FREI BETTO, para Heródoto Barbeiro no livro 'O budista e o cristão: um diálogo pertinente'.
<< O que Jesus queria era anunciar uma proposta revolucionária que vinha do Antigo Testamento, de um projeto civilizatório baseado no amor e na justiça, que ele denominava Reino de Deus, em contraposição ao reino de César. Para Jesus, o Reino de Deus não se situava apenas "lá em cima", no céu, e sim lá na frente, no futuro da história da humanidade. A Igreja, com o tempo, espiritualizou-o de tal maneira que o Reino de Deus ficou "lá em cima". Se Jesus tivesse pregado meros preceitos religiosos, uma nova espiritualidade, certamente não representaria ameaça à ordem política e econômica. Mas anunciar o Reino de Deus dentro do reino de César era o mesmo que, hoje, preconizar a democracia dentro de uma ditadura. Isso é reforçado pela morte tão brutal que ele sofreu, pois se o Reino de Deus fosse somente "lá em cima", por que as autoridades judaicas e romanas decidiram assassiná-lo? É bom lembrar que, naquele tempo, não havia distinção entre religião e política; quem tinha o poder religioso tinha também o poder político, e vice-versa.
Assim como Sidarta, Jesus também assumiu o caminho do meio. A religião judaica tinha dois extremos: os fundamentalismos puritano e legalista. O primeiro, representado pelos monges essênios, cujas ruínas visitei, próximas ao mar Morto, onde desemboca o rio Jordão. Aqueles monges viviam em penitência permanente. Tudo indica que João Batista, primo de Jesus, foi essênio antes de sair pelo Jordão para semear sua proposta religiosa. João era homem de penitência. Jesus, ao contrário, chegou a ser acusado de "glutão e beberrão". E se justificou ao afirmar que não se pede aos amigos do noivo que jejuem enquanto estão com o noivo. As festas de casamento, na época, demoravam vários dias, durante os quais todos os judeus ficavam suspensos das obrigações preceituais de restrição alimentar. No outro extremo, havia o legalismo dos fariseus, saduceus e sacerdotes do Templo, que tudo enquadravam no antagonismo puro ou impuro, enquanto Jesus o fazia no antagonismo justo ou injusto. Jesus pouco se importava com os ritos de purificação. Era criticado, inclusive, por não fazer as abluções, porque os judeus, antes de se sentarem à mesa, lavavam as mãos várias vezes.
Para Jesus, essa prática não tinha a menor importância. Ensinava que a impureza não vem das mãos, e sim do coração. Isso irritava profundamente os fariseus e os saduceus. Muitos estudiosos cristãos dos Evangelhos sugerem que Jesus não tinha plena consciência de que ele era o Messias ou o Filho de Deus, como nós, cristãos, acreditamos. Só teria se dado conta disso ao ressuscitar. Nesta vida, ele mantinha profunda intimidade com Deus, o que destoava da relação tão escrupulosa dos judeus com Javé, a ponto de sequer pronunciarem a palavra Javé que, em hebraico, não tem vogal, é impronunciável. No entanto, Jesus chamava Javé de Abba, em aramaico, que significa "meu pai querido". Isso reflete uma intimidade muito profunda. O que é surpreendente a muitos é saber que Jesus tinha fé como nós temos. A ideia de que ele trazia na mente uma visão onipresente de Deus não tem fundamento teológico.
A grande contribuição do budismo ao cristianismo é a meditação como excelência de oração. Na meditação, escutamos Deus, um escutar sem ouvidos e palavras, uma intuição, irmã gêmea da inteligência. Inteligência, em latim, significa intus legere, ser capaz de "ler dentro". Recordo a cozinheira do meu avô materno, Bertula, filha de escravos, que nunca aprendeu a ler, mas era muito inteligente. Às vezes, chegava uma visita na casa de meu avô e ela apenas observava. Depois, chamava minha avó e alertava: "Olha, sabe aquela pessoa? Não confie, não". Dito e feito. Era inteligente e intuitiva também, como se lesse no interior das pessoas e pressentisse algumas situações. A intuição é irmã gêmea da inteligência. Esta opera na mente, aquela no plexo solar. >>
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segunda-feira, 12 de março de 2018
quinta-feira, 8 de março de 2018
"Alguém tem uma explicação que traga luz para o fenômeno de alguém me odiar ( o que não é um problema) e, diariamente, detestando tudo o que faço ou escrevo, seguir-me, postar, dar-se ao trabalho de fazer memes, ler tudo, desvendar minha agenda, ver meus vídeos, acompanhar palestras e buscar livros TODOS OS dias dizendo que sou um idiota? A minha curiosidade é outra: se eu sou um imbecil, por que perder tempo comigo? Alguém tem uma pista para esta fidelidade dependente? Qual é o fator psicanalítico que desencadeia viver sempre à sombra do seu próprio ódio?" (Leandro Karnal)
quarta-feira, 7 de março de 2018
"Abelhas que são melhores 'agentes funerárias' e removem corpos mortos de suas colmeias costumam ter menos doenças e crias em maior número e mais saudáveis. Aranhas que constroem teias mais ajeitadas pegam mais presas. Pássaros preguiçosos são tolerados porque, em tempos de desespero, podem servir de babás para seus parentes." (Mikel Maria Delgado/Nexo Jornal)
Filósofo Vladimir SAFATLE - Não haverá 2018. Primeiro porque não há como o país voltar a uma normalidade política depois de ficar dois anos na mão de um presidente que é reprovado por mais de 90% da população, um Congresso Nacional indiciado e profundamente oligárquico e um Judiciário contraditório. A cada dia fica mais claro isso, que o País vive uma espécie de guerra civil entre quem tomou o controle do Estado brasileiro e a população. Essa hipótese hoje tem várias formas de tomar prática. A primeira é uma eleição comprometida, uma eleição “bielorrusa” onde você impede de concorrer todos os candidatos que têm chance de ganhar e que não fazem parte do núcleo hegemônico do poder atual. De outro lado você tem a velha opção do parlamentarismo, que é o sonho de consumo das oligarquias locais, eliminando a eleição presidencial de vez. E é importante que o brasileiro não se confunda, nós não temos o parlamento sueco. O nosso parlamento, pelo contrário, foi sempre caixa de ressonância de oligarquias, com seus interesses próprios. E, por fim, não se dá para descartar hoje uma guinada mais explicitamente autoritária. O que não pode ser descartado em nenhum momento.
Jornal O Povo - O senhor tem associado essa tese à necessidade de negação aos modelos de governabilidade em vigência do País. Por quê e como isso afeta nas urnas?
SAFATLE - Em primeiro lugar, qualquer eleição agora vai ter uma volatilidade muito grande, você vai ter votos voláteis, onde você pode mudar de uma maneira muito forte para um lado ou para o outro. Você tem ainda uma casta política que conseguiu estabelecer um processo de bloqueio da constituição de novos atores políticos. Então você participar de uma eleição aqui no Brasil é algo extremamente complicado, porque os partidos constituem uma “partidocracia” fechada. Você não consegue escapar dessa situação, por exemplo, quando uma candidatura independente fica totalmente de fora do processo. Então você tem um sistema apodrecido, no entanto blindando, e uma população que demonstra muito claramente que não tem nenhuma adesão à classe política que a representou até agora. E uma população que, no entanto, é cada vez mais alijada do processo. Um país governado por alguém que tem 93% de reprovação, isso não existe. Que tipo de democracia é essa? Quem que eles estão representando? Por exemplo, o Congresso Nacional aprovou agora uma reforma trabalhista. Segundo as mais moderadas pesquisas, 73% da população brasileira era contra a reforma. Quem esses congressistas representam então?
Jornal O Povo - O senhor tem associado essa tese à necessidade de negação aos modelos de governabilidade em vigência do País. Por quê e como isso afeta nas urnas?
SAFATLE - Em primeiro lugar, qualquer eleição agora vai ter uma volatilidade muito grande, você vai ter votos voláteis, onde você pode mudar de uma maneira muito forte para um lado ou para o outro. Você tem ainda uma casta política que conseguiu estabelecer um processo de bloqueio da constituição de novos atores políticos. Então você participar de uma eleição aqui no Brasil é algo extremamente complicado, porque os partidos constituem uma “partidocracia” fechada. Você não consegue escapar dessa situação, por exemplo, quando uma candidatura independente fica totalmente de fora do processo. Então você tem um sistema apodrecido, no entanto blindando, e uma população que demonstra muito claramente que não tem nenhuma adesão à classe política que a representou até agora. E uma população que, no entanto, é cada vez mais alijada do processo. Um país governado por alguém que tem 93% de reprovação, isso não existe. Que tipo de democracia é essa? Quem que eles estão representando? Por exemplo, o Congresso Nacional aprovou agora uma reforma trabalhista. Segundo as mais moderadas pesquisas, 73% da população brasileira era contra a reforma. Quem esses congressistas representam então?
"Em um dia muito importante para a história brasileira, marcado por mais uma violação explícita da Constituição da República, não me é admissível participar de um programa, que tenderia a se transformar em um grotesco espetáculo no qual duas linguagens que não se conectam seriam expostas em uma espécie de ringue, no qual argumentos perdem sentido diante de um já conhecido discurso pronto (fiz uma reflexão teórica sobre isso em “A Arte de escrever para idiotas”), que conta com vários divulgadores, de pós-adolescentes a conhecidos psicóticos, que investe em produzir confusão a partir de ideias vazias, chavões, estereótipos ideológicos, mistificações, apologia ao autoritarismo e outros recursos retóricos que levam ao vazio do pensamento." (Márcia Tiburi)
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"Por isso o Budismo é tão necessário – ele vem como um caminho no qual nós silenciamos, olhamos para dentro e examinamos como nós estamos operando e, a partir disso, obtemos uma liberação da operação comum da nossa mente. Isso não está dentro da nossa cultura, por isso é difícil. Mas, na verdade, isso não é difícil, apenas não está dentro da nossa cultura. Os pais não entendem, os avós não entendem, ninguém entende, aquilo tem que ser comunicado, mas não é que seja difícil – é uma questão de observar." (Lama Padma Samten)
"Pessoas ignorantes ou marrentas podem tirar qualquer um do sério no âmbito das relações do trabalho, da família, da política, da religião ou em outras situações. Aprender a lidar com elas é um desafio ao nosso equilíbrio emocional. O conceito de marrento é análogo ao de ignorante, podemos usar para indicar pessoas que gostam de gabar-se de suas habilidades, que são cheias de turras, que se acham posudas, astutas e influentes. Mas os ignorantes, na maioria das vezes, apresentam um temperamento difícil, conhecidos como cabeças-duras. (...) Diante do seu obscurantismo, posicionam-se de modo agressivo em relação aos outros. (...) No fundo, essas pessoas sentem-se superiores e por isso, elas têm dificuldades de relacionarem-se de forma educada. A maneira de não se estressar, é em nenhum momento levar a sério os indivíduos ignorantes, porque existem circunstâncias onde não há argumentos possíveis, uma vez que os ignorantes não fazem questão de ouvi-los. (...) Não devemos levar para o lado pessoal quando indivíduos com esse perfil se comportam de modo grosseiro conosco, pois eles são assim com todos. Devemos mostrar que somos educados, que nossos gestos são amigáveis, e podem neutralizar a tensão deles, que estão sempre em negação ou na defensiva. As experiências com criaturas ignorantes é um bom exercício ao nosso equilíbrio emocional, com o objetivo de não permitir que as emoções negativas prejudiquem em nosso discernimento. Isto pode nos ajudar a fazer um esforço para conhecê-los melhor, antes de enfrentá-los inultimente. Talvez as pessoas sejam ignorantes porque tiveram uma infância difícil, ou porque simplesmente encontram-se inseguras diante do mundo. Não vale apena prejudicar a nossa saúde mental, tentando transformar aquilo não se pode mudar." (Jackson César Buonocore)
"Discutir com ignorante é mesma coisa que jogar xadrez com uma pomba, ela derruba todas as peças, caga no tabuleiro e ainda acha que ganhou." (Alexsandra Zulpo)
"Após o 11 de Setembro, o instituto Gallup fez sua maior pesquisa até então realizada: em 35 países de maioria muçulmana e durante cinco anos. Os participantes deviam responder se justificavam os atentados, e 93% disseram que não. E seus motivos foram totalmente religiosos, citando o Corão. O interessante é que, para os 7% que justificavam o 11 de Setembro, as razões não eram religiosas, mas políticas. Esse tipo de coisa deveria aparecer nas capas de jornais como o The New York Times para que o público tivesse uma ideia mais completa do problema que enfrentamos. É muito fácil dizer que isso é coisa da religião, mas o terrorismo, seja qual for a sua motivação, é sempre político." (Karen Armstrong)
"É dramático ver como um grupo sentado ao redor de uma mesa, em vez de conversar, concentra-se individualmente em seus telefones. É estranho, pois é como sair do próprio corpo. Os neurologistas dizem que aprendemos através dele; por isso os rituais são importantes. Não é por acaso que um muçulmano reza voltado para Meca e que o canto tenha sido tão importante na Idade Média. Esse aprendizado com o corpo está se perdendo, especialmente desde o Iluminismo, e a tecnologia é o último passo nessa direção." (Karen Armstrong)
Psicologicamente, quem ataca está se defendendo de uma ameaça que está dentro de si próprio.
Centauro, Riachuelo, Habib's, Havan, Polishop, Hemmer, Ragazzo e Drogasil são signatários do manifesto "Brasil 200 anos", um documento organizado por empresários - tendo Flávio Rocha, da Riachuelo, à frente - que pressiona pela adoção de medidas liberais na economia brasileira.
"O livre mercado não é apenas a melhor arma contra a pobreza, é a única. Todos nós, em algum momento da vida, precisamos fazer uma escolha: ou estamos ao lado dos pobres ou da pobreza. Ou temos amor aos mais necessitados ou temos ódio aos ricos. São sentimentos incompatíveis. Se você é solidário ao pobres, faz tudo para que saiam da pobreza. E é o livre mercado que pode gerar oportunidades e riqueza para todos, especialmente os mais pobres. Quando vamos aprender esta que é a mais básica das lições da história?"
"O livre mercado não é apenas a melhor arma contra a pobreza, é a única. Todos nós, em algum momento da vida, precisamos fazer uma escolha: ou estamos ao lado dos pobres ou da pobreza. Ou temos amor aos mais necessitados ou temos ódio aos ricos. São sentimentos incompatíveis. Se você é solidário ao pobres, faz tudo para que saiam da pobreza. E é o livre mercado que pode gerar oportunidades e riqueza para todos, especialmente os mais pobres. Quando vamos aprender esta que é a mais básica das lições da história?"
"Os antropólogos relacionaram o hábito do beijo romântico a sociedades mais estratificadas. Assim, em comunidades mais igualitárias, de caçadores-coletores, por exemplo, da África Subsaariana ou da Nova Guiné, o beijo não é observado por pesquisadores. em grupos com organização social mais complexa, o beijo é mais frequente. É possível que a emergência do beijo romântico-sexual tenha coincidido com outros fatores, como higiene oral ou o surgimento de elites que valorizam o autocontrole do afeto." (José Orenstein/Nexo Jornal)
<< O TSE liberou o financiamento de campanhas com recursos próprios. A regra beneficia os parlamentares que já estão no exercício do mandato, haja vista que o Congresso Nacional ser formado basicamente por empresários ricos. Além deles terem a vantagem competitiva, que é o próprio mandato, ainda terão a favor o dinheiro que acumulam em suas atividades empresariais. Ademais, as doações de terceiros serão limitadas a 10% do rendimento bruto do doador no ano anterior ao da eleição, segundo a resolução do TSE publicada no último dia 2. O financiamento privado (empresariais) estão proibidas desde 2015. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é manipulado pelos próprios parlamentares que controlam as máquinas partidárias. Ou seja, só perderá a reeleição aquele parlamentar que é “pereba”. Portanto, não espere renovação no Congresso. >> (Esmael Morais)
"Assisti à série catalã Merlí (Netflix). O objeto é o professor de filosofia que estimula os alunos ao livre pensamento. Como em várias produções similares ( Sociedade dos Poetas Mortos , o Sorriso da Mona Lisa etc) o professor incomoda as estruturas tradicionais. A grande diferença é que Merlí não age sempre na mais elevada ética. Suas aulas trazem bons exemplos da maiêutica socrática." (Leandro Karnal)
"Estou criando esta página para discutir a filosofia no ensino médio. Merlí, personagem da série da Netflix, é a figura inspiradora. Toda discussão aqui estará inspirada nesse professor catalão (fictício) que começa tornando a filosofia atraente para seus alunos adolescentes, depois a converte num instrumento poderoso de libertação e a transforma na matéria de que os alunos mais gostam na escola. A cada episódio, ele relaciona um filósofo ou grupo de filósofos com questões que mexem com a vida dos alunos, da escola e dele mesmo. Ou seja, longe de ser a filosofia uma matéria chata e fechada sobre si mesma, ele lhe dá o papel central de fazer pensar e, assim, libertar as pessoas de suas amarras. Esta página, independente, está com as portas escancaradas para quem quiser pensar e trabalhar nesta direção." (Renato Janine Ribeiro)
"Estou criando esta página para discutir a filosofia no ensino médio. Merlí, personagem da série da Netflix, é a figura inspiradora. Toda discussão aqui estará inspirada nesse professor catalão (fictício) que começa tornando a filosofia atraente para seus alunos adolescentes, depois a converte num instrumento poderoso de libertação e a transforma na matéria de que os alunos mais gostam na escola. A cada episódio, ele relaciona um filósofo ou grupo de filósofos com questões que mexem com a vida dos alunos, da escola e dele mesmo. Ou seja, longe de ser a filosofia uma matéria chata e fechada sobre si mesma, ele lhe dá o papel central de fazer pensar e, assim, libertar as pessoas de suas amarras. Esta página, independente, está com as portas escancaradas para quem quiser pensar e trabalhar nesta direção." (Renato Janine Ribeiro)
Tiago Ianuck
February 17 at 3:27am ·
Amar é perder-se.
Perder-se é poder se achar.
Achar-se é poder se perder.
Acho.
February 17 at 3:27am ·
Amar é perder-se.
Perder-se é poder se achar.
Achar-se é poder se perder.
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Luís Nenung
February 20 at 8:44am · Três Coroas ·
tem coisas que parece
que a gente nasceu sabendo
outras que a gente aprende trocando
e algumas que só descobre escolhendo
e arriscando errar bonito ~
Só tem impacto no nosso mundo
os saberes que a gente vive
February 20 at 8:44am · Três Coroas ·
tem coisas que parece
que a gente nasceu sabendo
outras que a gente aprende trocando
e algumas que só descobre escolhendo
e arriscando errar bonito ~
Só tem impacto no nosso mundo
os saberes que a gente vive
Por que a população da Islândia é peculiarmente criativa? "O estudo encontrou atitudes de independência e tolerância, o que incentiva a abertura à experiência, o atributo de personalidade que é mais relacionado à criatividade. A inspiração vem da comunidade e da cultura, e não do ambiente. O contexto urbano e social é mais importante para a criatividade. O relacionamento entre os casais é destacadamente igualitário, e a produção criativa das mulheres é bastante incentivada. Apesar da instituição do casamento não ser uma prioridade (só 30% dos islandeses são casados), a vida da família e o cuidado das crianças é central para a vida adulta. Tanto nas escolas como em casa, é uma prática comum dar às crianças espaços para brincar e explorar, o que encoraja tanto a imaginação quanto o processo criativo. Não é dada ênfase às provas e os estudantes se engajam em aprendizado por iniciativa própria e livre brincadeira. Nas últimas duas décadas, o currículo dominante tem sido o Inovação Educação, que surgiu na Islândia em 1991 e também é usado em outras partes da Escandinávia e no Reino Unido. Aos estudantes são dadas oportunidades de aplicar a criatividade na vida diária e os professores agem mais como facilitadores do que como ensinadores." (Artsy.net)
"O silêncio é aquele lugar onde nada se esconde." (Mirela Kruel)
"Uma coisa que o outro não esquece é como nós nos movemos. O jeito. Ou seja, o que ensinamos pelas costas. Então, que tenhamos paciência com o outro, calma com o outro, atenção. Quando fazemos isso, o outro entende sem palavras." (Lama Parma Samten)
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"Acreditar que só loucos e monstros matem é comum – e é compreensível. Ajuda-nos a acreditar que o mal está sempre no outro e a esquecer de nossas próprias sombras, aquelas que passamos a vida tentando esquecer. O monstro é sempre o outro. (...) Imagine a carnificina na qual viveríamos se, em vez de likes e shares, pudéssemos dar tiros pelo Facebook. Atire a primeira pedra quem não quis ver morto alguém de cuja opinião discorda. Por isso, matar não pode ser fácil ou rápido demais – é uma questão de bom senso." (Denis Burgierman)
"Na Europa, os países com maior sucesso econômico são justo aqueles que têm os mais abrangentes planos de distribuição de renda. Enquanto o brasileiro médio sonha com Paris, Roma, Berlim e Bolsonaro, mais países europeus avançam em debates sobre a liberação das drogas e a regulamentação da prostituição, como já faz a Holanda. Aborto é um direito conquistado, debates de gênero são estimulados dentro das mais renomadas instituições de ensino. O estado é (quase sempre) laico. Ninguém tem armas e nem pensa em sua liberação." (Ivana Ebel)
"O Brasil, nos últimos tempos, apresenta um fenômeno em que a classe média 'tradicional' se transformou numa tropa de choque em defesa do ponto de vista dos mais ricos e passou a odiar a população mais pobre que começou a ganhar poder aquisitivo, que o ex-presidente Lula chamou de 'nova classe média'. É incrível, mas o Brasil é o único país onde a classe média fica ao lado de quem é detentor do poder econômico. Se houvesse aproximação com a classe mais pobre, como é na Europa, todos poderiam ter um crescimento sustentado, e não a discrepância de que 5 bilionários concentrando a fortuna equivalente à renda de metade da população mais pobre." (Luis Claudio Romanelli)
< < A esquerda brasileira pretende fazer de Bolsonaro um símbolo do mal por conta de posicionamentos rotulados como “polêmicos”. E o deputado acabou se transformando em um símbolo do bem para quem não gosta da esquerda brasileira. Quanto mais a imprensa e os adversários políticos baterem nessa tecla, mais prestígio Bolsonaro ganhará entre os grupos que não se veem representados em discursos sobre transexuais e negros — que não raro interditam todo o debate franco em relação a qualquer que seja o assunto em discussão.
Talvez por isso o fato de a família Bolsonaro ter uma dezena de imóveis e, ainda assim, seu patriarca gozar de auxílio-moradia, não interfira em sua popularidade. Não é exatamente a um sistema político que Bolsonaro se opõe. É a um sistema cultural. E, ao fazê-lo, ele recebe carta branca da parcela do país que joga esse mesmo jogo. Quanto mais o deputado for tratado como pária, homofóbico, xenófobo, fascista, machista e misógino, mais prestígio ele ganhará entre aqueles que não enxergam nessas desqualificações mais do que armas da batalha político-cultural.
O que fazer, então, para impedir a eleição de Bolsonaro? Seguindo o raciocínio, a melhor alternativa seria tratá-lo como mais um — ou simplesmente ignorá-lo. Mas isso parece ter se tornado impossível. A armadilha está montada. A política identitária precisa ser alimentada periodicamente, e Bolsonaro é um dos melhores espantalhos de tudo aquilo que os adeptos dessa perspectiva de mundo dizem combater. Para impedir a derrota na batalha cultural, a esquerda nacional pode acabar entregando uma vitória política nas mãos do seu maior inimigo declarado. > > (Rodolfo Borges)
Talvez por isso o fato de a família Bolsonaro ter uma dezena de imóveis e, ainda assim, seu patriarca gozar de auxílio-moradia, não interfira em sua popularidade. Não é exatamente a um sistema político que Bolsonaro se opõe. É a um sistema cultural. E, ao fazê-lo, ele recebe carta branca da parcela do país que joga esse mesmo jogo. Quanto mais o deputado for tratado como pária, homofóbico, xenófobo, fascista, machista e misógino, mais prestígio ele ganhará entre aqueles que não enxergam nessas desqualificações mais do que armas da batalha político-cultural.
O que fazer, então, para impedir a eleição de Bolsonaro? Seguindo o raciocínio, a melhor alternativa seria tratá-lo como mais um — ou simplesmente ignorá-lo. Mas isso parece ter se tornado impossível. A armadilha está montada. A política identitária precisa ser alimentada periodicamente, e Bolsonaro é um dos melhores espantalhos de tudo aquilo que os adeptos dessa perspectiva de mundo dizem combater. Para impedir a derrota na batalha cultural, a esquerda nacional pode acabar entregando uma vitória política nas mãos do seu maior inimigo declarado. > > (Rodolfo Borges)
<< Até então só as ditaduras, aquelas com tanques e com fuzis nas ruas, haviam conseguido isso. O que acontece no Brasil é mais insidioso. O Brasil inventou a democracia sem povo. Não aquela das retóricas ou dos textos acadêmicos, mas aquela que é. O povo, para aqueles que hoje detêm o poder no Brasil, não tem a menor importância. O povo é um nada.
Com 5% de aprovação, segundo o Ibope, a menor de um presidente desde a redemocratização do país, Michel Temer (PMDB) pode fazer – faz e fará – todas as maldades e concessões que precisar para continuar onde está. Sente-se livre para não precisar dar qualquer satisfação à população. Todo o seu cálculo é evitar ser arrancado do Planalto e em algum momento despachado para a cadeia pela aceitação pelo Congresso da próxima denúncia que virá, já que da primeira ele escapou. Havia uma conversa de conteúdo mais do que suspeito, fora da agenda, à noite, na residência do presidente, e uma mala de dinheiro nas mãos de um homem de confiança de Temer – e não foi suficiente. Por que não foi suficiente? Era mais do que suficiente. Mas a justiça não está em questão. E dizer isso é o óbvio ululante de Nelson Rodrigues, chega a ser constrangedor escrever algo tão óbvio.
A presidência do Brasil hoje está nas mãos de um homem que não tem nada a perder desagradando seus eleitores, porque sequer tem eleitores. E sabe que dificilmente recuperará qualquer capital eleitoral. Sua salvação está em outro lugar. Sua salvação está nas mãos daqueles que agrada distribuindo os recursos públicos que faltam para o que é essencial e tomando decisões que ferem profundamente o Brasil e afetarão a vida dos brasileiros por décadas.
Temer goza da liberdade desesperada – e perigosa – dos que já têm pouco a perder. O que ele tem a perder depende, neste momento, do Congresso e não da população. Assim como depende das forças econômicas promotoras do impeachment continuarem achando que ele ainda pode fazer o serviço sujo de implantar rapidamente um projeto não eleito, um projeto que provavelmente nunca seria eleito, tarefa que ele tem desempenhado com aplicação. Então, o povo que se lixe. O povo saiu da equação.
(...)
A crise da palavra, esta que está no coração deste momento histórico, segue produzindo fantasmagorias. Como a “pacificação do país” de Michel Temer, em que a paz é só para ele e os que o mantêm no poder. Ou o argumento mais furado que uma peneira de que é melhor não tirar Temer agora por conta da “estabilidade”. Estabilidade para quem? Quem são os que estão se sentindo estáveis? Você está? >> (Eliane Brum/El Pais)
Com 5% de aprovação, segundo o Ibope, a menor de um presidente desde a redemocratização do país, Michel Temer (PMDB) pode fazer – faz e fará – todas as maldades e concessões que precisar para continuar onde está. Sente-se livre para não precisar dar qualquer satisfação à população. Todo o seu cálculo é evitar ser arrancado do Planalto e em algum momento despachado para a cadeia pela aceitação pelo Congresso da próxima denúncia que virá, já que da primeira ele escapou. Havia uma conversa de conteúdo mais do que suspeito, fora da agenda, à noite, na residência do presidente, e uma mala de dinheiro nas mãos de um homem de confiança de Temer – e não foi suficiente. Por que não foi suficiente? Era mais do que suficiente. Mas a justiça não está em questão. E dizer isso é o óbvio ululante de Nelson Rodrigues, chega a ser constrangedor escrever algo tão óbvio.
A presidência do Brasil hoje está nas mãos de um homem que não tem nada a perder desagradando seus eleitores, porque sequer tem eleitores. E sabe que dificilmente recuperará qualquer capital eleitoral. Sua salvação está em outro lugar. Sua salvação está nas mãos daqueles que agrada distribuindo os recursos públicos que faltam para o que é essencial e tomando decisões que ferem profundamente o Brasil e afetarão a vida dos brasileiros por décadas.
Temer goza da liberdade desesperada – e perigosa – dos que já têm pouco a perder. O que ele tem a perder depende, neste momento, do Congresso e não da população. Assim como depende das forças econômicas promotoras do impeachment continuarem achando que ele ainda pode fazer o serviço sujo de implantar rapidamente um projeto não eleito, um projeto que provavelmente nunca seria eleito, tarefa que ele tem desempenhado com aplicação. Então, o povo que se lixe. O povo saiu da equação.
(...)
A crise da palavra, esta que está no coração deste momento histórico, segue produzindo fantasmagorias. Como a “pacificação do país” de Michel Temer, em que a paz é só para ele e os que o mantêm no poder. Ou o argumento mais furado que uma peneira de que é melhor não tirar Temer agora por conta da “estabilidade”. Estabilidade para quem? Quem são os que estão se sentindo estáveis? Você está? >> (Eliane Brum/El Pais)
"Neymar, entretanto, não costuma dar passo atrás. Não admite recuar e esperar o momento certo para brilhar. São cada vez mais raras as aparições públicas em que o vemos com o espírito leve, despido da artificialidade que virou seu mecanismo de defesa, como em uma descontraída entrevista ao amigo Piqué. Consegue ofuscar atuações magistrais com frivolidades típicas de um adolescente. Prato cheio para o oportunismo de detratores, que, de forma mesquinha e hipócrita, o apedrejam por atitudes que provavelmente reproduziriam caso tivessem o mesmo saldo na conta bancária. Críticas nesse tom, em geral, ignoram que Neymar apenas copia os hábitos de uma elite egoísta, presente tanto no Brasil quanto na Europa, que jamais se censura na hora de torrar sua fortuna. Infelizmente, o deslumbramento com poder e privilégios não é exclusividade de Neymar. Seria fácil encurtar o abismo da desigualdade social se os astros do futebol fossem os únicos a derrapar nas armadilhas do dinheiro." (Breiller Pires/El Pais)
<< Posso rir em Corra! porque as situações constrangedoras pelas quais Chris passa são cenários comuns do meu cotidiano. As risadas incrédulas tornam essas situações suportáveis. Os liberais brancos que vi gargalhando disso perderam o ponto e aparentemente viram o filme só como uma comédia, não um comentário sobre suas próprias falhas. Digo liberais porque duvido que o pessoal da direita clássica ou alternativa vai se aventurar a sequer chegar perto do filme depois de descobrir o tema. Eles provavelmente vão chamar o filme de antibranco e discurso de ódio, enquanto continuam soprando ar quente na aeronave precária sustentando Trump no ar. São liberais brancos que vão assistir Corra! como exercício de suas crenças “radicais”, sua capacidade de navegar entre identidades políticas e sair delas cheirosinho. E são os liberais brancos que vão habilmente se afastar do tema para se verem apenas como espectadores, e não como perpetradores capazes de exercer as mesmas macro e microagressões pelas quais Chris (interpretado por Daniel Kaluuya) passa, nas mãos da família progressista de classe média da namorada branca (Rose, interpretada por Allison Williams). >> (Por Tari Ngangura, Traduzido por Marina Schnoor, Vice Magazine)
"Quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta." (Jung)
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