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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

The Wire's Top 50 releases of 2010

01 Actress - Splazsh
02 Oneohtrix Point Never - Returnal
03 Swans - My father will guide me up a rope to the sky
04 Joanna Newsom - Have one on me
05 Catherine Christer Hennix - The electric harpsichord
06 Rangers - Suburban tours
07 Ariel Pink's Haunted Graffiti - Before today
08 John Tilbury & Sebastian Lexer - Last daylight
09 Keith Fullerton Whitman - Disengenuity/Disengenuousness
10 Kevin Drumm - Necro acoustic
11 Sun City Girls - Funeral mariachi
12 Annette Krebs & Taku Unami - Motobachii
13 Sun Araw - On patrol
14 Gonjasufi - A sufi and a killer
15 Big Boi - Sir Lucious Left Foot
16 Joe Colley - Disasters of self
17 Richard Skelton - Landings
18 Emeralds - Does it look like I'm here?
19 Eleh - Location momentum
20 Autechre - Oversteps
21 Helena Gough - Mikroklimata
22 Demdike Stare - Liberation through hearing
23 Marina Rosenfeld - Plastic materials
24 Bill Orcutt - Way down south
25 Flying Lotus - Cosmogramma
26 Bellows - Handcut
27 Tilbury/Duch/Davies - Cornelius Cardew: Works 1960-1970
28 Hype Williams - s/t
29 Laurie Anderson - Homeland
30 Konono No 1 - Assume crash position
31 Zs - New slaves
32 Phew - Five finger discount
33 Sabbath Assembly - Restored to one
34 Derek Bailey - More 74
35 Seijaku - Mail from Fushitsua
36 Tyler the Creator - Bastard
37 Moon Wiring Club - A spare tabby at the cat's wedding
38 Larry Polansky - The world's largest melody
39 Alastair Galbraith - Mass
40 Jailbreak - The Rocker
41 oOoOO - oOoOO
42 Pedestrian Deposit - East fork/North fork
43 Group Inerane - Guitars from Agadez vol 3
44 Prins Thomas - s/t
45 These New Puritans - Hidden
46 Aldo Clementi - Works with flutes
47 Graham Lambkin & Jason Lescalleet - Air supply
48 Joseph Hammer - I love you, please love me too
49 Joshua Abrams - Natural information
50 Grinderman 2


The WIRE's Top 15 Electronica releases of 2010

Luke Abbott - Holkham Drones
J Biebz x Shamantis U Smile 800% Slower (Soundcloud)
James Blake - Klavierwerke (R&S)
Frank Bretschneider EXP (Raster-Noton)
Cluster - Qua (Klangbad)
Ekoplekz - Stalag Zero/Distended Dub (Punchdrunk)
Kangding Ray - Pruitt Igoe (Raster-Noton)
Lovesliescrushing - Crwth (Chorus Redux) (12k/Line)
Nest - Retold (Serein)
Philippe Petit - Off To Titan (Karl)
Raime Raime EP (Blackest Ever Black)
Nicholas Szczepanik Dear Dad (Basses Frequences)
T++ Wireless (Honest Jon’s)
David Tagg Pentecost (Install)
Vex’d Cloud Seed (Planet Mu)


The WIRE's Top Outer Limits releases of 2010

Alessandro Bosetti Zwölfzungen (Sedimental)
Cold Cave/Prurient Stars Explode (Hospital Productions)
Emeralds Does It Look Like I’m Here? (Editions Mego)
Evil Moisture If You Want To Fuck The Sky, Teach Your Cock To Fly (Ideal)
Robin Fox A Handful Of Automation (Editions Mego)
The Haters/Hal Hutchinson Xylowave 2010/Amplification II (Der Bunker)
Hum Of The Druid Norse Fumigation (SNSE)
Rolf Julius Music For The Ears: Small Music No 1 (Western Vinyl)
Keränen Bats In The Attic (Pica Disk)
Monos Above The Sky (ICR)
Pedestrian Deposit East Fork/North Fork (Monorail Trespassing)
Dave Phillips ? (Heart & Crossbone)
Sculpture Rotary Signal Emitter (Dekorder)
Sudden Infant My Life’s A Gunshot: Retrospective 1989– 2009 (Hrönir)
Vomir Renonce (Crucial Blaze)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Com quem já me acharam parecido.
(Atualização de número quinze.)

01. Claudio Dickel
02. Cláudio Heinrich
03. Carlos Alberto Ricceli
04. Brad Pitt
05. Beavis
06. Daniel Feix
07. Liam Gallagher
08. Mateus Nachtergaele
09. Andy Kaufman
10. Moby
11. Christopher Lloyd
12. Ewan McGregor
13. Rodrigo Amarante
14. Evan Dando
15. Alexandre Pires
16. Pedro Verissimo
17. Daniel Dantas
18. Vincent Gallo
19. Willem Dafoe
20. David Carradine
21. Kurt Cobain
22. Billy Zane
23. Michael Stipe
24. Carlo Pianta
25. André Agassi
26. Justin Timberlake
27. Devendra Banhart
28. Joaquin Phoenix
29. Roger Galera Flores
30. Charles Baudelaire
31. Mister Maker
32. Pablo Horacio Guiñazu
33. Rodrigo Hilbert
34. Paulinho Serra
35. Rafinha Bastos
36. Dexter/Michael C. Hall *NEW*
37. Angela Francisca *NEW*


Very biutiful.

sábado, 22 de janeiro de 2011

[TOP 50 MELHORES MÚSICAS DE 2007]
O que Roger Waters, Johnny Cash, Nick Cave, Leonard Cohen, Hans Zimmer, Nietzsche, Charlie Kaufman, Sean Connery, Macaulay Culkin, Arnaldo Antunes, Ronaldo, Artaud, Bill Murray, Charlie Parker, Fiona Apple, Jeremy Irons, John Cage, Jorge Luis Borges, Mickey Rourke, Peter Sellers, Stephen King, Mickey Mouse, Joan Jett, Paulo Leminski, Caio Fernando Abreu e Robert Blake têm em comum?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Doxter & Doxter Twin
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L'Arbreaucorbeau


L'Arbreaucorbeau
Originally uploaded by Dwam.



Não é surpresa a confusão que os seres humanos contemporâneos fazem entre naturalidade e entediamento, entre filme realista e filme mal conduzido, entre personagens confusas em situações complicadas e atrizes confusas em roteiros complicados. Também não são surpresas a crítica apressada e a fruição apressada (que gera o ódio pelo minimalismo) - sem falar em crítica sem experiência de pesquisa. Mas parabéns ao Régis Trigo, que faz uma competente resenha.


É difícil entender o que aconteceu com Julio Medem. O diretor espanhol, cultuado por filmes como Os Amantes do Círculo Polar (1998) e Lúcia e o Sexo (2001), enveredou por caminhos confusos e não é mais o mesmo. Seu recente filme Caótica Ana (2007) já demonstrava falta de foco e de rumo. O mesmo acontece neste novo Um Quarto em Roma. Mesmo que a trama não tenha originalidade - já foi explorada em filmes como o chileno Na Cama, de Matias Bize, Antes do Amanhecer, de Richard Linklater, e tantos outros -, poderia, ainda assim, tornar-se interessante. Um problema está no roteiro - do próprio Medem -, inconsistente e pretensioso quando faz digressões sobre música e os quadros que enfeitam o quarto de hotel romano que será praticamente o único cenário de todo o filme. (Reuters/UOL)

Um Quarto em Roma não passa de pornô lésbico "com história". É um drama erótico que sofre pela falta de um roteiro interessante, que não só prenda a atenção do público como mantenha seu interesse pela história até o final – algo imprescindível em um drama que se propõe a exibir apenas duas personagens confinadas em um ambiente fechado durante toda a projeção. As mulheres exibem sem pudor suas curvas e sexos, mas não conseguem desnudar suas almas. Histórias sobre suas possíveis realidades são trocadas por informações de caráter duvidoso a respeito de suas personalidades. A inconstância de suas obras começa a deixar público e crítica preocupados. Com esta nova produção, o cineasta se preocupou tanto em emoldurar a beleza de suas atrizes que acabou por criar uma obra vazia, que flerta perigosamente com o kitsh. O longa tenta ser poético, mas é apenas piegas – e Jocelyn Pook na trilha sonora só contribui para tal. Trata-se de mais um daqueles filmes "que poderiam ter sido". (Fabricio Ataide/Pipoca Moderna)

Julio Medem é um cineasta interessantíssimo. Dito isso, não se explica o fato de ter escrito e dirigido este Um Quarto em Roma - pelo menos não para o cinema. A trama, por um lado, é descaradamente inspirada no clássico de Bergman, Persona, em que a enfermeira Alma (Bibi Andersson) é enviada para uma isolada casa de praia para cuidar da famosa atriz Elizabeth Vogler (Liv Ullmann), que fez voto de silêncio e se recusa a voltar aos palcos. Na casa de praia, as duas mulheres sofrem uma fratura de personalidade e se confundem. No entanto, Persona é até hoje tido como um conto lésbico graças a famosa cena em que uma beija o pescoço da outra. Textos de tamanha complexidade só devem ser confiados a intérpretes capazes, o que não é o caso de Natasha Yarovenko. Outro agravante é o fato de Medem se guiar pelo movimento das personagens, intensificando a impressão de que estamos diante de material teatral. Há ainda inserções de música equivocada e surrealismo metafórico, que, se não dá ares de soft porn barato, evidencia a pretensão descabida do realizador. Não é para quem procura um dos densos e elegantemente sensuais filmes de Medem, e sim para quem quer ver belas mulheres incansavelmente nuas. (Lucas Procópio/xcine)

Apenas 3 atores em cena: 2 mulheres que se conhecem num bar em Roma e 1 homem que faz o porteiro, telefonista, etc no hotel... Roma é apenas uma referência, porque o filme se passa todo no quarto de hotel com vista para o centro e o Vaticano. Assisti no Festival Mix, sessão lotada, e muita expectativa na plateia, mas no final alguns saíram da sala antes de acabar e outros ficaram desapontados porque não é uma coisa e nem outra: nem filme de sacanagem e nem sério, nem algo muito convincente, com texto irregular com um porção de mentiras sobre suas vidas e sem muita veracidade. Me lembrou aquele tipo de filme que passa na tv a cabo, onde nada acontece de verdade e todos fingem muito mal, as mulheres apenas gemem... (Rosemar Schick/Salada Cultural)

O diretor é famoso por seu erotismo, mas foi mal recebido na Espanha, onde foi chamado de minimalista e mesmo de filme menos interessantes de sua carreira, com embates físicos interrompidos por interlúdios musicais. Dizem que até cai no ridículo ao final. Parece aquele filme do Gianecchini que se passa num motel, inteiramente numa cama/quarto. Um set, duas atrizes por uma hora e 43 minutos. Ou seja, erotismo intelectual. Para quem curte. (Rubens Ewald Filho)

Ninguém entendeu o que o diretor quis dizer com Caótica Ana (idem, 2007), uma verdadeira salada mista sobre uma mulher e suas vidas passadas. Três anos ele volta à cena com esse Um Quarto em Roma. Apesar de ter o mérito de ser um projeto que vai no extremo oposto de seus trabalhos anteriores (o que revela um artista em constante renovação), o resultado, infelizmente, está bem aquém do alcançado pelo diretor no início de sua carreira. Medem parece transformar o quarto numa espécie de confessionário. Consumidas por seus dramas pessoais, aquelas mulheres terão que se desnudar dos seus passados, dos seus preconceitos, das suas vergonhas, dos seus valores, e até mesmo das suas roupas. Somente assim, o íntimo de cada uma virá à tona. Um Quarto em Roma está mais próximo de Bernardo Bertolucci, de O Último Tango em Paris (Ultimo tango a Parigi, 1972) e Patrick Chéreau, de Intimidade (Intimacy, 2000), do que Jean-Claude Brisseau (Os Anjos Exterminadores [Les Anges Exterminateurs, 2006]). O cinema de Medem exige espaço. A geografia dos cenários exerce papel fundamental nas histórias (foi assim com a praia e o acampamento de trailers, em O Esquilo Vermelho; a ilha, em Lucia e o Sexo; a Finlândia, em Os Amantes do Círculo Polar, a ilha de Ibiza, em Caótica Ana). Seus personagens se recusam a ficar estáticos. Antes disso, correm atrás dos seus destinos. Um Quarto em Roma é a antítese do estilo de Medem e esse seu desconforto é visível no resultado final. Além disso, Medem optou por um formato minimalista de filmar, sem muitos artifícios, quase teatral. Mais uma vez a escolha vai contra a sua própria assinatura. Medem faz um cinema rasgado, exagerado, deliberadamente over the top. (Régis Trigo/Cineplayers)

Se as primeiras cenas parecem cálidas, a sua repetição vai tornando-as banais. E, à força da repetição, enfadonhas. É como se dois corpos jovens e belos, pelo excesso de exposição, acabassem por se despir de todo caráter erótico que poderiam ter no início. Além disso, no intervalo entre os, digamos, embates entre as duas, inserem-se alusões culturais que parecem francamente deslocadas. O filme encaminha-se, pouco a pouco, mas de maneira inexorável, a um artificialismo sem recurso. Com Um Quarto em Roma, Medem parece fazer seu pior trabalho. O cerebralismo vazio parece se unir a um exibicionismo sexual fashion sem qualquer consequência. Não conseguimos enxergar humanidade naquelas duas belas moças que se entregam ao prazer de maneira aeróbica, tendo por testemunha as quatro paredes da stanza romana e umas poucas vistas para a Cidade Eterna através do balcão, onde de vez em quando repousam. Vazio, mas não de maneira crítica mas porque foi pensado no vácuo e sem qualquer aprofundamento nos sentimentos das personagens. (Luiz Zanin/Estadão)


Pitchfork é sempre uma perna direita nas minhas andanças de pesquisa musical, mas às vezes tem dessas coisas: deu 0.0 para o meu disco preferido do Sonic Youth e, hoje, 5.9 para o meu melhor disco de 2010.

domingo, 16 de janeiro de 2011



[MELHORES FILMES DE 2011]

01. Room in Rome / Um quarto em Roma (2010) Julio Medem

domingo, 9 de janeiro de 2011

1.
"Meet the Parents" - USA (original title)
"Um Sogro Do Pior" - Portugal
"Entrando Numa Fria" - Brazil

2.
"Meet the Fockers" - USA (original title)
"Uns Compadres do Pior" - Portugal
"Entrando Numa Fria Maior Ainda" - Brazil

3.
"Little Fockers" - USA (original title)
"Não Há Família Pior!" - Portugal (imdb display title)
"Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família" - Brazil (imdb display title)
Sou colorado por causa do meu avô materno, Edvino Cristiano Dietrich, que era técnico de futebol em Estância Velha, além de motorista da prefeitura. Desde 1986, quando passei a gostar de futebol por causa da Copa do México, passei também a acompanhar os jogos do Inter pelo radinho. Na adolescência, neguei esse interesse, pois o Inter não estava bem e eu pensava que futebol era algo sem sentido.

Em 2006, vi o jogo em que o Inter foi campeão do mundo. Chorei. No ano seguinte, acompanhei a Libertadores, pois estava passando as noites em Taquari, num hotel. O Inter foi mal. No mesmo ano me mudei para um apartamento onde se ouvem as torcidas tanto do Beira-Rio como do Olímpico. Num Grenal de 2007 ouvi a torcida e decidi, de última hora, ir ao Olímpico, "como experiência antropológica". Adorei. Em 2008, depois dos 8x1 na final do Gauchão contra o Juventude, decidi me associar e passei a ir ao estádio em quase todos os jogos. Foi quando me tornei colorado de verdade.

sábado, 8 de janeiro de 2011



Sonhei com um jacaré vermelho gigante de seis patas. Jacaré é o símbolo das contradições fundamentais. Ele remexe a lama gerando vegetações luxuriantes, simbolizando a fertilidade, e ao mesmo tempo devora e destrói, simbolizando a malvadez. É a luz alternativamente eclipsada e fulminante.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

: "Fez plof e sumiu-se. Há onomatopéias providenciais. Imagine-se que tínhamos de descrever o processo de sumição do sujeito com todos os pormenores. Seriam precisas, pelo menos, dez páginas. Plof." (SARAMAGO, José. A viagem do elefante.)
Em 2014, às vésperas da Copa do Mundo no Brasil, o guri gremista de 9 anos chega todo eufórico para o jogo contra o São Luiz de Ijuí, pelo Gauchão, única competição que ele viu seu time ganhar até então. Ao entrar no estádio ele se dirige ao pai:

- Pai, porque nosso estádio não tem o distintivo do nosso time?

- É porque... bem... deve ser porque o estádio ainda não é nosso, meu filho... só vai ser nosso quando tu tiveres uns trinta anos.

- Ah, que pena! Por isso que a Copa vai ser no Beira-Rio?

- Não sei direito, deve ser porque na época em que escolheram os estádios a gente ainda não tinha um.

O menino resolveu então mudar de assunto, pois viu que o pai ficou um pouco incomodado. Ainda mais entusiasmado, ele comenta:

- Pai... ontem o meu amigo falou sobre uma vitória heróica do nosso time, uma tal de Batalha dos Aflitos. Como foi isso pai? Foi decisão do Mundial, da Libertadores, Sulamericana, Brasileiro?

- É... hmm... foi final do Brasileiro, meu filho.

- Legal pai... e contra quem foi? Inter, São Paulo, Flamengo, Santos?

- Não filho... na verdade foi pelo Campeonato Brasileiro da 2ª divisão, contra o Clube Náutico Capibaribe, de Pernambuco, estado com grande tradição no futebol brasileiro naquela época. Com isso conseguimos subir para a Série A pela segunda vez!!

- Segunda vez? Então teve outra Batalha dos Aflitos pai?

- Não filho... na outra vez acho que ficamos em nono ou décimo.
Ué, mas não sobem só 4?

- É que naquele ano a CBF mudou o regulamento para nos dar uma forcinha.

- Ah tá... sussurrou o guri, meio cabisbaixo.

Ficou calado por alguns segundos e voltou a questionar o pai:

- Mas o Inter já passou por algum fiasco parecido com esse pai?

Aí o pai se encheu de orgulho, estufou o peito e relatou:

- Filho, tu nem sabe... uma vez eles perderam de dois a zero para um tal de Mazembe!

- É mesmo pai? Hahahaha. Que legal!!! Foi pela 2ª divisão do Brasileiro também?

- Não filho... foi pela semi-final do Mundial de Clubes da Fifa, em 2010. Era um time do Congo, campeão do continente africano. Naquele ano o Inter acabou ficando em terceiro ou quarto, nem lembro.

- Bah... que vexame! Nós nunca ficamos em terceiro no Mundial de Clubes da Fifa, né pai?

- Não filho... na última vez que a gente chegou lá, no século passado, quando o pai ainda era guri, só jogavam dois times, um europeu e um sul-americano.

- Mas pai... naquela época o mundo só tinha dois continentes?

- Claro que não meu filho... tinha cinco, como hoje!

- Mas então porque a Fifa não convidava os outros campeões continentais?

- Bem filho... na verdade naquela época não era a Fifa que organizava o torneio... era uma montadora de carros.

- Ah... então nós fomos vice-campeões de um torneio mundial de dois times organizado por uma fábrica de carros?

- É filho... na verdade era um torneio Intercontinental, mas a gente chamava de Mundial... deixa isso prá lá... Olha lá nosso time entrando em campo!!!

- Pai... eu queria um argumento para zoar os meus colegas colorados, mas não consigo. Eles têm mais sócios, nos venceram mais vezes, têm estádio próprio e já ganharam todos os títulos importantes que nós já ganhamos. Como eu posso tirar sarro deles então?

- Ah... sei lá... diz que ganhamos o primeiro Gre-nal por 10 a 0.

- Isso... legal pai... pelo menos tenho uma coisa para falar!!! Tu chegaste a ver esse jogo pai?

- Não filho... mas o pai do teu bisavô viu!

Depois dessa o guri resolveu ficar quieto, assistiu o jogo e no final saiu vibrando com a conquista de uma vaga para a final do Gauchão, pois desde pequeno se acostumou a ver o pai comemorando vagas ao invés de títulos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"A obsessão pela saúde e pela felicidade, assim como a ditadura do politicamente correto são claramente sintomas da modernidade. Vivemos na era da covardia, onde poucos têm coragem de se levantar contra o rebanho. Estamos sob o controle dos eufemismos, com a linguagem sendo obliterada para proteger os mais 'sensíveis'. Todos são 'especiais', o mesmo que dizer que ninguém o é. Chegamos à era do conformismo: ninguém pode desviar do padrão definido, pois as diferenças incomodam muito. Todos devem adotar a mesma cartilha 'livre de preconceitos'." (Rodrigo Constantino)

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domingo, 2 de janeiro de 2011

Em 2010:

* conheci de perto a Angela Francisca e passei a conviver sempre com ela;
* retomei do meu trabalho caseiro do input_output de compor e gravar;
* revi Twin Peaks e conheci o Dexter, tendo visto as duas primeiras temporadas;
* conheci e passei a apreciar as cervejas de trigo e artesanais e o chopp cremoso;
* parei de fumar absolutamente, acertando finalmente um antidepressivo;
* coloquei imagens nas paredes do meu apartamento atual depois de dois anos;
* recebi um adicional pelo meu amado trabalho de atendimento no balcão;
* conheci melhor São Paulo e perdi o medo - pois era um fim de semana;
* lá, vi obras da maioria dos grandes nomes das artes plásticas mundiais;
* participei do trabalho cênico Homem Que Não Vive da Glória do Passado;
* abriu no bairro uma Oficina do Açaí, da qual me tornei cliente assíduo;
* frequentei bastante o Damask, melhor restaurante árabe de Porto Alegre;
* comprei uma barraca iglu para até quatro adultos e duas crianças;
* reuni todas as capas bonitas de discos do ano e fiz um ranking meio inútil;
* comprei do Mateus um synth alesis micron e da internet uma conta no virb;
* conheci o templo budista de Três Coroas e fiquei no agradável Refúgio do Pomar;
* perdi o medo do torrent graças ao incentivo da amiga Jéssica Preuss;
* foi o ano do Facebook, da Wikimapia e da descoberta do maravilhoso Outback;
* o Inter foi bicampeão da Libertadores no dia do aniversário da Angela;
* confeccionei placa para bruxismo, e os meus tendões estão cada vez piores.


Em 2011:

* preciso finalizar material do input_output e tentar lançá-lo por algum selo;
* trabalhar dois pontos importantes e fundamentais na minha psicoterapia;
* baixar as três temporadas mais recentes do Dexter e vê-las com prazer;
* ver os filmes novos dos meus diretores preferidos listados em nota no Facebook;
* acampar, amar, meditar, fazer exercício físico, focar, economizar, limpar;
* continuar convivendo com esses três gatos que fazem a minha vida mais feliz;
* continuar convivendo sempre com a Angela Francisca desde sempre e até sempre.