Brit Marling, sobre o abuso em Hollywood:
<< Eu acho que é importante entender que, quando Harvey Weinstein marcou um encontro comigo em 2014 - quando a indústria sentenciou que eu era uma legítima carne fresca - eu estava, em algumas formas, numa posição ligeiramente diferente do que muitas que tiveram que encontrá-lo antes de mim.
Eu, também, fui ao encontro pensando que talvez minha vida inteira estivesse prestes a mudar para melhor. Eu, também, fui convidada a encontrá-lo no bar de um hotel. Eu, também, encontrei uma jovem assistente, que disse que o encontro tinha sido transferido para a suíte porque ele era um homem muito ocupado. Eu, também, fiquei calma com a presença de outra mulher da minha idade. Eu, também, senti terror na boca do estômago quando a jovem mulher deixou o quarto e eu fiquei, de repente, sozinha com ele. Eu, também, fui perguntada se eu queria massagem, champanhe, morangos. Eu, também, sentei naquela cadeira paralisada pelo medo quando ele sugeriu que deveríamos tomar um banho juntos. O que eu poderia fazer? Como não ofender esse homem, esse abridor de portas, que poderia tanto me consagrar como me destruir?
Estava claro que havia apenas uma direção que ele almejava para esse encontro, que era sexo ou alguma forma de troca erótica. Eu consegui reunir meus pedaços - um punhado de nervos em chamas, mãos tremendo e voz perdida em minha garganta - e fui embora do quarto.
Mais tarde, sentei no meu quarto de hotel sozinha e chorei. Chorei porque entrei no elevador quando eu já desconfiava. Chorei porque eu deixei ele tocar nos meus ombros. Chorei pelas outras vezes na minha vida, sob outras circunstâncias, em que não fui capaz de sair.
Consentimento é uma função de poder. Você tem o módico poder de dá-lo. Neste momento, muitas mulheres estão contando suas histórias de terem sido assediadas ou abusadas pelo Weinstein. Todas são corajosas, incluindo aquelas que não conseguiram encontrar uma saída. Pensando em mim, eu fui capaz de deixar o hotel naquele dia porque eu entrei não só como atriz, mas também como roteirista/criadora. Com essa dupla persona em mim, atriz e roteirista, foi a roteirista que levantou e foi embora. Porque a roteirista sabe que, mesmo se esse homem poderoso nunca lhe der um emprego em qualquer de seus filmes, mesmo se ele a colocar na lista negra ainda de filmes dos outros, ela pode fazer seu próprio trabalho, em seus próprios termos, e isso garantirá um telhado sobre sua cabeça. >>
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segunda-feira, 23 de outubro de 2017
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