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domingo, 30 de dezembro de 2007

"Economize o dinheiro do ingresso. O misticismo do antigo povo Maia foi a inspiração para 'A fonte da vida', filme-bomba que recebeu vaias homéricas em sua pré-estréia no Festival de Veneza. A platéia ficou confusa e desapontada. No Festival do Rio também teve uma recepção fria. Vendido como 'uma odisséia sobre amor, morte e espiritualidade', tem um roteiro estranho, sobre um homem que busca ao longo de três encarnações (!) uma forma de vencer a morte (!!) e, nesse rocambole fantasioso, ocorre até um encontro com Deus (!!!). No elenco, Hugh Jackman (de 'X-Men') e Rachel Weisz (Oscar de melhor atriz por 'O jardineiro fiel'). Bizarro. Fuja." (alguém)
[30 MELHORES DISCOS DE 2007]

01. Animal Collective - Strawberry jam
02. Earth - Hibernaculum
03. Blonde Redhead - 23
04. Arcade Fire - Neon bible
05. Nadja - Touched + Guilted by the sun + Radiance of shadows
06. Spoon - Ga ga ga ga ga
07. Yoko Ono - Yes, I'm a witch
08. Suzanne Vega - Beauty and crime
09. The Twilight Sad - Fourteen autumns and fifteen winters
10. Avey Tare & Kria Brekkan - Pullhair rubeye
11. PJ Harvey - White chalk
12. KT Tunstall - Drastic fantastic
13. Broken Social Scene Presents Kevin Drew - Spirit if...
14. Eddie Vedder - Into the wild
15. Einstürzende Neubauten - Alles wieder offen
16. Health - Health
17. XXL - ¿Spicchiology?
18. The Kissaway Trail - The kissaway trail
19. Feu Thérèse - Ça va cogner
20. The New Pornographers - Challengers
21. Keren Ann - Keren Ann
22. Gogol Bordello - Super taranta!
23. Melt-Banana - Bambi's dilemma
24. Bright Eyes - Cassadaga
25. Art Brut - It's a bit complicated
26. The Polyphonic Spree - The fragile army
27. Alan Vega - Station
28. Thurston Moore - Trees outside the academy
29. Stars - In our bedroom after the war
30. Rilo Kiley - Under the blacklight


[50 MELHORES MÚSICAS DE 2007]

01. The New Pornographers - Adventures in solitude
02. Stars - The night starts here
03. The New Pornographers - My rights versus yours
04. Stars - Midnight coward
05. Gogol Bordello - American wedding
06. Animal Collective - For Reverend Green
07. Arcade Fire - No cars go
08. Avey Tare & Kria Brekkan - Sasong
09. Arcade Fire - My body is a cage
10. Broken Social Scene Presents Kevin Drew - Lucky ones
11. Paul McCartney - Dance tonight
12. Yeah Yeah Yeahs - Rockers to swallow
13. The Shins - Sleeping lessons
14. Róisín Murphy - Overpowered
15. Travis - Selfish Jean
16. KTL - Theme
17. Bright Eyes - Clairaudients (kill or be killed)
18. Justice - The party
19. The Polyphonic Spree - The championship
20. The Kissaway Trail - Forever turned out to be too long
21. Melt-Banana - Cracked plaster cast
22. Super Furry Animals - Into the night
23. Alan Vega - Station station
24. Keren Ann - It ain't no crime
25. Radiohead - House of cards
26. Valet - Blood is clean
27. Prinzhorn Dance School - Worker
28. Sarah Shannon - City morning song
29. Bill Callahan - From the rivers to the ocean
30. XXL - Daydrinking
31. Rilo Kiley - Dreamworld
32. Blonde Redhead - 23
33. Thurston Moore - Fri/end
34. Mirah & Spectratone International - Song of psyche
35. Múm - Moon pulls
36. Björk - Declare independence
37. Bodies Of Water - We will be apart
38. Dan Deacon - Wham city
39. Blitzen Trapper - Hot tip/tough cub
40. Spoon - The ghost of you lingers
41. Neil Young - Ordinary people
42. Husky Rescue - Blueberry tree (part I)
43. Port-Royal - Roliga timmen (longing machines)
44. Panda Bear - Comfy in nautica
45. Queens Of The Stone Age - River in the road
46. Caribou - After hours
47. The White Stripes - Icky Thump
48. U.N.K.L.E. & Robert "3D" Del Naja - Twilight
49. Neurosis - Nine
50. Air & Jarvis Cocker - One hell of a party

sábado, 29 de dezembro de 2007

O escritor com quem eu mais me identifico.

"(...) E agora, a pergunta fundamental: para que serve o cérebro, vulgo miolos? Serve para tudo porque serve para pensar. Mas, atenção, não vamos nós cair agora na superstição comum de que tudo quanto enche o crânio está relacionado com o pensamento e os sentidos. Imperdoável engano, senhoras e senhores. A maior parte desta massa contida no crânio não tem nada a ver com o pensamento, não risca nada para aí. Só uma casca muito fina de substância nervosa, chamada córtice, com cerca de três milímetros de espessura, e que cobre a parte anterior do cérebro, constitui o órgão da consciência. Repare-se, por favor, na perturbadora semelhança que há entre o que chamaremos um microcosmo e o que chamaremos um macrocosmo, entre os três milímetros de córtice que nos permitem pensar e os poucos quilómetros de atmosfera que nos permitem respirar [remete a 'Sobre verdade e mentira', do Nietzsche], insignificantes uns e outros e todos, por sua vez, em comparação nem sequer com o tamanho da galáxia, mas com o simples diâmetro da terra. Pasmemoms, irmãos, e oremos ao Senhor. (...)"

Conto 'Cadeira', livro 'Objecto quase', José Saramago.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Citações do Noel Gallagher.

"De todos os NME Awards esse com certeza foi o mais... recente." (sobre o NME Awards 2007)
"Liam é o rei da galera. Eu não. Eu sou o rei dos reis."
"Progresso é ir para frente. Ir para trás é regresso. Ir para o lado é apenas gresso."
Gostei. A música experimental no Brasil é desleixada. É brincadeira feita por adultos, mas sem a naturalidade ousada e criativa da criança e sem o pensamento planejador e conceitual do adulto.

***

Organizei cronologicamente hoje, finalmente, também, a papelada que registrou minha atividade em música (Larissa No Penhasco, Poliéster, O Restaurante Do Fim Do Universo, Tom Bloch, Blanched, Pelicano, input_output, Hotel), discotecagem, literatura (Ambivalência, Feira do Livro, Póquets e Mini-Mundo) e fotografia (exposição Mínimo Intenso, prêmios). Que venham os próximos papéis.

***

Não comentei aqui ainda. A Tainá disse no blog dela que demite o David Lynch. Pois comigo ele também não trabalha mais. Com a liberdade alcançada pelo uso do vídeo, depois de alguns minutos de genialidade em 'INLAND EMPIRE', ele mergulha na loucura total e não volta mais, deixando o espectador mofando à espera de algum sinal da narrativa. Há teorias póstumas que investigam a existência de três filmes concomitantes e três tempos concomitantes, mas o que era puro prazer em longas menos logos, tornou-se tortura com a dilatação do tempo. Por falar em longa longo, adorei 'Os infiltrados', exceto a morte aquela (quem viu sabe de qual estou falando). 'O cachê' e o já mencionado 'A vida secreta das palavras' também são filmes interessantes.

***

"Meu feijãozinho. Vou ter saudade de carregar vocês assim, como se fossem uma berinjela." Foi o que eu acabei de falar para os dois gatinhos aqui do lado.

***

Multipost, isto é sinal de que estou de recesso. Até dia 7. Eu nasci para não estar no trabalho, mesmo que o meu atual seja o mais agradável até hoje. A carga horária reduzida de 6 horas não basta para mim, porque eu preciso engrenar. Uma manhã é pouco, sabendo que logo mais eu terei que ir automaticamente para a obrigação diária.

***

Semana que vem terei minha terceira sessão de terapia, numa tentativa de retomada, já que encontrei uma junguiana que atende pela Unimed. Terapia quinzenal, a Unimed pagando uma e eu pagando a outra do mês, para que continue sobrando dinheiro no fim do mês. Desta vez, o objetivo é investigar o meu problema com a criação e o trauma da morte do Fuzzy. Quem cor será que dá azul com laranja? Acho que espalhei tanto azul separado de laranja aqui em casa - (até os botões do Blogger aqui em baixo são dessas cores) em almofadas e jacarezinhos de miçangas, remontando às cores do 'Ambivalência', que justamente significam, respectivamente, depressão e sublimação - que a bipolaridade parece ter se materializado na minha vida, principalmente a polaridade azul. Mas estes últimos dois dias estão sendo diferentes, espero que continue (mais) assim - mais azanja ou larul.

***

Outra coisa nova que estou fazendo é a musculação, receita de ortopedista para as minhas tendinites. Até agora estou gostando. Passa rápido (principalmente com a ajuda do iPod na esteira) e saio me sentindo bem. Ganhar força vai me ajudar na saúde e no futsal. O ambiente é mais leve e mais claro do que o do tai chi chuan e o da yoga. E mais caro, talvez por isso mesmo. Ar condicionado inclusive.

***

Vem aí CGH.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Blanched em duas listas de melhores discos de 2007 publicadas na Trama Virtual.


Guilherme Barrella (Open Field/Peligro)

01. Bodes & Elefantes: Bodes & Elefantes (Submarine)
02. Bonifrate: Os Anões da Villa do Magma (Open Field/Peligro)
03. Contra Fluxo: SuperAção (Independente)
04. Wandula: La Récréation (Independente)
05. Hurtmold: Hurtmold (Submarine)
06. Rua de Baixo: Envelhecido 13 Anos (Independente)
07. Blanched: Avalanched (Open Field/Peligro)
08. MJP: Passagenz e Interferênciaz (Independente)
09. Pan&Tone: Estéreo Tipo ou Panorâmico Tonal (Open Field/Peligro)
10. Satanique Samba Trio: Sangrou (Amplitude)


Dago Donato (Trama)

01. Kassin +2: Futurismo (Ping Pong)
02. Hurtmold: Hurtmold (Submarine)
03. Bonifrate: Os Anões da Villa do Magma (Open Field/Peligro)
04. Turbo Trio: Baile Bass (YB)
05. Contra Fluxo: SuperAção (Independente)
06. Nação Zumbi: Fome de Tudo (Deck Disc)
07. Gui Boratto: Chromophobia (ST2)
08. Autoramas: Teletransporte (Mondo 77)
09. China: Simulacro (Candeeiro)
10. Blanched: Avalanched (Open Field/Peligro)


Josef: I thought um, you and I, maybe we could go away somewhere. Together. One of these days. Today. Right now. Come with me.
Hanna: No, I don't think that's going to be possible.
Josef: Why not?
Hanna: Um, because I think that if we go away to someplace together, I'm afraid that, ah, one day, maybe not today, maybe, maybe not tomorrow either, but one day suddenly, I may begin to cry and cry so very much that nothing or nobody can stop me and the tears will fill the room and I won't be able to breath and I will pull you down with me and we'll both drown.
Josef: I'll learn how to swim, Hanna. I swear, I'll learn how to swim.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O Jeff Tweedy é um porra dum cagalhão. Não, isto não é um elogio.
é uma boa coisa que as pessoas nunca se olhem nos olhos
elas perceberiam que os meus estão sempre lacrimejando.


Anônimo. E lindo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

"Nietzsche disse que 'a arte existe pra que a verdade não nos destrua'. O artista é uma criança que age por impulso e que ajuda a encantar o mundo, que é uma construção racional, real, séria, adulta. Visão ingênua, romântica? O que pode ser mais sério do que a idéia da verdade? Qual é a verdade da criança? Só as verdades relativas, que se montam e se desmontam fugazmente como jogos, ludicidade pura, a capacidade primordial dos homens de não dar solidez a nada, de esculpir o mundo e a vida o tempo todo, agindo por impulso, que não é outra coisa que não a forma da energia. E o que ocorre quando o artista não brinca e não brinca porque não pode brincar? E por quê ele não pode brincar? Talvez porque não haja por que brincar, por quem ou com quem brincar. Num curso de cosmologia e complexidade que fiz no início desse ano com o físico Carlos Alberto, da UFRJ - figura alucinante, diga-se de passagem - teve uma afirmação dele que ficou ecoando nos meus ouvidos: 'Uma sociedade que não tolera a arte só pode estar sofrendo de alguma enfermidade muito séria.' Isso me fez pensar imediatamente nas pessoas que esnobam, criticam e se irritam com o aparente hermetismo de certas obras, sejam filmes, música ou instalações. Discussão antiga, eu sei. Ora, alguma outra dúvida de que o fazem por melancólica ignorância? (...)" (Muriel Paraboni)

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"O projeto Hotel, de Douglas Dickel (Blanched, input_output, Pelicano), é um trabalho vigoroso de como sessões de improviso roqueiro podem ser divertidas e interessantes. A vitalidade do álbum deixa bem claro o prazer desse tipo de evento para os músicos - aqui Marcelo Koch (Blanched), Renan Stiegemeier (Farveste, Pelicano) e Yury Hermuche (FireFriend). A jam foi gravada em 2006 e é o primeiro trabalho de uma série, cujo segundo volume já está gravado e pronto para sair [sic]. Ainda que a inspiração tenha sido as Desert Sessions, de Josh Homme (Queens Of The Stone Age), o resultado aqui é uma certa psicodelia filtrada por tratamento tipicamente guitar noise - seja pelos timbres dos instrumentos ou pela cozinha rítmica. As músicas calcadas em loops de bateria e guitarra encontram variações no trabalho de guitarras [sic], calcados em barulho e efeitos de guitarra mil. O release cita Acid Mother Temple. É justo. Mas acrescente aí grupos contemporâneos que adotam dinâmica similar a um Yo La Tengo. Trabalho que só um selo como a Open Field poderia lançar." (Arthur Dantas/Revista +Soma)
Alguém tem uma foto recente do Pitágoras?
Rapaz, cadê a sua cunhada?


Tropa Macaca - Marfim (2007)

"De todas as propostas desta nova música periférica, os Tropa Macaca são uma das que mais evoluiu ao longo dos tempos (curtos, claro, que isto ainda agora começou). São hoje um dos projectos mais interessantes de uma música portuguesa menos interessada em seguir guiões já conhecidos e standardizados. Marfim, nas duas peças que o compõem, tem entrada directa para o panteão dos discos mais interessantes desta nova geração de músicos – que anda por aí a desbravar terreno. Ju-Undo (Joana da Conceição) e Símio Superior (André Abel), munidos de electrónicas várias e guitarras, estabelecem uma série de protocolos sonoros que procuram quase invariavelmente um local de confronto. Isto equivale a dizer que 'Marfim' está longe de ser um disco confortável e conformista." (André Gomes/Bodyspace)

Tropa Macaca
O templo do ruído
Por André Gomes, 17/01/06


"Em todos os projectos musicais – com a excepção daqueles que nos chegam como produto e são resultado de uma operação de marketing que junta indivíduos ao acaso – existe um elo de ligação anterior. Um elo a partir do qual se cria outro tipo de elo – o musical. Os Tropa Macaca . . . partem da vida que têm juntos (como, digamos, 'companheiros de vida' que são) para a partir daí criarem música. (...) Ju-Undo (Joana da Conceição, artista plástica) e Símio Superior (André Abel) fazem música como resposta ao tempo. Exploram o ruído num relógio sem ponteiros e a aproveitam a energia que existe entre ambos para criar. De um lado, Símio Superior traça texturas com a guitarra, no outro, Ju-Undo manipula a electrónica. Ambos procuram de formas distintas chegar ao mesmo local. Aqui, Joana da Conceição e André Abel, entre outras coisas, desenvolvem aquela que é a ideia principal da união musical dos Tropa Macaca, em jeito de manifesto de intenções: a inspiração na vida 'como validação de efemeridade truncada no tempo'."

(...)

Tencionam ou imaginam-se algum dia a viver exclusivamente da música?

Em Coro: Não.

Os vossos interesses na música são semelhantes? Há algum conflito no processo criativo, nas decisões a tomar e nas direcções a seguir musicalmente falando?

A.A.: Existe bué de conflito, os backgrounds e as sensibilidades estéticas diferem e digladiam-se a cada novo ensaio, conversa, concerto. O que poderá ser considerado, na minha perspectiva, como algo em comum ou unificador será a vontade de agarrar algo que nos consuma por inteiros, uma toada de som que nos faça querer foder o mundo inteiro.

J.C.: Existem muitos conflitos, mas existe uma paz que advém da irresponsabilidade que ambos sentimos face ao que deveríamos ser e isso direcciona, entre outras coisas, a tropa.

Como é para vocês compor musica juntos? Dizem que se inspiram na vida que têm juntos como validação da efemeridade truncada no tempo... Quais são as implicações práticas dessa união musical?

J.C.: Nós fazemos música juntos, isso é verdade, mas não vejo isso com o carácter de união, é uma junção. A união de cada um de nós é com o tempo, com o espaço, com as pessoas, o trabalho de cada um é fruto desse triângulo, quando tocamos juntos funcionamos como um quadrilátero, que é a junção dos dois triângulos.
Actualmente passamos a maior parte da nossa vida juntos, é tudo o que passa por ela que nos seduz, que nos motiva, mas somos sempre indivíduos, as coisas tocam-nos de forma diferente. Mas como dissemos há pouco, existe algo intrínseco a cada um de nós que é comum, penso que é por essa mesma razão que o concerto com Fish & Sheep resultou. Tudo está inscrito no tempo, a consciencialização da nossa efemeridade torna-nos irresponsáveis e livres. Essa brevidade faz-nos arder mais depressa e penso que isso se transmite na música que fazemos.

A.A.: Eu não acho que se possa falar em composição, prefiro algo como uma delineação de estratégias de abordagem a algo que temos cá dentro e que queremos que se concretize em dinâmica de som, batida, oscilação, como quiseres qualificar. Nesse sentido, acho que acabamos por ter uma postura bastante pragmática mas o caminho até a um nivelamento de satisfação mútua é por vezes uma tortura, berramos e ofendemo-nos mutuamente por vezes, elevam-se tensões que torna a coisa mais extática quando finalmente agarramos a besta e a sacudimos no ar.

Imagino que o processo de composição seja necessariamente algo distinto daquele que acontece numa banda como, por exemplo, os Dance Damage... A familiaridade natural no seio do projecto não obrigará a uma dose redobrada de esforço e dedicação?

J.C.: A ligação extra música é forte, passamos muito tempo juntos e isso representa parte importante na forma como trabalhamos, de facto, é já em si alimento da tropa. Normalmente não compomos, como uma banda como os Dance Damage, o que não obriga a um ensaio rígido trata-se mais de expurgar demónios e trocar figurações de beleza, portanto, ao contrário de ensaiar uma composição definida, procuramos a liberdade da composição instantânea. Agora se isso exige mais tempo ou não que uma banda que compõe, depende! Exige isso sim sintonia, que não advém exclusivamente do tempo investido em ensaios, mas também da partilha de diversas experiências.

A.A.: Eu acho que levamos isto na boa, é apenas mais uma dimensão da nossa vida e, por mim, sinto-me motivado a continuar a investir tempo e energia com paixão pelo potencial que partilhamos.

J.C.: Queremos chegar a uma composição livre. Na música como noutras áreas de acção do ser humano existem códigos mais ou menos rígidos que promovem um género de conduta, que se pode tornar asfixiante. Mas a música trata de som, um discurso onde os cânones não são tão rígidos como os da linguagem por exemplo, e por isso a música é um caminho mais próximo para as vísceras. (...)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

"Do que eu sinto falta hoje em dia é de classe. Sem truques, sem tolerar estupidez, sem comprar afeições." (Jack Nicholson)
O último vídeo meu e do Fuzzy, recém subido no YouTube, simboliza bem aquela relação que eu descrevi no post grande aquele. E eu publiquei no Flickr nossa última foto também. Que saudade. Agora já faz mais de um mês.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Minha lista de melhores discos (e músicas) do ano (de 2007) foi publicada (pelo segundo ano consecutivo) na seção Tops Ilustres, da revista online portuguesa Bodyspace. (E aqui ninguém se interessa pela minha dedicação à pesquisa musical, aqui eu sou invisível.) Estou lá ao lado da Marissa Nadler.
"Ideas are like fish. If you want to catch little fish, you can stay in the shallow water. But if you want to catch the big fish, you've got to go deeper. Down deep, the fish are more powerful and more pure. They're huge and abstract. And they're very beutifull. I look for a certain kind of fish that is important to me, one that can translate to cinema. But there are all kinds of fish swimming down there. There are fish for business, fish for sports. There are fish for everything. Everything, anything that is a thing, comes up form the deepest level. Modern physics calls that level the Unified Field. The more your consciousness - your awareness - is expanded, the deeper you go toward this source, and the bigger the fish you can catch."

Introdução de Catching The Big Fish, livro de David Lynch lançando no ano passado, junto com seu último filme, Inland Empire, e que lhe rendeu, tanto quanto ao filme, críticas as mais severas, tendo sido por muitos tachado de auto-ajuda. No livro, única obra escrita de punho até hoje pelo mestre, Lynch fala de meditação transcedental, auto-consciência e criatividade, num depoimento simples, claro e direto acerca da sua sem dúvida iluminada visão de mundo. (Muriel Paraboni)


Meu conhecido que processou o Orkut e vai ganhar R$ 7.000 falou com o Maurício Renner, que noticiou o fato no site Baguete.


"Também temos outro lançamento da Open Field [o 35º já!], dessa vez por conta dos gaúchos da Blanched, que mesmo enfrentando uma pausa forçada aparecem com outra pepita do post-rock como só eles sabem fazer." (Guilherme Barrella)





Blanched "Avalanched" (Open Field / Peligro) * cd-r * R$ 15,00 > post-rock; experimental
"Gravado em 2006, o terceiro registro do grupo gaúcho finalmente surge à tona, numa época em que o quinteto passa por um hiato indeterminado. Se no último capítulo, 'Blanched toca Angelopoulos', de 2004, seguiam com precisão a escola pós-Mogwai de Mono e Explosions in the Sky, agora vemos uma banda mais madura, de composições livremente estruturadas e afinações atípicas, experimentando novos instrumentos como flauta transversal (sic) e acordeão."

01. Avalanche #
02. Barbaritude
03. O Final de O Incrível Hulk
04. Avalanched
05. Cora
06. Valsa #

Ouça: Barbaritude
Ouça: O Final de O Incrível Hulk

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

isto é o filme mais longo
em que eu já estive
isto é a vida como se fosse um filme
tão real ao toque
sentimentos injetados
sem fade out no final

isto é o mesmo enquadramento pausado
que nos mantêm como lanternas congeladas
num meio abraço
isto é o filme que pode durar para sempre
eternamente na tela
isto é o telefone fora do gancho



Continua... e é do Lee Ranaldo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

[calamidade]

se as nuvens negras
tornarem-se ainda
mais tenebrosas
então eu chego à
escuridão completa
DISCOS PARA 2008

Cat Power - Covers II
Hello, Blue Roses - Hello, Blue Roses
Be Your Own Pet [Title TBA]
Blur [Title TBA]
The Breeders [Title TBA]
Built To Spill [Title TBA]
Elbow [Title TBA
Noel Gallagher [Title TBA]
Guns N' Roses - Chinese Democracy
Shirley Manson [Title TBA]
Massive Attack - Weather Underground
Nine Inch Nails - Year Zero Part 2
Portishead [Title TBA]
R.E.M. [Title TBA]
Roxy Music [original lineup including Brian Eno] [Title TBA]
Patti Smith [Title TBA]
Spiritualized [Title TBA]
Supergrass [Title TBA]
Tapes 'N Tapes [Title TBA]
Tortoise [Title TBA]
Scott Weiland [Title TBA]
Autechre - Quaristice
Destroyer - Trouble in Dreams
My Bloody Valentine

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Sete horas de um gato confortável em 48 segundos.
Um estagiário que eu atendo na Justiça do Trabalho teve um perfil falso criado no Orkut e processou o Google, pedindo R$ 7.000 por danos morais e ineficiência no atendimento ao consumidor. O juiz do primeiro grau (Fórum/Vara) deu a sentença como improcedente. Ele recorreu no segundo grau (Tribunal/Turma), que deu procedência em parte à sua causa, resultando em R$ 5.000 de indenização. Eis o acórdão (nome dado, no segundo grau, à sentença).
Mais 'Blindness', por seu diretor.

"Deu duas horas e quarenta minutos. Muito longo. Como não pretendo ficar gastando o precioso tempo do espectador, minha idéia é deixar este filme com umas duas horas no máximo, então a próxima missão era jogar 40 minutos no lixo e tentar achar uma história com bom ritmo no que sobrar. (...) Em cinco dias, chegamos ao primeiro corte que baixou para duas horas e vinte e cinco minutos. Tirar 15 minutos de cara foi um bom começo, mas ainda faltava tirar mais uns 15. É neste ponto que a coisa vai ficando mais complicada. Tem um momento em que as cenas já chegaram no tamanho certo, mas o filme ainda está longo. Se cortar mais as cenas, o filme fica frenético, sem clima, mas se não diminuir a duração total, o filme fica arrastado. Filme lento é bom mas filme arrastado é imperdoável e não há nada pior do que ouvir na saída do cinema o camarada dizer: 'O filme é bom mas poderia ter 15 minutos a menos'. 'Vá lá tentar cortar então, sabichão!', dá vontade de responder. Mas como este não é um problema do espectador, a solução foi pegar estas duas horas e vinte e cinco que tínhamos no primeiro corte e partir para a terceira rodada da montagem em direção ao segundo corte.

"Nesta nova passada, como tudo que estava visivelmente sobrando já havia caído, os cortes são praticamente invisíveis. Vão embora as pausas nas falas dos atores. (Alguns atores tendem a alongar as suas pausas ou para ganhar mais tempo de tela ou, às vezes, por terem esquecido suas falas. Cortando de uma câmera para a outra esse, tempo morto some.) Uma caminhada pelo corredor é abreviada, uma chave que gira na porta é substituída apenas pelo som, cortam-se dois passos do ator em direção ao carro, falas de início de cena são sobrepostas na cena anterior, textos que não sejam realmente importantes são eliminados e, usando um grande repertório de truques como estes, o filme vai ganhando ritmo. Nesta terceira passada, chegamos a duas horas e dezessete minutos, melhor, mas pelo menos mais uns 10 minutos devem sair só que já não há mais de onde tirar gordura então esta é a hora de pensar quais cenas podem ser despachadas direto para o DVD, em geral cenas que são boas mas que manteriam a história em pé se fossem cortadas. É neste ponto que estou hoje. Cortando cenas boas. (...)" (Fernando Meirelles)

Em tempo:

"Tudo na cena está ruim? Corta para um close da Julianne Moore. Aí é xeque-mate." (Fernando Meirelles)

domingo, 2 de dezembro de 2007

"Deve acontecer com muitos músicos terem mais reconhecimento fora das fronteiras do seu país. Não te deixes desanimar com isso. Como diz a sabedoria popular, 'ninguém é profeta na sua terra...'. No Bodyspace [de Portugal], preocupamo-nos, é certo, em dar visibilidade a projectos que ainda não a tiveram apesar de o merecerem. Boa sorte daqui para a frente." (Eugénia Azevedo)