Brit Marling, sobre o abuso em Hollywood:
<< Eu acho que é importante entender que, quando Harvey Weinstein marcou um encontro comigo em 2014 - quando a indústria sentenciou que eu era uma legítima carne fresca - eu estava, em algumas formas, numa posição ligeiramente diferente do que muitas que tiveram que encontrá-lo antes de mim.
Eu, também, fui ao encontro pensando que talvez minha vida inteira estivesse prestes a mudar para melhor. Eu, também, fui convidada a encontrá-lo no bar de um hotel. Eu, também, encontrei uma jovem assistente, que disse que o encontro tinha sido transferido para a suíte porque ele era um homem muito ocupado. Eu, também, fiquei calma com a presença de outra mulher da minha idade. Eu, também, senti terror na boca do estômago quando a jovem mulher deixou o quarto e eu fiquei, de repente, sozinha com ele. Eu, também, fui perguntada se eu queria massagem, champanhe, morangos. Eu, também, sentei naquela cadeira paralisada pelo medo quando ele sugeriu que deveríamos tomar um banho juntos. O que eu poderia fazer? Como não ofender esse homem, esse abridor de portas, que poderia tanto me consagrar como me destruir?
Estava claro que havia apenas uma direção que ele almejava para esse encontro, que era sexo ou alguma forma de troca erótica. Eu consegui reunir meus pedaços - um punhado de nervos em chamas, mãos tremendo e voz perdida em minha garganta - e fui embora do quarto.
Mais tarde, sentei no meu quarto de hotel sozinha e chorei. Chorei porque entrei no elevador quando eu já desconfiava. Chorei porque eu deixei ele tocar nos meus ombros. Chorei pelas outras vezes na minha vida, sob outras circunstâncias, em que não fui capaz de sair.
Consentimento é uma função de poder. Você tem o módico poder de dá-lo. Neste momento, muitas mulheres estão contando suas histórias de terem sido assediadas ou abusadas pelo Weinstein. Todas são corajosas, incluindo aquelas que não conseguiram encontrar uma saída. Pensando em mim, eu fui capaz de deixar o hotel naquele dia porque eu entrei não só como atriz, mas também como roteirista/criadora. Com essa dupla persona em mim, atriz e roteirista, foi a roteirista que levantou e foi embora. Porque a roteirista sabe que, mesmo se esse homem poderoso nunca lhe der um emprego em qualquer de seus filmes, mesmo se ele a colocar na lista negra ainda de filmes dos outros, ela pode fazer seu próprio trabalho, em seus próprios termos, e isso garantirá um telhado sobre sua cabeça. >>
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
<< Um estudo da Universidade Estadual de Washington (EUA) demonstrou que certos atos de altruísmo (como abrir mão de alguma coisa pelo bem da maioria), em vez de melhorar a nossa reputação, podem fazer os outros não gostarem da gente.
Em uma série de testes, os pesquisadores dividiram os voluntários em grupos de cinco e deram a eles “pontos”, que poderiam ser guardados ou usados para “comprar” vales-refeição. E disseram que abrir mão dos pontos aumentaria as chances do grupo de receber uma recompensa em dinheiro. Na verdade, enquanto a maioria fazia trocas justas de um ponto por um vale, alguns dos membros dos grupos eram atores e agiam, propositalmente, de forma egoísta (segurando todos os pontos para si) ou altruísta (abrindo mão de vários pontos em troca de menos vales, para que o grupo recebesse a recompensa final).
Obviamente, a maioria dos voluntários de verdade disse que não gostaria de trabalhar com os egoístas de novo. A surpresa foi que grande parte deles também declarou querer ver os bonzinhos pelas costas. Por quê? É que a “caridade” dos colegas desprendidos fez os outros se sentirem culpados e pressionados a agirem da mesma forma. Muitos, além disso, acharam que eles tinham algum interesse pessoal para agir com tal altruísmo.
“[Os participantes] frequentemente diziam: ‘aquele cara está me deixando com uma imagem ruim’ ou ‘está quebrando as regras’”, disse o líder do estudo, Craig Parks. >> (Super)
Em uma série de testes, os pesquisadores dividiram os voluntários em grupos de cinco e deram a eles “pontos”, que poderiam ser guardados ou usados para “comprar” vales-refeição. E disseram que abrir mão dos pontos aumentaria as chances do grupo de receber uma recompensa em dinheiro. Na verdade, enquanto a maioria fazia trocas justas de um ponto por um vale, alguns dos membros dos grupos eram atores e agiam, propositalmente, de forma egoísta (segurando todos os pontos para si) ou altruísta (abrindo mão de vários pontos em troca de menos vales, para que o grupo recebesse a recompensa final).
Obviamente, a maioria dos voluntários de verdade disse que não gostaria de trabalhar com os egoístas de novo. A surpresa foi que grande parte deles também declarou querer ver os bonzinhos pelas costas. Por quê? É que a “caridade” dos colegas desprendidos fez os outros se sentirem culpados e pressionados a agirem da mesma forma. Muitos, além disso, acharam que eles tinham algum interesse pessoal para agir com tal altruísmo.
“[Os participantes] frequentemente diziam: ‘aquele cara está me deixando com uma imagem ruim’ ou ‘está quebrando as regras’”, disse o líder do estudo, Craig Parks. >> (Super)
“O verdadeiro líder é aquele que lidera pelo exemplo. Pode ser identificado pelas seguintes qualificações: (1) nunca diz 'eu não tenho tempo', nunca é visto apressado; (2) escuta atentamente para entender totalmente e orientar corretamente; (3) forte como o Himalaya e gentil como pétalas de rosa; (4) respeita os seniors, coopera com os colegas e dá amor aos juniors; (5) às vezes, suas decisões podem ser criticadas, mas o tempo prova que elas foram absolutamente relevantes e úteis.” (Brahma Kumaris)
"A arte é uma espécie de filosofia concretizada, que desmistifica o mundo. A arte é uma pergunta, e não uma resposta. Por isso os reacionários não gostam de arte, eles não gostam de questionamentos. Pessoas burras não gostam de questionamentos, porque nem conseguem entender o que são perguntas. O preconceito só nos coloca em situação ridícula e cria muito sofrimento emocional pra quem é a sua vítima. é um peso psíquico tremendo, porque resulta da falta de capacidade de entender a diferença." (Márcia Tiburi)
https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=614039002053314&id=292074710916413
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"As melhores pessoas têm uma sensibilidade para a beleza, a coragem para correr riscos, a disciplina para dizer a verdade, a capacidade de fazer sacrifícios. Ironicamente, suas virtudes as fazem vulneráveis: elas são frequentemente feridas, às vezes destruídas." (Ernest Hemingway)
Automaticamente o endereço pretendido está disponível para qualquer esclarecimento adicional que necessite o nome da empresa, e não se trata de uma única estrela da morte, como muitos detalhes nos corpos das vítimas de acidente na rodovia do contorno e iluminação facial de abacate, no aguardo de um militar do distrito industrial de um pequeno apartamento onde podemos encontrar sósias.
Novo mistério da maturidade humana é uma mensagem para o cachorro no braço direito de uso cultural e social do cliente que está no regime especial de Natal e um armário de aço inox com tampa de válvula termostática, o que é uma palhaçada.
Novo mistério da maturidade humana é uma mensagem para o cachorro no braço direito de uso cultural e social do cliente que está no regime especial de Natal e um armário de aço inox com tampa de válvula termostática, o que é uma palhaçada.
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Texto de Santo Agostinho criou a culpa cristã frente ao sexo
(Contardo Calligaris)
(...) Agostinho achava que o Gênesis era uma história para boi dormir.
Só depois de sua conversão, ele descobriu que Adão e Eva expulsos do Éden lhe eram muito úteis 1) para fundar a ideia de um pecado original (com o qual todos nasceríamos, por causa do pecado do casal inaugural) e 2) para que o tal pecado original fosse identificado com o tesão carnal.
Ou seja, pela desobediência de Adão e Eva, todos nascemos com a tara do desejo sexual.
O batismo nos livra do pecado original. E o que faremos para nos livrar do desejo sexual?
(...) [Nas "Confissões"] Agostinho escreve para justificar a repressão, que ele se impõe, de seu próprio prazer carnal e de um passado que ele considera devasso e do qual ele não nos diz quase nada (homossexualidade? Promiscuidade? Vai saber).
Ele se consagra à castidade (...) e se defende contra seu próprio desejo transformando-o em pecado original de todos os humanos, do qual é necessário que todos se redimam.
Claro, o sexo é necessário para a reprodução, mas, para o cristão, os órgãos sexuais deveriam responder ao intelecto como qualquer outro órgão (sem tesão involuntário, então) e funcionar sem paixão e sem gozo especial, como quando alguém peida à vontade (exemplo dele, sorry).
Pela ficção seria difícil construir um relato tão exemplar do que é uma neurose.
Agora, que eu saiba, não há outros casos de um relato mórbido grave que tenha tido um sucesso comparável. Agostinho conseguiu mesmo transformar o asco doentio por seu próprio tesão em condenação do desejo sexual numa cultura inteira, por séculos.
As encruzilhadas da vida são curiosas.
Agostinho inventou um deus que pudesse ajudá-lo a reprimir seu desejo carnal.
Eu, desde a adolescência, deixei de acreditar no deus de Agostinho justamente porque me parecia absurdo que ele se preocupasse em reprimir o desejo carnal de quem quer que seja e especialmente o meu. Ou seja, ele chamou deus para que o auxiliasse na luta contra seu próprio prazer. Eu achei que realmente não precisava de um deus que fosse oposto a meus prazeres.
Alguém dirá que por isso irei ao Inferno. Veremos. Por enquanto, o fato é que Agostinho atormentou a vida de centenas de milhões. Eu, não.
<< Mas essa não é uma questão simples. A linha divisória entre pornografia e criação artística é difícil de traçar, sujeita que é a sutis determinações socioculturais. É o que mostra o uso da nudez na arte. Exaltada por gregos e romanos, a nudez entrou em relativo ostracismo com a implantação do cristianismo, voltando à cena com estardalhaço na Renascença. Michelangelo foi acusado de obscenidade e imoralidade ao expor o afresco O Julgamento Final na Capela Sistina, desencadeando um movimento de censura que exigia a remoção ou dissimulação das partes pudendas das figuras nuas ali pintadas.
O que teve início com Michelangelo cristalizou-se no Concílio de Trento, quando, entre tantas outras deliberações, ficou estabelecido que nada que pudesse estimular a concupiscência e a luxúria poderia ser exposto na arte patrocinada pela Igreja. Em outras palavras, a nudez estava definitivamente banida e condenada. Na bula papal de 1557, Paulo IV tornou obrigatório o uso de folhas de figueira para esconder os genitais das imagens pintadas ou esculpidas antes da proibição. A medida foi aplicada com empenho pelos papas Inocêncio X (1574-1655) e Clemente XIII (1693-1769).
Essa zelosa atitude foi retomada por Pio IX (1792-1878). Sob seu comando, todos os mármores da antiguidade clássica existentes no Vaticano tiveram seus falos destruídos e por cima das mutilações foram colocadas as folhas de figueira. Episódio semelhante ocorreu em 1897, quando a rainha Vitória foi presenteada pelo grão-duque da Toscana com uma réplica idêntica do David de Michelangelo. A estátua deixou a rainha escandalizada, motivo de sua imediata remoção para o museu de Kensington Gardens, onde foi providenciada uma folha de figueira que deveria ser colocada em defesa do pudor das damas que eventualmente aparecessem por ali em visita. >> (Estadão)
O que teve início com Michelangelo cristalizou-se no Concílio de Trento, quando, entre tantas outras deliberações, ficou estabelecido que nada que pudesse estimular a concupiscência e a luxúria poderia ser exposto na arte patrocinada pela Igreja. Em outras palavras, a nudez estava definitivamente banida e condenada. Na bula papal de 1557, Paulo IV tornou obrigatório o uso de folhas de figueira para esconder os genitais das imagens pintadas ou esculpidas antes da proibição. A medida foi aplicada com empenho pelos papas Inocêncio X (1574-1655) e Clemente XIII (1693-1769).
Essa zelosa atitude foi retomada por Pio IX (1792-1878). Sob seu comando, todos os mármores da antiguidade clássica existentes no Vaticano tiveram seus falos destruídos e por cima das mutilações foram colocadas as folhas de figueira. Episódio semelhante ocorreu em 1897, quando a rainha Vitória foi presenteada pelo grão-duque da Toscana com uma réplica idêntica do David de Michelangelo. A estátua deixou a rainha escandalizada, motivo de sua imediata remoção para o museu de Kensington Gardens, onde foi providenciada uma folha de figueira que deveria ser colocada em defesa do pudor das damas que eventualmente aparecessem por ali em visita. >> (Estadão)
Não há arte possível para a gente de bem
(Daniela Name)
(...) estamos perdendo a capacidade de compreender a metáfora e a ficção. No caso específico da arte contemporânea, de compreender que não há mais um espelho possível para um mundo de imagens ordenadas, reconhecíveis e inócuas. Um mundo que só existe na cabeça dessa gente honrada que odeia gays, pobres e negros. Dessa gente honrada que odeia. Ponto.
O caso de Porto Alegre, no entanto, amplia a estratégia miliciana desses grupos ultraconservadores ao associar a arte ao mal; os artistas aos aproveitadores dos recursos públicos, vagabundos que querem roubar o dinheiro suado (?) e o sono tranquilo (?) dessa "gente de bem". Teríamos a oportunidade de pensar os métodos distorcidos de patrocínio no país, deixando nas mãos da iniciativa privada a prerrogativa de realizar e de cancelar um projeto como "Queermuseu". Teríamos a chance de notar, mais uma vez, o quanto os monólogos intermináveis das redes sociais nos tornam cegos e surdos. Mas não conseguiremos fazer isso a um passo da degeneração. Ou já mergulhados nela.
(...) em Munique, onde, há exatos 80 anos, em 1937, um certo Adolf Hitler transformou a mostra "Arte degenerada" em uma de suas principais peças de propaganda ideológica.
Nas paredes e no espaço, obras de Piet Mondrian, Emil Nolde e Oskar Schlemmer, entre outros grandes nomes da arte moderna. Esteticamente, eles representavam a ruptura com a ideia de verossimilhança e com o sistema de representação ordenado e hierárquico vigente desde o Renascimento. Simbolicamente, apontavam para a arte como um horizonte de ambiguidades, de opacidade e de ficção; um campo sem compromisso com o real; um impulso sempre faminto de liberdade e de utopia. E, é claro, um perigo avassalador para a intolerância e o discurso monocórdio de Hitler.
A exposição "Arte degenerada" deu ao ditador a chancela para a destruição de obras dos artistas participantes e também de Picasso, Kandinsky e Matisse — todos vistos como vetores "judaico-bolcheviques". O resto da história conhecemos bem — ou ao menos deveríamos: obras de arte queimadas, escondidas, destruídas. Artistas e pensadores fugindo ou morrendo. (...)
*Daniela Name é crítica de arte e curadora
(Daniela Name)
(...) estamos perdendo a capacidade de compreender a metáfora e a ficção. No caso específico da arte contemporânea, de compreender que não há mais um espelho possível para um mundo de imagens ordenadas, reconhecíveis e inócuas. Um mundo que só existe na cabeça dessa gente honrada que odeia gays, pobres e negros. Dessa gente honrada que odeia. Ponto.
O caso de Porto Alegre, no entanto, amplia a estratégia miliciana desses grupos ultraconservadores ao associar a arte ao mal; os artistas aos aproveitadores dos recursos públicos, vagabundos que querem roubar o dinheiro suado (?) e o sono tranquilo (?) dessa "gente de bem". Teríamos a oportunidade de pensar os métodos distorcidos de patrocínio no país, deixando nas mãos da iniciativa privada a prerrogativa de realizar e de cancelar um projeto como "Queermuseu". Teríamos a chance de notar, mais uma vez, o quanto os monólogos intermináveis das redes sociais nos tornam cegos e surdos. Mas não conseguiremos fazer isso a um passo da degeneração. Ou já mergulhados nela.
(...) em Munique, onde, há exatos 80 anos, em 1937, um certo Adolf Hitler transformou a mostra "Arte degenerada" em uma de suas principais peças de propaganda ideológica.
Nas paredes e no espaço, obras de Piet Mondrian, Emil Nolde e Oskar Schlemmer, entre outros grandes nomes da arte moderna. Esteticamente, eles representavam a ruptura com a ideia de verossimilhança e com o sistema de representação ordenado e hierárquico vigente desde o Renascimento. Simbolicamente, apontavam para a arte como um horizonte de ambiguidades, de opacidade e de ficção; um campo sem compromisso com o real; um impulso sempre faminto de liberdade e de utopia. E, é claro, um perigo avassalador para a intolerância e o discurso monocórdio de Hitler.
A exposição "Arte degenerada" deu ao ditador a chancela para a destruição de obras dos artistas participantes e também de Picasso, Kandinsky e Matisse — todos vistos como vetores "judaico-bolcheviques". O resto da história conhecemos bem — ou ao menos deveríamos: obras de arte queimadas, escondidas, destruídas. Artistas e pensadores fugindo ou morrendo. (...)
*Daniela Name é crítica de arte e curadora
"As crianças dão banho em muito adulto visitando exposição, seja de arte, história ou ciências. O povo do educativo que trabalha em museus pode atestar isso melhor do que eu. Elas arrasam. (...) As pessoas se interessam pela exposição ou não, porque elas SE INFORMAM E PESQUISAM. Aí alguém pode dizer: aahhhh, mas nem todo mundo faz isso. Bom, aí a RESPONSABILIDADE é da pessoa. Ir à exposição é como ir ao cinema, temos que ler a sinopse antes pra ver se nos interessamos. Se não se interessar, não vai. Ou, se for o caso, não leva as crianças." (Letícia Bauer)
JUREMIR MACHADO DA SILVA: “Arte é fazer vir à tona o inconsciente com nossos monstros, medos, fantasmas, pesadelos e delírios. A arte também revela o mal que nos habita. Mas nem era esse o caso da mostra do Santander. O pessoal que detonou a exposição precisa estudar mais, quem sabe viajar um pouco, ir a grandes museus, conhecer as obras de gênios que chocaram a percepção de muita gente com suas obras desconcertantes”.
"Nessa confusão toda, uma coisa que se escancara pra mim é quanta humildade falta pras pessoas reconhecerem que não entendem de um assunto. Não o respeitam como um campo de conhecimento. Ignoram que existe uma infinidade de livros, cursos epós graduações, ou, simplesmente, vivências que não acessaram. E por isso não tem propriedade pra falar. Acho feio, me sinto desrespeitada e muuuuuuito frustrada." (Carolina Marostica)
Xixi na tocha ☄️
Invisível tocha 🔥
Invisível tocha 🔥
MARCELLO DANTAS, curador: "O papel da arte é abrir a cabeça das pessoas. Permitir novas ideias, proporcionar reflexão, imagem e revelar algo do inconsciente coletivo. Para isso ela precisa necessariamente existir no território do inexplorado, do desconhecido, da originalidade e do inominável. Esse território nunca pode ser alcançado se a arte for mantida em um cercado conceitual, onde está pré definido o que pode e o que não pode. A arte é sobre o que não sabemos e por isso deve poder ser transgressora, indefinida, incompreendida, subjetiva. Sociedade que não tem isso é uma sociedade pobre, sem alma e sem potencial criativo. Incompreendido hoje pode ser o gênio de amanhã. Uma sociedade sem transgressores é uma sociedade burra."
Eliane Brum:
<< Liberais de fato jamais tentariam fechar uma mostra de arte, para ficar apenas num exemplo. Nem faz sentido dizer que são “conservadores” ou mesmo de “direita”. Eles são o que lhes for conveniente ser.
A dificuldade de nomear o que são, é importante perceber, os favorece. E acabam se beneficiando de rótulos aos quais lhes interessa estar associados num momento ou outro e que lhes emprestam um conteúdo que não possuem, mas do qual sempre podem escapar quando lhes convêm. Neste sentido, apesar de exibirem como imagem um corpo compacto, essas milícias são fluidas. Embora ajam sobre os corpos, não há corpo algum. Isso lhes facilita se moverem, por exemplo, da luta anticorrupção para as bandeiras morais, agora que não lhes interessa mais derrubar o presidente.
A força de milícias como MBL é sua capacidade de influenciar tanto eleitores quando odiadores, num momento histórico em que estas duas identidades se confundem.
(...) As milícias compreendem o potencial desse medo e desse ódio. E sabem se comunicar com esse medo e esse ódio. Encontraram o canal, o ponto a ser tocado. Encontrado o canal, o inimigo pode ser mudado conforme a conveniência. Se agora não interessa derrubar o presidente denunciado por corrupção, há que se encontrar um outro alvo para canalizar esse ódio e esse medo e manter o número de seguidores cativos e, de preferência, crescendo, atingindo públicos mais amplos. E, principalmente, manter o valor de mercado das milícias em alta, em especial às vésperas de uma campanha eleitoral das mais imprevisíveis.
(...) De repente, na semana passada, o problema do Brasil tornou-se, para milhões de brasileiros, a certeza de que o país é dominado por pedófilos e defensores do sexo com animais. Agora, são artistas que devem ser perseguidos, presos e até, como se viu em algumas manifestações nas redes sociais, mortos. E não só artistas, mas também quadros e peças de teatro. O problema do Brasil é que pedófilos querem corromper as crianças e transgêneros querem destruir as famílias.
(...) Ao denunciar a arte e os artistas como “pedófilos”, o que se produz é o apagamento de um fato bastante incômodo: o de que a maioria das crianças violadas é violada por familiares e conhecidos. Pelo menos um quarto dos casos de violação de crianças tem como autor pais e padrastos. Ocorre, portanto, naquilo que a bancada da Bíblia tenta vender como a única família possível, formada por um homem e por uma mulher.
(...) E isso também não é um detalhe: para as milícias seguirem arregimentando eleitores e odiadores é preciso que a compreensão do mundo siga literalizada – ou seja, sem a possibilidade de recursos como metáforas, ironias e invenções de linguagem. Nesse ritmo, daqui a pouco, quando alguém disser coisas como “boca da noite”, um outro vai rebater com a afirmação de que “noite não tem boca”. É também isso que aconteceu quando muitos olharam para a exposição e só literalizaram o que viram lá, bloqueados em qualquer outra possibilidade de entrar em contato com seus próprios sentidos e realidades inconscientes.
(...) De nada adianta chamar as pessoas que se manifestaram contra a mostra de “ignorantes”, “fascistas” e “nazistas”. É também preciso escutá-los para além do óbvio. E para além do que é dado a ver. Do contrário, aqueles que “entendem a arte” se colocam no melhor lugar para as milícias, o de um polo oposto que iguala a todos no patamar do rebaixamento e produz o apagamento das diferenças. Um grita: “Pedófilo!”. O outro responde: “Nazista!”. O que muda? Se estes são “os que entendem”, há que usar esse entendimento para não fazer o jogo das milícias. >>
<< Liberais de fato jamais tentariam fechar uma mostra de arte, para ficar apenas num exemplo. Nem faz sentido dizer que são “conservadores” ou mesmo de “direita”. Eles são o que lhes for conveniente ser.
A dificuldade de nomear o que são, é importante perceber, os favorece. E acabam se beneficiando de rótulos aos quais lhes interessa estar associados num momento ou outro e que lhes emprestam um conteúdo que não possuem, mas do qual sempre podem escapar quando lhes convêm. Neste sentido, apesar de exibirem como imagem um corpo compacto, essas milícias são fluidas. Embora ajam sobre os corpos, não há corpo algum. Isso lhes facilita se moverem, por exemplo, da luta anticorrupção para as bandeiras morais, agora que não lhes interessa mais derrubar o presidente.
A força de milícias como MBL é sua capacidade de influenciar tanto eleitores quando odiadores, num momento histórico em que estas duas identidades se confundem.
(...) As milícias compreendem o potencial desse medo e desse ódio. E sabem se comunicar com esse medo e esse ódio. Encontraram o canal, o ponto a ser tocado. Encontrado o canal, o inimigo pode ser mudado conforme a conveniência. Se agora não interessa derrubar o presidente denunciado por corrupção, há que se encontrar um outro alvo para canalizar esse ódio e esse medo e manter o número de seguidores cativos e, de preferência, crescendo, atingindo públicos mais amplos. E, principalmente, manter o valor de mercado das milícias em alta, em especial às vésperas de uma campanha eleitoral das mais imprevisíveis.
(...) De repente, na semana passada, o problema do Brasil tornou-se, para milhões de brasileiros, a certeza de que o país é dominado por pedófilos e defensores do sexo com animais. Agora, são artistas que devem ser perseguidos, presos e até, como se viu em algumas manifestações nas redes sociais, mortos. E não só artistas, mas também quadros e peças de teatro. O problema do Brasil é que pedófilos querem corromper as crianças e transgêneros querem destruir as famílias.
(...) Ao denunciar a arte e os artistas como “pedófilos”, o que se produz é o apagamento de um fato bastante incômodo: o de que a maioria das crianças violadas é violada por familiares e conhecidos. Pelo menos um quarto dos casos de violação de crianças tem como autor pais e padrastos. Ocorre, portanto, naquilo que a bancada da Bíblia tenta vender como a única família possível, formada por um homem e por uma mulher.
(...) E isso também não é um detalhe: para as milícias seguirem arregimentando eleitores e odiadores é preciso que a compreensão do mundo siga literalizada – ou seja, sem a possibilidade de recursos como metáforas, ironias e invenções de linguagem. Nesse ritmo, daqui a pouco, quando alguém disser coisas como “boca da noite”, um outro vai rebater com a afirmação de que “noite não tem boca”. É também isso que aconteceu quando muitos olharam para a exposição e só literalizaram o que viram lá, bloqueados em qualquer outra possibilidade de entrar em contato com seus próprios sentidos e realidades inconscientes.
(...) De nada adianta chamar as pessoas que se manifestaram contra a mostra de “ignorantes”, “fascistas” e “nazistas”. É também preciso escutá-los para além do óbvio. E para além do que é dado a ver. Do contrário, aqueles que “entendem a arte” se colocam no melhor lugar para as milícias, o de um polo oposto que iguala a todos no patamar do rebaixamento e produz o apagamento das diferenças. Um grita: “Pedófilo!”. O outro responde: “Nazista!”. O que muda? Se estes são “os que entendem”, há que usar esse entendimento para não fazer o jogo das milícias. >>
Primeira das lições de Kandinsky
Lição 1: Expresse seu mundo interior, não as últimas tendências artísticas.
De acordo com Kandinsky, um objeto só poderia legitimamente ser considerado arte se fosse uma manifestação natural e despreocupada da psique do artista - de seus pensamentos e sentimentos autênticos. Apesar dos fundamentos teóricos de seu trabalho, Kandinsky acreditava que a teoria vem depois, não antes, de uma verdadeira criação artística.
Ele sentiu que a expressão da própria realidade interna era crucial para alcançar a integridade moral. Qualquer coisa menos não só prejudicaria o mérito artístico, mas também seria espiritualmente prejudicial para o artista. Além disso, os verdadeiros artistas devem estar preparados para serem mal interpretados ao longo de suas vidas.
Lição 1: Expresse seu mundo interior, não as últimas tendências artísticas.
De acordo com Kandinsky, um objeto só poderia legitimamente ser considerado arte se fosse uma manifestação natural e despreocupada da psique do artista - de seus pensamentos e sentimentos autênticos. Apesar dos fundamentos teóricos de seu trabalho, Kandinsky acreditava que a teoria vem depois, não antes, de uma verdadeira criação artística.
Ele sentiu que a expressão da própria realidade interna era crucial para alcançar a integridade moral. Qualquer coisa menos não só prejudicaria o mérito artístico, mas também seria espiritualmente prejudicial para o artista. Além disso, os verdadeiros artistas devem estar preparados para serem mal interpretados ao longo de suas vidas.
"Sabe, eu sou terapeuta de adolescentes. Se seu problema for evitar que as pessoas se excitem sexualmente, você tem um problema: conheci dezenas de meninas que se masturbaram durante anos olhando para uma representação do momento em que arrancam os seios de santa Águeda mártir. E conheci dezenas de meninos que passaram anos se masturbando olhando para são Sebastião amarrado e transfixado de flechas. Os mártires são uma tremenda inspiração erótica..." (Contardo Calligaris)
Em artigo intitulado Assédio Moral: A Violência 'Justificada' na Lógica Econômica, a autora Lis Andréa Sobol analisa diferentes formas de assédio moral organizacional:
1. Gestão por Injúria: Humilhações, constrangimentos, falta de respeito como forma de conseguir obediência e submissão. Tomam a forma de exposições que depreciam as pessoas, palavras que rebaixam, ataques na frente dos outros ou em particular. O alvo das agressões não é definido. Todas as pessoas do grupo / equipe são maltratadas indistintamente.
2. Gestão por Estresse: Tem o objetivo de aumentar o desempenho, a eficiência ou a rapidez no trabalho e não pretende destruir o trabalhador, embora as consequências para a saúde do trabalhador possam ser desastrosas e são devidas ao exagero das pressões impostas, com dosagens erradas.
3. Gestão por Medo: Tem a ameaça implícita ou explícita como estímulo principal para gerar a adesão do trabalhador aos objetivos organizacionais. Ser ameaçado de perder o emprego, o cargo, ou ser exposto a constrangimentos, favorece condutas de submissão e obediência, mas favorece também condutas agressivas. O trabalhador tende a atacar para não ser atacado, excluído, assumindo comportamentos anti-éticos, deteriorando o clima e as relações de trabalho."
1. Gestão por Injúria: Humilhações, constrangimentos, falta de respeito como forma de conseguir obediência e submissão. Tomam a forma de exposições que depreciam as pessoas, palavras que rebaixam, ataques na frente dos outros ou em particular. O alvo das agressões não é definido. Todas as pessoas do grupo / equipe são maltratadas indistintamente.
2. Gestão por Estresse: Tem o objetivo de aumentar o desempenho, a eficiência ou a rapidez no trabalho e não pretende destruir o trabalhador, embora as consequências para a saúde do trabalhador possam ser desastrosas e são devidas ao exagero das pressões impostas, com dosagens erradas.
3. Gestão por Medo: Tem a ameaça implícita ou explícita como estímulo principal para gerar a adesão do trabalhador aos objetivos organizacionais. Ser ameaçado de perder o emprego, o cargo, ou ser exposto a constrangimentos, favorece condutas de submissão e obediência, mas favorece também condutas agressivas. O trabalhador tende a atacar para não ser atacado, excluído, assumindo comportamentos anti-éticos, deteriorando o clima e as relações de trabalho."
"O nosso mundo interno acaba sendo espelhado pelos objetos. Os objetos são espelhos que refletem nosso mundo interno. Relacionamo-nos com um objeto como se ele existisse por si, fora. Nós não vemos o aspecto interno. Existe uma inseparatividade incessante. Ainda que surja uma obra de arte, aquilo que eu vejo numa obra de arte é inseparável de como eu próprio surjo. Eu não posso descrever a realidade descrevendo a aparência externa; é insuficiente. A mente se divide entre objeto e observador, mas ela segue sendo uma só. Objeto e observador são aparências, e a não compreensão disso é 'avídia', é a perda da lucidez. Isso fica mais claro no sonho. De repente, estamos assustados no meio de um sonho, e os objetos de sonho são a mente. Mas a mente não constrói só os objetos de sonho: ela constrói também o observador dos objetos de sonho. Os sonhos são etéreos, eles não podem ser vistos senão pela própria mente. Então a mente surge como observador daquilo que ela mesma produz. A arte é a expressão da originação dependente. Ela atua num bordo. Não existe a pretensão de que os objetos sejam verdadeiros. / Num livro, cada palavra que é dita toca na nossa região sutil, nas nossas memórias, na região dos carmas e méritos (carma é aquilo que faz brilhar o que não deveria brilhar). Se formos olhar com cuidado, é um papel cheio de risquinhos. Nós somos capazes de olhar para um desses, e o nosso olho brilha, nossas emoções começam a andar. Não só criamos os objetos que estão na nossa frente, mas os objetos também nos criam. / A concentração está ligada a uma falta de interesse pelos outros, pode gerar uma insensibilidade. Se eu olho para a realidade de um modo bem específico, eu fico vulnerável, porque coisas podem estar acontecendo em volta e eu não estou vendo. A pessoa muito auto-centrada está concentrada numa visão estreita. Isso é um problema, porque ela tende a causar problemas para os outros. A pessoa com uma desordem psicológica, de modo geral, tem uma visão estreita, ela não consegue ver os outros; ela não consegue ver a sensibilidade que os outros têm com relação a sua própria ação, não está entendendo como os outros estão operando. / A realidade é múltipla: são vários mundos se interpenetrando. As pessoas veem a partir dos seus diferentes 'lugares'. São diferentes realidades que vão surgindo. O aspecto construtor da realidade é incessante. Precisamos descobrir qual é o 'lugar' onde estamos." (Lama Samten)
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segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Um artista nu permite que espectadores manipulem suas articulações. Uma criança, acompanhada da mãe, toca no seu pé.
Sugiro às pessoas que viram erotismo nessa cena que procurem tratamento psicológico. Amigo, você sofre de alguma doença grave: ou tem tesão em crianças, ou tem tesão em pés, ou tem tesão em crianças tocando em pés. Ou é pedófilo, ou podófilo, ou pedopodófilo.
A cena em questão é tão erótica quanto o teto da Capela Sistina (em que Adão, vale lembrar, estava pelado) ou aquela cena do "E.T." em que a criança toca no dedo do extraterrestre (em que Adão, vale lembrar, estava pelado, vestindo apenas um cachecol). Deve ter gente que vê erotismo nisso. E deve ter gente que vê, inclusive, na extremidade vermelha do dedo do E.T. um símbolo fálico. Mas o problema é delas, e não do E.T.. O tesão é de quem vê. O mesmo vale para quem se escandaliza com o seio de uma mãe que amamenta. Isso é coisa de gente muito tarada. Por acaso, o Brasil tá cheio delas.
José Wilker contava que tinha um parente que se relacionava sexualmente com uma cabra, e todo o mundo sabia disso. O tal parente, quando viu "Dona Flor e seus Dois Maridos", ficou tão chocado com a cena da nudez que cortou relações com o Wilker. Brasil, o país em que só a nudez choca. Todo o resto é perdoável.
Viva o país em que o topless é proibido, mas a ejaculação no ônibus é tolerada. Um país em que uma exposição dita profana é cancelada, mas o mandato do Aécio segue firme e forte. O país em que o professor não pode ter partido, mas pode ter igreja, e fazer propaganda da igreja, mesmo na escola pública.
Sabe o que é um crime contra a infância? Ensinar criacionismo nas escolas. Crime contra a infância é a música gospel da Aline Barros que ensina as crianças a pagarem o dízimo: "Jesus se agrada, Jesus se agrada / da ofertinha da criançada / Tirilim, tim, tim / oferta vai caindo dentro da caixinha".
Brasileiro tem orgulho de dizer que adora crianças. Não sei de quais crianças a gente tá falando. Seis milhões de crianças no Brasil vivem em situação de extrema pobreza -muitas delas na rua. Ninguém parece tão chocado quanto com a exposição do MAM. Talvez essas crianças precisassem assistir a uma nudez indevida, talvez precisassem tocar no pé de um artista nu. Aí, sim, o Brasil ia rodar a baiana. "Miséria, desnutrição, analfabetismo, vá lá. O importante é que essa criançada não veja um pinto!"
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Cult -- Há quem diga que a arte contemporânea pode parecer hermética, inacessível para a maior parte do público. Essa percepção favorece acontecimentos como esse?
Luiz Camillo Osório -- Não acho que haja esta relação. Se a arte fosse mesmo tão hermética, pelo contrário, não incomodaria tanto. Se incomoda a ponto de fecharem arbitrariamente a exposição, é porque a arte toca em pontos delicados e que ficam represados como tabus. No século 21, fechar uma exposição por conta de questões de sexualidade é um retrocesso. Até a novela da Globo fala de transgêneros e de comportamentos sexuais não convencionais - o que é saudável para abrir o debate, falar do que tem que ser falado e desreprimir a expressão da sexualidade. Censurar uma exposição alimenta uma cultura de violência - que é retrato de uma época que dá as costas ao processo civilizatório que vem desde a década de 1960 buscando incluir e dar voz às minorias.
Luiz Camillo Osório -- Não acho que haja esta relação. Se a arte fosse mesmo tão hermética, pelo contrário, não incomodaria tanto. Se incomoda a ponto de fecharem arbitrariamente a exposição, é porque a arte toca em pontos delicados e que ficam represados como tabus. No século 21, fechar uma exposição por conta de questões de sexualidade é um retrocesso. Até a novela da Globo fala de transgêneros e de comportamentos sexuais não convencionais - o que é saudável para abrir o debate, falar do que tem que ser falado e desreprimir a expressão da sexualidade. Censurar uma exposição alimenta uma cultura de violência - que é retrato de uma época que dá as costas ao processo civilizatório que vem desde a década de 1960 buscando incluir e dar voz às minorias.
"A gente percebe uma hipertrofia, uma tendência muito grande, um apelo muito sério à ampliação do espaço do Direito Penal, seja pela ampliação de tipos penais, seja pelo aumento quantitativo das penas. A gente vê um aumento brutal da população carcerária, ou seja, os critérios, inclusive processuais, todos apontando muito para isso. O Brasil hoje é a segunda ou terceira maior população carcerária do mundo. A gente está em um contexto no qual a legitimação do Direito Penal é muito procurada e aí entra uma primeira contradição, porque, no debate dos Direitos Humanos, ao mesmo tempo que existe uma necessidade de problematizar isso, vários movimentos sinalizam um aceno ao Direito Penal como a solução. É o caso, por exemplo, da criminalização das condutas de ódio, que envolvem a questão do racismo, da orientação sexual, dentre outras. Quando a gente fala de criminalização, não tem como a gente não atentar minimamente para esse pano de fundo, que é uma discussão muito complexa. O problema que nós vemos é que existe uma tensão e contradição, seja por quem ataca ou quem milita por Direitos Humanos." (Carlos 'Vermelho' D'Elia)
"O Brasil é um animal diferente. Foi o último país do Ocidente a abolir a escravidão. É o país mais desigual do mundo, com exceção do Oriente Médio e, talvez, da África do Sul. Um ponto importante é que todos os governos brasileiros das últimas décadas têm responsabilidade por isso. A história recente indica que houve uma escolha política pela desigualdade e dois fatores ilustram isso: a ausência de uma reforma agrária e um sistema que tributa mais os pobres. Para nós, estrangeiros, impressiona que alíquotas de impostos sobre herança sejam de 2% a 4%. Em outros países chega a 30%. A tributação de fortunas fica em torno de 5%. Enquanto isso, os mais pobres pagam ao menos 30% de sua renda via impostos indiretos sobre luz e alimentação." (Marc Morgan Milá, economista)
O texto é quilométrico, mas vale a pena. Um trecho:
"Nos celulares, as pessoas tendem a preferir a internet aos aplicativos, que se apoderam da informação que reúnem e se recusam a compartilhá-la com outras empresas. É improvável que um aplicativo de jogo do seu celular saiba mais a seu respeito do que o nível que você alcançou naquele determinado joguinho. Por outro lado, como todo mundo está no Facebook, a empresa conhece o identificador dos celulares de todo mundo. E foi capaz de criar um servidor que direciona os anúncios para celular com muito mais precisão que qualquer outra empresa, de um modo mais elegante e integrado do que ninguém jamais conseguiu.
E assim o Facebook conhece a identidade do seu telefone e sabe associá-la à sua identidade no Facebook. E junta isso ao resto de sua atividade online: cada site que você visita, cada link que você segue – o botão do Facebook rastreia cada usuário do Facebook, independentemente de ele clicar ou não. Como o botão do Facebook é quase onipresente, a rede consegue ver você em todo lugar. Hoje, graças às parcerias com as empresas tradicionais de crédito, ele sabe quem todo mundo é, onde todo mundo mora, e tudo que todo mundo já comprou com o cartão de crédito em qualquer loja offline do mundo real. E toda essa informação é usada para uma finalidade, em última análise, altamente rasteira: vender coisas por meio de anúncios online."
"Nos celulares, as pessoas tendem a preferir a internet aos aplicativos, que se apoderam da informação que reúnem e se recusam a compartilhá-la com outras empresas. É improvável que um aplicativo de jogo do seu celular saiba mais a seu respeito do que o nível que você alcançou naquele determinado joguinho. Por outro lado, como todo mundo está no Facebook, a empresa conhece o identificador dos celulares de todo mundo. E foi capaz de criar um servidor que direciona os anúncios para celular com muito mais precisão que qualquer outra empresa, de um modo mais elegante e integrado do que ninguém jamais conseguiu.
E assim o Facebook conhece a identidade do seu telefone e sabe associá-la à sua identidade no Facebook. E junta isso ao resto de sua atividade online: cada site que você visita, cada link que você segue – o botão do Facebook rastreia cada usuário do Facebook, independentemente de ele clicar ou não. Como o botão do Facebook é quase onipresente, a rede consegue ver você em todo lugar. Hoje, graças às parcerias com as empresas tradicionais de crédito, ele sabe quem todo mundo é, onde todo mundo mora, e tudo que todo mundo já comprou com o cartão de crédito em qualquer loja offline do mundo real. E toda essa informação é usada para uma finalidade, em última análise, altamente rasteira: vender coisas por meio de anúncios online."
"Há uma espécie de reciclagem, ou de formação permanente para voltar a ser mulher, ou mãe, para voltar a ser criança - ou melhor, para passar a ser criança - pois os adultos é que são infantis. As crianças conseguem não sê-lo por algum tempo, enquanto não sucumbem a essa produção de subjetividade. Depois elas também se infantilizam." (Suely Rolnik e Félix Guattari)
domingo, 1 de outubro de 2017
"Essa cultura de massa produz, exatamente, indivíduos normalizados, articulados uns aos outros segundo sistemas hierárquicos,
sistemas de valores, sistemas de submissão - não sistemas de submissão visíveis e explícitos, como na etologia animal, ou como nas sociedades arcaicas au pré-capitalistas, mas sistemas de submissão muito mais dissimulados. E eu nem diria que esses sistemas são "interiorizados" ou "internalizados" de acordo com a expressão que esteve muito em voga numa certa época, e que implica uma ideia de subjetividade como algo a ser preenchido. Ao contrário, o que há é simplesmente uma produção de subjetividade. Nao somente uma produção da subjetividade individuada - subjetividade dos indivíduos - mas uma produção de subjetividade social, uma produção da subjetividade que se pode encontrar em todos os meios da produção e do consumo. E mais ainda: uma produção da subjetividade inconsciente. A meu ver, essa grande fábrica, essa grande máquina capitalística produz inclusive aquilo que acontece conosco quando sonhamos, quando devaneamos, quando fantasiamos, quando nos apaixonamos e assim por diante. Em todo caso, ela pretende garantir uma função hegemônica em todos esses campos." (Suely Rolnik e Félix Guattari)
sistemas de valores, sistemas de submissão - não sistemas de submissão visíveis e explícitos, como na etologia animal, ou como nas sociedades arcaicas au pré-capitalistas, mas sistemas de submissão muito mais dissimulados. E eu nem diria que esses sistemas são "interiorizados" ou "internalizados" de acordo com a expressão que esteve muito em voga numa certa época, e que implica uma ideia de subjetividade como algo a ser preenchido. Ao contrário, o que há é simplesmente uma produção de subjetividade. Nao somente uma produção da subjetividade individuada - subjetividade dos indivíduos - mas uma produção de subjetividade social, uma produção da subjetividade que se pode encontrar em todos os meios da produção e do consumo. E mais ainda: uma produção da subjetividade inconsciente. A meu ver, essa grande fábrica, essa grande máquina capitalística produz inclusive aquilo que acontece conosco quando sonhamos, quando devaneamos, quando fantasiamos, quando nos apaixonamos e assim por diante. Em todo caso, ela pretende garantir uma função hegemônica em todos esses campos." (Suely Rolnik e Félix Guattari)
Miolo de artigo do dono da Riachuelo no Globo:
<< A imprensa tem noticiado, embora sem o destaque devido, a ação de entidades de magistrados da Justiça do Trabalho que, a serviço de ideologia de esquerda retrógrada, tentam descumprir a nova lei trabalhista.
Reportagens já flagraram a circulação de cartilhas que subsidiam decisões para que a lei seja ignorada. Juízes são instruídos a boicotar a legislação nesses panfletos, que citam “princípios constitucionais de valorização do trabalho”, como se eles não estivessem contemplados na reforma. Ou são doutrinados a apelar a supostas normas internacionais que se sobreporiam à reforma.
É cristalino que essa elite burocrática encastelada no poder resiste a abrir mão de benefícios amealhados no passado. Sim, porque se há um interesse defendido nesse embate é o de promotores e juízes, e não dos trabalhadores.
Em vez de enfrentar de peito aberto o debate, argumentando perante o STF, preferem a vereda antidemocrática de boicotar na surdina uma reforma que foi aprovada pelos representantes do povo no Congresso.
A reforma trabalhista coloca o país na rota da modernidade na questão da relação entre capital e trabalho. Trata-se de uma dicotomia que não faz mais sentido no estágio em que se encontra o capitalismo, com garantia de direitos a todos. O discurso do “nós contra eles” definitivamente caducou. O conflito que se coloca agora é dos produtivos contra os parasitas. >>
<< A imprensa tem noticiado, embora sem o destaque devido, a ação de entidades de magistrados da Justiça do Trabalho que, a serviço de ideologia de esquerda retrógrada, tentam descumprir a nova lei trabalhista.
Reportagens já flagraram a circulação de cartilhas que subsidiam decisões para que a lei seja ignorada. Juízes são instruídos a boicotar a legislação nesses panfletos, que citam “princípios constitucionais de valorização do trabalho”, como se eles não estivessem contemplados na reforma. Ou são doutrinados a apelar a supostas normas internacionais que se sobreporiam à reforma.
É cristalino que essa elite burocrática encastelada no poder resiste a abrir mão de benefícios amealhados no passado. Sim, porque se há um interesse defendido nesse embate é o de promotores e juízes, e não dos trabalhadores.
Em vez de enfrentar de peito aberto o debate, argumentando perante o STF, preferem a vereda antidemocrática de boicotar na surdina uma reforma que foi aprovada pelos representantes do povo no Congresso.
A reforma trabalhista coloca o país na rota da modernidade na questão da relação entre capital e trabalho. Trata-se de uma dicotomia que não faz mais sentido no estágio em que se encontra o capitalismo, com garantia de direitos a todos. O discurso do “nós contra eles” definitivamente caducou. O conflito que se coloca agora é dos produtivos contra os parasitas. >>
"Fizemos o Experimental Jet Set, Trash and No Star meio que depois de irmos ao Japão com frequência, nos aprofundando na cena de noise industrial deles, como Boredoms, Masana e Merzbow. Acho que isso se refletiu no disco no finalzinho… Quando estávamos no Japão, a Kim comprou uma espécie de tapete de brinquedo em que você coloca as cartas em cima e, ao pressionar cada uma, sai um som de carro. Tem uma faixa escondida no fim do Experimental que é a gente pisando nesse tapete por uns dois minutos. Ela usou o brinquedo ao vivo, no palco. A gente pisava e fazia uns sons estranhos." (Lee Ranaldo)
"É interessante que o último show tenha sido no Brasil. É muito especial. Mas nos disseram que seria em São Paulo e nem foi realmente, de tão longe que era [foi em Paulínia, no SWU]. O dia estava chuvoso, escuro e cheio de lama, então talvez tenha sido um bom show de despedida." (Lee Ranaldo)
"As recomendações do relatório para reduzir esse quadro sinistro passam por uma Reforma Tributária com justiça social – o que teria sido mais importante para a qualidade de vida no país do que a Reforma Trabalhista, a Lei da Terceirização Ampla ou a PEC do Teto dos Gastos. Mas como morde o andar de cima, é algo tratado como doença morfética. (...) A respeito do retorno da taxação de dividendos recebidos de empresas por pessoas físicas. A área econômica analisava algo em torno de 12 a 15%. O Brasil é um dos únicos países desenvolvidos ou em desenvolvimento em que isso não acontece, fazendo com que as camadas mais altas que vivem de lucros paguem, proporcionalmente, menos impostos que os mais pobres. Quem reclama de bitributação não vê que o montante taxado hoje é pequeno em comparação ao resto do mundo." (Sakamoto)
Luís Nenung escreveu:
o auto-interesse
nos reduz imensaMente
pois diante de toda imensidão de possibilidades
pra integrar e interagir de forma aberta criativa
com o espaço e as circunstâncias
limitamos nossas escolhas ao mínimo
que pareça nos agraciar trazer elogios ou favorecer
a menor perspectiva
e assim nos repetimos
tediosaMente ~
imagem by Logan Zilmer ~
o auto-interesse
nos reduz imensaMente
pois diante de toda imensidão de possibilidades
pra integrar e interagir de forma aberta criativa
com o espaço e as circunstâncias
limitamos nossas escolhas ao mínimo
que pareça nos agraciar trazer elogios ou favorecer
a menor perspectiva
e assim nos repetimos
tediosaMente ~
imagem by Logan Zilmer ~
"Fique um momento em silêncio e deixe esse momento existir sem a imposição dos pensamentos. Dessa forma, ficamos conscientes do espaço, ao invés do conteúdo." (Eckhart Tolle)
Da página do facebook Imagens & História:
Em 1974, Marina Abramovic fez uma performance em que ela dizia para visitantes que não se moveria durante seis horas, não importa o que fizessem com ela. Ela colocou à disposição em uma mesa do seu lado 72 objetos que poderiam ser usados para agradar ou destruir, incluindo desde flores até uma faca e uma arma carregada. Ela convidou os visitantes a usar os objetos nela da maneira que desejassem.
Inicialmente, disse Abramović, visitantes estavam pacíficos e tímidos, mas se tornaram violentos rapidamente: “ A experiência que eu aprendi foi que… se você deixar a decisão para o público, você pode ser morta… Eu me senti muito violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosas na minha barriga, uma pessoa apontou a arma para a minha cabeça, e outra tirou a arma de perto. Isso criou uma atmosfera agressiva. Após exatamente 6 horas, como planejei, eu me levantei e comecei a andar em direção ao público. Todos fugiram correndo, escapando de um confronto real.”
Esta performance revelou algo terrível sobre a humanidade, similar ao que o Experimento da prisão de Stanford, de Philip Zimbardo e o Experimento de obediência de Stanley Milgram, também mostraram a rapidez com que pessoas se agridem dependendo das circunstâncias.
Essa performance mostrou como é fácil desumanizar uma pessoa que não pode se defender, e é particularmente poderosa porque desafia o que achamos que sabemos sobre nós mesmos.
Em 1974, Marina Abramovic fez uma performance em que ela dizia para visitantes que não se moveria durante seis horas, não importa o que fizessem com ela. Ela colocou à disposição em uma mesa do seu lado 72 objetos que poderiam ser usados para agradar ou destruir, incluindo desde flores até uma faca e uma arma carregada. Ela convidou os visitantes a usar os objetos nela da maneira que desejassem.
Inicialmente, disse Abramović, visitantes estavam pacíficos e tímidos, mas se tornaram violentos rapidamente: “ A experiência que eu aprendi foi que… se você deixar a decisão para o público, você pode ser morta… Eu me senti muito violada. Cortaram minhas roupas, enfiaram espinhos de rosas na minha barriga, uma pessoa apontou a arma para a minha cabeça, e outra tirou a arma de perto. Isso criou uma atmosfera agressiva. Após exatamente 6 horas, como planejei, eu me levantei e comecei a andar em direção ao público. Todos fugiram correndo, escapando de um confronto real.”
Esta performance revelou algo terrível sobre a humanidade, similar ao que o Experimento da prisão de Stanford, de Philip Zimbardo e o Experimento de obediência de Stanley Milgram, também mostraram a rapidez com que pessoas se agridem dependendo das circunstâncias.
Essa performance mostrou como é fácil desumanizar uma pessoa que não pode se defender, e é particularmente poderosa porque desafia o que achamos que sabemos sobre nós mesmos.
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Odyr Bernardi escreveu:
Não tenho forças ou disposição pra defender performance de gente pelada, uma novidade tão velha que essa indignação está uns 50 ou 70 anos atrasada, no mínimo. Ou rebater o absurdo do argumento que é "defender pedofilia" - quem é que defende pedofilia, gente, nem o pedófilo, que só quer permanecer nas sombras. O que me incomoda e entristece em mais esse tragicômico episódio é não ver uma solução de curto ou médio prazo pra essa guerrilha cultural efetuada por gente de mau caráter, que sai acendendo uma fogueira nova toda semana para mostrar sua capacidade de criar ruído e gerar mobilização( e em última instância, adquirir valor simbólico para chegar ao poder).
Vejo com tristeza no meio disso tudo o uso como massa de manobra de pessoas basicamente decentes, que não tem uma convivência com arte e que parecem não entender como a internet funciona - não investigam essas provocações, tomam esses recortes de conteúdo literalmente, reagem passionalmente a essas indignações pré-fabricadas.
As soluções reais - uma educação humanista de qualidade que inclua arte e filosofia, um aprendizado da leitura crítica, levariam uma geração pra acontecer. E não há nenhuma vontade política nesse sentido. Então ficamos aqui apagando esses incêndios ridículos, dando explicações que não são entendidas ( e provavelmente não se espalham além da bolha), enquanto o fosso se aprofunda e essa direita falsamente moralista conquista corações e mentes e clichês ancestrais são requentados e revitalizados - o artista amoral, a esquerda perversa sexualmente, a arte que não é arte, os museus que não servem pra nada, o dinheiro público desperdiçado nesses fins inúteis, etc, etc.
Todas nossas explicações a posteriori não apagam o estrago que essas intervenções pontuais fazem no imaginário popular. E, pior, elas são só as preliminares (ou lubrificante, escolha sua metáfora) para algo bem pior - um projeto de poder autoritário e obscurantista. Cadê a luz no fim desse túnel, amigos?
Não tenho forças ou disposição pra defender performance de gente pelada, uma novidade tão velha que essa indignação está uns 50 ou 70 anos atrasada, no mínimo. Ou rebater o absurdo do argumento que é "defender pedofilia" - quem é que defende pedofilia, gente, nem o pedófilo, que só quer permanecer nas sombras. O que me incomoda e entristece em mais esse tragicômico episódio é não ver uma solução de curto ou médio prazo pra essa guerrilha cultural efetuada por gente de mau caráter, que sai acendendo uma fogueira nova toda semana para mostrar sua capacidade de criar ruído e gerar mobilização( e em última instância, adquirir valor simbólico para chegar ao poder).
Vejo com tristeza no meio disso tudo o uso como massa de manobra de pessoas basicamente decentes, que não tem uma convivência com arte e que parecem não entender como a internet funciona - não investigam essas provocações, tomam esses recortes de conteúdo literalmente, reagem passionalmente a essas indignações pré-fabricadas.
As soluções reais - uma educação humanista de qualidade que inclua arte e filosofia, um aprendizado da leitura crítica, levariam uma geração pra acontecer. E não há nenhuma vontade política nesse sentido. Então ficamos aqui apagando esses incêndios ridículos, dando explicações que não são entendidas ( e provavelmente não se espalham além da bolha), enquanto o fosso se aprofunda e essa direita falsamente moralista conquista corações e mentes e clichês ancestrais são requentados e revitalizados - o artista amoral, a esquerda perversa sexualmente, a arte que não é arte, os museus que não servem pra nada, o dinheiro público desperdiçado nesses fins inúteis, etc, etc.
Todas nossas explicações a posteriori não apagam o estrago que essas intervenções pontuais fazem no imaginário popular. E, pior, elas são só as preliminares (ou lubrificante, escolha sua metáfora) para algo bem pior - um projeto de poder autoritário e obscurantista. Cadê a luz no fim desse túnel, amigos?
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