"O que você chama de estado de guerra eu chamo de estado permanente de mútua suspeita e competição. Todos nós estamos em competição potencial uns com os outros. No passado existiu, por exemplo, a negociação coletiva. Todos os trabalhadores de uma fábrica ou de um escritório se juntavam e com o poder coletivo negociavam as condições do emprego. Isso foi desregularizado, não existe mais. As empresas consideram, e isso faz parte da nova filosofia de administração, que as demissões periódicas, a economia periódica, a reestruturação periódica – em alguns casos algumas pessoas são demitidas – são elementos necessários da boa administração. Por quê? Porque coloca os membros remanescentes da equipe olhando de forma suspeita para seus colegas, eles não se unem para enfrentar os patrões. Pelo contrário, tentam provar para seus patrões que, quando chegar a próxima rodada de demissões, o outro é que deve ser demitido, e não eu. Então nós estamos sendo forçados a essa situação que requer constante vigilância mútua e competição. E é isso que cria a atmosfera de guerra, nada é certo, nada é seguro, você tem de olhar ao redor, ser cuidadoso, amigos podem se tornar inimigos. Não faz sentido desenvolver lealdade a alguém 'até que a morte nos separe' porque, aparecendo condições diferentes e circunstâncias diferentes, todo o cálculo de ganhos e perdas pode mudar." (Zygmunt Bauman, em entrevista para Alberto Dines)
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quinta-feira, 22 de outubro de 2015
"O que você chama de estado de guerra eu chamo de estado permanente de mútua suspeita e competição. Todos nós estamos em competição potencial uns com os outros. No passado existiu, por exemplo, a negociação coletiva. Todos os trabalhadores de uma fábrica ou de um escritório se juntavam e com o poder coletivo negociavam as condições do emprego. Isso foi desregularizado, não existe mais. As empresas consideram, e isso faz parte da nova filosofia de administração, que as demissões periódicas, a economia periódica, a reestruturação periódica – em alguns casos algumas pessoas são demitidas – são elementos necessários da boa administração. Por quê? Porque coloca os membros remanescentes da equipe olhando de forma suspeita para seus colegas, eles não se unem para enfrentar os patrões. Pelo contrário, tentam provar para seus patrões que, quando chegar a próxima rodada de demissões, o outro é que deve ser demitido, e não eu. Então nós estamos sendo forçados a essa situação que requer constante vigilância mútua e competição. E é isso que cria a atmosfera de guerra, nada é certo, nada é seguro, você tem de olhar ao redor, ser cuidadoso, amigos podem se tornar inimigos. Não faz sentido desenvolver lealdade a alguém 'até que a morte nos separe' porque, aparecendo condições diferentes e circunstâncias diferentes, todo o cálculo de ganhos e perdas pode mudar." (Zygmunt Bauman, em entrevista para Alberto Dines)
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
"Mesmo" não é pronome pessoal.
sábado, 3 de outubro de 2015
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| "Como sabem o que vão fazer, não há lugar para surpresa. Creio que a arte preparada não é arte." (Robert Bresson) |
A "idade de ouro" das novelas da Globo é o período de dez anos entre 1985 (Roque Santeiro, Um Sonho a Mais e A Gata Gomeu) e 1994 (Mulheres de Areia e Quatro Por Quatro). Desconfiei de algo que hoje confirmei na wikipédia: 1995 foi o ano de inauguração do tal Projac, e aquele ano foi o exato ano em que a "sequência de vitórias" se interrompeu. Mais: a época de ouro coincide exatamente com o tempo de construção do megacomplexo. Somente o horário das 8 teve uma "prorrogação" – novelas de sucesso em 1995, 1996 e 1997: Pátria Minha, A Próxima Vítima, Explode Coração, Rei do Gado e A Indomada.
Douglas Dickel Seria a proporção inversa entre investimento e criatividade?
Douglas Dickel Seria a proporção inversa entre investimento e criatividade?
A primeira regra do cineasta David Cronenberg é "não trabalhar com assholes". Para isso, ele procura entrevistas com os atores no YouTube para ter noção de como eles são como pessoas.
"Robert Bresson diz, em Notas Sobre o Cinematógrafo, que a fragmentação é aquilo que lhe permite escapar de um dos vícios fundamentais do cinema convencional, desse teatro bastardo que ele detesta, que é o vício da representação. Bresson salienta que uma imagem fragmentada, uma imagem que seleciona aspectos muito particulares da realidade, é uma imagem que automaticamente convoca, de maneira natural o 'fora de campo' [de enquadramento]. Bresson é um cineasta em cujo trabalho tão importante quanto o que se vê é aquilo que não se vê. Às vezes, atualizado pelo som e, às vezes, simplesmente deixado de lado, de reserva, para momentos futuros. Poderíamos dizer, inclusive, que no cinema de Bresson não existe a tradicional divisão em planos – planos gerais, planos médios, primeiros planos. Em Bresson, todo plano é um primeiro plano, no sentido pleno da palavra, na medida em que são imagens independentes, que, ao serem colocadas umas junto das outras, principalmente quando sai uma faísca da fricção entre estas duas imagens, quando se produz o nascimento do sentido cinematográfico. Isso não é concebível senão através do jogo entre o fragmentário e o fora de campo. É provavelmente uma 'regra de ouro' afirmar que não há grande cineasta que não seja um grande gestor do fora de campo, assim como não há nenhum grande cineasta que não seja um grande gestor da trilha sonora. Bresson era um mestre no terreno do som. Nesta direção existe um dos aforismos mais famosos que regula a relação entre imagem e som, quando ele diz 'tudo aquilo que você possa dar ao espectador por meio do som não lhe dê por meio da visão'." (Santos Zunzunegui, espanhol, professor de cinema)
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