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terça-feira, 6 de novembro de 2007

"No momento em que decidiu o seu próximo movimento, extremamente calculado, deu-se conta do que realmente estava acontecendo. Dessa vez, iria até o fim, sem dúvidas, pois o seu destino o esperava já havia muito tempo. Não deixaria bilhete algum, pois assim criaria algum tipo de comoção geral. O que menos desejava era empatia ou pena. Isso não poderia vir dele. Esses não eram sentimentos reais.

"Sentimentos, para ele, eram verdadeiros quando cortavam, amassavam e mastigavam os órgãos internos, na tentativa de saírem para fora e contaminarem os outros. Estava cheio deles, e só fazendo o que faria, daria um fim justo a todos os sentimentos e a ele próprio.

"Estava na hora. Subiu no pequeno banco de madeira um tanto quanto nervoso, com os seus pés escapando do perímetro do banco. Duvidou do atentado por uma fração de segundo. Seu cérebro lhe informou que este tamanho de tempo na estrela de Vega seria equivalente a dezoito horas. Preferiu ficar com a certeza antes adquirida.

"Botou o singelo colar de cisal no pescoço e sentiu uma sensação nunca vivenciada antes, a de estar no local certo, na hora certa. Botou a música pré-selecionada para tocar, algum murmúrio familiar acompanhado do som de um violão. Chutou o banco levemente e junto dele foram enforcados, em uma espécie de câmera lenta, os sentimentos, a casa onde morava fisicamente e até o gemido musical que preenchia o quarto, fazendo tudo parar por um segundo. Havia conseguido. Estava no ar." (CASTRO, Antônia Kowacs. Atentado a si mesmo.)

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