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terça-feira, 18 de dezembro de 2007



Tropa Macaca - Marfim (2007)

"De todas as propostas desta nova música periférica, os Tropa Macaca são uma das que mais evoluiu ao longo dos tempos (curtos, claro, que isto ainda agora começou). São hoje um dos projectos mais interessantes de uma música portuguesa menos interessada em seguir guiões já conhecidos e standardizados. Marfim, nas duas peças que o compõem, tem entrada directa para o panteão dos discos mais interessantes desta nova geração de músicos – que anda por aí a desbravar terreno. Ju-Undo (Joana da Conceição) e Símio Superior (André Abel), munidos de electrónicas várias e guitarras, estabelecem uma série de protocolos sonoros que procuram quase invariavelmente um local de confronto. Isto equivale a dizer que 'Marfim' está longe de ser um disco confortável e conformista." (André Gomes/Bodyspace)

Tropa Macaca
O templo do ruído
Por André Gomes, 17/01/06


"Em todos os projectos musicais – com a excepção daqueles que nos chegam como produto e são resultado de uma operação de marketing que junta indivíduos ao acaso – existe um elo de ligação anterior. Um elo a partir do qual se cria outro tipo de elo – o musical. Os Tropa Macaca . . . partem da vida que têm juntos (como, digamos, 'companheiros de vida' que são) para a partir daí criarem música. (...) Ju-Undo (Joana da Conceição, artista plástica) e Símio Superior (André Abel) fazem música como resposta ao tempo. Exploram o ruído num relógio sem ponteiros e a aproveitam a energia que existe entre ambos para criar. De um lado, Símio Superior traça texturas com a guitarra, no outro, Ju-Undo manipula a electrónica. Ambos procuram de formas distintas chegar ao mesmo local. Aqui, Joana da Conceição e André Abel, entre outras coisas, desenvolvem aquela que é a ideia principal da união musical dos Tropa Macaca, em jeito de manifesto de intenções: a inspiração na vida 'como validação de efemeridade truncada no tempo'."

(...)

Tencionam ou imaginam-se algum dia a viver exclusivamente da música?

Em Coro: Não.

Os vossos interesses na música são semelhantes? Há algum conflito no processo criativo, nas decisões a tomar e nas direcções a seguir musicalmente falando?

A.A.: Existe bué de conflito, os backgrounds e as sensibilidades estéticas diferem e digladiam-se a cada novo ensaio, conversa, concerto. O que poderá ser considerado, na minha perspectiva, como algo em comum ou unificador será a vontade de agarrar algo que nos consuma por inteiros, uma toada de som que nos faça querer foder o mundo inteiro.

J.C.: Existem muitos conflitos, mas existe uma paz que advém da irresponsabilidade que ambos sentimos face ao que deveríamos ser e isso direcciona, entre outras coisas, a tropa.

Como é para vocês compor musica juntos? Dizem que se inspiram na vida que têm juntos como validação da efemeridade truncada no tempo... Quais são as implicações práticas dessa união musical?

J.C.: Nós fazemos música juntos, isso é verdade, mas não vejo isso com o carácter de união, é uma junção. A união de cada um de nós é com o tempo, com o espaço, com as pessoas, o trabalho de cada um é fruto desse triângulo, quando tocamos juntos funcionamos como um quadrilátero, que é a junção dos dois triângulos.
Actualmente passamos a maior parte da nossa vida juntos, é tudo o que passa por ela que nos seduz, que nos motiva, mas somos sempre indivíduos, as coisas tocam-nos de forma diferente. Mas como dissemos há pouco, existe algo intrínseco a cada um de nós que é comum, penso que é por essa mesma razão que o concerto com Fish & Sheep resultou. Tudo está inscrito no tempo, a consciencialização da nossa efemeridade torna-nos irresponsáveis e livres. Essa brevidade faz-nos arder mais depressa e penso que isso se transmite na música que fazemos.

A.A.: Eu não acho que se possa falar em composição, prefiro algo como uma delineação de estratégias de abordagem a algo que temos cá dentro e que queremos que se concretize em dinâmica de som, batida, oscilação, como quiseres qualificar. Nesse sentido, acho que acabamos por ter uma postura bastante pragmática mas o caminho até a um nivelamento de satisfação mútua é por vezes uma tortura, berramos e ofendemo-nos mutuamente por vezes, elevam-se tensões que torna a coisa mais extática quando finalmente agarramos a besta e a sacudimos no ar.

Imagino que o processo de composição seja necessariamente algo distinto daquele que acontece numa banda como, por exemplo, os Dance Damage... A familiaridade natural no seio do projecto não obrigará a uma dose redobrada de esforço e dedicação?

J.C.: A ligação extra música é forte, passamos muito tempo juntos e isso representa parte importante na forma como trabalhamos, de facto, é já em si alimento da tropa. Normalmente não compomos, como uma banda como os Dance Damage, o que não obriga a um ensaio rígido trata-se mais de expurgar demónios e trocar figurações de beleza, portanto, ao contrário de ensaiar uma composição definida, procuramos a liberdade da composição instantânea. Agora se isso exige mais tempo ou não que uma banda que compõe, depende! Exige isso sim sintonia, que não advém exclusivamente do tempo investido em ensaios, mas também da partilha de diversas experiências.

A.A.: Eu acho que levamos isto na boa, é apenas mais uma dimensão da nossa vida e, por mim, sinto-me motivado a continuar a investir tempo e energia com paixão pelo potencial que partilhamos.

J.C.: Queremos chegar a uma composição livre. Na música como noutras áreas de acção do ser humano existem códigos mais ou menos rígidos que promovem um género de conduta, que se pode tornar asfixiante. Mas a música trata de som, um discurso onde os cânones não são tão rígidos como os da linguagem por exemplo, e por isso a música é um caminho mais próximo para as vísceras. (...)

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