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segunda-feira, 30 de junho de 2014
"Se você não foi capaz de ser feliz, talvez seja porque você está se agarrando com firmeza a sua ideia de felicidade. Solte essa ideia e a felicidade pode vir com mais facilidade. Imagine que há muitas portas que se abrem para a felicidade. Se você abrir todas as portas então a felicidade tem muitas maneiras de chegar a você. Mas o que acontece é que você fechou todas as portas exceto uma e é por isso que a felicidade não pode vir. Portanto, não feche as portas. Abra todas as portas. Não basta comprometer-se com uma ideia de felicidade. Solte a ideia de felicidade que você tem e então a felicidade poderá vir hoje. Muitos de nós estão presos a uma ideia sobre como podemos ser verdadeiramente felizes. Para ser um bom praticante, sente-se e reavalie a sua ideia de felicidade. Muitos de nós estão ligados a uma série de coisas que achamos que são cruciais para o nosso bem-estar. Embora possamos ter sofrido muito por causa delas, nós estamos com medo de liberar essas coisas a que estamos ligados. Nós podemos estar ligados a uma pessoa, um bem material, ou uma posição na sociedade. Pensamos que, sem essa coisa, não estaremos seguros. Precisamos ter o insight que nos dará a coragem de nos livrarmos desse apego, para que possamos, finalmente, sermos livres. Alegria e felicidade podem nascer de liberar, de abrir mão de nossas ideias e apegos." (Thich Nhât Hanh)
domingo, 29 de junho de 2014
Chiellini fez – e registrou – troça da desgraça alheia. (Na hora do jogo ele "estava" – fingiu estar – desesperado por ter sido mordido). Pra mim isso é muito mais grave. Pobre Suárez.
"A agressão de Suárez surgiu como uma oportunidade para a Fifa. Notoriamente corrupta, a entidade comandada por Joseph Blatter pode apresentar uma imagem de justa e defensora da moral e dos bons costumes futebolísticos, em especial porque a imprensa britânica, responsável pelas principais investigações sobre os desmandos da Fifa, estava em campanha contra Suárez. O comitê disciplinar da entidade (que assim como o STJD brasileiro alega independência, mas é ligado umbilicalmente à federação sob a qual atua) fez o trabalho sujo, com aspecto asseado, ao aplicar a punição a Suárez." (José Antônio Lima)
"Mineirão, oitavas de final da Copa do Mundo, Brasil x Chile. No início da prorrogação, Hulk consegue um escanteio. Olha para a torcida brasileira, bate no braço como quem diz que tem sangue naquelas veias, pede vibração. Alguns respondem, mas muitos talvez não estivessem nem vendo o lance. Esse é um dos dramas da seleção brasileira no mundial que disputa em casa. Não há vaias, o que é bom, mas não há apoio firme, o que é péssimo. Será assim enquanto o Brasil estiver na disputa do título, e os jogadores precisam se acostumar com isso. (...) No Mineirão, isso ficou claro. Mesmo diante do dramático jogo do Brasil, houve quem desejasse tirar foto com famosos entre o tempo normal e a prorrogação, quem sorrisse e vibrasse quando aparecia no telão no meio da batalha com o Chile e até gente filmando a disputa de pênaltis. Para essas pessoas, o importante não era apoiar a seleção, mas registrar o evento e poder dizer que esteve lá. É como se cada partida da seleção fosse um espetáculo do Cirque du Soleil. (...) O assunto é sensível para a comissão técnica. Tanto é que o técnico Luiz Felipe Scolari vive agradecendo o apoio do torcedor, mesmo quando este não ocorre. Por óbvio, a preocupação é manter o público ao lado da seleção. Na noite de sexta-feira 27, Felipão foi além. Aceitou participar de uma constrangedora reportagem do Jornal Nacional na qual tentava instituir um novo grito de apoio à seleção. Não deu certo, talvez porque a 'torcida' do estádio seja tão alienada em termos futebolísticos que nem mesmo acompanha o noticiário para saber quão ridicularizado é o 'sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor'." (José Antonio Lima)
"O Brasil levou a sério demais a ideia de que nós somos um time de guerreiros, que não desiste nunca, que não se dobra jamais e blábláblá. Por isso foi insuportável assistir à partida. Porque vimos em campo soldados, e não jogadores de futebol, os artistas capazes de arrancar a graça em um jogo calculado por meio do drible, do improviso, da surpresa, da leveza e da amplitude. É quando o futebol deixa de ser uma concessão pra sorrir para se tornar uma batalha, triste como a mais ordinária das rotinas, em que só vence quem mata mais e morre menos. (...) Senti pena como sinto pena dos soldados, condecorados ou não, vitoriosos ou não, que colocam a valentia em teste e perdem sua vida por uma causa: a honra, o orgulho, a bandeira, a glória, a nação. É em nome desses termos, tão abstratos como o vento, que os homens vão à luta não para espalhar a liberdade, como prometeram a eles, mas para morrer. (...) Perdemos todos. Perdemos no instante em que transformamos a partida em uma questão de honra e absorvemos no campo a linguagem de uma sociedade já suficientemente violenta e injusta e, em vez de alegrias e amplitudes, falamos em honra, orgulho, bandeira, glória e nação." (Matheus Pichonelli)
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
A jornalista Esther Honig, da região do Kansas nos Estados Unidos, enviou uma foto sua para mais de 40 profissionais do Photoshop em todo o mundo. Seu pedido era: “Faça-me bonita”. Com o projeto, que recebeu o nome Before and After (Antes e Depois), Esther queria investigar os diferentes padrões de beleza nas regiões do mundo.
Luis Suárez é o jogador de futebol mais bonito do mundo
(Wright Thompson/ESPN)
Quando Suárez tinha 15 anos, ele conheceu uma garota. Seu nome era Sofia Balbi. Luis trabalhava como gari, e durante seu turno ele encontrava moedas, com as quais ele a levava para sair. A família dela tinha uma vida confortável, então deixavam Luis ficar em sua casa. Frequentemente ele fazia refeições com Sofia. Ela lhe disse que suas notas baixas vinham da preguiça, e não da burrice, e disse que ele deveria se esforçar mais. Na família dela, ele encontrou o que nunca tivera antes: um senso de pertencimento, de segurança. Em 2003, a família de Sofia mudou-se para a Espanha. Luis perdeu sua nova família, sua alma gêmea e sua musa. Mergulhou na tristeza. Ela vivia na Europa, ele na América do Sul, e ele podia varrer ruas para o resto da vida que não iria conseguir uma passagem de avião. Então seu apaixonamento de adolescente desembocou num plano totalmente típico da idade: ele iria se dedicar ao futebol, trabalhar duro e sem parar, e ele seria bom o suficiente para ser contratado por um time europeu, e assim ele poderia cruzar o oceano até a sua Sofia. Doideira, certo?
Seus amigos e mentores lutam para explicar uma ideia complicada. Eles o protegem, e explicam suas atitudes extremas, porque eles sentem o desespero enterrado dentro dele e não sabem como articular isso. Basicamente, qualquer coisa que ameace sua habilidade de fazer gols, e de ganhar, não é processada em seu inconsciente como sendo dirigida a um esportista, mas uma agressão a sua esposa e seus filhos. Vendo-o jogar percebe-se que a teoria é coerente: quando um zagueiro joga duro, Suárez não reage como se o homem quisesse lhe tirar a bola – ele reage como se o defensor estivesse tentando mandá-lo de volta para as ruas de Montevidéu, sozinho.
(Wright Thompson/ESPN)
Quando Suárez tinha 15 anos, ele conheceu uma garota. Seu nome era Sofia Balbi. Luis trabalhava como gari, e durante seu turno ele encontrava moedas, com as quais ele a levava para sair. A família dela tinha uma vida confortável, então deixavam Luis ficar em sua casa. Frequentemente ele fazia refeições com Sofia. Ela lhe disse que suas notas baixas vinham da preguiça, e não da burrice, e disse que ele deveria se esforçar mais. Na família dela, ele encontrou o que nunca tivera antes: um senso de pertencimento, de segurança. Em 2003, a família de Sofia mudou-se para a Espanha. Luis perdeu sua nova família, sua alma gêmea e sua musa. Mergulhou na tristeza. Ela vivia na Europa, ele na América do Sul, e ele podia varrer ruas para o resto da vida que não iria conseguir uma passagem de avião. Então seu apaixonamento de adolescente desembocou num plano totalmente típico da idade: ele iria se dedicar ao futebol, trabalhar duro e sem parar, e ele seria bom o suficiente para ser contratado por um time europeu, e assim ele poderia cruzar o oceano até a sua Sofia. Doideira, certo?
Seus amigos e mentores lutam para explicar uma ideia complicada. Eles o protegem, e explicam suas atitudes extremas, porque eles sentem o desespero enterrado dentro dele e não sabem como articular isso. Basicamente, qualquer coisa que ameace sua habilidade de fazer gols, e de ganhar, não é processada em seu inconsciente como sendo dirigida a um esportista, mas uma agressão a sua esposa e seus filhos. Vendo-o jogar percebe-se que a teoria é coerente: quando um zagueiro joga duro, Suárez não reage como se o homem quisesse lhe tirar a bola – ele reage como se o defensor estivesse tentando mandá-lo de volta para as ruas de Montevidéu, sozinho.
<< Por que a cabeçada de Pepe em Thomas Müller rende um jogo, o cotovelaço pelas costas de Song rende três e a mordida de Suárez, nove? Porque um é reincidente? Bem, Pepe não tem exatamente um histórico limpo. Porque um lance anterior "provocou'' a agressão? Bem, não sabemos o que o "santinho'' Chiellini falou ou até mesmo fez a Suárez durante aquele jogo. Porque não “pegou em cheio''? Oras, precisa? Agressão é agressão. No sentido de machucar, a dentada não é das piores. O cotovelaço pelas costas de Song dói mais e é mais perigoso. E é pelas costas. Ao escolher que uma cabeçada rende um jogo, um cotovelaço rende três e uma mordida rende nove, os homens da Fifa mandam dois recados. O primeiro, que o que Suárez fez não é aceitável em nenhuma circunstância. O segundo, que cabeçadas e cotovelaços são lances que "fazem parte'' do futebol. São colocados em uma categoria abaixo da dentada. Como assim chegamos ao ponto de considerar algumas agressões aceitáveis, outras não? >> (Julio Gomes/UOL)
quinta-feira, 26 de junho de 2014
"Uma fraude comum é cavar faltas, visto como natural por hordas de pessoas. Acham aceitável que, sem que nada tenha acontecido, um sujeito se atire ao chão aos berros no intuito de enganar o árbitro. Acompanha a cena com caras e bocas de indignação, o que reforça a intenção fraudulenta. Desonestidade é desonestidade, não outra coisa qualquer. O que explicaria a disseminação de embustes no volume que se verifica no futebol? De quem seria a responsabilidade senão dos técnicos e dirigentes? Por que os técnicos, em particular das divisões de base, não esculhambam os aprendizes que começam a vida profissional na base da mentira? Especulo que até se poderia montar uma espécie de 'índice de imoralidade' de países a partir do número de vezes que jogadores fazem isso." [Claudio Weber Abramo é diretor-executivo da ONG Transparência Brasil, dedicada a combater a corrupção. Bacharel em matemática (USP) e mestre em filosofia da ciência (Unicamp).]
quarta-feira, 25 de junho de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
"Toda Copa do Mundo nos ajuda a redescobrir que os uruguaios não são como os argentinos, alemães, brasileiros, espanhóis ou ingleses... Nós uruguaios somos muito uruguaios e parece que somos apenas nós mesmos, mas às vezes a gente quer ser diferente. Não tomamos tereré nem chá às 5: tomamos chimarrão a qualquer hora... comemos churrasco, jogamos truco, amamos o futebol e sonhamos com o impossível. Nossos horizontes têm sido e será o esforço e os milagres; e nossa paixão foi, é e será os desafios. Somos contraditórios, injustos, imaturos, sonhadores, teimosos... muito teimosos. Nunca nos damos por vencidos, somos lutadores. Somos pequenos, mas sonhamos em ser gigantes." (Diego Lugano)
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Deus E O Diabo - Itinerário
sábado, 21 de junho de 2014
Francis Alys - Cuando la fe mueve montañas
Em homanegm aos latino-americanos na Copa do Mundo 2014.
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Juremir Machado:
Os tecnocratas do Hospital de Clínicas ganharam a parada: vão derrubar mais de 250 árvores para construir um puxadinho ou puxadão robusto que cubra um estacionamento. Para chegar a esse objetivo, exploraram uma estratégia maniqueísta: a ecologia egoísta contra a saúde. É claro que a ideia colou. A mídia conservadora abraçou o projeto. A parte da população que acha árvore uma bobagem também adorou. Tem gente querendo cortar as palmeiras da Osvaldo Aranha para ampliar as pistas.
O automóvel-rei deve imperar sem obstáculos.
(...)
Ardilosamente o tapume que esconderá a operação foi pintado de verde.
Há uma vigilância permanente para evitar que alguém escreva no verde artificial que substituirá o natural.
Temem frases como “Tecnocratas estúpidos, a saúde depende também da conservação da natureza”.
Podemos ficar tranquilos: árvores serão plantadas.
Certamente em Gravataí, Alvorada e Viamão.
Os pacientes do Clínicas vão respirar melhor à sombra do concreto.
Os tecnocratas do Hospital de Clínicas ganharam a parada: vão derrubar mais de 250 árvores para construir um puxadinho ou puxadão robusto que cubra um estacionamento. Para chegar a esse objetivo, exploraram uma estratégia maniqueísta: a ecologia egoísta contra a saúde. É claro que a ideia colou. A mídia conservadora abraçou o projeto. A parte da população que acha árvore uma bobagem também adorou. Tem gente querendo cortar as palmeiras da Osvaldo Aranha para ampliar as pistas.
O automóvel-rei deve imperar sem obstáculos.
(...)
Ardilosamente o tapume que esconderá a operação foi pintado de verde.
Há uma vigilância permanente para evitar que alguém escreva no verde artificial que substituirá o natural.
Temem frases como “Tecnocratas estúpidos, a saúde depende também da conservação da natureza”.
Podemos ficar tranquilos: árvores serão plantadas.
Certamente em Gravataí, Alvorada e Viamão.
Os pacientes do Clínicas vão respirar melhor à sombra do concreto.
terça-feira, 17 de junho de 2014
<< Uma das qualidades que mais admiro nas pessoas atualmente - possivelmente por sua raridade - é a capacidade de a) reconhecer um erro ou uma ofensa e b) pedir desculpas por isso. Sem mimimi, sem nhenhenhém e, acima de tudo, sem "eu pago meus impostos": apenas o bom e velho "errei, foi mal e espero que vocês me desculpem". >> (Camila Pavanelli, e eu assino embaixo)
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segunda-feira, 16 de junho de 2014
Países do mundo com a maior proporção de postagens no facebook sobre um jogador da Copa 2014:
Benzema (França): Chade - ex-colônia francesa
Özil (Alemanha): Sudão - ex-colônia egípcia e, posteriormente, britânica
Rooney (Inglaterra): Birmânia ou Myanmar- ex-colônia britânica
Messi (Argentina): Bangladesh ou Bengala - pertencia ao Paquistão
Cristiano Ronaldo (Portugal): Sri Lanka ou Ceilão - ex-colônia britânica, mas os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem na ilha
Benzema (França): Chade - ex-colônia francesa
Özil (Alemanha): Sudão - ex-colônia egípcia e, posteriormente, britânica
Rooney (Inglaterra): Birmânia ou Myanmar- ex-colônia britânica
Messi (Argentina): Bangladesh ou Bengala - pertencia ao Paquistão
Cristiano Ronaldo (Portugal): Sri Lanka ou Ceilão - ex-colônia britânica, mas os portugueses foram os primeiros europeus a chegarem na ilha
“Há uma definição de Deus que tem sido repetida por muitos filósofos: uma esfera inteligível — uma esfera conhecida pela mente, mas não pelos sentidos — cujo centro está em toda parte e cuja circunferência está em lugar nenhum. O centro é exatamente onde você está sentado. E o outro centro é exatamente onde eu estou sentado. E cada um de nós é uma manifestação do Mistério." (Joseph Campbell)
domingo, 15 de junho de 2014
1. Julian Assange, Ecuador/Equador.
2. O goleiro da celeste, Muslera, deve ter jogado emaconhado em Uruguai 1x3 Costa Rica, pois estava com reflexos de cone.
3. Geometria plana em copas do mundo: Redondo e Cuadrado.
4. Martin Luque Skywalker
"A Terra é uma nave espacial. Não precisamos ir para o espaço. Nós já estamos no espaço. Só ainda não trouxemos isto para a nossa perspectiva de quem vive na Terra." (David Beaver, fundador do Overview Institute)
"Um amigo assim resumiu a atuação de Lula: ele pactuará tudo com Dilma, mas poderá assumir embates públicos caso ela decida se distanciar de alguns temas. Nas palavras de um auxiliar, outubro marcará o surgimento de um pré-candidato. A presença mais constante de Lula na política pretende servir como elemento unificador do PT e de seu eleitorado, hoje em parte distante de Dilma. (...) Interlocutores afirmam que, se vitoriosa, Dilma sairá da disputa devedora tanto do partido quanto de seu antecessor, e já dá sinais de aproximação maior com o PT. Um dos sinais de maior sintonia: ela concordou em encaminhar, caso reeleita, o projeto de regulação da mídia, desde que não seja uma legislação ampla, que mexa em conteúdo." (Natuza Nery/Folha)
sábado, 14 de junho de 2014
"A Terra é uma nave espacial. Não precisamos IR para o espaço. Nós já estamos no espaço. Só ainda não trouxemos isto para a nossa perspectiva de quem vive na Terra." (David Beaver, fundador do Overview Institute)
sexta-feira, 13 de junho de 2014
Eu queria indicar um texto para leitura. Como ele é muito longo, decidi eu mesmo lê-lo e gravá-lo para quem quiser ouvi-lo. A autora é a doutoranda em psicologia social da USP Camila Pavanelli.
Uma reflexão sobre política brasileira do ponto-de-vista da psicologia social by Revelações*Douglasdickel on Mixcloud
quinta-feira, 12 de junho de 2014
"Quem é um pouco mais velho vai lembrar. Em vários governos anteriores, a Copa do Mundo não foi no Brasil. Naquela época, não havia nenhuma corrupção.Os políticos eram todos honestos e bons para o povo. E todo o dinheiro que não foi desviado nem investido nas obras das Copas que não houve, foi aplicado em educação, que era uma maravilha. Nunca os professores ganharam tão bem como naquele tempo. E os professores quase todos tinham mestrado e doutorado financiados pelo governo, inclusive estudavam no exterior. E havia dinheiro para projetos de cultura, edição de livros, projetos culturais, feiras do livro. Era um grande sonho que foi água abaixo por culpa da Copa de 2014. O dinheiro público, naquela época, foi todo investido na saúde, até cirurgia plástica gratuita se fazia, não faltavam médicos, remédios. Qualquer um ia à farmácia com uma receita e conseguia remédio de graça. Também as estradas estavam ótimas. Em todos os governos que não promoveram a Copa do Mundo no Brasil também o transporte público era excelente e gratuito, todo mundo viajava de avião, até os pobres, e os serviços públicos eram de primeira. E como funcionava a Justiça naquele tempo de governos que não promoveram a Copa! Quem fazia as coisas direito era recompensado, quem fazia errado era punido. Todo mundo era feliz naquele tempo sem Copa. Não havia pobreza, nem marginais, nem conflitos de terras, nem analfabetos, nem doentes morrendo nos corredores, nem polícia batendo em gente na rua. Naquele tempo, o acesso à informação era outro. Não havia censura, nem meios de comunicação a serviço de seus próprios interesses. A imprensa (agora é a mídia) só contava a verdade exatamente como acontecia." (Pablo Morenno)
terça-feira, 10 de junho de 2014
segunda-feira, 9 de junho de 2014
São dois os "suspeitos" de terem sido mortos pela bomba do lateral-esquerdo Branco: um jogador escocês e o repórter fotográfico brasileiro Luciano Sitolini, este no último amistoso de preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 1994 – Brasil de 4x0 El Salvador, em Fresno. Luciano levou a bolada e caiu no chão com a cara sangrando e um monte de gente em volta. Ele passou por cirurgia, afetando parte da visão: foram nove pontos dentro do olho esquerdo. Perdeu ainda dois dentes, sendo que foi preciso esperar, por três meses, o rosto desinchar para só então ir ao dentista. Existe um mito de que o Branco teria matado alguém com o chute potente na bola, sendo que os dois cidadãos aqui mencionados se alternam no imaginário de quem preserva o mito. (Lembranças minhas aclaradas pelo Rafael Luis Azevedo.)
"As palavras reduzem a realidade a algo que a mente humana possa compreender, o que é muito pouco." (Eckhart Tolle)
Comunicação
não é o forte
das pessoas.
não é o forte
das pessoas.
domingo, 8 de junho de 2014
"O Brasil sofre de um transtorno bipolar, a gente vive da mania-depressão. Tem momentos em que se acha que o Brasil é a nova Roma, como dizia o Darcy Ribeiro, que vai mostrar ao mundo o caminho da transformação. E tem momentos em que você acha que o Brasil é a catástrofe mundial, que é o pior país do mundo, o país onde tudo dá errado. Esse tipo de bipolaridade, que também afeta os intelectuais, deveria ser superada de uma vez por todas. O Brasil é um país cuja população tem uma força incrivelmente resistente contra uma série de desmandos, tem uma história de resistência inacreditável, e tem também várias oportunidades perdidas, como todo grande país. O que você não pode no Brasil é viver é entre a mania e a depressão. Se você conseguir escapar desse tipo de acepção, talvez você consiga pensar melhor o Brasil." (Vladimir Safatle)
"A gente está num momento de vazio político que o Brasil nunca conheceu. Desde 1930 você tem ciclos políticos no Brasil em gestação. Agora temos um ciclo que se esgotou e não tem nenhum outro no lugar (...) Não há política de esquerda sem pelo menos três questões fundamentais: primeiro, uma defesa radical do igualitarismo. A gente vive num país onde mesmo essas questões que são pautas reformistas sociais democráticas clássicas, como imposto sobre grandes fortunas, estão ausentes do debate político brasileiro. Que são pautas que poderiam indicar onde o Estado poderia conseguir se financiar para oferecer serviços públicos de qualidade para seus cidadãos. O segundo ponto é a defesa radical da democracia direta. Existe uma tradição ruim na esquerda, que é uma tradição dirigista, centralizadora. Há uma exigência de mostrar que nós podemos avançar muito no modelo de democracia que não só apenas os processos decisórios, mas de gestão, sejam pensados em democracia direta. E o outro, que é fundamental para a esquerda, é o direito humano, que é o direito de resistência. Falar em direitos humanos é falar em resistência. O que está longe de ser o caso do Brasil, onde se criminaliza qualquer tipo de revolta, o mais rápido possível. [Há a] ... necessidade de inventar um novo tipo de organização, que não seja simplesmente a repetição de velhos vícios de organizações de esquerda, que são um elemento deslegitimador. Acredito que boa parte da desconfiança de parte da população em relação à esquerda se dá por isso: para você ter legitimidade do que você fala, você tem que mostrar que é capaz de fazer dentro da sua casa o que se propõe a fazer fora de casa. E isso falta, em larga medida. Você não pode propor uma prática profundamente democrática se você enquanto organização está longe de ter democracia interna." (Vladimir Safatle, professor de filosofia da USP)
"A mente tende a pular de um lado para outro como um macaco balançando de galho em galho, sem parar para descansar. Nossa mente tem milhões de caminhos e ela sempre nos puxa de volta para o nosso sentimento de ter sido ferido e de querer machucar em troca. (...) Se nós pudermos transformar o nosso caminho em um lugar para a meditação, os nossos pés vão dar todos os passos em plena consciência. Nossa respiração vai estar em harmonia com os nossos passos, e nossa mente ficará, naturalmente, à vontade. Cada passo que damos provocará que um fluxo de energia de calma flua através de nós. Podemos voltar para a Terra enquanto caminhamos. A Terra é nossa mãe e um lugar sólido de refúgio. Quando nos sentimos sobrecarregados pelo ódio ou raiva e queremos fazer mal a nós mesmos ou aos outros, devemos caminhar sobre a Mãe Terra e pedir a ela para receber e abraçar toda a nossa energia negativa. Quando estamos longe da mãe natureza por muito tempo, ficamos doentes." (Thich Nhât Hanh)
No ato de ontem do Sintrajufe Sindicato em cobrança da presidente Dilma Rousseff, José Claudenor Vermohlen, Coordenador-Geral da Precursoria da Secretaria-Geral da Presidência da República e ex-Subsecretário de Planejamento de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca, portando um caderno e uma bic quatro cores, ouviu nossas reivindicações e disse que as fará chegar até a Dilma. Colocou sempre a mão no ombro de quem lhe falava, como estratégia psicológica.
Onde estavam os outros 350? – Dá pra considerar que nosso ato, dos servidores do judiciário federal em greve, endereçado à Dilma, foi um sucesso. Para uma noite chuvosa de sexta-feira (eu não tenho nenhum problema com essas condições, mas já a maioria...), reunimo-nos em 50 colegas e fizemos um barulho infernal, até que fomos recebidos pelo Coordenador-Geral da Precursoria da Secretaria-Geral da Presidência da República (ex-Subsecretário de Planejamento de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca), José Claudenor Vermohlen.
PORÉM, considerando que em cada uma das assembleias estaduais participaram cerca de 400 grevistas, onde estavam os outros 350, mesmo que muitos (50%?) sejam do interior do estado? Onde estavam os servidores que não estão em greve e que poderiam dar pelo menos essa contribuição? Se tivessem ido ao protesto, ele teria sido muito mais poderoso.
Olha, se os porto-alegrenses continuarem com fobia de chuva (pluviofobia), numa cidade chuvosa como esta, perderão bastante da vida.
A TVCom esperou nós, do Sintrajufe Sindicato, irmos embora para fazer o boletim ao vivo na frente da Assembleia Legislativa, ainda que uma hora depois de a presidente Dilma chegar ao auditório. Mesmo assim, foi mencionado o nosso protesto.
Onde estavam os outros 350? – Dá pra considerar que nosso ato, dos servidores do judiciário federal em greve, endereçado à Dilma, foi um sucesso. Para uma noite chuvosa de sexta-feira (eu não tenho nenhum problema com essas condições, mas já a maioria...), reunimo-nos em 50 colegas e fizemos um barulho infernal, até que fomos recebidos pelo Coordenador-Geral da Precursoria da Secretaria-Geral da Presidência da República (ex-Subsecretário de Planejamento de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca), José Claudenor Vermohlen.
PORÉM, considerando que em cada uma das assembleias estaduais participaram cerca de 400 grevistas, onde estavam os outros 350, mesmo que muitos (50%?) sejam do interior do estado? Onde estavam os servidores que não estão em greve e que poderiam dar pelo menos essa contribuição? Se tivessem ido ao protesto, ele teria sido muito mais poderoso.
Olha, se os porto-alegrenses continuarem com fobia de chuva (pluviofobia), numa cidade chuvosa como esta, perderão bastante da vida.
A TVCom esperou nós, do Sintrajufe Sindicato, irmos embora para fazer o boletim ao vivo na frente da Assembleia Legislativa, ainda que uma hora depois de a presidente Dilma chegar ao auditório. Mesmo assim, foi mencionado o nosso protesto.
sábado, 7 de junho de 2014
Revolução (do latim revolutìo,ónis: ato de revolver), é uma mudança fundamental no poder político ou na organização estrutural de uma sociedade e, que ocorre em um período relativamente curto de tempo. O termo é igualmente apropriado para descrever mudanças rápidas e profundas nos campos científico-tecnológico, econômico e comportamental humano [em qualquer campo].
Arar ou lavrar a terra é revolver a terra, deixar ela mais solta, mais fofa, mais fácil de reter a agua da chuva, mais fácil das raízes se instalarem e aprofundarem em camadas mais internas da terra. Além de facilitar a penetração de adubos e de arrancar mecanicamente qualquer erva daninha que já estivesse nascida. É uma técnica que é mais antiga que a era Cristã. A terra já era arada, com juntas de boi, nas margens do Nilo, antes de Cristo. (Yahoo Answers)
Arado é um instrumento que serve para lavrar (arar) os campos, revolvendo a terra com o objetivo de descompactá-la e, assim, viabilizar um melhor desenvolvimento das raízes das plantas. Expõe o subsolo à ação do sol, ajudando a aumentar a temperatura e apressar o degelo. Também enterra restos de culturas agrícolas anteriores ou ervas daninhas porventura existentes. Melhora ainda a infiltração de água no solo e a aeração, além de realizar a construção de curvas de níveis. É uma das etapas agrícolas que antecede a semeadura. Além desse objetivo primacial, a aração permite um maior arejamento do solo, o que possibilita o desenvolvimento dos organismos úteis, como as minhocas, além de, alguns casos, permitir a mistura de nutrientes (adubos, químicos ou orgânicos; corretivos de acidez etc.). O arado é capaz de descompactar uma camada de solo que pode chegar aos 40 cm de profundidade. Foi uma das grandes invenções da humanidade, por permitir a produção de crescentes quantidades de alimentos e o estabelecimento de populações estáveis. (Wikipédia)
Escolhido o local da horta, o primeiro trabalho é limpar o terreno, capinando as ervas daninhas e amontoando-as num único ponto onde ficarão até decomposição, para posterior incorporação. Arbustos e outras plantas que façam sombra sobre a horta deverão ser eliminados, a não ser que sejam plantas úteis para o proprietário. Após a limpeza, revolve-se a terra aproveitando a oportunidade para incorporar o esterco ou a matéria orgânica. De modo geral, devido à pequena área, esse revolvimento é feito com enxadão. Se a área for grande, usa-se o arado, com tração animal ou com o trator. (Fundação Demócrito Rocha)
"Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas. Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isto que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas da gaiola estivessem abertas. A verdade é o oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam." (Rubem Alves)
Arar ou lavrar a terra é revolver a terra, deixar ela mais solta, mais fofa, mais fácil de reter a agua da chuva, mais fácil das raízes se instalarem e aprofundarem em camadas mais internas da terra. Além de facilitar a penetração de adubos e de arrancar mecanicamente qualquer erva daninha que já estivesse nascida. É uma técnica que é mais antiga que a era Cristã. A terra já era arada, com juntas de boi, nas margens do Nilo, antes de Cristo. (Yahoo Answers)
Arado é um instrumento que serve para lavrar (arar) os campos, revolvendo a terra com o objetivo de descompactá-la e, assim, viabilizar um melhor desenvolvimento das raízes das plantas. Expõe o subsolo à ação do sol, ajudando a aumentar a temperatura e apressar o degelo. Também enterra restos de culturas agrícolas anteriores ou ervas daninhas porventura existentes. Melhora ainda a infiltração de água no solo e a aeração, além de realizar a construção de curvas de níveis. É uma das etapas agrícolas que antecede a semeadura. Além desse objetivo primacial, a aração permite um maior arejamento do solo, o que possibilita o desenvolvimento dos organismos úteis, como as minhocas, além de, alguns casos, permitir a mistura de nutrientes (adubos, químicos ou orgânicos; corretivos de acidez etc.). O arado é capaz de descompactar uma camada de solo que pode chegar aos 40 cm de profundidade. Foi uma das grandes invenções da humanidade, por permitir a produção de crescentes quantidades de alimentos e o estabelecimento de populações estáveis. (Wikipédia)
Escolhido o local da horta, o primeiro trabalho é limpar o terreno, capinando as ervas daninhas e amontoando-as num único ponto onde ficarão até decomposição, para posterior incorporação. Arbustos e outras plantas que façam sombra sobre a horta deverão ser eliminados, a não ser que sejam plantas úteis para o proprietário. Após a limpeza, revolve-se a terra aproveitando a oportunidade para incorporar o esterco ou a matéria orgânica. De modo geral, devido à pequena área, esse revolvimento é feito com enxadão. Se a área for grande, usa-se o arado, com tração animal ou com o trator. (Fundação Demócrito Rocha)
"Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas. Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isto que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas da gaiola estivessem abertas. A verdade é o oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam." (Rubem Alves)
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sexta-feira, 6 de junho de 2014
"A superstição é a base da legitimidade de um governo corrupto." (Espinosa)
"Estudar exclusão pelas emoções dos que a vivem [e não exatamente pelas condições econômicas] é refletir sobre o 'cuidado' que o Estado tem com seus cidadãos. Elas são indicadoras do (des)compromisso com o sofrimento do homem, tanto por parte do aparelho estatal quanto da sociedade civil e do próprio indivíduo." (Baden Burihan Sawaia)
"Na tristeza, nossa potência serve toda ela para investir a marca dolorosa e para destruir o objeto que a causou. Assim, imobilizada, nossa potência reagir e não agir." (Gilles Deleuze)
"Toda emoção é um chamamento à ação ou uma renúncia a ela. Nenhum sentimento pode permanecer indiferente e infrutífero no comportamento. Ao sermos afetados, alteram-se as condições iniciais entre mente e corpo, pois os componentes psíquicos e orgânicos da reação emocional se estendem a todas as funções psicológicas superiores iniciais em que se produziram, surgindo uma nova ordem e novas conexões." (Lev Vygotsky)
Psicologia e desigualdade social: uma reflexão sobre liberdade e transformação social
(Bader Burihan Sawaia)
Espinosa queria entender o que leva os homens a lutarem por sua servidão como se fosse por sua liberdade, isto é, entender a servidão como ilusão de liberdade para encontrar os caminhos pelos quais a verdadeira libertação pudesse se tornar desejada e alcançada. A resposta ele vai encontrar no sistema de afetos; assim, nos ensina que as ações revolucionárias são inócuas se não são desbloqueadas as forças reprimidas da subjetividade em direção a alegria de viver, que é, por sua vez, a base da liberdade. Os homens se submetem à servidão porque são tristes, amedrontados e supersticiosos. Enredados na cadeia das paixões tristes, anulam suas potências de vida e ficam vulneráveis à tirania do outro, em quem depositam a esperança de suas felicidades. Por isso, afirma Espinosa, não se destrói uma tirania eliminando o tirano, pois outros o substituirão caso as relações servis não forem substituídas. É preciso destruir as relações que sustentam a escravidão.
(...) Alegria é o sentimento que temos quando nossa capacidade de existir aumenta. Tristeza é definida por Espinosa como o resultado de uma afecção que diminui nossa capacidade de existir e nos tornamos passivos. Diz-se 'livre' o que existe exclusivamente pela necessidade de sua natureza e por si só é determinados a agir; e diz-se 'necessário', ou, mais propriamente, 'coagido', o que é determinado por outra coisa a existir e a operar de certa e determinada maneira, de acordo.
(...) A paixão, embora seja da ordem da ilusão, não pode ser vencida pela razão, pelo simples fato de que razão e emoção não são funções distintas e independentes, ao contrário, operam juntas e em simultâneo. Portanto, razão sem emoção é abstração.
(...) Espinosa e Vygotsky defendem que a busca da felicidade é um ato político e que só se é consciente quando se é livre, isto é, quando a consciência resultar de uma decisão interior, autônoma, e não de obediência a um comando ou pressão externa. Segundo Marilena Chauí, 'liberdade de pensamento e de expressão e a busca da felicidade não são perigosas para a paz e a segurança do Estado. Ao contrário, são suas condições'.
(Bader Burihan Sawaia)
Espinosa queria entender o que leva os homens a lutarem por sua servidão como se fosse por sua liberdade, isto é, entender a servidão como ilusão de liberdade para encontrar os caminhos pelos quais a verdadeira libertação pudesse se tornar desejada e alcançada. A resposta ele vai encontrar no sistema de afetos; assim, nos ensina que as ações revolucionárias são inócuas se não são desbloqueadas as forças reprimidas da subjetividade em direção a alegria de viver, que é, por sua vez, a base da liberdade. Os homens se submetem à servidão porque são tristes, amedrontados e supersticiosos. Enredados na cadeia das paixões tristes, anulam suas potências de vida e ficam vulneráveis à tirania do outro, em quem depositam a esperança de suas felicidades. Por isso, afirma Espinosa, não se destrói uma tirania eliminando o tirano, pois outros o substituirão caso as relações servis não forem substituídas. É preciso destruir as relações que sustentam a escravidão.
[Inserção minha.] "Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas. Para voar, é preciso ter coragem para enfrentar o terror do vazio. Porque é só no vazio que o vôo acontece. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isto que tememos: o não ter certezas. Por isso trocamos o vôo por gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que eles voariam se as portas da gaiola estivessem abertas. A verdade é o oposto. Não há carcereiros. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas em que se aprisionam." (Rubem Alves)
(...) Alegria é o sentimento que temos quando nossa capacidade de existir aumenta. Tristeza é definida por Espinosa como o resultado de uma afecção que diminui nossa capacidade de existir e nos tornamos passivos. Diz-se 'livre' o que existe exclusivamente pela necessidade de sua natureza e por si só é determinados a agir; e diz-se 'necessário', ou, mais propriamente, 'coagido', o que é determinado por outra coisa a existir e a operar de certa e determinada maneira, de acordo.
(...) A paixão, embora seja da ordem da ilusão, não pode ser vencida pela razão, pelo simples fato de que razão e emoção não são funções distintas e independentes, ao contrário, operam juntas e em simultâneo. Portanto, razão sem emoção é abstração.
(...) Espinosa e Vygotsky defendem que a busca da felicidade é um ato político e que só se é consciente quando se é livre, isto é, quando a consciência resultar de uma decisão interior, autônoma, e não de obediência a um comando ou pressão externa. Segundo Marilena Chauí, 'liberdade de pensamento e de expressão e a busca da felicidade não são perigosas para a paz e a segurança do Estado. Ao contrário, são suas condições'.
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Last Lives from Scott Benson on Vimeo.
This here is Last Lives, my short for LNWC's GHOST STORIES.
https://vimeo.com/73554156
It's ok, but you should have seen it IN MY BRAIN!!!
Sound by the great David Kamp.
http://www.studiokamp.com/
Scott Benson
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quinta-feira, 5 de junho de 2014
Regina José Galindo (b. 1974) nace en la Ciudad de Guatemala donde actualmente sigue trabajando. Es una artista visual especializada en performance art. Su trabajo explora las implicaciones éticas universales de las injusticias sociales, relacionadas con discriminaciones raciales, de género y otros abusos implicados en las desiguales relaciones de poder que funcionan en nuestras sociedad actuales. Galindo es también una poeta.
"Eles acham que inteligência é notar coisas que são relevantes (detectar padrões); em um mundo complexo, a inteligência consiste em ignorar coisas irrelevantes (evitar padrões falsos)." (Nassim Nicholas Taleb)
"Depois de quebrar esse monopólio [Globo], ou seja, permitir muito mais canais de TV, jornais e rádios, proibindo o mesmo empresário ou grupo de possuir mais de um tipo de mídia, como em democracias mais experientes, (ex:, quem tem TV não pode ter rádio nem jornal, e vice-versa), depois disso, fica infinitamente mais fácil regulamentar na lei essa atividade. Entretanto, os 'companheiros(as)' escolheram brigar, agora, pela regulamentação, ao invés de quebrar o monopólio nacional de mídia. Isso porque, creio, eles adoram uma luta longa e sangrenta. Só pode ser por isso que estão escolhendo o caminho mais desgastante, e mais problemático, e com alto risco de fracasso. Aí me pergunto: será que ter alguém para odiar vale o risco, e a perda de tempo em anos, para a população e a democracia? Sim, o ódio em comum nos mantém unidos, mas a estratégia para canalizar esse ódio poderia ser bem mais inteligente... Para quem quiser comprovar: http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/regulacao-da-midia-nao-e-censura-2340.html." (prof. Alvaro Oxley Rocha)
"Neste curto e preciso texto, David Graeber lança a ideia de que a principal razão pela qual o capitalismo promoveu crescimento e diminuiu a desigualdade entre 1917 e 1975 é que, nesta época, o sistema 'enfrentava alguma concorrência' – basicamente, havia a União Soviética, movimentos revolucionários anticapitalistas espalhados pelo mundo e organizações trabalhistas fortes. Dali em diante, com o fim de qualquer ameaça política mais séria ao capitalismo, as coisas voltaram ao seu estado normal – isto é, a renda passou a ficar cada vez mais concentrada nas mãos de um 1% cada vez mais zero vírgula zero zero 1%. (...) 'O 1% não está a ponto de se auto-expropriar sozinho, mesmo se isso lhe for pedido com educação. E eles passaram os últimos 30 anos blindando a mídia e a política para garantir que ninguém o faça por meios eleitorais. Dado que ninguém em sã consciência quer ressuscitar algo como a União Soviética, não iremos ver nada como a social-democracia sendo criada para combatê-la. Se quisermos uma alternativa à estagnação, à pobreza e à devastação ecológica, teremos simplesmente de inventar um jeito de desligar a máquina e começar de novo.'" (Camila Pavanelli de Lorenzi, doutor(and)a em Psicologia Social)
"A definição de hipócrita é algo que vale a pena ser conhecida por ser muito, mas muito esclarecedora. Na Wikipedia, o verbete em espanhol, 'hipocresía', é o mais bonito. Essa é a coisa mais profunda que já vi e mais simples ao mesmo tempo: [traduzido] hipócrita é toda pessoa que 'de forma constante ou esporádica' exige das outras algo que ela mesmo não segue ou não tem. A hipocrisia pode vir do desejo de esconder dos demais os motivos ou sentimentos reais. A hipocrisia não é simplesmente a inconsistência entre aquilo que se defende e aquilo que se faz. E, o encerramento, maravilhoso: para o linguista e analista social Noam Chomsky, a hipocrisia, definida como a negação de 'aplicar a nós mesmos os mesmos valores que aplicamos aos outros', é um dos males centrais da nossa sociedade, que promove injustiças como a guerra, as desigualdades sociais em um marco de autoengano, que inclui a noção de que a hipocrisia por si mesma é uma parte necessária ou benéfica do comportamento humano e da sociedade. Em muitos idiomas, inclusive o francês, um hipócrita é alguém que esconde suas verdadeiras intenções e verdadeira personalidade." (Rosana Herrmann)
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Descarada esta cópia:
Portishead "Over" (1997) e
Mogwai "The huts" (2013) –
DEZESSEIS anos de diferença.
Portishead "Over" (1997) e
Mogwai "The huts" (2013) –
DEZESSEIS anos de diferença.
"Quem não adere à greve não escolhe, por não ser possível (e provavelmente não escolheria se possível fosse), ficar excluído das conquistas. Quem não entra em greve não tem mais medo, não corre mais riscos, não precisa mais do salário (até porque não está lutando para melhorá-lo). Quem não participa do movimento não pode escolher, em consequência da sua inércia, ficar sem a incidência do PCS [reajuste] se aprovado, ou permanecer mais dez anos sem reajuste. Você que ainda não está em greve deve ter a coragem de assumir junto aos colegas, junto aos familiares e principalmente junto aos seus filhos, para os quais servem (ou deveriam servir) de exemplo, não que fez a opção de não participar da greve, mas sim que fez a opção de deixar que os seus colegas lutem para conquistar direitos e melhorias e tentem evitar prejuízos para eles e para você. Que escolheu deixar que os seus colegas corram riscos, sintam-se angustiados, inseguros e desconfortáveis por eles e por você. Que preferiu permanecer inerte nos seu conforto enquanto os seus colegas lutam, por saber que o que eles conseguirem será estendido a você." (Ronildo de Freitas)
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"A melhor coisa de pegar o caminho mais difícil é que acaba em lugares em que nunca esteve antes." "Kyss meg for faen i helvete" (2013) |
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"Nossos servidores são hospedados pelo Partido Pirata. Significa que, se alguém os fechar, eles estarão fechando o partido. Isso significa fechar um partido que representa a Suécia na União Européia. Isso seria censura política no mais alto nível. Se você é hospedado pelo Partido Pirata, você tem proteção política. Você poderia dizer que tem imunidade diplomática." (Peter Sunde/Pirate Bay)
Promotor – O que irá acontecer com o Pirate Bay se vocês forem considerados culpados?
Peter Sunde – Nada. O que eles poderão fazer? Já tentaram desativá-lo uma vez. Eles são bem vindos a vir e falhar novamente. Não é o Pirate Bay que irá à corte. É sobre nos pegar, por estarmos ligados ao Pirate Bay, num julgamento político.
"Eu espero que não tenhamos uma internet monitorada e restrita. Esse é o maior problema agora. A indústria do copyright está cavando uma cova para a internet. Eles não levam em conta o benefício de uma internet livre. O problemas é pessoas velhas estão administrando as empresas. Eles sabem fazer dinheiro como antigamente e não querem mudar. São como os Amish. Não querem energia. Sabem como fazer as coisas sem energia." (Peter Sunde/ Pirate Bay)
"Eu sou a favor dos direitos autorais, mas apenas se eles encorajam a criatividade. Não os direitos autorais como um grande mecanismo de controle para pessoas que sentam em grandes porções de direitos." (Roger Wallis, professor do KTH - Royal Institute of Technology, na Suécia, e testemunha de defesa no processo contra os criadores do thePirateBay.org)
Promotor – O que irá acontecer com o Pirate Bay se vocês forem considerados culpados?
Peter Sunde – Nada. O que eles poderão fazer? Já tentaram desativá-lo uma vez. Eles são bem vindos a vir e falhar novamente. Não é o Pirate Bay que irá à corte. É sobre nos pegar, por estarmos ligados ao Pirate Bay, num julgamento político.
"Eu espero que não tenhamos uma internet monitorada e restrita. Esse é o maior problema agora. A indústria do copyright está cavando uma cova para a internet. Eles não levam em conta o benefício de uma internet livre. O problemas é pessoas velhas estão administrando as empresas. Eles sabem fazer dinheiro como antigamente e não querem mudar. São como os Amish. Não querem energia. Sabem como fazer as coisas sem energia." (Peter Sunde/ Pirate Bay)
"Eu sou a favor dos direitos autorais, mas apenas se eles encorajam a criatividade. Não os direitos autorais como um grande mecanismo de controle para pessoas que sentam em grandes porções de direitos." (Roger Wallis, professor do KTH - Royal Institute of Technology, na Suécia, e testemunha de defesa no processo contra os criadores do thePirateBay.org)
'NYC', do Interpol, é uma das músicas mais bonitas do planeta.
quarta-feira, 4 de junho de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
"Para um chileno, nada é impossível. Não nos importa a morte, porque a morte... nos já vencemos!"
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"Sem conhecer a si mesmo, faça o que fizer, não pode haver o estado de meditação. Conhecer cada pensamento, cada disposição, cada sentimento; conhecer a atividade de sua mente. Simplesmente tentar meditar sem estabelecer primeiro, profundamente, irrevogavelmente, essa virtude que surge através do autoconhecimento, é completamente enganoso e absolutamente inútil. Por favor, é muito importante que aqueles que são sérios compreendam isto. Porque se você não pode fazer isso, sua meditação e o viver atual estão divorciados, apartados – tão apartados que, embora você possa meditar, fazer posturas indefinidamente, pelo resto de sua vida, não enxergará além de seu próprio nariz; qualquer postura que você assumir, qualquer coisa que fizer, não terá significado. É importante compreender o que é esse autoconhecimento, apenas estar cônscio, sem nenhuma escolha, do 'eu' que tem sua origem num feixe de memórias – apenas estar cônscio disto sem interpretação, meramente observar o movimento da mente. Mas essa observação é impedida quando você está apenas acumulando através da observação – o que fazer, o que não fazer, o que conseguir; se você fizer isso, porá um fim ao processo vivo do movimento da mente como ego." (Krishnamurti)
"Eu sou mais a favor da Lei da Palmada do que contra ela, porque a violência é contagiosa: reprimir a violência de pais e educadores talvez quebre o círculo vicioso pelo qual tendemos a reproduzir a violência da qual fomos vítimas. Mesmo assim, cuidado: o que enlouquece as crianças não são as palmadas, mas as oscilações repentinas do humor dos adultos, alternâncias rápidas e contínuas entre amor visceral e fúria punitiva, beijos molhados e punições terrificantes, apertões e declarações de amor a gritos raivosos e tentativas de estrangulação – minando a confiança da criança no mundo. Essa alternância não é a obra de malucos. Ao contrário, ela é trivial: repetidamente, o adulto que ama demais explode, porque não aguenta o sacrifício de sua própria vida, que as crianças não lhe pedem, mas que ele se impõe como se as crianças lhe pedissem. Cada explosão, por sua vez, produz culpa e uma nova onda de extrema paixão amorosa. E a coisa recomeça. Conclusão: talvez a maior violência contra as crianças não seja a palmada, mas o amor excessivo dos adultos." (Contardo Calligaris)
Versão original, descompactada:
Amar e punir
(Contardo Calligaris)
Eu sou mais a favor da Lei da Palmada do que contra ela, porque a violência é contagiosa: reprimir a violência de pais e educadores talvez quebre o círculo vicioso pelo qual tendemos a reproduzir a violência da qual fomos vítimas.
Mesmo assim, cuidado: o que enlouquece as crianças não são as palmadas, mas as oscilações repentinas do humor dos adultos.
Harold Searles, numa obra (1959) que continua sendo uma referência, descreveu "O Esforço para Tornar o Outro Louco". Ele revelou, por exemplo, as consequências enlouquecedoras de um comportamento dos pais feito de alternâncias rápidas e contínuas entre amor visceral e fúria punitiva.
Essa alternância não é a obra de malucos. Ao contrário, ela é trivial, sobretudo quando os adultos amam muito seus rebentos (ou seus educandos) e, portanto, querem dar tudo (e mais um pouco) para eles: tempo, atenção, esperanças, bens materiais etc.
Repetidamente, o adulto que ama demais explode, porque não aguenta o sacrifício de sua própria vida, que as crianças não lhe pedem, mas que ele se impõe como se as crianças lhe pedissem. Cada explosão, por sua vez, produz culpa e uma nova onda de extrema paixão amorosa. E a coisa recomeça.
Essa alternância de beijos molhados e punições terrificantes mina a confiança da criança no mundo e é muito mais enlouquecedora do que, por exemplo, uma severidade constante, mesmo que ela se expresse em castigos físicos.
De novo, uma criança não enlouquece porque seus pais praticam a palmatória; mas algumas crianças enlouquecem porque os pais passam de apertões e declarações de amor a gritos raivosos e tentativas de estrangulação.
Conclusão: talvez a maior violência contra as crianças não seja a palmada, mas o amor excessivo dos adultos.
Versão original, descompactada:
Amar e punir
(Contardo Calligaris)
Eu sou mais a favor da Lei da Palmada do que contra ela, porque a violência é contagiosa: reprimir a violência de pais e educadores talvez quebre o círculo vicioso pelo qual tendemos a reproduzir a violência da qual fomos vítimas.
Mesmo assim, cuidado: o que enlouquece as crianças não são as palmadas, mas as oscilações repentinas do humor dos adultos.
Harold Searles, numa obra (1959) que continua sendo uma referência, descreveu "O Esforço para Tornar o Outro Louco". Ele revelou, por exemplo, as consequências enlouquecedoras de um comportamento dos pais feito de alternâncias rápidas e contínuas entre amor visceral e fúria punitiva.
Essa alternância não é a obra de malucos. Ao contrário, ela é trivial, sobretudo quando os adultos amam muito seus rebentos (ou seus educandos) e, portanto, querem dar tudo (e mais um pouco) para eles: tempo, atenção, esperanças, bens materiais etc.
Repetidamente, o adulto que ama demais explode, porque não aguenta o sacrifício de sua própria vida, que as crianças não lhe pedem, mas que ele se impõe como se as crianças lhe pedissem. Cada explosão, por sua vez, produz culpa e uma nova onda de extrema paixão amorosa. E a coisa recomeça.
Essa alternância de beijos molhados e punições terrificantes mina a confiança da criança no mundo e é muito mais enlouquecedora do que, por exemplo, uma severidade constante, mesmo que ela se expresse em castigos físicos.
De novo, uma criança não enlouquece porque seus pais praticam a palmatória; mas algumas crianças enlouquecem porque os pais passam de apertões e declarações de amor a gritos raivosos e tentativas de estrangulação.
Conclusão: talvez a maior violência contra as crianças não seja a palmada, mas o amor excessivo dos adultos.
"Imagens significantes rendem mais e melhores insights (descobertas intuitivas) do que a fala, do que os tipos de significação que a comunicação verbal define. Se elas não lhe dizem nada, é porque você ainda não está pronto para elas, e então as palavras só vão servir para você pensar que não entendeu nada, e, assim, arrasá-lo. Você não questiona o que uma dança significa, você apenas desfruta dela. Você não questiona o que o mundo significa, você desfruta dele. Você não questiona o que você significa, você se desfruta." (Joseph Campbell)
Miriam Leitão – Há quem sustente a surrada tese de que é preciso torcer contra o Brasil porque a vitória poderia ter efeito político favorável ao governo. Ora, ora. Esse erro foi cometido por uma parte da esquerda em 1970. Havia até mais motivo para as pessoas confundirem as estações. O governo militar, comandado pelo pior dos generais que indevidamente ocuparam a cadeira da presidência, misturou tudo de propósito. O “Pra Frente Brasil” era na verdade um apoio explícito à ditadura que naquele momento torturava mais, matava mais, endurecia o jogo contra todos e todas. O coração verde e amarelo dividia-se naquela ambiguidade propositadamente criada pelo regime autoritário.
Depois de 1990, houve eleições a cada quatro anos e, por isso, sempre coincidindo com as copas. Que transferência de voto houve nas derrotas e nas vitórias da seleção? Nenhuma. Em 1994, a vitória do governo nada teve a ver com o que houve nos gramados dos Estados Unidos, quando o Brasil ganhou o tetra. Teve mais relação com a vitória do Plano Real na longa luta contra a hiperinflação. O PT não entendeu o plano e torceu contra. Pagou seu preço à época por não ter tido a dimensão da torcida nacional no campo monetário.
Naquele ano, o Brasil ficou de olho na Copa, vivendo a expectativa pelo desempenho da seleção, apesar de estar ocupadíssimo fazendo a complicada conversão dos salários, preços, contratos e aplicações financeiras do inflacionado cruzeiro real para uma moeda virtual que prometia depois ser real. Era um momento confuso e tenso na economia, mas ninguém jogou para escanteio a torcida pela seleção.
Em 2002, foi uma vitória linda contra a Alemanha, naquele final da Copa em que havia dois países-sede, Japão e Coreia. Aqui, ninguém ficou dividido apesar de a economia estar enfrentando os reflexos da dúvida sobre o que seria a política econômica do PT, que se fortalecia a cada nova pesquisa eleitoral. Encerrada a Copa, o país venceu a dúvida, a crise cambial, e votou na então oposição para governar o país.
Enfim, política, economia e futebol são times separados. O eleitor faz sua escolha política, o país tenta superar dificuldades econômicas, e, no futebol, torce pela seleção. E se há várias evidências de que a economia tem reflexos na política; não há qualquer indício de que temos que negar o apoio ao time que nos ocupa o coração só por uma bronca contra o governo.
Depois de 1990, houve eleições a cada quatro anos e, por isso, sempre coincidindo com as copas. Que transferência de voto houve nas derrotas e nas vitórias da seleção? Nenhuma. Em 1994, a vitória do governo nada teve a ver com o que houve nos gramados dos Estados Unidos, quando o Brasil ganhou o tetra. Teve mais relação com a vitória do Plano Real na longa luta contra a hiperinflação. O PT não entendeu o plano e torceu contra. Pagou seu preço à época por não ter tido a dimensão da torcida nacional no campo monetário.
Naquele ano, o Brasil ficou de olho na Copa, vivendo a expectativa pelo desempenho da seleção, apesar de estar ocupadíssimo fazendo a complicada conversão dos salários, preços, contratos e aplicações financeiras do inflacionado cruzeiro real para uma moeda virtual que prometia depois ser real. Era um momento confuso e tenso na economia, mas ninguém jogou para escanteio a torcida pela seleção.
Em 2002, foi uma vitória linda contra a Alemanha, naquele final da Copa em que havia dois países-sede, Japão e Coreia. Aqui, ninguém ficou dividido apesar de a economia estar enfrentando os reflexos da dúvida sobre o que seria a política econômica do PT, que se fortalecia a cada nova pesquisa eleitoral. Encerrada a Copa, o país venceu a dúvida, a crise cambial, e votou na então oposição para governar o país.
Enfim, política, economia e futebol são times separados. O eleitor faz sua escolha política, o país tenta superar dificuldades econômicas, e, no futebol, torce pela seleção. E se há várias evidências de que a economia tem reflexos na política; não há qualquer indício de que temos que negar o apoio ao time que nos ocupa o coração só por uma bronca contra o governo.
segunda-feira, 2 de junho de 2014
"Eu já percebi que as pessoas, muitas vezes, criam os seus próprios comic relieves quando o filme não os dá. Riem meio que de nervosos. Percebi isso pela primeira vez com A Bruxa de Blair." (Rogério Monteiro)
"Apenas através da conscientização do que é verdadeiro de momento a momento se descobre aquilo que é infinito, o eterno. Sem autoconhecimento, o eterno não pode surgir. Quando não conhecemos a nós mesmos, o eterno se torna uma simples palavra, um símbolo, uma especulação, um dogma, uma crença, uma ilusão para onde a mente pode fugir. Mas se a pessoa começa a compreender o “eu” em todas as suas várias atividades dia a dia, então nessa própria compreensão, sem qualquer esforço, o inominável, o eterno, surge. Mas o eterno não é uma recompensa para o autoconhecimento. Aquilo que é eterno não pode ser perseguido; a mente não pode adquiri-lo. Ele surge quando a mente está quieta, e a mente só pode estar quieta quando é simples, quando não está mais armazenando, condenando, julgando, pesando. Apenas a mente simples pode compreender o real, não a mente que está cheia de palavras, conhecimento, informação. A mente que analisa, calcula, não é uma mente simples." (Krishnamurti)
"A religião e a política são as formas mais fáceis de praticar exemplos de atitudes de intolerância. Quanto mais eu sou apegado às minhas crenças, possivelmente menos flexibilidade eu tenho de aceitar as crenças dos outros. A intolerância é querer enquadrar todo mundo no conjunto de fé que eu tenho, no conjunto de verdades que alimentam a minha convicção. Tolerar é ser indulgente, é ser compreensivo com outras pessoas. É eu consentir tacitamente que o outro tem o direito a falar, mesmo que eu não concorde com ele, eu posso até dizer que eu não concordo com as ideias dele, mas de uma forma educada, sem precisar agredir, sem precisar ofender a outra pessoa. A sociedade de hoje cobra cada vez mais de nós. Há ritmos cada vez mais frenéticos, mais rápidos, e isso nos deixa tensos. E a tensão nos leva facilmente a não ser flexíveis e a passar a ser intelorante, o que acontece no tráfego. Eu mesmo, quando dirijo, tenho a sensação de que o meu corpo está prolongado no próprio carro, não admito que o outro me ultrapasse, então eu começo a ficar tenso. Nos falta o jogo de cintura de aceitar todos os ritmos velozes que nos são cobrados, cobra-se hoje o que devia ter sido feito ontem, e isso gera tensões." (José Odelso Schneider, professor de ciências sociais da Unisinos)
"No momento em que você está dentro do carro, o seu self passa a ser o próprio carro, como se a sua pele fosse o espaço ocupado por ele naquela via pública. Tanto é assim que, se alguém passar a mão no carro, ou der um tapa, mesmo sem arranhá-lo, a pessoa pode se sentir incomodada com aquilo, como se o próprio corpo dele estivesse sendo tocado [que nem quando eu dei um tapa de cachecol num carro, na faixa de pedestres do Santander Cultural, e o motorista desceu, me alcançou e encostou um revólver na minha cintura e ameaçou no meu ouvido]. A evolução nos dotou do cortisol, da adrenalina, como uma resposta ao estresse, que vai fazer com que a gente possa lutar com o inimigo ou fugir dele. Isso possibilitou que sobrevivêssemos e passássemos os genes adiante. Mas essa leitura da natureza era para situações agudas: eu vou na floresta, caço, de preferência não sou caçado, e volto. Então, naquela situação o cortisol me ajuda: dilata a pupila, o coração bate mais rápido, se eu tiver que me locomover com mais velocidade. Isso faz sentido para que dê só aquela descarga, eu resolva o problema e volte. Mas a natureza não pensou evolutivamente que nós teríamos descargas constantes desses hormônios estressores; que eu vou entrar no automóvel, sentar ali e ficar duas horas para andar um trajeto curto, e começo, na falta de a quem culpar, culpar o vizinho, culpar o carro que representa outro que está lutando comigo frente àquele espaço. Leitura essa que só vai acontecer porque o estresse vai fazer o pedido para que o corpo demande aquela resposta que é impossível; eu tenho que continuar na velocidade em que eu posso andar, não há como fazer um movimento diferente, e por isso a intolerância com o que quer entrar... 'puxa, mas só falta isso; já estou atrasado, estou cansado e esse doido quer me roubar um segundo do meu tempo!'. Então, a chance de ter uma discussão, algum agravamento, é realmente maior quanto mais os sistemas sociais coloquem um impasse entre o que diz a biologia – o que pede a biologia para que façamos – e o contexto social que diz como seria mais prudente a gente se comportar." (Jayme Vaz Brasil, psiquiatra)
domingo, 1 de junho de 2014
"Torcer para que o Brasil perca, para que a energia acabe, para que o rei da Suécia pegue dengue e as privadas de todos os hotéis das cidades-sede entupam é uma atitude politicamente tão inteligente e construtiva quanto demorar mais no banho para derrubar o Alckmin, em São Paulo. A Copa ser um fiasco não alfabetizará a população, não resolverá a saúde pública, não melhorará o transporte. Nos deixará na mesmíssima situação – só que com um fiasco de Copa. Que se ponha atrás das grades quem roubou. Mas, a partir da semana que vem, os maiores jogadores do mundo estarão jogando em nossos gramados, no maior espetáculo do futebol. Se privar de viver essa experiência, seja nos estádios, nas praças, nos bares, em casa ou mesmo durante uma justíssima manifestação, pela internet do celular, não fará o Brasil melhor, só deixará sua vida mais chata." (Antonio Prata)
"Cada ser humano, desde a infância, é ferido. É ferido pelos pais, estou dizendo psicologicamente; ferido na escola, na universidade, através da comparação, através da competição, sendo cobrado para ser o primeiro da classe. Durante toda a vida existe este processo constante de ser ferido. Sabemos isso. Somos magoados, profundamente, e podemos não estar conscientes disto. Sendo feridos, existem todas as formas de (re)ações neuróticas." (Krishnamurti)
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