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quarta-feira, 7 de março de 2018

Filósofo Vladimir SAFATLE - Não haverá 2018. Primeiro porque não há como o país voltar a uma normalidade política depois de ficar dois anos na mão de um presidente que é reprovado por mais de 90% da população, um Congresso Nacional indiciado e profundamente oligárquico e um Judiciário contraditório. A cada dia fica mais claro isso, que o País vive uma espécie de guerra civil entre quem tomou o controle do Estado brasileiro e a população. Essa hipótese hoje tem várias formas de tomar prática. A primeira é uma eleição comprometida, uma eleição “bielorrusa” onde você impede de concorrer todos os candidatos que têm chance de ganhar e que não fazem parte do núcleo hegemônico do poder atual. De outro lado você tem a velha opção do parlamentarismo, que é o sonho de consumo das oligarquias locais, eliminando a eleição presidencial de vez. E é importante que o brasileiro não se confunda, nós não temos o parlamento sueco. O nosso parlamento, pelo contrário, foi sempre caixa de ressonância de oligarquias, com seus interesses próprios. E, por fim, não se dá para descartar hoje uma guinada mais explicitamente autoritária. O que não pode ser descartado em nenhum momento.

Jornal O Povo - O senhor tem associado essa tese à necessidade de negação aos modelos de governabilidade em vigência do País. Por quê e como isso afeta nas urnas?

SAFATLE - Em primeiro lugar, qualquer eleição agora vai ter uma volatilidade muito grande, você vai ter votos voláteis, onde você pode mudar de uma maneira muito forte para um lado ou para o outro. Você tem ainda uma casta política que conseguiu estabelecer um processo de bloqueio da constituição de novos atores políticos. Então você participar de uma eleição aqui no Brasil é algo extremamente complicado, porque os partidos constituem uma “partidocracia” fechada. Você não consegue escapar dessa situação, por exemplo, quando uma candidatura independente fica totalmente de fora do processo. Então você tem um sistema apodrecido, no entanto blindando, e uma população que demonstra muito claramente que não tem nenhuma adesão à classe política que a representou até agora. E uma população que, no entanto, é cada vez mais alijada do processo. Um país governado por alguém que tem 93% de reprovação, isso não existe. Que tipo de democracia é essa? Quem que eles estão representando? Por exemplo, o Congresso Nacional aprovou agora uma reforma trabalhista. Segundo as mais moderadas pesquisas, 73% da população brasileira era contra a reforma. Quem esses congressistas representam então?

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