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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

quarta-feira, 29 de setembro de 2010



"A interpretação, baseada na teoria extremamanete duvidosa de que uma obra de arte é composta de elementos de conteúdo, constitui uma violação da arte. Torna a arte um artigo de uso, a ser encaixado num esquema mental de categorias.

"Quando reduzimos a obra de arte ao seu conteúdo e depois interpretamos isto, domamos a obra de arte. A interpretação torna a obra de arte maleável, dócil.

"De fato, não estou dizendo que as obras de arte são inexprimíveis, que não podem ser descritas ou interpretadas. Podem sê-lo. A questão é como.

"O cinema é uma forma de arte que se apresenta viva e passível de fugir à intepretação sem recorrer ao vaguardismo de experimentos formais.

"Em uma cultura como a nossa, baseada no excesso, na superprodução; a consequência é uma perda constante de acuidade da nossa experiência sensorial. Todas as condições da vida moderna - sua plenitude material, sua simples aglomeração - combinam-se para embotar nossas faculdades sensoriais." (Susan Sontag)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Quá quá quá.

Miranda July -- If you really love me let's make anal. Right here. Right now.
De um spam humorístico que está por aí.

1 – Se o Neymar participar do Big Brother Brasil e ele for eliminado... quem sai é o Pedro Bial.
3 – O inverno terminou porque o Neymar não gosta de frio!
4 – Neymar demitiu o Papa do Vaticano. Segundo Neymar, quem manda em Santos é ele.
7 – O Irã deixará de fabricar urânio após reunião com o Neymar!
8 – William Bonner agora começará da seguinte forma o jornal: "Boa noite, Neymar."
20 – Segundo Neymar, Mano Menezes não estará na lista de convodados do próximo jogo da seleção.

domingo, 26 de setembro de 2010

18 de agosto de 2010

A nova facada de Lukas Moodysson no estômago: 'Mammoth'.



Por que cantam as baleias...?
(Maico Silveira)


O homem usa o mundo a seu proveito. O homem produz canetas de vários mil dólares com restos de mamutes congelados. Enquanto uns lutam para fechar negócios, outros lutam para salvar vidas; e crianças tentam entender o mundo e o universo enquanto há gente lutando para tentar sobreviver. Lukas Moodysson escreve e dirige um dos filmes mais impactantes que vi nestes últimos tempos. Por que impactante? Talvez porque nos faz constatar o estado em que as coisas estão nesse mundo, "a que ponto chegamos" como humanidade. Mas talvez porque pessoalmente eu tenha me identificado com muitos dos personagens que ali estavam, como se de uma maneira ou outra esse filme estivesse contando como foram as relações pessoais nos últimos dois anos de minha vida. Claro que poderia fazer uma relação pessoal direta com o personagem de Gael - Leo - por motivos óbvios, mas não é só isso: são outras redes, outras frases, vindas de outros personagens e que podem facilmente ser aplicadas. Aí me pergunto: só pra mim? Claro que não. Acho que aí está o impactante: é um filme que proporciona essa identificação sem cair no lugar-comum, mostra as coisas como elas são, sem dizer se é certo ou errado, sem apontar culpados ou inocentes. A vida em cadeia, uma coisa como consequência de outra, a famosa busca da felicidade desde vários pontos de vista. Por que busco isso? Por que busco aquilo? Posso ter tudo e não ser feliz. Posso ter a geladeira cheia, mas não conseguir conquistar a atenção de quem quero bem. Posso viajar a trabalho com tudo pago e me entediar. Posso descobrir um outro eu, que existe, e que estava guardado em algum canto por algum motivo. Posso. É humano.

No fundo, fica essa sensação de que o que vale são as relações, os contatos pessoais, as experiências. A última cena do filme, a última imagem, aquela antes que baixe a tela negra, é dessas que nos fazem deixar cair uma lágrima solitária simplesmente porque quase se chega a compreender a vida. Quase. Logo acordamos, saímos do cinema e nos damos conta de que tudo continua e que não, o equilíbrio ainda não foi restituído: seguimos vivendo em desmedida a nossa tragédia quase clássica de cada dia. E não importa em que ponto do globo estamos: somos humanos e isso basta.

A resposta para a pergunta-título desta postagem é dada por um dos personagens em um dos momentos cruciais do filme: "pelo de sempre, para dizer 'oi', 'como estás?' 'tenho saudades', etc."


Cecília Barroso:
(que já escreveu 784 artigos no Cenas de Cinema)


Uma mãe cirurgiã bem sucedida, um pai nerd que ganha muito dinheiro criando jogos eletrônicos e uma filha que se identifica mais com a empregada, imigrante filipina, do que com eles. Este é o núcleo da trama de Corações em Conflito, que de forma batida trata do tema preferido do diretor Lukas Moodysson, a infância.

Crianças criadas por babás; mães que deixam os filhos em segundo plano para conseguir vencer na carreira e/ou para melhorar a vida da família; mães que querem se ver livre do problema; crianças que são obrigadas a vender seus corpos para sobreviver; trabalho escravo infantil e outras mazelas que precisam ser discutidas são, ou parecem ser, os motivadores deste drama.

Cheio de boas intenções, o filme até faz pensar, mas não consegue cumprir seu objetivo por ser tão quadrado e ao mesmo tempo artificial. Relações superficiais e mal desenvolvidas reforçam a impressão de que nada daquilo possa acontecer ou já ter acontecido de verdade.

Personagens estranhos e deslocados, como o pai, têm mais espaço do que precisam e outros, secundários, passam pelo máximo de situações apelativas possíveis, como se estivessem ali para tentar fazer o público chorar. Como se a temática precisasse de clichês para isso.

A falsidade do resultado acaba deixando o público alheio ao que acontece na tela e a sensação de tempo perdido acaba prevalecendo. (...)

Comprovando que cinema é uma arte subjetiva, o filme foi indicado ao urso de ouro no Festival de Berlim, ou seja, talvez outras pessoas gostem mais do que vão ver.


Eu:

O filme não é sobre os problemas que você enumera, nem sobre o drama deles, mas sobre o que está por trás, sobre o esqueleto daquilo tudo. É que o filme é sutil. A mente humana sempre busca símiles pra interpretar aquilo com que se depara. (Pessoas aqui na internet já mencionaram 'Babel' e 'Lost in translation', e eu inclusive poderia acrescentar 'Paris, Texas'.)

Mas 'Mammoth', sutil (inclusive tem título sutil, ao contrário do didático nome em português), é sobre ESCOLHAS e sobre a SOLIDÃO decorrente de certas escolhas dos seres humanos de agora. Sobre o valor do TRABALHO e o valor do DINHEIRO. A caneta de mamute é vendida por 30 dólares, com mais dois relógios, sendo que ela "custa" (para quem??) 12.500 reais; Leo compra tudo o que quiser; a médica compensa a filha com uma luneta cara; os dois trabalham sem parar para, no final, reafirmarem suas escolhas, enquanto que a babá decide mudar a vida; as pessoas esperam desastres pra tomarem decisões.

Lukas Moodysson é um dos melhores diretores da atualidade. Mesmo se fosse exatamente o mesmo tema batido, porque não é, o cienasta sueco constrói os personagens de modo que sejam EXTREMAMENTE humanos, TODOS, coisa que é difícil fazer - e encontrar - no cinema e na arte em geral.



"Desde 2001, a multinacional de produtos de papelaria Faber-Castell tem procurado mostrar ao mundo que faz mais do que lápis de cor. Numa estratégia de concorrência com a alemã Montblanc, tem lançado produtos cada vez mais sofisticados. É o caso da caneta Graf von Faber-Castell, da qual, a cada ano, é lançada uma edição diferente. Da coleção de oito peças já produzidas, fazem parte canetas de materiais insólitos, como marfim de mamute fossilizado. A edição 2008 foi produzida com uma madeira indiana chamada cetim e arrematada com detalhes de ouro e quartzo. Para vender o produto no Brasil - apenas dez unidades foram trazidas ao país, por 12 500 reais cada uma -, a Faber-Castell tem procurado eventos com grande potencial de atrair consumidores de alta renda (...)". (Caput Consultoria)


Juca Kfouri:

Uma batalha.

Uma verdadeira batalha o jogo do Beira-Rio.


O Inter simplesmente não deixou o Corinthians jogar durante todo o primeiro tempo, até que Tinga, por ironia, o pivô do pênalti não marcado em 2005, fez, aos 29, o gol colorado em bola perfeita de D’Alessandro.

Tinga se machucou no lance e deu lugar para Edu.

Aí, a partir dos 30 minutos, o Corinthians, passou a jogar.

Uma vez, no primeiro chute a gol, Jorge Henrique exigiu boa defesa de Renan e, em seguida, em cobrança de falta inexistente, Bruno César mandou no travessão gaúcho.

O segundo tempo foi muito melhor.

Com Guiñazu parecendo cinco, o Inter criava chances para ampliar, mas o alvinegro ameaçava empatar.

Até que empatou.

Empatou com Jorge Henrique em passe de Jucilei, aos 19.

Era, digamos assim, àquela altura, um empate de campeão.

Que quase virou virada quando Edu, que substituira Roberto Carlos, deu para Bruno César acertar outra vez o travessão.

O jogo ficou franc0, com qualquer um dos dois podendo desempatar.

Mas foi Alecsandro, em seu primeiro lance depois de entrar no lugar de Leandro Damião, quem fez o gol, porque quem tem estrela tem tudo.

E quase fez mais um um minuto depois, impedido por Júlio César em grande defesa.

O Corinthians perdia a liderança para o Fluminense e o Inter voltava à luta pelo tetra.

Mas, aos 43, Nei meteu a mão na bola na linha fatal em cabeçada de Paulo André e foi expulso.

Bruno César empatou 2 a 2 aos 45 e ninguém pode dizer que não tenha sido justo.

Não devolvia a liderança, mas mantinha a confiança de um time perto do pentacampeonato.

Mas Paulo André também foi expulso ao fazer falta em Alecsandro, aos 46.

E Andrezinho, que entrara no lugar de Giuliano, bateu a falta, a bola desviou na barreira, bateu na trave e entrou: 3 a 2.

Fim de jogo, corações disparados.

Uma vitória memorável do Inter que enlouquece o campeonato.


O disco que mudou minha vida.
"O que torna uma mulher bela não é exatamente a beleza que o outro vê, mas qualquer coisa de estranho e de esquisito que dá um toque desconcertante à harmonia dos traços e faz dessa beleza insuportavelmente bela. Uma mulher pode ser bela para muitas pessoas em concordância, mas a beleza que é fatal só o é para aquele que é afetado de maneira muito particular. O ver da beleza fatal não é o mesmo da contemplação, é um ver que não se contenta apenas com o que se vê, é um ver que se vê com todas as vísceras. Essa beleza não se explica pelo espiritismo da perfeição, e pode acontecer lá onde a delicadeza se mistura com tonalidades de maldade, um olhar doce e ao mesmo tempo flamejante, um detalhe de sombrancelha que escorre ironia e aponta para o perigo, os labirintos abismais de um olhar estrábico, uma voz aveludada e venenosa... há qualquer coisa de incompreensível nessa beleza que é fatal, e que como um raio atravessa o corpo daquele que o percebe como tal e leva os pensamentos a disputarem entre si o privilégio do suicídio: não se fica sem pensamento, mas com pensamentos que se suicidam desenfreadamente. Esse homem arrancado de si por um detalhe bem particular de um monumento feminino, tem seu corpo em chamas enlouquecido por essa beleza que ele mesmo criou sem saber como, e só ele está condenado a se resolver com a beleza elevada em seu mais elevado grau de crueldade. Só ele? Provável que sim, pois em geral o outro não vê mais do que feiura no que é encanto para o singular, ou apenas beleza, mas somente a beleza que é bela por não desagradar aos olhos, ao contrário da beleza que entra rasgando pelos olhos, deixa-os paralisado e explode nos nervos. As coisas não são belas nem deixam de ser belas, só há beleza para o expectador humano. Contudo, não é nenhum incompreensível imaginar que um homem possa ir à forca ou ascender a novas galáxias pela beleza extraordinária que viu em uma mulher; não é nenhum incompreensível compreender que a beleza pode ser de um horror que desespera, o desespero de querer eternizar o instante em que se é capturado e enfeitiçado por essa espécie de absurdo." (Adriel)

sábado, 25 de setembro de 2010

Phoenix & Gallo


Clinic e Walkmen. Duas bandas que eu conheci na mesma época, no início da banda larga e do soulseek. Os Clinic surgiram em 1997 na cidade dos Beatles. Os The Walkmen surgiram em 2000 na cidade dos Velvet Underground. Clinic e Walkmen têm seis discos cada um. Não há nenhum disco fraco e, embora não haja nenhum que se destaque enormemente, todos são acima da média, graças à sonoridade particular, constante e acima da média das duas bandas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

"A música [dos Mécanosphère] fica a cargo de Benjamin Brejon, onde os beats, os loops, os estilhaços e as violações sonoras são evidentes, criando uma ruptura com as sonoridades mais tradicionais, transformando a música num exercício claro de experimentação e novidade. A voz surge como um instrumento, contaminando a música de Brejon, cumprindo um dos móbeis do projecto – cruzar as fronteiras da música. A forma como Adolfo Luxúria Canibal declama os seus textos é conhecida por todos e funciona na perfeição com as sonoridades sombrias e muitas vezes angustiantes de Brejon. Em 'Bailarina' é contada uma história. Somos confrontados com vários cenários e as imagens surgem na nossa cabeça como flashes de memória. Uma auto-estrada, um acidente, imagens de carros acidentados, uma bailarina a dançar no capot de um Rolls-Royce, sangue, astronautas, sexo, mortos e muito sofrimento. O som que acompanha estas imagens é angustiante e deixa quem ouve com níveis de ansiedade elevados. Os ritmos muitas vezes sombrios e claustrofóbicos são muitas vezes transformados em percurssões nervosas, gemidos e gritos sofridos numa experiência sonora única e para muitos perturbante. “Bailarina” é uma viagem pelo mundo do fantástico, pela auto-estrada dos nossos medos e receios com um princípio, meio e fim. Um objecto sonoro irrepetível e impossível de colocar ao vivo da forma sofrida e dramática registada neste disco." (Rua de Baixo)
palíndromos!

ANOTARAM A DATA DA MARATONA
ASSIM A AIA IA A MISSA
A DIVA EM ARGEL ALEGRA-ME A VIDA
A DROGA DA GORDA
A MALA NADA NA LAMA
A TORRE DA DERROTA
LUZA ROCELINA, A NAMORADA DO MANUEL, LEU NA MODA DA ROMANA: ANIL É COR AZUL
O CÉU SUECO
O GALO AMA O LAGO
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO
RIR, O BREVE VERBO RIR
A CARA RAJADA DA JARARACA
SAIRAM O TIO E OITO MARIAS
ZÉ DE LIMA RUA LAURA MIL E DEZ
"Quando olhamos para uma laranjeira vemos que ela passa a vida produzindo lindas folhas verdes, florescências cheirosas e laranjas doces uma estação após a outra. Essas são as melhores coisas que uma laranjeira pode criar e oferecer ao mundo. Os seres humanos também fazem oferendas ao mundo a cada momento de suas vidas diárias, em forma de pensamentos, palavras e ações. Podemos querer ofertar ao mundo os melhores tipos de pensamentos, palavras e ações que conseguimos – porque eles são nossa continuação, quer queiramos que eles sejam ou não. Podemos usar o nosso tempo sabiamente, gerar as energias de amor, compaixão e compreensão, dizer coisas belas, influenciar, perdoar e agir para proteger e ajudar a Terra e uns aos outros. Desse modo, podemos assegurar uma bela continuação.

"Quando olhamos dentro dos nossos corpos e consciências, nós vemos que somos um organismo complexo. Existem tantas formas, tantos elementos que podem ser encontrados dentro de nosso corpo e da nossa consciência. Em cada célula podemos ver toda a história da humanidade, da Terra e do cosmos. Cada célula do nosso corpo é capaz de nos fornecer todos os tipos de informações que dizem respeito ao cosmos. Uma única célula pode nos dizer muito sobre nossos ancestrais; não apenas humano, mas também nossos ancestrais animais, vegetais e minerais. Toda vez que damos um passo numa meditação caminhando, estamos nos movendo como um organismo, nós estamos nos movendo como o cosmos, e todos os nossos ancestrais se movem conosco e dão passos conosco. Não só nossos ancestrais, mas nossos filhos e os filhos deles se movem conosco. O um contém o todo. Quando somos capazes de dar um passo cheio de paz e alegria, todos os nossos ancestrais estão simultaneamente dando àquele passo." (Thich Nhât Hanh)
"Todos temos três pessoas dentro de nós: um lutador, um monge e um artista. O artista é muito importante. O artista pode trazer frescor, um significado para a vida, alegria. O líder espiritual pode trazer lucidez, calma e visão profunda. E o lutador traz a determinação de ir em frente. Temos que mobilizar todas essas três pessoas dentro de nós e nunca deixar nenhuma delas morrer ou ficar fraca." (Thich Nhât Hanh)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010



"Nós dois [Macaulay e Michael Jackson] sempre teremos 8 anos, porque não tivemos a chance de ter 8 anos quando tínhamos essa idade. Esse é o lado belo e maldito de nossas vidas." (Macaulay Culkin)
Abaixo da resenha da Marta Isaacsson, aumenta o número de relatos, advindos do blog do Porto Alegre Em Cena, de pessoas que eu não sei por que foram ver a peça do Robert Wilson.


"[Em Happy Days], a conversa entre dois deuses do teatro teve lugar nesse Porto Alegre em Cena. Bob Wilson encontra Beckett e trava com ele uma aproximação nos mesmos moldes como fez com tantos outros dramaturgos. Não encena o texto, não explora ações de composição da situação dramática. Para Wilson, a dramaturgia possui suas próprias imagens e sobre as quais ele se recusa intervir. É através das palavras que os personagens de Beckett têm a sensação de existirem e esquecer sua miséria. E é para as palavras de Beckett que Bob Wilson abre passagem enquanto a cena corre em paralelo. E, para deixar o texto de Beckett passar com liberdade, compõe um quadro fixo, em que o relevo se aplaina pela disposição frontal dos elementos, conhecida marca da primorosa visualidade de seus espetáculos." (Marta Isaacsson)





"Enquanto a monotonia começa a chegar, lembro das mediações feitas na Bienal e me pergunto: sobre o que é o espetáculo [Happy Days]? Mesmo encontrando respostas como: é sobre o patético da vida, sentia que algo não estava funcionando ali. A plateia faz um silêncio enorme. Mesmo as tosses, tão comuns nestes momentos, estavam praticamente sumidas. E, enquanto o texto vai sendo despejado com um sotaque que mais me lembrava uma feirante em Marseille, vou sentindo necessidade de olhar o relógio. Havia se passado apenas meia hora e o sono já começava a chegar de forma incontrolável. Logo eu que este ano fiz questão de não comprar ingressos para o espetáculo japonês com medo de que eles botassem toda a minha cultura ocidental para dormir. Troco minhas impressões com algumas pessoas e, além de concordarmos que o espetáculo está botando para dormir, descubro que isto ocorre porque há um problema na interpretação da atriz que apenas despeja o texto, acrescentando interjeições desnecessárias. Neste momento, concluo que há uma falta de sutileza na hora de dizer as palavras do texto cujas intenções do autor precisariam ser respeitadas." (Helena Mello)


Bob Bahlis: Fostes ver o espetáculo do Japão, Tobari? Fiquei sabendo que algumas pessoas dormiram. É verdade?

Margarida Leoni Peixoto: Tem gente que dorme até em assalto, né, meu anjo? As pessoas que dormiram podem estar acostumadas com espetáculos de dança e teatro com ação. Lamento muito por elas. A beleza plástica de Tobari chega a qualquer olhar. O espetáculo mostra o ciclo vital, o nascimento, morte e renascimento. A tradução do nome do grupo [Sankai Juku] é "o ateliê da montanha e do mar". Deveria ter visto o espetáculo de joelhos. Uma obra prima.


"Equívoco ou desastre, este é o resultado da direção de Bob Wilson da peça de Samuel Beckett, Happy days. Um espetáculo inerte, repetitivo, sem uma linha dramática ascendente que sustente minimamente o interesse do espectador durante a hora e meia de duração. Em suma, um espetáculo chato. Mesmo a iluminação, que tem sido um dos mais requintados recursos cênicos utilizados pelo diretor, não atinge o nível dos espetáculos anteriores. O que vimos no Theatro São Pedro foi uma luz ácida, agressiva, tentando desesperadamente se impor acima e além do que acontecia no palco, uma espécie de tábua de salvação diante de um afogamento iminente." Luiz Paulo Vasconcellos)


"Canso-me. Dou algumas piscadas, pois meus olhos quase fecham. Intervalo. Não vou embora. Penso: 'Tudo bem dormir, aconteceu isso no Quartett e também já ouvi outras pessoas falarem o mesmo, mas, eu não ter nenhum encanto, além de ficar alerta ao texto... Isso é estranho...' Volto ao espetáculo. Adormeço completamente. Surge o som de um raio e ele cai em neon sobre o palco. Acordo. Contemplo encantada, mas, na hora do raio em neon ir embora, vejo as cordas que o levantam. Desencanto-me. Creio que não era a proposta mostrar o processo. Continuo atenta. O homem sai da 'toca' e aparece para nós. Penso: 'não precisava'. Uma dramaticidade que não precisava. Ascendem-se as luzes, bato algumas palmas e vou embora. E nada mais." (Rochelle Porto)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010



"No pensamento benjaminiano, a arte não se refere a um fazer específico, separado de outros fazeres, mas está relacionada à dimensão estética presente em todas as práticas humanas. Estética entendida como modalidade de construção de saberes e de subjetividades, ligada à sensibilidade, orientada pela criação e não pela acumulação e repetição do estabelecido." (Sérgio Augusto Leal de Medeiros)


"Creio que caminhamos aqui na mesma direção de combate ao clichê, aquele tipo de agenciamento das imagens e sons que induz a uma leitura pragmática geradora de reconhecimentos do já dado e do que não traz informação nova, ou seja, do combate àquela forma de experiência na qual não se vê efetivamente a imagem e não se percebe a experiência, ou, se quisermos, não se captura o que acontece na imagem, pois a mobilização de protocolos de leitura já automatizados define a priori 'do que se trata' quando olhamos a imagem ou seguimos a narrativa. Para mim, o que vale – estética, cultural e politicamente – é a relação com a imagem (e a narrativa) que não compõe de imediato a certeza sobre este 'do que se trata' e lança o desafio para explorar terrenos não-codificados da experiência. Tanto melhor se o próprio filme se estrutura para impedir o conforto de reconhecimento do mesmo, de confirmação do que se supõe saber. O modernismo nos legou este imperativo de desautomatização da percepção e de ampliação de repertório como tarefa da arte, recuperação de uma sensibilidade amortecida pelo investimento prático em que o cotidiano se faz o lugar do hábito, da percepção que está instrumentada por uma interação com o mundo marcada pelo cumprimento de certas finalidades, das mesmas finalidades a cada novo dia. Nesse terreno, seria ilusório supor que a relação produtiva e enriquecedora com as imagens e narrativas desconcertantes se apoie na força exclusiva de um saber das formas e de um repertório analítico que nos capacite a uma recepção 'adequada', pois aqui, como em outros terrenos, quase tudo depende da postura, de uma disponibilidade, de uma forma de interagir com as imagens (e narrativas), que têm a ver com todas as dimensões da nossa formação pessoal e inserção social. A recepção deve ser um acontecimento (original) não-redutível a esta ideia de que o 'especialista' (sabedor de códigos) detém a chave para ler os filmes da forma mais competente." (Ismail Xavier)



"Saber que entraremos pelo cano
Satisfaz
Vós tereis um padre pra rezar a missa"

Pierre Boulez


FOUCAULT, Michel. Michel Foucault/Pierre Boulez - A música contemporânea e o público. In: ____. Estética: Literatura e Pintura, Música e Cinema. Ditos & Escritos III. Rio de Janeiro: Forense.

Michel Foucault - Tenho a impressão de que muitos dos elementos destinados a dar acesso à música acabam empobrecendo a relação que se tem com ela. Há um mecanismo quantitativo em jogo. Uma certa eventualidade na relação com a música poderia preservar uma disponibilidade da escuta, e uma flexibilidade da audição. Mas, quanto mais essa relação é frequente (rádio, discos, cassetes), mais familiaridades se criam; hábitos se cristalizam; o mais frequente se torna o mais aceitável, e rapidamente o único admissível. Produz-se uma "facilitação", como diriam os neurologistas. Evidentemente, as leis do mercado acabam por se aplicar facilmente a esse mecanismo simples. O que se põe à disposição do público é o que ele escuta. E o que de fato ele acaba escutando, porque é o que é lhe proposto, reforça um certo gosto, estabelece os limites de uma capacidade bem definida de audição, delimita cada vez mais um esquema de escuta. Será necessário satisfazer essa expectativa etc. Assim, a produção comercial, a crítica, os concertos, tudo o que aumenta o contato do público com a música tende a tornar mais difícil a percepção do novo. Certamente, o processo não é unívoco. E também é verdade que a familiaridade crescente com a música amplia a capacidade de escuta e dá acesso a diferenciações possíveis, mas esse fenômeno tende a se produzir somente à margem; em todo caso, ele pode permanecer secundário em relação ao grande reforço do adquirido, se não houver um reforço para vencer as familiaridades. Não defendo, e isso é evidente, uma rarefação da relação com a música, mas é preciso compreender que o dia-a-dia dessa relação, com todas as injunções econômicas que a ela estão associadas, pode ter esse efeito paradoxal de enrijecer a tradição. Não é preciso dar acesso à música mais rara, mas a uma convivência com ela menos determinada pelos hábitos e familiaridades.

Pierre Boulez - Progressivamente, os elementos asseguradores da música, como o vocabulário baseado em acordes "classificados", os já nomeados, desapareceram da música "séria"; a evolução se deu no sentido de uma renovação sempre mais radical tanto na forma das obras quanto em sua linguagem. As obras tenderam a se tornar acontecimentos singulares que têm certamente seus antecedentes, mas são irredutíveis a qualquer esquema condutor admitido, a priori, por todos., o que cria, certamente, um entrave para a compreensão imediata. Espera-se que o ouvinte se familiarize com o percurso da obra, e que para isso ele deva ouvi-la um certo número de vezes; tendo o percurso se tornado familiar, a compreensão da obra, a percepção do que ela quer exprimir podem encontrar um terreno propício ao seu desabrochar. Há cada vez menos chances de que o primeiro contato possa despertar a percepção e a compreensão. É possível haver uma adesão espontânea, pela força da mensagem, da qualidade da escrita, da beleza sonora, da legibilidade das marcas, mas a compreensão profunda só pode vir da repetição da leitura, do percurso refeito, dessa repetição tomando o lugar do esquema aceito tal como outrora ele era praticado. Os esquemas - de vocabulário, de forma - que foram banidos da música dita séria, se refugiaram em certas formas populares, nos objetos de consumo musical. Ali, ainda se cria de acordo com os gêneros, segundo as tipologias admitidas. O conservadorismo não é necessariamente encontrado onde é esperado; é inegável que um certo conservadorismo de forma e de linguagem se encontra na base de todas as produções comerciais adotadas com grande entusiasmo por gerações que de alguma forma se consideram conservadoras.


Pois. Assisti à encenação de 4.48 Psychosis, da Sarah Kane, no Porto Alegre Em Cena, por uma companhia londrinense. [O título da peça eu já conhecia desde que conheci a música homônima dos Tindersticks, de um disco de 2003.] Por causa do primeiro texto que colo aqui embaixo, lido no fôlder introdutório, identifiquei-me vertiginosamente com a dramaturga depressiva que queria se matar por não enxergar saída, aos 28 anos. Eu enxerguei Sarah Kane, mesmo que digam que a peça não é uma biografia, eu a enxerguei numa clínica ouvindo as vozes do surto psicótico. Eu fui Sarah Kane. (Mesmo não gostando da montagem, que tem uma boa porção de antiexemplos, na opinião minhas e de outros lehmannianos, defensores do teatro pós-dramático.)


O que estas peças dizem sobre nós
David Greig

"Sarah Kane tornou-se conhecida pelo modo como a sua carreira começou, com a extraordinária polêmica que provocou sua peça de estreia, Blasted, e pelo modo como acabou: o suicídio e a encenação póstuma de sua quinta e última peça, Psicose 4h48. Ambos foram momentos chocantes e bem definidos do teatro inglês recente e as suas sombras irão pairar sobre qualquer leitura que se faça sobre sua obra. Blasted, O Amor de Fedra, Purificados, Ânsia e Psicose 4h48 formam um corpo de trabalho que expandiu imprudentemente as fronteiras naturalistas do teatro inglês. Kane foi perseguida a vida toda por acessos depressivos. A cada nova ocorrência esses acessos a tornavam mais debilitada, até finalmente a levarem ao suicídio em fevereiro de 1999, aos 28 anos de idade, com o cadarço do tênis, no banheiro da clínica psiquiátrica. No texto, não existem vozes delineadas e nenhuma indicação no texto sobre o número ou sexo dos personagens. A mesma fragmentação do eu, o perder de limites que a mente psicótica experimenta é refletida literalmente na estrutura da peça. Toda a peça descreve a paisagem interior de uma mente suicida. O suicídio coloca sempre uma questão, e o suicídio de um escritor deixa material que os vivos podem apenas ler atentamente à procura de respostas. Inevitavelmente, a sombra da morte de Kane recairá sobre suas peças. Mas o desafio para o leitor das últimas peças de Kane não é descobrir a autora que está por detrás das palavras, mas sim, atentar sobre o que há de nós por detrás dessas peças."


4.48 PSYCHOSIS
Sarah Kane
[Algumas colagens selecionadas por mim da tradução portuguesa.]

- Fizeste planos?
- Tomar comprimidos, cortar os pulsos, depois enforcar-me.
- Tudo ao mesmo tempo?
- De certeza que não podia ser reconstituído como um grito de ajuda.

(Silêncio.)

- Não ia resultar.
- Claro que ia.
- Não ia resultar. Sentias-te sonolenta dos comprimidos e não tinhas energia para cortar os pulsos.

(Silêncio.)

- Se ficares sozinha achas que podes fazer mal a ti própria?
- Acho que sim e isso assusta-me.
- Pode ser uma espécie de protecção?
- Sim. É o medo que me afasta da linha do comboio. Só espero, por amor de Deus, que a morte seja a merda do fim. Sinto-me com oitenta anos. Estou cansada da vida, a minha mente quer morrer.
- Isso é uma metáfora, não a realidade.
- É um símile.
- Não é a realidade.
- Não é uma metáfora, é um símile, mas mesmo que fosse, aquilo que define uma metáfora é ela ser real.

(Um longo silêncio.)

- Não tens oitenta anos.

(Silêncio.)

- Tens?

(Um silêncio.)

Ou tens?

(Um longo silêncio.)

- Desprezas todas as pessoas infelizes ou sou só eu em particular?
- Não te desprezo. A culpa não é tua. Tu estás doente.
- Não acho.
- Não?
- Não. Estou deprimida. A depressão é ira. Foi o que tu fizeste, quem lá estava e quem culpas.
- Quem é que tu estás a culpar?
- A mim.

- Epá, o que é que te aconteceu ao braço?
- Cortei-o.
- Isso é para chamar a atenção, que coisa tão infantil. Aliviou-te?
- Não.
- Aliviou-te?

(Silêncio.)

Aliviou-te?
- Não.
- Não percebo por que é que fizeste isso?
- Então pergunta.
- Aliviou a tensão?

(Um longo silêncio.)

Posso ver?
- Não.
- Gostava de ver, para ver se está infectado.
- Não.

(Silêncio.)

- Sabia que podias fazer isso. Há muitas pessoas que fazem. Alivia a tensão.
- Já alguma vez fizeste?
- ...
- Não. És sensível e são demais merda. Não sei onde é que tu leste isso, mas não alivia a tensão.

(Silêncio.)

Por que é que não me perguntas porquê?
Por que é que eu cortei o braço?
- Queres dizer-me?
- Quero.
- Então diz-me.
- PERGUNTA.
ME.
PORQUÊ.

(Um longo silêncio.)

- Por que é que cortaste o braço?
- Porque me sinto muito bem merda. Porque me sinto fantástica merda.
- Posso ver?
- Podes ver. Mas não toques.
- (Olha) Achas que estás doente?
- Não.
- Eu acho. A culpa não é tua. Mas tens de responsabilizar-te pelas tuas acções. Por favor não voltes a fazê-lo.


Não consigo estar sozinha.
Não consigo estar com os outros.

Diagnóstico: desgosto patológico.

Uma linha picotada na garganta
CORTE POR AQUI

Só sei
a neve
e um desespero negro

Cai neve preta
Carey Mulligan & Emily Mortimer

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Superpromoção de devedês nas Americanas. Comprei cinco. Eis meu acervo atualizado.

01. 12 macacos, Os
02. Além da linha vermelha
03. Anagrama
04. Antes do amanhecer
05. Antes do pôr-do-sol
06. Anticristo
07. Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford, O
08. Barbarella
09. Brilho eterno de uma mente sem lembranças
10. Container
11. Corte, O
12. Depois do casamento
13. Desejo e obsessão
14. Deusa de 1967, A
15. Dogma do amor
16. Donnie Darko
17. Embriagados de amor
18. Equilibrista, O
19. Estrada, A
20. Estrada perdida
21. Evil dead
22. Fahrenheit 11 de setembro
23. Fay Grim
24. Fonte da vida
25. Fraternidade é vermelha, A
26. Grande chefe, O
27. Hole in my heart, A
28. Limits of control, The
29. Lucía y el sexo
30. Luz silenciosa
31. Minority report
32. Não amarás
33. Oldboy
34. Onde os fracos não têm vez
35. Onde vivem os monstros
36. Proposta, A
37. Prova de amor
38. Quarto do filho, O
39. Quem somos nós
40. Querida Wendy
41. Sacrifício, O
42. Sob a areia
43. Stalker
44. Tokyo!
45. Twin Peaks (série completa)
46. Vanilla sky
47. Vida secreta das palavras, A
48. Waking life
49. Walk the line

Do blog do Porto Alegre Em Cena. Foto de Lenise Pinheiro/PMPA.

" . . . talvez falte à montagem um maior entendimento do que Hans Thies Lehmann (que recentemente esteve por estas plagas) chama de poética da perturbação, no interior da qual 'as imagens perturbam as palavras', poética esta capaz de instaurar uma narrativa em paradoxo e não um circuito em que as palavras remetem às ações e vice-versa. Na montagem londrinense, há dois atores, pequena mesa, cadeira hospitalar, uma cadeira de rodas e remédios. Em Psicose 4h48, Rosana Stavis é corajosa e sabe despojar-se de vaidades, fazendo uma interpretação forte mas que, por vezes, desliza para o exagero com choro e gritos em excesso. Receita esta que, na minha opinião, sublinham mais do que acrescentam." (Jacqueline Pinzon)


Foto de Ivo Gonçalves/PMPA.

"Senti muito não ter gostado da peça, porque admiro Sarah Kane, e acho tudo o que ela escrevia muito forte e poético. O problema principal, em minha opinião, foi o da redundância da encenação, que insiste em nos mostrar um universo cinzento, niilista, desesperançado e angustiante, estendendo essas imagens pessimistas por cada minuto e cada centímetro da encenação, sem nenhum tipo de refresco ou transcendência. (...) A direção de Marcos Damaceno nos coloca em um espaço bastante pequeno, próximos aos atores, que estão iluminados por algumas lâmpadas fluorescentes, que frequentemente reduzem-se a um simples 'bafo de luz'. A penumbra é constante, como que reforçando a ideia de que 'é uma peça dark, então o visual tem que ser dark'. Não concordo com isso: essa nota única, que perpassa o espetáculo do início ao fim, cansa em determinado momento. No programa do espetáculo, o diretor escreve que a peça de Sarah Kane 'incita, a quem se debruça a encená-la, a criar correspondentes cênicos e interpretativos à singularidade poética do texto'. Infelizmente isso não aconteceu, pelo contrário. Damaceno não nos dá nenhuma imagem que fuja da situação pseudo-realista de uma mulher internada em uma instituição psiquiátrica. E olhe que o texto de Kane é riquíssimo de possibilidades: na versão impressa da peça que possuo, algumas páginas se aproximam de poemas concretos, tal a profusão de números, fórmulas, espaçamentos de texto que se encontram. Sarah Kane não escreveu uma peça próxima do convencional; quem fez isso foi o diretor do espetáculo." (Marcelo Adams)

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A história está prestes a se repetir, cinco anos depois e centenas de sessões de terapia depois. E o novo disco est(ar)á, sim, mais melódico.

Quarta-feira, 21 de setembro de 2005: Busquei anteontem o sedex com os discos nos Correios. Enquanto caminhava com o pacote debaixo do braço, eu fechava os olhos e o arrepio e as lágrimas tomavam conta da minha alma. Nasceu. Nasceu. E é lindo, todo pequeninho.

Segunda-feira, 26 de setembro de 2005: Foi um domingo de depressão pós-parto. Que venha o próximo filhote. Ainda estou pensando como ele poderá ser. Me agrada a ideia de ser mais melódico, mas a gente nunca prevê as coisas da natureza.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010



Roman Opałka (nascido em 1931, portanto tem 69 anos) é um pintor polonês nascido na França. Em 1965, no seu estúdio, em Varsóvia, Opalka começou a pintar um processo de contagem - de um até o infinito. Começando no canto superior esquerdo da tela e terminando no canto inferior direito, os numerozinhos são pintados em linhas horizontais. A cada tela nova, que ele chama de 'detalhe', ele continua a contagem de onde parou. Cada 'detalhe' tem o mesmo tamanho (196 x 135 cm), a dimensão da porta de seu estúdio. Todos os 'detalhes' têm o mesmo título, "1965 / 1 – ∞".



"Todo o meu trabalho é uma coisa só, a descrição do número um até o infinito. Uma única coisa, uma vida única."

No passar dos anos, foram feitas algumas mudanças no ritual. Em seus primeiros detalhes, Opalka pintava números brancos em um fundo preto.



Em 1968 ele mudou para um fundo cinza "porque não é uma cor simbólica, nem emocional", e em 1972 ele decidiu gradualmente branquear o fundo cinza adicionando 1% de branco em cada tela. Ele espera pintar branco no branco até alcançar 7.777.777. "Meu objetivo é chegar ao branco total e ainda estar vivo."

A lista mais difícil de fazer.


[TOP 140 MELHORES MÚSICAS DOS ANOS 00]

1. Einstürzende Neubauten - Die wellen
2. Radiohead - Everything in its right place (2000)
3. Sonic Youth - Free city rhymes (2000)
4. Vic Chesnutt - Coward (2009)
5. Johnny Cash - Hurt (2002)
6. Portishead - Machine gun (2008)
7. Nick Cave & Warren Ellis - The proposition 1 (2005)
8. Jon Brion - Little person (2008)
9. Koop & Hilde Louise Asbjornsen - Strange love (2008)
10. Peter Gabriel - Book of love (2004)
11. Radiohead - All I need (2007)
12. Vincent Gallo - When (2001)
13. Alva Noto & Ryuichi Sakamoto - Noon (2002)
14. Elbow - On a day like this (2008)
15. William Basinski - Disintegration loops 1.3 (2003)
16. Antony & The Johnsons - Another world (2008)
17. The Microphones - The moon (2002)
18. dEUS - Bad timing (2005)
19. Massive Attack & Tunde Adebimpe - Pray for rain
20. Björk - Cocoon (2001)
21. Arcade Fire - My body is a cage (2007)
22. Grandaddy - Now it's on (2003)
23. Los Hermanos - Além do que se vê (2003)
24. Bob Dylan - Nettie Moore (2006)
25. PJ Harvey - The slow drug (2005)
26. Avey Tare & Kria Brekkan - Sasong (2007)
27. José Miguel Wisnik - Pérolas aos poucos (2004)
28. Julie Delpy - An ocean apart (2003)
29. Frank Poole - Canção para Cecília (2000)
30. Bob Dylan - Dreamin of you (2009)
31. Björk - Overture (2000)
32. Sparklehorse - It's a wonderful life (2001)
33. Lift To Experience - To guard and to guide you (2001)
34. Múm - Við erum með landakort af píanóinu (2002)
35. The Decemberists - The crane wife 1 and 2 (2006)
36. Land Of Talk - It's okay (2008)
37. Foo Fighters - Best of you (2005)
38. PJ Harvey - Big exit (2000)
39. Nine Inch Nails - The hand that feeds (2005)
40. The Racounters - Many shades of black (2008)
41. Interpol - NYC (2002)
42. Rilo Kiley - Portions for foxes (2004)
43. Mogwai - Secret pint (2001)
44. Lavajato - O filho pródigo (2002)
45. Sigur Ros - Vaka (2002)
46. Animal Collective - For Reverend Green (2007)
47. Sparklehorse & Danger Mouse - Dark night of the soul (feat. Vic
48. Chesnutt) (2009)
49. Sonic Youth - Disconnection notice (2002)
50. Queens Of The Stone Age - Feel good hit of the summer (2000)
51. St. Vincent - Land mines (2007)
52. Stars - Your ex-lover is dead (2005)
53. Blur - The good song (2003)
54. Feist - Mushaboom (2004)
55. The New Pornographers - Adventures in solitude (2007)
56. Paul McCartney - Dance tonight (2007)
57. Patti Smith - Gone again (2002)
58. David Byrne - Glass, concrete & stone (2004)
59. Lavajato - Servir melhor para servir sempre (2003)
60. Gogol Bordello - American wedding (2007)
61. The Twilight Sad - Cold days from the birdhouse (2007)
62. Einstürzende Neubauten - Ich gehe jetz (2004)
63. The Fiery Furnaces - Single again (2005)
64. Fantômas - Rosemary's baby (2001)
65. R.E.M. - Bad day (2003)
66. Mão Morta - Poesia (2008)
67. Byetone - Plastic star (2008)
68. Coldplay - Yellow (2000)
69. Decemberists - From my own true love (lost at sea) (2005)
70. Arcade Fire - Wake up (2004)
71. Radiohead - A wolf at the door (2003)
72. Grandaddy - The crystal lake (2000)
73. The White Stripes - Icky Thump (2007)
74. Arcade Fire - No cars go (2007)
75. Elbow - George lassoes the moon (2001)
76. Arab Strap - (If there's) no hope for us (2005)
77. Belle And Sebastian - We are the sleepyheads (2006)
78. The Polyphonic Spree - Light & day (reach for the sun) (2002)
79. Wilco - Misunderstood (2002)
80. Bright Eyes - Train under water (2005)
81. Beck - The golden age (2002)
82. Destroyer - Rubies (2006)
83. The Flaming Lips - I can be a frog (2009)
84. Thurston Moore - Fri/end (2007)
85. Tatu - Ja sosla s uma (2001)
86. Camera Obscura - French navy (2009)
87. Blonde Redhead - Loved despite of great faults (2000)
88. Cat Power - Free (2003)
89. Clinic - Internal Wrangler (2000)
90. Explosions In The Sky - Have you passed through this night (2001)
91. Godspeed You! Black Emperor - Sleep (2000)
92. Joanna Newsom - Emily (2006)
93. John Frusciante - Going inside (2001)
94. Leonard Cohen - Everybody Knows (2001)
95. Mão Morta - Estilo (2004)
96. Migala - Aquel incendio (2002)
97. Paul McCartney - Dance tonight (2007)
98. Queens Of The Stone Age - The lost art of keeping secret (2000)
99. R.E.M. - Imitation of life (2001)
100. Róisín Murphy - Overpowered (2007)
101. Ryoji Ikeda - Data.syntax (2005)
102. Stars - The night starts here (2007)
103. The Album Leaf - Always for you (2006)
104. The Kills - No wow (2005)
105. Jenny Lewis & Elvis Costello - Carpetbaggers (2008)
106. The New Pornographers - My rights versus yours (2007)
107. Camera Obscura - French navy (2009)
108. Adem - Hotellounge (be the death of me) (2008)
109. The B-52s - Pump (2008)
110. Bright Eyes - Clairaudients (kill or be killed) (2007)
111. Bill Callahan - From the rivers to the ocean (2007)
112. Lily Allen - Fuck you (2009)
113. The Decemberists - Valerie Plame (2008)
114. The Walkmen - In the New Year (2008)
115. Built To Spill - Goin' against your mind (2006)
116. M. Ward - Chinese translation (2006)
117. The Strokes - The modern age (2001)
118. Smog - Rock bottom riser (2005)
119. Architecture In Helsinki - Wishbone (2005)
120. Beck - E-pro (2005)
121. Wendy McNeil - Such a common bird (2006)
122. The Mountain Goats - Cotton (2005)
123. Casiotone For The Painfully Alone - Natural light (2009)
124. Portishead - Silence (2008)
125. Conor Oberst - Eagle on a pole (2008)
126. Conor Oberst - Cape Canaveral (2008)
127. Wye Oak - Please concrete (2008)
128. The Strokes - Ask me anything (2006)
129. The Moldy Peaches - Lucky number nine (2001)
130. Deerhoof - The tears and music of love (2008)
131. The Libertines - What Katie did? (2004)
132. Jenny Lewis & The Watson Twins - Big guns (2005)
133. Fruet & Os Cozinheiros - Que se faz (2006)
134. The Kissaway Trail - Forever turned out to be too long (2007)
135. The Polyphonic Spree - The championship (2007)
136. Tindersticks - Chilitetime (2001)
137. Tortoise & Bonnie Prince Billy - Cravo e canela (2006)
138. Lambchop - Moodyfucker (2006)
139. Pete Yorn & Scarlett Johansson - Relator (2009)
140. Destroyer - Introducing angels (2008)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

[TOP 60 MELHORES MÚSICAS DOS ANOS 90]

01. Nick Cave & The Bad Seeds - Into my arms (1997)
02. Portishead - Undenied (1994)
03. The Flaming Lips - Race for the prize (1999)
04. Björk - Joga (1997)
05. Bonnie "Prince" Billy - I see a darkness (1999)
06. Mogwai - Punk rock (1999)
07. Lobão - A vida é doce (1999)
08. The Cardigans - Lovefool (1997)
09. Spiritualized - Ladies and gentlemen we are floating in space (1997)
10. Teenage Fanclub - About you (1995)
11. Massive Attack - Angel (1998)
12. Nine Inch Nails - We're in this together (1999)
13. Pulp - Like a friend (1998)
14. Grandaddy - Taster (1996)
15. Placebo - Pure morning (1998)
16. Faith No More - The gentle art of making enemies (1995)
17. The Smashing Pumpkins - 1979 (1996)
18. Radiohead - Just (1995)
19. Sonic Youth - Androgynous mind (1994)
20. Godspeed You Black Emperor! - East hastings (1997)
21. Patti Smith - Gone again (1996)
22. Fly Pan Am - Dans ses cheveux soixante circuit (1999)
23. R.E.M. - At my most beautiful (1998)
24. Placebo - Without you I'm nothing (1998)
25. Supergrass - Mary (1999)
26. Nine Inch Nails - Wish (1992)
27. PJ Harvey - Long sake moan (1995)
28. Massive Attack - Teardrop (1998)
29. R.E.M. - Hope (1998)
30. Foo Fighters - Learn to fly (1999)
31. Aphex Twin - Come to daddy (pappy mix) (1997)
32. Prodigy - Firestarter (1996)
33. Rage Against The Machine - Killing in the name (1992)
34. Oasis - The masterplan (1998)
35. Blur - Distance left to run (1999)
36. The Chemical Brothers - Setting sun (1996)
37. Sparklehorse - Spirit ditch (1995)
38. Built To Spill - Randy described eternity (1997)
39. Sonic Youth - Winner's blues (1994)
40. Marianne Faithful - She (1993)
41. Smog - Morning paper (1997)
42. Pan Sonic - Puhdistus (1997)
43. Vitor Ramil - Ramilonga (1997)
44. David Bowie - Little wonder (1995)
45. Primal Scream - Star (1997)
46. Alanis Morissette - Uninvited (1998)
47. Nine Inch Nails - The day the whole world went away (1999)
48. Super Furry Animals - Northern lites (1999)
49. Le Tigre - Deceptacon (1999)
50. Beck - Where it's at (1996)
51. Pulp - This Is Hardcore (1998)
52. Sonic Youth - Mote (1990)
53. Portishead - All mine (1997)
54. The Smashing Pumpkins - Perfect (1998)
55. Garbage - Queer (1995)
56. Rammstein - Spiel mit mir (1997)
57. Yo La Tengo - Deeper into movies (1997)
58. Tortoise - TNT (1998)
59. Lobão - El desdichado II (1999)
60. Eels - Beautiful freak (1996)

domingo, 5 de setembro de 2010

input_output musicando poema de Pardal Vermelho.

Trecho de texto absurdamente bom. Eu falei para o Muriel publicar isso.

"Uma vez na estrada e tendo ido parar ali sem saber como nem por quê você tinha é que lutar contra a necessidade imensa de supor, de imaginar, de persuadir-se quanto à possíveis motivos, sentidos, prêmios até, de que o melhor remédio pra não estancar no meio do caminho era aceitar que não havia respostas possíveis, razoáveis talvez, mas nunca absolutas, definitivas. O mais difícil era talvez lutar sem saber que se estava lutando contra uma série de coisas que eram e não eram você ao mesmo tempo. Por algum estranho motivo você é alguém ou acha que é alguém e assim segue morro acima e é no transcurso da viagem que os obstáculos, dúvidas, carências, fome, sede, dor, expectativas, desilusões, dias, noites, pedras, ratos, galhos, pássaros, sol, sombras, céu, azul, verde, branco, avanços e tropeços, cada passo enfim revelando um enfrentamento, por mínimo que seja, com esse eu que se acredita por pressuposto indiscutível ser." (Muriel Paraboni)

sábado, 4 de setembro de 2010

"Há também em tua narrativa a presença do caleidoscópio e do fractal. Por vezes, teu enredo que se dispara em setas para todos os lados fazendo o leitor mergulhar em espelhos e de repente se encontrar na ponta de um cristal que repete sua estrutura ad infinitum. As imagens que teu texto carrega são transfigurações de uma riqueza cuja repartição joga o leitor em espirais surpreendentes." (Isac Isdra)
Pitchfork está fazendo a lista das 200 melhores músicas dos anos 90, a década que enxergou o MP3 somente em seu final. Entre figurinhas que vão estar também no meu álbum e coisas a conhecer (agora que o MP3 é o formato-mor), anotei as seguintes músicas:

001. Pavement - Gold Soundz [1994]
002. Pulp - Common People [1995]
004. Radiohead - Paranoid Android [1997]
006. My Bloody Valentine - Only Shallow [1991]
007. Neutral Milk Hotel - Holland, 1945 [1998]
013. Nirvana - Smells Like Teen Spirit [1991]
015. Depeche Mode - Enjoy the Silence [1990]
017. Belle and Sebastian - The State I Am In [1996]
019. Mazzy Star - Fade Into You [1994]
021. The Smashing Pumpkins - 1979 [1996]
023. Spiritualized - Ladies and Gentlemen We Are Floating in Space [1997]
024. Built to Spill - Car [1994]
026. Blur - Girls & Boys [1994]
027. Elliott Smith - Needle in the Hay [1995]
030. The Flaming Lips - Race for the Prize [1999]
031. Underworld - Born Slippy .NUXX [1996]
032. Bonnie "Prince" Billy - I See a Darkness [1999]
034. New Order - Regret [1993]
039. Beastie Boys - Sabotage [1994]
040. The Orb - Little Fluffy Clouds [1990]
042. Nine Inch Nails - Closer [1994]
043. The Chemical Brothers [ft. Noel Gallagher] - Setting Sun [1996]
044. Massive Attack - Unfinished Sympathy [1991]
047. PJ Harvey - Rid of Me [1993]
048. Foo Fighters - Everlong [1997]
049. Yo La Tengo - Autumn Sweater [1997]
050. Oasis - Live Forever [1994]
051. Public Enemy - Brothers Gonna Work It Out [1990]
054. Portishead - Glory Box [1994]
056. Godspeed You Black Emperor! - Moya [1999]
057. The Beta Band - Dry the Rain [1997]
058. Fugazi - Repeater [1990]
059. Deee-Lite - Groove Is in the Heart [1990]
060. Sonic Youth - 100% [1992]
061. Pixies - Alec Eiffel [1991]
063. Modest Mouse - Trailer Trash [1997]
066. The Cardigans - Lovefool [1997]
067. Bikini Kill - Rebel Girl [1992]
070. Boards of Canada - Roygbiv [1998]
071. Arthur Russell - This Is How We Walk on the Moon [1994]
072. R.E.M. - Nightswimming [1993]
074. Wilco - Via Chicago [1999]
075. Jim O'Rourke - Halfway to a Threeway [1999]
077. Archers of Loaf - Web in Front [1993]
081. Superchunk - Slack Motherfucker [1990]
083. Sleater-Kinney - Dig Me Out [1997]
085. Air - All I Need [1998]
089. Smog - Teenage Spaceship [1999]
092. Hole - Violet [1994]
093. Dinosaur Jr. - Start Choppin' [1992]
094. Stereolab - French Disko [1993]
096. Primal Scream - Higher Than the Sun [1991]
098. Elastica - Stutter [1994]
100. Galaxie 500 - Fourth of July [1990]
102. The Magnetic Fields - Book of Love [1999]
103. Silver Jews - Random Rules [1995]
109. Tortoise - Djed [1996]
111. The La's - There She Goes [1990]
112. Daniel Johnston - Some Things Last a Long Time [1990]
114. TLC - Creep [1994]
122. Tricky - Christiansands [1996]
123. The Jesus Lizard - Mouth Breather [1990]
124. James - Laid [1993]
125. Spacehog - In the Meantime [1996]
128. Supergrass - Caught By the Fuzz [1994]
129. Cat Power - Cross Bones Style [1998]
130. Jawbox - Savory [1994]
131. Unrest - Make Out Club [1993]
133. Pearl Jam - Yellow Ledbetter [1992]
135. Super Furry Animals - Ice Hockey Hair [1998]
137. Pet Shop Boys - Being Boring [1990]
138. The Lemonheads - It's a Shame About Ray [1992]
139. Acen - Trip II the Moon [Pt. 1 and 2] [1992]
140. Guns N' Roses - November Rain [1991]
141. Brian Eno/John Cale - Lay My Love [1990]
143. The Olivia Tremor Control - Hideaway [1998]
146. Julee Cruise - Falling [1990]
147. The Future Sound of London - Papua New Guinea [1991]
148. Slint - Good Morning, Captain [1991]
149. Matthew Sweet - Girlfriend [1991]
150. Fatboy Slim - Praise You [1998]
151. Green Day - Longview [1994]
152. Jane's Addiction - Stop! [1990]
153. The Clientele - We Could Walk Together [1997]
160. Mogwai - Mogwai Fear Satan [1997]
162. Red House Painters - Katy Song [1993]
163. The Afghan Whigs - Gentlemen [1993]
164. The Auteurs - Unsolved Child Murder [1995]
165. Helium - Pat's Trick [1994]
169. Suede - We Are the Pigs [1994]
176. Orbital - Chime [1990]
177. Boredoms - Super Are [1998]
178. Broadcast - Echo's Answer [1999]
180. The Jon Spencer Blues Explosion - Bellbottoms [1994]
181. Nick Cave and the Bad Seeds - Red Right Hand [1994]
183. Mercury Rev - Holes [1998]
184. The Cure - A Letter to Elise [1992]
186. Isolée - Beau Mot Plage [1999]
187. Arab Strap - The First Big Weekend [1996]
188. Halo Benders - Virginia Reel Around the Fountain [1998]
189. The Sundays - Here's Where the Story Ends [1990]
190. Refused - New Noise [1998]
192. Harvey Danger - Flagpole Sitta [1998]
196. Tindersticks - City Sickness [1993]
199. Lambchop - Your Fucking Sunny Day [1997]



O interessante é que estão colocando, abaixo da resenha da música, um ouça-também.
"Con amor podemos cambiar todo. Hasta uno mismo, que es lo más difícil."

"El tiempo es una impresión. No existe. Es lo mismo un pequeño trozo de eternidad que un gran trozo de eternidad."

"No importa seguir Orden Cósmico. Orden Cósmico sigue a ti. Debemos ser el cambio que queremos ver. Cuando actuamos de esa manera, Orden Cósmico se realiza solo."

"Condición normal no existe. Condición normal es cuando hace frio, un poco de calor; cuando hace calor, un poco de frio."

"La razón es tan essencial como la intuición. En el instante de la creación sempre van juntos los dos. Y essa unión dá lugar al uno.

(Toshiro Yamauchi/Diego Rafecas/Buda)
Little Person
(Jon Brion)

I'm just a little person.
One person in a sea.
Of many little people.
Who are not aware of me.
I do my little job.
And live my little life.
Eat my little meals.
Miss my little kid and wife.
And somewhere maybe someday.
Maybe somewhere far away.
I'll find a second little person.
Who will look at me and say.
I know you.
You're the one I've waited for.

Let's have some fun.
Life is precious.
Every minute.
And more precious with you in it.
So let's have some fun.
We'll take a road trip.
Way out West.
You're the one.
I like the best.
I'm glad I found you.
Like hanging round you.
You're the one.
I like the best.
Somewhere maybe someday.
Maybe somewhere far away.
Somewhere maybe someday.
Maybe somewhere far away.
Somewhere maybe someday.
Maybe somewhere far away.
I'll meet a second little person.
And we'll go out and play.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010



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