. Estamos esperando por mais um milagre. Mas eles acontecem. Ainda mais com os cuidados especiais da Adriana Muschner, veterinária e namorada do Flávio Boff, num casal tão familiar quanto gatos.
Estou num pesadelo. Acordei segunda-feira e meu gato, o Fuzzy, não mexia mais as pernas de trás. No Hospital Veterinário da UFRGS verificou-se que ele não sente também as costas. Ele não está se lavando nem conseguindo evitar se sujar na caixa de areia, e a Cvalda está com nojo dele por isso. Desde então, não come e não bebe e está praticamente catatônico. Hoje de manhã é que eu dei, com seringa, à força, ração molhada e água. A suspeita é de tromboembolismo por cardiomiopatia hipertrófica, uma doença do coração que acaba formando coágulos que impedem que o sangue vá até determinada parte do corpo. Estou dando SETE remédios diferentes com horários diferentes, sendo que um deles é injeção. Eu estou com menos fome e a Cvalda também. Pode ser que ele recupere o movimento e a sensibilidade, pode ser que não. Se recuperar e se for essa doença cardíaca mesmo, ele terá que tomar remédio a vida toda, pois a doença do coração, quando instalada, é como nos humanos, não tem cura, somente controle. Cirurgia não é recomendada porque houve muitos casos de óbito nas tentativas. Eu não paro de pensar nessas coisas todas e o desespero bate. Talvez eu não devesse vir aqui lamentar, mas é a única coisa que eu posso fazer, pelo menos neste momento. Até para os amigos saberem por que eu estou momentaneamente ausente das atividades virtuais em que sempre estive envolvido. Além disso, está para chegar o técnico que vai tentar ressuscitar a partição de dados do meu HD, que está completamente inacessível. Escrevo, agora, do meu laptop. Pelo menos ele ficou feliz de voltar a ser útil. Rezem, torçam, mandem energia, façam o que souberem fazer pensando no Fuzzy, em mim, na Tunnie, na Manuela e na Cvalda. Espero que nós acordemos desse pesadelo. Obrigado e até mais.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Divulgação dos vencedores do concurso fotográfico do Sintrajufe, por Gutemberg Ostemberg, um dos concorrentes.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Coisas boas que conheci este ano, mas não por causa de discos deste ano:

Wendy McNeill
Belle & Sebastian
Magazine
T-Bone Burnett
Absentee
Autolux
Krishna Das
KT Tunstall
Bow Wow Wow
Julee Cruise
"Eu estava ouvindo 'Grass', do Animal Collective, e a Sirlei, minha empregada de 50 e poucos anos, passou dizendo 'MAS QUE MÚSICA BEM BOA!' Dançando! Achei muito massa." (Tunnie)

Eu também achei.

(Em tempo: a empregada pediu que a Tunnie levasse um disco para o chá de panela da filha dela, na Lomba do Pinheiro.)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Comentário que fiz no blog do Muriel. (Para um melhor entendimento, leia-se arte bonita e acessível no lugar de ordem e arte de vanguarda e experimental no lugar de caos.) "O ideal é o caminho do meio. Vejo essas coisas mais ou menos como um triângulo equilátero desenhado no chão. Faça-se um traço do ponto médio de uma das arestas até o pico oposto, como se fosse dividir o equilátero em dois triângulos retos. O ponto médio da base que se forma é o ponto onde o artista está. Se ele vai para um lado, o da ordem, ele pode ir longe; se ele vai para o outro lado, o do caos, ele também pode ir longe; mas, se ele vai para frente, mesclando ordem e caos na medida exata, ele vai ainda mais longe e, ainda por cima, o mais adiante possível."
"No momento em que decidiu o seu próximo movimento, extremamente calculado, deu-se conta do que realmente estava acontecendo. Dessa vez, iria até o fim, sem dúvidas, pois o seu destino o esperava já havia muito tempo. Não deixaria bilhete algum, pois assim criaria algum tipo de comoção geral. O que menos desejava era empatia ou pena. Isso não poderia vir dele. Esses não eram sentimentos reais.

"Sentimentos, para ele, eram verdadeiros quando cortavam, amassavam e mastigavam os órgãos internos, na tentativa de saírem para fora e contaminarem os outros. Estava cheio deles, e só fazendo o que faria, daria um fim justo a todos os sentimentos e a ele próprio.

"Estava na hora. Subiu no pequeno banco de madeira um tanto quanto nervoso, com os seus pés escapando do perímetro do banco. Duvidou do atentado por uma fração de segundo. Seu cérebro lhe informou que este tamanho de tempo na estrela de Vega seria equivalente a dezoito horas. Preferiu ficar com a certeza antes adquirida.

"Botou o singelo colar de cisal no pescoço e sentiu uma sensação nunca vivenciada antes, a de estar no local certo, na hora certa. Botou a música pré-selecionada para tocar, algum murmúrio familiar acompanhado do som de um violão. Chutou o banco levemente e junto dele foram enforcados, em uma espécie de câmera lenta, os sentimentos, a casa onde morava fisicamente e até o gemido musical que preenchia o quarto, fazendo tudo parar por um segundo. Havia conseguido. Estava no ar." (CASTRO, Antônia Kowacs. Atentado a si mesmo.)

sábado, 3 de novembro de 2007

O ser humano não tem salvação e a Björk dança de forma incompatível com sua música. Essas e outras notícias, sobre o Tim Festival em Curitiba:

Esses tempos eu estava imaginando: como alguém espera que a sociedade funcione, que o Estado funcione, se simples relações humanas não funcionam? É uma questão lógica, do teste científico com ratinhos. Posso exemplificar. Uma das questões mais básicas em termos de respeito é guardar aquilo que pegou, limpar aquilo que sujou, arrumar aquilo que desarrumou. E isso, esses atos simples, são quase impossíveis de serem realizados pela maioria. É uma realidade agravada pelo advento da empregada doméstica, mas, antes disso, é uma realidade humana, ou seja, animal. No trabalho, também por exemplo, os colegas fazem aquilo que afeta apenas diretamente o próprio serviço, não se importando com as conseqüências da prática ou não prática para o serviço dos outros colegas. Regras que poderiam imprimir uma organização maior do trabalho todo são ignoradas, porque o ser humano não gosta de seguir regras. Alguns até gostam de criá-las, mas a maioria absoluta não consegue segui-las. Na vida em grupo, somente regras podem evitar o caos. Mas regras são (ou precisam ser) pactos, e pactos pressupõem o desejo coletivo de evitar o caos e pressupõem o respeito coletivo. Só assim as leis funcionariam, a justiça funcionaria, as coisas coletivas todas funcionariam. Mas o coletivo prefere deixar tudo como sempre foi, levar tudo menos a sério. Vamos ao Tim Festival em Curitiba. Antes do show da Björk, tocou nos alto-falantes uma música étnica, e o público começou a gritar "muda a música" e "Björk", não se dando conta de que era quase certo que tinha sido a Björk mesmo quem havia escolhido aquela música para preceder seu show. Eu gritava de volta "vão ouvir rádio em casa". Quando a Björk estava entrando no palco, uma garota subiu nas costas do namorado, tampando a visão de muitas pessoas, dentre elas eu e a Tunnie. As pessoas começaram a urrar para ela descer, e ela virava e dava gargalhada. Começaram a jogar coisas nela, e ela continuava gargalhando. Gente como eu e a Tunnie pagamos avião e ingresso somente para ver a Björk. Acertei três latas de cerveja na guria, sendo que uma bem no rosto. E ela não desceu. A Tunnie tentou derrubá-la, e então ela desceu. Era apenas uma garota querendo ver a Björk sem cabeças na frente, mas, para isso, ela fez com que muitas outras pessoas (mais que uma, mais que ela) não conseguisse vê-la. Parece um exemplo isolado, mas é esse o espírito de todos - ou quase todos. No avião da volta, dois amigos estavam com tocadores de MP3. Um estava sentado do nosso lado e tinha um iPod; o outro estava sentado na primeira poltrona depois do corredor e tinha um tocador genérico. O do nosso lado desligou várias vezes o aparelho, mas voltava a ligá-lo em seguida. Começamos a ficar nervosos, pois no avião da ida já tivéramos que advertir um carinha que estava na nossa frente que não é permitido utilizar equipamentos eletrônicos durante a decolagem, embora o comissário já houvesse falado no sistema de alto-falantes. Avisamos a comissária que esse nosso vizinho estava ouvindo iPod, e ela prometeu adverti-lo quando passasse para revisar as poltronas. Mas, quando ela passou, o nosso vizinho escondeu o aparelho no meio das pernas. Depois, voltou a ligá-lo, mais uma vez, só que agora sem colocar os fones no ouvido. Aproveitei:

- Tu não vai conseguir desligar, né?
- Por quê?
- Porque tu tá fissurado.
- Cê tem medo de voar, né?
- Não. É uma regra.
- Regra? iPod não tem problema.
- Não tem problema? - Mostrei o cartão da Gol com um desenho do iPod e um xis em cima.

No fim do vôo, o outro amigo fez um videozinho simulando entrevista com o nosso vizinho: "Estamos aqui com o professor Daniel de Oliveira. É verdade que você foi insistentemente advertido para que desligasse o iPod durante a decolagem?" E "quá quá quá quá quá". Quando o avião aterrissou, a comissária disse "Mantenham seus cintos afivelados até a completada parada da aeronave" e concomitantemente ouviram-se os sons de todos os passageiros desafivelando imediatamente os cintos. E ligando os celulares. Tem salvação? Eu tenho certeza que não. Como diz o Lama, é assim. Meu sonho é conseguir parar de lamentar.

Sobre a Björk. A jornalista do Terra que cobriu o show de Curitiba disse que ela dança de forma infantil. Eu concordo. Ela dança sempre da mesma forma, e é uma forma infantil, meio hippie. Isso até que não seria grande problema se a música dela não fosse o oposto, moderna e agressiva, muitas vezes. Em 'Army of me' percebi o maior contraste. Em 'Jóga', uma música completamente reflexiva e dançável de forma muito cuidadosa e lenta, lá estava ela correndo com pulinhos e mexendo os braços para um lado e para o outro, de baixo até em cima. Outra coisa que não me agradou é que os únicos que tocavam instrumentos reais eram os componentes da orquestra islandesa Wonderbrass; o resto era eletrônico, gente dando play. Então parecia um grande playback com uma ótima cantora no centro. Sim, ótima cantora e ótima compositora. O play, por outro lado, só reforçou a minha idéia de que as músicas da Björk são sensacionais, principalmente quanto ao arranjo, principalmente - dentro do setlist do show - em 'Army of me'. Quanto à pessoa dela, o que mais me agradou foram os pés descalços e os gritinhos repetidos de "Oprricá!". Eu queria que ela estivesse de cabelo preso e com menos roupa. Esperei que ela tirasse aquela capa verde. E, sim, sou muito chato para avaliações, principalmente as artísticas.
Deixei um comentário sobre o 'Neon bible', do Arcade Fire, no site Metacritic (e até gostei do meu inglês).


Essa nova adaptação de história do Stephen King, '1408', é genial. Não uniformemente, pois há muitos clichês, mas alguns elementos durante o filme e os minutos finais provocaram inveja em mim, pois são idéias que eu gostaria de ter tido, é o tipo de sensação que eu busco provocar com a arte - aquela do Palmer Eldritch. Melhor filme do ano até agora (um pouco porque eu desconheço qualquer concorrente a esse título).

Em tempo: a música principal do filme é utilizada de forma COMPLETAMENTE GENIAL.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Cortesia do Flávio André Boff.


Fato ocorrido em 1892.

Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.
Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal.
Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur,
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas
Científicas da Universidade Nacional da França.


"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima." (Louis Pasteur)
Trecho do boletim com a programação do Santander Cultural. "Macchi não faz questão de produzir obras com grandes instalações e tecnologias. O charme de seu trabalho reside na re-contextualização de elementos cotidianos em pequena escala, mas com grande intensidade. Ele permeia sua produção por uma abordagem sutil de questões políticas e de como as informações veiculadas pelos jornais servem para construção de novos significados e narrativas."