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quarta-feira, 27 de setembro de 2006

O Sérgio Britto é um filho da puta - assim como os Tangos & as Tragédias.


Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr



E o grande lance é não usar o pretérito imperfeito, nem o verbo "querer". Já deu para entender o que eu quero dizer.

terça-feira, 26 de setembro de 2006

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

"O show do input_output foi no mínimo espetacular. A Jéssica também gostou bastante, especialmente do final. Ela lamentou não estar com a câmera, pois quis tirar muitas fotos da performance. (...) Um show do quilate do input_output começar tão tarde devia render prisão aos organizadores. Pelo menos foi um senhor show, quase um happening." (Tony)

Sim, o nosso show foi extremamente prejudicado pelo horário. Começamos a tocar às 3h, e isso quer dizer que entre a passagem de som e o show esperamos SETE agonizantes horas. A organização do Mosh abriga uma festa experimental como o Palco Róque Town com Farveste e input_output e imagina um público oposto, festeiro. Mas, ainda assim, acho que nosso show teve bons momentos, como o final, que foi o mais (harsh) noise de todos os tempos. Eu mesmo não conseguia suportar o som (e o volume) que eu estava produzindo no synth. Aguardo as fotos.

sábado, 23 de setembro de 2006

Me mudei hoje. Se eu demorar para ter internet em casa ou se eu nem a tiver, e se precisarem falar comigo com urgência, liguem para o meu celular ou escrevam para o meu e-mail do trabalho, que é douglas hífen dickel arroba pge ponto rs ponto gov ponto br.

Estou estudando se há algum plano de telefone mais banda larga, tipo o da NET, que saia em conta.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Clipping.


Peligro Discos
Informativo #55.5
20/09/2006

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(...) Já que estou por aqui, aproveito pra dar um toque de um show legal que rola nessa sexta, dia 22, em Porto Alegre. O input_output toca no Mosh (Rua João Pessoa, 1355) a partir das 23h. Além deles, duas bandas dos integrantes: Farveste e Pelicano. Incansáveis, os gaúchos. (...)

abraço, gui.



Remix
Grazi Badke - 21/09/2006
Drops


- Amanhã no Palco Róque Town tem experimentalismo extravaganza com as bandas Ferveste e do projeto input_output. O barulho rola no Mosh (João Pessoa, 1355), a partir das 23h.


E saiu também na programação do Terra e no site do Antena.

sábado, 9 de setembro de 2006



A música experimental dá o tom da segunda edição da Palco Róque Town. Dia 22 de setembro sobem ao palco do Mosh (João Pessoa, 1355) os grupos porto-alegrenses de post-rock/experimental Farveste e input_output, a partir das 23h. Na seqüência dos shows, as bandas dividem as discotecagens com João Perassolo, Dani Hyde e Gabriel Machuca.

Abre a noite a Farveste, formada em 2004 por Mateus d'Almeida, Túlio Pinto, Renan Stiegemeier e Leandro Pereira. Sem letras, o post-rock do grupo combina passagens etéreas e suaves com momentos de explosão de guitarras distorcidas. Para ouvir, acesse http://www.tramavirtual.com.br/farveste

input_output é o projeto individual/autoral de Douglas Dickel, que mistura elementos acústicos, eletrônicos e explora colagens, edição, texturas (como a estática de rádio) e minimalismo. O primeiro disco saiu ano passado e chama "Eu contenho todos os meus anos dentro de mim". Ao vivo o input_output conta também com Felipe Oliveira, Mateus d'Almeida e Renan Stiegemeier. Os quatro se revezam na manipulação de sintetizadores, samples, pedais de efeitos, um aspirador de pó, um ursinho musical de ninar e um megafone, além do tradicional guitarra-baixo-e-bateria. Para saber mais, http://www.geocities.com/douglasdickel/input_output

Palco Róque Town é o projeto de shows da produtora Róque Town: a idéia é promover apresentações e discotecagens de bandas inéditas e/ou que não se apresentam freqüentemente. Ou seja: depois do show, os integrantes dos grupos assumem as pickups e põem o povo pra dançar. Ativa desde fevereiro de 2005, a Róque Town tem também uma festa fixa de discotecagens de rock, a Poa Róque Town. Para saber mais, acesse http://www.fotolog.net/roquetown

Palco Róque Town
22 de setembro, sexta, 23h
Mosh (João Pessoa, 1355)
R$ 8 antes da meia-noite; R$ 10
Shows: Farveste e input_output
Discotecagens: Dani Hyde, Gabriel Machuca, João Perassolo e bandas

Produção: Róque Town
Pelicano está destacado na Trama Virtual.

Da Contracapa:

"Eu adoro os mistérios e não saber o que vai acontecer. Que as luzes sejam apagadas, a telona seja aberta e entremos em outro mundo."

DAVID LYNCH, cineasta americano, 60 anos, homenageado com um Leão de Ouro na quarta-feira no Festival de Veneza. O diretor exibiu no evento italiano seu mais recente longa, Inland Empire, sobre uma atriz que está participando de um filme com um roteiro baseado em uma trama amaldiçoada. Como sempre, Lynch filmou uma história enigmática e complexa, que deu um nó na cabeça de muita gente - tanto que, na coletiva de imprensa, um repórter norueguês saiu-se com esta: "Tenho que perguntar com alguma preocupação, após ver este filme, se o senhor está bem". Já um jornalista italiano chegou a afirmar que Lynch "está pronto para vestir uma camisa de força".

Vem coisa boa. De novo.

domingo, 3 de setembro de 2006

Do Le Monde virtual,

Os vendedores de doenças
As estratégias da indústria farmacêutica para multiplicar lucros espalhando o medo e transformando qualquer problema banal de saúde numa "síndrome" que exige tratamento
Por: Ray Moynihan e Alain Wasmes
Tradução: Wanda Caldeira Brant


Há cerca de trinta anos, o dirigente de uma das maiores empresas farmacêuticas do mundo fez declarações muito claras. Na época, perto da aposentadoria, o dinâmico diretor da Merck, Henry Gadsden, revelou à revista Fortune seu desespero por ver o mercado potencial de sua empresa confinado somente às doenças. Explicando preferiria ver a Merck transformada numa espécie de Wringley's - fabricante e distribuidor de gomas de mascar -, Gadsden declarou que sonhava, havia muito tempo, produzir medicamentos destinados às... pessoas saudáveis. Porque, assim, a Merck teria a possibilidade de "vender para todo mundo". Três décadas depois, o sonho entusiasta de Gadsden tornou-se realidade.

As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais pessoas, transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença - mudando assim literalmente o que significa ser humano. Recompensados com toda razão quando salvam vidas humanas e reduzem os sofrimentos, os gigantes farmacêuticos não se contentam mais em vender para aqueles que precisam. Pela pura e simples razão que, como bem sabe Wall Street, dá muito lucro dizer às pessoas saudáveis que estão doentes.

A fabricação das "síndromes"

A maioria de habitantes dos países desenvolvidos desfruta de vidas mais longas, mais saudáveis e mais dinâmicas que as de seus ancestrais. Mas o rolo compressor das campanhas publicitárias, e das campanhas de sensibilização diretamente conduzidas, transforma as pessoas saudáveis preocupadas com a saúde em doentes preocupados. Problemas menores são descritos como muitas síndomes graves, de tal modo que a timidez torna-se um "problema de ansiedade social", e a tensão pré-menstrual, uma doença mental denominada "problema disfórico pré-menstrual". O simples fato de ser um sujeito "predisposto" a desenvolver uma patologia torna-se uma doença em si.

O epicentro desse tipo de vendas situa-se nos Estados Unidos, abrigo de inúmeras multinacionais famacêuticas. Com menos de 5% da população mundial, esse país já representa cerca de 50% do mercado de medicamentos. As despesas com a saúde continuam a subir mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Cresceram quase 100% em seis anos ? e isso não só porque os preços dos medicamentos registram altas drásticas, mas também porque os médicos começaram a prescrever cada vez mais.

De seu escritório situado no centro de Manhattan, Vince Parry representa o que há de melhor no marketing mundial. Especialista em publicidade, ele se dedica agora à mais sofisticada forma de venda de medicamentos: dedica-se, junto com as empresas farmacêuticas, a criar novas doenças. Em um artigo impressionante intitulado "A arte de catalogar um estado de saúde", Parry revelou recentemente os artifícios utilizados por essas empresas para "favorecer a criação" dos problemas médicos [1]. Às vezes, trata-se de um estado de saúde pouco conhecido que ganha uma atenção renovada; às vezes, redefine-se uma doença conhecida há muito tempo, dando-lhe um novo nome; e outras vezes cria-se, do nada, uma nova "disfunção". Entre as preferidas de Parry encontram-se a disfunção erétil, o problema da falta de atenção entre os adultos e a síndrome disfórica pré-menstrual ? uma síndrome tão controvertida, que os pesquisadores avaliam que nem existe.

Médicos orientados por marqueteiros

Com uma rara franqueza, Perry explica a maneira como as empresas farmacêuticas não só catalogam e definem seus produtos com sucesso, tais como o Prozac ou o Viagra, mas definem e catalogam também as condições que criam o mercado para esses medicamentos.

Sob a liderança de marqueteiros da indústria farmacêutica, médicos especialistas e gurus como Perry sentam-se em volta de uma mesa para "criar novas idéias sobre doenças e estados de saúde". O objetivo, diz ele, é fazer com que os clientes das empresas disponham, no mundo inteiro, "de uma nova maneira de pensar nessas coisas". O objetivo é, sempre, estabelecer uma ligação entre o estado de saúde e o medicamento, de maneira a otimizar as vendas.

Para muitos, a idéia segundo a qual as multinacionais do setor ajudam a criar novas doenças parecerá estranha, mas ela é moeda corrente no meio da indústria. Destinado a seus diretores, um relatório recente de Business Insight mostrou que a capacidade de "criar mercados de novas doenças" traduz-se em vendas que chegam a bilhões de dólares. Uma das estratégias de melhor resultado, segundo esse relatório, consiste em mudar a maneira como as pessoas vêem suas disfunções sem gravidade. Elas devem ser "convencidas" de que "problemas até hoje aceitos no máximo como uma indisposição" são "dignos de uma intervenção médica". Comemorando o sucesso do desenvolvimento de mercados lucrativos ligados a novos problemas da saúde, o relatório revelou grande otimismo em relação ao futuro financeiro da indústria farmacêutica: "Os próximos anos evidenciarão, de maneira privilegiada, a criação de doenças patrocinadas pela empresa".

Dado o grande leque de disfunções possíveis, certamente é difícil traçar uma linha claramente definida entre as pessoas saudáveis e as doentes. As fronteiras que separam o "normal" do "anormal" são freqüentemente muito elásticas; elas podem variar drasticamente de um país para outro e evoluir ao longo do tempo. Mas o que se vê nitidamente é que, quanto mais se amplia o campo da definição de uma patologia, mais essa última atinge doentes em potencial, e mais vasto é o mercado para os fabricantes de pílulas e de cápsulas.

Em certas circunstâncias, os especialistas que dão as receitas são retribuídos pela indústria farmacêutica, cujo enriquecimento está ligado à forma como as prescrições de tratamentos forem feitas. Segundo esses especialistas, 90% dos norte-americanos idosos sofrem de um problema denominado "hipertensão arterial"; praticamente quase metade das norte-americanas são afetadas por uma disfunção sexual batizada FSD (disfunção sexual feminina); e mais de 40 milhões de norte-americanos deveriam ser acompanhados devido à sua taxa de colesterol alta. Com a ajuda dos meios de comunicação em busca de grandes manchetes, a última disfunção é constantemente anunciada como presente em grande parte da população: grave, mas sobretudo tratável, graças aos medicamentos. As vias alternativas para compreender e tratar dos problemas de saúde, ou para reduzir o número estimado de doentes, são sempre relegadas ao último plano, para satisfazer uma promoção frenética de medicamentos.

Quanto mais alienados, mais consumistas

A remuneração dos especialistas pela indústria não significa necessariamente tráfico de influências. Mas, aos olhos de um grande número de observadores, médicos e indústria farmacêutica mantêm laços extremamente estreitos.

As definições das doenças são ampliadas, mas as causas dessas pretensas disfunções são, ao contrário, descritas da forma mais sumária possível. No universo desse tipo de marketing, um problema maior de saúde, tal como as doenças cardiovasculares, pode ser considerado pelo foco estreito da taxa de colesterol ou da tensão arterial de uma pessoa. A prevenção das fraturas da bacia em idosos confunde-se com a obsessão pela densidade óssea das mulheres de meia-idade com boa saúde. A tristeza pessoal resulta de um desequilíbrio químico da serotonina no cérebro.

O fato de se concentrar em uma parte faz perder de vista as questões mais importantes, às vezes em prejuízo dos indivíduos e da comunidade. Por exemplo: se o objetivo é a melhora da saúde, alguns dos milhões investidos em caros medicamentos para baixar o colesterol em pessoas saudáveis, podem ser utilizados, de modo mais eficaz, em campanhas contra o tabagismo, ou para promover a atividade física e melhorar o equilíbrio alimentar.

A venda de doenças é feita de acordo com várias técnicas de marketing, mas a mais difundida é a do medo. Para vender às mulheres o hormônio de reposição no período da menopausa, brande-se o medo da crise cardíaca. Para vender aos pais a idéia segundo a qual a menor depressão requer um tratamento pesado, alardeia-se o suicídio de jovens. Para vender os medicamentos para baixar o colesterol, fala-se da morte prematura. E, no entanto, ironicamente, os próprios medicamentos que são objeto de publicidade exacerbada às vezes causam os problemas que deveriam evitar.

O tratamento de reposição hormonal (THS) aumenta o risco de crise cardíaca entre as mulheres; os antidepressivos aparentemente aumentam o risco de pensamento suicida entre os jovens. Pelo menos, um dos famosos medicamentos para baixar o colesterol foi retirado do mercado porque havia causado a morte de "pacientes". Em um dos casos mais graves, o medicamento considerado bom para tratar problemas intestinais banais causou tamanha constipação que os pacientes morreram. No entanto, neste e em outros casos, as autoridades nacionais de regulação parecem mais interessadas em proteger os lucros das empresas farmacêuticas do que a saúde pública.

A "medicalização" interesseira da vida

A flexibilização da regulação da publicidade no final dos anos 1990, nos Estados Unidos, traduziu-se em um avanço sem precedentes do marketing farmacêutico dirigido a "toda e qualquer pessoa do mundo". O público foi submetido, a partir de então, a uma média de dez ou mais mensagens publicitárias por dia. O lobby farmacêutico gostaria de impor o mesmo tipo de desregulamentação em outros lugares.

Há mais de trinta anos, um livre pensador de nome Ivan Illich deu o sinal de alerta, afirmando que a expansão do establishment médico estava prestes a "medicalizar" a própria vida, minando a capacidade das pessoas enfrentarem a realidade do sofrimento e da morte, e transformando um enorme número de cidadãos comuns em doentes. Ele criticava o sistema médico, "que pretende ter autoridade sobre as pessoas que ainda não estão doentes, sobre as pessoas de quem não se pode racionalmente esperar a cura, sobre as pessoas para quem os remédios receitados pelos médicos se revelam no mínimo tão eficazes quanto os oferecidos pelos tios e tias".

Mais recentemente, Lynn Payer, uma redatora médica, descreveu um processo que denominou "a venda de doenças": ou seja, o modo como os médicos e as empresas farmacêuticas ampliam sem necessidade as definições das doenças, de modo a receber mais pacientes e comercializar mais medicamentos. Esses textos tornaram-se cada vez mais pertinentes, à medida que aumenta o rugido do marketing e que se consolidas as garras das multinacionais sobre o sistema de saúde.

sexta-feira, 1 de setembro de 2006

" . . . a multiplicidade dos objetos que nos causam felicidade não garante que sejamos mais felizes. Por isso é que existem ricos infelizes e pobres felizes. Mais: até a satisfação dos desejos tem um teto. Essa pode ser até outra lição sobre os caminhos que podem nos levar à felicidade. Não adianta acumular (ou ter) demais. Parece bobo, mas muita gente ainda escorrega nisso. É só perguntar para um colecionador de automóveis: até um determinado ponto, adquirir mais um carro para a coleção traz uma grande felicidade (que dura só até a próxima aquisição). Depois de determinado número, porém, a emoção e o prazer vão diminuindo. Só um carro excepcional, raro e difícil de se conseguir vai trazer um pouquinho da felicidade já sentida antes. Mesmo assim, o colecionador continua comprando compulsivamente, na vã esperança de que a felicidade possa ser tão intensa quanto nas primeiras vezes (onde se lê colecionadores de carros, leia-se também aqueles que gostam de colecionar qualquer outra coisa, como sensações, emoções ou... paixões).

"A frugalidade dos desejos é o ponto básico dos filósofos epicuristas, por exemplo. Diferentemente do que se pensa hoje, eles não propunham uma orgia de prazeres sensuais, um hedonismo desenfreado. Afinal, eram gregos e sábios. O que diziam é que, para fruir verdadeira e intensamente a felicidade e o prazer, era preciso escolher. Portanto, 'hay que saber selecionar'. E a lista do que realmente pode nos fazer felizes tem de ser bem restrita, pensada. Pelo simples motivo de que ninguém vai conseguir preencher todos os itens de uma lista quilométrica. Exigências demais atrapalham, desejos demais também. 'Menos, menos', nos segreda a sabedoria grega (e certamente alguns namorados, ou namoradas, insastisfeitos com nossas cobranças).

"(...) A artista plástica Susana Urribarri . . . diz que aprendeu a ser feliz com a liberdade de pintar. 'Quando se tem um papel branco pela frente, podemos usar cores horrorosas que jamais poderíamos pensar em combinar, traços livres que podem ou não dizer alguma coisa, formas cheias e definidas ou não-formas. Nada está errado, nada tem de ser nada', diz. Ela acha que, assim como na pintura, a abertura é uma condição bastante essencial na busca da felicidade, já que não existe um padrão fixo para ela. É aquela história da borboleta: se você vai muito atrás da felicidade com uma rede, ela pode se espantar e não chegar perto de você. Se você ficar quietinho e aberto, pode até ser que ela pouse em seu ombro." (Liane Alves/Vida Simples)