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domingo, 30 de dezembro de 2007

"Economize o dinheiro do ingresso. O misticismo do antigo povo Maia foi a inspiração para 'A fonte da vida', filme-bomba que recebeu vaias homéricas em sua pré-estréia no Festival de Veneza. A platéia ficou confusa e desapontada. No Festival do Rio também teve uma recepção fria. Vendido como 'uma odisséia sobre amor, morte e espiritualidade', tem um roteiro estranho, sobre um homem que busca ao longo de três encarnações (!) uma forma de vencer a morte (!!) e, nesse rocambole fantasioso, ocorre até um encontro com Deus (!!!). No elenco, Hugh Jackman (de 'X-Men') e Rachel Weisz (Oscar de melhor atriz por 'O jardineiro fiel'). Bizarro. Fuja." (alguém)
[30 MELHORES DISCOS DE 2007]

01. Animal Collective - Strawberry jam
02. Earth - Hibernaculum
03. Blonde Redhead - 23
04. Arcade Fire - Neon bible
05. Nadja - Touched + Guilted by the sun + Radiance of shadows
06. Spoon - Ga ga ga ga ga
07. Yoko Ono - Yes, I'm a witch
08. Suzanne Vega - Beauty and crime
09. The Twilight Sad - Fourteen autumns and fifteen winters
10. Avey Tare & Kria Brekkan - Pullhair rubeye
11. PJ Harvey - White chalk
12. KT Tunstall - Drastic fantastic
13. Broken Social Scene Presents Kevin Drew - Spirit if...
14. Eddie Vedder - Into the wild
15. Einstürzende Neubauten - Alles wieder offen
16. Health - Health
17. XXL - ¿Spicchiology?
18. The Kissaway Trail - The kissaway trail
19. Feu Thérèse - Ça va cogner
20. The New Pornographers - Challengers
21. Keren Ann - Keren Ann
22. Gogol Bordello - Super taranta!
23. Melt-Banana - Bambi's dilemma
24. Bright Eyes - Cassadaga
25. Art Brut - It's a bit complicated
26. The Polyphonic Spree - The fragile army
27. Alan Vega - Station
28. Thurston Moore - Trees outside the academy
29. Stars - In our bedroom after the war
30. Rilo Kiley - Under the blacklight


[50 MELHORES MÚSICAS DE 2007]

01. The New Pornographers - Adventures in solitude
02. Stars - The night starts here
03. The New Pornographers - My rights versus yours
04. Stars - Midnight coward
05. Gogol Bordello - American wedding
06. Animal Collective - For Reverend Green
07. Arcade Fire - No cars go
08. Avey Tare & Kria Brekkan - Sasong
09. Arcade Fire - My body is a cage
10. Broken Social Scene Presents Kevin Drew - Lucky ones
11. Paul McCartney - Dance tonight
12. Yeah Yeah Yeahs - Rockers to swallow
13. The Shins - Sleeping lessons
14. Róisín Murphy - Overpowered
15. Travis - Selfish Jean
16. KTL - Theme
17. Bright Eyes - Clairaudients (kill or be killed)
18. Justice - The party
19. The Polyphonic Spree - The championship
20. The Kissaway Trail - Forever turned out to be too long
21. Melt-Banana - Cracked plaster cast
22. Super Furry Animals - Into the night
23. Alan Vega - Station station
24. Keren Ann - It ain't no crime
25. Radiohead - House of cards
26. Valet - Blood is clean
27. Prinzhorn Dance School - Worker
28. Sarah Shannon - City morning song
29. Bill Callahan - From the rivers to the ocean
30. XXL - Daydrinking
31. Rilo Kiley - Dreamworld
32. Blonde Redhead - 23
33. Thurston Moore - Fri/end
34. Mirah & Spectratone International - Song of psyche
35. Múm - Moon pulls
36. Björk - Declare independence
37. Bodies Of Water - We will be apart
38. Dan Deacon - Wham city
39. Blitzen Trapper - Hot tip/tough cub
40. Spoon - The ghost of you lingers
41. Neil Young - Ordinary people
42. Husky Rescue - Blueberry tree (part I)
43. Port-Royal - Roliga timmen (longing machines)
44. Panda Bear - Comfy in nautica
45. Queens Of The Stone Age - River in the road
46. Caribou - After hours
47. The White Stripes - Icky Thump
48. U.N.K.L.E. & Robert "3D" Del Naja - Twilight
49. Neurosis - Nine
50. Air & Jarvis Cocker - One hell of a party

sábado, 29 de dezembro de 2007

O escritor com quem eu mais me identifico.

"(...) E agora, a pergunta fundamental: para que serve o cérebro, vulgo miolos? Serve para tudo porque serve para pensar. Mas, atenção, não vamos nós cair agora na superstição comum de que tudo quanto enche o crânio está relacionado com o pensamento e os sentidos. Imperdoável engano, senhoras e senhores. A maior parte desta massa contida no crânio não tem nada a ver com o pensamento, não risca nada para aí. Só uma casca muito fina de substância nervosa, chamada córtice, com cerca de três milímetros de espessura, e que cobre a parte anterior do cérebro, constitui o órgão da consciência. Repare-se, por favor, na perturbadora semelhança que há entre o que chamaremos um microcosmo e o que chamaremos um macrocosmo, entre os três milímetros de córtice que nos permitem pensar e os poucos quilómetros de atmosfera que nos permitem respirar [remete a 'Sobre verdade e mentira', do Nietzsche], insignificantes uns e outros e todos, por sua vez, em comparação nem sequer com o tamanho da galáxia, mas com o simples diâmetro da terra. Pasmemoms, irmãos, e oremos ao Senhor. (...)"

Conto 'Cadeira', livro 'Objecto quase', José Saramago.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Citações do Noel Gallagher.

"De todos os NME Awards esse com certeza foi o mais... recente." (sobre o NME Awards 2007)
"Liam é o rei da galera. Eu não. Eu sou o rei dos reis."
"Progresso é ir para frente. Ir para trás é regresso. Ir para o lado é apenas gresso."
Gostei. A música experimental no Brasil é desleixada. É brincadeira feita por adultos, mas sem a naturalidade ousada e criativa da criança e sem o pensamento planejador e conceitual do adulto.

***

Organizei cronologicamente hoje, finalmente, também, a papelada que registrou minha atividade em música (Larissa No Penhasco, Poliéster, O Restaurante Do Fim Do Universo, Tom Bloch, Blanched, Pelicano, input_output, Hotel), discotecagem, literatura (Ambivalência, Feira do Livro, Póquets e Mini-Mundo) e fotografia (exposição Mínimo Intenso, prêmios). Que venham os próximos papéis.

***

Não comentei aqui ainda. A Tainá disse no blog dela que demite o David Lynch. Pois comigo ele também não trabalha mais. Com a liberdade alcançada pelo uso do vídeo, depois de alguns minutos de genialidade em 'INLAND EMPIRE', ele mergulha na loucura total e não volta mais, deixando o espectador mofando à espera de algum sinal da narrativa. Há teorias póstumas que investigam a existência de três filmes concomitantes e três tempos concomitantes, mas o que era puro prazer em longas menos logos, tornou-se tortura com a dilatação do tempo. Por falar em longa longo, adorei 'Os infiltrados', exceto a morte aquela (quem viu sabe de qual estou falando). 'O cachê' e o já mencionado 'A vida secreta das palavras' também são filmes interessantes.

***

"Meu feijãozinho. Vou ter saudade de carregar vocês assim, como se fossem uma berinjela." Foi o que eu acabei de falar para os dois gatinhos aqui do lado.

***

Multipost, isto é sinal de que estou de recesso. Até dia 7. Eu nasci para não estar no trabalho, mesmo que o meu atual seja o mais agradável até hoje. A carga horária reduzida de 6 horas não basta para mim, porque eu preciso engrenar. Uma manhã é pouco, sabendo que logo mais eu terei que ir automaticamente para a obrigação diária.

***

Semana que vem terei minha terceira sessão de terapia, numa tentativa de retomada, já que encontrei uma junguiana que atende pela Unimed. Terapia quinzenal, a Unimed pagando uma e eu pagando a outra do mês, para que continue sobrando dinheiro no fim do mês. Desta vez, o objetivo é investigar o meu problema com a criação e o trauma da morte do Fuzzy. Quem cor será que dá azul com laranja? Acho que espalhei tanto azul separado de laranja aqui em casa - (até os botões do Blogger aqui em baixo são dessas cores) em almofadas e jacarezinhos de miçangas, remontando às cores do 'Ambivalência', que justamente significam, respectivamente, depressão e sublimação - que a bipolaridade parece ter se materializado na minha vida, principalmente a polaridade azul. Mas estes últimos dois dias estão sendo diferentes, espero que continue (mais) assim - mais azanja ou larul.

***

Outra coisa nova que estou fazendo é a musculação, receita de ortopedista para as minhas tendinites. Até agora estou gostando. Passa rápido (principalmente com a ajuda do iPod na esteira) e saio me sentindo bem. Ganhar força vai me ajudar na saúde e no futsal. O ambiente é mais leve e mais claro do que o do tai chi chuan e o da yoga. E mais caro, talvez por isso mesmo. Ar condicionado inclusive.

***

Vem aí CGH.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Blanched em duas listas de melhores discos de 2007 publicadas na Trama Virtual.


Guilherme Barrella (Open Field/Peligro)

01. Bodes & Elefantes: Bodes & Elefantes (Submarine)
02. Bonifrate: Os Anões da Villa do Magma (Open Field/Peligro)
03. Contra Fluxo: SuperAção (Independente)
04. Wandula: La Récréation (Independente)
05. Hurtmold: Hurtmold (Submarine)
06. Rua de Baixo: Envelhecido 13 Anos (Independente)
07. Blanched: Avalanched (Open Field/Peligro)
08. MJP: Passagenz e Interferênciaz (Independente)
09. Pan&Tone: Estéreo Tipo ou Panorâmico Tonal (Open Field/Peligro)
10. Satanique Samba Trio: Sangrou (Amplitude)


Dago Donato (Trama)

01. Kassin +2: Futurismo (Ping Pong)
02. Hurtmold: Hurtmold (Submarine)
03. Bonifrate: Os Anões da Villa do Magma (Open Field/Peligro)
04. Turbo Trio: Baile Bass (YB)
05. Contra Fluxo: SuperAção (Independente)
06. Nação Zumbi: Fome de Tudo (Deck Disc)
07. Gui Boratto: Chromophobia (ST2)
08. Autoramas: Teletransporte (Mondo 77)
09. China: Simulacro (Candeeiro)
10. Blanched: Avalanched (Open Field/Peligro)


Josef: I thought um, you and I, maybe we could go away somewhere. Together. One of these days. Today. Right now. Come with me.
Hanna: No, I don't think that's going to be possible.
Josef: Why not?
Hanna: Um, because I think that if we go away to someplace together, I'm afraid that, ah, one day, maybe not today, maybe, maybe not tomorrow either, but one day suddenly, I may begin to cry and cry so very much that nothing or nobody can stop me and the tears will fill the room and I won't be able to breath and I will pull you down with me and we'll both drown.
Josef: I'll learn how to swim, Hanna. I swear, I'll learn how to swim.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O Jeff Tweedy é um porra dum cagalhão. Não, isto não é um elogio.
é uma boa coisa que as pessoas nunca se olhem nos olhos
elas perceberiam que os meus estão sempre lacrimejando.


Anônimo. E lindo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

"Nietzsche disse que 'a arte existe pra que a verdade não nos destrua'. O artista é uma criança que age por impulso e que ajuda a encantar o mundo, que é uma construção racional, real, séria, adulta. Visão ingênua, romântica? O que pode ser mais sério do que a idéia da verdade? Qual é a verdade da criança? Só as verdades relativas, que se montam e se desmontam fugazmente como jogos, ludicidade pura, a capacidade primordial dos homens de não dar solidez a nada, de esculpir o mundo e a vida o tempo todo, agindo por impulso, que não é outra coisa que não a forma da energia. E o que ocorre quando o artista não brinca e não brinca porque não pode brincar? E por quê ele não pode brincar? Talvez porque não haja por que brincar, por quem ou com quem brincar. Num curso de cosmologia e complexidade que fiz no início desse ano com o físico Carlos Alberto, da UFRJ - figura alucinante, diga-se de passagem - teve uma afirmação dele que ficou ecoando nos meus ouvidos: 'Uma sociedade que não tolera a arte só pode estar sofrendo de alguma enfermidade muito séria.' Isso me fez pensar imediatamente nas pessoas que esnobam, criticam e se irritam com o aparente hermetismo de certas obras, sejam filmes, música ou instalações. Discussão antiga, eu sei. Ora, alguma outra dúvida de que o fazem por melancólica ignorância? (...)" (Muriel Paraboni)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"O projeto Hotel, de Douglas Dickel (Blanched, input_output, Pelicano), é um trabalho vigoroso de como sessões de improviso roqueiro podem ser divertidas e interessantes. A vitalidade do álbum deixa bem claro o prazer desse tipo de evento para os músicos - aqui Marcelo Koch (Blanched), Renan Stiegemeier (Farveste, Pelicano) e Yury Hermuche (FireFriend). A jam foi gravada em 2006 e é o primeiro trabalho de uma série, cujo segundo volume já está gravado e pronto para sair [sic]. Ainda que a inspiração tenha sido as Desert Sessions, de Josh Homme (Queens Of The Stone Age), o resultado aqui é uma certa psicodelia filtrada por tratamento tipicamente guitar noise - seja pelos timbres dos instrumentos ou pela cozinha rítmica. As músicas calcadas em loops de bateria e guitarra encontram variações no trabalho de guitarras [sic], calcados em barulho e efeitos de guitarra mil. O release cita Acid Mother Temple. É justo. Mas acrescente aí grupos contemporâneos que adotam dinâmica similar a um Yo La Tengo. Trabalho que só um selo como a Open Field poderia lançar." (Arthur Dantas/Revista +Soma)
Alguém tem uma foto recente do Pitágoras?
Rapaz, cadê a sua cunhada?


Tropa Macaca - Marfim (2007)

"De todas as propostas desta nova música periférica, os Tropa Macaca são uma das que mais evoluiu ao longo dos tempos (curtos, claro, que isto ainda agora começou). São hoje um dos projectos mais interessantes de uma música portuguesa menos interessada em seguir guiões já conhecidos e standardizados. Marfim, nas duas peças que o compõem, tem entrada directa para o panteão dos discos mais interessantes desta nova geração de músicos – que anda por aí a desbravar terreno. Ju-Undo (Joana da Conceição) e Símio Superior (André Abel), munidos de electrónicas várias e guitarras, estabelecem uma série de protocolos sonoros que procuram quase invariavelmente um local de confronto. Isto equivale a dizer que 'Marfim' está longe de ser um disco confortável e conformista." (André Gomes/Bodyspace)

Tropa Macaca
O templo do ruído
Por André Gomes, 17/01/06


"Em todos os projectos musicais – com a excepção daqueles que nos chegam como produto e são resultado de uma operação de marketing que junta indivíduos ao acaso – existe um elo de ligação anterior. Um elo a partir do qual se cria outro tipo de elo – o musical. Os Tropa Macaca . . . partem da vida que têm juntos (como, digamos, 'companheiros de vida' que são) para a partir daí criarem música. (...) Ju-Undo (Joana da Conceição, artista plástica) e Símio Superior (André Abel) fazem música como resposta ao tempo. Exploram o ruído num relógio sem ponteiros e a aproveitam a energia que existe entre ambos para criar. De um lado, Símio Superior traça texturas com a guitarra, no outro, Ju-Undo manipula a electrónica. Ambos procuram de formas distintas chegar ao mesmo local. Aqui, Joana da Conceição e André Abel, entre outras coisas, desenvolvem aquela que é a ideia principal da união musical dos Tropa Macaca, em jeito de manifesto de intenções: a inspiração na vida 'como validação de efemeridade truncada no tempo'."

(...)

Tencionam ou imaginam-se algum dia a viver exclusivamente da música?

Em Coro: Não.

Os vossos interesses na música são semelhantes? Há algum conflito no processo criativo, nas decisões a tomar e nas direcções a seguir musicalmente falando?

A.A.: Existe bué de conflito, os backgrounds e as sensibilidades estéticas diferem e digladiam-se a cada novo ensaio, conversa, concerto. O que poderá ser considerado, na minha perspectiva, como algo em comum ou unificador será a vontade de agarrar algo que nos consuma por inteiros, uma toada de som que nos faça querer foder o mundo inteiro.

J.C.: Existem muitos conflitos, mas existe uma paz que advém da irresponsabilidade que ambos sentimos face ao que deveríamos ser e isso direcciona, entre outras coisas, a tropa.

Como é para vocês compor musica juntos? Dizem que se inspiram na vida que têm juntos como validação da efemeridade truncada no tempo... Quais são as implicações práticas dessa união musical?

J.C.: Nós fazemos música juntos, isso é verdade, mas não vejo isso com o carácter de união, é uma junção. A união de cada um de nós é com o tempo, com o espaço, com as pessoas, o trabalho de cada um é fruto desse triângulo, quando tocamos juntos funcionamos como um quadrilátero, que é a junção dos dois triângulos.
Actualmente passamos a maior parte da nossa vida juntos, é tudo o que passa por ela que nos seduz, que nos motiva, mas somos sempre indivíduos, as coisas tocam-nos de forma diferente. Mas como dissemos há pouco, existe algo intrínseco a cada um de nós que é comum, penso que é por essa mesma razão que o concerto com Fish & Sheep resultou. Tudo está inscrito no tempo, a consciencialização da nossa efemeridade torna-nos irresponsáveis e livres. Essa brevidade faz-nos arder mais depressa e penso que isso se transmite na música que fazemos.

A.A.: Eu não acho que se possa falar em composição, prefiro algo como uma delineação de estratégias de abordagem a algo que temos cá dentro e que queremos que se concretize em dinâmica de som, batida, oscilação, como quiseres qualificar. Nesse sentido, acho que acabamos por ter uma postura bastante pragmática mas o caminho até a um nivelamento de satisfação mútua é por vezes uma tortura, berramos e ofendemo-nos mutuamente por vezes, elevam-se tensões que torna a coisa mais extática quando finalmente agarramos a besta e a sacudimos no ar.

Imagino que o processo de composição seja necessariamente algo distinto daquele que acontece numa banda como, por exemplo, os Dance Damage... A familiaridade natural no seio do projecto não obrigará a uma dose redobrada de esforço e dedicação?

J.C.: A ligação extra música é forte, passamos muito tempo juntos e isso representa parte importante na forma como trabalhamos, de facto, é já em si alimento da tropa. Normalmente não compomos, como uma banda como os Dance Damage, o que não obriga a um ensaio rígido trata-se mais de expurgar demónios e trocar figurações de beleza, portanto, ao contrário de ensaiar uma composição definida, procuramos a liberdade da composição instantânea. Agora se isso exige mais tempo ou não que uma banda que compõe, depende! Exige isso sim sintonia, que não advém exclusivamente do tempo investido em ensaios, mas também da partilha de diversas experiências.

A.A.: Eu acho que levamos isto na boa, é apenas mais uma dimensão da nossa vida e, por mim, sinto-me motivado a continuar a investir tempo e energia com paixão pelo potencial que partilhamos.

J.C.: Queremos chegar a uma composição livre. Na música como noutras áreas de acção do ser humano existem códigos mais ou menos rígidos que promovem um género de conduta, que se pode tornar asfixiante. Mas a música trata de som, um discurso onde os cânones não são tão rígidos como os da linguagem por exemplo, e por isso a música é um caminho mais próximo para as vísceras. (...)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

"Do que eu sinto falta hoje em dia é de classe. Sem truques, sem tolerar estupidez, sem comprar afeições." (Jack Nicholson)
O último vídeo meu e do Fuzzy, recém subido no YouTube, simboliza bem aquela relação que eu descrevi no post grande aquele. E eu publiquei no Flickr nossa última foto também. Que saudade. Agora já faz mais de um mês.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Minha lista de melhores discos (e músicas) do ano (de 2007) foi publicada (pelo segundo ano consecutivo) na seção Tops Ilustres, da revista online portuguesa Bodyspace. (E aqui ninguém se interessa pela minha dedicação à pesquisa musical, aqui eu sou invisível.) Estou lá ao lado da Marissa Nadler.
"Ideas are like fish. If you want to catch little fish, you can stay in the shallow water. But if you want to catch the big fish, you've got to go deeper. Down deep, the fish are more powerful and more pure. They're huge and abstract. And they're very beutifull. I look for a certain kind of fish that is important to me, one that can translate to cinema. But there are all kinds of fish swimming down there. There are fish for business, fish for sports. There are fish for everything. Everything, anything that is a thing, comes up form the deepest level. Modern physics calls that level the Unified Field. The more your consciousness - your awareness - is expanded, the deeper you go toward this source, and the bigger the fish you can catch."

Introdução de Catching The Big Fish, livro de David Lynch lançando no ano passado, junto com seu último filme, Inland Empire, e que lhe rendeu, tanto quanto ao filme, críticas as mais severas, tendo sido por muitos tachado de auto-ajuda. No livro, única obra escrita de punho até hoje pelo mestre, Lynch fala de meditação transcedental, auto-consciência e criatividade, num depoimento simples, claro e direto acerca da sua sem dúvida iluminada visão de mundo. (Muriel Paraboni)


Meu conhecido que processou o Orkut e vai ganhar R$ 7.000 falou com o Maurício Renner, que noticiou o fato no site Baguete.


"Também temos outro lançamento da Open Field [o 35º já!], dessa vez por conta dos gaúchos da Blanched, que mesmo enfrentando uma pausa forçada aparecem com outra pepita do post-rock como só eles sabem fazer." (Guilherme Barrella)





Blanched "Avalanched" (Open Field / Peligro) * cd-r * R$ 15,00 > post-rock; experimental
"Gravado em 2006, o terceiro registro do grupo gaúcho finalmente surge à tona, numa época em que o quinteto passa por um hiato indeterminado. Se no último capítulo, 'Blanched toca Angelopoulos', de 2004, seguiam com precisão a escola pós-Mogwai de Mono e Explosions in the Sky, agora vemos uma banda mais madura, de composições livremente estruturadas e afinações atípicas, experimentando novos instrumentos como flauta transversal (sic) e acordeão."

01. Avalanche #
02. Barbaritude
03. O Final de O Incrível Hulk
04. Avalanched
05. Cora
06. Valsa #

Ouça: Barbaritude
Ouça: O Final de O Incrível Hulk

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

isto é o filme mais longo
em que eu já estive
isto é a vida como se fosse um filme
tão real ao toque
sentimentos injetados
sem fade out no final

isto é o mesmo enquadramento pausado
que nos mantêm como lanternas congeladas
num meio abraço
isto é o filme que pode durar para sempre
eternamente na tela
isto é o telefone fora do gancho



Continua... e é do Lee Ranaldo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

[calamidade]

se as nuvens negras
tornarem-se ainda
mais tenebrosas
então eu chego à
escuridão completa
DISCOS PARA 2008

Cat Power - Covers II
Hello, Blue Roses - Hello, Blue Roses
Be Your Own Pet [Title TBA]
Blur [Title TBA]
The Breeders [Title TBA]
Built To Spill [Title TBA]
Elbow [Title TBA
Noel Gallagher [Title TBA]
Guns N' Roses - Chinese Democracy
Shirley Manson [Title TBA]
Massive Attack - Weather Underground
Nine Inch Nails - Year Zero Part 2
Portishead [Title TBA]
R.E.M. [Title TBA]
Roxy Music [original lineup including Brian Eno] [Title TBA]
Patti Smith [Title TBA]
Spiritualized [Title TBA]
Supergrass [Title TBA]
Tapes 'N Tapes [Title TBA]
Tortoise [Title TBA]
Scott Weiland [Title TBA]
Autechre - Quaristice
Destroyer - Trouble in Dreams
My Bloody Valentine

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Sete horas de um gato confortável em 48 segundos.
Um estagiário que eu atendo na Justiça do Trabalho teve um perfil falso criado no Orkut e processou o Google, pedindo R$ 7.000 por danos morais e ineficiência no atendimento ao consumidor. O juiz do primeiro grau (Fórum/Vara) deu a sentença como improcedente. Ele recorreu no segundo grau (Tribunal/Turma), que deu procedência em parte à sua causa, resultando em R$ 5.000 de indenização. Eis o acórdão (nome dado, no segundo grau, à sentença).
Mais 'Blindness', por seu diretor.

"Deu duas horas e quarenta minutos. Muito longo. Como não pretendo ficar gastando o precioso tempo do espectador, minha idéia é deixar este filme com umas duas horas no máximo, então a próxima missão era jogar 40 minutos no lixo e tentar achar uma história com bom ritmo no que sobrar. (...) Em cinco dias, chegamos ao primeiro corte que baixou para duas horas e vinte e cinco minutos. Tirar 15 minutos de cara foi um bom começo, mas ainda faltava tirar mais uns 15. É neste ponto que a coisa vai ficando mais complicada. Tem um momento em que as cenas já chegaram no tamanho certo, mas o filme ainda está longo. Se cortar mais as cenas, o filme fica frenético, sem clima, mas se não diminuir a duração total, o filme fica arrastado. Filme lento é bom mas filme arrastado é imperdoável e não há nada pior do que ouvir na saída do cinema o camarada dizer: 'O filme é bom mas poderia ter 15 minutos a menos'. 'Vá lá tentar cortar então, sabichão!', dá vontade de responder. Mas como este não é um problema do espectador, a solução foi pegar estas duas horas e vinte e cinco que tínhamos no primeiro corte e partir para a terceira rodada da montagem em direção ao segundo corte.

"Nesta nova passada, como tudo que estava visivelmente sobrando já havia caído, os cortes são praticamente invisíveis. Vão embora as pausas nas falas dos atores. (Alguns atores tendem a alongar as suas pausas ou para ganhar mais tempo de tela ou, às vezes, por terem esquecido suas falas. Cortando de uma câmera para a outra esse, tempo morto some.) Uma caminhada pelo corredor é abreviada, uma chave que gira na porta é substituída apenas pelo som, cortam-se dois passos do ator em direção ao carro, falas de início de cena são sobrepostas na cena anterior, textos que não sejam realmente importantes são eliminados e, usando um grande repertório de truques como estes, o filme vai ganhando ritmo. Nesta terceira passada, chegamos a duas horas e dezessete minutos, melhor, mas pelo menos mais uns 10 minutos devem sair só que já não há mais de onde tirar gordura então esta é a hora de pensar quais cenas podem ser despachadas direto para o DVD, em geral cenas que são boas mas que manteriam a história em pé se fossem cortadas. É neste ponto que estou hoje. Cortando cenas boas. (...)" (Fernando Meirelles)

Em tempo:

"Tudo na cena está ruim? Corta para um close da Julianne Moore. Aí é xeque-mate." (Fernando Meirelles)

domingo, 2 de dezembro de 2007

"Deve acontecer com muitos músicos terem mais reconhecimento fora das fronteiras do seu país. Não te deixes desanimar com isso. Como diz a sabedoria popular, 'ninguém é profeta na sua terra...'. No Bodyspace [de Portugal], preocupamo-nos, é certo, em dar visibilidade a projectos que ainda não a tiveram apesar de o merecerem. Boa sorte daqui para a frente." (Eugénia Azevedo)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007



Optrum: a banda aquela japonesa que usa lâmpada como instrumento.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Algumas novidades para amenizar a tristeza.

1. O curta 'Anagrama', da Maria Clara Bastos, com input_output na trilha sonora e dois poemas meus, estréia segunda-feira na Famecos. O cara que está editando o filme perguntou se tentava corrigir o som da trilha ou se eram intencionais aqueles ruídos.

2. Encomendei um teclado controlador de MIDI, o Keyrig 49 (49 teclas/4 oitavas) da M-Audio. Ele chegou hoje na Good Music (haja saco), e eu vou buscá-lo amanhã de manhã.

Que semana corrida! Inscrevi-me num curso de ética no serviço público, ministrado por um professor doutor da PUC do Paraná e da Fundação Getúlio Vargas em Curitiba. Anteontem, na cama, pensei que o curso poderia estar começando no dia seguinte, pois foi uma inscrição relâmpago. Quando acordei, consultei a internet e era mesmo. Assisti à aula e fiz uma ronda pelas pet shops da cidade (em busca de um novo companheirinho para a Cvalda e para mim) na mesma manhã. Amanhã eu vou ter que sair antes da aula, de novo, para buscar o teclado.

sábado, 24 de novembro de 2007

Socorro, eu quero sair deste bairro Menino Deus! Estou morrendo de fome e liguei para o Habib's: não entregam no Menino Deus. Mas como?? Aqui não é longe do Centro, onde eu morava antes e recebia entrega do Habib's! É um dos bairros mais centrais de Porto Alegre! Não, não atendem. Então decidi ligar para a Domino's e até brinquei "Eles também não vão atender aqui". É, eles também não atendem o Menino Deus!! Porra!!!
Tinha me esquecido que eu havia realizado esta tarefa:

Assignment #27
Take a picture of the sun.
Douglas Dickel
Porto Alegre, BRAZIL

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

"Eduardo, Victor [Maymudes, tour manager] e Dylan (e um segurança) subiram o morro de Santa Teresa para fumar um e ver o pôr-do-sol, depois mataram a larica na Banca 40 do Mercado Público (um clássico local). 'Ninguém reconheceu Dylan, que foi caminhando até o hotel, são poucas quadras. No outro dia, ele foi a pé para o show! A distância é considerável, mas não é incomum Dylan fazer grandes caminhadas', garante Eduardo [Bueno, o 'Peninha']." (Marcelo Ferla)

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

"Estou preparado para usar drogas, nesse sentido sou um abençoado, embora deteste cocaína e cigarro." (Eduardo "Peninha" Bueno, entrevistado pelo Marcelo Ferla, para a Rolling Stone Brasil, edição deste mês)


Eu já mencionei algumas vezes aqui o projeto da Miranda July chamado Learning To Love You More. Ela e o co-mentor Harrell Fletcher lançam, no site, espécies de tarefas, que eles chamam de "assignments", com o objetivo de fazer as pessoas aprenderem a amar mais a si mesmas. Os interessados inscrevem-se e enviam os resultados dessas tarefas para o site. Enviei descrições da minha pessoa feitas pela minha mãe, pelo meu padrasto e pela Tunnie.

Assignment #35
Ask your family to describe what you do.

Douglas Dickel
Porto Alegre, BRAZIL


Eu achava que os melhores resultados seriam reunidos num livro e que, portanto, eu poderia vir a estar num livro da Miranda July, mas parece que já foram, este ano, no dia 20 de setembro, como pude perceber no site da Amazon, de onde tirei aquela imagem da capa ali em cima.
1. Alguém está com o meu CD-R recheado de arquivos instaladores de programas?
2. Alguém se propõe ao desafio de tentar recuperar os dados de um HD? Eu pago.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Depois de dois dias "apenas" me sentindo mal, hoje, agora há pouco, eu consegui chorar de novo, auxiliado por uma massoterapia. (Quando eu fiz shiatsu com a Eugênia Gorsky, uma única vez porque logo ela foi trabalhar em Florianópolis, uma pena, ela avisou que depois eu poderia ficar com as emoções afloradas.) É uma coisa estranha o que acontece, uma batalha entre a tristeza e a vontade de mantê-la, por eu a achar merecida, e a necessidade de superar o episódio para que eu consiga voltar a fazer coisas. Há uma sensação de endurecimento na busca da melhora, porque ela pressupõe uma negação do fato ocorrido, uma tentativa de farsa no sentido de que tudo sempre teria sido assim, sem o Fuzzy. A Cvalda não chegou a ficar prostrada, mas estou preocupado porque ela está comendo e bebendo bem pouquinho e já emagreceu, ela que já era esbelta e só tinha conseguido ficar um pouco mais gordinha neste ano. Ela está com duas feridinhas, provavelmente emocionais, de tanto se coçar acima do olho esquerdo e na orelha direita.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Eu costumo acreditar que nada é por acaso, e geralmente não demora muito nem é muito difícil perceber qual é a conseqüência boa e importante de um fato negativo. Mas agora, diante desse abrupto corte vertical na minha vida, eu estou intrigado para saber qual será a vantagem decorrente de uma morte, se é que haverá. Será justamente uma lição sobre a fragilidade e a efemeridade de qualquer coisa na vida? Mas e isso não iria me deixar num estado permanente de medo? Será uma tentativa de reformar a minha visão sobre a morte? Será uma forma de me dizer que, por mais que se creia que já se passou por muita coisa ruim, sempre poderá haver mais uma surpresa a seguir? Será parte da contrapartida para uma série de questões favoráveis que eu tenho na minha vida e na minha pessoa, dentro da questão do equilíbrio necessário para o caos? Será um alerta para que eu pare de me lamentar por coisas pequenas (são elas pequenas?) e para que eu dê um impulso na minha vida artística de uma vez por todas? Não sei, todas as possibilidades não parecem fazer jus a uma vida que se vai - nada faz. De qualquer forma, espero que uma ou mais dessas possibilidades apresente(m)-se a mim como forma de amenizar o vácuo na região do meu esôfago. Ainda sinto que sou o Windows sem encontrar um arquivo DLL.

Em tempo: agora eu entendo porque é convenção não ouvir música no luto - porque ela incomoda, it's annoying me... Os condutos por onde passam as melodias estão estilhaçados.
"Descobrir qual é a imagem/síntese de um filme me parece tão importante quanto conseguir formular um story-line (resumir o filme em apenas uma frase). Em 'Blindness' ['Ensaio sobre a cegueira'] eu não sei exatamente qual será esta imagem/síntese, mas sempre imaginei um filme opressivamente luminoso. Em nossas 12 semanas de filmagens, conseguimos bons momentos de brancura e agora torço para que no meio das 45 horas de material rodado ou dos 3.888.000 fotogramas expostos, haja ao menos um que consiga traduzir esta história. Se não houver paciência, pois as filmagens já acabaram. E acabaram com festas e jantares. Como sempre." (Fernando Meirelles)

domingo, 18 de novembro de 2007

Decobri que o Pan Sonic tocou em São Paulo em 2004, no Credicard Hall, pela edição brasileira do festival Sónar.

sábado, 17 de novembro de 2007

Apelidos que o Fuzzy teve:

01. Pacato (o Tune era o Mugato, bem no começo)
02. Lune (de Looney & Tune, foi a Hadna que deu)
03. Gato-(Branco-)do-Demo (foi a Manu que deu)
04. Loucão
05. Chatão-Queridão (este é o meu preferido)
06. Modelo de Nariz
07. Mina de Algodão
08. Rei dos Canudinhos (foi a Giane que deu)
09. Tosco (foi a Manu que deu)
10. Curioso (foi o Lemos que deu)
11. Fuzzyca/Fuzzyco (foi o Tony que deu)
12. Fusilli (foi a Giane que deu)
13. (Meu) Querido/(Meu) Queridão
14. Patinha Peluda
15. Cavanhaque Sujo
16. Mão-de-Faca
17. Maridinho (foi a Gabi que deu)
18. Gato-de-Modelar

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

(Este texto talvez seja um dos mais importantes que eu escrevi na vida. Os mais sensíveis e espertos talvez impressionar-se-ão com a minha nudez; os outros, talvez, se lerem, classificar-me-ão como louco ou criança. Mas esta é a minha vida, uma vida humana.) Está sendo desesperadoramente insuportável. O Fuzzy não era só meu gato, ou meu filho (filhos um dia saem de casa), ou meu irmão, ou meu amigo. Ele era mais que isso, ele era a coisa mais sólida que eu tinha na vida, para mim era certo que ele ficaria junto comigo até o fim de uma das nossas vidas. Éramos uma pessoa só em corpo e mente. Em corpo porque ele ficava deitado no meu colo enquanto eu escrevia (ou fazia um disco) neste computador. Ele gostava que eu ficasse com as pernas em triângulo, colocando os pés na beirada da cadeira, porque aí ele deitava em 45 graus e ficava com o queixo apoiado nos meus joelhos, muitas vezes abrindo e fechando cada patinha alternadamente. Quando ele estava assim, muitas vezes eu levantava o pescoço dele para beijar debaixo, aquela fonte mais rica do planeta em algodão. Eu não cansava de olhar para o queixinho sardento dele, que parecia sujo de comida, e para a manchinha branca que ele tinha no meio das costas. Ontem quando as couraças desenvolvidas em nome da esperança desabou, senti uma dor enorme de abstinência física do meu gato branco, irmanando-me com a Cvalda de um jeito que eu nunca tinha visto. Enquanto ela cheirava pontos da casa com o cheirinho do Fuzzy e rolava nele, eu apertava a minha namorada e eu próprio na urgência de sentir a forma do Fuzzy debaixo daquela forma apertada, como se fosse mágica. Eu preciso dele, eu preciso vê-lo, apertá-lo, cheirá-lo. Ele era o meu companheiro indissociável. Preciso do bafo dele, dos arranhões, dos estragos nas coisas dentro de casa. Enquanto a Cvalda ainda procura ele atrás da cortina e atrás do sofá, enquanto ela mia chamando-o e, ao mesmo tempo, olhando para mim e pedindo que eu o traga de volta, a única coisa que eu posso falar para ela é que eu estou sentindo a mesma coisa e que não é culpa minha que eu não posso trazê-lo de volta. Tentei, inutilmente, deitar em lugares onde ele deitou, quem sabe eu não me transformaria no Fuzzy. Ontem, para tentar distrairmo-nos, vimos o filme dos irmão Coen 'Ei, meu irmão, cadê você?'. Nada nunca é por acaso, não? Uma das principais músicas do filme tem a seguinte letra: "You are my sunshine, my only sunshine. You make me happy when skies are grey. You'll never know, dear, how much I love you. Please don't take my sunshine away." Por mais que eu pensasse que quando eu chegasse em casa haveria o Fuzzy a Cvalda, eu sempre me surpreendia quando chegava na porta, quando estava prestes a girar a chave, ouvindo os miados de recepção do meu brancão, famosos em todo o prédio aqui. Não morreu apenas esse gato de que estou falando, morreu parte de mim, parte da minha história e da minha memória, parte da minha força na separação que faz pouco mais de um ano, parte da força que me fez passar num concurso tão desejado. O Fuzzy era parte da minha energia e eu, parte da dele. Era uma simbiose. Éramos uma pessoa só em mente porque ele era o ser vivo mais parecido comigo que existia. Pense em qualquer virtude minha ou defeito meu, ele tinha, e vice-versa. Agitado, ansioso, hiperativo, teimoso, chato, descoordenado, carente, inteligente, esperto, carinhoso, diplomático, aberto, obsessivo, grude, obstinado, musical. Não consigo suportar a idéia de não vê-lo envelhecendo, ficando cada vez mais esperto e estebelecendo cada vez mais uma comunicação direta comigo. Não consigo parar de chorar e querer ouvir os miados dele. Eu até ouço, às vezes. A Cvalda não consegue parar de miar, e qualquer barulho dentro de casa a faz correr para ver se não é o Fuzzy. Eu não consigo entender por que isso foi feito com ele e comigo - e com a Cvalda, e com... Nunca foram tão agradáveis para mim as idéias de haver vida após a morte ou existir máquina do tempo, nunca talvez tenha sido tão aceitável a idéia de eu morrer agora. Mesmo se não houver vida após a morte, quando eu morrer, eu estarei na mesma condição que o Fuzzy, encontraremo-nos de qualquer forma. E talvez só assim eu e ele voltaremos a estar no lugar certo: juntos. Não tem NADA dentro de casa ou em mim ou até na rua ou em qualquer lugar que não me lembre o gato branco. Hoje eu acordei pela primeira vez sabendo que ele realmente não estava aqui. Eu costumo sonhar que não estou encontrando alguém e acordo aliviado por ter sido só um sonho. Mas desta vez não foi assim. Acordei com a Cvalda dormindo nas minhas pernas. Levantei a coberta e, ao me ver, ela veio subindo até mim e cheirando o Fuzzy no meu pijama. Isso não pode ser verdade. Não pode ser tortura maior ver a Cvaldinha também sofrendo como eu. Sempre que alguma coisa terrível como essa acontece, é menos insuportável encontrar um culpado, e eu encontro esse culpado em mim: porque eu separei os quatro gatos, porque eu fiz mudança duas vezes, porque eu briguei muitas vezes com o Fuzzy, porque eu não internei ele de manhã, porque eu não percebi que por duas vezes ele não tomou o remédio para o coração que eu achei que tinha dado, porque eu não tinha força suficiente para vê-lo naquele estado e continuar otimista para transmitir energia positiva para ele, porque eu não sabia que fazendo uma medição da pressão arterial talvez fosse detectada a hipertensão que provavelmente causou a cardiomiopatia. "Se eu pudesse voltar no tempo, eu o salvaria." No serviço público, existe algo chamado licença-nojo, oito dias de folga para quem perde um parente próximo. Não terei direito a isso. Ninguém entenderia se eu pedisse. Parte de mim morreu e, socialmente, eu preciso fazer de conta que foi "só um gato". "Essas coisas acontecem", "vai passar" etc. A minha namorada disse que eu sou "warm and fuzzy". Mas agora eu sou só "warm". Que nem diz o Grant Lee Buffalo, com uma linda e inesquecível melodia: "I lied to. Now I'm Fuzzy."

quinta-feira, 15 de novembro de 2007


I wanna be with you (1)
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Mas nem sempre... Não deu. I'll always be with him. WE'll always be with him. Eu, Cvaldinha, Tunnie, Manu, Tune, Cheetara, Ieve, Gabi, Giane etc.

Pelo menos será mais uma surpresa se houver o Lado de Lá, quando eu lá chegar.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

A história se repete. Foi no feriado do dia 15/11 em 2005 (pasmem), há exatos dois anos, que os quatro gatos ficaram doentes, incluindo o Fuzzy. Sobreviveram. Todos. Por milagre. O Fuzzy foi internado no Hospital Veterinário da UFRGS hoje, com 33 graus de temperatura e um quadro de saúde muito sério. Estamos esperando por mais um milagre. Mas eles acontecem. Ainda mais com os cuidados especiais da Adriana Muschner, veterinária e namorada do Flávio Boff, num casal tão familiar quanto gatos.
Estou num pesadelo. Acordei segunda-feira e meu gato, o Fuzzy, não mexia mais as pernas de trás. No Hospital Veterinário da UFRGS verificou-se que ele não sente também as costas. Ele não está se lavando nem conseguindo evitar se sujar na caixa de areia, e a Cvalda está com nojo dele por isso. Desde então, não come e não bebe e está praticamente catatônico. Hoje de manhã é que eu dei, com seringa, à força, ração molhada e água. A suspeita é de tromboembolismo por cardiomiopatia hipertrófica, uma doença do coração que acaba formando coágulos que impedem que o sangue vá até determinada parte do corpo. Estou dando SETE remédios diferentes com horários diferentes, sendo que um deles é injeção. Eu estou com menos fome e a Cvalda também. Pode ser que ele recupere o movimento e a sensibilidade, pode ser que não. Se recuperar e se for essa doença cardíaca mesmo, ele terá que tomar remédio a vida toda, pois a doença do coração, quando instalada, é como nos humanos, não tem cura, somente controle. Cirurgia não é recomendada porque houve muitos casos de óbito nas tentativas. Eu não paro de pensar nessas coisas todas e o desespero bate. Talvez eu não devesse vir aqui lamentar, mas é a única coisa que eu posso fazer, pelo menos neste momento. Até para os amigos saberem por que eu estou momentaneamente ausente das atividades virtuais em que sempre estive envolvido. Além disso, está para chegar o técnico que vai tentar ressuscitar a partição de dados do meu HD, que está completamente inacessível. Escrevo, agora, do meu laptop. Pelo menos ele ficou feliz de voltar a ser útil. Rezem, torçam, mandem energia, façam o que souberem fazer pensando no Fuzzy, em mim, na Tunnie, na Manuela e na Cvalda. Espero que nós acordemos desse pesadelo. Obrigado e até mais.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Divulgação dos vencedores do concurso fotográfico do Sintrajufe, por Gutemberg Ostemberg, um dos concorrentes.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Coisas boas que conheci este ano, mas não por causa de discos deste ano:

Wendy McNeill
Belle & Sebastian
Magazine
T-Bone Burnett
Absentee
Autolux
Krishna Das
KT Tunstall
Bow Wow Wow
Julee Cruise
"Eu estava ouvindo 'Grass', do Animal Collective, e a Sirlei, minha empregada de 50 e poucos anos, passou dizendo 'MAS QUE MÚSICA BEM BOA!' Dançando! Achei muito massa." (Tunnie)

Eu também achei.

(Em tempo: a empregada pediu que a Tunnie levasse um disco para o chá de panela da filha dela, na Lomba do Pinheiro.)

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Comentário que fiz no blog do Muriel. (Para um melhor entendimento, leia-se arte bonita e acessível no lugar de ordem e arte de vanguarda e experimental no lugar de caos.) "O ideal é o caminho do meio. Vejo essas coisas mais ou menos como um triângulo equilátero desenhado no chão. Faça-se um traço do ponto médio de uma das arestas até o pico oposto, como se fosse dividir o equilátero em dois triângulos retos. O ponto médio da base que se forma é o ponto onde o artista está. Se ele vai para um lado, o da ordem, ele pode ir longe; se ele vai para o outro lado, o do caos, ele também pode ir longe; mas, se ele vai para frente, mesclando ordem e caos na medida exata, ele vai ainda mais longe e, ainda por cima, o mais adiante possível."
"No momento em que decidiu o seu próximo movimento, extremamente calculado, deu-se conta do que realmente estava acontecendo. Dessa vez, iria até o fim, sem dúvidas, pois o seu destino o esperava já havia muito tempo. Não deixaria bilhete algum, pois assim criaria algum tipo de comoção geral. O que menos desejava era empatia ou pena. Isso não poderia vir dele. Esses não eram sentimentos reais.

"Sentimentos, para ele, eram verdadeiros quando cortavam, amassavam e mastigavam os órgãos internos, na tentativa de saírem para fora e contaminarem os outros. Estava cheio deles, e só fazendo o que faria, daria um fim justo a todos os sentimentos e a ele próprio.

"Estava na hora. Subiu no pequeno banco de madeira um tanto quanto nervoso, com os seus pés escapando do perímetro do banco. Duvidou do atentado por uma fração de segundo. Seu cérebro lhe informou que este tamanho de tempo na estrela de Vega seria equivalente a dezoito horas. Preferiu ficar com a certeza antes adquirida.

"Botou o singelo colar de cisal no pescoço e sentiu uma sensação nunca vivenciada antes, a de estar no local certo, na hora certa. Botou a música pré-selecionada para tocar, algum murmúrio familiar acompanhado do som de um violão. Chutou o banco levemente e junto dele foram enforcados, em uma espécie de câmera lenta, os sentimentos, a casa onde morava fisicamente e até o gemido musical que preenchia o quarto, fazendo tudo parar por um segundo. Havia conseguido. Estava no ar." (CASTRO, Antônia Kowacs. Atentado a si mesmo.)

sábado, 3 de novembro de 2007

O ser humano não tem salvação e a Björk dança de forma incompatível com sua música. Essas e outras notícias, sobre o Tim Festival em Curitiba:

Esses tempos eu estava imaginando: como alguém espera que a sociedade funcione, que o Estado funcione, se simples relações humanas não funcionam? É uma questão lógica, do teste científico com ratinhos. Posso exemplificar. Uma das questões mais básicas em termos de respeito é guardar aquilo que pegou, limpar aquilo que sujou, arrumar aquilo que desarrumou. E isso, esses atos simples, são quase impossíveis de serem realizados pela maioria. É uma realidade agravada pelo advento da empregada doméstica, mas, antes disso, é uma realidade humana, ou seja, animal. No trabalho, também por exemplo, os colegas fazem aquilo que afeta apenas diretamente o próprio serviço, não se importando com as conseqüências da prática ou não prática para o serviço dos outros colegas. Regras que poderiam imprimir uma organização maior do trabalho todo são ignoradas, porque o ser humano não gosta de seguir regras. Alguns até gostam de criá-las, mas a maioria absoluta não consegue segui-las. Na vida em grupo, somente regras podem evitar o caos. Mas regras são (ou precisam ser) pactos, e pactos pressupõem o desejo coletivo de evitar o caos e pressupõem o respeito coletivo. Só assim as leis funcionariam, a justiça funcionaria, as coisas coletivas todas funcionariam. Mas o coletivo prefere deixar tudo como sempre foi, levar tudo menos a sério. Vamos ao Tim Festival em Curitiba. Antes do show da Björk, tocou nos alto-falantes uma música étnica, e o público começou a gritar "muda a música" e "Björk", não se dando conta de que era quase certo que tinha sido a Björk mesmo quem havia escolhido aquela música para preceder seu show. Eu gritava de volta "vão ouvir rádio em casa". Quando a Björk estava entrando no palco, uma garota subiu nas costas do namorado, tampando a visão de muitas pessoas, dentre elas eu e a Tunnie. As pessoas começaram a urrar para ela descer, e ela virava e dava gargalhada. Começaram a jogar coisas nela, e ela continuava gargalhando. Gente como eu e a Tunnie pagamos avião e ingresso somente para ver a Björk. Acertei três latas de cerveja na guria, sendo que uma bem no rosto. E ela não desceu. A Tunnie tentou derrubá-la, e então ela desceu. Era apenas uma garota querendo ver a Björk sem cabeças na frente, mas, para isso, ela fez com que muitas outras pessoas (mais que uma, mais que ela) não conseguisse vê-la. Parece um exemplo isolado, mas é esse o espírito de todos - ou quase todos. No avião da volta, dois amigos estavam com tocadores de MP3. Um estava sentado do nosso lado e tinha um iPod; o outro estava sentado na primeira poltrona depois do corredor e tinha um tocador genérico. O do nosso lado desligou várias vezes o aparelho, mas voltava a ligá-lo em seguida. Começamos a ficar nervosos, pois no avião da ida já tivéramos que advertir um carinha que estava na nossa frente que não é permitido utilizar equipamentos eletrônicos durante a decolagem, embora o comissário já houvesse falado no sistema de alto-falantes. Avisamos a comissária que esse nosso vizinho estava ouvindo iPod, e ela prometeu adverti-lo quando passasse para revisar as poltronas. Mas, quando ela passou, o nosso vizinho escondeu o aparelho no meio das pernas. Depois, voltou a ligá-lo, mais uma vez, só que agora sem colocar os fones no ouvido. Aproveitei:

- Tu não vai conseguir desligar, né?
- Por quê?
- Porque tu tá fissurado.
- Cê tem medo de voar, né?
- Não. É uma regra.
- Regra? iPod não tem problema.
- Não tem problema? - Mostrei o cartão da Gol com um desenho do iPod e um xis em cima.

No fim do vôo, o outro amigo fez um videozinho simulando entrevista com o nosso vizinho: "Estamos aqui com o professor Daniel de Oliveira. É verdade que você foi insistentemente advertido para que desligasse o iPod durante a decolagem?" E "quá quá quá quá quá". Quando o avião aterrissou, a comissária disse "Mantenham seus cintos afivelados até a completada parada da aeronave" e concomitantemente ouviram-se os sons de todos os passageiros desafivelando imediatamente os cintos. E ligando os celulares. Tem salvação? Eu tenho certeza que não. Como diz o Lama, é assim. Meu sonho é conseguir parar de lamentar.

Sobre a Björk. A jornalista do Terra que cobriu o show de Curitiba disse que ela dança de forma infantil. Eu concordo. Ela dança sempre da mesma forma, e é uma forma infantil, meio hippie. Isso até que não seria grande problema se a música dela não fosse o oposto, moderna e agressiva, muitas vezes. Em 'Army of me' percebi o maior contraste. Em 'Jóga', uma música completamente reflexiva e dançável de forma muito cuidadosa e lenta, lá estava ela correndo com pulinhos e mexendo os braços para um lado e para o outro, de baixo até em cima. Outra coisa que não me agradou é que os únicos que tocavam instrumentos reais eram os componentes da orquestra islandesa Wonderbrass; o resto era eletrônico, gente dando play. Então parecia um grande playback com uma ótima cantora no centro. Sim, ótima cantora e ótima compositora. O play, por outro lado, só reforçou a minha idéia de que as músicas da Björk são sensacionais, principalmente quanto ao arranjo, principalmente - dentro do setlist do show - em 'Army of me'. Quanto à pessoa dela, o que mais me agradou foram os pés descalços e os gritinhos repetidos de "Oprricá!". Eu queria que ela estivesse de cabelo preso e com menos roupa. Esperei que ela tirasse aquela capa verde. E, sim, sou muito chato para avaliações, principalmente as artísticas.
Deixei um comentário sobre o 'Neon bible', do Arcade Fire, no site Metacritic (e até gostei do meu inglês).


Essa nova adaptação de história do Stephen King, '1408', é genial. Não uniformemente, pois há muitos clichês, mas alguns elementos durante o filme e os minutos finais provocaram inveja em mim, pois são idéias que eu gostaria de ter tido, é o tipo de sensação que eu busco provocar com a arte - aquela do Palmer Eldritch. Melhor filme do ano até agora (um pouco porque eu desconheço qualquer concorrente a esse título).

Em tempo: a música principal do filme é utilizada de forma COMPLETAMENTE GENIAL.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Cortesia do Flávio André Boff.


Fato ocorrido em 1892.

Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.
Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

- O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal.
Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur,
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas
Científicas da Universidade Nacional da França.


"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima." (Louis Pasteur)
Trecho do boletim com a programação do Santander Cultural. "Macchi não faz questão de produzir obras com grandes instalações e tecnologias. O charme de seu trabalho reside na re-contextualização de elementos cotidianos em pequena escala, mas com grande intensidade. Ele permeia sua produção por uma abordagem sutil de questões políticas e de como as informações veiculadas pelos jornais servem para construção de novos significados e narrativas."

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

"I'm a war president. I make decisions here in the Oval Office in foreign-policy matters with war on my mind. Again, I wish it wasn't true, but it is true. And the American people need to know they got a president who sees the world the way it is. And I see dangers that exist, and it's important for us to deal with them." (George W. Bush)


A dupla de cantores dos Stars, responsáveis por uma das músicas a duas vozes mais bonitas de todos os tempos, a valsinha 'Your ex-lover is dead'. Seus nomes: Torquil Campbell e Amy Millan. Ambos têm/tiveram participação em outra grande banda canadense, o coletivo Broken Social Scene. Torquil é inglês de nascença e fez dois filmes como ator, aparecendo também em seriados como Sex And The City. Os Stars formaram-se em Toronto, mudaram-se para Nova York e hoje estão fixados em Montreal.

domingo, 28 de outubro de 2007



Jorge Macchi é um gênio. Quem ainda não viu a exposição monográfica do argentino, no Santander Cultural, é imediamente convocado a ir ver. Pois isso é tudo o que o resto da Bienal não é e o que tudo nas outras não foi.





Amsterdam
2004

Mapa de Amsterdam intervenido.
100 x 110 cm






Nocturno
2004

Paper, nails, on the wall. Installation at Muca Roma, México city, 2004.
30 x 40 x 3 cm






Un charco de sangre
(A pool of blood)
1998-2004

Newspaper cuts on the wall. Installation at Muca Roma, Mexico City 2004. 600 cm

2nd place in a contest
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Fiquei em 2º lugar no 3º Concurso Fotográfico do Sintrajufe, cujo tema era Sombras. Ganhei aquele troféu ali e R$ 700, e a foto estará no calendário de 2008 do Sindicato. A premiação deu-se sexta-feira, no Café da Oca.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Telegrama
(Zeca Baleiro)

Eu tava triste
Tristinho
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
(Que um vilão de filme mexicano)
Tava mais bobo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok

Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama
Que tanto te ama
Que muito muito te ama
Que tanto te ama

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria


Minha tribo sou eu
(Zeca Baleiro)

eu não sou cristão
eu não sou ateu
não sou japa
não sou chicano
não sou europeu
eu não sou negão
eu não sou judeu
não sou do samba
nem sou do rock
minha tribo sou eu

eu não sou playboy
eu não sou plebeu
não sou hippie
hype
skinhead
nazi
fariseu
a terra se move
falou galileu
não sou maluco
nem sou careta
minha tribo sou eu

ai ai ai ai ai
ié ié ié ié ié
pobre de quem não é cacique
nem nunca vai ser pajé
Quinta-feira, 25 de outubro de 2007, 20 horas e 20 minutos. Estou na metade do melhor macarrão-com-sardinha da eternidade: nunca houve melhor e jamais haverá melhor. Coloquei um pouco do óleo no qual a sardinha vem imersa, o que ajudou a chegar lá. O sal no cozimento da massa também contribuiu. Sardinha Gomes da Costa em óleo comestível e macarrão Isabela espaguetini com ovos. Vou lá.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Olha o que eu achei no DVD de backup das gravações da Pelicano, coisa do Carlo.

Comissário Gordon – Puta que o pariu, Batiman, não acredito em nenhuma palavra disso... puta que pariu, chefe O'Hara...
Chefe O'Hara – E como é que pode ser verdade uma porra dessa, hein, Batiman? Me explica essa porra.
Batiman – É simples, Comissário, esta fita mostra tudo.
Comissário Gordon – Mostra o quê, caralho?
Robin – A sua mãe trepando, fiadaputa!
Batiman – Sua mãe e sua mulher são duas putas, Comissário, eu não queria falar nisso, mas... a verdade é essa... são duas putas pagas...
Chefe O'Hara – Como, puta paga, porra?
Comissário Gordon – Puta paga? Caralho, e agora como é que eu faço?
Batiman – É simples, Comissário, eu e o Robin estamos no encalço do... no encalço daquele filho da puta que as comeu. É muito simples, Comissário...
Robin – Ela é uma puta mesmo, o açougueiro comeu ela...
Comissário Gordon – Puta que... Como?
Batiman – Comissário, eu e o Robin descobrimos ontem, colocamos esta fita em seu apartamento para sabermos se o Curinga ia aparecer lá mas... ela nos traiu... a sua mulher é uma puta mesmo, Comissário... ela estava dando para o açougueiro...
Robin – Ela tava trepando aquele açougueiro cheio de gonorréia.
Batiman – E tem mais, Comissário... eu e o Robin descobrimos que sua mãe também é puta.
Comissário Gordon – Puta que pariu, então eu sou um viado? Tô fudido, eu preciso ir embora pra casa... Chefe O’Hara, como é que eu faço?
Batiman – Não faz nada, Comissário, eu e o Robin vamos cuidar de tudo... Quando nós descobrirmos alguma coisa, vamos dizer ao senhor, não se preocupe, eu e o Robin... somos a dupla dinâmica.
Chefe O'Hara – Ah, dupla dinâmica é o caralho, cês são dois filha da p...
Comissário Gordon – Eles são dois viados, né?
Batiman – Vambora, Robin, vambora...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

A MTV pensou em mim. Mas perdi os dois, e reprise do Sonic Youth daqui a "pouco", à 1h. Talvez eu veja os dois (se passam todos) sábado ou domingo, às 11h.

Bonnie "Prince" Billy está para lançar 'Ask forgiveness', com um cover de 'I've seen
it all', gravado originalmente pela Byorke e pelo Thom Jörk na trilha sonora 'Selmasongs', do filme 'Dancer in the dark'.

***

O Arnaldo Baptista e a Zélia Duncan saíram dos Mutantes. O guitarrista Sérgio Dias está preparando, junto com o Tom Zé, material para o primeiro disco da banda em mais de 30 anos.
Imperdível para quem conhece felinos: REYNOLDS, Harold. Regras básicas para gatos que têm uma casa para governar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Parte boa: a equipe do 'Ensaio sobre a cegueira' está filmando em São Paulo também. "Mark Rufallo respira o ar do rio Pinheiros (foto de Yoshino Kimura, a Mulher do Primeiro Homem Cego)":



Parte ruim: "Parece uma maldição que me persegue. Perdi meu roteiro novamente. Digo novamente pois também perdi meu roteiro três semanas antes de acabar 'Cidade de Deus' e o mesmo aconteceu com o roteiro do 'Jardineiro Fiel'. Claro que eu poderia imprimir uma nova cópia, mas nem é o caso, de tanto lê-lo já decorei completamente a história. O que me faz falta não são os diálogos ou as descrições das cenas, mas sim as anotações e idéias que fui rabiscando nos cantos ou no verso das páginas desde dezembro do ano passado. As idéias que me pareceram boas eu até lembro, mas certamente vou esquecer detalhes que nunca chegarão a ser filmados. Merda. O pior é que eu tenho certeza de onde deixei. Estava na prateleira de livros no cenário da casa do Médico. Alguém tirou do cenário, provavelmente para não aparecer em quadro, enfiou numa caixa qualquer e eu nunca mais vou vê-lo, já sei. Agora tenho que terminar de rodar assim mesmo, às cegas. Já vi este filme. (...)

"(E se alguém encontrar um fichário de capa de plástico azul com um roteiro todo rabiscado dentro, já sabe. É meu. Façam a gentileza de devolver ou me informar através de um comentário neste blog, que tenho lido regularmente)." (Fernando Meirelles)
'Dark side of the moon' e 'O mágico de Oz'; 'In rainbows' e 'OK computer'. O_O

E mais!

http://www.mortigitempo.com/too_bored/showthread.php?t=67166
http://en.wikipedia.org/wiki/Golden_ratio

Não pára por aqui...

"There's also a 43min 43s Donald Duck educational video about mathematics which focuses on Pythagoras and the Golden Ratio which syncs up perfectly with 'In rainbows'."

domingo, 21 de outubro de 2007

Um dos melhores discos do Sonic Youth e de todos os tempos (na minha opinião) recebeu a rara nota 0.0 (0.0/10) da Pitchfork, em 2000. O All Music Guide deu duas estrelas e meia (2,5/5) e o Porsche, até hoje, diz que esse é o disco mais fraco do Sonic Youth.
AXE: CUSTA QUASE O MESMO, MAS FUNCIONA. Essa campanha do desodorante chega a ser analfabeta. O que eles querem dizer é CUSTA UM POUCO MAIS, MAS FUNCIONA, porque provavelmente o Axe não é mais barato que o spray comum que figura ao lado dele nesse display de parada de ônibus. A palavra QUASE, assim, atuando sozinha, só pode significar "um pouco menos", sendo impossível significar "um pouco mais". QUASE é quando ainda não alcançou, e não quando acabou de ultrapassar. Mas digamos que o Axe seja mais barato que o desodorante genérico: nesse caso, o correto seria CUSTA QUASE O MESMO E, ALÉM DISSO (AINDA POR CIMA), FUNCIONA". Não haveria espaço para conjunção adversativa ali, e um "mas" aditivo não caberia também, já que eles querem ressaltar que o Axe "funciona", ao contrário dos outros desodorantes baratos.

Outra coisa de dar dor de barriga nos defensores da língua portuguesa é o outdoor divulgando a palestra do "Dr. Içami Tiba": QUEM AMA, EDUCA. A oração subordinada substantiva subjetiva não pode ser separada da oração principal por vírgula, é correspondente ao caso mais grave de erro com vírgulas, que é o de separar o sujeito do verbo.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Date: Wed, 17 Oct 2007 17:06:01 -0200
From: "Bruno Galera"
Subject: Atacado e varejo


Quero vender meu amplificador. Um Laney TF-300, pré-valvulado, com 3
canais (um limpo, um CRUNCH e um LEAD). O som limpo não deve nada
pros Fender, e a distorção é loucamente ampla e boa. LATÃO de 12",
alto-falante dos bons.

Para mais detalhes:

http://www.foxtrot.com.br/produto.asp?cid=29&pid=9

Único defeito dele: o reverb não está funcionando. Creio que é algum
fusível, ou algo bem baratinho. Se for algo pior, posso abater do
preço ou rachar o pagamento do conserto.

No Mercado Livre, estão vendendo por R$ 1.200:

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-63286294-amplificador-laney-tf300-3-canais-celestion-12-120w-rms-_JM

Eu quero R$ 1.000 pelo meu, com um footswitch. Negociações totalmente
abertas. Inclusive, estou querendo comprar um bom violão folk
elétrico. Aceito trocas em valor semelhante ou como entrada/parcela.

Se souberem de possíveis interessados, favor encaminhar essa mensagem.

Gratidão,

--

.....................................
Bruno Galera
bgalera[arroba]gmail.com
http://www.big-muff.org
"Eu queria mais coisas nesses estilos do input_output, do Lavajato, do Objeto Amarelo. Eu acho muito foda. Cara, tem umas coisas fodidas no som do input_output, me remeteu a Einsturzende Neubauten. Chique demais. Na música 'Medo', ao vivo, depois dos seis minutos, me remeteu a Neubauten. Em algumas passagens do 'Polissonografia' eu também achei." (Antonio)
Cat Power - Jukebox (2008)

01 Theme From 'New York, New York' (Kander/Ebb; popularized by Frank Sinatra/Liza Minnelli)
02 Metal Heart (Cat Power)
03 Ramblin' (Wo)man (Hank Williams)
04 Song To Bobby (Cat Power-- música nova, em homenagem ao Bobby Dylan)
05 Aretha, Sing One For Me (J Harris/Eugene William; originally sung by George Jackson)
06 Lost Someone (James Brown)
07 I Believe In You (Bob Dylan)
08 Fortunate Son (Creedence Clearwater Revival)
09 Silver Stallion (Lee Clayton)
10 Dark End of the Street (Chips Moman/Dan Penn; originally sung by James Carr)
11 Don't Explain (Billie Holiday)
12 Woman Left Lonely (Spooner Oldham/Dan Penn, popularized by Janis Joplin)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Segue o debate sobre a leitura de textos jornalísticos. (Este trecho de texto aqui me foi indicado pelo Tony, em resposta convergente ao trecho do Rubem Alves citando Tao Te Ching.)

"(...) Começarei com a palavra 'experiência'. Poderíamos dizer, de início, que a experiência é, em espanhol, 'o que nos passa'. Em português se diria que a experiência é 'o que nos acontece'; em francês a experiência seria 'ce que nos arrive'; em italiano 'quello che nos succede' ou 'quello che nos accade'; em inglês seria 'that what is happening to us'; em alemão seria "was mir passiert".

"A experiência é o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Não o que se passa, não o que acontece, ou o que toca. A cada dia se passam muitas coisas porém, ao mesmo tempo, quase nada nos acontece. Dir-se-ia que tudo o que se passa está organizado para que nada nos aconteça . Walter Benjamin, em um texto célebre, já observava a pobreza de experiências que caracteriza o nosso mundo. Nunca se passaram tantas coisas, mas a experiência é cada vez mais rara.

"Em primeiro lugar pelo excesso de informação. A informação não é experiência. E mais, a informação não deixa lugar para a experiência, ela é quase o contrário da experiência, quase uma anti-experiência. Por isso a ênfase contemporânea na informação, em estar informados, e toda a retórica destinada a constituir-nos como sujeitos informantes e informados; a informação não faz outra coisa que cancelar nossas possibilidades de experiência. O sujeito da informação sabe muitas coisas, passa seu tempo buscando informação, o que mais o preocupa é não ter bastante informação; cada vez sabe mais, cada vez está melhor informado, porém com essa obsessão pela informação e pelo saber (mas saber não no sentido de 'sabedoria', mas no sentido de 'estar informado') o que consegue é que nada lhe aconteça. A primeira coisa que gostaria de dizer sobre a experiência é que é necessário separá-la da informação. E o que gostaria de dizer sobre o saber de experiência é que é necessário separá-lo de saber coisas tal como se sabe quando se tem informação sobre as coisas, quando se está informado. É a língua mesma que nos dá essa possibilidade. Depois de assistir a uma aula ou a uma conferência, depois de ter lido um livro ou uma informação, depois de ter feito uma viagem ou de ter visitado uma escola, podemos dizer que sabemos coisas que antes não sabíamos, que temos mais informação sobre alguma coisa, mas, ao mesmo tempo, podemos dizer também que nada nos aconteceu, que nada nos tocou, que com tudo o que aprendemos nada nos sucedeu ou nos aconteceu.

"Além disso, seguramente todos já ouvimos que vivemos numa 'sociedade de informação'. E já nos demos conta de que esta estranha expressão funciona às vezes como sinônima de 'sociedade do conhecimento' ou até mesmo de 'sociedade da aprendizagem'. Não deixa de ser curiosa a troca, o intercambialidade, entre os termos 'informação', 'conhecimento' e 'aprendizagem'. Como se o conhecimento se desse sob a forma de informação, e como se aprender não fosse outra coisa que não adquirir e processar informação. (...) O que eu quero apontar aqui é que uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma sociedade onde a experiência é impossível.

"Em segundo lugar, a experiência é cada vez mais rara por excesso de opinião. O sujeito moderno é um sujeito informado que, além disso, opina. É alguém que tem uma opinião supostamente pessoal e supostamente própria e, às vezes, supostamente crítica sobre tudo o que se passa, sobre tudo aquilo de que tem informação. Para nós, a opinião como a informação se converteu em um imperativo. Nós, em nossa arrogância, passamos a vida opinando sobre qualquer coisa sobre que nos sentimos informados. E se alguém não tem opinião, se não tem uma posição própria sobre o que se passa, se não tem um julgamento preparado sobre qualquer coisa que se lhe apresente, sente-se em falso, como se lhe faltasse algo essencial. E pensa que tem que ter uma opinião. Depois da informação, vem a opinião. No entanto, a obsessão pela opinião também anula nossas possibilidades de experiência, também faz com que nada nos aconteça.

"Benjamin dizia que o periodismo é o grande dispositivo moderno para a destruição generalizada da experiência. O periodismo destrói a experiência, sobre isso não há dúvida, e o periodismo não é outra coisa que a aliança perversa entre informação e opinião. O periodismo é a fabricação da informação e a fabricação da opinião. E quando a informação e a opinião se sacralizam, quando ocupam todo o espaço do acontecer, então o sujeito individual não é outra coisa que o suporte informado da opinião individual, e o sujeito coletivo, esse que teria que fazer a história segundo os velhos marxistas, não é outra coisa que o suporte informado da opinião pública. Quer dizer, um sujeito fabricado e manipulado pelos aparatos da informação e da opinião, um sujeito incapaz de experiência. E o fato de o periodismo destruir a experiência é algo mais profundo e mais geral do que aquilo que derivaria do efeito dos meios de comunicação de massas sobre a conformação de nossas consciências."

(Jorge Larrosa Bondía, professor da Universidade de Barcelona e doutor em Filosofia da Educação)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Wendy McNeill, a canadense que abriu para a Joanna Newsom: "Eu me mudei para Paris porque eu sabia que eu tinha que estar em um grande centro de arte. Eu excursionei pelo Canadá algumas vezes. Teve um show em Sudbury com três pessoas na platéia, e isso incluindo o cara que eu arrastei de um café do outro lado da rua. Então eu soube que alguma coisa tinha que mudar."

Na hora do show eu não me empolguei muito com ela, mas depois, lembrando da beleza dos movimentos da performance e da personalidade mais forte do que a da Joanna (talvez também pela idade) e da personalidade do som com o uso de gaita-ponto, acabei querendo baixar as músicas dela. Estou viciado em 'Such a common bird', principalmente a versão acústica em dueto com uma tal de Ane Brun. Escrevi para ela, perguntando qual pedal ela usa para as repetições, dizendo que eu havia gostado do show e listando os artistas canadenses que eu aprecio. Ela respondeu, carinhosamente, que é o RC-20, da Boss, and: "Best of luck with your playing and all passions. Cheers from France."
"Tao-Te-Ching diz o seguinte: 'Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada.' O cientista soma; o sábio subtrai." (Rubem Alves)

***

"'Carpe Diem' quer dizer 'colha o dia'. Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente." (Rubem Alves)

***

"(...) Lembrei-me de uma advertência de Schopenhauer: 'No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos... Muitos eruditos leram até ficar estúpidos.' Existirá possibilidade de que a leitura dos jornais nos torne estúpidos?

"(...) O prazer da leitura, para mim, está não naquilo que leio mas naquilo que faço com aquilo que leio. Ler, só ler, é parar de pensar. É pensar os pensamentos de outros. E quem fica o tempo todo pensando o pensamento de outros acaba por desaprender a arte de pensar seus próprios pensamentos: outra lição de Schopenhauer. Pensar não é ter as informações. Pensar é o que se faz com as informações. É dançar com o pensamento, apoiando os pés no texto lido: é isso que me dá prazer. Suspeito que a leitura meticulosa e detalhada das informações tenha, freqüentemente, a função de tornar desnecessário o pensamento. Pensar os próprios pensamentos pode ser dolorido. Quem não sabe dançar corre sempre o perigo de escorregar e cair... Assim, ao se entupir de notícias – como o comilão grosseiro que se entope de comida – o leitor se livra do trabalho de pensar. (...)" (ALVES, Rubem. Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos? Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 02/09/2001.)
Um link para a discografia do Sunn 0))), expoente do doom ambient ou drone metal.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Está uma confusão/polêmica lá na Justiça do Trabalho por causa disto:

"É direito do advogado examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública em geral, autos de processos findos ou em andamento, mesmo sem procuração, quando não estejam sujeitos a sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos." (Estatuto da OAB: Lei 8.906/94, Art. 7º, XIII)

"Os autos dos processos da Justiça do Trabalho não poderão sair dos cartórios ou secretarias, salvo se solicitados por advogado regularmente constituído por qualquer das partes, ou quando tiverem de ser remetidos aos órgãos competentes, em caso de recurso ou requisição. As partes, ou seus procuradores, poderão consultar, com ampla liberdade, os processos nos cartórios ou secretarias." (CLT: Decreto-lei 5.452/43, Arts. 778 e 779)

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

== Mais Vendidos == Peligro Discos ==

Outubro


01. Sebastião Estiva "Meu Paranã: Verdades, Mitos e Falácias" (Open Field / Peligro)
02. Pan&Tone "Estéreo Tipo ou Panorâmico Tonal" (Open Field / Peligro)
03. Luna Remoto "Luna Remoto" (Open Field / Peligro)
04. Hotel "Térreo" (Open Field / Peligro)
05. Constantina "Jaburu" (Open Field / Peligro)
06. Apanhador Só "Embrulho Pra Levar" (Independente)
07. Lulina "Bolhas na Pleura" (Open Field / Peligro)
08. Objeto Amarelo "Veloz2Volks" (Open Field / Peligro)
09. Müvi "Você pensa e faz ao contrário" (Open Field / Peligro)
10. Índios Eletrônicos & Angelo Esmanhotto "Hindustrial" (Open Field / Peligro)

quarta-feira, 10 de outubro de 2007


wisdom in the mirror

Resumo da palestra do Lama Samten que presenciei ontem, na Semana da Saúde do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. (Antes da palestra, troquei umas idéias com o militar aposentado Édson. É um sujeito bastante agradável, que se separou da mulher e está numa busca espiritual, obtendo bons progressos na vida dele. Depois da palestra, descobri que ele é colega do Rodrigo, namorado da Mirella Maines, num curso de filosofia. Falei com o Lama, aka Alfredo Aveline, que fui aluno dele no Colégio Santa Teresinha, em Taquara, há 14 anos. Ele disse que me achou familiar, só não lembrava de onde me conhecia. Lembra-se do Muriel e mandou lembranças para toda a turma daquele 3º ano do 2º grau.)

Podemos condicionar a mente a trabalhar nas cinco sabedorias dos budas verde, azul, vermelho, amarelo e branco, que representam, respectivamente, as sabedorias plena (entender o outro no contexto dele), reflexiva (visualizar as causas e as conseqüências), discriminativa (perceber o que é real e o que é ilusório), equânime (não lembro) e absoluta (ter em mente que há uma base de consciência que não começa e não termina). Parece simples, mas não é fácil colocar em prática esse condicionamento, pois temos os karmas (vícios de personalidade) que oferecem obstáculos.

Temos a consciência da realidade (despertos), a consicência do sonho (dormindo) e a consciência de quando sabemos que vamos morrer. Nessas três, há sempre uma base de consciência, um observador que registra o que aconteceu acordado, que registra o que aconteceu no sonho, e assim por diante. Essa base não tem idade, pois não começa e não termina, e é ela que continuará depois da morte.

"Não lastime pelo mundo: isto é assim." Ele disse isso após comentar que uma dakini (mestre budista feminina) estava chorando copiosamente e perguntaram para ela por que ela chorava. Ela disse que era pelo sofrimento no mundo, que todos estavam sofrendo e que o mundo é devastação. Um tempo depois, ela começou a rir sem parar. Perguntaram de novo por quê, e ela respondeu que o sofrimento todo é ilusório.

As identidades são lúdicas. Devemos perceber isso e, percebendo, achar graça. Temos várias identidade: eu, por exemplo, a identidade do técnico judiciário, a identidade do artista, a identidade do namorado, a identidade do filho. Quando abandonamos uma identidade é como uma morte. Ele contou que quando vai a Rio Grande, onde mora a família dele, ou quando visita a UFRGS, onde dava aula de Física, as pessoas olham para ele e tentam enxergar, demonstrando claramente nas expressões faciais, aquela pessoa que não existe mais. Em cada momento da vida, temos uma identidade principal, "eu sou este". Dizer "eu sou este" traz vantagens, mas também obstáculos, porque isso molda todo o modo como vemos as coisas (a realidade de cada um são os olhos quem faz), o que pode gerar excesso de seriedade e de julgamento dos outros.

Os projetos-de-um-homem só estão com seus dias longe de serem contados.


1. Digitech JamMan



Pedal de sampler, Looper/Phrase, com 99 loops independentes, 24 minutos de gravação de áudio na memória (até 6.5 horas com cartão Compact Flash 2GB), gravação ritmos de loops e solo, comunicação com PC via USB; entradas, 1 para instrumento, 1 XLR para Mic, 1 Slot para cartão Compact Flash. (Cartão Compact Flash Opcional).


2. Boss RC-20xl Loop Station

Sampleamento e criação de loops em tempo real. Para utilização em estúdios, shows ou em casa, o RC-20xl traz para você um novo universo de criação para suas performances. Oferecendo sobreposição de sons gravados em tempo real até o tempo máximo de 16 minutos(!), o RC-20xl é único em sua categoria. Explore toda sua criatividade musical com a técnica "sound-on-sound" embutida no RC-20xl. Grave sequências de acordes, sobreponha com frases ou single notes e depois improvise sobre a sua própria base gravada. Colocado após um multiprocessador de efeitos BOSS (GT-8 por exemplo), as opções do RC-20xl são ilimitadas. Como ferramenta de estudo, através da entrada AUX IN você pode gravar trechos de solos difíceis de tirar, e depois diminuir o andamento da música sem alteração da afinação.

* Tempo de gravação de até 16 Minutos!
* 11 memórias internas para salvar seus loops e bases prediletos;
* Função UNDO para apagar ou recuperar o último trecho tocado;
* Função AUTO QUANTIZE para fácil criação de loops precisos;
* Ajuste de tempo sem alterar a afinação do material gravado;
* Modo REVERSE para transformar seus loops em frases inacreditáveis;
* Funciona a pilha ou fonte BOSS tipo PSA;
* Entrada para microfone com volume separado.

O RC-20xl assume do ponto onde seu antecessor, o consagrado modelo RC-20 parou, oferecendo mais tempo de gravação e mais recursos, porém com o mesmo preço. O RC-20xl herda o mesmo conceito de operação "hands-free" do RC-20: grava, sobrepõe e toca loops apenas com os pés, deixando suas mãos livres para tocar. Porém agora, você tem 16 minutos de tempo de gravação (4 vezes mais que o modelo RC-20), e além disso, você tem a nova função UNDO, uma necessidade quando você comete algum erro durante a gravação do seu loop. O RC-20xl tem 11 memórias internas, onde você pode gravar seus trechos prediletos e usá-los quando quiser. Em performances ao vivo, você pode mudar de memórias utilizando um footswitch duplo modelo FS-6 (opcional). A função “UNDO” pode ser útil para apagar trechos mal executados e gravar um novo trecho imediatamente. Depois de chocar seu público com sua performance, é hora de encerrar seus loops. Para isso, o RC-20xl tem 3 tipos de finalização, Imediata (assim que o pedal STOP é acionado), Loop Inteiro (que toca todo o loop antes de parar) ou ainda, em fade out, onde o volume vai baixando gradativamente até parar por completo.


3. RC-2 Loop Station

Mini Loop Station. Já consagrados ao redor do mundo estão os modelos RC-20xl Loop Station e RC-50 Super Loop Station. Agora chega o novo integrante desta família, o novo BOSS RC-2. Montado em formato de pedal compacto, o RC-2 coloca uma surpreendente quantidade de recursos dentro de um pequeno pedal BOSS.

* Até 16 minutos de tempo de gravação;
* Função "loop quantize" para fácil criação de loops com precisão;
* Patterns reais de bateria usados como guia de andamento;
* Simples e prático para criação de loops com várias camadas;
* Função UNDO/REDO para apagar ou recuperar a última frase gravada;
* Pode armazenar até onze loops na sua memória interna;
* Entrada AUX para gravação a partir de iPods, CD players e etc;
* Entrada para foot-switch amplia possibilidades de controle.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

THANK YOU FOR ORDERING IN RAINBOWS. THIS IS AN UPDATE.

YOUR UNIQUE ACTIVATION CODE(S) WILL BE SENT OUT TOMORROW MORNING (UK TIME). THIS WILL TAKE YOU STRAIGHT TO THE DOWNLOAD AREA.

HERE IS SOME INFORMATION ABOUT THE DOWNLOAD:

THE ALBUM WILL COME AS A 48.4MB ZIP FILE CONTAINING 10 X 160KBPS DRM FREE MP3s.
Uma das minhas três fotos inscritas foi selecionada entre as 12 para o calendário. A ordem de classificação do concurso (três primeiros lugares têm prêmio em dinheiro) será divulgada no evento abaixo descrito. O que não está descrito é que as 12 fotos serão projetadas num telão.

"O SINTRAJUFE/RS tem o prazer de convidar para o Coquetel de Premiação do 3ª Concurso Literário Mário Quintana e do 3º Concurso Fotográfico do Sintrajufe, a realizar-se no dia 26/10 às 20h, no Café da Oca (João Telles, 512). Os presentes serão convidados a eleger a foto que ocupará o 4º lugar por intermédio do júri popular. Informamos que todas as fotos selecionadas ficarão expostas para visitação no Café da Oca de 26/10 à 23/11."
Coming soon.
Thrill Jockey Anniversary Box Set (covered artist in parentheses):

Adult.: "Underwater Wave Game" (Pit er Pat)
Arbouretum [ft. Beach House's Victoria Legrand]:
"Bus Stop" (Thalia Zedek)
David Byrne: "Ex-Guru" (The Fiery Furnaces)
Califone: "Jewel" (Freakwater)
Bobby Conn: "Washed in the Blood" (Freakwater)
Angela Desveaux: "Two Moons" (Arbouretum)
Eleventh Dream Day: "I Like the Name Alice" (Sue Garner)
Freakwater: "Passengers" (The Zincs)
Sue Garner & Rick Brown: "UMO" (OOIOO)
Howe Gelb: "Boxers" (John Parish)
John Parish: "Vampiring Again" (Califone)
Pit er Pat : "Flew Out My Window" (The Lonesome Organist)
Archer Prewitt: "Mrs. Turner" (The National Trust)
Pullman: "3 a.m." (The Chicago Underground Quartet)
The Sea and Cake: "Spider's House" (Califone)
Tortoise: "Fallslake" (Nobukazu Takemura)
Thalia Zedek: "Flat Hand" (Freakwater)
The Zincs: "Blue Marble Girl" (Giant Sand)

sábado, 6 de outubro de 2007

Minha pasta preferida, a das "melhores músicas do mundo", está acessível agora somente até a letra G. Pedindo um DIR no DOS, ele pára no G sem concluir, travando ali. A única forma de ver que tais arquivos não foram removidos sem querer ou por vírus é clicando com o botão esquerdo numa área branca da pasta e pedindo Propriedades, pois então ele diz que há 1000 arquivos, e não somente os 552 até a letra G. Meu HD parece que está dando uns estalos. Para abrir uma pasta no Windows Explorer, espera-se meses e pode-se ter que reiniciar o computador, mas no botão de reset, porque o CTRL+ALT+DEL não responde. Eu tenho esse micro há um ano, torrei uma fortuna e uma saúde para tê-lo novo. Investi alto para ter um HD de 300 Gb. Deus, o que eu faço?
The Twilight Sad, pós-rock cantado - "heavy scottish accent" - da Escócia, notando-se alguma semelhança com Interpol também às vezes. Seu debut é um dos melhores discos do ano que corre. Quem já o ouviu não esquece estas duas frases (e nunca imaginaria o vocalista com a aparência que ele realmente tem):

"And so you make it your own
But this is where your arm can't go"

"With a knife in your chest"

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

De uma apostila de português, exercício para pontuar: "É preciso, pois, para poder filosofar, não apenas passar pela existência, mas vivê-la, acompanhá-la solidariamente, degustá-la."

Esse curso que eu fiz para somar horas necessárias à promoção era sobre acentuação, orações subordinadas e pontuação. Acho que fora a ortografia, para entender o resto da língua é preciso ser bom em matemática, ou melhor, em lógica. Quem tem dificuldades para raciocinar, não consegue entender a diferença entre orações adjetivas restritivas e explicativas. Os professores fazem um esforço tremendo falando em "representa a totalidade do grupo" e "representa um indivíduo do grupo", o que eu acho bobagem, macete, porque o entendimento está antes disso, mas mesmo assim não adianta, as pessoas colocam vírgula onde não tem e não colocam onde precisa ter. Os problemas mais críticos e revoltantes são esse e o da elipse do verbo. Uma vez aprendido que a vírgula marca a elipse do verbo, as pessoas enxergam elipses em todo canto, sendo que o verbo está bem ali. Elas acham a regra bonita e têm prazer em usá-la, gratuitamente, apenas para ostentá-la e mostrar que sabem aquela coisa bonita - e que sabem usar coisas bonitas, em geral. É semelhante a ir ao Press Café na Hilário Ribeiro.
Não existe nada mais anticlímax do que árvores iluminadas por luz verde. Não sei quem foi o idiota que inventou isso e achou que isso era bom. Os outros idiotas seguiram a moda. Árvore precisa de luz amarela. Na verdade, árvore não precisa de luz artificial, precisa de luz do sol, que é amarela (ou branca?). Mas a luz amarela é a que mais destaca suas qualidades visuais naturais.
O (meu) problema com tatuagens.


1. FILOSÓFICO

1.1. Nada é eterno a não ser no exato momento presente. Tudo se transforma, muda - já dizia o Lavoisier. Há músicas que você ouve há bastante tempo, há frases que você cita há bastante tempo, mas a maioria das coisas que são importantes para você neste momento são coisas que você descobriu há pouco, no curso da sua evolução pessoal. Talvez aqui os mais jovens tenham maior propensão a tatuar, porque não têm essa noção ainda de que a transformação é contínua. Então, mesmo que seja tatuado um signficado que dificilmente vai se alterar na sua vida, ainda assim existe o risco de ele se alterar. Não se brinca com o acaso. A qualquer momento pode acontecer algo terrivelmente negativo que se relacione diretamente com a coisa tatuada, e está feita a marca.

1.2. Digamos que não existisse o item acima, haveria o problema filosófico do autor da tatuagem. Por que, dentre os infinitos artistas visuais do planeta, aquele tatuador da cidade, que não deve ser propriamente um artista plástico (que pesquisa arte), é o escolhido para fazer a marca física eterna na sua pele? E mesmo que fosse contratado o Stanley Donwood para tatuar, ele uma relação com você insuficientemente íntima para um desenho fisicamente eterno. No caso de frases, costuma-se escolher frases em inglês, principalmente entre os indies, que pinçam trechos de letras musicais. A questão do inglês é um primeiro problema e a questão da não-proximidade (e da popularidade) do autor da letra é o segundo. Dessa forma, considero as tatuagens do Leonardo Fleck as menos problemáticas, pois foi ele mesmo que desenhou, ele mesmo que criou a frase e ele mesmo que escreveu (a caligrafia da tatuagem é dele). Ele é um raro cara original. Tatuagem é arte, uma vez que exposta na sua pele, sua pele é a exposição. E sua pele não pode ser uma exposição dos outros.

2. ERÓTICO - No sexo, os cinco sentidos são estimulados. O tato na química da pele com a pele, do toque, dos encaixes, dos carinhos, dos apertos, da pressão e da não-pressão, do peso e do não-peso; o olfato, mais inconsciente mas não menos importante, cheira-se tudo e não se sabe dizer qual é o cheiro, mas é maravilhoso cheirar; a audição, ouvindo os movimentos do corpo, a respiração, os sons emitidos pela voz, as palavras propriamente ditas, a cama ou o outro lugar que esteja servindo de apoio para a ação da gravidade; o paladar, por meio das lambidas, as mais diversas; e a visão. Para o mais observador, cada detalhe e cada movimento da mulher, principalmente da amada, é um espetáculo, "uma porta de acesso eón dos deuses". Felizmente (e só se pensa assim porque existe um desejo da ciência ou da inveja de que o contrário pudesse acontecer) cada mulher é uma complexidade completamente diferente da outra, então a pele é um atrativo à parte, descobrir cada veia à mostra, cada sinalzinho marrom, cada pêlo e cabelo, cada dobra e cada curva e cada cicatriz (naturalmente provocada). Então, para mim é inadmissível que um trecho dessa cultuada pele seja escondido para sempre por uma porção de tinta. Tiramos a roupa para transar porque queremos ver o animal como ele é, queremos ver a pele por debaixo das blusas, calças, saias, calcinhas e sutiãs. Nesse sentido, a tatuagem é uma roupa que não sai. E mais: é uma roupa que tem uma densidade de signficado, o qual é bombardeado para quem o pode ver. Seria como fazer sexo olhando para um cartaz ou um adesivo colado na outra pessoa. Lembrei-me de uma piada maldosa. Uma estagiária havia tatuado o nome do namorado. Eu brinquei, com alguns colegas, que, se a tatuagem fosse acima da bunda, seria a glória do amante comê-la por trás vendo o nome do namorado e rindo da cara dele.

3. QUANTO À SAÚDE - Ver uma tatuagem cicatrizando é uma das coisas mais enojantes que existe, porque é uma ferida feia (e eu não gosto de ver feridas e sangue) e porque foi o ferido quem escolheu ferir-se. Depois de cicatrizada, tem os cuidados excessivos com o sol e o risco de ter contraído hepatite.