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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
"Para encontrar-se com 'Jeannette - l'enfance de Jeanne D'Arc' nesse nível, você deverá aceitar a arca de regras de Bruno Dumont: você só poderá achar que o filme é tão belo quanto estranho se você, primeiro, aceitar que há, nele, algo um tanto alienante e orgulhosamente irreal. Talvez você nunca abra mão de sua descrença, porque tudo ali é um pouco áspero, intencionalmente. A única coisa em 'Jeannette' que é imediatamente - e, portanto, tradicionalmente - impressionante é a sua cinematografia (fotografia), e até mesmo ela serve para fortalecer a ideia de que Jeannette está cercada por uma beleza inexplicável. Dumont se recusa a dar aos espectadores uma clara indicação de como eles devem se sentir enquanto veem atores jovens e inexperientes rezando e dançando. Ele meio que desafia - e meio que convida - você a tentar abraçar suas escolhas deliberadamente mistificantes. Assim ele enfatiza o olhar de convicção e o visível esforço nos rostos de seus atores. Ele lhes dá movimentos pequenos e possíveis de realizar, sem que chamem demais a atenção, tipo embaralhar os pés ou fazer headbang. Cada gesto é preciso, mas nenhum se excede. É um jogo realmente misterioso este cuja força vem da certeza absurda de que qualquer momento, seja de uma séria oração (ou do silêncio que a sucede) pode ser interrompido por um intrusivo balido de uma ovelha nas proximidades. Dumont deve ser o único cineasta que faz uma autocrítica a sua própria heroína com barulhos de ovelha (ou músicas de ovelha). Para finalizar, uma confissão: eu queria escrever uma resenha de 'Jeannette' que facilitasse o interesse do leitor, mas percebo que eu acabei tornando-a ainda mais inacessível. E isso também é parte de um processo que muitos - mas não todos - espectadores atravessarão ao ver o filme. Ele é um desafiante drama artístico que tem um escorregadio senso de humor e um bocado de ousadia. Então não, eu não poderei explicar por que este filme é tão bom. Você terá que julgá-lo por si mesmo." (Simon Abrams)
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