Eliane Brum, como escreve!:
' ' O novo presidente representa, principalmente, o brasileiro que nos últimos anos sentiu que perdeu privilégios. Nem sempre os privilégios são bem entendidos. Não se trata apenas de poder de compra, o que é determinante numa eleição, mas daquilo que dá chão a uma experiência de existir, aquilo com que faz com que aquele que caminha se sinta em terra mais ou menos firme, conheça as placas de sinalização e entenda como se mover para chegar onde precisa.
Vária irrupções perturbaram esse sentimento de caminhar em território conhecido, em especial para o homem branco e heterossexual. As mulheres disseram a eles com uma ênfase inédita que não seria mais possível fazer gracinhas nas ruas nem assediá-las nos trabalho ou em qualquer lugar. A violência sexual foi exposta e reprimida. A violência doméstica, quase tão comum quanto o feijão com arroz (“um tapinha não dói”) foi confrontada pela Lei Maria da Penha. Afirmar que uma “mulher era mal comida” se tornou comentário inaceitável de um neandertal.
Na mesma direção, os LGBTI se fizeram mais visíveis na exigência dos seus direitos, entre eles o de existir, e passaram a denunciar a homofobia e a transfobia. Figuras públicas como Laerte Coutinho anunciaram-se como mulher sem fazer cirurgia para tirar o pênis. O que há entre as pernas já não define ninguém. E a posição de homem heterossexual no topo da hierarquia nunca foi tão questionada como nos últimos anos.
Tanto que, como reação, surgiram proposições como criar o “Dia do Orgulho Heterossexual” ou o “Dia do Homem” e até o “Dia do Branco”. Não faz sentido criar datas para quem tem todos os privilégios, mas as propostas apontam como mesmo a perda destes privilégios em particular parece balançar o mundo de quem sempre teve a coleção completa de vantagens como direito inalienável.
O que a maioria dos homens entendia como direito – falar o que bem entendesse, especialmente para uma mulher – já não era possível. “Não dá para falar mais nada” se tornou uma frase clássica na boca destes homens. As já tradicionais piadas de “viado”, um tema clássico de fortalecimento da identidade de macho, tornaram-se inaceitáveis. O “politicamente correto”, que Bolsonaro e seus seguidores tanto atacaram nesta eleição, foi interpretado como agressão direta a privilégios que eram considerados direitos.
Para um homem pobre, seja ele branco ou negro, tripudiar sobre gays e/ou mulheres na vida cotidiana pode ser a única prova de “superioridade” enquanto enfrenta o massacre diário de uma jornada extenuante e mal paga. Bolsonaro compreendeu isso muito bem. Em seu discurso para a população aglomerada na Praça dos Três Poderes, nesta terça-feira, o presidente recém-empossado colocou o combate ao “politicamente correto” como uma das prioridades do seu governo. Não a assombrosa desigualdade social, que até mesmo presidentes conservadores achavam de bom tom citar, mas a necessidade de “libertar” a nação do jugo do “politicamente correto”.
Logo no início do discurso, Bolsonaro afirmou: “É com humildade e honra que me dirijo a todos vocês como presidente do Brasil e me coloco diante de toda a nação neste dia como um dia em que o povo começou a se libertar do socialismo, se libertar da inversão de valores, do gigantismo estatal e do politicamente correto”.
É esse brasileiro “acorrentado” que votou para retomar seus privilégios, incluindo o de ofender as minorias, como seu representante fez durante toda a carreira política e também na campanha eleitoral. Para muitos, o privilégio de voltar a ter assunto na mesa de bar – ou o de não ser reprimido pela sobrinha empoderada e feminista no almoço de domingo.
Somado a isso, as cotas raciais nas universidades, assim como o Estatuto da Igualdade Racial, conquistas dos movimentos negros reconhecidas pelos governos do PT, atingiram fundo os privilégios de raça, tão enraizados quanto os privilégios de classe e de gênero no Brasil, possivelmente mais.
Os negros passaram a não aceitar passivamente ser maioria nas piores estatísticas, ter menos tudo, assim como morrer mais e mais cedo. É desse confronto que vem a frase sem qualquer lastro na realidade, mas repetida com persistência por Bolsonaro e seus seguidores: a de que “o PT inventou os conflitos raciais”. É claro que, enquanto os negros seguissem aceitando o seu lugar subalterno e mortífero na sociedade brasileira, não haveria conflito. Mas esse tempo acabou e até mesmo lugares que pareciam reservados apenas aos filhos dos brancos, como as carreiras mais disputadas das universidades públicas, começaram a ser ocupados pelos negros.
Para as famílias, especialmente as brancas, outra mudança atingiu profundamente um privilégio arraigado que está na formação do Brasil, e que foi pouco alterado pela abolição da escravidão negra. No início da segunda década do século, a “PEC (Proposta de Emenda Constitucional) das Domésticas” deu a essa categoria formada majoritariamente por mulheres, a maioria delas negras, direitos trabalhistas que outras categorias tinham há décadas mas que sempre foram negados a elas, como o limite da jornada de trabalho e o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
O ódio dos bolsonaristas se expressa não pela ação, mas pela reação: a de quem se defende do que acredita ser um ataque.
Quando Bolsonaro assume o poder, este homem sente que também ele volta a governar um mundo que já não compreendia.
(...) Ao assumir o poder, Bolsonaro mostra que a ordem do mundo volta ao “normal”. Com Bolsonaro, eles voltam também ao Governo de suas próprias vidas, sem serem questionados nem precisarem ser questionados sobre temas tão espinhosos como, por exemplo, a sexualidade e seu lugar na família e na sociedade.
São principalmente homens, mas também são mulheres que sentem que a opressão é um preço baixo a pagar para voltar a um território que, mesmo asfixiante, é conhecido e supostamente mais seguro num mundo movediço.
Como disse Bolsonaro em seu discurso às massas, logo após ser ungido com a faixa presidencial: “Não podemos deixar que ideologias nefastas venham a dividir os brasileiros. Ideologias que destroem nossos valores e tradições, destroem nossas famílias, alicerce da nossa sociedade. Podemos, eu, você e as nossas famílias, todos juntos, reestabelecer padrões éticos e morais que transformarão nosso Brasil”.
(...) Como sentiam-se oprimidos por conceitos que não compreendiam, os bolsonaristas descobriram que poderiam dar às palavras o significado que lhes conviesse porque o grupo os respaldaria. E, graças às redes sociais, o grupo os respalda. O significado das palavras é dado pelo número de “curtir” nas redes sociais. Esvaziadas de conteúdo, história e consenso, esvaziadas até mesmo das contradições e das disputas, as palavras se tornaram gritos, força bruta. ' '
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
"Para encontrar-se com 'Jeannette - l'enfance de Jeanne D'Arc' nesse nível, você deverá aceitar a arca de regras de Bruno Dumont: você só poderá achar que o filme é tão belo quanto estranho se você, primeiro, aceitar que há, nele, algo um tanto alienante e orgulhosamente irreal. Talvez você nunca abra mão de sua descrença, porque tudo ali é um pouco áspero, intencionalmente. A única coisa em 'Jeannette' que é imediatamente - e, portanto, tradicionalmente - impressionante é a sua cinematografia (fotografia), e até mesmo ela serve para fortalecer a ideia de que Jeannette está cercada por uma beleza inexplicável. Dumont se recusa a dar aos espectadores uma clara indicação de como eles devem se sentir enquanto veem atores jovens e inexperientes rezando e dançando. Ele meio que desafia - e meio que convida - você a tentar abraçar suas escolhas deliberadamente mistificantes. Assim ele enfatiza o olhar de convicção e o visível esforço nos rostos de seus atores. Ele lhes dá movimentos pequenos e possíveis de realizar, sem que chamem demais a atenção, tipo embaralhar os pés ou fazer headbang. Cada gesto é preciso, mas nenhum se excede. É um jogo realmente misterioso este cuja força vem da certeza absurda de que qualquer momento, seja de uma séria oração (ou do silêncio que a sucede) pode ser interrompido por um intrusivo balido de uma ovelha nas proximidades. Dumont deve ser o único cineasta que faz uma autocrítica a sua própria heroína com barulhos de ovelha (ou músicas de ovelha). Para finalizar, uma confissão: eu queria escrever uma resenha de 'Jeannette' que facilitasse o interesse do leitor, mas percebo que eu acabei tornando-a ainda mais inacessível. E isso também é parte de um processo que muitos - mas não todos - espectadores atravessarão ao ver o filme. Ele é um desafiante drama artístico que tem um escorregadio senso de humor e um bocado de ousadia. Então não, eu não poderei explicar por que este filme é tão bom. Você terá que julgá-lo por si mesmo." (Simon Abrams)
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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Roberta Maia Gresta escreveu:
”Bolsonaro, na linha Trump, assumiu a desonestidade como padrão de expressão. Nenhum compromisso com fatos, nenhum constrangimento em mentir descaradamente.
Vi uma matéria outro dia, sobre Trump (vou tentar localizar), dizendo que isso é uma nova forma de poder. Ao mentir e colocar às pessoas o ônus de rebater absurdos, humilha-se o outro, que não merece, sequer, a sinceridade de suas posições.
O mais grave, a meu ver, é que isso se alastra para seus seguidores. Sempre com um rol de frases feitas, essas pessoas estão curtindo não ter qualquer desgaste mental para elaborar sua fala num diálogo. Há quase um roteiro, o “capitão” vai fornecendo novos elementos.
Assim, não importa que Bolsonaro tenha agido como parlamentar contra o Mais Médicos, tentado sistematicamente derrubar o programa e atingir a dignidade dos médicos cubanos inclusive propondo restrições de trabalho a seus familiares “para desincentivar laços duradouros”. Não importa que tenha incorporado a teoria da conspiração de que seriam guerrilheiros infiltrados e assumido que iria EXPULSÁ-LOS e ainda indicar que deveriam “atender petistas em Guantânamo”. Não importa a notória bandeira anti-direitos humanos, os quais já comparou a estrume.
Não importa. Descaradamente, ao tempo que leva adiante seu projeto de expulsão, resolve dizer que é para proteger os direitos humanos e “libertar” os cubanos. E seus seguidores passam a festejá-lo como libertador de escravos e humanista.
Como coerência alguma lhe é exigida, segue também dizendo que não há prova de que os médicos sejam médicos. Não importa a notoriedade das regras do programa e da atuação mundialmente reconhecida dos médicos cubanos. Seus seguidores lobotomicamente assimilam o comando e repetem “se são médicos, era só fazer o Revalida”. Alguns juram que assim teremos “excelência” e a saúde terá seu “agora vai”.
O novo coringa desse baralho de sandices é dizer que a culpa é dos Prefeitos, que teriam demitido os brasileiros para ficar com os médicos cubanos. Não importa que isso tenha sido sacado do sovaco presidencial após apelo dos prefeitos para que Bolsonaro reveja sua posição. Não importa a ausência completa de evidência, a absurdice da coisa, as 2.000 vagas em aberto, a notória cultura elitista da classe médica brasileira.
Não, nada importa. Bolsonaro decidiu que governará por esse domínio da narrativa do irreal, com apoio de seus seguidores, pela qual a culpa sempre será dos outros e quem se opuser cairá exausto lutando por um pingo de lucidez e coerência.
Há gente otimista achando que dá pra alcançar com diálogo essas pessoas que embarcaram no delírio. Não acho que seja possível. É um gozo maravilhoso demais isso de poder dar voz a fantasias como se fossem verdades e encontrar eco. Um gozo de irresponsabilidade, o ego gritando pro mundo que o mundo se dane.
É somente um trauma profundo, uma nova ferida egóica, tal qual aquelas experimentadas na infância pra trazer crescimento, que poderá transformar isso. Como o trauma agora dos prefeitos - naturalmente grande número deles vinha compartilhando o gozo do bolsonarismo até tomar o soco na cara da falência repentina da rede de saúde que precisa gerir.
Só vai voltar a importar tudo o que hoje não importa quando a realidade forçar cada um a despertar da fantasia de que esse gozo é eterno e sem consequências. O duro é que até lá muita desgraça vai ser suportada por gente demais”.
”Bolsonaro, na linha Trump, assumiu a desonestidade como padrão de expressão. Nenhum compromisso com fatos, nenhum constrangimento em mentir descaradamente.
Vi uma matéria outro dia, sobre Trump (vou tentar localizar), dizendo que isso é uma nova forma de poder. Ao mentir e colocar às pessoas o ônus de rebater absurdos, humilha-se o outro, que não merece, sequer, a sinceridade de suas posições.
O mais grave, a meu ver, é que isso se alastra para seus seguidores. Sempre com um rol de frases feitas, essas pessoas estão curtindo não ter qualquer desgaste mental para elaborar sua fala num diálogo. Há quase um roteiro, o “capitão” vai fornecendo novos elementos.
Assim, não importa que Bolsonaro tenha agido como parlamentar contra o Mais Médicos, tentado sistematicamente derrubar o programa e atingir a dignidade dos médicos cubanos inclusive propondo restrições de trabalho a seus familiares “para desincentivar laços duradouros”. Não importa que tenha incorporado a teoria da conspiração de que seriam guerrilheiros infiltrados e assumido que iria EXPULSÁ-LOS e ainda indicar que deveriam “atender petistas em Guantânamo”. Não importa a notória bandeira anti-direitos humanos, os quais já comparou a estrume.
Não importa. Descaradamente, ao tempo que leva adiante seu projeto de expulsão, resolve dizer que é para proteger os direitos humanos e “libertar” os cubanos. E seus seguidores passam a festejá-lo como libertador de escravos e humanista.
Como coerência alguma lhe é exigida, segue também dizendo que não há prova de que os médicos sejam médicos. Não importa a notoriedade das regras do programa e da atuação mundialmente reconhecida dos médicos cubanos. Seus seguidores lobotomicamente assimilam o comando e repetem “se são médicos, era só fazer o Revalida”. Alguns juram que assim teremos “excelência” e a saúde terá seu “agora vai”.
O novo coringa desse baralho de sandices é dizer que a culpa é dos Prefeitos, que teriam demitido os brasileiros para ficar com os médicos cubanos. Não importa que isso tenha sido sacado do sovaco presidencial após apelo dos prefeitos para que Bolsonaro reveja sua posição. Não importa a ausência completa de evidência, a absurdice da coisa, as 2.000 vagas em aberto, a notória cultura elitista da classe médica brasileira.
Não, nada importa. Bolsonaro decidiu que governará por esse domínio da narrativa do irreal, com apoio de seus seguidores, pela qual a culpa sempre será dos outros e quem se opuser cairá exausto lutando por um pingo de lucidez e coerência.
Há gente otimista achando que dá pra alcançar com diálogo essas pessoas que embarcaram no delírio. Não acho que seja possível. É um gozo maravilhoso demais isso de poder dar voz a fantasias como se fossem verdades e encontrar eco. Um gozo de irresponsabilidade, o ego gritando pro mundo que o mundo se dane.
É somente um trauma profundo, uma nova ferida egóica, tal qual aquelas experimentadas na infância pra trazer crescimento, que poderá transformar isso. Como o trauma agora dos prefeitos - naturalmente grande número deles vinha compartilhando o gozo do bolsonarismo até tomar o soco na cara da falência repentina da rede de saúde que precisa gerir.
Só vai voltar a importar tudo o que hoje não importa quando a realidade forçar cada um a despertar da fantasia de que esse gozo é eterno e sem consequências. O duro é que até lá muita desgraça vai ser suportada por gente demais”.
Eliane Brum escreveu:
' ' Silvio Santos. Ao vivo, na TV, o apresentador e dono do SBT, ao receber a cantora Claudia Leitte, afirmou que não a abraçaria. "Esse negócio de ficar dando abraço me excita e eu não gosto de ficar excitado", disse o apresentador. Surpreendida pelo desrespeito, Claudia retrucou: "No sentido feliz da palavra, né? De alegria, euforia, excitação”. Silvio, obviamente, perdeu a chance de se redimir em público: "Não, não é euforia, não. É excitação mesmo”. E a câmera focou nas pernas da cantora, para deixar claro para os milhões que assistiam ao programa o que deixava o patrão tão sexualmente excitado.
Silvio Santos é notório por pelo menos duas características: bajular todos os governos, ditatoriais ou não, ao ponto do constrangimento, e acreditar que assediar e ofender mulheres é um direito adquirido que não pode ser barrado pelo “politicamente correto”. A expressão, a propósito, é a mais odiada por pessoas como ele, já que acham injusto refrear seus instintos em nome da convivência e do respeito ao outro. Em julho, o dono do SBT fez o seguinte comentário a respeito de Fernanda Lima: “Com essas pernas finas e essa cara de gripe, ela não teria nem amor nem sexo”.
Em entrevista à Band, Fernanda rebateu: “Silvio, por que não te calas?”. Ele disse que não se calaria. Fernanda usou então suas redes sociais: "O corpo da mulher não é território público onde se pode meter a mão, avaliar, invadir, usar, agredir. Sigamos firmes e juntas construindo um grande abrigo de proteção para todas as mulheres contra qualquer violência machista”. O embate entre a apresentadora do Amor & Sexo e os machos alfas da TV não é novo, como se vê. Uma mulher falar de sexo e amor para milhões de telespectadores parece afetar masculinidades inseguras.
No programa Teleton, em 2017, depois da apresentação de um grupo de bailarinas plus size, Silvio chamou uma delas para entrevistar. Saiu-se com essa: "Você é muito graciosa. Embora seja a única negra entre as brancas, é bonita. É bonita de verdade!”. É possível que ele acredite que reconhecer a beleza de uma negra, mesmo com tantas brancas ao redor, seja um elogio, o que já é bastante impressionante. Mas ele é exímio em tornar tudo ainda pior: "Quem casar contigo vai ter dois prazeres: um na hora do bem-bom e outro na hora em que você sai de cima".
Silvio Santos já deveria ter respondido pelas violações da lei que cometeu ao vivo, diante de milhões, em horário nobre, há muito. Mas cresce o número daqueles que o acham apenas “engraçado”. E dos que acreditam que tudo isso é apenas “normal”. O que essas pessoas que normalizam o que jamais poderia ser considerado normal não percebem é o quanto esses exemplos – e sua impunidade – repercutem nos atos cotidianos e se entranham nas relações sociais, estimulando crimes também contra o corpo. Ou percebem. E é por isso que o apoiam. ' '
' ' Silvio Santos. Ao vivo, na TV, o apresentador e dono do SBT, ao receber a cantora Claudia Leitte, afirmou que não a abraçaria. "Esse negócio de ficar dando abraço me excita e eu não gosto de ficar excitado", disse o apresentador. Surpreendida pelo desrespeito, Claudia retrucou: "No sentido feliz da palavra, né? De alegria, euforia, excitação”. Silvio, obviamente, perdeu a chance de se redimir em público: "Não, não é euforia, não. É excitação mesmo”. E a câmera focou nas pernas da cantora, para deixar claro para os milhões que assistiam ao programa o que deixava o patrão tão sexualmente excitado.
Silvio Santos é notório por pelo menos duas características: bajular todos os governos, ditatoriais ou não, ao ponto do constrangimento, e acreditar que assediar e ofender mulheres é um direito adquirido que não pode ser barrado pelo “politicamente correto”. A expressão, a propósito, é a mais odiada por pessoas como ele, já que acham injusto refrear seus instintos em nome da convivência e do respeito ao outro. Em julho, o dono do SBT fez o seguinte comentário a respeito de Fernanda Lima: “Com essas pernas finas e essa cara de gripe, ela não teria nem amor nem sexo”.
Em entrevista à Band, Fernanda rebateu: “Silvio, por que não te calas?”. Ele disse que não se calaria. Fernanda usou então suas redes sociais: "O corpo da mulher não é território público onde se pode meter a mão, avaliar, invadir, usar, agredir. Sigamos firmes e juntas construindo um grande abrigo de proteção para todas as mulheres contra qualquer violência machista”. O embate entre a apresentadora do Amor & Sexo e os machos alfas da TV não é novo, como se vê. Uma mulher falar de sexo e amor para milhões de telespectadores parece afetar masculinidades inseguras.
No programa Teleton, em 2017, depois da apresentação de um grupo de bailarinas plus size, Silvio chamou uma delas para entrevistar. Saiu-se com essa: "Você é muito graciosa. Embora seja a única negra entre as brancas, é bonita. É bonita de verdade!”. É possível que ele acredite que reconhecer a beleza de uma negra, mesmo com tantas brancas ao redor, seja um elogio, o que já é bastante impressionante. Mas ele é exímio em tornar tudo ainda pior: "Quem casar contigo vai ter dois prazeres: um na hora do bem-bom e outro na hora em que você sai de cima".
Silvio Santos já deveria ter respondido pelas violações da lei que cometeu ao vivo, diante de milhões, em horário nobre, há muito. Mas cresce o número daqueles que o acham apenas “engraçado”. E dos que acreditam que tudo isso é apenas “normal”. O que essas pessoas que normalizam o que jamais poderia ser considerado normal não percebem é o quanto esses exemplos – e sua impunidade – repercutem nos atos cotidianos e se entranham nas relações sociais, estimulando crimes também contra o corpo. Ou percebem. E é por isso que o apoiam. ' '
Bernard-Henri Lévy, filósofo (Argélia, 1948):
“Todo o mundo está olhando para o Brasil. O que seu presidente eleito, Bolsonaro, faz é discutido em todos os lugares e o que estamos vendo é um presidente sem programa, nostálgico de um dos momentos mais sombrios da história do país e sem amor genuíno por sua terra natal. O mundo está assombrado com a incrível vulgaridade de alguns de seus comentários. É pornografia política. Como fala das minorias, das mulheres. O mundo está estupefato. E o que mais escandaliza é que não venceu dando um golpe, mas através das urnas. (...) Há uma luta ideológica entre a xenofobia e o humanismo, entre os extremos, da esquerda à direita, que se alinharam nas ruas para destruir os valores republicanos e as forças do progresso. O Brasil está dentro dessa corrente global e, de certo modo, seu líder populista é o mais caricatural de todos. (...) O sonho de muitos líderes é acabar com a democracia. Trump, Bolsonaro, [Viktor] Orban na Hungria. Mas nos Estados Unidos estamos vendo até que ponto a democracia é capaz de resistir. O verdadeiro muro americano não é o que Trump quer construir entre os Estados Unidos e o México, mas o que a sociedade civil norte-americana construiu para ele. Trump não é livre para fazer o que quer e está dando cabeçadas na parede. Talvez isso acabe quebrando a cabeça dele, vamos ver. E o que eu desejo para o Brasil é algo parecido, que se revele um muro da democracia e enfrente a vulgaridade, a estupidez e a ausência de ideias.”
“Todo o mundo está olhando para o Brasil. O que seu presidente eleito, Bolsonaro, faz é discutido em todos os lugares e o que estamos vendo é um presidente sem programa, nostálgico de um dos momentos mais sombrios da história do país e sem amor genuíno por sua terra natal. O mundo está assombrado com a incrível vulgaridade de alguns de seus comentários. É pornografia política. Como fala das minorias, das mulheres. O mundo está estupefato. E o que mais escandaliza é que não venceu dando um golpe, mas através das urnas. (...) Há uma luta ideológica entre a xenofobia e o humanismo, entre os extremos, da esquerda à direita, que se alinharam nas ruas para destruir os valores republicanos e as forças do progresso. O Brasil está dentro dessa corrente global e, de certo modo, seu líder populista é o mais caricatural de todos. (...) O sonho de muitos líderes é acabar com a democracia. Trump, Bolsonaro, [Viktor] Orban na Hungria. Mas nos Estados Unidos estamos vendo até que ponto a democracia é capaz de resistir. O verdadeiro muro americano não é o que Trump quer construir entre os Estados Unidos e o México, mas o que a sociedade civil norte-americana construiu para ele. Trump não é livre para fazer o que quer e está dando cabeçadas na parede. Talvez isso acabe quebrando a cabeça dele, vamos ver. E o que eu desejo para o Brasil é algo parecido, que se revele um muro da democracia e enfrente a vulgaridade, a estupidez e a ausência de ideias.”
Tem vários(as) artistas/bandas que conseguem fazer duas obras primas seguidas; agora, TRÊS na sequência, já é mais difícil. Tive a ideia de fazer um resgate daqueles(as) que, na minha opinião, conseguiram a façanha de enfileirar três discos de altíssimo nível - e pedir gol no Fantástico. Eis vinte ocasiões:
01 - DEPECHE MODE
1997 Ultra
2001 Exciter
2005 Playing the Angel
02 - SONIC YOUTH
2000 NYC Ghosts & Flowers
2002 Murray St.
2004 Sonic Nurse
03 - R.E.M.
1996 New Adventures in Hi-Fi
1998 Up
2001 Reveal
04 - NEIL YOUNG
1992 Harvest Moon
1994 Sleeps With Angels
1995 Mirror Ball
05 - TITÃS
1986 Cabeça Dinossauro
1987 Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas
1989 Õ Blésq Blom
06 - KRAFTWERK
1975 Radio-Aktivität
1977 Trans-Europe Express
1978 The Man-Machine
07 - THE WALKMEN
2008 You & Me
2010 Lisbon
2012 Heaven
08 - DESTROYER
2011 Kaputt
2015 Poison Season
2017 Ken
09 - PEARL JAM
1993 Vs.
1994 Vitalogy
1996 No Code
10 - RADIOHEAD
1995 The Bends
1997 OK Computer
2000 Kid A
11 - ST. VINCENT
2009 Actor
2011 Strange Mercy
2014 St. Vincent
12 - RAMONES
1976 Ramones
1977 Leave Home
1977 Rocket to Russia
13 - MOGWAI
1997 Young Team
1999 Come on Die Young
2001 Rock Action
14 - GRANDADDY
1997 Under the Western Freeway
2000 The Sophtware Slump
2003 Sumday
15 - BLONDE REDHEAD
2000 Melody of Certain Damaged Lemons
2004 Misery Is a Butterfly
2007 23
16 - BRIGHT EYES
2005 I'm Wide Awake It's Morning
2005 Digital Ash in a Digital Urn
2007 Cassadaga
17 - SUPERGRASS
1997 In It for the Money
1999 Supergrass
2002 Life on Other Planets
18 - SUPER FURRY ANIMALS
1996 Fuzzy Logic
1997 Radiator
1999 Guerrilla
19 - ARCADE FIRE
2004 Funeral
2007 Neon Bible
2010 The Suburbs
20 - PLACEBO
1996 Placebo
1998 Without You I'm Nothing
2000 Black Market Music
01 - DEPECHE MODE
1997 Ultra
2001 Exciter
2005 Playing the Angel
02 - SONIC YOUTH
2000 NYC Ghosts & Flowers
2002 Murray St.
2004 Sonic Nurse
03 - R.E.M.
1996 New Adventures in Hi-Fi
1998 Up
2001 Reveal
04 - NEIL YOUNG
1992 Harvest Moon
1994 Sleeps With Angels
1995 Mirror Ball
05 - TITÃS
1986 Cabeça Dinossauro
1987 Jesus não Tem Dentes no País dos Banguelas
1989 Õ Blésq Blom
06 - KRAFTWERK
1975 Radio-Aktivität
1977 Trans-Europe Express
1978 The Man-Machine
07 - THE WALKMEN
2008 You & Me
2010 Lisbon
2012 Heaven
08 - DESTROYER
2011 Kaputt
2015 Poison Season
2017 Ken
09 - PEARL JAM
1993 Vs.
1994 Vitalogy
1996 No Code
10 - RADIOHEAD
1995 The Bends
1997 OK Computer
2000 Kid A
11 - ST. VINCENT
2009 Actor
2011 Strange Mercy
2014 St. Vincent
12 - RAMONES
1976 Ramones
1977 Leave Home
1977 Rocket to Russia
13 - MOGWAI
1997 Young Team
1999 Come on Die Young
2001 Rock Action
14 - GRANDADDY
1997 Under the Western Freeway
2000 The Sophtware Slump
2003 Sumday
15 - BLONDE REDHEAD
2000 Melody of Certain Damaged Lemons
2004 Misery Is a Butterfly
2007 23
16 - BRIGHT EYES
2005 I'm Wide Awake It's Morning
2005 Digital Ash in a Digital Urn
2007 Cassadaga
17 - SUPERGRASS
1997 In It for the Money
1999 Supergrass
2002 Life on Other Planets
18 - SUPER FURRY ANIMALS
1996 Fuzzy Logic
1997 Radiator
1999 Guerrilla
19 - ARCADE FIRE
2004 Funeral
2007 Neon Bible
2010 The Suburbs
20 - PLACEBO
1996 Placebo
1998 Without You I'm Nothing
2000 Black Market Music
A Nair, que faz limpeza no nosso apartamento, trabalha também para uma família que tem uma lhasa apso chamada Pandora. A Pandora estava mal, vomitando, e ninguém sabia o que era. Um mistério. Acabaram descobrindo que ela estava com pedaços de meias no estômago e no intestino, por tê-las comido, tadinha. Tiveram que abrir a Pandora três vezes para tirar os panos.
Os homens estão se chamando, todos, uns aos outros, de "pai"????
"Pernilongos são guitarristas de uma nota só. Como nunca chegarão aos pés de um Jimi Hendrix descontam a frustração tirando o sangue dos outros. Muitas pessoas são assim também. That's life!" (Serguei)
A BUNDA, QUE ENGRAÇADA
(Carlos Drummond de Andrade)
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito estudar.
A bunda são duas luas gemeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na caricia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
(Carlos Drummond de Andrade)
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito estudar.
A bunda são duas luas gemeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na caricia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda.
"Fui Miss Brasil em 1999 e sou feliz até hoje." (Renata Fan)
' ' Especialista em populismo, nazismo e comunicação na política diz que o jornalismo brasileiro terá que se reinventar e que a preocupação com o fato está perdendo cada vez mais relevância: "Só dizer que o fato não corresponde com o que está sendo dito não vai funcionar." Para a cientista política Paula Diehl, docente nas Universidades Humboldt de Berlim e de Bielefeld, a imprensa precisará se reinventar nesse contexto, investindo em análise e contextualizações.
"A imprensa precisa estar muito atenta às críticas e fazer uma análise de discurso quando um político fala que A é B, para mostrar os parâmetros que estão sendo utilizados para modificar o sentido das palavras e dos fatos. Ela precisa analisar e contextualizar. O jornalismo precisará investir nesse tipo de análise, pois só dizer que o fato não corresponde com o que está sendo dito não vai funcionar, é preciso mostrar passo a passo como as palavras daquele que está distorcendo os fatos estão mudando de sentido."
"Ser neutro não significa falar sempre bem e mal de cada um. Se um ator político é antidemocrático e é antidemocrático o tempo inteiro, isso tem que ser mostrado. Neutralidade não quer dizer distribuir críticas em quantidades iguais a todos os partidos políticos, mas sim utilizar os mesmos critérios para a crítica", destaca. ' ' (El Pais)
"A imprensa precisa estar muito atenta às críticas e fazer uma análise de discurso quando um político fala que A é B, para mostrar os parâmetros que estão sendo utilizados para modificar o sentido das palavras e dos fatos. Ela precisa analisar e contextualizar. O jornalismo precisará investir nesse tipo de análise, pois só dizer que o fato não corresponde com o que está sendo dito não vai funcionar, é preciso mostrar passo a passo como as palavras daquele que está distorcendo os fatos estão mudando de sentido."
"Ser neutro não significa falar sempre bem e mal de cada um. Se um ator político é antidemocrático e é antidemocrático o tempo inteiro, isso tem que ser mostrado. Neutralidade não quer dizer distribuir críticas em quantidades iguais a todos os partidos políticos, mas sim utilizar os mesmos critérios para a crítica", destaca. ' ' (El Pais)
Sobre a antropóloga Débora Diniz: ' ' Apesar das controvérsias levantadas pela causa, nunca tinha passado por um processo tão doloroso quanto o que se iniciou em maio deste ano, quando ela se tornou idealizadora de uma nova empreitada no STF, desta vez pela descriminalização do aborto até a 12ª semana de gravidez. Não bastasse o linchamento virtual nas redes sociais, ela recebeu ao longo dos últimos meses dezenas de ameaças de morte e, incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Governo federal, foi aconselhada a deixar o país. “Sou vítima de ataques que colocam em risco o sentido de democracia no Brasil.” (...) “Chegaram ao ponto de cogitar um massacre na universidade caso eu continuasse dando aulas. A estratégia desse terror é a covardia da dúvida. Não sabemos se são apenas bravateiros. Há o risco do efeito de contágio, de alguém de fora do circuito concretizar a ameaça, já que os agressores incitam violência e ódio contra mim a todo o momento.” ' '
Leandro Demori, The Intercept Brasil, escreve a real verdade sobre a profissão do jornalista:
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É hora do jornalismo fincar o pé em terreno mais sólido do que o banhado traiçoeiro da falsa mediação de falas públicas, ou, como chamamos no Brasil, do 'jornalismo declaratório'. (...) Um dos mais insidiosos erros é se apegar ao que o crítico de imprensa Jay Rosen chamou de ‘View from Nowhere’ [Vista de Lugar Nenhum] – transmitir cada história, especialmente na política, como uma competição de extremos partidários, com o papel do jornalista reduzido a narrar o que cada lado está dizendo. ‘É uma tentativa de garantir um tipo de legitimidade universal’, Rosen observa. (...)
Fazer isso soa como um crime para muitos jornalistas, que passam a ver você e sua equipe como uma trupe de desajustados que estão traindo os valores da profissão. Afinal, se você reporta sobre Bolsonaro, tem que reportar na mesma medida sobre Lula. Se ouve a mãe de uma vítima de uma chacina cometida pela polícia, tem que dar o mesmo espaço para a própria polícia. É preciso manter a imagem da simetria. Se não fizer isso, você deixa de ser jornalista e passa a ser um ativista, pejorativamente. (...)
É muito simples desmontar essa visão, mas é muito difícil convencer essas mesmas pessoas que o jornalismo como elas foram ensinadas a reconhecer é também cheio de pontos de vista, só que ocultos, tudo parte de uma grande indústria de faz de conta para atingir o maior número de pessoas em nome dos anunciantes, e a pretensa neutralidade é a melhor estratégia para isso. É o que faz a televisão desde os anos 1950, tentando agradar a gregos e troianos. As pessoas já sacaram. (...)
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É hora do jornalismo fincar o pé em terreno mais sólido do que o banhado traiçoeiro da falsa mediação de falas públicas, ou, como chamamos no Brasil, do 'jornalismo declaratório'. (...) Um dos mais insidiosos erros é se apegar ao que o crítico de imprensa Jay Rosen chamou de ‘View from Nowhere’ [Vista de Lugar Nenhum] – transmitir cada história, especialmente na política, como uma competição de extremos partidários, com o papel do jornalista reduzido a narrar o que cada lado está dizendo. ‘É uma tentativa de garantir um tipo de legitimidade universal’, Rosen observa. (...)
Fazer isso soa como um crime para muitos jornalistas, que passam a ver você e sua equipe como uma trupe de desajustados que estão traindo os valores da profissão. Afinal, se você reporta sobre Bolsonaro, tem que reportar na mesma medida sobre Lula. Se ouve a mãe de uma vítima de uma chacina cometida pela polícia, tem que dar o mesmo espaço para a própria polícia. É preciso manter a imagem da simetria. Se não fizer isso, você deixa de ser jornalista e passa a ser um ativista, pejorativamente. (...)
É muito simples desmontar essa visão, mas é muito difícil convencer essas mesmas pessoas que o jornalismo como elas foram ensinadas a reconhecer é também cheio de pontos de vista, só que ocultos, tudo parte de uma grande indústria de faz de conta para atingir o maior número de pessoas em nome dos anunciantes, e a pretensa neutralidade é a melhor estratégia para isso. É o que faz a televisão desde os anos 1950, tentando agradar a gregos e troianos. As pessoas já sacaram. (...)
"A tragédia não é quando um homem morre; a tragédia é quando morre algo num homem enquanto ele está vivo." (Albert Schweitzer, via Mário Sérgio Cortella)
“Jesus Menino. Penso em todas as crianças assassinadas e maltratadas hoje, seja naquelas que o são antes de ver a luz, privadas do amor generoso dos seus pais e sepultadas no egoísmo de uma cultura que não ama a vida; seja nas crianças desalojadas devido às guerras e perseguições, abusadas e exploradas sob os nossos olhos e o nosso silêncio cúmplice; seja ainda nas crianças massacradas nos bombardeios, inclusive onde o Filho de Deus nasceu. Ainda hoje o seu silêncio impotente grita sob a espada de tantos Herodes. Sobre o seu sangue, estende-se hoje a sombra dos Herodes do nosso tempo. Verdadeiramente há tantas lágrimas neste Natal que se juntam às lágrimas de Jesus Menino!” (Papa Francisco, mensagem Urbi et Orbi de 2014)
"(a) Odiar atrai cúmplices e me empodera. Todo ódio tem tribo. (b) Odiar desvia o mal de mim e centra no outro, velando o temido retrato no sótão de Oscar Wilde. (c) O ódio é poderoso como catalisador de energias internas sem rumo. Em resumo, pensando nos meus ódios, a dor vai para o fundo, crio amigos, sinto-me superior e desloco para terceiros tudo que não está certo." (Leandro Karnal)
"Não se esqueçam, 25/12 é um dia para celebrar o nascimento de um refugiado pobre que foi perseguido, torturado e morto por pregar igualdade, justiça social e amor." (Flaviano Nascimento)
Depois do jogador Wellington Nem, agora tem o jogador Emmanuel Mas.
"Eu pensei que eu estava livre por já ter feito o meu dever com as protagonistas mulheres, então eu poderia agora ter um homem como protagonista. Mas, sim, as mulheres ainda estão sofrendo. Eu sei. Eu culpo a Disney porque, quando menino, eu lia a revistinha do Pato Donald. Todas as histórias são clichês. Mesmo que eu tente evitar os clichês, não há como evitá-los. As mulheres estarão sofrendo." (Lars Von Trier)
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"Eu sequer leio os roteiros das ofertas vindas de Hollywood. Eu odeio quando um diretor faz alguns filmes muito bons e, em seguida, ele dá um passo longe demais. A fim de agradar sua carteira, ele começa um caminho de declínio. Eu estou tentando resistir. Eu não quero que isso aconteça." (Lars Von Trier)
"Você pode imaginar que as pessoas sabem das probabilidades e que decidiram se arriscar. Apostadores sabem que estão apostando. Mas é interessante que, em muitas esferas da vida, as pessoas apostam e não sabem que estão apostando. É um excesso de otimismo, que faz com que as pessoas corram riscos que normalmente não correriam se admitissem que são riscos." (Daniel Kahneman, psicólogo e Nobel de Economia)
"A desilusão com as estruturas institucionais levou a um ponto em que as pessoas já não acreditam nos fatos. Se você não confia em ninguém, por que tem de confiar nos fatos? Se ninguém faz nada por mim, por que tenho de acreditar em alguém?" (Noam Chomsky)
Sabe qual é o problema da educação no Brasil? O presidente sabe: "Uma das metas para tirarmos o Brasil das piores posições nos rankings de educação do mundo é combater o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino. Junto com o Ministro de Educação e outros envolvidos vamos evoluir em formar cidadãos e não mais militantes políticos."
Quem dera o "problema" da educação no Brasil fosse que os cidadãos têm uma educação política.
Agora, trabalhar para extinguir a educação política é trabalhar para acabar com a política.
Quem dera o "problema" da educação no Brasil fosse que os cidadãos têm uma educação política.
Agora, trabalhar para extinguir a educação política é trabalhar para acabar com a política.
' ' O jornal francês Le Monde diz o que os jornais brasileiros têm vergonha de escrever: “extrema direita chega ao poder”. Nossa grande mídia esconde este fato porque é cúmplice do crescimento e avanço da extrema direita no Brasil. ' ' (@heldersalomao)
Não vou dizer que The Shape of Water é o pior filme que já ganhou o Oscar de Melhor Filme porque um bocado (a maioria?) dos filmes que ganharam esse prêmio são péssimos pra cacete. Num dado momento eu achei que servia pra crianças, mas tem cenas quase "gore".
"O pior de Bolsonaro é o que o seu discurso 'autoriza'. Ao dizer, nas primeiras palavras do parlatório, que irá libertar o Brasil do politicamente correto, ele autoriza a livre expressão de racismo, misoginia e homofobia. Essa é a mensagem. O efeito disso é letal." (Rosana Pinheiro-Machado)
"Em nações democráticas ocidentais, como os EUA, Canadá, França, Alemanha e Reino Unido, jornalistas têm total liberdade para exercerem seu trabalho. Restrições a jornalistas ocorrem em ditaduras de direita e esquerda como Arábia Saudita, Irã, Cuba, Venezuela, China e Egito." (Guga Chacra)
"Como os jornalistas são tratados na posse de Bolsonaro. Não tem água, precisa de autorização pra ir ao banheiro, não pode circular pra lugar nenhum, jornada de 14 horas, fomos revistados duas vezes e nos alertaram que há risco de levar bala dos atiradores." (@amandafaudi)
"Jornalistas que cobrem a posse foram obrigados a deixar as garrafas de água, mas no Congresso o acesso aos bebedouros estava restrito. Após discussões, conseguimos liberação ao bebedouro até 14h. Banheiro também só até 14h. Não há cadeiras e nenhuma estrutura. Resumo: desrespeito." (@Iaralemos)
"Seguranças também estão barrando maçãs trazidas por jornalistas, que precisaram chegar no começo da manhã para cobrir a posse, que se estende até a noite. As frutas poderiam ser arremessadas no presidente Bolsonaro, justificaram." (@annavirginia)
"A posse de Jair Bolsonaro é só 15h, mas os jornalistas precisam estar confinados desde às 7h. É quase uma tentativa de nos fazerem desistir pelo cansaço, só pode." (@Iaralemos)
"Comunicadores apoiadores de Bolsonaro têm livre circulação na Esplanada e na Praça dos Três Poderes. Eles são identificados por um pin especial. Os demais estão confinados no Palácio Itamaraty, sem poder fazer entrevistas, trabalhar. Alguns estrangeiros abandonaram cobertura." (@renatoalvesdf)
"As condições oferecidas à imprensa na posse não é mero desprezo. Nem começou hoje. É uma posição firme e uma sinalização direta aos apoiadores do novo regime sobre como o jornalismo deve ser entendido e tratado nos próximos anos. E a ficha segue não caindo para muitos colegas..." (Bruno Torturra)
"Como os jornalistas são tratados na posse de Bolsonaro. Não tem água, precisa de autorização pra ir ao banheiro, não pode circular pra lugar nenhum, jornada de 14 horas, fomos revistados duas vezes e nos alertaram que há risco de levar bala dos atiradores." (@amandafaudi)
"Jornalistas que cobrem a posse foram obrigados a deixar as garrafas de água, mas no Congresso o acesso aos bebedouros estava restrito. Após discussões, conseguimos liberação ao bebedouro até 14h. Banheiro também só até 14h. Não há cadeiras e nenhuma estrutura. Resumo: desrespeito." (@Iaralemos)
"Seguranças também estão barrando maçãs trazidas por jornalistas, que precisaram chegar no começo da manhã para cobrir a posse, que se estende até a noite. As frutas poderiam ser arremessadas no presidente Bolsonaro, justificaram." (@annavirginia)
"A posse de Jair Bolsonaro é só 15h, mas os jornalistas precisam estar confinados desde às 7h. É quase uma tentativa de nos fazerem desistir pelo cansaço, só pode." (@Iaralemos)
"Comunicadores apoiadores de Bolsonaro têm livre circulação na Esplanada e na Praça dos Três Poderes. Eles são identificados por um pin especial. Os demais estão confinados no Palácio Itamaraty, sem poder fazer entrevistas, trabalhar. Alguns estrangeiros abandonaram cobertura." (@renatoalvesdf)
"As condições oferecidas à imprensa na posse não é mero desprezo. Nem começou hoje. É uma posição firme e uma sinalização direta aos apoiadores do novo regime sobre como o jornalismo deve ser entendido e tratado nos próximos anos. E a ficha segue não caindo para muitos colegas..." (Bruno Torturra)
"Bolsonaro — que afirma querer governar em nome dos valores cristãos e judeus com uma bandeira mutilada — deveria se lembrar que o rei da divisão e inimigo da concórdia é Lúcifer e não Deus. O Deus cristão não apenas não divide nem discrimina, mas abraça até o que o mundo despreza. Afirmar que veio libertar o Brasil do socialismo equivale a mutilar a democracia que se conjuga com todas as cores da política. Afirmar que somente com sangue, isto é, com violência, valores políticos que não são os seus seriam aceitos é convidar os brasileiros a alimentar sentimentos de perigosas rivalidades. Em vez de unir o país em uma esperança comum de convivência, ele o arrasta e incita a continuar não apenas dividido, mas a abrir uma guerra ideológica mais perigosa do que a que tenta combater." (Juan Arias)
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